<rss version="2.0" xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"><channel><title>Carreira | AkitaOnRails.com</title><link>https://akitaonrails.github.io/tags/carreira/</link><description>Blog do Fabio Akita do Canal do YouTube 'Akitando' falando sobre tecnologia, carreira e coisas geek.</description><generator>Hugo -- gohugo.io</generator><language>pt-BR</language><lastBuildDate>Mon, 19 Oct 2026 23:20:48 +0000</lastBuildDate><atom:link href="https://akitaonrails.github.io/tags/carreira/index.xml" rel="self" type="application/rss+xml"/><item><title>Estamos no Futuro: Carros voam e não temos mais que fazer HTML/CSS</title><link>https://akitaonrails.github.io/2026/10/16/estamos-no-futuro-carros-voam-e-nao-temos-mais-que-fazer-html-css/</link><guid isPermaLink="true">https://akitaonrails.github.io/2026/10/16/estamos-no-futuro-carros-voam-e-nao-temos-mais-que-fazer-html-css/</guid><pubDate>Fri, 16 Oct 2026 02:00:00 -0300</pubDate><description>&lt;p&gt;São mais de duas da manhã e eu ainda estou acordado porque acabei de assistir ao vivo ao novo Tesla Roadster subir uma rampa vertical, parar de cabeça pra baixo e, em outra passagem, girar no ar e pousar inteiro.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Eu esperava um carro rápido. Não esperava um carro com dez bocais de propulsão a ar comprimido, usando tecnologia derivada da SpaceX, e um sistema de sucção embaixo capaz, &lt;a href="https://paultan.org/2026/10/16/tesla-roadster-revealed-flies-on-spacex-air-thrusters-0-96-km-h-in-0-81s-production-2028/"target="_blank" rel="noopener"&gt;segundo Elon Musk, de puxar até 2 G&lt;/a&gt;. Na demonstração, a Tesla anunciou zero a 60 milhas por hora, quase 97 km/h, em 0,81 segundo. Não divulgou o protocolo da medição.&lt;/p&gt;</description><content:encoded><![CDATA[<p>São mais de duas da manhã e eu ainda estou acordado porque acabei de assistir ao vivo ao novo Tesla Roadster subir uma rampa vertical, parar de cabeça pra baixo e, em outra passagem, girar no ar e pousar inteiro.</p>
<p>Eu esperava um carro rápido. Não esperava um carro com dez bocais de propulsão a ar comprimido, usando tecnologia derivada da SpaceX, e um sistema de sucção embaixo capaz, <a href="https://paultan.org/2026/10/16/tesla-roadster-revealed-flies-on-spacex-air-thrusters-0-96-km-h-in-0-81s-production-2028/"target="_blank" rel="noopener">segundo Elon Musk, de puxar até 2 G</a>. Na demonstração, a Tesla anunciou zero a 60 milhas por hora, quase 97 km/h, em 0,81 segundo. Não divulgou o protocolo da medição.</p>
<p>Era esse o futuro que eu queria ver.</p>
<p>A demonstração inteira está na <a href="https://livestream.tesla.com/"target="_blank" rel="noopener">transmissão oficial da Tesla</a>. A <a href="https://www.roadandtrack.com/news/a74151425/the-air-assisted-tesla-roadster-flies-in-demo-hits-0-60-in-08-seconds/"target="_blank" rel="noopener">Road &amp; Track mediu e descreveu as manobras</a>, e a <a href="https://techcrunch.com/2026/10/15/tesla-reveals-spacex-powered-roadster-that-flies-and-falls-with-style/"target="_blank" rel="noopener">TechCrunch detalhou as três versões</a>: Performance com aerodinâmica ativa e sucção, Thrust com propulsores traseiros, Rocket com sistema de propulsão de dez bocais e apenas um assento.</p>
<p>Claro, o que vimos foi um protótipo numa demonstração controlada. A Tesla prevê iniciar a produção em 2028, e a versão Rocket não está aprovada para uso em vias públicas. Ainda assim, um carro de verdade saiu do chão, girou e pousou. Eu assisti a isso ao vivo do meu escritório. Foi espetacular.</p>
<p>Enquanto Musk faz foguetes pousarem e carros voarem, eu estava fazendo um trabalho bem mais mundano e pequeno: mexendo nos meus sites.</p>
<h2>Seis sites em cerca de um dia<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="seis-sites-em-cerca-de-um-dia"></span>
    <a href="#seis-sites-em-cerca-de-um-dia" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Antes do evento da Tesla, eu passei o dia inteiro redesenhando seis sites:</p>
<ul>
<li><a href="https://ailair.akitaonrails.com/"target="_blank" rel="noopener">Akita&rsquo;s AI Lair</a>, agora combinando com o visual do meu livro novo, <em>Competente o Suficiente</em>;</li>
<li><a href="https://aimemory.sh/"target="_blank" rel="noopener">ai-memory</a>;</li>
<li><a href="https://aijail.io/"target="_blank" rel="noopener">ai-jail</a>;</li>
<li>a newsletter <a href="https://themakitachronicles.com/"target="_blank" rel="noopener">The M.Akita Chronicles</a>;</li>
<li>o <a href="https://blog.themakitachronicles.com/"target="_blank" rel="noopener">arquivo da newsletter</a>;</li>
<li>e este blog, <a href="https://akitaonrails.com/"target="_blank" rel="noopener">AkitaOnRails.com</a>.</li>
</ul>
<p><img src="https://new-uploads-akitaonrails.s3.us-east-2.amazonaws.com/2026/10/redesign-seis-sites-stitch.jpg" alt="Os seis sites redesenhados em produção: Akita’s AI Lair, ai-memory, ai-jail, The M.Akita Chronicles, o arquivo da newsletter e AkitaOnRails"  loading="lazy" /></p>
<p>Todos começaram com variações daquele tema padrão que o Claude faz. Fundo escuro, gradiente roxo ou azul, fonte sans enorme, cartões arredondados, brilho atrás de alguma coisa. Funciona. Também ficou tão comum que hoje você bate o olho e reconhece &ldquo;site feito pelo Claude&rdquo; antes de ler o título.</p>
<p>Eu já tinha tentado pedir designs diferentes pro Claude. Ele trocava a cor, movia os cartões e entregava a mesma gramática visual. Publiquei <a href="https://x.com/AkitaOnRails/status/2110809199890300986"target="_blank" rel="noopener">algumas telas e o resultado da mudança no Twitter</a>. Eu não sou web designer e, por um tempo, aceitei o &ldquo;funciona&rdquo;. Ontem cansei.</p>
<p>Alguém me sugeriu o <a href="https://stitch.withgoogle.com/"target="_blank" rel="noopener">Stitch, do Google</a>. É uma ferramenta experimental do Google Labs que transforma instruções e imagens em interfaces editáveis e código de front-end. A <a href="https://developers.googleblog.com/en/stitch-a-new-way-to-design-uis/"target="_blank" rel="noopener">primeira versão foi apresentada em 2025</a> em cima do Gemini; <a href="https://blog.google/innovation-and-ai/models-and-research/google-labs/stitch-ai-ui-design/"target="_blank" rel="noopener">a versão atual</a> virou uma tela de design com agente, protótipos e exportação de um <code>DESIGN.md</code> que outros agentes conseguem seguir.</p>
<p><a href="https://blog.google/innovation-and-ai/models-and-research/google-labs/stitch-ai-ui-design/"target="_blank" rel="noopener"><img src="https://new-uploads-akitaonrails.s3.us-east-2.amazonaws.com/2026/10/stitch-ai-native-canvas-google.webp" alt="O canvas do Google Stitch com várias interfaces, variações visuais e controles do design system"  loading="lazy" /></a></p>
<p>Criei a conta, peguei o token da API e comecei a trabalhar. O Stitch gerava direções visuais. Claude Code e Codex levavam essas direções pros repositórios reais, adaptavam os componentes, corrigiam responsividade, trocavam imagens, ajustavam SEO, testavam e faziam deploy. Quando a cota de um acabava, eu continuava com o outro.</p>
<p>Os seis sites saem de cinco repositórios. Olhando todos lado a lado, uma coisa ficou clara: o Stitch responde muito melhor quando recebe uma metáfora concreta, o público e o que aquele produto precisa comunicar. O ai-memory virou um arquivo de memória. O ai-jail, uma prisão cinematográfica. O AI Lair adotou uma feira mundial dos anos 1950 e 1960, puxada pela capa do meu livro. A newsletter virou uma transmissão noturna, e este blog, um arquivo editorial. Cinco identidades diferentes em vez de cinco variações do mesmo gradiente do Claude.</p>
<p>O protótipo bonito é a parte fácil. O trabalho só termina quando a linguagem visual chega às páginas internas, ao artigo, ao leitor do livro, ao e-mail, às páginas legais, aos estados de erro e ao celular. Foi isso que os agentes fizeram nos repositórios. No ai-memory, por exemplo, a verificação cobriu 102 páginas em seis idiomas, nos temas claro e escuro, em desktop e celular. No The M.Akita Chronicles, o mesmo design precisou funcionar na inscrição, no arquivo, no detalhe de newsletter, no podcast e no template do e-mail. Um mockup do Stitch não resolve nada disso sozinho.</p>
<p>Foram várias rodadas de protótipos em cada site. Algumas ficaram horrorosas. Outras tinham uma ideia boa cercada de decisões ruins. Eu mandava descartar, preservar uma parte, misturar com outra tentativa e recomeçar. Código ficou barato, então não existe motivo pra se apaixonar pela primeira versão.</p>
<p>O resultado não vai ganhar prêmio de design. Um designer profissional ainda encontraria centenas de coisas pra melhorar. Eu mesmo sei que consigo avançar se gastar mais alguns dias. Só que ficou muito melhor do que estava e, por enquanto, está competente o suficiente.</p>
<p>Seis sites existentes redesenhados, responsivos, com SEO, geração e substituição de imagens, ajustes de HTML, CSS e JavaScript, teste e deploy em produção. Uma pessoa. Cerca de um dia. Um ano atrás, esse pacote seria trabalho de semanas ou meses.</p>
<p>Vamos manter a proporção: são sites pequenos, a maioria landing pages e páginas de conteúdo. Ninguém vai recriar o conjunto inteiro de páginas e sistemas da Amazon.com em um dia. O experimento mostra quanto trabalho repetitivo já saiu da frente, dentro de um escopo que uma pessoa experiente consegue entender e revisar. Projetos grandes continuam grandes, cheios de regras privadas, integrações antigas, estados estranhos e decisões que não cabem num prompt.</p>
<h2>Até o primeiro proofreading pode ser automatizado<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="até-o-primeiro-proofreading-pode-ser-automatizado"></span>
    <a href="#at%c3%a9-o-primeiro-proofreading-pode-ser-automatizado" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>No mesmo processo eu mandei agentes revisarem os sites como leitores diferentes. Não era correção gramatical. Eu queria saber o que uma pessoa entenderia nos primeiros segundos, onde ficaria perdida, qual promessa pareceria suspeita e se conseguiria completar uma tarefa sem já conhecer o produto.</p>
<p>No ai-jail, usei duas sessões isoladas. Uma assumiu o papel de um engenheiro cético que aprova todos os prompts e nunca tinha ouvido falar do projeto. A outra era gerente de oito desenvolvedores, sem ser engenheira, tentando decidir se deveria aprovar a ferramenta na empresa. No ai-memory foram três: um engenheiro aprendendo ferramentas de IA, uma gerente avaliando um piloto e um pai sem experiência com agentes, preocupado com AGI e empregos. Cada um leu o site sem ver o relatório dos outros.</p>
<p>Qualquer pessoa consegue fazer o mesmo. Suba a aplicação localmente ou abra um deploy de preview, comece sessões novas e dê a cada agente uma tarefa concreta. Um prompt básico pode ser assim:</p>
<div class="hextra-code-block hx:relative hx:mt-6 hx:first:mt-0 hx:group/code">

<div><div class="highlight"><pre tabindex="0" class="chroma"><code class="language-text" data-lang="text"><span class="line"><span class="cl">Abra este site em desktop e celular: [URL].
</span></span><span class="line"><span class="cl">
</span></span><span class="line"><span class="cl">Você é [perfil], conhece [contexto] e nunca viu este produto.
</span></span><span class="line"><span class="cl">Seu objetivo é [decisão ou tarefa concreta].
</span></span><span class="line"><span class="cl">
</span></span><span class="line"><span class="cl">Navegue como essa pessoa. Não leia código nem documentação interna antes.
</span></span><span class="line"><span class="cl">Registre:
</span></span><span class="line"><span class="cl">- o que entendeu nos primeiros dez segundos;
</span></span><span class="line"><span class="cl">- o que acha que o produto faz e para quem serve;
</span></span><span class="line"><span class="cl">- onde não soube qual era o próximo passo;
</span></span><span class="line"><span class="cl">- promessas contraditórias, absolutas ou difíceis de acreditar;
</span></span><span class="line"><span class="cl">- termos que o site usa antes de explicar;
</span></span><span class="line"><span class="cl">- problemas de leitura, teclado, contraste, toque e responsividade;
</span></span><span class="line"><span class="cl">- o que impediria você de testar, comprar ou aprovar.
</span></span><span class="line"><span class="cl">
</span></span><span class="line"><span class="cl">Para cada achado, mostre a página e a evidência visível.
</span></span><span class="line"><span class="cl">Separe bug factual, problema de uso e preferência subjetiva.
</span></span><span class="line"><span class="cl">Não proponha redesign geral. Sugira a menor mudança que resolve o problema.</span></span></code></pre></div></div><div class="hextra-code-copy-btn-container hx:opacity-0 hx:transition hx:group-hover/code:opacity-100 hx:flex hx:gap-1 hx:absolute hx:m-[11px] hx:right-0 hx:top-0">
  <button
    class="hextra-code-copy-btn hx:group/copybtn hx:cursor-pointer hx:transition-all hx:active:opacity-50 hx:bg-primary-700/5 hx:border hx:border-black/5 hx:text-gray-600 hx:hover:text-gray-900 hx:rounded-md hx:p-1.5 hx:dark:bg-primary-300/10 hx:dark:border-white/10 hx:dark:text-gray-400 hx:dark:hover:text-gray-50"
    title="Copy code"
  >
    <div class="hextra-copy-icon hx:group-[.copied]/copybtn:hidden hx:pointer-events-none hx:h-4 hx:w-4"></div>
<div class="hextra-success-icon hx:hidden hx:group-[.copied]/copybtn:block hx:pointer-events-none hx:h-4 hx:w-4"></div>
  </button>
</div>
</div>
<p>Eu prefiro três sessões independentes a uma mesa-redonda de agentes. Se um lê o relatório do outro, começa a concordar por inércia. Depois uma sessão separada consolida os pontos repetidos, descarta gosto pessoal e confere cada afirmação contra o código e a documentação do produto. A revisão pode apontar que uma frase está errada; ela não tem autoridade pra inventar a frase correta.</p>
<p>Os resultados mais úteis costumam cair em quatro grupos: posicionamento, ordem da informação, caminho até a primeira ação e confiança. Testes automáticos tradicionais continuam cuidando de link quebrado, contraste, acessibilidade, overflow e estado de erro. A persona mostra que o botão tecnicamente acessível apareceu cinco telas depois de onde a pessoa precisava dele.</p>
<p>No <a href="https://github.com/akitaonrails/ai-jail-web/blob/main/docs/research/PROOFREAD-2026-10-15-BRIEF.md"target="_blank" rel="noopener">proofreading do ai-jail</a>, os dois perfis concordaram que o site demorava pra mostrar o risco concreto e falava cedo demais como documentação de engenheiro. A ameaça de uma página envenenada foi puxada pra logo depois do hero. Entraram as seções &ldquo;O que muda no primeiro dia&rdquo; e &ldquo;Para quem precisa aprovar isto&rdquo;, com custo operacional, limites e as chaves que uma empresa realmente expõe. A revisão também encontrou uma afirmação tecnicamente errada repetida em várias páginas: a rede não fica inteiramente desligada por padrão. O host da própria API do agente e, no Linux, os registries continuam acessíveis. Esse tipo de leitura também encontra bug de documentação.</p>
<p>O <a href="https://github.com/akitaonrails/ai-memory-web/blob/main/docs/research/persona-review.md"target="_blank" rel="noopener">relatório do ai-memory</a> encontrou permissões descritas de formas contraditórias, promessas de privacidade absolutas demais e a explicação básica soterrada por features avançadas. Na segunda rodada, os perfis perceberam que a instrução de acesso remoto mandava usar HTTP antes de exigir TLS, que um <code>curl</code> sem autenticação prometia a resposta errada e que escolhas importantes apareciam tarde demais no celular. O guia de coleta saiu de aproximadamente 4.364 pixels do topo pra 1.617; os caminhos pra indivíduo ou equipe, de 5.300 pra 2.489. Isso é uma melhoria objetiva nascida de leitura simulada.</p>
<p>No <a href="https://github.com/akitaonrails/ai-toolkit-web/pull/4"target="_blank" rel="noopener">redesign do AI Lair</a>, a revisão para leitores novos reorganizou o caminho de entrada. Uma <a href="https://github.com/akitaonrails/ai-toolkit-web/commit/c2a5237e876f662a8b53450f23f0162fdc1d4a76"target="_blank" rel="noopener">revisão seguinte</a> deixou explícito que o meu setup com vários agentes e dois monitores é uma configuração madura, não requisito pra começar. Uma pessoa, um projeto e um agente bastam. Também surgiu um roteiro de piloto pra gerente: tarefa reversível, dado não sensível, critério de aceitação, prazo, orçamento e medição. A auditoria seguinte encontrou ARIA inválido e uma animação que escondia o texto de abertura de tecnologias assistivas; a <a href="https://github.com/akitaonrails/ai-toolkit-web/pull/5"target="_blank" rel="noopener">correção</a> levou o axe-core de quatro violações sérias pra zero.</p>
<p>Personas simuladas ainda ficam muito abaixo de feedback humano. Carregam os mesmos vícios dos modelos, podem concordar com o prompt e nunca sentem a irritação de quem perdeu vinte minutos, nem assumem o risco de colocar o próprio cartão de crédito. Os relatórios servem como hipóteses. Um usuário real sempre encontra o caso que eu, o agente e a suíte de testes não imaginaram.</p>
<p>Só que antes do primeiro usuário existir, a alternativa costuma ser nenhuma revisão. Duas ou três leituras independentes já pegam promessa contraditória, jargão sem explicação, informação enterrada e fluxo que só faz sentido pra quem escreveu. Rodar essas leituras custa pouco e deixa o produto menos burro antes de chegar em gente de verdade.</p>
<h2>HTML nunca foi programação<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="html-nunca-foi-programação"></span>
    <a href="#html-nunca-foi-programa%c3%a7%c3%a3o" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Durante anos eu vi gente fazendo uma ginástica danada pra defender que &ldquo;HTML é linguagem de programação&rdquo; e, portanto, quem escreve HTML é programador.</p>
<p>HTML é marcação: descreve a estrutura de um documento. CSS descreve apresentação. Isso tem valor, exige conhecimento e pode ficar terrivelmente complexo. Complexidade acidental não transforma marcação em programação.</p>
<p>E não há vergonha nenhuma nisso. Comecei a fazer sites nos anos 1990. Recebia um layout feito no Photoshop e transformava aquilo em HTML. Recortava imagens, montava tabela, ajustava pixel, abria em vários navegadores, voltava e tentava de novo. Foi trabalho honesto e pagou minhas contas.</p>
<p>Também era um trabalho basicamente mecânico: copiar, colar, ajustar, olhar, repetir. Exatamente a categoria que computadores deveriam automatizar.</p>
<p>Hoje eu ainda escolhi direção visual, descartei propostas ruins, decidi o que cada site precisava comunicar e reconheci quando o resultado estava bom o suficiente. Os agentes fizeram o serviço braçal. É assim que deveria ter sido há anos.</p>
<h2>A bolha atrasou a automação<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="a-bolha-atrasou-a-automação"></span>
    <a href="#a-bolha-atrasou-a-automa%c3%a7%c3%a3o" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Durante boa parte dos anos 2010, <a href="https://fred.stlouisfed.org/series/EFFR"target="_blank" rel="noopener">os juros americanos ficaram perto de zero</a>. Dinheiro barato irrigou fundos, startups e empresas grandes. Contratar mais gente era fácil, e o mercado absorvia qualquer quantidade de trabalho manual disfarçado de engenharia.</p>
<p>Juro baixo não explica sozinho a expansão da tecnologia, mas uma área em recorde de contratação tem pouco incentivo pra eliminar o próprio trabalho repetitivo. Se você consegue colocar mais cinquenta pessoas pra montar tela, coloca mais cinquenta pessoas pra montar tela.</p>
<p>Quem assistiu às minhas palestras em eventos de tecnologia nos anos 2010 deve lembrar de <strong>Restrição == Inovação</strong>. O nome correto era com dois sinais de igual mesmo. Apresentei essa palestra na DevConf 2019, os <a href="https://www.slideshare.net/slideshow/devconf-2019-so-carlos/143923367"target="_blank" rel="noopener">83 slides estão no meu SlideShare</a>, e eu já tinha escrito a mesma tese em 2013, em <a href="https://startupi.com.br/restricoes-sao-libertadoras-menos-e-mais/"target="_blank" rel="noopener">&ldquo;Restrições são libertadoras: menos é mais&rdquo;</a>.</p>


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<p>É a velha máxima: <strong>a necessidade é a mãe da invenção</strong>. Restrição obriga a escolher. Escolha obriga a priorizar. Quando o caminho convencional não cabe no dinheiro, no prazo ou na capacidade disponível, alguém precisa encontrar outro caminho. É daí que costuma sair inovação de verdade.</p>
<p>Dinheiro financia pesquisa cara, compra equipamento e dá tempo pra experimentar. Sobra de dinheiro sem pressão por resultado faz outra coisa: esconde ineficiência com força bruta. Não precisa automatizar, simplificar nem descobrir uma solução melhor enquanto ainda der pra contratar mais gente e aumentar a planilha. Abundância demais transforma problema técnico em despesa operacional e empurra a decisão difícil pra depois.</p>
<p>Eu <a href="/2026/02/08/rant-ia-acabou-com-programadores/">repeti esse aviso no começo de 2026</a>: a bolha de programação conseguiu substituir eficiência por volume. A restrição voltou quando o dinheiro barato acabou. Coincidentemente, os agentes chegaram na mesma hora e deram às empresas uma maneira prática de automatizar o trabalho mecânico que elas passaram uma década escalando com contratação.</p>
<p>Foi assim que a gente passou uma década recriando o mesmo painel administrativo e chamando de inovação. Toda semana aparecia a próxima salvação do front-end: React, Angular, Vue, Svelte, outro <em>bundler</em>, outro framework em cima do framework. São ferramentas úteis em seus contextos, mas nenhuma atacava a pergunta óbvia: por que um ser humano ainda está escrevendo à mão a milésima variação do mesmo formulário?</p>
<p>O estouro da bolha de contratação em 2022 encerrou a festa. No fim daquele ano, o ChatGPT levou modelos de linguagem ao público. GPT-2, só pra corrigir a cronologia, tinha saído em 2019. Quatro anos depois do ChatGPT, programação agêntica virou ferramenta normal de trabalho.</p>
<p>Qualquer tarefa que consiste em copiar padrão, adaptar exemplo, rodar, olhar o erro e tentar de novo já está no alcance desses agentes. Front-end é o alvo mais visível porque acumulou uma quantidade absurda desse trabalho. O resto da programação não está protegido por alguma aura mística. Tem muito back-end que é CRUD, cola entre APIs e configuração repetida. Também será automatizado.</p>
<p>Pra mim, ótimo. Programar nunca foi digitar código. Programar é fazer um computador executar algo útil.</p>
<h2>VS Code é o novo cartão perfurado<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="vs-code-é-o-novo-cartão-perfurado"></span>
    <a href="#vs-code-%c3%a9-o-novo-cart%c3%a3o-perfurado" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Eu escrevi exatamente sobre isso em abril, em <a href="/2026/04/11/vs-code-e-o-novo-cartao-perfurado/">&ldquo;VS Code é o novo Cartão Perfurado&rdquo;</a>.</p>
<p>Por décadas, a interface entre intenção e computador mudou. Primeiro você ligava fios e chaves. Depois perfurava cartões. Depois escrevia Assembly, C, linguagens de alto nível, frameworks e configuração. Cada geração olhou pra anterior e automatizou uma camada de trabalho manual.</p>
<p>Ninguém em sã consciência defenderia hoje que operar uma perfuradora de cartões era a essência da ciência da computação. Era a interface disponível. Digitar cada tag e cada regra de CSS no VS Code também era a interface disponível.</p>
<p>Agora eu descrevo a intenção, mostro referências, avalio o resultado e mando o agente corrigir. Ainda preciso entender como navegador, rede, cache, acessibilidade, semântica, responsividade e SEO funcionam. Sem fundamento eu nem saberia dizer se o agente entregou uma solução ou uma bomba-relógio bonita. O teclado perdeu importância; julgamento ganhou.</p>
<p>Hoje, todos os modelos Tier A que eu testo, de Claude a Kimi, conseguem executar com confiabilidade o trabalho mecânico de front-end que apareceu nesses seis projetos. Eu consigo afirmar, sem hesitar, que qualquer tarefa de front-end que só transforma uma decisão já tomada em código é automatizável. Eles não inventaram seis designs brilhantes sozinhos, porém nenhum precisou que eu escrevesse manualmente o flexbox, o breakpoint ou o componente que já expliquei.</p>
<p>Isso cobre uma parcela enorme do trabalho, mas deixa justamente a parte de maior valor. Alguém ainda precisa conhecer os prós e contras do framework, entender o browser, escolher a arquitetura, perceber quando a biblioteca está sendo usada contra o seu desenho e descobrir por que uma solução aparentemente correta quebra numa combinação específica de aparelho, idioma, estado e dado real. O agente escreve o código; um profissional experiente dá direção, limita o estrago e assume o resultado.</p>
<p>Front-end continua existindo. O excesso de trabalho mecânico e de gente contratada só pra executar receita pronta é que perde valor. Um ótimo profissional de front-end consegue dirigir agentes e entregar muito mais do que entregava sozinho. Um profissional mediano que passou anos confundindo digitação de componente com engenharia vai disputar menos vagas. O mercado fica menor e mais seletivo, com os melhores profissionais produzindo mais. A meta continua a mesma de sempre: chegar perto do topo, onde julgamento e experiência ainda fazem diferença.</p>
<p>E isso não para no browser. <a href="/2026/10/11/existem-linguagens-melhores-pra-programar-com-llms/">Escolha o framework</a>: Android com Flutter ou Kotlin, iOS com Swift e SwiftUI, desktop com Rust/Tauri, Flutter, C# ou Electron. Em geral, agentes modernos conhecem os componentes, as ferramentas de build, os testes e as peculiaridades dessas plataformas. Ainda precisam de direção, feedback e verificação, exatamente como no front-end web. A parte mecânica já é automatizável.</p>
<p>Eu testei isso nos meus próprios projetos pequenos e abertos. O <a href="https://github.com/akitaonrails/FrankYomik"target="_blank" rel="noopener">FrankYomik</a> tem um cliente Flutter pra Android e Linux, além do servidor e da extensão. O <a href="https://github.com/akitaonrails/FrankSherlock"target="_blank" rel="noopener">Frank Sherlock</a> é um app desktop em Rust/Tauri que gera AppImage pra Linux, DMG pra macOS e instalador <code>.exe</code> pra Windows. Também fiz o <a href="https://github.com/akitaonrails/frank_karaoke"target="_blank" rel="noopener">Frank Karaoke</a> em Flutter pra Android e o <a href="https://github.com/akitaonrails/frank_mangaplus"target="_blank" rel="noopener">FRANK MANGA+</a> em Rust/Tauri pra desktop. Há vários outros no <a href="https://github.com/akitaonrails?tab=repositories"target="_blank" rel="noopener">meu GitHub</a>.</p>
<p>Nenhum deles saiu perfeito no primeiro prompt. Flutter e Tauri me deram trabalho, especialmente nos primeiros projetos. Confiável quer dizer que o agente consegue avançar, receber uma correção, criar testes, corrigir o que quebrou e chegar num aplicativo funcional sem eu assumir a digitação braçal. Depois de testar web, Android e desktop em stacks diferentes, estou muito satisfeito com o resultado. O padrão se repete: trabalho mecânico virou trabalho de agente.</p>
<p>Às duas da manhã eu tinha agentes fazendo os últimos ajustes neste blog sem perder o ritmo. É disso que eu preciso.</p>
<h2>Quando a web ainda não sabia o que era<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="quando-a-web-ainda-não-sabia-o-que-era"></span>
    <a href="#quando-a-web-ainda-n%c3%a3o-sabia-o-que-era" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>No auge da bolha da Internet, designers de carreira estavam criando sites. A web ainda não tinha decidido como uma página deveria funcionar, então havia espaço real pra experimentar. Era feio muitas vezes, pesado quase sempre, mas tinha criação acontecendo.</p>
<p>O iPhone abriu outra janela em 2007. De repente tudo precisava caber numa tela pequena, responder ao toque e funcionar sem mouse. Vieram anos de experimentação até o mercado formar uma gramática razoavelmente estável de navegação, gesto, formulário e conteúdo.</p>
<p>Hoje ninguém precisa redescobrir um menu, uma lista, um checkout ou uma página de artigo. Os padrões estão documentados, milhões de exemplos estão públicos e os modelos viram mais interfaces do que qualquer pessoa conseguiria estudar durante a vida.</p>
<p>O trabalho mais valioso continua existindo: entender o produto, a pessoa que vai usá-lo, as restrições e o que merece aparecer primeiro. O trabalho de converter uma decisão pronta em centenas de linhas previsíveis virou candidato perfeito à automação.</p>
<h2>Empregos desaparecem. Outros aparecem<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="empregos-desaparecem-outros-aparecem"></span>
    <a href="#empregos-desaparecem-outros-aparecem" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>O mundo nunca ficou parado pra preservar uma função.</p>
<p>Operadores de cartão perfurado digitavam dados e programas em papel. Telefonistas conectavam chamadas fisicamente. Datilógrafos mantinham escritórios funcionando. Linotipistas montavam linhas de metal quente pra imprimir jornais. A tecnologia reduziu ou eliminou essas ocupações em escala. A <a href="https://www.bls.gov/emp/tables/fastest-declining-occupations.htm"target="_blank" rel="noopener">lista atual de profissões em maior declínio do Bureau of Labor Statistics</a> ainda inclui digitadores, datilógrafos e operadores de telefonia. Ninguém propõe voltar a elas pra proteger emprego.</p>
<p>Ao mesmo tempo apareceram trabalhos que uma pessoa de 1926 nem conseguiria nomear: desenvolvedor mobile, SRE, designer de experiência, criador de vídeo pra Internet, especialista em nuvem, engenheiro de machine learning. A própria web matou trabalho antigo e abriu uma indústria inteira.</p>
<p>A história real é menos limpa do que a caricatura. A <a href="https://www.ilo.org/publications/generative-ai-and-jobs-refined-global-index-occupational-exposure"target="_blank" rel="noopener">OIT mostra que a tecnologia costuma automatizar tarefas sem necessariamente eliminar ocupações inteiras</a>. Algumas funções encolhem, outras mudam e trabalhos novos aparecem. Esse consolo estatístico não resolve a vida de quem ficou obsoleto hoje. A pessoa precisa reagir antes que a média da economia reaja por ela.</p>
<p>Compare 2026 com 1926, três anos antes do crash de 1929. Parece outro planeta, embora um século seja muito pouco na escala da história. Não existe contrato garantindo que a sua função atual sobreviva aos próximos dez anos, muito menos aos próximos quarenta.</p>
<h2>E como um júnior ganha experiência agora?<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="e-como-um-júnior-ganha-experiência-agora"></span>
    <a href="#e-como-um-j%c3%banior-ganha-experi%c3%aancia-agora" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Vai ficar mais difícil. A escada antiga começava com alguém pagando um iniciante pra montar tela simples, corrigir CSS e copiar componente. O agente faz boa parte disso mais rápido e barato. Empresa nenhuma tem obrigação de preservar trabalho ineficiente como programa de treinamento.</p>
<p>O iniciante vai ter que construir a própria escada com projetos reais e problemas pelos quais ele seja responsável. Isso inclui ler o código que o agente gerou, quebrar e consertar, estudar documentação e código-fonte, escrever testes e contribuir com projetos abertos. O agente dá a qualquer estudante acesso a uma quantidade de prática que antes exigia uma equipe. Quem usar isso só pra gerar código que não entende vai continuar júnior por muito tempo.</p>
<p>O mercado vai premiar quem fizer esse esforço extra. Sempre premiou. Quando alguém pergunta como o júnior vai ganhar experiência sem as tarefas fáceis, muitas vezes a pergunta escondida é outra: &ldquo;como eu consigo um salário melhor sem passar pelo trabalho difícil de ficar bom?&rdquo; A vaga fácil, com salário crescente e pouca cobrança, foi uma distorção da bolha. Adaptar-se inclui aceitar que a entrada ficou mais competitiva.</p>
<h2>Minha carreira nunca ficou no mesmo lugar<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="minha-carreira-nunca-ficou-no-mesmo-lugar"></span>
    <a href="#minha-carreira-nunca-ficou-no-mesmo-lugar" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p><a href="/2023/02/14/akitando-138-meu-comeco-de-carreira-durante-a-bolha-1997-a-2002-bug-do-milenio-crash/">Comecei com multimídia e sites estáticos</a>. Depois trabalhei em agência digital, consultoria enterprise, integração de SAP, startups, vídeo, educação e, agora, IA. No <a href="/2018/12/26/akitando-34-voce-nao-sabe-nada-de-enterprise-conhecendo-a-sap/">Akitando sobre SAP</a>, eu conto parte dessa fase em que precisei aprender um mundo completamente diferente do que fazia antes.</p>
<p>Atravessei o crash das pontocom, a crise de 2008 e o fim da bolha de juro zero. Sobrevivi porque nunca tratei a minha função do momento como identidade permanente. Continuei estudando, acumulando experiência e mudando de direção.</p>
<p>Uma carreira produtiva não deveria consistir em repetir a mesma tarefa mecânica por décadas. Se o seu valor depende de o mercado continuar pagando alguém pra empurrar tag e pixel à mão, o problema não começou com a IA. O problema foi apostar que o presente seria eterno.</p>
<p>Muita gente entende &ldquo;estar preparado&rdquo; como estudar o mínimo necessário pra vaga aberta hoje. Essa é a receita mais rápida pra ficar obsoleto. Faça o trabalho de curto prazo, mas estude além dele. Aprenda as coisas que parecem inúteis agora. Fundamentos, sistemas operacionais, redes, bancos de dados, negócio, economia, história. Você não sabe qual combinação vai salvar sua carreira daqui a cinco anos.</p>
<p>Eu passei anos falando disso no Akitando. Reveja as playlists <a href="https://www.youtube.com/playlist?list=PLdsnXVqbHDUehzKjiRruy--gncHz9Injy"target="_blank" rel="noopener"><strong>Eu Avisei</strong></a> e <a href="https://www.youtube.com/playlist?list=PLdsnXVqbHDUd6wEL932R7dW9Zazt2oNWF"target="_blank" rel="noopener"><strong>Que curso devo fazer??</strong></a>. Se tiver que começar por um vídeo, comece pelo <strong>Guia DEFINITIVO de Aprendendo a Aprender</strong>. Curso nenhum salva quem ainda terceiriza o próprio aprendizado.</p>


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<p>O mundo não tem falta de oportunidade. A maioria das pessoas sente que nunca recebe uma porque está sempre despreparada quando ela aparece. Quando a oportunidade pousa na sua frente, já é tarde pra começar a preparação.</p>
<p>Portanto, eu não vou lamentar que o pacote desses seis sites pequenos, que antes tomaria semanas ou meses, tenha cabido em cerca de um dia. Estou feliz pra cacete. Ganhei tempo pra pensar no que construir, experimentar mais e jogar fora versões ruins sem desperdiçar semanas de vida.</p>
<p>Hoje eu vi um carro girar no ar e pousar. Em cerca de um dia, coloquei seis sites com visual novo em produção sem escrever a maior parte do HTML e CSS. O futuro que eu queria não chegou perfeito, barato nem distribuído igualmente. Mas chegou o bastante pra eu trabalhar com ele.</p>
<p>Aceite o que acabou. Estude o que vem depois. E esteja pronto antes da próxima oportunidade aparecer.</p>
]]></content:encoded><category>inteligencia-artificial</category><category>frontend</category><category>automacao</category><category>carreira</category></item><item><title>RANT: IA acabou com os programadores?</title><link>https://akitaonrails.github.io/2026/02/08/rant-ia-acabou-com-programadores/</link><guid isPermaLink="true">https://akitaonrails.github.io/2026/02/08/rant-ia-acabou-com-programadores/</guid><pubDate>Sun, 08 Feb 2026 14:29:18 +0000</pubDate><description>&lt;p&gt;Quem só acompanhou cortes e comentários, sem assistir aos meus &lt;a href="https://www.youtube.com/watch?v=UDrDg6uUOVs&amp;amp;list=PLdsnXVqbHDUeowsAO0sChHDY4D65T5s1U&amp;amp;pp=sAgC"target="_blank" rel="noopener"&gt;vídeos sobre IA&lt;/a&gt; no meu canal, ou pelo menos ao &lt;a href="https://www.youtube.com/watch?v=sf4Gxf0LiKo"target="_blank" rel="noopener"&gt;podcast no Flow&lt;/a&gt;, está achando que eu disse o seguinte:&lt;/p&gt;
&lt;blockquote&gt;
&lt;p&gt;&amp;ldquo;IAs NUNCA vão substituir NENHUM programador&amp;rdquo;&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;
&lt;p&gt;E isso está errado. Assista ao vídeo com a explicação (ou procure a transcrição). Mas em resumo, o que eu disse foi:&lt;/p&gt;
&lt;blockquote&gt;
&lt;p&gt;&amp;ldquo;IAs nunca vão substituir programadores COMO EU - EU nunca vou ser substituído&amp;rdquo;&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;
&lt;p&gt;Outra coisa que afirmei e continuo a afirmar é:&lt;/p&gt;</description><content:encoded><![CDATA[<p>Quem só acompanhou cortes e comentários, sem assistir aos meus <a href="https://www.youtube.com/watch?v=UDrDg6uUOVs&amp;list=PLdsnXVqbHDUeowsAO0sChHDY4D65T5s1U&amp;pp=sAgC"target="_blank" rel="noopener">vídeos sobre IA</a> no meu canal, ou pelo menos ao <a href="https://www.youtube.com/watch?v=sf4Gxf0LiKo"target="_blank" rel="noopener">podcast no Flow</a>, está achando que eu disse o seguinte:</p>
<blockquote>
  <p>&ldquo;IAs NUNCA vão substituir NENHUM programador&rdquo;</p>

</blockquote>
<p>E isso está errado. Assista ao vídeo com a explicação (ou procure a transcrição). Mas em resumo, o que eu disse foi:</p>
<blockquote>
  <p>&ldquo;IAs nunca vão substituir programadores COMO EU - EU nunca vou ser substituído&rdquo;</p>

</blockquote>
<p>Outra coisa que afirmei e continuo a afirmar é:</p>
<blockquote>
  <p>&ldquo;AGIs não são possíveis na arquitetura atual: não vai acontecer. Precisa vir uma nova descoberta — que, obviamente, ainda não sabemos qual — pra ultrapassar a barreira atual, que é intransponível.</p>

</blockquote>
<p>E foi disso que eu derivei esta frase:</p>
<blockquote>
  <p><strong>&ldquo;Sua empolgação com IA é inversamente proporcional ao seu conhecimento sobre IA&rdquo;</strong> — e isso continua valendo igual.</p>

</blockquote>
<p><img src="https://new-uploads-akitaonrails.s3.us-east-2.amazonaws.com/frankmd/2026/02/akita%20camiseta.jpg" alt="akita camiseta"  loading="lazy" /></p>
<h2>A Bolha de Programação já estourou<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="a-bolha-de-programação-já-estourou"></span>
    <a href="#a-bolha-de-programa%c3%a7%c3%a3o-j%c3%a1-estourou" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p><a href="https://www.youtube.com/@Akitando"target="_blank" rel="noopener">Meu canal</a> começou em 2018 e durou até o início de 2024, com um único propósito:</p>
<blockquote>
  <p>Ajudar a preparar programadores de verdade para sobreviverem ao estouro iminente da bolha (que se iniciou por volta de 2014).</p>

</blockquote>
<p>Tenho uma playlist inteira intitulada <a href="https://www.youtube.com/watch?v=wpPv1dJWjDs&amp;list=PLdsnXVqbHDUehzKjiRruy--gncHz9Injy&amp;pp=sAgC"target="_blank" rel="noopener"><strong>EU AVISEI</strong></a>.</p>
<p>Em resumo, nos anos recentes, &ldquo;programação&rdquo; se tornou a &ldquo;profissão do futuro&rdquo;, e <a href="https://www.youtube.com/watch?v=V7oUDL7E1g4"target="_blank" rel="noopener">parecia fácil</a>. Ficou óbvio quando o que mais se via era propaganda de todo tipo de curso e bootcamp, com promessas como: <em>&ldquo;vire programador em 2 meses, ganhe salário de Google e nem precisa trabalhar muito.&rdquo;</em></p>
<p>Eu chamei esse tipo de programador de &ldquo;chef de Miojo&rdquo;. Só porque você sabe esquentar água e fazer miojo, isso não te torna um chef. Deveria ser óbvio, mas é como a programação era vista. Nenhum desses cursos formou nenhum &ldquo;programador&rdquo;, muito menos &ldquo;engenheiro de software&rdquo;.</p>
<p>Mas &ldquo;engenheiro de software&rdquo; não é uma engenharia de verdade. Não existe um CREA, CRM, OAB, nada equivalente que certifique alguém como &ldquo;engenheiro de software&rdquo;. Isso é um título inventado que qualquer pessoa pode colocar no LinkedIn.</p>
<p>O Cisne Negro da Pandemia foi algo que eu não previ, mas isso só ajudou a inflar ainda mais a fase final da bolha, que estourou no fim de 2022 quando se iniciaram layoffs em massa em todas as big techs. E isso foi ANTES do advento das LLMs pra programação. Por coincidência, ChatGPT surgiu na mesma época em 2022, mas essa não foi a causa; foi só o último prego no caixão. O estouro daquela bolha e os layoffs viriam de qualquer forma.</p>
<p>Por isso, <a href="https://www.youtube.com/@Akitando"target="_blank" rel="noopener">meu canal</a> deve ser o único que, ainda hoje, oferece os conteúdos de que alguém que realmente pensa em ser programador precisa. Imagina os outros canais que só propagandearam que virar programador era fácil, envelheceram BEM mal.</p>
<p>Portanto, sim, concordo com o CEO da Anthropic: esses &ldquo;engenheiros de software&rdquo; se tornarão completamente obsoletos. Não existe virar &ldquo;engenheiro&rdquo; em um bootcamp de 1 mês. Isso era <strong>bullshit</strong> e tinha que ser muito idiota pra acreditar. Notem que todos esses vendedores de óleo de cobra SUMIRAM. Cadê eles?</p>
<p>Não sabe por onde começar no meu canal? Duas sugestões:</p>
<ul>
<li>Playlist <a href="https://www.youtube.com/watch?v=D3L8IOncLkg&amp;list=PLdsnXVqbHDUd6wEL932R7dW9Zazt2oNWF&amp;pp=sAgC"target="_blank" rel="noopener">&ldquo;Que cursos devo fazer?&rdquo;</a></li>
<li>Playlist <a href="https://www.youtube.com/watch?v=A2-yU3YjB1U&amp;list=PLdsnXVqbHDUcAWAN3cXHWnM9JEw2gjIN9&amp;pp=sAgC"target="_blank" rel="noopener">&ldquo;Carreira&rdquo;</a></li>
</ul>
<h2>O &ldquo;teto&rdquo; das IAs<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="o-teto-das-ias"></span>
    <a href="#o-teto-das-ias" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Eu terminei de gravar vídeos pro meu canal exatamente quando começou essa onda de IAs. Considerei que tudo o que queria dizer já foi dito e isso continua disponível no canal. Meu objetivo foi atingido.</p>
<p>Durante 2024 e 2025 eu participei de podcasts como <a href="https://www.youtube.com/watch?v=25DG7ivZq_o&amp;list=PLdsnXVqbHDUcjqXfKo42h6Cm-HCcUNOnV&amp;pp=sAgC"target="_blank" rel="noopener">Flow</a> e <a href="https://www.youtube.com/watch?v=RKDCQUqXGg4&amp;list=PLdsnXVqbHDUdrzeKMb3QOwKW6rMvVHPeq&amp;pp=sAgC"target="_blank" rel="noopener">Inteligência Ltda</a> falando muito sobre IAs e coisas como <a href="https://www.youtube.com/watch?v=_Hl9wiLkns4&amp;pp=ygUdZmFiaW8gYWtpdGEgaW50ZWxpZ2VuY2lhIGx0ZHM%3D"target="_blank" rel="noopener">computação quântica</a> (e como também é só um hype que não vai em nada prático pro nosso dia a dia).</p>
<p>O principal: desde o paper sobre transformers <a href="https://arxiv.org/abs/1706.03762"target="_blank" rel="noopener">Attention is all you need</a>, ainda não surgiu nenhum outro &ldquo;breakthrough&rdquo; que ultrapasse esse marco. Tudo o que temos hoje, de OpenAI à Anthropic, e de open sources como DeepSeek, Qwen3, GLM, MiniMax etc., se baseia exatamente na mesma fundação, na mesma &ldquo;arquitetura&rdquo;.</p>
<p>E eu teorizei - corretamente - que a evolução dessa arquitetura obedeceria a uma <strong>Curva em S</strong>:</p>
<p><img src="https://new-uploads-akitaonrails.s3.us-east-2.amazonaws.com/frankmd/2026/02/Screenshot-2023-10-29-at-1.50.57-PM.jpg" alt="curva S"  loading="lazy" /></p>
<p>GPT-1 para o 2 foi um salto quântico. GPT-2 para o 3 foi um salto gigante. GPT-3 para o 4 foi excelente, mas, notavelmente, não na mesma proporção. GPT-4 para o 5, a maioria das pessoas comuns nem notou tanta diferença.</p>
<p>Claro, ninguém ficou parado; todo cientista da computação, matemático, engenheiro foi fazendo o que sempre fazemos: <strong>otimizando</strong>. Surgiram melhores formas de treinar, a ideia de &ldquo;reasoning&rdquo;, a ideia de agentes trabalhando em conjunto (um dando feedback pro outro), novas formas de alinhamento e de instrução. Mas nada disso altera a arquitetura da fundação.</p>
<p>O problema: pra treinar cada nova geração de LLMs, fica consideravelmente mais caro (em hardware e, principalmente, no consumo de energia) pra gerar uma versão que não é muito melhor que a anterior. Esse é o teto da curva. E eu reafirmo: enquanto não surgir uma NOVA ARQUITETURA, vamos só chegar cada vez mais perto desse teto, sem ultrapassá-la, mas gastando níveis absurdos de mais memória e mais energia.</p>
<p>Por isso, está <a href="https://research.aimultiple.com/ai-energy-consumption/"target="_blank" rel="noopener">faltando energia</a>: com o aumento da demanda de uso (inferência), eles têm que se dividir entre gastar energia pra treinar novas versões e atender à demanda. Não dá pra fazer os dois.</p>
<p>Pior, por isso, a <a href="https://www.techradar.com/computing/memory/more-ram-misery-the-bad-news-keeps-coming-as-analyst-firm-warns-of-an-unprecedented-and-record-breaking-surge-with-price-hikes"target="_blank" rel="noopener">memória RAM explodiu em preço</a> e seu PC também vai ficar muito mais caro. Não tem mais recursos pra treinar modelos tão grandes que, proporcionalmente, oferecem cada vez menos resultado (definição de &ldquo;diminishing returns&rdquo;). É o destino de toda inovação: bater no teto da curva em S até surgir outra que a substitua.</p>
<p>O foco agora está em usar melhor as versões que já temos. No caso de programação, surgem GPT Codex ou Claude Code, que são estratégias de uso de agentes, MCPs, skills e outras ferramentas e formas de orquestração pra extrair o máximo do que já temos hoje.</p>
<h2>Estratégias das LLMs<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="estratégias-das-llms"></span>
    <a href="#estrat%c3%a9gias-das-llms" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Todo mundo já sabe que é impossível só fazer um prompt e que qualquer LLM saia com um sistema perfeito no final. Vai sair muito ruim; continua assim e vai continuar assim nesta arquitetura.</p>
<p>Toda LLM tem um limite de contexto (memória). É impossível carregar todo o código-fonte de um ERP gigante como o da Totus ou o da SAP. Não cabe, e mesmo se coubesse, não seria possível dar &ldquo;atenção&rdquo; a tudo. Existem limites: quanto mais memória você coloca, pior fica a inferência; o resultado fica pior. Como tudo em software, é um &ldquo;trade-off&rdquo;.</p>
<p>Em vez disso, o melhor é criar scripts que percorrem seu código e extraem pedaços específicos a cada execução. Se estiver mexendo no carrinho de compras, não precisa carregar código que lida com a tela inicial da loja, por exemplo. É parecido com o que um programador humano faria: <strong>dividir pra conquistar</strong> (como diria Napoleão).</p>
<p>Toda LLM específica pra código, como Codex ou Opus, foi treinada pra fazer <strong>&ldquo;tool calling&rdquo;</strong>, que é enviar um pedido ao &ldquo;chat&rdquo; pra que ele busque informações (como código) e carregue trechos no contexto. Pra isso, ele manda executar ferramentas como &ldquo;rg&rdquo; <a href="https://github.com/BurntSushi/ripgrep"target="_blank" rel="noopener">ripgrep</a> (no caso do Codex) ou &ldquo;grep&rdquo; (no caso do OpenCode).</p>
<p>Se, por acaso, o modelo não foi treinado com informações que só saíram recentemente na Web, ele pode fazer <strong>&ldquo;agentic fetch&rdquo;</strong>, que é executar comandos como &ldquo;curl&rdquo; pra, literalmente, ir no Google, no Stack Overflow, etc., e puxar as páginas web pra usar como parte do contexto (o trade-off é que isso vai usar o espaço limitado de contexto).</p>
<p>Quando o contexto está prestes a acabar (a faixa de 200 mil tokens, no caso de um Claude, ou 1 milhão, no caso de um Gemini), o &ldquo;chat&rdquo; que orquestra (Claude Code, OpenCode, etc.) manda gerar um resumo do contexto atual, pra &ldquo;compactar&rdquo; o entendimento e reiniciar com um novo contexto com base nesse resumo.</p>
<p>Pra garantir que o código gerado &ldquo;funcione&rdquo;, o tool calling pede pra rodar ferramentas locais, como linters, compiladores ou LSPs (como uma IDE, como o VSCode, faria). Isso gera feedback (e gasta mais contexto). Se errar, o &ldquo;chat&rdquo; pode pedir automaticamente pra refazer, levando essa nova informação em consideração.</p>
<p>Além disso, pra ir &ldquo;mais rápido&rdquo;, o &ldquo;chat&rdquo; pode mandar executar vários agentes em paralelo. Cada agente é um novo contexto - e nada disso é de graça, lembrem-se: tokens por segundo. Então, poderia mandar um agente vasculhar todo o código relevante ao banco de dados e, no final, gerar um resumo. Outro agente vasculha todo o código de pagamentos e, ao final, gera um resumo. Outro agente vasculha o código relevante ao front-end do carrinho e gera um resumo. Então o &ldquo;chat&rdquo; pega esses resumos e volta ao contexto anterior pra executar alguma tarefa.</p>
<p>O que chamo de &ldquo;chat&rdquo; é só pra ficar mais fácil de visualizar. Pense na interface simples de chat que todo mundo usa no dia a dia, mas com recursos adicionais. Isso é o que faz um Codex ou um Claude Code. Não tem segredo nenhum, toda ferramenta dessas, assim como as open source como Opencode ou Crush, fazem a mesma coisa: configuram um <strong>&ldquo;Harness&rdquo;</strong>:</p>
<ul>
<li>Iniciam com um prompt de sistema detalhando exatamente como quer que a LLM responda. Este <a href="https://github.com/Piebald-AI/claude-code-system-prompts"target="_blank" rel="noopener">GitHub</a> tem vários exemplos desses prompts que a ferramenta envia sem você saber.</li>
<li>As LLMs são treinadas com tool calling e a ferramenta sabe como responder a essas chamadas (executando bash, curl, ripgrep, sed, diff, git, etc)</li>
<li>A ferramenta é capaz de executar múltiplos agentes em paralelo (pense múltiplos &ldquo;chats&rdquo; em paralelo)</li>
<li>A ferramenta pede pra LLM gerar um &ldquo;plano&rdquo; primeiro e enumerar tarefas. Daí ela pode orquestrar a execução sequencial dessas tarefas, cada uma em um agente diferente, por exemplo.</li>
<li>A ferramenta é capaz de gerenciar os limites de contexto e saber quando mandar resumir, e como reiniciar um novo contexto e continuar a execução das tarefas restantes</li>
<li>A ferramenta é responsável por criar um contêiner e evitar que comandos malfeitos afetem seu sistema (isso é opcional; nem todos fazem ou não ligam por padrão. Cuidado!)</li>
</ul>
<p>Eu documentei sobre isso em vários posts neste blog:</p>
<ul>
<li><a href="/2025/04/25/hello-world-de-llm-criando-seu-proprio-chat-de-i-a-que-roda-local/">Hello World de LLM: criando seu próprio chat de I.A. que roda local</a></li>
<li><a href="/2025/05/01/rant-llms-vao-evoluir-pra-sempre-desmistificando-llms-na-programacao/">Rant - LLMs vão evoluir pra sempre? Desmistificando LLMs na programação</a></li>
<li><a href="/2025/05/01/quando-llms-nao-funcionam-pra-programar-um-caso-de-uso-mais-real/">Quando LLMs não Funcionam pra Programar? Um caso de uso mais real.</a></li>
<li><a href="/2026/01/10/ai-agents-garantindo-a-protecao-do-seu-sistema/">AI Agents: Garantindo a Proteção do seu Sistema</a></li>
<li><a href="/2026/01/11/ai-agents-comparando-as-principais-llm-no-desafio-de-zig/">AI Agents: Comparando as principais LLM de 2026 no Desafio de Zig</a></li>
<li><a href="/2026/01/21/ai-agents-instalando-lsps-pro-crush/">AI Agents: Instalando LSPs pro Crush</a></li>
<li><a href="/2026/01/24/ai-agents-qual-e-o-melhor-opencode-crush-claude-code-gpt-codex-copilot-cursor-windsurf-antigravity/">AI Agents: Qual é o melhor? OpenCode, Crush, Claude Code, GPT Codex, Copilot, Cursor, Windsurf, Antigravity?</a></li>
<li><a href="/2026/01/28/vibe-code-eu-fiz-um-appzinho-100-com-glm-4-7-tv-clipboard/">Vibe Code: Eu fiz um appzinho 100% com GLM 4.7 (TV Clipboard)</a></li>
<li><a href="/2026/01/29/vibe-code-qual-llm-%C3%A9-a-melhor-vamos-falar-a-real/">Vibe Code: Qual LLM é a MELHOR?? Vamos falar a REAL</a></li>
<li><a href="/2026/02/01/vibe-code-fiz-um-editor-de-markdown-do-zero-com-claude-code-frankmd-part-1/">Vibe Code: Fiz um Editor de Markdown do zero com Claude Code (FrankMD) PARTE 1</a></li>
<li><a href="/2026/02/01/vibe-code-fiz-um-editor-de-markdown-do-zero-com-claude-code-frankmd-parte-2/">Vibe Code: Fiz um Editor de Markdown do zero com Claude Code (FrankMD) PARTE 2</a></li>
</ul>
<h2>O Fim do Stack Overflow<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="o-fim-do-stack-overflow"></span>
    <a href="#o-fim-do-stack-overflow" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Na época do GPT-3 e do GPT-4, eu já fazia códigos usando LLMs e funcionava bem. Mas eles ainda tinham muitas chatices. As alucinações eram muito frequentes. Tinha muito &ldquo;agentic loop&rdquo; (quando a LLM &ldquo;acha&rdquo; que já consertou, mas não consertou e fica em loop, sem saber o que fazer). A atenção ao contexto era facilmente perdida (melhorou muito com a Flash attention). Enfim, vários problemas mais &ldquo;grosseiros&rdquo; já foram ajustados a ponto de não aparecerem mais com tanta frequência. Não é &ldquo;resolvido&rdquo;; ainda acontece, mas cada vez está melhorando.</p>
<p>Quanto mais se aprimoraram os dados de treinamento e o alinhamento, mais esses problemas desapareceram. O problema é que já chegamos ao ponto em que <strong>acabaram</strong> os dados de treinamento no mundo. Tudo o que poderia ser usado já foi. Não é só falta de energia e de hardware. Acabou a informação pra treinar.</p>
<p>A solução foi massagear os dados existentes pra extrair o máximo possível e adicionar muitos dados sintéticos (gerados pela própria IA). De novo, isso já bate num teto de &ldquo;diminishing returns&rdquo;.</p>
<p><a href="https://blog.pragmaticengineer.com/stack-overflow-is-almost-dead/"target="_blank" rel="noopener"><img src="https://new-uploads-akitaonrails.s3.us-east-2.amazonaws.com/frankmd/2026/02/stackoverflow.png" alt="stackoverflow dead"  loading="lazy" /></a></p>
<p>Além disso, vários sites usados pra extrair dados pra treinar as LLMs estão caindo em desuso. O exemplo mais notável é o venerável Stack Overflow. Vejam como caiu o tráfego.</p>
<p>Alguns desavisados poderiam só pensar: <em>&ldquo;ah, tudo bem, o povo passou a fazer pergunta idiota pras LLMs, acabou aquele monte de gente postando pergunta básica nos fóruns.&rdquo;</em></p>
<p>É verdade, parece um avanço. Mas até &ldquo;pergunta idiota&rdquo; é um dado relevante de treinamento. Se a LLM &ldquo;vê&rdquo; que certos assuntos têm maior probabilidade, quando ela receber a mesma pergunta, &ldquo;tende&rdquo; a dar a resposta mais popular. Se esse dado desaparece, também desaparece a relevância de diversos novos assuntos. Agora, cada LLM vai depender de usar as perguntas feitas ao chat como novo dado de treinamento, só que a OpenAI só vai ter perguntas feitas pra ela, e ela não vai saber quais são as perguntas mais populares feitas no Claude, o que diminui cada vez mais as fontes de informação relevantes.</p>
<p>O que toda plataforma deve estar fazendo agora é coletar todas as perguntas que você faz a elas, todas as respostas que a LLM gerou, todo o feedback que você ou suas ferramentas dão sobre se foi sucesso ou erro, e vai acumulando isso pra usar pra treinar a próxima versão, o GPT-6 ou o Sonnet-5. Vamos ver o quanto dá pra evoluir só com isso — lembrando que o &ldquo;volume&rdquo; de informação não se iguala à &ldquo;qualidade&rdquo; pro treinamento. Esse ainda é o calcanhar de Aquiles.</p>
<blockquote>
  <p>O ponto é: pelo menos temporariamente, a maior parte dos dados relevantes na Web acabou, e estamos produzindo menos do que antes.</p>

</blockquote>
<h2>Restrição == Inovação<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="restrição--inovação"></span>
    <a href="#restri%c3%a7%c3%a3o--inova%c3%a7%c3%a3o" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Sim, eu também acredito que uma categoria inteira, que se autointitulava &ldquo;engenheiro de software&rdquo;, vai deixar de existir por causa das IAs.</p>
<p>Não vai mais existir aquela &ldquo;especialização&rdquo; esquisita de &ldquo;front-end que não mexe em nada de back-end&rdquo; ou de &ldquo;back-end que não mexe em nada de infra&rdquo;. Front-end, em particular, é o mais fácil de substituir, pois era um grande volume de código de baixo valor agregado, com muita duplicação. Não era difícil automatizar, mas ninguém queria: era mais &ldquo;legal&rdquo; ficar inventando novos frameworks toda semana que fazem a mesma coisa, com formas levemente diferentes. Finalmente acabou essa palhaçada.</p>


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    title="Restrição == Inovação - Fabio Akita"
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<p>Palestrei anos sobre Restrição == Inovação e como inovação não acontece quando se tem dinheiro sobrando, que foi o que aconteceu na última Bolha de Programação: pra que automatizar as coisas, ser eficiente, se tem dinheiro sobrando, é só contratar mais e mais gente pra fazer coisas mais e mais simples e braçais?</p>
<p>Na Bolha da Internet, havia tanto dinheiro sobrando que existia a profissão de &ldquo;catalogador de sites&rdquo;: gente que ficava o dia inteiro digitando manualmente todos os novos sites que surgiam na recém-lançada Web. Levou anos até surgirem um Altavista e, depois, um Google, que descobriram como automatizar isso. Antigamente, não existiam &ldquo;admins&rdquo; web pra publicar novos produtos num e-commerce: alguém editava o HTML da página principal do Submarino.com todos os dias, com novas ofertas. Tudo trabalho de alto volume e baixo valor agregado. Automatizamos tudo isso e, agora, com LLMs, só fomos um passo à frente.</p>
<p>Mesmo antes de LLMs, não fazia sentido precisar de gente exclusivamente pra ficar fazendo HTML/CSS descartáveis o dia todo. As ferramentas um pouco mais automáticas, como um SquareSpace.com da vida, não eram tão boas.</p>
<p>O problema é o seguinte: algo simples, como um &ldquo;Web Admin&rdquo; pra editar conteúdo sem precisar saber HTML, nos anos 90, não existia. Alguém precisou criar as primeiras versões desse tipo de software pra entendermos o que funciona e o que não funciona. Quem era dos anos 90 vai se lembrar de softwares comerciais caros como o famoso <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Vignette_Corporation"target="_blank" rel="noopener">Vignette Story Server</a>. Hoje em dia, qualquer Wordpress open source faz a mesma coisa melhor.</p>
<p>Ninguém se lembra de software e de empresas que não existem mais. Especialmente jovens, acham que o mundo já apareceu com a Web pronta, com redes sociais prontas e plataformas de e-commerce prontas. A sensação deve ser que, no Egito Antigo, o povo já comprava na Amazon, pedia delivery no iFood e todo mundo se comunicava pelo Whatsapp. Eu fiz um video chamado <a href="https://www.youtube.com/watch?v=Qb5b8ZE9tIY"target="_blank" rel="noopener">A Dimensão do Tempo</a>, <a href="https://www.youtube.com/watch?v=0KNGiOp7eoE"target="_blank" rel="noopener">Minha Máquina do Tempo</a> e <a href="https://www.youtube.com/watch?v=ksZjJQiaK2Y"target="_blank" rel="noopener">Meus Primeiros Cinco Anos</a> pra tentar dar um pouco de perspectiva sobre isso.</p>
<blockquote>
  <p>O ponto é: tudo o que as LLMs sabem fazer já existe ou já existiu.</p>

</blockquote>
<p>Eles não são capazes de inventar seja lá o que for, seja a &ldquo;Vignette dos anos 2030&rdquo; ou o &ldquo;Instagram dos anos 2030&rdquo;. E não digo isso no sentido do &ldquo;próximo gerenciador de conteúdo&rdquo; ou &ldquo;próxima rede social&rdquo;. Eu digo no sentido de que &ldquo;rede social&rdquo; era um termo que não existia nos anos 2000 e &ldquo;gerenciador de conteúdo&rdquo; não existia nos anos 80, por exemplo. O que é a nova categoria que vai aparecer nos anos 2030?</p>
<p>Não sei; se eu soubesse, obviamente estaria construindo pra lançar e ficar bilionário. Ninguém sabe, muito menos LLMs. Elas conseguem derivar muitas coisas do treinamento, mas o que não está nas probabilidades do modelo não vai &ldquo;espontaneamente&rdquo; aparecer&rdquo;. Não é assim que IAs funcionam.</p>
<p>Podemos ficar pra sempre só refazendo tudo o que já foi feito igual já existe hoje. Mas não muito mais do que isso. Mas o ponto das minhas palestras foi justamente que somente com muito dinheiro e muita força bruta, não nascem inovações.</p>
<h2>Programadores na Era das LLMs<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="programadores-na-era-das-llms"></span>
    <a href="#programadores-na-era-das-llms" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>A conclusão é muito simples: programadores como eu sempre vão existir. O que sempre deixa de existir são profissões que só têm volume, mas baixo valor agregado. Esse é o conceito.</p>
<p>Como disse nos meus videos, durante minha carreira eu já sobrevivi ao fim da bolha dos microcomputadores no começo ao meio dos anos 90, a bolha da internet do meio dos anos 90 até o começo dos 2000, a recessão de programação de 2001 a 2008, a bolha financeira imobiliária que estourou em 2008 mas deu origem à bolha da programação, principalmente dos anos 2014 até 2022, e agora a bolha de IAs.</p>
<p>Não se enganem: é sempre assim, e esse é nada mais do que um episódio.</p>
<p>Quem é o programador que sobrevive a todas essas bolhas? Este:</p>


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    title="Guia DEFINITIVO de Aprendendo a Aprender | A maior BRONCA da sua vida [RATED R]"
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<p>O teto das LLMs já está aqui e o que elas estão entregando agora não vai mudar muito: o processo vai ser o mesmo. Vai ficar um pouco mais rápido. Vai gerar um pouco menos de erros e pequenos ajustes assim. Mas o processo vai continuar igual até aparecer alguma nova arquitetura ou alguma nova descoberta que ainda não sabemos.</p>
<blockquote>
  <p>Nenhum código gerado por IA vai ser automaticamente perfeito pra ser colocado em produção sem nenhum tipo de revisão ou intervenção humana. - Qualquer um que ache o contrário ou que não testou nenhuma LLM na prática ou nunca trabalhou em projetos de verdade.</p>

</blockquote>
<p>Como disse no Flow, esta é a SEGUNDA Bolha de IAs. A primeira foi nos anos 60 por causa do inventor de redes neurais, Frank Rosenblatt. Assim como o Sam Altman ou o Dario Amodel, ele também fez MUITO hype sobre redes neurais e computadores que iriam ficar muito mais inteligentes do que seres humanos &ldquo;muito em breve&rdquo;, e todo jornal da época publicou sobre isso. As promessas morreram como promessas e isso gerou o &ldquo;Inverno das IAs&rdquo; nos anos 70, onde muito investimento foi feito, o resultado não foi proporcional, e pesquisas sobre IA estagnaram pelas décadas seguintes, andando a passos de tartaruga.</p>
<p>Isso só começou a mudar mesmo com o advento e a popularização da Web, o surgimento de redes sociais, o surgimento de Big Data e, agora, com volumes grandes de dados pra iniciar uma nova era de pesquisa em redes neurais, com muito mais material de treinamento. E agora com a existência de GPUs pra acelerar o processamento. Foi quando surgiu a AlexNet, de George Hinton, Yann LeCunn e Ilya Sutskever, o &ldquo;breakthrough&rdquo; das convolutional neural networks (CNNs) e da paralelização de processamento via GPUs.</p>
<p>Sem isso, não se evoluiria pra transformers, difusores e coisas como Nano Banana e Sora. Esse é um tipo de área em que LLMs não vão contribuir: pesquisa de ponta e novas descobertas. Nesse campo vão continuar sendo necessários cientistas da computação, matemáticos, físicos teóricos, etc. Se você tem vocação pra pesquisa, ainda vai ser uma área fértil por muitos anos. A régua só subiu, o que é bom.</p>
<p>Sobre o Claude que conseguiu fazer um compilador de C:</p>
<blockquote>
  <p>O compilador de C é o mais fácil de fazer; é literalmente matéria de faculdade, porque C é uma das linguagens mais &ldquo;simples&rdquo; (começou como macros de Assembly).</p>

</blockquote>
<p><a href="https://www.anthropic.com/engineering/building-c-compiler"target="_blank" rel="noopener"><img src="https://new-uploads-akitaonrails.s3.us-east-2.amazonaws.com/frankmd/2026/02/screenshot-2026-02-08_12-58-46.png" alt="gcc claude"  loading="lazy" /></a></p>
<p>Como o próprio artigo da Anthropic — que ninguém leu, lógico — diz, eles usaram o GCC pra comparar.</p>
<p>Claro, GCC existe; é o compilador principal pra compilar o kernel do Linux. Se você copiar o GCC, vai chegar em outro GCC, não importa em que outra linguagem escrever — essa não é a parte difícil, porque toda linguagem consegue fazer tudo o que outra linguagem faz (todas são Turing Complete: pode ser mais lenta, pode ser mais insegura, pode dar mais trabalho, mas eu posso fazer um compilador de C em Visual Basic, se eu quiser, não é impressionante).</p>
<p>Nenhuma LLM substituiu o Linus Torvalds, nem Richard Stallman, nem nenhum dos grandes programadores cujos nomes você já ouviu falar. Eles conseguem copiar o que já foi feito e só. Sim, eles são &ldquo;stochastic parrots&rdquo; (papagaios estocásticos), independentemente do que um George Hinton tente propagandear a seu favor (todos têm vieses). Aliás, como eu já disse nos podcasts: foda-se George Hinton. Parem de cair na <strong>Falácia do Apelo à Autoridade</strong>.</p>
<h2>Recado às Empresas<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="recado-às-empresas"></span>
    <a href="#recado-%c3%a0s-empresas" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Isso deveria ser óbvio, mas vou deixar registrado só pra poder dizer &ldquo;EU AVISEI&rdquo; depois.</p>
<ul>
<li>Nenhuma LLM vai escrever código sozinha. Precisa de um sênior pra especificar.</li>
<li>Todo código gerado por LLMs precisa de revisão. Precisa de um sênior pra revisar.</li>
<li>Uma parte do código gerado precisa ser reescrita. Precisa de um sênior pra saber.</li>
<li>Outra parte do código vai ter bugs que a LLM vai deixar passar. Precisa de um sênior pra saber.</li>
<li>Sabendo quais são esses bugs, dá pra LLM consertar.</li>
</ul>
<p>Isso dito, algumas coisas que LLMs fazem muito bem:</p>
<ul>
<li>Análise exploratória de código legado</li>
<li>Refatorar partes de código legado</li>
<li>Adicionar testes unitários em partes de código legado</li>
<li>Sugerir melhorias em partes de código legado</li>
<li>Achar alguns buracos de segurança ou performance em código legado</li>
</ul>
<p>Note como eu digo &ldquo;partes&rdquo; ou &ldquo;alguns&rdquo;. Não há garantia de que ele consiga fazer isso em qualquer legado ou parte. Novamente, precisa de um bom sênior avaliando cada passo.</p>
<p>Tudo é feito <strong>PASSO A PASSO</strong>. Uma tentativa, uma checagem, um ajuste, repita. É o famoso ciclo PDCA: Plan, Do, Check, Act. Esse é o processo que funciona. Cada novo ajuste testado vira um &ldquo;git commit&rdquo; e vamos ao próximo passo. Sempre um passo de cada vez, sistematicamente, organizadamente. Nunca algo genérico como <em>&ldquo;Conserte tudo neste sistema legado&rdquo;</em>.</p>
<p>Outra coisa em que LLMs são muito boas é reescrever código de uma linguagem para outra (traduções em geral). Mas não recomendo e nem é só por ser LLM:</p>
<blockquote>
  <p>Eu nunca recomendo reescrever do zero como primeira opção.</p>

</blockquote>
<p>Não existe garantia de que uma linguagem mais nova seja &ldquo;melhor&rdquo; do que uma mais antiga. O &ldquo;melhor&rdquo; sempre &ldquo;depende&rdquo; da sua definição de &ldquo;melhor&rdquo;.</p>
<p>Está na moda essa ideia de reescrever tudo em Rust porque teria menos problemas de segurança. Isso é incorreto. Rust é bom para algumas categorias de segurança, mas não pra todas. E existe toda uma categoria de problemas <strong>funcionais</strong> que não aparecem em nenhum compilador. Reescrever algo complexo, como um kernel do Linux, em Rust é uma ilusão e uma inutilidade enormes. Se &ldquo;parece fácil&rdquo; fazer uma LLM reescrever em Rust, é igualmente fácil ela consertar pontualmente um errinho em C também, sem mexer no resto que já funciona.</p>
<blockquote>
  <p>Reescrever é, sim, garantia de que vários novos bugs vão surgir e você não vai detectá-los imediatamente; vai ser uma nova bomba-relógio. Pra consertar um bug conhecido, você acabou criando vários outros bugs desconhecidos. Reescrever, por definição, sempre vai adicionar novos bugs.</p>

</blockquote>
<p>E não, quando se pede pra LLM: <em>&ldquo;encontre todos os bugs de segurança neste código&rdquo;</em>, ele vai encontrar alguns, mas nunca todos.</p>
<p>Entenda o português: ele sempre vai dizer algo como <em>&ldquo;Eis todos os bugs que descobri&hellip;&rdquo;</em> Até a LLM hoje em dia não vai mais tentar dizer <em>&ldquo;Eis todos os bugs que existem&rdquo;</em>.</p>
<p>Nenhuma IA é feita pra dar respostas 100% corretas e sem ambiguidade. Pelo contrário, é sempre uma máquina probabilística que vai dar a resposta com base nas probabilidades do modelo gerado pelo treinamento. O que não estiver nesse modelo, ele não sabe. E, mesmo dando contexto, não há garantias de &ldquo;entendimento completo&rdquo;, e sim de &ldquo;algum entendimento&rdquo;. Sempre trabalhe com probabilidades inferiores a 100%.</p>
<p>Linguagens de programação, por sua própria natureza, não são determinísticas. Não existe nenhuma forma de escrever uma equação matemática em que eu possa passar o programa e ele garanta a ausência de bugs. Isso é uma impossibilidade matemática; não é &ldquo;questão de tempo&rdquo;. O tempo não tem nenhuma relevância nessa definição.</p>
<blockquote>
  <p>A detecção de bugs (funcionais, de segurança, de performance, etc.) é sempre um processo estocástico, uma heurística, nunca um algoritmo. Isso é algo que todo cientista da computação ou matemático entende, mas ninguém que nunca estudou consegue entender. Para pessoas comuns, heurística é a mesma coisa que algoritmo. Esse é um erro que pode ser fatal.</p>

</blockquote>
<p>Então, toda LLM, por sua própria fundação e arquitetura, sempre vai ter essas e outras limitações embutidas. Mas isso não é um problema, é apenas a natureza da ferramenta. Martelos não servem pra girar parafusos, e isso não é um defeito. Deveria ser óbvio, mas bater um martelo num prego e não girar é uma característica natural. Não é nem uma vantagem nem um defeito. <strong>Depende de qual problema quer resolver.</strong></p>
<p>No geral, LLMs vão ser muito boas em lidar com trabalhos braçais: adicionar testes, refatorar código, ajustar front-end, criar telas novas a partir de telas antigas, criar relatórios novos a partir de relatórios antigos. Criar tradução do português para o espanhol das telas do seu sistema. Pra esse tipo de prego, LLMs são o martelo perfeito.</p>
<p>Agora, interpretação exata de leis, regras de negócio, casos individuais e exceções à regra, flexibilização de certas regras — tudo o que faz parte das tomadas de decisão numa empresa. Nunca confie totalmente em nenhuma LLM: vai precisar de um humano experiente pra aprovar ou rejeitar. Por mais que ele tenha memorizado todas as leis do país, não há garantia de que saiba quando usar ou não usar, e como isso pode variar nos mais variados casos, especialmente nas exceções.</p>
<blockquote>
  <p>Nunca pergunte a um martelo como você deve dirigir sua empresa.</p>

</blockquote>
<h2>&ldquo;Como ter sênior se não vai mais ter júnior?&rdquo;<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="como-ter-sênior-se-não-vai-mais-ter-júnior"></span>
    <a href="#como-ter-s%c3%aanior-se-n%c3%a3o-vai-mais-ter-j%c3%banior" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Notem que a premissa é que, no mínimo, sempre vão precisar de um sênior instruindo e revisando o trabalho das LLMs.</p>
<p>Mas se as LLMs conseguirem executar todas as tarefas braçais que antes eram destinadas aos estagiários e júniors, como vão crescer pra virar sênior?</p>
<p>É a pergunta de 1 bilhão de dólares e já adianto que eu não sei a resposta inteira. Ninguém sabe.</p>
<p>O início é fácil. É como eu disse em todos os vídeos do canal: é como fiz minha carreira inteira: ter uma boa formação e &ldquo;aprender a aprender&rdquo; de verdade. Mais fácil falar do que fazer; por isso, levei 5 anos de vídeos tentando explicar dos mais variados jeitos pra ver se alguém entende.</p>
<p>A próxima parte que é difícil: como aprender se as LLMs já fazem tudo?</p>
<p>Essa pergunta parte de uma premissa errada: as LLMs não fazem tudo. Elas fazem o que for pedido. Se o pedido estiver bem especificado, vai sair um prato gourmet de um restaurante com 3 estrelas Michelin. Se o pedido for tosco, de alguém claramente inexperiente, vai sair um miojo. É assim, simples.</p>
<blockquote>
  <p>O resultado da LLM é diretamente proporcional ao trabalho de instrução, avaliação e acompanhamento do humano no controle.</p>

</blockquote>
<p><img src="https://new-uploads-akitaonrails.s3.us-east-2.amazonaws.com/frankmd/2026/02/s-l960.jpg" alt="cartão perfurado"  loading="lazy" /></p>
<p><em>&ldquo;Como alguém vai ser programador se nem sabe como fazer pra perfurar um cartão?&rdquo;</em> - É uma pergunta justa se perguntar a alguém nos anos 60.</p>
<p><em>&ldquo;Como alguém vai ser programador se nem sabe gravar numa fita cassete?&rdquo;</em> - É outra pergunta justa se for alguém dos anos 80.</p>
<p><em>&ldquo;Como alguém vai ser programador se nem sabe editar código num editor de textos como Emacs e precisa de Eclipse?&rdquo;</em> - Outra pergunta justa, se for alguém dos anos 90.</p>
<p><em>&ldquo;Como alguém vai ser programador se nem sabe programar pra Web?&rdquo;</em> - Uma boa pergunta pra alguém no começo dos anos 2000.</p>
<p><em>&ldquo;Como alguém vai ser programador se sequer sabe fazer um app mobile?&rdquo;</em> - Se for alguém nos anos 2010.</p>
<p><em>¨Como alguém vai ser programador se tem LLMs?&quot;</em> - A pergunta dos anos 2020. Boa sorte.</p>
<p>Toda geração tem perguntas similares. Nenhuma tem uma solução exata. Veja os fatos: ainda estamos aqui. Em 2026, sei coisas de programação que nunca sonhava saber quando entrei na faculdade em 1995. Tudo mudou. Todo mundo que &ldquo;aprendeu a aprender&rdquo; soube se <strong>ADAPTAR</strong> e usar o conhecimento que já tinha pra aprender novas formas de trabalhar.</p>
<blockquote>
  <p>É tudo uma questão de adaptação: quem não se adapta é extinto. Essa é a lei.</p>

</blockquote>
<p>Não tem muito mais a dizer a respeito disso. Mas na prática:</p>
<p>Se você é programador, use LLMs. Aprenda os pontos fortes e fracos, os diferentes resultados que ela obtém dependendo do seu próprio conhecimento, e nunca pare de estudar e treinar.</p>
<p>Se você é sênior/empresa, continue contratando júniores. Seus sêniores não são imortais. No mínimo, em uma hora eles vão se aposentar. Mais realista: uma hora eles vão mudar de emprego. A segunda tarefa mais importante de qualquer sênior é mentorar júniors e criar substitutos. Sênior incapaz de criar seu próprio substituto não é um sênior, é uma <strong>liability</strong>.</p>
<p>Mentorar é a mesma coisa de sempre: treinamento com acompanhamento e feedback, melhoria contínua, com a diferença de que, além de sistema operacional, editor de texto e IDEs, sistemas de CI, etc., agora tem LLM na caixa de ferramentas. É isso. Não tente complicar o que não precisa e não sofra por antecedência.</p>
<h2>Conclusão<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="conclusão"></span>
    <a href="#conclus%c3%a3o" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p><em>&ldquo;Ain, mas você falou que a bolha das IAs vai estourar.&rdquo;</em></p>
<p>Sim, e continuo dizendo. Mas você está entendendo errado, novamente. De 1994 a 2001 existiu a <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Bolha_da_Internet"target="_blank" rel="noopener">Bolha da Internet</a>, e ela estourou!</p>
<p>Entenda: a &ldquo;Bolha da Internet&rdquo; estourou. Mas a &ldquo;Internet&rdquo; continua existindo até hoje. ¿Está claro?</p>
<p>Mesma coisa: a &ldquo;Bolha das IAs&rdquo; vai estourar, muitas empresas vão falir, muita gente da área vai perder o emprego, etc. Mas IAs vão continuar existindo. A bolha das IAs dos anos 60 estourou, mas as IAs continuaram existindo e até formaram uma nova bolha agora. Ciclo econômico não tem a ver com ciclo tecnológico.</p>
<blockquote>
  <p>Só quer dizer: <em>&ldquo;não aposte todas as fichas no mesmo cavalo, especialmente se sua vida/carreira depende disso.&rdquo;</em></p>

