<rss version="2.0" xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"><channel><title>Economia | AkitaOnRails.com</title><link>https://akitaonrails.github.io/tags/economia/</link><description>Blog do Fabio Akita do Canal do YouTube 'Akitando' falando sobre tecnologia, carreira e coisas geek.</description><generator>Hugo -- gohugo.io</generator><language>pt-BR</language><lastBuildDate>Mon, 19 Oct 2026 23:20:48 +0000</lastBuildDate><atom:link href="https://akitaonrails.github.io/tags/economia/index.xml" rel="self" type="application/rss+xml"/><item><title>[Akitando] #132 - Rant: A Bolha de Startups Estourou?</title><link>https://akitaonrails.github.io/2022/11/22/akitando-132-rant-a-bolha-de-startups-estourou/</link><guid isPermaLink="true">https://akitaonrails.github.io/2022/11/22/akitando-132-rant-a-bolha-de-startups-estourou/</guid><pubDate>Tue, 22 Nov 2022 10:15:00 -0300</pubDate><description>&lt;div class="embed-container"&gt;
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&lt;p&gt;Hoje vamos entender o que eu tentei avisar em Junho de 2019, sem saber que uma pandemia iria acontecer. E o que você, se preparando pra entrar no mercado, precisa entender sobre sua carreira.&lt;/p&gt;</description><content:encoded><![CDATA[

