LLM Benchmarks: Grok 4.5 e GPT 5.6 Sol

PT | EN
9 de julho de 2026 · 💬 Participe da Discussão
Se tem preguiça de ler, clique aqui pro TL;DR

Mais uma rodada do meu benchmark de coding. No post anterior, o Sonnet 5 chegou com nome forte e terminou em 58/100 Tier C (expectativa não compila), enquanto o Gemini 3.5 Flash surpreendeu com 93/100 Tier A e o Sakana Fugu Ultra empacou no limite do Tier B. A recomendação prática seguia a mesma de sempre: pra trabalho sério, Opus ou GPT via Claude Code, Codex ou OpenCode.

Dessa vez tem dois nomes novos e um estremecimento na parte de cima da tabela. O Grok 4.5 finalmente puxou a família Grok pra Tier A, e o GPT 5.6 Sol, a nova geração da OpenAI, estreou. Mas o resultado mais desconfortável não foi de nenhum dos dois: foi uma reauditoria que derrubou o GPT 5.5 de 96 pra 85 e o GPT 5.4 de 97 pra 95. Explico já já.

Pra quem caiu de paraquedas

Esse benchmark dá pra cada modelo o mesmo prompt e pede pra construir, sozinho, um app de chat estilo ChatGPT em Rails 8 + RubyLLM + Hotwire + Docker, com testes e CI. A nota sai de uma rubrica de 8 dimensões, de 0 a 100, distribuída em tiers A/B/C/D. Tudo é lido na mão, e desde algumas rodadas atrás cada projeto ainda passa por um cross-audit cego (um juiz independente reavalia sem saber qual modelo escreveu). A metodologia completa está na Parte 3 e nos updates seguintes.

Ranking atualizado

Os dois novos em negrito. Repara que os custos mudaram bastante, e volto nisso na seção de preço:

RankModeloScoreTierRubyLLM OKTempoCusto
1Claude Opus 4.797A18m~$7.00
2GPT 5.4 xHigh (Codex)95A22m~$16
2Claude Opus 4.895A17m~$6.40
4Claude Fable 594A24m~$11.20
5Claude Fable 5 (re-release)93A18m~$8.30
5Gemini 3.5 Flash93A18m~$3.55
7GPT 5.6 Sol xHigh (Codex)92A17mcréditos (~$8.70 equiv. API)
8Kimi K2.687A20m~$1.00
8GLM 5.2 (Z.ai)87A43msubscription
8Grok 4.587A16m~$5.10
11Kimi K2.7 Code86A22m~$1.15
12GPT 5.5 xHigh (Codex)85A18m~$10
13Claude Opus 4.683A16m~$1.10 (hist.)
13Nex-N2-Pro83A25m~$0.34
15Gemini 3.1 Pro79B14m~$3.10
15Sakana Fugu Ultra79B22msubscription
17Claude Sonnet 4.678B16m~$0.63 (hist.)
17DeepSeek V4 Flash78B3m~$0.01
17MiniMax M378B53m (fase 2 DNF)~$1.25
17Qwen3.7 Max78B19m~$1.40
21Grok 4.372B15m~$1.70
(cauda B/C/D omitida)
28Claude Sonnet 558C27m~$2.25
38Grok 4.2025D8m~$0.70

A tabela completa, com os 39 modelos, está no repositório do benchmark.

Sobre a coluna de custo: é o gasto aproximado de tokens por run, na tarifa verificada em 09/07/2026. Onde aparece (hist.), é o valor do dia em que aquele modelo rodou, ainda sem recontar os tokens de cache-read, então está subestimado (exatamente o erro que eu corrijo na seção de preço lá embaixo). Não dá pra comparar um número “(hist.)” com um número atualizado.

Grok 4.5: a família Grok enfim chega na Tier A

A trajetória da xAI nesse benchmark é uma das mais bonitas de acompanhar. Grok 4.20 fez 25/100 Tier D. Grok 4.3 subiu pra 72/100 Tier B. E agora o Grok 4.5 marca 87/100, Tier A. Ele conserta as três falhas que seguravam o 4.3: o Stimulus agora está vivo (o 4.3 mandava um comentário de uma linha e a UI inteira ficava morta), os testes não conseguem mais furar o stub (injeção de dependência de verdade no LlmClient), e o pin do modelo é o Sonnet 4.6 atual, não o claude-3.7-sonnet velho. A integração com RubyLLM está toda correta, verificada contra o código do gem, com Turbo Streams reais, cookie de sessão com teto e 28 testes cobrindo os caminhos de erro. Engenharia sólida de verdade.