</blockquote>
<p>LLMs vão continuar existindo, aproximadamente no mesmo formato, um pouco mais rápidas e eficientes, mas com o mesmo processo por trás e a mesma forma de trabalhar. Assim como a Web de 2026 não é muito diferente da tecnologia dos anos 90, mas é mais refinada e otimizada.</p>
<p>Eu nunca fui &ldquo;hater&rdquo; de IA, pelo contrário, sou um que já arriscava fazer código com o GPT-2. E sempre está melhorando. Agora está num ponto em que é fácil recomendar até pra não-programadores brincarem com sistemas que não vão pra produção nem são de missão crítica.</p>
<p>Desde que comecei com programação, no fim dos anos 80, felizmente nunca tive um único momento em que achei nossa área &ldquo;entediante&rdquo; ou &ldquo;monótona&rdquo;. Pra mim, é só mais um capítulo nessa história, e eu tenho expectativa de novos capítulos.</p>
<p>O que eu falo que &ldquo;parece hate&rdquo; é só argumentação e explicação das limitações atuais e das expectativas irreais, ilusões ou até apostas cegas em que sei que não vão vingar. Estou avisando do que é real. Mas sempre estou dizendo: &ldquo;precisa haver uma nova descoberta&rdquo;. Com a expectativa de que algo mais vindo no futuro, e não de que &ldquo;não vai dar nada certo&rdquo;.</p>
<p>No final do dia, o Java dos anos 90 não substituiu o Cobol e o Fortran do mundo, como se pretendia. A Web não virou uma utopia pacífica de puro conhecimento como se queria. O mobile não substituiu outras formas de computação, como se queria. VR não se tornou a nova onda. Nada disso invalida as qualidades do Java, da Web, do Mobile ou até da VR.</p>
<p>A última Bolha da Programação foi um período entediante pra mim em termos de inovação: porque tudo era substituído por programadores baratos. Pra mim, o estouro dessa bolha era esperado e me deixa muito feliz. Porque finalmente saímos do marasmo de cursos idiotas pra falarmos de tecnologia de ponta de novo. Programadores voltando a ser programadores de verdade.</p>
<p>Só vejo coisas boas nisso.</p>
]]></content:encoded><category>inteligencia-artificial</category><category>llms</category><category>carreira</category><category>off-topic</category></item><item><title>[Akitando] #138 - Meu Começo de Carreira Durante a Bolha - 1997 a 2002, Bug do Milênio, Crash</title><link>https://akitaonrails.github.io/2023/02/14/akitando-138-meu-comeco-de-carreira-durante-a-bolha-1997-a-2002-bug-do-milenio-crash/</link><guid isPermaLink="true">https://akitaonrails.github.io/2023/02/14/akitando-138-meu-comeco-de-carreira-durante-a-bolha-1997-a-2002-bug-do-milenio-crash/</guid><pubDate>Tue, 14 Feb 2023 09:00:00 -0300</pubDate><description>&lt;div class="embed-container"&gt;
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&lt;/div&gt;
&lt;p&gt;Já tinha feito videos sobre antes de 1997 e sobre depois de 2002, ficou faltando contar justamente sobre como foi meu começo de carreira, a transição da faculdade pros primeiros empregos, de agência a pontocom, de CD-ROMs pra Web, tudo que eu passei no final dos anos 90 até a virada do século, incluindo o Bug do Milênio.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Muitos agora começando carreira ou vendo o atual Crash da Bolha Tech estão inseguros, talvez sirva como perspectiva pra dar uma noção de que crises são cíclicas e qual é a melhor posição pra se estar pra passar ileso todas as vezes.&lt;/p&gt;</description><content:encoded><![CDATA[