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<p>2o Semestre de 2022: todo mundo está vendo toda grande tech startup e emrpesa de tecnologia fazendo demissões em massa depois de apresentar resultados ruins. Isso ainda pode continuar? Por que isso está acontecendo agora? O fim dos lockdowns não deveria ter melhorado tudo?</p>
<p>Hoje vamos entender o que eu tentei avisar em Junho de 2019, sem saber que uma pandemia iria acontecer. E o que você, se preparando pra entrar no mercado, precisa entender sobre sua carreira.</p>
<p>== Capítulos</p>
<ul>
<li>00:00 - Intro - Demissões em Massa em Tech</li>
<li>02:21 - Cap 1 - De Onde Vinha o Dinheiro? Venture Capital</li>
<li>06:15 - Cap 2 - Os Efeitos da Pandemia - Casa de Cartas</li>
<li>16:51 - Cap 3 - Pós-Pandemia e a Falta de Programadores - Excessos</li>
<li>21:14 - Ferramentas de Avaliação Financeira</li>
<li>27:15 - Cap 4 - O Escândalo da FTX - Criptomoedas</li>
<li>35:22 - Cap 5 - NÃO ACREDITEM EM INFLUENCERS - Cancelem Cursos</li>
<li>40:12 - Cap 6 - Estamos no Fim ou só no Começo? Crash de 2001?</li>
<li>43:48 - Bloopers</li>
</ul>
<p>== Links</p>
<ul>
<li>Tech Layoff Tracker (<a href="https://www.trueup.io/layoffs"target="_blank" rel="noopener">https://www.trueup.io/layoffs</a>)</li>
<li>TradingView (<a href="https://www.tradingview.com/"target="_blank" rel="noopener">https://www.tradingview.com/</a>)</li>
<li>Qualtrim Insights (<a href="https://qualtrim.com/insight"target="_blank" rel="noopener">https://qualtrim.com/insight</a>)</li>
</ul>
<h2>SCRIPT<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="script"></span>
    <a href="#script" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Olá pessoal, Fabio Akita</p>
<p>Estamos no fim de 2022 e todo mundo deve ter visto o tanto de demissões em massa em empresas de tecnologia. No fim de novembro a Amazon anunciou a demissão de 10 mil funcionários, boa parte  engenheiros. Pouco antes, tio Zuckerberg anunciou o resultado horrível da Meta e seguiu cortando 11 mil pessoas, boa parte engenheiros. Na mesma época tio Elon Musk comprou o Twitter e na sequência já cortou metade dos funcionários da empresa, mais de 3 mil pessoas. A Salesforce cortou 2 mil pessoas, a Netflix até que cortou pouco, só umas 450. A corretora Robinhood cortou 20% dos funcionários, a Snap cortou 20%, até a Intel que costuma ser mais estável cortou 20%. Só nas Big Tech dos Estados Unidos, foram pra lá de 120 mil demissões.</p>
<p>Vocês se lembram deste meu video de Junho de 2019 onde eu dizia que a bolha ia estourar? E depois este outro de Junho de 2021 onde  explico o que a pandemia causou na economia e o que ia acontecer em breve? Alguns aqui assistindo devem ter ouvido influencers, coaches, vendedores de curso uniesquina, todos falando que o Akita é negativo, que tá só espalhando medo, que é teoria da conspiração, terra planista. Pois bem, senhoras e senhores, não vou dizer que eu estava certo, mas pelo menos até agora tá próximo disso. E agora vou explicar como te enganaram até hoje.</p>
<p>(&hellip;)</p>
<p>Que o mercado de big tech estava inchado não era novidade pra ninguém que é sério. Vamos ver um exemplo que ilustra bem isso. Esta é a evolução do preço das ações do Facebook, agora Meta. De 2013 até meados de 2018, meros 5 anos, essa empresa valorizou mais de 500%. O preço da ação foi de 34 dólares pra mais de 200 dólares. Se fosse só ela poderíamos achar que foi uma exceção. Mas não, todo mundo tava assim. Vamos ver mais uma.</p>
<p>Se pegarmos o mesmo período, 2013 até 2018, as ações da Amazon subiram mais de 600%, pulando de 14 pra mais de 100 dólares. Imagina que sensacional, você investe 1400 dólares em 2013 e sai com 10 mil em 2018 sem fazer nada. E tava todo mundo assim, Microsoft, Apple, Google, Salesforce, Uber, Lyft, Netflix. Não é à toa que de repente o mundo de tecnologia se tornou as meninas dos olhos de Wall Street. O crescimento foi absurdo.</p>
<p>O que acontece é que todo mundo ao redor quer ver esse crescimento aumentando ainda mais, a qualquer custo. Então os fundos de investimento, os venture capitalists ou VCs, entraram no jogo pra alavancar todo mundo. É onde se vê nomes como Sequoia, Redpoint, Tiger, Softbank e outros. Toda hora a gente vê nas notícias, SoftBank colocou X milhões em startup fulano. SoftBank colocou Y milhões em em startup ciclano. Mas a gente olha pra essas startups e pensa &ldquo;cara, não é possível, esse business não vale tudo isso nem aqui, nem na China&rdquo;.</p>
<p>Ironia já que o dono da SoftBank, o Masayoshi Son se tornou famoso por ter apostado em Jack Ma do Alibaba antes dele ter virado gigante. Assim como o fundo de investimento Sequoia ficou famoso por ter acreditado no Mark Zuckerberg no começo do Facebook. É sempre assim que funciona: eles conseguem tirar a sorte grande, saem discursando como são mais inteligentes que todo mundo por terem sido visionários, e o resto do mundo, idiotas, acreditam que eles tem o toque de Midas e tudo que tocam vira ouro, sendo que a explicação mais simples e mais racional é sempre a mesma: só tiveram um tiro de sorte. Que inteligência você acredita que um ganhador da Loteria tem? Nenhuma. É a mesma coisa.</p>
<p>Só que nesse discurso eles atraem outros investidores pra junto deles. Assim como o Masa Son resolveu criar um segundo grande fundo, o Vision Fund, com objetivo de levantar nada menos que 100 bilhões de dólares pra investir em startups inovadoras. Onde ele conseguiu esse dinheiro? Com milionários do petróleo e sheiks do Oriente Médio. Todo mundo tava acreditando nesse papo de guru financeiro.</p>
<p>Os últimos 12 anos foram anormais. Tudo começou na última crise financeira de 2008, quando estourou a bolha imobiliária e muitos anunciavam que poderíamos estar pra reviver os anos negros da Grande Depressão de 1929. Justamente daquela época o que muito se critica o governo americano de Herbert Hoover foi ter demorado muito pra intervir e não ter intervido o suficiente. E em 2008 o presidente do Federal Reserve, o FED, Ben Bernanke, estava determinado a não cometer o mesmo erro e copiou a mesma estratégia do Banco do Japão de 2001, o que ficou conhecido como Quantitative Easing, ou QE.</p>
<p>QE é a compra e remoção dos ativos podres do mercado, pra agilizar a recuperação. Foi a compra massiva dos Mortage Backed Securities ou MBS que tinham contaminado todo o sistema financeiro em 2008. Na prática é imprimir muito, mas muito dinheiro, bilhões e bilhões, brrrrrrr. Não só isso mas também baixar as taxas de juro. Taxa de juros é o que você vê na TV quando falam em taxa Selic no Brasil. É o que se usa pra calcular, por exemplo, os juros que você paga quando financia uma casa ou pede empréstimo no banco. Quanto maior essa taxa, mais caro se paga em cada parcela que deve ao banco.</p>
<p>A queda na taxa de juros estimula a economia porque torna o crédito barato. Ao mesmo tempo diminui a rentabilidade de investimentos considerados seguros como papéis do Tesouro, CDB, Renda Fixa no caso de Brasil. Some essas duas coisas e acontece o seguinte: você é um fundo de investimento, se deixar a grana parado em papéis do tesouro, não vai render nada. As taxas de juro em determinado momento, chegaram muito perto de zero e todo mundo tava até cogitando o que ia acontecer se chegasse no elusivo caso de juros negativos. Literalmente o governo ia te pagar pra pegar dinheiro com eles, que é o que acontece no Japão.</p>
<p>Se não rende nada deixar em renda fixa, sua única alternativa é o mercado de risco, de ações, startups e coisas assim. É por isso que nos últimos 12 a 10 anos o mercado de tech explodiu: tinha muito, mas muito dinheiro sobrando. Todo fundo de investimento, hedge fund, family office saiu caçando todo mundo com montanhas de dinheiro parado, prometendo valuations absurdas no nível de Facebook ou Amazon pra todo mundo. E todo mundo acreditou.</p>
<p>Por 10 anos ficaram jogando dinheiro em tech startups esperando o momento de terem retorno desse investimento, quando abrissem IPO, que é quando a empresa se torna pública e seus papéis são negociados na bolsa de valores, atraindo ainda mais investidores. Mas chegou 2019 e veja o caso da Lyft por exemplo, concorrente do Uber e bem usado nos Estados Unidos. Todo mundo tinha expectativas que valorizaria muito. A ação abriu custando uns 88 dólares no dia 25 de março de 2019 e 1 ano depois, em março de 2020 tinha caído pra 20 dólares. O que aconteceu?</p>
<p>Na época que postei o video se a Bolha das Startups ia estourar, que foi Junho de 2019, eu tinha na cabeça que se fosse vir uma correção, era provável que seria por volta de 2020 ou 2021. Por isso postei o video achando que estava avisando com 6 meses a 1 ano de antecedência. Mas o que nem eu e nem ninguém fora da China podia imaginar é que em Março de 2020 estaríamos fazendo um lockdown mundial por causa de uma pandemia global, coisa que não se via faz mais de um século.</p>
<p>A pandemia veio nos 45 do segundo tempo, na prorrogação, e salvou o mundo da tecnologia do crash iminente. Foi um efeito colateral inesperado. E os sinais ficavam mais claros no fim de dezembro de 2019, quando a NASDAQ teve sua primeira grande queda em 10 anos. Mas a pandemia chegou bem a tempo de impedir essa correção. O que aconteceu foi simples: tranca todo mundo em casa. Esse movimento teve como efeito aumentar exponencialmente a demanda por todo tipo de serviço online possível.</p>
<p>Todo mundo que vendia infraestrutura, como VPNs, software de cooperação e comunicação como Zoom, Slack, com trabalho tendo que virar remoto, a demanda por soluções pra isso explodiu. Todo mundo precisa comer, serviços como iFood aumentaram absurdamente. Ninguém mais podia sair pra se entreter em cinema, bar ou balada, então serviços de streaming como Netflix, Disney+ e outros aumentaram absurdamente. Não dá pra ir nas lojas, mas continuamos precisando comprar coisas, então lojas online como Mercado Livre, Amazon e outros aumentaram absurdamente. E pra conseguir atender toda essa nova demanda massiva, precisava de mais infraestrutura, mais engenheiros, e a demanda por programadores, devops, infosec, data scientists e tudo mais ao redor, também aumentou absurdamente.</p>
<p>Tudo na economia caiu, comerciantes de rua, restaurantes, hotéis, viagens, menos tecnologia, que cresceu a níveis extraordinários. Se a casa de cartas já tava alta e prestes a colapsar no fim de 2019, a gente aumentou mais andares ainda em cima dessa casa. O caso clássico foi a Netflix, que atingiu seu All Time High, ou seja o preço mais alto já negociado nas suas ações em Junho de 2018,  negociado na faixa de 420 dólares. Desde então caiu um pouco, tentou subir, caiu de novo e em setembro de 2019 tava baixo na faixa de 240 dólares. Uma queda de quase 40% em 1 ano. Mas aí chegou a pandemia.</p>
<p>Em novembro de 2021, mais de 1 ano depois do começo oficial dos lockdowns, as ações dela foram pra quase 700 dólares, um aumento de mais de 160%. Mas ela foi conservadora. Veja o Zoom, que todo mundo passou a usar pra trabalhar remoto. Saiu da faixa de 80 dólares no começo de 2020 pra quase 600 dólares no fim de 2020, um aumento absurdo de quase 800%.  Amazon subiu 120%, Google subiu quase 200%, a Meta foi uns 180%, Apple foi uns 200%. Todo mundo tava subindo 200% ou mais nesse período.</p>
<p>Por causa da pandemia todos os governos do mundo literalmente seguiram a cartilha do &ldquo;A Economia a gente vê depois&rdquo;. Os níveis de Quantitative Easing que foram feitos pra salvar o mercado financeiro em 2008, na crise que muitos consideravam que poderia ser o fim do capitalismo, foi fichinha comparado com a quantidade de dinheiro impresso entre 2020 e 2021, foram trilhões e trilhões, o equivalente ao PIB desses países. É como se você se endividasse num valor muito superior ao que ganha de salário durante o ano todo, de uma só vez, só que no nível de países. Se alguém era fã de Universal Basic Income, essa foi a maior distribuição de renda diretamente pra pessoas que já se viu na história. Máquina de imprimir dinheiro nunca fez tanto brrrrrrrrrrr</p>
<p>Isso deveria ter feito a inflação explodir, mas como tava todo mundo preso em casa, boa parte dessa inflação ficou contida. Mas não no mercado financeiro. Esses aumentos de preço de ações que eu falei, 200% ou mais, foi justamente isso: inflação. Mas o que todo mundo viu nas notícias foi que era possível imprimir dinheiro e não ter inflação, parecia um milagre, no meio de uma pandemia. 2020 foi um ano bizarro. Só porque você não vê não significa que não existe, só que você não sabe onde olhar. Alguns de nós sabíamos.</p>
<p>Aí chegamos no fim de 2021, começo de 2022. A pandemia chegou ao fim, a maior parte dos lockdows impostos pelo mundo foram derrubados. Todo mundo voltou à vida normal. E os efeitos da gastança desenfreada começaram a aparecer. É impossível imprimir dinheiro e não ter inflação e foi o que aconteceu nos Estados Unidos. Pra quem não acompanha, pela primeira vez em não sei quantas décadas a inflação lá está maior do que aqui no Brasil. Já pararam pra imaginar isso? 7% lá contra 4% aqui. Americano não sabe lidar com isso não. Eles chegaram perigosamente próximos de ter inflação de 2 dígitos, uma catástrofe.</p>
<p>E só pra piorar o tio Putin resolveu lidar o foda-se e começar uma Guerra. Bora lá invadir a Ucrânia, por que não? Todos os líderes mundiais do Ocidente são os maiores bundões que já se viu na história tudo de uma só vez. Trudeau, Macron, o senil do Biden. De imediato isso causou sérios problemas no preço da energia, petróleo e principalmente gás natural. A Europa, em particular a Alemanha, que tomou a decisão estúpida de fechar usinas nucleares, ficou na mão da Rússia. Tivemos todo o imbróglio do Nordstream. Com tudo isso, o FED foi obrigado a subir as taxas de juros. Lembram? As taxas que tava perigando ficar negativo, começou a subir, 25 pontos, 50 pontos, em toda reunião do FOMC e agora já está em na faixa de 3% e pode subir mais.</p>
<p>Some a isso que todas as apresentações de resultados de empresas de tecnologia em 2022 foram ruins. Lockdown acabou, demanda diminuiu. E lógico, resultados ruins se comparados ao pico da pandemia um ano antes. A demanda por serviços caiu à medida que as pessoas puderam parar de ficar presas em casa. Serviços de delivery, vendas online, streaming, tudo caiu. Quanto eu falei que o Netflix subiu no pico da pandemia? 160%? Até agora, em novembro de 2022, ela perdeu 55% do seu valor.</p>
<p>Alguém pode pensar, &ldquo;ah, se cresceu 160% e perdeu só 55%, não é tão ruim assim&rdquo;. Isso porque você não sabe pensar em percentual. Quando seu preço é faixa de 280 dólares e crescer 160%, vai pra quase 700 dólares, é crescimento de quase 2.5x. Cada 100% a mais é dobrar. Mas quando cai, cair 50% significa perder metade do valor. Então essa queda de 55% devolveu o Netflix pra níveis semelhantes de antes da pandemia, pra faixa de 300 dólares. Pra recuperar não é subir os mesmos 55% mas sim 100%. Se você perdeu metade do valor, pra recuperar agora precisa dobrar. Todo a valorização que ela ganhou durante a pandemia, se perdeu em 2022. Só tem um problema: eles contratarm bastante gente e investiram mais. Então você tá valendo a mesma coisa de antes só que gastando muito mais.</p>
<p>E isso aconteceu com todo mundo. Veja a Amazon, cresceu 120% mas em 2022 caiu quase 50% e mesma coisa, voltou pro mesmo patamar de antes da pandemia. Veja o Zoom, que cresceu quase 800%, em 2022 perdeu 85% do valor, novamente, voltando pros patamares de antes da pandemia. Literalmente todo mundo de tech teve comportamento semelhante, salvo alguns poucos que tem excelência em gestão como a Apple, que ainda retém boa parte do crescimento que teve.</p>
<p>Portanto temos a tempestade perfeita pra retomar o crash que deveria ter acontecido no começo de 2020, a que eu estava avisando em 2019: uma alta drástica na demanda que fez todo mundo investir mais e contratar mais durante 2020 e 2021, seguida de uma baixa na demanda, que derrubou a receita de todo mundo, seguida de taxas de juros elevadas, o que faz muitos dos investidores que antes eram obrigados a investir em mercado de risco a voltar pra investimentos mais seguros como papéis do tesouro. Seguido dos resultados ruins de todo mundo durante o ano e o que temos é o que vocês estão vendo agora: demissões em massa.</p>
<p>Como listei no começo do video, Amazon teve que demitir 11 mil funcionários. Meta com seu fracassado plano de Metaverso, que já consumiu 8 bilhões de investimento sem ter nenhum resultado, teve que demitir outros 11 mil funcionários. E assim segue todas as Big Tech, deixando na rua mais de centenas de milhares de pessoas, que já é mais demissões do que tivemos no pico do Crash da Bolha da Internet de 2001. E essa ainda parece ser só a primeira perna desse crash. Muitos acreditam que ainda vamos ter um segundo crash nessa faixa de 50% antes de podermos declarar que atingimos o fundo.</p>
<p>A tal SoftBank, que era a menina dos olhos do mundo de startups, que teve sorte uma vez com o Alibaba, fez investimento ruim atrás de investimento ruim. O mais notável foi a queda da WeWork, nas mãos do hipster louco do Adam Newmann. Da abertura do IPO até agora ela perdeu 70% do valor. Nunca gerou nenhum valor pros investidores e manchou pra sempre a reputação da SoftBank. E o antes guru genial Masayoshi Son agora deve 4 bilhões de dólares pro Vision Fund que ele ajudou a criar e deixa o cargo de CEO depois tanta aposta ruim.</p>
<p>Caso semelhante foi o fundo de investimento Arkk Innovation que só investia em startups de risco que eles categorizam como altamente inovadores. A guru do investimento Cathie Wood atraiu muito investidor e durante a pandemia também teve um crescimento meteórico de quase 400%. Só que como todo mundo, em 2022, perdeu 75% desse valor. Todos os grandes gurus foram massacrados este ano. Todos foram expostos como tendo tido sorte durante um período econômico favorável e não porque eram gênios. Um verdadero gênio estaria ganhando dinheiro em 2022 onde todo mundo perdeu. E nenhum deles conseguiu isso.</p>
<p>Durante os últimos 10 anos, em particular nos 2 anos de pandemia, a demanda por programadores atingiu All Time High, a maior demanda da história ever. Toda tech startup minimamente competente conseguia atrair investidores a rodo. Tinha dinheiro sobrando, alta liquidez. E todo mundo tinha ânsia de crescer rápido, conseguir chegar no tão sonhado IPO e virar bilionário. Então estavam contratando como se não houvesse amanhã. Logo começou a faltar programadores no mercado.</p>
<p>Eu senti isso na pele. Entre 2020 e 2021, a demanda pelos programadores da minha empresa aumentou de forma absurda. Sério, tinha fila de gente querendo contratar. Todos os dias alguém queria mais programadores. Mesmo eu aumentando preços, nem assim eles desistiam. Se eu tivesse sido ganancioso e aproveitado a ocasião pra, por exemplo, consolidar e comprar concorrentes menores, dobrar o número de colabores, eu teria alocado todos com facilidade pelo dobro do preço. Ainda bem que não fiz isso, porque senão agora eu estaria na mesma lista de todo mundo que tá precisando fazer demissão em massa.</p>
<p>Por isso cursos foram um excelente negócio durante esse período, porque realmente estava razoavelmente fácil qualquer empresa contratar qualquer programador, independente do nível técnico dele, pela simples escassez do mercado. Bootcamps, cursos com marketing de &ldquo;estude 6 meses e tenha emprego garantido&rdquo; estava muito fácil. Se soubesse inglês então, todo mundo conseguia ir pro Canadá, pra Alemanha, pra todo lugar. Só que num mercado em crise como agora, quem você acha que vai ser cortado primeiro? Pois é.</p>
<p>Muita gente pensa, &ldquo;porra, olha os números da Meta. Os caras faturaram quase 30 bilhões de dólares&rdquo;. E é assim todo trimestre. Olha só como eles ganham bem pra caramba. Pra que precisava demitir 11 mil funcionários? Opa, calma lá, eles investiram muito e tiveram muitas despesas nesse período. O que realmente sobra de dinheiro, é o que chamamos de Free Cash Flow, fluxo de caixa livre. É o dinheiro que realmente se tem em caixa. E como investidor é o que você precisa prestar atenção. Deixa eu explicar como esses números realmente funcionam.</p>
<p>No caso da Meta, olha que ridículo. Até o fim de 2021 só crescia, chegou a sobrar 12 bilhões de dólares em caixa. Mas olha 2022. Caiu pra 8 bilhões, depois 4 bilhões e o último relatório diz que agora sobrou só 320 milhões. Pra dar dimensão pra vocês, pensa em dezembro de 2021 sobrando 12 mil reais de grana no saldo da sua conta. Agora você olha em setembro de 2022 e sobrou só 320 reais. Sim, não 3 mil e 200, 320 reais. Você ficaria preocupado?</p>
<p>Mas isso não é tudo. Principalmente nos Estados Unidos, engenheiros de software não costumam ser pagos só em dinheiro. Boa parte do que atraía eles pra trabalhar numa tech startup era ganhar as tais stock options, que quando era liberado, dava a oportunidade deles poderem comprar ações da empresa a preço mais baixo do que o mercado. É a estratégia pra manter você motivado já que faz você sentir que sua performance vai te dar mais lucro no futuro e também pra te reter já que options tem período de vesting, onde só se recebe essa opções de compra depois de alguns meses ou anos.</p>
<p>Só que ela tem outra vantagem: compensação com stock options é considerado non-cash expenditure ou gastos não em dinheiro, portanto não subtrai da conta de fluxo de caixa livre. Vamos voltar pro gráfico de cash flow da Meta. Como disse antes, vem caindo, mas pelo menos tá sobrando dinheiro, certo? 320 milhões dá pra pagar bastante gente. Nope, nessa ferramenta que estou usando posso mostrar o que foi gasto com stock options e olha só, na realidade eles tão no negativo! 320 milhões de fluxo de caixa nesse trimestre contra nada menos que mais de 3 bilhões em compensação de stock options!</p>
<p>A Meta tá efetivamente no negativo. Eles dobraram a quantidade de funcionários, boa parte sendo engenheiros, e pra atrair tanto engenheiro numa época onde programador tava em falta e super valorizado, ofereceram muita stock option como compensação. Isso significa que os investidores estavam sendo diluídos, o que diminui o valor de cada ação. Eles precisam rebalancear isso logo. E justamente por isso se justifica a demissão em massa que tiveram que fazer e os novos planos de tirar o foco do metaverso e tentar monetizar outros produtos como o Whatsapp. É assim que se lê os números de uma empresa.</p>
<p>Falando em ferramenta, antes que me perguntem, estou usando duas neste video, a primeira é a famosa TradingView que todo mundo que acompanha bolsa de valores usa todo dia. A versão gratuita é suficiente e ela facilita acompanhar e visualizar a evolução de preços de ações do mundo todo, fazer price discovery e análise técnica com as ferramentas gráficas. Todo dia eu bato o olho em diversas ações que gosto de acompanhar pra saber como anda o mundo.</p>
<p>A segunda ferramenta eu descobri num canal de YouTube, do Joseph Carlton. Eu passei a acompanhar ele porque gosto das análises. É um seguidor do livro de Warren Buffett, e é o oposto dos grafistas que acompanham só gráficos. Ele prefere o estilo mais fundamentalista de investir em empresas que tem fundamentos bons, que parecem bem administrados e tem bom histórico de retorno. É um estilo bem mais conservador, que eu gosto.</p>
<p>Eu não tenho vocação pra ser super arriscado fazendo day trading. Prefiro colocar meu dinheiro em empresas confiáveis e deixar lá por anos. Enfim, ele criou essa ferramenta pra facilitar avaliar os dados publicados por essas empresas. A ferramenta se chama Qualtrim Insight e pra ter acesso precisa assinar o Patreon dele. Achei super barato e a ferramenta é eficiente, então assinei.</p>
<p>Pra análise fundamentalista, precisa saber minimamente ler os números da empresa. As empresas públicas com ações negociadas na bolsa de valores precisam publicar esses relatórios todo trimestre, como manda a regulamentação, é por isso que temos esses dados. Deixa eu mostrar como é uma empresa pública de administração exemplar. A melhor que eu conheço é a Apple. E não porque eu sou fanboy, nem uso produtos Apple mais, mas pelos números mesmo. Primeiro no Trading View. Como todo mundo, ela também caiu esse ano, mas enquanto muitas caíram 50%, 70% ou mais, a Apple desvalorizou só pouco mais de 15%, o que é excelente.</p>
<p>Vamos ver faturamento, receitas e olha só isso. Ano após ano, a receita cresce muito. Em 2022 são quase 400 bilhões de dólares. Mas só faturar muito não significa nada se a empresa tá excessivamente endividada, então vamos ver fluxo de caixa livre e olha só, sobra dinheiro. Este ano ela tem em caixa mais de 100 bilhões. Dá pra comprar 2 Twitters e ainda sobra troco. Mas e compensação com stock options? Ela não fez a mesma coisa que a Meta e contratou a rodo?</p>
<p>Não, olha isso que coisa linda, 9 bilhões de compensação em options contra 111 bilhões de free cash flow. Tem 10x mais dinheiro líquido do que diluição das ações. Ela sabe contratar muito bem. Ela gera muito dinheiro, por isso mesmo distribuindo stock options, proporcionalmente, é muito pouco. Além disso veja como ela distribui dividendos e sempre vai aumentando ao longo do tempo, que todo investidor gosta. Ao mesmo tempo a quantidade de shares outstanding está diminuindo, o que significa que ela recompra as próprias ações. A Apple faz o oposto de diluir, ela valoriza as ações.</p>
<p>Empresas que alavancam às custas de investidor aumentam shares outstanding, ou seja, vendem mais ações e diluem os investidores atuais, diminuindo o valor de cada um. Quando a empresa recompra as ações, ela tira as ações de circulação, recupera mais controle da empresa ao mesmo tempo que valoriza quem investiu nela. Como investidor eu sempre quero ver empresas que distribuem dividendos, recompram ações, mas ao mesmo tempo não deixam de investir em melhorar o negócio.</p>
<p>Que é exatamente o que a Apple faz. Veja com as despesas dela aumentaram. Isso pode ser compra de outras empresas menores, pode ser pesquisa e desenvolvimento. É desse dinheiro que ela faz fábricas e desenvolve os novos chips M1 e M2. Mas ela continua aumentando esses gastos, ou seja, continua investindo no futuro da empresa. E faz isso sem ter que diluir investidor, aumentando fluxo de caixa e veja o lucro líquido, sempre crescendo. A Apple é o modelo que toda empresa gostaria de ser. Pouquíssimas empresas no mercado tem esse perfil, em qualquer área, não só tech.</p>
<p>Agora vamos ver uma que eu não ficaria confortável em investir, o oposto de uma Apple. Vamos ver a Shopify, plataforma de e-commerce que abriu IPO não faz muito tempo, por volta de 2016. Como todas as outras, teve crescimento meteórico, o preço das ações foi de uns 3 dólares pra mais de 160, crescimento absurdo de mais de 5 mil porcento! Mas nem preciso dizer o que aconteceu em 2022 né? Caiu mais de 80%. Continua com preço acima do IPO, o que não é ruim considerando todos os fatores, mas a história não acaba aqui.</p>
<p>Ela trabalha direitinho, veja as receitas, crescendo trimestre após trimestre, o que é sempre bom de ver. Ela sempre teve um Ebitda baixo, mas pelo menos era positivo. Em 2020 e 2021 foi quando ela explodiu pelos efeitos da pandemia que expliquei antes. Ebitda excelente, mas chegou 2022 e ela despencou espetacularmente no negativo. Números horrorosos.</p>
<p>E por que? Olhe os gastos e investimentos, vieram crescendo substancialmente e constantemente. E o fluxo de caixa livre? Uma grande bosta. Negativo em 2022, mais de 200 milhões negativo no último trimestre. Essa é uma empresa que sempre se orgulhou dos engenheiros que tem, portanto eles são muito bem compensados com stock options e, de fato, nesse mesmo último trimestre pagou quase 150 milhões de dólares em stock options. É a tendência oposta que um investidor gostaria de ver: olhe a curva de stock options subindo e a de fluxo de caixa decaindo, inversamente proporcionais, horrível.</p>
<p>E não é só isso, sendo uma empresa nova, ela ainda não distribui nenhum dividendo e vem pagando todas essas despesas em boa parte com dinheiro de investidor, diluindo as ações. Veja como shares outstanding só cresce também. Em julho ela demitiu 10% dos funcionários. Essas pessoas tiveram um pouco de sorte porque isso foi antes das demissões em massa das outras big techs, então a maioria conseguiu se recolocar com menos concorrência.</p>
<p>Mas olhando esses gráficos, eles não demitiram o suficiente ainda. Pelo jeito acreditam que o mercado pode virar no curto prazo, mas eu não contaria com isso. Essas contas precisam ser desesperadamente rebalanceadas logo. Eles incharam pra uns 5 mil funcionários. É gente demais. Em setembro demitiram só um pouquinho, meros 70. Mas pra rebalancear precisam cortar muito mais.</p>
<p>Se sairmos olhando todas as tech startups do mercado, todas se parecem com a Shopify, ou muito pior, e passam longe da excelência da Apple. Por isso estão já demitindo em massa ou muito em breve vão ter que demitir. Os fundos de investimentos estão secos. Não tem mais SoftBank pra ficar salvando startup ineficiente. Com os juros altos e inflação alta, vai ser bem mais caro conseguir dinheiro no mercado. E sem fluxo de caixa livre, é questão de tempo pra não conseguirem mais pagar funcionários.</p>
<p>Pra piorar mais ainda, agora em novembro de 2022 também tivemos o crash da corretora FTX de criptomoedas, que expôs diversos defeitos e corrupção em partidos políticos e no governo americano. Em resumo, a FTX de Sam Bankman-Fried cometeu fraude no nível do lendário Bernie Madoff, desfalcou milhares de investidores em bilhões de dólares e causou um efeito dominó que deve estourar em diversas outras tech startups e fintechs, não só de criptomoedas.</p>
<p>Basicamente, quem queria comprar criptomoedas e tokens nessa corretora fazia depósito em dólares pro banco que é parceira deles, a Alameda Research, cujo dono também é o próprio Sam. Ele deixou a ex namorada retardada dele no comando, uma figura que ficava tweetando como é legal tomar anfetaminas. E esse animal era responsável por gerenciar 10 bilhões de dólares. A FTX tinha um token, a FTT, que era negociado na FTX e servia como incentivo pro pessoal continuar transacionando lá e mantendo seus ativos dentro da corretora. Provavelmente aquele esquema de quanto mais tempo você deixa seu dinheiro lá, mais tokens vai ganhando, daí os trouxas não tiram.</p>
<p>O Sam pegava 10 milhões de dólares equivalentes em tokens FTT e usava como colateral, como garantia, pra pedir empréstimo pro banco Alameda. Por exemplo, me empresta 100 milhões de dólares reais e fica com esses 10 milhões em token que eu tirei do Koo, como garantia. E com esse dinheiro ele comprava políticos e celebridades. Vejam, ele chegou a ter um estádio em Miami com seu nome, a FTX Arena. Eles patrocinavam a Mercedes na F1, todo mundo que acompanha viu nos bonés deles. O Sam era parça do Bill Clinton, Leonardo DiCaprio, os típicos manés que todo fraudador adora andar junto e foi um dos maiores patrocinadores da campanha do senil do Joe Biden. Pensem nisso por 2 segundos. E o comercial de TV da FTX tinha ninguém menos que Tom Brady e Gisele Bundchen. Um papelão.</p>
<p>Pois bem, o Sam resolveu criar esse personagem idiota de bilionário nerd do bem. Inventou esse bullshit chamado &ldquo;altruísmo efetivo&rdquo;. Eu nem tô brincando &hellip; Que todo mundo da mídia amava, porque o discurso era que ele queria maximizar quanto dinheiro ganhar pra conseguir maximizar quanto podia doar. A mídia amava ele patrocinando campanhas pró-vacinação de Covid. Era o queridinho da América, capa da Forbes, Fortune e tudo mais. E se envolveu em querer ditar pro Congresso Americano como regulamentação do mercado de criptomoedas deveria ser.</p>
<p>Isso é muito inteligente. Se não dá pra evitar ter regulamentação, a melhor coisa é pagar pra políticos pra desenhar uma que fode ele pouco mas fode bastante toda a concorrência. E nisso, a Binance, a número um desse mercado, não ficou feliz. No começo da FTX, a fundador da Binance, o lendário CZ, fez um bom investimento pra ajudar eles. Mas depois que o Sam começou a apunhalar pelas costas, falando mau deles pra comissão de regulamentação, o CZ resolveu devolver à altura: tweetou que ia liquidar todos os tokens que ganhou pelo investimento na FTX. Um dump colossal.</p>
<p>Quando uma baleia faz um dump desse tamanho, um ativo que era pra ser escasso passa ter em excesso, ou seja, o preço instantaneamente implode e cai como se não houvesse amanhã, e isso gera uma corrida aos bancos, porque ninguém quer ser o último segurando esse token depois que todo mundo vender antes. O valor da FTX, que era todo em cima desse token, despencou de uns 15 bilhões pra menos de 1 bilhão no espaço de poucas horas.</p>
<p>Daí travaram os saques da corretora, vazamentos começaram a acontecer, e descobriram que a corretora não tinha o dinheiro dos investidores na conta. Pior, eles sequem tinham os bitcoins que vendiam, nenhum. O Sam gastou o dinheiro. No desespero, o Sam descobriu que pagar celebridade não serve pra nada, porque na hora do aperto todo mundo some. E foi obrigado a ligar pra ninguém menos que o próprio CZ pedindo pra comprar ele. O CZ tweetou que estava considerando mas no dia seguinte tweetou de novo dizendo que não tinha mais interesse depois de avaliar os números que teve acesso. Foi o prego no caixão.</p>
<p>No mesmo dia a FTX abriu falência. E não eram só duas empresas, a FTX e a Alameda, mas um conglomerado de umas 100 entidades jurídicas que ele criou em torno dessa fraude, um monte de empresas fantasmas pra lavar dinheiro. Uma fraude em proporções bíblicas. E essa novela ainda tá em andamento, o Sam continua foragido, todo mundo tá coçando a cabeça se questionando como confiaram num banco de moleques drogados de 25 anos que praticavam orgias no Bahamas com dinheiro dos outros.</p>
<p>Até o Kevin O&rsquo;Leiry, investidor do programa Shark Tank se ferrrou porque ele investiu e fazia propaganda a favor da FTX. Agora tá se lamentando no TikTok. Puta papelão. Por isso eu falo: nunca acreditem nessa história do fundador shark tank gênio guru abraçador de árvores que quer salvar o planeta, esse é o discurso padrão de todo charlatão ladrão vendendo óleo de cobra. Foi a mesma coisa com o Adam Newmann que fundou a WeWork e fodeu com a SoftBank. Foi a mesma coisa com a Elizabeth Holmes e a Theranos anos antes.</p>
<p>Aliás, Holmes que finalmente foi sentenciada agora no fim de novembro a ter que cumprir 11 anos de prisão. Se não conhecem a história da Theranos tem vários documentários a respeito já, podem procurar. E comparado com a FTX, a Theranos foi brincadeira de criança. O Sam precisa ser condenado a no mínimo o dobro disso sem direito a condicional. Mas sabemos que ele não vai, porque se meteu demais com política. Ou ele termina foragido e some pra sempre ou aparece o corpo com nota de suicídio em breve em algum lugar no sudeste asiático.</p>
<p>Ele fez o papel dele tão direitinho que olha só como a impressa tem tratado esse ladrão. Reuters: Sam Bankman Fried fez um favor ao sistema financeiro. Brincadeira. Na Forbes: Rainha Caroline, a jovem de 29 anos amante de riscos enroscada no colapso da FTX. Forbes virou uma piada. The Washington Post: O colapso da FTX prejudica os esforços do fundador pra prevenir outra pandemia. Caraca, esse povo virou mesmo terra planista. Notem, nenhum chama eles de ladrões ou fraudadores. Estão com pena deles! Agora veja o que o próprio Sam conversou com repórter da Vox quando foi questionado sobre seu discurso sobre ética: ele disse literalmente, é assim que se constrói reputação, nesse jogo idiota ocidental de woke, nós dizemos todas as merdas que eles querem pra que eles gostem da gente.</p>
<p>Todo discurso de sinalização virtuosa é cuidadosamente produzido pra atrair os idiotas online, políticos e celebridades pra ficarem a seu favor. Até um drogado ladrão de 25 anos sabe disso. E todo mundo continua caindo nesse discursinho de salvador da pátria, abraçador de árvore. Vocês são muito burros.</p>
<p>O problema é que nos últimos 10 anos surgiram dezenas de Sams, Adams, Elizabeths e todo mundo investiu bilhões e bilhões, porque tinha dinheiro fácil. De onde vinha esse dinheiro? Nos Estados Unidos toda aposentadoria é privada, tem fundos de pensão que administram o dinheiro de trabalhadores pra eles poderem se aposentar no futuro. No caso da FTX, por exemplo, o fundo de pensão dos professores de Ontario, do Canadá, se ferraram, perderam todo o dinheiro.</p>
<p>E não foi porque eram excessivamente gananciosos. O problema como eu disse é que a taxa de juros americana tava no zero, quase negativo, ou seja, não tinha nenhum investimento seguro como papéis do tesouro pra deixar o dinheiro rendendo. Então todos se viram obrigados a colocar esse dinheiro junto com hedge funds, como uma SoftBank, como uma Sequoia, Tiger, e dezenas de outras. Era só ver os gráficos: toda tech startup só subia, independente se tinha fluxo de caixa livre ou não, era um milagre. Por isso que tinha tanto hipster idiota falando que ninguém mais precisava trabalhar e o governo só deveria imprimir e distribuir mais dinheiro de graça pra todo mundo.</p>
<p>Mas agora a conta chegou. A conta sempre chega. Não existe isso de distribuir dinheiro infinito a custo zero. Fazer discurso bonitinho lacrador não trás fluxo de caixa livre. E no fim é só isso que interessa: fluxo de caixa livre: faturar mais do que gasta. Essa é a conta mais fundamental de todas. Não precisa ser analista cocainado de Wall Street nem engenheiro da Nasa pra entender essa conta: nunca gaste mais do que ganha. Só isso. Fiquem espertos, toda empresa que precisa gastar mais do que ganha, com o discurso que agora é a hora pra conseguir crescer e atingir o bilhão, é um charlatão, e vai implodir em breve.</p>
<p>Veja alguns sinais meio óbvios. O dinheiro tá secando. Investidor tá vazando. Como conseguir mais dinheiro? Começa a vender criptomoeda. Vende bitcoin mas diz que não pode sacar, tem que manter na plataforma. Foi o que a FTX fez. Quem comprou Bitcoin lá nunca realmente teve Bitcoin, a FTX sequer tinha os bitcoins pra eles. Era tudo mentira. Depois invente um NFT, Token, stablecoin ou qualquer coisa assim, mais papel que não vale nada, e bote umas celebridades reconhecidas pra fazer propaganda pra você. Todo mundo que segue esse caminho termina na merda. Escrevam o que estou dizendo, vocês foram avisados. Not your keys, not your coins. Se  não está na carteira que você, e só você controla a chave privada, então essas moedas não existem.</p>
<p>E o que acontece agora? Pra nossa realidade, de programadores, o cenário é o pior possível. Faça as contas. Se todo mundo tá demitindo ou deixando de contratar, vai ficar muito, mas muito mais difícil e concorrido conseguir boas vagas. Quem entrou no mercado faz poucos meses precisa botar a mão na consciência. Todo influencer que vende curso veio com esse discurso idiota de &ldquo;é fácil, faça um bootcamp de 6 meses e tenha emprego garantido ganhando 10 mil reais&rdquo;. Já era balela antes, mas dava pra enganar porque todo mundo via que toda empresa contratava qualquer um sem parar. Era muito fácil cair nesse conto do vigário.</p>
<p>Mas agora não tem mais essa mamata. Eu venho dizendo isso desde que comecei o canal: não acreditem em influencers, e era especificamente influencers que vendem cursos e sonho de emprego garantido que ganha muito fazendo pouco esforço. Teve milhares de programadores que foram demitidos agora, muitos deles formados em faculdades renomadas como Stanford, MIT, Harvard. Esses vão se recolocar fácil.</p>
<p>Todo mundo que só estudou alguns cursos por aí, vai pro fim da fila. Pro fim da fila que vai ter centenas de milhares de pessoas. É óbvio. Se agora a empresa tem opção de contratar alguém que fez 4 anos de faculdade e alguém que fez 4 meses de curso, quem acha que vão escolher? Pior, lembra a idéia de mudar de país? A empresa da Europa, que agora se vê obrigado a cortar custos e demitir. Entre manter um funcionário nascido no mesmo país e um imigrante, quem você acha que eles vão cortar primeiro? Precisa desenhar?</p>
<p>Pra todo jovem que tava em dúvida, ansioso porque via todo influencer botando pressão, falando que fazer faculdade era inútil, que bastava pagar o curso dele que você tava garantido. Acabou a ansiedade. Bloqueie esse influencer, cancele todos os cursos, e vá pra uma faculdade de verdade com boa reputação. Abandone as uniesquinas. Aprenda inglês direitinho. Esqueça os atalhos e caminhos mais curtos. Vai levar uns 2 anos ou mais pro mercado começar a se recuperar, uns 5 anos ou mais pra voltar a crescer como antes. Se você achava que não tinha tempo, agora tem bastante tempo.</p>
<p>Lembra o que eu falei no video de Dimensão do Tempo? Sim, você estava mesmo atrasado pra surfar esse último ciclo. Ele já acabou, mas talvez esteja adiantado pra conseguir surfar o próximo ciclo. E pra isso precisa estar muito melhor preparado que todo mundo, porque a concorrência aumentou exponencialmente. Por um lado isso é ótimo, porque todo freeloader, aproveitador, que só dizia que sabia alguma coisa mas realmente nunca precisou trabalhar de verdade, agora vai ser massacrado pela concorrência massiva. Vai ser o maior tapa na cara da história, e vai doer. E isso vai filtrar o mercado. É uma lei da natureza: seleção natural.</p>
<p>Eu não nasci pra ser cantor, nem artista, nem médico, nem chef, nem nada disso. Eu jamais desrespeitaria essas áreas dizendo que são fáceis e qualquer um pode virar médico ou artista. Porque isso não é verdade. Poucos tem aptidão e principalmente suportam a dor do esforço pra isso. Mesma coisa pra programação, nem todo mundo nasceu pra ser programador. E isso não é um defeito, é a vida. Programação não é fácil. Eu fiz um video inteiro explicando isso. Esqueça o que um influencer vendedor de curso diz: não é fácil. Ele vai sempre te dizer que é, porque obviamente, quer enfiar um curso goela abaixo. Não engula, não consuma mais esses cursos.</p>
<p>Sabe aquela história de programador que diz que é só front-end e não quer aprender nada de back-end? Vai acabar essa mamata também. O full-stack vai voltar a ser a preferência mais valorizada. Programador é programador e não meio-programador. Sabe backend que fala que não quer saber nada de devops? Acabou. Lembra o que eu sempre falo? Numa crise, quem sabe aprender rápido, não ficar só reclamando e sabe se virar, é quem não vai ter problemas. Todo mimizento, limitado, e crocodilo, da boca grande e braço curto, se fodeu. Já não era sem tempo.</p>
<p>Na pior das hipóteses, o crash de 50% que tivemos este ano é só a primeira perna. No crash da Internet de 2001 tivemos uma primeira correção como agora, daí o mercado rapidamente voltou a crescer, o otimismo começou a voltar, e na sequência tivemos uma segunda perna de crash muito pior. Veja nesse gráfico como foi. Essa foi a primeira queda, seguida de otimismo, e uma segunda queda. As coisas só começaram a voltar de novo depois de 2004. Por isso eu falo que pode levar de 2 a 4 anos pro crescimento de verdade voltar. Ou seja, o pior ainda pode estar por vir.</p>
<p>Na melhor das hipóteses, quem sabe o FED realmente consiga controlar a inflação, consiga evitar que o mercado entre em recessão, e com isso comece a baixar as taxas de juros, o que facilitaria acesso a investimentos de novo. Mas eu não vejo isso acontecendo tão cedo. No mínimo, 2023 vai ser um ano perdido pra empresas de tecnologia. Com sorte 2024 pode ser melhor, mas eu não contaria com isso.</p>
<p>Veja o índice NASDAQ que concentra as principais empresa públicas de tecnologia. Em maio atingiu o ponto mais baixo do ano, acumulando queda de 40%. Mas durante o ano ficou subindo e descendo mas já recuperou quase 40%, totalizando queda no ano de só 20%. Se você for otimista, pode argumentar que o mercado vai se recuperar logo. Mas eu acho que estamos em tempo emprestado. O volume de consumo ainda não caiu porque muita gente tá terminando de gastar o que tinha economizado durante a pandemia, somado ao diversos planos de ajuda dos governos. Essas economias tão acabando. Lembra da 2a perda que expliquei sobre a Bolha de 2001? Isso se parece com o otimismo curto antes da 2a perna do crash. Que eu acho que é o mais provável.</p>
<p>Em todos os videos que fiz falando do crash iminente, a idéia não era tentar prever nada, muito menos com exatidão, mas sim explicar o que os dados me diziam, que dados são esses, e mais ou menos como eu estava interpretando, como eu fiz neste também. Dei só alguns poucos exemplos, mas acho que dá pra entender como extrapolar pra avaliar todas as outras empresas mais importantes do mercado e ver se as conclusões são as mesmas. Novamente, não odeiem o mensageiro, eu só entrego as mensagens. É muito possível que eu esteja completamente enganado e daqui 1 ano tudo volta ao normal. Era impossível adivinhar que teríamos uma pandemia em 2020, vai saber o que pode acontecer em 2023.</p>
<p>Eu não tenho prazer nenhum em dar más notícias. Simplesmente descrevo as evidências à medida que elas se apresentam. Eu também trabalho nesse mercado, não é interessante ver ele regredindo. Por outro lado, parte de mim gosta de ver o filtro acontecendo e quem nem é programador mas ficava se achando começar a tomar no Koo. Não sentiremos sua falta. E quem estava sério de verdade na área, vai voltar a ser valorizado como deveria, sem agendas políticas, só resultados.</p>
<p>A dica é simples: a empresa que você trabalha tem fluxo de caixa livre positivo? Então pode ficar menos preocupado. Senão, o que está esperando pra estudar mais? A fila da concorrência tá só crescendo. Se ficaram com dúvidas deixem nos comentários abaixo, se curtiram o video deixem um joinha, assinem o canal, compartilhem com seus amigos. A gente se vê, até mais.</p>
]]></content:encoded><category>mercado-de-tecnologia</category><category>economia</category><category>startups</category><category>akitando</category></item><item><title>[Akitando] #111 - RANT: Média Salarial NÃO Existe | Entendendo Power Laws</title><link>https://akitaonrails.github.io/2021/12/20/akitando-111-rant-media-salarial-nao-existe-entendendo-power-laws/</link><guid isPermaLink="true">https://akitaonrails.github.io/2021/12/20/akitando-111-rant-media-salarial-nao-existe-entendendo-power-laws/</guid><pubDate>Mon, 20 Dec 2021 11:18:00 -0300</pubDate><description>&lt;div class="embed-container"&gt;
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<h2>DESCRIÇÃO<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="descrição"></span>
    <a href="#descri%c3%a7%c3%a3o" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Todo ano é a mesma coisa: alguém publica alguma coisa tentando definir &ldquo;média salarial&rdquo; de determinada profissão. E está ERRADO. Não existe o conceito de &ldquo;média salarial&rdquo; e neste video vou explicar porque, vou explicar como isso estraga sua visão de mundo e da profissão e te leva a tomar decisões erradas, e vou explicar o que de fato existe na estatística de salários de verdade.</p>
<h2>Conteúdo<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="conteúdo"></span>
    <a href="#conte%c3%bado" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><ul>
<li>00:00 - Intro</li>
<li>00:57 - Matemática</li>
<li>01:55 - Média no Colégio</li>
<li>04:00 - Como as pessoas entendem &ldquo;normal&rdquo;</li>
<li>04:54 - Desigualdade é &ldquo;anormal&rdquo;?</li>
<li>07:24 - Requerimento pra Normal</li>
<li>07:53 - Eventos Estatisticamente Independentes</li>
<li>09:51 - Zipf e Power Laws</li>
<li>12:09 - Modelo Erdös-Rényi</li>
<li>12:39 - Modelo Duncan-Strogatz</li>
<li>13:51 - Seis Graus de Separação</li>
<li>16:09 - Problema de ser trabalhar em pornô</li>
<li>17:15 - Recapitulando Grafos</li>
<li>18:30 - Modelo Barabási-Albert</li>
<li>19:20 - Redes Livre de Escala</li>
<li>19:54 - Power Law, e não Normal</li>
<li>20:52 - Sistemas Complexos Não Lineares</li>
<li>22:15 - Paretto é Power Law</li>
<li>23:35 - O Mundo Não é Normal</li>
<li>25:21 - Top Influencers: Power Law</li>
<li>27:21 - Top Empresas: Power Law</li>
<li>28:17 - Preferential Attachment</li>
<li>30:04 - Como seu salário realmente evolui?</li>
<li>31:01 - Salário começa em Cauda Longa</li>
<li>31:38 - Perseguir Média é ser Medíocre</li>
<li>33:40 - Novos mercados não tem Média</li>
<li>34:57 - Oferta e Procura</li>
<li>35:39 - Desculpas e mais Desculpas</li>
<li>36:41 - Conclusão</li>
</ul>
<h2>Links<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="links"></span>
    <a href="#links" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Links:</p>
<ul>
<li>Linked (<a href="https://www.amazon.com/dp/B06XC9JM6Y"target="_blank" rel="noopener">https://www.amazon.com/dp/B06XC9JM6Y</a>)</li>
<li>Nonlinear Dynamics and Chaos: With Applications to Physics, Biology, Chemistry, and Engineering (<a href="https://www.amazon.com/Nonlinear-Dynamics-Student-Solutions-Manual/dp/0813349109"target="_blank" rel="noopener">https://www.amazon.com/Nonlinear-Dynamics-Student-Solutions-Manual/dp/0813349109</a>)</li>
<li>TED - Steven Strogatz: How things in nature tend to sync up (<a href="https://www.youtube.com/watch?v=aSNrKS-sCE0"target="_blank" rel="noopener">https://www.youtube.com/watch?v=aSNrKS-sCE0</a>)</li>
<li>TED - Steven Strogatz: The science of sync (<a href="https://www.ted.com/talks/steven_strogatz_the_science_of_sync/transcript?language=en"target="_blank" rel="noopener">https://www.ted.com/talks/steven_strogatz_the_science_of_sync/transcript?language=en</a>)</li>
<li>Small Worlds: The Dynamics of Networks between Order and Randomness (<a href="https://www.amazon.com/Small-Worlds-Randomness-Princeton-Complexity-ebook/dp/B07DMVNYK9"target="_blank" rel="noopener">https://www.amazon.com/Small-Worlds-Randomness-Princeton-Complexity-ebook/dp/B07DMVNYK9</a>)</li>
<li>Six Degrees: The Science of a Connected Age (<a href="https://www.amazon.com/Six-Degrees-Science-Connected-Age-ebook/dp/B00256Z3B8"target="_blank" rel="noopener">https://www.amazon.com/Six-Degrees-Science-Connected-Age-ebook/dp/B00256Z3B8</a>)</li>
<li>Milgram&rsquo;s Obedience Experiment (<a href="https://www.youtube.com/watch?v=cBDkJ-Nc3Ig"target="_blank" rel="noopener">https://www.youtube.com/watch?v=cBDkJ-Nc3Ig</a>)</li>
<li>The Oracle of Bacon (<a href="https://oracleofbacon.org/movielinks.php"target="_blank" rel="noopener">https://oracleofbacon.org/movielinks.php</a>)</li>
<li>Largest Companies by Market Cap (<a href="https://companiesmarketcap.com/"target="_blank" rel="noopener">https://companiesmarketcap.com/</a>)</li>
<li>The Misbehavior of Markets: A Fractal View of Financial Turbulence (<a href="https://www.amazon.com/Misbehavior-Markets-Fractal-Financial-Turbulence-ebook/dp/B004PYDBEO"target="_blank" rel="noopener">https://www.amazon.com/Misbehavior-Markets-Fractal-Financial-Turbulence-ebook/dp/B004PYDBEO</a>)</li>
<li>Como Mentir com Estatística (<a href="https://www.amazon.com.br/Como-Mentir-Estat%C3%ADstica-Darrell-Huff/dp/858057952X"target="_blank" rel="noopener">https://www.amazon.com.br/Como-Mentir-Estat%C3%ADstica-Darrell-Huff/dp/858057952X</a>)</li>
</ul>
<h2>SCRIPT<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="script"></span>
    <a href="#script" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Olá pessoal, Fabio Akita</p>
<p>Um tema que me irrita profundamente toda vez que ouço é discussões sobre médias salariais, não só na nossa área, mas no geral. Aliás, toda vez que alguém usar a palavra “média” pra falar de qualquer coisa, por exemplo, média de produtividade, média de sucesso, média de recordes! Isso me deixa profundamente irritado e me faz questionar seriamente a saúde do tico e do teco de quem tá falando.</p>
<p>Vou dizer já logo na entrada, &ldquo;não existe o conceito de média salarial&rdquo;. Não importa quem diga, não importa quão bonito é o PDF com gráficos e diagramas coloridos, qualquer número de média salarial é um número sem sentido e inútil. Só porque alguém escreveu qualquer número num papel, não significa que automaticamente significa alguma coisa. E se você se preocupa com média salarial pra guiar sua carreira, eu me preocuparia seriamente com a saúde da sua carreira.</p>
<p>(&hellip;)</p>
<p>Deixa eu começar do começo. Matemática é a língua que usamos pra descrever a natureza, incluindo a natureza de eventos que são tão abstratos que poucos conseguem compreender completamente. Como a natureza além de 3 dimensões de espaço e 1 de tempo, como na teoria de super cordas, ou o que acontece dentro de um buraco negro, ou todos os comportamentos quânticos que acontecem no mundo sub-atômico.</p>
<p>Em dimensões cosmológicas ou sub-atômicas, onde nossos 5 sentidos normais não conseguem perceber nada, a única forma de descrever e comunicar esses eventos é usando a linguagem da matemática. Essa é a beleza desse campo. E falando nos nossos 5 sentidos, existe muito que podemos visualizar e ao mesmo tempo comunicar com números. Quando a gente mede as dimensões de um móvel, quando a gente calcula o tempo que nosso carro vai levar pra chegar do ponto A ao ponto B, pra calcular a quantidade de células no nosso corpo. Tudo pode ser descrito matematicamente.</p>
<p>E você deve ter aprendido lá pela época do colégio sobre esse conceito de agrupamento e distribuições chamado de média. E aqui começam nossos problemas. Você aprendeu, por exemplo, que podia sair perguntando a altura das pessoas na sua sala de aula. Daí era só organizar num gráfico de distribuição e daí era possível achar a média de altura da sala. Soma todas as alturas, divide pelo número de pessoas, tem a média.</p>
<p>Não só isso, no canto da direita, você ia achar as exceções da média, aquelas pessoas mais altas que jogam basquete, bem mais altas que a média. E no canto esquerdo desse gráfico estão as pessoas mais baixinhas, tadinhas, fora da média também. E talvez tenha aprendido que a distância deles da média é definido como desvio padrão. Tecnicamente temos variância que é a medida de dispersão, quanto mais próximo de zero, mais uniforme são os dados. E desvio padrão é a raíz quadrada da variância. Isso não importa muito pra hoje, mas só pra relembrar.</p>
<p>Quanto mais dados dispersos fora da média da média, maior a variância e o desvio padrão. Se você foi pra faculdade e teve alguma matéria sobre processos e qualidade, talvez tenha aprendido o conceito de Six Sigma, 6 desvios fora da média, o que a gente chama de 3 defeitos por milhão, que é o que uma indústria de manufatura gostaria de alcançar em termos de qualidade de produção, quando estamos falando de medição de defeitos em fabricação.</p>
<p>Recapitulando, você faz medições de alguma coisa ou evento, organiza num gráfico cuja curva fica com o formato de um sino, e por isso a gente também chama de formato de sino ou &ldquo;bell shape&rdquo;, ou mais comumente chamado de distribuição Gaussiana ou “normal”. E talvez venha daqui a interpretação errada dessa distribuição.</p>
<p>A maioria das pessoas fora da matemática costuma saber que existe a distribuição gaussiana. Mas não existe só ela, existem diversas outras na estatística e probabilidade, como distribuição binomial, Poisson, Bernoulli, e existem dezenas de outras. Porém o mais comum é ver nos jornais, televisão e agora YouTube da vida só falando sobre distribuição gaussiana, que é a mais simples de visualizar e mais simples ainda de entender errado sem querer.</p>
<p>As características que as pessoas tiram dessa distribuição é que o normal é estar na média, no meio do gráfico, que é onde a maioria das medições tende a se acumular. Você aprende que estar fora da média é estar num desvio do padrão. Ou seja, é anormal, é fora do padrão. Exatamente como é muito fora do padrão ter 2 metros e meio de altura ou menos de 1 metro de altura. Ou é anormal jogar um dado e sair o número 5 várias vezes seguido. O normal seria tudo estar próximo da média.</p>
<p>Se você considera esse conceito como verdade, e se existe o conceito de média salarial, você acha que o normal seria todo mundo estar próximo da média, e que quem ganha muito abaixo da média obviamente está sendo injustiçado e quem está com muitos desvio padrão acima da média é um explorador que ganha demais. E essa é a conclusão errada que todo mundo chega e começa aqui a razão de porque eu odeio a menção ao conceito de média em riqueza.</p>
<p>Essa noção está totalmente errada. Vocês entendem errado o conceito de “desigualdade”. Entenda um fato importante: a única igualdade que existe se chama todo mundo pobre igual, como foi por milhares de anos antes da Idade Média ainda. A partir do momento que você tem 1 centavo a mais que seu vizinho, você é tecnicamente mais rico e portanto desigual. Mas pra discussão não se alongar demais discutindo o conceito errado que a maioria das pessoas tem sobre riqueza, deixa eu buscar outras métricas menos controversas. Vamos pegar por exemplo, a quantidade de seguidores que as pessoas tem em redes sociais, como aqui mesmo no YouTube.</p>
<p>Se for seguir pelo mesmo raciocínio, eu suspeito que a maioria das pessoas imediatamente pensaria que a distribuição seguidores de influencers seria semelhante à distribuição normal, afinal ela serve pra tudo. Então todo mundo que tem um canal no YouTube estaria acumulado no meio do gráfico, tendo uma média de seguidores, na casa das dezenas de milhares. No canto direito estariam os mega-influencers, os Whindersons, os Pew Die Pie, os Ninja, com dezenas de milhões de seguidores. No canto esquerdo estariam os novos canais ou canais não tão acessados, com poucas centenas de seguidores. E pronto, esse é o mundo digital.</p>
<p>Eu não posso provar, mas por lógica eu suspeitaria que é por isso que muita gente deve achar que não é tão difícil virar um influencer profissional, seja lá o que isso significa. Não precisa ser o Whinderson ou Ninja com dezenas de milhões, basta atingir a média, centenas de milhares de seguidores. Como o meu canal aqui. Não é difícil, porque esse é o normal, essa é a média. Se eu não conseguir, a culpa não é minha, a culpa é do sistema, é da sociedade, é injustiça social, porque eu deveria ter o direito de pertencer à normalidade, à média.</p>
<p>E você poderia pensar assim pra tudo. Afinal, não é isso que &ldquo;normal&rdquo; significa? Todo mundo acumulado na média e os valores no extremo sendo extremamente raros e provavelmente injustos. Ninguém deveria ser nem poder ser um Whinderson e nem ignorado por todo mundo com nenhuma view. Se isso acontece, é um defeito no sistema, é fora da normalidade, é algum tipo de preconceito, por isso obviamente o sistema está errado.</p>
<p>Essa visualização de mundo é utopia, ficção científica e não a realidade e nem os gráficos e distribuições suportam isso, porque se você acreditava em média e distribuição normal e usava pra tudo, você é que entendeu errado. De fato, a distribuição se chama &ldquo;normal&rdquo; porque ela descreve muitos eventos que observamos na natureza, mas não todos.</p>
<p>Se for guardar somente um ponto deste video inteiro, guarde o seguinte. Distribuições normais tem um requerimento extremamente importante: que a probabilidade de um evento não influencie a probabilidade de outros eventos, ou seja, que os eventos sejam estatisticamente independentes entre si. A formalização do conceito de independência na teoria de probabilidades é longa, mas deixa eu dar dois pequenos exemplos pra começar a desenhar essa diferença na cabeça de vocês.</p>
<p>Quando jogamos um dado de seis lados na mesa, cada lado sempre tem 1/6 de probabilidade de aparecer, mais ou menos 16% e pouco. Você pode jogar o mesmo dado 6 vezes, e algumas faces vão repetir, algumas faces nem vão aparecer, mas a probabilidade de cada face sempre é de 1 em 6, independente de quantas vezes você joga o dado. Isso é um evento independente. Se sair o número 2, em nada altera a probabilidade de aparecer 2 de novo ou 5, ou 6. Continua sempre sendo 1 chance em 6.</p>
<p>Por outro lado imagine um baralho. Se toda vez você tirar uma carta e depois recolocar a carta em algum lugar aleatório que você não veja na mesma pilha, a chance de qualquer carta é de 1 em 52. Ou a chance de sair uma carta de coração ou uma de espadas é 1 em 4, porque só tem 4 naipes. Se tiver recolocação da carta e novo embaralhamento, o evento de tirar uma carta é independente, porque a probabilidade continua sendo a mesma.</p>
<p>Porém, se você tirar uma carta e não recolocar, agora as probabilidades mudaram. Se você tirou uma carta 2 de espada, sem recolocar no baralho, a chance de tirar um 4 de espadas é de 1 em 51 cartas, porque o baralho não tem mais 52 cartas, sacou? E a chance de ser espadas é menor, é 1 em 12, porque não tem mais 13 cartas de espadas. Agora a probabilidade pra próxima carta muda à medida que você vai removendo cartas do baralho. Portanto os eventos NÃO são independentes.</p>
<p>Meu ponto é que uma distribuição normal é óbvia em eventos claramente independentes como jogar dados ou moedas. Cada jogada não influencia a próxima jogada. Medição de altura. A medição de altura de uma pessoa não altera a altura de outra pessoa. Ou no caso de processo que falei, na média, em toda fábrica toda peça sai funcionando, com pequenos e raros defeitos. Na média todas as peças tem a mesma qualidade, e se o processo estiver azeitado, defeitos são raros. Esses tipos de eventos podem ser independentes e a distribuição vai ser normal.</p>
<p>Porém riqueza, número de vendas, número de seguidores em redes sociais, tamanho de cidades por população, tamanho de empresas, volume negociado na bolsa de valores, nenhum deles cabe numa distribuição normal. O exemplo mais fácil de explicar é o que dá origem à Lei de Zipf, sobre a distribuição de ranking e frequência. Em particular o exemplo sobre a distribuição da frequência de palavras em textos. Sem saber nada sobre linguística e estatística, se eu te perguntasse, quais as palavras que mais aparecem em textos em inglês, o que você responderia?</p>
<p>Por chute, você poderia dizer que é o &ldquo;the&rdquo; como em &ldquo;the book&rdquo; ou &ldquo;the table&rdquo;. O &ldquo;the&rdquo; é a palavra mais frequente em textos em inglês, quase 7% ou seja, 7 em 100 palavras num texto é &ldquo;the&rdquo;. Acho que não é difícil você concordar com isso se já leu inglês o suficiente. Em segundo lugar é a preposição &ldquo;of&rdquo;, como em &ldquo;of course&rdquo; ou &ldquo;best of luck&rdquo; que aparece 3.5% de vezes, ou seja, 7 vezes em 50 palavras. Note que só nesse exemplo, a frequencia entre &ldquo;the&rdquo; que é o 1o lugar do ranking e &ldquo;of&rdquo; que é o 2o lugar do ranking é da metade. “Of” aparece metade das vezes que “the”. É uma grande distância ao pular só um lugar no ranking. Isso é importante de lembrar.</p>
<p>Essa é característica desse tipo de distribuição. A frequência de qualquer palavra é inversamente proporcional ao seu ranking na lista de palavras, e mais do que isso, a diferença entre cada posição no ranking não decresce de forma linear. A distribuição de Zipf tem o nome do linguista George Kingsley Zipf e é semelhante mas não idêntica à lei de Benford. Mas mais importante, faz parte de uma família de distribuições que chamamos de Power Law.</p>
<p>Eu descobri sobre Power Law pela primeira vez lendo o livro de Albert Lazló Barabási chamado Linked, publicado em 2002. E aqui eu vou ser obrigado a fazer uma longa tangente, mas tenham paciência que vou explicar porque essa história tem a ver com média salarial e porque esses conceitos são importantes pra entender mercados e sua própria carreira em geral.</p>
<p>A ciência por trás de coisas como a distribuição Power Law é a própria ciência por trás do entendimento da matemática de grafos e como ela evoluiu empiricamente por causa do surgimento da internet e, em particular, das redes sociais digitais. Se nunca leu o livro do Barabási eu recomendo muito, fico com muita vontade de resumir mas ia ficar tão longo que a tangente ia ser longa demais.</p>
<p>Foi com ele que aprendi melhor sobre o estudo de redes de Paul Erdös (um dos maiores matemáticos do século XX) e Alfréd Rényi que desenvolveram o modelo Erdös-Rényi que é o modelo mais conhecido se você estudou grafos na faculdade, grafos cujas conexão são distribuidas de forma aleatória entre os nós da rede. Porém, isso não serve pra explicar redes de internet e muito menos redes sociais. Aliás, toda vez que eu falar rede social assuma que são redes sociais virtuais como Twitter ou Facebook.</p>
<p>Durante a primeira bolha da internet, já no fim do século XX, surgiu o trabalho de outra dupla de matemáticos ainda vivos que contribuíram muito pro entendimento matemático da internet. O primeiro é o grande professor Steven Strogatz, que publicou livros como Non-Linear Dynamics and Chaos e já fez Ted Talks sobre sincronia e como sincronização acontece na natureza e até mesmo com objetos não-orgânicos. Vou deixar os links pra essas talks e livros na descrição abaixo. Ele tem muito material sobre teoria do caos e sistemas complexos não-lineares, que é um assunto difícil e que se você se interessa pelo tema, fuja de todo coaching que tenta falar disso e leia direto o Strogatz.</p>
<p>Um de seus alunos foi trabalhar justamente em empresas de internet como o antigo Yahoo! e depois Microsoft, onde teve acesso a volumes gigantescos de dados que foram cruciais pra moldar um melhor entendimento de redes, estendendo o que Erdös e Rényi publicaram décadas atrás. Esse foi Duncan Watts, que junto com seu professor e mentor, chegaram ao modelo de Small Worlds, chamado de Watts-Strogatz. Esse foi uma das pesquisas mais importantes do começo do século XXI, quando pesquisadores como eles tiveram acesso a Big Data. Isso foi Data Sciences de verdade.</p>
<p>No livro Linked, Barabási conta a fascinante história por trás desses dois modelos, por isso eu disse que é legal ler o livro inteiro. Um conceito super famoso do século XX que é a ponte entre os modelos de Erdös-Rényi e Watts-Strogatz é a idéia dos seis graus de separação. Tenho certeza que todo mundo pelo menos já ouviu falar disso, a idéia de que você está conectado a qualquer outra pessoa do mundo por no máximo umas 6 outras pessoas no meio. Aliás, a primeira rede social do mundo, antes de My Space ou Orkut foi justamente um site chamado Six Degrees. Por exemplo, digamos que eu conheço um programador, que foi trabalhar na Califórnia, o chefe dele é amigo de outro CTO, que trabalhou pro Elon Musk na época do PayPal, então eu teria 4 graus de separação com o Elon Musk.</p>
<p>Diversos experimentos foram conduzidos pra experimentar essa teoria, numa era antes da Internet, usando cartas e correios, como o que foi feito por ninguém menos que outro pesquisador que eu gosto muito, Stanley Milgram, no fim dos anos 60. Milgram, que se você já assistiu uma palestra minha por volta de 2009, deve ter visto quando eu mostrava experimentos dele sobre obediência, que vou deixar nas descrições abaixo.</p>
<p>Mas de qualquer forma, a idéia se popularizou no século XX por causa dos Seis Graus de Separação de Kevin Bacon, que foi uma brincadeira feita num programa de TV acho que por estudantes do MIT ou algo assim que falaram que o ator Kevin Bacon tinha até 6 graus de separação com qualquer outro ator de Hollywood. Eles pegaram o equivalente na época ao que temos hoje no IMDB que catalogava todos os atores que trabalharam em todos os filmes e com os inovadores programas de computador da época montaram um banco de dados que conseguisse puxar quem trabalhou com quem em quais filmes e descobrir os graus de separação.</p>
<p>Esse tipo de programa, qualquer iniciante deveria conseguir fazer um script pra puxar os dados do IMDB e rapidamente chegar nos graus de separação. Mas lembrando que estamos falando do começo da era dos microcomputadores, onde um programa assim era super novidade pra todo mundo que não fosse de tecnologia. O site tá no ar até hoje e se chama Oracle of Bacon.org. Você pode ir lá agora e digitar, por exemplo, Marlon Brando. E ia ver que ele trabalhou em &ldquo;The Freshman&rdquo; com o ator Maximillian Schell, que por sua vez trabalhou no filme &ldquo;Telling Lies in America&rdquo; com Kevin Bacon, portanto ele tem 2 graus de separação com Marlon Brando.</p>
<p>Na prática não tinha nada necessariamente especial com Kevin Bacon, qualquer bom ator de Hollywood tem graus de separação semelhantes com qualquer outro ator de Hollywood. De qualquer forma, uma constatação que achei engraçada foi quando o Barabási conta que se eu perguntasse quem seriam os atores mais bem conectados de Hollywood, uma dos chutes talvez seria dizer &ldquo;os que trabalharam em mais filmes&rdquo;.</p>
<p>Isso é verdade até certo ponto, mas não é uma regra, na verdade se você fizer um ranking dos atores com o maior número de filmes que participaram, eles são os que tem menos contatos com os artistas mais famosos. O que eles tem em comum? São todos atores de filmes pornô. A maioria dos artistas famosos nunca trabalhou num pornô, então mesmo se o cara tivesse trabalhado em 500 filmes pornô, isso não deixou ele mais próximo do Kevin Bacon ou Marlon Brando. Quantidade não é qualidade. Que é o que eu penso quando alguém me pergunta se senioridade é só quantidade de anos trabalhando ou quantidade de projetos do mesmo tipo. Parece brincadeira, mas muita gente fica só trabalhando no equivalente pornô da nossa indústria e não entende porque não evolui na carreira.</p>
<p>Voltando aos conceitos, o modelo de redes de Erdös e Rényi descrevem redes ideais, aleatórias e balanceadas em termos de conexões. Pensem em nós como servidores de internet ou pessoas numa rede social. Nesse modelo você consegue estudar as conexões mas não tem muita idéia de como essas conexões aparecem, funcionam ou evoluem. Você pode estudar o menor caminho entre dois nós e coisas assim, mas não muito mais que isso.</p>
<p>O modelo de Watts-Strogatz inovou ao trazer o conceito de &ldquo;Small Worlds&rdquo; ou mundos pequenos. Foi a constatação de Watts que conexões não são aleatórias e elas tendem a formar clusters, aglomerados. Pense numa grande rede como as pessoas espalhadas num estado. E pense em mundos pequenos quando elas tendem a se aglomerar em cidades. Dentro de cidades tem bairros. E como talvez você tenha mais conexões dentro do seu próprio bairro do que com bairros mais longes.</p>
<p>Ou no caso de Internet como você tem mais afinidades e conexões com determinados grupos online, como seu grupo de LOL no Discord, ou grupo de trabalho no Slack. Esses são os clusters ou small worlds. Mas nesse modelo ainda não entendemos todos os comportamentos de porque certos clusters são maiores que outros, porque grupos que aparecem do nada de repente começam a dominar, ou porque algumas pessoas são mais influentes que outras.</p>
<p>Finalmente chegamos em Barabási e Réka Albert e o novo modelo Barabási-Albert, que pega o que os outros descreveram até agora e finalmente conseguem explicar o surgimento e evolução de redes sociais de uma maneira mais formal. Foram eles que observaram que redes sociais e a internet são redes livres de escala, o que significa que tem distribuição power-law nas conexões de seus nós, enquanto modelos como Erdös-Rényi e Watts-Strogatz não exibem power laws.</p>
<p>Finalmente voltamos às tais distribuições e esse tal de Power Law. O que diabos é isso? O que Barabási descobriu é que redes como aparecem na natureza, seja redes sociais virtuais ou reais, redes como de neurônios no nosso cérebro, ecossistemas de animais, e outros tipos de redes complexas e não-lineares, provavelmente podem ser descritas como redes livres de escala.</p>
<p>Como o nome diz, uma rede livre de escala significa que ela exibe qualidades como fractais, ele até menciona pesquisas como de Mandelbrot, que alguns talvez conheçam dos trabalhos matemáticos de fractais propriamente ditos ou seus trabalhos sobre mercados financeiros e economia. Uma rede livre de escala ou fractal significa que não importa se você olha de perto ou de longe, em qualquer escala, ela exibe as mesmas propriedades. Portanto, o mesmo comportamento acontece com mil nós ou com um milhão de nós, independente da escala. Se ficou confuso, vou voltar nisso mais pra frente.</p>
<p>Agora, uma distribuição power law é importante porque ela é muito diferente de uma distribuição normal. Primeiro de tudo, na distribuição normal você sempre tem um pico, o valor médio, a média. Em power law não existe pico. No gráfico, a power law é uma curva em declínio, caindo rapidamente no começo e estendendo numa cauda longa ou Long Tail, que talvez você já tenha ouvido falar em outros livros. Não é necessariamente uma logarítmica, mas é parecido.</p>
<p>Entenda. O que eu disse antes é que distribuição normal funciona quando estamos falando de eventos independentes. Jogar um dado, uma moeda, medir altura, coisas desse tipo. Qualidades como riqueza, influência, salários, vendas, aglomeração de pessoas ou animais, sistemas biológicos complexos, infectologia nessa época de Covid. Tudo isso é interconectado numa rede. Nenhum dos eventos é estatisticamente independente. Elas influenciam as probabilidades dos outros. São sistemas complexos não-lineares.</p>
<p>E o que são sistemas complexos não-lineares? Preste atenção nas palavras do nome. Um sistema complexo tem comportamento não linear, ou seja, o sistema pode responder de formas diferentes dado as mesmas causas. Lembra do filme do Ashton Kutcher, o Efeito Borboleta? Tente voltar ao passado e mexa numa pequena coisa e o futuro fica completamente diferente? Pois é, não importa quantas vezes você tente, o resultado nunca é o esperado, porque é um sistema complexo. O filme é bem mau feito, claro, mas é uma forma de visualizar o que significa um sistema complexo ou caótico. E é uma das razões que eu falo que não adianta ler biografia ou tentar imitar gente famosa: mesmo se você tentar fazer tudo que eles fizeram, os resultados vão ser extremamente diferentes, porque pequenas variações são suficientes te colocar em caminhos completamente diferentes.</p>
<p>E o não-linear significa que o resultado não é proporcional, linear, com as causas. Que é aquele exemplo que todo mundo já ouvi falar de uma borboleta bate as asas no Brasil e acontece um Tsunami no Japão. Resultado desproporcional pra uma causa tão simples como uma borboleta batendo as asas, e é complexo porque não temos como correlacionar uma causalidade entre os dois eventos. Portanto, um sistema complexo não-linear. Mas o mais importante é que esse tipo de sistema costuma ser descrito com distribuições power law, como a de Zipf que falei antes, no caso de palavras do dicionário.</p>
<p>Mais importante, o mundo real complexo, como a economia, é muito descrita com distribuições Power Law, como a de Zipf que expliquei antes e outra distribuição da mesma família que você já deve ter ouvido falar. A distribuição de Paretto, que deriva do economista e engenheiro italiano Vilfredo Paretto, aquele que constatou que a distribuição de riqueza seguia a tal regra de 80/20. Lembram? 80% da riqueza está acumulado com 20% das pessoas? E o que isso significa. Volte pro gráfico de uma power law. Esse pedaço na esquerda são os 20% de pessoas, e essa área do gráfico representa 80%. O outro lado do gráfico são os 80% restante de pessoas, e a área embaixo dessa curva representa os 20% da restante da riqueza. Se você nunca visualizou 80/20, isto é 80/20.</p>
<p>Goste disso ou não, a realidade é que você vive num sistema complexo não-linear. O mercado de trabalho é um sistema complexo não-linear. É muito raro existirem variáveis independentes, tudo é interconectado, e os resultados são muito difíceis de prever por causa da não-linearidade. Por isso todo mundo tem tantas dúvidas e não existe uma receita linear simples de &ldquo;faça esta lista de coisas, nesta ordem, nestas proporções, ao longo de X anos e garantidamente você vai ter sucesso&rdquo;. Não existe isso tanto quanto não existe uma receita pra prever meteorologia com previsão exata pra daqui 1 ano.</p>
<p>Mas como eu disse antes, talvez na sua cabeça o mundo deveria ser Normal, o objetivo deveria ser a média. Fazer o que todo mundo faz deveria ser a forma segura. Extremos deveriam ser raros. Mas não. O mundo real é complexo e descrito com Power Laws, uma distribuição livre de escala, que não apresenta média. Por isso eu falei que é errado dizer &ldquo;média salarial&rdquo;, não por causa de opinião x ou opinião y, mas porque eu acho que está tecnicamente e factualmente errado mesmo. Seria como eu dizer “fogo gelado”, um termo que não faz sentido.</p>
<p>Com toda essa teoria no lugar, a partir de agora é um pouco minha interpretação pra substituir seu entendimento em cima de distribuição normal pra power law. Primeiro de tudo, o que significa não existir média? No caso de salário significa que você é um ponto discreto neste gráfico. O gráfico não dá qualquer dica de qualificação se isso é muito ou se é pouco, ele apenas &ldquo;é&rdquo;. É o que eu quero dizer quando digo que você recebe exatamente o que deveria. Não estou julgando se você &ldquo;podia ganhar mais&rdquo; ou se &ldquo;ganha mais do que devia&rdquo;, estou dizendo que não tem nada de anormal do ponto de vista da distribuição.</p>
<p>É tudo uma rede interconectada. O que você ganha reflete não só suas capacidades técnicas, inclui também diversas outras variáveis, muitas delas não-lineares, como sua capacidade de comunicação e de negociação. Tirando todas as outras variáveis, se sua capacidade técnica talvez vale 10 mil reais, mas você ganha 5 mil, talvez sua capacidade de negociação te dê prejuízo de 5 mil reais, é uma forma de enxergar isso. Não estou dizendo se é ou não moralmente ou socialmente certo, estou dizendo que está correto do ponto de vista frio e calculista do gráfico mesmo. Nunca tente embutir seus preconceitos e crenças pessoais em cima de números. Números não se importam com isso.</p>
<p>Vamos voltar de novo pra quantidade de seguidores de influencers. Não é distribuição normal, é power law, vamos ver? Eu peguei o primeiro artigo que achei sobre os 50 maiores influencers do Twitter. Em 1o lugar temos o Barack Obama com 130 milhões de seguidores. O 2o lugar é o Justin Bieber que já cai pra 114 milhões, 15 milhões a menos que o Obama. 3o lugar é a Katy Parry, com 108 milhões. 4o lugar é Rihanna com 103 milhões. 5o lugar é Cristiano Ronaldo com 96 milhões.</p>
<p>Nem precisa ir muito longe mas já em 12o lugar é o Elon Musk com 66 milhões. Menos da metade do Obama. Perto do fim dessa lista tá o Harry Styles em 48o lugar com 37 milhões, que é mais ou menos metade do Musk. Conseguem ver como a quantidade de seguidores vai caindo drasticamente? E isso é só a lista de 50 top influencers. Vamos colocar eles no gráfico? Olha só, copy e paste pro Excel, marca os números de seguidores, escolhe o gráfico de colunas e &hellip; surpresa, surpresa, uma curva que se parece com uma power law, não com uma normal.</p>
<p>Se a lista tivesse todos os mais de 77 milhões de usuários do Twitter, essa curva ia simplesmente decrescendo rapidamente e a grande maioria das pessoas estaria na Cauda Longa, no Long Tail essa curva. Mas eis a coisa interessante sobre livre escala. Se eu pegasse um trecho lá no fim dessa cauda longa, a curva ainda ia ter o mesmo formato dos 50 primeiros. Ou seja, a pessoa no lugar, faz de conta, 20 milhões nessa lista, ia ter talvez o dobro de seguidores de quem está no lugar 21 milhões. Só que em vez de 130 milhões de seguidores como o Obama, talvez tenha só 1000. Só que 1000 continua sendo o dobro de 500, que ainda é o dobro de quem só tem 250, que ainda é o dobro de quem só tem 120. E assim por diante.</p>
<p>Numa curva assim não existem classes. Todo mundo é 1 ou 2 seguidores mais rico que o próximo da lista. Não tem classes de influencers ricos, médios e pobres. Em qualquer escala, o trecho lá pra baixo dos 50 milhões, vai ter o cara com mil influencers que pode ser considerado muito melhor que o cara de 100 seguidores que é invejado pelo cara com 2 seguidores.</p>
<p>Só pra solidificar o conceito, vamos ver outro tipo de ranking, o ranking das empresas mais valiosas em termos de market cap no índice da S&amp;P 500 dos Estados Unidos. Peguei esse gráfico num site aleatório chamado Companiesmarketcap. No topo da lista tá a Apple, com valor de mercado em dezembro de 2021 de quase 3 trilhões de dólares. Em segundo lugar está a Microsoft, com nada menos que 2.5 trilhões de valuation. Em terceiro temos a Alphabet, a holding que tem produtos como o Google por baixo, que vale quase 2 trilhões. E assim por diante.</p>
<p>No meio dessa lista em trigésimo quinto lugar está a Oracle com valor de “só” 260 bilhões de dólares. Se não conseguiu enxergar ainda, vamos abrir o Excel, selecionar os valores de mercado e gerar o gráfico. Tá vendo? Mais uma distribuição power law. Não existe valor médio de uma empresa, tanto como não existe valor médio de um produto ou valor médio de salários. Praticamente tudo que você costuma ver na forma de rankings tem esse formato.</p>
<p>A parte interessante é que uma rede livre de escala que obedece uma distribuição power law tem outras características interessantes, uma das melhores é o que Barabási chamou de “preferential attachment”. Inclusive seu modelo foi revisado depois pra descrever melhor isso e o modelo mais atual se chama Bianconi-Barabási, que surgiu depois do lançamento do livro Linked.</p>
<p>Numa rede dessas você poderia pensar corretamente, poxa, os caras mais influentes provavelmente são aqueles que começaram a trabalhar na rede lá atrás, quando ela surgiu. É o que se chama de vantagem do primeiro ou “first-mover advantage”. E de fato tem isso. Daí quando o primeiro conseguiu a vantagem, começa o comportanto de &ldquo;rico fica mais rico&rdquo; ou &ldquo;rich gets richer&rdquo; que é o que todo mundo tem inveja, porque agora que o cara é grande, ele tende a atrair mais gente e ficar cada vez maior.</p>
<p>Mas se você viveu tempo suficiente na internet, reconhece que existe essa vantagem, existe esse comportamento de rico fica mais rico, mas também já presenciou vários influencers que tinham tudo e desapareceram e vários outros tomaram seu lugar. Veja na história da internet: um Yahoo sendo substituído pelo Google, uma Blackberry sendo substituída pela Apple, um TikTok batendo no Instagram. Sim, de fato existe vantagem em ser o primeiro, sim o rico fica mais rico, mas não, esse ranking nunca é estático, está em constante movimento.</p>
<p>Você que tem 1 seguidor, trabalha e vai ter 10, depois vai ter 100. Aquele que tinha 1000, falou merda, foi cancelado, agora perdeu 900 seguidores. E assim segue o jogo. E voltando pro tema de salários, isso tudo foi pra explicar que salários não tem média e não são estáticos. Nem dentro de uma mesma empresa existe média. A curva que descreve os salários é uma power law. Mais do que isso, você começa no fim da cauda longa, mas a curva não é linear.</p>
<p>Ou seja, se hoje você ganha 2000 reais. Passou um ano e ganhou um aumento pra 2200 reais. Na sua cabeça você pensa, puxa, pra eu chegar em 10 mil reais nesse ritmo, de 200 em 200, vai levar 40 anos então. Tô fodido. Esse mercado é uma merda. E se o mundo funcionasse como uma distribuição normal, um sistema linear simples, sim, seria isso mesmo. Mas o mundo Não é assim, em vez de simples, ele é complexo, em vez de linear, ele é não linear.</p>
<p>Ou seja, incrementos não vão ser necessariamente de 200 em 200. Ano que vem já pode ser de 400. No ano seguinte, se fizer um bom trabalho, já vai ser de 1000. Em 2 anos talvez você já chegou ou ultrapassou 3000 reais. Daí no ano seguinte você foi pra 4000. De 4000 talvez já saltou pra 6000. E mais um ano já chegou em 10000. Em vez de 40 anos, foram 5 anos só. Esse é o poder de uma curva não linear. Seu salário também tem chances de crescer segundo uma power law. Mas não é uma garantia, só uma possibilidade.</p>
<p>O problema pros iniciantes é que no começo da cauda longa, ela parece lenta, quase horizontal, mas se você fizer o trabalho direito, evoluir suas capacidades técnicas, suas capacidades não-técnicas como comunicação, evoluir sua rede social com pessoas que começaram com você e saíram pro mercado e também começam a se dar bem, ou seja, você cresce seu networking de verdade, daí sua chances começam a aumentar exponencialmente. E se fizer um trabalho tão bom que consegue se conectar com alguém que representa um hub pro cluster da rede que participa, aumenta absurdamente suas chances de dar mais certo do que tinha planejado antes.</p>
<p>Essa teoria toda suporta a idéia de que se você é o cara que só faz o que mandam, prefere ficar quieto e esquecido num canto, torcendo pra que não notem que você tá lá, inventa desculpas toda hora e ganha reputação de que não é confiável, você está transformando um sistema complexo e não linear, num sistema simples e previsível, com poucas variáveis que vai ter acesso. E linear, onde cada esforço que você faz é diretamente proporcional a um pequeno retorno. E aí sim, naquela conta que fiz antes, vai ter sorte se pular de 2000 pra 10000 em 40 anos.</p>
<p>Só que a culpa não é do sistema, não é um mercado que não te valoriza e te paga abaixo da média. É você que matou todas as suas chances de escalar a curva não-linear. O único culpado da sua estagnação é você mesmo, e isso começa quando você acredita que existe uma média onde você se encaixa e pode ficar lá escondido pra sempre. Não existe. A menos que goste de ficar na estagnação, uma hora vai precisar dar a cara a tapa.</p>
<p>Se nada disso te convenceu ainda e você ainda acha que pode fazer como fazia no colégio e na faculdade, onde bastava dar um jeito na última hora pra tirar 5 e passar de ano, e não faz nenhuma diferença tirar 5 ou tirar 10, é aqui que você se ferra. Faz muita diferença aprender a correr atrás do 10. É a diferença de 40 anos e 5 anos pra ter o mesmo resultado. Você não faz parte de uma média, você faz parte de uma cauda longa. E na cauda longa, se você não fizer nada de diferente, o limite tende a zero.</p>
<p>Você sabe o que são palavras cognatas? Significa que além de sinônimas, tem raiz comum. Exemplo: &ldquo;belo&rdquo; e &ldquo;beleza&rdquo;, &ldquo;fera&rdquo; e &ldquo;feroz&rdquo;. Pois bem, se pra você ficar perto da média, ser mediano, parece bom, e se eu disser que mediano é cognato, compartilha a mesma raiz com a palavra &ldquo;medíocre&rdquo;. Na prática a gente afastou médio de medíocre, mas não se engane, são a mesma raiz. Eu acho que você ficaria ofendido se eu te chamasse de medíocre, certo? Então pra que você tá tão obcecado pela média de alguma coisa? Fique longe da média, faça esforço pra tirar 10 e não pra ficar no 5.</p>
<p>Salário depende de dezenas de variáveis diferentes. As variáveis que estão sob seu controle como suas próprias capacidades e competências e as variáveis que você não tem como influenciar diretamente, como ciclos financeiros, situações específicas e regionais do mercado onde participa, como esses mercados se interconectam uns aos outros. Quer ver um exemplo na prática? Veja meu episódio onde conto minha história sobre Ruby on Rails no Brasil.</p>
<p>Existiu um dia que eu decidi investir meu tempo e minha carreira nesse troço novo que quase ninguém aqui conhecia chamado Ruby on Rails. Não havia uma única empresa que usava no Brasil. Não havia quase nenhum outro programador. O grupo que existia dava pra quase saber o nome de todo mundo de cabeça, de tão poucos que tinham. Era o ano de 2005. Qual era a média de um programador Rails em 2005? Você acha que esse número ia servir de qualquer coisa pra mim?</p>
<p>Pra alguém ter a estúpida idéia de tentar calcular a média de salário desse mercado, primeiro eu precisava ajudar a influenciar a criar esse mercado, do zero. A vantagem? Eu sabia que era um sistema não-linear. Um bom exemplo se multiplica em dois, dois em quatro, quatro em oito, em breve eram dezenas de empresas e centenas de nós, no breve espaço de uma década. E assim aconteceu com dezenas de outros mercados que não existiam.</p>
<p>Qual era a média salarial de um programador de iPhone em 2009? Zero, porque não existia AppStore ainda. Qual era a média salarial de um devops de cloud de AWS em 2006? Zero, porque AWS tinha acabado de lançar. A informação que a média de um programador Java em 2006 era de sei lá, 4 mil reais, ia ajudar em alguma coisa pra qualquer um de nós? Nada, absolutamente nada. Salário é o que as empresas se convencem de pagar pelo que a gente faz eles acreditar que vale. É como o preço de um produto. As coisas não são demasiadamente caras ou baratas, elas obedecem oferta e procura. Como agora: a demanda por componentes eletrônicos está alta, mas as fábricas não conseguem atender essa demanda? Os preços sobem. É simples assim.</p>
<p>Ah, mas na minha cidadezinha de 2 mil habitantes só tem uma única empresa. Quem sabe se eu mostrar um PDF com média salarial da capital, faz alguma diferença? Não faz. Cai na real. E você não tá preso, ninguém está apontando uma arma pra sua cabeça. Ou você se muda de cidade, ou começa a trabalhar remoto por exemplo. Especialmente em tecnologia, tem dezenas de empresas que estão desesperadas neste exato instante, pra contratar bons programadores. Ah, mas eu não sou um bom programador. Aí é outro problema.</p>
<p>Você tem sorte então, que pelo menos tem uma empresa que ainda quer te manter, sei lá porque. Tá entendendo? Tudo começa e termina com o que você tá disposto ou não a fazer pra mudar sua própria situação. Lembra do meu video de Não Terceirize suas Decisões? Porque você tá tentando justificar sua situação com números que sequer fazem qualquer sentido matemático, como média pra salário? Como isso te ajuda? Assuma a verdade: isso é só mais uma desculpa que você tá dando pra você mesmo. Nada mais, nada menos.</p>
<p>Se você se interessou pelos assuntos que só tive tempo de explicar por cima, procure os autores originais, é o que eu sempre digo. Então os nomes que você precisa ter na sua lista são Paul Erdös, Alfred Rényi, Steven Strogatz, Duncan Watts, Albert Lazló Barabási e Ginestra Bianconi. Você vai passar pelo estudo de grafos, redes livre de escala e talvez vai se aventurar em teoria do caos e sistemas complexos não lineares e isso vai te dar um framework pra enxergar a Matrix por trás de fenômenos da natureza, incluindo como mercados e sociedades realmente funcionam. E em nenhum lugar você vai ver qualquer um insinuando que faz sentido levar algo inútil como &ldquo;média salarial&rdquo; a sério. Se ficaram com dúvidas, mandem nos comentários abaixo, se curtiram o video deixem um joinha, assinem o canal e compartilhem o video com seus amigos. A gente se vê, até mais.</p>
]]></content:encoded><category>carreira</category><category>economia</category><category>ciencia</category><category>akitando</category></item><item><title>[Akitando] #100 - Mercado Financeiro Pós-Pandemia: A Tempestade Perfeita?</title><link>https://akitaonrails.github.io/2021/06/22/akitando-100-mercado-financeiro-pos-pandemia-a-tempestade-perfeita/</link><guid isPermaLink="true">https://akitaonrails.github.io/2021/06/22/akitando-100-mercado-financeiro-pos-pandemia-a-tempestade-perfeita/</guid><pubDate>Tue, 22 Jun 2021 12:07:00 -0300</pubDate><description>&lt;div class="embed-container"&gt;
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&lt;h2&gt;DESCRIPTION&lt;span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="description"&gt;&lt;/span&gt;
&lt;a href="#description" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/h2&gt;&lt;p&gt;Depois de mais de 1 ano de pandemia, quais foram os efeitos causados na nossa Economia? Por que parece que os mercados de Tech, principalmente, estão tão super-aquecidos? Já nos recuperamos? Tudo passou bem? Vamos entender!&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Este vídeo é a terceira e última parte dos dois vídeos que publiquei 1 ano atrás:&lt;/p&gt;
&lt;ul&gt;
&lt;li&gt;O que vem depois da COVID-19? (&lt;a href="https://www.youtube.com/watch?v=Hrg0MnyE2jM"target="_blank" rel="noopener"&gt;https://www.youtube.com/watch?v=Hrg0MnyE2jM&lt;/a&gt;)&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;A COVID-19 Matou minha Startup? (&lt;a href="https://www.youtube.com/watch?v=Y8SaMX30X1g"target="_blank" rel="noopener"&gt;https://www.youtube.com/watch?v=Y8SaMX30X1g&lt;/a&gt;)&lt;/li&gt;
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&lt;h3&gt;Conteúdo&lt;span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="conteúdo"&gt;&lt;/span&gt;
&lt;a href="#conte%c3%bado" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/h3&gt;&lt;ul&gt;
&lt;li&gt;00:00 - Intro&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;01:17 - Disclaimer 1&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;01:35 - Março de 2020 - Como eu vi a pandemia chegando&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;03:17 - Meu Primeiro Video&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;03:59 - Primeiros efeitos no mercado&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;06:15 - Wallstreetbets vs Wall Street: Gamestop&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;09:59 - A Baleia de Nasdaq: Softbank&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;12:40 - A pergunta que ninguém fez: Por que agora?&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;15:08 - O Efeito Colateral de Distribuir Dinheiro&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;17:01 - Hiperinflação no Mercado Financeiro&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;18:29 - Estímulos: O Novo Zero&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;19:43 - Inflação no Mundo Real Começou&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;22:27 - O Brasileiro era mais Rico alguns anos atrás??&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;24:06 - Bolha de Tech 1: Venture Capital&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;32:43 - Bolha de Tech 2: SPAC&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;37:49 - A Agulha da Bolha? A TEMPESTADE PERFEITA&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;41:39 - O que dá pra fazer?&lt;/li&gt;
&lt;/ul&gt;
&lt;h3&gt;Links&lt;span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="links"&gt;&lt;/span&gt;
&lt;a href="#links" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/h3&gt;&lt;ul&gt;
&lt;li&gt;Sam Zell calls SPAC craze largely ‘rampant speculation’ reminiscent of 1990s dot-com bubble (&lt;a href="https://www.cnbc.com/2021/02/09/sam-zell-calls-spac-craze-largely-rampant-speculation-reminiscent-of-1990s-dot-com-bubble.html"target="_blank" rel="noopener"&gt;https://www.cnbc.com/2021/02/09/sam-zell-calls-spac-craze-largely-rampant-speculation-reminiscent-of-1990s-dot-com-bubble.html&lt;/a&gt;)&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;The Bubble Is Starting to Burst in the SPAC IPO Boom: Chart (&lt;a href="https://news.bloomberglaw.com/securities-law/the-bubble-is-starting-to-burst-in-the-spac-ipo-boom-chart"target="_blank" rel="noopener"&gt;https://news.bloomberglaw.com/securities-law/the-bubble-is-starting-to-burst-in-the-spac-ipo-boom-chart&lt;/a&gt;)&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;Inflation and the Commodities Bounce (&lt;a href="https://www.reuters.com/article/sponsored/inflation-commodities-bounce"target="_blank" rel="noopener"&gt;https://www.reuters.com/article/sponsored/inflation-commodities-bounce&lt;/a&gt;)&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;Companies sound alarm over commodity price hikes (&lt;a href="https://apnews.com/article/financial-markets-prices-health-coronavirus-business-7d3b979e1fc8f7c9cde7822131b0e014"target="_blank" rel="noopener"&gt;https://apnews.com/article/financial-markets-prices-health-coronavirus-business-7d3b979e1fc8f7c9cde7822131b0e014&lt;/a&gt;)&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;ROBINHOOD&amp;rsquo;S REVENUE INCREASED BY 514% YOY- $682M IN 2020 (&lt;a href="https://financialit.net/news/trading-systems/robinhoods-revenue-increased-514-yoy-682m-2020"target="_blank" rel="noopener"&gt;https://financialit.net/news/trading-systems/robinhoods-revenue-increased-514-yoy-682m-2020&lt;/a&gt;)&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;Robinhood Filing Shows Enormous Growth in Controversial Revenue Source (&lt;a href="https://www.barrons.com/articles/robinhood-filing-shows-enormous-growth-in-controversial-revenue-source-51620065477"target="_blank" rel="noopener"&gt;https://www.barrons.com/articles/robinhood-filing-shows-enormous-growth-in-controversial-revenue-source-51620065477&lt;/a&gt;)&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;Insider: SPACs are the ‘Scummiest’ Thing on Wall Street | Arvid Ali Clip (&lt;a href="https://www.youtube.com/watch?v=lmrtWKYMz9E"target="_blank" rel="noopener"&gt;https://www.youtube.com/watch?v=lmrtWKYMz9E&lt;/a&gt;)&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;&amp;ldquo;This Is Unsustainable&amp;rdquo;: 2021 SPAC Issuance Will Surpass Entire 2020 Total Before End Of March (&lt;a href="https://www.zerohedge.com/markets/unsustainable-2021-spac-issuance-will-surpass-entire-2020-total-end-march"target="_blank" rel="noopener"&gt;https://www.zerohedge.com/markets/unsustainable-2021-spac-issuance-will-surpass-entire-2020-total-end-march&lt;/a&gt;)&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;SEC Drops Accounting Bomb, Blows Up SPAC Boom (&lt;a href="https://www.zerohedge.com/markets/sec-drops-accounting-bomb-blow-spac-boom"target="_blank" rel="noopener"&gt;https://www.zerohedge.com/markets/sec-drops-accounting-bomb-blow-spac-boom&lt;/a&gt;)&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;Melvin Capital, hedge fund targeted by Reddit board, closes out of GameStop short position (&lt;a href="https://www.cnbc.com/2021/01/27/hedge-fund-targeted-by-reddit-board-melvin-capital-closed-out-of-gamestop-short-position-tuesday.html"target="_blank" rel="noopener"&gt;https://www.cnbc.com/2021/01/27/hedge-fund-targeted-by-reddit-board-melvin-capital-closed-out-of-gamestop-short-position-tuesday.html&lt;/a&gt;)&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;This Hedge Fund Made $700 Million on GameStop (&lt;a href="https://www.wsj.com/articles/this-hedge-fund-made-700-million-on-gamestop-11612390687"target="_blank" rel="noopener"&gt;https://www.wsj.com/articles/this-hedge-fund-made-700-million-on-gamestop-11612390687&lt;/a&gt;)&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;Are We in a SPAC Investment Bubble Now? (&lt;a href="https://www.thestreet.com/investing/is-the-spac-bubble-about-to-burst"target="_blank" rel="noopener"&gt;https://www.thestreet.com/investing/is-the-spac-bubble-about-to-burst&lt;/a&gt;)&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;Hey Fed, Explain Again How Making Billionaires Richer Creates Jobs (&lt;a href="https://www.zerohedge.com/economics/hey-fed-explain-again-how-making-billionaires-richer-creates-jobs"target="_blank" rel="noopener"&gt;https://www.zerohedge.com/economics/hey-fed-explain-again-how-making-billionaires-richer-creates-jobs&lt;/a&gt;)&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;Hyperinflation Can Happen Much Faster Than You Think (&lt;a href="https://www.zerohedge.com/markets/hyperinflation-can-happen-much-faster-you-think"target="_blank" rel="noopener"&gt;https://www.zerohedge.com/markets/hyperinflation-can-happen-much-faster-you-think&lt;/a&gt;)&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;&amp;ldquo;This Is Not Transitory&amp;rdquo;: Hyperinflation Fears Are Soaring Across America (&lt;a href="https://www.zerohedge.com/markets/not-transitory-inflation-fears-are-soaring-across-america"target="_blank" rel="noopener"&gt;https://www.zerohedge.com/markets/not-transitory-inflation-fears-are-soaring-across-america&lt;/a&gt;)&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;Commodities Are Soaring 25%: That&amp;rsquo;s Consistent With Headline Inflation Of Almost 4% (&lt;a href="https://www.zerohedge.com/markets/commodities-are-soaring-25-thats-consistent-headline-inflation-almost-4"target="_blank" rel="noopener"&gt;https://www.zerohedge.com/markets/commodities-are-soaring-25-thats-consistent-headline-inflation-almost-4&lt;/a&gt;)&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;Inflation speeds up in April as consumer prices leap 4.2%, fastest since 2008 (&lt;a href="https://www.cnbc.com/2021/05/12/consumer-price-index-april-2021.html"target="_blank" rel="noopener"&gt;https://www.cnbc.com/2021/05/12/consumer-price-index-april-2021.html&lt;/a&gt;)&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;SEC Investigating SoftBank After NASDAQ Gamma Squeeze, FOIA Reveals (&lt;a href="https://www.zerohedge.com/markets/sec-investigating-softbank-triggered-nasdaq-gamma-squeeze-foia-reveals"target="_blank" rel="noopener"&gt;https://www.zerohedge.com/markets/sec-investigating-softbank-triggered-nasdaq-gamma-squeeze-foia-reveals&lt;/a&gt;)&lt;/li&gt;
&lt;/ul&gt;
&lt;h2&gt;SCRIPT&lt;span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="script"&gt;&lt;/span&gt;
&lt;a href="#script" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/h2&gt;&lt;p&gt;Olá pessoal, Fabio Akita&lt;/p&gt;</description><content:encoded><![CDATA[