O que segura ele no cluster dos 87 é um bug sutil que só o cross-audit cego pegou, e é do tipo que me fascina: o double-send. O controller anexa a mensagem do usuário à sessão antes de chamar o service, e o previous_messages só filtra mensagens de sistema. Resultado: o replay de histórico já contém a mensagem nova, e o chat.ask(user_message) então manda ela de novo. Cada turno do usuário chega no LLM duas vezes. Desperdício de token e uma conversa sutilmente corrompida. E o teste do service monta o histórico sem a mensagem pendente, uma precondição diferente da produção, e é por isso que a suíte fica verde enquanto o bug passa batido. É o tipo de defeito que green tests não pegam e que só aparece na frente do usuário.

A ~$5.10 por run em 16 minutos, o Grok 4.5 é o segundo run mais caro da Tier A. Guarda esse número, porque na seção de preço ele fica numa posição incômoda.

GPT 5.6 Sol: a nova geração da OpenAI, rodando na assinatura

O GPT 5.6 Sol (o nome faz parte da nova nomenclatura Sol/Terra/Luna da OpenAI, com lançamento público atrasado por uma revisão do governo americano) marcou 92/100, Tier A. E ele trouxe duas primeiras vezes pro benchmark.

A primeira: foi o primeiro run cobrado numa assinatura. Rodei via Codex CLI, no plano ChatGPT, com os créditos da assinatura em vez de pagar API direto. Pelo log de tokens dá pra calcular o equivalente em API: cerca de $8.70 na tarifa verificada do Sol ($5/$30 por milhão). A segunda: foi o GPT mais econômico em token que eu já medi, 3.9M de tokens totais contra 4.9M do 5.5 e 7.6M do 5.4. Menos token pra fazer a mesma coisa.

A engenharia é exemplar. Preflight de chave faltando, rescues em camada que nunca vazam detalhe de erro (e isso está testado), turnos que falharam ficam fora do histórico, recuperação de histórico malformado, e um helper de XSS com escape antes do format e teste de regressão de <script>. 28 testes, 99.2% de cobertura. E crucialmente, ele acerta o que o Grok 4.5 errou: o responder é chamado antes da mensagem do usuário entrar no histórico, e o próprio teste garante a separação que pegaria um double-send. Ainda por cima, ele fixa o anthropic/claude-sonnet-5, o pin de Sonnet mais atual de todo o benchmark.

Por que 92 e não mais? Duas deduções honestas. Ele não manda system prompt via with_instructions em lugar nenhum (o assistente sobe sem persona nem guardrail, a mesma lacuna do Kimi K2.7), e a persistência é histórico carregado no cliente via campo oculto: rigorosamente capado, mas se perde no reload e é adulterável. No A/B cego contra o antecessor GPT 5.5, foi decisivo: 92 a 81. E foi esse confronto que abriu a caixa de marimbondo da reauditoria.

A reauditoria: o GPT 5.5 caiu de 96 pra 85

Essa é a parte que dói. Quando o juiz cego comparou o Sol com o GPT 5.5, ele apontou defeitos no projeto do 5.5 que a auditoria original tinha deixado passar. Fui verificar na mão e era verdade: o Dockerfile do 5.5 é uma imagem de desenvolvimento (RAILS_ENV=development, rodando como root, CMD ./bin/dev), ele tem zero cobertura de teste no caminho de erro, e o cookie não tem teto de bytes. Reauditado, o GPT 5.5 caiu de 96 pra 85/100, despencando pro #12. O GPT 5.4 também levou um ajuste, de 97 pra 95, mas segura melhor porque os caminhos de erro dele estão testados.

A consequência de tabela é que o Claude Opus 4.7 agora é o líder isolado do benchmark, com 97. E a lição metodológica ficou registrada: minhas auditorias pré-Sol subestimavam a inspeção de Dockerfile. É por isso que eu insisto em ler na mão e cruzar com juiz independente. Nota bonita em CI verde não é nota real.

Como os dois se comparam ao Fable 5 e ao melhor open source

Botando lado a lado o que interessa: o Fable 5 (o topo da linha Claude aberta ao público) fez 94, e o re-release dele fez 93. O melhor open source da tabela hoje é um empate em 87 entre Kimi K2.6 e GLM 5.2, seguidos de perto pelo Kimi K2.7 Code em 86.

O GPT 5.6 Sol, com 92, fica entre o Fable 5 e o melhor open source, e mais perto do Fable. É genuinamente forte, a diferença de 2 pontos pro Fable é margem de ruído, e ele é mais econômico em token que qualquer GPT anterior. Já o Grok 4.5, com 87, empata exatamente com o teto do open source. E aqui a comparação fica cruel: o Grok 4.5 entrega a mesma nota do Kimi K2.6 custando cinco vezes mais (~$5.10 contra ~$1.00). No confronto A/B cego contra o Fable 5, o Grok perdeu de 84 a 90, decisivo. Ou seja, a família Grok finalmente chegou na Tier A, o que é um marco real, mas chegou na base da Tier A, no mesmo lugar que modelos chineses abertos ocupam por uma fração do preço.