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<p>Já tinha feito videos sobre antes de 1997 e sobre depois de 2002, ficou faltando contar justamente sobre como foi meu começo de carreira, a transição da faculdade pros primeiros empregos, de agência a pontocom, de CD-ROMs pra Web, tudo que eu passei no final dos anos 90 até a virada do século, incluindo o Bug do Milênio.</p>
<p>Muitos agora começando carreira ou vendo o atual Crash da Bolha Tech estão inseguros, talvez sirva como perspectiva pra dar uma noção de que crises são cíclicas e qual é a melhor posição pra se estar pra passar ileso todas as vezes.</p>
<h2>Capítulos<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="capítulos"></span>
    <a href="#cap%c3%adtulos" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><ul>
<li>00:00 - Intro</li>
<li>01:41 - CAP 1 - Relembrando 1997 - Retrospectiva</li>
<li>05:37 - CAP 2 - Meu Primeiro Emprego numa Agência - CD-ROMs</li>
<li>14:03 - CAP 3 - Minha Primeira Comida de Rabo - Sendo Estagiário</li>
<li>18:42 - CAP 4 - Minha Primeira Vez Aprendendo &ldquo;Backend&rdquo; - Microsoft</li>
<li>22:09 - CAP 5 - Combatendo o Bug do Milênio - Y2K</li>
<li>30:24 - CAP 6 - Meu Primeiro Merge e Layoff - A Primeira Pontocom</li>
<li>34:42 - CAP 7 - Entrando numa Agência &ldquo;Big 5&rdquo; - F/Nazca</li>
<li>37:55 - CAP 8 - A Primeira Vez Procurando Emprego - PSN</li>
<li>41:50 - CAP 9 - A Segunda Vez Procurando Emprego - SAP</li>
<li>44:54 - CAP 10 - O que me Motivava? - Perspectivas</li>
<li>46:45 - CAP 11 - O seu Colega Contrataria Você? - Verdadeiro Networking</li>
<li>52:10 - CAP 12 - Varar Noites?? - DISCLAIMER</li>
<li>54:00 - CAP 13 - Mas Akita: O que você recomenda pra mim? - O que o Akita NÃO Fez?</li>
<li>58:42 - Bloopers</li>
</ul>
<h2>Links<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="links"></span>
    <a href="#links" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><ul>
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<p>Playlist: Minha História (<a href="https://www.youtube.com/watch?v=ii5Q2fCl8C0&amp;list=PLdsnXVqbHDUe50Aqsa-i_NW42AkuByQZa"target="_blank" rel="noopener">https://www.youtube.com/watch?v=ii5Q2fCl8C0&list=PLdsnXVqbHDUe50Aqsa-i_NW42AkuByQZa</a>)</p>
</li>
<li>
<p>Playlist: Eu Avisei (<a href="https://www.youtube.com/watch?v=wpPv1dJWjDs&amp;list=PLdsnXVqbHDUehzKjiRruy--gncHz9Injy"target="_blank" rel="noopener">https://www.youtube.com/watch?v=wpPv1dJWjDs&list=PLdsnXVqbHDUehzKjiRruy--gncHz9Injy</a>)</p>
</li>
<li>
<p>Playlist: Carreira (<a href="https://www.youtube.com/watch?v=A2-yU3YjB1U&amp;list=PLdsnXVqbHDUcAWAN3cXHWnM9JEw2gjIN9"target="_blank" rel="noopener">https://www.youtube.com/watch?v=A2-yU3YjB1U&list=PLdsnXVqbHDUcAWAN3cXHWnM9JEw2gjIN9</a>)</p>
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<p>Macworld 1997: The return of Steve Jobs (<a href="https://www.youtube.com/watch?v=IOs6hnTI4lw"target="_blank" rel="noopener">https://www.youtube.com/watch?v=IOs6hnTI4lw</a>)</p>
</li>
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<p>LinuxMall - A história de uma das primeiras lojas virtuais do Brasil (<a href="https://www.youtube.com/watch?v=BGVmQEpKTSI"target="_blank" rel="noopener">https://www.youtube.com/watch?v=BGVmQEpKTSI</a>)</p>
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<p>The iPod Revolution (<a href="https://www.youtube.com/watch?v=FQwzI4kBG1o"target="_blank" rel="noopener">https://www.youtube.com/watch?v=FQwzI4kBG1o</a>)</p>
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<h2>SCRIPT<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="script"></span>
    <a href="#script" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Olá pessoal, Fabio Akita</p>
<p>Pra quem acompanha o canal desde o começo, deve ter notado que eu contei um pouco da minha carreira na área com videos como Meus Primeiros 5 Anos que fala um pouco de 1990 até 1995 que foi quando comecei na faculdade. Daí o video sobre o Livro &ldquo;Estrada do Futuro&rdquo;, falando um pouco sobre 1996. No video da minha Máquina do Tempo falo da importância de backups e alguns trabalhos que eu fiz por volta de 1996 a 1998. Teve os 2 videos curtos da Sua Linguagem é Especial? Onde falo sobre dois pequenos cases técnicos por volta do ano 2000.</p>
<p>Teve o video de Você não entende nada de Enterprise, onde falo sobre SAP, que foi meu período de consultoria entre 2002 a 2007. Finalmente, o video da História do Ruby on Rails que cobre um pouco entre 2007 a 2016. Mas ficou um buraco dessa história entre mais ou menos 1996 a 2002. Justamente o período final da Primeira Grande Bolha da Internet que explodiu no ano de 2001, junto com as Torres Gêmeas. O que eu estava fazendo naquela época?</p>
<p>(&hellip;)</p>
<p>Fiquem até o final do video que tenho alguns comentários a fazer sobre minha playlist de Eu Avisei, em particular o video sobre o estouro da Bolha de Tecnologia recente. Se quiser entender mais os princípios financeiros por trás dessa bolha, não deixe de assistir a playlist inteira. Até já aviso que esse video pode soar um pouco auto ajuda, especialmente pro fim, mas é o mais honesto que eu posso ser comparando minha situação 25 anos atrás com a situação de agora e talvez dar alguma perspectiva ou inspiração. Depois vocês me digam.</p>
<p>Mas vamos lá. O período entre 1996 até 2002 foi provavelmente quando eu mais aprendi tecnologias que não são mais usadas hoje em dia. A idéia é tanto um pouco de nostalgia pra vocês que estão na faixa dos 40 anos, mas também perspectiva pra vocês que estão na faixa dos 20 anos. O que o Akita estava fazendo depois da faculdade?</p>
<p>Pra quem não lembra, 1997 foi o ano que morreu a Princesa Diana, foi o maior rebuliço isso. Eu nem acompanhava mas lembro que falavam disso toda hora. Também foi o ano em que a J.K. Rowling publicou o primeiro livro do Harry Potter. Eu nem sabia disso, só fiquei sabendo que esses livros existiam mais perto de quase lançar o primeiro filme. Outra coisa engraçada, foi o ano que o Mike Tyson mordeu fora a orelha do Evander Holyfield, quem não lembra disso? Falando nisso, pro povo que curte perder tempo com documentário da Netflix, foi o ano que o O.J. Simpson foi julgado culpado.</p>
<p>E pra gente de tecnologia, foi o ano que o Steve Jobs anunciou sua volta pra Apple Computers, que na época tava negativo 1 bilhão de dólares, a dias de fechar as portas. Conseguem imaginar isso? A empresa mais valiosa de tecnologia hoje, em 1997 estava praticamente falida. Os anos 90 foram muito divertidos.</p>
<p>Enquanto isso, eu tinha 20 anos, indo pro 3o ano de faculdade. Quem assistiu os episódios anteriores vai lembrar que eu tava trabalhando como monitor na sala de computadores do CCE, aprendendo tudo que podia sobre UNIX, Internet, essa novidade chamada Web. Ao mesmo tempo, assim como a maioria de vocês de 20 anos, eu tava de saco cheio da faculdade. No meu caso, passava muito pouco tempo na minha faculdade mesmo, no IME. Eu preferia gastar meu tempo na sala de computação do CCE que ficava atravessando a rua, na Politécnica, e meus amigos eram todos da Engenharia Elétrica. Eu fazia Ciência da Computação e nessa época já quase não tinha nenhum amigo no meu curso mesmo.</p>
<p>Todo dia eu ficava deslumbrado com as novidades que surgiam. Estávamos no meio pro fim da transição da arquitetura de 16-bits pra 32-bits com os Pentiums. Estávamos no fim da transição de ambiente texto do MS-DOS pros gráficos do Windows, OS/2 e no caso de UNIX eu aprendi que existia Solaris, Irix. Estávamos entendendo como criar aplicações distribuídas nessa tal de Internet em vez de programas isolados feitos no meu antigo Clipper ou FoxPro. Novas linguagens estavam começando, como Java, Delphi. E naquela época não existia nada na Web ainda que chegasse perto de redes sociais.</p>
<p>Não existia Reddit, não existia Stackoverflow, não existia blogs, não existia Google. O máximo que a gente tinha eram sites que manualmente indexavam outros sites como o Yahoo ou Lycos, e as primeiras tentativas de indexação automática com sites como WebCrawler ou o famoso Altavista. Mas comparado com hoje, era hiper rudimentar. Pesquisar pra comprar componentes de computador, por exemplo, a gente ainda fazia via página de classificados nos jornais.</p>
<p>Foi naquela sala de computador da Politécnica, que tinha um quadro de avisos onde encontrei o anúncio do meu primeiro emprego. Uma agência pequena de novo esquisito, Kropki, não muito longe dali, de um professor da Escola de Comunicação e Artes na USP, a ECA, que era na mesma rua, passando a Politécnica, o IME que é minha faculdade, daí vinha a FEA que é a Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade, daí era a ECA. Pouco antes da famigerada FFLCH, que recomendo passar longe. Enfim.</p>
<p>A agência em si, era caminhando pra fora do campus da USP, atravessando a ponte da Cidade Universitária em direção à Praça Panamericana. Uma caminhada de uns 5km a partir da minha faculdade, ou uns 40 minutos a pé. Na época eu considerava isso perto o suficiente pra ir a pé mesmo. Nessa época às vezes pegava o carro do meu pai emprestado, mas andava muito a pé e de ônibus mesmo, então era importante não ser longe demais e em São Paulo, 5km é o que chamamos de &ldquo;aqui do lado&rdquo;.</p>
<p>Fui até lá, e acabei sendo contratado como estagiário. Lá era uma agência que tinha meia dúzia de funcionários, uns 3 ou 4 designers que mexiam em Photoshop, alunos da ECA, ajustando capas de jogos de videogame, pra antiga Tectoy. Eles faziam as capas dos jogos de Megadrive, e tinham alguns outros clientes. Eles queriam entrar no mercado de multimídia e Web, mas eram mais usuários de Adobe do que qualquer outra coisa e precisavam de alguém de tecnologia, e esse alguém seria eu.</p>
<p>Lá tinha uns 3 ou 4 Mac Quadra ou Centris, não lembro exatamente. A linha feia bege da era do MacOS System 7 e 8, o período negro da Apple sem o Steve Jobs. Mesmo assim eu achava fascinante, afinal era a primeira interface gráfica comercial de sucesso e o Windows 95 ou 98 daquela época ainda era super cru em comparação. Infelizmente eu era o único que ia ter que usar um PC com Windows justamente pra experimentar as coisas novas saindo pra essa tal de Web.</p>
<p>De curiosidade, os Mac Quadra daquela época acho que eram os últimos modelos anteriores à migração pra PowerPC então ainda usavam os processadores Motorola 68000, como o 68040 de 33Mhz, talvez uns 16 Megabytes de RAM, HD externo SCSI. Foi a primeira vez que vi SCSI e zip drives da Iomega. O meu PC era mais novo e mais potente, um Pentium MMX acho que já de 100 Mhz, com uns 16, talvez 32 megabytes de RAM. Monitor Super VGA de 1024 por 768 pixels, um pouco mais do que o que chamamos de HD hoje em dia, que é 720p. RAM nos anos 90 era super caro, talvez a parte mais cara do computador.</p>
<p>Também de curiosidade, meu salário de estagiário naquela época foi de uns 500 reais. Ajustado pelo IPCA seria equivalente hoje a uns 2 mil reais. Super justo. Eu tava empolgado pra mexer mais na Web, mas queriam que eu aprendesse a fazer CD-ROMs. Na prática eu tava empolgado pra mexer em qualquer coisa que fosse no computador, e estava sendo pago pra isso, tanto fazia pra mim com o que eu ia ter que mexer.</p>
<p>Entenda. Não existia LinkedIn, nem Twitter, nem nada. Não existia eventos de tecnologia pra programadores. No máximo eventos corporativos de Microsoft ou Oracle. Meus colegas da faculdade estavam todos procurando programas de trainée numa Oracle da vida, ou bancos. Ninguém que eu conhecia tava indo trabalhar em agência. Eu deveria estar preenchendo formulários de programas de treinamento na indústria automobilística, seguros ou saúde, pra aprender a mexer em mainframes e Cobol. Mas eu nunca nem procurei saber como esse mercado funcionava. Eu achei esse emprego, tava meio de saco cheio da faculdade, liguei o &ldquo;foda-se&rdquo; e só fui.</p>
<p>Pra vocês terem uma idéia do que significava isso de CD-ROM, eu instalei um Windows Me num emulador chamado DOXBox-X, altamente recomendado se quiser rodar programas e até jogos de DOS daquela época, roda super bem mesmo num PC modesto de hoje. Uma empresa de tecnologia que era super reconhecida naquela época se chamava Macromedia, que fazia esse troço chamado Director. Director quando abre tem o que ele chama de stage, tipo um palco. Embaixo tem uma timeline.</p>
<p>Podemos abrir essa janela de casting, que é o nome que se dá ao grupo de atores escolhidos pra uma peça. O Director tem esse nome porque usa essa metáfora de um teatro, palco, atores, casting. Enfim, podemos inserir diversos tipos de objetos como bitmaps, clipes de video e no caso estou criando um objeto de vetor, semelhante ao que se faria com CorelDraw ou Adobe Illustrator. Olha só, aparece aqui na janela de casting. Agora posso arrastar pro stage, pro palco.</p>
<p>Daí posso criar keyframes, mover o objeto um pouco, ir mais pra frente, criar outro keyframe, mover o objeto mais um pouco e ir fazendo assim. Agora voltamos pro começo da timeline, damos play e voilá, uma animação super crua. E se isso pareceu familiar pra alguns de vocês, o Director começou sendo um software pra exportar executáveis pra gravar em CD-ROM, mas com a Web não ia demorar pra passar a exportar num formato distribuível pela Web instalando plugin em navegadores da época como o Netscape ou as primeiras versões do famigerado Internet Explorer. Era o formato Shockwave.</p>
<p>Com a evolução rápida da Web, a Macromedia simplificou o Director, focou mais na parte vetorial, as ferramentas mais simples de animação e chamou de Macromedia Flash. Essa é a origem do Flash, mas estou me adiantando. Deixa eu voltar pro Director. Assim como em Flash, todo mundo sabe que tinha uma linguagem derivada de Javascript pra programar interatividade, chamada ActionScript. O Director também tinha uma linguagem, só que ainda mais rudimentar, declarativa, chamada Lingo.</p>
<p>Por exemplo, posso adicionar um script aqui num dos frames pra pausar. Pronto, rebobino a fita, dou play de novo e ele pára aqui. Se tem o comando &ldquo;pause&rdquo;, deve ter o comando &ldquo;resume&rdquo;. Posso adicionar um novo comportamento nesse sprite, no evento &ldquo;mouseUp&rdquo; que é quando eu termino de apertar o botão do mouse, posso adicionar &ldquo;resume&rdquo; usando essa ajuda rudimentar aqui que lista todas as funções do Lingo. Resume sprite 1. Dou play de novo, ele pausa, clico no ator e &hellip; erro.</p>
<p>Handler not defined. Maldito erro genérico, Javascript deve ter se inspirado em Lingo. Bom, vamos procurar no Stackoverflow então. Só que em 1997 não tinha Stackoverflow, nem Google, nem fóruns de discussão. Eu tinha um livro impresso. O software tem essa documentação local aqui. E era isso. Nem se eu perguntar hoje pro ChatGPT ele sabe me dar uma boa resposta. E agora em 2023 obviamente não lembro mais o que significa isso. A única coisa que me ocorre é uma gambiarra. Já que resume não funciona, estou aqui no frame 6, então vou dar comando pra pular pro próximo frame e torcer pra continuar. Go to frame 7. Como eu disse é uma linguagem declarativa.</p>
<p>Rebobina, dou play, pausa, clico no ator e boom, ele continua como eu queria. E meu dia a dia era assim: mensagens de erro que não diziam coisa nenhuma, ficar fuçando a documentação e tentando coisas até conseguir fazer funcionar. Imagino que não é muito diferente do que a maioria de vocês fazem hoje em dia, só que eu tinha bem menos opções de onde pesquisar erros. Foi fazendo assim que consegui compilar meu primeiro CD, que foi esse aqui do lançamento do Volks Parati 4 portas.</p>
<p>Se não me engano foi uma campanha pra dealerships, pra treinamento dos vendedores de concessionárias, mas enfim, é como se fosse um site web estático, mas em formato de CD-ROM. &ldquo;E por que não um site de uma vez?&rdquo;, alguém poderia perguntar. Por que internet em 1997 era altamente opcional. A maioria da população ainda nem sabia o que era isso. Mesmo em pequenas empresas, no máximo o povo tinha conexão discada via iG ou Terra ou America Online, ou UOL. E a conexão média era de 19 kilobits por segundo.</p>
<p>Uma imagem de 160 pixels por 150 pixels, metade do que seria a tela de um Nintendinho, com 7 bits de cor, dava uns 20 kilobytes. Imagine múltiplas imagens dessa. Levava vários segundos a minutos pra montar uma tela como essa via web. Por isso a Web de 1997 era bem mais rudimentar do que era possível fazer num CD-ROM, que já vinha com todas as imagens, clipes de video, áudio e tudo mais local, num CD de 650 megabytes. Streaming de video e áudio era impossível naquela época. Só que todo mundo pagou uma grana investindo nos tais kits multimídia, como da Creative Labs, e queriam ver videos e áudio. O que a gente fazia em CD era impossível de fazer na Web.</p>
<p>Assistam meu video sobre compressão, de 25 TB pra 5 gigabytes, onde explico sobre cores, algoritmos de compressão e tudo mais. Boa parte do meu trabalho era converter Jpegs com 8 bits de cor em GIFs com paleta de cor menor pra fazer versão web de algumas coisas. Naquela época, o mais comum eram monitores VGA de 800 por 600 pixels, que seria o nosso &ldquo;4K&rdquo; considerando que o padrão era tipo 320 por 240 num sistema operacional texto como MSX, Commodore ou consoles como Super Nintendo ou Megadrive. E com 256 cores.</p>
<p>Olha alguns dos sites que eu fazia naquela época, vou só passar aqui alguns slides de fotos de tela, mas deve dar pra dar uma noção de quão limitado era a tecnologia da época. Hoje em dia vocês estão acostumados no mínimo a Full HD que é 1080p e pelo menos 8 bits de cor com milhões de cores possíveis, ou HDR com 10 ou 12 bits de cor em 4K nos monitores mais avançados. Pular de 80 colunas por 24 linhas em monitor de 240p, pra VGA colorido em 768p, é como vocês pulando de Full HD pra 4K hoje em dia.</p>
<p>O CD-ROM mais complicado que eu fiz, foi o projeto do lançamento do Fiat Marea. Esse foi particularmente difícil porque a Fiat ainda tava mudando detalhes como opcionais do carro, cores de tecidos, e coisas assim enquanto a gente tava montando o CD. Os designers tinham que fazer coisas como mudar a cor dos tecidos nas fotos antigas direto no Photoshop, porque não ia dar tempo de tirar novas fotos em estúdio com os novos materiais. Foi a primeira vez que eu vi Photoshop sendo usado pra coisas desse tipo e isso explodiu minha cabeça naquela época. Foi vendo isso que decidi aprender mais sobre essa parte gráfica e aprender Photoshop.</p>
<p>Se eu montasse o CD do jeito tradicional, como eu mostrei no começo, até que não era um projeto difícil. Mas eu era um aluno de ciências da computação aprendendo coisas como Delphi, Java e esse troço novo na época chamado Orientação a Objetos. E eu ficava tentando adicionar objetos em tudo. Delphi era basicamente Pascal com objetos, tanto que chamava Object Pascal. Mas eu usava ainda o Turbo Pascal 6 de DOS, que não tinha classes, mas tinha objetos rudimentares, e eu queria adicionar suporte a pelo menos encapsulamento e talvez herança nessa linguagem rudimentar de Lingo pra Director.</p>
<p>Tá vendo esse menu principal? Ele aparece em todas as seções do CD. Cada seção o Director recomenda organizar como um arquivo separado, daí um evento num arquivo basicamente carrega outro arquivo. Seria como um anchor em HTML que tem a URL pra carregar outra página. Eu queria fazer um objeto reusável entre todos, o que vocês chamariam hoje de componente. Obviamente isso é um caso de uso não documentado, que não tinha em nenhum livro. E óbvio que deu um monte de bug que eu tive que varar muitas noites pra resolver. E quando digo muitas, quero realmente dizer MUITAS noites sem dormir.</p>
<p>Lembro até hoje que por minha culpa, quase não deu pra lançar o CD. Entenda: hoje em dia se alguma coisa dá pau, fácil, só subir um commit de correção, deployar e em alguns minutos tá corrigido. Mas um CD exige um compromisso que nenhum de vocês vê mais hoje: uma vez prensado, não tem como corrigir os CDs distribuídos. Esses CDs do Fiat Marea iam ser distribuídos em revistas da Editora Abril como Quatro Rodas e Playboy, e uma vez queimado o CD Gold, o master, não tem mais como corrigir.</p>
<p>O processo todo já tava atrasado de qualquer jeito porque a Fiat não parava de fazer modificações de última hora que exigia mudar textos da especificação dos modelos, opcionais, e tudo mais, e em cima disso toda vez que a gente ia apresentar pro gerente de contas da Fiat, minha programação dava um bug inesperado. No último dia, literalmente na última hora, lembro de compilar a última versão, gravar num CD na agência, pegar o carro, tipo 10 horas da noite e ir até a Zona Norte de São Paulo, onde ficava a antiga Sonopress, a fábrica que prensava os CDs em massa.</p>
<p>Pensa, eu era estagiário, tinha 20 anos, fui sozinho com o CD embaixo do braço pra mostrar pro gerente de contas mais rabugento, mau educado e nervoso da face da Terra, roendo todas as unhas das mãos e dos pés, porque depois de tantos dias de bugs, eu tava com minha confiança por um fio. E por sorte, nos 45 do segundo tempo, navegamos por todo o CD e funcionou sem bugs.</p>
<p>Ali ele deu ok pra Sonopress prensar. Lembro até hoje, saindo com ele, no estacionamento, ele me parou e ventilou tudo que tinha que ventilar na minha cara. Eu não lembro de uma palavra do que ele disse, só que eu fiquei ali, sei lá, 11 horas da noite, paralizado no meio do estacionamento vazio, só ouvindo. Foi a primeira comida de rabo sério que tomei. Vocês acham que eu sou rabugento nos videos? Volta aqui depois que experimentarem terem saliva voando na sua cara de alguém gritando.</p>
<p>Eu queria ter uma moral da história, tipo que depois disso eu me tornei mais cuidadoso, mais prudente, que me ajudou de alguma forma, mas tem uma coisa que descobri recentemente que talvez explique como reagi na época: eu fiz teste preliminar com psicólogo e de fato, parece que eu tenho um certo grau de Asperger, tipo um autismo leve. Eu compartimentalizo. Nada se torna gatilho pra eu desistir ou fazer alguma coisa por conta de algum evento traumático ou importante de alguma forma. Eu compartimentalizo, embrulho, enterro e sigo em frente. Não tenho idéia de como outras pessoas lidam com isso, porque uma pessoa mais sensível provavelmente teria abandonado tudo naquele dia.</p>
<p>Eu já tive que ouvir outras pessoas ventilando mais do que seria profissional, mas naquele nível, felizmente foi a primeira e última vez. Eu não sei fazer as coisas como as outras pessoas esperam que eu faça. Se eu coloco uma coisa na cabeça, quero tentar fazer, independente do trabalho que vou ter. Foi o que falei no video de Por que fazer o que Ama, só que não. Eu não faço as coisas que eu gosto, eu faço as coisas porque eu gosto de saber se consigo fazer.  Depois que consigo, perco o interesse, e procuro outra coisa.</p>
<p>Na faculdade eu tava empolgado com UNIX, com Delphi, com Java,  HTML, Javascript, não muito diferente do que muitos de vocês hoje devem estar vendo. Talvez Python, que ainda não era popular na época. Mas na agência me pediram pra aprender a fazer CD-ROM com Director. Eu nunca tinha ouvido falar nisso até entrar lá, nunca tinha planejado gastar 1 ano fazendo CD-ROM. Mas quando ouvi essa proposta, coçou os dedos. Eu queria saber se conseguia fazer. E não só fazer, mas fazer de formas que não era comum. O preço disso era que eu ia varar noites, tomar comida de rabo, mas eu entregava. Essa sempre foi minha motivação: entregar.</p>
<p>Em paralelo eu fazia os sites estáticos, em HTML puro. Aliás, na época não existia CSS ainda, tá? Formatação era usando tags como &ldquo;font&rdquo; e atributos de estilo inline com &ldquo;style&rdquo;. Aos poucos fui mexendo em mais tecnologias Web. A internet começou a ficar um pouco mais rápida, pulamos pra modems de 56 kilobits por segundo, depois pra 128 kilobits quando o Speedy, Ajato e outros provedores de banda larga começaram a chegar. Daí migrei de Director pra Flash, e comecei a aprender ASP.</p>
<p>Por volta de 1998 eu fiz um pequeno trabalho pra construtora Camargo Correa que envolvia indexar vários documentos PDF que eles tinham pra fazer tipo um motor de busca, um search engine, usando o antigo Microsoft Index Server que depois acho que virou Indexing Services. Isso tinha no IIS que vinha nos antigos Windows NT 4. A idéia era fazer um pequeno site de intranet, que seria acessado só internamente, pra conseguirem pesquisar rapidamente a biblioteca de PDFs deles.</p>
<p>De novo, 1998 foi quando o Google tinha acabado de ser fundado, literalmente funcionando da garagem. Nessa época já existiam várias tecnologias pra pesquisar conteúdo. Todo mundo rapidamente começou a perceber que com a microinformática sendo largamente adotada, documentos digitais começando a ganhar peso, o volume de conteúdo aumentava exponencialmente e precisávamos dar um jeito de organizar tudo e facilitar pesquisa.</p>
<p>Eu sabia disso em 1998? Não tinha nem idéia, só viria a começar a usar Google talvez no ano 2000. Eu era assim: &ldquo;ow, tem que fazer um site pra pesquisar documentos&rdquo;. Eu sabia como? Não tinha nem idéia, daí ia fuçar como resolver. Microsoft era uma das poucas empresas que tinha boa documentação online no MSDN. Assim esbarrei em Index Server. Pra isso precisava aprender ASP, daí lá vou eu aprender ASP e ao mesmo tempo tinha que saber Microsoft SQL Server. Eu sabia o que era SQL? Não. Lá vou eu aprender. Tudo pra fazer esse um projetinho.</p>
<p>A gente já ouvia falar da tal da Oracle, que na época era uma das maiores gigantes no mundo de tecnologia com seu banco de dados que eu sabia toda grande empresa usava. Eu nunca tinha visto um, só sabia que era difícil. E não era como se desse pra ir no site e baixar. A licença custava milhares de dólares, vinha em pacote físico, com livros, CDs e tudo mais. Não era acessível pra meros mortais como eu. E foi aí que a Microsoft foi inteligente, porque um SQL Server, eu conseguia baixar, aprender e usar, tudo online. E foi assim que comecei a aprender sobre SQL.</p>
<p>Comecei com o SQL Server 6.5 e de curiosidade, o SQL Server começou como um port do antigo banco de dados da Sybase pra OS/2, em 16 bits, em 1989. Saiu a versão 4.2 pra NT em 1993 e o 6.0 saiu em 1995. A versão 7 sairia um pouco depois que eu comecei a aprender. Foi a versão que eu mais usei.</p>
<p>De qualquer forma, a vida daquela pequena agência tava chegando no fim por volta de 1998. Acho que trabalhei lá só uns 2 anos e nesse período aprendi HTML, Director, Flash, comecei a aprender ASP, SQL Server. Mas pelo jeito o dono não soube administrar bem a empresa, ela foi diminuindo, até que só sobrou eu e mais um outro funcionário e passamos a trabalhar da sala de professores na faculdade, na ECA. Fiquei pouco tempo lá, porque um amigo meu me chamou pra trabalhar na empresa dele. Como parecia que não tinha mais pra onde ir mesmo, resolvi aceitar.</p>
<p>Essa empresa foi a STI, um dos primeiros provedores de internet do Brasil. Começou como uma BBS e evoluiu pra internet. E lá trabalhava meu vizinho. A gente se conhecia desde adolescente e aprendemos a mexer em computador juntos. No episódio dos primeiros 5 anos eu falo dele, o Thiago Madeira, que teve sua própria BBS antes de ir pra STI enquanto eu ia pra faculdade e foi ele que tinha o contato que me colocou como monitor da sala de computação da USP pra baixar pirataria pra BBS dele. Contei essa história no outro video.</p>
<p>Enfim, já era quase meio de 1999 e a empresa tinha um problema. Por anos toda a administração era controlada por um software feito por um dos co-fundadores, no antigo Clipper de DOS, que eu conhecia e programava no começo dos anos 90. Ele controlava tudo: cadastro de cliente, faturas, cobranças, suporte técnico e  mais. Programas em Clipper eram feitos pra funcionar com um único usuário numa única máquina, mas ao longo dos anos 90 criaram várias gambiarras pra compartilhar o arquivo de banco de dados via redes, como em infraestrutura da antiga Novell Netware.</p>
<p>Dava pra ver que era a clássica empresa que nasceu em garagem e cresceu rápido: o servidor já tava perto do último suspiro, era um PC de gabinete aberto, com um ventilador apontado pra ele, ligado em rede pra todo mundo da empresa conseguir acessar. A forma de fazer isso era bloqueando o arquivo de banco de dados, fazendo alguma operação, daí desbloqueando pro próximo poder usar. Essa é a forma mais rudimentar de banco de dados que existia, mas funcionou por anos, até a empresa ter dezenas de funcionários e milhares de clientes.</p>
<p>Mas esse não era o maior problema, porque eles tinham dinheiro de sobra pra colocar tudo num hardware mais moderno. O problema era que Clipper foi feito nos anos 80, numa época onde 640 kilobytes de RAM era o máximo. Onde a gente literalmente escovava e economizava bits onde dava, em particular nos tipos de data. Pra que gravar 1980 se só gravar 80 já era suficiente? Economizava 2 bytes por registro fazendo isso. Daí na hora de mostrar era só concatenar &ldquo;19&rdquo; na frente e pronto. Quer saber quantos anos se passaram de 1990 até 1998? Só fazer 98 menos 90. Ponto.</p>
<p>Mas em breve, teríamos contas assim: 2000 menos 1998 dá quanto? Não dá pra fazer 00 menos 98. Dá pau. Esse é o famoso Bug do Milênio ou Y2K como chamamos hoje. A solução correta era recompilar num Clipper mais novo, que tinha correção de ano 2000, vasculhar o código-fonte onde faz contas com datas e checar se não tem nada hardcoded com 2 bytes e ir ajustando. Daí fazer uma versão mais nova que funcionaria depois do ano 2000.</p>
<p>Só que era uma empresa de tecnologia, nova, com pessoas novas, com um co-fundador técnico, coisa rara na época. Foda-se, vamos reescrever tudo em tecnologias mais modernas. Na época, era justamente pra fazer tudo em 32-bits, com a moderníssima linguagem ASP, pra funcionar em cima de SQL Server, num Windows NT, coisa profissa. Obviamente eu fiquei empolgado, afinal, era justo as coisas que eu tava começando a aprender por causa do último projeto na agência. Alguém vai me pagar pra eu continuar aprendendo? Bora.</p>
<p>O problema: tinha menos de 6 meses pra fazer as coisas funcionarem, já estávamos por volta de junho de 1999. Lembrem-se que existem coisas como plano semestral. Tem partes que já iam começar a falhar se fôssemos imprimir boletos no futuro. A partir de agosto de 1999 já ia passar a barreira pra janeiro de 2000. Eu não tinha idéia do trabalho que algo assim poderia dar, se tivesse talvez não tivesse concordado e sugerido um plano mais convencional como tentar ajustar em cima do código legado mesmo. Mas eu era um moleque de 22 anos que só queria a oportunidade de mexer com coisas novas.</p>
<p>Por sorte a equipe que foi formada era muito boa. Eu não era o melhor mas certamente era o mais arrogante, não tenha dúvidas disso. Na minha cabeça tudo dava. Eu não lembro mais de todos os detalhes, mas precisávamos fazer ferramentas de atendimento pra todo o pessoal do suporte técnico que atendia os clientes, tipo ferramenta de help desk, mais um banco de conhecimento com todos os truques que se sabia pra ajudar os novos atendentes. Precisava fazer ferramenta da parte financeira, consolidação de contas, impressão de boletos, gerenciar vendas e por aí vai. Era tipo um mini ERP dessa empresa.</p>
<p>Falando em Bug do Milênio, muita gente de fora achava que ia chegar 31 de dezembro de 1999 e na virada do ano tudo ia quebrar. Inocentes, tudo já ia começar a quebrar pelo menos 6 meses antes, em alguns lugares antes ainda. Que nem o caso de boletos que eu falei. Como você imprime um boleto datado pra janeiro de 2000? As empresas não estava às cegas assim não, todo mundo já tava tendo que lidar com esse problema muitos meses antes do que a população em geral imaginava.</p>
<p>Lembro até hoje de outro episódio &ldquo;what the fuck&rdquo; que passei. Se não estou enganado, todo mês imprimiam os boletos pra mandar por correio pra todos os milhares de clientes. E não lembro detalhes, mas justamente acho que se o cara contratava um plano semestral, já mandavam os 6 boletos de uma só vez. E por isso já por agosto ia ter o problema do ano 2000 que acabei de explicar. Em determinado momento de 1999 as pessoas já iam receber boletos datados pra pagar no ano 2000.</p>
<p>Lembrando também que falei que o sistema antigo em funcionamento era em Clipper, ou seja, com banco de dados que é só um arquivão gigante em formato DBF, sem servidor intermediando. Também falei que era um arquivão compartilhado numa rede Novell, que rodava em DOS com sistema de arquivos FAT16. Quem já lidou com isso sabe: esse sistema de arquivos não tem absolutamente nenhum tipo de funcionalidade de prevenção e correção de erros. Basta cair a luz uma vez pra começar a dar muita merda. Dados corrompidos era rotina.</p>
<p>Precisávamos fazer engenharia reversa desse arquivo pra dar carga no SQL Server. Só que à medida que abríamos esse arquivo dava pra ver que tinha registros corrompidos no meio do caminho. Povo de data science sabe o que significa &ldquo;limpar dados&rdquo;. Essa foi minha primeira experiência usando SQL como se não houvesse amanhã pra limpar e várias queries pra garantir que tava tudo certo. Diferente de data science, que se tiver algum errinho não costuma ser um grande problema porque dá pra lidar com margens de erro, quando falamos de contabilidade, não pode ter uma vírgula fora do lugar. Ninguém pode receber cobranças erradas. Qualquer pequeno volume de erros significava congestionamento no atendimento pra resolver.</p>
<p>Daí finalmente fizemos uma primeira versão que ia imprimir os novos boletos pela primeira vez. Não lembro, talvez agosto ou setembro de 1999. Fiz um monte de queries, ainda tinha uns bugs que eu não tava satisfeito, mas chegamos no momento de &ldquo;acho que tá bom o suficiente&rdquo;. Mandamos rodar e as impressoras no andar de baixo começaram a imprimir. Pensa que ia levar a noite inteira imprimindo pro serviço de entrega ir buscar as caixas na manhã seguinte.</p>
<p>O escritório do STI ficava numa cidade chamada Santana de Parnaíba, depois de Alphaville aqui de São Paulo, quase 30 quilômetros de distância da casa dos meus pais onde eu morava. 45 minutos de carro sem trânsito ou 2 horas, que era o que eu levava todo dia pra voltar. Eu passei o trânsito todo da volta com pulga atrás da orelha. Cheguei em casa, jantei e tal, deitei pra dormir e foi aí que me ocorreu: tinha um bug que ia foder todos os boletos!</p>
<p>Lembro que levantei no susto, peguei o carro sei lá, meia noite e fui correndo pro escritório. Eu tive meu momento de &ldquo;parem as máquinas!!!&rdquo; E passei a madrugada tentando corrigir o tal bug. Queria lembrar o que era exatamente, mas era um bug lazarento. Eu acho que consegui resolver e finalmente deu pra continuar imprimindo a tempo de acabar pra entrega de manhã. Eu tenho poucas memórias daquela época. Acho que deu certo porque não lembro de repercussões tão negativas. A gente sabia que podia ter um certo grau de erro, mas era importante não ser demais pra não congestionar o suporte.</p>
<p>Meus primeiros 10 anos seriam uma sucessão de eventos desse tipo: pegar desafios que eu não tinha idéia de como fazer, varar noite tentando resolver, causar muitos bugs que não sabia como corrigir, e arrancar os cabelos tentando descobrir. Muito me admira que eu ainda tenho cabelo. Enfim, acho que chegamos muito perto de conseguir substituir o sistema antigo pelo novo, mas aí aconteceu um evento inesperado: a STI foi adquirida por uma outra empresa maior, a PSINet.</p>
<p>Por causa desse merge mudou muita coisa, não sei se nosso sistema foi usado ou não ou se iam adotar outro, mas foi onde vi meu primeiro layoff, demissão em massa. Num merge de várias empresas, acaba que muitas posições ficam redundantes, daí demitiram muita gente de uma só vez. Ouvi falar que muitos ficaram descontentes, saqueram o escritório, levaram computador, monitor e coisas assim.</p>
<p>No meu caso foi diferente, porque minha equipe, que era próxima dos co-fundadores, foi levada pra montar outra empresa. Eu não tinha outra coisa pra fazer, fui junto. Montaram outro escritório e me pediram pra pegar um produtinho que eles compraram pra envio de email e falaram pra eu fazer uma interface gráfica pra ela. O problema que tinha que ser em PHP. Eu passei meses mexendo em ASP e tava super fluente, mas beleza, lá vou eu aprender outra coisa. Ainda bem que eu tinha aprendido um pouco de UNIX e Linux na faculdade porque agora ia precisar mexer com Linux e Apache.</p>
<p>Esse produtinho foi batizado de Internet Email Grátis ou ieG, um dos primeiros produtos independentes, que não era atrelado a um provedor, pra dar email grátis pra qualquer um. Pense um Gmail rudimentar, 6 anos antes do Gmail. Eu tava explorando a idéia de uma interface gráfica Web que seria parecido com um aplicativo nativo de Windows de verdade, daí fiz uma versão Web do Outlook Express, antes do Outlook pra Web sair de verdade. Ponto de comparação naquela época acho que já tinha Hotmail.</p>
<p>Esse produto foi fácil, daí formou uma nova equipe e nos pediram pra fazer outro produto: um Geocities brasileiro. Pra quem não sabe o que é Geocities, era um produto web pra qualquer um conseguir ter sua própria homepage pessoal gratuita. A contrapartida era deixar colocar um banner no topo pra monetizar. A nossa ia se chamar HomePage Grátis ou HPG. Quem começou a mexer com internet no começo dos anos 2000 vai se lembrar de HPG. Esse produto explodiu, todo mundo tinha um site hpg.com.br/alguma coisa. Pensa, era uma época que ainda não era difícil conseguir domínios de 3 letras.</p>
<p>Você podia andar num shopping center e ver a URL hpg da loja na vitrine, ou em outdoor, ou pintado nos ônibus. Esse produto explodiu. Eu participei da primeira versão, feita com PHP e Perl. E foi assim que aprendi Regular Expressions, porque todo mundo ficava tentando achar jeitos de burlar os banners que a gente colocava e eu passava o dia fazendo Regex pra tirar os truques. Povo posta no fórum do UOL e eu ficava vendo qual era o novo truque e fazia uma nova regex pra filtrar o HTML e tirar, por exemplo, o javascript que eles colocavam. Nem precisava tirar tudo, bastava fazer o javascript do cara quebrar pra ele tirar.</p>
<p>Eu saí quando começaram a fazer a funcionalidade de templates de sites, pra facilitar quem não sabia escrever HTML do zero. Eu tinha 23 anos e na minha cabeça esse produto não fazia sentido. Mesmo com banners era muito caro manter o site de todo mundo de graça. Infraestrutura era muito mais cara naquela época do que agora. Mas eu também tava sendo muito cético muito cedo. Eu fiz tudo isso em menos de 6 meses. Mas um conhecido da época daquela primeira agência que fechou foi trabalhar pra uma agência grande de verdade, a F/Nazca, e me convidou pra ir com ele. Dado que eu tava cético com o modelo de negócios, tinha visto os layoffs da PSINet antes, resolvi pular fora do barco.</p>
<p>Seis meses depois o HPG foi vendido pro iG, o que elevou o iG acho que do sexto lugar no ranking pra segundo lugar só atrás do UOL na época. Sabem o que eu falei nos videos sobre startups de engordar o porco? Pra mim isso era uma novidade naquela época, foi a primeira vez que vi o modelo de negócios de gastar muito sem dar lucro, criar hiper relevância, pra ser adquirido caro por alguém maior. Hoje em dia isso é o arroz com feijão das startups. Mas mesmo assim, isso dá certo pra menos de 1% de todo mundo que tenta. Mas os co-fundadores eram todos pessoas bem conectadas no mercado por conta da experiência da STI e do merge com a PSINet. Não eram amadores. Mas eu não conhecia eles pessoalmente, então não tinha noção disso.</p>
<p>Mas tudo bem, eu não tinha stock options nem nada, não ia ganhar nada com a venda de qualquer jeito. Eu era só um programador e acho que tomei uma boa decisão, especialmente porque nesse próximo lugar também ia poder fazer coisas diferentes. A F/Nazca era uma das maiores agências do Brasil na época onde as grandes eram nomes como W/Brazil ou Almap. Hoje são WMcCann, Publicis, Africa, DPZ&amp;T. A Publicis acho que comprou a F/Nazca anos atrás, mas em 2019 o fundador Fabio Fernandez, o &ldquo;F&rdquo; em F/Nazca, saiu e acho que iam fechar. O fim de uma era.</p>
<p>E o Fabio Fernandez era publicitário extravagante clichê da época. De novo, era ano 2000, estávamos caminhando rapidamente pro pico da Bolha da Internet. Ninguém sabia que era uma bolha ainda, especialmente porque ninguém sabia direito o que fazer na Web, muito menos agência publicitária. E pra ser o diferentão o Fernandes quis montar uma equipe tipo uma Tropa de Elite da Web, fora dos escritórios da agência. Era uma equipe pequena, nem meia dúzia de pessoas, focadas só em Web, e a gente ia ficar num escritório virtual no World Trade Center de São Paulo.</p>
<p>Pra ter uma noção do que eu quero dizer com extravagante, ele fez um anúncio pra empresa inteira na forma de cartas deixadas na mesa de todo mundo, dizendo que estavam demitidos. Aí acho que ia ter um evento no mesmo dia pra anunciar que na verdade tava todo mundo demitido da &ldquo;antiga&rdquo; agência publicitária tradicional mas estavam todos recontratados na &ldquo;nova&rdquo; agência Web. Entenderam? Puta piada de mau gosto que acho que rolou vários processos trabalhistas depois. Mas imaginem eu, era meu primeiro dia, e a primeira coisa que ouvi foi que tava demitido e recontratado. Eu achei engraçado na época, mas eu era só um moleque.</p>
<p>Enfim, nessa equipe eu trabalhei em algumas peças em Flash primeiro. Tive que desenferrujar meu Flash e fazer duas peças de campanha que eles iam mostrar em Cannes. Eram umas coisas bem idiotas. Só de exemplo, uma das peças era uma campanha das tintas Suvinil falando sobre suas novas máquinas de misturar tintas pra você ter a cor que quiser.</p>
<p>A idéia era o banner ficar fixo na tela e na verdade o navegador inteiro se mexer pra todos os lados simulando a máquina misturando a tinta. Isso era uma época que Javascript dava controle de tudo do navegador, incluindo a posição no desktop da pessoa. Imagina abrir um site e as janelas ficarem se mexendo do nada. Ainda bem que não pode mais fazer isso.</p>
<p>Enfim, meu chefe nessa época era um gêniozinho um ano mais novo que eu e que manjava muito de tecnologia, o Bruno Mosconi. Foi com ele que aprendi o conceito de que livro não é despesa, é investimento. Ele deixava a gente comprar os livros que precisasse. É uma prática que até hoje eu tenho na minha empresa por causa disso. Mas hoje em dia o acesso a informação desse tipo é muito mais fácil, tem de graça. Na época não tinha. Era ano 2000, Google mal tinha 2 anos ainda.</p>
<p>Lembro que foi a primeira vez que mexi com Python também por causa de um site de astrologia de um cliente, que ele queria implementar num gerenciador de conteúdo chamado Zope. Pra quem é de Python, o Zope depois se tornaria Plone. E foi com ele também que ouvi falar de Ruby pela primeira vez, mas não usei naquele ano ainda. F/Nazca foi o lugar onde trabalhei por menos tempo, só uns 3 ou 4 meses. No HPG também foi pouco, menos de 6 meses. De novo, minha memória não tá muito boa mas acho que essa operação Web não tava dando certo aí eu tive que procurar outro lugar.</p>
<p>Essa foi a primeira vez que realmente tive que procurar emprego. Postei meu currículo na minha homepage do HPG, até tive contatos por lá. Recrutador vasculhando qualquer site existe desde aquela época. Mas de novo, foi por causa dos contatos que fui fazendo ao longo desses primeiros anos que me levaram a algumas boas entrevistas e acabei entrando numa pontocom, que é como chamávamos as startups da época, que foi a PSN, ou Panamerican Sports Network.</p>
<p>Eu contei sobre eles nos episódios de Sua Linguagem Não é Especial, mas recapitulando, a empresa maior era a Hicks, Muse, Tate and Fürst. Pra quem é de futebol, vai lembrar que era a dona do Corinthians e do Cruzeiro no ano 2000. Embaixo tinha sites como a PSN.com junto com o canal de TV a cabo PSN, patrocinava o Alan Prost na Fórmula 1. Pois é, eu fui webmaster do Corinthians. Depois assistam esses outros episódios.</p>
<p>Lembro que cometi minha primeira grande gafe que todo iniciante arrogante faz. Logo na primeira semana, fui olhar o código deles e era um go-horse atrás de outro go-horse. O código foi feito por uma terceirizada americana e foi a primeira vez que entendi que só porque é gringo não quer dizer que é melhor. Puta código zoado da porra. Pensa um ASP macarrônico com HTML misturado com Basic tudo em arquivões de milhares de linhas. Escrevi um e-mail super textão com page downs e page downs de críticas e mandei pra todo mundo sem pensar. Descobri só quando tava pra sair que por causa daquele e-mail todo mundo me odiava no começo. Eu só repeti o que todo mundo já sabia. Uma nova equipe já tinha assumido a zona e já tava consertando, eu que peguei o bonde andando. Fica a dica: Não seja essa pessoa.</p>
<p>Na PSN eu fiquei pouco tempo também, até dezembro de 2001, cerca de 1 ano e meio. E foi lá que tive a oportunidade de ir pros Estados Unidos pela primeira vez, pra conhecer a equipe que trabalhava de Miami. Pra ter uma noção de como faz tempo, não existia celular com internet, pra me localizar eu tinha que imprimir mapas do site da prefeitura da cidade. E pra tirar foto eu tive que comprar uma câmera descartável numa farmácia e mandar revelar. Acabei perdendo essas fotos. Eu só voltaria a viajar pros Estados Unidos quando entrei na Locaweb em 2008, 7 anos depois. Mas em 2001 aconteceram outros dois episódios que me marcaram.</p>
<p>O primeiro foi em setembro de 2001 quando cheguei de manhã cedo no escritório e tava todo mundo na frente das TVs e eu fiquei confuso &ldquo;o que aconteceu?&rdquo; Aí vieram me contar &ldquo;você não viu?? jogaram um avião no World Trade Center&rdquo;. E eu paralizei e falei &ldquo;aqui do lado??&rdquo; Lembrando que na F/Nazca trabalhei de um escritório no World Trade Center, de São Paulo, que fica no bairro do Brooklin Novo, na famosa avenida Berrini que muitos já consideraram o Vale do Silício do Brasil. A PSN ficava num prédio a alguns quarteirões de distância. Pensa meu alívio quando falaram &ldquo;não, o de Nova Iorque!&rdquo; ahhhhh então tá, cadê meu café?</p>
<p>E o segundo episódio foi o famoso Crash da Bolha da Internet no mês seguinte, em outubro. Na verdade o pico da NASDAQ foi em março de 2001, onde tinha subido absurdos 400% desde 1995 e em 2001 caiu quase 80% de uma só vez. Ela ainda tentou subir de novo no meio do ano, mas aí veio a segunda perna do crash e a partir daí não parou mais de cair até quase o fim de 2002. Eu não tinha idéia do que isso significava. Na PSN nos disseram que descobriram que alguns executivos tavam roubando, negócios ruins, e o fechamento do canal de TV, das operações na Web. Eu quase apaguei a luz do escritório por último.</p>
<p>Eu não era muito informado com as notícias. Não acompanhava nada de mercado financeiro. Pra mim, essa bolha que começou em 1995, quando eu entrei na faculdade, parecia tudo normal. Só depois do fechamento abrupto da PSN que me toquei que na verdade eu tava no meio de uma bolha e nem tinha me dado conta. Notaram que desde 1996 eu fui indo de trabalho em trabalho sem nenhuma real dificuldade? Eu ia conhecendo pessoas, elas gostavam do meu trabalho, me indicavam ou me chamavam pro próximo negócio e eu só ia seguindo a vida assim.</p>
<p>E essa seria a segunda vez que eu ia ter que procurar emprego. Fiquei só uma semana desempregado. Mesmo com o crash da bolha, não significa que acabou todos os empregos. É isso que eu quis dizer no video do Crash da Bolha de agora também. Toda empresa, seja ela de tecnologia ou não, a partir de agora ia precisar manter essa tecnologia e evoluir, mesmo que fosse mais devagar.</p>
<p>De novo, mandei alguns emails e quem respondeu foi o Antelio, que eu falo no episódio de SAP, engenheiro que conheci naquele projetinho da agência na Camargo Corrêa. Ele saiu, virou consultor SAP e me chamou pra trabalhar. Ele ia me ensinar SAP e eu ia ensinar Web pra eles. Convenientemente, o escritório da consultoria era no mesmo prédio onde ficava a PSN que tinha acabado de fechar, só mudei de andar. Eu passei mais de meia década nessa região da Berrini.</p>
<p>Lembram do projetinho da STI pra resolver o problema de ano 2000? Obviamente ela não foi a única empresa com esse problema. Literalmente toda empresa que adotou tecnologia dos anos 80 e 90 tiveram que ajustar seus sistemas, ou investir em modernizar e substituir por coisas novas com eu fiz. Mas em empresas gigantes, não dava pra refazer tudo do zero. E foi aí que empresas como SAP ou Oracle ganharam terreno no Brasil. Foi a era de ouro das consultorias pra implementar novos ERPs não só pra resolver o problema no bug do milênio como implementar novos processos e tecnologias. Eu conto um pouco disso no episódio de SAP, depois dêem uma olhada.</p>
<p>E lá ia eu aprender mais uma plataforma que nunca tinha imaginado que ia ter que aprender: SAP. Mas tudo bem, de 1996 até  fim de 2001 eu tive que aprender Delphi, HTML, Javascript de primeira geração, Flash, ASP, PHP, Perl, SQL Server, MySQL, Apache, um pouco de Python. O que é um pouco de SAP? E nesse período entre 2002 a 2006 eu ia voltar a usar tecnologias Microsoft como ASP e finalmente usar Java comercialmente.</p>
<p>Durante a depressão na área de novas tecnologias que ia durar de 2002 a 2008 eu fiquei focado em mercado corporativo com integração de SAP com Web, depois migrei pra tecnologias open source com Ruby on Rails em 2006 e me preparando pra pegar a nova onda que eu nem sabia que ia recomeçar com mais força por volta de 2008. Foi quando começou a aparecer Twitter, Uber, Airbnb, Pinterest, Foursquare, Spotify, Netflix e todos os nomes que vocês conhecem hoje.</p>
<p>De novo, não é porque teve crash da bolha que a tecnologia parou. Foi entre 2002 a 2008 que as sobreviventes se consolidaram. Google e Amazon viraram gigantes nesse período de seca. Foi nesse período que blogs e redes sociais nasceram. Muitos tentaram e morreram, Orkut, MySpace, e aí apareceu o Facebook, depois o Instagram. Mas o ecossistema maior mesmo só apareceria depois do Crash da Bolha Imobiliária de 2008. A correção desse crash criaria o ambiente propício de juros baixos e dinheiro fácil pra investimento que seria o combustível pra bolha que duraria até agora. De novo, assista minha playlist &ldquo;Eu Avisei&rdquo; onde explico detalhes de porque.</p>
<p>Eu não sou um guru, não prevejo o futuro, nem nada disso, eu sou um animal muito simples: eu gosto de tecnologia, alguém quer me pagar pra mexer com tecnologia, eu vou, só isso. Foi só isso durante toda minha carreira. Veja: minha carreira nasceu numa época que precede o conceito de influencers, de cursos online, de redes sociais. O primeiro evento de programação que eu participei foi a RailsConf nos Estados Unidos em 2008. Eu já tinha 31 anos e fazia 13 anos que entrei na faculdade. Só aí passei a interagir mais com as comunidades de desenvolvimento de software. É o que eu conto no video da História do Ruby on Rails.</p>
<p>Eu entendo o problema de todos vocês hoje: sofrem de information overload. Tem informação demais, pior, muita informação conflitante e ruim mesmo. Um influencer diz pra seguir caminho X, outro influencer diz pra seguir caminho Y, o grupo do Discord fala que caminho X é uma bosta, pessoal do Telegram fala que caminho Y é uma bosta, na sua timeline do Twitter tem caminhos de A a Z e nenhum consenso. Eu consigo imaginar o turbilhão de incertezas infladas que tem na sua cabeça nesse momento.</p>
<p>Pare um segundo e pense: eu, Akita, estou perto de aposentar uma  carreira que começou em 1990. Informação naquela época era muito cara, de difícil acesso. Porra, se eu não tivesse me dedicado sério a aprender inglês, como conto no video sobre inglês, não teria conseguido fazer nada do que resumi nesse video. Tudo que eu aprendia só tinha disponível em inglês, não tinha a opção de português. Conseguem imaginar isso?</p>
<p>Mais do que isso: só conhecia outros programadores que trabalhei junto nessas empresas e projetos. Não conhecia outros programadores de fora, então não tinha nenhum modelo, ninguém pra me influenciar e, felizmente, ninguém que eu achava que precisava seguir. Eu simplesmente fazia as coisas por pura intuição.</p>
<p>Mais felizmente ainda: não existiam coaches falando bullshitagem sobre coisas como networking. Eu aprendi a fazer networking de verdade. Por exemplo, na época da STI e HPG tenho dois exemplos: tinha dois programadores júniors como eu na equipe. Um se chamava Fernando Nemec. Depois do HPG ele foi trabalhar como programador na recém criada parte web do jornal Folha de São Paulo. Hoje ele é o diretor de tecnologia da Folha Online.</p>
<p>O outro se chamava Adriano Caetano. Depois do HPG ele abriu seu próprio ecommerce, um dos primeiros do Brasil, chamado LinuxMall. Eu comprei muitos CDs de Linux com ele. Hoje ele é Sócio Diretor da VTEX, uma das primeiras plataformas de ecommerce e uma das maiores do Brasil. Coincidentemente saiu um video dele contando essa história no YouTube, vou deixar o link na descrição.</p>
<p>Vocês ficam olhando pra caras como eu e esquecem que o júnior da sua própria equipe, colega da sua faculdade, vai ser o próximo founder, CTO, CEO da startup inovadora de amanhã. Ele confia no resultado do seu trabalho hoje o suficiente pra te chamar pra trabalhar com ele? Se você não consegue impressionar nem o júnior que trabalha do seu lado, porque você acha que eu me interessaria? Só porque você fez mandou um email engraçadinho no LinkedIn? Ou porque ficam só no blá-blá falando que é esforçado? Sério?</p>
<p>É difícil resumir mais de 5 anos em um video curto como esse, mas meu ponto era mostrar o seguinte: principalmente no começo de carreira, eu nunca me defini como &ldquo;programador ASP&rdquo; ou &ldquo;programador Java&rdquo; ou &ldquo;administrador de SQL Server&rdquo;. Minha especialidade não era nenhuma dessas ferramentas. Sem planejar muito, eu só me especializei em resolver problemas de tecnologia. Minha arma secreta foi Aprender a Aprender. Eu simplesmente gosto de tecnologia e de resolver problemas com tecnologia.</p>
<p>Nunca parei pra pensar: &ldquo;será que esse tal de ASP vai ter carreira pros próximos 10 anos?&rdquo; ou pior &ldquo;será que esse tal de Director e CD-ROM é uma boa carreira pros próximos 10 anos?&rdquo;. Eu literalmente aprendia e produzia numa plataforma nova todo ano durante esse período. Se em 1996 eu tivesse pensado &ldquo;puts, esse tal de ASP é muito novo, não dá pra ter uma carreira nisso, vou ficar no Clipper, vou ficar no Director&rdquo;, e daí se toda vez eu esperasse 2 ou 3 anos &ldquo;pra ver se ia vingar&rdquo;, teria perdido a primeira Bolha da Internet, pior, teria sido mais uma vítima do crash.</p>
<p>Eu passei totalmente ileso. Quando migrei de pontocom com ASP pra mundo corporativo com Java e SAP, na minha cabeça isso não era um passo pra trás ou um downgrade. Era só mais uma página. Porque eu não era definido pela linguagem, ou modelo de negócio. Vejam como o Java que fui aprendendo aos poucos desde 1996 viria a se tornar útil em 2002 quando entrei em consultoria. Vejam como o ASP que aprendi de sopetão em 1999, deixei de lado pra aprender PHP em 2000, voltaria em 2001 na PSN. Não existe uma receita. E não existe falta de oportunidade, existe falta de vontade de pegar pra resolver. Ah, vou fazer um curso, quando eu aprender daí vou procurar. Aí já é tarde demais, o bonde já andou e você ficou no fim da fila.</p>
<p>No episódio da Sua Linguagem Não é Especial, eu mostrei como não ficava também só fazendo o que o trabalho exigia. Em 2000 eu tava um pouco empolgado com .NET que tava pra sair, acho que tava em Beta nessa época. No trabalho ninguém ia usar .NET, mas fiz minha própria versão de um mini framework ASP.NET só que em ASP clássico, só pra ver se dava. Que não foi diferente de quando tentei aplicar orientação a objetos no Lingo de Director alguns anos antes. Eu não fazia o que o livro dizia, só queria ver o que dava pra fazer. Na minha cabeça nunca teve o conceito de &ldquo;não é assim que todo mundo faz&rdquo;. Eu sempre tô cagando e andando pro que &ldquo;todo mundo&rdquo; faz.</p>
<p>Notem outra coisa: em nenhum momento eu cito cursos. Porque eu nunca fiz nenhum. Primeiro que não existia Udemy nos anos 90. Segundo porque intuitivamente entendia: porra, Java saiu ano passado, obviamente não tem curso pra isso. Flash acabou de sair enquanto eu tô aqui fazendo Director, óbvio que não tem curso pra isso. Eu nunca esperava que fosse ter um curso. Eu via que tinha um livro, em inglês, ia na Livraria Cultura no Conjunto Nacional da Avenida Paulista, a única que eu sabia que dava pra encomendar livro importado, esperava um mês pra chegar e era isso. Amazon foi só a partir do ano 2000.</p>
<p>Outra coisa: quando falei que tava aprendendo sobre orientação a objetos. O livro de Design Patterns do Gang of Four tinha acabado de ser lançado em 1994. UML também tinha acabado de ser inventado. Essas coisas ainda não eram consenso. Existiam várias metodologias antes da Rational. Eu, por exemplo, tinha um livro de uma metodologia chamada Fusion. Mas pelo jeito não fez sucesso porque como isso precede o Google, nem tem registro se pesquisar a respeito.</p>
<p>O Manifesto Ágil seria assinado em 2001 que é quando eu termino minha história nesse video. Tudo sobre o assunto só seria publicado depois. O ponto é: eu, aluno de faculdade em 1995, não tinha como saber que essas coisas se tornariam relevantes anos depois. O você de hoje tentando escolher a ferramenta &ldquo;ideal&rdquo; não tem idéia do que realmente vai ser importante daqui 5 anos. Não tente adivinhar agora, é perda de tempo. E não, nenhum guru, influencer, coach, nem mesmo eu, tenho como dizer o que vai ser relevante daqui 5 anos especificamente pra sua carreira, porque a carreira de cada um vai ser diferente.</p>
<p>E antes que alguém vá encher o saco na bolhadev, quando eu falo que varava noite na época, não foi pra vangloriar que trabalhar a noite é admirável. Pelo contrário, eu varava noite porque eu não era bom e prometia mais do que conseguia entregar. Eu só era sem noção mesmo. Isso é pessoal, não recomendo ninguém copiar. Vai de cada pessoa. Com cabeça de hoje, talvez tivesse dito mais &ldquo;não&rdquo;. Mas por outro lado talvez não tivesse aprendido tanta coisa tão rápido.</p>
<p>Com 20 anos, meu objetivo não era ter qualidade de vida, era aprender tudo que pudesse aprender porque minha única motivação era resolver problemas novos. Cada pessoa tem motivações diferentes, nunca use minha história como parâmetro pra sua. As épocas são completamente diferentes. Vocês tem mais opções hoje do que eu tinha nos anos 90.</p>
<p>Falando do povo comentar, não sei se notaram, mas nenhuma das empresas que eu trabalhei nesse período existem mais. Eu literalmente saía pra outro trabalho porque onde eu tava ia fechar. Uma vez só eu saí por conta própria, mas de 1996 até 2002 esse foi o padrão. Foi bizarro, já tava achando que eu tinha pé frio. Magina, mandar meu currículo e o recrutador ver que nenhum lugar existe mais. Mas não foram só as empresas que eu passei, no Crash, várias outras foram fechando ao longo do tempo. Muitas das empresas que a gente conhecia naquela época não existem mais. É a vida.</p>
<p>De qualquer forma, se pudesse mudar alguma coisa que fiz desde os anos 90, não mudaria nada. São as experiências que passei, boas ou ruins, que formam o que sou hoje. Foi fazendo merda, aprendendo a consertar e persistindo, que me definiu. Agora cada um de vocês tem que achar o que define vocês, e não vai ser me copiando. Os anos 90, infelizmente, acabaram. Os anos 2000 acabaram. Os anos 2010 acabaram. Os anos 2020 acabaram de começar, é nesse contexto que você existe.</p>
<p>Finalmente, alguns poderiam ficar impressionados. Pode parecer que fiz muita coisa nesse meu começo de carreira. Mas nem tanto, num outro extremo, lembram que falei que 1997 foi quando Steve Jobs retornou pra Apple? Pois bem, nesse meio tempo, ele limpou a casa, tirou a Apple da beira da falência, modernizou a linha de hardware lançando os famosos iMacs coloridos, finalmente conseguiu matar o antigo MacOS 9 e lançar o MacOS X que é a base dos Macs até hoje, e no ano que a bolha estourou, lançou o iPod, que mudaria a indústria de música pra sempre. Tem um documentário chamado The iPod Revolution que conta exatamente esse trecho da história, depois assistam, é fascinante.</p>
<p>Muito ou pouco é relativo. Parem de ficar se comparando, que coisa chata. Façam sua própria carreira, do seu jeito, e evoluam cada dia pra não se arrepender do dia anterior, só isso. Eu não virei o Steve Jobs, e tá ótimo, o que eu consegui fazer por mim durante minha carreira me deixa satisfeito. Poderia ter feito muito mais. Sempre dá pra fazer mais. Mas Akita, o que você recomenda pra mim? É a pergunta que eu mais recebo, e repetindo pela enésima vez, veja meu video de Não Terceirize suas Decisões e a playlist de carreira.</p>
<p>Eu sei que mesmo dizendo isso vocês ainda vão continuar me perguntando o que devem fazer, ou falar que vão tentar me copiar, mesmo eu falando não. Mas vamos aos fatos: eu disse pra vocês fazerem imersão de inglês em casa, substituir tudo por inglês. Acabei de mostrar a diferença que fez no meu começo de carreira. Como anda o inglês de vocês?</p>
<p>Agora o mais óbvio, em vez de perguntar o que eu fazia, que tal perguntar o que eu não faria? Uma coisa que me lembrei escrevendo esse episódio é que a primeira balada que eu fui foi só por volta de 2002 ou 2003. Foi quando comecei a beber socialmente também. Lembrem, entrei na faculdade em 1995. Fui em uma festa na faculdade, uma única cervejada. Não participei de nenhum evento, festa ou balada de 1996 até 2002, que é o período que cubro neste video.</p>
<p>Por que? Primeiro porque não tinha dinheiro. Eu começar a sair coincide com minha transição de júnior pra pleno e ganhar salário de consultor corporativo. Faz muita diferença. Além disso tinha tanta coisa tão interessante acontecendo no trabalho toda hora, cada hora um bug mais cabeludo pra resolver, eu passava minhas noites dormindo no escritório. E não porque me mandavam, mas porque eu não queria ter que perder tempo indo pra casa e tendo que voltar depois. Meu PC do escritório na época era sempre melhor que meu PC de casa. E não tinha laptop acessível, então tinha que usar lá mesmo. Eu preferia ficar lá.</p>
<p>E mais, que séries eu maratonava na TV nos anos 90? Literalmente não consigo me lembrar de nenhuma. Depois que entrei na faculdade, quase não assistia TV. Recomecei a ver séries só lá por 2004 ou 2005 com Os Sopranos e 24. Lembram que falei que não tinha nenhum influencer que seguia? Vocês perdem horas e horas diariamente acompanhando gente desinteressante e irrelevante que não contribui em absolutamente nada na sua carreira. Eu não tive isso, portanto tive a vantagem de não perder meu tempo com gente inútil. Eu só gastava tempo comigo mesmo.</p>
<p>Teria sido melhor se essas coisas existissem naquela época? Google sim, sem sombra de dúvida, pra pesquisar as coisas mais rápido. Stackoveflow também. Todo o resto, principalmente a bolhadev? Absolutamente inútil. A opinião aleatória dos outros é inútil. Ninguém sou eu. Eu teria conquistado menos da metade do que fiz nesse período.</p>
<p>Podcasts de 3 horas, vai se fuder. Em 3 horas eu li a documentação inteira de uma nova linguagem. 3 horas todo dia? Porra. Quando você vai no banheiro? Ah, mas é quando eu tô no metrô voltando pra casa ou no trânsito. Ouça audiobooks de livros clássicos, de mais de 10 anos que ainda são relevantes hoje, não ebookzinho de influencer bosta que nem tem 10 anos de carreira direito. Já leu algum livro do Stroustrup, criador do C++? Ou do Dennis Ritchie, criador do C? Por que ainda não leu os originais em vez de ler as cópias baratas? Fica só falando de IA, IA, já leu alguma coisa do Marvin Minsky? Não né.</p>
<p>E esse foi o episódio do meu começo de carreira, que coincidiu com a ascenção e queda da primeira Bolha da Internet. E como podem ver, eu continuei crescendo sem parar. A próxima fase, pra quem quiser ver como foi, é o video de SAP, depois o video de Ruby on Rails. E por hoje é isso aí, se ficaram com dúvidas mandem nos comentários abaixo, quem quiser relembrar mais coisas dos anos 90 não deixem de mandar também, se curtiram o video deixem um joinha, assinem o canal e não deixem de compartilhar o video com seus amigos. A gente se vê, até mais!</p>
]]></content:encoded><category>carreira</category><category>pessoal</category><category>mercado-de-tecnologia</category><category>akitando</category></item><item><title>[Akitando] #111 - RANT: Média Salarial NÃO Existe | Entendendo Power Laws</title><link>https://akitaonrails.github.io/2021/12/20/akitando-111-rant-media-salarial-nao-existe-entendendo-power-laws/</link><guid isPermaLink="true">https://akitaonrails.github.io/2021/12/20/akitando-111-rant-media-salarial-nao-existe-entendendo-power-laws/</guid><pubDate>Mon, 20 Dec 2021 11:18:00 -0300</pubDate><description>&lt;div class="embed-container"&gt;
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<h2>DESCRIÇÃO<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="descrição"></span>
    <a href="#descri%c3%a7%c3%a3o" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Todo ano é a mesma coisa: alguém publica alguma coisa tentando definir &ldquo;média salarial&rdquo; de determinada profissão. E está ERRADO. Não existe o conceito de &ldquo;média salarial&rdquo; e neste video vou explicar porque, vou explicar como isso estraga sua visão de mundo e da profissão e te leva a tomar decisões erradas, e vou explicar o que de fato existe na estatística de salários de verdade.</p>
<h2>Conteúdo<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="conteúdo"></span>
    <a href="#conte%c3%bado" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><ul>
<li>00:00 - Intro</li>
<li>00:57 - Matemática</li>
<li>01:55 - Média no Colégio</li>
<li>04:00 - Como as pessoas entendem &ldquo;normal&rdquo;</li>
<li>04:54 - Desigualdade é &ldquo;anormal&rdquo;?</li>
<li>07:24 - Requerimento pra Normal</li>
<li>07:53 - Eventos Estatisticamente Independentes</li>
<li>09:51 - Zipf e Power Laws</li>
<li>12:09 - Modelo Erdös-Rényi</li>
<li>12:39 - Modelo Duncan-Strogatz</li>
<li>13:51 - Seis Graus de Separação</li>
<li>16:09 - Problema de ser trabalhar em pornô</li>
<li>17:15 - Recapitulando Grafos</li>
<li>18:30 - Modelo Barabási-Albert</li>
<li>19:20 - Redes Livre de Escala</li>
<li>19:54 - Power Law, e não Normal</li>
<li>20:52 - Sistemas Complexos Não Lineares</li>
<li>22:15 - Paretto é Power Law</li>
<li>23:35 - O Mundo Não é Normal</li>
<li>25:21 - Top Influencers: Power Law</li>
<li>27:21 - Top Empresas: Power Law</li>
<li>28:17 - Preferential Attachment</li>
<li>30:04 - Como seu salário realmente evolui?</li>
<li>31:01 - Salário começa em Cauda Longa</li>
<li>31:38 - Perseguir Média é ser Medíocre</li>
<li>33:40 - Novos mercados não tem Média</li>
<li>34:57 - Oferta e Procura</li>
<li>35:39 - Desculpas e mais Desculpas</li>
<li>36:41 - Conclusão</li>
</ul>
<h2>Links<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="links"></span>
    <a href="#links" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Links:</p>
<ul>
<li>Linked (<a href="https://www.amazon.com/dp/B06XC9JM6Y"target="_blank" rel="noopener">https://www.amazon.com/dp/B06XC9JM6Y</a>)</li>
<li>Nonlinear Dynamics and Chaos: With Applications to Physics, Biology, Chemistry, and Engineering (<a href="https://www.amazon.com/Nonlinear-Dynamics-Student-Solutions-Manual/dp/0813349109"target="_blank" rel="noopener">https://www.amazon.com/Nonlinear-Dynamics-Student-Solutions-Manual/dp/0813349109</a>)</li>
<li>TED - Steven Strogatz: How things in nature tend to sync up (<a href="https://www.youtube.com/watch?v=aSNrKS-sCE0"target="_blank" rel="noopener">https://www.youtube.com/watch?v=aSNrKS-sCE0</a>)</li>
<li>TED - Steven Strogatz: The science of sync (<a href="https://www.ted.com/talks/steven_strogatz_the_science_of_sync/transcript?language=en"target="_blank" rel="noopener">https://www.ted.com/talks/steven_strogatz_the_science_of_sync/transcript?language=en</a>)</li>
<li>Small Worlds: The Dynamics of Networks between Order and Randomness (<a href="https://www.amazon.com/Small-Worlds-Randomness-Princeton-Complexity-ebook/dp/B07DMVNYK9"target="_blank" rel="noopener">https://www.amazon.com/Small-Worlds-Randomness-Princeton-Complexity-ebook/dp/B07DMVNYK9</a>)</li>
<li>Six Degrees: The Science of a Connected Age (<a href="https://www.amazon.com/Six-Degrees-Science-Connected-Age-ebook/dp/B00256Z3B8"target="_blank" rel="noopener">https://www.amazon.com/Six-Degrees-Science-Connected-Age-ebook/dp/B00256Z3B8</a>)</li>
<li>Milgram&rsquo;s Obedience Experiment (<a href="https://www.youtube.com/watch?v=cBDkJ-Nc3Ig"target="_blank" rel="noopener">https://www.youtube.com/watch?v=cBDkJ-Nc3Ig</a>)</li>
<li>The Oracle of Bacon (<a href="https://oracleofbacon.org/movielinks.php"target="_blank" rel="noopener">https://oracleofbacon.org/movielinks.php</a>)</li>
<li>Largest Companies by Market Cap (<a href="https://companiesmarketcap.com/"target="_blank" rel="noopener">https://companiesmarketcap.com/</a>)</li>
<li>The Misbehavior of Markets: A Fractal View of Financial Turbulence (<a href="https://www.amazon.com/Misbehavior-Markets-Fractal-Financial-Turbulence-ebook/dp/B004PYDBEO"target="_blank" rel="noopener">https://www.amazon.com/Misbehavior-Markets-Fractal-Financial-Turbulence-ebook/dp/B004PYDBEO</a>)</li>
<li>Como Mentir com Estatística (<a href="https://www.amazon.com.br/Como-Mentir-Estat%C3%ADstica-Darrell-Huff/dp/858057952X"target="_blank" rel="noopener">https://www.amazon.com.br/Como-Mentir-Estat%C3%ADstica-Darrell-Huff/dp/858057952X</a>)</li>
</ul>
<h2>SCRIPT<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="script"></span>
    <a href="#script" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Olá pessoal, Fabio Akita</p>
<p>Um tema que me irrita profundamente toda vez que ouço é discussões sobre médias salariais, não só na nossa área, mas no geral. Aliás, toda vez que alguém usar a palavra “média” pra falar de qualquer coisa, por exemplo, média de produtividade, média de sucesso, média de recordes! Isso me deixa profundamente irritado e me faz questionar seriamente a saúde do tico e do teco de quem tá falando.</p>
<p>Vou dizer já logo na entrada, &ldquo;não existe o conceito de média salarial&rdquo;. Não importa quem diga, não importa quão bonito é o PDF com gráficos e diagramas coloridos, qualquer número de média salarial é um número sem sentido e inútil. Só porque alguém escreveu qualquer número num papel, não significa que automaticamente significa alguma coisa. E se você se preocupa com média salarial pra guiar sua carreira, eu me preocuparia seriamente com a saúde da sua carreira.</p>
<p>(&hellip;)</p>
<p>Deixa eu começar do começo. Matemática é a língua que usamos pra descrever a natureza, incluindo a natureza de eventos que são tão abstratos que poucos conseguem compreender completamente. Como a natureza além de 3 dimensões de espaço e 1 de tempo, como na teoria de super cordas, ou o que acontece dentro de um buraco negro, ou todos os comportamentos quânticos que acontecem no mundo sub-atômico.</p>
<p>Em dimensões cosmológicas ou sub-atômicas, onde nossos 5 sentidos normais não conseguem perceber nada, a única forma de descrever e comunicar esses eventos é usando a linguagem da matemática. Essa é a beleza desse campo. E falando nos nossos 5 sentidos, existe muito que podemos visualizar e ao mesmo tempo comunicar com números. Quando a gente mede as dimensões de um móvel, quando a gente calcula o tempo que nosso carro vai levar pra chegar do ponto A ao ponto B, pra calcular a quantidade de células no nosso corpo. Tudo pode ser descrito matematicamente.</p>
<p>E você deve ter aprendido lá pela época do colégio sobre esse conceito de agrupamento e distribuições chamado de média. E aqui começam nossos problemas. Você aprendeu, por exemplo, que podia sair perguntando a altura das pessoas na sua sala de aula. Daí era só organizar num gráfico de distribuição e daí era possível achar a média de altura da sala. Soma todas as alturas, divide pelo número de pessoas, tem a média.</p>
<p>Não só isso, no canto da direita, você ia achar as exceções da média, aquelas pessoas mais altas que jogam basquete, bem mais altas que a média. E no canto esquerdo desse gráfico estão as pessoas mais baixinhas, tadinhas, fora da média também. E talvez tenha aprendido que a distância deles da média é definido como desvio padrão. Tecnicamente temos variância que é a medida de dispersão, quanto mais próximo de zero, mais uniforme são os dados. E desvio padrão é a raíz quadrada da variância. Isso não importa muito pra hoje, mas só pra relembrar.</p>
<p>Quanto mais dados dispersos fora da média da média, maior a variância e o desvio padrão. Se você foi pra faculdade e teve alguma matéria sobre processos e qualidade, talvez tenha aprendido o conceito de Six Sigma, 6 desvios fora da média, o que a gente chama de 3 defeitos por milhão, que é o que uma indústria de manufatura gostaria de alcançar em termos de qualidade de produção, quando estamos falando de medição de defeitos em fabricação.</p>
<p>Recapitulando, você faz medições de alguma coisa ou evento, organiza num gráfico cuja curva fica com o formato de um sino, e por isso a gente também chama de formato de sino ou &ldquo;bell shape&rdquo;, ou mais comumente chamado de distribuição Gaussiana ou “normal”. E talvez venha daqui a interpretação errada dessa distribuição.</p>
<p>A maioria das pessoas fora da matemática costuma saber que existe a distribuição gaussiana. Mas não existe só ela, existem diversas outras na estatística e probabilidade, como distribuição binomial, Poisson, Bernoulli, e existem dezenas de outras. Porém o mais comum é ver nos jornais, televisão e agora YouTube da vida só falando sobre distribuição gaussiana, que é a mais simples de visualizar e mais simples ainda de entender errado sem querer.</p>
<p>As características que as pessoas tiram dessa distribuição é que o normal é estar na média, no meio do gráfico, que é onde a maioria das medições tende a se acumular. Você aprende que estar fora da média é estar num desvio do padrão. Ou seja, é anormal, é fora do padrão. Exatamente como é muito fora do padrão ter 2 metros e meio de altura ou menos de 1 metro de altura. Ou é anormal jogar um dado e sair o número 5 várias vezes seguido. O normal seria tudo estar próximo da média.</p>
<p>Se você considera esse conceito como verdade, e se existe o conceito de média salarial, você acha que o normal seria todo mundo estar próximo da média, e que quem ganha muito abaixo da média obviamente está sendo injustiçado e quem está com muitos desvio padrão acima da média é um explorador que ganha demais. E essa é a conclusão errada que todo mundo chega e começa aqui a razão de porque eu odeio a menção ao conceito de média em riqueza.</p>
<p>Essa noção está totalmente errada. Vocês entendem errado o conceito de “desigualdade”. Entenda um fato importante: a única igualdade que existe se chama todo mundo pobre igual, como foi por milhares de anos antes da Idade Média ainda. A partir do momento que você tem 1 centavo a mais que seu vizinho, você é tecnicamente mais rico e portanto desigual. Mas pra discussão não se alongar demais discutindo o conceito errado que a maioria das pessoas tem sobre riqueza, deixa eu buscar outras métricas menos controversas. Vamos pegar por exemplo, a quantidade de seguidores que as pessoas tem em redes sociais, como aqui mesmo no YouTube.</p>
<p>Se for seguir pelo mesmo raciocínio, eu suspeito que a maioria das pessoas imediatamente pensaria que a distribuição seguidores de influencers seria semelhante à distribuição normal, afinal ela serve pra tudo. Então todo mundo que tem um canal no YouTube estaria acumulado no meio do gráfico, tendo uma média de seguidores, na casa das dezenas de milhares. No canto direito estariam os mega-influencers, os Whindersons, os Pew Die Pie, os Ninja, com dezenas de milhões de seguidores. No canto esquerdo estariam os novos canais ou canais não tão acessados, com poucas centenas de seguidores. E pronto, esse é o mundo digital.</p>
<p>Eu não posso provar, mas por lógica eu suspeitaria que é por isso que muita gente deve achar que não é tão difícil virar um influencer profissional, seja lá o que isso significa. Não precisa ser o Whinderson ou Ninja com dezenas de milhões, basta atingir a média, centenas de milhares de seguidores. Como o meu canal aqui. Não é difícil, porque esse é o normal, essa é a média. Se eu não conseguir, a culpa não é minha, a culpa é do sistema, é da sociedade, é injustiça social, porque eu deveria ter o direito de pertencer à normalidade, à média.</p>
<p>E você poderia pensar assim pra tudo. Afinal, não é isso que &ldquo;normal&rdquo; significa? Todo mundo acumulado na média e os valores no extremo sendo extremamente raros e provavelmente injustos. Ninguém deveria ser nem poder ser um Whinderson e nem ignorado por todo mundo com nenhuma view. Se isso acontece, é um defeito no sistema, é fora da normalidade, é algum tipo de preconceito, por isso obviamente o sistema está errado.</p>
<p>Essa visualização de mundo é utopia, ficção científica e não a realidade e nem os gráficos e distribuições suportam isso, porque se você acreditava em média e distribuição normal e usava pra tudo, você é que entendeu errado. De fato, a distribuição se chama &ldquo;normal&rdquo; porque ela descreve muitos eventos que observamos na natureza, mas não todos.</p>
<p>Se for guardar somente um ponto deste video inteiro, guarde o seguinte. Distribuições normais tem um requerimento extremamente importante: que a probabilidade de um evento não influencie a probabilidade de outros eventos, ou seja, que os eventos sejam estatisticamente independentes entre si. A formalização do conceito de independência na teoria de probabilidades é longa, mas deixa eu dar dois pequenos exemplos pra começar a desenhar essa diferença na cabeça de vocês.</p>
<p>Quando jogamos um dado de seis lados na mesa, cada lado sempre tem 1/6 de probabilidade de aparecer, mais ou menos 16% e pouco. Você pode jogar o mesmo dado 6 vezes, e algumas faces vão repetir, algumas faces nem vão aparecer, mas a probabilidade de cada face sempre é de 1 em 6, independente de quantas vezes você joga o dado. Isso é um evento independente. Se sair o número 2, em nada altera a probabilidade de aparecer 2 de novo ou 5, ou 6. Continua sempre sendo 1 chance em 6.</p>
<p>Por outro lado imagine um baralho. Se toda vez você tirar uma carta e depois recolocar a carta em algum lugar aleatório que você não veja na mesma pilha, a chance de qualquer carta é de 1 em 52. Ou a chance de sair uma carta de coração ou uma de espadas é 1 em 4, porque só tem 4 naipes. Se tiver recolocação da carta e novo embaralhamento, o evento de tirar uma carta é independente, porque a probabilidade continua sendo a mesma.</p>
<p>Porém, se você tirar uma carta e não recolocar, agora as probabilidades mudaram. Se você tirou uma carta 2 de espada, sem recolocar no baralho, a chance de tirar um 4 de espadas é de 1 em 51 cartas, porque o baralho não tem mais 52 cartas, sacou? E a chance de ser espadas é menor, é 1 em 12, porque não tem mais 13 cartas de espadas. Agora a probabilidade pra próxima carta muda à medida que você vai removendo cartas do baralho. Portanto os eventos NÃO são independentes.</p>
<p>Meu ponto é que uma distribuição normal é óbvia em eventos claramente independentes como jogar dados ou moedas. Cada jogada não influencia a próxima jogada. Medição de altura. A medição de altura de uma pessoa não altera a altura de outra pessoa. Ou no caso de processo que falei, na média, em toda fábrica toda peça sai funcionando, com pequenos e raros defeitos. Na média todas as peças tem a mesma qualidade, e se o processo estiver azeitado, defeitos são raros. Esses tipos de eventos podem ser independentes e a distribuição vai ser normal.</p>
<p>Porém riqueza, número de vendas, número de seguidores em redes sociais, tamanho de cidades por população, tamanho de empresas, volume negociado na bolsa de valores, nenhum deles cabe numa distribuição normal. O exemplo mais fácil de explicar é o que dá origem à Lei de Zipf, sobre a distribuição de ranking e frequência. Em particular o exemplo sobre a distribuição da frequência de palavras em textos. Sem saber nada sobre linguística e estatística, se eu te perguntasse, quais as palavras que mais aparecem em textos em inglês, o que você responderia?</p>
<p>Por chute, você poderia dizer que é o &ldquo;the&rdquo; como em &ldquo;the book&rdquo; ou &ldquo;the table&rdquo;. O &ldquo;the&rdquo; é a palavra mais frequente em textos em inglês, quase 7% ou seja, 7 em 100 palavras num texto é &ldquo;the&rdquo;. Acho que não é difícil você concordar com isso se já leu inglês o suficiente. Em segundo lugar é a preposição &ldquo;of&rdquo;, como em &ldquo;of course&rdquo; ou &ldquo;best of luck&rdquo; que aparece 3.5% de vezes, ou seja, 7 vezes em 50 palavras. Note que só nesse exemplo, a frequencia entre &ldquo;the&rdquo; que é o 1o lugar do ranking e &ldquo;of&rdquo; que é o 2o lugar do ranking é da metade. “Of” aparece metade das vezes que “the”. É uma grande distância ao pular só um lugar no ranking. Isso é importante de lembrar.</p>
<p>Essa é característica desse tipo de distribuição. A frequência de qualquer palavra é inversamente proporcional ao seu ranking na lista de palavras, e mais do que isso, a diferença entre cada posição no ranking não decresce de forma linear. A distribuição de Zipf tem o nome do linguista George Kingsley Zipf e é semelhante mas não idêntica à lei de Benford. Mas mais importante, faz parte de uma família de distribuições que chamamos de Power Law.</p>
<p>Eu descobri sobre Power Law pela primeira vez lendo o livro de Albert Lazló Barabási chamado Linked, publicado em 2002. E aqui eu vou ser obrigado a fazer uma longa tangente, mas tenham paciência que vou explicar porque essa história tem a ver com média salarial e porque esses conceitos são importantes pra entender mercados e sua própria carreira em geral.</p>
<p>A ciência por trás de coisas como a distribuição Power Law é a própria ciência por trás do entendimento da matemática de grafos e como ela evoluiu empiricamente por causa do surgimento da internet e, em particular, das redes sociais digitais. Se nunca leu o livro do Barabási eu recomendo muito, fico com muita vontade de resumir mas ia ficar tão longo que a tangente ia ser longa demais.</p>
<p>Foi com ele que aprendi melhor sobre o estudo de redes de Paul Erdös (um dos maiores matemáticos do século XX) e Alfréd Rényi que desenvolveram o modelo Erdös-Rényi que é o modelo mais conhecido se você estudou grafos na faculdade, grafos cujas conexão são distribuidas de forma aleatória entre os nós da rede. Porém, isso não serve pra explicar redes de internet e muito menos redes sociais. Aliás, toda vez que eu falar rede social assuma que são redes sociais virtuais como Twitter ou Facebook.</p>
<p>Durante a primeira bolha da internet, já no fim do século XX, surgiu o trabalho de outra dupla de matemáticos ainda vivos que contribuíram muito pro entendimento matemático da internet. O primeiro é o grande professor Steven Strogatz, que publicou livros como Non-Linear Dynamics and Chaos e já fez Ted Talks sobre sincronia e como sincronização acontece na natureza e até mesmo com objetos não-orgânicos. Vou deixar os links pra essas talks e livros na descrição abaixo. Ele tem muito material sobre teoria do caos e sistemas complexos não-lineares, que é um assunto difícil e que se você se interessa pelo tema, fuja de todo coaching que tenta falar disso e leia direto o Strogatz.</p>
<p>Um de seus alunos foi trabalhar justamente em empresas de internet como o antigo Yahoo! e depois Microsoft, onde teve acesso a volumes gigantescos de dados que foram cruciais pra moldar um melhor entendimento de redes, estendendo o que Erdös e Rényi publicaram décadas atrás. Esse foi Duncan Watts, que junto com seu professor e mentor, chegaram ao modelo de Small Worlds, chamado de Watts-Strogatz. Esse foi uma das pesquisas mais importantes do começo do século XXI, quando pesquisadores como eles tiveram acesso a Big Data. Isso foi Data Sciences de verdade.</p>
<p>No livro Linked, Barabási conta a fascinante história por trás desses dois modelos, por isso eu disse que é legal ler o livro inteiro. Um conceito super famoso do século XX que é a ponte entre os modelos de Erdös-Rényi e Watts-Strogatz é a idéia dos seis graus de separação. Tenho certeza que todo mundo pelo menos já ouviu falar disso, a idéia de que você está conectado a qualquer outra pessoa do mundo por no máximo umas 6 outras pessoas no meio. Aliás, a primeira rede social do mundo, antes de My Space ou Orkut foi justamente um site chamado Six Degrees. Por exemplo, digamos que eu conheço um programador, que foi trabalhar na Califórnia, o chefe dele é amigo de outro CTO, que trabalhou pro Elon Musk na época do PayPal, então eu teria 4 graus de separação com o Elon Musk.</p>
<p>Diversos experimentos foram conduzidos pra experimentar essa teoria, numa era antes da Internet, usando cartas e correios, como o que foi feito por ninguém menos que outro pesquisador que eu gosto muito, Stanley Milgram, no fim dos anos 60. Milgram, que se você já assistiu uma palestra minha por volta de 2009, deve ter visto quando eu mostrava experimentos dele sobre obediência, que vou deixar nas descrições abaixo.</p>
<p>Mas de qualquer forma, a idéia se popularizou no século XX por causa dos Seis Graus de Separação de Kevin Bacon, que foi uma brincadeira feita num programa de TV acho que por estudantes do MIT ou algo assim que falaram que o ator Kevin Bacon tinha até 6 graus de separação com qualquer outro ator de Hollywood. Eles pegaram o equivalente na época ao que temos hoje no IMDB que catalogava todos os atores que trabalharam em todos os filmes e com os inovadores programas de computador da época montaram um banco de dados que conseguisse puxar quem trabalhou com quem em quais filmes e descobrir os graus de separação.</p>
<p>Esse tipo de programa, qualquer iniciante deveria conseguir fazer um script pra puxar os dados do IMDB e rapidamente chegar nos graus de separação. Mas lembrando que estamos falando do começo da era dos microcomputadores, onde um programa assim era super novidade pra todo mundo que não fosse de tecnologia. O site tá no ar até hoje e se chama Oracle of Bacon.org. Você pode ir lá agora e digitar, por exemplo, Marlon Brando. E ia ver que ele trabalhou em &ldquo;The Freshman&rdquo; com o ator Maximillian Schell, que por sua vez trabalhou no filme &ldquo;Telling Lies in America&rdquo; com Kevin Bacon, portanto ele tem 2 graus de separação com Marlon Brando.</p>
<p>Na prática não tinha nada necessariamente especial com Kevin Bacon, qualquer bom ator de Hollywood tem graus de separação semelhantes com qualquer outro ator de Hollywood. De qualquer forma, uma constatação que achei engraçada foi quando o Barabási conta que se eu perguntasse quem seriam os atores mais bem conectados de Hollywood, uma dos chutes talvez seria dizer &ldquo;os que trabalharam em mais filmes&rdquo;.</p>
<p>Isso é verdade até certo ponto, mas não é uma regra, na verdade se você fizer um ranking dos atores com o maior número de filmes que participaram, eles são os que tem menos contatos com os artistas mais famosos. O que eles tem em comum? São todos atores de filmes pornô. A maioria dos artistas famosos nunca trabalhou num pornô, então mesmo se o cara tivesse trabalhado em 500 filmes pornô, isso não deixou ele mais próximo do Kevin Bacon ou Marlon Brando. Quantidade não é qualidade. Que é o que eu penso quando alguém me pergunta se senioridade é só quantidade de anos trabalhando ou quantidade de projetos do mesmo tipo. Parece brincadeira, mas muita gente fica só trabalhando no equivalente pornô da nossa indústria e não entende porque não evolui na carreira.</p>
<p>Voltando aos conceitos, o modelo de redes de Erdös e Rényi descrevem redes ideais, aleatórias e balanceadas em termos de conexões. Pensem em nós como servidores de internet ou pessoas numa rede social. Nesse modelo você consegue estudar as conexões mas não tem muita idéia de como essas conexões aparecem, funcionam ou evoluem. Você pode estudar o menor caminho entre dois nós e coisas assim, mas não muito mais que isso.</p>
<p>O modelo de Watts-Strogatz inovou ao trazer o conceito de &ldquo;Small Worlds&rdquo; ou mundos pequenos. Foi a constatação de Watts que conexões não são aleatórias e elas tendem a formar clusters, aglomerados. Pense numa grande rede como as pessoas espalhadas num estado. E pense em mundos pequenos quando elas tendem a se aglomerar em cidades. Dentro de cidades tem bairros. E como talvez você tenha mais conexões dentro do seu próprio bairro do que com bairros mais longes.</p>
<p>Ou no caso de Internet como você tem mais afinidades e conexões com determinados grupos online, como seu grupo de LOL no Discord, ou grupo de trabalho no Slack. Esses são os clusters ou small worlds. Mas nesse modelo ainda não entendemos todos os comportamentos de porque certos clusters são maiores que outros, porque grupos que aparecem do nada de repente começam a dominar, ou porque algumas pessoas são mais influentes que outras.</p>
<p>Finalmente chegamos em Barabási e Réka Albert e o novo modelo Barabási-Albert, que pega o que os outros descreveram até agora e finalmente conseguem explicar o surgimento e evolução de redes sociais de uma maneira mais formal. Foram eles que observaram que redes sociais e a internet são redes livres de escala, o que significa que tem distribuição power-law nas conexões de seus nós, enquanto modelos como Erdös-Rényi e Watts-Strogatz não exibem power laws.</p>
<p>Finalmente voltamos às tais distribuições e esse tal de Power Law. O que diabos é isso? O que Barabási descobriu é que redes como aparecem na natureza, seja redes sociais virtuais ou reais, redes como de neurônios no nosso cérebro, ecossistemas de animais, e outros tipos de redes complexas e não-lineares, provavelmente podem ser descritas como redes livres de escala.</p>
<p>Como o nome diz, uma rede livre de escala significa que ela exibe qualidades como fractais, ele até menciona pesquisas como de Mandelbrot, que alguns talvez conheçam dos trabalhos matemáticos de fractais propriamente ditos ou seus trabalhos sobre mercados financeiros e economia. Uma rede livre de escala ou fractal significa que não importa se você olha de perto ou de longe, em qualquer escala, ela exibe as mesmas propriedades. Portanto, o mesmo comportamento acontece com mil nós ou com um milhão de nós, independente da escala. Se ficou confuso, vou voltar nisso mais pra frente.</p>
<p>Agora, uma distribuição power law é importante porque ela é muito diferente de uma distribuição normal. Primeiro de tudo, na distribuição normal você sempre tem um pico, o valor médio, a média. Em power law não existe pico. No gráfico, a power law é uma curva em declínio, caindo rapidamente no começo e estendendo numa cauda longa ou Long Tail, que talvez você já tenha ouvido falar em outros livros. Não é necessariamente uma logarítmica, mas é parecido.</p>
<p>Entenda. O que eu disse antes é que distribuição normal funciona quando estamos falando de eventos independentes. Jogar um dado, uma moeda, medir altura, coisas desse tipo. Qualidades como riqueza, influência, salários, vendas, aglomeração de pessoas ou animais, sistemas biológicos complexos, infectologia nessa época de Covid. Tudo isso é interconectado numa rede. Nenhum dos eventos é estatisticamente independente. Elas influenciam as probabilidades dos outros. São sistemas complexos não-lineares.</p>
<p>E o que são sistemas complexos não-lineares? Preste atenção nas palavras do nome. Um sistema complexo tem comportamento não linear, ou seja, o sistema pode responder de formas diferentes dado as mesmas causas. Lembra do filme do Ashton Kutcher, o Efeito Borboleta? Tente voltar ao passado e mexa numa pequena coisa e o futuro fica completamente diferente? Pois é, não importa quantas vezes você tente, o resultado nunca é o esperado, porque é um sistema complexo. O filme é bem mau feito, claro, mas é uma forma de visualizar o que significa um sistema complexo ou caótico. E é uma das razões que eu falo que não adianta ler biografia ou tentar imitar gente famosa: mesmo se você tentar fazer tudo que eles fizeram, os resultados vão ser extremamente diferentes, porque pequenas variações são suficientes te colocar em caminhos completamente diferentes.</p>
<p>E o não-linear significa que o resultado não é proporcional, linear, com as causas. Que é aquele exemplo que todo mundo já ouvi falar de uma borboleta bate as asas no Brasil e acontece um Tsunami no Japão. Resultado desproporcional pra uma causa tão simples como uma borboleta batendo as asas, e é complexo porque não temos como correlacionar uma causalidade entre os dois eventos. Portanto, um sistema complexo não-linear. Mas o mais importante é que esse tipo de sistema costuma ser descrito com distribuições power law, como a de Zipf que falei antes, no caso de palavras do dicionário.</p>
<p>Mais importante, o mundo real complexo, como a economia, é muito descrita com distribuições Power Law, como a de Zipf que expliquei antes e outra distribuição da mesma família que você já deve ter ouvido falar. A distribuição de Paretto, que deriva do economista e engenheiro italiano Vilfredo Paretto, aquele que constatou que a distribuição de riqueza seguia a tal regra de 80/20. Lembram? 80% da riqueza está acumulado com 20% das pessoas? E o que isso significa. Volte pro gráfico de uma power law. Esse pedaço na esquerda são os 20% de pessoas, e essa área do gráfico representa 80%. O outro lado do gráfico são os 80% restante de pessoas, e a área embaixo dessa curva representa os 20% da restante da riqueza. Se você nunca visualizou 80/20, isto é 80/20.</p>
<p>Goste disso ou não, a realidade é que você vive num sistema complexo não-linear. O mercado de trabalho é um sistema complexo não-linear. É muito raro existirem variáveis independentes, tudo é interconectado, e os resultados são muito difíceis de prever por causa da não-linearidade. Por isso todo mundo tem tantas dúvidas e não existe uma receita linear simples de &ldquo;faça esta lista de coisas, nesta ordem, nestas proporções, ao longo de X anos e garantidamente você vai ter sucesso&rdquo;. Não existe isso tanto quanto não existe uma receita pra prever meteorologia com previsão exata pra daqui 1 ano.</p>
<p>Mas como eu disse antes, talvez na sua cabeça o mundo deveria ser Normal, o objetivo deveria ser a média. Fazer o que todo mundo faz deveria ser a forma segura. Extremos deveriam ser raros. Mas não. O mundo real é complexo e descrito com Power Laws, uma distribuição livre de escala, que não apresenta média. Por isso eu falei que é errado dizer &ldquo;média salarial&rdquo;, não por causa de opinião x ou opinião y, mas porque eu acho que está tecnicamente e factualmente errado mesmo. Seria como eu dizer “fogo gelado”, um termo que não faz sentido.</p>
<p>Com toda essa teoria no lugar, a partir de agora é um pouco minha interpretação pra substituir seu entendimento em cima de distribuição normal pra power law. Primeiro de tudo, o que significa não existir média? No caso de salário significa que você é um ponto discreto neste gráfico. O gráfico não dá qualquer dica de qualificação se isso é muito ou se é pouco, ele apenas &ldquo;é&rdquo;. É o que eu quero dizer quando digo que você recebe exatamente o que deveria. Não estou julgando se você &ldquo;podia ganhar mais&rdquo; ou se &ldquo;ganha mais do que devia&rdquo;, estou dizendo que não tem nada de anormal do ponto de vista da distribuição.</p>
<p>É tudo uma rede interconectada. O que você ganha reflete não só suas capacidades técnicas, inclui também diversas outras variáveis, muitas delas não-lineares, como sua capacidade de comunicação e de negociação. Tirando todas as outras variáveis, se sua capacidade técnica talvez vale 10 mil reais, mas você ganha 5 mil, talvez sua capacidade de negociação te dê prejuízo de 5 mil reais, é uma forma de enxergar isso. Não estou dizendo se é ou não moralmente ou socialmente certo, estou dizendo que está correto do ponto de vista frio e calculista do gráfico mesmo. Nunca tente embutir seus preconceitos e crenças pessoais em cima de números. Números não se importam com isso.</p>
<p>Vamos voltar de novo pra quantidade de seguidores de influencers. Não é distribuição normal, é power law, vamos ver? Eu peguei o primeiro artigo que achei sobre os 50 maiores influencers do Twitter. Em 1o lugar temos o Barack Obama com 130 milhões de seguidores. O 2o lugar é o Justin Bieber que já cai pra 114 milhões, 15 milhões a menos que o Obama. 3o lugar é a Katy Parry, com 108 milhões. 4o lugar é Rihanna com 103 milhões. 5o lugar é Cristiano Ronaldo com 96 milhões.</p>
<p>Nem precisa ir muito longe mas já em 12o lugar é o Elon Musk com 66 milhões. Menos da metade do Obama. Perto do fim dessa lista tá o Harry Styles em 48o lugar com 37 milhões, que é mais ou menos metade do Musk. Conseguem ver como a quantidade de seguidores vai caindo drasticamente? E isso é só a lista de 50 top influencers. Vamos colocar eles no gráfico? Olha só, copy e paste pro Excel, marca os números de seguidores, escolhe o gráfico de colunas e &hellip; surpresa, surpresa, uma curva que se parece com uma power law, não com uma normal.</p>
<p>Se a lista tivesse todos os mais de 77 milhões de usuários do Twitter, essa curva ia simplesmente decrescendo rapidamente e a grande maioria das pessoas estaria na Cauda Longa, no Long Tail essa curva. Mas eis a coisa interessante sobre livre escala. Se eu pegasse um trecho lá no fim dessa cauda longa, a curva ainda ia ter o mesmo formato dos 50 primeiros. Ou seja, a pessoa no lugar, faz de conta, 20 milhões nessa lista, ia ter talvez o dobro de seguidores de quem está no lugar 21 milhões. Só que em vez de 130 milhões de seguidores como o Obama, talvez tenha só 1000. Só que 1000 continua sendo o dobro de 500, que ainda é o dobro de quem só tem 250, que ainda é o dobro de quem só tem 120. E assim por diante.</p>
<p>Numa curva assim não existem classes. Todo mundo é 1 ou 2 seguidores mais rico que o próximo da lista. Não tem classes de influencers ricos, médios e pobres. Em qualquer escala, o trecho lá pra baixo dos 50 milhões, vai ter o cara com mil influencers que pode ser considerado muito melhor que o cara de 100 seguidores que é invejado pelo cara com 2 seguidores.</p>
<p>Só pra solidificar o conceito, vamos ver outro tipo de ranking, o ranking das empresas mais valiosas em termos de market cap no índice da S&amp;P 500 dos Estados Unidos. Peguei esse gráfico num site aleatório chamado Companiesmarketcap. No topo da lista tá a Apple, com valor de mercado em dezembro de 2021 de quase 3 trilhões de dólares. Em segundo lugar está a Microsoft, com nada menos que 2.5 trilhões de valuation. Em terceiro temos a Alphabet, a holding que tem produtos como o Google por baixo, que vale quase 2 trilhões. E assim por diante.</p>
<p>No meio dessa lista em trigésimo quinto lugar está a Oracle com valor de “só” 260 bilhões de dólares. Se não conseguiu enxergar ainda, vamos abrir o Excel, selecionar os valores de mercado e gerar o gráfico. Tá vendo? Mais uma distribuição power law. Não existe valor médio de uma empresa, tanto como não existe valor médio de um produto ou valor médio de salários. Praticamente tudo que você costuma ver na forma de rankings tem esse formato.</p>
<p>A parte interessante é que uma rede livre de escala que obedece uma distribuição power law tem outras características interessantes, uma das melhores é o que Barabási chamou de “preferential attachment”. Inclusive seu modelo foi revisado depois pra descrever melhor isso e o modelo mais atual se chama Bianconi-Barabási, que surgiu depois do lançamento do livro Linked.</p>
<p>Numa rede dessas você poderia pensar corretamente, poxa, os caras mais influentes provavelmente são aqueles que começaram a trabalhar na rede lá atrás, quando ela surgiu. É o que se chama de vantagem do primeiro ou “first-mover advantage”. E de fato tem isso. Daí quando o primeiro conseguiu a vantagem, começa o comportanto de &ldquo;rico fica mais rico&rdquo; ou &ldquo;rich gets richer&rdquo; que é o que todo mundo tem inveja, porque agora que o cara é grande, ele tende a atrair mais gente e ficar cada vez maior.</p>
<p>Mas se você viveu tempo suficiente na internet, reconhece que existe essa vantagem, existe esse comportamento de rico fica mais rico, mas também já presenciou vários influencers que tinham tudo e desapareceram e vários outros tomaram seu lugar. Veja na história da internet: um Yahoo sendo substituído pelo Google, uma Blackberry sendo substituída pela Apple, um TikTok batendo no Instagram. Sim, de fato existe vantagem em ser o primeiro, sim o rico fica mais rico, mas não, esse ranking nunca é estático, está em constante movimento.</p>
<p>Você que tem 1 seguidor, trabalha e vai ter 10, depois vai ter 100. Aquele que tinha 1000, falou merda, foi cancelado, agora perdeu 900 seguidores. E assim segue o jogo. E voltando pro tema de salários, isso tudo foi pra explicar que salários não tem média e não são estáticos. Nem dentro de uma mesma empresa existe média. A curva que descreve os salários é uma power law. Mais do que isso, você começa no fim da cauda longa, mas a curva não é linear.</p>
<p>Ou seja, se hoje você ganha 2000 reais. Passou um ano e ganhou um aumento pra 2200 reais. Na sua cabeça você pensa, puxa, pra eu chegar em 10 mil reais nesse ritmo, de 200 em 200, vai levar 40 anos então. Tô fodido. Esse mercado é uma merda. E se o mundo funcionasse como uma distribuição normal, um sistema linear simples, sim, seria isso mesmo. Mas o mundo Não é assim, em vez de simples, ele é complexo, em vez de linear, ele é não linear.</p>
<p>Ou seja, incrementos não vão ser necessariamente de 200 em 200. Ano que vem já pode ser de 400. No ano seguinte, se fizer um bom trabalho, já vai ser de 1000. Em 2 anos talvez você já chegou ou ultrapassou 3000 reais. Daí no ano seguinte você foi pra 4000. De 4000 talvez já saltou pra 6000. E mais um ano já chegou em 10000. Em vez de 40 anos, foram 5 anos só. Esse é o poder de uma curva não linear. Seu salário também tem chances de crescer segundo uma power law. Mas não é uma garantia, só uma possibilidade.</p>
<p>O problema pros iniciantes é que no começo da cauda longa, ela parece lenta, quase horizontal, mas se você fizer o trabalho direito, evoluir suas capacidades técnicas, suas capacidades não-técnicas como comunicação, evoluir sua rede social com pessoas que começaram com você e saíram pro mercado e também começam a se dar bem, ou seja, você cresce seu networking de verdade, daí sua chances começam a aumentar exponencialmente. E se fizer um trabalho tão bom que consegue se conectar com alguém que representa um hub pro cluster da rede que participa, aumenta absurdamente suas chances de dar mais certo do que tinha planejado antes.</p>
<p>Essa teoria toda suporta a idéia de que se você é o cara que só faz o que mandam, prefere ficar quieto e esquecido num canto, torcendo pra que não notem que você tá lá, inventa desculpas toda hora e ganha reputação de que não é confiável, você está transformando um sistema complexo e não linear, num sistema simples e previsível, com poucas variáveis que vai ter acesso. E linear, onde cada esforço que você faz é diretamente proporcional a um pequeno retorno. E aí sim, naquela conta que fiz antes, vai ter sorte se pular de 2000 pra 10000 em 40 anos.</p>
<p>Só que a culpa não é do sistema, não é um mercado que não te valoriza e te paga abaixo da média. É você que matou todas as suas chances de escalar a curva não-linear. O único culpado da sua estagnação é você mesmo, e isso começa quando você acredita que existe uma média onde você se encaixa e pode ficar lá escondido pra sempre. Não existe. A menos que goste de ficar na estagnação, uma hora vai precisar dar a cara a tapa.</p>
<p>Se nada disso te convenceu ainda e você ainda acha que pode fazer como fazia no colégio e na faculdade, onde bastava dar um jeito na última hora pra tirar 5 e passar de ano, e não faz nenhuma diferença tirar 5 ou tirar 10, é aqui que você se ferra. Faz muita diferença aprender a correr atrás do 10. É a diferença de 40 anos e 5 anos pra ter o mesmo resultado. Você não faz parte de uma média, você faz parte de uma cauda longa. E na cauda longa, se você não fizer nada de diferente, o limite tende a zero.</p>
<p>Você sabe o que são palavras cognatas? Significa que além de sinônimas, tem raiz comum. Exemplo: &ldquo;belo&rdquo; e &ldquo;beleza&rdquo;, &ldquo;fera&rdquo; e &ldquo;feroz&rdquo;. Pois bem, se pra você ficar perto da média, ser mediano, parece bom, e se eu disser que mediano é cognato, compartilha a mesma raiz com a palavra &ldquo;medíocre&rdquo;. Na prática a gente afastou médio de medíocre, mas não se engane, são a mesma raiz. Eu acho que você ficaria ofendido se eu te chamasse de medíocre, certo? Então pra que você tá tão obcecado pela média de alguma coisa? Fique longe da média, faça esforço pra tirar 10 e não pra ficar no 5.</p>
<p>Salário depende de dezenas de variáveis diferentes. As variáveis que estão sob seu controle como suas próprias capacidades e competências e as variáveis que você não tem como influenciar diretamente, como ciclos financeiros, situações específicas e regionais do mercado onde participa, como esses mercados se interconectam uns aos outros. Quer ver um exemplo na prática? Veja meu episódio onde conto minha história sobre Ruby on Rails no Brasil.</p>
<p>Existiu um dia que eu decidi investir meu tempo e minha carreira nesse troço novo que quase ninguém aqui conhecia chamado Ruby on Rails. Não havia uma única empresa que usava no Brasil. Não havia quase nenhum outro programador. O grupo que existia dava pra quase saber o nome de todo mundo de cabeça, de tão poucos que tinham. Era o ano de 2005. Qual era a média de um programador Rails em 2005? Você acha que esse número ia servir de qualquer coisa pra mim?</p>
<p>Pra alguém ter a estúpida idéia de tentar calcular a média de salário desse mercado, primeiro eu precisava ajudar a influenciar a criar esse mercado, do zero. A vantagem? Eu sabia que era um sistema não-linear. Um bom exemplo se multiplica em dois, dois em quatro, quatro em oito, em breve eram dezenas de empresas e centenas de nós, no breve espaço de uma década. E assim aconteceu com dezenas de outros mercados que não existiam.</p>
<p>Qual era a média salarial de um programador de iPhone em 2009? Zero, porque não existia AppStore ainda. Qual era a média salarial de um devops de cloud de AWS em 2006? Zero, porque AWS tinha acabado de lançar. A informação que a média de um programador Java em 2006 era de sei lá, 4 mil reais, ia ajudar em alguma coisa pra qualquer um de nós? Nada, absolutamente nada. Salário é o que as empresas se convencem de pagar pelo que a gente faz eles acreditar que vale. É como o preço de um produto. As coisas não são demasiadamente caras ou baratas, elas obedecem oferta e procura. Como agora: a demanda por componentes eletrônicos está alta, mas as fábricas não conseguem atender essa demanda? Os preços sobem. É simples assim.</p>
<p>Ah, mas na minha cidadezinha de 2 mil habitantes só tem uma única empresa. Quem sabe se eu mostrar um PDF com média salarial da capital, faz alguma diferença? Não faz. Cai na real. E você não tá preso, ninguém está apontando uma arma pra sua cabeça. Ou você se muda de cidade, ou começa a trabalhar remoto por exemplo. Especialmente em tecnologia, tem dezenas de empresas que estão desesperadas neste exato instante, pra contratar bons programadores. Ah, mas eu não sou um bom programador. Aí é outro problema.</p>
<p>Você tem sorte então, que pelo menos tem uma empresa que ainda quer te manter, sei lá porque. Tá entendendo? Tudo começa e termina com o que você tá disposto ou não a fazer pra mudar sua própria situação. Lembra do meu video de Não Terceirize suas Decisões? Porque você tá tentando justificar sua situação com números que sequer fazem qualquer sentido matemático, como média pra salário? Como isso te ajuda? Assuma a verdade: isso é só mais uma desculpa que você tá dando pra você mesmo. Nada mais, nada menos.</p>
<p>Se você se interessou pelos assuntos que só tive tempo de explicar por cima, procure os autores originais, é o que eu sempre digo. Então os nomes que você precisa ter na sua lista são Paul Erdös, Alfred Rényi, Steven Strogatz, Duncan Watts, Albert Lazló Barabási e Ginestra Bianconi. Você vai passar pelo estudo de grafos, redes livre de escala e talvez vai se aventurar em teoria do caos e sistemas complexos não lineares e isso vai te dar um framework pra enxergar a Matrix por trás de fenômenos da natureza, incluindo como mercados e sociedades realmente funcionam. E em nenhum lugar você vai ver qualquer um insinuando que faz sentido levar algo inútil como &ldquo;média salarial&rdquo; a sério. Se ficaram com dúvidas, mandem nos comentários abaixo, se curtiram o video deixem um joinha, assinem o canal e compartilhem o video com seus amigos. A gente se vê, até mais.</p>
]]></content:encoded><category>carreira</category><category>economia</category><category>ciencia</category><category>akitando</category></item><item><title>[Akitando] #109 - Programa de Trainee CodeMiner 42 | Sua Primeira Oportunidade</title><link>https://akitaonrails.github.io/2021/11/12/akitando-109-programa-de-trainee-codeminer-42-sua-primeira-oportunidade/</link><guid isPermaLink="true">https://akitaonrails.github.io/2021/11/12/akitando-109-programa-de-trainee-codeminer-42-sua-primeira-oportunidade/</guid><pubDate>Fri, 12 Nov 2021 11:32:00 -0300</pubDate><description>&lt;div class="embed-container"&gt;
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<h2>DESCRIÇÃO<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="descrição"></span>
    <a href="#descri%c3%a7%c3%a3o" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Faz tempo que eu falo sobre Aprendendo a Aprender do jeito certo, e depois de muitos anos de pesquisa e experimentação. Boa parte do que eu falo vem não só da minha formação, mas da forma como minha empresa CodeMiner 42 forma desenvolvedores. Faz anos que preferimos contratar recém-formados como estagiários e evoluir eles internamente. Agora queremos expandir esse aspecto da empresa abrindo um Programa Remunerado de Trainees.</p>
<p>Se você é recém-formado, ainda sem experiência profissional, e quer aprender mais, talvez agora seja sua oportunidade! Assista o video inteiro pra saber se o programa faz sentido pra você ou não.</p>
<p>E claro, se você já tem alguma experiência e quer se candidatar a vagas na CodeMiner 42, sempre temos vagas abertas. Veja em <a href="https://codeminer42.com/careers"target="_blank" rel="noopener">https://codeminer42.com/careers</a> e mande currículos para <a href="mailto:become@codeminer42.com">become@codeminer42.com</a></p>
<p>Daqui alguns dias vou atualizar o link pro site do Programa de Trainees, então sigam o Twitter @codeminer42 ou nosso LinkedIn pra não perder essa oportunidade. As inscrições pra seleção vão fechar muito rápido dependendo da procura então precisa ficar esperto mesmo!</p>
<h2>CONTEÚDO<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="conteúdo"></span>
    <a href="#conte%c3%bado" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><ul>
<li>00:00 - Trecho: &ldquo;RANT: Empreendendo com Software do Jeito Errado&rdquo;</li>
<li>02:13 - Intro</li>
<li>02:59 - Vagas Abertas na CodeMiner 42</li>
<li>03:48 - Trecho: &ldquo;O Mercado de TI para Iniciantes em Programação&rdquo;</li>
<li>05:16 - &ldquo;body-shops&rdquo; vs nosso estilo</li>
<li>08:19 - Contratando estagiários</li>
<li>10:03 - Trecho: &ldquo;Guia Definitivo de Aprendendo a Aprender&rdquo;</li>
<li>15:45 - Bronca: sempre ouça até o fim antes de reclamar</li>
<li>16:55 - Programa 1: Imersão 42</li>
<li>18:20 - Programa 2: Trainee 42</li>
<li>22:02 - Nem só seniors, nem só juniors</li>
<li>23:01 - O que este programa oferece de diferente</li>
<li>25:25 - Expectativas</li>
<li>26:30 - Conclusão</li>
</ul>
<h2>SCRIPT<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="script"></span>
    <a href="#script" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>[trecho do video anterior de RANT]</p>
<p>Outro erro super comum. Mesmo caso, o cara me chega com um calhamaço de especificações e pede &ldquo;pra fazer meu sistema perfeito, preciso da equipe perfeita, me vê aí uns 5 ou 6 desenvolvedores sênior, pra viagem&rdquo;. Povo pensa que é pastelaria. Nenhum projeto precisa ter só seniors, além de ser um desperdício, você vai desmotivar pelo menos metade deles, que em pouco tempo vão vazar. Isso porque todo projeto tem tarefas desafiadoras e tem muitas tarefas mundanas. Ficar trocando textos, substituir imagens, corrigir pequenos bugs, atender suporte. Pede pra um senior fazer isso, ele vai mandar você ir lá praquele lugar, especialmente num mercado aquecido e competitivo como de agora.</p>
<p>É que nem você querer construir sua casa dos sonhos, aí na sua infinita sabedoria pensa &ldquo;cara, não vou contratar nenhum pedreiro, vou contratar uma dúzia de mestres de obra. Se os pedreiros fazem minha casa em 6 meses, certamente os mestres de obra sozinhos vão fazer em 3 meses e ainda com muito mais qualidade&rdquo;. Entenderam o ridículo? Todo projeto tem tarefas pra seniors e pra juniors. A tarefa mundana que o senior já fez quinhentas vezes e não quer fazer de novo? É exatamente o tipo de tarefa que um junior precisa pra ganhar experiência.</p>
<p>Coloque seniors orientando juniors e não só sua produtividade vai ser melhor do que num time só de seniors, vão ser todos mais motivados e você ainda aproveita pra garantir que sua equipe naturalmente consiga se auto-repor. O junior de hoje é o senior de amanhã. E quando chegar amanhã ele vai saber da importância de orientar novos juniors, porque foi assim que ele cresceu também. É um ciclo positivo. Toda empresa de tecnologia precisa de juniors, estagiários. Não é sustentável achar que sempre você vai achar seniors com disposição pra ficar fazendo tarefas mundanas de manutenção. É isso que eu pratico na minha empresa faz anos.</p>
<p>&ldquo;Ah, esse mercado tá foda, não consigo contratar.&rdquo; Lógico, você tá procurando só seniors pra ficar mudando botão de lugar na sua tela. Não é o mercado que tá foda, é você que não sabe contratar e não sabe formar pessoas. Formação de novas pessoas é fundamental pra qualquer negócio, seja grandes corporações ou pequenas startups. Pessoas entram e saem, ninguém fica pra sempre, mas se você forma pessoas, seu processo já está adaptado a mudanças.</p>
<p>[fim do trecho]</p>
<p>Olá pessoal, Fabio Akita</p>
<p>Pelo jeito todo mundo gostou do video de RANT: Empreendendo com Software do jeito Errado, em particular a parte onde falo como todo mundo contrata errado. Mas aquela era só parte 1, ainda tem mais coisas que quero complementar. O video de hoje vai ser um pouco diferente. Vocês sabem que raramente falo sobre minha própria empresa, que é a CodeMiner 42, e hoje vai ser um raro momento onde vou explicar uma parte de como a gente funciona. Quero compartilhar alguns conceitos e planos que tem a ver com diversos videos que já fiz sobre aprendizado e crescimento profissional. Vocês podem assistir os detalhes na playlist de carreira, mas o que vamos fazer agora é a culminação de uns bons 5 anos de experimentação, sem contar as pesquisas que venho fazendo por mais de 10 anos.</p>
<p>Em resumo, em 2022 vamos entrar mais forte no mercado de formação de pessoas. Mas vamos começar a testar a iniciativa já agora no fim deste ano de 2021. Antes de começar o assunto, muita gente pergunta se tem vagas abertas na CodeMiner e sempre tem. Veja em codeminer42.com/careers e mande currículo pro email <a href="mailto:become@codeminer42.com">become@codeminer42.com</a> que vamos tentar avaliar. Tem gente que não sabe se está totalmente preparado ou não, pra isso temos nossa avaliação. Minimamente precisa já ser formado, ou terminando se for pra estágio, e precisa ter fluência mínima em inglês, porque metade dos nossos clientes são dos Estados Unidos. Se tiver pelo menos isso, entre em contato. Isso dito, vamos lá.</p>
<p>(&hellip;)</p>
<p>[trecho do video mercados de TI]
Ainda na categoria de terceirizadas, em segundo lugar, temos os body-shops. Qualquer empresa, física ou remota, que aloca você POR PROJETO ou seja, que não te contrata em tempo integral e não te dá o suporte mínimo ou que demite se ficar algum tempo sem projeto. Muitas ainda contratam você por um pacote mínimo de horas e você preenche planilhas ou sistemas de controle de horas e é pago por hora. A função dessas empresas é basicamente achar pessoas no mercado, manter um banco de currículos, e quando os clientes pedem algum perfil eles tentam fazer um match. É um tinder de pobre pra empregos.</p>
<p>Eu fortemente desaconselho iniciantes nesse tipo de empresa, porque você ainda não está preparado. Iniciantes precisam de outras pessoas mais experientes ao redor pra crescer. Esse tipo de empresa funciona pra quem já tem alguma experiência e sabe se vender sozinho, freelancers. Talvez, se for pra alocação remota pode fazer sentido pra quem quer morar numa região distante sem mercado local e quer home office, por exemplo. Ou pra quem quer cobrar mais caro alocado num cliente sem ter vínculo empregatício com ela. Novamente, funciona bem pra quem já tem experiência e pode ser uma boa alternativa mas repito: não deveria ser seu primeiro emprego. Quem vira freelancer rápido demais perde muita oportunidade de crescer antes do tempo. Você perde mais tempo preocupado se vai ter um próximo projeto. Como não tem experiência vai acabar trabalhando demais por pouco resultado e não vai ter ninguém pra realmente orientar o trabalho pra ser mais eficiente. No começo pode parecer que vai ganhar mais, mas você não cresce e fica estagnado muito rápido. É uma armadilha.</p>
<p>[fim do trecho]</p>
<p>Eu expliquei nesse video sobre mercados de 2019 que dentre os diversos tipos de empresas de terceirização o que mais tem é o jeito preguiçoso e de mais baixa qualidade: os body-shops, que basicamente é um recrutador num telefone, ou hoje em dia no whatsapp, ligando pra pessoas aleatórias o dia todo tentando contratar qualquer um pra qualquer projeto. Caiu na rede, é peixe. A intenção dessas empresas é só ir suprindo a demanda de qualquer jeito. E sim, é o resultado desse final de bolha. Se você não sabe o que é uma bolha, veja meus videos sobre mercado financeiro. Todo programador deve ter notado que aumentou dramaticamente o volume de recrutadores mandando fazendo promessas vazias em e-mails toscos de propostas, eu diria que 90% é puro lixo.</p>
<p>Daí tem empresas como a minha e sim, vou puxar sardinha pro meu lado. A gente costuma selecionar não só os candidatos a funcionários como também os clientes e projetos. Não somos uma agênciazinha, normalmente ninguém trabalha hora extra, feriados, fica se dividindo em 3 ou 4 projetos de uma só vez. Não atrasamos pagamentos inventando justificativas, não fazemos coisas toscas como “banco de horas”. Crescemos sustentáveis com mais de 100 funcionários, uns 20 a 25 projetos ativos de cada vez. Nossos clientes estão concentrados metade em São Paulo e metade nos Estados Unidos, por isso a empresa também é incorporada lá fora, basicamente uma empresa americana.</p>
<p>Em 10 anos, praticamente não fazemos nenhum tipo de advertising e propaganda e mesmo assim sempre tivemos mais procura por clientes do que conseguimos atender, operando acima de 95% da capacidade todo ano, com zero dívidas e lucrativos sem nenhum investidor externo. Mais do que isso, é função de todos os colaboradores da empresa realmente colaborarem na evolução de seus colegas. Seniors mentoram juniors, juniors mentoram estagiários e todo mundo se ajuda. Temos canais abertos de comunicação e uma série de atividades internas. Mas mais importante, somos ativos dentro dos projetos.</p>
<p>Frequentemente conversamos com nossos clientes pra ajudar a evoluir os desenvolvedores, seja dando mais desafios ou desafios diferentes, pra ninguém ficar estagnado, seja até mesmo trocando de projeto proativamente quando dá. Se decidirmos que é melhor trocar, em vez de esperar acabar a alocação, forçamos a troca. Obviamente não é possível sempre estar 100% satisfeito 100% do tempo em todo projeto. Tem momentos desafiadores, tem momentos tediosos, e por experiência sabemos mais ou menos quando precisamos intervir. Faz parte do processo de formação que praticamos.</p>
<p>Somos uma das poucas empresas da nossa categoria que não fica mandando aquelas mensagens spam bestas de recrutador em LinkedIn ou grupos de Facebook. Eu não lembro se alguma vez a gente fez mais no LinkedIn do que postar conteúdo ou notícias. Nenhum programador nunca recebeu um único e-mail de recrutamento automático vindo da gente, e se receber pode apagar, é fraude. Sério, a maioria esmagadora de e-mails de recrutamento que você recebe hoje é spam automático, especialmente aqueles que começam com “vimos seu LinkedIn e adoramos seu perfil”, mentira, o robô sequer abriu seu perfil.</p>
<p>Faz anos que preferimos contratar recém-formados de diversas cidades pelo Brasil, de Norte a Sul. Muita gente começou como estagiário e hoje é reconhecido como sênior pelo mercado. Um dos nossos sócios começou quase como junior anos atrás e subiu até comprar participação na empresa. Internamente temos alguns programas como de Associados, que seria como um “estágio pra virar sócio”. Outro deles começou como estagiário logo que se formou, primeiro emprego, e alguns anos depois subiu pra sênior. E agora como associado, ajuda os demais funcionários e evoluir também.</p>
<p>Já por volta de 2016 sempre ficamos pensando numa forma de fazer alguma coisa como uma “CodeMiner Academy”, estruturar alguma coisa mais parecida com “cursos”, mas como vocês que assistem meus videos sabem, eu não gosto de praticamente nenhum modelo de cursos tradicionais. Os conteúdos em si não acho ruins, também não varia grande coisa de curso pra curso, mas a proposta das metodologias é que eu acho muito ruins. Enquanto o modelo for alunos pagantes, qualquer empresa de ensino sempre vai privilegiar não desmotivar essa fonte de renda e manter ele por perto, pra consumir mais cursos. Eu realmente acho que falta mais e ao longo desses últimos 5 anos viemos aperfeiçoando formas de acelerar a evolução das pessoas e achamos que temos um bom modelo interno.</p>
<p>E não é nenhuma forma super complicada e secreta e nem nada disso. Na realidade, uma boa parte eu descrevi em detalhes no video do Guia Definitivo de Aprendendo a Aprender que publiquei 1 ano atrás. Se ainda não assistiu deixa eu puxar um trecho daquele video aqui pra refrescar a memória. E já aviso pros desavisados que alguns vão ouvir os primeiros segundos deste trecho e vão querer ir nos comentários falar bobagem porque não ouviram até o fim, então não passem vergonha e ouçam até o fim antes.</p>
<p>[trecho do video de aprendendo a aprender]
Na CodeMiner, já faz alguns anos, contratamos estagiários. Normalmente são alunos de universidades federais ou estaduais, por volta do 2o ou 3o ano. Pra conseguir isso abrimos escritórios físicos em 12 cidades do país, de Norte a Sul, incluindo cidades como Natal, Anápolis, Santa Maria, Guarapuava, Ribeirão Preto e mais. Raramente contratamos estagiários que vieram de faculdades particulares. E por que? Porque normalmente a seleção deles é muito ruim. A palavra-chave aqui é seleção.</p>
<p>Entenda, além da qualidade dos professores e currículo, seleção é o fator fundamental que separa as universidades públicas das privadas. A universidade pública, por definição, não tem fins lucrativos no sentido de cobrar mensalidade, já as particulares tem. Em qual você acha que a seleção vai ser mais fácil? Como a concorrência pra entrar numa federal é ordens de grandeza maior do que numa particular, a seleção é muito superior. Por outro lado, muitos cursos particulares sequer tem seleção, significa que pagando, qualquer um pode entrar e, como eles tem incentivo pra manter o cara pagando, vai ser a pior seleção de todas, quando tem.</p>
<p>Além disso, se um aluno conseguiu sobreviver os 2 primeiros anos de uma boa federal de bacharelado em ciências da computação, quer dizer que ele passou por matérias consideradas hiper chatas mas necessárias como cálculo, como álgebra, como algoritmos e estruturas de dados. E se ele fez pelo menos iniciação científica, demonstra ainda mais empenho em trabalhos de pesquisa e melhoria contínua. Ou seja, um aluno de federal que já passou da metade do curso costuma ter bom potencial. E mesmo assim a gente ainda avalia ele antes de contratar.</p>
<p>Eu não estou dizendo que automaticamente todo mundo que faz curso comercial online é ruim. Pelo contrário, já conheci muitos programadores que se tornaram muito bons. Mas normalmente a pessoa que já tem o que precisa e sabe aprender sozinho, não foi o curso que o tornou bom. Com ou sem o curso ele já tem propensão e principalmente vontade de aprender, a despeito da qualidade do curso.</p>
<p>E mesmo depois de tudo isso, um estagiário meu ainda não está preparado pra entrar num projeto de verdade. Raramente é possível alocar um estagiário num projeto no primeiro mês. A maioria fica 3 meses ou mais só estudando. Nesse período ele precisa cumprir as 6 horas dele presencialmente nos nossos escritórios, e se integrar com os funcionários mais experientes. Eu já disse em outros videos que eu acho que nesse estágio de iniciante é extremamente prejudicial ser home-office, porque o aprendizado vai ser ordens de grandeza menor. Ele precisa estar do lado de gente mais experiente.</p>
<p>Durante esse período de estágio, ele participa de projetos internos, aprende a se comunicar com seus pares nos escritórios, aprende a pedir ajuda quando precisa, toma porrada nas revisões de código, é avaliado com alguma frequência pra ver se tá estagnado ou se tá evoluindo. Algumas vezes, quando ele é sozinho mais acelerado, até consegue participar como um programador não cobrado em projetos pequenos de verdade. Quando ele é efetivado como júnior depende muito mais dele do que da gente.</p>
<p>Esse é o período de treinamento no estágio. Nós não oferecemos nenhum material formal de aprendizado, em vez disso nós temos ebooks e algumas contas de cursos online que ele pode fazer. E nesses casos eu aprecio o uso de cursos online: como uma forma resumida de absorver algum assunto muito rápido pra pessoas que já tem uma fundação. Eu mesmo esses dias queria relembrar sobre React, porque eu não sou front e sim back, então assisti os cursos iniciais da Pluralsight na velocidade 2X porque eu acho todo video de curso hiper lento. E em 2 dias eu fiz o curso todo. E eu não estou endorsando a Pluralsight não, foi aleatório.</p>
<p>Além disso ninguém na empresa tem função específica de ser professor, não existe uma estrutura de aula nem palestras que ele precisa assistir, nem nada disso. Nós vamos jogando problemas do dia a dia pra ele resolver e ele precisa demonstrar que tem interesse em usar esse tempo. Inclusive ele está sendo remunerado, pra estudar muito. Como ele tem contato com os programadores experientes que estão em projeto, ele naturalmente começa a entender como os projetos funcionam e como nos comunicamos com clientes, na prática. Não existe um guia ou protocolo de comunicação.</p>
<p>Mais do que isso, nós não temos as figuras formais de gerentes ou qualquer coisa assim. Todo funcionário fala diretamente com o responsável do projeto do lado do cliente, sem um intermediário responsável em micro-gerenciar. Todo funcionário sabe que não deve só receber tarefas e fazer às cegas; aos poucos ele vai aprendendo a questionar as coisas, inclusive se ele deveria estar fazendo o que foi pedido e se não existem formas melhores e mais eficientes pra resolver o mesmo problema. E ele tem autonomia de dizer isso diretamente pro cliente. Isso faz parte do dia a dia de todo Miner. Sem micro-gerenciamento. Eles simplesmente sabem o que tem que fazer. Inclusive quero dizer que estou muito orgulhoso deles porque dia 13 de março comuniquei todo mundo pra antecipar a quarentena por causa da pandemia. Todo mundo começou a trabalhar de casa e todo mundo sabia o que tinha que fazer, sem precisar dar ordens ou instruções extras.</p>
<p>Eu imagino que muitos dos estagiários novos devem estranhar ter tanta liberdade logo no começo, mas ele não pode cruzar os braços, porque com tanta autonomia significa que temos tolerância zero com falta de profissionalismo ou mal caratismo. Zero mesmo, se alguém fizer alguma coisa mal caráter é demissão instantânea. Erros a gente sabe que todo mundo comete, mas se ficar cometendo o mesmo erro com frequência, toda vez, também não vai durar. É comum a gente repetir que se a pessoa se ver de braços cruzados sem fazer nada, ela está errada, porque devia estar caçando coisas pra fazer.</p>
<p>E por que tô contando toda essa história? Porque eu acredito que o jeito certo de aprender é esse: 1) dando problemas pra serem resolvidos 2) não ter nenhum material oficial, e sim forçar as pessoas a saber encontrar os materiais que precisam 3) não ter nenhum supervisor ou chefe que dá mastigado, forçando a criar senso de autonomia e responsabilidade. Pronto, acabei de resumir a metodologia inteira em 3 frases. E por hoje é só, a gente se vê semana que vem …. E, não, tô brincando, deixa eu explicar isso.
[fim do trecho]</p>
<p>Como falei antes, proveito pra fazer uma crítica pros que assistiram o começo do trecho e não foram até o fim. Já foram direto nos comentários encher o meu saco falando que eu privilegio ou pior, que eu discrimino contra faculdades particulares. Isso só demonstra como tem gente que só ouve o que quer e ignora o resto. Eu disse e confirmo de novo que normalmente costumam ser aprovados nos nossos testes mais pessoas que vieram de faculdades públicas. Mas isso não quer dizer nem que faculdades públicas são superiores e nem que desaprovo particulares. Foi só uma observação estatística.</p>
<p>Eu pessoalmente faço a avaliação da maioria dos testes enviados e eu faço avaliação cega. Eu não leio o currículo, só vejo o código. Não sei se é homem, se é mulher, se é novo, se é velho, de que região do país que é ou onde foi que estudou. Minha parte da avaliação é só checar a qualidade do código pra ver se presta e mais ou menos que nível que tá. O código às vezes nem roda completamente, e eu sei dizer se foi por pequeno descuido ou porque fez trabalho porco. Se estou precisando de um junior, talvez a gente ainda possa consertar e ajudar a evoluir, se foi um erro honesto. Eu preciso sentir pelo código que houve esforço, que houve tentativa honesta.</p>
<p>Enfim, agora em 2021 resolvemos fazer alguns experimentos com uma iniciativa chamada Imersão 42. Já tivemos duas turmas de alunos de 2o a 3o ano na faculdade, pra que pudessem ter a experiência de aprender ao lado de nossos desenvolvedores e ter uma noção melhor de como empresas como a nossa funcionam mais ou menos. Cada turma ficou com a gente por um período de 3 meses, a segunda turma está na etapa final agora. A primeira turma foi só com alunos de faculdades públicas, a segunda turma só com alunos de faculdades particulares. Independente se vem de pública ou particular, nenhum aluno tem real noção de como projetos de verdade funcionam e como equipes de verdade trabalham. O choque é brutal pra muitos e o objetivo da imersão era dar um gostinho dessa experiência.</p>
<p>Os experimentos de imersão foram muito interessantes pra termos uma noção de como aperfeiçoar nossos modelos de mentoria. Ainda foi limitado porque os alunos não tinham tanto tempo por causa das aulas, provas e trabalhos da faculdade. O mais difícil foi conseguir ter foco só no aprendizado. E não adianta, mesmo se você for interessado, mas não tem condições de fazer mais de uma coisa ao mesmo tempo, não vai fazer nenhuma das duas coisas direito. Melhor acabar uma coisa antes de começar outra. Muita gente se pergunta se consegue fazer faculdade e trabalhar ao mesmo tempo, alguns conseguem, mas eu diria que são a minoria. Pra maioria eu diria pra fazer um de cada vez mesmo, porque por essa pequena experiência da imersão, a maioria teve bastante dificuldade.</p>
<p>Agora vamos começar uma fase diferente dessa imersão e transformar num programa de trainées. Pra participar é simples: se você é recém-formado, seja lá de qual faculdade, ainda tem pouca ou nenhuma experiência de trabalho, realmente acha que tem comprometimento e esforço mas não tem oportunidades e, mais importante, que realmente goste de programar e preze pela qualidade do código, então nós vamos colocar isso à prova. E pra isso, do nosso lado, também vamos nos comprometer. Não sei se quando eu publicar esse video o site novo já vai estar no ar ou não, mas sigam o twitter da CodeMiner42 pra não perder. Se nada der errado por volta do meio de Novembro de 2021 vamos começar.</p>
<p>Por um período super curto de alguns dias vamos abrir um processo de seleção, inicialmente vai ser só um questionário. Estamos procurando programadores de potencial que só precisam de uma chance pra mostrar que podem entregar resultado e ainda nem precisa saber tudo. Mas prestem muita atenção porque nesta etapa não vai ter nenhuma exceção, nem adianta perguntar. Nesta primeira turma de trainées, já precisa ou estar formado ou no mínimo terminando a faculdade no período da noite, porque vocês vão precisar estar disponíveis no horário do dia. E isso não é negociável, quem mentir e não conseguir aparecer quando precisamos porque tava fazendo outra coisa, vai ser cortado. Eu não quero fazer vocês perderem tempo e também não vou deixar perder tempo de quem tá participando sério e principalmente dos mentores, que num primeiro momento vão dividir responsabilidades com o programa e com os respectivos projetos reais que participam.</p>
<p>Além disso é essencial saber o mínimo de inglês pra ler, escrever e falar. Não estou dizendo fluente como nativo, mas fluente que outra pessoa entenda o que você fala. E por último vai precisar ter seu próprio computador. Puts, mas é bastante exigência né? Só que você não precisa se arriscar de graça nesse programa, porque os selecionados vão ser devidamente contratados e remunerados. A contrapartida das minhas exigências é que vamos pagar um salário de 2 mil reais, mais plano de saúde, assistência odontológica, vale refeição, vale academia e reembolso de cursos online como inglês. Em troca nós queremos que vocês estejam disponíveis no horário comercial inteiramente focados no que vamos passar no programa. Nesse estágio ninguém vai participar de nenhum projeto de verdade ainda, só estudos e mentoria mesmo.</p>
<p>O programa vai durar um total de 90 dias, com avaliações ao longo desse período, vai rolar paredão, ou Squid Game se preferirem, porque quem demonstrar que não tá se esforçando ou interessado, ou simplesmente porque talvez não seja compatível com nosso estilo, vamos demitir. Nada pessoal. Só quem chegar ao final dessa etapa de 90 dias e que avaliamos que demonstrou potencial, evolução, vão continuar como trainée e vão passar por mais um período de mais uns 30 até 90 dias pra se tornar juniors na empresa. Ainda vão continuar sendo avaliados depois também. E só pra nenhum ser perdido ir nos comentários perguntar, isso não é um curso, não damos certificação de nenhum tipo e não é pra sair usando como ponto pra outra oportunidade de emprego.</p>
<p>Se sobreviverem a esse período de muito estudo e treino, vão ter a oportunidade de trabalhar em projetos reais junto com nossos outros desenvolvedores mais experientes pra vermos o desempenho de verdade. Alguns são mais rápidos, alguns são mais devagar, mas o que importa é vermos uma curva de crescimento e não de estagnação. Muita gente fica preocupada que ainda não sabe o suficiente. O que estamos propondo é justamente dar a oportunidade de vocês verem o quanto já estão preparados ou não, e não estamos pedindo pra fazer isso de graça, vamos pagar vocês pra isso. O importante é crescimento, se eu dou material e suporte, e mesmo assim você fica no mesmo lugar, aí tem que repensar. Mas normalmente as pessoas crescem nesse estágio e conseguimos identificar talentos muito rápido.</p>
<p>Eu comecei este video mostrando um trecho falando como muitas empresas contratam errado, por exemplo, achando que dá pra ter equipe só de seniors. Eu sempre digo que não, eles precisam de alguns seniors e alguns juniors, equipe mista. Mas muitos não acreditam que um junior vai entregar coisa decente - eles acham que vai desacelerar os sêniors.</p>
<p>Mas o outro lado da moeda que eu não falei no outro video é que tem empreendedor de fundo de quintal que quer abrir empresa com pouco ou nenhum dinheiro daí economiza onde não devia: querendo contratar só júniors pra fazer trabalho de sênior. E claro que isso também vai dar ruim. Vão fazer um puxadinho que male male fica de pé, todo mundo vai ficar frustrado e o negócio não vai pra frente. E não é porque juniors são ruins, mas porque você tá dando tarefas incompatíveis com o nível deles. Nem oito nem oitenta. Toda boa equipe é balanceada, como todas as coisas deveriam ser. Equipe mista, onde os sêniors tem consciência que precisam orientar os júniors. Com o tempo, tudo entra nos eixos.</p>
<p>E esse é um exemplo de coisas que eu acho que nenhum curso vai ser capaz de fazer: posicionar o iniciante sem experiência no lugar certo pra crescer. Porque não importa quantos cursos você faça, quantos livros leia, quantos tutoriais treine, independente da quantidade de horas que se dedicar: sem experiência real, você no máximo vai ser um júnior de potencial. Material didático primeiro tem preocupação de ser didático, ser fácil de entender, que não é a mesma coisa que código feito em projetos reais.</p>
<p>Pra crescer precisa estar do lado de outros programadores mais experientes, enfrentando problemas do mundo real que envolve não só código mas comunicação. Conseguir argumentar suas idéias, aprender a ouvir os problemas e refletir possibilidades de solução, conseguir discutir com seus pares pra achar a alternativa que melhor se encaixa no problema, pra só aí realmente executar o que imaginou como código e entregar funcionando, dentro dos limites de custo e tempo do projeto. Isso não se aprende em livros, nem assistindo videos, só praticando, praticando e praticando.</p>
<p>Então, o que esse programa de trainées oferece é realmente entregar a promessa do &ldquo;from zero to hero&rdquo;, partindo do zero de recém formato até engatar na carreira e ter possibilidade de ir até senior, através de estudos e principalmente de projetos reais, sendo mentorado por colegas mais experientes e em breve também mentorando colegas mais novos. Um sênior que é incapaz de mentorar alguém menos experiente, não é um sênior na minha opinião. De qualquer forma, o ponto é que nenhum curso tem projetos reais pra oferecer, então você sempre vai acabar no máximo no nível de júnior, se muito. E a maioria das empresas não tem mentalidade de educação, então fica sempre cometendo esse erro de botar sênior pra fazer trabalho de junior, ou junior pra tentar fazer trabalho de sênior, e raramente se preocupando com a evolução da carreira de cada um.</p>
<p>E no dia a dia de projetos de uma consultoria como a nossa não tem só o projeto. Tem atividades internas, oportunidade de criação de conteúdo como no nosso blog, fazendo palestras internas que chamamos de brown bags, organizando workshops e grupos de estudo, ajudar em projetos open source, pareando e mentorando colegas menos experientes e nada disso passa em branco. Quando a empresa cresce a gente divide isso. Pelo menos nos últimos 3 anos todo mundo ganhou bonus que equivalem a 2 salários extras ou mais. Não é só 13o, é 14o, 15o, só depende de todo mundo estar entregando resultados em crescer a empresa em qualidade.</p>
<p>Lógico, essa primeira turma de trainées que vamos abrir não deixa de ser um teste beta que vamos continuar aperfeiçoando. Pra ter a expectativa correta não imagine que vai ser tudo perfeito. Estamos pensando em contratar pelo menos umas 30 pessoas que, como falei, vamos pagar. Vai ser um investimento inicial que vamos fazer de quase meio milhão de reais sem garantia de retorno. Tudo vai depender da nossa competência de seleção e treinamento. E mesmo se você ainda não bate nos critérios que falei antes, não se preocupe porque essa primeira turma dando certo, já em 2022 mesmo deve ter mais turmas e queremos continuar expandindo esse programa.</p>
<p>E que fique claro que ninguém vai pegar na mãozinha e passar a mão na cabeça, nós não tratamos ninguém como criança porque não somos uma creche. Estamos procurando adultos que querem evoluir mais rápido. Toda empresa famosinha que só fica procurando gente senior com anos de experiência tem zero noção de como evoluir pessoas. Mas ao contrário delas isso está na fundação da minha empresa, foi assim que crescemos no que somos hoje, e chegou a hora de aumentar a escala do que sempre fizemos e você pode fazer parte disso.</p>
<p>E se o episódio de hoje acabou virando uma grande propaganda da minha empresa, é isso mesmo. Eu continuo recebendo propostas de propagandas pagas e eu rejeito todas, porque não vejo fazendo sentido pro canal. Por outro lado a minha empresa é quem realmente permite que este canal exista em primeiro lugar, e minha intenção é ir aos poucos aumentando nossa participação numa das principais missões da empresa e deste canal que é educação e melhorar a qualidade dos profissionais deste mercado. Como eu disse antes, sigam a CodeMiner nas redes sociais, no Twitter ou LinkedIn, porque em poucos dias vamos anunciar a abertura do processo seletivo. Eu já vi muita gente falando nos comentários que queria poder trabalhar com a gente mas ainda não se sentia qualificado, e talvez agora seja a sua oportunidade.</p>
<p>Infelizmente não tem como acolher todo mundo então num primeiro momento vamos precisar restringir alguns critérios que vão estar mais detalhados no site. Não se sinta rejeitado, é só um problema que nossos recursos também são finitos. Mas como eu já disse, novas turmas vão continuar aparecendo, então é só ficar de olho. Se curtiram a idéia deixem um joinha, mandem suas dúvidas nos comentários abaixo, não deixem de assinar o canal, e compartilhar o video com todo mundo que vocês acham que se encaixa no que eu falei. A gente se vê, até mais.</p>
]]></content:encoded><category>carreira</category><category>aprendizado</category><category>akitando</category></item><item><title>[Akitando] #90 - O que os Cursos NÃO te Ensinam sobre Mercados</title><link>https://akitaonrails.github.io/2021/01/06/akitando-90-o-que-os-cursos-nao-te-ensinam-sobre-mercados/</link><guid isPermaLink="true">https://akitaonrails.github.io/2021/01/06/akitando-90-o-que-os-cursos-nao-te-ensinam-sobre-mercados/</guid><pubDate>Wed, 06 Jan 2021 10:30:00 -0300</pubDate><description>&lt;div class="embed-container"&gt;
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<h2>DESCRIÇÃO<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="descrição"></span>
    <a href="#descri%c3%a7%c3%a3o" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Esta é a edição da palestra que dei no evento #DoWhile da Rocketseat no dia  15/12/2020. Ela serve como um resumo de vários assuntos importantes do canal então aproveito pra deixar como introdução pra quem está chegando agora. Durante o vídeo vou mostrando as thumbnails dos diversos videos onde entro em detalhes sobre cada assunto.</p>
<p>E sendo o 1o vídeo do ano, deixo meu FELIZ 2021!! 🥳🎊🎉</p>
<p>ERRATA: no tweet do cara investindo e calculando juros errados, dependendo de como interpretar o texto dele (e aqui fica pior, porque além de tudo ele tem dificuldade de explicar) fica ainda pior a matemática. Se considerar que ele achou que dividindo o dinheiro dele, digamos 70 mil reais, em 7 fundos, colocando 10 mil em cada, e cada um a 0.5%, não vai ser 7 x 0.5% obviamente e sim um total de &hellip; 0.5% porque isso é juros simples. Eu ainda superestimei ele levando pra juros compostos. Enfim, esse tweet é um completo desastre não importa como você interprete.</p>
<h2>SCRIPT<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="script"></span>
    <a href="#script" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Olá pessoal, Fabio Akita</p>
<p>Agradecimentos pelo convite de participar neste evento da RocketSeat e de poder compartilhar algumas idéias com todos vocês. Imagino que muitos estão começando a estudar e muitos também tentando reciclar conhecimentos e aprender coisas novas pra se diferenciar. Hoje eu quero dar um passo atrás e tentar abrir um pouco os horizontes.</p>
<p>Pra quem não me conhece, eu sou desenvolvedor de software há quase trinta anos. Desenvolvedor do que? Front, back, infra, segurança, mobile, gerente, PO, consultor, se tem alguma posição no mundo TI eu provavelmente passei por ele. E nos últimos dez anos administro minha própria empresa de outsourcing de desenvolvimento, que hoje tem quase cem desenvolvedores, com um dos menores índices de turn over do mercado, atuando em projetos daqui e maioria nos Estados Unidos.</p>
<p>Nos últimos dois anos comecei um canal no YouTube como hobby pra compartilhar as experiências e conhecimentos que acumulei durante esse tempo todo, então não deixem de seguir o canal Akitando pra ter mais detalhes do que vou falar hoje. Se já assiste meu canal, vou repetir um pouco o que contei nos vídeos, mas vale relembrar.</p>
<p>Depois de passar anos pensando a respeito, se tem uma coisa importante que eu acho que pouca gente entende, seja iniciante ou seja experiente, é o conceito da lei de oferta e procura. Aí você pensa, “como assim, lógico que eu sei, se um produto tem muita procura mas não se consegue fabricar rápido o suficiente, tipo o novo Playstation 5, então o preço vai subir absurdamente”. Exatamente, está correto, e o inverso também é verdade. Se existisse mais Playstations do que tem de demanda por ele, os preços iriam cair mais rápido.</p>
<p>Pense em você fazendo cursos. Parece fácil, faça dois ou três cursos, gaste seis meses estudando, e parece que quase garantido tem uma oferta de emprego já pra você. Isso não é normal, é um momento do mercado de alta demanda. Só que alta demanda nunca dura pra sempre, ela vem em ciclos. Tem ciclos de abundância e ciclos de depressão e dica pra vocês: estamos saindo do último ciclo de abundância, que começou uns 10 anos atrás.</p>
<p>Agora pense, com a quantidade enorme de cursos aparecendo, se tá tão fácil criar centenas de novos programadores a cada seis meses ou um ano, significa que a oferta de programadores  iniciantes em breve vai ultrapassar a demanda. E portanto, o valor de cada um de vocês vale menos e menos. Porque é fácil qualquer um saber o que você sabe.</p>
<p>Outro dia eu vi um tweet que me deixou horrorizado. Alguém tava fazendo um investimento num fundo imobiliário porcaria. Ele tava super animado porque ofereciam rendimentos de meio porcento ao mês. E ele entrou em sete fundos, cada um oferecendo esse meio porcento, ou seja, na cabeça dele seria 7 vezes zero ponto cinco que dá três e meio “porcento” ao mês e vezes doze meses, daria quarenta e dois porcento!! Imagina, investe dez mil reais em janeiro e no fim do ano vai ter catorze mil?? Investimento da China!</p>
<p>Cara, se você ouviu o que eu acabei de falar e se perdeu todo nos números, ou pior, se concordou com o raciocínio do cara, fica preocupado, aliás, fica BEM preocupado porque isso é juros compostos e ao final de doze meses não é quarenta e dois porcento e sim perto de seis porcento só. Pior, se subtrair a inflação anual de uns quatro porcento, se tirar a taxa de administração dos fundos, se sobrar um porcento no fim de um ano vai ser muito. Ou seja, o cara tava imaginando que em dezembro ia ter mais de quatro mil reais de lucro mas na realidade seriam só uns cem reais. Se você chegou nesse resultado de cabeça também, parabéns, talvez você tenha futuro.</p>
<p>Durante trinta anos eu vim acompanhando programadores, de iniciantes até virarem seniors, em todos os tipos de linguagens, em todos os tipos de projetos, com todos os tipos de formação diferentes e o que mais me deixa assustado é como a grande maioria faz contas que nem o cara desse tweet. É com esse nível de raciocínio que vocês engolem propostas salariais de startups, acreditando em números ilusórios. A realidade é que a grande maioria dos programadores não sabe matemática básica, de nível ginasial.</p>
<p>Isso porque a maioria das pessoas nunca teve vontade de aprender e simplesmente se aproveitou de um sistema de ensino que manda você decorar meia dúzia de coisas, dá perguntas simples de múltipla escolha pra resolver, metade chutando, e no final te dá um certificado e você acredita que aprendeu alguma coisa. Agora some isso com um momento de mercado aquecido, que tá contratando qualquer coisa, de qualquer qualidade, e você vai ter um exército de pessoas mal qualificadas que vai ficar surpreso de porque com o passar do tempo tá ficando mais e mais difícil conseguir aumentos ou mesmo ser aprovado em posições maiores em outras empresas.</p>
<p>Porque seu valor é diretamente proporcional à sua produtividade, ao seu raciocínio rápido, à sua capacidade de receber problemas, que nem podem ser consideradas difíceis, como esse tweet que acabei de falar e imediatamente chegar na resposta correta. Essas coisas não vêm de graça. É a diferença de quem estudou e ralou quatro anos num curso de ciências da computação e quem passou fácil em provas fáceis em cursos de seis meses. É incomparável. Mas, cuidado, com o que eu acabei de dizer, vocês podem achar que estou dizendo pra obrigatoriamente fazer faculdade. Lembrando, eu mesmo não me formei, mas os dois primeiros anos que fiz de ciência, onde só tinha matérias de matemática, economizaram alguns anos na minha formação de autodidata.</p>
<p>Isso porque existem dois tipos de cursos: os que te ensinam ferramentas e os que te ensinam a aprender. Os que ensinam ferramentas tem validade super curta, os que te ensinam a aprender duram anos a fio. Infelizmente você só vai entender de verdade essa diferença depois de muitos anos. Quem é jovem talvez só conheça um mundo onde parece que a internet sempre existiu e sempre vai continuar existindo igual. Povo da minha geração lembra de uma época onde a internet não existia. Faz muita diferença ter perspectiva de tempo, de longo prazo.</p>
<p>Por exemplo, nos anos 90 as linguagens mais disputadas eram totalmente diferentes das de agora. Talvez fossem Visual Basic, Delphi e Java. Você gastou seis meses estudando Visual Basic, agora você se acha o fodão. Passa a virada do século vinte e a demanda por programadores de Visual Basic cai dramaticamente, agora as linguagens mais demandadas talvez fossem PHP, ASP, talvez Flash até.</p>
<p>Agora, você de Visual Basic gasta mais tempo irritado, dizendo como esses moleques de PHP e ASP não entendem as qualidades do Visual Basic e que essa tal de Web é só uma moda e já já vai passar. Daí passa mais dez anos, agora as linguagens mais desejadas eram Objective-C, Ruby, Javascript. E como foi ficando o cara de Visual Basic, que era o rei dos anos 90? Cada vez sem opções e perdendo todas as ondas de novas tecnologias. Ele perdeu a primeira onda da Web, a onda das redes sociais, a onda do mobile, a onda dos e-commerces e assim por diante. Hoje as linguagens mais demandadas talvez sejam Python e frameworks como Flutter ou React. O que acontece nos próximos dez anos? Eu não contaria que as coisas vão continuar iguais, porque a tecnologia está em constante evolução. Não tenta adivinhar, é perda de tempo.</p>
<p>Sabe o que não envelhece, saber fazer continhas bestas como a dos rendimentos de investimento que eu acabei de contar do tweet. Só que nenhum curso oferece formação em matemática básica, cálculo, álgebra linear, estatística e probabilidade. Sabe por quê? Porque nenhum aluno tem nem a paciência pra fazer e nem acha que devia pagar pra aprender contas porque fazer contas é chato. E ainda acha que programação é saber seguir tutoriais, passo a passo e copiar e colar pedaços de código de sites como stackoverflow. Programação é ensinada como se fosse montagem de Legos, e tá longe disso, muito longe.</p>
<p>É muito fácil seguir tutorial, óbvio, já tá descrito passo a passo tudo que tem que fazer. Copia o comando tal, cola no terminal, dá enter e cruza os dedos. Deu certo? Agora digita outro comando, dá enter e vai aparecer outra mensagem e assim vai indo. O que você aprendeu? A ler, copiar e colar. Todo curso baseado em seguir tutorial te ensina só copiar e colar coisas e mais nada. Você não sabe porque tá digitando esses comandos nessa ordem, você não sabe porquê essas ferramentas existem e quais problemas resolvem de verdade. Você não sabe que alternativas existem e que combinações diferentes pode fazer pra ter resultados melhores, porque cursos não ensinam você a raciocinar, apenar a seguir.</p>
<p>E no começo não tem nenhum problema, todo mundo precisa começar de algum lugar e eu comecei igual, seguindo tutoriais. Eu comecei a programar quando adolescente, talvez aos catorze ou quinze anos. Passei quase um ano lendo um livro da linguagem da época, dos anos 80, dBase, e conseguia fazer programinhas e até comecei a fazer uns trabalhos de freelancer. Algumas vezes dava uns bugs que eu não tinha ideia porque, mas mexia de um lado, mexia de outro, do nada começava a funcionar e fui seguindo assim. Aos dezessete resolvi entrar na faculdade de ciências da computação e foi um choque absurdo.</p>
<p>Eu entendi que tudo que eu sabia não servia pra quase nada. Primeiro porque a linguagem dBase praticamente já tinha morrido quando entrei na faculdade, descobri que existiam coisas como C ou Pascal, e fiquei chocado que não tinha quase nada de programação durante dois anos inteiros da faculdade, ou seja, metade do curso de quatro anos era integral só de matérias de matemática. E como todo mundo, eu fiquei abismado porque sempre achei um conhecimento inútil que eu nunca ia precisar.</p>
<p>Levou uns cinco anos pra eu de fato começar a entender porque aprendi toda aquela matemática. De repente eu precisava desenvolver sistemas que tinham funcionalidades como pesquisar palavras no banco de dados, e os códigos que eu achava pra copiar e colar eram lentos quando o banco de dados crescia e eu sabia entender porque. Eu lia as documentações, código fonte e conseguia criticar matematicamente a complexidade e saber porque um select like de SQL que todo mundo faz sem pensar é horrível em comparação a usar coisas como Elastic, especialmente com alto volume de dados.</p>
<p>Quando começaram a falar de data science e machine learning, imediatamente me relembrou as coisas que aprendi na faculdade. Eu sabia que machine learning é basicamente um pacote de tudo que eu aprendi em estatística e probabilidade. Até em assuntos da atualidade, como epidemiologia de Covid, me relembrou coisas como o teorema de Bayes, que é uma das coisas que se usa em machine learning. Você simplesmente não tem como escolher a ferramenta certa pra usar em cada caso se sequer sabe fazer continha básica de juros compostos de rendimentos.</p>
<p>Por isso muita gente vai pras ferramentas mais simples de aprender, as que é só encaixar um botão na tela e não pensar muito além disso. Trabalho de encaixar peça de Lego. Mas sendo a coisa mais fácil, é o que todo mundo vai pensar primeiro também, então se forma um volume grande de pessoas procurando emprego em mercados que, apesar de aquecidos agora, tendem a diminuir no médio a curto prazo. Quando a demanda cair, a prioridade não vai ser só sair produzindo funcionalidades novas a rodo e sim em otimizar e aumentar a qualidade do que foi produzido até agora, pra conseguir lucrar mais com a mesma coisa.</p>
<p>Agora você precisa de gente que sabe raciocinar e não só seguir passo a passo, que sabe pegar o que já existe e tirar mais valor sem aumentar quantidade de código. Não tem uma solução pronta pra otimizar coisas, pra fazer o mesmo software funcionar duas vezes mais rápido, ou pra fazer a mesma infraestrutura aguentar três vezes mais usuários sem ficar adicionando mais máquinas. Coisas como melhorar o software pra oferecer de primeira o produto que o usuário tá procurando no menor número de cliques. Tudo isso exige capacidade de aprender rápido.</p>
<p>Mudar ferramentas, seja bibliotecas, frameworks ou a linguagem que você gosta é difícil. Todo mundo tende a se apegar à primeira ferramenta que aprende, e tenta resolver todos os problemas com ela, mesmo quando não é a mais adequada. Porque é mais cômodo. Quando a situação claramente exige mudar de ferramenta, os iniciantes tendem a ficar na defensiva, justificando e defendendo um time que já perdeu, tipo o cara de Visual Basic dos anos 90 que falei antes. É o sinal de que você perdeu o controle e nunca controlou a ferramenta e sim a ferramenta te controlou, você se tornou escravo de ferramentas e de marcas de produtos.</p>
<p>Só que um programador de verdade é promíscuo, tem zero lealdade a ferramentas e marcas. Não fica defendendo Angular, ou Google. Tecnologia não é time de futebol, não é pra ter torcida organizada, ficar tatuando marca de tecnologia ou sair na rua pra defender. Ferramenta é só isso, ferramenta. Você já viu uma discussão de alguém defendendo martelo e outro defendendo chave de fenda? Não faz sentido né? Então defender Python e Javascript é a mesma coisa. Python é um martelo, Javascript é uma chave de fenda. Se precisar bater um prego, usa Python, se precisar girar um parafuso usa Javascript e ponto final. E pensando nisso? Se você só sabe martelo o que acontece? Todos os problemas pra você parecem pregos. E daqui a pouco você tá batendo um parafuso com martelo, que nem um idiota.</p>
<p>A profissão de programação é muito maior do que sua linguagem favorita. Infinitamente maior. Pra onde sua carreira pode ir? Pra onde você quiser, não tem como saber hoje o que vai precisar daqui dez anos. Mas se tem uma certeza absoluta é que se daqui dez anos você ainda estiver usando a mesma ferramenta que aprendeu hoje, você certamente limitou sua carreira demais e perdeu todas as oportunidades de evoluir.</p>
<p>Recentemente tivemos notícias de crimes de internet no Supremo Tribunal Federal e no Ministério da Saúde. Quando eu vejo essas notícias, preciso até pausar um segundo e colocar a mão na cabeça pra acreditar no que tô lendo. Coisas crassas, imbecis, como senha de conexão de banco de dados trafegando no javascript no front-end. Senhas de usuários sendo gravados em banco de dados como texto aberto. Se você não entende a gravidade do que isso significa, você ainda tem muito pra aprender.</p>
<p>Ninguém em sã consciência grava senha de usuário em banco de dados. Seria igual um cirurgião achar que é opcional lavar as mãos antes da cirurgia. Já pensou? Se qualquer site que você visitar te oferecer a opção de receber a senha que você esqueceu por e-mail, não precisa pensar duas vezes, esse site tá inseguro e o programador que fez é um amador completo. O do vazamento de dados do Ministério da Saúde foi um amador completo. Hoje em dia é fácil invadir sites, não precisa ser nenhum gênio. Programadores assim já deixa tudo aberto.</p>
<p>Lá por 2004 eu era um dos consultores num dos maiores projetos da Vivo, que tinha se formado fazia pouco tempo. Pra quem não sabe ou não lembra, a Vivo foi a unificação de meia dúzia de telecoms de vários estados do Brasil, em São Paulo era a antiga Telesp Celular. Esse projeto se chamava Atena e ia unificar os bancos de dados e sistemas de todos eles, coisa gigante que levou mais de dois anos e centenas de programadores e consultores.</p>
<p>Pois bem, quando cheguei lá recebemos ordens de usar um framework proprietário. Se você é de Java, pensa um Spring feito do zero. Se você é de Javascript pensa um Express e Angular feitos do zero. Esse framework foi desenvolvido pela BEA que foi comprada pela Oracle, pra facilitar imagina só a Oracle, que é gigante. Quando eu fui vendo como esse framework funcionava eu senti um cheiro de podre, na minha cabeça pensei, puts, esse troço nunca libera toda a memória que aloca. Pra tirar a dúvida fiz um teste de stress nele num servidor e dito e feito, o framework alocava memória sem parar e nunca devolvia pro sistema e crasheava meu teste. Eu mandei e-mail pro meu chefe avisando e ele marcou uma reunião com os arquitetos da Oracle.</p>
<p>Eu fui acusado de estar tentando falar mal do projeto deles porque eu era de outra consultoria e como ele era o fodão, porque era arquiteto certificado da Oracle e bla bla bla. Vou fazer o que, fiquei quieto e pensei “bom, eu avisei, não é problema meu”. Passou alguns meses, minha alocação lá acabou e depois troquei ideia com meu antigo chefe pra perguntar se os sistemas tinham ido pro ar. E ele me falou, “pois é, a gente precisa rebootar os servidores em produção a cada meia hora”. Obviamente, eu tava certo.</p>
<p>Quando eu falo sobre matemática, o povo fica intimidado e com medo, porque todo mundo odeia ver aquele monte de número e montes de equações. Nem eu gosto disso. Eu gosto do pensamento matemático, de como a gente aprende a enxergar os dados e todas as formas que eu posso manipular esses dados, como enxergar funções, que são basicamente equações, e acostumar a pensar não em como são feitos, mas como são delimitados, definir os limites, a complexidade, e como manipular os dados com funções diferentes. Pensamento matemático é aprender a não seguir procedimentos cegamente e enxergar as possibilidades diferentes do procedimento, incluindo como detectar erros como no caso que contei agora.</p>
<p>Pense assim, você sofreu lavagem cerebral por mais de dez anos da sua vida. Do fundamental até sair da faculdade, sua rotina foi receber um currículo bem definido, com cada matéria exata que era obrigado a estudar. Sempre tinha um professor cagando regra do que você tinha que fazer. As provas eram previsíveis, bimestrais, com a matéria exata que cai em cada uma. Mesmo se você fosse o preguiçoso do preguiçoso, você sabia o que ia cair na prova. E foi fazendo assim, estudando o suficiente pra tirar 5 e passar de ano.</p>
<p>Agora você virou adulto e tá no mundo real. Não tem mais currículo que diz o que precisa estudar daqui pra frente. Não tem mais um professor que te diz o que fazer. Os problemas da vida aparecem do nada, sem aviso. Provas que você não sabe o que vai cair, mas precisa resolver sem ter um bimestre de aviso pra estudar antes. É totalmente estressante, porque depois de sair da faculdade você não tá diferente do moleque do fundamental, no primeiro ano de novo. Ninguém te ensinou como o mundo real funciona e como ele é diferente da escola.</p>
<p>O que seu instinto manda você fazer? Procurar cursos, que têm currículo bem definido, professor pra te dizer o que fazer, e provas fáceis com data pré-marcada e matéria pra estudar bem definida, tudo que te dá a ilusão de estar progredindo. E você fica frustrado quando tenta aplicar na vida real e tem dificuldade. Na sua cabeça o mundo da programação realmente é difícil, porque você tá tendo muita dificuldade, e a vida real provavelmente está errada porque os projetos não são bem definidos, seus chefes não são como seus professores que te dão instruções exatas do que fazer, e você se sente injustiçado e cada vez mais frustrado.</p>
<p>Isso porque até você assumir que te induziram a aprender errado a vida inteira, tudo vai ser difícil, você sempre vai enxergar o mundo como um lugar que te maltrata, onde mesmo que você se esforce pra seguir a matéria, o mundo continua te dando situações que não tinha no curso, e seus colegas e chefes dificultam sua vida te dando problemas que você nunca aprendeu a resolver. Só que a realidade é que você simplesmente tá vendo as coisas do jeito errado, não é o mundo que é difícil, é você que ainda não aceitou que tá fazendo as coisas do jeito errado.</p>
<p>Aprender não é decorar matérias e fazer uma prova. É enxergar o problema e aceitar que te falta conhecimento, procurar você mesmo por esse conhecimento, testar hipóteses e falhar, assumir o fracasso e criticar o que você fez de errado, pra no próximo problema saber lidar melhor e assim sucessivamente, um pequeno passo de cada vez, ao longo de anos, sem nunca poder dizer que “sabe tudo” de qualquer coisa. Programação é uma profissão cujo estudo não termina quando você se forma na faculdade ou quando tira certificados nos cursos. Ele só começa a partir dali pra você estudar sozinho e saber descobrir sozinho o que estudar primeiro.</p>
<p>Eu estou nessa carreira faz uns trinta anos, desde o fim dos anos 80. Apesar de ter me tornado empresário eu continuei programando tempo integral em projetos até quase dois anos atrás. Nesse período eu aprendi uma dúzia de linguagens, frameworks, bibliotecas. A cada geração deixei pra trás todas as ferramentas que tinha aprendido e ia aprendendo coisas novas. E quanto mais eu fazia isso, mais aprender coisas novas ia ficando mais e mais fácil.</p>
<p>Hoje eu consigo aprender uma linguagem nova, a ponto de ficar minimamente produtivo, em um mês. Antigamente levava pelo menos um ano. E isso só é possível porque desde o começo eu tive o primeiro choque quando entrei na faculdade, de entender que eu não sabia nada do que achava que sabia e ver a minha primeira linguagem, que demorei dois anos pra aprender, se tornando obsoleta e ficando pra trás. Aprendi a desapegar e a ter humildade de entender que eu não sabia nada.</p>
<p>Pior, antigamente, eu tinha dois, três livros à minha disposição. Não tinha Amazon pra consultar e pedir online. Porra, não tinha internet, então não tinha fórums, não tinha comunidades pra pedir ajuda. Hoje, se você quiser aprender a base da ciência da computação pode entrar nos sites de grandes universidades como Stanford, Harvard e tem as aulas gravadas de cálculo, álgebra e tudo mais que qualquer boa faculdade ensina. É só ter a disposição pra sentar a bunda na cadeira por 2 anos e aprender.</p>
<p>Faculdades, cursos, e qualquer tipo de instituição de ensino tradicional não são ruins. Mas elas são rodinhas na bicicleta. Se você entender isso, não tem nenhum problema. O problema é você achar que na vida real dá pra ir muito longe com rodinhas. Quanto mais cedo tirar as rodinhas e começar a cair, mais cedo vai aprender a levantar e pedalar sozinho. Aprender de verdade dói, e dói bastante. Mas tem que doer, exatamente por causa da lei da oferta e da procura. Tudo que é muito fácil, qualquer um pode aprender, e por isso mesmo, vale muito pouco. Tudo que não tá doendo, por um longo período de tempo, tem muito pouco valor e quase nenhuma evolução lá na frente.</p>
<p>Não é só a vida que é injusta, talvez seja pouco esforço mesmo. Lembre-se, é muito fácil ganhar bem num momento temporário de mercado que tá aquecido. Quem realmente tem valor é quem aprendeu a aprender sozinho e a se virar e consegue nadar num mercado em depressão. Dado tempo suficiente, os mercados naturalmente filtram os caras que são bons daqueles que só tiveram a sorte de entrar no mercado quando tava aquecido. Mas esse ciclo vai inverter em breve, e se eu fosse vocês ficaria preocupado.</p>
<p>Como alguém que lidou com contratações e treinamentos e viu a evolução de literalmente centenas de desenvolvedores. É muito triste ver alguém que ainda é iniciante, sendo incorretamente super valorizado num mercado aquecido, ficando cego achando que já é bom, e congelando a evolução, fazendo a mesma coisa por muito tempo e ficando pra trás quando o mercado muda de direção. Daí ele fica sem entender porque antes era valorizado mas depois não consegue mais subir. E não entende que o mundo real não é estático, não fica parado. Ele tem altos e baixos. Quem nasceu na alta não entende a baixa. Só quem já caiu é que enxerga e valoriza as oportunidades.</p>
<p>Com tudo isso dito, espero que alguns de vocês tenham ficado preocupado o suficiente pra repensar o que estão fazendo agora, correndo atrás de recompensa fácil e tomando atalhos, ou tá se preparando pra enfrentar o desconhecido que o mundo do futuro vai te apresentar e conseguir finalmente surfar as grandes altas quando elas voltarem. Por hoje é isso aí, espero ter ajudado a aumentar os horizontes do que vocês imaginavam, se curtiram o video mandem um joinha e convido vocês a verem o meu canal pra ouvir os detalhes de todas as coisas que acabei de contar. A gente se vê, até mais!</p>
]]></content:encoded><category>carreira</category><category>aprendizado</category><category>mercado-de-tecnologia</category><category>akitando</category></item><item><title>[Akitando #83] "Akita, quais Cursos você recomenda? E o Low-Code? E o GPT-3?"</title><link>https://akitaonrails.github.io/2020/08/28/akitando-83-akita-quais-cursos-voce-recomenda-e-o-low-code-e-o-gpt-3/</link><guid isPermaLink="true">https://akitaonrails.github.io/2020/08/28/akitando-83-akita-quais-cursos-voce-recomenda-e-o-low-code-e-o-gpt-3/</guid><pubDate>Fri, 28 Aug 2020 10:00:00 -0300</pubDate><description>&lt;div class="embed-container"&gt;
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<h2>DESCRIÇÃO<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="descrição"></span>
    <a href="#descri%c3%a7%c3%a3o" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Hoje vou responder às perguntas que mais me fazem via DM. São 3 temas principais: quais cursos fazer, low-code e GPT-3, mas todos convergindo pra falar sobre a ansiedade na sua carreira.</p>
<p>Capítulos:</p>
<p>00:00 Abertura
01:32 Avaliação de Testes de Candidatos
06:32 Low-Code/No-Code
13:06 IA e GPT-3
25:31 Sua carreira vai acabar
28:49 Quais cursos fazer?</p>
<p>Links:</p>
<ul>
<li>Lei de Amdahl (<a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Amdahl%27s_law"target="_blank" rel="noopener">https://en.wikipedia.org/wiki/Amdahl%27s_law</a>)</li>
<li>GPT-3, Bloviator: OpenAI’s language generator has no idea what it’s talking about (<a href="https://www.technologyreview.com/2020/08/22/1007539/gpt3-openai-language-generator-artificial-intelligence-ai-opinion/"target="_blank" rel="noopener">https://www.technologyreview.com/2020/08/22/1007539/gpt3-openai-language-generator-artificial-intelligence-ai-opinion/</a>)</li>
<li>Deep Learning’s Carbon Emissions Problem (<a href="https://www.forbes.com/sites/robtoews/2020/06/17/deep-learnings-climate-change-problem/#2fcb9e4b6b43"target="_blank" rel="noopener">https://www.forbes.com/sites/robtoews/2020/06/17/deep-learnings-climate-change-problem/#2fcb9e4b6b43</a>)</li>
<li>3Blue1Brown - Playlist Neural Networks (<a href="https://www.youtube.com/watch?v=aircAruvnKk&amp;list=PLZHQObOWTQDNU6R1_67000Dx_ZCJB-3pi"target="_blank" rel="noopener">https://www.youtube.com/watch?v=aircAruvnKk&list=PLZHQObOWTQDNU6R1_67000Dx_ZCJB-3pi</a>)</li>
</ul>
<h2>SCRIPT<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="script"></span>
    <a href="#script" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Olá pessoal, Fabio Akita</p>
<p>Sim, vou ficar de touca hoje já que povo ficou falando que tô com cabelão de Jaspion. E como dá pra notar, eu ainda não consegui voltar de verdade. Depois que fiz o último episódio onde contei como me acidentei, descobri que de fato eu fraturei meu ombro. Ainda vai levar até quase fim de setembro pra recuperar meus movimentos, mas tenho tentado escrever e tá foda porque o ombro começava a doer depois de uma ou duas páginas. E isso me deixa de muito mau humor, daí eu apagava tudo e começava tudo de novo alguns dias depois pra ver se doía menos.</p>
<p>Esta deve ser a quarta ou quinta vez que tentei escrever e finalmente consegui terminar. Como eu ando mau humorado sem poder me mexer direito, acho que faz sentido este episódio ser mais um estilo RANT. Este é um bom exemplo de porque eu não monetizo meu canal nem aceito patrocínios. Podem se preparar pra bronca.</p>
<p>Tem duas motivações pro tema de hoje. A primeira são as dezenas de perguntas que vocês me mandam toda hora no DM do Insta. A segunda é que no video passado anunciei que minha empresa tá contratando, daí passei os últimos dias avaliando vários testes de código de candidatos. Nos últimos meses a maioria das perguntas tem a ver com três temas. O primeiro é o constante &ldquo;akita, quais cursos você acha que eu devo fazer?&rdquo;, O segundo é &ldquo;akita, fala como o low-code vai revolucionar a programação&rdquo;, e o terceiro, claro, é &ldquo;akita, fala como o GPT-3 vai substituir os programadores&rdquo;.</p>
<p>Como tudo isso tá conectado? Vamos ver.</p>
<p>(&hellip;)</p>
<p>Deixa eu começar com os testes que ando avaliando. Primeiro de tudo, pelo menos em termos de quantidade, tivemos uma boa resposta e mais de uma centena de currículos recebidos. A Codeminer não é uma empresa de recrutamento nem body-shop, essa foi a primeira vez que tivemos que lidar com tanto currículo de uma só vez. Então já peço desculpas caso as respostas não tenham sido muito satisfatórias. Ah sim, algumas pessoas vivem perguntando sobre trabalho voluntário, sem receber, e eu já vou dizer: não existe trabalho voluntário em empresa privada. Se você trabalha pra alguém, em qualquer capacidade, cria-se vínculo empregatício. A lei não permite diferente disso. Eu não sou ONG, não posso ter voluntários, só contratados.</p>
<p>Eu não vou dar detalhes do teste porque não é objetivo do video mas deixa eu colocar uma coisa muito clara: se você não tem interesse em se esforçar num teste, acredite que eu vou ter menos esforço em te considerar. É recíproco. Como eu disse, isso Não é trabalho voluntário. Outra coisa, eu pessoalmente olho a maioria dos códigos dos candidatos junto com outros desenvolvedores do meu time. O mesmo teste passa pela avaliação de umas 2 pessoas. E eu nunca leio o currículo antes de ver o teste, pra não ter viés. Mas eu nem preciso. De bater o olho eu tenho uma idéia de quanto tempo a pessoa levou pra fazer, se fez com má vontade, eu muitas vezes consigo ver a faixa etária e que tipo de experiência essa pessoa já teve. Se você nunca pensou nisso, fica um insight: o código expõe muito de quem você é.</p>
<p>Deixa eu colocar em perspectiva. Eu venho avaliando código, seja de colegas de trabalho, seja de projetos de clientes, seja de contratações, seja open source, faz 30 anos. Nesse período eu li código de centenas de pessoas diferentes. Só a minha empresa tem quase 10 anos, com quase 100 desenvolvedores e já passaram fácil umas 300 que entraram e saíram. Quando você faz isso por tantos anos, naturalmente encontra patterns, você sabe que determinado tipo de código tem determinado tipo de origem.</p>
<p>Isso significa que eu faço codigo melhor que os outros? De jeito nenhum. Eu não programo mais todos os dias. É como um avaliador de arte. Ou um sommelier de vinho. Ou alguém da Michelin avaliando restaurante. O melhor avaliador de arte raramente é o melhor artista. O melhor sommelier não necessariamente é o melhor produtor. O melhor avaliador de restaurantes raramente é o melhor chef e assim por diante.</p>
<p>Isso explicado, é hora de dar a carteirada. Exemplo simples: o teste pede que o candidato desenvolva um conjunto de funcionalidades. Algumas são propositalmente simples e outras são propositalmente mais complexas. Alguem nível estagiário, eu realmente não espero que consiga fazer as coisas complexas. Mas o que normalmente acontece é que as pessoas começam querendo fazer as coisas simples primeiro e deixam as complexas por último. Só que aí elas gastam uma semana floreando o que não precisava, acaba o prazo e ela não sabe o que fazer, e dá pra ver que a primeira metade é mais caprichada que a última. Claramente não assistiram meu vídeo sobre Prioridades.</p>
<p>Mas pior ainda é quando você pega o teste, incompleto, só a parte simples feita. Às vezes sequer roda. Eu avalio como nível estagiário ou junior, daí vou ver o curriculo e o cara se diz pleno ou senior. Menos né. Eu falo sobre isso de niveis no video Começando na Carreira de TI. Mas o ponto é que o código costuma dizer um nivel diferente do que a pessoa escrevendo o código acha que é. Alguns são mais realistas, alguns são mais deslumbrados, mas o código costuma ser objetivo. No caso sobre ser senior, muita gente se pergunta se já é, e eu sempre digo que se você tem dúvidas, provavelmente não é. Você vai ter certeza quando for.</p>
<p>Aliás, pra quem ficou de mimimi no meu video de Aprendendo a Aprender, e não sabe escutar e concluiu que eu privilegio quem se formou em federais, tente escutar o que eu acabei de falar: eu não olho o currículo antes de ver o código. O que eu disso no outro video e reitero, é que depois que eu avalio o código e vou ver o currículo pra saber quem era a pessoa, por acaso a maior parte que eu avalio bem acaba sendo de federais. É uma correlação e não um preconceito. Vocês de particulares e cursos avulsos querem mudar isso? Não mandem testes incompletos, mal feitos, que sequer rodam.</p>
<p>Outro exemplo óbvio: mesmo depois de avaliar uma dezena de códigos de teste, eu achei alguém que copiou partes do teste de outra pessoa. Ha, pra cima de mim? Não tô falando um trechinho, como todo mundo faz com stackoverflow. Tô falando quase tudo, incluindo comentários e os console.log esquecidos nos mesmos lugares. Ha. Os dois tão desclassificados. Porque se num simples teste eu já encontro essa falta de ética, você acha que vou confiar o código dos meus clientes como? Como eu disse, o código expõe muito do tipo de pessoa que você é.</p>
<p>Eu poderia fazer um video inteiro falando só sobre as coisas que eu consigo enxergar num teste, mas vou parar com esses exemplos mais simples. Porque o objetivo de falar disso foi pra falar do tema principal deste episódio: vocês são ansiosos demais. Porque os 3 temas das perguntas que mais me fazem, sobre quais cursos, sobre o tal do low-code ou o tal do GPT-3, tem origem no mesmo lugar: vocês querem saber como ter emprego garantido. Como saber que você vai ter um lugar nesse mercado hoje e no futuro. E como saber se você vai continuar evoluindo, ou seja, ganhando mais. Todo mundo quer tentar ser mais esperto que o resto e normalmente não tá sendo.</p>
<p>Deixa eu começar falando rapidamente sobre o tal do Low-Code. Seja a da tal Outsystems ou coisas como o Amazon Honeycode ou Monday.com ou qualquer outra plataforma desse tipo. Sim, elas permitem desenvolver aplicativos com pouco, que é o low-code, ou nenhum código, que é o no-code. Vamos deixar uma coisa muito clara: isso NÃO É PROGRAMAÇÃO. Vou repetir se não ficou claro: isso NÃO é programação.</p>
<p>Se você ainda não entendeu eu quero que vocês prestem atenção nisto na minha mão. Estão vendo? Isto é Low-Cook ou No-Cook sejá lá qual termo você preferir. Você ferve água, coloca neste copo, espera 3 minutos e tem uma refeição. Se quiser ser fancy, você quebra um ovo dentro. Isto, Não é gastronomia. E ao colocar água no copo você não andou nem um único passo na direção de ser um Massimo Bottura, Ferran Adriá, Dominique Crenn ou Gordon Ramsay. Nem um único passo na direção de ser cozinheiro de carrinho de cachorro quente, muito menos de chefs Michelin 3 estrelas.</p>
<p>Agora eu pergunto. Você acha que este Cup Noodles, ou esta sopa enlatada Campbell&rsquo;s representam alguma ameaça à arte da gastronomia? Você acha que porque inventaram a sopa enlatada ou o macarrão instantâneo, acabou a necessidade de cozinheiros e chefs de verdade? Ou pior, você se acha um chef quando coloca água quente num copo? Então por que diabos você acha que um operador arrastando componentes numa tela pra fazer um app fast food é programador?</p>
<p>Vou inverter a pergunta, não precisa nem ser um Ferran Adriá, você acha que o cozinheiro do restaurante italiano do lado da sua casa tá preocupado em perder o emprego achando que todo mundo vai comer cup noodles? Ou outra pergunta mais óbvia: se um cup noodles é uma refeição tão mais barata e simples de fazer, porque diabos você acha que 100% da população não migrou pra cup noodles?</p>
<p>Entendam uma coisa que devia ser óbvia se você tem alguma esperança em ser um profissional de programação algum dia: esta não é a primeira vez que esse tipo de plataforma aparece. Não tem nada de novo aqui, muito menos “revolucionário”. Eu já vi isso aparecer nos anos 80, nos anos 90, nos anos 2000 e agora de novo. Nos anos 90 por exemplo, tivemos o hype do RAD ou Rapid Application Development que deu origem às antigas IDEs e componentização como Hypercard, Powerbuilder, Access, Visual Basic ou Delphi. Vejam meu episódio sobre Dimensão do Tempo pra entender o ciclo de obsolescência da história.</p>
<p>Não estou dizendo que todas essa ferramentas são necessariamente ruins. Elas tem utilidade. A realidade é que pra uma parcela gigante de micro e pequenas empresas, elas simplesmente não tem capital pra custear grandes sistemas customizados. Ou o business é tão pequeno que realmente não precisam de muita coisa. O tipo de apps que eles precisam são alguns cadastros simples, alguns workflows simples, alguns relatórios simples. E sim, nesses cenários, plataformas de low-code ou no-code provavelmente vão ser úteis e até substituir uns Excel malfeitos por aí. Mas é só isso, no máximo. Assim como um cup noodles, se a pessoa tá com fome e não tem muito dinheiro, é uma alternativa legítima. Muito estudante de faculdade vai ter histórias de como conseguiu sobreviver graças a miojo. Eu mesmo já tive períodos assim no passado.</p>
<p>Mas vamos voltar ao foco do que me perguntam: que tal fazer uma carreira de “programação” em cima de ferramentas low-code pra produzir apps de baixo custo? Não vejo nenhum problema nisso. É um emprego legítimo como qualquer outro. Mas de novo, você não está no mercado de programação, não se iluda. Não existe caminho de migração entre fazer apps low-code e depois fazer aplicativos customizados de verdade. É como você querer migrar de fazer cup noodles em série pra vender pros amigos da faculdade e disso virar chef. Não tem nenhuma relação. Se depois você decidir virar chef, tem que começar absolutamente do zero na gastronomia, como qualquer um faria. Fazer cup noodles não te levou mais perto disso.</p>
<p>Outra, se amanhã uma Outsystems desaparecer, se amanhã a Amazon decidir que não gosta mais do Honeycode, se amanhã a Monday.com decidir parar de oferecer low-code, você não tem pra onde correr. No máximo vai migrar de uma ferramenta de low-code pra outra ferramenta de low-code, ou seja, vai evoluir de fazer cup-noodles pra esquentar lasanha congelada no microondas. E isso é o outro problema: todas as ferramentas de low-code são proprietárias, como as grandes IDEs dos anos 90 e 2000 que eram da Oracle ou IBM e já não existem mais. Se amanhã eles decidem descontinuar esses produtos, problema seu. O conhecimento que você adquiriu não tem utilidade em programação de verdade.</p>
<p>Eu sei o porquê de muita gente me perguntar se vale a pena aprender low-code em vez de estudar programação de verdade. Porque é mais fácil! Infinitamente mais fácil. E nem vem com essa conversa idiota de elitismo ou qualquer coisa assim, o fato é simples: se é fácil pra você, é fácil pra qualquer um. E se qualquer um consegue fazer com mínimo esforço, cada um de vocês vale menos e menos. Não existe caminho pra cima, só pra baixo. Não existe evolução, nem carreira. E de novo, não tem nenhum problema nisso. É como trabalhar montando Big Mac no McDonald&rsquo;s, isso não é gastronomia, mas muita gente precisa de um primeiro emprego, juntar um dinheiro enquanto faz faculdade ou algo assim. Empregos temporários que exigem baixa capacidade tem muita utilidade. E low-code é o equivalente. Pode ser um bom emprego temporário enquanto você se prepara pra uma carreira de verdade no futuro.</p>
<p>E se tudo isso ainda não convenceu, uma última coisa que deveria ser meio óbvia: uma ferramenta de low-code não tem capacidade de gerar outra ferramenta de low-code melhor que a original. Ela morre nela mesma. E o que é necessário pra evoluir qualquer plataforma de low-code ou criar uma nova melhor? Precisa de um programador de verdade. Um operador de low-code não vai jamais criar outra plataforma de low-code sabendo só low-code. É impossível. Isso não é uma opinião, é uma resposta absoluta e inquestionável, é um fato: você que é operador de low-code tá 100% a mercê de quem é programador. E é por isso que low-code jamais vai substituir um programador de verdade, assim como um cup noodles nunca vai substituir um chef de verdade.</p>
<p>No final do video eu vou voltar ao low-code, então segure esse pensamento. Vamos pro segundo tema: mas e as inteligências artificiais? Não faz muitos anos, o DeepMind do Google derrotou um dos maiores jogadores de Go do mundo, Lee Sedol. Eu assisti ao vivo e achei sensacional. Go que é o jogo de tabuleiro mais difícil do mundo e a gente achava que nenhum computador seria capaz de derrotar um jogador humano pelo menos nos próximos 10 anos ainda. Não só isso, o mesmo DeepMind hoje consegue jogar dezenas de jogos de Atari, que ele aprendeu a jogar sozinho, melhor que humanos também. Vou deixar o link sobre isso nas descrições abaixo.</p>
<p>Daí em 2020 tivemos as notícias bombásticas do Generative Pre-trained Transformer versão 3, também conhecido como GPT-3, da OpenAi do Elon Musk. E toda vez que eu ouço Elon Musk, meu sentido aranha começa a apitar. Metade do que se diz sobre ele é relevante, metade é puro marketing. Ele me lembra Steve Jobs no sentido de criar bolhas de distorção de realidade. E o hype nas redes sociais e noticiários só amplifica essa distorção. Vide o preço sem nenhum sentido das ações da Tesla atualmente. É uma bolha.</p>
<p>As pesquisas em cima do GPT-3 de fato são muito interessantes do ponto de vista puramente técnico. Eu não sou estudioso de inteligência artificial, mas qualquer estudante de ciências da computação tem capacidade pra entender o básico. Inclusive, muitos trabalhos de conclusão de curso ou iniciação científica são sobre redes neurais e outros aspectos de IA. Se você é de ciências da computação e não é cínico com as notícias que andam circulando, eu reavaliaria a quantidade de horas que você tá gastando em cervejada em vez de estudar o que devia. E antes que eu me esqueça, não comentem se eu assisti video de fulano ou ciclano sobre GPT-3, eu sei que saiu um monte por causa do hype e eu não tive interesse de assistir de ninguém, eu fui ler os artigos direto.</p>
<p>Pra todo mundo que não fez ciências, por trás de todos os palavrões impressionantes como Inteligência Artificial, Machine Learning, Deep Learning, tem conceitos simples de entender mas implementações que dependem de matemática pesada como cálculo, álgebra linear, estatística e probabilidade e assim por diante. Você não precisa ser matemático pra entender os conceitos. Eu recomendo uma série do canal 3Blue1Brown que explica como funciona Deep Learning de uma forma visual e que eu considero simples e muito didático. Vou deixar linkado nas descrições abaixo e recomendo que vocês assistam depois.</p>
<p>O maior problema pra população em geral é quando colocamos as palavras &ldquo;inteligência&rdquo; e &ldquo;aprendizado&rdquo; na mesma frase. Dá impressão que a Skynet vai acordar daqui a pouco e dominar o mundo. E se você acredita nisso, eu entendo que faz sentido pensar que a carreira de programação está com os dias contados, porque se uma ferramenta low-code é incapaz de gerar uma nova ferramenta low-code melhor, como eu afirmei antes, certamente uma inteligência artificial, através de machine learning e deep learning poderia ser capaz de aprender a programar e sozinho gerar até uma nova inteligência artificial ainda melhor. Mas não, isso é ficção científica, eu não vejo isso chegando perto de acontecer enquanto eu estiver vivo e nem na próxima geração ainda.</p>
<p>Por hoje, eu não vou fazer uma grande tangente pra explicar sobre inteligência artificial, primeiro porque eu não sou estudioso da área e segundo porque o assunto tem atraído muito público então existem dúzias de materiais recentes excelentes tanto em forma de artigos, livros ou videos em tudo que é lugar. Eu não preciso ser redundante. Como eu disse antes, se você quer os detalhes, existe esse troço chamado Google que vai te dar excelentes respostas e materiais de estudo.</p>
<p>Pro que nos interessa aqui, o GPT em si é um modelo de linguagem autoregressiva com objetivo de produzir textos que parece que foi um ser humano que escreveu. Uma das inovações tá na letra &ldquo;T&rdquo; do nome, os transformers. Existe todo um campo de pesquisa e tecnologias chamado Natural Language Processing ou NLP, onde temos técnicas chamadas de Recurrent Neural Networks ou RNNs. Algumas dessas técnicas incluem Long-Short Term Memory ou LSTM. Resumindo de forma simplória, essas técnicas exigem processamento sequencial, ou seja, pra processar o próximo passo ele precisa do resultado do processamento anterior. É altamente acoplado. Se você é programador e já estudou sobre processamento assíncrono, sabe que isso é um problema porque impede paralelização. Se você não entendeu nada do que falei agora, pesquise estes termos no Google.</p>
<p>Os tais transformers são a evolução dessas técnicas de maneira que permitem um nível muito maior de paralelização. O GPT-2 já dava resultados impressionantes com 1.5 bilhões de parâmetros de aprendizagem e obviamente dizer que o GPT-3 processou (cento e setenta e cinco) 175 bilhões de parâmetros é algo que faz títulos de notícia ficarem particularmente mais clicáveis. A pergunta do GPT-2 pro GPT-3 é quando iríamos bater na lei de retornos decrescentes. Aliás, esse é outro conceito que você precisa entender. É muito difícil você conseguir que um programa paralelizável fique infinitamente mais veloz só aumentando a quantidade de processamento. Você bate na Lei de Ahmdal. É impossível paralelizar o mesmo programa pra sempre só aumentando processamento. Mas no caso, o GPT-3 ainda não bateu nesse limite, pelo que eu soube. Só entenda que não existe almoço grátis aqui também.</p>
<p>Agora, isso tudo dito, o que isso significa? Muita gente viu os demos de textos gerados pelo GPT3 incluindo trechos de código, poemas, capacidade de responder perguntas e muito mais. Eu nem vou perder tempo mostrando esses demos, porque como eu já disse, aqui no YouTube você vai encontrar centenas de videos fazendo demonstrações com a API do GPT e pra nossa área de programação interessa que existem até exemplos dele gerando trechos de código. Tipo, eu digo &ldquo;crie um botão azul centralizado na tela&rdquo; ou algo assim e ele gera o HTML pra isso direitinho. Uma pessoa comum, um normie, vendo isso facilmente esticaria o raciocínio pra imaginar que já era programadores.</p>
<p>Entenda uma coisa sobre redes neurais, eles precisam de uma quantidade absurda de treino. Treinar é fazer ele processar o máximo de material que existe pra conseguir gerar algo semelhante. Por exemplo, se eu jogar todas as obras do Shakespeare pra ele processar, ele vai conseguir gerar um texto que tem a cara de um texto de Shakespeare. Se eu jogar todas as músicas de Mozart ele vai conseguir gerar uma música nova que tem cara de Mozart. Se eu jogar um monte de código do Github de javascript, ele vai conseguir gerar alguns trechos de javascript que fazem sentido. Isso realmente é possível.</p>
<p>Mas esse é o limite. Ele consegue imitar um humano, mas não é nem de longe um humano. E eu não digo isso porque eu sou algum tipo de humanista que não acredita em máquinas substituindo humanos ou qualquer bobagem assim. Pelo contrário, eu adoro ficção científica, cyberpunk e tudo mais, eu quero mais é que um inteligência artificial supere logo os humanos. Mas falando friamente nos limites do que existe, isso ainda não é possível. Por mais impressionantes que os textos gerados pelo GPT pareçam, eles são o resultado desse treinamento de encontrar padrões, dar pesos pra esses padrões, e gerar algo baseado nesses pesos. Quando eu falo &lsquo;botão azul&rsquo; ele processou vários HTMLs que tem botões, vários CSS que tem cor azul, e tem os padrões que juntam as duas coisas e solta um HTML coerente.</p>
<p>A mesma coisa vale pra um DeepMind que tem o conceito de aprender sozinho. Por exemplo jogos de Atari que eu não ensino nada e deixo ele ficar errando milhares de vezes, até ele começar a achar o caminho sozinho. Isso funciona em games simples, com regras simples e delimitadas. Por mais impressionantes que seja ver o DeepMind jogando um Pong ou Arkanoid ou Pacman sozinho, assim como no caso do Go, ele tá confinado num tipo de tabuleiro, onde as coisas só se movem de uma maneira simplificada, e não expande mais que isso. Mesmo em jogos que parecem mais complicados como um Dota 2 que já teve IA jogando. Pular disso pro mundo real, que tem milhões de variáveis extras, que é um sistema complexo não-linear, estamos falando de ordens de grandeza de diferença de complexidade.</p>
<p>Outra coisa, pra um GPT-3 gerar os textos que gera ou pra um DeepMind jogar Go como joga, estamos falando de um custo de processamento absurdamente alto. Não sei se vocês pararam pra pensar, por mais impressionante que seja a demonstração do GPT-3 gerando meia dúzia de linhas de HTML, quanto custou pra ele conseguir fazer isso? Vou deixar um artigo linkado embaixo, mas estamos falando de níveis tão caros quanto minerar criptomoedas. No caso do paper do GPT-3 ele foi treinado ao longo de seis meses, foram quase 5 mil versões de modelos de treinamento, exigindo GPUs queimando energia por quase 10 mil dias inteiros, 24 horas por dia, sem parar gerando mais de 30 toneladas de emissão de CO2. Ou seja, mais do que uma pessoa vai emitir durante dois anos inteiros. Pra todo mundo aí que já fez mimimi de emissão de carbono, tô esperando falar de Deep Learning da mesma forma.</p>
<p>Aliás, eu também não sou ambientalista, então seja em mineração de criptomoedas, seja gastando toneladas de carbono processando dados pra produzir alguns demos interessantes que deixam a internet doidona. Eu realmente não me preocupo porque como sempre, se a tecnologia for valiosa, ela vai ser otimizada ao longo do tempo. Como eu já disse numa palestra, se existisse Twitter nos anos 40 a gente não teria tido a revolução dos computadores, porque os primeiros como um ENIAC usava energia suficiente pra esquentar um lago. Era extremamente custoso e alguém ia twittar &ldquo;ah, isso de computador não vai dar certo, vai destruir o meio ambiente, precisamos parar com isso&rdquo;.</p>
<p>Neste momento, Deep Learning de verdade é algo inacessível pra maioria das pessoas quando estamos falando em níveis de DeepMind ou GPT-3. Você assistindo provavelmente nunca vai ter acesso aos detalhes da implementação e nem vai conseguir replicar o que foi feito. Entenda o outro grande problema: é tudo fechado. Você tem acesso ao paper, a algumas APIs e só. É tudo um grande experimento inacessível pra mim e pra qualquer pessoa fora das equipes de pesquisa desses projetos. O máximo que podemos fazer é especulação, por isso eu nunca me interessei em falar muito sobre isso. Significa também que você não vai fazer uma carreira nessa área. Vai no máximo consumir APIs de alguma dessas empresas e acreditar na caixa preta por baixo.</p>
<p>Toda vez que falamos de inteligência artificial na prática estamos falando de integrar com APIs da IBM, da Microsoft ou da AWS e agora da OpenAI. A maioria das pessoas sequer sabe como esses motores funcionam, só que funcionam, e pra maioria de nós isso é suficiente, mas entenda que só porque você usa uma API dessas, não o torna nem um pouco mais perto de ser da Área de IA, assim como colocar água no cup noodles não te leva perto de ser um chef.</p>
<p>E aqui eu volto ao problema que falei de low-code. Lá no futuro, quem sabe o GPT-1000, depois de ter sido treinado com todo o histórico de código dos GPT anteriores, seja capaz de gerar o GPT-1001, uma versão melhorada. Diferente de low-code, em teoria, ele poderia um dia ter essa capacidade. Mas eu tô falando de tanto tempo no futuro e é uma premissa tão abstrata que o que eu acabei de dizer tá mais perto de ficção científica do que qualquer outra coisa. Portanto não, pelas próximas décadas nem low-code e nem IA vai substituir a necessidade de programadores de verdade.</p>
<p>E tem outro agravante. Vamos fazer outro exercício mental. Digamos que no começo dos anos 2000 já tivéssemos meu teórico GPT-1000. Digamos que eu tivesse acesso aos códigos fonte de uma America Online, de um Yahoo, de um Orkut, de um ICQ e todas as principais startups do começo dos anos 2000. Mesmo assim ele não seria capaz de gerar coisas novas diferentes, como o Netflix, ou o Uber, ou o Airbnb a partir de 2008. Porque não é só uma questão de evolução de código, tem milhares de outras variáveis que não estão no sistema, como o momento econômico e social dessa época. Um modelo de negócios não nasce da sua cabeça só porque você quer, o melhor modelo de negócios é uma resposta eficiente ao momento econômico, depende muito de timing e da sua capacidade de implementar não só com codigo fonte. Já pensaram em marketing por exemplo?</p>
<p>Um exemplo besta, muita gente acha que se Gary Kildall, o criador do DOS, não tivesse vendido pra Microsoft, que na época era uma pequena empresa, talvez ele tivesse se tornado bilionário no lugar do Bill Gates. E esse pensamento tá errado. O que tornou Gates bilionário não foi o código do DOS, foi o fato dele ser um Gates. Lógico que tem a inteligência e competência dele, mas a mãe de Gary Kildall não era Mary Maxwell Gates, empresária e filantropa e amiga do então presidente da IBM, John Fellows Akeres. O que colocou a Microsoft no mapa foi o acordo de licença do DOS pros IBM-PC. Você acha que o Gary, um desconhecido, ia bater na porta da IBM e conseguir o mesmo acordo? O DOS em si não era um software especial, era bem bugado e ruim na realidade.</p>
<p>Na maioria das vezes o sucesso do software não tá só no software. Claro que ajuda um código inovador e bem feito, mas isso não é o único fator. QI costuma fazer bem mais diferença, o famoso &ldquo;Quem Introduz&rdquo;. Mas o ponto é que um low-code da vida é super limitado no que pode fazer e jamais vai inventar a próxima onda. E mesmo a melhor inteligência artificial, superior ao GPT-3 ou DeepMind de agora, vai sofrer pra fazer mais que alguns trechos de código. Por agora só serve pra dar mais like pra biscoitero. Portanto programadores de verdade ainda vão ser muito necessários pelas próximas décadas.</p>
<p>Mas existe um grande porém nessa história toda. Existe sim uma parcela da população de programadores que vai se tornar obsoleta. Essa categoria sempre existiu e vai continuar existindo, e são os que ficam estagnados num conjunto muito limitado de ferramentas ou marcas. A gente brinca que hoje um programador de Cobol ganha muito bem, mas é porque existem poucos sobrando. Se de repente amanhã aparece centenas de novos programadores de Cobol a única coisa que ia acontecer é que a oferta ia exceder a demanda e a grande maioria não ia ter onde trabalhar, porque não existe uma demanda crescente de Cobol. A demanda diminui ano após ano. E essa é outra coisa que já falei em vários vídeos pra vocês entenderem: a lei da oferta e da procura.</p>
<p>Com a pandemia e a atual bolha de startups cresceu a demanda por programadores. O problema é que cresceu a demanda por qualquer programador, independente da qualidade. Ou seja a demanda tava crescendo mais rápido do que a oferta conseguia suprir, portanto um programador que nem é tão bom assim tava ganhando muito mais do que devia. Por isso eu falo que precisa entender um pouco de economia. Com fatores como juros baixos tava mais ou menos fácil conseguir dinheiro pra investimento e por isso aparecia um monte de startups basicamente só engordando o porco, como a gente costuma dizer. No papel valiam muito, mas na prática não valiam nada. Caso clássico disso foi a derrocada da WeWork, que qualquer um com o tico e o teco no lugar sabia que não valia os bilhões que diziam. E de fato, antes ainda da pandemia implodiu.</p>
<p>Os low-codes e até as IAs da vida vão rapidamente ter capacidade pra substituir alguns tipos de programadores mais limitados. Famoso cachorro de um truque só. Muitas posições hoje são desnecessárias. Faz anos que eu me pergunto porque diabos geração de telas ainda não foi pelo menos semi-automatizado. Antigamente na era do DOS eu precisava desenhar coordenada por coordenada cada coisa na tela, manualmente, era um saco. Quando surgiram as interfaces gráficas também surgiu o conceito de WYSIWYG ou what you see is what you get e coisas como Visual Basic e arrastar elementos numa tela.</p>
<p>Se você faz apps mobile nativos com XCode da vida, faz a mesma coisa hoje. Um React Native ou Flutter da vida já diminuíram muito o trabalho de se fazer telas. Fazer telas é um trabalho repetitivo que a cada ano que passa acrescenta menos e menos valor. A tendência é se tornar mais e mais automatizado até que não seja necessário alguém especializado só em fazer isso. E não precisa esperar o GPT-1000 pra isso. É uma coisa natural. Igual robôs substituem operários em fábrica. Igual e-commerces substituem a necessidade de existir lojas físicas e vendedores. Faz parte da natureza que as coisas se tornem obsoletas e sejam substituídas por processos melhores.</p>
<p>O problema todo que eu vim descrevendo no video é a ansiedade de iniciantes de querer se tornar um programador rápido demais, tentando achar atalhos, queimando etapas, deixando de lado as coisas que parecem difíceis e pouco úteis de imediato. Porém, são justamente essas coisas difíceis, tediosas, que exigem esforço, estudo, suor e lágrimas que realmente vai garantir que você passe por diversos ciclos de obsolescência de tecnologia sem ficar pra trás toda vez, porque o que você vai aprender não é uma tecnologia ou ferramenta e sim o processo de aprender a aprender.</p>
<p>E isso me leva ao terceiro e último tema, a pergunta que todo mundo me faz toda hora de quais cursos devia fazer. É sempre a mesma coisa, seja um adolescente de 15 anos que tá ansioso pra começar logo. Seja alguém de 30 anos que sente que tá estagnado depois de trabalhar 10 anos na mesma linguagem ou ferramenta. Seja alguém que quer mudar de área, com 40 ou 50 anos e quer virar programador. Todos querem saber, Akita, devo fazer curso de python ou de javascript. Devo fazer curso de Angular ou React. Devo tentar uma linguagem nova como Elixir ou Go. Ou devo tentar algo que parece que tem mais empregos como Java ou .NET.
E cursos, de quem eu devo fazer? Devo fazer Coursera? Pluralsight? Udemy?</p>
<p>E a resposta pra todas essas perguntas é &hellip; yes.</p>
<p>Meio brincadeira mas a resposta é simples: tanto faz. Muita gente ficou me falando de GPT com o medo de que vai ser substituído em breve e que tudo que estudou em cursos vai pro espaço. Nesse sentido eu diria que você não tá muito errado, você já sabe que o que você sabe é muito pouco e facilmente substituível. A boa notícia é que eu não acho que vai ser o GPT-3, a má notícia é que vai ser qualquer outra coisa. Tá correto ficar preocupado, mas você tá preocupado com a coisa errada. Deixa eu tentar martelar na cabeça de vocês, de uma vez por todas, tudo que você precisa saber sobre cursos. São 9 itens, vamos lá.</p>
<p>Número 1: desde quando era novo, eu nunca fiz nenhum curso. Ouça e entenda: eu nunca fiz nenhum curso. Eu estudava por conta. Eu não tinha muito dinheiro, e o que tinha eu tentava gastar em livros. Quais livros? Sobre os assuntos que me chamavam atenção. Eu ficava prestando atenção, e o que atiçava minha curiosidade eu ia atrás. Se você sequer tem curiosidade de ir atrás das coisas, você tá na profissão errada, porque você vai ter que se manter curioso pro resto da vida.</p>
<p>Número 2: Desde quando eu era novo, eu nunca ia em nenhum evento, nunca assistia nenhuma palestra, e tinha zero interesse de ver o que os influencers da minha época recomendavam. Zero interesse. Eu sabia que não fazia nenhuma diferença. Nenhuma. Eu já tinha entendido um fato importante: eu programava já antes de entrar na faculdade, e eu vi as ferramentas que eu demorei tanto pra aprender se tornando obsoletas. E eu aprendi desde cedo a desapegar da propaganda. Eu sabia que seja lá o que eu estivesse aprendendo, em 5 ou 10 anos não ia mais existir.</p>
<p>Sabendo disso, consuma seus materiais, livros, cursos ou o que for sabendo que são temporários. É que nem o emprego do McDonald&rsquo;s. É o trabalho que vai colocar comida na sua mesa hoje e tentar te dar uma chance de ter uma carreira no futuro. Não fique muito confortável com seja lá qual linguagem ou framework ou bibliotecas você gosta. Em 10 anos elas não vão mais existir ou no mínimo vão estar relegadas a segundo plano porque outras coisas novas vão aparecer. Isso pode parecer desesperador mas assista meu episódio de Dimensão do Tempo. Qualquer um que começou querendo ser programador antes de 2010 nunca ia ter idéia, por exemplo, que depois disso ia existir um mercado de apps mobile, porque não existia isso antes. Sua carreira não é uma coisa pré-determinada, que você escolhe hoje e vai fazer a mesma coisa pro resto da vida. Você não tem e nem deve escrever em pedra sua carreira, você precisa criar fundações pra que ela possa ser qualquer coisa dentro da área.</p>
<p>Número 3: Curso de React, Angular, Flutter, Node, Spring, Laravel, é tudo igual, seja lá quem faça o curso. São ferramentas, que nem um martelo. Não tem tantas formas tão diferentes assim de ensinar como um martelo funciona. Faça qualquer um, faça mais de um, não faz diferença. Eu pessoalmente acho muito lento fazer cursos mas eu entendo que tem gente que se sente mais confortável quando alguém mastiga o assunto pra você. Nenhum curso vai ser excepcionalmente muito melhor que os outros.</p>
<p>Número 4: Ferramentas são de fato temporárias. Elas vão embora. Mas conhecimento de base não vai. A base é tudo aquilo que você considera chato e que parece que nunca vai ser útil. Eu falo disso nos videos sobre faculdades. Na minha época de faculdade não se falava muito ainda em temas como inteligência artificial, computação gráfica, ou coisas assim, em 1995 a gente ainda tava no começo disso. A gente tinha noção mas não tinha como adivinhar de que forma as coisas seriam no século XXI.</p>
<p>Hoje em dia você ouve os termos hypados da comunidade como data sciences, e o que é isso? cálculo, estatística e probabilidade. Ou Machine learning, o que é isso? cálculo, estatística e probabilidade. Deep Learning, o que é isso? cálculo, álgebra linear. Computação gráfica, o que é isso? álgebra linear. Se você se diz de data science porque sabe importar uma planilha numa ferramenta e exportar outra planilha, e não sabe cálculo e estatística e probabilidade, você não é de data science, você é só um operador de ferramenta.</p>
<p>Se você tem interesse em qualquer uma dessas áreas mas nunca parou alguns anos pra aprender matemática, você é e sempre vai ser só um consumidor, um operador de ferramentas. Você nunca vai ser a pessoa que vai trabalhar na criação e manutenção dessas ferramentas, e você nunca vai estar à frente da curva, sempre vai estar reagindo às demandas do mercado. Pior do que isso, o que eu mais vejo é gente de programação que sequer sabe português direito e é incapaz de formular um e-mail coerente com começo, meio e fim. E você quer falar de inteligência artificial?? Ah vá.</p>
<p>Número 5: pela própria natureza do business, empresa de cursos não tem tanto interesse na sua carreira propriamente dita, ele só quer te manter fazendo os cursos dela o mais tempo possível. E não digo isso insinuando que elas são perversas ou qualquer coisa assim. É simplesmente como o mercado funciona. Pra qualquer empresa de cursos é interessante que você tenha a ilusão que precisa de mais e mais cursos deles pra cada nova ferramenta que o mercado comece a demandar. Quase ninguém tem demanda imediata pros tais cursos de base que eu falei, como cálculo, álgebra linear. Por isso eu falo que é importante, se puder, que você faça uma faculdade. Não é pelo canudo ou pra se formar, mas pra você descobrir essa fundação que a maioria dos cursos comerciais nem menciona. Programar não é só sair escrevendo qualquer código e fazer rodar e ficar feliz com isso. Isso é só o equivalente a colocar água no cup noodles e achar que virou chef. Isso não é empoderamento, é só gratificação instantânea.</p>
<p>Entenda o modelo de negócios: se num mundo ideal todo mundo descobrisse que não é tão difícil assim ser autodidata, haveria necessidade de cursos? Vou dar um exemplo anedota de mim mesmo. Eu comecei a aprender Java em 1996, quando saiu a versão 1.0, não tinha curso. Eu aprendi .NET em 1999 quando acho que era versão Beta, e ainda não tinha curso. Eu aprendi Ruby em 2005, quando ainda não tinha curso. Eu aprendi Objective-C em 2010, quando ainda não tinha curso. Eu comecei a aprender o básico de Swift em 2014, no dia que lançou 1.0 e ainda não tinha curso. Eu aprendi Elixir em 2015, quando ainda não tinha curso. Tudo que eu aprendi foi quando ainda sequer tinha a opção de cursos. Não espero que todo mundo faça isso, mas é mais uma das coisas que você não vai conseguir fazer se pra tudo você depende de um curso.</p>
<p>Número 6: com tudo isso eu não estou dizendo que cursos são ruins, cursos são só serviços. Nada mais, nada menos. Eles ajudam, mas não faz parte do modelo de negócios ensinar você a aprender sozinho, não importa a propaganda. E você sempre vai ter a ilusão que porque fez um curso já aprendeu tudo ou quase tudo que precisava e aqui vem outra coisa importante: nenhum curso vai ser capaz de ensinar mais que uns 20%, se muito, de qualquer tema, não importa qual. Os outros 80% você vai ter que aprender sozinho. Mesmo que no título do curso tenha a palavra &ldquo;avançado&rdquo;, continua não sendo nem perto de tudo.</p>
<p>Número 7: você só sabe que tá começando a pegar ritmo na sua carreira quando tudo que sai de novo, você consegue se virar pra aprender rápido e sozinho. Cursos são como a rodinha na bicicleta, uma hora você precisa tirar e andar sem. E quando tira a rodinha, você vai começar a fazer o que já devia ter aprendido desde o começo: a cair e levantar. Você só postergou esse dia em troca de gratificação instantânea sem de fato ter aprendido o mais importante. De novo, alguns precisam das rodinhas pra pegar coragem antes de tentar sem, mas não se engane, uma hora você vai precisar tirar, então garanta que isso aconteça o mais cedo possível.</p>
<p>Número 8: eu falo isso desde o video de Matando Semi-Deuses, mas só porque eu ou qualquer outro influenciador disse alguma coisa, não dê tanta importância pra isso. A gente só é um bando de chato cagando regra pros outros. Eu disse agora pouco que quando eu tinha uns 20 anos eu nunca tive nem curiosidade de procurar influenciador - e eu sequer sabiam quem eles eram porque eu não acompanhava. Nunca senti vontade de pedir recomendações.</p>
<p>Por exemplo, se você pergunta pra mim ou qualquer outro influenciador quais cursos eu recomendo, o que você espera? Nenhum de nós fez todos os cursos do começo ao fim pra poder tabular numa matriz, comparar e apresentar uma resposta objetiva pra você. Eu detesto fazer cursos, acho todos muito devagar. O máximo que qualquer um de nós pode fazer é dizer o que a gente ouviu falar. Ou seja, meu chute não vai ser muito melhor que seu chute. E nesses casos eu sempre prefiro ficar com meu chute. Lembra do episódio de Não Terceirize suas Decisões? Pois é, eu nunca tive e continuo não tendo interesse no que um influenciador tem a dizer. Duvide do que a gente fala, faça você mesmo sua lição de casa.</p>
<p>Número 9: de novo, não estou dizendo que são todos os cursos ou que eles são culpados disso, mas o formato que todo mundo tá acostumado é seguir uma lista de itens, um checklist. Você faz um passo a passo, vai cumprindo os itens do curriculo, e no final você acha que evoluiu só porque conseguiu cumprir os passos. É uma rotina que te deixa acostumado com a coisa errada. Em vez de você pensar por você mesmo pra saber se evoluiu e pra onde ir, você se acostuma a esperar um checklist de tudo. E quando faz um item a mais, já acha que conquistou grande bosta. Sem querer, rotinas assim como de cursos te deixam reativo e passivo. Você espera que a vida real é que nem um video game, com fases simples e pré-definidos que quando você passa acha que é grande coisa. É que nem que jogar Fifa no playstation e no final acha que virou Neymar. Entenda, esses checklists foram feitos pra você passar. A vida real não, ela foi feita pra não deixar você passar. Já passou da hora de tirar as rodinhas da bicicleta né?</p>
<p>Finalmente, o que vai tornar você obsoleto e colocar sua carreira em risco não são ferramentas de low-code ou o GPT-3 ou o DeepMind ou a Skynet, é a sua incapacidade de aprender sozinho, sua irritante ansiedade em achar que é esperto e queimar etapas, e sua eterna credulidade de se iludir com gratificação instantânea. E você não tá sozinho, ou você acha que todo mundo também não quer ganhar rápido com pouco esforço? Por isso que esquemas de pirâmide nunca desaparecem. Como diz o ditado, todo dia sai um malandro e um trouxa de casa, se eles se encontram, sai negócio. E sempre quem procura recompensa fácil com pouco ou nenhum esforço é o trouxa. Quem vai tornar sua carreira obsoleta não é ninguém além da sua falta de esforço. Então pare de tentar achar justificativas de ficção científica pra achar que sua carreira corre perigo.</p>
<p>A moral da história é, você decidiu ser um chef, mas é preguiçoso demais pra aprender a descascar batata. Alguém inventa o Cup Noodles e você treme nas bases achando que acabou sua carreira. Sério isso?? E eu to reclamando mesmo, porque vocês não tem noção de quantas perguntas iguais a essa eu recebi nos últimos meses. É o mesmo tipo de cara que tá precisando de emprego, daí você oferece e manda um teste e o indivíduo me devolve feito nas coxas e vai no twitter reclamar que ninguém dá chance dele virar techlead ganhando salario de 6 digitos e por isso é uma vítima da sociedade. Se eu quando tinha 20 nos anos 90 já sabia que o mundo não funciona assim e dei meus pulos, vocês hoje já deviam ser muito mais espertos que isso, com a quantidade massiva de material de graça que tem disponível hoje. Vai no site do MIT ou da universidade de Stanford e faz as aulas gratuitas de matemática que tem. Alguém já tentou?</p>
]]></content:encoded><category>carreira</category><category>aprendizado</category><category>llms</category><category>akitando</category></item><item><title>[Akitando] #82 - "Os Rumores da Minha Morte foram Exageradas" 🤣</title><link>https://akitaonrails.github.io/2020/08/13/akitando-82-os-rumores-da-minha-morte-foram-exageradas/</link><guid isPermaLink="true">https://akitaonrails.github.io/2020/08/13/akitando-82-os-rumores-da-minha-morte-foram-exageradas/</guid><pubDate>Thu, 13 Aug 2020 10:00:00 -0300</pubDate><description>&lt;div class="embed-container"&gt;
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&lt;h3&gt;DESCRIÇÃO&lt;span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="descrição"&gt;&lt;/span&gt;
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&lt;p&gt;O video de hoje vai ser bem mais curto que o normal mas eu explico porque.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Links:&lt;/p&gt;
&lt;ul&gt;
&lt;li&gt;Codeminer 42 Careers (&lt;a href="https://www.codeminer42.com/careers"target="_blank" rel="noopener"&gt;https://www.codeminer42.com/careers&lt;/a&gt;)&lt;/li&gt;
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&lt;p&gt;Me siga nas redes sociais:&lt;/p&gt;
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&lt;li&gt;Twitter (&lt;a href="https://twitter.com/akitaonrails"target="_blank" rel="noopener"&gt;https://twitter.com/akitaonrails&lt;/a&gt;)&lt;/li&gt;
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&lt;p&gt;Pois é, eu to sumido faz mais de um mês e resolvi voltar devagarinho agora. Continuo de quarentena como deve dar pra ver pelo cabelão aqui e o video de hoje vai ser um pouco um bate papo em vez do normal de eu vomitar uma tonelada de conteúdo. E sim, se vocês notaram meu novo acessório podem ver que eu não tô 100% também. Quem me acompanha no Instagram sabe que faz mais de ano que eu ando de uniciclo elétrico. Bom, isso é o que acontece quando um deles dá pane. Sim, eu tava de capacete e proteção pras mãos e pulsos. Felizmente eu consegui cair razoavelmente bem e isso aqui não tá quebrado não. A parte mais importante que são as mãos tão funcionando, mas eu acho que tive uma distensão no braço. Eu pretendia voltar na primeira semana de agosto mas isso aqui vai me atrasar mais um pouco. Por isso o video de hoje é bem mais curto que o normal também.&lt;/p&gt;</description><content:encoded><![CDATA[