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<h2>DESCRIPTION<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="description"></span>
    <a href="#description" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Depois de mais de 1 ano de pandemia, quais foram os efeitos causados na nossa Economia? Por que parece que os mercados de Tech, principalmente, estão tão super-aquecidos? Já nos recuperamos? Tudo passou bem? Vamos entender!</p>
<p>Este vídeo é a terceira e última parte dos dois vídeos que publiquei 1 ano atrás:</p>
<ul>
<li>O que vem depois da COVID-19? (<a href="https://www.youtube.com/watch?v=Hrg0MnyE2jM"target="_blank" rel="noopener">https://www.youtube.com/watch?v=Hrg0MnyE2jM</a>)</li>
<li>A COVID-19 Matou minha Startup? (<a href="https://www.youtube.com/watch?v=Y8SaMX30X1g"target="_blank" rel="noopener">https://www.youtube.com/watch?v=Y8SaMX30X1g</a>)</li>
</ul>
<h3>Conteúdo<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="conteúdo"></span>
    <a href="#conte%c3%bado" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h3><ul>
<li>00:00 - Intro</li>
<li>01:17 - Disclaimer 1</li>
<li>01:35 - Março de 2020 - Como eu vi a pandemia chegando</li>
<li>03:17 - Meu Primeiro Video</li>
<li>03:59 - Primeiros efeitos no mercado</li>
<li>06:15 - Wallstreetbets vs Wall Street: Gamestop</li>
<li>09:59 - A Baleia de Nasdaq: Softbank</li>
<li>12:40 - A pergunta que ninguém fez: Por que agora?</li>
<li>15:08 - O Efeito Colateral de Distribuir Dinheiro</li>
<li>17:01 - Hiperinflação no Mercado Financeiro</li>
<li>18:29 - Estímulos: O Novo Zero</li>
<li>19:43 - Inflação no Mundo Real Começou</li>
<li>22:27 - O Brasileiro era mais Rico alguns anos atrás??</li>
<li>24:06 - Bolha de Tech 1: Venture Capital</li>
<li>32:43 - Bolha de Tech 2: SPAC</li>
<li>37:49 - A Agulha da Bolha? A TEMPESTADE PERFEITA</li>
<li>41:39 - O que dá pra fazer?</li>
</ul>
<h3>Links<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="links"></span>
    <a href="#links" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h3><ul>
<li>Sam Zell calls SPAC craze largely ‘rampant speculation’ reminiscent of 1990s dot-com bubble (<a href="https://www.cnbc.com/2021/02/09/sam-zell-calls-spac-craze-largely-rampant-speculation-reminiscent-of-1990s-dot-com-bubble.html"target="_blank" rel="noopener">https://www.cnbc.com/2021/02/09/sam-zell-calls-spac-craze-largely-rampant-speculation-reminiscent-of-1990s-dot-com-bubble.html</a>)</li>
<li>The Bubble Is Starting to Burst in the SPAC IPO Boom: Chart (<a href="https://news.bloomberglaw.com/securities-law/the-bubble-is-starting-to-burst-in-the-spac-ipo-boom-chart"target="_blank" rel="noopener">https://news.bloomberglaw.com/securities-law/the-bubble-is-starting-to-burst-in-the-spac-ipo-boom-chart</a>)</li>
<li>Inflation and the Commodities Bounce (<a href="https://www.reuters.com/article/sponsored/inflation-commodities-bounce"target="_blank" rel="noopener">https://www.reuters.com/article/sponsored/inflation-commodities-bounce</a>)</li>
<li>Companies sound alarm over commodity price hikes (<a href="https://apnews.com/article/financial-markets-prices-health-coronavirus-business-7d3b979e1fc8f7c9cde7822131b0e014"target="_blank" rel="noopener">https://apnews.com/article/financial-markets-prices-health-coronavirus-business-7d3b979e1fc8f7c9cde7822131b0e014</a>)</li>
<li>ROBINHOOD&rsquo;S REVENUE INCREASED BY 514% YOY- $682M IN 2020 (<a href="https://financialit.net/news/trading-systems/robinhoods-revenue-increased-514-yoy-682m-2020"target="_blank" rel="noopener">https://financialit.net/news/trading-systems/robinhoods-revenue-increased-514-yoy-682m-2020</a>)</li>
<li>Robinhood Filing Shows Enormous Growth in Controversial Revenue Source (<a href="https://www.barrons.com/articles/robinhood-filing-shows-enormous-growth-in-controversial-revenue-source-51620065477"target="_blank" rel="noopener">https://www.barrons.com/articles/robinhood-filing-shows-enormous-growth-in-controversial-revenue-source-51620065477</a>)</li>
<li>Insider: SPACs are the ‘Scummiest’ Thing on Wall Street | Arvid Ali Clip (<a href="https://www.youtube.com/watch?v=lmrtWKYMz9E"target="_blank" rel="noopener">https://www.youtube.com/watch?v=lmrtWKYMz9E</a>)</li>
<li>&ldquo;This Is Unsustainable&rdquo;: 2021 SPAC Issuance Will Surpass Entire 2020 Total Before End Of March (<a href="https://www.zerohedge.com/markets/unsustainable-2021-spac-issuance-will-surpass-entire-2020-total-end-march"target="_blank" rel="noopener">https://www.zerohedge.com/markets/unsustainable-2021-spac-issuance-will-surpass-entire-2020-total-end-march</a>)</li>
<li>SEC Drops Accounting Bomb, Blows Up SPAC Boom (<a href="https://www.zerohedge.com/markets/sec-drops-accounting-bomb-blow-spac-boom"target="_blank" rel="noopener">https://www.zerohedge.com/markets/sec-drops-accounting-bomb-blow-spac-boom</a>)</li>
<li>Melvin Capital, hedge fund targeted by Reddit board, closes out of GameStop short position (<a href="https://www.cnbc.com/2021/01/27/hedge-fund-targeted-by-reddit-board-melvin-capital-closed-out-of-gamestop-short-position-tuesday.html"target="_blank" rel="noopener">https://www.cnbc.com/2021/01/27/hedge-fund-targeted-by-reddit-board-melvin-capital-closed-out-of-gamestop-short-position-tuesday.html</a>)</li>
<li>This Hedge Fund Made $700 Million on GameStop (<a href="https://www.wsj.com/articles/this-hedge-fund-made-700-million-on-gamestop-11612390687"target="_blank" rel="noopener">https://www.wsj.com/articles/this-hedge-fund-made-700-million-on-gamestop-11612390687</a>)</li>
<li>Are We in a SPAC Investment Bubble Now? (<a href="https://www.thestreet.com/investing/is-the-spac-bubble-about-to-burst"target="_blank" rel="noopener">https://www.thestreet.com/investing/is-the-spac-bubble-about-to-burst</a>)</li>
<li>Hey Fed, Explain Again How Making Billionaires Richer Creates Jobs (<a href="https://www.zerohedge.com/economics/hey-fed-explain-again-how-making-billionaires-richer-creates-jobs"target="_blank" rel="noopener">https://www.zerohedge.com/economics/hey-fed-explain-again-how-making-billionaires-richer-creates-jobs</a>)</li>
<li>Hyperinflation Can Happen Much Faster Than You Think (<a href="https://www.zerohedge.com/markets/hyperinflation-can-happen-much-faster-you-think"target="_blank" rel="noopener">https://www.zerohedge.com/markets/hyperinflation-can-happen-much-faster-you-think</a>)</li>
<li>&ldquo;This Is Not Transitory&rdquo;: Hyperinflation Fears Are Soaring Across America (<a href="https://www.zerohedge.com/markets/not-transitory-inflation-fears-are-soaring-across-america"target="_blank" rel="noopener">https://www.zerohedge.com/markets/not-transitory-inflation-fears-are-soaring-across-america</a>)</li>
<li>Commodities Are Soaring 25%: That&rsquo;s Consistent With Headline Inflation Of Almost 4% (<a href="https://www.zerohedge.com/markets/commodities-are-soaring-25-thats-consistent-headline-inflation-almost-4"target="_blank" rel="noopener">https://www.zerohedge.com/markets/commodities-are-soaring-25-thats-consistent-headline-inflation-almost-4</a>)</li>
<li>Inflation speeds up in April as consumer prices leap 4.2%, fastest since 2008 (<a href="https://www.cnbc.com/2021/05/12/consumer-price-index-april-2021.html"target="_blank" rel="noopener">https://www.cnbc.com/2021/05/12/consumer-price-index-april-2021.html</a>)</li>
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</ul>
<h2>SCRIPT<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="script"></span>
    <a href="#script" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Olá pessoal, Fabio Akita</p>
<p>Vou dar uma pausa na saga de HDs e filesystems pra fazer um video não-técnico desta vez. Apesar de tudo, temos motivos pra comemorar, este é oficialmente o centésimo video do canal!! Daqui 1 mês o canal vai completar 3 anos. Quando lancei meu primeiro video em agosto de 2018 eu sabia que ia levar alguns anos, talvez com quase nenhuma view, até o canal ganhar alguma audiência.</p>
<p>Hoje quero atualizar os videos falando de economia que eu fiz em março e abril do ano passado, pouco mais de um ano atrás, mais especificamente sobre nosso nicho de mercado de tech. Foram videos onde eu comecei falando o que achava que podia acontecer com o estopim da pandemia. Já vou dizendo que tirando poucos pontos que errei, no geral tá caminhando como falei.</p>
<p>Como esse tipo de assunto sempre pode gerar desentendimento é bom deixar um disclaimer aqui: eu não sou economista, absolutamente nada do que disser aqui ou o que falei nos outros vídeos é recomendação financeira nem nada. São só minhas opiniões, e eu sempre falo que opinião é que nem bunda, todo mundo tem um. Então ouça tudo com quantidades saudáveis de cloreto de sódio e não esqueça do chapéu de papel alumínio. Avisos dados, vamos lá!</p>
<p>(&hellip;)</p>
<p>Vou evitar falar a palavra certa de coronga ou mostrar escrito porque no video que eu fiz em março o YouTube me desmonetizou e o Instagram não deixava nem mostrar a thumb porque detectava a palavra. Vamos ver se falando só &ldquo;coronga&rdquo; passa. De qualquer forma esse deve ser o último video que vou mencionar desse assunto.</p>
<p>Uma coisa que não contei nos outros videos foi como eu vi a chegada da pandemia. Em 9 de março de 2020 eu e meu sócio Rodrigo fomos fazer nossa viagem anual pros Estados Unidos pra visitar clientes. A gente pousa em Los Angeles, faz reuniões, no mesmo dia já pega um vôo doméstico pra São Francisco e vai fazendo isso de costa a costa até acabar em Miami pra finalmente voltar pra casa.</p>
<p>Ano passado a gente ia ficar alguns dias a mais pra ir num evento no Texas, a South by Southwest, que eu sempre tive curiosidade de ir. Mas logo que chegamos, todo lugar ficamos ouvindo sobre essa nova pandemia que tava se alastrando rápido. Parecia que à medida que íamos da costa oeste em direção ao meio do país, a pandemia tava vindo atrás.</p>
<p>O evento acabou sendo cancelado em cima da hora. Chegamos em Austin, no Texas e ainda faltavam mais cidades pra ir na semana seguinte. Mas quando vimos que os Estados Unidos tavam proibindo vôos vindos de Londres, as chances de começar a proibir vôos de outros lugares podia ser iminente. Meu sócio mandou bem em tomar a decisão de cancelar tudo, ir direto pra Miami e pegar o vôo de volta pro Brasil.</p>
<p>Dia 12 de março eu acho que declararam que iam fechar os vôos indo e vindo do Brasil. Eu disse que meu sócio mandou bem porque se tivesse atrasado mais um dia, a gente não ia conseguir o vôo de volta. Acho que saímos de Miami, no dia 13 de março, no penúltimo vôo de volta pro Brasil. Foi tipo nos 45 do segundo tempo mesmo.</p>
<p>Nesse mesmo dia, do aeroporto, mandei email pra todos os colaboradores da empresa declarando o home office imediato a partir de segunda, dia 16. Eu acho que no Brasil só declararam quarentena, mandando fechar tudo, uma semana depois, lá pro dia 23. Felizmente meu ramo de negócio já era com todo mundo espalhado em várias cidades do país trabalhando remoto pra clientes, ou pra São Paulo ou pros Estados Unidos, então o impacto foi mínimo.</p>
<p>Uma semana depois que voltamos foi quando publiquei o primeiro video falando dos efeitos da pandemia na economia. Uma coisa que eu errei foi ao falar sobre cloroquina por exemplo. Antes de alguém falar que eu segui o Bozo, não foi. Eu já tava lendo sobre isso durante a viagem, artigos dos Estados Unidos, lá pelo dia 10. Muito antes de começarem a falar sobre isso por aqui.</p>
<p>Como disse naquele video, eu não sou médico, muito menos infectologista, e mesmo dentro dos vários que são, até hoje ainda não existe consenso de tudo. Depende de quem você acompanha. A mesma coisa vale pros efeitos nos mercados. Economia não é uma fórmula que funciona perfeitamente porque tem centenas de variáveis e muitos deles são não-lineares. Política então, nem quero discutir.</p>
<p>Um dos efeitos imediatos que eu falei no video do ano passado foi que minha carteira de investimentos desvalorizou por volta de meio milhão de reais. Num período de meros vinte e um dias entre 19 de fevereiro de 2020 até 23 de março onde tivemos sequências de quedas que somaram 45% de crash. Foi crash nível das piores crises. E foi sistêmico, não foi só em empresas de tech, por exemplo, foi o mercado inteiro.</p>
<p>Mesmo assim, o mercado financeiro recuperou muito rápido. Aqui no Brasil levou 184 dias pra Ibovespa voltar pro mesmo patamar de antes do crash, por volta do começo de dezembro de 2020 já. E isso foi a Ibovespa. Já a NASDAQ, que representa empresas de tech nos Estados Unidos, recuperou muito mais rápido. Em 26 de maio, só 1 mês e meio depois, já tinha voltado pro mesmo nível.</p>
<p>E como se isso já não fosse impressionante, do dia 28 de março do ano passado, até fim de maio deste ano, só uns 250 dias, o mercado de tech ainda subiu quase 50%. Ou seja, nós investidores não só recuperamos as perdas daquele crash, mas nossos ativos valorizaram absurdamente nesse período.</p>
<p>Sem entender nada de finanças, qualquer um deveria pensar que isso é estranho. Você pensaria, &ldquo;claro, todo mundo ficando em casa, aumentou o número de assinantes na Netflix, por isso valorizou. Com lojas de rua e shopping centers fechados, todo mundo tá comprando muito mais online na Amazon, Mercado Livre, então lógico que ecommerces valorizaram.&rdquo;</p>
<p>&ldquo;Com restaurantes fechados todo mundo tá pedindo delivery de comida nos iFood e Uber Eats da vida. Com escolas e faculdades fechadas, plataformas de edtech valorizaram então todo curso online como um Skillshare da vida deve ter subido. E finalmente, com todo mundo gastando mais online, toda fintech valorizou junto&rdquo;.</p>
<p>Isso de fato explica uma parte, mas não é a maior parte. A essa altura, todo mundo que poderia assinar uma Disney+ já assinou. Toda mundo que precisa comer já tá num iFood. Depois de poucos meses, essa demanda já foi toda atendida. Não vai crescer exponencialmente num curto espaço de tempo, mas mesmo assim todas essas ações continuam subindo bastante.</p>
<p>Além do mais tem outro fator, os níveis de desemprego chegaram a números que não se via em décadas e muita gente continua desempregada. Fábricas inteiras precisaram parar por bastante tempo. Comércio no geral ainda tá longe de voltar ao normal. E mesmo assim, ações continuam subindo.</p>
<p>Tem uma história que ajuda a ilustrar essa contradição. A partir do meio de janeiro deste ano, mais ou menos, as ações da Gamestop nos Estados Unidos subiram nada menos que 1370 porcento! Num período de só 10 dias! Se você não entende porcentagem, isso significa o valor da ação se multiplicar por 15, indo de 23 até 347 dólares.</p>
<p>Gamestop é uma reconhecida cadeia de lojas de videogames e acessórios que em algum momento já foi tipo a Blockbuster nos anos 90, mas justamente por causa de compras online, também má administração, ela vinha definhando e morrendo aos poucos. Claro, ainda vai levar alguns anos pra realmente morrer se não fizer nada. Mas ainda tem bastante coisa que ela pode fazer.</p>
<p>Hedge funds vinham apostando contra ela faz algum tempo. E a forma de apostar contra uma empresa de capital aberto é fazendo short. - Akita do futuro editando, vou reexplicar este trecho porque não tinha ficado claro - Bem a grosso modo funciona assim. Você como o fundo vende uma opção de compra no mercado. Opções são baratas e você não precisa ter a ação da empresa. Quando a opção vencer e o preço estiver baixo, o fundo pode comprar barato no mercado e cumprir a promessa de venda ao preço mais alto e ele ganha. Mas como os preços subiram astronomicamente num espaço curto, ele agora fica obrigado a comprar caro no mercado e vender barato como tinha prometido na opção.</p>
<p>O caso da Gamestop foi assim: um grupo de investidores de varejo, e eu chamo de varejo porque não são instituições ou fundos e sim pessoas físicas como eu e você, entraram no Reddit e criaram um grupo chamado wallstreetbets. Eles resolveram apostar juntar a cauda longa de pequenos investidores que, sozinhos, não tem como influenciar o mercado, mas juntos poderiam coordenar e atacar uma única estratégia de uma só vez, talvez desse alguma coisa.</p>
<p>Impressionantemente deu certo! Num espaço curtíssimo de tempo eles apostaram a favor da Gamestop, bem quando os shorts de um determinado fundo iam vencer, daí o fundo que tava apostando contra foi obrigado a cobrir caro. É isso que se chama de short squeeze, que é literalmente apertar os shorts. O grupo do Reddit começou a comprar sistematicamente, fazendo os preços irem de 23 dólares até os absurdos 347 dólares.</p>
<p>Digamos que o preço subiu de 23 pra 50 logo de cara. Ninguém tava esperando isso. Quem tava shorteando, e alavancado, agora vai tomar chamada de margem da corretora. Muita gente não vai ter como cobrir e vai ficar endividado com a corretora. É o momento que quebra as pernas de todo mundo que entrou ambicioso demais e apostou o que não podia. Até um grande fundo pode ser pego desprevenido e tomar chamadas de margem milionárias.</p>
<p>O fundo em questão que sofreu o ataque foi a Melvin Capital. Tentaram consertar isso por baixo dos panos, mas era tarde demais, o prejuízo foi de nada menos que 3 bilhões de dólares. O grupo do Reddit começou bem antes na real, mas começou devagar, quando o preço tava mais baixo a uns 4 dólares lá por agosto, e levou uns seis meses pra ir de 4 até os 23 dólares, mas quando bateu 23 aí foi de uma vez só pra cima. Eles não esperavam que uma ação defunta dessas pudesse movimentar tão drástico assim.</p>
<p>Esse caso ficou super famoso em Janeiro porque pareceu mais uma história de Davi e Golias, o povo quebrando as pernas de Wall Street e toda essa baboseira. Foi divertido de acompanhar. Apesar da estratégia de short squeeze fazer sentido, não é novidade e acho que se uma empresa fizer algo assim é até ilegal. A gigante Softbank, famosinha por investir em tudo que é startup, é uma das que joga sujo no mercado. Vide o escândalo da WeWork que é só um exemplo.</p>
<p>Lembra que eu falei que a NASDAQ se recuperou super rápido logo depois de março? Parece que a Softbank deu uma mãozinha. Ela deveria ser um fundo de investimento em startups mas depois de prejuízos astronômicos como com a WeWork, começou a manipular o mercado financeiro pra cobrir um pouco desse prejuízo. Em resumo foi assim, tendo participação em dezenas de empresas, através delas ele distribuiu a compra de calls, opções de compra na ordem de 4 bilhões. 4 bilhões em calls comprados de forma indireta. Já entendeu né?</p>
<p>A Softbank pode ter causado uma gamma squeeze. Parecido com o que o grupo wallstreetbets fez contra a Melvin Capital. Pensa assim, você comprou a opção de compra de alguém. Agora esse alguém te vendeu porque acha que a ação vai cair. Mas digamos que começa a subir. Quem te vendeu precisa se proteger caso suba demais e uma das formas de fazer isso é comprar a própria ação antes que ela suba demais, pra minimizar o prejuízo. Então muita opção de compra pode incentivar mais gente a comprar mais ação que, por sua vez, aumenta o preço. Por sua vez isso faz aparecer mais opções de compra e um vai puxando o outro rápido pra cima. Em grande volume isso é um gamma squeeze.</p>
<p>Todo mundo sabia que uma ou mais baleias, que é como chamamos algum investidor milionário fazendo operações em grande volume pra influenciar preços começou a comprar calls em empresas de tech como se não houvesse amanhã. Mas ninguém sabia quem tava por trás. Em setembro seguiram o rastro do dinheiro e descobriram que a baleia da Nasdaq tinha grandes chances de ser a Softbank.</p>
<p>Eu acho que ela tava ou ainda tá sendo investigada pela SEC porque isso seria manipulação do mercado. Ela supostamente manipulou via volumes obcenos de opções de compra usando o nome de outras empresas como fachada, causando esse gamma squeeze e a impressão que empresas de tech se recuperaram muito rápido. E o problema de gamma squeezes é que elas podem crashear o preço da ação do nada. Eu falava isso anos atrás e continuo falando: suspeito de tudo que a Softbank bota as mãos. E não são só eles, vamos continuar.</p>
<p>Aqui eu tô chutando mas talvez seja isso que tenha feito a Nasdaq cair e acumular uma queda de 12%, que é mais que uma correção, no começo de setembro do ano passado. Isso fez a Nasdaq ficar volátil andando de lado e com tendência de queda até o fim de dezembro, quando começou a onda de otimismo com o novo presidente dos Estados Unidos, o Biden, e a promessa de novos estímulos à economia.</p>
<p>Mas tem outra pergunta importante, porque agora? De onde veio tanto dinheiro que o povo do Reddit usou pra fazer essas apostas? Não sei se você teve a sensação que parece que tem muito mais gente fazendo investimentos hoje. Pessoas física mesmo. Até aqui no Brasil aumentou. De repente você vê muito mais youtuber falando de investimentos, mais cursos de investimento aparecendo, mais fintechs de investimento. Eu não acho que é coincidência. E antes de sair metralhando nos comentários, a partir daqui considere tudo uma especulação da minha parte.</p>
<p>Vou falar mais dos Estados Unidos porque é onde os números são mais interessantes, mas entenda. Por causa das quarentenas os governos do mundo começaram a aprovar pacotes de ajuda e estímulos. Um monte de gente ficou sem emprego do dia pra noite. Seria um caos. Então fazia sentido distribuir dinheiro direto pras pessoas pra elas não irem pra baixo da ponte nem morrer de fome, o que só aumentaria o problema da pandemia em si.</p>
<p>Pra ter uma noção da quantidade de dinheiro, basta dizer que metade dos dólares em circulação na economia foi impressa no período de 1 ano. Consegue entender essa ordem de grandeza? Cada uma nota de 1 dólar ganhou um copy e paste automático. É de onde você vê aquele meme de gif animado do presidente do FED, o banco central americano, Jerome Powell, imprimindo dinheiro brrrrrrr.</p>
<p>Eu disse no video de março que o primeiro grande efeito da pandemia é que gerou uma crise de falta de dólares no mundo. O dólar ficou instantaneamente mais caro. Mas aí o FED interviu e começou a imprimir dólares. Até hoje acho que já foi impresso mais de 5 trilhões de dólares. Dinheiro que apareceu do nada indo direto pra mão das pessoas. Se você acredita em pseudo-teorias como a MMT ou UBIs, esse foi o maior programa global de redistribuição de dinheiro da história.</p>
<p>Isso foi pras mãos de quem realmente precisava mas também foi pras mãos de quem não precisava tanto assim, que tinha alguma poupança ou possibilidade de continuar trabalhando. Mas ao contrário do que se poderia imaginar, isso não gerou inflação, porque tava todo mundo trancado em casa, com medo, e não aumentou a demanda de compra de produtos e serviços na mesma proporção.</p>
<p>Então, por alguns meses, parecia o País das Maravilhas. Poder imprimir dinheiro em alto volume sem inflação como efeito colateral: o sonho de todo político populista que quer ser posar de salvador da pátria. Apesar de não ter tido inflação significativa nos consumíveis durante o ano de 2020, a gente que investe viu a inflação aparecer imediatamente num mercado específico: o financeiro. Claro que a fórmula não é bonitinha assim, e eu estou só extrapolando. Mas vamos especular um pouco.</p>
<p>Milhões de pessoas que receberam os cheques de estímulo resolveram tentar multiplicar esse dinheiro extra. Muita gente associou com criptomoedas. Depois de mais de 2 anos num bear market, em queda, um Bitcoin não passava de 10 mil dólares e normalmenta tava abaixo. Em março, igual todo mundo ele caiu mais ainda, pra faixa dos 4 mil dólares e em poucos meses não só superou o pico histórico de 20 mil, como foi direto pra sessenta e cinco mil dólares! Mesmo com a recente queda de mais de 40%, ainda assim ele tá o dobro acima do pico histórico do ciclo anterior do final de 2017. Mas Bitcoin não foi o único e nem o maior destino do dinheiro dos cheques.</p>
<p>Veja a plataforma de corretagem Robinhood dos Estados Unidos, que foi feita pra atrair investidores de varejo com sua estratégia de não cobrar taxas de corretagem e em vez disso ganhar dinheiro com market makers vendendo order flows. De qualquer maneira a idéia do Robinhood é ser um app pra tornar negociar na bolsa de valores algo tão simples quanto chamar um Uber ou jogar Candy Crush.</p>
<p>E deu certo, pra uma plataforma que não cobra taxas dos usuários, a receita deles cresceu nada menos que 514%. Desde que foi fundada em 2014, levou 2 anos pra atingir a marca de 1 milhão de usuários. Só nos primeiros meses de 2020 mais de 3 milhões de novos usuários entraram na plataforma e ela já tem mais de 13 milhões no total. É um monte de gente injetando dinheiro no sistema financeiro.</p>
<p>O que acontece quando a oferta de um produto não muda tanto, o estoque, mas a demanda aumenta drasticamente? Lembra o episódios da falta de papel higiênico? Pois é, uma Apple ou Facebook continuam tendo o mesmo estoque de ações, não lançaram nenhum produto revolucionário nem nada. Mas o número de compradores aumentou drasticamente. Então todas as ações e produtos financeiros também aumentaram na mesma proporção.</p>
<p>É assim que você consegue ter empresas bizarras e cheias de promessas e com pouca entrega como umas Teslas e Nikolas da vida sendo super valorizadas. Mesmo a Gamestop, que todo mundo sabe que foi esse jogo entre grupos de Reddit e wallstreet, ainda tá com preço alto. Lembra que eu falei que tava de 4 a 23 dólares no fim de 2019 e foi até 347 em poucos dias? O preço continua alto ainda hoje, na faixa de 240 dólares, que ainda é mais de 10 vezes o que deveria ser.</p>
<p>É um fato: o mercado financeiro está em hiper-inflação faz meses. Ele já estava em inflação desde a &ldquo;resolução&rdquo; da crise de 2008, quando o banco central americano foi ao resgate pra evitar quebradeira dos bancos e começou o tal Quantitative Easing, que é o nome bonitinho pra imprimir dinheiro.</p>
<p>Eu expliquei isso nos outros videos, mas em resumo bancos centrais conseguem criar dinheiro quando quiser. O balance sheet deles é uma planilha Excel. Basta colocar um zero a mais. Na real o termo correto é aumentar a dívida. Todo banco central pode fazer isso. E você poderia se perguntar, porque a gente precisa pagar imposto então? Basta imprimir dinheiro infinitamente. Só que todo mundo sabe que se fizesse isso sem controle viria inflação na mesma proporção.</p>
<p>Só os Estados Unidos conseguem fazer isso porque o dólar ainda é a moeda de reserva do mundo, desde a história de Bretton Woods que eu contei. Todos os países do mundo estão endividados em dólar, então sempre existe demanda por mais dólar.</p>
<p>Mas nem isso significa que eles são imunes a inflação. O motivo de porque eu não acredito em pseudo-teorias como UBI ou Universal Base Income ou qualquer bullshit de Nova Teoria Monetária é exatamente por isso: qualquer valor de base que você cria - como os cheques de estímulo - no longo prazo se tornam o novo zero.</p>
<p>Vamos ver no curto prazo o que já aconteceu. E de novo, estou simplificando grosseiramente só pra explicar o conceito, lógico que tem bem mais nuance que isso. Mas vamos lá: março de 2020, quarentena entra em vigor, tudo fecha e passamos a ter índices recordes de desemprego. Governos começam a imprimir dinheiro e distribuir pra população. Nos Estados Unidos estamos falando de cheques de mil de quatrocentos dólares por pessoa. Meses depois, em alguns lugares, a situação vai melhorando. Inúmeros fatores, vacinas agora, sei lá. Várias empresas que sobreviveram agora tentam recontratar e obviamente estão com dificuldade.</p>
<p>Porque empregos mais de base, que não exigem preparação acadêmica nem nada disso, garçons, operários, chão de fábrica e coisas assim agora não vão trabalhar por menos do que o cheque que recebem. Ótimo, você pode pensar, agora esses empresários ambiciosos vão se ferrar e vão ter que pagar mais. O povo sai ganhando, não?</p>
<p>Nope, o preço dos produtos e serviços que eles produzem é que vai aumentar. Some a isso outro problema. Do nada todo mundo parou de produzir ou diminuiu drasticamente nas quarentenas. A gente de tech tá vendo isso no preço de componentes eletrônicos. Se você é gamer tá vendo que não tem como comprar placas gráficas. Lembram que eu comprei minha RTX 3080 dezembro do ano passado? Eu paguei super caro, uns 7 mil reais. Pois é, se você for no Mercado Livre em menos de 6 meses o preço subiu pra 21 mil reais, 3 vezes mais.</p>
<p>A culpa é desses mineradores de criptomoedas. Não é só isso. À medida que a economia vai abrindo rápido em algumas partes do mundo, a produção tá tentando aumentar. Os estoques já acabaram então precisa produzir rápido pra cobrir a demanda. Se toda fábrica do mundo aumenta a produção de uma só vez, vai faltar matéria prima pra todo mundo. Chips em particular a gente já sentiu. Fábricas fechadas por muito tempo e agora reabrindo ao mesmo tempo, falta de matéria prima e falta de mão de obra é que foram os fatores pra faltar vários tipos de produtos, incluindo placas gráficas.</p>
<p>Além de alta demanda, por vários fatores, como seca em partes do Brasil, estamos com falta de muitos tipos de commodities. De novo, falta de oferta, aumento rápido na demanda, significa que os preços sobem. O preço da madeira subiu 280 porcento. Lembra que fora do Brasil muito da energia vem de termoelétrica. Preço do cobre subiu mais de 100%. O milho subiu 80%, isso nos Estados Unidos, mas todo commodity tá super caro.</p>
<p>Por mão de obra mais cara, matéria prima mais cara, e demanda de compra aumentando com as reaberturas, dinheiro de estímulo sobrando, isso tá fazendo os preços de tudo subir. Recentemente empresas gigantes que fabricam quase tudo que a gente compra, de refrigente a pasta de dente, como Proctor &amp; Gamble, Kimberly-Clark, Coca Cola, todo mundo já anunciou que vai ter que subir os preços de todos os produtos.</p>
<p>Não é só a placa gráfica de gamer que tá cara, tudo já tá ou vai ficar mais caro. Nos Estados Unidos que inflação era na casa dos 2% já tá o dobro, acima de 4%. E isso porque o índice de preços ao consumidor deles, a CPI, faz alguns anos que não coloca na conta o preço de housing, preço de moradia, que já subiu bastante também.</p>
<p>Além de imprimir muito dinheiro, outra estratégia foi manter os juros base, o equivalente nossa da SELIC, em níveis baixos, pra facilitar acesso ao crédito. E as taxas de juros já estavam nos níveis mais baixos da história, perto de zero. Isso gera efeitos como mais financiamentos de coisas como casas. Com desaceleração de obras, oferta limitada de imóveis e mais compradores com acesso a mais crédito barato, significa que o preço de imóveis aumenta também.</p>
<p>Quando muita gente pensa &ldquo;ah, alguns anos atrás o brasileiro era mais rico&rdquo;, não significa que a gente tinha mais dinheiro no bolso. Significa que os juros eram mantidos baixo, isso faz o crédito parecer mais barato. Então o que tinha era mais facilidade das pessoas se endividarem. Todo mundo parece mais rico gastando dinheiro que não tem. Se você sobe a taxa básica de juros, os juros de todos os financiamentos crescem junto.</p>
<p>Uma das formas de desacelerar inflação causada por aumento na demanda de compra é aumentar a taxa de juros, porque aí a população pensa duas vezes antes de pegar um empréstimo no banco. Mas lembra como falei que o lance de imprimir dinheiro dos bancos centrais é criar dívida no balance sheet deles também? Quanto mais dívida mais difícil fica aumentar os juros, porque os juros aumentam pra todo mundo, incluindo pro governo.</p>
<p>E só o governo americano imprimiu mais de 5 trilhões de dólares de dívida. Eles nunca acumularam tanta dívida assim desde a Segunda fucking Guerra Mundial. Pensa: eles tão com mais dívida em um ano do que durante a Guerra. Então quando a hiper-inflação chegar, vai ter mais dificuldade de controlar.</p>
<p>A definição de hiper-inflação varia mas uma que li que pode servir de referência é quando os preços sobem 50% ou mais num único mês. E isso tende a acelerar rápido, então 50% num mês rápido vira 100% no outro, 1000 porcento e aí vira a porcaria da Venezuela rapidinho, ou o Brasil nos anos 80. E todo mundo corretamente morria de medo porque uma vez que você entra nessa espiral, pra sair é super difícil. O problema é que parece que todo mundo perdeu o medo.</p>
<p>Isso nos trás pro próximo assunto que chama a atenção. Se você for de tech em grandes centros urbanos já viu que a demanda por programadores aumentou bastante. Eu posso dizer isso pessoalmente porque eu nunca tive que lidar com tanta demanda por programadores em 10 anos. Nem no pico do mercado de startups aqui no Brasil que foi entre 2010 a 2015 mais ou menos.</p>
<p>Se você não tá vendo isso, talvez tenha visto como apareceu notícias de tantas startups de tech, fintechs, edtechs, e tudo mais, recebendo um tanto de investimentos novos. E isso se traduz em todos eles contratando muito mais. Isso deveria ser uma excelente notícia. Mas se você acompanha meu canal já deve imaginar onde quero chegar.</p>
<p>Porque aumentaram esses novos investimentos em tech? Tem motivos legítimos. Por todos os motivos que falei no começo, de fato, aumentou a demanda por mais serviços digitais. Finalmente o mundo se viu obrigado a levar home office a sério e a atender gente presa em casa. Só serviços digitais conseguem escalar pra atender demanda massiva assim.</p>
<p>Por outro lado, surgiu a oportunidade pra ganhar dinheiro rápido. A grosso modo o objetivo de se abrir uma empresa é produzir algo útil, que tenha demanda. Isso gera receita que, com uma boa administração, vai eventualmente gerar lucros, que é o que permite ir continuamente melhorando os produtos e serviços.</p>
<p>A necessidade de aumentar produtividade e qualidade é porque se esse mercado é bom, a demanda aumenta e com isso novos concorrentes vão aparecendo e forçando as outras empresas a continuamente melhorar pra oferecer melhores produtos a melhores preços. Essa é a dinâmica normal.</p>
<p>O problema é quando governos interferem. E em 2020 você nunca viu uma interferência tão grande na história, de todos os governos do mundo combinados. Eles injetaram uma quantidade de dinheiro sem igual na economia. Nesse ponto você esquece qualquer lei econômica, agora é a hora de &ldquo;dog eat dog&rdquo;, da cobra comer a própria cauda.</p>
<p>O que mais tem no mercado hoje é empreendedor de fundo de quintal, a grande maioria vai fracassar, e deveria mesmo porque não tem nada a oferecer que gere valor. Não tem como em poucos parágrafos explicar o mercado inteiro, mas vamos pegar os conceitos principais que eu entendo.</p>
<p>Pense primeiro numa tech startup. Uma das coisas que não deveria ser &ldquo;o&rdquo; objetivo e sim uma consequência é atrair investidores, particularmente venture capital. Venture Capital é um nome bonito pra administradores de dinheiro dos outros. Em qualquer mercado que deu minimamente certo, você vai ter muitos milionários, bilionários e não só isso, fundos de investimento que administram dinheiro dos outros. Por exemplo fundos de pensão, que é responsável por administrar dinheiro de aposentadoria dos outros.</p>
<p>Sem interferências, é normal ter investimentos de risco como investir em startups que ainda não se provaram. E você tem investimentos de hedge ou proteção, que costumam ser estáveis a longo prazo. Se você é administrador da aposentadoria dos outros, por exemplo, não vai sair comprando ações da Tesla em atacado, porque a chance de implodir é enorme, numa hora que o Musk tiver fumado e falar merda no Twitter.</p>
<p>Mas se você deixar o dinheiro na poupança, ou não vai crescer nada, ou pior, vai perder, seja pra inflação, seja pra taxas bancárias. Dinheiro parado no banco, embaixo do colchão, sempre vai desvalorizar. Nosso papel moeda não tem lastro em nada, banco central pode sair imprimindo como tá fazendo agora, e o valor do seu dinheiro vai pro ralo. O que você acha que significa 1 dólar valer 4 reais em 2019 e ir pra quase 6 reais em 2020? Significa que o real desvalorizou 50% em relação ao dólar. E só não foi mais porque o próprio dólar desvalorizou, mas moedas bosta como a nossa desvalorizam mais rápido. Ninguém no mundo quer reais. Venezuelano, argentino, talvez queiram. Mas você entendeu.</p>
<p>Enfim, você quer se proteger, fazer hedge, mas não quer e nem pode brincar de cassino no mercado de ações. Então você compra coisas como papel do tesouro, que é como emprestar dinheiro pro governo e ele ir te pagando os juros. Lembram como eu falei que os juros base tão super baixos? Significa que o papel do tesouro dá pouco retorno ou praticamente nenhum. Daí você voltou pra estaca zero.</p>
<p>Se a grosso modo, pra controlar inflação, um governo pode subir a taxa básica de juros, pra &ldquo;estimular&rdquo; entre aspas, ela baixa os juros. Isso faz mais dinheiro circular na economia, porque facilita o crédito. Por sua vez isso aumenta o investimento em empresas que, finalmente, aumenta oferta de empregos. E tudo dá volta porque mais empregos que pagam melhor significa mais gente consumindo e é isso que significa &ldquo;girar a economia&rdquo;. Mas diminuir a taxa de juros diminui o valor dos papeis do tesouro - que são investimentos considerados estáveis - e move esse dinheiro pro mercado de risco, em busca de mais retorno.</p>
<p>E dentro do mercado de risco existem níveis de risco. Pra você se arriscar pouco, pode comprar ações de empresas tradicionalmente consideradas responsáveis, que ao longo de décadas teve poucos deslizes. Siderúrgicas ou empresas de energia por exemplo. Elas tem problemas quando acontecem desastres naturais, sei lá um petroleiro afunda. Mesmo a porcaria nossa da Petrobrás, com o tanto de palhaçada que todos os governos fazem com ela, continua sendo um dos menos arriscados no nosso mercado. Ou se você gosta de tech, vai comprar coisas como IBM e não Facebook.</p>
<p>Mas no outro extremo do mercado de risco existe o de altíssimo risco, os que fazem investimento early stage, na fase embrionária de uma empresa, onde ela demonstra ter potencial mas ainda não demonstrou resultados. A desculpa é a história da Amazon, que passou quase 1 década sem dar lucro e se tornou o gigante de hoje porque dentre outras coisas, investiu milhões em logística e tecnologia pra ter uma eficiência que nenhum outro consegue ter. Literalmente criando o próprio sistema de entregas que é mais eficiente do que opções tradicionais como DHL ou UPS.</p>
<p>No Brasil aconteceu a mesma coisa com os Mercado Livre ou Magazine Luiza da vida. Praticamente criaram um mini-Correios que é mil vezes melhor que a droga dos Correios. Todo grande ecommerce precisa ter controle do sistema de entregas. Enfim, a Amazon meio que deu esse exemplo de investir tudo, não ter lucro, e superar todos os concorrentes pelo caminho. Independente se você gosta do modelo ou não, os números são impressionatnes.</p>
<p>Um venture capitalist é um gerente de banco glorificado. Ele chega em fundos de investimento, family offices, junta milionários que querem investir o dinheiro mas não querem ter que passar seus dias avaliando cada startup porcaria que aparece. O venture capitalist recebe uma comissão, um dinheirão por sinal, por ano, pra administrar isso. Entenda que um VC vai ganhar dinheiro independente se o investimento que ele fizer der certo ou não. Lógico que quando dá certo ele ganha mais.</p>
<p>Então seu objetivo é achar uma dúzia de startups que tenham algum potencial e injetar dinheiro pra pagar coisas caras como marketing, comercial de TV, tudo que um empreendedor sozinho, sem receita, não teria como. Tudo isso pra atrair mais clientes e abocanhar uma fatia significativa de um mercado que eles acreditam que vão crescer.</p>
<p>Num mercado estabilizado, teria pouco disso. Mas quando tem dinheiro sobrando isso aumenta. Mas mesmo dinheiro de VC só vai até um certo ponto. O objetivo é que eles consigam dar EXIT, saída. Ou melhor, que em algum momento o dinheiro investido dê lucro. Pra isso ou ele precisa conseguir vender pra outra empresa maior a um bom preço ou uma hora precisa abrir o capital, o famoso IPO.</p>
<p>Initial Public Offering ou IPO é o sonho molhado de toda startup e VC. É o sonho de ser o próximo Google, o próximo Facebook. É quando você ganhou notoriedade o suficiente pra fazer investidor de varejo comprar ações caras acreditando que vão multiplicar de valor porque a empresa demonstrou que quanto mais dinheiro você põe nela, mais cresce. Como uma Amazon ou Netflix.</p>
<p>Entenda que quando você compra ações, seja depois, seja durante um IPO, você tá pagando caro por ela. Quem pagou barato foi o investidor inicial, os VCs. E isso faz sentido. Num mercado normal, eles de fato tomaram o risco maior que ninguém mais queria tomar, então é justo que quando dá certo recebam um premium por isso. Se você acha o valor que eles ganham muito ou pouco não importa, porque você não teria investido nesse negócio quando ninguém mais acreditava nele.</p>
<p>Mas não estamos num mercado normal. Estamos com excesso de liquidez e excesso de investidores de primeira viagem. Pra um VC conseguir transformar uma startup amadora num IPO é um longo caminho de muitos anos. Empresas que você acha que são perfeitas como Uber ou Airbnb da vida levaram quase 1 década pra conseguir abrir suas ações ao público.</p>
<p>As bolsas pelo mundo funcionam com diversas regras e leis muito duras. Depois de tanta crise financeira que tivemos na história, uma CVM no Brasil ou SEC nos Estados Unidos realmente tem o dever de evitar que empresas fraudulentas apareçam na bolsa com o objetivo de roubar dinheiro dos investidores, então o processo pra abrir um IPO costuma ser demorado mesmo, e bem caro.</p>
<p>Eu vou tirar a próxima explicação de outro video que vou deixar linkado abaixo pra você assistir inteiro, do canal do Jake Tran entrevistando Arvid Ali. Não importa tanto quem eles são, mas só que a informação não tá errada. Aliás, tangente, nunca associe a validade ou invalidade de uma informação baseado na reputação da pessoa que tá falando. Informação que depende da pessoa falando tem pouco valor.</p>
<p>Enfim, revisar uma empresa pra abrir IPO é complicado, porque ele pode ter dezenas de fornecedores, milhares de funcionários, centenas de ativos, passivos e uma contabilidade complicada e tudo precisa passar pelo escrutínio de uma SEC pra abrir IPO numa Nasdaq. Então você sabe que se o IPO aconteceu, algum mínimo de cuidado foi tomado antes de você pode entrar numa XP da vida ou Robinhood e efetivamente comprar a ação.</p>
<p>A grosso modo o que o Ali explica é: e se desse pra criar uma empresa de fachada. Alguns milionários celebridade se juntam, colocam um X de capital inicial, e abrem essa empresa pro público via IPO. Como não tem funcionários, máquinas, ativos nem nada, o processo de revisão fica muito mais simples. Só que aí vem o truque, agora essa empresa pode comprar uma outra menor, uma dessas startups podres, de origem duvidosa que não passariam pra um IPO normalmente. Mas como agora ela foi comprada por essa empresa de fachada, que é pública, essa startup se torna pública.</p>
<p>Entenderam o truque? É o que se chamaria de &ldquo;loophole&rdquo; ou brecha nas leis que permitia esse tipo de manobra. A startup sozinha jamais passaria pelo escrutínio do SEC. Mas ela sendo adquirida, automaticamente passa a fazer parete de uma empresa com capital aberto e que você poderia agora comprar ações na bolsa de valores.</p>
<p>Pra você ter uma noção, de 2013 a 2019 tinha 2, talvez 3 IPOs de SPACs. No melhor ano que foi 2019 teve 13. Em 2020 esse número foi pra 77, que é mais que todos os SPACs que teve desde 2013 somado! E em 2021 já deve mais de 50. Por isso que do fim do ano pra cá parece que o número de investimentos aumentou dramaticamente.</p>
<p>Em vez de só virar um VC e investir em startups em começo de carreira, essas SPACs abrem capital baseado na reputação dos seus fundadores, usar pra comprar essas startups e captar dinheiro de investidores incautos. Exemplo é uma AJAX I cujo time inclui nomes como Kevim Systrom, co-fundador do Instagram, Jim McKelvey, co-fundador da Square ou a Reinvent Technology Partners que tem o fundador da Zynga, Reid Hoffman, co-fundador do LinkedIn; ou a Altimeter Growth Corp que tem o Brad Gerstner que ficou famoso por ter investido no Facebook, Airbnb, Uber e Unity.</p>
<p>Eu falei que se aparece o nome Softbank em algum lugar suspeito, e se aparecer o nome de uma SPAC em algum lugar eu atravesso a rua e saio correndo. Desde a recuperação da crise de 2008 tudo só vem crescendo. E depois dessa crise eles tem a convicção que se algo der errado, papai banco central vai imprimir mais alguns bilhões e salvar todo mundo. Porque tem aquela desculpa de que se empresas X ou Y falirem vai causar disrupção em algum serviço considerado importante pelos eleitores, vai causar demissões em massa, e nenhum político gosta disso.</p>
<p>Pra ter esse nível de proteção, a melhor coisa que essas empresas podem fazer é inflar rápido, gastar como se não houvesse amanhã pra ficar grande e difícil de ignorar, mesmo sem ter nem um plano pra gerar lucro. E esse dinheiro vai vir de mim, de você, dos seus pais. Seja diretamente vendendo essas ações pra gente ou indiretamente quando o governo fizer bail neles e comprar os ativos sujos, como fez com os ativos imobiliários radioativos que eram os MBS 10 anos atrás. E como tá acontecendo agora.</p>
<p>Na década onde redes sociais se tornaram ubíquitas, nasceram celebridades instantâneas e no mundo de empreendedorismo levou nomes como os Elon Musk da vida a nível de deuses gregos que tem o toque de Midas. Se ele falou que dá dinheiro, eu compro. Só isso já foi suficiente pra inflar a corrida pelas startups e uma década de crescimento sem parar. Num mercado que tudo cresce, é fácil você ser guru, só falar que tudo cresce. Assim que aparece umas Cathie Wood da vida.</p>
<p>Daí você decide ir pro próximo nível, captar Mais dinheiro Mais fácil, daí aparece nomes como Chamath Palihapitiya que aparece falando coisas muito razoáveis, e se coloca na posição de dizer como o mundo de VCs é corrupto e como ele só ele é o salvador da pátria, impulsionando um segmento ainda mais controverso, pra dizer o mínimo, que são SPACs. Muitos consideram SPACs literalmente golpes a céu aberto. E eu não tenho muitos motivos pra discordar.</p>
<p>E agora você cria a tempestade perfeita. Uma pandemia, quarentenas e ondas massivas de pânico que abrem os cheques em branco de todos os governos, emitindo volumes massivos dinheiro. Aumentando ainda mais a inflação no mercado financeiro, que já tava inflacionado. Por isso você tem tanta nova startup recebendo investimento. Muitos querendo abrir IPO o quanto antes pra aproveitar a onda ou se vender pra algum SPAC.</p>
<p>A lei do dia é captar dinheiro da população, seja diretamente ou indiretamente convencendo instituições como fundos de pensão. E eles não tem muita opção porque a taxa básica de juros tá no zero e investimentos mais seguros como renda fixa e tesouro tão rendendo pouco ou nada. Só resta ir pro mercado de risco. Entenderam como as coisas vão fechando?</p>
<p>Eu fico sempre suspeito de empresa que aumentou sua propaganda do nada falando &ldquo;olha como nossos números são da hora&rdquo;. O marketing funciona assim: você não tem lucro, então chama &ldquo;despesa&rdquo; de &ldquo;investimento&rdquo; e vai falando assim: nossos investimento aumentaram em X milhões, aumentamos o número de funcionários pra Y milhares, nossa fatia do mercado aumentou Z porcento. Mas você não vê menção à palavra &ldquo;lucros&rdquo; ou &ldquo;quando&rdquo; pretendem dar lucro.</p>
<p>E outro sintoma fácil de ver é quando, de repente, certa empresas começam a publicar como tem roadmaps de investimento e começam a contratar a rodo. É o que eu chamo de engordar o porco antes do abate. Já que não tem lucro, já que talvez a receita não seja grande coisa, faz parecer que você é a próxima Amazon, contrata gente como se não houvesse amanhã pra parecer que é uma empresa muito melhor do que realmente é, preparando pra vender pra alguém. E agora que tem um monte de SPAC, aumentou o número de compradores.</p>
<p>E as outras grandes empresas tradicionais também querem comprar pra aumentar o valor das ações. Não se engane, o que todo mundo tá correndo pra fazer é engordar esse porco o mais rápido possível pra aproveitar esse momento do mundo onde todos as estrelas se alinharam pra facilitar. A tempestade perfeita.</p>
<p>Não fiquem surpresos de serem convidados pra uma startup promissora, com um roadmap bonito, e bla bla pra depois ver ela sendo vendida e os donos dando exit e saindo o mais rápido possível. O objetivo nunca foi criar bons produtos e bons serviços e ter lucro, mas sim alavancar o que tem, passar batom no porco pra você se convencer que tá indo pra próxima Amazon. As coisas não são fáceis assim. E aqui vale aquele velho ditado: se a esmola é muita até o santo desconfia.</p>
<p>Dependendo de quem você ler, vão te dizer que essa mamata de SPACs que inflaram ano passado tão estourando agora. Segundo a Bloomberg o volume de IPOs normais voltou a superar os de SPACs que, até março deste ano, ainda era gigante. Olha nesse gráfico, a parte amarela é o número de IPOs e em branco o de aquisições por SPACs, os famosos negócios de cheque em branco. Em Abril crasheou a níveis que não se via a meses. Não dá pra dizer ainda, mas é possível que o dinheiro que muita gente contava vai secar. Provavelmente pode ter a ver com notícias de que a SEC finalmente começou a investigar essas possíveis fraudes.</p>
<p>Alguns comparam essa bolha de tech com a das pontocoms do começo do século. Por menos que isso a bolha estourou. Já passamos desse ponto faz algum tempo. Ou você acredita que uma Tesla vale o que vale? No começo de 2020 uma ação da Tesla valia 80 dólares. Em maio de 2021 tava valendo 630 dólares. É mais de 600%. É a empresa que mais engorda o porco. Promessas e mais promessas. O Musk aprendeu como lidar com redes sociais e fazer propaganda. Entre um produto que funciona ela inventa meia dúzia que é só promessa. E assim vai indo.</p>
<p>Esses são alguns sintomas que vejo só ao meu redor. Eu como investidor até que conservador, fico longe de VC ou SPAC. Hoje não é dia ainda de falar de criptomoedas, mas com todos os governos imprimindo dinheiro como se não houvesse amanhã e inflação chegando, obviamente parte do meu investimento eu deixo em criptomoedas, metais (ouro, prata) e commodities. Em momentos assim é importante ter alguma coisa que não tem como multiplicar do nada. Se uma hiper-inflação chegar, são os ativos que não vão perder valor.</p>
<p>Se você não tem dinheiro sobrando pra investir, não tente multiplicar fácil fazendo manobras arriscadas que você certamente não entende e nenhum video de youtube vai conseguir ensinar. Como mexer com opções, derivativos ou investimento com margem. Isso é cassino mil vezes piorado. É 100% de certeza que você vai perder e ainda vai ficar devendo pra alguém.</p>
<p>A única coisa que eu considero sensível agora é evitar ficar empolgado e fazer financiamentos de longo prazo. Embora os juros pareçam razoáveis, os preços de tudo tão inflacionados. É receita pra dar ruim. E eu tomaria muito, mas muito cuidado com promessas de ir pra fora do país. Todo mundo tá engordando o porco, cansei de ver empresas desconhecidas de fora oferecendo isso. Eles ganharam tempo por causa das quarentenas e fronteiras fechadas. Na hora do vamos ver, dão pra trás.</p>
<p>O momento agora é de acumular fundos e não de gastar a menos que realmente precise. Se não deu pra surfar esta onda, vão vir outras, mas o risco é você cair em FOMO - que é fear of missing out -, de ver os outros se dando bem e só você não, daí entrar numa aposta arriscada fraudulenta e perder tudo. Nunca invista em nada que você não estudou muito bem. E nunca, nunca, jamais siga gurus financeiros. Não existe riqueza fácil.</p>
<p>Assim como aconteceu em outras bolhas, milhares ou milhões de investidores de varejo não só estão comprando ações de empresas que eles viraram fãs, como Tesla da vida, mas estão comprando opções de compra. Foi o que já expliquei: você vê a ação hoje custando 200 dólares, mas como é fã do Musk, acha que vai chegar fácil em mil dólares, então compra opção de compra alavancado. Porque quando expirar  você tá apostando que vai estar mil, mas aí só tem que pagar os 200 que é o preço de hoje.</p>
<p>O problema é se a ação cair, digamos pra 100 dólares. Agora você continua sendo obrigado a pagar os mesmos 200 e tomar prejuízo. Se investiu com margem, vai tomar chamada de margem e vai se endividar ou quebrar. Isto é uma recomendação: não brinque com opções e muito menos combinado com margem, é receita pra desgraça. Nem todo mundo nasceu pra ser trader. E é isso que pode acontecer se a bolha estourar: milhões de pessoas tomando chamada de margem ao mesmo tempo, sem tempo pra fazer nada a não ser ver o colapso multiplicando seu prejuízo, causando um efeito dominó de crash.</p>
<p>E não custa avisar de novo: nada do que falei é recomendação financeira. Não compre ou venda nada por causa do que falei. Quando eu falo de cassino fica parecendo que sou anti-apostas, mas nada disso, sou totalmente a favor. Se ninguém se arriscasse, tudo seria mil vezes mais devagar porque de fato, no meio de mil lixos, sai uma Apple da vida de vez em quando. Alguém teve que apostar nos novecentos e noventa e nove outros que deram errado.</p>
<p>Todo mundo é adulto e se você se arrisca e perde, a culpa é 100% sua, de mais ninguém. Ninguém botou uma arma na sua cabeça pra fazer a aposta. Existem formas de fazer investimentos mais seguros, mas pra isso você precisa fazer o mesmo que em qualquer profissão: sentar a bunda na cadeira e estudar. Isso leva anos.</p>
<p>Este canal não é feito pra ninguém que acredita em leprechauns e pote do ouro no fim do arco íris, só em estudo e trabalho, então se ficaram com dúvidas mande nos comentários abaixo, se curtiram o video deixem um joinha, assinem o canal e clique no sininho, e compartilhem o video pra ajudar o canal. A gente se vê, até mais.</p>
]]></content:encoded><category>economia</category><category>mercado-de-tecnologia</category><category>startups</category><category>akitando</category></item><item><title>[Akitando] #77 - A COVID-19 matou minha Startup? | Entendendo Criptomoedas</title><link>https://akitaonrails.github.io/2020/04/15/akitando-77-a-covid-19-matou-minha-startup-entendendo-criptomoedas/</link><guid isPermaLink="true">https://akitaonrails.github.io/2020/04/15/akitando-77-a-covid-19-matou-minha-startup-entendendo-criptomoedas/</guid><pubDate>Wed, 15 Apr 2020 10:30:00 -0300</pubDate><description>&lt;div class="embed-container"&gt;
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&lt;h3&gt;DESCRIÇÃO&lt;span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="descrição"&gt;&lt;/span&gt;
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&lt;ul&gt;
&lt;li&gt;desemprego nos EUA já está na casa dos 17 milhões e não os 6.6 que são do fim de março&lt;/li&gt;
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&lt;li&gt;esta semana sai os resultados de Q1 das empresas.&lt;/li&gt;
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<h3>DESCRIÇÃO<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="descrição"></span>
    <a href="#descri%c3%a7%c3%a3o" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h3><p>ERRATA pré-lançamento: antes do video sair eu já vi que os dados que eu falei no video estão desatualizados. Fonte: <a href="https://www.crescat.net/crescat-capital-quarterly-investor-letter-q1-2020/"target="_blank" rel="noopener">https://www.crescat.net/crescat-capital-quarterly-investor-letter-q1-2020/</a></p>
<ul>
<li>desemprego nos EUA já está na casa dos 17 milhões e não os 6.6 que são do fim de março</li>
<li>a perda de valor do mercado de equities está na casa dos 35 TRILHÕES. Os pacotes de estímulo do FED na casa dos 2.2 Trilhões não vai fazer cócegas</li>
<li>esta semana sai os resultados de Q1 das empresas.</li>
</ul>
<p>Semana passada (08/04/2020) eu fechei minha empresa de corretora de criptomoedas OmniTrade (<a href="https://livecoins.com.br/corretora-de-bitcoin-brasileira-encerra-atividades-entenda/%29"target="_blank" rel="noopener">https://livecoins.com.br/corretora-de-bitcoin-brasileira-encerra-atividades-entenda/)</a>.</p>
<p>No episódio de hoje vou aproveitar pra conectar uma breve atualização do cenário da crise econômica de agora pra explicar qual a relação de moedas como o dólar e criptomoedas como o bitcoin.</p>
<p>Então na segunda parte aproveito pra explicar as origens da OmniTrade, como ela foi construída, quais eram os planos e sobre o fechamento em si. E sim, o título do video ficou meio &ldquo;click-bait&rdquo;, sorry por isso :)</p>
<p>Links:</p>
<ul>
<li>A lot of countries did wrong fighting coronavirus. No one did worse than the Chinese government. (<a href="https://www.youtube.com/watch?v=_V4r5ibOm5g"target="_blank" rel="noopener">https://www.youtube.com/watch?v=_V4r5ibOm5g</a>)</li>
<li>Live devBagé (<a href="https://www.youtube.com/watch?v=HMRtzEkRTvA&amp;list=PLdsnXVqbHDUcjiwcY87avf7RWuQX5cF9g&amp;index=12&amp;t=0s"target="_blank" rel="noopener">https://www.youtube.com/watch?v=HMRtzEkRTvA&list=PLdsnXVqbHDUcjiwcY87avf7RWuQX5cF9g&index=12&t=0s</a>)</li>
<li>Live Flutterando (<a href="https://www.youtube.com/watch?v=XCsDC2FsM-E&amp;list=PLdsnXVqbHDUcjiwcY87avf7RWuQX5cF9g&amp;index=5&amp;t=1774s"target="_blank" rel="noopener">https://www.youtube.com/watch?v=XCsDC2FsM-E&list=PLdsnXVqbHDUcjiwcY87avf7RWuQX5cF9g&index=5&t=1774s</a>)</li>
<li>Playlists Blockchain (<a href="https://www.youtube.com/playlist?list=PLdsnXVqbHDUd6-be_WU0FzUgix3tRjAH4"target="_blank" rel="noopener">https://www.youtube.com/playlist?list=PLdsnXVqbHDUd6-be_WU0FzUgix3tRjAH4</a>)</li>
<li>Começando na Carreira de TI (<a href="https://www.youtube.com/watch?v=H84WD_xyj10"target="_blank" rel="noopener">https://www.youtube.com/watch?v=H84WD_xyj10</a>)</li>
<li>Canal do Fernando Ulrich (<a href="https://www.youtube.com/channel/UCLJkh3QjHsLtK0LZFd28oGg"target="_blank" rel="noopener">https://www.youtube.com/channel/UCLJkh3QjHsLtK0LZFd28oGg</a>)</li>
<li>Bitcoin Halving (<a href="https://www.bitcoinblockhalf.com/"target="_blank" rel="noopener">https://www.bitcoinblockhalf.com/</a>)</li>
<li>O que é o Livro Razão na contabilidade? (<a href="https://contadores.contaazul.com/blog/livro-razao-contabilidade"target="_blank" rel="noopener">https://contadores.contaazul.com/blog/livro-razao-contabilidade</a>)</li>
<li>Por que fungibilidade é importante? (<a href="https://blog.bitcointrade.com.br/por-que-fungibilidade-e-importante/"target="_blank" rel="noopener">https://blog.bitcointrade.com.br/por-que-fungibilidade-e-importante/</a>)</li>
<li>The operation and demise of the Bretton Woods system: 1958 to 1971 (<a href="https://voxeu.org/article/operation-and-demise-bretton-woods-system"target="_blank" rel="noopener">https://voxeu.org/article/operation-and-demise-bretton-woods-system</a>)</li>
<li>Black Swan author Nassim Taleb says Covid-19 pandemic not Black Swan event (<a href="https://mothership.sg/2020/04/covid-19-black-swan/"target="_blank" rel="noopener">https://mothership.sg/2020/04/covid-19-black-swan/</a>)</li>
<li>Under the Microscope: The Real Costs of a Dollar (<a href="https://www.coindesk.com/microscope-real-costs-dollar"target="_blank" rel="noopener">https://www.coindesk.com/microscope-real-costs-dollar</a>)</li>
<li>Nixon Ends Convertibility of US Dollars to Gold and Announces Wage/Price Controls (<a href="https://www.federalreservehistory.org/essays/gold_convertibility_ends"target="_blank" rel="noopener">https://www.federalreservehistory.org/essays/gold_convertibility_ends</a>)</li>
<li>Bernanke on taxpayer&rsquo;s money for the bailouts. (<a href="https://www.youtube.com/watch?v=U_bjDAZazWU"target="_blank" rel="noopener">https://www.youtube.com/watch?v=U_bjDAZazWU</a>)</li>
<li>A lot of countries did wrong fighting coronavirus. No one did worse than the Chinese government.(<a href="https://www.youtube.com/watch?v=_V4r5ibOm5g&amp;t=1s"target="_blank" rel="noopener">https://www.youtube.com/watch?v=_V4r5ibOm5g&t=1s</a>)</li>
</ul>
<h2>SCRIPT<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="script"></span>
    <a href="#script" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Olá pessoal, Fabio Akita</p>
<p>O video desta semana acabou atrasando. Eu ia finalmente fazer um video sobre minha coleção de teclados mecânicos mas vai dar mais trabalho do que eu pensei. E além disso eu acabei pedindo mais um de última hora que chegou segunda e ainda estou testando. Hoje faz exatamente 1 mês desde que eu comecei a quarentena, vou dar uma atualização de como estou vendo o curto prazo desta crise econômica pra dar contexto sobre o segundo assunto. Acho que 90% das pessoas que assistem meu canal provavelmente não sabiam que eu tenho 2 empresas e uma delas era uma corretora de criptomoedas, a OmniTrade, que terminamos de fechar semana passada e vou aproveitar pra contar um pouco da história dela.</p>
<p>Semana passada eu participei de duas lives, se vocês não assistiram vou deixar os links nas descrições abaixo. Provavelmente vão ser as duas únicas por agora, porque embora eu queira evitar o assunto, obviamente o maior interesse de todo mundo agora é sobre o desenrolar da crise econômica e da pandemia. Como eu já divaguei muito sobre o assunto nas lives, nos próximos vou evitar falar muito porque na real, não tem muito mais a dizer e detesto ficar me repetindo.</p>
<p>Disclaimer que vale a pena repetir, eu não sei tudo! Eu não sou e nem tenho interesse em ser um ativista ou qualquer coisa assim e defender alguma causa com unhas e dentes. Vira e mexe eu digo pra amigos que eu sou só uma &ldquo;testemunha da história&rdquo;. Quer dizer que eu não tenho vocação nem vontade de tentar mudar a história. Se isso acontecer foi um efeito colateral e não um objetivo. Eu sou só curioso pra saber se o que vem a seguir é o que eu imaginava, e eu até acho interessante quando a história me surpreende, porque é algo raro de acontecer.</p>
<p>Claro que eu também gostaria que o mundo fosse utopicamente melhor, mas eu sou um pragmático realista. Eu não faço contas baseados em sonhos, eu faço contas baseado na realidade, por pior que ela seja. Por isso não é importante pra mim que todos concordem com o que eu digo. Eu não derivo nenhum prazer de discutir com quem discorda. Pelo simples fato que se eu estiver errado, eu tenho Skin in the Game, ou seja, vou ter que cortar na minha própria carne. O tema de hoje é um exemplo disso.</p>
<p>Pronto, disclaimers feitos, uma pequena atualizada sobre minha visão da crise pra usar de contexto no tema. Tenham paciência por enquanto. O que eu e alguns economistas falamos durante 2018 e 2019, sobre uma crise eminente na economia que nos levaria a uma recessão, não aconteceu. Apesar da coincidência ser interessante, não é correto dizer que foi uma previsão. Nós não conseguimos prever que na realidade ia ser pior, mas muito pior do que nossos piores cenários. Muita gente ainda acha que quando a pandemia for controlada, tudo vai voltar ao normal. Infelizmente eu acho muito improvável. Existem duas coisas que me preocupam bastante.</p>
<p>O primeiro é a irracionalidade de todas as discussões públicas até agora. Só pra variar as pessoas estão indo perigosamente na direção de abrir mão das liberdades individuais em troca de uma falsa segurança que nunca existiu nem vai existir. Eu avisei dois vídeos atrás que momentos assim tendem a exaltar regimes totalitários e procurar salvadores da pátria. Especialmente momentos de pânico generalizado e desinformação massiva. O problema é que agora vai haver um consenso global em crenças erradas. Eu juro que eu quero estar redondamente enganado nisso. Vou recomendar um video importante que mostra a linha do tempo dos eventos que nos trouxeram até este ponto. Ninguém aprendeu nada antes, pelo visto vamos continuar não aprendendo, e vamos fazer pior da próxima vez.</p>
<p>O segundo motivo é econômico. Os mercados já foram massivamente infectados pelos bancos centrais e os dados que temos agora estão distorcidos. Vou dar um exemplo. Se você observar o comportamento de ações, fundos e tudo mais vai ver que no geral, tivemos o grande crash depois do carnaval, mas tirando os casos mais óbvios como companhias aéreas, quase tudo tá se recuperando. Olhem nos gráficos como S&amp;P 500, NASDAQ, IBOVESPA, qualquer um, tem subido no geral. Na média, metade das perdas já foi milagrosamente recuperado. Mas lembram no video sobre a crise que eu falei que na minha pessoa física eu tinha perdido quase meio milhão? Pois é, eu Não realizei as perdas obviamente, e eu já recuperei mais da metade, sem fazer absolutamente nada.</p>
<p>Se você olhar isso superficialmente poderia imaginar que os mercados tão respondendo positivamente, que na verdade a crise não é tão ruim quanto parece, e logo logo vamos voltar à normalidade. Eu realmente preferia que fosse só isso. Infelizmente não é assim que se lê isso. Seria o caso se esses dados representassem um mercado livre sem interferência. Mas os bancos centrais do mundo já interferiram. Estão jogando centenas de bilhões no sistema financeiro o tempo todo. O Japão sozinho aprovou 1 trilhão de dólares, os Estados Unidos 2.2 trilhões. O Brasil mesmo vai fazer isso. É o que eu falei sobre eles estarem &ldquo;imprimindo dinheiro&rdquo;, entre aspas.</p>
<p>Vou ser extremamente grosseiro pra simplificar. Quando os bancos centrais &ldquo;imprimem dinheiro&rdquo;, eles aumentam a oferta de dólar em circulação e eu já expliquei sobre oferta e procura. Aumente a oferta de alguma coisa e seu preço cai. Imprimir dinheiro aumenta sua oferta e desvaloriza seu valor. O efeito mais óbvio é que isso geraria inflação, que é o aumento dos preços dos produtos por exemplo. Por isso que não adianta só sair distribuindo dinheiro como muitos acham, isso só faria os preços aumentarem. E obviamente não adianta congelar os preços, isso só faria os produtos desaparecerem.</p>
<p>Mas temos outro problema. Não vamos ter inflação agora porque literalmente ninguém tá podendo consumir, seja porque já ficou desempregado, seja porque tá se precavendo caso fique desempregado, ou seja simplesmente porque tá num lockdown rígido e não pode sair de casa e os comércios não podem abrir. Nesse caso o risco é outro: deflação. É o caso onde nem abaixando os preços o consumo sobe. Existem países que já estavam em deflação antes da crise, vide o Japão que desesperadamente tenta aumentar o consumo faz décadas sem sucesso. Numa lógica simplista, porque você gastaria seu dinheiro hoje se amanhã você pode comprar um pouco mais com o mesmo dinheiro já que ele não desvaloriza? Parece bom, mas não é, isso cria estagnação.</p>
<p>Ma agora estamos numa combinação rara: podendo aumentar a liquidez imprimindo dinheiro e sem aumentar demais a inflação no curto prazo. Mas a inflação vai chegar, só que depois da pandemia. Só tem um lugar onde o efeito de inflação tá se refletindo já agora, e é nos mercados financeiros. Pense em ações como produtos de prateleira. As ações estão inflacionadas de novo. É a mesma coisa que veio causando a bolha que eu falei até antes da crise. Só que em vez da liquidez ser causada por imprimir dinheiro era por diminuir a taxa de juros, em ambos os casos isso leva à inflação das ações.</p>
<p>Eu não quero entrar em detalhes sobre os mecanismos porque tem gente mais qualificada que eu pra explicar isso, mas quando eu falo &ldquo;imprimir dinheiro&rdquo; não estou falando literalmente em imprimir papel moeda e sim em Quantitative Easing ou QE que a grosso modo é o governo colocar no balancete dele ativos do mercado. Imprimir dinheiro na prática é como adicionar uma linha no &ldquo;Excel&rdquo; do banco central. Problema é que você não pode pensar nisso de forma absoluta, como papel moeda trocando de mãos, é um linguajar contábil. Pesquisem sobre isso.</p>
<p>Esse lockdown ou quarentena global é super sério. Dependendo de que estimativas você olhar o mundo já perdeu até este momento todo o crescimento estimado de PIB do ano, no caso mais otimista algo na ordem de 4 a 5 trilhões de dólares. No caso mais pessimista, pode multiplicar isso por quanto quiser porque tá difícil ver o fundo do poço. Seu chute vai ser tão bom quanto o meu. Estima-se que um terço da população do mundo tá em algum nível de restrição de quarentena.</p>
<p>Tenta colocar esse número na cabeça, não existe situação assim na história a não ser em períodos de guerra mundial. Isso não vai acabar bem. E se você não está acompanhando dias atrás os Estados Unidos divulgaram o nível de pedidos de seguro desemprego e até dia 28 de março mais de 6.6 milhões de pessoas entraram com pedido. O normal são milhares, e em poucas semanas chegou em milhões. Isso não aconteceu na crise de 2008, nem de 2001, nem de 1987, é um nível catastrófico e muitas empresas já estão fechando. Eu quero que vocês gravem este gráfico que mostra seguro desemprego desde os anos 80 até agora e o pico no fim do gráfico que é este ano. Os efeitos dessa crise já estão se tornando permanentes. Essa vai ser a nova realidade.</p>
<p>Pronto, sem me alongar demais vamos parar por aqui no meu big picture e descer pro meu mundinho bem menor. Eu naturalmente não confio em papel moeda. Muito menos a do Brasil. Como eu já disse antes, eu vivi os tenebrosos anos 80 e senti a hiperinflação na própria pele. Por outro lado eu sempre vivi num mundo pós segunda guerra, mais especificamente pós-Bretton Woods e pós-desvinculação do padrão ouro, ou seja, um mundo de dinheiro virtual e câmbio flutuante. Significa que eu suspeito de basicamente tudo embora eu precise conviver com isso.</p>
<p>Por outro lado eu sou economicamente conservador, eu não tenho vocação pra trader nem investidor de risco. Eu gosto de risco mas até certo ponto, por isso nenhuma promessa de tech startups unicórnios me atrai. Os venture capitalists não gostam muito de mim aliás. Nem eu sou imune, claro, certamente já me balançou em algumas épocas, mas tudo sempre parece um golpe. Nem estou dizendo que existe a intenção, só que o marketing é extremo demais. Ironicamente foi por isso que me interessei por criptomoedas. E eu sei o que você pensou, mas aguentem até o fim. Eu não vou tentar vender criptomoedas como nenhum salvador da pátria não.</p>
<p>Por volta de 2009 ou 2010 apareceu as conversas em torno de moedas digitais e bitcoin e eu cheguei a minerar, na época que um bitcoin valia centavos. E obviamente eu também fui um daqueles que tinha bitcoins lá no começo e não guardou a carteira. Pois é! De repente hoje valeria alguns milhões, vai saber. Cagada minha não ter dado atenção.</p>
<p>Daí acho que foi lá pelo começo de 2017 que amigos meus começaram a falar de criptomoedas de novo. Parei pra pesquisar e vi que a coisa aumentou bastante. Mais interessante porque eu vi vários desses programadores hipsters influencers de rede social fazendo questão de ser religiosamente contra criptomoedas. Sem apresentar nenhuma lógica, pra variar. E isso me deixou mais curioso ainda, porque se irrita os ideológicos certamente tem alguma coisa que vale a pena eu explorar. Lembram que eu falo que eu não sigo nenhum influencer? Pois é, mas quando muitos influencers fazem questão de falar contra que eu fico mais interessado.</p>
<p>A tecnologia em si é razoavelmente simples. Você consegue ler o lendário paper original do Satoshi Nakamoto, que completou 10 anos ano passado, em uma hora e entender. Aliás, pra entender criptomoedas no nível técnico você precisa no mínimo saber o que eu já expliquei sobre criptografia nestes dois vídeos no canal, dêem uma estudada. Existem centenas de vídeos, posts de blog e até livros já hoje em dia explicando o funcionamento de um ledger digital e eu não vou perder tempo explicando tudo de novo. Pesquise por conta própria e se ainda não fez isso, pra efeitos deste video, assuma que funciona.</p>
<p>Aqui eu podia começar a explicar o que é um ledger, o que é uma transação, como é feita a assinatura e mineração de blocos e bla bla bla mas isso já existe super bem explicado em centenas de lugares, é só pesquisar um pouco. Em vez disso deixa eu rapidamente passar por quatro das principais coisas que as pessoas lêem no título de notícias e não pensam nem dois segundos a respeito.</p>
<p>A primeira coisa é sobre a lentidão em assinar blocos, a tal “mineração” que na prática é o trabalho de validar as transações de um bloco antes de adicionar no blockchain e através disso desbloquear mais um pouco de bitcoins como prêmio. No caso do Bitcoin isso pode levar 20 minutos a mais. Isso impossibilita usar Bitcoin numa maquininha de pagamento no caixa de uma loja por exemplo, é verdade. Mas isso não me preocupa. Existem alternativas pra isso. De forma simplória pense num boleto. Ela precisa de 1 dia pra processar e confirmar, é parecido. Você não usa boleto num caixa de supermercado, pra isso você usa outras coisas como seu cartão de crédito, que é rápido porque você não usa dinheiro e sim outra invenção, chamada crédito.</p>
<p>A administradora de cartão não checa se você tem dinheiro na sua conta e sim se tem direito a crédito por sua boa reputação de bom pagador. No fim do mês ele emite uma fatura e daí de fato você paga ou não. Todo mundo pensa que dinheiro é tudo igual mas não é, uma coisa é o papel moeda na sua mão, outra coisa diferença é a representação virtual no saldo da sua conta bancária, outra coisa totalmente diferente é o crédito no cartão e assim por diante. São todos formas de dinheiro virtual.</p>
<p>A segunda coisa é o custo dessa mineração, particularmente o controverso uso de energia. Sinceramente, isso é mais político que prático. O título de matérias é sempre algo do tipo &ldquo;nossa, a mineração de bitcoins usa o mesmo tanto de energia pra iluminar as casas de uma pequena cidade&rdquo;. Daí vira trending topic no Twitter. Eu falo que se algo similar ao Twitter existisse nos anos 40 a gente não teria computadores hoje. Um dos primeiros grandes computadores comerciais foi o ENIAC. Ele era tão veloz que podia executar 5 mil operações de adição por segundo. Ele tinha uns 15 metros de comprimento e consumia tanta energia e dissipava tanto calor que você podia aquecer um pequeno lago do lado dele.</p>
<p>Eu já consigo ver os tweets de 1945 &ldquo;esse tal de computador é uma abominação, um único computador poderia iluminar dezenas de casas numa pequena cidade&rdquo;. E adivinhem, os processadores modernos de hoje fazem bilhões de operações por segundo a uma fração da energia de um ENIAC. Qualquer calculadora moderna é mais rápida que isso. Vou contar uma novidade pra vocês que viveram embaixo de uma rocha em Marte nos últimos 100 anos: a tecnologia evolui rápido, o tempo todo.</p>
<p>A terceira coisa é a aversão a criptomoedas porque ela é usada pra coisas obscuras, sequestros, tráfico de drogas, espionagem e sei lá mais o que. Se isso te preocupa vou te contar qual é a moeda virtual mais usada no crime organizado e no mercado negro. Se chama dólar. O tanto de dólar que circula só em tráfico de drogas, por ano, provavelmente supera o valor de todos os bitcoins que existem hoje. Se usar uma moeda que tá envolvida com crimes é uma ofensa à sua pessoa, use lógica. Eu recomendaria que você deixe de usar qualquer moeda e volte a fazer escambo.</p>
<p>A quarta e última coisa é relacionada e dessa vez é meio real, que criptomoedas estão associados a golpes de pirâmides. Esta é a mais difícil de explicar mas deixa eu tentar. Da mesma forma como usos ilícitos, você não precisa de criptomoedas pra criar fraudes. Dólares e qualquer outra moeda servem. Produtos consumíveis servem, sei lá shake pra emagrecer por exemplo. Quantas pirâmides existem que todo mundo chama de marketing multinível?</p>
<p>Não existe nada inerente na tecnologia de blockchains que as tornam necessariamente fraudulentas. O problema é o uso do nome. De fato a maior parte dos negócios associados a criptomoedas que ganharam mais notoriedade são ligados a fraudes, em particular pirâmides. E aqui eu vou ser advogado do diabo. Fraudes como essas existem porque as pessoas consomem as fraudes. Isso vale pra tudo. Vira e mexe eu cutuco os tais coaches quânticos e tals mas metade do problema é que eles existem pra atender uma demanda. Por mais bizarro que pareça, existe uma demanda que tá disposta a pagar pra ser enganado, em busca de sonhos irreais a preços baratos.</p>
<p>O comportamento do bitcoin depois de 2017 não está muito diferente dos mercados tradicionais de agora depois do crash pós-carnaval. Muitos cínicos apontaram que nesse crash o Bitcoin caiu também, só que tudo caiu. O Ouro caiu. No fim de 2017 o bitcoin perdeu uns 500 bilhões de dólares de sua valuation. Os mercados tradicionais agora perderam uns 2 trilhões de dólares. Todo mundo quer acreditar que criptomoedas são inerentemente bolhas e fraudes, só que se você afirmar isso precisa adicionar os mercados tradicionais. Os produtos financeiros, securities, ETFs, bonds e tudo mais, tecnicamente se comportam de forma parecida com criptomoedas, são os mesmos conceitos e os mesmos mecanismos.</p>
<p>A grande diferença entre um bitcoin e um dólar é o mecanismo na sua fundação. Você nunca se perguntou porque o dólar é a moeda dominante e de maior valor no comércio internacional? Eu recomendo que vocês pesquisem sobre isso na história, mas existiu uma data pra isso, julho de 1944 depois da segunda grande guerra mundial, quando 730 delegados de 44 nações se reuniram no Hotel Mount Washington em Bretton Woods, New Hampshire nos Estados Unidos pra uma conferência pra definir a política monetária do mundo. E foi aí que definiram o dólar como a moeda de base, que na época era lastreado em ouro, sendo os Estados Unidos o país com a maior reserva de ouro.</p>
<p>Os acordos de Bretton Woods levaram uns 15 anos pra serem implementados. Mas seguindo a história, com o crescimento acelerado nos anos 60, a demanda pela liquidez de dólar e a limitação do lastro em ouro se tornou um fator limitante e que deixava os Estados Unidos vulneráveis. Pra não divagar demais, vou deixar um link nas descrições abaixo sobre isso, mas foi em agosto de 1971 que nascia a primeira moeda totalmente virtual do mundo quando o então presidente Richard Nixon removeu o lastro em ouro do dólar. Nenhum governo estrangeiro que tinha dólares podia mais converter de volta pro ouro e o dólar se estabeleceu com o lastro do mundo.</p>
<p>Entendido isso vamos voltar: qual a diferença do bitcoin pro dólar? Tiranda a parte óbvia que o mundo todo tá dependente de dólar, ou seja, suas dívidas são referenciadas em dólar, a diferença técnica - e aqui depende do entendimento de tecnologias de criptografia -, é que bitcoin foi construído pra se comportar mais ou menos como ouro. Ele tem uma quantidade limitada que vai sendo minerada cada vez mais devagar e um dia ele simplesmente vai esgotar e o que foi minerado é tudo que vai existir, sem exceção. Não existe a opção de se criar mais bitcoins do que o limite programado nele.</p>
<p>Além disso, assim como ouro ou outro material físico que eu posso transferir a propriedade só passando de uma mão pra outra, também uma unidade de bitcoin, ou uma fração dela que denominamos Satoshis, podem ter sua propriedade transferida de uma carteira pra outra carteira, sem cópia, sem duplicar, é uma transferência um pra um, e esta é a grande novidade dos blockchains que não é intuitivo de imediato.</p>
<p>Pense assim, um dos grandes problemas não resolvidos desde o surgimento da internet é sobre como lidar com propriedades 100% digitais. Porque é extremamente fácil e barato fazer cópia de qualquer coisa, da mesma forma quando você copia um arquivo do seu HD pra um pen drive. A cópia é idêntica à original, você não saberia distinguir qual foi o original. Diferente de cópias analógicas como fitas cassette ou VHS onde cada nova cópia deteriora em qualidade. Foi a grande controvérsia das plataformas de pirataria como Napster, Limewire, eDonkey até os dias de hoje com Mega ou Torrent.</p>
<p>Pior ainda, como representar dinheiro ou moedas virtuais? A única forma conhecida de controlar algo assim é confiar em uma autoridade centralizadora que todo mundo confia. Por exemplo, se você joga League of Legends você transaciona na plataforma com Riot Points, que é basicamente uma moeda virtual. Ela tem valor porque só se pode comprar coisas na plataforma com essa moeda virtual. E sua confiança na moeda é igual à sua confiança na empresa Riot Games. O mesmo vale pra qualquer outra plataforma virtual.</p>
<p>Com o dólar é basicamente a mesma coisa. O valor do dólar deriva no seu valor de moeda de troca internacional e como lastro de todas as dívidas do mundo. Pergunta pra Rússia se quando ele vende gás pra China ele prefere ser pago em dólares ou em Yuan. Ou pergunta pra Arábia Saudita se quando ele vende petróleo pra China, ele prefere ser pago em dólares ou Yuan. Aliás, eu pergunto pra você, se tivesse a opção do seu salário ser pago em dólares ou em Yuan, qual você escolheria? Essa confiança é equivalente a confiar no FED, o banco central americano, a única entidade que tem soberania pra imprimir mais moeda e controlar a política monetária. O que é o dólar? A grosso modo, é um número numa planilha, mais especificamente um livro razão ou, em inglês, um ledger.</p>
<p>E um blockchain é só isso: um ledger com garantias que um transação escrita e verificada neste ledger não pode ser modificado nunca mais. A grande diferença do ledger de bitcoin e o ledger do dólar é que no caso do blockchain, não existe uma única pessoa que é capaz de controlar e modificar esse blockchain, é a garantia do algoritmo utilizado, a idéia que conhecemos na ciência da computação como consenso bizantino. Uma das aplicações disso é coordenar sistemas distribuídos. Na prática garante que é altamente improvável reescrever uma transação nesse ledger. Uma vez escrito ele está de verdade na pedra.</p>
<p>No caso do dólar, o FED é o único que controla o ledger e ele pode escrever o que quiser. Que é o que ele tá fazendo agora com o tal Quantitative Easing, escrevendo novos dólares no seu livro razão e boom, 2.2 trilhões aparecem. Claro que não é simples assim, como já expliquei antes, não dá pra ficar criando moeda à vontade porque quanto mais dólares se coloca no mercado sem razão, mais ele desvaloriza o valor da moeda, por exemplo gerando inflação.</p>
<p>E nesse caso, por que existem tantos golpes e fraudes em cima do Bitcoin? Aí já não é culpa da tecnologia de blockchain. O problema é que uma vez tendo um lastro de valor, podemos criar dezenas de produtos financeiros que não ficam registrados no blockchain, basicamente os mesmos que podemos criar em cima dólares. Por exemplo, ações de uma empresa é um produto financeiro. Só que em vez de usar a base de dólares podemos usar a base de bitcoins ou qualquer outra moeda virtual, criptomoedas ou não. Sabe seus pontos de milhagens ou qualquer ponto de fidelidade? São moedas virtuais.</p>
<p>Mas de novo, por que temos tantos problemas de golpes e fraudes em cima de criptomoedas? Porque em termos de produtos financeiros ainda estamos aprendendo o que funciona e o que não funciona. O grande conceito é como o que eu falei do seu cartão de crédito. Quando você paga sua conta no supermercado, nenhum dinheiro trocou de mãos, só a promessa de troca. O dinheiro não saiu da sua conta e nem entrou na conta de banco do supermercado. Só em determinadas datas uma administradora de cartão de créditos faz o pagamento pros lojistas e faz a cobrança via uma fatura pra você. O conceito é que tanto você, consumidor, e o lojista confiam na administradora como intermediador. Se a administradora falir, o lojista fica sem o dinheiro, teoricamente, por isso confiança é um fator fundamental. A gente confia numa VISA porque ela existe faz décadas e dá impressão que vai existir mais algumas décadas.</p>
<p>A mesma coisa na Bolsa de Valores. As corretoras intermediam as compras e vendas entre a Bolsa e você, mas as corretoras em si não são donas das ações e, principalmente, não são donas dos order books ou livros de oferta, o que comumente se chama de &ldquo;pedra&rdquo;. A grosso modo funciona assim. Toda vez que uma Petrobrás quer vender ações ela registra na B3. Todas as corretoras enxergam a mesma quantidade e começam a receber ordens de compra de seus clientes. &ldquo;Compre a 50 reais&rdquo; ou &ldquo;Compre a 60 reais&rdquo;, é como um leilão e todos esses pedidos são enviados pro mesmo lugar: pro livro de ofertas da B3. Toda oferta colocada por toda corretora é enxergada por todas ao mesmo tempo. Bolsa é um grande leilão, ordens de compra e ordens de venda sendo colocadas num mesmo lugar o tempo todo. É como se fosse um Mercado Livre ou eBay de ações.</p>
<p>Não importa qual corretora você usar, teoricamente você enxerga exatamente o mesmo livro de ordens da B3 pras mesmas ações e outras classes de ativos. O que varia é o nível de serviço e coisas como taxas de administração. Teoricamente, mesmo se uma corretora falir, você não perde suas ações, porque sua propriedade é registrada na B3. É uma puta burocracia mudar a custódia das ações quando você sai de uma corretora e vai pra outra, mas isso é possível.</p>
<p>Muita gente pensa em corretoras de criptomoedas como se fossem corretoras do mercado tradicional como XP ou BTG ou EasyInvest. Porque corretora de cripto tem mais ou menos a mesma interface com vários pares de moedas em negociação como Bitcoin pra Real ou Bitcoin pra Litecoin e um livro de ofertas com ordens de compra e ordens de venda. Porém a grande diferença é que não existe uma entidade como uma B3 que detém a unificação da liquidez, ou seja, não existe um livro de ofertas centralizado. Cada corretora de cripto é também a própria bolsa de valores.</p>
<p>É isso que é um Mercado Bitcoin, Foxbit, ou Coinbase e Binance lá fora: bolsas de valores de criptomoedas e corretoras. Só que o nome disso ia ficar muito longo então comumente chamamos só de Exchanges, que não é muito correto. A minha empresa OmniTrade era a mesma coisa. Agora por que eu abri a OmniTrade em primeiro lugar? Dois motivos basicamente. Eu disse antes que amigos meus começaram a falar sobre bitcoins, trading e tudo mais. Até então eu já tava em mercados tradicionais, seja em bolsa de valores aqui no Brasil e eu já tava dolarizado e em fundos nos Estados Unidos. Felizmente eu tive oportunidade de começar a diversificar faz algum tempo.</p>
<p>Assim como todo mundo eu ouvi todas as histórias que vocês ouviram, sobre o consumo massivo de energia pra minerar, diversos casos sobre uso de bitcoin em crimes, as diversas pirâmides e golpes e tudo mais. Nada disso me interessou, mas a tecnologia por trás eu achei Muito interessante, inteligente e elegante. Se você estudou o mínimo de ciências da computação e um básico de economia, não era difícil enxergar além do hype e das fake news. A base de tecnologia é sólida. Uma evidência disso é que ela está publicamente exposta faz 10 anos e mesmo com o incentivo econômico de lucrar muito, nenhum hacker de nenhum lugar do mundo conseguiu quebrar ainda. Veja meus videos de criptografia e até de Supremacia Quântica pra entender porque. Certamente pode ser melhorado, como tudo em tecnologia, mas a fundação fazia sentido e o resto das notícias era só isso, barulho.</p>
<p>Mas era um fato que a maioria das exchanges, principalmente naquele ponto eram muito ruins. Eu diria lamentáveis. E a maioria de históricos não muito confiáveis. Eu não via um no Brasil que eu olhasse e gostasse da performance e tecnologias, e que tivesse histórico decente. O correto em criptomoedas é não confiar em nenhuma exchange, deixar numa carteira privada sua e ponto final. Porém é muito pouco prático se você que fazer trading. Aliás, eu já aviso aqui, não me perguntem qual eu recomendo porque eu realmente não recomendo nenhuma. Faça sua própria pesquisa assim como eu fiz a minha.</p>
<p>De qualquer forma o que eu queria fazer era realmente brincar na volatilidade. Pra maioria da população, o que todo mundo gostaria de ter é estabilidade, ir dormir com seu dinheiro valendo X e acordar no dia seguinte ainda valendo o mesmo X. Em mercados de risco como ações ou cripto ou qualquer classe de ativos isso não é verdade, você pode ir dormir rico e acordar pobre ou vice-versa. Por isso a gente fala pra quem for amador e não puder perder o que está investido, nem tentar. Sério, fica longe.</p>
<p>E mais ainda em corretoras de cripto porque elas são lojas online onde você não tem como saber sequer se eles tem mesmo os produtos que estão vendendo. Você só vai saber se tem mesmo o que comprou quando tentar sacar pra fora dela. Mas as ofertas ficam dentro da corretora, a volatilidade é alta, ou seja, o preço varia pra cima ou pra baixo o tempo todo. Não dá tempo de transferir o que você tem na sua carteira fora pra dentro de uma exchange a tempo de executar uma ordem de compra que chamou sua atenção. Eu disse que o tempo de mineração de um bloco leva no mínimo 20 minutos no caso de Bitcoin e pode ser horas dependendo do dia.</p>
<p>Por isso muitas pessoas optam por deixar uma boa parte dos seus bitcoins depositados na corretora, o que é cômodo mas um grande risco. Mais do que isso, eles acabam se alavancando. Eu expliquei sobre alavancagem no meu video de COVID, dêem uma olhada. É muito risco pra se assumir considerando que você precisa confiar numa corretora de origem desconhecida que nem tem muito tempo de vida. Toda vez que eu depositava dinheiro ou criptomoedas numa corretora eu ficava extremamente ansioso não se o preço do bitcoin ia subir ou descer, mas se amanhã a porcaria da corretora ainda ia existir e não sumir com meu dinheiro.</p>
<p>Isso foi meu período como trader entre mais ou menos abril a dezembro de 2017. No segundo semestre, meu sócio Rodrigo na Codeminer 42 que é a nossa empresa principal de desenvolvimento de software, me contou que um conhecido dele estava tentando fazer uma nova corretora fazia meses e ainda não tinha conseguido. Obviamente eu imaginei tudo de errado que ele tava fazendo e o Rodrigo brincou se eu não conseguia fazer em menos tempo. Isso foi uma conversa enquanto íamos pra algum cliente enquanto estávamos num Uber.</p>
<p>Então por volta de Outubro de 2017 eu resolvi encarar o desafio. Encontrei uma plataforma open source chamada Peatio. Naquela época e mesmo hoje ela é incompleta mas era um esqueleto muito bom. Se você procurar hoje, nem tente usar do jeito que tá, tem bugs, erros conceituais, e eu reescrevi toda a lógica de comunicação com os servidores de blockchains, todas as verificações de tratamento de filas, daemons, máquinas de estado, integrações e tudo mais. Ele foi feito pra fazer uma corretora pequena que delega a custódia das criptomoedas pra algum serviço de terceiros como a BitGo.</p>
<p>Aliás, aqui vale começar a entender o que está por trás desse ecossistema. Como eu disse sobre a B3 uma corretora tradicional é responsável pela custódia das ações que você compra, não é como no final do século XIX que você literalmente guardava os papeis de ações de empresas num cofre em casa. Assim como o dólar, ações também são digitais hoje em dia. Mas existe essa responsabilidade de custodiar essa propriedade que é regulamentada pela Comissão de Valores Mobiliários, a CVM. Um banco por exemplo, custódia seu dinheiro, pra você não ter que guardar papel moeda embaixo do colchão.</p>
<p>Em criptomoedas, pra você poder negociar dentro de uma corretora primeiro precisa depositar dinheiro ou criptomoedas e com isso ter um saldo pra negociar. Significa que a corretora precisa custodiar seus ativos. No caso de reais tudo bem porque você transfere da sua conta de banco pra conta de banco da corretora. Mesmo se a corretora for chinfrim o dinheiro teoricamente tá num banco grande tipo Caixa Econômica ou Banco do Brasil e não vai simplesmente sumir por erro técnico. Aliás, preciso comentar rapidamente que a integração de APIs de bancos tradicionais é uma grande porcaria e os bancos digitais não me impressionaram nem um pouco também.</p>
<p>Enfim, não existe o equivalente banco pra criptomoedas. Você transfere da sua carteira direto pra carteira da corretora. E aqui é um risco enorme porque se tiver um erro técnico ou vulnerabilidade no código mal feito das corretoras, um hacker ou algo assim poderia roubar essas criptomoedas e isso aconteceu dezenas de vezes em diversas corretoras não só no Brasil como em vários países do mundo tipo Coréia do Sul ou mesmo Japão. Por isso começaram a surgir empresas que se especializaram em ser o custodiante das criptomoedas de forma que corretoras não precisassem se preocupar tanto.</p>
<p>A estratégia é simples. Pra poder cumprir com o volume diário de saques que acontecem normalmente, as corretoras mantém um certo tanto no que chamamos de hot wallets, que são carteiras que a plataforma acessa automaticamente. Mas pra se proteger de eventualmente um hacker invadir a plataforma, mantém-se a maior parte em outro lugar, num cold wallet, que a plataforma não tem acesso automático e normalmente precisa de duas ou mais pessoas de verdade pra assinar a transferência entre as duas carteiras manualmente.</p>
<p>Porém, uma BitGo obviamente precisa lucrar e pra isso ela cobra uma taxa de administração dessa custódia. É meio como um seguro que você paga porque corretamente assume que não sabe como proteger essas coisas. Quem achou que sabia se deu mal e foi roubado por hackers. Eu no meu caso decidi que não ia usar um custodiante e custodiar eu mesmo. E é nesse caso que plataformas open source que você vê por aí não vão te ajudar.</p>
<p>Eu montei minha própria infraestrutura no Google Cloud, fiz clusters separados pra plataforma web que os clientes acessam, outro cluster completamente isolado e sem acesso pela internet pública com os servidores de blockchain de cada criptomoeda como Bitcoin, Ethereum, XRP, Dash e outros, cada qual rodando num container isolado. E a comunicação entre a plataforma web e os blockchains sendo intermediado por um sistema separado de filas e daemons que recebem as ordens antes dos blockchains. Portanto mesmo se alguém achasse uma vulnerabilidade na plataforma web, não teria nenhum acesso direto a nenhum dos blockchains. E quando eu falo blockchains, me refiro às hot wallets, que são cópias dos blockchains de cada moeda com a capacidade de assinar transações usando a chave privada da nossa carteira hot.</p>
<p>Por que eu fiz isso? Porque eu realmente senti que eu tinha know-how suficiente. Está virando um padrão eu dizer isso, mas eu não sou nenhum especialista em segurança, no sentido que meu trabalho principal não é esse. Mas eu estudo e pratico segurança em projetos reais desde a época da bolha da internet de 2001. Vamos dizer que eu sei uma coisa ou duas sobre segurança. E de quebra eu queria mesmo exercitar Kubernetes então aproveitei pra aprender Kubernetes e subir a estrutura que eu tinha em mente, e isso foi meu mês de dezembro de 2017.</p>
<p>Nesse ponto eu já não tava programando sozinho. Alistamos vários programadores da Codeminer pra me ajudar, alguns refizeram o front-end, alguns me ajudaram a corrigir mais bugs que fomos encontrando na plataforma open source, atualizando diversas bibliotecas e práticas de código antigas, adicionando testes automatizado pra muita coisa que não tinha e no final ele ficou razoavelmente melhor e internamente diferente do que era o open source original.</p>
<p>Em janeiro de 2018 a bolha já tinha estourado. Mas tudo bem, por um lado eu achei que seria bom porque muitas das corretoras ruins ou realizando más práticas iam sumir com o tempo então continuei desenvolvendo e foi quando decidimos contratar uma empresa terceira de auditoria de segurança, que passou o mês realizando testes pra ver se havia alguma vulnerabilidade que eu não tinha visto. Nenhum sistema online é 100% seguro e se eu fosse o invasor havia alguns caminhos bem tortuosos que eu podia tentar pra invadir, mas a chance era improvável demais dada a infraestrutura e contingências que colocamos.</p>
<p>Daí por volta de fevereiro o desenvolvimento da primeira versão tava completo e a auditoria voltou que depois de um mês de tentativas pelo menos nenhum bug grosseiro foi encontrado. Então lançamos ao público sem muito barulho. Nosso pensamento na época e desde então foi o seguinte: o mercado ainda estava infestado de piramideiros e corretoras ruins. Vamos acreditar no mercado, que em 1 ou 2 anos, agora que a histeria da bolha estourou, pra deixar ele se auto-regular. Enquanto isso ficaríamos operando sem muito barulho e construindo credibilidade por não oferecer produtos ruins e estando sempre solventes, que era outra coisa que poucos ofereciam: garantia que tudo que você deposita vai conseguir sacar sem nenhum problema. Isso é tanto verdade que agora que fechamos devolvemos tudo aos clientes. Isso é quase uma novidade nesse mundo onde várias empresas de criptomoedas fecham e nunca devolvem tudo dos clientes.</p>
<p>No mínimo agora eu tinha onde depositar as minhas próprias criptomoedas e dormir tranquilo sem acordar no dia seguinte e descobrir que a maldita corretora foi hackeada ou faliu. E durante os meses seguintes fomos melhorando mais bugs, performance, escalabilidade, segurança e adicionando mais criptomoedas. Não sei se eu era o único mas com certeza era um dos poucos que custodiava tudo nos meus próprios servidores de blockchain.</p>
<p>Agora tem outro problema. Liquidez. O problema do ovo e da galinha de qualquer corretora é que todo novo cliente entra numa plataforma dependendo do livro de ofertas. Se não tiver ninguém negociando, ninguém entra. Mas se ninguém entrar nunca vai ter ninguém negociando. Por causa disso muitas corretoras simplesmente mentem no livro de ofertas e adicionam volumes completamente falsos. Se você não entende tudo que eu falei até agora, não iria conseguir diferenciar, mas se parar pra observar não é tão difícil encontrar os padrões de um livro falso. Volume falso então chegava a ser vergonhoso.</p>
<p>Não digo que é só no Brasil não, em diversos países da Ásia como na China você via várias falsificando os volumes na cara dura. É uma falsa liquidez com o objetivo de atrair pessoas de verdade e ir substituindo as ordens falsas por ordens de verdade. Se fossem só ordens falsas mas que representam um volume de verdade ainda vá lá. Eu diria que o mercado tradicional faz a mesma coisa, particularmente no mercado de opções que tem bem menos liquidez que no de ações. Liquidez é sempre o problema.</p>
<p>Pra não ter que fazer números falsos nas plataformas ainda existe outra opção, os market makers. Literalmente eles criam o mercado e garantem a liquidez, ou seja, se ele colocar uma ordem de venda de 1000 reais, e alguém quiser comprar nesse preço, ele vai conseguir fechar a ordem. Existem várias pessoas e empresas que fazem isso no Brasil e fora. Porém eles cobram uma margem de lucro pra eles, taxas de serviço. E não vou dizer qual, mas uma das mais conhecidas começa cobrando na faixa de 20 mil reais por mês pra preencher seu livro de ofertas e oferecer liquidez.</p>
<p>Como nosso objetivo não era crescer rápido, ainda mais que todo mundo ainda tava no choque do estouro da bolha de 2017, preferimos crescer organicamente. Eu e meu sócio colocamos nossas próprias criptomoedas e fomos crescendo um cliente de cada vez. A gente não tinha pressa porque a OmniTrade sempre foi um negócio razoavelmente enxuto. Pra chamar gente massivamente precisaríamos gastar ordens de grandeza mais dinheiro do que gastamos pra construir a plataforma só em marketing, só que mesmo assim a reputação de criptomoedas estava nos chinelos graças aos piramideiros e a toda a publicidade negativa nos noticiários. Como você reverte a má reputação se na TV, jornais, revistas e tudo mais todo mundo associou criptomoedas com piramideiros?</p>
<p>Como sempre, nós sabemos que depois de um crash, uns dois anos depois os mercados tendem a começar a se recuperar. Povo tem memória curta, então toda a má reputação ia começar a se dissipar, e se fizéssemos um bom serviço e continuássemos a evoluir a plataforma, a gente encontraria uma janela de oportunidade no futuro. Nós não tínhamos a necessidade de forçar a barra bem naquele timing horroroso. Além disso, em maio de 2020 aconteceria o evento de halving, que em termos simples é o aumento automático da dificuldade de minerar bitcoins, diminuindo a oferta, o que naturalmente segue com um aumento do seu valor, o que poderia ser gatilho pra uma nova corrida de crescimento.</p>
<p>Então 2018 foi um ano de observação e aprendizado. Foi em agosto de 2018 que eu abri este canal e resolvi postar alguns videos das minhas observações dos mercados. Eu queria ver com meus próprios olhos como a Europa, Ásia e Estados Unidos estavam se comportando e por isso fui pra Seoul, Ilha de Malta, São Francisco e documentei nos primeiros videos deste canal que vocês podem assistir na playlist de Blockchain que vou deixar nas descrições abaixo. E eu ainda vi muito oba oba, muito confete e muita promessa. O mercado ainda não aprendeu com o crash de 2017 e por isso durante toda a vida deste canal você não me viu jogando mais lenha nessa fogueira.</p>
<p>Enquanto isso, meu negócio principal é a CodeMiner. Eu falei rapidamente dela no video de Aprendendo a Aprender. Também falei que a gente costuma jogar desafios pros estagiários e juniors. Um desses desafios era participar da manutenção da OmniTrade. Como eu falei brevemente, a infraestrutura é complicada pra um iniciante, com diversas peças móveis e vários conceitos que pouca gente conhece tanto sobre blockchains quanto finanças. E sempre tivemos um backlog de melhorias, novas funcionalidades, e por dois anos quase todo estagiário que entrou na Code teve que se exercitar puxando alguma tarefa da OmniTrade. Só o setup do projeto todo já é mais complicado que a maioria dos projetos web por aí então era um bom exercício.</p>
<p>Outro conceito que eu já falei em outros videos, como no Começando na Carreira de TI é que eu acredito que tanto um estagiário quanto um sênior devem ser capazes de chegar numa solução similar de código. A diferença é que um sénior já teve anos de experiência e de 20 caminhos diferentes, ele sabe que 18 não vão funcionar, daí ele foca nos 2 de maior chance. Um estagiário não sabe e ele é obrigado a testar todos. A razão pela qual código de estagiário tem má reputação é porque esperam que ele chegue na solução certa no mesmo tempo que um sênior chegaria e sem ninguém revisando. Obviamente vai dar errado. Simplesmente coloque ele perto de alguém mais experiente que vai eliminar 18 tentativas que ele já sabe que não funciona, e que revise o código depois, pra rejeitar as tentativas erradas; e se o estagiário tiver o perfil que falei no video anterior, ele chega num resultado razoável.</p>
<p>Portanto, por 2 anos a OmniTrade também serviu como um bom laboratório pra todos os programadores da empresa. Vários excelentes programadores que estão hoje atendendo meus clientes dos Estados Unidos passaram por isso. Portanto a plataforma representou uma melhoria de qualidade pra Codeminer. A estrutura ficou tão azeitada que eu tirei as mãos, que é outro sinal de maturidade quando o programador original pode parar de mexer e a plataforma não quebra. Se um sistema depende excessivamente do programador original, ele provavelmente está mal feito. Um teste de saúde de todo bom sistema é rotacionar os programadores, fica a dica.</p>
<p>Mesmo não investindo em marketing pelos motivos que expliquei, mesmo não tendo nenhuma equipe de desenvolvimento em tempo integral porque era usado tempo da Codeminer, mesmo não pagando serviços de custodiantes nem de market makers, ainda assim os custos operacionais da OmniTrade chegavam perto de 50 mil reais por mês. É um custo de mais de meio milhão de reais por ano que saía do meu bolso e do meu sócio Rodrigo.</p>
<p>Aliás, isso pode parecer bastante coisa, mas lembrem-se de quanto está o real comparado com dólar. Isso dá míseros 200 mil dólares por ano, que nos Estados Unidos é o salário anual de um bom programador em Silicon Valley. Eu poderia chutar que existem corretoras que pagam bem mais que isso por uma plataforma inferior. Mas chegamos em 2020 e vocês já sabem o que aconteceu.</p>
<p>Foi uma pena fechar porque havia mais coisas que não tentamos porque não precisávamos naquele momento. A arquitetura que montamos aguenta até um nível de escala. Pra um nível mais massivo do tipo pra suportar uma Coinbase ou Binance, precisaria de outra arquitetura. Mas não fazia sentido fazer a mais complicada antes do tempo. Outra dica: você não precisa da solução mais complicada no dia um e sim, se você der certo você vai reescrever uma parte ou todo o seu software, é inevitável. Não me venha com conversas de amador de “vamos fazer ‘certo’ da primeira vez” porque isso é garantia de gastar demais e fazer errado.</p>
<p>Mesmo antes desta crise, o mercado de criptomoedas continuou com os malditos piramideiros, poucos sobreviveram, e continua custando caro tentar se diferenciar dos golpistas. Pra fazer a OmniTrade ir pro próximo nível precisaríamos gastar ordens de grandeza mais do que já gastamos só em marketing. E em 2020 obviamente não vamos fazer isso, e não parece que vamos poder fazer em 2021 já que esta crise nem começou ainda. Pior, assim como a empresa de todo mundo, esta crise põe em risco a minha empresa principal, a Codeminer. Felizmente até hoje não tivemos que demitir nenhum programador, mas como eu disse, esta crise não tem data pra acabar.</p>
<p>Portanto a coisa racional a se fazer é cortar todos os custos não essenciais e neste ponto, a OmniTrade não é essencial pra sobrevivência da Codeminer, então a decisão que precisa ser tomada rápido, é clara. O que já foi investido chama-se custo perdido. E o que vamos deixar de gastar agora chama-se &ldquo;fazer caixa&rdquo; que é a prioridade número um de todo empresário no mundo. Quando não se tem uma data pra acabar a crise, nem todo o caixa do mundo pode ser suficiente.</p>
<p>Como não somos nenhuma corretora gigante, não foi tão difícil desligar a plataforma. Primeiro desligamos as negociações. Comunicamos todos os clientes de inúmeras formas e alguns tentamos inúmeras vezes, até ligando um a um quem não estava respondendo. Até o dia de hoje, praticamente todos fizeram saques, ainda temos uma pequena lista de pessoas que não encontramos de jeito nenhum, mas os saldos de todos estão na cold wallet e vamos continuar devolvendo até o último. Eu tenho zero interesse em ficar com o dinheiro dos outros.</p>
<p>Com tudo isso dito, alguns podem se questionar se eu parei de acreditar em criptomoedas. E a resposta é não. Voltando à situação atual, eu disse que os bancos centrais estão se vendo numa situação ruim onde estão sendo obrigados a imprimir mais dinheiro, desvalorizando ainda mais as moedas. E nós estamos só na primeira onda da pandemia. Muitos acreditam que podemos estar pra entrar numa segunda onda. A recuperação aparente dos mercados financeiros não é uma garantia e eu diria que a probabilidade maior é que nós ainda vamos ver mais um crash brutal nas próximas semanas ou meses. O crash pós carnaval fez os mercados perderem uma média de 40% do seu valor. Eu ainda acho que vamos chegar a 50% antes de enxergar o fundo.</p>
<p>Eu ainda estou segurando os bitcoins que eu comprei em 2017. Comprei mais em 2018 e um pouco em 2019. Não só criptomoedas, estou comprado em ouro também, imóvel, dólar, fundos e ações. Eu diversifiquei o quanto eu podia e mesmo assim pode não ter sido suficiente. E aproveito pra dizer, eu não sou analista financeiro, por isso não me façam perguntas do que você devia fazer com seu dinheiro ou investimentos, porque eu não pretendo responder. Eu mesmo não tenho certeza dos meus, e eu tenho amigos que tem anos de experiência no mercado financeiro. Faça sua lição de casa.</p>
<p>No caso particular de bitcoin, o próximo grande evento pra ficar de olho é o halving, que acontece mais ou menos a cada 4 anos. Só aconteceram dois na história até agora, em novembro de 2012 e em julho de 2016. O próximo vai acontecer daqui 26 dias a contar de hoje, 15 de abril de 2020.
Aqui eu diria que “se ficaram com dúvidas pra mandar nos comentários abaixo”, porém o video do COVID-19 que eu fiz acabou viralizando e atraiu todo tipo de gente fazendo comentários inúteis. Eu leio praticamente todos os comentários que vocês fazem e aquilo virou improdutivo por isso desativei. Se acontecer a mesma coisa com este vou desativar também então atenha-se a comentários de verdade. Enfim, se curtiram o video mandem um joinha, assinem o canal, cliquem no sininho pra não perder os próximos episódios e não deixem de compartilhar com seus amigos. A gente se vê na próxima, até mais!</p>
]]></content:encoded><category>bitcoin-e-criptomoedas</category><category>economia</category><category>startups</category><category>akitando</category></item><item><title>[Akitando] #75 - O que vem DEPOIS do COVID-19?</title><link>https://akitaonrails.github.io/2020/03/24/akitando-75-o-que-vem-depois-do-covid-19/</link><guid isPermaLink="true">https://akitaonrails.github.io/2020/03/24/akitando-75-o-que-vem-depois-do-covid-19/</guid><pubDate>Tue, 24 Mar 2020 20:00:00 -0300</pubDate><description>&lt;div class="embed-container"&gt;
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&lt;h2&gt;DESCRIPTION&lt;span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="description"&gt;&lt;/span&gt;
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&lt;ul&gt;
&lt;li&gt;a letra da Apple na Bolsa é AAPL e não APPL como eu coloquei no video&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;me corrigiram que eu acho que falei errado uma hora. Esclarecendo, COVID-19 é a doença e o vírus é o Novo Corona Virus (é uma família de virus), acho que uma hora eu falo que o vírus é o COVID.&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;numa das telas de conta eu fiz um typo, o certo é (60.000 * 25% = 15.000) e não 5.000.&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;quando eu defino securitização eu não falei totalmente certo, melhor esclarecer: &amp;ldquo;O Akita é risco C de crédito e pega uma dívida de 12 meses, com parcelas de 1000 reais. A chance do Akita pagar as 6 primeiras parcelas é muito maior do que as 6 últimas. Dois investidores emprestaram a mesma quantia pro Akita, que gera a dívida dele de 1k por mês. Se ambos receberem metade o que o Akita pagar por 12 meses, estão assumindo um risco C de inadimplência ao longo do período. Agora, se um receber os primeiros 6 meses 100% do fluxo pago pelo akita, e um receber os últimos 6 messes 100% do fluxo pago pelo akita, o primeiro ta assumindo um risco A e o segundo um D-. Se vc priorizar o fluxo de caixa, consegue securitizar essa dívida em duas classes de ativos com riscos diferentes, esse é o ato de securitizar &amp;quot;&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;eu exagero na hora de falar que a depois de ser contaminado você passa a contaminar os outros &amp;ldquo;imediatamente&amp;rdquo;, na realidade leva uns 3 a 4 dias incubando o virus pra você começar a espalhar. Que continua sendo um tempo curto, e você pode estar assintomático, por isso tomar cuidado.&lt;/li&gt;
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&lt;p&gt;Estamos agora (em 25/mar/2020) no meio da crise desencadeada pelo vírus COVID-19. Todo mundo está apreensivo querendo saber até onde isso vai. E por causa disso todo mundo está vivendo basicamente só um dia de cada vez.&lt;/p&gt;</description><content:encoded><![CDATA[

