Off-Topic: Literatura para Gerentes Ágeis

6 de janeiro de 2010 · 💬 Participe da Discussão
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Atualização: 06/01: Quando comecei a escrever, o objetivo era ser bem assertivo. Ainda me frustra pesquisar material atual, blogs e artigos, e não ver nenhum assunto de Agilidade indo mais a fundo nos princípios.

Além disso, ando ansioso com minha própria pesquisa, que sempre parece ter pedaços faltando. Como quase não há com quem conversar a respeito, a frustração aumenta. Por isso, no começo do artigo, eu já estava de paciência curta e comecei a abusar da primeira e da terceira pessoa, num diálogo quase 1 a 1. Isso não ajudava o objetivo central, então resolvi limar as partes mais agressivas. Vamos ver se ficou mais “digerível” :-)

Ano passado compilei uma lista de livros que li na busca pela essência do verdadeiro gerenciamento. Em vez de passar pelos autores mais triviais, como Peter Drucker, fui atrás dos princípios da Agilidade.

Existem algumas categorias de gerentes: os “ágeis”, no sentido mais amplo da palavra, e os “tradicionais”. O segundo grupo, com tendência a não querer mudar nem aprender nada, é triste, ponto final. O primeiro está no caminho certo, mas ainda falta muito. As discussões que vejo hoje nas comunidades ágeis também caem na inércia do “bom senso” e do “senso comum”, e acabam superficiais.

Um gerente ágil deveria querer se dedicar muito mais. O próprio Scrum é um exemplo disso. Como falei no artigo Você não entende nada de Scrum: Jeff Sutherland e Ken Schwaber pesquisaram há muito tempo os assuntos pertinentes e deram as dicas, embora poucos sigam.

Se você quer entender Scrum de verdade, esta literatura ajuda muito. Para começar, tem os Scrum Papers, que dão a introdução.

Se leu, então já esbarrou em termos como “Emergência”, “Beira do Caos”, “Sistemas Complexos Adaptativos” e “Auto-Organização”. E se passou por esses termos e ficou por isso mesmo, pense de novo: qual a vantagem de ler sem entender?

Eu também ainda não sei tudo, mas estou dedicado a entender isso direito. Sem os princípios, só resta “seguir uma receita”, e isso é muito pouco.

Quem procura regras ou receitas está tentando se livrar da própria responsabilidade. Se o método, o procedimento ou o processo “falha” ou não dá resultado, sempre dá para se esconder atrás do “mas eu segui à risca, a culpa não é minha”. Isso foge do ponto. Que resultado você está procurando: seguir regras ou atingir resultados?

Digo isso com “agressividade”, mas com certa relutância, porque eu mesmo já pensei assim. Enfim, depois de um tempo lendo artigos acadêmicos, no momento estou com estes livros:

Mais do que isso? Por experiência, toda vez que alguém usa palavras como “caos” ou “equilíbrio”, percebo que parte da definição casual, não da técnica. Muitos acham que “caos” é só bagunça, algo totalmente indesejado.

Pior ainda: acreditam que o “segredo” está em atingir o equilíbrio e ficar nele, e confundem a meta com buscar equilíbrio. Não é bem isso.

Veja o que diz a introdução de Surfing the Edge of Chaos:

Equilíbrio é o precursor da morte. Quando um sistema vivo está em estado de equilíbrio, ele responde menos às mudanças ao seu redor. Isso o coloca em risco máximo. Diante de uma ameaça, ou movido por uma oportunidade, os seres vivos se movem em direção à Beira do Caos. Essa condição provoca níveis mais altos de mutação e experimentação, e soluções novas e frescas têm mais chance de aparecer.

Quando essa excitação acontece, os componentes dos sistemas vivos se auto-organizam e novas formas e repertórios emergem da turbulência.

Sistemas vivos não podem ser dirigidos por um caminho linear. Consequências imprevistas são inevitáveis. O desafio é perturbá-los de uma forma que se aproxime do resultado desejado.

Isso é uma definição da evolução biológica dos seres vivos. Mas, se você já leu ao menos o básico de Scrum e Agile, também é uma forma de descrever o processo Ágil. Releia os Princípios do Manifesto Ágil e vai encontrar textos parecidos.

Quanto a Sistemas Complexos Adaptativos:

Um sistema complexo adaptativo é formalmente definido como um sistema de agentes independentes que podem agir em paralelo, desenvolvem “modelos” sobre como as coisas funcionam em seus ambientes e, mais importante, refinam esses modelos por meio de aprendizado e adaptação. O sistema imunológico humano é um sistema complexo adaptativo. Assim também é uma floresta tropical, uma colônia de formigas e um business.

Existe uma vasta literatura. Procure na Amazon por termos como “Complexity”, “Edge of Chaos” e “Systems Thinking”, e verá que há décadas pesquisadores das mais diversas áreas e indústrias vêm refinando esse corpo de conhecimento. Técnicas como Toyota Production System/Lean, Six Sigma, Scrum e Theory of Constraints derivam todas dessa escola de pensamento.

Da minha lista anterior, reforço a necessidade de leituras como:

Mais preocupante: técnicas como Lean, TOC, Six Sigma e derivados como o Kanban são termos que muita gente usa errado hoje em dia. Todas nasceram e foram refinadas na Engenharia de Produção, sempre falando de “linha de produção” e “manufatura” de bens materiais, coisas “físicas”.

Em Agile, estamos falando de “Software”, algo abstrato e sem paralelo no mundo físico, portanto sem as mesmas referências.

É impossível migrar ipsis litteris qualquer técnica da Engenharia de Produção. Não funciona de forma tão simples. Um Sprint de Scrum é uma adaptação consciente de Sutherland e Schwaber, que conheciam essa limitação e tentaram uma aproximação no mundo abstrato.

Mas isso não é óbvio nem trivial de entender. Eu mesmo ainda não entendi por completo, e acredito que a maioria no mundo ágil não parou para estudar essa diferença.

Muito cuidado: “Gerenciamento” é muito mais do que “experiência” ou “bom senso”. Assim como um bom programador precisa ler e pesquisar muito para melhorar a técnica, um gerente também precisa. E digo isso para mim mesmo.