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<h3>DESCRIÇÃO<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="descrição"></span>
    <a href="#descri%c3%a7%c3%a3o" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h3><p>Depois de um longo período de descompressão, estou de volta!</p>
<p>O video de hoje vai ser bem mais curto que o normal mas eu explico porque.</p>
<p>Links:</p>
<ul>
<li>Codeminer 42 Careers (<a href="https://www.codeminer42.com/careers"target="_blank" rel="noopener">https://www.codeminer42.com/careers</a>)</li>
</ul>
<p>Me siga nas redes sociais:</p>
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<li>Twitter (<a href="https://twitter.com/akitaonrails"target="_blank" rel="noopener">https://twitter.com/akitaonrails</a>)</li>
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<li>Facebook (<a href="https://facebook.com/akitaonrails"target="_blank" rel="noopener">https://facebook.com/akitaonrails</a>)</li>
<li>Podcasts (<a href="https://anchor.fm/akitando"target="_blank" rel="noopener">https://anchor.fm/akitando</a>)</li>
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<h3>SCRIPT<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="script"></span>
    <a href="#script" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h3><p>Olá pessoal, Fabio Akita</p>
<p>Pois é, eu to sumido faz mais de um mês e resolvi voltar devagarinho agora. Continuo de quarentena como deve dar pra ver pelo cabelão aqui e o video de hoje vai ser um pouco um bate papo em vez do normal de eu vomitar uma tonelada de conteúdo. E sim, se vocês notaram meu novo acessório podem ver que eu não tô 100% também. Quem me acompanha no Instagram sabe que faz mais de ano que eu ando de uniciclo elétrico. Bom, isso é o que acontece quando um deles dá pane. Sim, eu tava de capacete e proteção pras mãos e pulsos. Felizmente eu consegui cair razoavelmente bem e isso aqui não tá quebrado não. A parte mais importante que são as mãos tão funcionando, mas eu acho que tive uma distensão no braço. Eu pretendia voltar na primeira semana de agosto mas isso aqui vai me atrasar mais um pouco. Por isso o video de hoje é bem mais curto que o normal também.</p>
<p>De qualquer forma, eu resolvi dar uma pausa nos videos porque eu tava ficando frustrado. Isso é uma coisa de como eu funciono, e eu tenho mania de testar o limite de algumas coisas, como vocês podem ver pelo meu braço. É uma coisa meio masoquista mesmo, sei lá. Meu uniciclo vai até 35 quilômetros por hora, isso depois de desbloqueado, porque a trava de fábrica era 25. Se você força mais, ele vai freando pra não passar do limite. Só que o freio também aquece o motor, e minha teoria é que o motor super-aqueceu e por isso deu pane. A mesma coisa aconteceu com meus videos, eu fui forçando. Eu comecei fazendo videos de 15 minutos. Daí fui acelerando, videos de 30 minutos, 40 minutos, 1 hora, 1 hora e meia. Eu não tenho muito freio, até a hora que super-aquece e dá pane.</p>
<p>No caso dos videos, eu me dei burn out sozinho. Os últimos videos tavam levando dias pra produzir. Sem brincadeira, acho que o ultimo video me custou facil umas 30 horas ou mais pra fazer. E isso não é minha atividade principal, é um hobby. Eu já tenho um emprego que tá indo super bem aliás, obrigado por perguntar. Mas achei interessante a coincidência do timing desse acidente. Mano, isso doeu bagarai, o maldito uniciclo literalmente fez panqueca de mim no asfalto. Mas, eu também judiei bastante dele, pra aprender eu cai na rua várias vezes como vocês devem lembrar se assistiram o video de A Dor de Aprender.</p>
<p>Eu tinha acabado de tirar o uniciclo da manutenção, porque da última vez que eu capotei foi tão forte que a bateria começou a inchar e precisei trocar. Mas acho que não ficou 100%. Paciência, quando um cavalo te derruba não tem o que fazer a não ser sacrificar o cavalo. Por isso pra não forçar mais, resolvi encomendar a versão nova que vai até 55 km/h e tem suspensão. Me sigam no Instagram que eu posto lá quando chegar. E sim, eu não páro só porque machucou. Acidente não é motivo pra parar, só pra reavaliar e dar o próximo passo. Mesma coisa com burn outs.</p>
<p>Portanto não, o canal não morreu. Vocês não vão se livrar de mim tão fácil assim. De qualquer forma, o timing foi providencial porque não sei se vocês notaram, mas o canal acabou de completar 2 anos dia 7 de agosto. Eu ia voltar antes se não fosse pelo acidente, mas é uma boa hora pra eu desacelerar um pouco os videos também. Eu já ultrapassei os limites que eu tinha em mente e preciso voltar a um ritmo mais sustentável. Muita gente me pergunta porque eu não abro um Twitch quando eu estivesse jogando meus games, mas é por isso, eu fatalmente ia acabar tornando a minha descompressão, que é jogar, num trabalho, e aí não ia ser legal.</p>
<p>Um dos meus objetivos fazendo esse canal foi testar se era possível fazer videos atemporais, ou seja, que não são motivados por propaganda ou tendências da moda só pra tentar atrair mais visualizações. Pelas minhas contas, se eu conseguisse lançar videos semanalmente, sem interrupções por 2 anos, e chegasse talvez a 10 ou 20 mil assinantes no primeiro ano e perto de 50 mil no segundo ano, a meta tava cumprida. Só que por acidente acabou sendo 3 vezes mais que isso, estamos agora com uns 160 mil assinantes. Foi bem mais rápido do que eu imaginava. E a média de visualizações por video também superou o meu mínimo de 10 mil cada, então acho que alguma coisa eu fiz certo aqui. O próximo teste era esse, se eu pausar o canal por um mês, como fica a volta? Vamos saber em breve.</p>
<p>Algumas pessoas ainda perguntam como eu faço os videos e pra isso eu recomendo que assistam o video de 1 ano do canal, onde eu mostro um pouco do processo, dos bastidores e equipamentos. Eu venho namorando equipamentos melhores faz algum tempo, na prática? Não importa. O tipo de videos que eu faço não vai se beneficiar de coisas como uma câmera 4K ou maior, só vai aumentar meu trabalho: vai precisar de uma máquina mais forte pra editar e renderizar, e o resultado final vai ser basicamente a mesma coisa. Ninguém vai aprender mais vendo minhas rugas em 4K. O que faz diferença é conteúdo. Se o conteúdo é genérico, que qualquer outra pessoa poderia fazer, ou se a frequência dos videos é ruim, não importa se o equipamento é bom, o resultado vai ser uma droga de qualquer jeito. O que o algoritmo do YouTube se importa é a retenção, a quantidade de horas que o video consegue segurar as pessoas. Não é nem visualizações e nem assinantes.</p>
<p>Como eu consegui passar minhas metas, acho que vou continuar com o canal por mais tempo. Na verdade a meta foi batida no final do ano passado já. Essas férias de Julho que eu me dei foi pra me relembrar que o canal não é meu ganha pão. Ficar de burn out de graça não é divertido. Então provavelmente vou me frear um pouco mais pra não cansar tanto.</p>
<p>Se você é novo aqui e ainda não assistiu os videos anteriores, vale relembrar que este canal não é monetizado e eu não aceito patrocínios pra nenhuma ação comercial. Eu tenho recebido várias propostas, e acabo nem respondendo todas, mas assumam que a resposta é sempre não. E vai continuar sendo assim, porque não tenho como meta transformar o canal em outro business. A melhor forma de contribuir pra minha motivação é ajudando a compartilhar os videos.</p>
<p>A única propaganda que eu poderia fazer é da minha própria empresa que é quem de fato paga as contas. Em dois anos eu nunca fiz, mas como este video é atípico, e o timing também está bom, vou aproveitar pra fazer mais um teste. Eu evito fazer propaganda pra não misturar as coisas mas também porque o nível de aproveitamento costuma ser baixo. Mas vamos lá, pra quem não sabe eu tenho uma empresa de outsourcing de desenvolvimento de software chamada Codeminer. Faz quase 10 anos já. Antes da quarentena todo mundo trabalhava de um dos nossos 12 escritórios espalhados pelo país. Todos os clientes se concentram ou aqui em São Paulo ou em algumas cidades dos Estados Unidos como São Francisco. Como eu disse a empresa tá indo super bem, muito melhor do que o normal aliás, e por isso excepcionalmente hoje resolvi anunciar que temos várias vagas abertas.</p>
<p>Sendo curto e grosso, se você tem experiência em tecnologias Javascript, tanto front-end como React ou back-end como Node, também Ruby on Rails, Elixir e talvez Python e, principalmente, tem mínimo de inglês pra conversação e não só leitura, mandem seu currículo pro nosso e-mail de contratação que está aqui embaixo: become @ codeminer42.com.  Se você acompanha o canal sabe que não é de hoje que eu falo que inglês é importante. Daí minha equipe vai entrar em contato pra fazer entrevista e passar um teste. Estágio só dá se você estiver numa faculdade e estiver no último ano. Eu expliquei no vídeo de Começando na Carreira de TI que a lei exige intermediação de uma instituição de ensino pra estágio.</p>
<p>Hoje temos uns 100 funcionários, quase todos desenvolvedores e não só não tivemos nenhuma demissão por causa da pandemia como faz meses que estou com muito mais demanda do que consigo atender. Não vou fazer nenhuma promessa porque vocês sabem que eu não gosto de conversa pra boi dormir, se seu objetivo é o mesmo que o nosso, que é evoluir na carreira e ser lucrativo, sem mimimi, com papo reto, mandem um e-mail e a gente vê o que rola.</p>
<p>E é isso aí, o video de hoje foi mais porque já passou mais de um mês e com esse acidente talvez fosse demorar mais pra voltar e eu não queria deixar vazio por tempo demais também. Por causa do meu braço ainda não sei se já semana que vem volto com mais video, mas me acompanhem nas redes sociais pra saber. A gente se vê, até mais!</p>
]]></content:encoded><category>pessoal</category><category>carreira</category><category>akitando</category></item><item><title>[Akitando] #72 - RANT: Programação NÃO É Fácil</title><link>https://akitaonrails.github.io/2020/02/19/akitando-72-rant-programacao-nao-e-facil/</link><guid isPermaLink="true">https://akitaonrails.github.io/2020/02/19/akitando-72-rant-programacao-nao-e-facil/</guid><pubDate>Wed, 19 Feb 2020 10:30:00 -0300</pubDate><description>&lt;div class="embed-container"&gt;
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<h2>DESCRIPTION<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="description"></span>
    <a href="#description" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Faz anos que você ouve falar que &ldquo;programar é fácil&rdquo; ou &ldquo;qualquer um consegue programar&rdquo;. Eu mesmo já disse coisas parecidas.</p>
<p>Hoje eu quero explicar porque na última década a programação alcançou esse status bizarro de &ldquo;salvador da pátria&rdquo; e porque os mercados estão num momento desproporcional de abundância, e o que isso pode significar pra sua carreira.</p>
<p>Warning: quem achou outros vídeos um &ldquo;tapa na cara&rdquo; ou &ldquo;pedrada&rdquo;, entre neste com cuidado porque pode ser pior. Frágeis de ego: eu avisei.</p>
<h2>SCRIPT<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="script"></span>
    <a href="#script" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Olá pessoal, Fabio Akita</p>
<p>Esta semana, pra variar vou fazer um video mais curto que o normal, me preparando pra tentar fazer algo maior durante o Carnaval. O videozinho que vocês acabaram de ver sou faz uns 6 anos atrás, era 2014 e fui convidado pra participar com um vídeo pra um movimento chamado Ano do Código. Eu tentei o possível pra Não fazer um vídeo tentando dizer o famoso &ldquo;qualquer um consegue programar&rdquo; mas meio que acaba dando pra entender assim, se você não pegar o contexto.</p>
<p>Eu pessoalmente não gosto desse vídeo que eu fiz. E eu acho que muita gente assume que minha mensagem é sempre próxima disso que eu disse. Eu nunca quero dizer isso. Então meu vídeo de hoje vai ser uma divagação sobre esse tema.</p>
<p>(&hellip;)</p>
<p>Em 2014 estávamos no pico do &ldquo;awareness&rdquo; popular sobre desenvolvimento de software. O mundo estava se recuperando da última grande crise financeira que assolou muitos países. E no meio desse momento apocalíptico, que gerou muitos desempregos, fechou muitas empresas, uma categoria parecia emergir como a solução de todos os problemas. E isso foi a programação, especialmente porque o conceito de App Store naquele ponto tinha 4 anos e gerou um boom de apps. E vários apps se tornaram icônicos como Uber ou Airbnb que deram uma alternativa a muita gente que perdeu emprego de conseguir trabalho que antes não existia. Quantas vezes você não viu reportagens nos jornais, de engenheiros, médicos, que perderam empregos e se tornaram motoristas de Uber?</p>
<p>Algo parecido tá acontecendo no Brasil agora. Naquela crise de 2008 e 2009, o governo brasileiro, chamou a crise de &ldquo;marolinha&rdquo; achando que o Brasil era invencível ou imune. Óbvio que não. Vivemos uma bolha artificial e a conta chegou. E por isso o mesmo episódio aconteceu aqui também, com a popularização de aplicativos como iFood, Rappi e outros que estão tendo o mesmo papel do Uber 8 anos atrás. A primeira vez que eu peguei Uber foi em 2012 em São Francisco. Era novidade ainda e a categoria era muito menor.</p>
<p>Muita gente não se lembra, mas o conceito também era diferente, a idéia do Uber não era popularizar o transporte. Era ser um transporte diferenciado de nicho. Pra começar você tinha que dirigir carros pretos mais classudos com os Lincoln. A idéia era você chegar nos lugares &ldquo;like a boss&rdquo;. O que hoje em dia se chamaria de Uber Black era o Uber normal, por isso Uber se chama Uber, aliás. O nome original era UberCab, e Uber vem do alemão e quer dizer algo como “superior”, então seria o táxi superior.</p>
<p>Aliás, foi por volta de 2012 que eu vi muitos dos aplicativos que usamos hoje se popularizando. Foi quando eu usei o Waze pela primeira vez direto em Tel-aviv, em Israel. Todo mundo lá estava usando, mas por aqui ainda era novidade. Geolocalização era uma tecnologia que começou fazia pouco tempo, 4 anos antes em 2008, inaugurado pelo Foursquare na South by Southwest daquele ano. O Google Maps tinha começado pouco tempo antes em 2005. Mas foi com o advento dos iPhone 3G com GPS em 2008 que a população em geral começou a tirar proveito de geolocalização pra mapas e rotas, pra criar geofencing e tudo que hoje em dia é super comum e trivial. Mas faz só pouco mais de 10 anos que tudo isso começou.</p>
<p>Essa tangente foi pra dar contexto daquele momento histórico. Tivemos o nascimento de novas categorias de tecnologia e por coincidência naquela época iniciou uma das maiores crises da história, e nós programadores estávamos no lugar certo e no momento certo pra ganhar as honras de salvadores da pátria. Pra uma parcela considerável de uma população, graças a termos smartphones no bolso e acesso a apps como Uber, ou Airbnb, milhares de pessoas puderam sair do desemprego causado pela crise. E por isso não é estranho que a população em geral visse com bons olhos não só as tecnologias mas as pessoas por trás delas.</p>
<p>Até o presidente Barack Obama na época, empolgado com essa nova alternativa, ajudou a incentivar uma nova geração de programadores. Em 2014 ele entrou forte nessa propaganda, muitos noticiaram quando ele se tornou tipo o primeiro presidente a escrever um código. Outros grandes nomes se uniram a essa causa como Bill Gates. Tecnologia deixou de ser só uma curiosidade, ou um instrumento pra especular fortunas como foi na Bolha do Ano 2000, pra se tornar uma solução social. E o resto, como diriam, é história.</p>
<p>Por isso em 2014 principalmente surgiram vários movimentos pra incentivar o aprendizado de programação como algo tão fundamental como aprender a ler e escrever. Tudo isso é positivo porque a profissão de programação foi finalmente reconhecida pelo que ele já vinha fazendo faz décadas: elevando as capacidades da humanidade.</p>
<p>Porém, isso também teve efeitos colaterais graves. O fato de todo mundo ter se tornado tão positivo à tecnologia acabou dando carta branca e tolerando muitas coisas que acabaram como escândalo anos depois. Vide o notório episódio da venda de dados dos usuários do Facebook pela Cambridge Analitica. Vide as acusações de manipulação da opinião popular pra eleger um presidente. E mesmo assim o Facebook continua firme e forte e crescendo. Por menos que isso, no ano 2000 a Microsoft quase foi obrigada a ser quebrada em múltiplas empresas independentes pelo Supremo Tribunal no caso antitruste.</p>
<p>Com tudo isso Tecnologia se tornou uma nova religião, e os grandes nomes da tecnologia se tornaram seus sacerdotes. Silicon Valley se tornou a nova Meca, e muita gente peregrinou pra lá. E os programadores se tornaram os seguidores cegos dessa nova religião. Diversos efeitos nefastos derivaram disso e continuam causando problemas até hoje.</p>
<p>Sem entrar muito em lei econômica, mas é sempre bom ilustrar com alguns extremos pra ter um modelo na cabeça. Vamos pro pior extremo possível, um monopólio. Ou mesmo algo próximo, um oligopólio, formado por um cartel de empresas que age em conluio. Ou ao contrário do que muitos imaginam, monopólios não são formados apenas por empresários malvadões. Governos são os campeões em gerar monopólios. Em qualquer desses casos o efeito pra um trabalhador comum é extremamente ruim.</p>
<p>Se não existem outras opções de trabalho, todo mundo é obrigado a participar desse jogo de cartas marcadas. O monopólio pode te pagar só mínimo necessário pra sobreviver ou até menos e não tem muito o que você possa fazer, especialmente se o monopólio for estatal. Se sair, não existe outro emprego. Se tentar empreender vai ser massacrado.</p>
<p>Por outro lado, quando você tem fartura, abundância e liquidez no mercado, temos outro efeito interessante. Pense o cenário de Silicon Valley ou qualquer outra dessas Mecas onde se concentraram os sacerdotes da tecnologia. Todo mundo peregrina pra lá com as promessas de salvar o mundo E ficar rico no processo. Não é incomum você ter programadores ganhando 150 mil ou 300 mil ou meio milhão de dólares por ano em São Francisco.</p>
<p>Se fizer a conta de padeiro e converter pra Real a 4.30, os 300 mil seria você ganhar 1.3 milhão de Reais por ano, bruto. Seria um salário de quase 100 mil reais por mês. É claro que chama a atenção. Dentro dos Estados Unidos isso chama atenção, e fora dele em países em desenvolvimento como o nosso, ou países ainda piores que o nosso como Índia, Angola, Nigéria. Claro que todo mundo quer ser programador!</p>
<p>Mas precisa fazer outra conta pra entender o que de fato esses 300 mil dólares do exemplo significam. Em muitos casos, metade disso pode ser só equity. Falando em linhas simples equity é uma promessa. Quando a startup abrir capital, você tem opção preferencial de compra das ações. Você não tem As ações, quando chegar a hora você precisa ter dinheiro pra exercer essa compra ou perder a opção. Isso é a primeira coisa que pouca gente pára pra pensar. Pra exercer essas ações você tem um período de vesting. Ou seja, se sair antes desse período, você perde essas opções. Equity é um mecanismo pra reter pessoas que é bem popular porque a empresa não precisa gastar nada por um bom tempo.</p>
<p>Então digamos que você ainda receba líquido essa metade por ano, ou seja, 150 mil. Isso daria pelo menos 12 mil dólares por mês. Continua sendo um puta dinheirão pros padrões brasileiros. Porém, o mercado não é estático. Se muita gente se concentra num mesmo lugar, ganhando salários cada vez mais altos, a lei da oferta e da procura entra em ação. Todo mundo que peregrinou pra lá agora precisa morar em algum lugar. A procura por imóveis aumenta drasticamente, mas a oferta não tem como aumentar do dia pra noite, portanto o preço dos imóveis aumenta também drasticamente. Então não é incomum achar apartamentos pequenos custando na faixa de 4 mil dólares pra cima.</p>
<p>Um terço desse salário que você achou enorme já foi embora. Então agora você tem 8 mil dólares por mês. Continua sendo um dinheirão. Mas não acaba aí. Digamos alimentação. Aqui no Brasil você pega seu Sodexo ou VR e em São Paulo pode pagar 30 a 40 reais por almoço. Nos Estados Unidos não existe o conceito de vale alimentação, e a refeição equivalente que você comprar na rua vai ser 30 ou 40 dólares. Vezes 22 dias úteis num mês, e se não tomar cuidado, vai perder mais de 600 dólares, só em almoço.</p>
<p>E vai fazendo essa conta pra tudo, luz, água, lavanderia, plano de saúde, academia, vestuário, entretenimento, talvez escola se você tiver filhos. Você pode perder mais 3 mil dólares ou mais nessa brincadeira. Os 8 mil começam a virar 5 mil ou 4 mil. E não se esqueça que também tem impostos. Apesar de serem menos que no Brasil, você ainda precisa pagar. Na faixa entre 80 a 160 mil dólares você deve pagar uns 28%. Então não é 12 mil que você tem líquido por mês, é dois terços disso, ou seja, 8.600.</p>
<p>No final do mês, você achou que tinha 12 mil dólares, mas tire tudo isso e muito mais que você precisa gastar numa das cidades mais caras do mundo, e se tiver sorte, vai sobrar mil dólares, talvez 2 mil. Ainda assim, pro padrão brasileiro, se sobrar mil dólares parece bastante coisa, mas você não pode comparar com o custo de vida brasileiro, que é ordens de grandeza mais barato. Aliás essa é outra coisa que pouca gente faz: só vê o número absoluto. Não considera custo de vida ou impostos.</p>
<p>Daí acontece efeitos bizarros de você ver um americano que ganha teoricamente 5 a 10 vezes mais que você aqui, e reclamando que ganha pouco e não dá pra viver. E se parece exagero, vide exemplos recentes quando a empresa de jogos TellTale Games demitiu dezenas de pessoas do dia pra noite porque eles ficaram sem dinheiro. Um monte de gente que foi pra rua ficou sem ter dinheiro pra pagar o aluguel do mês seguinte. Eles realmente viviam de contra cheque em contra cheque. E essa é a realidade da grande maioria das pessoas, aqui ou lá. Não é diferente.</p>
<p>Na Europa é a mesma coisa. Na Ásia é a mesma coisa. Não existe bala de prata. Se 150 mil dólares for uma média, considere que pelo menos metade da população ganha consideravelmente menos que isso. Médias salariais não dizem nada. O contexto e os custos são completamente diferentes. E claro, os valores e contas que eu fiz aqui são hipotéticos, não adianta ficar jogando nos comentários &ldquo;ah mas meu amigo que eu conheço é diferente&rdquo; eu sei, é um exemplo. E casos isolados não define uma regra geral. A história do “cara que você conhece” ou o seu próprio é apenas isso: uma anedota.</p>
<p>Voltando à história de monopólios que eu falei, onde você realmente trabalha por centavos. A situação de Silicon Valley e outros centros com grandes investimentos é o inverso. Parece que existe abundância, pra todo mundo. E parece que se você ganha menos de 150 mil dólares por ano, você está sendo explorado. Mesmo se for esse o caso. Foi uma escolha sua ir pra lá. Ninguém colocou uma arma na cabeça forçando você a estar lá. E você tem escolhas, estamos num período de abundância. Só que ninguém quer ganhar &ldquo;menos&rdquo;, ou assumir um erro, ou assumir outros riscos. É um problema de ego, não de economia.</p>
<p>Pior que isso, mais da metade do valor de um lugar desses é só promessa. Imagine o montante de equity que existe espalhado nesse mercado. É um valor absurdamente grande. Só que isso é uma promessa. Se a startup falir antes de conseguir atingir o ponto de abrir capital e realizar sua valuation, todo esse equity vai valer zero no dia seguinte. Isso mesmo, zero. É uma bolha.</p>
<p>Tem duas coisas que podem acontecer num cenário desses. A primeira é a bolha estourar. E quando ela estourar o valor de tudo vira pó. Só que agora sobra um exército de programadores hiper caros que, no papel, e só no papel, acha que vale tudo isso de verdade. Só que não vale. Valor não é absoluto, é um produto do mercado. Qualquer empresa que cair a ficha que precisa controlar e cortar custos, em vez de gastar desenfreadamente em mesa de sinuca e piscina de bolinhas e propaganda cara, em busca do sonhado market share, tem alternativas. Umas das alternativas se chama outsourcing, ou terceirização. Pra onde? Pra países onde programadores de qualidades semelhantes custam metade, um terço, ou ainda menos. Nós, aqui no Brasil, os indianos, os ucranianos e assim por diante.</p>
<p>Eu já vi isso acontecer antes. Em 2001 não foi só as torres gêmeas que caíram, caiu também a bolha especulativa da internet. Centenas de programadores que achavam que eram bons de repente não tinham pra onde ir. Foi assim que cresceu o mercado da Índia no começo dos anos 2000, se tornando referência em terceirização de programação e outros serviços como call centers e qualquer coisa que era possível terceirizar. Por isso americano odeia a globalização.</p>
<p>Eu já tinha contado essa história e estou repetindo aqui pra dar contexto. Agora vem o que eu queria dizer no começo. Programação não é salvador da pátria. Ela é só uma profissão, que deve sim, ser levada a sério. Só que passamos os últimos dez anos com o falso estigma que ser programador é uma coisa “nobre” pra sociedade, que vamos resolver todos os problemas do planeta, vamos acabar com a fome, vamos consertar o clima, vamos consertar tudo. E pior, surgiu a noção de que é fácil programar. E não só é fácil programar, mas a procura por programadores aumentou drasticamente por conta de todo esse dinheiro fantasma, toda essa promessa de riqueza, de repente qualquer programador mais ou menos, passou a ganhar mais do que deveria num mercado fora dos padrões.</p>
<p>Sabe onde isso vai chegar? Da próxima vez que a bolha estourar, e isso pode ser em breve ou pode ser em poucos anos, quem não for programador de verdade, ou seja, quem não souber como de verdade entregar resultados proporcionais ao que ganha, vai ficar sem emprego. Nunca se esqueça: sempre vai existir um indiano que faz o que você faz por menos da metade do preço. Provavelmente pode colocar um chinês junto nessa equação agora também.</p>
<p>Sempre tenha em mente, você raramente vale o que você “acha” que vale. Todo mundo acha que deveria ganhar mais. E todo mundo que paga sempre vai achar que deveria pagar menos. Esse é o jogo. E é a lei da oferta e da procura que vai dinamicamente ajustando isso. Só que em períodos de bolha a demanda é desproporcionalmente mais alta, não dá tempo da oferta atender, então o que varia é o preço acima do normal. Em crises é o oposto, a demanda seca, e a oferta fica com estoque sobrando, o que varia é o preço abaixo do normal. Essa é a conta.</p>
<p>O quanto você vale depende da sua qualidade, da oferta e da demanda. E em períodos de demanda desproporcional, mesmo a qualidade não sendo grande coisa, ainda assim existe oportunidade.</p>
<p>Agora, tudo isso que eu usei de exemplo é nos grandes centros. São Francisco, Berlin, Londres, São Paulo, e assim por diante. As pessoas de cidades mais distantes do interior, ainda estão completamente fora dessa realidade. Toda vez que um programador rock star de um grande centro fala das maravilhas de tudo isso, ele está criando uma falsa expectativa. Mercados não melhoram só com discurso.</p>
<p>Como a tal demanda que eu falei é altamente desproporcional, mesmo assim não é tão difícil ouvir falar de casos de programadores que saíram de lugares longínquos e hoje estão morando nesses grandes centros, ganhando seus 150 mil dólares por ano. Esses casos se tornam a propaganda pra um sub-mercado que aparece toda vez durante esses períodos de abundância. Eu sei que estamos num período de abundância quando existe oportunidade pra certificar coach de coach ISO 9001 em instituição nacional de coach por exemplo. Num mercado normal, onde reinaria a eficiência, essa posições simplesmente não existiriam. Então sim, estamos num período de abundância excessiva.</p>
<p>Você tem que tomar cuidado com aproveitadores. Por exemplo, não é de hoje que ouço falar de cursos rápidos e workshops de poucos dias ou semanas, que trazem até pedigree estrangeiro, prometendo a pobres incautos que eles também podem rapidamente usufruir desses altos salários em grandes centros. E a demanda é tão alta, que de fato, alguns deles até conseguem posições, de tão baixo os critérios que muitos recrutadores colocam pra conseguirem suprir a demanda. E isso só alimenta a propaganda enganosa.</p>
<p>Deixa eu ser o estraga prazer. É impossível se tornar um bom programador, do zero, em duas semanas, ou mesmo dois meses. Esse tempo é suficiente pra, no máximo, saber fazer tarefas muito simples. E como eu sei disso? Por que eu faço contratações pra minha empresa e já fiz pra várias outras empresas ao longo de 20 anos. Eu já contratei literalmente centenas de pessoas e avaliei centenas de curriculos e acompanhei a evolução deles. Eu sei uma coisa ou duas sobre contratações e avaliações.</p>
<p>Coloque em perspectiva. Alguém considerado estagiário, já está num curso, seja de ciência da computação ou engenharia de software ou técnico em programação por pelo menos 2 anos. Isso significa uma carga horária mínima de 3 a 4 horas por dia, por uns 8 meses e 22 dias úteis por mês ou no mínimo 700 horas. Sem contar o tempo de estudos, trabalhos, e pesquisa. Um workshop realmente puxado de 8 horas por duas semanas são míseras 80 horas. Não chega nem perto da metade do que um estagiário já estudou.</p>
<p>Se o curso for excepcionalmente bom e se você for excepcionalmente estudioso e aplicado, ainda assim estamos falando de chegar no nível de estagiário. Faça as contas. Não tem como. Do nível estagiário, dependendo de onde ele estagia, as pessoas mais experientes com quem tem contato, os diferentes desafios e estudos extras no estágio, ainda precisa na média de mais 6 meses a 1 ano pra se tornar um júnior. Então estamos falando de uma carga extra de treinamento de mais 6 meses de 22 dias úteis e 6 horas no estágio, ou seja, mais 700 horas.</p>
<p>Ou seja, chutando na média, pra sair do zero até chegar ao primeiro estágio de júnior, estamos falando de uma carga aproximada de 1400 horas entre estudo teórico e treino prático. No mínimo. E eu não estou falando que um curso rápido ou workshop são ruins, é apenas uma questão de expectativas. Eu acho que esses workshops são bons pra dar uma introdução e os primeiros passos, as primeiras 80 a 100 horas de um percurso de 1400 horas. É 5% do percurso. Existem exceções? Casos excepcionais de gente talentosa que consegue em metade desse tempo? Claro que tem, mas por isso chamamos de exceções e não da regra.</p>
<p>Só que a grande maioria das pessoas não faz essas contas simples que eu acabei de fazer. Em vez disso, prefere cegamente seguir alguma palestra motivacional que ouviu de algum fake coach por aí e mergulhar na corrida do ouro sem saber que está indo atrás de ouro de tolo. Quantas histórias eu já vi de pessoas que nem de fato se interessavam tanto pela área, mas foram influenciadas e só depois de ver o tamanho do caminho, se frustraram e desistiram pelo caminho.</p>
<p>Pior ainda os que caminharam o 5% do percurso e tiveram a sorte de entrar na onda da alta demanda e conseguiram alguma posição em algum lugar. Alguns até ficaram bons o suficiente, mas ainda assim não são programadores de verdade. Eu não tenho nenhuma pesquisa cientificamente correta para trazer dados, mas eu não consigo não parar pra pensar no motivo de porque de repente tem tanta gente sofrendo de síndrome do impostor. E porque existem grupos grandes de pessoas em nível básico se comportando na defensiva de suas posições. Porque são posições super frágeis e na maioria das vezes desnecessárias, criadas num momento de alta artificial da demanda. Quando tem dinheiro sobrando, porque se preocupar em eficiência?</p>
<p>Falando como um sobrevivente de umas 3 crises, nos anos 90, nos anos 2000 e nos anos 2010, uma coisa permanece constante. Os que ficam pra trás foram os que estacionaram no básico, cegos por um valorização fora do normal, achando que já são bons o suficiente já que existe demanda por eles. Os que vão pra frente e sobrevivem são os que não colocaram esse valor como base e sim as próprias habilidades de resolver problemas reais, seja lá quais eles sejam. E você só consegue ser flexível pra resolver problemas diferentes quando seu conhecimento tem fundações sólidas, treino sólido. Não importa se é momento de abundância ou momento de crise, um tipo de emprego que nunca acaba são as posições reservadas ao reais solucionadores de problemas.</p>
<p>Muita gente deve estar tomando um balde de água fria e provavelmente me xingando já neste momento. Não culpem o mensageiro. Mas eu diria que é melhor se frustrar antes do que depois quando é tarde demais. Mas agora eu volto à segunda parte do meu vídeo de 2014 e o que eu quis dizer:</p>
<p>(&hellip; video)</p>
<p>Se você ainda não assistiu tudo, eu venho fazendo uma série de vídeos tentando explicar como funciona esse começo, como funciona o mercado e em particular sobre a metodologia de aprender a aprender. Recomendo voltar à playlist de carreira que eu fiz e assistir com calma. Mas deixa eu fazer outra tangente.</p>
<p>Eu sou ruim em esportes. Eu sempre fui, sabe aquele japonês CDF que na educação física é sempre o último que todo mundo escolhe pra colocar no time e termina no máximo como gandula. Pois é, sou eu. Talvez se eu me aplicasse mais eu talvez conseguisse ser alguma coisa melhor. Só que eu não gosto de esportes. Acho chato. Não prende minha atenção por mais que 30 segundos. Eu simplesmente não gosto.</p>
<p>Eu sou ruim de gastronomia. Eu adoro comer, todo tipo de comida do mundo eu como e você vai ter dificuldade de achar qualquer ingrediente que eu me recuse a comer. Quando quero só relaxar e não pensar em nada eu gosto de colocar nos canais Tasty e ficar vendo chefs cozinhando. Porém eu mesmo não gosto de cozinhar. No máximo eu fervo água pra colocar em miojo, se precisar muito eu faço um ovo frito, mas eu não tenho nenhum prazer em cozinhar. De novo, eu me colocar pra cozinhar é me entediar. Não rola.</p>
<p>E assim vai, eu sou ruim em muitas coisas e não tenho nenhuma intenção de investir tempo pra ser bom em nenhuma delas. É uma escolha consciente. Do outro lado da moeda eu gosto de programar. Saber como funciona cada pequena coisinha de cada tecnologia chama minha atenção, me prende por horas, eu já cansei de ficar entretido e só parar quando vejo o sol nascendo, de novo. É um contraste enorme com as coisas que eu não gosto.</p>
<p>Da mesma forma, eu tenho certeza que existem diversas pessoas com gostos totalmente opostos aos meus, que amam esportes e acham programar ou jogar videogames coisas completamente tediosas, maçantes e sem sentido. E elas tem total razão: gosto é que nem bunda, todo mundo tem um. Esporte profissional não é pra qualquer um. Como hobby sim. Programação também não é pra qualquer um. Como hobby sim.</p>
<p>Incentivar a fazer esportes é normal, correto e sempre faz bem pra população em geral. Esportes tem o benefício de ajudar você a se manter saudável, ajuda você a trabalhar em equipe e ajuda você a exercitar sua vontade de ser um pouco melhor. Tem um monte de boas razões pra se fazer. Mesmo assim você não vai me convencer, porque simplesmente não me atrai. Por outro lado, acho que pouca gente tirando as crianças fazem esportes com o objetivo de se tornar o Neymar. Você sabe que é um caso em um milhão. Você pode tentar copiar tudo que ele já fez e as chances de você virar algo próximo de metade um Neymar continua sendo inatingível. Foi uma combinação impossível de repetir de talento e esforço pessoal, timing, e estar no lugar certo na hora certa. Esforço e sorte é que geram sucesso. Não é uma receita que qualquer um pode repetir.</p>
<p>Mesma coisa em qualquer outra profissão de prática. Você sempre pode ter ídolos mas as chances de você se tornar um deles é perto de impossível. Todo mundo sabe disso. Então o que fazer? Simples, não faça propaganda de “você também pode ser o Bill Gates”, é mirar alto demais. Em vez disso desça vários níveis na cadeia, onde existe mais gente e que ainda assim é uma minoria. No caso os rock stars da programação já parece algo mais palpável, então bora fazer propagandas assim. “Você também pode ser um rock star de Silicon Valley.”</p>
<p>Quando eu digo no vídeo de 2014 que é só uma questão de “começar a praticar”, eu não tive tempo de dar toda essa explicação. E quando eu e qualquer outra pessoa fala que programar é fácil e um monte de gente que não tem vocação nem muito menos o interesse ouve isso continuamente, ele acha que o errado é ele. Assim como me faziam pensar que o errado era eu por não saber chutar uma bola. Felizmente desde cedo eu sabia ligar o “foda-se” e simplesmente ignorava 99% dos meninos que tiravam sarro porque eu nunca consegui chutar uma única bola na direção do gol. Eu simplesmente tinha outros interesses, que nos anos 80 basicamente ninguém tinha: programar.</p>
<p>Então a primeira coisa que eu preciso corrigir do meu video é: não é simplesmente dar o primeiro passo. Se tecnologia não prende sua atenção e concentração por horas ininterruptas, onde você simplesmente não vê o tempo passar, e onde se dedicar mil horas ou duas mil horas não é algo que pareça maçante pra você, então sim, só falta dar o primeiro passo e começar. Mas se pra você computação é igual futebol é pra mim, eu nem começaria.</p>
<p>E eu digo isso porque eu já vi um monte de gente começar e depois ficar frustrada e depois vem “eu segui o que o Akita disse, ou o que outro rock star disse, e eles mentiram pra mim, não é fácil assim”. E ele tem razão. A única discordância que vamos ter é que eu tomei cuidado pra minha carreira inteira eu nunca incentivei ninguém a virar programador. De propósito eu deixo de fora qualquer discurso mais otimista e incentivador. Eu simplesmente digo: eu gosto de tecnologia e eu gosto de falar sobre tecnologia e é isso que vou fazer. E ao mesmo tempo faço vários vídeos ilustrando que o mundo de tecnologia não é esse mar de rosas que muitos querem fazer você acreditar.</p>
<p>Um dos filmes que muitos palestrantes já usaram da forma errada é o clássico Ratatouille da Disney. Onde à primeira vista faz parecer que até um mísero rato é capaz de cozinhar melhor que um ser humano a ponto de mudar a opinião de um dos mais exigentes críticos gastronômicos da França. Mas ele é muito claro na mensagem: “nem todo mundo pode se tornar um grande chef, mas um grande chef pode vir de qualquer lugar”. Essa é a mensagem.</p>
<p>Significa que você não precisa ter nascido em São Francisco e estudado em Stanford pra ter chance de ser um grande programador. Você pode ter nascido numa cidadezinha do interior com 2 mil habitantes, estudado sozinho, e chegar no mesmo nível. Mas não é qualquer um. Da mesma forma como o filme é claro: de uma população gigantesca de ratos, apenas 1 demonstrou ter o que era necessário pra atingir isso. No nosso mundo é a mesma coisa. Bill Gates é celebrado até hoje, porque só existiu 1. Só existiu 1 Steve Jobs. Só existe um Jeff Bezos ou Jack Ma.</p>
<p>Você quer ganhar o sonhado salário de 6 dígitos em dólar por ano. Mas não está disposto a investir 2 mil, 4 mil ou, mais corretamente, 10 mil horas pra chegar lá. Sinto te dizer, é certeza absoluta que a menos que aconteça um evento de muita sorte, tipo ganhar na loteria, você não vai chegar.</p>
<p>E pior que isso, num período de hiper abundância que temos hoje. Se você acha que está difícil arranjar boas posições agora, sinto dizer que na próxima depressão vai ficar exponencialmente mais difícil. E enquanto isso você prefere defender que aprender inglês é ser anti-patriota ou qualquer bobagem assim, que é basicamente a desculpa de quem está com preguiça de aprender inglês ou simplesmente - assim como eu em esportes - simplesmente se entedia de tentar. É melhor assumir a realidade do que inventar histórias.</p>
<p>Em momentos de monopólios ou em momentos de depressão, toda frustração e reclamação é válida: é a realidade. Mas em momentos de abundância ver gente reclamando que ganha 5 dígitos em vez de 6, ou que não viaja vezes o suficiente por ano, ou que não consegue trocar de celular a cada 6 meses, é literalmente problema de primeiro mundo de uma geração que ainda não teve a experiência da primeira crise. Porque existem opções. Se elas não estão pulando pra próxima opção, não é falta de opção, é falta de vontade mesmo. Porque ficar no mesmo lugar e reclamando e se sentindo vítima da sociedade é sempre mais fácil do que assumir riscos. E sem assumir riscos, que tipo de resultados você acha que vai ter? Nenhum.</p>
<p>Já diria Einstein que um louco é aquele que fazendo sempre a mesma coisa, espera resultados diferentes. Eu acho que cursos, workshops, coaches e todo o aparato de intermediários que está surfando a onda da abundância está realmente realizando fraude. Eu desaprovo e me enoja ver gente praticando abusos e ativamente tentando enganar os outros. Por outro lado, muita gente simplesmente escolhe acreditar no ouro de tolo, porque se acha mais esperto, porque não quer recompensas com pouco ou nenhum esforço. E nesse caso, eu acho que os dois se merecem. Você quer ser enganado, é uma escolha, ninguém colocou uma arma na sua cabeça.</p>
<p>Pra finalizar, eu acho mó engraçado um monte de programador rock star com salarios de 6 dígitos reclamando de desigualdade. Por experiência aprendam, qualquer pessoa que fala a palavra igualdade só quer ganhar mais. Nada mais que isso e não tem nenhum problema em querer ganhar mais. Mas antes de falar bonito vale lembrar. Você trabalha numa startup que não tem lucro? Da onde acha que vem o dinheiro pra te pagar? Provavelmente de algum fundo de pensão, dinheiro de aposentadoria. Pois é. Eu entendo, todo mundo quer pegar uma fatia maior desse bolo, aproveitando que todo mundo acha que tecnologia ainda é mágica e solta dinheiro assim fácil.</p>
<p>O objetivo dos videos que eu faço é falar sobre o que eu gosto e ao mesmo tempo eu vou intercalando com alguns avisos: o mundo da programação é vasto, tem uma história muito rica que precisa ser respeitada, e possibilidades inexploradas que estão aí para quem tiver o conhecimento e a vontade de perseguí-las. Mas, não é pra todo mundo. Tenha isso em mente. E como eu disse, o episódio de hoje foi mais curto, semana que vem devo falar de algum outro assunto técnico da minha lista. Se ficaram com dúvidas, mande nos comentários abaixo. Se curtiram o vídeo mandem um joinha, não deixem de assinar o canal, clicar no sininho pra não perder os próximos episódios e compartilhar com seus amigos pra ajudar o canal. A gente se vê, até mais!</p>
]]></content:encoded><category>programacao</category><category>aprendizado</category><category>carreira</category><category>akitando</category></item><item><title>[Akitando] #69 - Respondendo suas Perguntas sobre Carreira | via Instagram</title><link>https://akitaonrails.github.io/2019/12/11/akitando-69-respondendo-suas-perguntas-sobre-carreira-via-instagram/</link><guid isPermaLink="true">https://akitaonrails.github.io/2019/12/11/akitando-69-respondendo-suas-perguntas-sobre-carreira-via-instagram/</guid><pubDate>Wed, 11 Dec 2019 11:00:00 -0300</pubDate><description>&lt;div class="embed-container"&gt;
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<h2>DESCRIPTION<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="description"></span>
    <a href="#description" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Muita gente me procura via mensagens diretas em redes sociais, em particular pelo Instagram. Pro episódio de hoje eu selecionei 10 perguntas que representam a maior parte dos temas que costumam me perguntar e apesar de já ter parcialmente respondido algumas delas via os temas de outros vídeos passados, vou tentar compilar respostas um pouco melhores hoje. Espero que ajude.</p>
<p>O tema vai ser “Perguntas mais frequentes de iniciantes no mercado de tecnologia”. Diferente do vídeo que eu fiz chamado “Começando na Carreira de TI” (<a href="https://www.youtube.com/watch?v=H84WD_xyj10"target="_blank" rel="noopener">https://www.youtube.com/watch?v=H84WD_xyj10</a>) onde eu abordei assuntos que começam mais na escolha da faculdade primeiro, esta é mais focado no primeiro emprego e na forma de começar a evoluir. Depois de assistir este video convido vocês a tentarem o vídeo “Dimensão do Tempo” (<a href="https://www.youtube.com/watch?v=Qb5b8ZE9tIY"target="_blank" rel="noopener">https://www.youtube.com/watch?v=Qb5b8ZE9tIY</a>) e “O Mercado de TI para Iniciantes em Programação” (<a href="https://www.youtube.com/watch?v=O76ZfAIEukE"target="_blank" rel="noopener">https://www.youtube.com/watch?v=O76ZfAIEukE</a>)  também.</p>
<p>Se vocês ainda não me seguem nas redes sociais, não deixem de seguir (@akitaonrails em todo lugar). E podem mandar perguntas em privado que eu possa usar em próximos episódios de perguntas e respostas.</p>
<h2>Links diretos pra cada pergunta<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="links-diretos-pra-cada-pergunta"></span>
    <a href="#links-diretos-pra-cada-pergunta" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>03:14 - pergunta 1</p>
<p>11:27 - pergunta 2</p>
<p>15:23 - pergunta 3</p>
<p>19:23 - pergunta 4</p>
<p>21:30 - pergunta 5</p>
<p>29:00 - pergunta 6</p>
<p>30:30 - pergunta 7</p>
<p>33:13 - pergunta 8</p>
<p>35:14 - pergunta 9</p>
<p>36:21 - pergunta 10</p>
<h2>SCRIPT<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="script"></span>
    <a href="#script" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Olá pessoal, Fabio Akita</p>
<p>Ultimamente eu ando bem distraído por assuntos pessoais, e ao mesmo tempo tem alguns assuntos técnicos pros próximos episódios que vão demandar mais tempo de pesquisa do que eu normalmente faço, por isso acabei procrastinando um pouco mesmo. Provavelmente minha frequência de lançar videos vai ficar irregular agora entre dezembro e janeiro. Um desses assuntos pessoais é que estou pra me mudar pra outro apartamento, e ainda tem uma obra que vai começar agora, tem feriados que vão atrapalhar essa obra. Eu imagino que quando eu terminar de me mudar e estiver com tudo pronto mais do meio pro fim de Janeiro é que vou conseguir me focar 100% pro canal de novo. Inclusive, até o fim de Janeiro significa que o cenário do canal vai mudar também.</p>
<p>Pro episódio de hoje eu resolvi repescar algumas perguntas que vocês me mandaram em mensagem privada. Eu não peguei todas, acho que vasculhei um período de quase 2 meses de mensagens no Instagram. Por alguma razão a maioria das pessoas interage mais comigo no Instagram mais do que em qualquer outra rede social. Aliás, se vocês nunca prestaram atenção, todo vídeo eu começo com meus perfis de rede social, então não deixem de me seguir. Às vezes eu não consigo responder todas as perguntas como eu gostaria. Não se sintam mal quando eu não respondo, muitas vezes é simplesmente porque eu esqueço mesmo, outras vezes é porque eu não estou muito a vontade de responder qualquer coisa rápida.</p>
<p>A maioria das perguntas acaba sendo em torno de assuntos de carreira, principalmente início de carreira. Eu já falei sobre vários desses assuntos como no vídeo sobre Mercado de TI ou Conhecimentos Gerais e vários outros. No episódio de hoje eu vou repetir algumas das coisas que já falei em outros vídeos, mas vou tentar reformular em algo que se pareça mais com respostas. Então vamos lá!</p>
<p>Antes de mais nada, eu não vou dizer quem mandou as perguntas. Eu imagino que se me perguntaram em privado pode ser que não se sintam a vontade de eu expor publicamente. Então se vocês reconhecerem suas perguntas e quiserem expandir em cima delas nos comentários, sintam-se à vontade. Ou se preferem falar em privado, podem mandar direct no Instagram ou Twitter.</p>
<p>Outra coisa que é meio óbvio mas melhor avisar antes. Cada pessoa tem circunstâncias diferentes. Por isso não existe resposta universal que cabe pra todo mundo. Na minha posição, toda resposta podia começar com &ldquo;depende&rdquo;. Depende de que tipo de formação você já teve, depende de quanto você tem condições de investir em educação, depende se você tem objetivos específicos como morar fora do país, depende se você tem limitações que te impedem de escolher um ou outro caminho. Por isso ajuda muito se você se apresentar um pouco melhor quando faz as perguntas.</p>
<p>E isso já é uma dica: no trabalho muita gente quando fala alguma coisa acha que todo mundo devia entender suas circunstâncias, mas ninguém vai saber se você não disser. Todo mundo vai responder no seu ponto de vista particular e não no de quem perguntou. Por causa disso também, minhas respostas provavelmente vão ficar meio compridas. Porque eu vou tentar dar um contexto em vez de só dar uma receita simples. Então vamos começar com a primeira pergunta que é: &ldquo;Quais dicas você daria pra quem tá começando na área de dev. Interior, quase não tem empresas pra contratar devs, só com faculdade.&rdquo;</p>
<p>Eu achei essa pergunta interessante porque na real é onde eu acho que a maioria das pessoas se encaixa no Brasil. Muito do material sobre carreira parece mais voltado pra quem é de algum grande centro ou pólo tecnológico como São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife. Mas a maioria das pessoas vive fora das capitais. Durante mais de uma década eu visitei cidades como Xanxerê, Maringá, Rio Branco, Criciúma, Macapá, Campos de Goytacazes. A maioria sequer tem aeroportos perto. A indústria de tecnologia na maioria das cidades do interior simplesmente não existe.</p>
<p>Pouco a pouco isso vem mudando, muitas empresas estão procurando cidades fora dos grandes centros. A minha própria empresa, a Codeminer, costuma procurar cidades fora de São Paulo pra montar escritório, por isso estou em lugares como Santa Maria, Guarapuava, Poços de Caldas, mas nenhum de nós vai conseguir cobrir o Brasil inteiro tão cedo. Muitos estudantes tem o sonho de se mudar pra uma cidade maior e alguns até mesmo morar em outro país, mas isso não é realidade pra muita gente que não quer ou mesmo não pode deixar a família pra trás, por exemplo.</p>
<p>Por isso muita coisa que se usa em tech startups, linguagens mais arrojadas como Elixir, Clojure, Scala, Go, Typescript ou até mesmo coisas que consideramos super normal como Lambdas, NoSQL, Machine Learning, nada disso é remotamente perto da realidade. No máximo tem projetinhos Web simples que se integram com sistemas legados que tem 20, 30 anos de idade até. Pra todos os efeitos e propósitos, não é exagero eu dizer que já vi empresas do interior que estão literalmente presos a tecnologias e práticas que eu só via nos anos 90 e começo dos anos 2000. Você vai achar implementações de ERP como os da Totus, ou coisas customizadas dessa época feita em Delphi antigo, ou até mesmo Clipper, que eu parei de usar em 1994.</p>
<p>Então vamos lá. Vamos assumir que por qualquer razão, você esteja preso na região. Não tem planos de se mudar tão cedo. Não há sequer agências pequenas de sites e serviços de Web. Só empresas que Não são tecnologicamente avançadas mas tem sistemas pra manter. Coisas em Java antigo, ou .NET antigo, ou VB ou Delphi ou até Clipper. Que usam bancos de dados antigos como Interbase, Informix, Ingres, Caché. Se você não tem opção, então a escolha já está feita. Eu imagino que você vai precisar comer e pagar suas contas. E se sua vocação é programação, não tem como evitar lidar com tecnologias antigas.</p>
<p>Começar em empresas assim, ao contrário do que pode parecer, não é necessariamente uma coisa ruim, especialmente se você está no começo de carreira. Mas tem duas coisas que você vai precisar fazer. A mais importante delas é estudar inglês até se tornar fluente. Esse vai ser seu passaporte pra conseguir coisas melhores. Eu fico pasmo que até hoje ainda tem gente na área que desincentiva o aprendizado de inglês mas fica empurrando tecnologias inúteis que a maioria das empresas sequer tem intenções de usar por muito tempo ainda. A menos que você goste de programação só como hobby, você precisa aprender inglês, o quanto antes. Pra saber como fazer isso sem gastar muito, veja meu video sobre Como eu aprendi inglês.</p>
<p>Apesar de hoje de fato termos bons materiais em português pras tecnologias mais populares, a maioria delas fica defasada muito rápido, porque todas as linguagens, frameworks, ferramentas e plataformas, estão recebendo novas versões o tempo todo. E quanto mais usado é uma tecnologia, mais rápido ele recebe atualizações. Em poucos meses um livro em português fica defasado. Mesmo em inglês os livros ficam defasados apesar deles receberem novas edições com muito mais frequência do que no Brasil. Por isso a grande maioria dos programadores que estão à frente não estão estudando por livros, mas sim pelas documentações nos sites oficiais de cada tecnologia e foruns de discussão, e adivinhem: 100% delas é em inglês. As tecnologias que não são populares ainda, mas que tem potencial de mercado no futuro próximo, sequer tem livros publicados ainda.</p>
<p>Pior ainda, talvez muitos nem saibam disso mas se você usa Wikipedia em português, você sempre está lendo versões curtas e incompletas. Vejam por exemplo o verbete de computação quântica que foi assunto que eu gravei a respeito algumas semanas atrás. Em inglês tem mais de 70 referências. Em português tem uma lista ridícula de 18 links, metade pra posts de blog. O mesmo vale pra stackoverflow que todo programador usa todo dia. Se você não usa a versão em inglês, você está perdendo provavelmente 80% das opções, se não mais. Nem importa se você ainda não é fluente, pare de usar as versões em português e vá direto na versão mais completa em inglês. Por que você quer ficar em desvantagem em relação a todo mundo?</p>
<p>Enquanto seu inglês for ruim, sim, use todo material em português que conseguir encontrar porque não tem outra opção, mas faça isso sabendo que você está com um material que é incompleto ou já está defasado. Agora, sua vida vai ser bem mais difícil mesmo. Você vai ter que aprender a tecnologia antiga que a empresa da sua região usa e em paralelo vai ter que estudar as tecnologias um pouco mais modernas que são mais populares no mercado dos grandes centros, como Javascript ou Python, frameworks como React, linguagens mais modernas como Go. Se as empresas da sua região pelo menos usarem coisas como Java ou .NET menos mal, porque elas são fundação pra muita coisa nova. Eu diria que todo programador deveria saber um pouco ou de Java ou mesmo C#. Você aprecia melhor as novas linguagens se souber algumas um pouco mais antigas. Não procure a linguagem que é a mais simples pra aprender, ou a que você acha que pagam melhor, se for você realmente entrar na carreira de programação, você vai aprender várias linguagens diferentes ao longo do tempo. Se você estiver anos com a mesma, você está se colocando em desvantagem, de novo.</p>
<p>O outro problema é a falta de faculdade. Nos grandes centros isso também ainda é um requisito, especialmente em começo de carreira onde você ainda não tem muito como demonstrar o que sabe, porque não tem experiência anterior. Não preciso dizer que as leis trabalhistas do Brasil são uma das piores do mundo, sério é o conjunto de leis mais primitivo e imbecil e um das coisas que mais dificulta a entrada de iniciantes no mercado. Por exemplo, você só pode ser estagiário se estiver cursando faculdade, porque estágio é um processo assinado entre empresa, o estagiário e a faculdade. Existe a obrigatoriedade da figura da instituição de ensino. Pra contratar alguém, sem faculdade e sem experiência, é um custo muito alto pra maioria das empresas, porque o vínculo empregatício e a liability que isso trás custa caro. As leis trabalhistas são obstáculos pra todo mundo que não fez faculdade e precisa buscar experiência. Essas leis garantem que você que não fez faculdade comece em desvantagem.</p>
<p>Daí a única outra alternativa que pode acabar sobrando é tentar se tornar autônomo ou freelancer muito cedo na carreira. E isso é péssimo, porque se você aprendeu sozinho e nunca trabalhou em projetos de verdade ou com alguém mais experiente que consiga te mentorar, você não tem noção ainda do que um projeto realmente precisa pra ser entregue de ponta a ponta, e vai ter um caminho ainda mais difícil. Especialmente porque sem saber até onde dá pra ir, você só vai ficar repetindo as poucas coisas que aprendeu, e muitas vezes do jeito errado por muito tempo. A maioria desiste porque a pressão e frustração são grandes demais.</p>
<p>Por isso eu digo que mesmo se na região não tiver empresas com tecnologias modernas, mesmo que não paguem tão bem, ainda assim é melhor que nada. Você precisa ver como uma empresa funciona no mundo real. Mesmo se ela for ruim, você precisa ver o que ser ruim significa. Mesmo se o código for antigo e mal feito, você precisa ver como é um código antigo e mal feito. E ao mesmo tempo aprender como lidar com outras pessoas, mesmo chefes ruins pra saber o que significa ser um chefe ruim. Entenda, mesmo com faculdade, tendo aprendido só teoria, por mais que tenha lido livros e feito cursos online, você ainda não sabe 1% do que precisa.</p>
<p>Pra continuar, vou aproveitar o gancho da segunda pergunta que separei pra hoje que diz: &ldquo;É legítimo o alarmismo com relação a escassez de profissionais na área de programação? Mão de obra qualificada. Não que precise ser genial, mas alguém que tenha uma base boa pelo menos.&rdquo;</p>
<p>E sim, existe escassez de profissionais qualificados neste mercado. Não é alarmismo. Nos grandes centros a situação é bem diferente do interior e regiões afastadas do país. São realidades completamente diferentes aliás. Em centros como São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Belo Horizonte, Porto Alegre, e um pouco menos em outras capitais como Florianópolis, Curitiba, Fortaleza, por exemplo, o ciclo econômico dos últimos 10 anos trouxe um boom de tech startups e grandes empresas que absorveram parte da cultura das tech startups. Essas regiões atraíram muito investimento tanto nacional quanto internacional. Não é exagero dizer que o Brasil em 10 anos conseguiu crescer um ecossistema de tech startups muito grande. Só que com todo crescimento rápido demais conseguir mão de obra qualificada vai ficando mais e mais difícil. Porque qualificação de verdade não acontece do dia pra noite, exige anos de dedicação, estudo e experiência.</p>
<p>Pra tentar suprir essa demanda, também houve uma explosão em cursos online e geração de material de aprendizado. Mas não existe milagre. Educação exige tempo. É impossível só via um curso online produzir programadores seniors, nem mesmo pleno. Via de regra, qualquer curso online, os melhores, só vão conseguir gerar, no máximo do máximo, programadores júniors. A partir de um determinado ponto, o júnior precisa obrigatoriamente se inserir numa empresa de verdade pra aprender na prática o que significa desenvolver um sistema grande de verdade, como desenvolvedores mais experientes resolvem problemas de verdade. Nenhum curso jamais vai conseguir queimar esses passos. Aliás, se você ver algum curso ou bootcamp que faça promessas imbecis como &ldquo;estude com a gente e pule de júnior pra pleno em x tempos&rdquo; eles são charlatães, fuja. Outros cursos exigem que você já seja um pleno pelo menos e tenha uma formação boa pra conseguir usar o material mais avançado.</p>
<p>O lado menos óbvio se você não é da área é que apesar do número de tech startups ou empresas similares em tecnologia tenha crescido rápido, elas tem um problema grave: quanto mais investimentos ela recebe mais a pressão pra crescer mais rápido. Só que a maioria não tem experiência em gerir uma empresa que cresce tão rápido. E dentre as várias coisas que elas são péssimas em fazer é treinar os programadores júniors. Por isso elas tendem a procurar só programadores mais experientes, muitas vezes tentando tirar funcionários de outras empresas e pagando mais caro do que deveriam. Isso causa distorções graves no mercado e ao mesmo tempo é um tiro no próprio pé. Elas não percebem isso porque muitas sequer dão lucro, vivem de rodada de investimento atrás de rodada de investimento, então eles não entendem o conceito de eficiência, são máquinas de queimar dinheiro. A maioria vai quebrar ou ser adquirida por outra empresa maior.</p>
<p>Então de um lado existe alta demanda e escassez de profissionais experientes. E do outro lado existe uma oferta crescente de programadores júniors saindo de cursos online que não vão conseguir chegar nesse nível de qualificação sendo contratados por tech startups que ainda não chegaram no nível de crescimento acelerado via investimentos. E esse é aquele cenário onde o júnior é contratado como se fosse sênior, não vai ser mentorado direito, e tem grandes chances de acabar queimado, frustrado e sem evolução adequada. Por isso outra consequência é que o nível de retenção é baixo, os programadores crescendo nesses ambientes tem uma visão irreal de como as coisas funcionam e do que realmente valem, e a barreira de entrada é maior. Portanto existe essa escassez de moscas brancas, os seniors que conseguem carregar esse tipo de estrutura ineficiente nas costas.</p>
<p>Pra completar esse pensamento, vou engatar a terceira pergunta que é &ldquo;Você falou sobre aprender tecnologias que estão ficando &ldquo;top trending&rdquo;, mas seria errado você aprender uma tecnologia já bem estruturada no mercado de trabalho e depois se aventurar por tecnologias novas?&rdquo;</p>
<p>Parte da estratégia das tech startups é tentar adotar tecnologias mais novas que elas acreditam que podem dar alguma vantagem no crescimento delas. São as que estão usando os Clojure ou Elixir da vida, coisas mais novas da AWS como Lambdas, serviços de machine learning de uma Azure por exemplo. Ao mesmo tempo é uma forma de tentar reter as pessoas porque não tem tantos outros lugares que elas podem usar tecnologias novas demais. Por outro lado você é um profissional que tem mais valor se ao mesmo tempo souber as coisas novas e tiver domínio sobre outras tecnologias mais difundidas e maduras como Java ou Python por exemplo.</p>
<p>Uma empresa de tecnologia raramente usa uma única marca de tecnologias, porque sempre existe a ferramenta certa pro uso certo. Saindo do mundo Web, você tem mais valor como programador mobile se souber Java e Kotlin direito pra programar Android. Ou pra mercados mais de nicho que faz coisas como IoT ou hardware embarcado. Ou mesmo em grandes corporações. Aliás, voltando à conversa de se você for iniciante e tiver acesso a uma região geográfica com mais grandes empresas que não são tech startups, essas podem ter condições de oferecer programas de trainée mais estáveis, que conseguem absorver mais programadores júniors inexperientes e dar um treinamento melhor. Eu expliquei um pouco mais sobre isso tanto no meu vídeo sobre o Mercado de TI quanto no de SAP, não deixem de assistir pra saber mais.</p>
<p>Quando se fala em carreira você não deve ser imediatista. Eu sei como é, a gente é jovem, vê o brilho das tech startup, tecnologias modernas, e acha que esse é o objetivo do emprego dos sonhos. Baixe suas expectativas. Tech startups no geral são péssimos lugares pra iniciantes, porque a prioridade não é te ensinar nada, a prioridade é crescimento acelerado acima de tudo, muitas vezes queimando etapas. É um lugar melhor pro senior aventureiro que tem mais mobilidade pra fazer o que ele já sabe que tem que ser feito. Mas pra maioria dos juniors, você pode acabar sendo queimado rápido demais e se frustrar com a área antes do tempo. De novo, óbvio que tem exceções, mas como estou considerando a maioria da população e o mercado em geral, eu diria pra procurar empresas que tem um histórico maior, já existem faz 10 anos ou mais, e que oferecem um mínimo de suporte pra ganhar experiência. Não existem garantias, só brincar com a sorte mesmo. Talvez você desperdice menos tempo no começo, que é quando você ainda não vai conseguir enxergar tudo. Mesmo que essa empresa seja como no caso da primeira pergunta: no interior, com tecnologias legadas.</p>
<p>Muito se fala em soft-skills. Tem milhares de podcasts, videos, livros e palestras sobre o assunto. O mais importante é aprender a ser honesto. E não, se você é iniciante, você ainda não sabe disso. Quando você trabalha sob pressão é que você vai saber se é de verdade ou se também vai sucumbir a dar respostas fáceis. Ser honesto é saber dizer “não” quando sabe que não vai conseguir entregar. Só que não dá pra dizer “não” sempre, senão pra que você serve? Como aprender a dizer esse “não” na hora certa, ou melhor, como aprender a gerenciar expectativas?</p>
<p>Você pode ler quantos livros quiser. Mas a única forma de aprender é na prática, em situações reais, tomando até decisões erradas e tendo que consertar depois. Por isso eu digo que não importa se é uma empresa de interior, com software mal feito, com chefes ruins. Se você sempre for o cara que diz sim, fica quieto quanto devia falar, ou fala demais quando não precisa, e não consegue explicar objetivamente porque você prefere uma opção que considera melhor do que a outra que a empresa já usa, então não importa se é uma empresa de interior ou uma tech startup, você ainda não tem o que precisa. Então vai lá e pratica.</p>
<p>Agora aproveito pra colocar a quarta pergunta: &ldquo;Iniciei recentemente um curso de Javascript e agora estou estudando o mesmo por conta. Gostaria de saber, apenas com Javascript consigo algum trabalho, o quanto tenho que saber nessa linguagem pra atuar na área? Qual é o mínimo que preciso saber pra atuar em uma empresa ou prestação de serviços?&rdquo;</p>
<p>Isso é um pouco o que eu já respondi acima. Neste momento existe uma demanda alta também por bons profissionais de Javascript. Mas não basta só saber um pouco da linguagem, isso é simples. No caso de front-end, você precisa saber frameworks como React, precisa saber Redux, dependendo da região geográfica precisa saber os concorrentes como Angular que infelizmente muitas empresas ainda usam. Precisa saber como organizar projetos corretamente, as melhores práticas pra organizar módulos, como configurar coisas com Webpack direito.</p>
<p>Precisa saber as bibliotecas mais usadas. Se for fazer uma landing page ou gerenciador de conteúdo precisa saber coisas como Gatsby. Se for server-side precisa saber Node, precisa saber Express. Precisa saber usar frameworks de teste como Chai, Mocha, Puppeteer. E isso que acabei de falar aqui é só o básico. É o mínimo pra Javascript. E quando falamos Javascript, claro, estamos falando da versão ES6 que é a mais usada hoje, mas lembrem-se do que falei no começo: muitos livros e documentações antigas estão defasadas na versão ES5. A forma como se organiza código Javascript hoje e 5 anos atrás é bem diferente.</p>
<p>Como falei na pergunta anterior, por causa desse boom de crescimento rápido tanto de tech startups como produtos web em grandes empresas, a demanda por profissionais que conheçam coisas como Javascript cresceu bastante. Especialmente porque muitos modernizaram ou estão modernizando os front-end com componentes React, usando coisas como Progressive Web Apps pra fazer aplicativos web que funcionem como aplicativos desktop, como a app do Twitter por exemplo. Javascript completo hoje é muito mais abrangente do que 5 ou 10 anos atrás.</p>
<p>Eu diria que hoje, indo pra 2020, o ecossistema Javascript tá um pouco mais estável e menos caótico do que 3 a 5 anos atrás que era uma zona completa. Mas agora se você é iniciante e não sabia disso, pode estar meio assustado, como aprender tanta coisa logo no começo? Vamos pra quinta pergunta que é gancho pra isso, e a pessoa falou: &ldquo;Tenho alguns problemas que me impedem de prosseguir nessa carreira. Sou muito imediatista, quando inicio algum curso, seja de inglês ou de uma linguagem nova, eu já penso em um longo caminho pra percorrer e acabo desanimando de prosseguir, não consigo adquirir uma rotina de estudos. E também tenho medo de ser burro e não saber programar, ou esquecer de tudo na hora que uma empresa me contratar. Meu conhecimento na teoria é bom, mas na hora de praticar ou criar alguma coisa, eu esqueço ou desanimo por pensar que não consigo achar o que as pessoas iriam pensar. Sempre me dá um branco e não consigo começar nada, nem um portfolio que preciso muito. Tem alguma dica? Já passou por isso?&rdquo;</p>
<p>Eu já estou parecendo uma vitrola quebrada, mas vou repetir isso até vocês enjoarem ou entenderem de uma vez: existe um limite do que cursos e livros podem fazer só na teoria. Chega uma hora que simplesmente não adianta só estudar. Ninguém aprende a programar só lendo. Não tem um ponto exato pra começar, mas eu sempre vou dizer que você precisa dividir seu tempo entre estudar teoria e praticar. O problema é que muito iniciante ainda acha que prática vem no emprego. E isso era bem verdade, até o começo dos anos 2010 pelo menos. Mas especialmente nos últimos 10 anos com um acesso melhor que a maioria da população tem de internet de banda larga e com a popularização de plataformas como GitHub, você tem literalmente milhares de projetos open source à sua disposição.</p>
<p>Eu falei no episódio sobre a Dor de Aprender o que você tem que fazer: não fique só lendo post, vá no GitHub e baixe os projetos. Digamos que você é o iniciante no interior, que só tem a opção de trabalhar numa empresa com sistemas legados. Ou mesmo se você é um júnior numa tech startup caótica que ninguém tem tempo nem estrutura pra te treinar. Como você vai conseguir aprender o que é um bom código se você só está exposto a código mal feito, seja porque é legado ou seja porque é feito às pressas num lugar que prioriza crescer rápido acima de tudo?</p>
<p>A sua única opção é código open source. Não estou dizendo que todo projeto open source tem bom código, na verdade tem muito código bem porcaria também. Mas o importante é que você consegue achar bons códigos. E mais do que isso. Eu falei que você precisa saber um monte de bibliotecas que muitas empresas modernas usam. Muitas dessas bibliotecas sequer tem cursos ou livros. A sua única forma de saber como elas são usadas é procurar projetos que usam essas bibliotecas. Exemplo simplificado em post de blog é muito pouco. Mas ver só num projeto é pouco, você precisa ver como vários projetos usam a mesma biblioteca de maneiras diferentes.</p>
<p>Aqui você vai encontrar a barreira: você vai ter que encarar qual é sua real determinação em querer aprender. Se você diz que só consegue estudar dentro do horário de uma aula de curso. Se você diz que só consegue pegar no teclado pra digitar código durante o horário de serviço. Essa é sua barreira. Não é um defeito, só não é sua vocação. A maioria dos programadores é assim na realidade. São mais raros os que tem a determinação de, nas horas vagas, ler documentação online, baixar as dezenas de projetos na própria máquina e treinar esses códigos.</p>
<p>Lembre-se, você não tem experiência, muitos que não quiseram ou não puderam fazer faculdade, sequer tem a fundação. Se você não tiver essa disposição, eu realmente não tenho muito mais que eu posso recomendar pra você. Literalmente todo dia tem coisa nova aparecendo. Você pode escolher que não quer ter que estudar pro resto da vida, então você tem a opção de empresas que não estão tão preocupadas em seguir as novas tendências. As tais empresas de interior, empresas cujo foco não é tanto tecnologia, setor público por exemplo. Eu chutaria que a maioria dos programadores na realidade são mais codificadores, não estão tão preocupados em buscar as melhores soluções, mais em manter o que já tem e torcer pra não mudar muito pra não ter que estudar nada novo. Já deixo bem claro que esse não é meu público alvo.</p>
<p>Mas se você gostaria de uma carreira que vai evoluir, e você vai ter mais valor no futuro, você tem que colocar na cabeça que vai ter que estudar e praticar com frequência, pro resto da sua vida, não é uma opção. Na pergunta a pessoa fala que tem dificuldade de se colocar numa rotina de estudos. Isso é muito comum. Eu também não consigo ficar estudando coisas na teoria sem nunca usar na prática. Eu prefiro iniciar pela prática e buscar a teoria pra complementar o que eu não sei e vou intercalando. Raramente eu leio um livro técnico do começo ao fim. Na verdade eu não lembro se um dia cheguei a fazer isso. Eu realmente nunca li um livro técnico de cabo a rabo. Seria uma enorme perda de tempo. Livro técnico é que nem dicionário: é uma referência que você busca em momentos específicos, pra ler um trecho específico, e daí voltar pra prática.</p>
<p>E aí tem o tal medo de numa entrevista não lembrar do que estudou. Ou mesmo quando vai tentar começar um projeto não se lembra também. A razão disso é a falta de prática. Só fazer curso e ler livro é uma chatice. Eu não lembro a última vez que fiz algum curso, mesmo lá no começo. Na real, faz anos que eu não leio livros técnicos nem faço cursos online. Eu só procuro referências quando eu tenho dúvidas específicas. Como eu disse, pra muitas das coisas novas, sequer existem cursos. Eu prefiro sempre ir atrás das documentações online e em alguns casos abrir o código fonte dos projetos que quero usar pra ter uma noção de como funcionam.</p>
<p>Muita gente recomenda você começar um projeto pessoal do zero. É a pior recomendação que se pode dar, justamente porque se você não tem experiência, como vai imaginar como se começa um projeto do zero? Na verdade isso é uma experiência super frustrante pra quem tem zero experiência. É muito melhor começar baixando projetos dos outros. Copie código dos outros, sem nenhum objetivo de no final ter um produto seu que tenha alguma utilidade.</p>
<p>Eu disse isso em outro vídeo e vou repetir de novo: copie muito código. Literalmente abra o navegador no projeto do Github de um lado, abra seu editor de textos do outro, e copie. Treine sua memória muscular a se acostumar com código. Não só baixe o projeto e rode. Crie um novo diretório e redigite tudo do zero de novo. Você vai descobrir que mesmo copiando, seu código vai falhar. Você vai descobrir que às vezes é melhor codar algumas coisas do começo ao fim, às vezes é mais fácil copiar uma parte, tentar rodar, depois continuar. Você vai descobrir que algumas partes você já sabe como codar de uma forma melhor e vai ver na prática se o que você acha que é melhor realmente funciona. E além disso vai ver bibliotecas sendo usadas que você nem sabia que existiam e pra que servem, na prática. Quando você está começando do zero, isso é extremamente importante.</p>
<p>Nem pense tanto em contribuir nos projetos open source logo de imediato. Essa não é a prioridade. Com o tempo, você vai saber quando tá apto a contribuir. E contribuir é vantajoso tanto como exercício e prática quanto pra montar portfolio e currículo. Porque é um código seu que qualquer um consegue avaliar e ver até onde você consegue contribuir. No Brasil parece que nem toda empresa olha isso, mas no exterior é um critério muito importante.</p>
<p>A sexta pergunta eu ouço bastante, a pergunta é curta e a resposta não vai ser satisfatória, mas a partir daqui minhas respostas devem ficar um pouco mais curtas pelo menos. Vamos lá, a pergunta é assim: “Qual seria a linguagem mais fácil pra começar a programar? Eu tentei Python mas falhei.”</p>
<p>Cara, Python é uma das linguagens mais simples pra começar. A sintaxe dela é uma das mais simples, tem poucas exceções às regras, ninguém fica inventando muita moda nos patterns. Não é a toa que muitas faculdades escolhem Python hoje, porque realmente é simples de começar. Mas isso dito, não existe isso de “linguagem mais fácil pra começar”. Qualquer linguagem é fácil pra começar. É que nem eu perguntar: qual idioma é mais fácil pra começar. Tanto faz. Qualquer criança no mundo, nascida em qualquer país do mundo, aprende o idioma local. O que faz a diferença não é a dificuldade do idioma comparado com a que você já sabe, é quanto você está disposto a mergulhar nela. Como eu disse antes, se sua disposição for fraca, qualquer opção vai ser difícil.</p>
<p>Você tá no começo, literalmente tanto faz. De preferência procure um conjunto de tecnologias que é usado nas empresas da sua região. Depois você aprende outras. Daqui 5 anos as linguagens que hoje são consideradas as mais tops, já não vão mais ser. Nem se preocupa e se não assistiu ainda veja meus episódios sobre “Sua Linguagem Não é Especial” e “A Dimensão do Tempo” onde eu tento explicar mais essa visão de longo prazo.</p>
<p>A sétima pergunta é outra que ouço bastante ainda: “Pra irmos pro framework, precisamos dominar a linguagem pura ou basta saber do básico ao intermediário? Por que as vagas de emprego hoje em dia tudo pede eles, perdi duas vagas em entrevista porque eu disse que sabia a linguagem pura.”</p>
<p>Você precisa saber obviamente, tanto a linguagem quanto o framework. Por exemplo, Javascript e React. Python e Django. PHP e Laravel. Ruby e Rails. Java e Spring. Você nunca vai conseguir saber 100% de qualquer linguagem. Isso leva anos, provavelmente nem os criadores dessas linguagens conseguem saber tudo que elas fazem hoje, porque é como um idioma. Nem Shakespeare saberia tudo de inglês. Só com a linguagem, sem ter conhecimento do ecossistema ao redor, você tem bem pouco valor pro mercado. O mercado adota frameworks, bibliotecas, ferramentas e processos que você vai precisar saber. Portanto não tem nenhum problema em começar pelo framework e aprender o mínimo da linguagem pra conseguir copiar e colar trechos que viu no stackoverflow. Muita gente faz isso.</p>
<p>Mas deixa eu colocar isso bem claro: é muito fácil pra qualquer sênior olhar pro código feito dessa forma e saber que é trabalho de um iniciante. Vira e mexe eu avalio código e de bater o olho eu já sei se é um iniciante ou alguém mais experiente. Sei quais trechos tem cheiro que foram copy e paste. De novo, pensa um idioma. Se você faz uma redação, algumas partes você mesmo escreve, outras partes você abre um livro de Shakespeare e copia trechos, abre um livro de Mark Twain e copia outro trecho. Você não acha que o estilo da codificação fica diferente? Alias, fica bem diferente? Por isso eu enfatizo tanto pra você treinar copiando código dos outros o máximo que puder. Com o tempo você vai começar a notar esses padrões. Comprimento de métodos, complexidade do código, estética da organização, e com o tempo vai começar a se preocupar não só com a função, mas com a forma do seu código. Vai identificar o que é sujeira desnecessária, vai aprender a reduzir seu código ao mínimo necessário que deixa ao mesmo tempo legível e também eficiente.</p>
<p>Não se preocupe, seu código no começo vai ser sempre ruim. Não importa se você começou aprendendo primeiro a linguagem e depois pulou pro framework, ou se começou pelo framework e foi aprendendo a linguagem no caminho. Qualquer das duas opções você tem que continuar estudando os dois. E se você parar, qualquer um mais experiente vai saber qual é seu nível só de olhar pro seu código. Aliás, isso é outra dica: se alguém que se diz senior, olhar pro seu código de junior, e não tiver nada a dizer, provavelmente é porque ele também é junior e só tem o título de senior.</p>
<p>A oitava pergunta é uma continuação. Depois de ter passado do estágio de aprender o básico de uma linguagem e dos frameworks, a dúvida é: “Eu tenho muita dificuldade com CSS, não consigo encaixar as coisas onde eu quero na página, e também tenho dificuldade com responsividade. A maior parte do meu trabalho é construindo APIs REST, e alguns back-offices com o próprio Rails. Meu foco é no backend, mas acabo mexendo um pouco com front e deploy no Heroku. Como profissional, eu devo focar meus estudos em superar essa dificuldade com CSS ou focar na minha carreira de backend e estudar TDD, design patterns, fundamentos, etc? Lembrando que meu foco é ser desenvolvedor fora do Brasil.”</p>
<p>A velha discussão sobre desenvolvedor full-stack. Isso existe e não existe. Em pequena escala é possível ser full-stack. Mas em grandes tech startups, que já tem alcance e escala, o trabalho de engenharia é muito mais especializado. Então a discussão se divide entre empresas onde é possível ser full-stack e onde não é. E a barreira é a quantidade de conhecimento avançado e experiência que o profissional precisa ter. Pra que direção você vai depende que tipo de empresa que você tem como objetivo. Tanto no Brasil quanto no Exterior. Empresas menores tendem a querer mais um “full-stack” que no fundo é alguém que consegue desenvolver e deployar uma aplicação web de ponta a ponta sozinho, mas sem se preocupar com escala e segurança de tech startup nível Uber. Claro que o que esse full-stack vai saber em termos de conhecimento e experiência é muito menos que um back-end especializado senior de um Uber.</p>
<p>Agora, o que foi listado como TDD, design patterns, fundamentos, ainda é só o básico. Tanto pra empresas médias, quanto pras grandes isso é be-a-bá, coisas que juniors já tem que estar estudando, plenos já tem que saber. Back-end senior tem ir além disso. Mas o que vai determinar até onde você vai é o quanto você tem disposição pra buscar coisas novas versus se conformar onde está e evitar mudanças.</p>
<p>A nona e penúltima pergunta é outra que não tem uma resposta satisfatória. A pergunta é: “Onde você vê mais vagas de emprego. No front-end ou back-end?”</p>
<p>Dependendo de que site de empregos ou post analíticos você procurar, vai achar respostas diferentes. Dependendo se está olhando só na sua região, nos grandes centros, em outros países. Depende. E de novo, como eu disse antes, existe escassez de profissionais de qualidade e existe excesso de profissionais inexperientes ou ruins mesmo. Se você for um programador ruim, não tem vaga decente em quase nenhum lugar. Se você se esforçou pra ser qualificado, existe vaga sobrando. E tanto faz se é em front, se é em back, em devops, em infosec. Pense sempre assim: se você sabe pouco, tem muito mais concorrência, portanto você vale menos. Se você se esforçou pra saber mais, tem muito menos gente que se esforçou, então a concorrência é menor. É lei da oferta e da procura. Use essa lei a seu favor e acumule mais conhecimento e experiência do que a maioria está fazendo. Se você está seguindo a maioria, você provavelmente está indo na direção errada.</p>
<p>E finalmente, a décima e última pergunta de hoje diz: “Meu sonho é ser um engenheiro de software, programo já tem 5 anos e amo fazer isso, mas ao mesmo tempo amo empreender. Estou criando minha empresa, vai ser um produto saas. Será que um dia vou ter que tomar a decisão de ou empreender ou programar? Os dois consigo fazer? Ouvi dizer que um dia se eu quiser que a empresa tenha sucesso vou ter que deixar de codar.”</p>
<p>Empreender, principalmente no mundo de tech startups, tem um fator que é pouco dito: o fator QI, que é Quem Indica. Nada é garantido no mundo de empreendimento, mas se você já é bem conectado, seja por histórico familiar e coisas assim, você sempre vai ter chances melhores de conseguir parcerias melhores, investidores e tudo mais. Se como eu, você não teve nada disso, sua única chance é conseguir isso do zero e confiança é algo que se adquire rápido. Certamente não tem vantagem nenhuma ir em evento de networking trocar cartão.</p>
<p>Criar um produto é razoavelmente fácil. Se você não for ruim demais, eventualmente consegue codificar um produto. Se ele vai ser bom ou não é outros quinhentos. Porém o maior custo de um produto do zero é o marketing. Estou falando numa ordem de grandeza maior do que você gastar pra fazer o produto. Um produto ruinzinho que tem um marketing caro tem mais chances de atrair usuários do que um produto extremamente bem feito que ninguém nunca ouviu falar. Eu falei que estamos no meio de um boom de tech startups, significa que a concorrência é enorme. Ser só um pouquinho melhor do que a concorrência, ainda mais se for só subjetivo, não basta. Pra conseguir crescimento orgânico só na competência técnica, sem apoio externo, é basicamente sorte.</p>
<p>Se seu objetivo é ser um engenheiro de software bom, isso vai de encontro a empreender, que também é uma atividade de tempo integral. De novo, se você já não tem excelentes sócios administradores, que conseguem perfeitamente levar a parte tributária, fiscal, vendas, marketing, suporte, recursos humanos, você vai ter que fazer tudo isso sozinho. É muito raro, sozinho, conseguir fazer tudo e ainda conseguir ter alguma chance de ter sucesso. Já vi gente conseguir, mas é a exceção da regra. Por isso não é uma recomendação.</p>
<p>E isso é outra coisa que eu falo pra todo iniciante na carreira. Empreender muito cedo não é nunca uma recomendação. Administrar uma empresa de maneira inteligente e eficiente, especialmente no começo, é tão difícil quanto fazer um bom código que funciona, sem bugs e que escala. Não superestime suas capacidades de programação e nem subestime a dificuldade de ser empresário com as leis toscas do Brasil. Aqui é uma preferência pessoal, mas eu prefiro ir um caminho de cada vez. Primeiro ganhar calo como programador de verdade em uma variedade de projetos diferentes até se tornar realmente bom e com o tempo ver como as empresas realmente funcionam e durante esses projetos ir conhecendo pessoas fora da sua área como advogados, contadores, administradores, que você passe a confiar e que também confiam em você depois de ver resultados, e naturalmente você pode se tornar um empresário.</p>
<p>Tudo isso muda se você já tem dinheiro, vem de família abastada, e pode contar com esse networking e recursos, claro. Mas não é a realidade da maioria das pessoas. O caminho pra se tornar um bom profissional, um bom engenheiro de software, não é simples. E não deveria ser mesmo, por isso ele é bem remunerado. Justamente porque a maioria das pessoas desiste no caminho, é desonesto, não consegue admitir as próprias fraquezas e por isso nunca sabe onde precisa melhorar, e gasta mais tempo botando defeito no mundo e nas outras pessoas do que em si mesmo. Eu sempre falo que se alguém reclama tempo demais, é justamente o tempo que não está usando pra praticar, estudar e entregar valor de verdade. Acho que falei no video sobre SAP que no mundo de consultoria a gente tem um nome pra isso: consultor crocodilo, que é aquele que tem boca grande e braço curto.</p>
<p>E por hoje é isso aí, não dá tempo pra responder todas as outras perguntas que recebi, mas essas representam a maioria das coisas que me perguntam. Eu tentei cobrir os cenários que eu acho que a maioria das pessoas se encaixam, seu caso particular talvez não esteja aqui. Também não tem problema me mandar perguntas em privado pelas redes sociais, mas eu realmente não consigo responder todo mundo de bate pronto, mas pode ser muito útil pra um próximo vídeo. Vocês gostam desse tipo de video de vez em quando? Não deixem de dar feedback nos comentários abaixo, se curtiram o video deixem um joinha, assinem o canal e não deixem de clicar no sininho pra não perder os próximos episódios. Aliás, o YouTube vira e mexe tira a sua assinatura do canal se você não volta com alguma frequência, então chequem se ainda estão assinando! Por hoje é isso aí, a gente se vê, até mais!</p>
<p>Olá pessoal, Fabio Akita</p>
<p>Antes de mais nada, meus agradecimentos ao Codigo Fonte TV pelo convite pra compartilhar nossas mensagens pra comunidade brasileira de desenvolvimento de software.</p>
<p>Estamos nos anos 20 do século XXI eu fico pensando uma coisa. Faz só 6 décadas que começou a revolução do circuito integrado. Faz só 5 décadas que começou a revolução dos computadores desktop. A revolução da Web ainda não completou 3 décadas. E faz só 1 década que tivemos a revolução dos smartphones. Durante minha carreira de 30 anos de programação eu tive o privilégio de testemunhar boa parte dessa história em primeira mão e mesmo assim eu não consigo imaginar o que vai acontecer na próxima década. Não existiu melhor momento pra se tornar um programador do que agora e fazer parte dessa história que vai continuar transformando a humanidade. E não tem nada mais empolgante pra mim do que saber como essas coisas funcionam e ter parte da construção do futuro. Juntem-se a nós!</p>
<p>Muita gente me procura via mensagens diretas em redes sociais, em particular pelo Instagram. Pro episódio de hoje eu selecionei 10 perguntas que representam a maior parte dos temas que costumam me perguntar e apesar de já ter parcialmente respondido algumas delas via os temas de outros vídeos passados, vou tentar compilar respostas um pouco melhores hoje. Espero que ajude.</p>
<p>O tema vai ser “Perguntas mais frequentes de iniciantes no mercado de tecnologia”. Diferente do vídeo que eu fiz chamado “Começando na Carreira de TI” (<a href="https://www.youtube.com/watch?v=H84WD_xyj10"target="_blank" rel="noopener">https://www.youtube.com/watch?v=H84WD_xyj10</a>) onde eu abordei assuntos que começam mais na escolha da faculdade primeiro, esta é mais focado no primeiro emprego e na forma de começar a evoluir. Depois de assistir este video convido vocês a tentarem o vídeo “Dimensão do Tempo” (<a href="https://www.youtube.com/watch?v=Qb5b8ZE9tIY"target="_blank" rel="noopener">https://www.youtube.com/watch?v=Qb5b8ZE9tIY</a>) e “O Mercado de TI para Iniciantes em Programação” (<a href="https://www.youtube.com/watch?v=O76ZfAIEukE"target="_blank" rel="noopener">https://www.youtube.com/watch?v=O76ZfAIEukE</a>)  também.</p>
<p>Se vocês ainda não me seguem nas redes sociais, não deixem de seguir. E podem mandar perguntas em privado que eu possa usar em próximos episódios de perguntas e respostas.</p>
]]></content:encoded><category>carreira</category><category>aprendizado</category><category>startups</category><category>akitando</category></item><item><title>[Akitando] #64 - Começando na Carreira de TI | Faculdade? Níveis de Experiência?</title><link>https://akitaonrails.github.io/2019/10/16/akitando-64-comecando-na-carreira-de-ti-faculdade-niveis-de-experiencia/</link><guid isPermaLink="true">https://akitaonrails.github.io/2019/10/16/akitando-64-comecando-na-carreira-de-ti-faculdade-niveis-de-experiencia/</guid><pubDate>Wed, 16 Oct 2019 11:00:00 -0300</pubDate><description>&lt;div class="embed-container"&gt;
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&lt;h2&gt;DESCRIPTION&lt;span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="description"&gt;&lt;/span&gt;
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&lt;p&gt;Além disso todo mundo começando tem dúvidas sobre os diversos níveis de experiência como Júnior, Pleno ou Sênior.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Como iniciante, como eu deveria pensar sobre esses assuntos? Hoje eu resolvi compilar uma longa explicação sobre o que eu costumo ver ao longo de uma carreira, desde a faculdade até a evolução de júnior até sênior.&lt;/p&gt;</description><content:encoded><![CDATA[