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<h2>DESCRIPTION<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="description"></span>
    <a href="#description" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Erratas:</p>
<ul>
<li>a letra da Apple na Bolsa é AAPL e não APPL como eu coloquei no video</li>
<li>me corrigiram que eu acho que falei errado uma hora. Esclarecendo, COVID-19 é a doença e o vírus é o Novo Corona Virus (é uma família de virus), acho que uma hora eu falo que o vírus é o COVID.</li>
<li>numa das telas de conta eu fiz um typo, o certo é (60.000 * 25% = 15.000) e não 5.000.</li>
<li>quando eu defino securitização eu não falei totalmente certo, melhor esclarecer: &ldquo;O Akita é risco C de crédito e pega uma dívida de 12 meses, com parcelas de 1000 reais. A chance do Akita pagar as 6 primeiras parcelas é muito maior do que as 6 últimas. Dois investidores emprestaram a mesma quantia pro Akita, que gera a dívida dele de 1k por mês. Se ambos receberem metade o que o Akita pagar por 12 meses, estão assumindo um risco C de inadimplência ao longo do período. Agora, se um receber os primeiros 6 meses 100% do fluxo pago pelo akita, e um receber os últimos 6 messes 100% do fluxo pago pelo akita, o primeiro ta assumindo um risco A e o segundo um D-. Se vc priorizar o fluxo de caixa, consegue securitizar essa dívida em duas classes de ativos com riscos diferentes, esse é o ato de securitizar &quot;</li>
<li>eu exagero na hora de falar que a depois de ser contaminado você passa a contaminar os outros &ldquo;imediatamente&rdquo;, na realidade leva uns 3 a 4 dias incubando o virus pra você começar a espalhar. Que continua sendo um tempo curto, e você pode estar assintomático, por isso tomar cuidado.</li>
</ul>
<p>Estamos agora (em 25/mar/2020) no meio da crise desencadeada pelo vírus COVID-19. Todo mundo está apreensivo querendo saber até onde isso vai. E por causa disso todo mundo está vivendo basicamente só um dia de cada vez.</p>
<p>Porém, as economias do mundo já estavam caminhando pra uma inevitável recessão e o COVID-19 não só adiantou, como fez a queda ser mais violenta e os efeitos são multiplicados. Estamos possivelmente pertos da maior crise econômica já reportada na história. Ainda não temos como saber porque a história ainda não acabou.</p>
<p>Mas nunca é prudente ser otimista demais. Digamos que não aconteça o fim do mundo, qual é o cenário negativo que devemos ter em mente? Quando isso vai acontecer? Como devemos nos preparar? É o que eu vou tentar explicar neste episódio.</p>
<p>Links:</p>
<ul>
<li>3Blue1Brown - Exponential growth and epidemics (<a href="https://www.youtube.com/watch?v=Kas0tIxDvrg"target="_blank" rel="noopener">https://www.youtube.com/watch?v=Kas0tIxDvrg</a>)</li>
<li>Investopedia - Margin Call (<a href="https://www.investopedia.com/terms/m/margincall.asp"target="_blank" rel="noopener">https://www.investopedia.com/terms/m/margincall.asp</a>)</li>
<li>Netflix Sells $2.2 Billion of Junk Bonds to Fund More Content (<a href="https://www.bloomberg.com/news/articles/2019-10-22/netflix-prepares-to-sell-2-2-billion-of-bonds-to-fund-content"target="_blank" rel="noopener">https://www.bloomberg.com/news/articles/2019-10-22/netflix-prepares-to-sell-2-2-billion-of-bonds-to-fund-content</a>)</li>
<li>Panic: The Untold Story of the 2008 Financial Crisis | Full VICE Special Report | HBO (<a href="https://www.youtube.com/watch?v=QozGSS7QY_U"target="_blank" rel="noopener">https://www.youtube.com/watch?v=QozGSS7QY_U</a>)</li>
<li>1929 Stock Market Crash and the Great Depression - Documentary (<a href="https://www.youtube.com/watch?v=qlSxPouPCIM"target="_blank" rel="noopener">https://www.youtube.com/watch?v=qlSxPouPCIM</a>)</li>
</ul>
<p>Assine estes canais também:</p>
<ul>
<li>Idéias Radicais (<a href="https://www.youtube.com/user/ideiasradicais"target="_blank" rel="noopener">https://www.youtube.com/user/ideiasradicais</a>)</li>
<li>Fernando Ulrich (<a href="https://www.youtube.com/channel/UCLJkh3QjHsLtK0LZFd28oGg"target="_blank" rel="noopener">https://www.youtube.com/channel/UCLJkh3QjHsLtK0LZFd28oGg</a>)</li>
</ul>
<h2>SCRIPT<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="script"></span>
    <a href="#script" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Olá pessoal, Fabio Akita</p>
<p>Assim como no clássico programa de rádio O Dia que a Terra Parou e todo show de catástrofe apocalíptico, parece que estamos à beira do fim do mundo. Como em qualquer evento assim, existem os desesperados que realmente acham que o mundo vai acabar e do outro lado existem os que acham que nem existe problema e todo mundo tá desesperado à toa. E como sempre, a verdade se encontra no meio desses extremos. Mas não se enganem, estamos vendo em tempo real uma catástrofe econômica de proporções bíblicas acontecendo e que seus filhos vão estudar nos livros de história em breve.</p>
<p>Eu não sou médico nem nada disso por isso não vou perder tempo repetindo o que todo mundo já explicou em detalhes sobre o covid-19. Mas como não dá pra escapar de comentar, eu vou dar meus 2 cents sobre o que ando pensando sobre isso. Como sempre, é minha opinião pessoal e não recomendação médica ou econômica, então fica o disclaimer. E outro disclaimer é que este vídeo vai ser bem complexo pra quem nunca estudou nada de economia. Eu mesmo não sou economista, mas preparem-se pra ter que pausar e repetir alguns trechos. Vocês sabem que eu sempre mostro no vídeo algumas palavras-chave que são jargões e que eu acho importante que vocês estudem depois se não souberem. Não me venham comentando nervosos “ah akita, mas na minha opinião, mas na opinião do olavo, mas na opinião do atila, mas na opinião de Jesus” foda-se. Eu vou explicar uma linha de raciocínio minha, isso não é um concurso de popularidade.</p>
<p>Primeiro de tudo, isso já deveria ser senso comum mas duvide de absolutamente tudo que vem via grupo de whatsapp. Pra cada 1 informação útil deve vir umas 10 completamente inúteis. Qualquer coisa de teoria da conspiração é lixo, é divertido de especular mas não é pra levar a sério. Qualquer coisa sobre cura iminente é lixo. Qualquer politicagem é lixo. Qualquer dica pra sair de casa ou receita caseira é lixo. Tem gente que tem medo da Deep Web? Eu tenho medo é dos grupos de Whatsapp que é a verdadeira Deep Web. Vamos pensar com lógica por 2 segundos que isso tudo não é difícil assim de entender.</p>
<p>A essa altura já existem milhares de vídeos e acho que todo mundo já sabe o que precisa fazer. Vamos resumir. Num cenário normal, sem milagres ou novos desastres, estamos falando em ter uma vacina pra esse novo corona entre 1 ou 2 anos. Vacinas normais podem levar até 10 anos pra atingir o mercado. Então 1 ou 2 anos seria bem rápido. Ferrou então? Vamos ter que ficar em quarentena até o ano que vem? Também não é necessariamente isso. O maior problema desse virus é que é muito fácil se contaminar, logo que você se contamina imediatamente passa a contaminar os outros mesmo sem apresentar sintomas. E por essa facilidade, a expansão dos casos é quase exponencial. Pra quem é cientista de dados, estatístico ou simplesmente sabe fazer contas simples, termos como curvas exponenciais, curvas logísticas, regressão linear etc não deveria ser tão complicado.</p>
<p>Pro resto de vocês, assistam este vídeo da 3Blue1Brown explicando em termos muito simples o que isso significa. Sério, pausem este vídeo e vão assistir. Pensar em termos exponenciais é tão básico quanto saber fazer regra de três e você precisa saber pensar assim. Em resumo, a razão que precisamos ficar todos em casa é o seguinte.</p>
<p>Digamos que o Brasil no momento da publicação deste vídeo tem uns 1500 casos confirmados, provavelmente mais já. E digamos que sem tomar muitos cuidados estamos crescendo a uma taxa de 15% ao dia mais ou menos. E digamos que vamos continuar sem fazer nada. Quantos casos vamos ter depois de meros 2 meses? Vamos abrir a HP-12c e usar tudo que eu sei sobre ela (que não é muita coisa, desculpem). Vamos plugar 1500 como valor presente ou PV, então adicionar 15 como sendo a taxa ou interest rate que é I, finalmente plugamos 60 dias como N e agora clicando em FV que é o valor futuro temos &hellip; quase 6,6 milhões de casos confirmados daqui só dois meses. Esse é o poder dos juros compostos.</p>
<p>Agora, digamos que uma boa parte da população faça a coisa mais óbvia, que é diminuir a taxa de expansão ficando em casa e mantendo a distância social a qualquer custo. Sejamos otimistas e digamos que isso faça a taxa de expansão diminuir dos 15% pra 5%. Esses 5% são os babacas querendo ir de propósito pra praias, festas e coisas assim. Vamos plugar os mesmos 1500 casos confirmados em PV de novo, mas desta vez colocamos 5% como taxa, os mesmos 60 dias como N e o valor futuro FV será de &hellip; 28 mil casos. Ainda assim é bastante gente, mas concordam que é ordens de grandeza melhor que 6,6 milhões.</p>
<p>Digamos que nem fomos tão disciplinados assim, afinal o que não falta por aí é babaca, e a taxa de 15% caiu só pra 10%. Vamos plugar os mesmos números e depois de 60 dias teríamos 456 mil casos que ainda assim é MUITO menos que 6,6 milhões. Esse é um casos onde toda contribuição individual de ficar em casa faz muita diferença porque é uma taxa de crescimento exponencial. Cada 1 porcento que se diminui nessa taxa são dezenas de milhares de casos a menos. E como baixamos essa porcentagem? Ficando em casa. Você quer ajudar? Não aumenta essa porcentagem. Fica em casa.</p>
<p>A outra forma de diminuir essa curva é diminuir o número de casos já confirmados. E pra isso, sem a cura, precisa de algum tratamento. Felizmente existem vários em teste em vários países. E já tem gente se curando, só que leva muitos dias ou semanas pra isso acontecer. Por isso não correlacione ver uma notícia de gente sendo curada com você se animando de querer já sair pra rua. Você só vai estragar tudo e desperdiçar esse avanço. Não quer ajudar? Pelo menos não atrapalha.</p>
<p>Pra alguns de nós, vai ser só um período de inconveniente que precisamos passar. Mas pra muitos é possível que a gente esteja só vendo o começo de uma grande crise que nem começou direito ainda. Obviamente vou torcer que não, mas vamos entender o que isso significa. O que podemos esperar pela frente? Como interpretar o que está acontecendo e o que devemos fazer agora? Chegou a hora de eu tentar explicar algumas coisas que eu vim dizendo em vários dos meus videos anteriores.</p>
<p>(&hellip;)</p>
<p>Se você acompanhou o que aconteceu no mercado financeiro brasileiro, tivemos nada menos que 6 circuit breakers em poucos dias, 6! Em menos de 2 semanas. Pra colocar em perspectiva nós tivemos 6 circuit breakers durante toda a crise financeira de 2008 cujos reflexos chegaram atrasados no Brasil e tivemos nossa crise de gastos excessivos só em 2015. Mas enfim, o mercado brasileiro desvalorizou até agora pelo menos 42% e sumiu da economia mais de um trilhão de reais de valor. Sem contar na subida vertical do dólar que saltou de 4.2 pro pico de 5.2.</p>
<p>No resto do mundo não é diferente. Se você olhar qualquer índice de qualquer país, tudo caiu nessa proporção. Não é um problema só do Brasil, é global. Todos os bons economistas já estavam demonstrando os sintomas da exuberância irracional e clima de oba-oba ao redor do mundo. Alguma correção ia precisar acontecer em breve, este ano, ano que vem. Obviamente ninguém tem bola de cristal e jamais poderíamos imaginar que o estopim pra derrubar esse House of Cards ou casa de cartas mundial frágil seria uma pandemia. Como num efeito dominó, todos os mercados começaram a cair drasticamente e isso causou um pânico de todos os investidores em busca de ativos mais seguros. Em períodos de pânico como esse o que todo mundo procura é dólares ou coisas equivalentes ao dólar como papéis de curto prazo do tesouro americano.</p>
<p>A razão disso é fazer caixa. Ninguém sabe quanto tempo essa crise do covid-19 vai durar. Pode ser 2 semanas. Pode ser um mês. Talvez dure meses! No Brasil, pra piorar, nunca tivemos tantos investidores novatos. Pela primeira vez atingimos a marca de 1 milhão de investidores em abril de 2019, ainda não fez um ano. E de lá pra cá esse número dobrou. Todo mundo quis aproveitar esse período anterior de alta desproporcional. Se você não sabe o que isso quer dizer, veja este gráfico do S&amp;P 500 que listas algumas das principais empresas americanas. Olha como era até 2009. Agora olha como acelerou depois de 2009. E agora veja o que aconteceu em 2020. Agora, veja a IBOVESPA aqui no Brasil. Nós tivemos o que foi estupidamente chamado de Marolinha, houve toda a gastança desenfreada que vocês já sabem que nos derrubou em 2015 e desde 2016 também entramos numa curva acelerada, até chegar 2020. Olhem só essa queda! Nós retrocedemos até níveis de 2017.</p>
<p>Pelo menos até agora eu ainda não estou sentindo nenhum desespero, pessoalmente. E isso porque eu estou exposto em diversos tipos de ativos, incluindo ações, ouro, bitcoins, tanto aqui no Brasil quanto nos Estados Unidos. Eu vinha falando a tempos que estávamos pertos de uma correção e eu achava que ia enxergar os sintomas a tempo de realizar meu lucro e sair fora. Mas lógico que eu nunca eu ia prever uma pandemia do dia pra noite. Esse evento foi a definição de um Cisne Negro. Eu repito esse termo faz tempo mas se até hoje você ainda não leu Nassim Taleb, agora é meio tarde demais. Enfim, durante essa queda abrupta minha carteira desvalorizou acho que algo por volta de meio milhão de reais na minha pessoa física. Não se preocupem, não vai me fazer falta por enquanto. E isso pra dizer que eu tenho sim interesse numa recuperação rápida e mesmo assim eu preciso dizer o que eu realmente acho que vai acontecer.</p>
<p>Pelo menos eu não tava muito alavancado. Quem tava alavancado excessivamente provavelmente começou ou vai começar a sofrer chamadas de margem e vai perder muito dinheiro. Isso é uma tangente de conceito interessante aliás, deixa eu explicar porque eu vou usar isso depois no video. Eu não sou um investidor sofisticado, então eu vou explicar de forma muito simples. Quando os mercados estão constantemente subindo, como nós vimos nos últimos anos desde pelo menos 2012 nos Estados Unidos, que foi um dos maiores períodos de crescimento. Muita gente vê isso e se alavanca. Vamos dar um exemplo que vou pegar emprestado da página da Investopedia.</p>
<p>Faz de conta que um investidor compra 100 mil dólares de ações da Apple. Pra isso ele usa 50 mil dele mesmo e pega emprestado os 50 mil restantes da corretora. Digamos que a corretora tem uma margem de manutenção de 25%. No momento da compra, o patrimônio do investidor como porcentagem é de 50%.</p>
<p>Isso tá acima da margem de manutenção de 25%. Então, por enquanto, tudo bem. Mas suponha que, duas semanas depois, deu a porra do covid-19 e o valor dos títulos comprados caia de 100 pra 60.000, ou seja, perdeu 40% do valor como aconteceu agora. Isso resulta no patrimônio do investidor caindo para dos 50 mil iniciais pra 10.000 (que é o valor de mercado de 60.000 menos os fundos que ele pegou emprestados da corretora de 50.000), ou seja 16,67% que é (60.000 - 50.000) / (60.000)</p>
<p>Agora ficou abaixo da margem de manutenção de 25%. O corretor precisa fazer uma chamada de margem, exigindo que o investidor deposite pelo menos 5.000 para atender à margem de manutenção.  Portanto, o investidor precisa de pelo menos 15.000 em patrimônio (o valor de mercado de títulos de 60.000 vezes a margem de manutenção de 25%) em sua conta para se qualificar pra margem. Mas ele só tinha 10.000 em patrimônio líquido, resultando em uma deficiência de 5.000 que é (60.000 x 25%) - 10.000.</p>
<p>Ou seja, você partiu de uma posição inicial de 50 mil dólares, com a queda ficou só com 10 mil e agora ainda deve mais 5 mil ou você pode ter sua posição liquidada. Isso tem acontecido desde o fim do carnaval, nas duas semanas seguintes de queda abrupta e seis circuit breakers levando a perdas de 42% no valor das ações.</p>
<p>E porque tanta gente tava apostando em ações? Pelo menos duas razões. Primeiro porque as opções que muitos consideravam mais seguras como fundos de renda fixa ou comprar diretamente papéis do tesouro estavam pagando pouco, por causa dos juros baixos. Isso nos Estados Unidos. Quero dizer a taxa básica de juros que é controlado pelos bancos centrais, no caso a nossa taxa selic, que é definido pelo Copom que é o Comitê de Política Monetária.</p>
<p>Quando as taxas básicas ficam muito baixas, o rendimento de papéis do tesouro, no caso o americano, por exemplo, rendem muito pouco. Faz de conta que você é um gestor de fundos, como os fundos de pensão norte-americanos. Como gestor você precisa tentar garantir um certo rendimento ou não vai dar pras pessoas se aposentarem. O que você faz? Você se encontra num período inédito de crescimento constante no mercado de ações. E você entra no jogo e coloca dinheiro nos mercados, que era o que o governo queria, estimular mais os mercados.</p>
<p>Como você acha que tanta startup apareceu na última década? Pior, assim como aconteceu em décadas anteriores, com tudo sempre subindo, fica aquele clima de oba-oba, que nunca vai cair, que crises são coisa do passado, e quanto mais tempo passa sem cair, mais você arrisca. Você vai graduando de só comprar ações e passa a comprar alavancado. E vai ficando pior. Pense o caso de uma Netflix que é icônico, ele não dá lucro. O modelo de negócios dele é emitir debêntures ou bonds como se chama nos Estados Unidos.</p>
<p>Bonds são títulos de dívida que são securitizados, ou seja, vendidos no mercado como uma classe de ativos, como uma ação. Securitizar como o nome diz é dar segurança. Como eu sei que essa dívida vai ser paga? A securitização é como um seguro e a garantia é o desconto no valor a ser recebido. O Netflix precisa de dinheiro pra produzir dezenas de shows como o seu Sex Education da vida. Mas só a sua mensalidade não dá pra pra pagar por isso.</p>
<p>Então o Netflix emite títulos e securitiza sua dívida, que são esses junk bonds - junk de lixo mesmo - e muita gente compra achando que é um bom investimento e se torna credor do Netflix. É como ir no mercado e pedir empréstimo e quem compra os junk bonds acha que tá virando credor de uma empresa que vai pagar eles de volta sem falta. Só em outubro de 2019 eles emitiram e venderam 2.2 bilhões de dólares de junk bonds. Se não me engano eles já acumulam pelo menos 13 bilhões de dólares de dívida. E ano que vem eles precisam começar a pagar um pouco de volta, 500 milhões em 2021, mais 700 milhões em 2022. Vocês acham que por causa da quarentena que tem muito mais gente assistindo então eles vão faturar mais? Pense de novo, suas mensalidades não cobrem as dívidas e por isso esses bonds são chamados de junk bonds e por isso eles precisam pagar um pouco mais caro pelo empréstimo pra atrair mais credores.</p>
<p>Agora vem a parte interessante. Com os mercados em queda livre como tá agora, quem vai querer comprar mais junk bonds? Só que sem conseguir vender mais bonds, a operação de produção deles vai parar uma hora. E com competidores grandes como HBO, Amazon Prime, e agora o mamute que é a Disney+, eles já estavam perdidos. Isso porque apesar das dezenas de shows de sucesso como The Witcher, Stranger Things, The Crown e outros, isso ainda é só 10% do catálogo deles. Os outros 90% são filmes e séries licenciados de outros estúdios e à medida que os estúdios vão abrindo novos canais de streaming como a Disney+ eles começam a perder esse catálogo, como aconteceu com todo o conteúdo da Disney, que inclui Marvel, Pixar, LucasFilms e Fox. Eles estão num jogo onde só dá pra queimar muito dinheiro.</p>
<p>E alguém poderia dizer que basta vender, talvez pra Disney. Mas eu não acho que isso vai ser tão simples assim. Pra ter uma idéia, a Disney pagou 7 bilhões pra adquirir a Pixar, 4 bilhões pra adquirir a LucasFilm, 4 bilhões pra adquirir a Marvel. Ou seja, não é um bom negócio pra Disney pagar pra assumir 13 bilhões de dívida da Netflix, mais fácil deixar ela morrer, comprar a licença dos shows exclusivos da Netflix a preço de banana depois e ter um competidor a menos no mercado.</p>
<p>E porque eu estou comentando esse possível cenário sombrio da Netflix? Porque estamos no meio de uma crise de liquidez. Está faltando dólares no mercado. No mundo todo. Por que o dólar no Brasil tá tão caro? Volta Dilma que tá tudo certo? Não né, idiota, pensa. A explicação é complicada mas pra simplificar bastante, pense em lei de oferta e procura, essa é a única lei universal que você precisa entender de uma vez por todas. Dinheiro não vale o que você acha que vale. O valor do dinheiro é determinado pelas leis de mercado, que é basicamente como a gravidade, é fundamental. Se você tiver 1 milhão de reais, mas eu te largar sozinho numa ilha deserta, quanto vale seu dinheiro? Literalmente zero. Ela não serve nem pra limpar sua bunda.</p>
<p>Valor não é o que você “acha” que alguma coisa vale, é quanto alguém tá disposto a pagar. Vamos entender em termos simples, pra começar, tamos numa crise. Todo mundo tá endividado direta ou indiretamente em dólares. Como países nós importamos e exportamos e a moeda base é o dólar americano. Pra sobreviver e pagar suas dívidas, você precisa de dinheiro, cash. Aquela barra de ouro ou prata que você tem guardado, seus bitcoins, suas ações, sua casa, não vai pagar suas dívidas desse mês se você tá prevendo que seu faturamento vai diminuir ou até mesmo parar, como é o caso de muitos negócios mundo afora que já pararam completamente ou quase. Companhias aéreas, empresas de eventos, restaurantes, lojas, hotéis, o seu cabeleireiro, o seu dentista, a sua diarista, todos eles já tão sofrendo hoje.</p>
<p>Como micro-empresários vão pagar a folha de pagamentos? Esse mês ainda tem caixa, talvez. Se a quarentena durar mais de um mês, e o faturamento continuar zerado, fodeu. Acaba o caixa, acaba o dinheiro. Não tem mais como pagar funcionários. Eles vão precisar começar a fazer uma coisa que não se fazia há dez anos: cortar custos brutalmente e tentar ficar eficientes. Só que isso não resolve o problema do curto prazo. Sem faturamento, você precisa tirar dinheiro de algum lugar. Seja via empréstimos, seja vendendo ativos. E por isso você tem esse cenário: o preço de tudo tá caindo porque tem mais gente querendo vender do que gente querendo comprar. O valor das coisas, incluindo o valor das moedas, é definido pela oferta e demanda.</p>
<p>E aí todo mundo precisa trocar tudo por dólar, mas agora pense no dólar como um produto de prateleira. Não tem estoque de dólares suficiente pra todo mundo, então o valor do dólar aumenta na mesma proporção que ações e tudo mais caem. Portanto o preço do dólar sobe se comparado ao Real e a qualquer outra moeda. Por exemplo, veja dólares australianos. Uns 6 anos atrás eles estavam quase 1 pra 1 com o dólar americano. Vieram desvalorizando, mas 1 ano atrás ainda dava pra comprar 70 centavos com 1 dólar australiano. Agora só dá pra comprar 50 centavos, ou seja o dólar australiano perdeu metade do valor em uns 6 anos. Veja o Euro, que sempre era mais caro que o dólar, agora tá quase 1 pra 1.</p>
<p>Todo mundo que pensa limitado e ficava pensando só em como criptomoedas eram voláteis e não dava pra confiar? Como se sente agora com o real no seu bolso, o ouro, as ações, tudo com volatilidade em níveis de criptomoedas, e com valor em queda livre? O Real se tornou um shit-coin. Quem se deu bem neste momento é quem estava líquido em dólares. Quando o mundo se vê numa crise o dito popular que vale é &ldquo;cash is king&rdquo;. A demanda por dólar tá tão alto que no começo da crise o Banco Central tentou segurar o preço do dólar colocando mais oferta no mercado, mas o que o Bacen tem pra colocar não é suficiente pra suprir a demanda e por isso os preços continuaram subindo.</p>
<p>Eu disse que estamos só vendo o começo, os efeitos disso tudo vão começar a aparecer no próximo mês, quando no começo de Abril os Estados Unidos reportarem o nível de desemprego norte-americano. Já existem milhões de desempregados lá por causa desta crise. E agora começa uma espiral negativa. Com a incerteza de até quando essa quarentena vai acabar, ninguém com bom senso vai fazer gastos desnecessários, e isso diminui o consumo. E não pense que todo mundo é que nem você que tem como fazer compras online. Sem consumo, aumenta o desemprego, que por sua vez colabora pra diminuir mais ainda o consumo. Se o consumo cai drasticamente dessa forma, fábricas vão fechar, serviços vão fechar, e isso vai gerar mais desemprego. Entenderam estamos numa queda livre já?</p>
<p>Podemos ficar discutindo em mesa de bar infinitamente se estamos sendo drásticos demais impondo essa quarentena massiva, mas o resultado disso é bastante claro, e ele não é bom. Nós já estamos numa recessão, não tem mais como voltar atrás. Essa recessão vai durar no mínimo, no mínimo um ano, provavelmente mais. Dependendo das ações coordenadas dos bancos centrais do mundo, talvez seja possível não entrar na pior etapa, que seria uma grande depressão. O que já perdemos agora não vamos recuperar em menos de 2 anos. E o valor do mercado não vai voltar aos mesmos patamares em menos de 4 ou 5 anos.</p>
<p>Quem vai se dar mal nessa crise no nosso setor de tecnologia? Lembra que eu venho avisando que startups que estavam no oba-oba de dinheiro fácil iam ter problemas? Pois é. Não é só a Netflix que tá numa situação delicada. Todas as estrelas da última década, os tais unicórnios, estão na mesma situação. Quando você não dá lucro e depende de artifícios como novas rodadas de investimento ou emissão de junk bonds e de repente o mercado inverte, e agora o único produto que tem valor é o dólar, significa que o valor que você achava que tinha agora não vale mais nada. E isso é o conceito de valuation. Valuation não é quanto você de verdade vale, é quando a gente acha que pode valer se oferecer no mercado. E na situação atual, a valuation de qualquer startup não tá valendo mais muita coisa.</p>
<p>Sabe aquele emprego fácil que você tinha numa startup unicórnio? Ela pode estar com os dias contados. Se a posição que você tem não gera valor pra sobrevivência da empresa, eu ficaria bem preocupado, porque agora muitas dessas startups vão ser obrigadas a fazer uma coisa que elas nunca tentaram fazer: ser eficientes. E pra ser eficiente cada centavo conta. Então a primeira coisa que precisam fazer é cancelar o desenvolvimento de qualquer coisa experimental ou que não colabore diretamente pro bottom-line, pros resultados. Em seguida precisam demitir todo mundo em posições que não são essenciais. Sabe aquele emprego fácil de coach? Já era.</p>
<p>O que eu falei no vídeo de Programação não é Fácil vai começar a acontecer agora, e eu já tenho ouvido casos de demissões já agora por causa disso. Alguns vão se precaver e cortar custos agora, alguns vão apostar que haverá algum milagre e segurar até ser tarde demais. Mas claro, não quer dizer que todas vão fazer isso amanhã. A maioria dos unicórnios que operam com fluxo de caixa negativo costumam conseguir levantar rounds de investimento que conseguem manter elas por até 2 anos. Quem conseguiu levantar investimento recentemente, tem cerca de 2 anos pra ficar eficiente. Quem tá no fim do ciclo e tava precisando de mais um round é que vai se dar mal.</p>
<p>Mas mesmo assim ainda tem outro cenário. Pra que servem os bancos centrais? Isso é um assunto super cabeludo. Mas a função do banco central é controlar o fluxo de moeda na economia. Eu nem vou entrar na questão de keynesianos versus escola de chicago versus austríacos, vou só falar do meu ponto de vista. Eu falei que o mercado tá massivamente procurando dólares, vendendo tudo que tem pra ter dinheiro em caixa. E também disse que se o estoque de dólares não é suficiente o preço do dólar sobe rápido demais e causa uma crise de liquidez na economia. O que significa isso? No pior cenário imagine um belo dia acordar e tentar sacar dinheiro no caixa eletrônico e não sair nada porque acabou o estoque de dinheiro.</p>
<p>Eu também disse que o valor das coisas é determinado pelo mercado. Muita gente vê uma empresa como uma Apple e as notícias até o começo do ano dizendo que as ações subiram e ela agora vale quase 1 trilhão e meio de dólares. A maioria da população pensa de forma ingênua, quase infantil, que existe uma conta de banco com 1 trilhão e que eles poderiam sacar todo esse valor em papel moeda a qualquer momento, mas não é assim que as coisas funcionam. Vamos dar um exemplo, por volta de 12 de fevereiro de 2020, antes dessa crise começar, uma ação da Apple valia uns 327 dólares, o que computava um market cap ou valor de mercado de 1.4 trilhão de dólares. Em 23 de março, pouco mais de 1 mês depois o valor da ação caiu pra 224 dólares e agora a Apple vale só 980 bilhões.</p>
<p>Porra, ainda é bastante dinheiro, claro, mas em pouco mais de um mês a Apple perdeu mais de 400 bilhões de dólares. Ou, mais corretamente, ela desvalorizou 400 bilhões. E pra ter uma idéia do que isso significa, 400 bilhões é mais ou menos a reserva de dólares que o banco central brasileiro tem em caixa. Toda vez que você ouve falar de algum bilionário ou qualquer celebridade rica é a mesma coisa, eles não tem todo aquele dinheiro em espécie. O preço da Apple, aos olhos do mercado do dia 23 de março é 980 bilhões e não mais 1.4 trilhão.</p>
<p>Agora deixa eu voltar no tempo mais de 10 anos, pra crise financeira de 2008 que eu sempre menciono nos videos. Eu recomendo muito que vocês assistam este documentário da HBO, também o filme The Big Short que eu já indiquei várias vezes nos meus vídeos, e leiam sobre o que aconteceu. Mas em resumo hiper resumido, lá por volta de 2005 em diante se iniciou uma bolha imobiliária. Acesso mais fácil a crédito e tudo mais começou a incentivar as pessoas a comprar mais casas e fazer financiamentos com os bancos, os chamados mortgages ou hipotecas.</p>
<p>Agora vai ficar complicado, então presta atenção. Pense hipotecas de milhares de pessoas sendo empacotadas em produtos financeiros e sendo securitizados. Papéis que tem como garantias essas hipotecas, ou mortgage backed securities, os MBS. Num primeiro momento tá tudo certo, as pessoas que financiam passam por análises de crédito de bancos com credibilidade, então todo mundo costuma ser bom pagador, e por isso essas MBS tem valor. Diferente dos junk bons do Netflix que eu falei. Só que com o crescimento da bolha aumentou o incentivo pra se procurar por mais hipotecas pra emitir mais MBS. MBS se tornou um produto de alta demanda. E pra suprir essa demanda começaram a flexibilizar o crédito pra pessoas que não eram boas pagadoras, pessoas que hipotecavam a mesma casa mais de uma vez, e essas hipotecas podres ou subprime mortgages começaram a poluir os MBS. E o primeiro erro é que as agências avaliadoras continuaram a dizer que esses MBS eram confiáveis.</p>
<p>Os vendedores de MBS tavam tão seguros que essas hipotecas eram todas de valor que eles ofereciam garantias, caso alguém faça default na hipoteca, onde default em inglês é calote, a seguradora garantia o crédito, esses eram os Credit Default Swaps ou CDS. O volume de CDS era tão grande que no seu pico acho que havia o equivalente a 47 trilhões de dólares. Pra ter noção desse valor, essa é a ordem de grandeza da dívida dos Estados Unidos. Não havia dinheiro no sistema financeiro suficiente pra cobrir esse tanto de CDS. Quando a crise começou todos os bancos norte-americanos estavam contaminados de subprime MBS podres e CDS que eles não podiam cobrir. E isso não foi corretorazinha de criptomoeda do Rio Grande do Sul. Estamos falando de Goldman Sachs, Merryl Linch, JP Morgan, Wells Fargo, Citigroup.</p>
<p>O cenário era tenebroso, esse câncer fez desaparecer o dinheiro do sistema. Porque o dinheiro só existia numa planilha, no balanço dos bancos. Um monte de gente perdeu as casas porque pense nessas hipotecas como alavancagem que eu expliquei no começo do vídeo, num determinado momento elas precisavam pagar a mais pra cobrir e a maioria não tinha como. Daí o banco faz foreclosure que é tomar a casa. E mesmo assim não havia dinheiro suficiente no sistema. Então o FED que é o banco central americano tentou intervir, mas muitos criticam que o Congresso demorou demais pra agir e a intervenção foi pequena. Precisou o Bear Sterns faliu, depois o gigante Lehman Brothers e outros num efeito dominó que ameaçava fechar bancos que você nem  imaginaria como o próprio Goldman Sachs ou Merryl Linch, todo mundo tava contaminado.</p>
<p>Pra resumir a história, quando as intervenções pequenas não estavam surtindo efeito pra suprir a demanda por liquidez o que parece que tapou o buraco foi o programa conhecido como TARP ou Troubled Assets Relief Program. Nesse caso o FED literalmente fez o que chamamos de “imprimir dinheiro”. Não literalmente de imprimir fisicamente papel moeda, mas ele comprou esses MBS podres dos bancos, isso injeta dinheiro no sistema financeiro que é como uma transfusão de sangue e com isso o sistema voltou, male male, a funcionar. Pelo menos os principais bancos não quebraram. Foi algo na ordem de 400 bilhões de dólares injetados no sistema pelo TARP.</p>
<p>Pra consertar o problema o FED removeu o câncer dos bancos, comprando pra si esses ativos tóxicos. E desde então os MBS estão no balanço do FED. Mas a população em geral detestou isso porque ficou parecendo que o dinheiro do contribuinte foi usado pra salvar banqueiros. E eles não estão completamente errados. Porém, sendo advogado do diabo, o medo todo é que se eles não fizessem isso os bancos teriam todos quebrados, o sistema financeiro mundial entraria em ruínas e nós teríamos entrado numa depressão pior que a Grande Depressão de 1929.</p>
<p>E aqui eu recomendo que você assistam este documentário sobre a grande depressão de 1929. Muita gente já ouviu provavelmente falar do famigerado Black Tuesday, quando o índice Dow Jones caiu 12% em um só dia dando início à famosa Crise Financeira de 1929. Novamente em resumo, pra financiar a Guerra Civil americana de 1861 o governo emitiu Liberty Bonds, que são papéis da dívida do governo, o que a gente chama de tesouro, o que ajudou a iniciar a bolha de investimentos. E adivinha? Lembra o conceito de alavancagem que eu falei antes? Imagina que uma boa parcela da população estava não só comprada em ações de grandes empresas como General Electric e gozando de um mercado que só subia no começo do século XX, achando que eram invencíveis, como eles estavam alavancados, e muito alavancados.</p>
<p>Então quando o Dow Jose caiu do nada 12% isso causou um pânico geral, e quando todo mundo quer vender de uma só vez o preço de tudo cai. De novo, oferta e procura. Só que o presidente Hoover, na época, não só não sabia o que fazer porque isso era novo, como acabou não fazendo quase nada e deixou os mercados irem até onde dava pra ir. O resultado foi que a bolsa quebrou, a crise de liquidez quebrou uns bons 3 mil bancos. Sem bancos o crédito sumiu, e todo pequeno comerciante e micro-empresário ficou sem caixa, o que fechou empresas e fábricas, e gerou um desemprego gigantesco na casa de 25%. A Grande Depressão que é contada até hoje como história de terror e desespero.</p>
<p>Isso afetou não só os Estados Unidos como diversos outros países na Europa, como na Inglaterra, Alemanha, Itália e outros. Os níveis gigantes de desemprego, queda brutal no consumo levou a recessão ao nível de depressão. E muitos concordariam que isso ajudou muito a convencer o povo alemão, que já vinha massacrado da primeira grande guerra, a procurar um salvador da pátria e subir alguém como Hitler ao poder. E o mesmo aconteceu na Itália elevando alguém como Mussolini. O resto, como vocês sabem, é história.</p>
<p>E foi por isso que em 2008 o FED, apesar de atrasado, tentou evitar a quebradeira geral dos bancos e dar a liquidez pra evitar que a recessão que era iminente se tornasse uma nova grande depressão. Veja que todas essas crises começam com a queda nas bolsas. Na crise atual tivemos a sequência mais rápida de 6 circuit breakers, nem na crise de 2008, nem na de 1929 foi rápido assim. Eu disse que o FED injetou pelo menos 400 bilhões via o programa TARP pra estancar a crise de liquidez na crise de 2008? O FED hoje está prometendo trilhões de dólares e os mercados continuam não reagindo. Eu disse que o nível de desemprego durante a Grande Depressão de 1929 chegou a 25%? Alguns analistas como o do Goldman Sachs avaliam que podemos chegar a 30% de desemprego este ano nos Estados Unidos por conta dessa crise de quarentena gerada pelo pânico.</p>
<p>E desta vez temos mais uma variável: não sabemos quanto tempo vamos ter que ficar em quarentena. Mesmo se por milagre a doença simplesmente sumir hoje, nós já estamos em recessão. Se formos obrigados a ficar mais do que um mês, vamos começar a ver nos noticiários várias empresas quebrando uma atrás da outra. Depois vamos ver notícias de como o desemprego tá atingindo níveis recordes. E se nada mudar podemos mesmo acabar entrando numa nova Grande Depressão. Esse é o pior cenário possível e por isso nesses dias próximos de 23 de março de 2020, caso você esteja assistindo este video no futuro, o FED tá querendo evitar fazer muito pouco muito tarde como foi em 2008 e 1929 e tá indo all-in, atirando com tudo o que tem, anunciando um Unlimited Quantitative Easing, que é um termo que você vai ouvir falar muito ainda.</p>
<p>Pra evitar toda essa espiral negativa que aparece numa recessão o FED tá querendo apertar o botão de reset. Em 2008 ela comprou os ativos tóxicos que eram os subprime mortgage backed securities. Em 2020 ela não quer só recomprar títulos do tesouro, ela quer comprar todos os ativos tóxicos e puxar todos os preços de tudo que caiu pra cima de novo. Não literalmente tudo, mas bastante. É quase como nacionalizar tudo. O problema de fazer isso, que é praticamente como imprimir dinheiro do nada, é que isso desvaloriza o câmbio, e se não tomar cuidado gera uma puta inflação. Se você é novo pergunte aos seus pais o que foi a hiper inflação dos anos 80 no Brasil e porque temos medo de inflação.</p>
<p>Mas pior que isso, ninguém tem nem uma mínima noção de como funcionam esses mecanismos que acabei de citar, e provavelmente a gente talvez não caia numa depressão do jeito negativo que eu pintei. Se der certo, as intervenções vão funcionar o suficiente mas não vão conseguir salvar todo mundo, e vai de novo ficar a impressão que os governos estão salvando os bancos e as grandes empresas. E de novo vamos ver revoltas como o movimento Occupy Wall Street e pode de novo levar a população a acreditar que precisamos de medidas socialistas, populistas e consequentemente totalitárias e ditatoriais, porque se tem uma coisa que a população média adora fazer, principalmente em tempos de crise, é achar que salvador da pátria existe, e é assim que os Hitlers da vida chegam ao poder.</p>
<p>O que temos hoje não é capitalismo, já não é faz décadas, não é livre mercado, o correto seria deixar o mercado se corrigir e expurgar o câncer. É como qualquer organismo em evolução durante milhares anos. Mas se tivermos uma mão divina como o FED literalmente salvando temporariamente o mundo todo, uma hora isso vai causar uma crise de proporções ainda maiores do que hoje. E eu não tenho como explicar em poucos minutos todas as ramificações por isso aqui eu páro pra recomendar dois canais que vocês deviam assistir, o primeiro é o Idéias Radicais que explica muito dessa filosofia, e o segundo é o canal do Fernando Ulrich que tem feito uma cobertura muito boa em todos os dias dessa crise e também já vinha explicando quais são os efeitos que essas intervenções do FED podem causar.</p>
<p>O que todo mundo quer saber agora é o que deve fazer. E obviamente é impossível de dizer. Quem tem essa bola de cristal certamente não está divulgando. Lembram do meu video de Não Terceirize suas Decisões? Pois é, não adianta ficar me perguntando o que vocês devem fazer com suas vidas. Se for seguir a lógica, o período de quarentena ainda vai continuar pelo menos mais algumas semanas. Na Ásia alguns países como Coréia do Sul e Japão estão conseguindo se controlar mesmo sem precisar de uma quarentena completa de todo mundo. Não é do interesse de ninguém esticar essa quarentena mais tempo do que o necessário. Pra isso os governos devem acelerar tanto a produção massiva de mais testes e também tratamentos como os a base de hidroxicloroquina pra mitigar os efeitos da pandemia e eventualmente só isolar quem realmente tá contaminado. Mas isso ainda vai levar semanas.</p>
<p>Se as quarentenas demorarem mais que isso, cada vez mais a recessão vai ficar mais e mais cara. Da forma como tá hoje, eu daria um chute - e é chute mesmo - que não vamos nos recuperar em menos do que uns 2 anos. E isso eu quero dizer reverter os níveis de desemprego e de consumo. E mesmo com a queda colossal de 42% da bolsa, os ativos ainda devem cair mais enquanto o mercado não ver que as quarentenas estão chegando ao fim. E todo esse valor perdido só deve ser recuperado em uns 4 a 5 anos.</p>
<p>Por isso a recomendação mais óbvia, pra quem pode, é ficar líquido. Isso significa manter dinheiro em caixa. Agora não é a hora de fazer grandes gastos. Se for possível atrasar o financiamento de uma casa, atrase. Se não precisar o carro que tava querendo comprar, não compre. Se for possível evitar fazer viagens caras, evite. Pra quem tem condições existem pelo menos duas oportunidades aqui. A primeira é pra quem tem dinheiro e está líquido. Quando a poeira baixar vai ser a hora de comprar ações de empresas que tem bons fundamentos e vão estar muito baratos. Então é a hora de estudar os balancetes e resultados das principais empresas na bolsa, escolher os que tem menos dívidas, estão menos alavancados e cujos nichos de mercado devem se recuperar primeiro.</p>
<p>Pra quem é jovem e estava afobado porque parecia estar atrasado pra entrar num mercado que não parava de crescer, pause um segundo, os mercados pararam de crescer. Na realidade o que vai acontecer é muita demissão. Por isso o valor de um profissional medíocre vai cair. Lembra? Oferta e demanda. Vai haver muita oferta, muito estoque sobrando, de pessoas que só fizeram cursos básicos ou tiveram formação inadequada e vai crescer a demanda por profissionais bem preparados, que já são raros hoje. Vocês acabaram de ganhar uns 2 anos ou mais pra estudar com calma, criar fundações sólidas, como eu venho repetindo sem parar em vários videos do canal.</p>
<p>E quando a maré virar, o mercado vai precisar de gente bem preparada. Eu disse isso antes e vou dizer de novo: com ou sem crise, o mercado sempre tem espaço pra gente competente de verdade, aquele que realmente faz a diferença no resultado da empresa. E agora você vai ter menos concorrência, porque a maioria quis pegar atalho pra surfar a onda, não fez fundações sólidas, escolheu cursos mais por serem curtos do que por serem bons. Evitaram as coisas difíceis e como o mercado só crescia, eles tinham espaço. Esse espaço vai começar a desaparecer a partir de agora. Eu disse isso no meu vídeo de Programação não é Fácil, se você tem uma posição que não é fundamental pra sobrevivência da empresa, fique preocupado. Claro, com o resgate do FED ainda vão sobrar muitas, mas se tudo der certo, pelo menos as piores vão falir.</p>
<p>Eu venho falando já pelo menos desde o começo de 2019 que por volta de 2020 ou 2021 vocês deveriam se preparar pra um período de correção dos mercados. Vocês prestaram atenção e fizeram isso? Se fizeram não tem nada a temer, vamos passar por uma longa tempestade, mas se você estiver preparado vai chegar até o final só molhado em vez de afogado. E por hoje eu vou acabar num cliffhanger pro próximo episódio onde eu vou fazer um novo vídeo sobre educação pra esse novo período e eu precisava da introdução de hoje pra continuar. Por enquanto seguimos Abril de 2020 em quarentena. Fiquem seguros e fiquem em casa, não contribua neste momento pra aumentar a estatística de contaminação. Se ficaram com alguma dúvida mande nos comentários abaixo, se curtiram o video mandem um joinha, assinem o canal, não deixem de clicar no sininho pra não perder os próximos episódios e ajudem o canal compartilhando com seus amigos. A gente se vê, até mais.</p>
]]></content:encoded><category>economia</category><category>negocios</category><category>akitando</category></item><item><title>[Akitando] #35 - Pequena retrospectiva 2018 e previsões 2019</title><link>https://akitaonrails.github.io/2019/01/04/akitando-35-pequena-retrospectiva-2018-e-previsoes-2019/</link><guid isPermaLink="true">https://akitaonrails.github.io/2019/01/04/akitando-35-pequena-retrospectiva-2018-e-previsoes-2019/</guid><pubDate>Fri, 04 Jan 2019 10:00:00 -0200</pubDate><description>&lt;div class="embed-container"&gt;
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&lt;h2&gt;DESCRIPTION&lt;span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="description"&gt;&lt;/span&gt;
&lt;a href="#description" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/h2&gt;&lt;p&gt;Feliz 2019!&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Este episódio está saindo um pouco atrasado por causa do recesso de fim de ano :-)&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Esta semana será um pouco curto mas quero deixar minhas impressões de alguns episódios chave de 2018 que sinalizam o que está por vir em 2019 e 2020.&lt;/p&gt;
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<h2>DESCRIPTION<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="description"></span>
    <a href="#description" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Feliz 2019!</p>
<p>Este episódio está saindo um pouco atrasado por causa do recesso de fim de ano :-)</p>
<p>Esta semana será um pouco curto mas quero deixar minhas impressões de alguns episódios chave de 2018 que sinalizam o que está por vir em 2019 e 2020.</p>
<p>Obviamente eu não ganhei o poder da onisciência ainda, então não posso prever o futuro, mas achei interessante deixar gravado minhas impressões pra comparar quando for 2020. Vamos ver.</p>
<p>Links:</p>
<ul>
<li>
<p>U.S. Economy Will Slow in 2019, May Enter Recession in 2020, Economists Forecast. Trump Administration Disagrees (<a href="http://fortune.com/2018/11/21/us-economy-slow-2019-recession-2020-economist-forecast/"target="_blank" rel="noopener">http://fortune.com/2018/11/21/us-economy-slow-2019-recession-2020-economist-forecast/</a>)</p>
</li>
<li>
<p>Silicon Valley&rsquo;s year of reckoning (<a href="https://techcrunch.com/2018/12/24/silicon-valleys-reckoning/"target="_blank" rel="noopener">https://techcrunch.com/2018/12/24/silicon-valleys-reckoning/</a>)</p>
</li>
<li>
<p>Uber, Pinterest and the rest of the 2019 IPO class emerged from the ashes of the Great Recession (<a href="https://www.recode.net/2018/11/28/18114790/2019-ipos-recession-uber-airbnb-pinterest-lyft-slack"target="_blank" rel="noopener">https://www.recode.net/2018/11/28/18114790/2019-ipos-recession-uber-airbnb-pinterest-lyft-slack</a>)</p>
</li>
</ul>
<h2>SCRIPT<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="script"></span>
    <a href="#script" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Olá pessoal, Fabio Akita</p>
<p>Primeiramente, Feliz 2019!</p>
<p>Eu devia ter lançado este vídeo no dia 2. Já tinha escrito o script dias atrás, mas resolvi usar o feriadão prolongado pra ficar largado no sofá tirando o atraso do Netflix. Aliás, pequena dica: Bird Box é uma droga, vejam meu review no Facebook, o link está na descrição. E finalmente estou assistindo Lucifer, já estou na terceira temporada. Agora vocês sabem porque eu não lancei este vídeo no dia 2.</p>
<p>Segundamente, sendo primeiro vídeo do ano, muita gente espera algum tipo de retrospectiva ou previsões. Até poucos dias atrás eu não sabia se tentaria fazer algo assim ou não. Bom, what the hell, vamos tentar.</p>
<p>Deixando claro que o objetivo não é fazer uma retrospectiva detalhada. Eu tenho zero vontade de discutir publicamente sobre política, então eleições, posse, ou qualquer dessas hashtags temporárias que já morreram, zero espaço. Zero vontade de ter que ficar apagando trolls esta semana.</p>
<p>Se for pra resumir rapidamente. Dispositivos, eletrônicos, nada de realmente importante. Tudo evoluções incrementais. Samsung S8 pra S9, iPhone X pra XS, bla bla bla.</p>
<p>Super tendências, Big Data, Inteligência Artificial, Realidade Virtual, Carros elétricos. Nada de interessante. Tudo que era hype 1 ano atrás, continua sendo hype agora. E vai continuar sendo pelos próximos anos. Não espere nada demais nessas áreas que já não sabemos.</p>
<p>Linguagens? Frameworks? Pff nada de interesante que vale a pena mencionar. Mesma coisa que em 2017, mesma coisa que em 2016, essa parte anda super estagnada e, de novo, só updates incrementais.</p>
<p>Vamos pra um dos meus assuntos favoritos. Criptomoedas. Se vocês ainda não assistiram, recomendo ver os vídeos que fiz da minha peregrinação blockchain aqui no canal. Em 2018 fui ver pessoalmente como andam as coisas em Seoul na Coréia do Sul, na Ilha de Malta e em São Francisco. Relaxem, o mercado está em queda mas ele tá longe de ter quebrado.</p>
<p>Uma coisa que já deixo de dica: se você segue qualquer grupo no Facebook, fóruns, grupos de whatsapp ou telegram ou perfil de twiteiro hipster que quer ganhar like falando mal. Bloqueie todos eles. Se tem uma coisa que eu fiquei tolerando o ano inteiro de 2018 foi o lixo que sai desses lugares. Mas realmente, nada de útil. Eu parei de seguir quase tudo, porque é bem inútil mesmo. Faça o mesmo. No máximo gente chutando previsões sem base nenhuma, ou propaganda, ou mais tentativas de aplicar golpes e pirâmides. A única coisa que eu ando acompanhando de leve são os gráficos. Atenha-se aos fundamentos.</p>
<p>Criptomoedas não é nada de mágico. São mercados financeiros, como qualquer outro. Todo mundo que fica se gabando &ldquo;ahhh o bitcoin fracassou, era tudo pirâmide mesmo, a bolha estourou, bla bla bla&rdquo; é um imbecil, porque o comportamento de 2018 era esperado. Eu estava prevendo que o preço poderia cair pra baixo dos USD 2000 ainda em 2018 e o suporte ficou na casa dos USD 3700. E sim, eu tenho muitos bitcoins em HOLD, que não pretendo mexer tão cedo porque também não tenho paciência pra ficar fazendo micro trades.</p>
<p>O que vocês esperavam, na real? No fim de 2017 todo mundo viu o rali parabólico que levou os preços a absurdos USD 20 mil. Foi rápido demais, tudo que sobe rápido demais, também cai rápido. Estamos repetindo o ciclo que aconteceu entre o fim de 2014 até começo de 2016. Se quiser comparar com outros ciclos, é menos ruim do que o crash da internet de 2001 até 2003. O mesmo de 2008 até 2010.</p>
<p>Eu diria que estamos num cripto winter que deve durar no mínimo até o meio de 2019, sendo mais realista, até 2020. Se você fez a besteira de comprar quando os preços estavam acima dos USD 10.000, se ferrou. Não é este ano que você vai realizar a menos que alguma coisa muito cisne negro aconteça.</p>
<p>Mas não foi só criptomoedas. Agora você precisa colocar as coisas em perspectiva. TUDO caiu no fim de 2018. Desde 2010 tudo vem subindo, ano após ano, consecutivamente melhor que o anterior. Como tudo vem se comportando desde a crise de 2008?</p>
<p>Veja a Alphabet/Google, ….. Despencou.</p>
<p>Veja a Apple, subiu, bateu o 1 trilhão e … despencou.</p>
<p>Até a Microsoft que eu diria que foi a empresa de tecnologia que deu as melhores notícias do ano, subiu, subiu, e …. também caiu.</p>
<p>O índice NASDAQ veio se recuperando desde o crash de 2001, subiu bem mas aí a crise de 2008 chegou, e caiu tudo de novo, então veio subindo, subindo e agora caiu tamb’em</p>
<p>O DOW JONES despencou espetacularmente.</p>
<p>O S&amp;P, o Standards &amp; Poor 500 despencou tambem!</p>
<p>Não foi só criptomoedas que despencou, tudo vem despencando, a economia como um todo. Tem várias teorias da conspiração do apocalipse econômico que vem por aí, se não em 2019, em 2020. Os juros estão altos, sinais de recessão nos Estados Unidos vem aumentando.</p>
<p>Eu não sou muito de acreditar em previsões de apocalipses, mas claro, cisnes negros realmente acontecem. Eu prefiro aceitar que ciclos econômicos existem. E é bom, porque quando está tudo em crescimento é muito fácil declarar sucesso. Mas é na correção do mercado que separamos o joio do trigo. Quem sobrevive ao longo inverno. A mamata acabou.</p>
<p>Em 2018, o  Google deu uma sucumbida em discussões controversas que tiraram o foco do que eles deveriam estar fazendo. O Facebook, só vem se dando mau com relações públicas, ano após ano, principalmente com o escândalo da Cambridge Analitica. A Apple vem desapontando ano após ano desde a morte de Jobs. A Microsoft é uma das poucas empresas de tecnologia que tem se mantido razoavelmente bem aos olhos do público. Claro, o market cap de todos eles continua gigante, mas a tendência dos papéis está se invertendo. Google ou Facebook, que outrora eram os bastiões da inovação e dos bons costumes estão cada vez mais aparecendo em pasquim de fofoca e mostrando suas verdadeiras cores. Eu não perderia meu tempo evangelizando nada delas.</p>
<p>A Microsoft está fazendo o que toda empresa de seu porte precisa mesmo fazer: saindo às compras. Depois de desastradas aquisições como a Nokia, ela vem adquirindo empresas interessantes. Em 2016 a Microsoft adquiriu a Xamarin, foi um passo extremamente importante e foi quando eu comecei a ficar mais otimista com a Microsoft. Esse merge ainda vem acontecendo internamente. Todo mundo está tentando avançar do .NET Framework pro .NET Core e toda a linha de produtos de desenvolvimento vem evoluindo até que rápido, como o Visual Studio Code que hoje é uma das melhores IDEs pra desenvolvedores.</p>
<p>O maior objetivo certamente foi a possibilidade de se ter uma plataforma .NET que consegue entregar aplicativos que são cross-plataforma, que rode em Windows, desktop Linux, Android e iOS. Soa familiar? Parece o antigo objetivo da Sun em “write once, run anywhere” ou “escreva uma vez, rode em qualquer lugar” que era o slogan do Java dos anos 90. No fim não funcionou exatamente assim, mas a Microsoft quer tentar. 2 anos depois ainda não chegamos exatamente lá no .NET Core também. Talvez leve 2 anos ou mais pra realmente chegar lá 100%.</p>
<p>E em junho de 2018 a Microsoft surpreendeu de novo adquirindo o gigante Github por nada menos que USD 7.5 bilhões. Falei da aquisição da Xamarin porque o novo CEO no lugar do fundador Chris Wanstrath será o fundador da Xamarin e atual Microsoft Corporate Vice President Nat Friendman, e o Chris Wanstrath vai reportar pra outro veterano da Microsoft, Scott Guthrie. Ainda é muito cedo pra dizer o que pode realmente acontecer com o futuro do Github. A transição parece tranquila até agora.</p>
<p>Pra outra uma perspectiva, vamos lembrar que nos últimos 10 anos todos nós ajudamos o Github a se tornar o maior repositório de código open source do planeta. Parece que foi ontem que eu conheci o Chris e o Tom Preston em 2009 em São Francisco. O Google tentou lançar seu próprio repositório, a própria Microsoft tentou, a Atlassian tentou, mas foi o suporte massivo da comunidade Ruby on Rails que ajudou a elevar a plataforma nos primeiros anos.</p>
<p>É irônico pensar que nos anos 90 a Microsoft era o inimigo número 1 do mundo open source. Quem não se lembra do julgamento antitruste dos Estados Unidos versus Microsoft em 2000 que levou Bill Gates ao banco dos réus e quase dividiu a empresa em 3 partes?</p>
<p>E quase 20 anos depois o maior repositório de código open source é agora propriedade da Microsoft. Essa nova geração sob liderança do Satya Nadella realmente está nos surpreendendo. Resta torcer pra eles terem aprendido a lição depois da Nokia, Skype e LinkedIn. Porém, é claro que o objetivo é alinhar as soluções de desenvolvimento como Visual Studio Code, alguma coisa do .NET Core, e as soluções de cloud da Azure. Ninguém faz caridade, e os stakeholders vão querer ver resultados de uma aquisição tão cara.</p>
<p>Em outubro, a IBM surpreendeu o mercado fazendo uma de suas aquisições mais caras. Nada menos do que USD 34 bilhões por ninguém menos que a RedHat. A idéia principal é elevar a IBM no jogo de Hybrid Cloud adquirindo plataformas do portfolio da RedHat como o OpenShift. Mas além disso a RedHat trás um portfolio amplo de soluções, incluindo o sistema operacional, soluções JBoss, Ansible e muito mais. Novamente, ainda é cedo pra dizer o que realmente vai acontecer mas a IBM vai querer vitaminar suas soluções de cloud corporativo usando esse portfolio. E, de novo, é uma das aquisições mais caras da IBM, os stakeholders vão querer ver resultados disso logo.</p>
<p>Eu achei esses episódios muito interessantes porque Xamarin, RedHat, Github são empresas de sucesso que surgiram justamente da guerra do mundo proprietário contra o mundo open source nos anos 90 e começo dos 2000. E 20 anos depois são os mesmos gigantes dos anos 90 que estão adquirindo essas empresas. Está acontecendo um shift no mundo open source que não pode ser ignorado.</p>
<p>Significa que muitos dos principais desenvolvedores do mundo open source, agora, estão na folha de pagamento de algumas das maiores empresas de tecnologia do mundo, incluindo na lista também Google, Facebook, Apple, Intel e outras. E isso inclui pessoas como Linus Torvalds, que trabalham pra Linux Foundation cujas contas também são pagas por essas mesmas Microsoft, IBM, Google, Intel, Apple e dezenas de outras.</p>
<p>Assista meu vídeo sobre a Controvérsia da Lerna vs a ICE, mas o mundo de Free Software nasceu com uma ideologia e uma cultura subversiva própria, que privilegia sempre o software, nunca grupos politizados, qualquer politização do código é errado. Open source sempre foi e sempre deverá continuar sendo meritocrático onde a qualidade do código se sobressai a qualquer outra coisa. Esse ideal se acelerou durante a primeira bolha da Internet do fim dos anos 90, tivemos a depressão do começo do século XXI e agora essa nova bolha de tech startups que começou a acelerar principalmente depois de 2010.</p>
<p>As principais tecnologias que usamos hoje começaram a se consolidar entre 2006 e 2010, isso inclui coisas como Ruby on Rails, Git, o amadurecimento do próprio movimento Ágil, o surgimento disso que hoje chamamos de “cloud”, o nascimento do mundo mobile moderno, a consolidação da web em cima do Chrome.</p>
<p>Mais uma década se passou depois disso, passamos pela crise de 2008/2009 e desde então iniciamos um crescimento sem parar. 10 anos depois finalmente estamos vendo consolidações. Por causa desse ritmo de abundância, nossa cultura de Free Software veio sendo corrompida.</p>
<p>Se o povo do mundo financeiro estiver correto, estamos meio próximos de uma nova correção de todos os mercados. Como eu mostrei antes, os mercados de tecnologia, como um todo, atingiram seus picos e todos dão sinais de correção. Não só em tecnologia, no mercado imobiliário se especula se estamos em outra bolha. Muitos especulam que a economia norte-americana pode entrar em recessão até 2020.</p>
<p>Nem tudo são más notícias, na última grande crise econômica de 2008 e 2009, uma nova classe de startups se iniciou. Ano que vem muitas delas planejam abrir seus IPOs, incluindo Uber, Lyft, Pinterest, Slack e talvez Airbnb. Startups que nasceram das cinzas de uma crise e se tornaram unicórnios.</p>
<p>Os IPOs de 2030 podem ser das empresas que consigam nascer e crescer da próxima grande crise. Crises não são fins do mundo, pra muitos são excelentes oportunidades de crescer com menos competição. Ciclos econômicos são inevitáveis.</p>
<p>Eu não sou profissional financeiro, mas pelo histórico e pela intuição, minha recomendação pessoal: agora não é o momento de fazer grandes compromissos financeiros. Se você já tem dinheiro, por outro lado, em breve será o momento de comprar barato. Imóveis ou investimentos. Se você não tem dinheiro, eu guardaria, porque podemos estar pra entrar numa recessão em 1 ou 2 anos.</p>
<p>Se você iniciou sua carreira em menos de 10 anos pra cá, você começou bem num mercado que estava em constante crescimento, portanto sempre tivemos boas oportunidades em todos os lugares. Agora é hora de refletir se sua carreira veio subindo por sua própria competência ou porque você conseguiu surfar um momento em que tudo estava subindo sozinho?</p>
<p>Em termos de carreira na nossa área de tecnologia, estamos num momento de consolidação. Como disse antes, eu não vejo nada particularmente interessante que valha a pena focar todas as suas energias. Já faz pelo menos uns 5 anos que nada de realmente interessante aparece, só vaporware, só hype, mas nada que se provou ainda. Então, não acredite em nenhuma propaganda que se auto-intitula a salvação da lavoura, porque não tem. Só consolidações. A diferença é que eu espero que você tenha investido nos seus estudos nos últimos anos porque se o mercado se retrair, a competição vai aumentar, a demanda vai cair, e o mercado vai começar a separar o joio do trigo.</p>
<p>Por acaso, a entrada no século XXI foi marcado por um grande crash e uma depressão em 2001. Quase 10 anos depois em 2008/2009. E agora em 2019 ou 2020 já temos sinais de que estamos pra passar por algo similar.</p>
<p>Sabe aquela conclusão errada que todo mundo toma? Qual tecnologia tem mais gente? Deve ser porque é a que tem mais oferta de emprego. É o que todos pensam, eu já disse isso antes e repito, é o pior lugar que você pode estar se as previsões se tornarem realidade, porque onde tem gente demais é justamente onde o valor vai cair mais quando a demanda geral cair.</p>
<p>Resoluções pra 2019? Se a recessão não chegar este ano, aceite a sorte. Use este ano pra investir o máximo que puder nos seus estudos. Em 2020 você vai precisar disso.</p>
<p>E claro, como eu disse, especialista ou não especialista, ainda não existe ninguém que pode prever o futuro com certeza, nem especialista financeiro, nem cartomante. Mas, os sintomas estão aí. Vai bobear? Ah sim, e mudar de país não resolve o problema, porque essa tal próxima crise pode ser global e justamente os países hipster que a molecada gosta vão ser os primeiros a ser afetados.</p>
<p>E é isso aí, eu sei que pra um começo de ano eu não trouxe exatamente boas notícias, e espero que eu esteja errado, mas eu não pretendo pagar pra ver. Eu já passei por pelo menos 3 ou 4 grandes crises mundiais neste século e nos anos 90 e 80. Essas coisas são naturais e precisam mesmo acontecer, não existe crescimento infinito, existem ciclos, toda grande subida deve seguir com uma grande queda.</p>
<p>Eu disse no episódio do Dia das Crianças que o mundo está ficando cada vez melhor, e apesar do que eu disse aqui, é verdade. Crises são naturais, elas precisam acontecer e toda vez nós voltamos melhores do que estávamos antes. Não estamos nem falando de extinção em massa ou o fim da humanidade nem nada remotamente perto disso. Estudem história, vejam por exemplo que a Terra já passou por diversos episódios de extinção em massa como a Extinção Cambriana, a Extinção Permiana, a Extinção Triássico-Jurássico e várias outras, e o planeta continua aqui. Não se preocupem, se a crise vier, a humanidade vai continuar crescendo depois. Quer fazer parte do grupo que vai sobreviver? Aprenda a ser anti-frágil - talvez eu fale disso em outro episódio.</p>
<p>E vocês, concordam? Discordam? Deixem nos comentários abaixo o que vocês acham que vai ser 2019. Se curtiram deixem um joinha, compartilhem com seus amigos, não deixem de assinar no canal e clicar no sininho. A gente se vê semana que vem, até mais!</p>
]]></content:encoded><category>mercado-de-tecnologia</category><category>economia</category><category>negocios</category><category>akitando</category></item><item><title>[Akitando] #21 - Entendendo Blockchain em São Francisco</title><link>https://akitaonrails.github.io/2018/10/25/akitando-21-entendendo-blockchain-em-sao-francisco/</link><guid isPermaLink="true">https://akitaonrails.github.io/2018/10/25/akitando-21-entendendo-blockchain-em-sao-francisco/</guid><pubDate>Thu, 25 Oct 2018 17:00:00 -0300</pubDate><description>&lt;p&gt;Disclaimer: esta série de posts são transcripts diretos dos scripts usados em cada video do canal &lt;a href="https://www.youtube.com/channel/UCib793mnUOhWymCh2VJKplQ"target="_blank" rel="noopener"&gt;Akitando&lt;/a&gt;. O texto tem erros de português mas é porque estou apenas publicando exatamente como foi usado pra gravar o video, perdoem os errinhos.&lt;/p&gt;
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<h3>Descrição no YouTube<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="descrição-no-youtube"></span>
    <a href="#descri%c3%a7%c3%a3o-no-youtube" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h3><p>Finalmente, para finalizar minha &ldquo;Peregrinação Blockchain&rdquo; pelo mundo, eu termino em São Francisco. Participei do evento Epicenter do SF Blockchain Week nos dias 8 e 9 de Outubro de 2018.</p>
<p>Neste episódio, além de descrever a situação atual dos Estados Unidos do ponto de vista de investidores ocidentais e orientais, vou explicar conceitos que NINGUÉM explica da forma certa em nenhum canal do Brasil. Os evangelistas brasileiros precisam aumentar o nível.</p>
<p>Esqueça canal de YouTuber financista, não sabem o que estão dizendo. Vamos aumentar o nível dessa conversa neste canal.</p>
<p>Neste episódio vamos falar de alguns dos problemas da discussão de Proof of Work e Proof of Stake e inclusive mencionar outras formas de consenso como Proof of Space-Time.</p>
<p>Vamos entender o que são secure enclaves, zero knowledge proofs, porque isso é importante.</p>
<p>Vamos também conhecer quem são as pessoas importantes que você deveria seguir (dica: nenhuma do Brasil) como Michael Arrington, Ella Zhang, Chengpeng Zhao, Vincent Zhao, Alex Shin e muitos outros, prestem atenção.</p>
<p>No final deste vídeo quero compartilhar com vocês minha enorme frustração com quem está representando o mercado de criptomoedas no Brasil: não temos ninguém aqui que tem uma fração da visão dos gigantes que eu vim conhecendo da Ásia, Europa e Estados Unidos.</p>
<p>Compartilhem este vídeo com todo mundo que você conhece que está interessado nesse mundo de blockchains e criptomoedas. Já passou da hora de alguém começar a separar o joio do trigo aqui no Brasil.</p>
<p>Links:</p>
<ul>
<li>The Secrets to FBG Capital’s Success May Not be So Secret (<a href="https://www.cryptoinvestor.asia/the-secrets-to-fbg-capitals-success-may-not-be-so-secret/"target="_blank" rel="noopener">https://www.cryptoinvestor.asia/the-secrets-to-fbg-capitals-success-may-not-be-so-secret/</a>)</li>
<li>How Binance Conquered The Cryptocurrency World With Help Of A Utility Token (<a href="https://www.forbes.com/sites/darrynpollock/2018/10/08/how-binance-conquered-the-cryptocurrency-world-on-the-back-of-a-utility-token/#4a0d264d33ef"target="_blank" rel="noopener">https://www.forbes.com/sites/darrynpollock/2018/10/08/how-binance-conquered-the-cryptocurrency-world-on-the-back-of-a-utility-token/#4a0d264d33ef</a>)</li>
<li>Proof-of-Stake &amp; the Wrong Engineering Mindset (<a href="https://medium.com/@hugonguyen/proof-of-stake-the-wrong-engineering-mindset-15e641ab65a2"target="_blank" rel="noopener">https://medium.com/@hugonguyen/proof-of-stake-the-wrong-engineering-mindset-15e641ab65a2</a>)</li>
</ul>
<h2>Script<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="script"></span>
    <a href="#script" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Olá pessoal, Fabio Akita</p>
<p>Terça falei de Malta, hoje é dia de São Francisco. Esta é a última parte da minha peregrinação blockchain. Em vez de quebrar em muitos episódios, preferi colocar tudo num único vídeo pra facilitar quem está interessado. Peço um pouco de paciência porque este vídeo vai ser mais longo que o normal.</p>
<p>(&hellip;)</p>
<p>Originalmente eu estava planejando ir só pra Malta e até ia descansar um dia em Roma voltando a tempo pro Brasil Game Show semana retrasada. Mas aí fiquei sabendo que iria ter o Blockchain Week em São Francisco então mudei o itinerário em cima da hora e aí virou uma zona. A viagem de Malta pra São Francisco foi terrível. Era pra ser um simples vôo de Malta pra Roma, de Roma pra Dallas e dali pra São Francisco. O Vôo de Roma pra Dallas atrasou, me ofereceram pra Londres e dali direto pra São Francisco. Daí esse vôo atrasou, tive que ir pra Chicago e de lá pra São Francisco. Daí esse vôo também atrasou e eu tive que passar a noite em Chicago. No total levou mais tempo do que ir do Brasil pra Coréia do Sul.</p>
<p>O Blockchain Week foi uma semana inteira de vários eventos. Eu participei de apenas um deles, o San Francisco Blockchain Week Epicenter, mas antes teve o ETH San Francisco e na sequência teve o CESC que foi o Crypto Economics Security Conference, e ao redor deles diversas empresas fizeram meetups próprios, empresas como a Ultrain, ICON, ou Shyft.</p>
<p>Eu só posso falar do Epicenter. E mesmo o Epicenter foi um evento dividido em 5 trilhas paralelas. Eu fiquei no Main stage que era o auditório maior e com os nomes mais pesos pesados, mas teve em paralelo a trilha Titans of Tech e Building Blocks que me pareceu mais voltado à apresentação das empresas patrocinadoras e painéis com investidores. E ainda teve 2 trilhas mais de workshop técnico chamado Blockchain Academy que era hands on nas diversas soluções que os patrocinadores estavam apresentando.</p>
<p>Pelo que foi explicado, o evento aconteceu ano passado também, e teve cerca de 300 pessoas. Por causa do boom do fim do ano passado o interesse cresceu muito, este ano parece que chegou a ter quase 2000 inscritos.</p>
<p>Um grande contraste com todos os outros eventos de blockchain, em Seoul, em Malta, e mesmo os do Brasil, o de San Francisco tinha um peso muito maior de programadores e produtos centrados em tecnologia. Só o fato de ter 2 trilhas inteiras de workshops técnicos já diz muito de porque Silicon Valley ainda é Silicon Valley.</p>
<p>Infelizmente foi impossível assistir todas as apresentações, então vou compilar as principais idéias que eu ouvi.</p>
<p>Assisti só 2 palestras na trilha de Titans of Tech. Uma empresa que eu ficaria de olho é a chinesa SV Insight. Eles fizeram uma pesquisa sobre o mercado global de criptomoedas, aplicações de blockchain em diversas indústrias e ICOs. Eles disseram que iam liberar o whitepaper completo dia 15 de Outubro que já passou, até o momento onde gravei este episódio ainda não achei pra baixar. Não ajuda muito que o site deles é em chinês, se alguém encontrar o report, não deixe de mandar nos comentários.</p>
<p>Um exemplo do problema do mercado geral de tech startups usando blockchains foi a sessão sobre TCR ou Token Curated Registries. Na prática imagine qualquer registro editado publicamente como Wikis ou mesmo listas de recomendação como Yelps ou similares. No caso a idéia vem de listas de ICOs que publicam endereços de wallets para enviar tokens para participar desses ICOs, uma lista editável podia ficar à mercê de agentes maliciosos colocando endereços falsos induzir as pessoas ao erro e roubar os tokens. Em vez de correr esse tipo de risco tiveram a idéia de inventar um registro público onde a edição é baseada em stake. Ou seja, se você quer editar uma informação você coloca seus tokens como garantia, se sua informação for votada como falsa, você perde seus tokens. Ë como o Proof of Stake para votos que muitos blockchains tem perseguido mas no caso para editar registros públicos. O painel teve representantes de duas startups a Dirt Protocol e a Messari. Ambos estão ainda em desenvolvimento, a Messari está em fase de protótipo. Ou seja, ainda não existem de verdade. E muito da falta de credibilidade do mundo de ICOs é justamente esse: muitas promessas mas muito pouco pra realmente se ver.</p>
<p>Do painel um insight que eu já ouvi antes: o maior problema desse tipo de solução é como conseguir adoção em massa? Um dos maiores problemas é a falta de usabilidade para uma pessoa comum. Já é difícil pra uma pessoa não técnica entender a idéia de custodiar suas chaves privadas. Mais difícil ainda fazer essas pessoas instalarem plugins como Metamask em seus navegadores para conseguir usar Dapps como esses baseados em TCR. Usabilidade é um dos problemas mais graves pra adoção em massa e a razão de porque exchanges centralizadas e custodiantes em forma de wallets centralizadas meio como uma Coinbase ainda vão fazer sentido e porque soluções como Exchanges Descentralizadas, as chamadas DEX, ainda tem um longo caminho a perseguir.</p>
<p>As sessões na Main Stage foram estruturadas na maioria como Fireside chats, basicamente painéis moderados com vários nomes e empresas conhecidas como John Burbank da Passport Capital, Jeff Schumacher da BCG Digital Ventures, Michael Arrington da XRP Capital e assim por diante. Não vou descrever um a um mas no geral os temas eram os mesmos que já ouvi em outras conferências.</p>
<p>Esses temas giram em torno das regulamentações, security tokens e tokenização de assets, blockchain sendo usados como balas de prata onde não precisa, governança das blockchain públicas e os problemas de credibilidade e adoção em massa.</p>
<p>Investidores como Michael Arrington deixam muito claro que odeiam regulamentações, em particular porque nos Estados Unidos a SEC classifica todo token como uma security e isso dificulta todo o ecossistema. O Arrington disse em alto e bom som: Fuck the SEC.
Se não me engano foi Naval Ravikant da Angellist que explicou isso melhor. Ano passado as criptomoedas quase conseguiram quebrar a barreira pra se tornar mainstream, pagamentos quase aconteceram, Wall Street quase entrou. Mas o bull run rápido demais foi péssimo. A febre incentivou ICOs ruins que falharam e queimaram o dinheiro de muito investidor.</p>
<p>O objetivo era correto, mas como tudo aconteceu rápido demais, o mercado caiu em busca de correção e todo mundo entrou em modo de defesa. China baniu ICOs. Coréia do Sul não chegou a banir as ICOs porque tem tanto investidor que mais de 200 mil fizeram um abaixo assinado ao governo para não banir, mas eles mantiveram uma recomendação para desencorajar ICOs. Japão também baniu ICOs e os Estados Unidos classificaram quase tudo como security, ficando à mercê da SEC.</p>
<p>Initial Coin Offerings tem como objetivo baixar a barreira de entrada para investidores individuais. Eu falei isso em outro episódio mas em Initial Public Offerings ou IPOs o investidor de varejo, as pessoas comuns, só tem a oportunidade de entrar depois que todos os grandes VCs e fundos de investimentos já fizeram a compra inicial mais barata e estão protegidos. Com ICOs qualquer um poderia entrar no começo. Mas com todas as incertezas regulatórias, nenhum ICO pode mais arriscar lançar em público, então a única outra saída é fazer lançamento privado, entre quatro paredes, somente para os grandes investidores, então os ICOs acabaram indo pelo mesmo caminho das IPOs e o investidor comum novamente ficou sem acesso. Esse é o resultado de regulamentação restritiva, as pessoas comuns são “protegidas” tanto de perder dinheiro quanto de ficar mais rico.</p>
<p>A idéia dos blockchains é que qualquer um pudesse ser um nó na rede e minerar via proof of work. Mas tanto Bitcoin como Ethereum acabaram crescendo rápido demais e a dificuldade de mineração por PoW centralizou o controle da mineração na mão de poucos pools que usam hardware caro e não acessíveis, que você compra de empresas como Bitmain. Então um usuário em casa não tem mais a possibilidade de participar do processo de mineração. Substituir proof of work por proof of stake significa que em vez de hardware específico você precisa colocar seus tokens em stake pra participar da votação da mineração, mas se esses coins não podem ser adquiridos por qualquer um e só podem ser obtidos por private sales, significa que nesse caso também vai haver centralização de quem teve possibilidade de adquirir muitos tokens na fase de pré-venda fechada.</p>
<p>Além desse problema da quebra da descentralização ainda tem o problema da credibilidade. Como eu expliquei nos episódios de Seoul, lá eles criaram uma estrutura informal conhecida como Syndicates. A forma de levar os tokens pras mãos das pessoas é via listing, ou listagem desses tokens nas principais exchanges como Bithumb ou Binance. Todo mundo quer ser listado. Mas pra isso você precisa passar pelos syndicates. Um dos painéis mais interessantes foi de novo com Michael Arrington fazendo perguntas à Jack Lee da HCM Capital, Alex Shin da Hashed, Shinhae Lee da GBIC, David Lee da Refactor Capital.
Era um painel de investidores do Ocidente vs investidores do Oriente. E o Arrington, como sempre sem travas na língua, levantou de cara essa questão: nós sabemos que existe essa estrutura, quanto vocês cobram pros ICOs listarem seus tokens? E de fato, o fee pode ir de 500 mil ou 1 milhão de dólares, e os syndicates chamam isso de budget de marketing (!!) Na prática, pra você conseguir listar sua startup numa Nasdaq também não vai sair nem um pouco barato. Achei engraçado porque nesse mercado existem várias estruturas desse tipo que todo mundo sabe que existe mas ninguém comenta oficialmente. É como uma máfia mesmo.</p>
<p>Também achei interessante o Alex da Hashed dizer que eles são uma crypto fund que investe em cerca de 65 startups mas somente 5 são da Coréia do Sul e dessas umas 3 são de amigos de faculdade dos fundadores. Faz você pensar sobre como os asiáticos estão investindo, onde estão investindo.</p>
<p>Nessa discussão também soltaram que por causa das pressões governamentais muitas empresas saíram da Coréia pra outros países como Singapura. Mas eles não recomendam Cingapura a menos que você seja asiático, não é um lugar fácil para abrir empresa, você só vai pra lá se não tem outra opção. Novamente, a falta de regulamentação clara tem causado várias empresas a peregrinarem de país em país, como eu disse no episódio anterior com a Binance relocando pra Malta onde as leis ficaram mais flexíveis. E isso porque na Coréia do Sul ganhos em cripto não são taxados.</p>
<p>Em paralelo, em outro painel tivemos Ella Zhang co-fundadora da Binance e a cabeça da Binance Labs, um fundo de investimento de 1 bilhão de dólares que estava anunciando uma incubadora em São Francisco, que já recebeu 500 aplicações e selecionaram 50 para iniciar no programa e estão filtrando pra 8 que devem ver se vão se tornar investimento ou não. Eles tomam 7% de equity por um seed de 100 mil dólares. No mesmo painel estava Vincent Zhou da famosa FBG Capital da Coréia do Sul. Vincent é exatamente o que os coreanos perseguem: ele era um trader que iniciou com um capital de 10 mil dólares alguns anos trás e transformou esse investimento em 100 mil dólares antes de 2017, chamou amigos pra investir mais e transformou isso em 200 milhões, e com isso abriu a FBG Capital onde 50% dos lucros ainda é em trading.</p>
<p>Eu achei interessante a quantidade de asiáticos nessa conferência, de sul coreanos a chineses até alguns japoneses. A Ásia não está ignorando o Ocidente, pelo contrário, eles querem um pedaço do jogo agora. Apesar dos Estados Unidos ser um dos lugares menos amigáveis pra ICOs eles precisam estar lá para influenciar o mercado e, por consequência, as agências reguladoras. Isso porque apesar de tudo o Japão, por exemplo, tende a querer jogar mais seguro e no final seguir o que os Estados Unidos fazem. E a Coréia do Sul tende a seguir o Japão.</p>
<p>Muitos tem restrições com lugares como Malta ou Chipre por conta da corrupção e lavagem de dinheiro. Então parece que a chave de tudo vai voltar a ser Silicon Valley. No momento em que os Estados Unidos conseguirem colocar uma regulamentação clara, o Japão, a Coréia do Sul e talvez a própria China sigam mais rápido na sequência, causando um efeito dominó do Ocidente para o Oriente. Então o mundo neste momento parece estar em estado de espera.</p>
<p>Apesar de não ser muito prático o que me fascina mais nessas conferências todas é ver a disputa de forças entre investidores ocidentais e orientais, a parte macroeconômica da coisa. Mas pra sair um pouco dessa discussão, vou rapidamente falar de outros assuntos diversos que ouvi por lá.</p>
<p>Ainda sobre modelos de negócio com blockchain, teve outro painel bacana com duas pessoas do mundo do entretenimento. A ex-youtuber Michelle Phan que as mulheres devem conhecer já que foi uma das mais famosas no mundo de estilo e maquiagem e o DJ Justin Blau. A Michelle explicou sua carreira e como os primeiros youtubers tiveram a vantagem de começar numa plataforma nova, mas depois dos primeiros 10 anos hoje youtubers de audiência similar a deles na época recebem 75% menos receita de ads. Por isso o modelo não é mais faturar com ads e sim com patrocínio tradicional, plataformas externas como Patreon. Justin também explicou os custos envolvidos no mundo da música, pesquisas dizem que o artista acaba levando no máximo 12% de tudo que gera. Aliás, eu acho fascinante ver artistas como Justin com um bom conhecimento de blockchains e token economics, coisa que eu nunca vi por aqui.
Enfim, existem muitos intermediários entre os geradores de conteúdo e os patrocinadores e por isso a discussão em plataformas como a Ara Blocks onde a idéia é meio como um security token, eu já falei isso nos vídeos da Coréia.</p>
<p>Falando em mais casos de uso, outro interessante foi o painel com Stephane de Baes da Elevated Returns e o Slava Rubin da Indie Gogo. O Stephane faz parte de um grupo que tem diversos imóveis. Justamente imóveis como o próprio nome diz, é um dos maiores armazéns de valor do mundo, trilhões de dólares. Mas eles são imobilizados, altamente Ilíquidos. Eles fizeram uma das primeiras tokenizações de um imóvel de verdade. Eles pegaram um resort que tem em Aspen, gerenciado pela Merriot, e tokenizaram uma porcentagem, não lembro se falaram 10%. Usaram o Indie Gogo pra fazer isso. Foi um negócio de uns 20 milhões de dólares sobre um imóvel lucrativo de 200 milhões, podem até pagar dividendos aos compradores dos tokens. A curiosidade é que 40% dos compradores são da Ásia, o raciocínio é que as pessoas da Ásia também querem se proteger e uma das formas de fazer isso é escolhendo comprar partes de um resort de Aspen, que é um imóvel americano, é mais ou menos a mesma coisa que estar num país de moeda fraca (como a nossa) e se proteger via exposição a dólar, mas desse jeito tem muito menos intermediários e qualquer um pode participar. É justamente uma das idéias de se usar tokens e blockchains para securitizar ativos, o que chamamos de digital assets.</p>
<p>Outro painel interessante foi novamente moderado pelo Arrington, tendo a participação da Cred, Uphold e Pricewaterhouse anunciando mais uma stablecoin, a Universal Dollar. A idéia é competir com moedas como o Tether e assim como ele estar lastreado no dollar. A Gemini se não me engano também tem uma assim e mais e mais empresas estão indo nessa direção. A parte interessante é que somente grandes fundos podem fazer isso porque você precisa garantir a liquidez desse token. Cada token emitido precisa ser auditado - e por isso a pricewaterhouse - pra garantir que ninguém está imprimindo dinheiro sem lastro. Cada 1 token precisa de 1 dollar. A vantagem? Nesse formato é como se você pudesse trafegar dollar livremente pelo mundo sem passar por bancos ou outras instituições. Todo mundo menos os Estados Unidos gostam dessa idéia. Fora isso você pode usar stablecoins como essa pra ser a moeda de meios de pagamento, eu falei disso nos vídeos da Coréia. E nesse caso específico eles tão mirando no mercado de crédito e empréstimos. Com isso você consegue encontrar no mundo todo quem quer emprestar e também no mundo todo quem precisa de crédito. Além disso eles querem padrozinar tudo no padrão ERC20 pra tokens via smart contracts na rede do Ethereum, e coins como Bitcoin poderiam ter um wrapper de ERC20 por cima deles, novamente convertendo 1 bitcoin pra 1 token deles e assim tudo trafegaria pelo mesmo protocolo, facilitando a interoperabilidade.</p>
<p>Pra quem é da área técnica um aspecto constantemente discutido é o problema da velocidade dos blockchains. Está claro que nenhum blockchain como Bitcoin, Ethereum ou derivados jamais vai ter capacidade pra ser de fato um meio de pagamento viável pra maioria das pessoas. Seja porque a velocidade é muito baixa, seja porque as taxas ficam caras demais quando há muito volume. Existem pesquisas e tentativas para melhorar isso direto nos protocolos. Por exemplo, o Ethereum quer lançar a versão Casper daqui algum tempo, que promete, entre outras coisas, substituir o atual Proof of Work por Proof of Stake ou pelo menos um híbrido entre os dois.</p>
<p>Eu expliquei acima porque Proof of Stake não é uma bala de prata.  Mas uma solução mais prática que não requer modificação direta nos protocolos é a utilização de side-chains ou layer-2 como os projetos da Plasma em Ethereum ou Lightning Network pro Bitcoin que, sim, continua em beta por mais algum tempo ainda. A idéia é simples: segurança e performance costumam ser um trade-off, eles são mutuamente exclusivos. Você não pode ter segurança absoluta e performance máxima ao mesmo tempo. Então você precisa diminuir a segurança pra ganhar performance. Numa rede como Lightning você pré-carrega um canal secundário com alguns dos seus coins favoritos, mas não tudo, o montante maior fica no layer-1 que é o protocolo original, mais lento, como Bitcoin. É que nem carregar um cartão pré-pago. Nesse layer-2 você tem alta performance, mas corre um risco maior de perder essa pré-carga, mas não tem problema, é o custo do negócio. É impossível ter zero risco em tudo, isso é gerenciar o risco e conseguir performance sem mudar o blockchain.</p>
<p>Falando nisso, começa a aparecer uma coisa meio óbvia: Proof of Work é caro demais mas é extremamente seguro, em particular nos casos excepcionais. Muitos estão forçando a substituição por Proof of Stake, mas isso eu acho barato demais ao ponto que é inseguro. Proof of Stake funciona no geral mas é muito fraco nos casos excepcionais Stake é basicamente colocar seu dinheiro na linha pra ter direito de assinar o bloco, se for votado que você fraudou, então você perde esse Stake. Vale a pena eu fazer uma tangente porque muita gente que só sabe ler headline assume que “ah, quando o Ethereum mudar de proof of work pra proof of stake, ele vai matar o bitcoin que consome energia demais”.</p>
<p>A maioria das pessoas é péssimo em pensar nos cisnes negros. Um sistema que tem a pretensão de ser usado pelas próximas décadas e ter garantias de integridade dos seus dados precisa ser resistente ao futuro e proteger o passado. Bitcoin de fato atinge isso. Na prática, todo nó minerador é um mini-fork da rede. A rede se reconcilia o tempo todo e a cadeia mais longa de blocos costuma vencer e os outros sincronizam dele. E podemos confiar no processo porque pra assinar um bloco alguém precisou gastar muito dinheiro para calcular o hash. Em proof of stake quem assina o bloco é quem tem o maior stake. No caso do bitcoin seria o equivalente a quem tem 51% do hash power da rede, que são atualmente os 3 maiores pools do mundo. E mesmo assim, não é possível reescrever a história fácil, é necessário recalcular o hash de todos os blocos do passado até o ponto que você quer, isso não só custa muito dinheiro mas custa muito tempo. 1 bloco hoje leva 10 minutos. Imagine recalcular 10 mil blocos. É bom ter um Fukushima no quintal pra isso. Em proof of stake você não tem essa proteção, qualquer um que controle o maior stake - apesar de muito improvável - tem poder ilimitado de reescrever a história se a rede não tem checkpoints ou pode causar um split da rede no caso de redes que tem checkpoint como o Casper do Ethereum. Em ambos os casos, proof of stake se mostra inferior ao proof of work em manter a integridade dos dados e da rede. O custo de energia não é à toa como muitos pensam e nem é tão caro assim se levar esses pontos em consideração. O próprio Vitalik, no seu painel, já fala em um possível 99% de Proof of Stake e 1% de Proof of Work para balancear melhor esse trade-off. E outras equipes estão procurando alternativas a Proof of Work e Proof of Stake como Proof of Space-Time.</p>
<p>Outras palestras técnicas interessantes falaram mais sobre outros aspectos da segurança de blockchains, nas palestras de David Chaum da Elixxir e Dawn Song da Oasis Labs. Por exemplo, por se falar em criptografia, dá impressão que os dados são “privados” mas na verdade é o contrário: o blockchain é transparente e público, é possível tirar muita informação somente pelos metadados e pelo rastreamento. Mais do que isso, um blockchain é um registro preciso de tempo, baseado em timestamps, então existe outro dado muito importante: a ordem das transações. É um dos motivos de porque blockchains não são bons pra eleições com voto secreto. Por isso existem outros tipos de blockchains como Dash, Zcash ou Monero que tentam adicionar uma camada a mais de anonimidade. Fica dica que em Zcash você precisa escolher fazer um wallet ser anônimo, ele não é anônimo por padrão. E no mundo do Ethereum, por causa disso existem as tentativas para implementar algo similar como zero knowledge proofs, particularmente zkSnarks. O conceito parece simples, onde você consegue saber se uma pessoa tem determinado segredo sem trafegar o segredo. Imagine um sistema que sabe que você sabe a senha sem que você precise dizer a senha. Mas a matemática e a implementação disso é extremamente difícil. Se você é cientista da computação, eis um excelente desafio.</p>
<p>Além disso você tem outros conceitos pra vocês pesquisar. Por exemplo, Homeomorphic encryption, pense um tipo de encriptação onde você pode realizar operações no dado encriptado e o resultado será igual às mesmas operações realizadas no texto não-encriptado. Dessa maneira você não precisa decodificar a encriptação e ainda assim pode operar nele. E isso sem falar em hardwares de segurança, como as instruções Intel SGX que permitem lidar com dados de segurança mesmo em computadores que foram comprometidos. Pense um lugar onde você poderia guardar sua chave privada no seu computador que não estaria vulnerável a nenhum vírus ou exploit porque está totalmente fora do controle do sistema operacional. A chave ficaria numa área de memória isolada que o sistema operacional simplemente não tem acesso, são os enclaves. E isso já existe hoje, caso vocês não saibam. Como cientista da computação essa é outra área que me atrai muito porque ficamos falando só de web, web e não vemos como existem várias outros algoritmos e hardware à nossa disposição que nunca nem discutimos a respeito.</p>
<p>Como podem ver, os painéis da San Francisco Blockchain Week foram bem mais interessantes do ponto de vista técnico do que o Delta Summit de Malta ou o Beyond Blocks de Seoul. Pelo menos em San Francisco eles estão mais preocupados com a implementação das coisas, nos outros países eles estão muito ainda em “o que é possível”. Por isso eu reitero o que disse no vídeo anterior de Malta: não existem experts nesse mercado. Ignore qualquer um que se entitule expert. Estamos ainda no estágio de early adopters. Eu venho repetindo isso faz tempo e ouvi sendo repetido nos eventos: é como se estivéssemos no começo dos anos 90, antes da invenção do browser, antes de saber que vai existir Amazon ou Facebook. Se você acredita em futuro, é um dos lugares mais fascinantes pra se estar.</p>
<p>Infelizmente o Brasil, pra variar, está atrasado e ficando mais e mais atrasado. Um dos maiores problemas é que os “top influencers” desse mercado são completamente diferentes de tudo que eu vi pelo mundo. Assim como na Ásia e norte da Europa, muitos aqui tiveram a sorte de apostar antes do bull run e ficaram ricos com criptomoedas. Porém diferente do que eu vi, eles não estão reinvestindo num ecossistema, e em vez disso estão com a cabeça minúscula de se fechar em seus próprios feudos. Um exemplo disso? Nós já temos perto do mesmo número de corretoras que se tem em Seoul ou Japão. Só que o volume de cripto negociado em todas as corretoras do Brasil é uma fração de somente 1 corretora da Ásia. É um número ridículo. E essa fragmentação acontece porque nenhuma das corretoras com maior volume tem a mínima noção de tecnologia. E todo mundo sabe disso, tanto que eu por exemplo acho mais fácil fazer a minha própria corretora do que confiar em qualquer uma que é lider do mercado, e pelo jeito eu não estou sozinho. E também por causa disso o exemplo que a população em geral tem é essa: pessoas que deram sorte mas não sabem o que estão fazendo. Completamente diferente de um CZ da Binance ou Vicent Zhao da FBG Capital. Outro exemplo? Nenhuma crypto fund foi fundada no Brasil ainda. E mesmo nesse estágio primário que estamos já existem fundos de investimento tradicionais vendendo fumaça como se fosse criptomoeda, sedimentando ainda mais a noção que os principais envolvidos no mercado de criptomoedas do Brasil estão interessados em dinheiro rápido e tem zero interesse em realmente criar uma economia de criptomoedas. Eu sou empresário, e por causa de exemplos como o que temos nesse mercado do criptomoedas do Brasil, eu não consigo discordar de quem fala mal de empresários brasileiros no geral. O que eu vi no mundo não tem nada nem parecido por aqui ainda. E isso porque eu disse que eles mesmos se consideram ainda early adopters num mercado que está só começando. Agora aqui o que eu vejo? Experts.</p>
<p>Enfim, isso conclui meus relatos sobre essa peregrinação blockchain. Vejam meus vídeos sobre a Coréia do Sul se ainda não assistiram, pra ter uma visão mais completa. Coloquem nos comentários se vocês já sabiam de tudo que eu relatei. Se gostaram do vídeo mantem um joinha, assinem o canal e cliquem no sininho. A gente se vê, até mais!</p>
]]></content:encoded><category>bitcoin-e-criptomoedas</category><category>economia</category><category>mercado-de-tecnologia</category><category>akitando</category></item><item><title>[Akitando] #17 - O Mundo Hoje É PIOR?</title><link>https://akitaonrails.github.io/2018/10/12/akitando-17-o-mundo-hoje-e-pior/</link><guid isPermaLink="true">https://akitaonrails.github.io/2018/10/12/akitando-17-o-mundo-hoje-e-pior/</guid><pubDate>Fri, 12 Oct 2018 17:00:00 -0300</pubDate><description>&lt;p&gt;Disclaimer: esta série de posts são transcripts diretos dos scripts usados em cada video do canal &lt;a href="https://www.youtube.com/channel/UCib793mnUOhWymCh2VJKplQ"target="_blank" rel="noopener"&gt;Akitando&lt;/a&gt;. O texto tem erros de português mas é porque estou apenas publicando exatamente como foi usado pra gravar o video, perdoem os errinhos.&lt;/p&gt;
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<h3>Descrição no YouTube<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="descrição-no-youtube"></span>
    <a href="#descri%c3%a7%c3%a3o-no-youtube" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h3><p>Se você acompanha as redes sociais, sua percepção é de que o mundo está cada vez pior, cada vez mais perto do apocalipse. Neste episódio vamos ver quão perto estamos chegando do fim!</p>
<p>Será que Thanos estava certo e precisamos exterminar metade da população do universo?</p>
<p>Links:</p>
<ul>
<li>Factfulness (<a href="https://www.amazon.com/dp/B0756J1LLV/ref=dp-kindle-redirect?_encoding=UTF8&amp;btkr=1"target="_blank" rel="noopener">https://www.amazon.com/dp/B0756J1LLV/ref=dp-kindle-redirect?_encoding=UTF8&btkr=1</a>)</li>
<li>Hans Rosling&rsquo;s 200 Countries, 200 Years, 4 Minutes - The Joy of Stats - BBC Four (<a href="https://www.youtube.com/watch?v=jbkSRLYSojo"target="_blank" rel="noopener">https://www.youtube.com/watch?v=jbkSRLYSojo</a>)</li>
<li>DON&rsquo;T PANIC — Hans Rosling showing the facts about population (<a href="https://www.youtube.com/watch?v=FACK2knC08E"target="_blank" rel="noopener">https://www.youtube.com/watch?v=FACK2knC08E</a>)</li>
<li>Religions and babies | Hans Rosling  (<a href="https://www.youtube.com/watch?v=ezVk1ahRF78"target="_blank" rel="noopener">https://www.youtube.com/watch?v=ezVk1ahRF78</a>)</li>
<li>The magic washing machine | Hans Rosling  (<a href="https://www.youtube.com/watch?v=BZoKfap4g4w"target="_blank" rel="noopener">https://www.youtube.com/watch?v=BZoKfap4g4w</a>)</li>
<li>Sapiens, Uma Breve história da Humanidade (<a href="https://www.amazon.com.br/Sapiens-Uma-Breve-Hist%C3%B3ria-Humanidade/dp/8525432180?tag=goog0ef-20&amp;smid=A1ZZFT5FULY4LN&amp;ascsubtag=go_726685122_54292137521_242594579893_pla-462820551277_c"target="_blank" rel="noopener">https://www.amazon.com.br/Sapiens-Uma-Breve-Hist%C3%B3ria-Humanidade/dp/8525432180?tag=goog0ef-20&smid=A1ZZFT5FULY4LN&ascsubtag=go_726685122_54292137521_242594579893_pla-462820551277_c</a>_)</li>
</ul>
<h2>Script<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="script"></span>
    <a href="#script" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Olá pessoal, Fabio Akita</p>
<p>Este vídeo provavelmente será o único desta semana, porque em vez de quebrar em 2 episódios decidi fazer um vídeo maior. Porque considero este assunto muito importante. Quero pedir um pouco de paciência hoje, mas acho que no final vai valer a pena. Vamos lá.</p>
<p>O mundo hoje parece estar constantemente piorando. Estamos em 2018 e existem tantos lugares enfrentando pobreza absoluta. Muitos lugares onde as mulheres não tem chances. Corrupção escalando pra níveis vergonhosos. Guerras e conflitos sem fim. Constante medo de terrorismo, caos social, altas taxas de mortalidade infantil. Até a mãe natureza parece estar contra nós.
E isso sem contar o explosivo aumento populacional. Já somos mais de 7 bilhões de pessoas na Terra e muito em breve já seremos 10 bilhões! O que vamos fazer? E, mesmo sabendo que a idéia de Thanos de acabar com metade da população pra resolver os problemas seja errado, muitos em silêncio começam a acreditar que genocídio seja uma solução!</p>
<p>Se você vê as notícias, o mundo parece ruim e piorando né? Pensando nisso, quero iniciar este episódio com 5 perguntas que vocês talvez já saibam as respostas. Vamos a elas:</p>
<p>Onde a maioria da população do mundo vive?
A: países de baixa renda
C: países de alta renda
B: países de renda média</p>
<p>Nos últimos 20 anos, a proporção da população do mundo vivendo em extrema pobreza …
A: dobrou
B: se manteve mais ou menos a mesma
C: diminuiu pela metade</p>
<p>No mundo todo, homens de 30 anos de idade gastaram na média, 10 anos na escola. Quantos anos mulheres de mesma idade gastaram na escola?
A: 9 anos
B: 6 anos
C: 3 anos</p>
<p>Quantas das crianças de até 1 ano de idade no mundo hoje foram vacinadas contra alguma doença?
A: 20%
B: 50%
C: 80%</p>
<p>Especialistas de aquecimento global acreditam que, nos próximos 100 anos, a temperatura média da Terra vai …
A: ficar mais quente
B: ficar a mesma coisa
C: esfriar</p>
<p>Vamos lá, vocês já sabem as respostas pra tudo isso não sabem? Se essa introdução fez você querer desligar o vídeo antes de cortar os pulsos, não desliguem ainda, acho que você vai se surpreender …</p>
<p>(&hellip;)</p>
<p>…</p>
<p>HA! É lógico que não é tão simples assim. Vamos ver porque você está errado na maioria das coisas que pensa e porque a solução de Thanos não resolve o problema mesmo se fosse posto em prática.</p>
<p>Vamos às respostas.</p>
<p>2 Onde a maioria da população do mundo vive?
(B: países de renda média)</p>
<p>Muita gente ainda pensa que o mundo é dividido em baixa renda e alta renda, pobres e ricos. No fim dos anos 70 era essa a estatística (imagem). Mas o mundo hoje vive no meio do caminho. Significa que estamos avançando.</p>
<p>3 Nos últimos 20 anos, a proporção da população do mundo vivendo em extrema pobreza …
(C: diminuiu pela metade)</p>
<p>Parece inconcebível pra muita gente, parece retórica. Pense comigo: a extrema pobreza caiu pela METADE. No MUNDO. Em 20 ANOS!</p>
<p>10 No mundo todo, homens de 30 anos de idade gastaram na média, 10 anos na escola. Quantos anos mulheres de mesma idade gastaram na escola?
(A: 9 anos)</p>
<p>Significa que estamos chegamos à igualdade de gêneros? Não, não. Muito longe disso. Mas significa sim que andamos um longo caminho desde a era onde homens e mulheres viviam em dois extremos completamente diferentes. E essa evolução não começou ano passado, na Califórnia, via Twitter.</p>
<p>Quantas das crianças de até 1 ano de idade no mundo hoje foram vacinadas contra alguma doença?
(C: 80%)</p>
<p>Tem noção do que esse número significa? Que a enorme maioria, quase todos os bebês do mundo hoje são vacinados. É outra concepção revolucionária. Significa que quase toda a humanidade hoje tem algum acesso a serviços de saúde básicas. Mas muito pouca gente sabe disso, na média só 13% das pessoas acertam essa pergunta.</p>
<p>Especialistas de aquecimento global acreditam que, nos próximos 100 anos, a temperatura média da Terra vai …
(A: ficar mais quente)</p>
<p>Se você se saiu mal, não se preocupe, você não está sozinho. Essa última pergunta sobre aquecimento global é a única que a maioria das pessoas acerta. Pense assim, se eu for no zoológico e mandar os .. pinguins escolherem, na média eles vão responder perto de 33% (um terço) em cada opção. A maioria da população, especialmente dos países mais ricos, tá pior que os pinguins. E os pinguins não veem Twitter. Talvez essa seja uma das respostas.</p>
<p>Em 7 de fevereiro de 2017 morreu um dos meus heróis pessoais. O professor sueco Dr. Hans Rosling, da GapMinder. Um homem genial que confirmou e me deu material para solidificar uma conclusão que eu achava que podia estar errada na minha cabeça: existem ainda grandes problemas no mundo, problemas que vão levar décadas pra serem solucionados. Mas no geral o mundo hoje está melhor, não perfeito, mas melhor e ficando ainda melhor.</p>
<p>As perguntas que fiz acima são da introdução do livro que ele ajudou a escrever pouco antes de morrer e que eu recomendo muito pra você, pra toda sua família e amigos. Factfulness, o livro que Hans escreveu com o auxílio de seu filho e sua nora, que gastaram os últimos 15 anos juntando fatos reais, dados estatísticos do mundo inteiro, de diversas fontes, pra criar um dos melhores bancos de dados que mede a história recente da humanidade, acessível hoje pelo site GapMinder.</p>
<p>Me deixe mostrar um dos seus trabalhos para vocês começarem a entender..</p>
<p>(video …)</p>
<p>Eu assisti esse vídeo primeiro em 2009, a versão acima é de 2012. Mas e hoje em dia? Como estamos? Vamos pegar a partir de 2009 e seguir até hoje para ver:</p>
<p>(site)</p>
<p>Yep continua seguindo a tendência que o Hans falou. A menos que comece a Terceira Guerra Mundial ou uma nova epidemia do tamanho da Febre Bubônica, no geral, tendemos a continuar nesse crescimento.</p>
<p>No YouTube mesmo você vai encontrar diversas apresentações de Hans que mostram mais dados e argumentos objetivos para que de uma vez por todas você tire da sua cabeça essa noção precária que o mundo está necessariamente ficando cada vez pior.</p>
<p>População. É um problema? Genocídio é a solução? Não e não é porque é inumano, mas porque é economicamente burro. Se o mundo fosse estático e nada evoluísse e não houvesse tecnologia e inovação, mesmo matando metade da população pra ficar “perfeitamente balanceado como todas as coisas deveriam ser”, nada ia mudar.
Você sabia que até mais ou menos os anos 1960 a população do mundo era 3 bilhões e crescemos para 7 bilhões hoje? Em pouco mais de meio século, a população dobrou. Mate metade da população. Daqui meio século dobramos de novo.</p>
<p>Então estamos ferrados? Vamos ter que castrar metade da população? Não sejam ridículos. É o que se leva a acreditar se você só leu livros como The Population Bomb, de Paul Erlich, de 1968.
1968!!
Nossos livros de história e nosso entendimento da sociedade estão defasados! 40 anos em muitos casos! E todo mundo continua repetindo as mesmas estatísticas defasadas.</p>
<p>Se você olhar a Wikipedia do Brasil, ela está errada!!! Olha isso: 75% da população com menos de USD 2 por dia?? É mentira. 1 bilhão de pessoas, dos 7 bilhões, vivem com USD 1 por dia ou menos, a extrema pobreza.
12.5% é completamente diferente de 75%. Parece propaganda política onde a gente ouve falar que tem “mais de 400 milhões de brasileiros na extrema pobreza …” :-D</p>
<p>Mas, e o descontrole de natalidade?? Até quando a população vai crescer?? Hans explica isso:</p>
<p>(&hellip; video)</p>
<p>Você sabia que já atingimos o pico de crianças? 2 bilhões. Vamos atingir 11 bilhões de pessoas até o fim do século. Mas quem vai preencher os 3 bilhões que faltam não são mais crianças.</p>
<p>(&hellip; video)</p>
<p>São adultos, as crianças de hoje que vão virar adultos. E à medida que o mundo melhora, naturalmente as famílias pulam de muitos bebês pra poucos, de 8, 5 pra média de 2. Já estamos em 2.5 na média. 2 crianças pra 1 casal, essa é a média, e dali em diante “estimamos” manter em 11 bilhões.
Porque? Porque nós não estamos parados. Passamos da revolução na agricultura, pra revolução industrial, e estamos continuamente evoluindo. Toda conclusão que você tira baseado que o mundo vai continuar igual daqui 100 anos, está errada. Segundo a previsão de 1 século atrás, não deveríamos ter conseguido entrar no século XXI.</p>
<p>E se você viu meus vídeos sobre a Coréia, já sabe de outra coisa. Onde estão esses 7 bilhões de pessoas? 1 bilhão nas América, 1 bilhão na Europa, 1 bilhão na África, 4 bilhões na Ásia! Sim, mais da metade do mundo vive no Oriente, não no Ocidente. E onde estarão esses 3 outros bilhões? Nas Américas e Europa já está quase estabilizado, as 2.5 a 2 crianças por casal. Na Ásia ainda vão surgir 1 bilhão e na África 2 bilhões, esses são os 11 bilhões totais. E finalmente a taxa de natalidade no mundo vai estabilizar perto de 2 crianças por casal. E pouco depois disso, é muito provável que o 1 bilhão abaixo da linha de extrema pobreza ultrapasse essa linha e continue crescendo.</p>
<p>Lembra a pergunta sobre a extrema pobreza e como ela vem diminuindo? Quero que você se lembre de um conceito importante: Qual é o estado natural da igualdade humana?</p>
<p>É a pobreza absoluta.</p>
<p>A humanidade não surgiu do nada, viemos evoluindo por milhões de anos, desde o primeiro ser unicelular, até nossos antepassados, dos australopitecos até o Homo Sapiens. Se você é do tipo que acha que deveríamos voltar a viver como os antepassados, ligados à natureza primitiva porque era “melhor”. Sabe porque antigamente as famílias antigamente tinham 6 filhos ou mais? Porque a natureza matava 4 de 6 filhos e a expectativa de vida no geral era metade do que é hoje.</p>
<p>E os resultados que Hans mostrou acima não foi graças a nenhum grande general, imperador, rei, monarca, ditador, estadista ou salvador da pátria. Não coincidentemente foi a primeira vez, na história da humanidade, em que tivemos um pequeno período de tempo pra tentar uma coisa nunca antes vista: tivemos liberdade pra inovar.</p>
<p>Por que eu acho esses números e essa perspectiva importante? Pra que você páre de achar que o mundo é a generalização do sensacionalismo que você vê na TV ou pior, nas redes sociais de “influenciadores” que você segue todo dia.
Se continuar olhando o mundo por essas lentes, sua visão de mundo será sempre pessimista, será sempre achando que as pessoas tão virando animais, que esse mundo não vale mais o seu esforço. É quando você começa a achar que a única saída é um Thanos.
Em vez de ser cínico com o mundo, torne-se cético com o que você consome. Mais acesso a informação de baixa qualidade é tão ruim ou pior que pouca ou nenhuma informação.</p>
<p>Mas como eu sei que todas essas previsões estão certas? E se você viu meu vídeo sobre Priorização eis um novo exemplo: nós não sabemos, ninguém pode ter certeza do futuro, isso é impossível. Tudo que eu mostrei aqui, como o próprio Hans repetiria, não são previsões, são estimativas. Lembra? São duas palavras distintas. Estimativas são ordens de grandeza, tendências a partir de dados passados. Nem eu, nem o Hans estamos afirmando que é exatamente isso que vai acontecer. Nem estamos dizendo que podemos sentar em berço esplêndido e não fazer nada porque tá tudo predestinado a dar certo. Essa seria uma conclusão idiota. Da mesma forma, se você ainda tem uma “opinião” contrária, você tem somente isso: uma estimativa. Nenhum “especialista” pode prever isso. Mas eu estou argumentando que os dados da GapMinder são muito melhores do que a do seu político ou twiteiro de estimação.</p>
<p>Notícias boas, como 80% das crianças até 1 ano tendo mínimo acesso a vacinas não vende ads no blog. Dizer que vacinas podem ser ruins vende ads. Noticiar que na média as mulheres estudam quase o mesmo tanto que os homens de mesma idade já faz anos não vende ads, dizer que nada mudou e existe guerra de gêneros vende ads.</p>
<p>A quem beneficia repetir que o mundo é horrível e as pessoas são horríveis? Beneficia quem vende soluções mágicas, estalares de dedos, salvadores da pátria. Beneficia quem quer colher frutos sem plantar, sem se esforçar.
Duvide qualquer um que está dividindo o mundo entre nós e eles. Guerras vendem notícias.
O objetivo deste vídeo não é dizer que o mundo é colorido e perfeito. Longe disso. É sim enfiar na sua cara o fato que gente que estuda, gente que trabalha, gente que produz, estão tornando essa revolução possível. E até o fim deste século, com muito trabalho, muito suor, e muito esforço, o MUNDO ainda vai nos surpreender.</p>
<p>Os dados apontam que estamos ainda na direção certa. Esse é meu recado e o que eu espero pro futuro. E eu não estou esperando sentado, eu estou fazendo o possível para colaborar com esse caminho, produzindo. Que tal fazer parte desse caminho? Construir em vez de destruir?</p>
<p>O que vocês acharam deste vídeo? Consegui mudar pelo menos um pouco sua visão de mundo? Não deixem de comentar abaixo. Se gostaram desse vídeo mandem um joinha, assinem o canal e não deixem de clicar no sininho pra não perder os próximos vídeos. A gente se vê, até mais!</p>
]]></content:encoded><category>ciencia</category><category>economia</category><category>akitando</category></item><item><title>[Akitando] #5 - Liberdade Econômica, Cripto no Brasil, e para onde aponta o futuro?</title><link>https://akitaonrails.github.io/2018/08/28/akitando-5-liberdade-economica-cripto-no-brasil-e-para-onde-aponta-o-futuro/</link><guid isPermaLink="true">https://akitaonrails.github.io/2018/08/28/akitando-5-liberdade-economica-cripto-no-brasil-e-para-onde-aponta-o-futuro/</guid><pubDate>Tue, 28 Aug 2018 17:00:00 -0300</pubDate><description>&lt;p&gt;Disclaimer: esta série de posts são transcripts diretos dos scripts usados em cada video do canal &lt;a href="https://www.youtube.com/channel/UCib793mnUOhWymCh2VJKplQ"target="_blank" rel="noopener"&gt;Akitando&lt;/a&gt;. O texto tem erros de português mas é porque estou apenas publicando exatamente como foi usado pra gravar o video, perdoem os errinhos.&lt;/p&gt;
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<h3>Descrição no YouTube<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="descrição-no-youtube"></span>
    <a href="#descri%c3%a7%c3%a3o-no-youtube" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h3><p>Estamos quase lá! Penúltimo episódio da minha série sobre Seoul e as conferências de criptomoedas. Neste episódio vamos dar mais contexto sobre a principal finalidade do mundo de criptomoedas: Liberdade Econômica.</p>
<p>Links:</p>
<ul>
<li>Spotniks (<a href="https://www.youtube.com/watch?v=TO8yBl48DTQ"target="_blank" rel="noopener">https://www.youtube.com/watch?v=TO8yBl48DTQ</a>)</li>
<li>How Africa is Becoming China&rsquo;s China (<a href="https://www.youtube.com/watch?v=zQV_DKQkT8o&amp;t=1s"target="_blank" rel="noopener">https://www.youtube.com/watch?v=zQV_DKQkT8o&t=1s</a>)</li>
<li>Hans Rosling&rsquo;s Factfulness (<a href="https://www.amazon.com/Factfulness-Reasons-World-Things-Better/dp/1250107814"target="_blank" rel="noopener">https://www.amazon.com/Factfulness-Reasons-World-Things-Better/dp/1250107814</a>)</li>
<li>Coin Trade Monitor (<a href="https://www.cointradermonitor.com/preco-bitcoin-brasil.php"target="_blank" rel="noopener">https://www.cointradermonitor.com/preco-bitcoin-brasil.php</a>)</li>
<li>Coin Dance (<a href="https://coin.dance/volume/localbitcoins"target="_blank" rel="noopener">https://coin.dance/volume/localbitcoins</a>)</li>
<li>Futuro Descentralizado (<a href="https://www.facebook.com/futurodescentralizado/videos/480546089063148/"target="_blank" rel="noopener">https://www.facebook.com/futurodescentralizado/videos/480546089063148/</a>)</li>
<li>OmniTrade (<a href="https://omnitrade.io"target="_blank" rel="noopener">https://omnitrade.io</a>)</li>
</ul>
<h2>Script<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="script"></span>
    <a href="#script" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Olá pessoal, Fabio Akita</p>
<p>No episódio anterior vimos sobre a diferenciação de Security Tokens e Utility Tokens E o caminho que muitos países têm tomado em torno das regulamentações.</p>
<p>Essa discussão não tem uma conclusão “final” porque em última instância depende do congresso de cada país passar as regulamentações, mas mais e mais o discurso tem sido menos agressivo e mais razoável em torno de criptomoedas, em particular no lançamento das ICOs. O fator que freia todo mundo são episódios como o crescimento parabólico do ano passado, que não é bom pra ninguém, nem mesmo pros crypto funds, porque você cria um cenário irreal para investimento. Todos concordam que foi bom a correção ter acontecido logo, preparando o terreno para um novo bull run em breve. O fim do ano passado foi só uma prévia do que está por vir e um aviso para os interessados na infraestrutura estarem preparados.</p>
<p>Nos discursos de vários palestrantes, notoriamente como de Roger Ver - principal evangelista do Bitcoin Cash - é a liberdade econômica que esse novo mercado de criptomoedas proporciona. Uma forma de troca de valor que não depende de um banco central nem de um governo, moedas que podem cruzar fronteiras e inclusive quebrar a soberania de países. Muitos podem ser céticos quanto a isso, mas pergunte a um Venezuelano quais opções ele tem.</p>
<p>Obviamente é consenso entre os participantes dessa comunidade que security tokens não deveriam ser proibidos. E que, no mínimo deveriam ser diferenciados os tokens que representam investimento numa startup e outras que tem utilidade para coisas como pagamentos. Muitos inclusive apostam que estamos por ver ainda uma nova era de Security Tokens.</p>
<p>Liberdade econômica é a principal promessa de um mundo movido a criptomoedas. Dar acesso a qualquer um de participar de startups que no futuro se tornem a próxima Amazon ou o próximo Paypal. Hoje em dia, o cidadão comum não tem acesso a esse tipo de investimento - só depois de um IPO, quando muitos dos investidores iniciais - que compraram barato - já inclusive saíram do investimento e realizaram lucros seguros às custas do risco que a população em geral vai incorrer quando as ações vão a público.</p>
<p>Assim como criptomoedas são a resposta ao monopólio do controle monetário dos bancos centrais e o terrível oligopólio dos bancos privados, ICOs são a resposta ao mercado de securities, bolsas, corretoras de fundos de investimentos tradicionais. Assim como não é do interesse dos bancos concorrer com criptomoedas - e por isso toda vez que você ver um banco falar mal de criptomoedas você sabe porque. Também não é do interesse de fundos tradicionais ou outros intermediários do mundo das bolsas ver ICOs funcionando fora do seu controle, por isso também quando você vê um JPMorgan falando mal de ICOs, você também sabe porque.</p>
<p>Diversos projetos famosos nasceram de ICOs, incluindo o grande Ethereum, o recente EOS, e outros como Telegram, Bluzelle, até o famigerado Petro e muitos outros. Só em termos de criptomoedas, que englobam os conhecidos Bitcoin, Litecoin, Ripple e ademais, existem perto de 2.000 moedas. Muitas delas vão morrer, claro, mas no futuro próximo, a visão não é que vão existir menos moedas. Segundo Chengpeng Zhang (mais conhecido como CZ) e fundador da monstruosa Binance, no futuro haverão milhares de mais moedas. O desafio das corretoras será ofertar ao público dezenas de milhares de digital assets. Não só moedas, mas tokens em geral.</p>
<p>A Binance é um case nesse sentido, em 1 ano, sendo uma corretora exclusivamente negociando pares de criptos, sem incluir moedas fiat (fiduciárias), eles tem hoje 10 milhões de usuários. Nasceram na China mas a Ásia em geral adora eles. CZ é praticamente um Steve Jobs, o povo queria tirar selfies e pedir autógrafo. A afirmação do CZ que o mundo pode ter milhões de criptomoedas ou tokens faz muito sentido!</p>
<p>E eu tendo a concordar. Pense comigo. Por causa do episódio Napster e depois os dias de BitTorrent com casos como The Pirate Bay, o consenso foi que para distribuir assets digitais como música a única forma é através de um intermediário que controla a distribuição, o famoso modelo iTunes iniciado pela Apple e replicado com sucesso em outros jardins fechados como a Apple App Store, Google App Store, Steam, Netflix, Amazon Prime e assim por diante, pulando de modelos de compra para modelos de assinatura, mas o principal: com a identidade e unicidade da distribuição ou do uso, controlado por uma entidades privadas centralizadas.</p>
<p>A idéia de mecanismos como blockchain é permitir a transferência de propriedade de um asset digital de forma única, com consenso que independe de centralização. É isso que muda tudo.</p>
<p>E num mundo onde esse mecanismo se torna ubíquito, qualquer coisa é tokenizável. Pense seus créditos de Playstation Store, Xbox Store, pontos da Smiles, qualquer coisa que hoje representa um valor e é controlado por uma entidade centralizada poderia ser facilmente um asset digital negociável. Você poderia livremente negociar suas milhas por créditos de XBox. E isso é um caso de uso pequeno.</p>
<p>Parece que nesse momento, no pós-crash de 2017, incluindo a reação de diversas instituições dos diversos governos, estamos falando mais em como criar um ecossistema sustentável de ICOs, com algum nível de regulamentação, mas nada draconiano que ferem as liberdades econômicas dos indivíduos.</p>
<p>Enquanto alguns governos estão patinando nessa discussão, outros países estão mais dispostos a experimentar os riscos. Nos Estados Unidos, no Brasil e outros países, ICOs que sejam categorizados como distribuição de security tokens devem ser registrados na SEC ou na CVM aqui.</p>
<p>Como vai acontecer: em vez de abrir uma empresa em países regulados, você pode simplesmente abrir em países não regulamentos ou explicitamente amigáveis a ICOs como Estônia, Rússia, Ilhas Cayman, Gibraltar e oferecer os coins lá. Listar em corretoras abertas em países igualmente abertos, principalmente se for uma corretora que só opera cripto-para-cripto como a Binance.</p>
<p>Em países regulados, você pode negociar suas moedas fiduciárias em corretoras que negociam pares de fiat-para-cripto e mover suas coins para corretoras de fora. E assim participar do mercado de ICOs como bem quiser. Sem necessidade de alguém autorizando ou não.</p>
<p>Por isso os países restritivos vão precisar rever seus conceitos logo, porque a idéia de criptomoedas é justamente romper as barreiras geopolíticas. Em seu mundinho pequeno, você pode achar que não tem valor nenhum para você. Mas pergunte a um venezuelano e ele vai lhe dizer como a vida dele seria muito mais difícil sem criptomoedas. O governo destruiu a Venezuela, em 1 ano eles cortaram 11 zeros da moeda. O preço de imprimir a moeda ficou mais caro do que a moeda em si. Esse é o nível da hiperinflação que assola o país. E mais um aviso de porque governos populistas são os menos confiáveis. Você não tem nenhuma garantia que seu dinheiro na poupança vai existir daqui 10 anos. Por isso mesmo, quem pode nunca deixa todo seu dinheiro num país só. Você acha que não deveria confiar em criptomoedas? Eu acho que não se deveria confiar em governos da América Latina, ponto. Eu jamais deixaria todos os meus ativos acumulados no Brasil, e é por isso que estou tão interessado na Ásia.</p>
<p>Os ocidentais até tem uma noção disso, mas a Ásia é muito mais populosa que o Ocidente. Se você não tem idéia. Pense assim, as América tem 1 bilhão de pessoas. A Europa tem 1 bilhão de pessoas. O continente africano tem 1 bilhão. 4 bilhões estão na Ásia. A taxa de crescimento populacional nas américa, Europa e Ásia já estabilizou. Em alguns anos será a África a crescer demasiadamente, então vamos ficar com 1 bilhão nas Américas, 1 bilhão na Europa, 3 a 4 bilhões na África e 4 bilhões na Ásia.</p>
<p>Seu mundo é muito pequeno se você pensa só nas Américas e na Europa. Qualquer coisa que vai ter impacto global, seja economicamente, climaticamente ou qualquer coisa assim vai vir primeiro da Ásia e depois da África. Você sabia que sabendo disso, hoje a África é a China da China? Veja este vídeo.</p>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=zQV_DKQkT8o"target="_blank" rel="noopener">https://www.youtube.com/watch?v=zQV_DKQkT8o</a></p>
<p>Moedas são um conceito financeiro. Você provavelmente ou viveu ou lembra seus pais falando da hiperinflação que passamos nos anos 80 até meio dos 90. O “remédio” para isso envolveu a criação de uma segunda “moeda”, em termos atuais, uma “stable coin” que serviu para nos “ensinar” a viver numa economia estável, sem grandes variações de preço. Foi uma moeda virtual paralelo no dia a dia da economia que poderia ser o equivalente a uma Bitcoin hoje. Ela foi a URV, que ajudou a limpar o caminho antes da entrada do Real. Se você não conhece a história recomendo a assistir este filme brasileiro que conta um pouco dessa história.</p>
<p>Voltando ao ponto, em resumo, a maior parte das conferências ficou centrado em muitas das startups abrindo ICO apresentando porque você deveria investir nelas - e eles fazendo pitch para as corretoras para ver se eles conseguem ser listados numa Binance. E a discussão de representantes de diversos países discutindo a situação atual de regulamentação, incluindo um pitch forte para países irem ver como está Taiwan, Malta, Suíça, Cingapura, por exemplo. E um recado aos países Ocidentais que se eles ficam relutantes por muito tempo, vai ser tarde porque a Ásia e o Leste Europeu estão acelerando.</p>
<p>Eu fiz algumas pesquisas, a América do Sul é um caso vergonhoso de adoção de criptomoedas. Como sempre, estamos uns 5 anos pra trás de todo mundo. Veja o Brasil, se você procurar saber quão o volume de transações digamos que num dia normal sejam registrados cerca de 700 BTC negociados por dia. Em todas as corretoras.</p>
<p>Isso é ridículo. A Venezuela sozinha negocia isso numa única corretora. O mesmo vale pra Colômbia e se não me engano até no Peru. Uma única corretora negocia isso por dia. Uma única pequena corretora dos Estados Unidos negocia 5 a 10 vezes isso por dia, e isso porque eu disse no vídeo anterior que só 1% da população tem criptomoedas de alguma forma.</p>
<p>No Japão? Só a bitflyer que é uma das maiores corretoras negocia quase 300 mil bitcoins por dia. O mesmo vale pra Coréia do Sul. A Binance, sozinha negocia quase 50 mil BTC por dia. Estamos falando de volumes nunca vistos na América do Sul.</p>
<p>Some a isso ao fato que nosso mercado é pobre em tecnologia e em visão de negócios. Desses 700 BTC eu não ficaria surpreso de confirmar que metade do valor é basicamente nulo, são negociações automatizadas para inflar o volume, sem equivalente em lastro de criptomoedas. Então o Brasil como um todo, se negociar 300 BTC por dia, é muito.</p>
<p>Para um país que tem quase 4 vezes o PIB da Colômbia, nosso resultado em criptomoedas é vergonhoso, pra dizer o mínimo. E ICO? Vc já ouviu falar de alguma, onde são negociadas? Quais os modelos??? Realmente temos um longo caminho a perseguir.</p>
<p>O povo em geral não gosta de riscos mas gosta de superstições, messias e salvadores da pátria. É um povo acostumado a terceirizar seu futuro a figuras folclóricas que acham que vai fazer melhor do que ele. De chavistas, a castristas, a peronistas, ninguém aprende com a história e continua apostando seu futuro num messias. Asiáticos e Norte Americanos tendem a ser mais individualistas: meu futuro é meu, deixa que eu cuido. Se eu fizer merda, perco tudo, mas eu que perdi, não um falso messias que perdeu por mim. Por outro lado, se eu ganhar horrores é tudo meu, que ninguém venha me tirar. Esse é o correto e o que garante a contínua evolução da humanidade.</p>
<p>Outro ponto importante que foi levantado na palestra de Jason Han da Kakao. Quando o browser foi inventado no começo dos anos 90, já existia 2% da população mundial usando a Internet de alguma forma, mesmo que bem primária como troca de e-mail e vendo páginas de conteúdo de universidades. O uso de criptomoedas no mundo ainda está nos 0.2%. E mesmo assim já temos o market cap de agora. Estamos caminhando para os 2%, imagine o crescimento exponencial a partir dali. Eu já disse isso em outros canais e repito aqui: estamos na era pré-browser, pré-amazon, pré-google, imagine as possibilidades.</p>
<p>Nossa missão? Chegar aos 2%, nesse ponto vamos começar a ver a matemática exponencial começar a gerar resultados mais palpáveis para a maioria da população. Este é o começo, você tem a oportunidade de entrar logo no começo. Os próximos 10 anos prometem.</p>
<p>No próximo episódio eu vou concentrar a maioria das startups que estavam presentes nos eventos numa montagem mais rápida para finalizar o assunto da Coréia. O que acharam deste episódio? Não deixem de comentar abaixo, dêem um joinha se gostaram e assinem o canal e cliquem no sininho para não perder nenhum episódio!</p>
]]></content:encoded><category>bitcoin-e-criptomoedas</category><category>economia</category><category>mercado-de-tecnologia</category><category>akitando</category></item><item><title>Criptomoedas: É uma Bolha? Isso Importa?</title><link>https://akitaonrails.github.io/2017/12/05/criptomoedas-e-uma-bolha-isso-importa/</link><guid isPermaLink="true">https://akitaonrails.github.io/2017/12/05/criptomoedas-e-uma-bolha-isso-importa/</guid><pubDate>Tue, 05 Dec 2017 10:36:00 -0200</pubDate><description>&lt;p&gt;Obs: este post é uma continuação do meu artigo anterior &lt;a href="http://www.akitaonrails.com/2017/11/30/de-10-mil-e-alem-discutindo-criptomoedas"target="_blank" rel="noopener"&gt;&amp;ldquo;De 10K pra Frente&amp;rdquo;&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Essa é a pergunta de um milhão de dólares. Ou de um bilhão!&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Se você assistiu ao lendário filme &amp;ldquo;A Rede Social&amp;rdquo;, conhece a versão romantizada da igualmente lendária criação do Facebook. E provavelmente sabe tudo sobre os antagonistas do filme, os Gêmeos Winklevoss.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Mas como o filme se encerra nos primeiros anos do Facebook, há mais de uma década, é bem provável que você não saiba que esses mesmos gêmeos apostaram pesado em criptomoedas. Enquanto influenciavam a legislação de Nova York, eles investiram USD 11 milhões dos USD 65 milhões recebidos no acordo do Facebook. Em 2013, isso lhes permitiu comprar 1% das moedas disponíveis. O que significa que eles se tornaram os primeiros &lt;a href="https://www.theverge.com/2017/12/4/16732952/winklevoss-twins-bitcoin-billionaires-surge"target="_blank" rel="noopener"&gt;Bilionários das Criptomoedas&lt;/a&gt; (com &amp;ldquo;B&amp;rdquo;!)&lt;/p&gt;</description><content:encoded><![CDATA[<p>Obs: este post é uma continuação do meu artigo anterior <a href="http://www.akitaonrails.com/2017/11/30/de-10-mil-e-alem-discutindo-criptomoedas"target="_blank" rel="noopener">&ldquo;De 10K pra Frente&rdquo;</a>.</p>
<p>Essa é a pergunta de um milhão de dólares. Ou de um bilhão!</p>
<p>Se você assistiu ao lendário filme &ldquo;A Rede Social&rdquo;, conhece a versão romantizada da igualmente lendária criação do Facebook. E provavelmente sabe tudo sobre os antagonistas do filme, os Gêmeos Winklevoss.</p>
<p>Mas como o filme se encerra nos primeiros anos do Facebook, há mais de uma década, é bem provável que você não saiba que esses mesmos gêmeos apostaram pesado em criptomoedas. Enquanto influenciavam a legislação de Nova York, eles investiram USD 11 milhões dos USD 65 milhões recebidos no acordo do Facebook. Em 2013, isso lhes permitiu comprar 1% das moedas disponíveis. O que significa que eles se tornaram os primeiros <a href="https://www.theverge.com/2017/12/4/16732952/winklevoss-twins-bitcoin-billionaires-surge"target="_blank" rel="noopener">Bilionários das Criptomoedas</a> (com &ldquo;B&rdquo;!)</p>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=4e0n7vTLz1U"target="_blank" rel="noopener"><img src="https://akitaonrails.s3.amazonaws.com/assets/image_asset/image/666/1_jAbJ-MalRwmEYpae6FdZ1A.jpeg" alt="Um bilhão de dólares"  loading="lazy" /></a></p>
<p>Então, isso é &ldquo;A Rede Social Parte 2: A Ascensão das Criptomoedas&rdquo;.</p>
<p>2017 foi uma montanha-russa para as criptomoedas em geral, e para o Bitcoin em particular.</p>
<p>Faz menos de 10 dias que chegamos ao &ldquo;mais de 9000!&rdquo;</p>
<p><img src="https://akitaonrails.s3.amazonaws.com/assets/image_asset/image/668/It_s_over_9000.jpg" alt="Over 9000"  loading="lazy" /></p>
<p>E poucos dias depois, o Bitcoin cruzou a barreira dos 10.000! E quando todo mundo achava que era o limite, ele continuou subindo, na maior e mais rápida alta da história das criptomoedas.</p>
<p>No momento em que escrevo este artigo, estamos consolidando em torno dos 11.700, perseguindo os 12.000 enquanto nos aproximamos de 2018 e da entrada dos Futuros da CME, da Nasdaq e de muitos outros grandes empreendimentos.</p>
<p>E o mundo não consegue deixar de perguntar: <em>&ldquo;estamos numa bolha?&rdquo;</em></p>
<p>Ou, mais precisamente: <em>&ldquo;vou perder tudo se comprar Bitcoins hoje?&rdquo;</em></p>
<p>O que é curioso: a melhor resposta até agora veio da tradicional Forbes, no artigo <a href="https://www.forbes.com/sites/wwoo/2017/09/29/is-bitcoin-in-a-bubble-check-the-nvt-ratio/#22d085566a23"target="_blank" rel="noopener">&ldquo;Is Bitcoin In A Bubble? Check The NVT Ratio&rdquo;</a>.</p>
<p>Traders adoram seus indicadores. Na ciência da computação, estamos cada vez mais fascinados com estatística, probabilidade e o advento do machine learning. Mas os dois campos ainda estão longe de escapar da maior armadilha de todas: <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Post_hoc_ergo_propter_hoc"target="_blank" rel="noopener">&ldquo;Post hoc ergo propter hoc&rdquo;</a>.</p>
<blockquote>
  <p>&ldquo;Correlação NÃO é Causalidade&rdquo;</p>