O recado que se repete a cada rodada: chegar na Tier A é o que importa (abaixo dela o modelo não é mais barato, ele só transfere o custo da fatura de API pra sua agenda de engenheiro). Mas dentro da Tier A, preço e qualidade decidem, e é onde o Grok 4.5 tropeça.

Preço: a conta mudou desde o último post

Essa rodada veio junto de uma auditoria de preço completa no repositório, e ela mexeu em números que eu vinha reportando errado. Vale corrigir publicamente.

O erro maior era eu subcontar os tokens de cache-read. Run agentic é dominado por leitura de cache (5 a 15 milhões de tokens de cache-read por run), e minhas estimativas antigas pra modelos da Anthropic e do Google ignoravam isso. Não foi o preço que subiu, foi a minha conta que estava furada. Os valores corrigidos pra cima:

ModeloEu reportavaCusto real por run
Opus 4.7~$1,10~$7,00
Opus 4.8~$1,10~$6,40
Gemini 3.1 Pro~$0,40~$3,10

Além disso, o endpoint gratuito do Nex-N2-Pro deixou de existir (o mesmo run hoje custa ~$0,34, ainda o Tier A mais barato), e as tarifas do Kimi K2.6 subiram uns 30% desde o run dele, pra ~$1,00.

Com os números certos, dá pra montar a fronteira de valor da Tier A: pra cada faixa de preço, qual é a maior nota que o dinheiro compra. Cada linha aqui é uma escolha racional, porque paga mais e entrega mais:

Custo por runMelhor modeloNota
~$0,34Nex-N2-Pro83
~$1,00Kimi K2.687
~$3,55Gemini 3.5 Flash93
~$6,40Opus 4.895
~$7,00Opus 4.797

Qualquer modelo que fique fora dessa fronteira (cobra mais e entrega a mesma nota, ou menos) é escolha irracional. É o caso do Grok 4.5 (~$5,10 pra fazer 87, quando o Kimi K2.6 faz os mesmos 87 por $1,00) e do GPT 5.4 ($16 pra fazer 95, quando o Opus 4.8 faz 95 por 40% do preço).

E entrou uma variável nova de vez: assinatura. O GPT 5.6 Sol rodou em créditos do plano ChatGPT. Na tarifa de API, ele é dominado pelo Opus 4.8 (95 por ~$6.40 contra 92 por ~$8.70). Mas num plano que você já paga, o custo marginal de mais um run é praticamente zero, e aí a lógica vira.

O que faz sentido pra quem programa de verdade

Junta tudo e o quadro pra um programador profissional fica claro:

  • Se você usa assinatura (Claude Max, ChatGPT Pro) e trabalha dentro dos limites do plano, o cálculo de preço por token colapsa. Um assinante do Max 20x não ganha nada escolhendo o Kimi K2.6 pra economizar $6 que ele não está gastando. A regra vira “use o melhor modelo que seu plano te dá”, e ponto. A fronteira de preço só volta a valer pro que estoura o teto do plano ou pros modelos de fora dele.
  • Se você paga API por token (o caso de qualquer automação, CI ou pipeline, que não pode rodar em plano de consumidor), a fronteira de valor manda. Nunca desça da Tier A pra economizar dólares de um dígito num trabalho que você pretende colocar em produção: economizar $6 pegando um Tier B custa de $60 a $100 em tempo de conserto, um retorno negativo de 10 a 15 vezes.
  • O piso continua sendo a Tier A. Abaixo dela você ganha quebra silenciosa em runtime, não código só um pouco pior: API alucinada que o próprio teste mocka, multi-turn que nunca chega no modelo, stub que a produção fura. Passa no CI e explode na frente do usuário. Aquela sessão de debug custa mais que um mês inteiro de runs Tier A.

Na prática, pra mim: se estou num plano pago, uso o topo que o plano oferece (Opus, e agora o Sol quando eu quiser variar). Se é automação pagando token, o Opus 4.8 é o ponto doce de qualidade por preço no cluster dos 95, e o Gemini 3.5 Flash é a melhor opção de 90+ com orçamento apertado. O Grok 4.5 e o GPT 5.6 Sol são modelos bons, mas nenhum dos dois muda essa recomendação: um empata com open source cinco vezes mais barato, o outro só compensa dentro de uma assinatura já paga.

O benchmark é aberto, com a tabela completa, os custos verificados e a análise de preço detalhada: github.com/akitaonrails/llm-coding-benchmark. Quer ver outro modelo aí? Fork, adiciona no config/models.json, roda e manda o PR.