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<h2>DESCRIPTION<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="description"></span>
    <a href="#description" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Continuando na vibe de iniciantes na carreira de TI eu sei que ainda tem muita dúvida sobre os diferentes cursos da faculdade como Ciências da Computação, Engenharia de Software ou Sistemas de Informação.</p>
<p>Além disso todo mundo começando tem dúvidas sobre os diversos níveis de experiência como Júnior, Pleno ou Sênior.</p>
<p>Como iniciante, como eu deveria pensar sobre esses assuntos? Hoje eu resolvi compilar uma longa explicação sobre o que eu costumo ver ao longo de uma carreira, desde a faculdade até a evolução de júnior até sênior.</p>
<p>Links:</p>
<ul>
<li>AkitaOnRails [Off-Topic] Opiniões, Verdades, Democracia e Ética (<a href="https://www.akitaonrails.com/2011/05/04/off-topic-opinioes-verdades-democracia-e-etica"target="_blank" rel="noopener">https://www.akitaonrails.com/2011/05/04/off-topic-opinioes-verdades-democracia-e-etica</a>)</li>
</ul>
<p>Akitando:</p>
<ul>
<li>Dúvida: Devo Fazer Faculdade? (<a href="https://www.youtube.com/watch?v=XWVcF7BoCSc"target="_blank" rel="noopener">https://www.youtube.com/watch?v=XWVcF7BoCSc</a>)</li>
<li>Devo Fazer Faculdade? (22 Anos Depois) (<a href="https://www.youtube.com/watch?v=iRjEa7N8wEo"target="_blank" rel="noopener">https://www.youtube.com/watch?v=iRjEa7N8wEo</a>)</li>
<li>O que Eu Devo Estudar? (<a href="https://www.youtube.com/watch?v=Ll1uAZ-WRa0"target="_blank" rel="noopener">https://www.youtube.com/watch?v=Ll1uAZ-WRa0</a>)</li>
<li>O Mercado de TI para Iniciantes em Programação (<a href="https://www.youtube.com/watch?v=O76ZfAIEukE"target="_blank" rel="noopener">https://www.youtube.com/watch?v=O76ZfAIEukE</a>)</li>
<li>Você não sabe nada de Enterprise! Conhecendo a SAP (<a href="https://www.youtube.com/watch?v=FXhcfJnlD2k"target="_blank" rel="noopener">https://www.youtube.com/watch?v=FXhcfJnlD2k</a>)</li>
<li>Não Terceirize suas Decisões (<a href="https://www.youtube.com/watch?v=D3L8IOncLkg"target="_blank" rel="noopener">https://www.youtube.com/watch?v=D3L8IOncLkg</a>)</li>
</ul>
<h2>SCRIPT<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="script"></span>
    <a href="#script" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Olá pessoal, Fabio Akita</p>
<p>Eu percebi pelos comentários que muita gente assistindo meu canal é iniciante de alguma forma em computação, seja porque está na faixa dos 20 anos realmente começando do zero ou porque está na faixa perto dos 40 querendo dar cento e oitenta graus e mudar de carreira completamente.</p>
<p>Então no episódio de hoje eu quero explorar um pouco mais sobre a temática da evolução na carreira. Por exemplo, muita gente ainda tem dúvidas sobre a famigerada tríade que todo RH fala mas quase nenhum sabe definir, o que é júnior, pleno ou sênior. Também um pouco sobre as diferenças nos diversos cursos de faculdade, tipo engenharia de software ou engenharia da computação. No final um pouco sobre o contexto onde os dois pontos anteriores. Pra variar é tema que eu deveria quebrar em uns 3 episódios separados mas queria tirar isso do caminho de uma vez só, então preparem-se que vai ser bem longo!</p>
<p>Como eu disse no episódio anterior sobre Não Terceirize suas Decisões a idéia aqui não é dar nenhum passo a passo pra vocês. Não quero que ninguém pense que eu estou recomendando fazer de um jeito ou de outro. O que eu vou contar hoje vai ser muito mais minha opinião do que uma definição formal, então se você já é experiente e já está avançado na carreira, provavelmente vai discordar de mim em muitos pontos e nesse caso não deixem de compartilhar sua visão nos comentários abaixo. Carreira não é uma receita de bolo certinha, o máximo que podemos fazer é dar perspectiva.</p>
<p>Vamos começar do começo. Eu vou dizer que até eu fico meio confuso com os diferentes cursos em faculdades. Existem faculdades que usam o mesmo nome de curso mas ensinam coisas diferentes, acho que principalmente em Sistemas de Informação. Existem faculdades que ensinam de formas diferentes. Fora os diferentes níveis de qualidade e reconhecimento. Então dependendo de onde você estudar, vai ter diferenças consideráveis. Infelizmente eu não posso ajudar muito aqui, não existe nenhuma forma objetiva de comparar curso a curso de todos os lugares.</p>
<p>Quando eu comecei a escolher cursos pra faculdade lá por 94 haviam principalmente 3 cursos diferentes. Engenharia da Computação, Ciências da Computação e Processamento de Dados. Até onde eu entendia, Engenharia da Computação é de fato uma engenharia, na realidade eu chutaria que é uma especialização de Engenharia Elétrica. Esse é o curso praqueles interessados no hardware em si, microprocessadores, placas lógicas e você teoricamente deve aprender a desenhar circuitos, desenhar placas, propriedade dos materiais e até processos de fabricação.</p>
<p>Normalmente os diversos cursos de engenharia todos começam igual, você tem dois anos da mesma grade e no meio você escolhe pra qual engenharia vai se especializar, tipo civil, naval, produção, elétrica, mecânica, etc. Pelo menos na USP era assim. Os primeiros anos é muita matemática, e ainda assim menos do que nos cursos de matemática mesmo, mas é cálculo, álgebra, física. Confunde um pouco porque você tem programação no currículo, mas eu imagino que é mais voltado à programação de mais baixo nível. Porta lógicas, circuitos integrados, semicondutores, talvez se fale em coisas como CMOS e MOSFET, VLSI, etc. Se você quer trabalhar na indústria de eletrônicos e automação por exemplo, seria esse o curso.</p>
<p>Ciência da Computação foi o que eu fiz, e eu diria que é uma especialização da Matemática Aplicada. A matemática pura, como você pode imaginar, não se preocupa tanto com a aplicação. Já computação é uma aplicação da matemática, por isso eu digo que seria uma especialização. Os dois primeiros anos de Ciências da Computação é muito parecido com os cursos de matemática mesmo e por isso muita gente não gosta porque se vê muito pouco de programação nesse período. Só a partir do 5o período você começa a ver mais coisas como montadores, compiladores, sistemas operacionais.</p>
<p>O objetivo de um curso de ciências não é ensinar o que o mercado do momento precisa. Você até tem matérias opcionais, que tentam introduzir alguma coisa mais prática, mas não é esse o foco. Computação, como eu disse, é uma aplicação da matemática, toda a base de conhecimento que torna um computador possível vem de décadas atrás, começando com a arquitetura de Von Neumann. Não importa se o computador de hoje é ordens de grandeza mais rápido que um dos anos 80, fundamentalmente eles ainda operam da mesma maneira. Mesma coisas como linguagens de programação. Tanto faz qual é a linguagem mais moderna de hoje, um Java de hoje fundamentalmente funciona da mesma forma que um Basic nos anos 70, só é mais complicado. Em vez de aprender só uma linguagem, você deveria aprender como todas elas funcionam no nível dos compiladores, por exemplo.</p>
<p>O que na minha época era Processamento de Dados ou mesmo Análise de Sistemas hoje em dia acho que é chamado de Sistemas de Informação. O grosso da computação aplicada na indústria continua sendo muito de “processamento de dados”. Por exemplo, numa multinacional de 10 mil funcionários, todos eles batendo cartão de ponto, imagine contabilizar as horas trabalhadas de todos, na mão. Ou imagine fazer o fechamento contábil de uma rede de varejo no papel. Ou no Brasil que você tem uma tonelada de regulamentações pra seguir, Reinf, SPED, ECF e por aí vai.</p>
<p>Eu não acompanhei a transição dos cursos de Processamento de Dados pra Sistemas de Informação mas o objetivo é parecido, que é a automatização de processos envolvendo informação na forma de sistemas, por isso Sistemas de Informação. Teoricamente você se forma tecnólogo ou bacharel e pode atuar como um analista de automatização de processos de informação. No mundo corporativo que é formado de diversas áreas como recursos humanos, vendas, financeiro, manufatura, etc todas precisam ser integradas, automatizadas, e um analista de sistemas de informação seria o profissional trabalhando nisso. E já que mencionei tecnólogo e bacharel vale esclarecer. Eu entendo que ambos são nível superior, e um bacharel é mais generalista do que um tecnólogo, e cursos de tecnólogo são mais curtos e mais focados.</p>
<p>E isso me leva pra outro curso que me parece que começou a aparecer mais nos anos 90 que é Engenharia de Software. Pelo menos pra mim esse sempre foi mais estranho. O maior problema de software, do ponto de vista das metodologias de programação, é que eu nunca consegui enxergar tanto como uma &ldquo;engenharia&rdquo; da mesma forma como engenharia civil ou mecânica por exemplo. Acho que de todas as engenharias, a de software é a única que não lida com hardware &hellip;</p>
<p>Software em si não obedece leis da física. Quantidade de código não aumenta seu “peso”. Ele não tem cheiro, não tem textura, nada, é totalmente abstrato. Poderíamos escrever software pra uma máquina infinita teórica, com poder de processamento infinito, armazenamento infinito e velocidade de transferência de dados infinitos. Seria como na matemática pura. No mundo real, pra não dizer que não existe nenhuma lei, software é de fato limitado pelos ciclos do processador, pela capacidade de armazenamento e pela velocidade de transferência dos dados entre os diversos componentes.</p>
<p>Mas do ponto de vista do código em si, ele não tem limites. Eu posso literalmente escrever qualquer coisa. Tecnicamente, as linguagens também não tem limites, sendo todas Turing Complete eu posso escrever qualquer software em qualquer linguagem. Eu gosto da definição de engenheiro como sendo aquele que aplica os princípios da ciência e da matemática pra desenvolver soluções economicamente viáveis pra problemas técnicos. É o elo que liga as descobertas científicas às aplicações comerciais.</p>
<p>A parte da ciência que o engenheiro usa vem da ciência da computação cuja função é resolver problemas computacionais ou melhorar a performance das soluções existentes, é realmente mais voltado a uma forma de pensar mais de pesquisa, não necessariamente que a pessoa precise virar um pesquisador. Seja novos algoritmos. Seja novos componentes de computação como novas linguagens ou novos sistemas operacionais ou novos protocolos de rede. Veja os produtos que um Google lança como Protobufs, a virtual machine Dalvik, os algoritmos de pesquisa, bibliotecas de gerenciamento de memória melhores, tudo trabalho de pesquisa de ciências da computação. Daí você tem ferramentas como a linguagem Go, o framework Flutter, um Kubernetes, tudo trabalho de engenharia. E finalmente a aplicação dessas tecnologias pra criar produtos como o Google Analytics, o Gmail, o Google Maps, que poderia sair da mão de analistas de sistema e engenheiros trabalhando juntos.</p>
<p>Porém, os papéis não são tãaaao bem divididos assim. Existem cientistas com cabeça de produto, existem engenheiros com cabeça de pesquisa, existem analistas com cabeça de engenharia. Pode ter gente que saíram de diferentes cursos convergindo pros mesmos papéis. A beleza do mundo de tecnologia é que me parece mais fácil um cientista da computação ir pra engenharia de software do que um arquiteto de verdade virar engenheiro civil. Posso estar falando uma grande bobagem, mas é como a analogia se encaixa na minha cabeça.</p>
<p>De todos os cursos, o mais fácil de escolher talvez seja engenharia da computação, porque você já tem na cabeça que quer lidar com hardware, entrar na indústria de automação, produção, eletrônicos e coisas assim. Talvez a dúvida seja se você quer engenharia elétrica com especialização em computação ou engenharia da computação propriamente dita. Mas eu não estudei engenharia o suficiente pra saber qual o melhor.</p>
<p>Se seu foco for programação, você pode virar um programador mais cientista, ou mais engenheiro, ou mais analista. A grosso, bem grosso modo, é como eu dividiria se quisesse simplificar beeeem simplificado. Generalizando eu diria que a maioria dos autodidatas que já começou trabalhando por conta e aprendendo sob demanda, acaba sendo mais um programador analista, porque falta a fundação formal de ciências e engenharia. Elas podem ser aprendidas sozinho, mas a maioria dos autodidatas jovem sequer sabem da existência dessa fundação.</p>
<p>Como eu sou de ciências da computação, eu sempre vou ter um viés pra ciências. Mas não existe necessariamente uma correlação entre o curso que você escolher e seu sucesso no futuro. O sucesso depende mais do tipo de pessoa que você é, do que o curso em si. Todos os cursos são só bases pra começar. Eu sempre vou defender que você aprenda matérias que historicamente sobreviveram ao teste do tempo. Uma matéria como, digamos, Flash que tenha aparecido na grade de um curso no começo dos anos 2000, hoje é inútil por exemplo. Quanto mais específico em alto nível, mais rápido tende a ficar defasado, mas mais prático no dia 1. Quanto mais específico em baixo nível, mais tende a ter valor ao longo do tempo mas menos prático vai ser no dia 1, como cálculo ou estatística.</p>
<p>Como eu também sou defensor de jogar o jogo do longo prazo, eu defendo que um curso de programação cujas matérias tendem a te acompanhar por mais tempo no futuro seja ciências da computação e depois as engenharias, e um bacharelado antes de um tecnólogo. Mas isso é um compromisso de longo prazo, ou seja, você realmente não tem intenções de mudar de área. Mas eu sei que muita gente não tem essa certeza aos 17 anos. Por isso eu não sou contra cursos como sistemas de informação e tecnólogos. Você sempre pode estudar ciências depois. Vai ser bem mais difícil, especialmente se você estiver trabalhando, mas não é impossível dado que existem centenas de casos de pessoas acima dos 30 ou 40 anos fazendo exatamente isso.</p>
<p>Suas opções ficam mais limitadas, claro, é sempre um trade-off. Não existe uma decisão correta com resultado garantido, você vai ter que jogar. Suas chances sempre vão ser fifty-fifty, cara ou coroa. Alguém decidido a não mudar de caminho, como eu, que decidi por ciência como primeira opção e me segurei nela desde então, é só um cara teimoso. Por sorte eu dei certo. Nem todo mundo precisa ser teimoso, e eu conheço muita gente mais bem sucedida que eu que mudou de caminho várias vezes. Tudo depende de que tipo de pessoa você é.</p>
<p>Um médico tem como prioridade salvar o paciente que está na sua frente na melhor das suas habilidades e usando os recursos que existem hoje. Um pesquisador de laboratório tem como prioridade salvar o máximo de pacientes no futuro, aprimorando ou inventando tratamentos e ferramentas que vão equipar os hospitais e consultórios no futuro. Nenhum dos dois está errado e um precisa do outro pra continuar progredindo.</p>
<p>Um cientista da computação pode ter como prioridade a pesquisa de como aprimorar o gerenciador de memória de uma linguagem pra que ele use menos recursos e performe melhor no mesmo hardware. O correto é ele usar cálculo e estatística nesse processo. O engenheiro de software pode ter como prioridade os diferentes processos e técnicas de como usar as linguagens pra desenvolver aplicações com o melhor custo benefício. Ele pode usar princípios da engenharia de produção. Um analista de sistemas tem como prioridade usar essas linguagens e essas técnicas pra automatizar o problema real de uma empresa hoje, assim como um médico. Porém, diferente de um médico que tem um CRM e não tem autorização pra inventar um novo tratamento e testar em pacientes, um analista pode sim dar uma de engenheiro ou cientista e testar alguma coisa experimental, embora não seja essa sua prioridade.</p>
<p>Alguém com formação em ciências ou engenharia teria mais capacidade de desenvolver o software que equipa o sistema de estacionamento automático de um carro, mas provavelmente não um analista. Por outro lado, alguém com formação em ciência não tenha paciência pra analisar e resolver os problemas de dia a dia de uma empresa como um analista. E um analista talvez não tenha paciência pra ficar inventando soluções como um engenheiro.</p>
<p>Eu posso ficar o dia inteiro fazendo comparações e não vamos ter raspado a ponta do iceberg. É importante você, que é iniciante, entender que independente do que você escolheu e estudou, ao final da faculdade, você ainda não está nem perto de estar pronto. Programação, seja com perfil mais de cientista, ou mais de engenheiro, ou mais de analista, continua sendo uma profissão de prática. Agora são mais longos anos de prática na área.</p>
<p>E aqui começa outro problema pra mim. Júnior, pleno, sênior. O único mais ou menos fácil de definir é estagiário porque a CLT define isso. Existe um TCE ou termo de compromisso de estágio assinado entre a empresa contratante, o estudante que é o estagiário e a instituição de ensino. Se você não sabia disso, pesquise a respeito. De qualquer forma é uma atividade remunerada mas não de carteira assinada, com carga horária menor do que o normal, supervisionada, com tempo máximo de 2 anos.</p>
<p>Eu diria que a nova lei prejudicou a vida dos autodidatas porque não existe mais a oportunidade de estágio fora de vínculo com uma instituição de ensino. Independente se a instituição tem estágio obrigatório ou não, se possível faça, a partir dos 2 últimos anos do curso. A maioria faz no último ano. E eu sei que em cursos de federais de ciências da computação pode ser difícil porque o curso começa difícil e vai ficando mais difícil até o trabalho de conclusão de curso e muitos tem período integral. A intenção dos cursos de bacharelado em ciências da computação me parece ser mais formar pesquisadores e não tanto inserir no mercado de trabalho.</p>
<p>Se você for recém-formado ou mesmo recém-iniciado a trabalhar na área, tendo tido educação formal ou sendo autodidata, você é um júnior. Basicamente quer dizer que você tem pouca ou nenhuma experiência observada na área. De repente você é um gênio prodígio com QI 500 ou sei lá, mas ainda não há resultados observáveis. Não existe um tempo fixo pra você deixar de ser júnior. As primeiras experiências vão te ajudar a decidir melhor que área você prefere seguir. Se você é mais analista, mais engenheiro ou mais cientista e o que vai continuar estudando sozinho na sequência.</p>
<p>O analista e o engenheiro costumam ter mais opções, especialmente no começo. Um cientista puro que é bom em pesquisa mas não tem paciência pra resolver os problemas &ldquo;mundanos&rdquo; vai ter mais dificuldade e em 2019 tende a ir pra áreas como data science, machine learning ou algo assim em tech startups, ou a tentar entrar em empresas realmente grandes que tem condições de ter área de pesquisa e desenvolvimento, como os Google ou Microsoft da vida. A maioria das empresas médias e pequenas não tem o porte necessário pra suportar pesquisa ainda.</p>
<p>Eu por exemplo, apesar de ter estudado ciências tenho mais perfil de engenharia e principalmente de analista, eu tenho zero paciência pra escrever papers, fazer experimentos elaborados demais, e apesar do meu foco ser bom por longos períodos, eu logo mudo de foco de novo. Por alguma razão meu interesse acabou se voltando em resolver problemas mais &ldquo;reais&rdquo; e menos abstratos, parte disso porque eu fui consultor corporativo por muitos anos.</p>
<p>Mas eu estou me adiantando. No geral, os níveis de experiência em programação, pra mim, funciona assim: o mesmo problema dado pra um júnior, um pleno e um sênior, podem ser resolvidos com qualidade similar. O que vai variar é o tempo. O júnior não tem experiência, até achar a melhor combinação de programação e arquitetura que resolve o problema da forma mais eficiente, vai levar muitas tentativas e muitos erros. O pleno, por já ter tido mais experiência, vai ter uma gama menor de tentativas e erros, e um sênior provavelmente já viu problema semelhante e já vai ter meio caminho andado pra resolver o problema.</p>
<p>Intuitivamente qualquer não-programador poderia assumir que o código de um júnior vai ser pior do que de um pleno, que por sua vez vai ser pior que de um sênior. E também que o melhor código sempre vai ser do sênior. Eu não gosto muito dessa definição, ela só quer dizer que alguém deixou o júnior subir código em produção sem ninguém avaliar antes. E isso é verdade na maioria das empresas. Todo mundo só vê artigo de blog, papers, palestras de médias e grandes empresas, o 1% do mercado. Mas os 99% que não tem tempo nem recursos pra produzir esse material é justamente porque também não tem muito recurso pra supervisionar os funcionários mais inexperientes e por isso a qualidade geral do código tende a ser baixa.</p>
<p>Eu fico repetindo aqui sobre a dificuldade de definir porque é muito mais fácil encontrar definições que vem de empresas grandes, que podem se dar ao luxo de dar todo o suporte possível aos júniors. Mas essa não é a realidade. A realidade são pequenas empresas, com no máximo 5 ou 6 desenvolvedores, ou menos, entuxados de trabalho até o pescoço, vendendo o almoço pra comprar a janta. Esquece a pompa, esquece metodologia, esquece boas práticas. Especialmente quando os donos também são júniors ainda. Então é um navio sem capitão, à mercê da próxima onda.</p>
<p>A grande maioria das microempresas, infelizmente, não vai sobreviver. Dependendo de qual estatística você procurar, 4 em cada 5 devem fechar antes de completar 5 anos. Não é fácil ser empreendedor, especialmente no Brasil, onde você tem um sócio obrigatório, que não trabalha, só atrapalha, e leva 20% do seu faturamento independente se você teve lucro ou não, e ele deixa o prejuízo pros sócios de verdade, que trabalham. Nem vou entrar nesse mérito hoje.</p>
<p>Como se tudo isso já não fosse obstáculo suficiente, muitas grandes consultorias e fábricas de software tem mania de vender júnior como se fosse pleno, pleno como se fosse sênior e sênior como se fosse expert. É uma estratégia arriscada que funciona quando você é do tamanho de uma Accenture da vida. Por outro lado, num mercado como dos Estados Unidos, o que a gente aqui chama de sênior, pra eles ainda é mid-level, o que a gente chama aqui de pleno ainda é júnior e o nosso júnior seria um trainee talvez. A educação formal nos Estados Unidos, é no geral melhor mesmo.</p>
<p>Considerando um programador júnior com formação em faculdades dos Estados Unidos, nativo e cidadão americano, o salário varia na faixa de uns 40 mil dólares ao ano. Pense em algo na faixa de uns 12 mil reais por mes aqui. Considerando impostos, seria o salário de um pleno, talvez indo pra sênior aqui em São Paulo. Agora, na Accenture da Índia, um programador sênior ganharia na faixa de uns 600 mil rúpias, que é a moeda de lá. Uma rupee é 6 centavos no Brasil, então ele faz o equivalente a menos de 3 mil reais de salário, que seria faixa de júnior.</p>
<p>De novo, esses valores são só exemplos, porque salários varia de lugar pra lugar. Mas tem programadores na Índia que ganham tanto quanto um programador nos Estados Unidos, são raros mas tem. Mesma coisa no Brasil. Tudo depende do que você produz. Se você é o raro tipo de pessoa que tem capacidade e experiência pra produzir código de deep learning e redes neurais que ninguém mais consegue, eu nem sei porque você tá aqui vendo meu canal. Mas se você faz o mesmo tipo de código que todo mundo faz, obviamente seu salário sempre vai ser mais baixo. Sempre vai ter alguém na Índia que faz melhor e mais barato que você, se lembre disso.</p>
<p>Por outro lado, Índia é exatamente outro lugar que júnior é vendido como sênior. Deve ter um sênior lá a cada esquina, literalmente. Por isso a reputação é baixa e o valor é proporcionalmente baixo também. No caso geral, valor não é algo que você determina o que você acha que merece. Valor é determinado por o que essa entidade chamada &ldquo;mercado&rdquo; determina. Ache isso justo ou não. É sempre uma negociação. Se você não estiver disposto a negociar, no geral, vai ganhar o que vale, e costuma ser menos do que você pensa. Quanto mais cedo você aceitar isso, menos vai gastar de psicólogo.</p>
<p>Eu levantei esse ponto da remuneração porque na prática, o que todo mundo que discute sobre junior, pleno e sênior quer saber é quando vai ganhar mais, ou porque o cara do lado que parece que sabe menos que você ganha mais que você. E de novo eu vou repetir o que eu já disse em vídeos anteriores. Tirando os casos óbvios de abuso na empresa ou pura negligência mesmo, se você for júnior, a menos que você realmente esteja ganhando tão pouco que mal dá pra sobreviver, não é algo que você deveria se preocupar, ou pelo menos não é o que deveria estar no topo da sua lista de prioridades. A prioridade pra um júnior é estar perto de pessoas mais experientes e num lugar com desafios. Onde você tem alguém que critique o que você está fazendo, aponte o que você está fazendo errado.</p>
<p>Eu estou falando tanto de júnior porque infelizmente saltar de júnior pra pleno e de pleno pra sênior não é uma coisa objetiva. Não é que nem num videogame que de repente você tá com novecentos e noventa e nove pontos de XP e com mais um ponto tcharam deu level up. Não tem isso. Durante sua carreira você vai gradativamente subindo de nível de conhecimento, nível de responsabilidade, qualidade, reputação e vários outros pontos. No final do dia, quanto mais seus colegas e seus superiores vão te dando mais e mais confiança, e quanto mais você consegue corresponder entregando com mais e mais qualidade, mais você continua subindo. Quanto mais você cortar passos, tiver entregas irregulares, quebrar confiança, menos você avança. Ninguém dá muito a mínima quando você as coisas certas, mas basta uma coisa errada e todo mundo nota. E é assim mesmo que as coisas funcionam. Se fosse fácil, qualquer um fazia.</p>
<p>E confiança também funciona assim: quebre uma vez e conseguir de volta custa bem caro. Quando você é claramente júnior, tanto de idade quanto de tempo de experiência, erros são mais toleráveis porque as expectativas não são tão altas assim e erros são esperados. É uma fase onde a medição é se você pelo menos é esperto pra aprender com os erros e não errar na mesma coisa toda vez. É meio óbvio, mas vale dizer.</p>
<p>À medida que o tempo passa, você passa por mais desafios, e vai chegando na tal fase mid-level ou pleno, que apesar de não existir um tempo pré-definido, numa carreira normal, costuma ser depois dos 3 anos de casa e vai durar mais alguns anos. Aqui você corre o perigo de cair na armadilha do que chamamos de Dunning-Kruger effect. É um viés cognitivo onde as pessoas têm a incapacidade de auto avaliar as próprias inabilidades, em resumo, elas se acham melhores do que realmente são. E na minha experiência, eu já vi vários júniors de potencial caindo nisso e regredindo, o que é um desperdício.</p>
<p>Eu nunca parei pra pesquisar tanto desse efeito. Esse nome acho que foi cunhado só por volta de 2011 que foi quando todo mundo ficou blogando a respeito. Mas eu mesmo passei por algo assim na fase que eu era júnior também. Felizmente eu tomei vários tapas na cara e voltei pra realidade, mas quando a gente é novo, dinâmico, estuda sem parar e dá aquela impressão que você é melhor que todo mundo ao redor porque todo desafio que cai no seu colo parece que você consegue resolver, é extremamente satisfatório. E a tendência é você sentar em berço explêndido e estagnar, ou pior, regredir. Você precisa fazer um esforço consciente de imaginar que você sabe menos do que realmente sabe sem se tornar um vitimista de Síndrome do Impostor, quando na verdade você é só um impostor mesmo.</p>
<p>E esse é o truque. Na realidade você é as duas coisas: muito bom em poucas coisas, mas muito ruim em várias outras coisas. Só que isso é normal. Você dificilmente vai automaticamente bom em tudo só porque subiu de nível em uma coisa. Quando se é júnior é fácil porque você é júnior em tudo. Mas quando você está indo pra pleno ou mid-level, você é pleno em algumas coisas mas não em tudo. E quando novos desafios aparecem que você ainda não teve oportunidade de enfrentar, você fica confuso porque “como assim você que é pleno e experiente tá tendo dificuldade de júnior de novo?” É uma transição que pode ser meio desconfortável pra alguns. E muita gente começa a naturalmente tender pra lei econômica do menor esforço: entre tarefas que você já sabe fazer muito bem e tarefas desafiadoras que você não sabe fazer ainda, você começa a escolher só as que sabe fazer.</p>
<p>E é uma das razões de porque eu sempre odiei ser elogiado, especialmente por quem não é tecnicamente melhor que eu. É um incentivo muito forte pra te manter na zona de conforto. Por que você vai sair dessa zona e se arriscar a fazer alguma coisa onde você ainda é júnior, correndo o risco de falhar e as pessoas que te elogiavam depois te olharem com aquele olhar de &ldquo;nossa, eu esperava mais de você&rdquo;, fazendo você se sentir um impostor? Aí quando você fala que não é tão bom assim, as pessoas ainda vem com o olhar de &ldquo;nossa, olha o falso modesto&rdquo;.</p>
<p>Tem gente que naturalmente não liga muito pra isso, eu era o tipo que ligava e às vezes ainda caio na bobagem de ligar, então tive que aprender a desligar isso e ignorar sinais externos desnecessários. A única avaliação que interessa é sua auto-avaliação. Avaliação externa que tem importância é a crítica, porque ela pode indicar um defeito na sua auto-avaliação. Mas elogios não significam nada e ainda confundem sua auto-avaliação, e não dão dica nenhuma da direção certa ou errada.</p>
<p>Como eu disse no vídeo sobre não terceirize suas decisões, este é um caso clássico. Você está terceirizando a avaliação que você mesmo devia fazer pra outra pessoa que não sabe 100% dos detalhes de tudo que você faz. Só você sabe tudo que você faz todo dia, toda hora. Se você considera que faz &ldquo;muita coisa&rdquo; mas parece que ninguém dá bola, você devia avaliar se o que você faz tem de fato o valor que você acha que tem. Talvez você faça coisas demais que tem pouco valor. Aliás, você só pode produzir ou não produzir alguma coisa. O valor quem determina é quem paga, você pode pedir mais, mas de novo, é uma negociação. Digamos que você resolveu fazer mil origamis, é um puta esforço e dá um puta trabalho. Pra você deve valer muita coisa. Tente vender, vai valer só uma fração do que você acha, “se” tiver alguém que quer comprar.</p>
<p>Aí o cara preguiçoso que corta caminho pode parar pra pensar, por exemplo, &ldquo;ah, vou parar de fazer testes, é o tipo de coisa que ninguém vê que existe, eu gasto mais tempo pra fazer, no final é tudo a mesma coisa&rdquo;. Lembram quando eu falei que 2 + 2 é 4 independente se alguém disser que é 5? Manter a qualidade do seu próprio trabalho é a mesma coisa: independe de sinais externos. Se alguém disser que não precisa fazer, você sabe que tem que fazer. Porque ao longo do tempo, se seu código é o que sempre causa bugs, sempre volta pra consertar; o que vai quebrando com o tempo é sua reputação. Por outro lado, se você faz o que ninguém pediu que é manter a qualidade, e sempre seu código funciona de primeira, nunca volta, e ninguém nunca elogia mas também nunca critica, ao longo do tempo sua reputação de confiável é que aumenta. Qual dos dois você acha que com o tempo tem mais chances de subir de carreira?</p>
<p>Esses são alguns tipos de micro-decisões que você vai exercitar ao longo do período entre júnior e pleno. O sênior pra ser sênior primeiro precisa ser de confiança, tanto do ponto de vista de integridade quanto de qualidade do que faz. Aqui a intuição falha a maioria das pessoas. Muita gente associa gente que fala bem com gente que entrega bem. Nunca ouça a opinião de pessoas sem skin in the game, eu já disse isso antes. Mais do que fazer um bom código, que é meio esperado, um sênior é sênior porque eu deveria poder confiar nas decisões que ele toma. O valor de um sênior começa na sua capacidade de tomar de decisões - que se não ficou claro, também implica que ele assume a responsabilidade da decisão. Decidir sem ter o ônus do fracasso não serve pra nada, não tem skin in the game.</p>
<p>De nada adianta um programador que sabe fazer um código bonito, eficiente, se ele é um péssimo tomador de decisões, ou pior, sequer consegue se decidir e fica em cima do muro, ou posterga, ou empurra com a barriga. Isso eu espero de um júnior. De um sênior se espera que ele tome a decisão certa na hora certa, e ninguém precisa pedir.  A gente pede pro júnior. O sênior pede pro júnior. E essa é a outra coisa que um sênior esperto sabe fazer: delegar e orientar.</p>
<p>Eu sei que um cara é sênior quando ele aprende que eficiência em código tem um limite. Às vezes, em situações específicas, um júnior pode até fazer um código melhor e mais rápido que um sênior. Mas o sênior esperto é o cara que consegue pegar dois júniors do seu lado, e com as orientações certas, eleva o resultado desses júniors mais próximo do que se esperaria de um pleno. Ou seja, o sênior de verdade sabe escalar horizontalmente. E quanto ele sabe fazer isso é quando chegamos no famigerado conceito do desenvolvedor 10X.</p>
<p>Tem duas formas de se encontrar um desenvolvedor 10 X, em situações técnicas especiais, onde estamos falando de um sênior especialista, o cara que consegue criar um novo protocolo de rede, um novo garbage collector, um novo classloader, numa situação técnica incomum pra maioria das empresas, e sozinho, com pouco código até, faz de conta, consegue eliminar o uso de 90 máquinas das 100 que você precisava antes. Normalmente você precisa de escala e situações especiais pra ter essa oportunidade, por isso você não vê todo dia.</p>
<p>Mas mais comum é o caso do sênior que escala horizontalmente, e consegue fazer sei lá, 5 júniors performarem como 5 plenos. Eu disse no começo que pra mim um junior, um pleno ou um sênior são capazes de entregar a mesma qualidade de código, a diferença é o tempo que eles vão levar, proporcional à inexperiência. Se o sênior, com 2 tentativas consegue achar a melhor solução, o júnior precisaria testar 20 jeitos diferentes, porque ele nunca fez antes. Mas se o sênior ajuda ele a eliminar as 18 opções que ele já sabe que não funcionam, o júnior consegue focar só nas 2 que que tem mais chances de funcionar, e o resultado vai ser ordens de grandeza melhor.</p>
<p>Muita gente pergunta sobre a especialização. Eu não considero isso algo fácil de escolher, especialmente no começo. Ao longo do tempo, depois que você deixa de ser júnior e passa algum tempo como mid-level, acho que naturalmente você vai indo pra uma direção ou pra outra. Alguns simplesmente não tem capacidade de orientar os outros, mas se tiver a sorte de encontrar um ambiente que precise de especialistas, ele pode dar certo assim também. Mas como eu disse antes, a maioria dos lugares fora do 1% não tem tantos problemas nessa escala pra serem resolvidos, algo que exija alguém desenhar uma nova linguagem por exemplo. Sendo prático, na maioria dos lugares, o ganho maior vem da escalabilidade horizontal.</p>
<p>Não significa virar um gerente, não é delegar 100% do seu trabalho, é orientar, é fazer parte do código e delegar o restante, é ser alguém que consegue mostrar em código uma prova de conceito ou um modelo pra seguir. É o perfil de alguém que naturalmente viraria o que hoje se chama de tech lead ou líder técnico, que tem a visão do que precisa ser feito e com isso vai delegando e encaixando as peças, testando, pesquisando e orientando os demais.</p>
<p>Mas existem outras categorias e alguns anti-patterns aqui. Você precisa ter muito cuidado pra não se tornar um cavaleiro solitário, o cara que trabalha sozinho, que não aguenta ouvir críticas, que não muda de posição e toma decisões erradas e se recusa a aceitar que tomou decisões erradas. Esse tipo rapidamente vai entrar no time do Go Horse. E dependendo do tipo de empresa que entrar, especialmente nas pequenas onde não tem ninguém muito melhor, vai virar o herói e o vilão ao mesmo tempo, consertando os bugs que ele mesmo criou. E vou dizer que existem centenas nessa posição.</p>
<p>Outra categoria tão ruim quanto. Em empresas que crescem muito rápido, particularmente tech startups, é muito fácil um procrastinador se esconder. Como os processos mudam toda hora, a estratégia muda toda hora, é até difícil pra equipe notar que um dos membros está se escondendo ou mesmo sabotando. Alguns podem até notar, mas como as prioridades mudam toda hora, ninguém quer nem discutir. E como é muito comum a atitude clichê do &ldquo;não vamos procurar culpados&rdquo;, é um excelente ambiente pros maus profissionais se esconderem e até se tornarem bem sucedidos, especialmente se for o tipo que fala bem. Ele passa rapidamente nos ranks de programação e consegue encontrar uma oportunidade de liderança onde não precisa codar, e como ele mesmo não tem parâmetro técnico pra medir as pessoas, ele vai medir pelos parâmetros errados do tipo, se ele se dá bem com a pessoa ou não. E assim a qualidade técnica de uma empresa que não muito tempo atrás era até boa apesar do caos, rapidamente se torna ruim.</p>
<p>Pra fechar a cagação de regra, por isso eu falo pra esquecer metodologias, processos, métricas e tudo mais no começo. Dado tudo que eu falei, se tem uma recomendação que eu faria primeiro a qualquer empresa, de qualquer tamanho, é que nenhum código deve ser imune à revisão, não importa de quem seja. Todo código deve ser revisado por alguém da equipe, de preferência mais de uma. Todo júnior precisa que alguém aponte o que ele fez de errado, o mais rápido possível. Todo sênior precisa se acostumar a orientar os outros e revisar o código é o primeiro passo. E pra escalar não tem nada melhor que pressão peer to peer, todo mundo olhando todo mundo. Se isso for rotina, fica muito fácil pra equipe inteira notar muito rápido quem está entregando código, em qual qualidade e com que frequência, e não deixar os problemas graves se acumularem a níveis ingerenciáveis.</p>
<p>E daí basta ser consenso que ninguém quer trabalhar do lado de alguém que está fugindo de entregar o que devia e está bloqueando e atrapalhando a equipe inteira, porque ninguém gosta de toda hora ter que ficar consertando o erro dos outros, nem de estar num ambiente com pessoas ruins. Portanto, antes de qualquer tipo de ritual, qualquer tipo de métrica, simplesmente institucionalize a revisão de código geral. A regra é simples: quem fez o código não pode mergear ela na master. Coisas como falta de testes, gambiarras e falta de cuidado em geral começam a aparecer bem mais rápido.</p>
<p>Ahh Eu sei que já ficou bem longo, mas eu preciso conectar com outro parâmetro que eu acho importante. Eu mencionei mercado, eu falei sobre os cursos de faculdade, os níveis de experiência mas não falei sobre o contexto, mas prometo que vai ser rápido. Entenda o seguinte: toda tecnologia tem um ciclo de adoção, e pra variar é outra curva em S. Toda adoção tende a começar devagar, se ela consegue pular o penhasco dos early adopters, ela vai entrar na early majority e começa a acelerar rápido. Aqui já ficou óbvio e você começa a correr pra não ficar pra trás. Uma hora ela atinge um pico de adoção e a partir daí o crescimento acelerado pára e vai indo bem mais devagar e em alguns casos começa a decair.</p>
<p>Neste exato momento tem tecnologias que já estão no fim da curva, e costumam ser as mais populares que você acha que ainda vai durar muito tempo. Mas quando já tem dezenas de cursos, eventos, posts, e todo mundo fala nela é porque ela já passou do early majority e virou mainstream. Pode já estar no fim do Late Majority. Quem sempre vai ganhar mais é quem souber “surfar” como eu vivo dizendo. É quem pega pelo menos no final do early adopter e salta pro early majority já tendo experiência. Enquanto todo mundo tá começando a aprender, você já aprendeu e já sabe usar então você é quem tem mais valor no mercado nesse momento. No pico da curva é quando cada nova pessoa entrando vai valendo menos e menos, e uma hora a curva inverte, e se você cometer o erro de entrar em negação e ficar defendendo tecnologia em curva invertida, vai ser que nem quem defendia Blackberry ou Windows Mobile em 2011. Quem saltou e pegou o early adopter de iPhone em 2009 e aprendeu Objective-C se deu muito bem porque o pico foi entre 2010 e 2014, desde então a curva desacelerou já.</p>
<p>No mundo ideal você sempre gostaria de ser o especialista de alguma coisa antes dela chegar no pico de adoção. No mundo real é difícil de adivinhar quais vão ser as tecnologias da próxima curva. Então eu pessoalmente sempre gostei de ser pelo menos um pleno na tecnologia que entrou em early majority e early adopter em algumas que estão no início da curva. E repetindo isso a cada nova curva. Daí se uma das que eu escolhi aprender, com sorte, entrou no early majority e eu já sei, posso surfar nela de novo. E a que eu era pleno, com sorte, ainda existe e agora eu sou sênior nela. E agora não posso descansar, preciso ver quais vão ser as próximas. São ciclos que duram cerca de 10 anos, então de 5 em 5 preciso ver alguma coisa. Eu aprendi Objective-C em 2010 por exemplo, e nessa época eu era pelo menos um pleno em Ruby, que estava no pico da sua curva.</p>
<p>O grande segredo óbvio é que você nunca vai ser totalmente pleno e nem totalmente senior. Você pode ser sênior de uma coisa, mas junior em outra. E isso vai variando ao longo do tempo. Aposte todas as fichas na coisa errada e você vai ser expert de uma tecnologia morta, que pode não significar muito em pouco tempo. Se isso tá parecendo mercado financeiro, você não tá muito errado.</p>
<p>Se você for conservador demais, vai deixar tudo na poupança e não mexer, achando que tá seguro, sem saber que você cresce menos que a inflação e ao longo do tempo na verdade você está deteriorando e cada vez valendo menos e menos e com cada vez menos chances de recuperaçao. Se você for hypeiro demais e colocar tudo numa ação arriscada ou IPO, já já você pode perder tudo ou muito mais que gostaria. Se quiser balancear você vai ter uma parte em renda fixa, outra parte em ações, e uma pequena parte em opções. Eu penso em carreira mais ou menos da mesma forma. Não é uma escolha fixa, por isso eu mesmo não me considero expert em nada, minha estratégia foi ir diversificando, meio que por acidente, meio chutando, mas aos poucos fui acertando.</p>
<p>Sobre ganhar mais ou menos, você vai ter que aprender a negociar. Pra negociar você tem que ter alguma coisa a oferecer. E repetindo pela última vez: o que você “acha” que você vale não é o preço final, é o preço inicial da negociação. Tudo na vida é negociável, só que se você não tem disposição pra tomar uma decisão, alguém vai decidir por você. Entenderam porque eu disse que não terceirizar decisões é a coisa mais importante? E também como em finanças, existem decisões que vão dar certo e existem decisões que vão dar errado e você vai ter algum prejuízo. Use de aprendizado e não erre na mesma coisa de novo.</p>
<p>Tem muito mais coisas que eu posso falar sobre esses temas mas acho que por hoje já é bastante coisa. Se vocês tem experiências diferentes e outras perspectivas, não deixem de mandar nos comentários abaixo. Se curtiram o vídeo mandem um joinha, não deixem de assinar o canal e clicar no sininho pra não perder os próximos episódios. A gente se vê, até mais.</p>
]]></content:encoded><category>carreira</category><category>aprendizado</category><category>engenharia-de-software</category><category>akitando</category></item><item><title>[Akitando] #63 - Não Terceirize suas Decisões! | A Lição MAIS Importante da sua Vida</title><link>https://akitaonrails.github.io/2019/10/09/akitando-63-nao-terceirize-suas-decisoes-a-licao-mais-importante-da-sua-vida/</link><guid isPermaLink="true">https://akitaonrails.github.io/2019/10/09/akitando-63-nao-terceirize-suas-decisoes-a-licao-mais-importante-da-sua-vida/</guid><pubDate>Wed, 09 Oct 2019 11:00:00 -0300</pubDate><description>&lt;div class="embed-container"&gt;
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<h2>Description<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="description"></span>
    <a href="#description" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Faz anos que eu recebo o mesmo tipo de pergunta toda vez, mais agora por causa do canal.</p>
<p>“Akita, o que você recomenda que eu faça na minha carreira?”</p>
<p>“Akita, o que eu deveria aprender primeiro?”</p>
<p>“Akita, tenho família pra criar, como eu mudo de profissão sem arriscar eles?”</p>
<p>E por aí vai.</p>
<p>Hoje eu vou meio que não responder e responder ao mesmo tempo. Mas eu quero ir além e explorar como você mesmo deveria pensar sobre essas perguntas pra chegar na melhor resposta pro seu caso.</p>
<p>E ao mesmo tempo quero tentar explicar como você deveria pensar pra não ser enganado por charlatães que te oferecem respostas atraentes e fáceis.</p>
<p>== PARA OS VIDEÓGRAFOS</p>
<p>Se você assistiu meu video anterior onde eu explico sobre as configurações do meu equipamento e cenário, lembram que o áudio estava ruim, porque eu testei gravar ligando o microfone direto na câmera.</p>
<p>Não tem jeito, um gravador bom separado tem qualidade melhor. Então eu liguei o Rode Wireless Go no gravador Tascan pra poder ter microfone de lapela sem fio.</p>
<p>E na configuração da minha Canon Rebel T7i eu subi o shutter speed de 30 pra 60 como recomendaram, mantive o aperture em f/1.4 e subi o ISO de 100 pra 200 e acho que ficou melhor.</p>
<p>O que acharam?</p>
<h2>SCRIPT<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="script"></span>
    <a href="#script" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Olá pessoal, Fabio Akita</p>
<p>Finalmente estou de volta, este mês passei 2 semanas fora, primeiro em Miami, depois nos meus escritórios do Rio Grande do Sul semana passada inteira. E daqui 2 semanas vou viajar de novo. Essas últimas semanas estão corridas, em novembro devo voltar ao normal, e ainda tá na minha lista pra fazer episódios mais técnicos, mas por agora resolvi fazer um Rant de novo. Não chega a ser Rated R, mas acho que tá perto.</p>
<p>O tema deste episódio é sobre tomada de decisões, em particular sobre dois tipos de perguntas que me fazem o tempo todo. Que decisões eu devo tomar pra minha carreira. E que decisões eu devo tomar pros meus projetos ou empresa. A resposta mais simples que eu posso dar é: pare de terceirizar suas decisões. Não terceirize decisões importantes da sua vida pra ninguém. E sobre as partes técnicas, o resumo é: a menos que você seja engenheiro de uma tech startup com mais de dezenas de desenvolvedores e com valuation de milhões de dólares, para de prestar atenção na maioria das palestras e artigos de engenheiros de Facebook, Google, Nubank, Netflix, Amazon e similares.</p>
<p>Essas duas questões estão interligadas e quanto mais cedo você aprender a lidar com isso melhor vai ser pra você. Eu quero tentar explicar porque você acha tão difícil tomar decisões, porque você acha tão difícil saber o que estudar, e porque você toma muitas decisões erradas que não precisaria tomar. E porque sua ânsia em não querer perder tempo nem dinheiro é justamente o que vai te trazer mais prejuízo.</p>
<p>Desde que eu comecei a blogar, palestrar e principalmente agora que abri o canal, eu tenho recebido um número preocupante dos mesmos tipos de pergunta. Faz mais de uma década que ouço as mesmas indagações. E imagino que diversos outros palestrantes e “influencers” recebam perguntas similares. Um dos tipos de pergunta tem a ver com o que a pessoa, como iniciante, deveria aprender primeiro, mais especificamente, que plataforma eu deveria escolher, que linguagem é a melhor, que ferramentas eu deveria investir. Se assistiu os outros vídeos do meu canal e ainda não entendeu a resposta é simples: essa resposta não existe. Só isso. Eu prefiro perguntas mais objetivas, coisas como “Akita, se eu quiser usar Ruby pra fazer aplicativo desktop, rola?” Aí eu consigo responder objetivamente: “Não”.</p>
<p>Mas perguntas que claramente tem a expectativa de justificar uma escolha, ou pior, terceirizar a decisão da sua carreira pra mim ou qualquer outro, não faz nenhum sentido. Por que você quer terceirizar as decisões da sua vida pra outra pessoa? Não faça isso. Só porque você vê alguém como eu ou qualquer outra pessoa em cima de um palco, isso não nos torna oniscientes, eu não te conheço, não sei que caminho você trilhou até agora, que dificuldades você teve, eu não sei quais seus objetivos de vida, se é que você tem objetivos. Nem eu, nem ninguém, poderia te dizer o que fazer sem conhecimento da sua história e dos seus objetivos.</p>
<p>Eu falei isso em outros vídeos e palestras quando falo de faculdade e como tem conclusões idiotas do tipo “ah, não vou fazer faculdade porque olha lá o Bill Gates ou o Mark Zuckerberg, eles não terminaram a faculdade e se tornaram bilionários”.
Que conclusão imbecil, sério, a menos que seja dito na brincadeira, mas se a pessoa realmente pensa dessa forma a próxima coisa óbvia a se dizer é: conta a história direito, primeiro você entra em Harvard, se você conseguir entrar em Harvard e ficar lá uns 2 ou 3 anos, aí sim, pode parar pra pensar em desistir. Agora sair do seu EAD de esquina achando que vai ser o Bill Gates é o cúmulo da alucinação.</p>
<p>Aliás, eu nunca leio biografias, eu não tenho paciência e nem curiosidade de saber sobre a vida dos outros. Eu assisto filmes de biótipos, sabendo que é ficção. Todo filme que começa com “baseado numa história real” é exatamente o que ele quer dizer: a base é real, mas a história toda é uma ficção, cuidadosamente desenhada pra estimular suas emoções por duas horas. Só isso. Todo mundo tem uma história de drama na vida. Algumas mais dramáticas que outras. Mas isso não as torna oniscientes e muito menos onipotentes pra de repente terem sabedoria universal e a resposta pros problemas de tudo e de todos. Sério, pára pra pensar por dois segundos.</p>
<p>Se você realmente leva a sério sua carreira e sua vida em geral fica a dica: pare de terceirizar as decisões da sua vida pra “influencers”. Imbecis como eu aqui cagando regra não vai te ajudar. Eu sempre conto histórias e faço análises colocando contexto. Meu objetivo não é te dar respostas, é tentar dar dicas de como você acha as próprias respostas. Por isso eu falo tanto em “Aprendendo a Aprender”. O processo é simples na real: você nunca vai ter a resposta correta pra tudo, desista de tentar achar. Então como faz? Você estuda, você usa sua experiência, você erra e aprende com seus erros, quando dá você observa os erros dos outros e tenta não errar igual. Mas mais importante: assuma que você vai errar, e assuma que você vai ter prejuízos e ponto final. O problema não é acertar sempre, é como você se recupera depois de um erro. E muito do que você considera “erro” hoje pode ser útil mais pra frente, você só não sabe disso ainda.</p>
<p>Via de regra, quanto mais jovem você for, mais devia usar seu tempo pra estudar. Agora a questão é: estudar o que? Não importa. Vocês viram meu vídeo dos meus primeiros 5 anos? Tecnicamente, nada do que eu estudei naquela época é prático hoje, mas tudo que eu estudei valeu a pena na época. Principalmente: o fato de eu estar praticando o ato de estudar. Estudar é uma arte, você aprimora a técnica e com o tempo se torna mais eficiente e mais rápido em estudar. O que você estuda é menos importante do que “como” você estuda.</p>
<p>Um exemplo pequeno: antigamente eu achava que precisava ler os livros técnicos do começo ao fim. Levava um puta tempo. Hoje em dia eu raramente leio livro técnico do começo ao fim. Eu leio os primeiros capítulos e, se eu preciso, eu volto nos capítulos do meio à medida que vou precisando, se precisar. Se eu nunca voltar, é porque o assunto não era útil pra mim, e eu pulo pra outro assunto. Eu digo isso hoje, que eu tenho 42 anos. Com 20 anos, você deveria mesmo ler do começo ao fim. Não tente queimar passos, é que nem você que acabou de aprender a andar na bicicleta com rodinhas achar que vai fazer bicicross pulando rampa. Não vai.</p>
<p>Se você está pra começar a faculdade, entenda que nos últimos 10 anos você aprendeu a estudar do jeito errado. Eu percebi isso só quando entrei na faculdade também. Por mais de 10 anos da sua vida você aprendeu a seguir um currículo. E você se condicionou a estudar o mínimo necessário e só pouco antes dos trabalhos ou provas. E as frequências das provas é sempre a mesma, provas bimestrais. E você sempre sabia o que estudar, porque já estava pré-definido. Todo mundo estuda o mesmo material, você nunca teve que escolher o que estudar.</p>
<p>Daí você entra na faculdade, e é mais ou menos a mesma coisa. Todo curso tem material pré-definido. Você tem as provas em datas pré-definidas. Talvez uma das poucas atividades que quebrem a rotina seja o Trabalho de Conclusão de Curso, o temido TCC. Que a maioria faz só na última hora mesmo que eu sei. Quem faz iniciação científica talvez tenha tido mais treinamento, mas no geral, você continua seguindo um currículo.</p>
<p>Parem pra pensar nisso: se você nunca repetiu de ano, você tem 21 ou 22 anos, recém formado da faculdade. E você passou uns 14 ou 15 anos da sua vida, ou seja, literalmente sua vida inteira seguindo uma receita pré-definida. É por isso que muita gente reclama quando entra no mercado de trabalho que a faculdade não preparou ele direito. Eu nem vou entrar no mérito da qualidade e da metodologia da educação moderna, e também não adianta chorar sobre o leite derramado. Só aceite que até o fim da faculdade, uma pessoa mediana só aprendeu a tirar 5 pra passar de ano e de repente não tem mais prova bimestral, não tem mais currículo, não tem mais professor “enchendo seu saco”. A partir de agora, todo dia é uma prova. Você só andou de bicicleta de rodinhas e do dia pra noite vai ter que aprender a fazer bicicross e saltar uma rampa por dia.</p>
<p>Eu não sei dizer exatamente quando, mas eu me dei conta disso no começo da faculdade. E tive a oportunidade de ir aprendendo a tirar as rodinhas da bicicleta aos poucos, caindo com mais tempo pra me recuperar, e foi um dos motivos de porque eu saí antes de terminar a faculdade, quando eu me vi já conseguindo me equilibrar na bicicleta sem rodinhas e tentando saltar a rampa antes.</p>
<p>No nosso mercado de tecnologia isso é difícil porque ele ainda não é maduro pra ser bem estruturado. Isso é ao mesmo tempo ruim e bom, bom porque significa que quem arrisca mais pode conseguir uma recompensa maior. Vamos deixar uma coisa muito clara: meu cérebro não é muito diferente do seu não. Não tem nada intrinsecamente codificado aqui que me faz automaticamente melhor que você. Eu aos 20 anos não sou diferente de você aí me assistindo, com seus 20. Na verdade eu diria que você aí com 20 muito provavelmente sabe mais e tem mais habilidades do que eu aos 20. Comece considerando o seguinte: você teve internet uma parte considerável da sua vida já, eu só fui ter acesso à internet, principalmente de noite, lá pros 17 ou 18 anos.</p>
<p>Eu nunca perguntei o que eu devia fazer pra ninguém. Claro, eu ouço, eu observo, eu faço perguntas objetivas, mas eu nunca tive uma gota de vontade de perguntar pros influencers da minha época o que eu deveria fazer. Aliás, eu nem lembro quem eram os influencers da minha época. Nunca perguntei pra ninguém se o que eu estou fazendo está “certo” ou não. E isso é outra razão de porque eu digo que ninguém deve me copiar. As pessoas são diferentes, eu sou do tipo que faz as coisas quieto e sem perguntar. Eu não faço enquete, não tenho paciência. Quando vêem eu já fiz.</p>
<p>Em termos de carreira eu nunca tive ídolos na minha área. Eu jamais segui e jamais seguiria ninguém cegamente. Todas as decisões importantes são minhas, certas ou erradas. Se eu tomar a decisão certa, 100% do mérito é meu. Se eu tomar a decisão errada, 100% do prejuízo é meu também. Quando um adulto fica inventando desculpa pelos prejuízos de suas más decisões e dizendo
“ah, eu segui o que o fulano falou, mas ele errou e eu me fodi, esse cara é um bosta”.
Não filho, o bosta é você. Ou então chorando coisas do tipo
“ah, eu costumava admirar essa pessoa, mas o que ele falou hoje eu discordo, eu esperava mais dele”.
De novo, o bosta é você, até agora você usou o que esse fulano fez ou falou e foi bom pra você, mas agora sua visão pequena de mundo entrou no caminho e de repente tudo que esse fulano representa pra você é nada. Isso diz mais sobre você do que sobre esse fulano.</p>
<p>Não existe e jamais vai existir pessoas perfeitas. Eu não faço nenhuma questão de concordar 100% com qualquer pessoa, de qualquer era. Eu aproveito os 20% que certas pessoas produziram e que são úteis pra mim, e ignoro os 80% que eu discordo. Não tenho vontade nenhuma de perder tempo fazendo linchamento público falando mal das partes que discordo só pra parecer ser o bonzão do Twitter. Na verdade é o oposto: eu sempre considero que todo mundo que se gaba fazendo linchamento público está se refletindo em quem está atacando. Esse tipo de pessoa eu só bloqueio. Eu tenho coisas mais úteis pra fazer com meu tempo do que tentar mudar a opinião xiita dos outros, prefiro gastar meu tempo jogando videogame. Aliás, outra dica aqui: se quem você segue gasta muito tempo falando mal dos outros e reclamando da vida publicamente, pare de seguir essa pessoa, você está perdendo tempo.</p>
<p>Eu digo isso porque eu vejo que a maioria das pessoas sente a tal pressão social de ter que fazer parte de algum grupo. Quando você se vê não se encaixando em algum grupo, você se sente o errado. No meu caso eu tive outra vantagem: eu sou descendente de japonês, e no meu caso, desde criança, eu nunca me encaixei em nenhum grupo e em muitos casos ainda as pessoas faziam questão de me deixar de fora dos grupos mesmo. O que eu ia fazer? Ficar me sentindo vítima da sociedade? Nah, eu simplesmente me acostumei a não fazer parte de nenhum grupo. Eu sou anti social, eu sempre me sinto melhor sozinho e de bônus não sinto ansiedade de estar indo contra algum grupo ou de não fazer parte de nenhum.</p>
<p>Uma coisa que eu repito que eu adoro na matemática é o seguinte. 2 mais 2 é 4, ponto final, do domínio dos inteiros pra imagem dos inteiros, é 4. Não importa se um milhão de pessoas derem like num tweet de um influencer dizendo que é 5. Foda-se, continua sendo 4 e ponto final. Quantidade de likes não torna uma coisa verdade. Se falou merda, continua sendo merda, não importa quantas milhares de pessoas concordem, pra mim é só milhares de pessoas repetindo merda. Zero pressão e não afeta minhas decisões.</p>
<p>Além dessa pressão social e tirando o fato que se você é jovem, nunca teve que decidir muita coisa. De fato, hoje em dia você tem acesso a informação demais, você tem escolhas demais, e isso deve ser bem estressante. É uma das razões de porque eu digo que o mundo hoje é melhor do que 20 anos atrás, ou 50 anos atrás. O mundo antigamente parecia mais “fácil” pros mais velhos porque não tinha muito o que escolher, não tinha nem informação suficiente. Considere que hoje você TEM opções pra escolher. Você só não sabe o que fazer com elas. Não é a toa que tem tanto psicólogo e tanto coaching hoje em dia.</p>
<p>Mas isso vai mesmo te deixar mais e mais frustrado, você acha que tá estagnado. Você não consegue enxergar o tal “futuro brilhante” do século XXI que te prometeram. Eu sei que estou sendo duro, mas preciso ser. Pare de terceirizar as decisões que você tem que tomar. Não faz sentido você me mandar 2 parágrafos de texto no direct message do Insta, do Twitter, do Face, do LinkedIn pra mim ou qualquer outro influencer e achar que vai ter uma resposta certa pra uma pergunta tão subjetiva. E o pior disso: algumas pessoas realmente acham que conseguem dar a resposta certa: suspeite dessa pessoa, ela provavelmente está tentando te vender alguma coisa.</p>
<p>Eu venho tentando responder com ponderação quando me mandam essas mensagens, mas vou dizer que não me sinto bem respondendo e cada vez mais venho postergando dar uma resposta. Porque as respostas nunca vão ser completas o suficiente. Mas mais importante: eu não tenho skin in the game. Se o que eu sugerir der errado, eu não vou sentir, você é que vai. Sempre se lembre desse conceito e jamais acredite em ninguém que te ofereça respostas fáceis pra esse tipo de pergunta, ele está querendo vender livros, cursos ou, deus me livre, coaching ….</p>
<p>Então como você deve fazer? Se você já tem 20 anos, não se preocupe. Você tem tempo de sobra pra errar. Erre rápido, assuma que errou, mude de direção, repita. Começou a ler um livro e está achando ele ruim? Pare de ler. Simples assim. O que a maioria das pessoas tem dificuldade em fazer é assumir custo perdido, e eu falei disso no meu video sobre prioridades. Você já leu vinte capítulos agora acha que precisa ler os próximos 50. Você não quer assumir o tempo que perdeu lendo esses vinte capítulos, então acha que precisa ler os próximos 50. Mas agora você perdeu o tempo de 70 capítulos, só isso. O mesmo vale pra cursos. O mesmo vale pra qualquer outra decisão.</p>
<p>Assuma que você nunca foi treinado pra tomar decisões. Assuma de uma vez que é impossível tomar decisões certas o tempo todo, prepare-se pra assumir algum prejuízo. E não tente achar que outra pessoa vai tomar uma decisão melhor que você, se isso acontecer eu diria que foi mais obra da sorte do que qualquer outra coisa. Especialmente se não foi uma conversa e sim uma resposta fácil. A única pessoa que pode de fato opinar com alguma propriedade é alguém que tem skin in the game: ou seja que vai cortar da própria pele se der errado. Se a pessoa pra quem você está perguntando não tem skin in the game, jogar cara ou coroa vai ter o mesmo resultado. Opinião é que nem bunda, todo mundo tem um.</p>
<p>Tudo é uma aposta. É impossível acertar todas. A melhor estratégia é ser anti-frágil ou seja, fazer apostas que se você perder, perde pouco, mas se ganhar pode ganhar muito. Não existe apostar sem risco de perder nada. Qualquer um que te prometa “ganhos garantidos” é um charlatão e você está entrando numa pirâmide. Vou repetir: não existe ganho “Garantido”. Eu diria até que tecnicamente o charlatão está dentro do seu direito. Quando ele escreve coisas do tipo “quer ser rico como eu” ou “ganho garantido” ele está explicitamente dizendo “ow, seu trouxa, me faça rico, me dê seu dinheiro”. Se as pessoas dão o dinheiro sem coerção, foi uma escolha. Simples assim.</p>
<p>Como eu disse no começo: a culpa de uma decisão errada é de quem toma a decisão errada. Pare de achar que existe almoço de graça, não existe. Pô mas as pessoas não deviam enganar as outras. Não deviam mesmo, é um incentivo econômico, enquanto você fica caindo, eles vão continuar. Se ninguém mais acreditar em conto de fada, eles deixam de existir. Olha só que mágico. Mas como isso nunca vai acontecer, em qualquer era da história sempre vai existir alguém que vai acordar de manhã pra procurar o trouxa da vez, só se certifique que não é você. Como se diria em poker, se você não sabe quem é o pato da mesa, o pato provavelmente é você.</p>
<p>Falando sobre tecnologia em particular, vou ser mais breve agora: pare de idolatrar palestras e artigos de grandes empresas. Vamos praticar o pensamento crítico: quando um engenheiro do Netflix vem, com toda boa intenção do mundo, explicar como eles resolveram o problema deles de suportar os mais de 100 milhões de assinantes, ele está dizendo exatamente isso: se você for o Netflix, tiver 100 milhões de assinantes, essa solução que ele está apresentando tem grandes chances de funcionar. Ponto.</p>
<p>Agora, a culpa é sua de decidir colocar a solução do Netflix no seu projeto que tem 2 desenvolvedores e zero clientes. Você pensa “se o netflix está usando e suporta tudo isso, pra mim vai ser melhor ainda”. Sério? Eu não consigo entender porque alguém pensaria dessa forma. Lembra da analogia da bicicleta? Você nem subiu na de rodinhas ainda, mas aí você assiste uma palestra, digamos, de um Lance Amstrong e ele fala que a bicicleta favorita dele é o Parlee Z-Zero que é uma mountain bike de mais de 8 mil dólares e você acha que se comprar essa bicicleta vai virar um recordista de endurance?</p>
<p>Eu espero que ninguém me assistindo agora pense assim, porém eu tenho certeza que muitos de vocês vêem palestras de engenheiros do Facebook, do Netflix, do Google, de empresa famosinha tipo Nubank, e toma decisões assim. Eu deveria escolher Clojure porque o Nubank usa. Eu deveria escolher React porque o Facebook usa, eu deveria escolher Go porque o Google usa. Da mesma forma que não tem nada de errado num Parlee Z-Zero, sério, é uma bicicleta excepcional, também não tem nada de errado num React ou Go ou Clojure ou qualquer outra tecnologia que eles falam. O errado é sua decisão.</p>
<p>Como eu disse no começo: se você é o CTO de uma tech startup que vale milhões, você nem precisa deste vídeo. Mas estou assumindo que a maioria me assistindo não está nessa posição. É a mesma coisa sobre os Squads do Spotify, se você está tentando copiar sem entender, você é um péssimo tomador de decisões. De novo, aqui está você tentando terceirizar sua decisão. Você é simplesmente preguiçoso, porque você não quer ter o trabalho de fazer a pesquisa, fazer provas de conceito e experimentos, testar as hipóteses pro seu contexto, errar e tentar de novo, e se contenta em dizer “se der errado, eu não ia fazer melhor, se a solução de um Spotify não funcionar, nada mais vai funcionar, paciência”. Puta que pariu, cadê a “ciência” em ciências da computação?</p>
<p>Contexto, contexto, contexto. Você tá no seu dia 1 ainda. O Netflix foi lançado em 97, provavelmente quase nenhum código que eles escreveram no dia 1 deles existe hoje. O Google foi fundado em 98, e de novo, quase nenhum código desse dia 1 existe hoje. O Facebook foi fundado em 2004, tão entendendo? Não se compare com eles hoje, se compare com eles no dia 1 deles. E no seu dia 1 você vai fazer merda, assume isso de uma vez. O código que você escrever hoje, se você for bem sucedido, vai ser uma merda pra crescer. Vai mesmo, mas se preocupe com isso quando você sobreviver e de fato estiver crescendo. No dia 1 sua preocupação não é se você tá usando kubernetes ou não. No dia 1 sua preocupação não é usar GraphQL. No dia 1 sua preocupação não é CQRS. No dia 1 sua preocupação é durar até o dia 2.</p>
<p>Pra não ficar mal entendido, obviamente eu não sou contra palestra de empresa grande não. Acho excelente eles compartilharem conhecimento. Eles estão explicando uma solução dentro do contexto deles, com recursos, infraestrutura e muita escala. Se um dia você chegar perto de uma fração do tamanho deles, deve valer a pena. O errado é seu processo de tomada de decisão, que nem começou a codar o produto ainda, e se baseia em “deixa eu ver se o Google usa” ou sei lá “se a Nasa usa” daí eu posso usar. Vai se fuder, Nasa? Você vai mandar foguete pra Marte?</p>
<p>Eu prefiro ser anti-frágil, eu prefiro saber as tecnologias populares pro curto prazo e fico aprendendo tecnologias que vejo potencial mas ninguém usa, ninguém fala muito a respeito, e não é tão fácil de saber. Assistiram minha história sobre Ruby on Rails? Em 2005 ninguém tava muito interessado, eu tive sorte e minha aposta deu certo. Hoje você usa produtos Rails todo dia como GitHub. Teve gente que entrou na onda de mobile quando devia: em 2010 e surfou. Tudo tem uma curva de adoção em S, começo devagar, adoção exponencial, e desaceleração. Daí vem a próxima curva. Nada dura pra sempre, e eu sempre aposto em 10 anos. Se eu tenho várias opções, mesmo que eu erre uma, se eu acertar as outras, meu prejuízo é pequeno. Anti-frágil não é prejuízo zero, é pouco prejuízo. Tente acertar 100% e você provavelmente vai entrar no caminho de perder tudo, é o cara que coloca todos os ovos numa única cesta apostando que achou a cesta mágica do IPO de unicórnio. Bullshit.</p>
<p>Lembram meu vídeo sobre Dimensão do Tempo? Se você tem 20 anos, eu falar em 10 anos é basicamente sua vida inteira. Você ainda não tem noção do que isso significa, pior, parece que é bastante tempo. Mas não é, 10 anos passa muito rápido. Quando você menos esperar já vai estar com 30 e se perguntando porque você ainda está frustrado e continua tão difícil decidir as coisas. E aqui vai minha resposta: não é porque o mundo está pior ou o “sistema não funciona”, é porque você não pára de terceirizar suas decisões.</p>
<p>Por último, parem de colocar expectativas irreais nas pessoas. Eu não sei tudo, façam a análise óbvia. Por exemplo, tem gente que me pergunta que curso eu recomendo. Eu não recomendo nenhum, primeiro porque eu não faço propaganda de graça. Segundo, eu já não faço mais cursos faz anos, portanto qualquer opinião que eu der vai ser baseado no que eu ouvi dos outros ou se eu conheço os donos ou quem faz o curso. Pode ser uma resposta razoável, mas não é o que você pensa. Qualquer um que te responda só pode dizer sobre o curso que ele fez, se gostou ou não, e só. Ou então se está ajudando o amigo que faz o curso. De novo, não é o que você quer saber. Então o que você faz? Pesquisa, vê os reviews, procura sobre a reputação, e tenta fazer. Se não gostar, desiste e faz outro, é a única forma objetiva de lidar com essas coisas. Agora, meu medo é eu responder “ah, ouvi dizer que esse curso parece bom”, daí a pessoa ouve e faz até o fim “porque o Akita recomendou”. Caraca, não né.</p>
<p>Repetindo o que eu faço: eu não tenho muito interesse na opinião dos outros não. Claro que eu ouço, de vez em quando, mas é só uma referência. Na verdade eu sou chato, eu sou do contra por padrão. Eu fui consultor por muitos anos, minha profissão era achar defeito nas coisas. Então qualquer um que me venha com uma opinião vai ter que se esforçar muito pra me convencer. Se conseguir me convencer, só ganhou minha atenção. Agora, da minha atenção pra ganhar meu interesse são outros quinhentos.</p>
<p>Eu não consigo entender porque tem gente que procura tanto opinião, por exemplo, de artistas sobre coisas que não tem a ver com arte. Da mesma forma que eu não imaginaria porque alguém iria querer ouvir minha opinião sobre coisas que não tem a ver com tecnologia e cultura geek. Se eu der qualquer opinião aqui sobre gastronomia, ou sei lá, política, duvidem muito de mim, eu não gastei anos estudando pra saber. Pra começar porque eu tenho zero interesse em política.</p>
<p>Eu evito ansiedade desnecessária assim: eu ativamente me esforço pra saber só o mínimo sobre coisas fora das minhas áreas de atuação. Eu me interesso em princípios e fatos, opiniões são opcionais. Se os princípios fazem sentido, e se os fatos batem, de novo, talvez tenha minha atenção. Eu não assisto TV faz anos, nem assino. Não leio portais de notícias e muito menos jornais. Shows de celebridades então, nem sei quem são os de hoje em dia. Eu tenho mais gente bloqueada e silenciada no meu Twitter do que gente que eu realmente sigo. Nada disso afeta meu lucro no fim do dia.</p>
<p>Se você se acostuma demais a terceirizar suas decisões, e se você se acostuma a reclamar demais em rede social, e toda vez alguém aparece pra concordar e validar sua opinião, o que é você? Uma pessoa sem controle da própria vida, buscando validação de um grupo semelhante, reclamando do seu celular importado, com internet banda larga, tomando café gourmet, do sofá de casa, com netflix ligado na sua frente, muitos inclusive morando fora do país, sobre como a vida é difícil e você é uma vítima da sociedade. Ah vá.</p>
<p>O resumo deste video já está logo na introdução, mas eu realmente queria gastar o tempo pra elaborar esse pensamento um pouco porque eu realmente acho que se entendido corretamente é uma das coisas mais importantes que vai fazer diferença pra você. Quanto mais cedo você entender isso de verdade, melhor. Assuma suas decisões. E se você aprendeu alguma coisa nos meus materiais e teve bons resultados, o mérito não é meu, o mérito é seu que escolheu e decidiu usar de alguma forma.</p>
<p>Enfim, foi um longo rant só pra dizer pra pararem de perguntar o que vocês devem fazer com suas vidas. Se vocês tem dúvidas objetivas, técnicas, mensuráveis, então não deixem de mandar nos comentários abaixo, se curtiram o vídeo deixem um joinha, assinem o canal e não deixem de clicar no sininho pra não perder os próximos episódios. Se conhecem alguém que tem esse mal de terceirizar as decisões pros outros, compartilhem esse video. A gente se vê, até mais!</p>
<p>05:45 - 5 anos
08:54 - faculdade
10:33 - manifesto
13:49 - mundo melhor
15:47 - prioridades
20:21 - squads
22:40 - rails
23:27 - tempo</p>
<p>Faz anos que eu recebo o mesmo tipo de pergunta toda vez, mais agora por causa do canal.</p>
<p>“Akita, o que você recomenda que eu faça na minha carreira?”</p>
<p>“Akita, o que eu deveria aprender primeiro?”</p>
<p>“Akita, tenho família pra criar, como eu mudo de profissão sem arriscar eles?”</p>
<p>E por aí vai.</p>
<p>Hoje eu vou meio que não responder e responder ao mesmo tempo. Mas eu quero ir além e explorar como você mesmo deveria pensar sobre essas perguntas pra chegar na melhor resposta pro seu caso.</p>
<p>E ao mesmo tempo quero tentar explicar como você deveria pensar pra não ser enganado por charlatães que te oferecem respostas atraentes e fáceis.</p>
<p>== PARA OS VIDEÓGRAFOS</p>
<p>Se você assistiu meu video anterior onde eu explico sobre as configurações do meu equipamento e cenário, lembram que o áudio estava ruim, porque eu testei gravar ligando o microfone direto na câmera.</p>
<p>Não tem jeito, um gravador bom separado tem qualidade melhor. Então eu liguei o Rode Wireless Go no gravador Tascan pra poder ter microfone de lapela sem fio.</p>
<p>E na configuração da minha Canon Rebel T7i eu subi o shutter speed de 30 pra 60 como recomendaram, mantive o aperture em f/1.4 e subi o ISO de 100 pra 200 e acho que ficou melhor.</p>
<p>O que acharam?</p>
]]></content:encoded><category>pessoal</category><category>carreira</category><category>akitando</category></item><item><title>[Akitando] #50 - A Bolha de Startups vai Estourar? | Winter is Coming</title><link>https://akitaonrails.github.io/2019/06/11/akitando-50-a-bolha-de-startups-vai-estourar-winter-is-coming/</link><guid isPermaLink="true">https://akitaonrails.github.io/2019/06/11/akitando-50-a-bolha-de-startups-vai-estourar-winter-is-coming/</guid><pubDate>Tue, 11 Jun 2019 17:00:00 -0300</pubDate><description>&lt;div class="embed-container"&gt;
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&lt;p&gt;Você está iniciando neste mercado de tecnologia ou está atuando nele faz menos de 10 anos.&lt;/p&gt;
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&lt;p&gt;Segundo (17:25), quero apresentar uma análise sob a ótica de quem está neste mercado desde os anos 90 e tentar explorar uma possibilidade que mais e mais está se solidificando: a de que estamos chegando ao fim de um período de bolha de tech startups.&lt;/p&gt;</description><content:encoded><![CDATA[