</blockquote>
<p>Esse é o erro que leva a coisas inacreditáveis na história da humanidade. De religiões extremistas a pessoas vendendo imóveis para comprar Bitcoins.</p>
<p>Aceite que ninguém consegue prever o futuro. Podemos fazer previsões de curto prazo. Se procurarmos com afinco, encontramos qualquer quantidade de indicadores que parecem &ldquo;científicos&rdquo; e &ldquo;matemáticos&rdquo; o suficiente para convencer, mas no fim das contas valem tanto quanto um amuleto da sorte ou um trevo de quatro folhas.</p>
<p>E o mais importante: <strong>não importa se o Bitcoin despencar amanhã!</strong></p>
<p>Programadores de startups de tecnologia são os primeiros a gritar a besteira do <em>&ldquo;é a Mania das Tulipas de novo&rdquo;</em>, como se isso os fizesse soar sábios. Como disse no meu <a href="http://www.akitaonrails.com/2017/11/30/de-10-mil-e-alem-discutindo-criptomoedas"target="_blank" rel="noopener">artigo anterior</a>, se você ouvir alguém repetindo essa <a href="https://www.smithsonianmag.com/history/there-never-was-real-tulip-fever-180964915/"target="_blank" rel="noopener">fake news</a>, você sabe que essa pessoa não entende nada do assunto.</p>
<p>Igualmente desonesto é ouvir pessoas dizendo <em>&ldquo;é só acreditar, análise do mundo real não se aplica ao Bitcoin.&rdquo;</em> Isso é absurdo. Claro que se aplica. Tanto o mercado de ações quanto as criptomoedas seguem o mesmo comportamento, porque os jogadores são os mesmos. Não só análise técnica, mas também economia comportamental se aplica. Como o Efeito Dotação de Richard Thaler:</p>
<blockquote>
  <p>&ldquo;As pessoas atribuem mais valor às coisas simplesmente porque as possuem.&rdquo;</p>

</blockquote>
<p>Se os programadores são tão honestos e sábios, por que não nos lembrar da exuberância irracional no nosso próprio campo? Que tal a lendária <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Dot-com_bubble"target="_blank" rel="noopener">Bolha das Pontocom de 2001</a>?</p>
<p><img src="https://akitaonrails.s3.amazonaws.com/assets/image_asset/image/670/dotcomcrash.png" alt="Dot-com Crash"  loading="lazy" /></p>
<p>Eu tinha 24 anos na época e cerca de 4 anos de carreira. Foi uma época maluca para trabalhar. Passei por 3 empresas diferentes nesse período. Vi todas elas explodirem. E cara, eu era tão empolgado e animado, e ao mesmo tempo tão frustrado.</p>
<p>Frustrado porque faltavam experiência, conhecimento e capital para embarcar naquelas empreitadas e pegar as ondas grandes.</p>
<p>Quando tudo desmoronou em 2001, parecia que tinha perdido a chance. Não é uma sensação agradável. Racionalmente eu sabia que não tinha perdido nada. Vivi aquilo, experienciei de perto, e como não tinha capital para investir, também não perdi nada quando tudo explodiu. Mas prometi a mim mesmo que aproveitaria o tempo para estudar, ganhar experiência e acumular capital. E quando outra oportunidade daquelas aparecesse, eu estaria pronto para agarrá-la.</p>
<p>O mais importante: a bolha estourou de forma espetacular. Nunca entrei em desespero, nunca senti que era &ldquo;o fim do mundo&rdquo;. O mundo nunca acaba; somos engenhosos demais para isso.</p>
<p>O gráfico acima é o Nasdaq-100, um índice do mercado de ações composto por mais de 100 títulos emitidos pelas 100 maiores empresas não-financeiras listadas na NASDAQ. E ele é poderoso porque dá a impressão de que o Bitcoin está caminhando para seu inevitável crash de bolha também.</p>
<p>Agora, veja o seguinte gráfico do Nasdaq-100 de 1999 até hoje (2017):</p>
<p><img src="https://akitaonrails.s3.amazonaws.com/assets/image_asset/image/671/nasdaq-100.png" alt="Nasdaq hoje"  loading="lazy" /></p>
<p>Sim, tivemos um período de depressão e recuperação muito lenta. Depois a crise econômica de 2008 nos acertou em cheio. Mas nos recuperamos. Dê 10 anos após um crash e eu prometo que chegaremos a níveis acima de qualquer crise anterior. É assim que funcionamos. Com o tempo inovamos, ajustamos as arestas, tornamos as coisas mais eficientes e fluidas.</p>
<p>Hoje, o Nasdaq-100 está em 6.263,70. No pico do crash da bolha de 2001, o índice estava em 4.691,60. Ou seja, estamos 50% acima da febre da bolha dos anos 2000. E tudo isso aconteceu durante a minha vida.</p>
<p>E como planejei em 2001: na época eu não estava pronto. Agora estou.</p>
<p>A antifragilidade funciona assim: você pode arriscar uma quantia que, se perder, não vai se arrepender. Mas se ganhar, ganha grande. O Bitcoin é exatamente isso. Posso investir, digamos, R$ 50.000. Se perder, vai doer, mas não vou à falência por causa disso. Mas se o crescimento exponencial continuar e dobrar nos próximos 2 meses, terei R$ 100.000. E esses R$ 100.000, daqui a 6 meses, podem virar R$ 250.000 ou mais.</p>
<p>O ponto central é: se cair, perco os R$ 50.000. Tudo bem. E se quiser correr ainda mais risco, posso aplicar técnicas de trading, fazer swing trading, margin trading, me alavancar, e assim por diante.</p>
<p>O resumo é: realmente não importa se isso é uma bolha ou não. Se explodir, as criptomoedas vão continuar existindo, de uma forma ou de outra. Já experimentamos o que é negociar em uma moeda 100% digital sem fronteiras. Não vamos voltar atrás. A internet não voltou atrás — simplesmente não conseguimos mais ficar offline.</p>
]]></content:encoded><category>bitcoin-e-criptomoedas</category><category>economia</category></item><item><title>De 10 Mil e Além: Discutindo Criptomoedas</title><link>https://akitaonrails.github.io/2017/11/30/de-10-mil-e-alem-discutindo-criptomoedas/</link><guid isPermaLink="true">https://akitaonrails.github.io/2017/11/30/de-10-mil-e-alem-discutindo-criptomoedas/</guid><pubDate>Thu, 30 Nov 2017 17:04:00 -0200</pubDate><description>&lt;p&gt;&lt;img src="https://akitaonrails.s3.amazonaws.com/assets/image_asset/image/665/cryptocurrencies.jpg" alt="cryptocurrencies" loading="lazy" /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Depois da &lt;a href="https://www.coindesk.com/10000-bitcoins-price-makes-history/"target="_blank" rel="noopener"&gt;histórica quebra dos USD 10.000&lt;/a&gt; ontem, o Bitcoin e as criptomoedas em geral finalmente chegaram à mídia mainstream de forma bombástica.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Como muitos na área de tecnologia, eu experimentei desde o início. Eu mesmo minerava alguns bitcoins lá em 2009, depois perdi a chave privada da minha carteira, esqueci completamente do assunto, e muitos anos depois estou aqui me mordendo de arrependimento :-)&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Quando chegou a USD 3.000, meu interesse na plataforma foi totalmente renovado. E foi uma surpresa muito agradável ver o tamanho que isso tomou. Quem me acompanha sabe o quanto sou ávido por aprender coisas novas que têm potencial real. E também como é fácil para mim mergulhar de cabeça em algo.&lt;/p&gt;</description><content:encoded><![CDATA[<p><img src="https://akitaonrails.s3.amazonaws.com/assets/image_asset/image/665/cryptocurrencies.jpg" alt="cryptocurrencies"  loading="lazy" /></p>
<p>Depois da <a href="https://www.coindesk.com/10000-bitcoins-price-makes-history/"target="_blank" rel="noopener">histórica quebra dos USD 10.000</a> ontem, o Bitcoin e as criptomoedas em geral finalmente chegaram à mídia mainstream de forma bombástica.</p>
<p>Como muitos na área de tecnologia, eu experimentei desde o início. Eu mesmo minerava alguns bitcoins lá em 2009, depois perdi a chave privada da minha carteira, esqueci completamente do assunto, e muitos anos depois estou aqui me mordendo de arrependimento :-)</p>
<p>Quando chegou a USD 3.000, meu interesse na plataforma foi totalmente renovado. E foi uma surpresa muito agradável ver o tamanho que isso tomou. Quem me acompanha sabe o quanto sou ávido por aprender coisas novas que têm potencial real. E também como é fácil para mim mergulhar de cabeça em algo.</p>
<p>Só consigo fazer isso porque não sou fiel a nada. Não escolho e defendo uma <a href="http://www.akitaonrails.com/2016/05/31/flertando-com-crystal-perspectiva-de-um-rubyista"target="_blank" rel="noopener">única linguagem</a>, nem um <a href="http://www.akitaonrails.com/2017/01/10/arch-linux-a-melhor-distro-de-todas"target="_blank" rel="noopener">único sistema operacional</a>, nem um <a href="http://www.akitaonrails.com/2017/11/21/da-microsoft-para-a-apple-e-de-volta"target="_blank" rel="noopener">único fabricante</a>, nem um <a href="http://www.akitaonrails.com/2017/08/28/off-topic-blockchain-e-criptomoedas-no-brasil"target="_blank" rel="noopener">único mercado</a>. Ficar na posição de defender algo por defender me parece extremamente improdutivo.</p>
<p>Acredite ou não, as criptomoedas vieram para ficar, pelo menos por alguns anos. Lembro da sensação quando experimentei a internet comercial em 1993. É exatamente isso de novo: um território inexplorado com muito potencial e muita coisa que ainda não conseguimos imaginar.</p>
<p>Quem me acompanha também sabe que sou um grande defensor do uso da Razão. Odeio tanto o hype extremo quanto o FUD. Quem dissemina qualquer um dos dois está atrás de atenção fácil, sem nada útil a dizer de verdade. <em>&ldquo;Vai chegar a 100k logo! Compra agora!&rdquo;</em> ou <em>&ldquo;É uma bolha de tulipas, você é idiota se comprar!&rdquo;</em>. Os dois extremos são imbecis.</p>
<p>Educação é a base de tudo. O raciocínio é o ponto de partida.</p>
<p>Um <strong>aviso importante</strong>: não estou recomendando que ninguém compre criptomoedas sem fazer a sua própria pesquisa. Qualquer um que faz recomendações, a favor ou contra, está sendo irresponsável. Tudo que posso fazer é transmitir uma opinião pessoal e uma análise técnica. Esse é o meu papel.</p>
<p>Um exemplo: você sabia que a tão repetida <a href="https://www.smithsonianmag.com/history/there-never-was-real-tulip-fever-180964915/"target="_blank" rel="noopener">Bolha das Tulipas nunca existiu de verdade</a>? Pois é. Isso mostra como as pessoas são rápidas em compartilhar memes e fake news sem pesquisar nada.</p>
<p>E fica ainda mais hilário na área de tecnologia, onde vejo muitos &ldquo;evangelistas&rdquo; gritando sobre os &ldquo;milagres&rdquo; de abrir sua própria startup para &ldquo;disrupar&rdquo; o mercado com <a href="https://www.producthunt.com/e/uber-for-x"target="_blank" rel="noopener">mais um derivado de Uber</a>. Vamos ser diretos: qualquer coisa pode ser uma bolha.</p>
<p>O ouro só tem valor porque criamos uma história em torno dele. Ouro não se come. Ouro nem é um metal tão bom para trabalhar. Só criamos uma história e todo mundo concordou. O mesmo vale para qualquer coisa que consideramos &ldquo;valioso&rdquo;. O que é uma moeda fiduciária? É um pedaço de papel, inútil por si só. Mas se todos concordarmos com a mesma história, o &ldquo;$100&rdquo; impresso nele torna o papel supervalioso.</p>
<p>Tal é o poder da <strong>crença</strong>.</p>
<p>Tudo que fazemos exige algum nível de fé. Se presto um serviço para alguém, preciso ter fé de que serei pago no futuro. A confiança vem de um papel assinado ou mesmo de um simples e-mail, e da certeza de que as instituições vão me ajudar a cobrar esse pagamento se necessário.</p>
<p>É tudo histórias, fé e crenças. Se ainda não leu, recomendo fortemente o <a href="https://www.amazon.com/Sapiens-Humankind-Yuval-Noah-Harari/dp/0062316095"target="_blank" rel="noopener">&ldquo;Sapiens&rdquo;</a> de Yuval Harari para entender como as histórias moldam nossa história.</p>
<p>Dito isso, acho hilário que técnicos considerados &ldquo;sérios&rdquo; sejam rapidíssimos em gritar <em>&ldquo;é uma fraude!&rdquo;</em> ou <em>&ldquo;é uma bolha!&rdquo;</em> sem dedicar 1 segundo sequer para verificar os fundamentos e checar as fontes. Engenheiros deveriam saber fazer isso melhor, e essa preguiça expõe quem realmente sabe fazer análise e quem só segue multidões cegamente.</p>
<p>Não dá para dizer que eu estava errado se, por algum motivo, as criptomoedas implodissem amanhã do nada. Tampouco que os céticos estavam certos. Isso é importante: qualquer coisa no futuro é impossível de prever com certeza. Você joga com as probabilidades. Se não tem convicção, não aposte. Mas criar histórias para justificar a própria ignorância é decepcionante demais.</p>
<p>O interessante nos mercados financeiros é que eles ensinam as pessoas a lidar com a improbabilidade. Venho evangelizando Nassim Taleb neste blog <a href="http://www.akitaonrails.com/2008/10/09/off-topic-entendendo-a-crise-econ-mica"target="_blank" rel="noopener">há anos</a>, desde o colapso econômico de 2008/2009. Aprendemos muito. Aprendemos sobre &ldquo;Cisnes Negros&rdquo; e como se tornar &ldquo;Antifrágil&rdquo; e, em boa hora, como ter <a href="https://www.amazon.com/Skin-Game-Hidden-Asymmetries-Daily/dp/B077BSK9LC/ref=sr_1_1?s=books&amp;ie=UTF8&amp;qid=1512059894&amp;sr=1-1&amp;keywords=skin&#43;in&#43;the&#43;game"target="_blank" rel="noopener">&ldquo;Skin in the Game&rdquo;</a>. Engenheiros deveriam ter muito mais esse tipo de conhecimento — chegariam a soluções muito melhores.</p>
<p>Respondendo a alguns FUDs específicos que tenho lido:</p>
<blockquote>
  <p>&ldquo;É uma bolha!&rdquo;</p>