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<p>Você está iniciando neste mercado de tecnologia ou está atuando nele faz menos de 10 anos.</p>
<p>Primeiro, quero introduzir um pouco minha filosofia do que é ser um &ldquo;profissional&rdquo; de desenvolvimento de software; tema que vou explorar mais nos próximos episódios.</p>
<p>Segundo (17:25), quero apresentar uma análise sob a ótica de quem está neste mercado desde os anos 90 e tentar explorar uma possibilidade que mais e mais está se solidificando: a de que estamos chegando ao fim de um período de bolha de tech startups.</p>
<p>Será que o Inverno está chegando para o mercado de tecnologia? E como você deveria se preparar se for esse o caso?</p>
<p>Disclaimer: tudo que estiver neste vídeo é uma opinião pessoal baseada na análise e experiência do autor. As previsões não tem nenhuma garantia e não devem ser usadas para operar em mercados de ações.</p>
<p>Links:</p>
<ul>
<li>Tech Startups, Is It A (Bubble) Wrap? (<a href="https://www.forbes.com/sites/cognitiveworld/2019/02/25/tech-startups-is-it-a-bubble-wrap/#5c3cfe296d37"target="_blank" rel="noopener">https://www.forbes.com/sites/cognitiveworld/2019/02/25/tech-startups-is-it-a-bubble-wrap/#5c3cfe296d37</a>)</li>
<li>Why Has Seed Investing Declined? And What Does this Mean for the Future? (<a href="https://bothsidesofthetable.com/why-has-seed-investing-declined-and-what-does-this-mean-for-the-future-6a9572357130"target="_blank" rel="noopener">https://bothsidesofthetable.com/why-has-seed-investing-declined-and-what-does-this-mean-for-the-future-6a9572357130</a>)</li>
<li>Why 2019 could be the year of another tech bubble crash (<a href="http://theconversation.com/why-2019-could-be-the-year-of-another-tech-bubble-crash-109468"target="_blank" rel="noopener">http://theconversation.com/why-2019-could-be-the-year-of-another-tech-bubble-crash-109468</a>)</li>
<li>Air Is Coming Out Of The Silicon Valley Startup Bubble (<a href="https://realinvestmentadvice.com/air-is-coming-out-of-the-silicon-valley-startup-bubble/"target="_blank" rel="noopener">https://realinvestmentadvice.com/air-is-coming-out-of-the-silicon-valley-startup-bubble/</a>)</li>
<li>If Silicon Valley’s unicorn bubble bursts, what legacy will it leave? (<a href="https://www.theguardian.com/commentisfree/2019/feb/03/if-silicon-valleys-unicorn-bubble-bursts-what-legacy-will-it-leave"target="_blank" rel="noopener">https://www.theguardian.com/commentisfree/2019/feb/03/if-silicon-valleys-unicorn-bubble-bursts-what-legacy-will-it-leave</a>)</li>
<li>Another tech bubble could be about to burst (<a href="https://www.ft.com/content/43d5e972-2098-11e9-b2f7-97e4dbd3580d"target="_blank" rel="noopener">https://www.ft.com/content/43d5e972-2098-11e9-b2f7-97e4dbd3580d</a>)</li>
<li>The Startup Bubble Is A Derivative Of The Stock Market Bubble (<a href="https://www.zerohedge.com/news/2018-11-16/startup-bubble-derivative-stock-market-bubble"target="_blank" rel="noopener">https://www.zerohedge.com/news/2018-11-16/startup-bubble-derivative-stock-market-bubble</a>)</li>
<li>Silicon Valley tech bubble is larger than it was in 2000, and the end is coming (<a href="https://www.cnbc.com/2018/05/22/tech-bubble-is-larger-than-in-2000-and-the-end-is-coming.html"target="_blank" rel="noopener">https://www.cnbc.com/2018/05/22/tech-bubble-is-larger-than-in-2000-and-the-end-is-coming.html</a>)</li>
<li>Some Startup Founders Leave Silicon Valley ‘Bubble’ and Head East (<a href="https://www.wsj.com/articles/some-startup-founders-leave-silicon-valley-bubble-and-head-east-11553506201"target="_blank" rel="noopener">https://www.wsj.com/articles/some-startup-founders-leave-silicon-valley-bubble-and-head-east-11553506201</a>)</li>
<li>China Created a New Tech Unicorn Every 3.8 Days Last Year (<a href="https://www.bloomberg.com/news/articles/2019-01-28/china-creates-fewer-tech-unicorns-as-economy-slows-down"target="_blank" rel="noopener">https://www.bloomberg.com/news/articles/2019-01-28/china-creates-fewer-tech-unicorns-as-economy-slows-down</a>)</li>
<li>Computer Science Demand Is Soaring Due To Tech Bubble 2.0 (<a href="https://moguldom.com/175683/computer-science-demand-is-soaring-due-to-tech-bubble-2-0/"target="_blank" rel="noopener">https://moguldom.com/175683/computer-science-demand-is-soaring-due-to-tech-bubble-2-0/</a>)</li>
<li>Yes, It&rsquo;s a Tech Bubble. Here&rsquo;s What You Need to Know (<a href="https://www.inc.com/james-ledbetter/2018-inc5000-us-economic-growth-jobs.html"target="_blank" rel="noopener">https://www.inc.com/james-ledbetter/2018-inc5000-us-economic-growth-jobs.html</a>)</li>
<li>Opinion: Uber and Lyft IPOs mean the cheap rides are coming to an end (<a href="https://www.marketwatch.com/story/uber-and-lyft-ipos-mean-the-cheap-rides-are-coming-to-an-end-2019-05-09"target="_blank" rel="noopener">https://www.marketwatch.com/story/uber-and-lyft-ipos-mean-the-cheap-rides-are-coming-to-an-end-2019-05-09</a>)</li>
</ul>
<p>=== Script</p>
<p>Olá pessoal, Fabio Akita</p>
<p>Finalmente estou de volta! Passei um mês fora do canal, duas semanas foi viajando a trabalho e duas semanas de pausa mesmo.</p>
<p>Antes de começar, quero aproveitar pra convidar todo mundo pro evento que eu e minha empresa Codeminer, junto com a InfoQ Brasil, organizamos todo ano. A The Conf, que está com a grade completa e com ingressos à venda. Veja mais sobre o evento nesse vídeo linkado acima e nas descrições.</p>
<p>Se você ainda não assistiu a série anterior com conceitos básicos de computação, recomendo que cliquem no link acima pra acessar a playlist, também vou deixar nas descrições abaixo. O canal está acumulando vídeos sobre o que eu acho essencial que todo programador deveria saber.</p>
<p>Sendo bem honesto voltar pro canal tem sido bem difícil. Andei passando por um bloqueio criativo e ainda não estou muito seguro sobre quais temas quero falar nos próximos episódios, se vocês tiverem sugestões não deixem de mandar na seção de comentários abaixo pra me ajudar a decidir.</p>
<p>Enquanto isso, continuando um pouco na vibe dos episódios anteriores, queria falar um pouco sobre assuntos que deveriam preocupar quem está iniciando na carreira de programador. O episódio de hoje vai ser dividido em duas partes, primeiro uma parte mais filosófica, segundo uma parte mais prática. Se você já é programador experiente talvez queira ir direto pra segunda parte nesse tempo aqui embaixo. Se você tem pouco mais de 20 anos, talvez você não consiga enxergar o que está acontecendo.</p>
<p>(&hellip;)</p>
<p>Vamos começar do começo. Alguém que se forma chef provavelmente gosta de cozinhar, gosta de preparar boa comida, escolher bons ingredientes, e criar uma boa experiência pros seus clientes. Alguém que se forma músico, gosta de sons, melodias, arranjos e instrumentos, e criar uma boa experiência pra quem está escutando. Alguém que se forma um esportista gosta de se exercitar, puxar limites, pontuar e competir, e criar uma boa experiência pros seus fãs. Alguém que se forma programador gosta de programar, de combinar tipos diferentes de código, solucionar problemas com código, e resolver problemas reais pros seus clientes.</p>
<p>E é simplesmente isso. Para ser um bom programador o mais importante é gostar de programar, ser obcecado pela pura atividade de fazer código somente pelo código. Experimentar diferentes combinações, experimentar diferentes ferramentas, diferentes hardwares. Tudo que tem a ver com a arte de combinar códigos diferentes para se chegar na mesma solução de formas mais eficientes ou simplesmente esteticamente diferentes. Programar pelo ato de programar.</p>
<p>Claro, como em qualquer profissão de prática, existem diversos outros aspectos que podem chamar a atenção. Aspectos sociais, aspectos políticos, aspectos financeiros. Mas tudo isso é secundário. A função de um programador é a programação. Ou você aprecia a prática de programar ou nunca será um bom programador. Desde o fim dos anos 80 eu sempre gostei de experimentar código. Simplesmente digitar código mesmo que não tivesse nenhum fim a não ser eu ver ele sendo executado logo depois de ter digitado. Quando eu comecei a programar eu nunca programei com o objetivo de ser bem remunerado ou qualquer outro objetivo.</p>
<p>Escrever código é uma coisa muito simples. Qualquer idiota consegue copiar e colar algum código, modificar algumas poucas coisas e fazer rodar. É extremamente simples. Alguém que nunca programou, se não for muito burro, é capaz de seguir um tutorial na internet e escrever algum código. Isso não o torna um programador.</p>
<p>Cozinhar é uma coisa muito simples. Qualquer idiota consegue abrir um livro de receitas, separar ingredientes, jogar tudo numa panela, ligar o fogo e no final, se não for muito burro, vai ter alguma coisa minimamente comestível. É extremamente simples e milhões de pessoas fazem isso todos os dias de alguma forma. Alguns até cozinham todos os dias, o mesmo arroz com feijão e ovo frito. Obviamente não tem nada de errado nisso, mas isso não o torna um cozinheiro profissional, nem muito menos um chef.</p>
<p>Um Michelin 3 Estrelas é um reconhecimento para poucos. As 3 estrelas num restaurante indicam que a Michelin acha que se você viajar para um país somente para ir nesse restaurante, é uma experiência de valor e recomendada. É o reconhecimento de anos, décadas de treinamento deliberado, desde a fase de descascar batatas todos os dias, cozinhar dia e noite em dezenas de restaurantes como ajudante, tudo em benefício de refinar a própria arte, até o ponto de ser capaz de montar, administrar, e entregar uma experiência diferenciada no seu próprio restaurante. Não só com um menu fora do comum, mas a experiência completa, do momento que se cruza as portas na entrada até o pagamento na saída. Alguém que simplesmente sabe seguir receitas, não importa se cozinhou todos os dias nos últimos 10 anos, continua milhas de distância de ser um Chef Michelin 3 Estrelas.</p>
<p>No mundo da programação um Turing Award talvez seja o mais próximo de um Michelin 3 estrelas, e novamente é um reconhecimento para poucos. O que eu quero dizer é que do ponto onde se começa, seguindo uma receita sem saber muito bem porque está seguindo esses passos até uma premiação rara existe uma distância gigantesca que é para poucos.</p>
<p>A grande maioria dos cozinheiros do mundo nunca vai chegar nem perto de um Alain Ducasse ou Gordon Ramsay da mesma forma que a grande maioria dos programadores, eu incluso, nunca vamos chegar a um Djkstra ou Knuth ou Tim Berners-Lee e ganhar um Turing Award. Mas eu acho importante ter essa noção de que existe essa distância entre o começo e o fim.</p>
<p>Por alguma razão, eu sempre gostei de usar a carreira de um chef como metáfora à carreira de um programador. Ambas são o que eu chamo de profissão de prática. Existem profissões onde o teto é bem baixo, onde você aprende um procedimento e com pouquíssimo tempo de prática você já consegue trabalhar e não importa quanto mais praticar a partir desse ponto, seu resultado nunca vai ser muito melhor do que quando começou. Sem querer menosprezar, mas qualquer trabalho de repetição é assim: seja um caixa de supermercado, um operário numa linha de produção, ou um motorista de táxi.</p>
<p>Um programador se torna melhor quanto mais pratica; mais importante, quanto mais pratica deliberadamente como eu expliquei nos meus episódios sobre Talento: Matando Semi-deuses. Assim como um chef nunca vai sair do lugar se fizer o mesmo ovo frito todos os dias, também um programador nunca vai sair do lugar fazendo o código do mesmo jeito todos os dias. O mesmo vale pra qualquer profissão de prática: seja um esportista, um músico, um escritor, um pintor, um fotógrafo, um jornalista. É a enorme diferença em dedicação deliberada entre um jogador de futebol de várzea de fim de semana e de um jogador de seleção profissional.</p>
<p>Eu faço questão de explicar dessa maneira porque muitos não entendem isso quando está começando. Por exemplo, muita gente ainda associa que programar é algo que você só faz durante o horário de trabalho. Que você precisa ser remunerado para começar a digitar o código. E que esse código, depois que está pronto, é algo que precisa ser preservado. Muita gente é resistente a apagar o próprio código, muita gente é resistente a aceitar críticas sobre o próprio código. “Eu sou formado em computação” eles pensam “lógico que meu código é bom, como ousa questionar?”.</p>
<p>Uma coisa comum em toda profissão de prática é que tudo que você faz nos primeiros anos é basicamente porcaria. Aceite essa realidade. Não estou dizendo 100% mas uma parte considerável de tudo que você produzir nos primeiros anos, talvez na primeira década, vai ser medíocre. E se você não tomar cuidado, não estiver prestando atenção, não estiver consciente e deliberadamente treinando, tudo que você produzir vai ser lixo. Pense seu primeiro dia numa cozinha de restaurante, tendo que atender dezenas de pedidos e entregando tudo no tempo certo e na qualidade certa. É absurdamente difícil, a pressão é enorme, e você não pode errar. Com o tanto de reclamação e mimimi que eu ouço de programadores que trabalham em lugares com ar condicionado e café quente, batendo cartão das 9 às 5, eu diria que nenhum deles aguentaria trabalhar um dia na cozinha de um restaurante de verdade, mesmo se fosse só lavando pratos.</p>
<p>A primeira coisa que você precisa separar é o código que você faz no trabalho e o código que você faz fora do trabalho. E sim, precisa ter os dois. Seja no seu primeiro ano de carreira, seja no décimo ano. Ou você acha que no começo de carreira, um Gordon Ramsay só treinava no horário de trabalho? Durante o horário de serviço de um restaurante você já tem que saber exatamente o que tem que fazer, ou seria impossível entregar os pratos certos, na qualidade certa, no tempo certo. Durante o trabalho você precisa entregar o melhor resultado do seu treinamento prévio. Mas aí a questão é, quando você treina? E a resposta não é agradável pra quem entrou nessa área sem realmente gostar: é em todo tempo que tiver disponível, especialmente no começo da carreira.</p>
<p>Quando as pessoas falam que as faculdades não te preparam pro mercado de trabalho, especialmente as mais voltadas à ciência da computação, e muita gente prefere os cursos técnicos porque você sai com mais facilidade pra conseguir trabalhar, a percepção não está errada mas a o pensamento está errado. De fato, quando você se forma como bacharel em ciências da computação, se a única coisa que você fez foi aparecer nas aulas, estudar o suficiente pra tirar 5 nas matérias e passar na média, você não sabe fazer nada quando se forma. Se por outro lado você usou esse tempo pra estudar pra tirar 10, participou de todas as opcionais que pôde, fez grupos de prática com seus amigos e professores, e praticou o quanto pôde, ainda assim você ainda não vai estar pronto, mas vai saber uma coisa que seus colegas da média não sabem: como praticar.</p>
<p>O que ninguém nunca vai ter quando sai da faculdade se chama prática. Óbvio, pra ter prática, você precisa praticar. Se você treinou uma hora, todo dia, o ano todo, no máximo praticou umas 300 horas. Isso é extremamente pouco. Pra comparar, um mês de trabalho de 8 horas são apenas 170 horas.</p>
<p>Quantas horas você acha que precisaria praticar pra conseguir cozinhar pratos diferentes durante as 5 horas do serviço de almoço de um restaurante? Quantas horas você acha que precisaria praticar pra conseguir competir num jogo profissional de campeonato e não passar vergonha? Quantas horas você acha que precisaria praticar escrevendo pra conseguir ter nível suficiente pra publicar um livro que não fique pegando pó nas prateleiras? E por que você acha que com programação seria diferente?</p>
<p>Agora, profissões de prática tem uma armadilha. Eu chamo da armadilha dos 80/20 e eu já falei disso em outros episódios mas vou repetir hoje de novo. Digamos que você está começando a programar, você notou que essa bibliotecas open source do Facebook, o React.js, tem uma boa demanda. Você resolve fazer um curso ou mesmo estudar aulas online sozinho. Com umas 40 horas de aulas você já é capaz de realizar tarefas simples. Se você tiver a oportunidade de integrar uma equipe em alguma empresa e se não for muito burro, com alguns dias apanhando você já será capaz de entregar algumas tarefas de verdade.</p>
<p>Em algumas semanas você vai ganhar confiança nesse assunto, aprender mais alguns truques. Em dois a seis meses, se você não for muito incompetente, já vai ter adquirido uma boa fluência. SIm, é pra ser assim rápido mesmo. Na minha metáfora da cozinha, é como você comprar um livro de receitas, ou fazer um curso rápido de cozinha, se você não for do tipo que reprova num teste psicotécnico e souber seguir instruções básicas, até você vai conseguir montar, digamos, alguns tipos diferentes de sushi em poucos dias. É muito simples. Em algumas semanas você pode até estar preparando pros seus amigos e alguns deles podem até gostar.</p>
<p>Em profissões de prática, sabendo muito pouco, você se torna capaz de entregar alguma coisa. Você se sente empoderado. E isso é um sério problema. Aceite a realidade, que nesse estágio, você continua não sendo muito melhor que um hobista amador. Está longe, mas milhares de milhas de distância longe, de ser melhor que um profissional em nível junior. Claro que não existem tempos pré-definidos, algumas pessoas são mais dedicadas do que outras, mas no geral, ninguém deixa de ser júnior em menos de 1 ano. E não se sinta um sênior antes de 5 anos pra mais se, e somente se, você se expõe a muitos cenários diferentes de prática deliberada.</p>
<p>Muitos que não são da área podem ficar impressionados com o que você entrega e isso é óbvio, porque quem está elogiando não é ele mesmo um praticante, então tudo que um amador faz já parece impressionante. Mas um sênior de verdade sabe identificar facilmente e sem ambiguidade um outro sénior, assim como um jogador profissional nunca vai ser enganado em campo por um amador. Basta chutar a bola pra ele no meio da pressão do jogo e ver como ele se sai.</p>
<p>No começo de carreira, pare de ficar neurótico com questões de remuneração. Primeiro de tudo aceite outra noção: não existe média salarial. Eu quero falar disso em outro episódio, mas todo mundo tem mania de querer aplicar média em tudo. Média não se aplica em tudo. Média só se aplica em eventos independentes. Altura de uma população, notas numa prova. Salários não são eventos independentes. Diversas variáveis influenciam todos os salários por todo o mercado ao mesmo tempo. Salários se distribuem numa curva diferente da gaussiana. Apesar de não ser estatístico eu diria que elas se aproximam mais de distribuições Power Law, uma distribuição cuja característica é não ter média.</p>
<p>Você já viu distribuições assim, o 80/20 de Paretto que foi usado pra descrever como 80% das propriedades estão na mão de 20% das pessoas. Essa distribuição é o que define quase tudo no mundo real. Por exemplo, seguidores em redes sociais. Não existe média de seguidores. Você tem 20% das celebridades acumulando 80% dos seguidores. A mesma coisa pra séries de TV mais assistidas, 20% das séries produzidas acumulam 80% da audiência. A mesma coisa pra música. A mesma coisa pra qualquer coisa do mundo real. E salários é a mesma coisa. Se você pegar mesmo dentro de uma mesma empresa você vai ter essa distribuição do maior pro menor salário, 20% das pessoas podem receber 80% da folha de pagamento, ou algo nessa proporção.</p>
<p>Não parece justo como seria numa distribuição gaussiana, que tem média. E não é pra ser justo, o mundo não é justo. Por outro lado significa que seu salário não precisa crescer de forma linear, constante. Ou seja, se você ganha hoje 1000 reais e ganhou um aumento de 100 reais depois de um ano, não é verdade que você só tem como aumentar mais 10% ano que vem. Você pode dar salto maiores, 15%, 20%. Você tem a oportunidade de dar saltos grandes quando conquistar seu lugar pela sua competência. Essa é a beleza dos mercados. Se 80% da riqueza está na mão de apenas 20% das pessoas, também significa que os acomodados e os que gostam da zona de conforto vão ficar eternamente disputando os 20% que sobram dessa riqueza com os outros 80% acomodados.</p>
<p>Voltando ao assunto, eu disse que com pouco conhecimento, digamos 20% do que você deveria saber, você esteja nos 80% dos menores salários. É óbvio que uma hora você vai ficar impaciente e frustrado por nunca ganhar mais. Mas claro, você acha que sabe o suficiente porque sempre consegue entregar o que te pedem. Mas você só consegue entregar poucos tipos de coisas. Você é um cozinheiro que toda vez que te pedem ovo frito, você entrega o ovo frito. Só que você só sabe fazer ovo frito. Quando te pedem salada, você se esconde atrás de “eu não faço pratos vegetarianos”. É como o junior de React que falei acima quando pedem pra subir um Docker “eu sou front-end, não faço devops”. Bem vindo aos 80% da população.</p>
<p>Notem que no começo eu tentei descrever um tipo muito particular de profissional: os que respeitam e apreciam a prática, não os que querem aprender meia dúzia de truques e ganhar salários que magicamente sobem todo ano. Um diploma, um certificado, uma validação de alguém, ou entregar o básico, não te garantem nada, absolutamente nada. Você nunca vai subir na carreira fazendo sempre variações da mesma coisa, do mesmo tipo de código, do mesmo tipo de prato.</p>
<p>Faça a conta mais básica: se chegar nesse ponto foi razoavelmente fácil pra você, também é fácil pra milhares de outras pessoas que estão ingressando todos os dias no mercado de trabalho e estão se tornando seus competidores. Você fica feliz de ver que a barreira de entrada está cada vez menor, e que toda hora todo mundo gosta de ficar cantando como é fácil qualquer um ser programador? Preocupe-se. Lembre-se da lei mais básica do mercado: a lei da oferta e da procura. Quanto maior é a oferta de programadores, se a demanda do mercado não cresce na mesma proporção, tecnicamente a remuneração desse tipo de programador tende a cair.</p>
<p>Se não ficou claro nos meus últimos vídeos, eu contei a história de como até 2001 programadores ruins eram remunerados muito acima do que deveriam, porque todo mundo investia nas ponto com como se fossem minas de ouro. Foi a grande era da exuberância irracional na tecnologia. Daí a bolha da internet estourou e de repente programadores ficaram sem emprego. Some a isso a terceirização em massa pra Índia e a profissão sofreu uma queda enorme, principalmente nos Estados Unidos. Demorou anos pro mercado se estabilizar e voltar a crescer.</p>
<p>Daí em 2008 e 2009 tivemos a grande crise do sistema financeiro que causou uma queda global em todos os mercados e a recuperação que tivemos no mercado de tecnologia também sofreu uma queda. Ao mesmo tempo, durante a crise, muitos começaram a acreditar que inovações da época nos mundos de cloud, big data, coletar dados massivos dos usuários, e a recém-inaugurada era dos apps mobile por causa da revolução do iPhone, poderiam se tornar grandes investimentos.</p>
<p>Mas ao mesmo tempo iniciou uma era de novas tech startups que 10 anos depois se tornaram unicórnios. Uber, Airbnb, GitHub, Instagram, Snap, Pinterest, Netflix, e dezenas de outros. Se você só vivenciou este mercado a partir de mais ou menos 2009, você cresceu dentro de uma bolha onde parece que tudo vai crescer pra sempre. Sinto lhe informar que em breve essa bolha vai estourar, como sempre estoura. Não é um talvez, é só uma questão de quando exatamente.</p>
<p>Deixe eu ilustrar. O Google tem uma ferramenta que eu acho muito interessante. O Google Trends que mostra um gráfico com o interesse por um certo termo ao longo do tempo. Se procurarmos “tech startups”, você vai ver que como eu falei, depois de 2008 a tendência veio sendo de alta, mas já faz alguns anos que parou de crescer, está andando de lado, em breve deve cair.</p>
<p>Se procurarmos por “Techcrunch” que é uma das principais publicações sobre tech startups, você vai notar que, se antecipando à tendência, desde pouco antes de 2008 ele veio crescendo, atingiu pico em 2011 mas desde então já reverteu e só vem caindo. Mesmo se procurarmos sobre o famoso Node.js do mundo de Javascript, você vê que desde 2009 ele veio crescendo em interesse até bater o pico por volta de 2014 e 2015 e desde então já reverteu a tendência.</p>
<p>Dependendo do que procurar sobre o assunto, vai ver que as tendências vieram crescendo e já atingiram um pico e estão revertendo ou estão começando a confirmar uma resistência. Se eu tivesse que chutar eu diria que o mercado pode começar a ficar muito diferente a partir de 2021 já. Talvez leve ainda um pouco mais de tempo. Eu venho esperando por esse novo ciclo faz tempo já e no fim do ano passado, quando a Nasdaq sofreu uma queda que pegou muitos de surpresa, todos os analistas financeiros começaram a concordar com esse cenário. A partir de fevereiro deste ano você podia ver na Forbes, Financial Times, Washington Post, The New York Times, CNBC, todo mundo chegando às mesmas conclusões. Os investimentos no mercado de tecnologia estão crescendo de forma desenfreada faz 10 anos, existe liquidez excessiva no mercado. Só em 2018 surgiu um novo unicórnio - que são empresas avaliadas em mais de 1 bilhão de dólares, a cada 4 dias. São mais de 300 unicórnios pelo mundo somando mais de 1 trilhão de dólares em valuation.</p>
<p>Pra piorar, os IPOs desses unicórnios vem se provando muito abaixo das expectativas. Segundo a CNBC, o IPO do Snap que saiu em março de 2017 começou a 17 dólares por share, chegou a dar um pico positivo de 44% no primeiro dia mas desde então caiu pra 11 dólares por share. A Blue Apron abriu IPO com 10 dólares por share em junho e agora está a 3 dólares. A Fitbit abriu em 2015 a 45 dólares por share e agora está a 5 dólares.</p>
<p>Duas estrelas dessa geração de unicórnios, a Lyft abriu IPO este ano com shares a 88 dólares e hoje está na faixa de 61 dólares. Mesmo o Uber começou em queda e está perto do mesmo preço de abertura, nada bombástico. Antes do IPO tinha um valuation de mais de 80 bilhões de dólares, os otimistas esperavam que depois de abrir capital ele subisse pra 120 bilhões, mas isso não se concretizou. E ela representa o tipo de startup que veio sendo criado nesses últimos anos: com receita de 11 bilhões, prejuízo operacional de 3 bilhões e déficit de 8 bilhões. A exuberância irracional dessa bolha criou empresas que trabalham com cash flow negativo.</p>
<p>Vamos colocar dessa forma: eu tomaria cuidado em apostar numa tech startup que opera com cash flow negativo, ou seja, que não dá lucro e não tem planos no curto prazo pra reverter. Especialmente se você estiver apostando morar fora do país ou algo assim. Esses planos vão ser cortados muito em breve. Ninguém é capaz de prever o futuro, tudo isso pode não se concretizar. Mas ser antifrágil significa apostar em alguma coisa que, se você perder, não vai fazer falta, mas se ganhar vai ser muito. Se você for sentir falta do que perder, não aposte. É a regra básica de todo investidor.</p>
<p>Segundo a Forbes as valuations de unicórnios estão ridiculamente inflados. Quão inflado? Um estudo de 135 unicórnios americanos, os que foram avaliados valendo mais de 1 bilhão de dólares, sugere que depois de ajustar termos que inflam valuation como diferentes classes de ações, pelo menos metade, 65 dos 135 perdem o status de unicórnio. Como a Forbes descreve, é um monte de mulas disfarçadas.</p>
<p>Uma das desculpas pra essas valuations absurdas é que a prioridade número 1 é aquisição de clientes e data mining dos dados dos usuários. Muitos tem considerado isso até mais importante do que receita e lucro. Você ficou chocado com o vazamento dos dados da Cambridge Analytica no escândalo do Facebook? Você trabalha em tech startups de cashflow negativo? Parabéns, você faz parte do modelo de negócios de acumular e vender dados de usuários.</p>
<p>Assim como foi no ano 2000, pré crash da bolha da internet, os empreendedores acreditam que simplesmente funding de venture capital é um modelo de negócios em si mesmo, o que é absurdo. Eles realmente acreditam em dinheiro que nasce em árvore. Considere que 80% das empresas que abriram capital ano passado não são lucrativos, o maior número desde o pico da bolha das ponto com em 2000 quando 81% das empresas que abriram capital naquela época não tinham lucro.</p>
<p>Foi em 2009 que você viu surgindo o movimento de Lean Startups por causa do livro de Eric Ries, o surgimento acelerado de co-workings como WeWork, incubadoras, e venture capital que começou a aparecer. Pense que por coincidência tudo convergiu nesse momento. As tecnologias de internet ganharam escala principalmente depois do surgimento da AWS em 2006, a idéia de web applications que competem com aplicativos nativos de desktop depois do Gmail também de 2006. O crescimento exponencial das redes sociais por causa do boom do Facebook. A revolução do iPhone em 2007 e do lançamento da App Store em 2009. Tecnologias de geolocalização, a possibilidade de big data, o barateamento da banda larga e de armazenamento possibilitou coisas como Dropbox.</p>
<p>Tivemos a crise de 2008 e 2009 onde o sistema financeiro entrou em colapso e deixou milhões desempregados e a inovação tecnológica permitiu muita gente se recolocar como motoristas de Uber ou Lyft ou alugar suas casas vai Airbnb, plataformas como Shopify, Wix, Square, tornou mais fácil pras pessoas abrirem micro-empresas. Plataformas de compra coletiva como Groupon explodiram entre 2010 e 2011. A tecnologia nesse ponto ganhou figura de salvador da pátria e o mercado de SaaS ganhou força como a fundação desse novo crescimento.</p>
<p>Mas tudo isso já está chegando ao fim. Como diria George Santayana, aqueles que não se lembram do passado estão condenados a repetí-la. E de fato, eu lembro da devastação que foi o crash da bolha das ponto com. O mercado perdeu todo o seu valor, levou 2 décadas pra recuperar e hoje já mais que ultrapassamos o pico da exuberância irracional daquela época. E novamente citando ditos populares: quanto maior o tamanho, pior vai ser a queda.</p>
<p>Eu gosto de ser conservador, eu detesto ser otimista demais porque os otimistas são os primeiros a cair quando uma crise aparece, especialmente uma que já está dando sinais cada vez mais claros. Eu sou um cético pragmático. Eu já sobrevivi a 2 ou 3 grandes crises. Sobrevivi os anos 90, os anos 2000 e os anos 2010, cada década teve uma crise e eu realmente nunca tive grandes problemas durantes esses períodos de transição. E o ponto de dizer tudo isso é porque durante minha carreira eu segui exatamente a descrição acima sobre a minha profissão. Quando o mercado acumula gente demais e de repente a demanda some, quem você acha que as empresas mantém e quem você acha que elas abandonam?</p>
<p>Se você se manteve firme na sua profissão, acumulou conhecimento, acumulou prática, e começou pouco a pouco a ser capaz de manter expectativas, ou seja, você é o tipo que promete o que entrega, do jeito que prometeu, no custo que prometeu, no tempo que prometeu e na qualidade que prometeu, e ainda é do tipo que às vezes consegue surpreender entregando mais do que prometeu e consegue fazer isso com consistência, ao longo de muito tempo, sem nunca se valer de muletas como desculpas e histórias pra esconder seus erros, você sempre vai ter empregos bem remunerados. Independente se está num período de crise ou não.</p>
<p>Se por outro lado você associa sua profissão diretamente com brindes imbecis como um nespresso ou piscina de bolinhas ou sala de xbox, que acha que já é bom o suficiente porque alguém te dá feedbacks positivos com frequência, que acha que sua “qualidade de vida” de trabalhar menos de 8 horas por dia é a prioridade e por isso só programa durante o horário de trabalho, e ainda programa pouco porque procrastina a maior parte do tempo fazendo fofoca no whatsapp. Gosta de ir em evento porque é mais um dia que não precisa trabalhar e ainda ganha pra isso. Fica mudando de emprego com frequência porque outra empresa te paga um pouco melhor pra fazer a mesma coisa. Bom, boa sorte pra você na próxima crise.</p>
<p>A maior recompensa sempre vem praqueles que jogam o jogo do longo prazo. Os que procuram ganhos de curto prazos tendem a ser varridos da história. Sua profissão é programação, espero que você goste de programar. Pare de ouvir auto-ajuda glorificada de celebridade de startup ou fake coach ou fake mentor. As contas precisam sempre fechar, gastos desenfreados, sem um retorno sustentável, é claramente uma bolha. Ou você acha que piscina de bolinhas serve pra alguma coisa a não ser ostentação? Aliás, aproveitando, da próxima vez que você ver um “coach de inovação”, me façam um favor, perguntem pra ele quantas patentes ele tem. Ou se achar um mentor de empreendedorismo, perguntem pra ele quantas empresas lucrativas de mais de 10 anos ele tem.</p>
<p>O recado é muito simples, se você for um aventureiro especulador e quiser navegar na onda de dinheiro fácil, ainda é possível. Os aproveitadores de plantão estão todos fazendo isso. Mas se você está no papel de quem está acreditando em papai noel e em dinheiro infinito, negligenciando sua carreira em troca de promessas de stock options ou algo assim, sinto dizer que a maioria de vocês vai perder. Aliás, nunca caiam no golpe das stock options. Em resumo muito resumido, o conceito é te pagar menos em troca do direito de ter opções de compra das ações quando a empresa abrir capital. Porém, quando isso acontecer, você tem a opção da compra que você precisa exercer, … duh comprando as ações. Só que você veio ganhando menos do que normal e ainda vai precisar acumular dinheiro pra exercer essa compra. E nada garante que você vai se dar bem. Veja os casos da Amazon ou do Uber. Entenda uma coisa: os únicos que vão ganhar dinheiro de verdade são os venture capitalists, e eles não estão errado. Você com sua stock option, ainda pode ser diluído e o que for exercer não valer quase nada. Problema seu que acredita em conto de fadas.</p>
<p>E apesar de parecer uma mensagem apocalíptica, se o cenário que eu descrevi acontecer, eu consideraria uma correção saudável. Nenhum mercado se beneficia de crescimento constante. Mercados precisam de correção. Mesmo depois do crash das pontocoms e centenas de empresas falindo e milhares de desempregados, o resultado ainda assim foi bom. O legado da exuberância do ano 2000 foi a colossal infraestrutura de fibra ótica que foi construído no meio da loucura acelerada. Foi isso que possibilitou as redes de banda larga cabeadas e wireless e a exploração das tecnologias de smartphones. Como disse a The Guardian, alguma coisa positiva sobrou de toda a loucura. Mas esta atual bolha? Já que ela não construiu grande coisa, o que vai deixar pra trás vai ser só um sorrisinho amarelo, como em Alice no País das Maravilhas.</p>
<p>A maioria dos grandes unicórnios surgiu no vácuo da crise financeira de 2008 e 2009. Porém, chegaram no ponto onde eles precisam abrir capital pra continuar crescendo no ritmo absurdo de agora. E é quando o capital é aberto que a verdade aparece e todos vão ver que a valuation que acreditavam na verdade não existe e isso gera desespero e uma corrida pra vender e estancar o sangramento, e quando isso começa a acontecer de forma generalizada, é quando vamos ter o crash. O fato é que a grande maioria dos unicórnios de hoje não valem uma fração do que os investidores acham que vale. Em algum momento essa conta tem que fechar, e não vai. E sob as cinzas dessa geração é que vai surgir o ciclo dos próximos 10 a 20 anos. Eu mal posso esperar.</p>
<p>A idéia do episódio de hoje foi delinear um pouco da filosofia que eu vejo em profissões de prática por gostar da prática em si. E não em profissão enquanto aprender procedimentos rápidos pra ganhar dinheiro rápido, cego por estar num mercado com alta demanda, num ciclo que pode estar acabando. O recado é muito simples: você está vivendo hoje num mercado que globalmente paga mais do que se deveria, fique esperto, essas coisas nunca duram. Se você está sentindo dificuldades hoje, vai ficar pior. Por outro lado, quem está conseguindo se enganar surfando na onda, vai tomar um caldo muito em breve.</p>
<p>Nos próximos episódios vou encorpar um pouco mais minha definição de um profissional de desenvolvimento de software em particular. O assunto ainda não está terminado e tem várias coisas estou deixando pros próximos episódios, mas se quiser discutir o assunto mande nos comentários abaixo. Se gostou do vídeo mande um joinha, assine o canal e clique no sininho pra não perder os próximos, e não deixe de compartilhar com seus amigos pra ajudar o canal. A gente se vê, até mais.</p>
]]></content:encoded><category>startups</category><category>mercado-de-tecnologia</category><category>carreira</category><category>akitando</category></item><item><title>[Akitando] #37 - A Dimensão do TEMPO para Iniciantes em Programação | Série "Começando aos 40"</title><link>https://akitaonrails.github.io/2019/01/30/akitando-37-a-dimensao-do-tempo-para-iniciantes-em-programacao-serie-comecando-aos-40/</link><guid isPermaLink="true">https://akitaonrails.github.io/2019/01/30/akitando-37-a-dimensao-do-tempo-para-iniciantes-em-programacao-serie-comecando-aos-40/</guid><pubDate>Wed, 30 Jan 2019 17:00:00 -0200</pubDate><description>&lt;p&gt;Disclaimer: esta série de posts são transcripts diretos dos scripts usados em cada video do canal &lt;a href="https://www.youtube.com/channel/UCib793mnUOhWymCh2VJKplQ"target="_blank" rel="noopener"&gt;Akitando&lt;/a&gt;. O texto tem erros de português mas é porque estou apenas publicando exatamente como foi usado pra gravar o video, perdoem os errinhos.&lt;/p&gt;
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<h3>Descrição no YouTube<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="descrição-no-youtube"></span>
    <a href="#descri%c3%a7%c3%a3o-no-youtube" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h3><p>Este é o 2o episódio da série &ldquo;Começando aos 40&rdquo; e hoje quero ajudar a aliviar um pouco a ansiedade dos programadores iniciantes.</p>
<p>Começando agora você não sabe por onde começar. Devo aprender mobile? Devo aprender Web? Se for Web, devo aprender PHP? Ou então Java? Mas e Machine Learnine? E Big Data?</p>
<p>Antes de tentar explicar um pouco desses assuntos vocês precisam entender como chegamos até aqui.</p>
<p>Mais importante, entender porque fazer planos de longo prazo nesta carreira e fixar &ldquo;ideais&rdquo; pode não ser uma boa idéia.</p>
<p>É um tema meio &ldquo;abstrato&rdquo; mas eu acredito que antes de começar de verdade, seja você um jovem de 20 ou um novo-jovem de 40, vocês precisam entender a dimensão do &ldquo;TEMPO&rdquo; na nossa carreira.</p>
<h2>Script<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="script"></span>
    <a href="#script" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Olá pessoal, Fabio Akita</p>
<p>Fiquei muito contente com a recepção do primeiro episódio desta mini-série. Se você ainda não viu clique no link acima e não deixe de ler as histórias das pessoas que comentaram. Recapitulando, a idéia dessa série veio porque me perguntaram, como uma pessoa de 40 anos poderia ingressar neste mercado. Seria muito fácil mandar meia dúzia de links de cursos online e cagar regra do tipo “eu acho que você tem que estudar Python ou Javascript”. Mas ser um programador profissional é muito mais do que isso.</p>
<p>No episódio de HOJE eu quero falar sobre um assunto que alguém de 40 anos provavelmente já tem mais noção e contrastar com alguém de 20 anos que está começando agora. O fator TEMPO.  Eu detesto dizer dessa forma porque me faz me sentir MUITO velho, mas preciso pontuar o fato que a maioria dos jovens ainda não tem noção do que TEMPO significa. Vou explicar.</p>
<p>(&hellip;)</p>
<p>O tempo é realmente relativo. Mas em outro sentido. Vamos pegar o caso de uma pessoa com 20 anos. Significa que na sua cabeça o conceito de “minha vida inteira” tem 20 anos.</p>
<p>Pra ser mais prático, eu diria que a maioria das pessoas pode desconsiderar os primeiros 10 anos porque era só um bebê ainda, sem muita consciência de si mesmo e do mundo ao redor. Então, na realidade, o que você chama de “sua vida inteira” é a segunda metade: um período extremamente curto de 10 anos.</p>
<p>Se você tem 20 anos agora, nasceu entre 1998 e 1999. Aliás, como alguém twitou no ano novo, este ano marca o fim de todas as crianças ou menores de idade que nasceram no século XX. Todo mundo que tem menos de 18 anos já nasceu no século 21!</p>
<p>Na sua cabeça, 10 anos pode parecer um tempo longo, muito longo, e é lógico, afinal “sua vida inteira” foram só esses 10 anos. Agora, se você é como eu e já está nos 40 anos, então nós já vivemos o equivalente a 2 vidas a mais. Conseguem entender essa dimensão? Tudo aquilo que você de 20 viveu, aprendeu, sofreu, riu e chorou, coube em 10 anos. Nós de 40 vivemos isso 3 vezes já! E o que dizer de quem já tem 50 ou 60 anos? Não vou especular porque eu ainda não cheguei lá, mas a vida é bem mais longa do que parece.</p>
<p>Você de 20, tente se imaginar voltando aos 10 anos de idade, com todas as memórias dos 20, e tendo que repetir tudo de novo mais 2 vezes. Agora vem a primeira armadilha que você vai enfrentar na sua vida: nós somos matematicamente ruins, eu vou falar sobre matemática em outro episódio, mas por hoje só aceite o seguinte: você está pegando “sua vida inteira” de meros 10 anos e projetando no futuro até os 40 ou 50 anos achando que é possível imaginar como você vai ser. Mas isso é impossível.</p>
<p>Aos 20 você está só idealizando seu futuro. Fantasiando. E é tudo uma ilusão. Praticamente nada do que você está projetando pro seu futuro vai se concretizar do jeito que você imagina agora. E se quando chegar aos 40 você olhar pra trás e disser “sim, tudo aconteceu exatamente como eu tinha imaginado aos 20 anos” eu sinto dizer que você provavelmente limitou muito suas opções e viveu muito abaixo do seu potencial.</p>
<p>Veja a razão inicial desta série: dar dicas a pessoas de 40 anos mudando de carreira. Ninguém com 20 imagina que, 20 anos depois, vai estar fazendo uma virada de 180 graus na vida.</p>
<p>Novamente, eu estou generalizando. Cada um teve histórias e circunstâncias muito diferentes, e lógico que é impossível cobrir todos os casos. Mas o fato é que você está congelando sua situação e a situação do mundo ao seu redor e imaginando que o mundo no futuro vai ser mais ou menos parecido com o que é hoje. Você as notícias de possível recessão no mundo, conflitos na faixa de Gaza,a destruição da Venezuela, fome, pobreza, manifestações. E você acha que o mundo sempre foi assim e que sempre vai continuar sendo. Foi o motivo de porque eu falei sobre Hans Rosling no meu vídeo “O mundo hoje é pior?” que você pode assistir clicando no link acima. Mas spoilers: não o mundo está constantemente melhorando. Você vai ter MUITO mais oportunidades amanhã do que tem hoje. Não só um pouco, você vai ter oportunidades inimagináveis e isso vale pra você de 20 e pra você de 40.</p>
<p>Vamos fazer um exercício pra demonstrar isso. Digamos que você tivesse 20 anos em 1985. Nesse ano estávamos saindo da ditadura militar. Estávamos com uma hiperinflação absurda no Brasil que destruía todo nosso poder de compra. A Guerra Fria ainda era uma coisa real. A revolução dos microcomputadores male male tinha 10 anos nesse ponto, os micros mais potentes dessa época eram coisas como o Commodore 64, com poderosos 64 kilobytes de RAM!  Modems ainda não eram difundidos e a Internet basicamente não existia. Linux não tinha sido inventado ainda. Windows ainda não existia. MS-DOS ainda era uma novidade. Nessa época assistíamos filmes em fitas Betamax, usávamos fitas cassette e vinil ainda pra ouvir música.</p>
<p>Digamos que o você de 20 anos em 1985  decidisse seguir carreira de programador. Você aprenderia Basic, aprenderia C, talvez Cobol em alguma grande indústria, em breve você estaria aprendendo coisas novas como dBase III ou Clipper ou Dataflex.</p>
<p>Agora vamos pular pra 1995, ano que eu entrei na faculdade e tinha 18 anos. O Plano Real estava sendo um razoável sucesso nesse ponto, tínhamos quase paridade de 1 pra 1 com o dólar, e com a abertura dos mercados na época do Collor em 1991, podíamos importar muita coisa nessa época. O mundo estava diferente já, com a queda do muro de Berlin e o fim da União Soviética também em 1991, as coisas estavam caminhando bem apesar de outras guerras acontecendo como no Iraque de Sadam Hussein. O Windows 95 tinha acabado de ser lançado. A internet comercial estava só começando com cerca de Um Porcento da população experimentando a “ultra” velocidade de modems discados de Cinquenta e Seis kbps. Muitas novidades estavam sendo lançadas nesse ano, como os primeiros navegadores como Netscape, linguagens como Delphi e Java e LiveScript que viraria Javascript. O famoso Macromedia Flash iria sair só no ano seguinte.</p>
<p>Digamos que o você de 20 anos em 1995 decidisse seguir carreira de programador. Você provavelmente iria pro lado de Visual Basic, Visual C, Borland C++, Borland Delphi, talvez quisesse tentar uma carreira em ambiente Unix como Solaris e Java da então amada Sun, ou com minicomputadores IBM programando REXX em OS/2. Web sequer era uma carreira de verdade ainda. Sabe o dBase ou Clipper ou Dataflex de 10 anos atrás? Já estavam no caminho de queda.</p>
<p>De 1995 vamos pra mais 10 anos no futuro, agora você tem 20 anos mas no novo século, em 2005. O mundo era um lugar muito diferente depois do atentado terrorista de 11 de setembro. Nesse momento o mundo web já tinha chegado chegando e explodido na bolha das ponto e muitos até duvidaram sobre o futuro da internet. As redes sociais tinham acabado de começar, Orkut, Friendster, MySpace. Ruby on Rails tinha acabado de ser lançado e ninguém estava dando muita bola. Flash se tornou ubíquito. Estávamos ainda a pelo menos 1 ano da Amazon lançar o AWS, YouTube, Instagram, Pinterest, nada disso existia ainda, e nessa época a Apple já tinha se levantado das cinzas, dominado o mundo com seus iPods, e estava pra iniciar a migração dos processadores PowerPC pra Intel, abrindo o caminho pros desenvolvedores adotarem Macs pra programar.</p>
<p>Digamos que o você de 20 anos em 2005 decidisse seguir carreira de programador. Você provavelmente iria pro lado de C# ou Java ou PHP ou fazer sites em Flash e Wordpress. Navegadores eram todos incompatíveis e coisas como JQuery viraram necessidade na briga entre Firefox e Internet Explorer. O Google Chrome ainda seria lançado só daqui 3 anos, nem o Gmail tinha sido lançado ainda. Sabe o Visual Basic e Delphi e a Borland de 10 anos atrás? Já estavam no caminho de queda.</p>
<p>Nosso último salto é de 2005 pra 2015, mais 10 anos. O mundo mudou completamente pra nós. Passamos por uma das maiores crises econômicas entre 2008 e 2009 que quase levou o mundo financeiro ao colapso. Ao mesmo tempo as redes sociais se consolidaram, Facebook saiu na frente dominando e vários outros como Orkut e MySpace ficaram pra trás. A Apple surpreendeu o mundo lançando o iPhone em 2007, o Google lançando o Android pouco tempo depois e de repente todo mundo já tinha smartphones nos bolsos, uma das adoções de tecnologia mais rápida da história.</p>
<p>A Amazon trouxe o conceito de infraestrutura como serviço e somando ao mundo de smartphones criamos o conceito de “Cloud”. Também por causa do surgimento do mundo mobile e das redes sociais começamos a falar sobre Software as a Service ou SaaS e o mundo de escalabilidade, concorrência e de repente tínhamos mais dados do que poderíamos jamais precisar e inventamos mais ferramentas como a categoria NoSQL de bancos de dados como MongoDB, Redis, Cassandra. E tivemos uma explosão em novas linguagens como Scala. Javascript começou a ganhar relevância quando Steve Jobs matou o Flash e agora todos queriam Apps.</p>
<p>Também de repente todo mundo precisou rebuscar Objective-C pra programar pra iPhones, Javeiros ganharam nova casa em Android, o mundo C# ganhou um boost também em gaming com iniciativas como Unity. Depois de zonear o mundo, Steve Jobs acabaou morrendo em 2011 e com ele as inovações da Apple. A Microsoft finalmente voltou aos eixos com o Windows 10 e a linha Surface. Certamente esses 10 anos foram um dos mais movimentados na nossa história.</p>
<p>Digamos que o você de 20 anos em 2015 decidisse seguir carreira de programador. Você provavelmente estaria ferrado em escolher entre tantas opções. E eu provavelmente estou ferrado também pra explicar mais sobre isso em outros episódios. E isso porque eu nem vou mencionar tudo mais que surgiu entre 2015 e hoje, meros 4 anos.</p>
<p>E vocês acham que a história terminou? Vamos voltar pra década entre 1985 a 1995. Nessa época jovens programadores gostariam de estar escrevendo em revistas especializadas da época como Micro Sistemas ou escrever livros de papel mesmo. Entre 1995 e 2005 acho que muitos estavam fazendo seus websites pessoais, gerenciando grupos de Orkut, e começando a explorar esse troço novo chamado Blogs. De 2005 a 2015 que surgiram vários outros canais como redes sociais, YouTube e cursos online. Agora todo mundo se tornou um semi-profissional nessa nova categoria chamada geração de conteúdo.</p>
<p>Portanto um jovem de 20 anos em 1985 ou 1995 que era o meu caso, jamais poderia imaginar até onde iria a revolução dos microcomputadores e que uma parcela considerável da população mundial teria computadores, muito menos conectados à internet 24 horas por dia. Não poderíamos imaginar que teríamos smartphones e que uma parcela considerável da população mundial teria smartphones.
Não poderíamos imaginar que filmes, músicas, livros e todos os conteúdos estariam disponíveis em serviços como Netflix e que um terço do volume de dados trafegados na internet seria deles.
Não poderíamos imaginar que as pessoas teriam a opção de se tornar blogueiras ou virar celebridades num canal que viria a ser maior e melhor do que a TV no caso do YouTube.
E, no caso de nós programadores, não era simples de imaginar que cada nova linguagem que aprenderíamos numa década se tornaria obsoleta já na década seguinte e teríamos que aprender mais e mais linguagens e tecnologias novas. Entenderam agora porque eu constantemente falo tanto sobre “Aprendendo a Aprender”?</p>
<p>Pra você que tem 20 anos e está entrando agora numa carreira que envolve tecnologia. Veja meus vídeos sobre “Sua Linguagem NÃO É especial”. Apaixone-se pelo processo de aprender e usar as tecnologias, nunca pelas tecnologias em si e as empresas por trás. Nos anos 90 a marca Sun era reconhecida pelos seus produtos inovadores como os workstations, o Solaris, pessoas como James Gosling e Bill Joy. De repente tudo mudou, em 2009 ela foi vendida pra Oracle e desde então ninguém mais se lembra dela. De repente a Apple era um gigante nos anos 80, quase morreu nos 90, fez um retorno triunfante nos 2000 e então estamos na ressaca da morte de Jobs desde 2011. A Microsoft teve altos e baixos iguais, sendo hegemônica nos anos 90, quase se desintegrando no processo anti-truste de 2000, sendo ostracizado nos anos 2000 e perdendo o bonde dos dispositivos de música e smartphones e só agora retornando de forma triunfal. Hoje você é fã do do Facebook, de unicórnios como Uber, Netflix, Spotify.</p>
<p>Toda startup inovadora de ontem se torna o enterprise de amanhã. Entenda essa verdade. A parte cruel de ter sucesso é se tornar quem se queria superar. São ciclos, é assim que as coisas funcionam. Eu conheci o GitHub em 2008, era um escritório pequeno, poucas pessoas. Hoje vale bilhões, basicamente dominou todo o código open source do planeta e foi comprada pela Microsoft. Nada permanece igual por mais de uma década neste nosso mundo de tecnologia.</p>
<p>E essa percepção não é nova, todo mundo falava da famosa Lei de Moore, do grande Gordon Moore, a “lei” que na verdade era só uma observação que o poder de computação dobrava pelo mesmo preço a cada 18 a 24 meses. Essa lei já morreu neste século quando batemos num teto de clock e passamos a adotar multi-cores. Mas existe outro Gordon, Gordon Bell e a Lei de Bell de 1972 que descreve como classes de computadores se formam, evoluem e podem eventualmente morrer.</p>
<p>Bell considera essa lei parcialmente um corolário da Lei de Moore. A definição é: Mais ou menos a cada década uma nova classe de computadores de menor custo se forma baseada em uma nova plataforma de programação, rede e interface resultando em uma nova usabilidade e o estabelecimento de uma nova indústria.</p>
<p>A Lei Bell fala sobre uma nova classe de computadores, e pode ser do mainframe pros minicomputadores para workstations para desktop para dispositivos móveis pra cloud computing e assim por diante. Faz 50 ou 60 anos que isso vem acontecendo, e só na minha curta história de 4 décadas eu diria que vi isso acontecer com meus próprios olhos. Não acredita em mim? Se você tem 20 anos talvez não tenha essa memória tão viva, mas se você tem 40 certamente vai se lembrar de quando em 2005 o Papa Benedito 26 foi escolhido, essa era a multidão assistindo no Vaticano. Então, menos de 10 anos depois, ele resignou e em seu lugar um novo papa foi escolhido, Papa Francisco, e esta é a multidão no Vaticano em 2013. Sim, o mundo mudou, e ele vem mudando constantemente.</p>
<p>A vocês de 20 anos fica a dica: planeje sua carreira mas estabeleça planos ou objetivos fixos. Você tem a fantasia de viver sendo feliz e fazendo as coisas que gosta, seja lá o que isso for, e eu já expliquei no meu vídeo “Procure o que você Ama, só que não” porque esse pensamento vai limitar suas opções.</p>
<p>A vocês de 40 anos, vou só confirmar o que vocês já sabem: a vida muda. Vocês provavelmente já entenderam que o importante não é fazer o que ama, mas amar o processo e aproveitar as chances que a vida vai te dando, sem ficar olhando muito pra trás. Por alguma razão os jovens tem vivido mais no passado do que os mais velhos, olhando muito pros nomes e ideologias falidas do passado. Livrem-se de ideologias e dogmas, elas não servem pra nada, pois quem vive de museu é passado.</p>
<p>Vou repetir, sua linguagem de programação não te define. As empresas de tecnologia não te definem. Seu salário atual não te define. Suas ideologias nunca deveriam te definir, porque você vai mudar todas elas em breve. Seus objetivos não te definem, porque à medida que o mundo vai mudando, seus objetivos vão mudar também. A única coisa que é constante é gostar do jogo e gostar do seu próprio esforço, seja lá no que esteja fazendo.</p>
<p>O objetivo do episódio de hoje era dar perspectiva. Antes de eu sair dizendo “vá aprender tecnologia X ou vá fazer curso Y” eu acho importante que todos você entendam onde vocês estão, no espaço e no tempo. Essa perspectiva vai ajudar vocês a terem mais dimensão. Quando você se pergunta, será que estou atrasado? Será que ainda tem tempo? Será que estou indo muito devagar? Pare pra pensar na perspectiva desse episódio. Talvez, talvez você esteja atrasado, pra década passada, mas uma nova década já se abriu.</p>
<p>No próximo episódio prometo que vou começar a tocar em alguns assuntos mais práticos tanto pro curto quanto pro longo prazo. Não deixem de assinar o canal e clicar no sininho pra não perder, se curtiram mandem um joinha e compartilhem suas histórias de perspectiva nos comentários abaixo. A gente se vê semana que vem, até mais!</p>
]]></content:encoded><category>historia-da-computacao</category><category>mercado-de-tecnologia</category><category>carreira</category><category>akitando</category></item><item><title>[Akitando] #36 - O Mercado de TI para Iniciantes em Programação | Série "Começando aos 40"</title><link>https://akitaonrails.github.io/2019/01/23/akitando-36-o-mercado-de-ti-para-iniciantes-em-programacao-serie-comecando-aos-40/</link><guid isPermaLink="true">https://akitaonrails.github.io/2019/01/23/akitando-36-o-mercado-de-ti-para-iniciantes-em-programacao-serie-comecando-aos-40/</guid><pubDate>Wed, 23 Jan 2019 17:00:00 -0200</pubDate><description>&lt;p&gt;Disclaimer: esta série de posts são transcripts diretos dos scripts usados em cada video do canal &lt;a href="https://www.youtube.com/channel/UCib793mnUOhWymCh2VJKplQ"target="_blank" rel="noopener"&gt;Akitando&lt;/a&gt;. O texto tem erros de português mas é porque estou apenas publicando exatamente como foi usado pra gravar o video, perdoem os errinhos.&lt;/p&gt;
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<h3>Descrição no YouTube<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="descrição-no-youtube"></span>
    <a href="#descri%c3%a7%c3%a3o-no-youtube" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h3><p>O ano virou e eu resolvi tirar 2 semanas de &ldquo;férias&rdquo; pra mim mesmo, mas agora estou de volta!</p>
<p>Me fizeram uma pergunta interessante: como uma pessoa de 40 anos pode mudar de carreira e entrar no mercado de programação?</p>
<p>Não dá pra responder isso de forma curta, então resolvi tentar produzir uma mini-série, e hoje vou iniciar com o Primeiro Episódio apresentando rapidamente um panorama do mercado como um todo e algumas considerações sobre remuneração e carreira.</p>
<p>Nos próximos episódios quero tentar explicar mais sobre o que é a profissão de programador e como você pode começar a aprender na ordem mais eficiente.</p>
<h2>Script<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="script"></span>
    <a href="#script" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Olá pessoal, Fabio Akita</p>
<p>Desculpem por per pulado algumas semanas. Vou tentar voltar com episódios semanais. E desta vez me fizeram uma pergunta difícil. O que uma pessoa de 40 anos precisa saber pra se tornar um programador? Parei pra pensar sobre isso e resolvi fazer uma pequena série pra responder. Não dá pra responder só em um vídeo.</p>
<p>Mesmo se você tem 20 anos ou 30 anos, tudo que eu disser mais ou menos se aplica. A intenção desta série não é dar uma receita de bolo detalhada pra ser seguida ao pé da letra.</p>
<p>Primeiro de tudo, pode uma pessoa de 40 anos de repente mudar de profissão completamente? Claro. Qualquer um vai dizer que sim. Eu tenho mais de 40 anos, eu tenho uma boa idéia do que isso significa.</p>
<p>Na parte motivacional mais clichê, sim, qualquer um pode ser o que quiser. Mas eu não vejo isso acontecendo todo dia. Mudanças assim exigem uma pessoa madura o suficiente pra engolir o próprio ego por alguns anos, quanto mais velho mais isso é verdade. Se seu ego é frágil e se você se apega às aparências ou depende muito da validação de outras pessoas, eu diria que é impossível mudar de profissão. Por isso vocês vão notar que eu falo tanto sobre individualismo, porque eu tenho zero paciência com pessoas que são parasitas da validação dos outros.</p>
<p>A primeira coisa que você tem que aceitar é que a partir de agora você tem o mesmo nível de um estudante de faculdade no primeiro ano, menos ainda que um traineé ou estagiário. Antes de falar da profissão em si, HOJE vou começar falando um pouco sobre o mercado de TI em geral. Vamos lá.</p>
<p>(&hellip;)</p>
<p>O mercado de tecnologia, no geral, é altamente competitivo. Anos no mesmo emprego não tem muito valor. O que tem valor é sua capacidade de resolver problemas. O fato de ser um mercado não regulamentado trás como vantagem que se você realmente for bom, você avança, e quem é acomodado fica pra trás. É um mercado ainda razoavelmente meritocrático. O código não se importa com seu gênero, sua raça ou sua posição social. Código é código. Ou você resolve o problema melhor que os outros ou alguém vai resolver melhor que você. E não importa se VOCÊ acha que vale mais, você normalmente ganha exatamente o que merece.</p>
<p>É exatamente por isso que tecnologia sempre foi um terreno fértil, porque a gente tá cagando pra status quo. Se você acha que ganha mal nesse mercado e não é valorizado, é um problema seu e só seu, que não consegue enxergar as centenas de oportunidades que existem. E não estou dizendo fora do seu emprego. Tenho certeza que a maioria sequer olha ao redor pra ver o que tem.</p>
<p>E você acha que pode fazer melhor que seu empregador? Cadê você abrindo sua própria empresa e fazendo melhor então? Não precisa de certificação, não precisa de nenhuma licença especial pra operar. Não existe CREA, não existe CRM, não existe OAB.
Não existe &ldquo;me pague primeiro que eu mostro o que posso fazer&rdquo;. Só existe &ldquo;eu sou melhor que você e posso provar&rdquo;. Portanto nesse mercado as empresas não tem um padrão regulamentado pra seguir, todas são diferentes.</p>
<p>A gente tende a seguir algumas boas práticas muito óbvias, mas no geral cada empresa estrutura sua área de tecnologia como quiser, então só porque você viu sendo feito de um jeito numa empresa, se outra fizer diferente não quer dizer nem certo nem errado. Você precisa ver o histórico de resultados reais (não o que aparece só na propaganda e muito menos em eventos). Não seja arrogante de achar que sabe tudo, especialmente no começo de carreira, você não sabe nada ainda. Em 5 anos, talvez, vai começar a entender a dinâmica do mercado como um todo. É muito fácil tirar conclusões precipitadas olhando pro próprio umbigo, então aprenda a ter paciência primeiro.</p>
<p>Claro, estou dizendo isso conceitualmente e generalizando. Localmente você sempre tem lugares que vão praticar do jeito corporativista ou até monopolista, mas se fizer isso muito tempo um novo concorrente vai aparecer do lado, ser mais eficiente, mais barato, e aí já era. Um mercado livre (ou semi-livre no nosso caso) auto regulado, tende a convergir pro lado certo: premiando quem é mais eficiente e punindo quem não é. Não existe segurança se você for acomodado ou incompetente, você só vai ficar pulando de galho em galho até não ter mais lugar pra você. Mesmo um país de leis trabalhistas toscas e medievais como o Brasil não vai segurar gente incompetente no mesmo lugar por muito tempo.</p>
<p>Programação, no geral, não é uma profissão de procedimento mas sim uma profissão de prática, mas vou explicar mais sobre isso em outro vídeo. Como eu disse, nosso mercado não é regulamentado, e os critérios pra projetos e empresas públicas costumam ser altamente defasados e ineficientes, então nunca servem de referência pra muita coisa no mundo de verdade. Não existe uma ordem pré-definida nem critérios totalmente objetivos.</p>
<p>Isso é sensacional. Eu sempre pude dar um passo pra trás pra poder dar dois pra frente. Quando trocava de emprego eu aceitava ganhar menos por uma oportunidade em algo que eu não tinha experiência porque tinha confiança que ia aprender rápido e compensar esse passo pra trás muito rápido, justamente porque não existe carreira pré-definida pra gente. Se você for devagar, inseguro e ineficiente, nunca vai sair do lugar.</p>
<p>Dentro da nossa indústria existem diversos tipos de empresas. E repetindo, aviso que é impossível detalhar cada uma só num episódio, então eu vou de propósito cometer o pecado de generalizar. Lógico que existem exceções mas quero dar um panorama geral a partir do meu ponto de vista, não levem tudo ao pé da letra. Se alguém quiser complementar ou mesmo descrever exceções ao que vou dizer, fiquem à vontade nos comentários, a intenção não é iniciar nenhum flame war. Lembrando que o público pra este tema é alguém que ainda não conhece quase nada desta indústria.</p>
<p>Primeiro, como disse antes, existem as empresas públicas. No Brasil sempre é uma opção pra quem é inseguro demais e precisa mortalmente de garantias. Se você é esse tipo de pessoa, então sugiro ver o currículo de concurso público. Eu não posso te ajudar aqui. Eu não gosto por princípio e em particular porque são concorrência desleal, inibem o crescimento de empresas de verdade na região, estão sempre tecnicamente defasados e politicagem vale mais do que mérito. Pra uma pessoa com 40 anos eu acho que é uma opção ruim mesmo porque você provavelmente precisaria ter um diploma pra se enquadrar, e eu realmente não recomendo uma faculdade nesse caso.</p>
<p>Em segundo lugar, existem as empresas de grande porte, sei lá, marcas reconhecidas, mais de 1000, 2000 funcionários, onde no geral você vai ser só mais um e vai ter que engajar numa hierarquia rígida e provavelmente viciada em politicagem. Pra programadores vai existir a constante manutenção do que chamamos de sistemas de back-office, literalmente os sistemas que ficam por trás dos processos de todos os departamentos da empresa. Financeiro, Compras, Recursos Humanos, Atendimento ao cliente e assim por diante. Você pode passar a vida inteira só criando  relatórios, ajustando uma regra de negócio nova ou atendendo alguma nova legislação, ou um formulário novo e nunca vai sair muito disso. Não é necessariamente ruim, e eu acho até importante conhecer uma dessas por dentro, mas não ficar tempo demais pra não se tornar defasado. Nessa categoria você encontra empresas de todas as indústrias. Seja sistema administrativo de um hospital, de uma fábrica automotiva, do setor agrícola, comércio exterior e por aí vai. Se você precisa ter alguma estrutura ao redor, pode ser uma boa opção pra começar.</p>
<p>Em terceiro lugar existem as empresas mais desejadas, vamos assim dizer, as famosas empresas de produtos. Pense assim, o software dessa empresa é o core-business dela ou não? Ou seja, a empresa é definida pelo software? Por exemplo, se você apagar o código do aplicativo do iFood, ela continua sendo o iFood? Não né, portanto ela é uma empresa de produtos. Muitos dos maiores e-commerces como Magazine Luiza ou Submarino, as novas fintechs como Nubank, C6. Meios de pagamento como Pagseguro, Pagar.me ou os apps que você usa todo dia como iFood, 99.</p>
<p>Muitas empresas de grande porte que eu falei, criaram sub-empresas ou departamentos que são mais ágeis do que tinham antes, caso da Magazine Luiza que criou o Luiza Labs, ou o Itau que criou divisões mais ágeis e investe em iniciativas como o Cubo. Como eu disse, competição: pra se manterem competitivas, atrair talentos, muitas das empresas da categoria anterior foram obrigadas a se tornar mais eficientes. É a importância de existir concorrência mesmo num mercado que é semi-livre. E pelo mesmo motivo que disse antes, se você precisa de alguma estrutura ao seu redor, também são boas opções pra iniciantes.</p>
<p>Em quarto lugar existem as terceirizadas. Essa categoria é meio uma zona mas eu diria que existem pelo menos 3 grandes categorias. Primeiro temos as pequenas agências. Muitas empresas que ou precisam ser mais ágeis ou não sabem como lidar com tecnologia procuram por agências. Seja pra manter seu website principal ou mesmo e-commerces e outros sistemas que chamamos de &ldquo;white-label&rdquo; ou seja softwares pré-prontos que são customizados pra cada empresa. Costuma ser um bom lugar pra iniciantes mais arrojados porque costumam ser empresas pequenas, com pouca ou até nenhuma estrutura. Muitas são bagunçadas e desorganizadas, vendem mal e por isso pagam mal e você é obrigado a fazer muitas horas extrass. Mas isso não importa, você não vai ficar pra sempre lá, mas eu acho importante sentir esse tipo de ambiente na pele pra aprender a ter jogo de cintura. É muito fácil se acostumar mesmo num lugar desses então tome cuidado.</p>
<p>Ainda na categoria de terceirizadas, em segundo lugar, temos os body-shops. Qualquer empresa, física ou remota, que aloca você POR PROJETO ou seja, que não te contrata em tempo integral e não te dá o suporte mínimo ou que demite se ficar algum tempo sem projeto. Muitas ainda contratam você por um pacote mínimo de horas e você preenche planilhas ou sistemas de controle de horas e é pago por hora. A função dessas empresas é basicamente achar pessoas no mercado, manter um banco de currículos, e quando os clientes pedem algum perfil eles tentam fazer um match. É um tinder de pobre pra empregos.</p>
<p>Eu fortemente desaconselho iniciantes nesse tipo de empresa, porque você ainda não está preparado. Iniciantes precisam de outras pessoas mais experientes ao redor pra crescer. Esse tipo de empresa funciona pra quem já tem alguma experiência e sabe se vender sozinho, freelancers. Talvez, se for pra alocação remota  pode fazer sentido pra quem quer morar numa região distante sem mercado local e quer home office, por exemplo. Ou pra quem quer cobrar mais caro alocado num cliente sem ter vínculo empregatício com ela. Novamente, funciona bem pra quem já tem experiência e pode ser uma boa alternativa mas repito: não deveria ser seu primeiro emprego. Quem vira freelancer rápido demais perde muita oportunidade de crescer antes do tempo. Você perde mais tempo preocupado se vai ter um próximo projeto. Como não tem experiência vai acabar trabalhando demais por pouco resultado e não vai ter ninguém pra realmente orientar o trabalho pra ser mais eficiente. No começo pode parecer que vai ganhar mais, mas você não cresce e fica estagnado muito rápido. É uma armadilha.</p>
<p>Finalmente, na categoria de terceirizadas, existem as consultorias propriamente ditas. Cuidado que muitos body-shops se auto-intitulam consultorias mas não são. Se você não é empregado como funcionário em tempo integral, independente se tem ou não projeto pra te alocar, então é um body-shop. Consultorias tendem a viver de reputação, então costumam ter alguma formação inicial, costumam ter acompanhamento com cliente e se forem boas, selecionam bem os funcionários. A grande vantagem: você vai ter suporte da empresa e de seus pares, e vai ter a oportunidade de trabalhar com diversos tipos diferentes de clientes e projetos, de todas as categorias que mencionei anteriormente. Mesmo as famigeradas fábricas de software não deixam de ser consultorias, elas vendem um processo mais estruturado e com menos margem pra você ter autonomia, mas para iniciantes vale a pena se eles oferecem algum treinamento e mínimo de segurança.</p>
<p>Resumindo, no geral eu falei que o mercado é dividido em pelo menos 4 grandes categorias:
1, as empresas públicas, 2, as grandes empresas com manutenção de sistemas back-office, 3, as tech startups ou empresas grandes com produtos ou departamentos de inovação, 4. as terceirizadas.</p>
<p>E nas terceirizadas temos pelo menos 3 tipos diferentes de terceirização: 1, as agências que vendem pequenos projetos e customização de pequenos produtos como websites ou pequenos e-commerces, 2. os body-shops e sistemas pra freelancers, 3. as consultorias e fábricas de software.</p>
<p>Agora, fiquem espertos. Não ache que você vai conseguir aprender tudo só no trabalho. No trabalho você vai aplicar o que aprendeu estudando. Se você tentar entrar no ritmo de aprender enquanto faz, a tendência é ir muito devagar. Os primeiros empregos devem servir primeiro pra você aplicar a parte técnica que aprendeu na teoria via livros e cursos e em segundo pra aprender os protocolos de comunicação, como conversar com seus pares, como conversar com seus chefes, como conversar com seus clientes, entender as expectativas de cada um e como você pode demonstrar resultados práticos e eficientes.</p>
<p>Eu já disse antes que um programador não é definido pelas tecnologias que escolheu. E eu digo que o programador também não é definido por aquilo que ganha. Se você acha que ganha pouco, mas sabe que é bom e aprende rápido, isso é temporário, você vai ganhar mais. Porque um programador é definido pela eficiência como consegue resolver problemas reais. Quem só reclama a maior parte do tempo não é um bom profissional, porque como eu já disse, quem gasta a maior parte do tempo reclamando obviamente não está resolvendo nada. Então no ambiente de trabalho, fuja dos coleguinhas que ficam o dia inteiro só lamentando da vida, eles não vão te ajudar a subir na carreira, só vão te atrapalhar. Nunca se preocupe em ficar julgando os outros, se os outros forem ruins como você diz, eles não vão subir na vida e você sim. Caso contrário, assuma que suas premissas é que estavam erradas. Entendeu? Eu já disse que se você é iniciante e está irritado que os outros não fazem do seu jeito, considere que pode ser o seu jeito que está errado. Não foque no seu jeito ou jeito dos outros, foque em resolver o maldito problema. E se não tem solução, solucionado está, pule pro próximo problema.</p>
<p>Dê preferência a empresas que te contratam do jeito certo. Apesar de eu odiar a CLT, a lei vigente é CLT então temos que cumprí-la. A lei trabalhista mudou ano passado e agora permite contratar PJs para funções principais da empresa. Mas saiba identificar quando uma empresa oferece a opção de PJ só pra te pagar menos ou quando ela faz isso realmente pra te repassar mais. Na dúvida, dê preferência a quem contrata CLT cheio, carteira assinada, 13o, férias e benefícios como plano de saúde e vale refeição. E quando você sai de uma empresa, seja uma pessoa ética, avise com antecedência, cumpra seu aviso prévio. São coisas meio básicas que se você quer ser um profissional sério já deveria saber.</p>
<p>Resumindo o que eu falei, como iniciante, toda oportunidade é uma oportunidade. Uma pessoa muito nova tem o problema de não chamar nenhuma atenção. Não tem muito jeito, se você tem 20 anos, está na faculdade, ainda não teve muita experiência, não importa o que faça no seu currículo, ele simplesmente não se destaca. Por isso você precisa adicionar coisas que os outros não tenham, por exemplo fluência em inglês.</p>
<p>Se você tem 40 anos, uma vantagem é que seu currículo, de imediato, até se destaca ao lado de vários de 20 anos. Mas a falta de experiência na área também não vai ajudar. 20 ou 40 vocês precisam dar algum jeito de se destacar na multidão. E se você realmente leva a sério começar a montar sua carreira, vá até as empresas, procure as pessoas, não fique passivamente só esperando alguém te ligar.</p>
<p>Entenda que o mercado tem excesso de programador iniciante e falta de programador realmente bom. Existe uma saturação de gente que customiza e-commerce, que se diz front-end, freelancers que não são tão bons. Todo mundo saiu da faculdade sabendo algum Java ou algum .NET. Então além da idade, você estará no bolo onde tem mais gente, onde a reputação da categoria é a mais baixa, e portanto é onde se paga pior. Obviamente isso faz sentido. Por isso eu digo que iniciantes não devem se preocupar com salário, porque realmente tanto faz nessa etapa.</p>
<p>Você precisa sim, querer sair do bolo da maioria e ir pra camada mais escassa, onde as empresas estão competindo por você e oferecendo valores maiores. Mas você acha que você vai pra essa camada só por causa dos seus olhos azuis? Porra nenhuma, você precisa começar a passar por várias empresas da camada mais baixa, agências, body-shops, empresas tradicionais, e ir acumulando boas referências, boas experiência e networking de verdade. Aliás, Networking não é só ir em evento, trocar cartão e adicionar no LinkedIn. Sabe o que eu faço com panfleto e cartão de evento? Jogo tudo no lixo, desculpa, nunca usei pra nada.</p>
<p>Networking de verdade começa no seu emprego, no seu projeto, no seu cliente, você constantemente demonstrar capacidade de resolver problemas, consistentemente ao longo do tempo, de tal forma que as pessoas começam a contar com você. Quando seus pares saem do grupo que você está, e vão pra outro lugar, eles vão lembrar de você. Não se esqueça, o estagiário de hoje pode ser o diretor de amanhã, e isso aconteceu comigo. Muita gente que eu conheci como júnior ou mesmo estagiário, hoje viraram gerentes de projeto, diretores, CTOs ou mesmo fundadores das próprias empresas. Isso é networking, acesso a pessoas de influência porque eles confiam em você e não porque você adicionou no LinkedIn.</p>
<p>Não pense em salário nos primeiros anos, porque é uma conta inútil, a menos que você planeje ficar só na camada baixa. Pense só em estudar sem parar e trabalhar sem parar pra conseguir subir da base da pirâmide pro meio e depois pro topo. Se for pra fazer conta, faça a conta mais óbvia: oferta e procura, quanto mais oferta existe, menor o valor. No começo você acaba precisando ir pra onde a “maioria” está porque não tem muita opção mesmo. Mas deixe a “maioria” pra trás o quanto antes, não se conforme por muito tempo, não se acostume com validação. Seja mais esperto e veja onde está mais escasso. Com certeza é escasso porque é difícil, mas você não quer ganhar mais?</p>
<p>Em termos de remuneração, todo mundo só pensa no tempo zero, o t0, mas esquece do Delta T, o resto do caminho. Quem pensa errado, fica toda hora procurando validação, só tenta pegar atalhos, e reclama mais do que faz, vai desacelerar. É mais ou menos como nesse gráfico.
Quem tem paciência, estuda, fica quieto e ouve, faz mais do que fala, e não dá muita bola pro que os outros ficam julgando, tende a ter um começo mais difícil, mas em pouco tempo é isso que acontece. Entenderam? É só uma questão de tempo, delta T.</p>
<p>Neste primeiro episódio eu queria explicar um pouco como se divide o mercado e uma visão bem geral do que esperar. No próximo episódio quero falar mais especificamente sobre o papel do programador e como começar quase do zero. O que é ser um programador? Não percam os próximos episódios e pra isso assinem o canal e cliquem no sininho. Se curtiram mandem um joinha e discutam nos comentários abaixo! A gente se vê semana que vem, até mais!</p>
]]></content:encoded><category>carreira</category><category>mercado-de-tecnologia</category><category>negocios</category><category>akitando</category></item><item><title>[Akitando] #29 - O que eu devo estudar? Vou conseguir emprego?</title><link>https://akitaonrails.github.io/2018/11/27/akitando-29-o-que-eu-devo-estudar-vou-conseguir-emprego/</link><guid isPermaLink="true">https://akitaonrails.github.io/2018/11/27/akitando-29-o-que-eu-devo-estudar-vou-conseguir-emprego/</guid><pubDate>Tue, 27 Nov 2018 17:00:00 -0200</pubDate><description>&lt;p&gt;Disclaimer: esta série de posts são transcripts diretos dos scripts usados em cada video do canal &lt;a href="https://www.youtube.com/channel/UCib793mnUOhWymCh2VJKplQ"target="_blank" rel="noopener"&gt;Akitando&lt;/a&gt;. O texto tem erros de português mas é porque estou apenas publicando exatamente como foi usado pra gravar o video, perdoem os errinhos.&lt;/p&gt;
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<h3>Descrição no YouTube<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="descrição-no-youtube"></span>
    <a href="#descri%c3%a7%c3%a3o-no-youtube" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h3><p>Uma das maiores dúvidas de jovens programadores é sobre que linguagem aprender primeiro. Qual vai ter mais chances de ter emprego e ter mais oportunidades?</p>
<p>Parece que se aprender linguagens novas como Go ou Elixir vão ter menos oportunidades, mas porém parecem ser o futuro. Como conciliar aprender linguagens novas que tem menos mercado ao mesmo tempo que trabalhar com linguagens mais tradicionais como Java?</p>
<p>Vou dar meus 2 centavos de perspectiva nesse assunto.</p>
<p>Links:</p>
<ul>
<li>The Pragmatic Bookshelf (<a href="https://pragprog.com/search?q=elixir"target="_blank" rel="noopener">https://pragprog.com/search?q=elixir</a>)</li>
<li>The Little Elixir &amp; OTP Guidebook (<a href="https://www.manning.com/books/the-little-elixir-and-otp-guidebook"target="_blank" rel="noopener">https://www.manning.com/books/the-little-elixir-and-otp-guidebook</a>)</li>
<li>Elixir Sips (<a href="http://elixirsips.com/"target="_blank" rel="noopener">http://elixirsips.com/</a>)</li>
<li>Elixir Weekly (<a href="https://elixirweekly.net/"target="_blank" rel="noopener">https://elixirweekly.net/</a>)</li>
<li>Azul Systems (<a href="https://www.azul.com/careers/llvm-compiler-engineer/"target="_blank" rel="noopener">https://www.azul.com/careers/llvm-compiler-engineer/</a>)</li>
</ul>
<p>AkitaOnRails:</p>
<ul>
<li>[Off-Topic] O Mito do &ldquo;Legado&rdquo; (<a href="http://www.akitaonrails.com/2012/08/15/off-topic-o-mito-do-legado"target="_blank" rel="noopener">http://www.akitaonrails.com/2012/08/15/off-topic-o-mito-do-legado</a>)</li>
</ul>
<h2>Script<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="script"></span>
    <a href="#script" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Olá pessoal, Fabio Akita</p>
<p>Quando comecei este canal eu fiquei com uma dúvida. Se eu deveria me focar nas tecnologias mais novas. Fazer vídeos sobre Javascript ou Elixir ou Kubernetes ou algo assim.</p>
<p>O motivo de porque eu não tenho interesse nisso é porque uma rápida procurada no Google vai te dar muito mais informação, em muito mais detalhes, e muito melhor estruturado do que eu poderia tentar fazer neste canal.</p>
<p>Vamos lá, Se você quiser aprender Elixir, o que você deve fazer? Simples, comece no site elixir-lang.org. Ele tem um excelente tutorial para iniciantes, pra começar a aquecer na linguagem.</p>
<p>Dali você pode ir direto pro site The Pragmatic Programmer. Eles tem diversos excelentes livros sobre Elixir como o Programming Elixir. Outra boa editora é a Manning que tem o clássico The Little Elixir &amp; OTP Guidebook. E tem várias outras que você pode procurar. Na real, o próprio google te dá boas primeiras opções. Tente procurar &ldquo;Best Elixir Books&rdquo; e eis os primeiros resultados:</p>
<p>Você pode começar aprendendo Elixir, Ecto e Phoenix direto e, como eu expliquei em outro vídeo, quando você aprende os primeiros 20% do conhecimento, você já está produtivo o suficiente pra começar a fazer aplicações. Não se engane, você ainda é um iniciante, mas já dá pra começar. Idealmente você vai aprofundar mais, ler mais sobre a história, ir atrás da origem do Erlang e como é o real funcionamento da Beam VM.</p>
<p>Se quiser ir mais devagar, pode assistir screencasts como os do Daily Drip. Eu aprendi muito com os vídeos do Josh Adams. E, claro, assinar mailing lists como o Elixir Weekly pra se manter atualizado.</p>
<p>Daí você quer colocar a aplicação num servidor. Você vai encontrar diversos tutoriais pra Digital Ocean, pra AWS, pro Heroku e assim por diante. E finalmente, se olhar posts do meu blog de 2015, vai ver todas as minhas explicações detalhadas sobre Elixir. Eu aprendi tudo que eu precisava.</p>
<p>E isso sem contar os inúmeros fóruns de reddit a hackernews com mais centenas de dicas de opiniões a respeito.</p>
<p>Ou seja, é relativamente simples aprender o básico de Elixir pra se tornar produtivo.</p>
<p>Se você ainda tem dúvidas o problema não é falta de material, é preguiça de usar o Google direito e de sentar a bunda na cadeira e começar a estudar sozinho.</p>
<p>A pergunta que a maioria das pessoas tem na cabeça é o imediatismo: mas tem emprego pra isso? Será que vou perder meu tempo e não achar nenhum emprego?
E se você começar com essa pergunta toda vez, você está perdendo seu tempo. Porque essa pergunta vale pra Elixir, vale pra Ruby, vale Python, pra qualquer coisa.</p>
<p>Talvez não tenha. Talvez você acabe usando Elixir pra fazer a mesma coisa que faria mais rápido e melhor usando Javascript ou PHP. Talvez você tenha mais opções de emprego se simplesmente aprender C# ou Java.</p>
<p>Agora tudo depende de você. Existem motivos muito objetivos de porque em 2006 eu comecei a evangelizar Ruby mas porque hoje eu não evangelizo Elixir, ou Go, ou Rust. Talvez eu fale sobre isso em outro episódio. Mas vou levantar um ponto: quando eu decidi que ia aprender Ruby E trabalhar com Ruby, havia zero mercado de trabalho no Brasil. Não é um exagero, existia zero empresas usando, existia zero vagas de trabalho, existia zero material em português. Nenhum livro, pequenos fóruns de entusiastas, quase nenhum blog ou site falando a respeito. Esse foi até um dos motivos pra eu ter escolhido Ruby com tanta convicção, embora não tenha sido o motivo principal ;-)</p>
<p>Naquela época eu tinha um emprego muito bom de consultor Java no mundo Enterprise. Eu já ganhava bem pra época, já tinha investido uns 5 anos subindo na carreira de consultor. Mesmo assim eu literalmente joguei tudo fora. Quando eu me coloquei no objetivo do Ruby, eu pedi demissão e comecei do zero.</p>
<p>E calma! Eu não recomendo que ninguém me copie, as circunstâncias foram muito específicas. Eu avaliei com muito cuidado e fiz uma aposta de alto risco. Eu levaria os próximos 10 anos me recuperando, era um plano de longo prazo.</p>
<p>Mas meu ponto é o seguinte: eu decidi aprender Ruby em 2006. Meu primeiro emprego remoto com Ruby foi em 2007. E eu abri minha empresa de Ruby em 2011. Em 2018 minha empresa tem 7 anos, 80 funcionários sendo 75 desenvolvedores
não só fazendo Ruby como Javascript, um pouco de Python e até Java eventualmente. Em nenhum momento minha preocupação principal foi ter ou não ter emprego.</p>
<p>Aprender Ruby ou Aprender Elixir não é o objetivo, é só um meio. Se você acha difícil aprender Ruby, Elixir, Go, Javascript ou qualquer coisa assim, esse é o primeiro ponto que você vai ter que melhorar.</p>
<p>A recomendação que eu daria pra um total iniciante, talvez seja não aprender primeiro nenhuma das linguagens novas. Invista seu tempo em Java ou .NET ou mesmo PHP. Nem todo mundo teve a chance de crescer numa capital como São Paulo, Porto Alegre, Recife. Nós temos opções em lugares assim. Mas se tem uma coisa que eu aprendi percorrendo o país inteiro é que nós somos a exceção.</p>
<p>O normal, principalmente em cidades do interior, em estados do Norte como Roraima, Amapá, é não ter nenhuma opção. Alguns poucos conseguem se mudar pras capitais, mas muitos não tem essa opção. Tem filhos. Tem família pra cuidar.</p>
<p>E pior ainda: em alguns lugares do país não existe internet banda larga que permita um trabalho remoto de qualidade. Obrigado pelo seu desserviço à nação Anatel.</p>
<p>É um dos motivos de porque minha empresa abre fora de capitais. Eu deteste falar da minha própria empresa porque sempre vai soar como propaganda, mas considere que eu tenho 11 escritórios e talvez uns 3 ou 4 funcionários em home office até estabelecermos um novo escritório. Em capitais eu tenho São Paulo, Natal, Teresina e Goiânia.
Os outros são: Santa Maria e Novo Hamburgo no Rio Grande do Sul, arredores de Criciúma em Santa Catarina, Guarapuava no Paraná, Batatais, Sorocaba e Campinas no estado de São Paulo, arredores de Belo Horizonte, e Anápolis em Goiás.</p>
<p>A constatação mais óbvia: existem pessoas de qualidade em qualquer lugar do país. Um programador de São Paulo não é automaticamente superior a um programador de Teresina.
A gente faz o que pode. Mas voltando ao ponto. Eu não faço isso porque sou um divino ser altruísta ou algo assim. Não, eu faço isso porque é lógico: é uma troca voluntária com mútuo benefício.</p>
<p>Voltando ao meu ponto: aprenda Java, aprenda C#, aprenda Javascript ou PHP. Você mora no interior, cidade de 200 mil habitantes, tem uma talvez duas empresas com alguma vaga na área de informática. Talvez seja uma agênciazinha, customizando Wordpress e Magento. Ou alguma instituição pública precisando dar manutenção num sistema velho em .NET. Não importa.</p>
<p>Isso não é pomposo. Não parece divertido. Mas você só pensa assim porque fica assistindo caras como eu falando das maravilhas que empresas de São Francisco usam.</p>
<p>Aqui não é São Francisco ainda. Não faça isso com você. Eu disse num video anterior que nos primeiros 5 anos de carreira acho que nem tinha e eu não participava de eventos, de fóruns, de comunidades, e isso me blindou e evitou que eu perdesse tempo questionando tudo que eu fazia. Questionar só funciona quando você tem alguma experiência. Dos 20 aos 25 eu ainda não tinha. Teria sido um desastre se eu ficasse toda hora correndo atrás do hype. Eu tive a sorte de poder correr atrás só do meu esforço.</p>
<p>Se você se sente mal em entrar numa empresa da sua cidade pra dar manutenção num sistema legado em PHP, você está começando sua carreira em enorme desvantagem, porque você está desperdiçando seu tempo se lamentando. Porque vocês acham que eu não estou fazendo vídeos sobre Elixir mas sobre o ASP que que eu fazia em 2001? Quando eu comecei a aprender Ruby já era 2006, eu já tinha mais de 10 anos de carreira.</p>
<p>Se você vai ficar empacado só no Java velho no sistema legado pra sempre é uma opção sua. Eu não tinha dinheiro na faculdade. Eu não tive dinheiro guardado a maior parte da minha carreira. O que eu fiz? Fiquei culpando a sociedade por não dar chances o suficiente? Não, eu aproveitei cada emprego em que eu entrei, eu fazia o trabalho, mas com o pouco que eu tinha eu comprava livros. Fazia upgrade no meu micro xing ling.
Eu tava fazendo ASP em startup onde eu chegava a varar muitas noites e fazia muita hora extra, mas eu chegava em casa e baixava a JDK e Eclipse e treinava. No episódio sobre o Diário de Henry Jones eu disse que escrevi meu livro de Rails em 2006 enquanto eu estava trabalhando como consultor em Java. Eu escrevi em 2 meses nas horas vagas não porque eu era bom, mas porque eu não tinha outra alternativa.</p>
<p>Prática deliberada? O primeiro segredo é não ter ídolos. O segundo segredo é encarar sua vida inteira como um processo deliberado. Por consequência, o terceiro segredo é jogar o jogo do longo prazo. Hoje eu tenho quase 30 anos de carreira. Eu tive a sorte de começar cedo, aprendi a programar aos 12 anos, eu saí da faculdade mais cedo pra entrar no mercado mais cedo, consciente de todas as desvantagens que eu também ia ter fazendo isso, e eu venho sistematicamente compensando os pontos que eu era ruim.</p>
<p>Eu também queria abrir minha própria empresa antes dos 30 anos. Mas eu esperei. Até os 34 anos. Quando você pratica deliberadamente com seriedade, você sabe no que você é bom e no que você é ruim. Aos 30 eu sabia que ainda não era bom.</p>
<p>As histórias que eu estou contando e as que ainda vou contar, não é só pra você: que nasceu em classe média alta numa capital abastada do país com acesso às melhores universidades e opções. Eu conheci pessoas que vieram de situações muito piores do que as minhas e já me superaram. Cada um tem seus problemas, mas alguns tem o mérito de conseguir superar as expectativas.</p>
<p>Voltando ao Elixir, ou ao Go, ou ao Rust. Não foque em ter um emprego. Esse não é o propósito. Aprenda porque é legal aprender, porque você está praticando algo diferente que contribui pro seu banco de conhecimento e experiência, o único bem que ninguém jamais vai conseguir roubar de você. Dinheiro, posses, tudo isso você pode perder, mas conhecimento e experiência você vai ter pra sempre. E pode ser que você nunca use num projeto. Isso não importa.</p>
<p>Ao mesmo tempo, e esse é o primeiro desafio, evolua seu Java, seu C#. .NET em particular, está bacana hoje em dia, depois que a Xamarin foi adquirida pela Microsoft e eles estão migrando do .NET Framework pra .NET Core, que inclusive roda nativamente não só em Linux como smartphones iOS e Android, o pacote está interessante hoje em dia. No mundo Java você sempre tem a encheção da Oracle, mas alternativas como o próprio OpenJDK ou a nova JDK da Azul Systems, baseado em LLVM, e o dialeto Kotlin da Jetbrains, também aumentaram o padrão do jogo.</p>
<p>O mundo PHP não é o mais atraente mas pelo menos com frameworks como Laravel, você tem opções razoáveis.</p>
<p>E mesmo se você se ver obrigado a usar versões mais antigas por causa do legado da sua empresa, não se aflija.</p>
<p>Deixa eu te contar um dos grandes segredos da nossa área: qualquer imbecil consegue começar um projeto novo do zero. Mas só caras realmente bons conseguem melhorar sistemas legados.</p>
<p>A característica mais importante de qualquer profissional não é saber usar bem suas ferramentas, isso é o básico. É a capacidade de absorver o ambiente, entender as limitações desse ambiente, e tomar as melhores decisões o mais rápido possível e executar. Quem consegue fazer isso sempre vai estar na frente do rato de laboratório que sabe escrever Erlang de cabeça mas não consegue avaliar a situação real e toma decisões caras e de pouco resultado prático.</p>
<p>Eu não escolheria isso de propósito, mas considere que qual o melhor lugar pra aprender essas coisas? Num lugar ruim, com gerentes ruins, com clientes e usuários cabeça duras. Aí você tem 2 escolhas: se conformar e só seguir a inércia e ficar no mesmo lugar, ou aprender a escolher e lutar uma pequena batalha de cada vez, não com o objetivo de salvar a empresa ou o produto ou os usuários, mas pra exercitar sua capacidade de lidar com esses problemas. Era o que eu fazia, por isso eu gostava tanto de consultoria apesar do stress. Eu fui forjado em projetos impossíveis.</p>
<p>Mas, pra sobreviver, você precisa começar sabendo usar as ferramentas mais básicas direito. Exercite seu Go, seu Rust, seu Haskell, nas horas vagas. Continue se exercitando sem parar e sem objetivos de curto prazo. Mas domine a ferramenta do seu trabalho. Você só ganha voz pra tomar decisões de verdade no dia que sua competência técnica é reconhecida porque ela é óbvia. Se você precisa explicar, ela ainda não é óbvia.</p>
<p>Deixe eu contar uma pequena história. Em Dezembro de 2002 a Janeiro de 2003 um dos comerciais da minha consultoria disse que me vendeu pra um trabalho pontual numa grande empresa. Ele tinha ouvido falar que eu sabia ASP - e nessa época eu já estava só em Java - mas o cliente tinha um sisteminha super porco que outra consultoria fez em ASP. Era algum tipo de sistema de RH, pra banco de horas extras ou coisa assim, era tosquinho mesmo. Eu acho que comecei dando suporte por e-mail e depois fiquei alguns dias alocado direto no cliente.</p>
<p>Eu cheguei lá e abri o código. Sério, correram lágrimas de sangue quando eu vi. Fazia tempo que eu não via um código que tinha sido tão maltratado. Era praticamente o guantanamo do código.
Por exemplo, eles tinham feito componentes COM+ que abriam conexão com banco de dados mas não fechavam, tinha vazamentos pra tudo que é lado, era tudo um linguição da pior espécie, com um monte de SQL misturado no meio do HTML. Acho que ele precisava integrar com o SAP mas nem isso funcionava. Felizmente eu era especialista nisso. Enfim, era um desastre. Mas eu me empolguei porque o cliente falou que antes de mim uma outra consultoria tinha vindo tentar consertar e desistiu. E nada aumenta mais minha motivação do que uma tarefa impossível. Não tem nada que tem mais valor do que um problema que ninguém quer nem consegue resolver. Você tem que aprender a gostar de ter as mãos sujas, enlameadas, se arrastar no pântano, e sair vivo no final.</p>
<p>E tinha outra coisa que me chamou a atenção. Quando estavam me mostrando o usuário do sistema disse que quase tudo funcionava, menos uma funcionalidade que não lembro se era um gerador de relatório ou alguma besteira assim. Essa informação era super importante.
Eu disse: repete, é só esse botão aqui, se ele cuspir o que você precisa que é nesse formato x y aqui, pra você tá tudo ok? E ele falou: sim. BINGO</p>
<p>Veja o que é a situação de um consultor: um consultor é um agente externo, nós caímos de para quedas no projeto e na empresa dos outros, pra resolver coisas que ninguém interno sabe resolver, porque senão já teriam resolvido. Nós temos menos conhecimento de tudo, e menos tempo pra resolver o que ninguém conseguiu resolver. É sensacional porque você sempre começa em desvantagem e você é obrigado a fazer mais com menos.</p>
<p>Aquele código era um zumbi ambulante, precisava jogar tudo fora e começar de novo. Reescrever o código todo, eu ia passar os próximos 3 meses lá, fácil. Mas só aquele botão &hellip; eu ajeitei outros bugs críticos ao redor que impediam o sistema de ficar de pé e aí me foquei especificamente naquele maldito botão - nem lembro se era um botão, mas era algo simples nesse nível.</p>
<p>Sei lá, em 1 semana eu consertei. Chamei o usuário e falei pra ele fazer o processo todo. E foi até o fim. HA, um trabalho de 1 mes resolvido antes, e depois que meu concorrente tinha jogado a toalha. Se você nunca passou por isso, passe, não tem nada mais satisfatório do que resolver um problema que outra pessoa disse que não dá pra resolver.</p>
<p>Isso foi em Janeiro de 2003, daí em maio, esse cliente chamou minha consultoria de novo. Os caras gostaram tanto do meu trabalho que decidiram dar a chance da gente participar na RFP ou Request for Proposal deles, que é uma competição entre diversas consultorias. Normalmente só participaria consultoria maior, mas resolveram dar essa chance depois do resultado que eu tinha mostrado. Foram semanas de reunião, eu analisei centenas de páginas de casos de uso, diagramas, que outra consultoria tinha gasto meses escrevendo, escrevi gantt charts, fiz contas, e cheguei numa proposta de trabalho.</p>
<p>Pra vocês verem como isso demora, foi um processo que acho que levou de maio até pelo menos outubro ou novembro. No final eles falaram que ficou caro, me chamaram de última hora pra dizer &ldquo;cara, a gente quer colocar vocês, mas o concorrente ta propondo bem mais barato e ainda ia trazer um consultor gringo&rdquo;. Eu tinha 26 ou 27 anos, o projeto dependia só de eu dizer sim ou não. Eu disse não, eu já estava no limite e apostar mais baixo que isso era garantia de fracasso. Então depois de meses de análise, perdemos a RFP.</p>
<p>Em janeiro de 2004 eles ligam de novo pra gente. Em resumo, o tal consultor gringo acabou não podendo vir e como isso estava no contrato que venceu, o cliente disse: beleza, vou aceitar o gringo não vir, mas então eu exijo que vocês contratem o japonês da outra consultoria. Ha, satisfação receber esse e-mail da concorrente.</p>
<p>O nome desse cliente era Suzano Bahia Sul Papel e Celulose, o projeto era a implementação SAP do módulo de recursos humanos pra gerenciar os mais de 4000 funcionários que eles tinham na época. Meu sub-projeto era criar todos os aplicativos Web J2EE que iam expor todos os serviços como banco de horas, benefícios e tudo mais que seriam acessíveis diretamente pelo funcionários a partir de totens colocados nas fábricas. Incluindo reescrever aquele sisteminha tosco ASP que eu originalmente consertei.</p>
<p>O projeto era de tempo e custo fechado, mas a minha quarteirização negociamos pra ser de hora aberta ;-) e adivinhem o que aconteceu? Eu montei minha própria equipe e passei os próximos 2 anos mais ou menos trabalhando lá. No final levou o tempo e o custo que eu tinha dito que ia levar na RFP. A outra consultoria que era bem maior estava comprando o projeto pra ter um case. No final todo mundo saiu ganhando.</p>
<p>E é assim que as coisas funcionam: eu não planejei nada disso. Se eu tivesse feito bico, esperneado, reclamado, recusado a fazer o servicinho porcaria em ASP porque eu já era um Javeiro hipster ou qualquer besteira assim, nada disso teria acontecido.</p>
<p>É impossível juntar os pontos no presente. Só no futuro que tudo se conecta. Hoje você pensa, se eu ficar fazendo PHP e ganhando só o salário que eu ganho pelos próximos 10 anos, mesmo com aumentos, eu nunca vou pra frente. Mas isso só vai acontecer se você não fizer nada. É impossível dizer o que você vai fazer daqui 10 anos então não faça essa conta, é inútil, é perda de tempo. Em vez de ficar perdendo tempo com essa indagações inúteis, se prepare. Porque quando a oportunidade chegar, é tarde demais, você precisa estar preparado pra pegar a oportunidade quando ela chega.</p>
<p>Todo mundo reclama que ninguém dá oportunidade. É o contrário, existem muitas oportunidades, mas ou você não está preparado ou você está escolhendo as oportunidades que parecem mais confortáveis pra você. Ah vá, isso é mimimi, especialmente na primeira década da sua carreira, tudo é uma boa oportunidade. E eu já disse isso antes: se não está doendo, você não está treinando o suficiente.
Ai, eu não vou evoluir na minha carreira de Java se ficar fazendo esse quebra galho em ASP &hellip; quem diria que isso é o que daria o meu maior projeto em Java até então poucos meses depois?</p>
<p>E vocês? Já foram surpreeendidos no futuro tendo feito coisas no passado que pareciam que não faziam sentido mas em retrospectiva tudo se conectou? Compartilhe com a gente nos comentários abaixo. Se curtiram mandem um joinha, e uma coisa que ia ajudar muito é se vocês ajudassem compartilhando os vídeos do canal pros seus amigos! Não deixem de assinar o canal e clicar no sininho. A gente se vê, até mais!</p>
]]></content:encoded><category>carreira</category><category>aprendizado</category><category>linguagens-de-programacao</category><category>akitando</category></item><item><title>[Akitando] #19 - Devo fazer Faculdade? (Eu, 22 anos depois)</title><link>https://akitaonrails.github.io/2018/10/18/akitando-19-devo-fazer-faculdade-eu-22-anos-depois/</link><guid isPermaLink="true">https://akitaonrails.github.io/2018/10/18/akitando-19-devo-fazer-faculdade-eu-22-anos-depois/</guid><pubDate>Thu, 18 Oct 2018 17:00:00 -0300</pubDate><description>&lt;p&gt;Disclaimer: esta série de posts são transcripts diretos dos scripts usados em cada video do canal &lt;a href="https://www.youtube.com/channel/UCib793mnUOhWymCh2VJKplQ"target="_blank" rel="noopener"&gt;Akitando&lt;/a&gt;. O texto tem erros de português mas é porque estou apenas publicando exatamente como foi usado pra gravar o video, perdoem os errinhos.&lt;/p&gt;
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&lt;a href="#descri%c3%a7%c3%a3o-no-youtube" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/h3&gt;&lt;p&gt;Continuando no tema de &amp;ldquo;Devo fazer faculdade?&amp;rdquo; e de histórias pessoais hoje quero falar um pouco da minha faculdade e meu início de carreira, mais de 20 anos atrás, como era a minha época. E vocês sabendo como eu estou hoje, veja o contraste de como era pra mim e como isso afetou o que faço até hoje.&lt;/p&gt;</description><content:encoded><![CDATA[<p>Disclaimer: esta série de posts são transcripts diretos dos scripts usados em cada video do canal <a href="https://www.youtube.com/channel/UCib793mnUOhWymCh2VJKplQ"target="_blank" rel="noopener">Akitando</a>. O texto tem erros de português mas é porque estou apenas publicando exatamente como foi usado pra gravar o video, perdoem os errinhos.</p>