</blockquote>
<p>Pode ser. Como disse, o setor de tecnologia já é uma bolha para todo efeito. Basta alguns VCs se articularem e <a href="https://techcrunch.com/2017/11/30/theres-an-implosion-of-early-stage-vc-funding-and-no-ones-talking-about-it/"target="_blank" rel="noopener">recuarem</a> para deixar uma bomba explodindo atrás. Tudo é história, não importa o quanto você valorize algo. É simples assim.</p>
<p>Como operar dentro de uma bolha? De forma antifrágil. Antes de tudo, se você é iniciante, nunca, em hipótese alguma, invista tudo que tem. Invista apenas o que, se perder tudo, não te deixará na miséria. Isso é Investimento-101.</p>
<p>Tente comprar nas baixas e talvez vender nas altas. Ou planeje o longo prazo e faça <a href="https://coinsutra.com/hodl-popular-cryptocurrency-terms/"target="_blank" rel="noopener">HODL</a> por alguns anos. Se precisa de retornos rápidos, aprenda a operar com <a href="https://www.investopedia.com/terms/s/stop-lossorder.asp"target="_blank" rel="noopener">ordens de stop-loss</a>, por exemplo. Não tente ser mais esperto que o mercado se não tem experiência com trading. Ou tente, mas não reclame quando perder.</p>
<p>Perdas ou lucros, é sua responsabilidade e de mais ninguém — não &ldquo;do mercado&rdquo; nem &ldquo;dos especuladores&rdquo;. Todo mundo é adulto. Adultos assumem responsabilidade pelos próprios atos. Se perderam dinheiro em uma aposta que não entendiam, a culpa é deles.</p>
<blockquote>
  <p>&ldquo;A mineração consome mais energia do que alguns países pequenos!&rdquo;</p>