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    <a href="#descri%c3%a7%c3%a3o-no-youtube" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h3><p>Continuando no tema de &ldquo;Devo fazer faculdade?&rdquo; e de histórias pessoais hoje quero falar um pouco da minha faculdade e meu início de carreira, mais de 20 anos atrás, como era a minha época. E vocês sabendo como eu estou hoje, veja o contraste de como era pra mim e como isso afetou o que faço até hoje.</p>
<ul>
<li>Os Bastidores da Internet no Brasil (<a href="https://www.amazon.com.br/Os-Bastidores-Internet-no-Brasil/dp/8520417086"target="_blank" rel="noopener">https://www.amazon.com.br/Os-Bastidores-Internet-no-Brasil/dp/8520417086</a>)</li>
</ul>
<p>Os links abaixo não são relacionados, mas são bons assuntos paralelos que eu menciono neste vídeo:</p>
<p>Links sobre Imigração Japonesa:</p>
<ul>
<li>Os Japoneses no Vale do Ribeira e Sudoeste Paulista (<a href="https://www.youtube.com/watch?v=7euLZybjG_Q"target="_blank" rel="noopener">https://www.youtube.com/watch?v=7euLZybjG_Q</a>)</li>
<li>Jornal da Cultura: Casos de tortura e morte de imigrantes japoneses é tema da Comissão da Verdade (<a href="https://www.youtube.com/watch?v=xQz-n6QP8-w"target="_blank" rel="noopener">https://www.youtube.com/watch?v=xQz-n6QP8-w</a>)</li>
<li>Expulsão de Japoneses da Cidade de Santos - 1943 (<a href="https://www.youtube.com/watch?v=OyXiXwhCjHI"target="_blank" rel="noopener">https://www.youtube.com/watch?v=OyXiXwhCjHI</a>)</li>
<li>Yami no Ichinichi - O Crime que abalou a Colônia Japonesa no Brasil&quot; (versão português) (<a href="https://www.youtube.com/watch?time_continue=1&amp;v=QDf_egB3MG4"target="_blank" rel="noopener">https://www.youtube.com/watch?time_continue=1&v=QDf_egB3MG4</a>)</li>
<li>1988 80 ANOS DE IMIGRAÇÃO JAPONESA NO BRASIL (<a href="https://www.youtube.com/watch?v=27_cRZRPeXg"target="_blank" rel="noopener">https://www.youtube.com/watch?v=27_cRZRPeXg</a>)</li>
<li>Ultrapassando fronteiras - Os 120 anos de Japão e Brasil (<a href="https://www.youtube.com/watch?v=9o1d4BZgz6E"target="_blank" rel="noopener">https://www.youtube.com/watch?v=9o1d4BZgz6E</a>)</li>
</ul>
<p>Internet no Brasil nos Anos 90</p>
<ul>
<li>Fantástico - Primeira transmissão pela internet - 1997 (<a href="https://www.youtube.com/watch?v=14SH8Wp9z1U"target="_blank" rel="noopener">https://www.youtube.com/watch?v=14SH8Wp9z1U</a>)</li>
<li>Jornal da Band de 1995 sobre atividades pioneiras na internet (<a href="https://www.youtube.com/watch?v=P47e5puQl6I"target="_blank" rel="noopener">https://www.youtube.com/watch?v=P47e5puQl6I</a>)</li>
<li>O INICIO DA INTERNET NO BRASIL ( Internet World 1996 ) (<a href="https://www.youtube.com/watch?v=AJr0No21Ibk"target="_blank" rel="noopener">https://www.youtube.com/watch?v=AJr0No21Ibk</a>)</li>
<li>Lançamento do windows 95 - matéria do Jornal Nacional (<a href="https://www.youtube.com/watch?v=Ys06xUGOwdA"target="_blank" rel="noopener">https://www.youtube.com/watch?v=Ys06xUGOwdA</a>)</li>
<li>Jornal Hoje 1981 - O Computador no Brasil (<a href="https://www.youtube.com/watch?v=NSVoKeiBSm0"target="_blank" rel="noopener">https://www.youtube.com/watch?v=NSVoKeiBSm0</a>)</li>
<li>A Febre do Videogame 1991, Globo Repórter (<a href="https://www.youtube.com/watch?v=8GirQPUdlTM"target="_blank" rel="noopener">https://www.youtube.com/watch?v=8GirQPUdlTM</a>)</li>
</ul>
<h2>Script<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="script"></span>
    <a href="#script" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Olá pessoal, Fabio Akita</p>
<p>Acho que eu me empolguei em compartilhar histórias pessoais então vou terminar esta semana com mais uma.</p>
<p>Novamente, continuando na vibe do vídeo “Devo fazer faculdade?” Aquele episódio foi feito para um público bem específico: aqueles que já escolheram o que fazer e que tem recursos (dinheiro, tempo) para escolher uma boa faculdade.</p>
<p>Minha conclusão é simples: se você pode fazer, faça. Existem milhares de pessoas que gostariam de fazer e não podem, por inúmeras razões.</p>
<p>O episódio de hoje é praqueles que pelo menos gostam da área, mas pensam em sair da faculdade ou se vêem tensos porque sentem que não tempo pra estudar mais ou estão indecisos sobre o que estudar. Mais especificamente, eu sempre fui uma pessoa introvertida e anti-social. Eu não saberia dizer como é para pessoas extrovertidas ou sociáveis. A idéia não é dar uma resposta ou encher vocês de teorias, vou tentar contar como foi pra mim. Mais de 20 anos depois, o que eu tenho a dizer?</p>
<p>(&hellip;)</p>
<p>Como vocês podem ver, eu sou japonês &hellip;, portanto venho de uma linhagem de imigração que começou com meus avós saindo de um Japão em crise lá pelos anos 40 e vindo para cá. Imagine que houve uma época em que um japonês, fugir pro Brasil, fazia sentido!!</p>
<p>A comunidade japonesa assim como muitas outras colônias de imigrantes começou aqui do zero. Na pobreza. Sem posses, sem propriedade, trabalhando na enxada, de sol a sol. É o que muitas famílias aqui e ao redor do mundo fazem até hoje: tentam deixar para próximas gerações uma situação melhor do que a que se tem no momento.</p>
<p>E deu certo! Graças aos esforços dos meus avós, meus pais puderam estudar, frequentar faculdades. Então chegou a vez da minha geração, perdido no começo do anos 90, sem saber exatamente o que fazer. Toda família de japoneses tinha altas expectativas de seus filhos virarem engenheiros ou médicos. O que eu devia fazer?</p>
<p>Sabe qual é o problema de jovens que herdam opções? A gente costuma escolher errado por falta de experiência.</p>
<p>E aqui vai uma informação sobre mim que muitos não sabem porque eu raramente falo sobre isso. Eu não terminei a faculdade.
Pois é, também sou um “drop out”. Vamos dizer que quando anunciei isso provavelmente meus pais não ficaram muito contentes.</p>
<p>Como eu expliquei em outros episódios, eu já programava antes, e embora não achasse isso na época, obviamente eu era um amador. Pra mim isso foi o mais importante da faculdade: jogar na minha cara que eu não sabia nada ainda.</p>
<p>Exemplo de choque? Primeiro dia de aula, o professor coloca na lousa uma bibliografia de livros de referência, parte em inglês (!!) E vou dizer que quando eu entrei na faculdade eu male-male sabia inglês. Tinha zero fluência pra falar. E sempre que ia na livraria procurar livros eu escolhia em português. Mais um choque, ver colegas que tiveram formação melhor que eu e já sabiam inglês muito melhor que eu. Obviamente meu ego tomou um nocaute logo no começo. Nada aumenta a motivação mais do que quebrar a cara com força.</p>
<p>Essa história toda foi só explicar um ponto: eu sou um drop-out, porém minha primeira recomendação não é dizer pra largar a faculdade. O que eu experimentei na faculdade me ajuda até hoje.</p>
<p>No meu segundo semestre resolvi virar monitor na sala de computação do CCE na politécnica. O trabalho era basicamente ficar lá sentado, e ajudar a desenroscar papel em impressora matricial. Ganhava na época R$ 50 (equivalente hoje a uns R$ 200). Mas o real motivo era porque antes de entrar na faculdade eu estava envolvido com BBS de pirataria. E ser monitor me dava acesso à rede de banda larga da universidade. Mas tinha um porém, eu só podia usar via terminal remoto numa conta UNIX. Portanto, pra procurar e fazer download das coisas, precisava aprender a usar UNIX. Relembrando, não tinha Google na época, nem tutorial em blog post. Ah sim, Linux era novidade naquela época também e nem de longe tão evoluído como é hoje. Foi assim que aprendi tudo que pude sobre ambientes UNIX. De quebra, tinha Apache instalado lá, e foi assim que sem querer tive meu primeiro contato com Web e como fazer HTML. Naquela época só cientista da computação sabia fazer HTML, imagine só.</p>
<p>Alguns meses depois, um belo dia olhei o quadro de recados da sala, tinha alguém oferecendo emprego numa agenciazinha perto da faculdade. Foi assim que fui aplicar o HTML que tinha acabado de aprender e a fazer CD-ROMs. Outro dia conto mais dessa história, mas foi onde tive acesso a Mac e onde comecei a aprender coisas como Photoshop e algumas noções de design que me são úteis até hoje.</p>
<p>Eu não pensava muito em objetivos de carreira: quero aprender X porque parece que vou ter uma carreira melhor. Eu era simplesmente entusiasmado com tudo. Tudo que aparecia de novo eu queria aprender, pensando assim eu não ficava julgando se o trabalho era “digno” de um bacharel de ciência da computação ou não. Recortar gif? Eu fazia. Consertar a rede do escritório? Eu fazia.</p>
<p>Até o fim do colégio, eu não refletia muito sobre o que eu estudava, simplesmente estudava o que me mandavam, fazia as provas e pronto. Um exemplo besta, que eu vi nas aulas de física. Eu nunca tinha parado pra pensar que as fórmulas de velocidade e aceleração era uma derivada da outra, por exemplo. Ou que as fórmulas de gravitação de Newton poderiam ser derivadas das fórmulas de Relatividade Geral. Óbvio que eu sabia que tinha muito mais no mundo do que só o que tinha nos livros do colégio, mas foi a primeira vez que parei pra contemplar o relacionamento desses conhecimentos onde antes eram só coisas para decorar.</p>
<p>Daí eu criei uma noção na minha cabeça que pretensiosamente eu chamava de Teoria das Pirâmides. Tudo que eu aprendi até o fim do colégio era o pequeno topo de diversas pirâmides. Pirâmide de matemática. Pirâmide de Português. Eu nunca ia saber tudo sobre tudo. Em vez disso eu falava pra mim mesmo que deveria aprender o topo de muitas pirâmides, e à medida que eu fosse avançando, iria descendo nessas pirâmides. E eu pensei em pirâmides meio como a dificuldade, o topo é menor, a parte mais fácil, a base é maior, as partes mais avançadas, quanto mais você desce na pirâmide, mais difícil fica. Muitos pensam em ir completando uma pirâmide inteira de cada vez e eu sempre achei isso ineficiente.</p>
<p>Antes da faculdade, e até talvez o primeiro ano, eu tentava ler os livros inteiros, mas antes dava, porque não tinha muito mais pra se ler. Na faculdade eu vi que isso não iria acontecer mais. Antes meu mundo se restringia a uma dúzia dessas pirâmides de conhecimento. Foi quando eu parei de tentar ler livros técnicos inteiros, eu só lia a introdução. (pegue o livro)
E ia avançando se precisasse. Em vez de ler 1 livro inteiro, era melhor ler o começo de 10 livros. E gastava mais tempo praticando do que lendo.3</p>
<p>Em 1997 ou 1998 a febre das ponto com começou, com força. Trabalhar no meio da bolha da internet era super empolgante, claro, a gente nem imaginava que estava numa bolha, é como bolhas funcionam. Naquela época a população em geral ainda se perguntava se essa tal de internet ia vingar ou não. Consegue imaginar isso? Mas eu nunca parei muito pra pensar nisso também, só achava divertido. E mesmo parecendo retórica, realmente nunca foi pelo dinheiro. Era simplesmente que naquela época eu achava tudo que era novo empolgante.</p>
<p>Sair da faculdade, olhando em retrospecto, talvez tenha sido prematuro. Mas naquela época eu estava com DPs em algumas matérias. O curso de ciência da computação da USP é tempo integral, significa que eu ficava com buracos no meu horário: tinha aulas de manhã cedo e depois aulas só no meio da tarde. Era impossível trabalhar no ritmo de agência onde não raras as vezes eu dormia no escritório. Eu tinha um professor que inclusive recomendava que eu deixasse de trabalhar e focasse só na faculdade.</p>
<p>Lembra da parte que eu falei do meu ego inflado? Então, eu me coloquei na seguinte posição: eu ia sair da faculdade, mas não ia parar de continuar estudando. Mas eu ia fazer meu próprio curriculo por assim dizer. Intuitivamente eu sabia do valor de certos conhecimentos, mesmo tendo pouca ou nenhuma aplicação prática naquele momento. A faculdade me ajudou a enxergar a diferença entre conhecimento de base e conhecimento temporário.</p>
<p>Quando eu digo isso parece que eu desenhei um plano detalhado de estudo, mas não é isso. Além do ego, eu sou extremamente teimoso com o que eu acredito, e significa que eu vou tentar provar meu ponto nem que seja por força bruta. Levou anos pra eu aprender a escolher minhas batalhas e ser mais eficiente.</p>
<p>Eu era novo, em 1999 eu ainda tinha 22 anos. Eu comecei a programar de alguma forma 7 anos antes mas eu ainda era muito inexperiente. Essa idéia de focar na introdução das coisas, daí praticar e através da prática voltar pra teoria, indo e vindo, eu tinha confiança que era um jeito mais eficiente do que ficar 1 semestre num único curso aprendendo só a teoria.</p>
<p>Eu nunca li nada sobre carreira. Na verdade eu nunca nem procurei sobre isso. Eu não pensava muito em que tipo de carreira eu queria ou em que tipo de empresa queria trabalhar. Eu nunca fiquei escolhendo, mandando curriculos bonitos. Nunca participei de processos seletivos de trainee em grandes empresas porque eu nunca nem tentei e nunca gastei um dia me lamentando do tipo “essa empresa é pequena eu devia estar numa empresa maior” ou qualquer coisa do tipo.</p>
<p>Mais uma razão de porque eu não me sinto confortável dando muita recomendação de carreira: eu nunca planejei a minha. Eu nunca pensei que era algo que dava pra planejar. Olhando em retrospecto, justamente porque eu não pensava muito, tudo que aparecia eu ia fazendo, sem pensar muito se tinha valor ou não. Não me preocupava se o ritmo de trabalho era insalubre, não me preocupava se estava varando noite aprendendo alguma coisa útil pro futuro ou não.</p>
<p>Na minha época não existiam eventos de programação, conferências. Não tinha meetups. Eu não sabia muito o que estava sendo discutido no mundo. Não existia o conceito de influencer, celebridade, ou algo assim. Então eu não tinha muita referência, por outro lado eu não me sentia perdendo alguma coisa ou indo no caminho errado pelo simples fato que eu nunca parei de aprender coisas novas.</p>
<p>Por conta dessa falta de contatos, por outro lado, eu não tinha muito viés. Eu não julgava tecnologia. Pra mim tecnologia era tecnologia, tudo igual. Eu não era anti-Microsoft ou pró-Open Source ou algo assim. Quando eu estava fazendo ASP eu não ficava pensando, ah isso é inferior a Perl, eu deveria estar fazendo Perl. Eu fazia o oposto, no trabalho alguém falava, tem que fazer em Perl, você sabe? Eu respondia algo do tipo, não, mas posso aprender. Nunca tive aquela sensação de estar fazendo algo inferior ou usando a coisa errada, da mesma forma como eu não tenho julgamentos de valor quando estou usando um martelo ou uma chave de fenda. Tudo era ferramenta que eu não sabia usar, toda oportunidade de praticar era bem vinda.</p>
<p>Existe uma enorme armadilha no começo de carreira: a minha teoria das pirâmides tem outro detalhe: só de aprender o topo da pirâmide, você consegue entregar um projeto. Hoje em dia eu ilustro isso como o problema dos 80/20. Com 20% do conhecimento você consegue resolver 80% dos problemas. Mas pra resolver os últimos 20%, vai precisar dos 80% de conhecimento que ainda não tem.</p>
<p>Com meus pífios 20%, eu entregava projetos. O perigo era eu achar que já era bom, eu entendia isso. O que me mantinha no chão é que pra entregar esses projetos eu varava muitas noites corrigindo bug. Na minha cabeça, se eu não consigo entregar com menos bugs e se eu não consigo entregar só no horário do trabalho, era minha falta de experiência. Esse era meu termômetro de competência.</p>
<p>Ah mas não era culpa do meu chefe que me mandava fazer mais do que eu conseguia? Claro que tinha isso também. Mas por outro lado, se era esse o caso, eu considerava incompetência minha não saber julgar isso antes de começar a fazer. Depois que já deu merda é fácil dizer o que tava errado.</p>
<p>Novamente, não estou recomendando que você seja explorado no trabalho. Muitas vezes eu sabia que devia ganhar mais, eu via que não me pagavam as horas extras que eu fazia, e num dos empregos eu cheguei a ficar 3 meses sem receber salário antes de pedir demissão. Eu ficava com raiva disso, mas não o suficiente pra ficar encanado. Não era R$ 200 a mais ou R$ 1000 a mais que ia resolver minha vida. Eu pensava nos R$ 10 mil, nos R$ 20 mil no futuro. Não lembro de onde foi mas uma vez eu ouvi uma frase de que quem gasta muito tempo pensando nos centavos deixa de ganhar os dólares.</p>
<p>Eu imaginei que se eu realmente merecesse algum reconhecimento isso viria eventualmente. Fazer um trabalho bem feito 1 vez não é motivo pra reconhecimento, fazer um trabalho bem feito por 10 anos começa a ser. E você só vai saber disso se durar 10 anos sendo consistente. Se a única coisa que você faz é reclamar, se justificar, é isso que vai definir o que você vai ser.</p>
<p>Todos os empregos ruins que eu já passei não importa, ficaram pra trás, 10 ou 15 anos pra trás, algumas dessas empresas faliram, as pessoas que eu não gostava já nem sei mais por onde andam. Eu continuo aqui, fazendo coisas que eu jamais tinha imaginado na faculdade. Qualquer plano que eu tivesse feito na época da faculdade, teria falhado.</p>
<p>Aprender a aprender é a única coisa que você precisa. Todo o resto é secundário. Eu não acredito em receitas de carreira, funções bem definidas. Eu não estou nem aí se eu devia ou não devia fazer alguma coisa. Logo no começo eu vi que as pessoas contavam comigo não pelo conhecimento que eu tinha, mas porque com ou sem bugs, eu ia até o fim pra entregar. Ninguém gosta de alguém que acha que sabe tudo mas na hora do vamos ver só tem justificativas. Eu aprendi isso logo no começo e em vez de ficar me questionando toda hora, eu simplesmente fui indo.</p>
<p>E, por hoje já ficou bem comprido! Já me pediram pra falar especificamente de materiais e livros recomendados, estou planejando isso pra outro episódio. E quais são as suas experiências na faculdade? Já tem 10 anos de carreira? As coisas estão indo como você planejou? Não deixe de compartilhar nos comentários abaixo. Se gostaram deste vídeo mande um joinha, assinem o canal e clique no sininho. A gente se vê, até mais!</p>
]]></content:encoded><category>carreira</category><category>aprendizado</category><category>pessoal</category><category>akitando</category></item><item><title>[Akitando] #12 - Dúvida! Devo Fazer Faculdade?</title><link>https://akitaonrails.github.io/2018/09/20/akitando-12-duvida-devo-fazer-faculdade/</link><guid isPermaLink="true">https://akitaonrails.github.io/2018/09/20/akitando-12-duvida-devo-fazer-faculdade/</guid><pubDate>Thu, 20 Sep 2018 17:00:00 -0300</pubDate><description>&lt;p&gt;Disclaimer: esta série de posts são transcripts diretos dos scripts usados em cada video do canal &lt;a href="https://www.youtube.com/channel/UCib793mnUOhWymCh2VJKplQ"target="_blank" rel="noopener"&gt;Akitando&lt;/a&gt;. O texto tem erros de português mas é porque estou apenas publicando exatamente como foi usado pra gravar o video, perdoem os errinhos.&lt;/p&gt;
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&lt;a href="#descri%c3%a7%c3%a3o-no-youtube" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/h3&gt;&lt;p&gt;A eterna dúvida de &amp;ldquo;devo ou não fazer faculdade&amp;rdquo; ou &amp;ldquo;não sei se continuou ou se desisto&amp;rdquo;. Existem vários ângulos diferentes pra isso, hoje vou pegar a posição dos que já escolheram a programação como carreira e explorar se deve ou não fazer faculdade e pra que ela serve.&lt;/p&gt;</description><content:encoded><![CDATA[<p>Disclaimer: esta série de posts são transcripts diretos dos scripts usados em cada video do canal <a href="https://www.youtube.com/channel/UCib793mnUOhWymCh2VJKplQ"target="_blank" rel="noopener">Akitando</a>. O texto tem erros de português mas é porque estou apenas publicando exatamente como foi usado pra gravar o video, perdoem os errinhos.</p>


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<h3>Descrição no YouTube<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="descrição-no-youtube"></span>
    <a href="#descri%c3%a7%c3%a3o-no-youtube" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h3><p>A eterna dúvida de &ldquo;devo ou não fazer faculdade&rdquo; ou &ldquo;não sei se continuou ou se desisto&rdquo;. Existem vários ângulos diferentes pra isso, hoje vou pegar a posição dos que já escolheram a programação como carreira e explorar se deve ou não fazer faculdade e pra que ela serve.</p>
<p>Em outros episódios vou explorar posições diferentes como quem ainda não sabe se gosta de programação, ou aqueles que acham que devem sair pra empreender logo.</p>
<p>Links:</p>
<ul>
<li>AkitaOnRails: Off-Topic: Devo fazer faculdade? (<a href="http://www.akitaonrails.com/2009/04/17/off-topic-devo-fazer-faculdade"target="_blank" rel="noopener">http://www.akitaonrails.com/2009/04/17/off-topic-devo-fazer-faculdade</a>)</li>
</ul>
<h2>Script<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="script"></span>
    <a href="#script" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Olá pessoal, Fabio Akita</p>
<p>Fiquei muito surpreso como todo mundo gostou do vídeo Procure o que AMA … Só que não. Se não assistiu ainda, clique no link acima.</p>
<p>Já que tanta gente gostou do tema, quero continuar com outro que deve deixar muitos igualmente divididos. HOJE o vídeo é pra você que está em cima do muro quanto à questão de faculdade. Você deve fazer faculdade? Agora que está fazendo, mas se sente frustrado, deveria desistir?</p>
<p>…</p>
<p>Se você ainda tem até dúvidas se quer ou não entrar na computação, assinem o canal que devo fazer um vídeo sobre isso em breve também. Hoje é mais pra quem já entrou de cabeça na programação mas tem dúvidas sobre o assunto faculdade.</p>
<p>Esse assunto é bem extenso, mas, vou tentar me ater às dúvidas mais importantes primeiro.</p>
<p>Vamos à primeira pergunta que vocês devem se fazer</p>
<p>AoR: Cara, programar é muito fácil. Eu descobri o tal de Khan, academy isso e aquilo, canal de YouTube que ensina umas coisa super mean. Já consigo fazer site e colocar lá na hospedagem. Consigo fazer uma lojinha online pro meu tio. Já sei tudo que preciso pra trampar. Pra que perder tempo com faculdade? Qualquer um consegue programar sem precisar de faculdade.</p>
<p>Você já respondeu sua própria pergunta. É trivial fazer o baśico, qualquer um consegue, você tem mais do que razão nisso! Você consegue, seu vizinho consegue, o indiano e o chinês, o ucraniano também. Sabe como isso se chama? mão de obra barata. Seu salário não tem porque aumentar, porque cada vez é mais fácil aprender e cada vez mais gente sabe fazer a mesma coisa. Lei da oferta e da procura. Quanto maior a oferta, menor o preço que você vai poder cobrar. Seu emprego tende a desaparecer ou continuamente valer menos.
Se você parar só nas coisas fáceis como vai subir na carreira? Ah, você acha que é só começar a trabalhar que vai aprendendo só no horário do trabalho? Boa sorte com isso.</p>
<p>Daí, alguns chegam a esta segunda pergunta:</p>
<p>AoR: Antigamente parece que as empresas exigiam mais diploma e tudo mais. Mas hoje em dia tem tanta startup, empresa mais moderna e ágil, que a maioria nem se importa mais tanto assim se tem diploma ou não. Se mostrar que consegue fazer o trampo eles contratam. Então, pra que se preocupar em faculdade?</p>
<p>Pára de pensar em universidade só pra pegar diploma e que o diploma só é útil pra conseguir o primeiro emprego..</p>
<p>Pensa diferente. Entrar nas universidades federais mais conceituadas é difícil. Viram meu vídeo anterior? Já que vai se matar no 3o colegial de estudar pro vestibular então corre a última milha e se mata um pouco mais pra passar nas melhores. Não se conforma com a sobra.</p>
<p>Se entrar, se esforça 4 ou 5 anos pra não ficar deixando matéria pra trás e estuda o máximo que puder. Se você tem condições pra fazer isso, então faz! É a última vez que você vai ter um tempo tão longo dedicado só pra estudar.</p>
<p>Agora pensa comigo: tudo isso dói, dói bastante, especialmente se como eu você não for daqueles que já cresceram com facilidade pra estudar. Mas não dói só pra você, pros outros também dói. E é muito mais fácil criar respeito por alguém que se esforça igual ou mais. E porque isso é importante?</p>
<p>Você precisa se colocar num grupo de pessoas acima da média. Muitas delas que você conhecer na faculdade, daqui 10 anos podem virar diretores de empresa, empreendedores ou influenciadores. Pensa diferente: é que nem comprar ações da Apple em 1983. Sabe quanto vale agora? Compre ações baratas, esse capital social vai se tornar valioso daqui 10 anos. Sabe as histórias que você ouve sobre Harvard e tudo mais? Não é porque você vai aprender alguma coisa secreta que só se aprende lá, mas porque as pessoas que se formam em Harvard tendem a se tornar juízes federais, senadores, donos de multinacional. Isso é mais importante do que o diploma. Só que nenhum deles vai respeitar ou lembrar que você existe se você foi só o medíocre invisível da turma.</p>
<p>Me diga com andas e direis quem és.</p>
<p>Agora vamos à terceira pergunta:</p>
<p>AoR: ah, mas e salário? Mesmo se eu me formar na melhor universidade meu salário não vai ser tão melhor assim. O cascalho é o mesmo, então, pra quê me importar? Não é melhor eu, que sempre fui autodidata, estudar as coisas mais novas que as empresas precisam pra melhorar meu salário? Puta perda de tempo ficar estudando matemática, vou assistir meu screencast super MEAN, que eu ganho mais.</p>
<p>Tsc, tsc .. isso é um erro muito comum: a ânsia de ganhar muito dinheiro logo no começo. Eu sei que alguns assistindo talvez venham de lugares que tenham problemas financeiros mesmo, não estou ignorando isso. E eu gosto de dinheiro tanto quanto qualquer pessoa. Mas eu prefiro dinheiro inteligente.</p>
<p>Se você entendeu o tópico anterior vai entender esse também. Pára de pensar em dinheiro nos primeiros anos de sua carreira. Mais específico: não pensa nisso por no mínimo uns 5 anos se puder. Talvez a primeira década inteira.
E isso é extremamente difícil de imaginar se você estiver pra prestar vestibular porque sua vida escolar inteira durou 10 anos. Ou seja, metade da sua vida é uma década nesse ponto e eu estou falando pra você esperar o equivalente a mais meia vida!</p>
<p>Pra mim uma década é só 25% da minha vida. Quanto mais velho você fica, mais o tempo fica mais curto. Minha carreira tem quase 3 décadas já. E eu ainda não virei nenhum playboy milionário com ferrari na garagem, sorry, mas não tenho do que reclamar, estou bem confortável, obrigado. A quantidade de dinheiro que vai te satisfazer depende muito da sua ambição e não existe nenhum problema em ter objetivos grandes, na verdade eu diria que todo mundo precisa ter objetivos inalcançáveis, justamente pra nunca alcançá-los e nunca se entediar ou se conformar.</p>
<p>Tudo no começo da sua carreira é uma oportunidade. A universidade é uma oportunidade de ter acesso a pessoas que estudaram muito as carreiras inteiras: seus professores. Não os subestime. Eles estudaram muito mais do que você jamais vai estudar, provavelmente, é a especialidade deles. Use isso a seu favor.</p>
<p>Nos primeiros empregos, não importa tanto onde você vai trabalhar. Numa empresa grande e prestigiada você vai ver como é um dia a dia organizado, com papéis bem definidos, hierarquias tradicionais e como viver dentro do seu próprio quadrado num lugar onde o status quo muda pouco ou quase não muda. Você precisa dessa experiência, mas saia antes que você se acostume e fique confortável demais.</p>
<p>Numa empresa pequena, startups, você vai ver um dia a dia desorganizado, pessoas que batem cabeça com coisas óbvias, muitas dúvidas e inseguranças, e é a oportunidade onde você pode se testar em muitos papéis diferentes. Mas saia, antes que você se acostume em ser desorganizado.</p>
<p>Importante: fique em lugares onde há pessoas melhores que você. Se você se tornou o cara mais indispensável numa empresa que claramente não sabe pra onde está indo, só aí eu questionaria sua posição. O maior problema: você vai achar que é melhor do que realmente é.</p>
<p>Acredite, você ainda não é. Tem chão, entendido isso, vamos pra quarta pergunta</p>
<p>AoR: Porra, tenho que esperar 5 anos ainda?? Então mais um ponto pra eu largar a facul o quanto antes. Pra que diabos tenho que perder meu tempo com essas porcarias de cálculo, álgebra, estatística, nada disso é Java, nada disso é Node, eu preciso aprender a codar. Matemática não ajuda a codar.
Em tempo, você vai vir a se arrepender disso. Matemática é uma das maiores armas que você pode ter nessa carreira. A maioria das pessoas hoje é ignorante com números. A maioria sequer sabe fazer contas básicas sem uma calculadora.</p>
<p>Matemática é um universo.. É uma das áreas de conhecimento mais antigas da humanidade e evoluindo até hoje. Esquece Java. Matemática é a linguagem mais difícil que você vai aprender. Ela te dá a gramática e o vocabulário pra decodificar a natureza e o mundo. Sem matemática você vai passar o resto da sua vida olhando pro mundo como um analfabeto olha pra uma enciclopédia.</p>
<p>As matérias de matemática vão te dar as ferramentas pra resolver problemas. Com matemática você decodifica o mundo. Esse treinamento vai fazer você imediatamente decodificar problemas de forma mais lógica. É um treinamento, deliberado. É muito fácil pra mim ver quem teve um treinamento assim e quem não teve.</p>
<p>E eu não estou dizendo que com o devido esforço, bater muita cabeça, você eventualmente não vai aprender sozinho, só estou dizendo que vai ser muito mais difícil. Novamente, se você tiver a oportunidade de ter esse treinamento mais cedo do que os outros, certamente você vai ter a vantagem.</p>
<p>AoR: tá, tá, mas quer saber, tem outro problema, as matérias de programação na faculdade são muito defasadas, a gente sai da faculdade e nem sabe programar de verdade ainda. Já entendi, essa tal de matemática até pode ser importante, mas eles deviam preparar a gente melhor pro mercado de trabalho.</p>
<p>Não. Aqui todo mundo vai discordar de mim mas eu tenho uma posição faz muitos anos e até hoje eu não mudei de posição. Nenhuma faculdade - com exceção talvez das técnicas e de tecnólogos - deveria ensinar ferramentas e linguagens que se usa no mercado de trabalho hoje. Eu inclusive sou a favor de ensinar programação somente com linguagens já mortas ou que raramente se usa de verdade, como Lisp, Smalltalk, Fortran. Eu acho que é um grande desserviço tentar ensinar Java, C# ou Python como principais.</p>
<p>Não, a faculdade tem que ensinar outra coisa: os fundamentos que regem todas as linguagens, todos os sistemas operacionais, a arquitetura geral de computadores e software. Caso vocês não saibam, as linguagens tem muito mais em comum do que você pensa, sua linguagem favorita não é tão especial quanto você pensa, é apenas mais uma dentre centenas. Você precisa aprender a fundação. Aprender uma nova linguagem, pra quem entendeu a fundação, é SIMPLES.</p>
<p>Um dia conto essa história mas pra dar um pequeno exemplo, quando eu fiz bacharelado em ciência da computação eu já era freelancer em dBase III e Clipper - talvez você nunca nem tenha ouvido falar dessas linguagens, mas eu programava nelas por pelo menos 3 anos antes da faculdade, e no primeiro semestre eu aprendi que tudo que eu achava que já dominava era nada, era pouco e eu pensava errado. Eu reprendi tudo do zero. E aprendi usando uma linguagem que já não se usava, Turbo Pascal. E isso foi antes da invenção do Delphi então foi por acaso que o que aprendi de Turbo Pascal acabou se tornando útil na prática também. Na verdade o fato do Delphi ter aparecido foi ruim porque o caminho confortável foi adotar Delphi. Eu tive sorte que não foi minha primeira linguagem senão talvez eu tivesse ficado no Delphi mais tempo do que deveria. O fato de antes da faculdade ter aprendi linguagens que durante a faculdade se tornaram obsoletas me fez ver o fato que o conhecimento de linguagens tem prazo de validade. Então eu entendi que não deveria nunca me sentir confortável com uma só linguagem e isso me ajudou a me focar nos fundamentos.</p>
<p>Em quase 3 décadas eu aprendi dezenas de linguagens. Relaxa, depois de fazer uma boa faculdade e prestar atenção no estudo dos fundamentos, aprender novas linguagens deveria ser simples pra você. O que você precisa aprender na faculdade é o processo de filtrar o que é conhecimento de base, que você vai levar pro resto da sua carreira e o que é conhecimento temporário, que vai servir por um período curto. A faculdade é onde você tem que treinar a coisa mais importante de todas: as técnicas de como aprender a aprender. Nenhum curso, técnico, tecnólogo, bacharelado, qualquer coisa, jamais vai te ensinar TUDO que você precisa. Ela vai te dar o 1% mais importante que vai te ajudar a aprender os próximos 99% mais rápido e melhor do que todo mundo. E esse 1% vai te custar 4 anos. Pra todo mundo que não fizer faculdade, prepare-se pra perder o dobro disso até cair a ficha. No mínimo.</p>
<p>Finalmente, vamos pra quinta e última pergunta deste episódio.</p>
<p>AoR: Bom, tá, vou pensar nisso. Mas então, como você explica que o Steve Jobs largou a facul, o Bill Gates largou a facul, o Mark Zuckerberg largou a facul. Ou seja, eu deveria é largar logo a facul também e ir empreender se um dia quiser ser que nem eles, não acha?</p>
<p>Essa é velha, mas ainda tem gente que pensa assim. Você deve conhecer várias pessoas que se formaram e não viraram Bill Gates, então parece confirmar que a faculdade é mesmo uma perda de tempo.</p>
<p>E esse é um dos exemplos da falta de treinamento matemático. Se X não fez Y e virou Z, mas se X faz Y e não vira Z, então, portanto, por consequência, se X quiser Z precisa cortar Y da equação!! … Dá zero pra ele!</p>
<p>De onde você tirou que a única coisa que difere você do Zuckerberg ou do Gates é o fator faculdade? Vocês são pessoas completamente diferentes. Nasceram em lugares diferentes, de famílias diferentes com histórias diferentes. Zuckerberg e Gates saíram de Harvard. Você sabe o que você precisa pra entrar em Harvard, em primeiro lugar? Você já viu a família do Gates?</p>
<p>Deixa eu só dar o exemplo da mãe do Gates, Mary Maxwell Gates. Segundo nossa amiga Wikipedia, ela foi a primeira presidente mulher do United Way de King County, uma das ONGs de caridade mais antigas dos Estados Unidos, de 1887.
Também foi a primeira mulher a ser chair do comitê executivo nacional dessa United Way junto com o CEO da IBM John Opel, e a primeira mulher no board de diretores do Banco First Interstate de Washington. Lembra a velha história de como o Bill Gates vendeu a licença do MS-DOS pra IBM e tornou a Microsoft gigante com isso? Quem você acha que apresentou o Bill Gates pra IBM?</p>
<p>Pare de se comparar com celebridades. Talvez um dia você se torne uma, quem sabe? Mas não vai ser fazendo exatamente o que eles fizeram. E eu não digo isso pra colocar vocês pra baixo, pelo contrário, eu acho que as melhores celebridades, aquelas que realmente duram e não são só 15 minutos de fama, são os que anos antes já estavam acostumados a ser esforçados. Se eu pegar um cara preguiçoso e colocar do lado de uma Kardashian a semana toda, ele vai desaparecer dois dias depois e ninguém vai se lembrar dele. Porque virar celebridade é difícil, manter a fama, é outra ordem de grandeza mais difícil. Você está reclamando que é difícil fazer faculdade, e ainda quer se comparar com Zuckerberg ou Gates? Faça-me o favor</p>
<p>E é isso aí! Este episódio já ficou muito longo e o assunto é mais longo ainda então por hoje vou parar por aqui. Mas tenho mais a dizer sobre isso. Como disse no começo, hoje foi mais pra você que já escolheu a área de programação. Em outro episódio quero tocar mais no assunto de quem ainda não sabe o que fazer da vida. E você, fez faculdade? O que acha sobre o assunto? Mande nos comentários abaixo mais sobre sua experiência. Se gostou desse episódio mandem um joinha, assinem o canal e não deixem de clicar no sininho pra não perder os próximos episódios. A gente se vê, até a próxima!</p>
]]></content:encoded><category>aprendizado</category><category>carreira</category><category>akitando</category></item><item><title>[Akitando] #8 - Procure o que você Ama ... SÓ QUE NÃO!</title><link>https://akitaonrails.github.io/2018/09/06/akitando-8-procure-o-que-voce-ama-so-que-nao/</link><guid isPermaLink="true">https://akitaonrails.github.io/2018/09/06/akitando-8-procure-o-que-voce-ama-so-que-nao/</guid><pubDate>Thu, 06 Sep 2018 17:00:00 -0300</pubDate><description>&lt;p&gt;Disclaimer: esta série de posts são transcripts diretos dos scripts usados em cada video do canal &lt;a href="https://www.youtube.com/channel/UCib793mnUOhWymCh2VJKplQ"target="_blank" rel="noopener"&gt;Akitando&lt;/a&gt;. O texto tem erros de português mas é porque estou apenas publicando exatamente como foi usado pra gravar o video, perdoem os errinhos.&lt;/p&gt;
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<h3>Descrição no YouTube<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="descrição-no-youtube"></span>
    <a href="#descri%c3%a7%c3%a3o-no-youtube" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h3><p>Mas hoje este vídeo é dedicado aos desenvolvedores de software, ou jovens em geral, que estão tão expostos a uma inundação de frases feitas que os deixam ansiosos, desmotivados, e sem saber muito bem o que fazer da vida. &ldquo;Procurar o que ama&rdquo;.</p>
<p>Vamos desmistificar isso.</p>
<p>Links:</p>
<ul>
<li>
<p>&lsquo;You&rsquo;ve got to find what you love,&rsquo; Jobs says (<a href="https://news.stanford.edu/2005/06/14/jobs-061505/"target="_blank" rel="noopener">https://news.stanford.edu/2005/06/14/jobs-061505/</a>)</p>
</li>
<li>
<p>A Brutal Truth About Following Your Passion and Doing What You Love That Few People Admit (<a href="https://www.inc.com/jeff-haden/a-brutal-truth-about-following-your-passion-and-doing-what-you-love-that-few-people-admit.html"target="_blank" rel="noopener">https://www.inc.com/jeff-haden/a-brutal-truth-about-following-your-passion-and-doing-what-you-love-that-few-people-admit.html</a>)</p>
</li>
<li>
<p>Five Reasons to Ignore the Advice to Do What You Love (<a href="https://www.forbes.com/sites/robasghar/2013/04/12/five-reasons-to-ignore-the-advice-to-do-what-you-love/#25bbc62f1096"target="_blank" rel="noopener">https://www.forbes.com/sites/robasghar/2013/04/12/five-reasons-to-ignore-the-advice-to-do-what-you-love/#25bbc62f1096</a>)</p>
</li>
<li>
<p>4 Myths about Doing What You Love for Work (<a href="https://tinybuddha.com/blog/4-myths-about-doing-what-you-love-for-work/"target="_blank" rel="noopener">https://tinybuddha.com/blog/4-myths-about-doing-what-you-love-for-work/</a>)</p>
</li>
<li>
<p>You should love what you do, not do what you love (<a href="https://www.businessinsider.com/you-should-love-what-you-do-not-do-what-you-love-2015-12"target="_blank" rel="noopener">https://www.businessinsider.com/you-should-love-what-you-do-not-do-what-you-love-2015-12</a>)</p>
</li>
<li>
<p>You’re Not Meant to Do What You Love (<a href="https://medium.com/s/story/youre-not-meant-to-do-what-you-love-you-re-meant-to-do-what-you-re-good-at-4e8e6b8e929d"target="_blank" rel="noopener">https://medium.com/s/story/youre-not-meant-to-do-what-you-love-you-re-meant-to-do-what-you-re-good-at-4e8e6b8e929d</a>)</p>
</li>
<li>
<p>Don’t Do What You Love; Do What You Do (<a href="https://hbr.org/2014/06/dont-do-what-you-love-do-what-you-do"target="_blank" rel="noopener">https://hbr.org/2014/06/dont-do-what-you-love-do-what-you-do</a>)</p>
</li>
<li>
<p>Don’t do what you love for a career—do what makes you money (<a href="https://qz.com/819233/do-what-you-love-is-bad-advice-work-for-money-not-for-passion/"target="_blank" rel="noopener">https://qz.com/819233/do-what-you-love-is-bad-advice-work-for-money-not-for-passion/</a>)</p>
</li>
<li>
<p>Don’t do what you love. (<a href="https://byrslf.co/dont-do-what-you-love-41312c943e2"target="_blank" rel="noopener">https://byrslf.co/dont-do-what-you-love-41312c943e2</a>)</p>
</li>
<li>
<p>Dont Follow Your Passion, Follow Your Effort (<a href="http://blogmaverick.com/2012/03/18/dont-follow-your-passion-follow-your-effort/"target="_blank" rel="noopener">http://blogmaverick.com/2012/03/18/dont-follow-your-passion-follow-your-effort/</a>)</p>
</li>
<li>
<p>Marc Andreessen Gives The Career Advice That Nobody Wants To Hear (<a href="https://www.businessinsider.com/andreessen-whatever-you-do-dont-follow-your-passion-2014-5"target="_blank" rel="noopener">https://www.businessinsider.com/andreessen-whatever-you-do-dont-follow-your-passion-2014-5</a>)</p>
</li>
<li>
<p>5 razões pelas quais o “faça o que ama” não é a solução (<a href="https://exame.abril.com.br/carreira/5-razoes-pelas-quais-o-faca-o-que-ama-nao-e-uma-solucao/"target="_blank" rel="noopener">https://exame.abril.com.br/carreira/5-razoes-pelas-quais-o-faca-o-que-ama-nao-e-uma-solucao/</a>)</p>
</li>
<li>
<p>AkitaOnRails: [Tradução] Carta para um Jovem Programador Considerando uma Startup (<a href="http://www.akitaonrails.com/2013/10/31/traducao-carta-para-um-jovem-programador-considerando-uma-startup"target="_blank" rel="noopener">http://www.akitaonrails.com/2013/10/31/traducao-carta-para-um-jovem-programador-considerando-uma-startup</a>)</p>
</li>
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<p>AkitaOnRails: [Off-Topic] NÃO Faça o que Você (&ldquo;ACHA&rdquo;) que Ama (<a href="http://www.akitaonrails.com/2014/09/13/off-topic-nao-faca-o-que-voce-acha-que-ama"target="_blank" rel="noopener">http://www.akitaonrails.com/2014/09/13/off-topic-nao-faca-o-que-voce-acha-que-ama</a>)</p>
</li>
</ul>
<h2>Script<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="script"></span>
    <a href="#script" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Olá pessoal, Fabio Akita</p>
<p>Eu vi que semana que vem vai completar exatamente 4 anos que escrevi o post número 1.001 do meu blog.</p>
<p>Este vídeo é dedicado a todos vocês que estão insatisfeitos no seu trabalho. Que se sentem presos, fazendo coisas que não gosta, sentindo que está perdendo seu tempo. Que estão até sofrendo de ansiedade e ficando com depressão pensando nisso. Provavelmente tendo na sua cabeça, imagens como essa::</p>
<p>&hellip; (find what you love)</p>
<p>Quero dizer explorar o seguinte: por que você está pensando da forma errada? E talvez ajudar a responder o seguinte problema: o que eu devo fazer?</p>
<p>.. intro</p>
<p>Existe um livro muito ruim chamado &ldquo;Do what you Love and Money will Follow&rdquo; ou &ldquo;faça o que você ama que o dinheiro vem na sequência&rdquo;. É mais um desses livros que não dizem nada de muito prático. Economize seu tempo e não leia isso.</p>
<p>Mesmo assim, se você sair procurando, vai achar centenas de textos, artigos, posts, vídeos, palestras e até músicas dizendo exatamente a mesma coisa.</p>
<p>Eu funciono assim: toda vez que vejo uma afirmação muito repetida, se todo mundo repete “faça o que você ama” eu procuro o inverso dela: &ldquo;Não faça o que você ama&rdquo;. E normalmente o que vem é muito mais interessante. E o que eu encontrei na verdade foi muito mais alarmante do que eu pensava.</p>
<p>No nosso mundo mais restrito, ao redor de tecnologia, o mantra mais aceito é que todo mundo deveria ser um empreendedor, abrir sua própria startup, virar seu próprio chefe, mudar o mundo de alguma forma com mais um Uber-de-alguma-coisa &hellip; como se o mundo já não estivesse superlotado de clones de Uber.</p>
<p>Todo mundo parece repetir a mesma coisa: &ldquo;Faça o que ama e nunca vai trabalhar mais um dia da sua vida&rdquo;.</p>
<p>Bom, deixa eu começar: &ldquo;Faça o que você ama&rdquo; é simplesmente o pior conselho que você poderia receber. E se você levar isso ao pé da letra, prepare-se pra viver uma vida de frustrações.</p>
<p>Você quer trabalhar numa startup, quer o ambiente agitado, cheio de brindes, Nespresso à vontade, Xbox na sala de jogos, pizzas na madrugada. E aí? E depois do milésimo nespresso, depois que já cansou de jogar Fifa todo dia, depois que ganhou 10kg de tanta pizza. E aí? E aí?</p>
<p>E agora vem a segunda grande verdade: você tá infeliz no seu trabalho, frustrado com sua vida, não porque você não encontrou o que você ama, ou porque as pessoas não “deixam” você fazer do jeito que você quer, mas porque você não gosta de você mesmo. Deixa eu ser mais específico: você faz as coisas meia boca. Você pode se justificar pro mundo do jeito que quiser, mas você não gosta do que você mesmo produz. Porque você só faz o mínimo pra ir levando a vida, vai tirando nota 5 pra passar de ano. Fica esperando a tal “grande” oportunidade magicamente cair no seu colo. O que você produz não é o seu melhor e você sabe disso.</p>
<p>Deixa eu continuar o vídeo do Jobs::</p>
<p>… (Your work is going to fill a large part of your life, and the only way to be truly satisfied is to do what you believe is great work. And the only way to do great work is to love what you do)</p>
<p>“Grande trabalho” não quer dizer “trabalhar numa grande empresa” ou “num grande produto que vai mudar o mundo”. É simplesmente a qualidade do resultado do SEU trabalho. Um grande trabalho. A única forma de estar verdadeiramente satisfeito é fazer o que você acredita ser SEU grande trabalho. E a única forma de fazer um grande trabalho é amar o que você faz, ou seja, o SEU próprio esforço e suor. Entendeu? Não importa o que você faz. Se você é um pedreiro, seja o melhor pedreiro e levanta a melhor parede. Se você faz buque de flores, faça os melhores buques de flores. Se você, como eu, é um programador, entregue o melhor código possível!</p>
<p>O seu ramo de atividade, seu cargo, seu chefe, a empresa onde trabalha não tem NADA a ver com a qualidade do seu trabalho.</p>
<p>A: “ow ow Cara, bonito isso aí, mas quer ver, não dá pra fazer meu ‘melhor trabalho’ assim, na empresa onde eu trabalho o FDP que vende projeto só promete o impossível e aí eu só me fodo varando noite pra entregar de qualquer jeito, tá ligado?”</p>
<p>Eu já passei por isso, sabe o que eu fiz? Eu comecei a ir junto com o vendedor pros clientes, daí eu mesmo escrevia a proposta do projeto de um jeito que eu sabia que dava pra entregar. Aprendi que era difícil vender. Aprendi como escrever boas propostas. Aprendi como convencer o cliente a fazer o que realmente fazia sentido.</p>
<p>A: “Ah, mas não adianta, por exemplo, eu tava num trampo que a gente ralava pra fazer o melhor produto possível, mas ninguém usava porque o marketing da empresa era muito ruim”</p>
<p>Eu sei como é, já passei por isso também. Sabe o que eu fiz? Eu sai da minha cadeira da área de programação e fui puxar uma cadeira lá no departamento do marketing. No final eu que passava o texto que ia pro marketing. Aproveitei e eu mesmo fui pro jurídico e aprendi a escrever os termos de serviço do produto também de bonus.</p>
<p>A: “Puuuts, que trampo heim. Mas não adianta, a gente ralava pra fazer as coisas direito mas os clientes só ligavam reclamando. Os caras não sabem usar e ficam reclamando”.</p>
<p>Verdade, já passei por isso, depois de um tempo eu puxei uma cadeira lá no suporte e comecei a atender algumas ligações e ler os tickets do help desk eu mesmo, aí começou a fazer mais sentido que o que a gente tava fazendo era complicado mesmo e começamos a tentar facilitar o produto. Comecei a aprender o que significava fazer um produto.</p>
<p>A: “Não é só isso Não, tem uns caras do trampo que em vez de ajudar só ficam me tirando, puxando meu tapete, ficam sabotando em vez de ajudar, aí não rola né?”</p>
<p>Ah, já passei muito por isso. Quantas vezes não tive que trabalhar dobrado consertando o que os outros tinham quebrado. Quantas vezes ainda tive que tomar a culpa pelos bugs que os outros causaram. Cliente que já me xingou sem saber que foi o gerente do lado dele que sabotou o trampo. Ou concorrente que veio causando. A gente vai aprendendo a lidar com isso, no final eu sempre pensei que se a coisa chegou nesse ponto no fundo eu que ainda não era bom o suficiente pra saber contornar melhor ou antes. É uma coisa que eu ainda to aprendendo. Já ganhei muito inimigo de graça por causa disso. Pelo menos eu estudei muito técnicas de gestão, negociação e tudo mais que podia pra ver se eu melhorava nisso.</p>
<p>A: “Mas não adianta, a gente fica mesmo discutindo que tinha que fazer o produto melhor, mas os caras que codam lá junto comigo, nem tem nível pra entender como fazer código decente. Nem dava vontade de fazer direito”.</p>
<p>É complicado né? Teve uma época que eu queria poder usar o código de outro departamento e não podia. Era 2009 isso, antes do Github ficar conhecido. Cada grupo tinha um repositório de código e tinha que pedir pra ficar pedindo pra eles mudarem o código deles do jeito que a gente precisava. Mas aí eu pensei, se tudo ficasse no Git, todo mundo ia poder mexer no código de todo mundo. Sabe o que eu fiz? Comecei a ensinar todo mundo a usar Git. Um por um, eu ia de mesa em mesa ensinando. Até o dia que tudo foi pro Git. Não era perfeito, deu mó confusão, mas no final funcionou. Se você acha que sabe melhor do que seus colegas, porque você não está ensinando pra eles como fazer certo então?</p>
<p>A: “Ah, eu já tentei, mas eles não me escutam. Devem ser burros mesmo”</p>
<p>Pode ser. Mas eu pensava assim: as pessoas normalmente tem barreira pra aprender coisa nova mesmo. Então eu ficava dando jeitos de tentar explicar, normalmente o que eu achava mais fácil era mostrando mesmo. Na maioria das vezes eu não conseguia, mas eu considerava isso uma falha de eu ainda não ser bom o suficiente, então fui melhorando meu jeito de convencer. Olha só, esse canal é UM desses jeitos.</p>
<p>A: “Afe, mas então se você ficava fazendo tudo isso então trabalhava dobrado? Você ganhava mais que todo mundo pra ficar fazendo essas coisas?</p>
<p>Não, eu provavelmente ganhava menos que muitas das pessoas de cada departamento que eu falei. E sempre foi assim em todos os empregos que eu passei. Nunca fui necessariamente o que ganhava melhor, a despeito do que os outros pensavam.</p>
<p>A: “Então você era otário, trabalhava a mais e não ganhava mais por isso? Qual é a vantagem?”</p>
<p>Muitas! Anos depois eu finalmente vi que tinha experiência suficiente e surgiu a oportunidade de abrir minha própria empresa. E eu já sabia como vender projeto, como fazer marketing, como lidar com jurídico, como ensinar as pessoas, como organizar os projetos, como entender os clientes e como entregar produtos.
E mesmo assim, sabendo tudo isso foi dureza começar, não imagino como as pessoas começam sem saber nada disso, provavelmente por isso a maioria das empresas novas de recém formados acaba antes do segundo ano. E o povo que eu fui conhecendo pelo caminho? Eles também cresceram e sabiam que podiam contar comigo e nos anos que se seguiram eles voltaram e muitos viraram meus clientes por exemplo.</p>
<p>A: “Ah … tá, mas eu também já fiz algo assim, eu sempre faço do jeito que me mandam, e ninguém nunca reclamou, então eu vou fazendo, qual o problema? Não é o suficiente?”</p>
<p>Bom, eu penso assim, uma época eu decidi correr, só pra fazer graça mesmo. Eu evito ficar muito tempo em academia porque eu acabo querendo ir além do que eu deveria. Comecei correndo 500m e morria, mesmo pouco, todo dia eu corria 100m a mais. Um belo dia eu tava correndo o percurso da São Silvestre, só pra saber se conseguia. Quando consegui, fui fazer outra coisa. Fazer a mesma rotina todo dia só vai me fazer correr 500m. 100m de cada vez, um pouco todo dia, é o único jeito de correr são silvestre. Não que eu quisesse virar corredor, mas se dá pra correr 20km porque me contentar com 5km?</p>
<p>A: “Porra. Você é meio CDF né? Parece os moleque que o povo gosta de zoar na escola pq só tira 10. Pra que tirar 10? 5 já dá pra passar de ano. Perda de tempo.”</p>
<p>Quando eu era criança e tava na escola era assim mesmo que me chamavam. Ninguém dava muita bola pra mim. Tinha bully de vez em quando. Mas, quando tinha trabalho em grupo, adivinha quem era o primeiro que escolhiam? E você acha que eles ajudavam? Ha. Porra nenhuma, só apareciam no último dia pra colocar o nome na capa.
Sempre me dava nervoso porque precisa que eu tava dando nota de graça pra eles. Mas no fundo eu sempre fazia pra tirar nota máxima porque EU não queria tirar nota baixa. Mesmo eu dando nota boa pra eles, eles ainda iam desperdiçar tirando nota baixa nas provas de qualquer jeito. Eu fazia por mim. Foi assim que começou mesmo. Porque eu não me contento com 5? Porque bullies como eles tiravam 5.</p>
<p>Vamos ver o que o Jobs tem a dizer:</p>
<p>…</p>
<p>Você só pode conectar os pontos pra trás. Se pra trás só tem pontos que você não gosta, porque você acha que no futuro vai ter pontos melhores?</p>
<p>Não to dizendo que dinheiro ou qualidade de vida não são importantes. Todo mundo quer isso. E eu sei que tem muita gente com muita dificuldade, que sequer pode se dar ao luxo de escolher o que fazer ou onde trabalhar. Mas eu suspeito que mesmo na pior das condições, você viver satisfeito, ou melhor, com você mesmo não tem preço. Não é pelos outros. É por você. É o seu trabalho. É o seu esforço.</p>
<p>Isso é receita pra você ser reconhecido? É receita pra ficar rico? Não. É uma receita pra você não desperdiçar sua carreira e nem sua vida.</p>
<p>Por que vocês acham que eu estou fazendo estes vídeos? Pra virar YouTuber super star? Não, 1 eu to fazendo porque eu queria ver se eu conseguia e 2 já que to fazendo, quero saber até onde consigo ir. Não tem nada mais divertido do que virar júnior em alguma coisa de novo. Eu só tenho tempo pra gravar e editar a noite e de madrugada. Eu não penso “olha só que foda, eu trabalho pra caralho e ainda fico todo dia até 4 da manhã”. Eu não tenho chefe pra impressionar. Eu penso “que droga, eu sou muito junior mesmo, se eu fosse melhor eu tinha acabado muito mais rapido e melhor” então todo episódio eu fico procurando algum jeito de fazer um pouco mais rápido e um pouco melhor.</p>
<p>Entenderam? Eu não faço YouTube porque eu amo YouTube ou porque eu sempre sonhei em ser YouTuber. Nem existia isso nos anos 90. Eu não faço a THE CONF que é minha conferência porque eu amo fazer conferências. Eu não tenho 2 empresas porque eu amo ser empreendedor. Eu não aprendo novas linguagens de programação porque eu amo programar. Eu faço tudo isso simplesmente  porque eu gosto do meu suor por trás do resultado. E não precisa ser coisas grandiosas, qualquer pequena coisa conta. Você não chega a mais de 1000 posts ou mais de 200 palestras se toda hora você só pensa no dia que vai estar num palco com 1000 pessoas. Sexta passada fui palestrar num meetup, talvez 30 pessoas. Não faz diferença se tem 1000 ou 30, importa eu dar a palestra, podia ser pra 5 pessoas.</p>
<p>Imagine se eu tivesse ficado os últimos 20 anos pensando “ah, o dia que eu trabalhar na Microsoft”, ou “ah, o dia que me derem chance”, ou “ah, o dia que me reconhecerem”, ou “ah, o dia que me pagarem mais”. Ia estar esperando até hoje.</p>
<p>Pra finalizar, existem os que estão preocupados porque acham que não nasceram com talento. Alguns de vocês nessa posição olham pra pessoas mais experientes ou mesmo celebridades e se conformam: eu nunca vou chegar lá. Pra mover uma montanha de lugar você começa movendo uma pedra de cada vez. Em breve, eu espero, fazer 2 episódios por semana sem precisar varar noite - agora por exemplo, já passou da meia noite e eu estou gravando, eu falhei de novo.
Esforço é universal. Não importa quão inteligente você acha que é, não importa quão talentoso você acha que é, não importa sua posição social, gênero ou idade. Esforço é simplesmente isso: esforço. Uma pedra de cada vez, um dia de cada vez. Um dia os esforços me levaram até a posição onde eu pude agarrar oportunidades e sobreviver a elas. Nesse exato momento eu to aqui, me esforçando, apanhando mais um pouco. Eu olho os moleques de YouTube, muitos estudaram fotografia e cinema e eu penso, caramba, esses caras são bons. Mas não importa, é uma view de cada vez. Um joinha de cada vez. Quem sabe, daqui 5 anos? Ou 10? Não importa.</p>
<p>Entenderam? Em vez de ficar sonhando, volta pra Terra, arregaça as mangas e simplesmente faz melhor. O que você tem que fazer? Tem TCC pra fazer? Tem projeto pra entregar? Tá atrasado? Não existe falta de tempo. Uma coisa que todo mundo tem igual é tempo. Tem quem aprendeu a usar o tempo melhor, tem quem tá empurrando com a barriga.</p>
<p>Você tá frustrado no seu emprego, pensando em mudar de emprego? Você tá frustrado com seu mundo? Quer mudar de mundo? Não adianta. Enquanto você tá frustrado com sua falta de esforço, qualquer emprego, qualquer lugar, vai terminar do mesmo jeito, porque a realidade é que tudo tem partes ruins, todo trabalho tem partes chatas, a VIDA tem muitas partes chatas. Começa fazendo as pequenas coisas direito, e vai se acostumando a parar de justificar sua frustração como sendo culpa da sua família, dos colega, do seu chefe, do dos políticos.
Apontar defeitos dos outros é simples, qualquer idiota pode fazer isso. E os seus? Começa a onde realmente importa: tomando controle do que você mesmo faz. Já que vai fazer, faz direito, qualquer coisa.
Em vez de dizer pros outros como fazer certo, que tal mostrar pros outros como fazer certo?</p>
<p>Bom, esse episódio acabou ficando um pouco auto-ajuda, tudo que eu disse até aqui é minha opinião pessoal formada na minha experiência das últimas décadas pra tentar dar alguma perspectiva. E qual é a sua experiência? Mande pra galera nos comentários abaixo, se curtiram esse vídeo dêem um joinha, assinem o canal e compartilhem com seus amigos! A gente se vê na próxima, e na próxima espero que não seja de madrugada de novo ;-) Até mais!</p>
]]></content:encoded><category>carreira</category><category>produtividade</category><category>psicologia</category><category>akitando</category></item><item><title>Participando em Podcasts</title><link>https://akitaonrails.github.io/2017/06/02/participando-em-podcasts/</link><guid isPermaLink="true">https://akitaonrails.github.io/2017/06/02/participando-em-podcasts/</guid><pubDate>Fri, 02 Jun 2017 10:34:00 -0300</pubDate><description>&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Atualização 11/10/17&lt;/strong&gt;: mais um podcast pelo Ruby Rogues, entitulado &lt;a href="https://devchat.tv/ruby-rogues/rr-331-30-days-elixir-crystal-back-ruby-fabio-akita"target="_blank" rel="noopener"&gt;&amp;ldquo;RR 331: 30 days to Elixir then Crystal and back again to Ruby with Fabio Akita&amp;rdquo;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Este ano, por total coincidência, tive a oportunidade de participar de 3 canais de podcast. Quero deixar meus agradecimentos ao Paulo Silveira, Charles Max Wood, Lucas Caton, Fellipe Azambuja e Ramon Sanches.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O primeiro na verdade saiu no fim do ano passado, em Novembro, pelo &lt;a href="https://devchat.tv/ruby-rogues/"target="_blank" rel="noopener"&gt;Ruby Rogues&lt;/a&gt; com o tema &lt;a href="https://devchat.tv/ruby-rogues/285-rr-ruby-conf-brazil-and-building-communities-with-fabio-akita"target="_blank" rel="noopener"&gt;&amp;ldquo;Ruby Conf Brazil and Building Communities&amp;rdquo;&lt;/a&gt; (em inglês) onde o Charles Wood e eu discutimos um pouco sobre a história da comunidade Ruby no Brasil, como eu tentei começar, o que tentei fazer, blog, palestras, eventos. Além de pontos mais específicos como um pequeno panorama da linguagem Ruby e meu conceito sobre não se limitar a somente uma linguagem ou tecnologia. Se você é novo na comunidade Ruby talvez ajude a ter uma idéia de como chegamos onde estamos hoje.&lt;/p&gt;</description><content:encoded><![CDATA[<p><strong>Atualização 11/10/17</strong>: mais um podcast pelo Ruby Rogues, entitulado <a href="https://devchat.tv/ruby-rogues/rr-331-30-days-elixir-crystal-back-ruby-fabio-akita"target="_blank" rel="noopener">&ldquo;RR 331: 30 days to Elixir then Crystal and back again to Ruby with Fabio Akita&rdquo;</a></p>
<p>Este ano, por total coincidência, tive a oportunidade de participar de 3 canais de podcast. Quero deixar meus agradecimentos ao Paulo Silveira, Charles Max Wood, Lucas Caton, Fellipe Azambuja e Ramon Sanches.</p>
<p>O primeiro na verdade saiu no fim do ano passado, em Novembro, pelo <a href="https://devchat.tv/ruby-rogues/"target="_blank" rel="noopener">Ruby Rogues</a> com o tema <a href="https://devchat.tv/ruby-rogues/285-rr-ruby-conf-brazil-and-building-communities-with-fabio-akita"target="_blank" rel="noopener">&ldquo;Ruby Conf Brazil and Building Communities&rdquo;</a> (em inglês) onde o Charles Wood e eu discutimos um pouco sobre a história da comunidade Ruby no Brasil, como eu tentei começar, o que tentei fazer, blog, palestras, eventos. Além de pontos mais específicos como um pequeno panorama da linguagem Ruby e meu conceito sobre não se limitar a somente uma linguagem ou tecnologia. Se você é novo na comunidade Ruby talvez ajude a ter uma idéia de como chegamos onde estamos hoje.</p>
<p>O segundo saiu em fevereiro, no podcast do Paulo Silveira, o <a href="http://hipsters.tech"target="_blank" rel="noopener">Hipsters Ponto Tech</a> e o assunto foi <a href="http://hipsters.tech/carreira-em-tecnologia-hipsters-31/"target="_blank" rel="noopener">&ldquo;Carreira em Tecnologia&rdquo;</a>. Participaram os grandes Guilherme Silveira e Sérgio Lopes, e nessa conversa demos uma pincelada nos principais aspectos para quem está começando na carreira de programação. Vejam também os comentários, pois vários outros pontos de vista, opiniões e dicas surgiram dos ouvintes. De curiosidade, esse deu um pouquinho de trabalho porque gravamos um anterior mas como o Paulo ainda estava no início do podcast, ele refinou o processo e pediu para regravar este que acabou saindo. O formato e os temas mudaram um pouco para ficar mais focado, o que tornou a conversa melhor. Alguns dos assuntos que eu abordei na primeira tentativa acabei retomando nos podcasts seguintes desta lista.</p>
<p>O terceiro saiu no meio de maio a convite do Lucas Caton, que me apresentou ao Montanha e Ramon do podcast <a href="http://devnaestrada.com.br"target="_blank" rel="noopener">Dev na Estrada</a> e o tema foi <a href="http://devnaestrada.com.br/2017/05/18/vale-a-pena-ruby-on-rails.html"target="_blank" rel="noopener">&ldquo;Vale a pena? Ruby on Rails com Lucas Caton e Akita&rdquo;</a> onde novamente eu retomo um pouco da parte história da comunidade Ruby internacional e porque Ruby on Rails é diferente de todas as outras comunidades e porque ainda vale a pena investir seu tempo nesse ecossistema.</p>
<p>O quarto saiu no fim de maio e o Charles Wood me convidou novamente para o Ruby Rogues com o título de <a href="https://devchat.tv/ruby-rogues/ruby-story-fabio-akita"target="_blank" rel="noopener">&ldquo;My Ruby Story&rdquo;</a> (em inglês), mas desta vez para eu contar um pouco da minha história pessoal. Como comecei minha carreira. Como comecei com Ruby particularmente. O contexto histórico no mundo da tecnologia nos últimos 20 anos.</p>
<p>O quinto e último até agora saiu hoje, começo de junho. Retorno novamente com o Montanha do Dev na Estrada numa <a href="http://devnaestrada.com.br/2017/06/02/entrevista-fabio-akita.html"target="_blank" rel="noopener">&ldquo;Entrevista&rdquo;</a> para repetir um pouco do tema do Ruby Rogues sobre meu começo de carreira. Mas enquanto no Ruby Rogues eu passo muito rápido sobre o começo e vou para os últimos 10 anos onde foquei mais em Ruby, neste com o Montanha eu foco muito mais realmente no comecinho da minha carreira, particularmente os anos 90 e uma pincelada de 30 anos atrás até 10 anos atrás. Os anteriores são longos (média de 1h cada) mas esse em particular é MUITO longo (quase 2h!), peço desculpas pelo tamanho. Mas o Montanha começou &ldquo;conta do começo&rdquo; &hellip; eu tentei resumir e só contar alguns poucos pontos, mas mesmo assim ficou BEM longo!</p>
<p>Quem chegou a escutar um dos podcasts? O que acharam? Deixem seus comentários abaixo.</p>
]]></content:encoded><category>entrevistas</category><category>carreira</category><category>pessoal</category></item></channel></rss>