</blockquote>
<p>Não importa. Antes de mais nada, não estão drenando energia de graça. Todo minerador paga por ela. Agora você vai entender por que é tão problemático quando governos interferem nos mercados livres. Se algum país subsidia a energia, a fórmula de oferta e demanda vai falhar. Óbvio.</p>
<p>E os técnicos deveriam saber disso melhor. Nunca houve banda suficiente nas linhas telefônicas para todo mundo no planeta se conectar à internet. Tivemos que evoluir muito a infraestrutura. Adicionamos cabos submarinos. Saímos dos modems discados para ISDN, para modems a cabo, e assim por diante.</p>
<p>A mineração baseada em <a href="http://www.akitaonrails.com/2017/11/01/como-o-bitcoin-forca-consenso-entre-os-generais-bizantinos"target="_blank" rel="noopener">proof of work</a> consome uma quantidade enorme de energia, e com razão. Estamos trocando energia por integridade. Mas não é a única alternativa. Existem implementações de <a href="https://github.com/ethereum/wiki/wiki/Proof-of-Stake-FAQ"target="_blank" rel="noopener">proof of stake</a> começando a ser implantadas em outras alt-coins, com eficiência energética muito maior enquanto oferecem níveis similares de confiança no consenso.</p>
<p>O ponto é que a tecnologia evolui rápido e não dá para extrapolar o futuro com base no que temos hoje. É como alguém em 1993 dizendo <em>&ldquo;a internet comercial não pode acontecer porque as linhas telefônicas são lentas demais se algum dia quisermos streaming de vídeo&rdquo;</em>.</p>
<blockquote>
  <p>&ldquo;O Bitcoin é centralizado demais, isso é perigoso!&rdquo;</p>

</blockquote>
<p>Se você é programador e ainda não sabe exatamente o que significa minerar, recomendo que leia primeiro meu <a href="http://www.akitaonrails.com/2017/11/01/como-o-bitcoin-forca-consenso-entre-os-generais-bizantinos"target="_blank" rel="noopener">artigo anterior</a> sobre o assunto.</p>
<p>A mineração não é determinística. Mesmo com o melhor hardware do mundo, não há garantia de que você vai minerar o bloco primeiro. É mais como uma rifa.</p>
<p>Por isso os mineradores se organizam em pools, que dividem os ganhos entre os membros.</p>
<p>A preocupação é que <a href="https://blockchain.info/pools"target="_blank" rel="noopener">4 dos maiores pools</a> — AntPool, ViaBTC, BTC.com e BTC.TOP — &ldquo;controlam&rdquo; 62% do hashpower mundial.</p>
<p>Diz-se que quem controla 51% do hashpower poderia lançar um ataque ao blockchain, sendo capaz de reescrever blocos do passado recente e permitir double-spend, por exemplo.</p>
<p>Mas <a href="https://bitcoinmagazine.com/articles/problems-associated-with-bitcoin-mining-centralization-may-be-overstated-1474917259/"target="_blank" rel="noopener">na prática</a>, não é tão simples assim.</p>
<p>Minerar custa caro. Um equipamento de USD 20.000 consegue minerar em torno de USD 11 por dia, sem descontar todos os custos, incluindo a depreciação das máquinas. Qualquer coisa além de minerar honestamente é muito arriscada e pouco lucrativa. O sistema foi construído de forma que os hackers teriam que gastar tanto dinheiro com riscos tão altos que é mais fácil simplesmente seguir as regras.</p>
<p>E novamente, as alt-coins e forks estão experimentando novas formas de tornar isso ainda mais difícil no futuro.</p>
<blockquote>
  <p>&ldquo;A Visa processa milhares de transações por segundo. O Bitcoin jamais vai conseguir isso!&rdquo;</p>

</blockquote>
<p>De novo, argumento inútil. É como dizer <em>&ldquo;o ouro não pode ser trocado rápido o suficiente, nunca vai prestar&rdquo;</em>.</p>
<p>Já temos várias alt-coins como o Litecoin e outras tentando resolver o problema de transações rápidas. Considere que todas as alt-coins estão de certa forma atreladas ao Bitcoin, da mesma forma que o dólar já foi atrelado ao ouro. E se a chamada <a href="https://lightning.network/"target="_blank" rel="noopener">Lightning Network</a> entrar em operação, poderemos cruzar fronteiras entre blockchains com muito mais facilidade.</p>
<p>A Visa não transaciona &ldquo;cédulas&rdquo; de dólar — ela faz transações virtuais em seus bancos de dados internos. Só quando o comerciante saca é que converte para dólares em espécie.</p>
<p>Dá para adicionar Bitcoin tranquilamente ao mix de opções num sistema de transações Visa. É assim que o cartão de crédito funciona hoje: você só paga 30 dias depois. E funciona. Qual é o problema?</p>
<p>E de novo: vamos resolver isso com o tempo. Deixa as tecnologias amadurecerem, a demanda aparecer e a solução vai surgir.</p>
<blockquote>
  <p>&ldquo;Não tem nenhuma função social.&rdquo;</p>

</blockquote>
<p>Grande parte das críticas às criptomoedas vêm da população &ldquo;elite&rdquo; dos países do primeiro mundo. Se você é uma pessoa branca nos EUA com uma boa renda em dólares, ou alguém parecido na Europa com bastante Euro, sua principal preocupação é <em>&ldquo;o Bitcoin é lento demais para comprar no shopping&rdquo;</em> ou <em>&ldquo;as taxas de transação são altas demais para o meu café diário no Starbucks&rdquo;</em>. E aí começa a gritar que <em>&ldquo;o Bitcoin não tem função social&rdquo;</em>.</p>
<p>Mas isso é absurdo. Você não mora na América do Sul, na África, no Sudeste Asiático. Você não está na Venezuela, onde a moeda foi destruída pela ditadura vigente. Consegue imaginar a sua amada nota de dólar valendo menos que papel higiênico?</p>
<p>Você não mora no Zimbábue onde o exército <a href="http://www.telegraph.co.uk/technology/2017/11/20/bitcoin-has-become-zimbabwes-crisis-currency/"target="_blank" rel="noopener">tomou o poder</a>. Não mora na Ásia, lugar sob ameaça constante de <a href="https://www.express.co.uk/news/world/886680/North-Korea-news-North-Korea-update-World-War-3-Donald-Trump-Kim-Jong-un-missile-test"target="_blank" rel="noopener">mísseis nucleares</a> do ditador maluco Kim Jong-Un.</p>
<p>Então, tudo bem, não tem função social para a sua cota diária de açúcar no 7-Eleven. É lento demais para comprar refrigerante em galão e as taxas são altas demais. Mas se você mora em qualquer lugar do mundo onde o governo representa uma ameaça aos cidadãos, ter uma <strong>reserva de valor</strong> descentralizada e sem regulação governamental, que você pode tirar facilmente do país opressor, é algo que <strong>salva vidas</strong>. Mesmo em países como o meu, o Brasil, você não quer ter tudo em Reais caso candidatos a ditadores como Lula ou Bolsonaro realmente percam o juízo e deem um golpe.</p>
<blockquote>
  <p>&ldquo;Não vejo sentido nisso. Simplesmente não vejo. E não me importo.&rdquo;</p>

</blockquote>
<p>Isso é a coisa mais honesta que se pode dizer — pelo menos assume a própria ignorância e a própria falta de interesse.</p>
<p>E há uma boa razão para isso. Em termos de tecnologia, os EUA seguem o que o Vale do Silício diz. E muitos outros países simplesmente repetem o que vem de lá. Então os técnicos estão acostumados a seguir o que Google, Facebook ou Apple estão dizendo.</p>
<p>Mas a tecnologia blockchain não veio diretamente deles. Não é um produto do Google. E pior: ela mexe com as frágeis crenças morais dessas pessoas. Elas acham normal receber enormes quantias de dinheiro de VC como &ldquo;recompensa&rdquo; pelo que &ldquo;acreditam&rdquo;, pela sua &ldquo;cultura&rdquo;, pelos seus &ldquo;valores&rdquo; arbitrários. Não acreditam em ganhar o próprio dinheiro. E mesmo que os VCs sejam do mercado financeiro, os técnicos desprezam Wall Street e as finanças. Os hipsters do Starbucks odeiam os traders de terno e gravata e suas supostas &ldquo;táticas sujas&rdquo; para ganhar dinheiro.</p>
<p>É hilário, no fim das contas todo mundo quer uma coisa e uma coisa só: mais dinheiro. Mas os hipsters são muito hipócritas para admitir isso. <em>&ldquo;Não quero dinheiro, quero disrupar o mercado&rdquo;</em>. Claro, pode continuar se dizendo isso.</p>
<p>Agora, considere que todo esse buzz das criptomoedas não vem do Ocidente. Vem todo da Ásia. Japão, Coreia do Sul, Cingapura, China — são eles que estão conduzindo o mercado. O Japão, como país, já regulamentou e aceitou o Bitcoin como moeda de verdade e detém sozinho <a href="https://cointelegraph.com/news/bitcoin-price-surpasses-1000000-yen-as-japan-seizes-nearly-60-market-share"target="_blank" rel="noopener">60% do market share</a>.</p>
<p>Esse é um fenômeno fortemente impulsionado pela Ásia. E estamos só no começo.</p>
<p>Portanto, não estamos mais no cenário de <em>&ldquo;se isso acontecer&rdquo;</em>. Já aconteceu. Gigantes como o <a href="https://seekingalpha.com/article/4128569-5-things-aware-cme-bitcoin-futures"target="_blank" rel="noopener">CME Group</a> e a <a href="https://www.bloomberg.com/news/articles/2017-11-29/nasdaq-is-said-to-plan-bitcoin-futures-joining-biggest-rivals"target="_blank" rel="noopener">Nasdaq</a> vão começar a oferecer produtos de Bitcoin. Estamos perdendo tempo discutindo questões triviais e idiotas que serão resolvidas no longo prazo.</p>
<p>As criptomoedas vieram para ficar. Minha recomendação para quem realmente valoriza o conhecimento: estude o assunto.</p>
]]></content:encoded><category>bitcoin-e-criptomoedas</category><category>economia</category><category>pessoal</category></item><item><title>[Off-Topic] Software Livre: Exercício de CAPITALISMO</title><link>https://akitaonrails.github.io/2016/04/22/off-topic-software-livre-exercicio-de-capitalismo/</link><guid isPermaLink="true">https://akitaonrails.github.io/2016/04/22/off-topic-software-livre-exercicio-de-capitalismo/</guid><pubDate>Fri, 22 Apr 2016 15:30:00 -0300</pubDate><description>&lt;p&gt;Uma frase do &lt;a href="http://www.akitaonrails.com/2016/04/20/off-topic-se-voce-precisa-de-validacao-provavelmente-esta-errado"target="_blank" rel="noopener"&gt;meu artigo anterior&lt;/a&gt; causou estranheza em algumas pessoas:&lt;/p&gt;
&lt;blockquote&gt;
&lt;p&gt;&amp;ldquo;A base disso é o mundo open source: a maior experiência capitalista do mundo do software e um exemplo vivo para todos do que é um Mercado Livre Laissez-faire. O melhor lugar para manter e melhorar commodities de tecnologia.&amp;rdquo;&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;
&lt;p&gt;A estranheza vem da palavra &amp;ldquo;free&amp;rdquo;. Por causa dos princípios de liberdade do Free Software, muita gente associa o mundo do código aberto a uma grande experiência &amp;ldquo;socialista&amp;rdquo;. Minha tese é o contrário: software livre é a experiência mais capitalista que existe no software. Nenhum governo regula, nenhuma agência protege projeto ruim, toda troca é voluntária e a competição decide quem sobrevive. Um mercado assim não existe em nenhum setor da economia real; o período histórico mais próximo dele foi o fim do século XIX nos EUA, antes do Federal Reserve e do imposto de renda federal.&lt;/p&gt;</description><content:encoded><![CDATA[<p>Uma frase do <a href="http://www.akitaonrails.com/2016/04/20/off-topic-se-voce-precisa-de-validacao-provavelmente-esta-errado"target="_blank" rel="noopener">meu artigo anterior</a> causou estranheza em algumas pessoas:</p>
<blockquote>
  <p>&ldquo;A base disso é o mundo open source: a maior experiência capitalista do mundo do software e um exemplo vivo para todos do que é um Mercado Livre Laissez-faire. O melhor lugar para manter e melhorar commodities de tecnologia.&rdquo;</p>

</blockquote>
<p>A estranheza vem da palavra &ldquo;free&rdquo;. Por causa dos princípios de liberdade do Free Software, muita gente associa o mundo do código aberto a uma grande experiência &ldquo;socialista&rdquo;. Minha tese é o contrário: software livre é a experiência mais capitalista que existe no software. Nenhum governo regula, nenhuma agência protege projeto ruim, toda troca é voluntária e a competição decide quem sobrevive. Um mercado assim não existe em nenhum setor da economia real; o período histórico mais próximo dele foi o fim do século XIX nos EUA, antes do Federal Reserve e do imposto de renda federal.</p>
<p>Matt Asay escreveu na C|NET, em <a href="http://www.cnet.com/news/open-source-its-about-capitalism-not-freebies/"target="_blank" rel="noopener">&ldquo;Código Aberto: É sobre capitalismo, não brindes gratuitos&rdquo;</a>:</p>
<blockquote>
  <p>&ldquo;O segredo é usar software de código aberto como um meio para um fim, e não o fim em si mesmo. Código aberto é um meio de distribuição barata, uma maneira de colocar software nas mãos de potenciais compradores por pouco ou nenhum custo. É uma maneira de tornar a experiência de software social e menos arriscada, porque os usuários podem experimentar antes de comprar e porque eles podem customizar (ou pagar alguém para customizar) o software para suas necessidades por um custo menor do que software proprietário.&rdquo;</p>

</blockquote>
<p>E foi mais direto ainda em <a href="http://web.archive.org/web/20211023100641/https://www.cnet.com/news/sorry-socialists-open-source-is-a-capitalists-game/"target="_blank" rel="noopener">&ldquo;Desculpe, socialistas: Código Aberto é um jogo capitalista&rdquo;</a>:</p>
<blockquote>
  <p>&ldquo;[Sarah] Grey escreve que &rsquo;existem alternativas ao capitalismo&rsquo;. Ela está certa. Infelizmente, código aberto não é uma delas. Código aberto é a essência do Livre Mercado do Capitalismo.&rdquo;</p>

</blockquote>
<h3>Definições, para ninguém brigar com espantalho<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="definições-para-ninguém-brigar-com-espantalho"></span>
    <a href="#defini%c3%a7%c3%b5es-para-ningu%c3%a9m-brigar-com-espantalho" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h3><p>Antes de seguir, os termos que estou usando. Capitalismo é propriedade privada dos meios de produção, com trocas voluntárias entre os donos dessa propriedade. Livre Mercado é a condução dessas trocas sem coerção e sem regulador: oferta, procura e preços ficam nas mãos dos participantes.</p>
<p>Socialismo, no sentido clássico, é propriedade estatal ou coletiva dos meios de produção. Saúde pública e ensino gratuito num país de economia de mercado são políticas de bem-estar, e não socialismo. A crítica deste texto é ao modelo em que o Estado é o dono da produção.</p>
<p>Com essas definições, defender o socialismo clássico e defender a liberdade individual são posições opostas: o primeiro exige subordinar a propriedade e as escolhas de cada um a uma entidade central.</p>
<h3>Software livre é propriedade privada sob licença<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="software-livre-é-propriedade-privada-sob-licença"></span>
    <a href="#software-livre-%c3%a9-propriedade-privada-sob-licen%c3%a7a" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h3><p>Código aberto não é domínio público. Todo software tem dono: o copyright pertence aos autores, e usar, copiar ou modificar esse código só é possível porque o dono concedeu uma licença. Sem licença, ninguém tem direito algum sobre código alheio, como Jeff Atwood lembrou em <a href="http://blog.codinghorror.com/pick-a-license-any-license/"target="_blank" rel="noopener">&ldquo;Escolha uma Licença, qualquer Licença&rdquo;</a>:</p>
<blockquote>
  <p>&ldquo;Porque eu não indiquei explicitamente uma licença, eu declarei implicitamente um copyright sem explicar como outros poderiam usar meu código. Já que o código está sem licença, eu poderia teoricamente forçar o copyright a qualquer momento e demandar que as pessoas parem de usá-lo. Desenvolvedores experientes não tocam em código sem licença, porque não têm direito legal para isso.&rdquo;</p>

</blockquote>
<p>Existe um teste prático para essa propriedade: o dono pode retirar o código da circulação quando quiser. Em março de 2016, Azer Koçulu despublicou seus pacotes do npm, incluindo o minúsculo left-pad, depois de uma disputa de nome com o aplicativo Kik. Milhares de builds quebraram no mesmo dia, como <a href="http://arstechnica.com/information-technology/2016/03/rage-quit-coder-unpublished-17-lines-of-javascript-and-broke-the-internet/"target="_blank" rel="noopener">a Ars Technica reportou</a>. O código-fonte continuava no GitHub; o que ele removeu foi a distribuição no registro.</p>
<p>Concordar ou não com o Koçulu é irrelevante. O pacote era propriedade dele, e a decisão de remover era dele. O mais interessante veio depois: ninguém foi preso, nenhum regulador interveio. O npm restaurou o pacote quebrado e mudou sua <a href="http://blog.npmjs.org/post/141905368000/changes-to-npms-unpublish-policy"target="_blank" rel="noopener">política de unpublish</a>. O mercado absorveu o choque e criou anticorpos, sem tirar de ninguém o direito de sair.</p>
<p>A comunidade Ruby viveu uma versão menor disso em 2009, quando _why apagou seus projetos e desapareceu, <a href="http://www.akitaonrails.com/2012/09/07/why-dramas-do-ruby-e-dinamitando-courtlandt/"target="_blank" rel="noopener">como contei aqui</a>.</p>
<p>Quando o desacordo é interno, o mecanismo de saída é o fork: quem discorda clona o projeto e compete com o original. Foi o que aconteceu com o io.js, que nasceu como fork do Node.js em 2014 e se fundiu de volta em 2015, sob a recém-criada Node.js Foundation, quando a negociação fez sentido. A história tem vários forks que prosperaram: WebKit a partir do KHTML, LibreOffice a partir do OpenOffice.org, MariaDB a partir do MySQL, X.Org a partir do XFree86. E há derivados que ficaram maiores que a origem, como o Ubuntu a partir do Debian.</p>
<p>Fork é voto com os pés. Custa caro, porque exige manter um projeto inteiro, e é por isso que só prospera quando a motivação é real.</p>
<h3>Competição implica o direito de fracassar<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="competição-implica-o-direito-de-fracassar"></span>
    <a href="#competi%c3%a7%c3%a3o-implica-o-direito-de-fracassar" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h3><p>Num mercado sem regulador, ninguém mantém projeto ruim vivo artificialmente. Para cada PostgreSQL que existe, dezenas de bancos de dados tentaram e morreram. Para cada distro Linux relevante, centenas viraram nota de rodapé. Isso é sinal de saúde: a seleção está funcionando.</p>
<p>A justiça desse processo é cega. O código não carrega a biografia do autor, e o mercado não distribui medalha por boas intenções. Um projeto sobrevive se convence usuários e colaboradores de seu mérito técnico, e morre se não convence.</p>
<p>Abrir o código, aliás, não salva ninguém. A Nokia concluiu a abertura do código do Symbian em 2010, quando a plataforma já perdia terreno para iPhone e Android. O gesto não reverteu nada: muito pouco, muito tarde.</p>
<p>Eu comparei esse processo à seleção natural num <a href="http://www.akitaonrails.com/2010/07/01/screencast-entenda-software-da-maneira-correta"target="_blank" rel="noopener">screencast antigo</a>. O software que se adapta melhor às demandas do ambiente é o que mais se reproduz, na forma de usuários e contribuidores. O cemitério de projetos mortos prova que a seleção existe e funciona.</p>
<p>E a paisagem muda o tempo todo. O Apache HTTP cedeu espaço ao NGINX. O Firefox perdeu fatia enorme para o Chrome. O Perl cedeu para Python e para linguagens mais novas como Go. O MySQL perdeu prestígio entre desenvolvedores para o PostgreSQL, enfrentou a onda NoSQL e ainda ganhou um fork competidor, o MariaDB, depois da compra pela Oracle. Nenhum desses projetos tinha direito adquirido ao trono.</p>
<h3>O programador paga para participar<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="o-programador-paga-para-participar"></span>
    <a href="#o-programador-paga-para-participar" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h3><p>O mercado de software livre tem uma inversão curiosa de valores. Numa empresa, o programador recebe dinheiro para escrever código proprietário. Num projeto livre conhecido, é o programador quem &ldquo;paga&rdquo;, com seu tempo e sua capacidade, para ter código aceito. Em troca ele recebe reputação, aprendizado, portfólio e, sim, um pouco de vaidade. É uma troca voluntária com benefício para os dois lados, como qualquer outra.</p>
<p>&ldquo;Preço&rdquo;, aqui, não se mede só em dinheiro. Valor é qualquer coisa com oferta e procura, e quem define o preço é a competição. A moeda corrente desse mercado é a competência técnica demonstrada em público.</p>
<p>Isso tem uma consequência dura: convencer os outros faz parte do jogo. Se a sua ideia tem valor e mesmo assim ninguém adere, a explicação mais provável está na ideia ou na forma como você a apresenta, e não na burrice da plateia. Culpar a plateia é o jeito mais rápido de desvalorizar a própria causa.</p>
<h3>O paradoxo do software livre &ldquo;socialista&rdquo;<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="o-paradoxo-do-software-livre-socialista"></span>
    <a href="#o-paradoxo-do-software-livre-socialista" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h3><p>Imagine o modelo oposto: o mundo do software sob o socialismo clássico, com a produção controlada por uma entidade central.</p>
<p>Sem propriedade individual sobre os projetos, acaba a competição. Projeto ruim que atenda à agenda de quem controla se mantém vivo, mesmo que exista alternativa tecnicamente superior. A escolha sai das mãos de quem usa e vai para as mãos de quem controla. Não haveria acidentes como o left-pad, e o preço disso seria um catálogo imenso de software sucateado que ninguém quer usar.</p>
<p>Sem o benefício individual da troca, acaba o voluntariado. Nenhum programador competente doaria suas melhores horas sem reputação, aprendizado ou liberdade em troca. E se a contribuição virar cota obrigatória decretada em nome do &ldquo;bem social&rdquo;, todos farão o mínimo para cumprir a cota. A produção soviética funcionou assim em praticamente todos os setores, com os resultados que conhecemos.</p>
<p>Sem competição, acaba a inovação. Inovação nasce de uma vontade individual de resolver o próprio problema do próprio jeito. Eric Raymond abriu <a href="http://www.catb.org/~esr/writings/cathedral-bazaar/cathedral-bazaar/"target="_blank" rel="noopener">&ldquo;A Catedral e o Bazar&rdquo;</a> com essa ideia:</p>
<blockquote>
  <p>&ldquo;Todo bom trabalho de software começa coçando uma coceira pessoal de um desenvolvedor.&rdquo;</p>

</blockquote>
<p>Inovação também é transgressora, porque torna profissões inteiras obsoletas. As agências de viagem quase sumiram quando comprar passagem pela internet ficou trivial. As locadoras de vídeo morreram com o streaming. O Uber apertou os taxistas, o Airbnb apertou os hotéis. Quem ficou preso ao modelo anterior sofreu, e o mundo seguiu em frente.</p>
<p>Em software foi igual. O pessoal do GNU Hurd não comemorou quando o Linux explodiu. A Nokia não achou graça no Android. O MySQL não torce pelo PostgreSQL. Quem resiste à dinâmica do mercado fica para trás. Duro, e absolutamente justo.</p>
<h3>A distopia do monopólio protegido<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="a-distopia-do-monopólio-protegido"></span>
    <a href="#a-distopia-do-monop%c3%b3lio-protegido" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h3><p>Um software proprietário pode ser bom ou ruim; o problema aparece quando ele vira monopólio protegido. A Microsoft dos anos 90 era um monopólio de fato. Podemos discutir se o julgamento do Departamento de Justiça foi justo, mas o golpe decisivo no monopólio veio do mercado: o software livre, com GNU e Linux, e depois a internet comercial, que tirou do Windows o monopólio da plataforma.</p>
<p>Imagine um futuro alternativo em que a Microsoft convence o governo americano de que o Windows é essencial à segurança nacional e merece proteção permanente. Tudo teria parado. Até hoje usaríamos um Pentium de 100 MHz rodando um derivado de Windows 98, com internet discada, porque &ldquo;ninguém precisa de mais que isso&rdquo;.</p>
<p>É essa a lógica de quem entrega as decisões do mercado a uma entidade central: não crie e-mail, vai prejudicar os carteiros; não crie sites, vai prejudicar as gráficas; não crie software livre, vai prejudicar os programadores do governo. Todo ditador usa o mesmo discurso, &ldquo;para o bem da população&rdquo;, e todo discurso de &ldquo;para o bem da população, não importam os meios&rdquo; termina no mesmo lugar.</p>
<h3>Tirania e o fim do software livre<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="tirania-e-o-fim-do-software-livre"></span>
    <a href="#tirania-e-o-fim-do-software-livre" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h3><p>O pior caso possível para um projeto livre começa assim. Um desenvolvedor cria um software para resolver um problema e abre o código. Por vinte anos, centenas de pessoas usam e contribuem.</p>
<p>Então surge uma causa, qualquer uma, e alguém se autonomeia representante dela. Por pressão social e propaganda, os mantenedores viram párias. A mídia especializada amplifica, porque controvérsia atrai leitor. O código deixa de ser o assunto: o que passa a valer é a opinião pessoal, a aparência e o passado de cada colaborador.</p>
<p>A partir daí, participar do projeto vira um risco. Ninguém recebe mais valor por contribuir; só recebe exposição. Um a um, os que realmente escreviam código vão embora, e o projeto definha. É uma forma perversa de tomar uma propriedade e destruir seu valor sem confiscar nada formalmente.</p>
<p>Ayn Rand dramatizou esse mecanismo no julgamento de Howard Roark, em &ldquo;A Nascente&rdquo;, e <a href="http://www.akitaonrails.com/2011/02/04/off-topic-the-fountainhead-defesa-de-howard-roark"target="_blank" rel="noopener">escrevi sobre isso em 2011</a>:</p>
<blockquote>
  <p>&ldquo;Eu vim aqui dizer que eu não reconheço o direito de qualquer um a um minuto da minha vida, ou a qualquer parte da minha energia, nem a qualquer conquista minha, não importa quem clame por isso!&rdquo;</p>

</blockquote>
<p>Esse é o aviso. Uma camada política sobre um projeto livre destrói o mercado que sustentava o projeto.</p>
<h3>Conclusão<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="conclusão"></span>
    <a href="#conclus%c3%a3o" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h3><p>Nada disso condena quem contribui por motivação social. Quem troca seu código pela sensação de estar ajudando faz uma troca voluntária como qualquer outra, e isso fora do software tem nome: doação e trabalho voluntário. O problema começa quando alguém decide que a propriedade alheia deve servir à causa que ele escolheu.</p>
<p>Resolver os problemas do mundo é muito mais difícil do que discutir sobre eles. Bill Gates deu esse recado em 2000, respondendo ao hype de que PCs acabariam com a pobreza:</p>
<blockquote>
  <p>&ldquo;Ótimo, visite os centros da Infosys em Bangalore, mas saia do oásis e vá três milhas adiante, atrás do cara que vive sem privada, sem água encanada&hellip; O mundo não é plano, e PCs não estão, na hierarquia das necessidades humanas, entre as cinco primeiras posições.&rdquo;</p>

</blockquote>
<p>Programadores, de qualquer classe social, têm internet e recursos de sobra para passar o dia em redes sociais discutindo como salvar o mundo. Quem trabalha de verdade nesses problemas está fora desse circuito, <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Computer_technology_for_developing_areas"target="_blank" rel="noopener">executando em vez de falar</a>.</p>
<p>Termino com um caso real que me relataram, sem nomes:</p>
<blockquote>
  <p>A: Puxa, ninguém dá chance à minha [minoria].</p>
<p>B: Por que você não me ajuda a resolver estes problemas neste projeto open source? Daí você pode palestrar sobre isso.</p>
<p>(A some. B espera, cansa, e chama C, que resolve os problemas e ganha o espaço de palestrar.)</p>
<p>A: Tá vendo, B? Você é parte dos opressores que não dão espaço pra gente como eu, e preferiu dar a oportunidade pro C.</p>

</blockquote>
<p>E uma nota pessoal para encerrar. Me taxam de &ldquo;seguidor de Ayn Rand&rdquo;, e estão enganados: Rand apenas pôs por escrito, antes de mim, o que eu já pensava e praticava. O mesmo vale para Bastiat, Friedman, Hayek ou Menger. São referências, e referências não são donos. Julgar uma ideia pelo autor em vez de julgar o argumento pelo mérito é a definição de <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Argumento_ad_hominem"target="_blank" rel="noopener">ad hominem</a>, e eu não respondo bem a falácias.</p>
]]></content:encoded><category>open-source</category><category>economia</category><category>filosofia</category><category>off-topic</category></item><item><title>Previsivelmente Irracional</title><link>https://akitaonrails.github.io/2013/07/12/previsivelmente-irracional/</link><guid isPermaLink="true">https://akitaonrails.github.io/2013/07/12/previsivelmente-irracional/</guid><pubDate>Fri, 12 Jul 2013 20:44:00 -0300</pubDate><description>&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Original de 4/3/2010&lt;/strong&gt;: &lt;a href="http://web.archive.org/web/20130724115712/http://info.abril.com.br/noticias/rede/gestao20/gestao/previsivelmente-irracional/"target="_blank" rel="noopener"&gt;Gestão 2.0&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Existe um ramo de pesquisa conhecido como “Economia Comportamental”, uma vertente diferente da Economia tradicional. A Economia clássica parte do princípio de que as pessoas são racionais e decidem com base em análise de custo-benefício. A Economia Comportamental leva em conta os fatores sociais, cognitivos e emocionais que influenciam nossas decisões do dia a dia.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Gostamos de acreditar que tomamos decisões racionais o tempo todo, mas na maior parte das vezes damos chutes e decidimos na emoção. E isso produz resultados muito interessantes. Um dos pesquisadores mais conhecidos da área é o Prof. Dan Ariely, autor do livro “Previsivelmente Irracional”.&lt;/p&gt;</description><content:encoded><![CDATA[<p><strong>Original de 4/3/2010</strong>: <a href="http://web.archive.org/web/20130724115712/http://info.abril.com.br/noticias/rede/gestao20/gestao/previsivelmente-irracional/"target="_blank" rel="noopener">Gestão 2.0</a></p>
<p>Existe um ramo de pesquisa conhecido como “Economia Comportamental”, uma vertente diferente da Economia tradicional. A Economia clássica parte do princípio de que as pessoas são racionais e decidem com base em análise de custo-benefício. A Economia Comportamental leva em conta os fatores sociais, cognitivos e emocionais que influenciam nossas decisões do dia a dia.</p>
<p>Gostamos de acreditar que tomamos decisões racionais o tempo todo, mas na maior parte das vezes damos chutes e decidimos na emoção. E isso produz resultados muito interessantes. Um dos pesquisadores mais conhecidos da área é o Prof. Dan Ariely, autor do livro “Previsivelmente Irracional”.</p>
<p>No livro ele analisa como enxergamos preços, por que o preço não é uma simples questão de “oferta e procura”, por que somos desonestos e como funciona o efeito placebo. É o resultado de anos de experimentação empírica.</p>
<p>Assista a este trecho que legendei da palestra dele no TED sobre o assunto:</p>
<div class="video-container">
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        <source src="https://s3.us-east-2.amazonaws.com/blip.tv/Akitaonrails-DanArielyPrevisivelmenteIrracional859.mp4">
        Your browser does not support the video tag. [Direct Link](https://s3.us-east-2.amazonaws.com/blip.tv/Akitaonrails-DanArielyPrevisivelmenteIrracional859.mp4)
    </video>
</div>
<p>Por que isso importa? Porque lidamos com pessoas todos os dias. Tomamos decisões influenciadas por outros ou, pior, que vão afetar outros. E dormimos de consciência tranquila, convencidos de que escolhemos a melhor opção racional com os dados que tínhamos em mãos.</p>
<p>Mas e se nossas decisões não forem tão racionais assim? E se somos facilmente influenciados por dados e circunstâncias? Melhor ainda: e se reconhecer esse fato nos ajudar a entender nossas limitações e a decidir melhor de verdade?</p>
<p>Por isso vale a pena entender a própria psicologia. Quem ocupa uma posição de gerência precisa disso mais que todo mundo, porque o trabalho em si já é “gerenciar pessoas”.</p>
<p>Somos irracionais, previsivelmente irracionais. Use isso a seu favor.</p>
]]></content:encoded><category>psicologia</category><category>economia</category><category>gestao</category><category>off-topic</category></item><item><title>[Off-Topic] O Mundo Hoje é Muito Bom! Feliz 2013!</title><link>https://akitaonrails.github.io/2013/01/02/off-topic-o-mundo-hoje-e-muito-bom-feliz-2013/</link><guid isPermaLink="true">https://akitaonrails.github.io/2013/01/02/off-topic-o-mundo-hoje-e-muito-bom-feliz-2013/</guid><pubDate>Wed, 02 Jan 2013 02:05:00 -0200</pubDate><description>&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Atualização 15/01:&lt;/strong&gt; Saiu outro artigo, &lt;a href="http://web.archive.org/web/20130103042141/http://www.spectator.co.uk/the-week/leading-article/8789981/glad-tidings/"target="_blank" rel="noopener"&gt;Why 2012 was the best year ever&lt;/a&gt;, dizendo a mesma coisa: estamos muito melhor hoje do que em qualquer momento do passado. Por que não parece? Porque muita gente alarmista diz o contrário. E por que espalham que o mundo está pior? Para se sentirem &amp;ldquo;heróis&amp;rdquo; por fazer &amp;ldquo;alguma coisa&amp;rdquo;, e para fazer você se sentir pior por não fazer como elas. Devemos sempre melhorar, claro, mas sem alarmismo irracional e pânico.&lt;/p&gt;</description><content:encoded><![CDATA[<p><strong>Atualização 15/01:</strong> Saiu outro artigo, <a href="http://web.archive.org/web/20130103042141/http://www.spectator.co.uk/the-week/leading-article/8789981/glad-tidings/"target="_blank" rel="noopener">Why 2012 was the best year ever</a>, dizendo a mesma coisa: estamos muito melhor hoje do que em qualquer momento do passado. Por que não parece? Porque muita gente alarmista diz o contrário. E por que espalham que o mundo está pior? Para se sentirem &ldquo;heróis&rdquo; por fazer &ldquo;alguma coisa&rdquo;, e para fazer você se sentir pior por não fazer como elas. Devemos sempre melhorar, claro, mas sem alarmismo irracional e pânico.</p>
<p>Resolvi começar 2013 com um artigo que espero que soe como uma mensagem positiva para o ano. A mensagem é simples:</p>
<blockquote>O mundo hoje é bom, muito bom, e está ficando cada vez melhor.</blockquote>
<p>Fico frustrado toda vez que vejo gente teoricamente &ldquo;estudada&rdquo; que prefere acreditar que o mundo está piorando, que estamos pior hoje do que ontem. Hoje somos &ldquo;impessoais&rdquo;, não brincamos mais na rua, perdemos a solidariedade, queimamos nossas florestas, todas as corporações são vilãs, o povo sofre mais.</p>
<p>Respeitosamente, discordo de todas essas ideias de que estamos piorando. Um motivo simbólico para escrever isto hoje é que atravessamos 2012, uma das últimas profecias conhecidas de &ldquo;Fim dos Tempos&rdquo;, como se não fosse nada (aliás, nunca foi nada mesmo).</p>
<p>Qualquer um que lê as notícias sabe que temos metrópoles cada vez mais superlotadas, surtos de violência o tempo todo em várias partes do mundo, guerras no Oriente Médio, intolerância religiosa e terrorismo, desastres naturais que &ldquo;parecem&rdquo; resultado do famigerado &ldquo;Aquecimento Global&rdquo;.</p>
<p>Tudo isso é verdade. E nada disso é sintoma de que o mundo está piorando.</p>
<p><a href="http://knowyourmeme.com/memes/first-world-problems"target="_blank" rel="noopener"><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/323/Latino_First_World_Problems_THUMP.png" alt="First World Problems"  loading="lazy" /></a></p>
<h2>O Mundo está melhor<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="o-mundo-está-melhor"></span>
    <a href="#o-mundo-est%c3%a1-melhor" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>A despeito de todas as profecias cataclísmicas, vou resumir rápido: o mundo é melhor hoje do que era 50 anos atrás, 100 anos atrás ou milênios atrás. Felizmente existe gente de ciência, fazendo pesquisa e trabalho sério, que acumulou dados durante anos a fio, e hoje dá para comparar item a item. Uma dessas organizações é a <a href="http://www.gapminder.org/"target="_blank" rel="noopener">Gapminder</a>, que disponibiliza tudo isso para você ver com os próprios olhos.</p>
<p>Recomendo assistir às palestras no <a href="http://www.ted.com/speakers/hans_rosling.html"target="_blank" rel="noopener">TED de Hans Rosling</a> interpretando esses dados. Ele demonstra como nas últimas décadas aumentamos a expectativa de vida da maioria das pessoas, melhoramos a qualidade de vida, reduzimos drasticamente a pobreza, a malnutrição e as diferenças. A grande maioria das pessoas hoje vive melhor, com mais conforto e por mais tempo.</p>
<p>A violência também está diminuindo, como mostra <a href="http://www.ted.com/talks/steven_pinker_on_the_myth_of_violence.html"target="_blank" rel="noopener">essa palestra do Steven Pinker no TED</a>. O livro <a href="http://www.thedailybeast.com/articles/2012/02/21/the-world-is-getting-better-argues-new-book-abundance.html"target="_blank" rel="noopener">Abundance</a>, de Peter H. Diamandis, traz ainda mais dados dessa nossa era de abundância.</p>
<p>E mesmo o tão temido Aquecimento Global é <a href="http://web.archive.org/web/20130109101134/http://www.globalclimatescam.com/"target="_blank" rel="noopener">constantemente questionado</a>. Muitos cientistas não estão convencidos com os dados que temos. E pouco importa se o Aquecimento Global é &ldquo;real&rdquo;: claramente existe gente ganhando muito <a href="http://www.akitaonrails.com/2011/02/03/off-topic-a-revolta-de-atlas-dinheiro-e-a-raiz-de-todo-o-mal"target="_blank" rel="noopener">dinheiro</a> e notoriedade a partir do &ldquo;medo&rdquo; causado por esse possível fenômeno natural. Assista ao documentário <a href="http://web.archive.org/web/20130204054920/http://coolit-themovie.com/"target="_blank" rel="noopener">Cool It</a>, onde o pesquisador Bjorn Lomborg desmistifica item a item o que você, leitor deste blog, certamente ainda não parou para pensar.</p>
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<p>Exemplo: se o Protocolo de Kyoto tivesse tido sucesso como os lobistas queriam, ele diminuiria a temperatura do mundo em apenas 0.008 graus Fahrenheit até 2100. E a política climática da União Europeia baixaria a temperatura em só 0.1 graus Fahrenheit, ao custo ridículo de USD 250 bilhões por ano pelo próximo século. Com metade desse dinheiro daria para acabar com a pobreza, a fome e as doenças do mundo.</p>
<p>Se todo mundo nos Estados Unidos passasse a dirigir um Prius, isso não cobriria nem 0.5% do carbono que tecnicamente deveria ser cortado até o meio do século. E se todos nos Estados Unidos usassem apenas lâmpadas econômicas, isso não cobriria nem 0.2% do carbono a ser cortado.</p>
<p>O comediante George Carlin foi quem explicou isso da forma mais clara que já vi:</p>
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</div>
<p>Estão entendendo?</p>
<h2>A Quem isso Beneficia?<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="a-quem-isso-beneficia"></span>
    <a href="#a-quem-isso-beneficia" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Nenhum &ldquo;pequeno ato&rdquo;, como reciclar uma latinha de alumínio, faz muita diferença sozinho hoje (não se preocupe, também não faz mal por si só). O que realmente faz diferença são os avanços contínuos da ciência. Foi a experimentação disciplinada e o acúmulo de conhecimento que um dia nos levaram à agricultura, afastando a fome mesmo com a superpopulação do mundo.</p>
<p>Essa conquista vem regredindo com modas como a <a href="http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2012/09/estudo-polemico-diz-que-comida-organica-nao-e-mais-nutritiva.html"target="_blank" rel="noopener">&ldquo;comida orgânica&rdquo;</a>, que ignora anos de evolução da tecnologia agrônoma responsável por garantir que nossa geração existisse.</p>
<p>A razão deste artigo é questionar o óbvio: <strong>a quem tudo isso beneficia?</strong> A resposta mais fácil são as grandes corporações que sabem tirar vantagem financeira disso. Mas elas não são o problema. O problema são as pessoas que facilitam a vida das corporações, transformando toda discussão em julgamento moral.</p>
<p>Hoje em dia, se eu digo que não ajudo nenhuma causa &ldquo;social&rdquo;, viro culpado de alguma forma pela desgraça de alguém. Uma história que me perturba até hoje foi contada por um amigo que respeito muito. Ele é um empresário bem-sucedido e se sente um pouco culpado por ter mais do que os outros. Por isso, quando pode, oferece esmola e coisas do tipo. Um dia, se me lembro direito, um desses mendigos esnobou a esmola, e meu amigo não sabia se tinha o direito de se sentir tão frustrado quanto estava.</p>
<p>Essa é a minha longa discussão sobre os <a href="http://akitaonrails.com/2009/09/09/off-topic-direitos-do-homem"target="_blank" rel="noopener">Direitos do Homem</a>. E, para deixar bem claro, digo com todas as letras: não tenho nenhuma obrigação de ajudar ninguém, da mesma forma que ninguém tem obrigação de me ajudar.</p>
<p>A palavra-chave aqui é &ldquo;obrigação&rdquo;. Sempre tenho a escolha de ajudar ou não, mas nunca a obrigação. Exercer essa escolha é uma opção individual que não cabe a ninguém julgar.</p>
<p>O mundo é simples: tudo que produzi pelo meu esforço é meu e de mais ninguém. Se eu quiser doar a alguém, é escolha minha. Se eu quiser jogar fora, é outra escolha absolutamente válida minha. Ninguém tem direito a algo meu, e ninguém pode julgar o que faço com algo meu. A recíproca vale: nunca terei direito a nada de ninguém de graça, e nunca devo julgar o que os outros fazem com as próprias posses. É simples.</p>
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<p>Esmola e doação são a mesma coisa. Vou dar a quem quiser, quando quiser e se quiser. E não julgo ninguém que doe ou que não doe. Agora, me irrita muito alguém ter a audácia de achar que pode me julgar pelo que faço com algo inteiramente meu.</p>
<p>Volte à minha história: por que esse meu amigo precisa se sentir &ldquo;culpado&rdquo; por algo de que não tem culpa? Tudo que ele ganhou foi pelo próprio esforço e suor, é dele. Mais do que isso, o trabalho dele possibilitou muitos empregos e até que outras empresas existissem, gerando riqueza indireta para muita gente. Por que ele precisa se sentir culpado por não dar de graça algo que é dele?</p>
<p>Essa é a prostituição da mente que quem trabalha sofre diariamente. Quanto mais trabalham, mais se esforçam e mais ganham, proporcionalmente mais se sentem culpados e julgados pelos outros. E quem são esses &ldquo;outros&rdquo;?</p>
<p>Este é o verdadeiro alvo do meu artigo. Quero expor quem se beneficia dessa orgia de falso altruísmo e ignorância. Gente carismática, que fala bonito, com discursos inspiradores (principalmente quem fala em justiça, inspiração e motivação), que usa muita hipérbole e apresenta quase nenhum dado de fonte confiável.</p>
<p>Todos usam os mesmos discursos, as mesmas formas pomposas e sem conteúdo. Mostram vídeos com o mundo se despedaçando, pessoas apáticas, criancinhas, repetindo os mesmos <em>&ldquo;Devemos&hellip;&rdquo;</em>, <em>&ldquo;Precisamos&hellip;&rdquo;</em> de sempre:</p>
<blockquote>"Precisamos nos unir", "Precisamos ser mais solidários", "Precisamos nos preocupar mais", "Precisamos pensar no próximo", "Precisamos largar o celular e nos conectar de verdade", bla, bla.</blockquote>
<p><strong>BULLSHIT!</strong></p>
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<!-- youtube video unavailable (deleted): 2DX3lZ8peBU (Penn & Teller Bullshit - Environmental Hysteria Part 1) -->
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<!-- youtube video unavailable (deleted): _ELJt0vUBi4 (Penn & Teller Bullshit - Environmental Hysteria Part 2) -->
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<p>Qualquer um que diz muitos <em>&ldquo;Precisamos&rdquo;</em>, sempre na primeira pessoa do plural <em>&ldquo;nós&rdquo;</em>, claramente quer ser o ditador de um grupo. Alguém que sozinho tem pouca capacidade e por isso incita mais gente para ganhar a credibilidade das massas. E, a partir de um certo número de pessoas, tudo que ele disser parece ter alguma validade.</p>
<p>Isso só é possível porque permitimos. Porque não olhamos os dados, não procuramos os fatos, nos emocionamos por qualquer vídeo bem montado com animais, paisagens e crianças, especialmente se mostrar crianças em alguma região miserável do interior da África. Batemos palma para todos esses demagogos.</p>
<p>E sabe o que fazem esses demagogos quando têm massas atrás? Fazem todos que efetivamente trabalham, criam e produzem riqueza no mundo se sentirem culpados. Colocam a massa para olhar essas pessoas e pressioná-las a &ldquo;compartilhar&rdquo; a própria propriedade, fazendo-as se sentir mal caso não dividam. E fazem isso de um jeito &ldquo;alegre&rdquo;, quase festivo: põem o dono da propriedade no meio da massa e dizem coisas como <em>&ldquo;pessoal, esse cara não seria hiper-legal se doasse o que tem para nossa causa?&rdquo;</em>, batendo palmas e sorrindo com sarcasmo, ao mesmo tempo que envergonham e encurralam o produtor, sem saída.</p>
<p>Isso, senhores, chama-se <a href="http://web.archive.org/web/20110904053728/http://www.jusbrasil.com.br/topicos/294442/estelionato"target="_blank" rel="noopener">estelionato</a>. É uma atividade fraudulenta, criminosa e, obviamente, ofensiva. Vamos ser claros: não vou me sujeitar ao sofrimento de atos criminosos. E você também não deveria.</p>
<p>A lição aqui é simples. Se alguém vem falar de outra pessoa ou grupo, faça a pergunta: <em>&ldquo;a quem isso beneficia?&rdquo;</em>. Se alguém diz <em>&ldquo;a empresa tal deve estar falindo, já que não tem dinheiro nem para doar para essa causa social tão importante&rdquo;</em>, por que essa pessoa que repassa a informação se importa? A quem isso beneficia? E vire a pergunta: por que uma empresa não doar significaria necessariamente que ela está mal financeiramente? A alternativa mais óbvia, &ldquo;a empresa não tem interesse em doações&rdquo;, parece &ldquo;moralmente ruim&rdquo; demais para ser considerada. E é justamente ela a mais provável. Só que chegamos num ponto tão degradante da moral que essa escolha é quase tratada como crime.</p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/324/2011-11-11_First_World_Problems.png" alt="Memes"  loading="lazy" /></p>
<h2>Não caia na conversa<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="não-caia-na-conversa"></span>
    <a href="#n%c3%a3o-caia-na-conversa" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Por isso, prestem atenção: o mundo hoje é melhor do que ontem. Não tenha dúvida disso. Doar e participar de causas sociais são coisas válidas. Mas julgar os outros por não participarem é crime.</p>
<p>Qualquer empresa, qualquer trabalhador realiza uma operação muito simples: trocas. Um trabalhador troca o valor do que produziu por dinheiro. Uma empresa troca um produto por dinheiro. E quem participa de causas sociais troca a própria capacidade de trabalho por outro tipo de moeda: consciência. Toda doação é uma transação do seu dinheiro ou das suas posses por <strong>&ldquo;você se sentir bem consigo mesmo&rdquo;</strong>. É uma troca comercial como qualquer outra. Afinal, você já viu alguém doar com o objetivo de se sentir mal depois?</p>
<p>Isso fica mais óbvio quando você encontra os famigerados <em>solidários de fim de semana</em>. Gente que quer comprar karma positivo por estar frustrada, deprimida, infeliz consigo mesma. Aí resolve participar dos movimentos de &ldquo;salvar o mundo&rdquo;, doar dinheiro, doar tempo, doar trabalho. Mas assim que se cansam, já estão na praia, num churrasco jogando futebol, debaixo do sol na piscina. Só que agora estão &ldquo;moralmente com crédito&rdquo; e se colocam na posição de julgar os outros com um <em>&ldquo;eu ajudei e você não&rdquo;</em>.</p>
<p>Só para constar, não estou falando de todos que são solidários. Muitos levam isso a sério de verdade e, na maioria dos casos, são anônimos, porque não estão nisso para chamar atenção, e sim para ajudar. Mas o tipo de que falo está no negócio de &ldquo;se sentir bem&rdquo;, e isso pede atenção, pede dizer para os outros como são boas pessoas, como todos deveriam imitá-los para se sentir bem igual. Como viciados oferecendo drogas porque elas fazem se sentir bem.</p>
<p>E elas estão preocupadas com as criancinhas? Veja o trauma que as estão fazendo passar contando falsas histórias de fim do mundo:</p>
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<p>A existência de pessoas assim é, justamente, mais uma evidência de como nossos tempos são melhores. No começo do século XX ninguém daria atenção a &ldquo;causas sociais&rdquo; como hoje: muitos sequer tinham o que comer direito, não tinham roupas, morriam de doenças comuns.</p>
<p>Só que esse grupo está cada vez mais incômodo e chato. Se não ficou claro, sou totalmente a favor de causas sociais sérias, e detesto os <em>hipsters solidários de fim de semana</em>. Existem movimentos sérios que merecem respeito sendo manchados por esses grupos. Quer mesmo se dedicar a uma causa? Junte-se a organizações como a Cruz Vermelha, trabalhe nisso em tempo integral e nunca force ninguém, física ou moralmente, a tomar a mesma decisão que você.</p>
<p>Isso vale para causas sociais e para qualquer tipo de &ldquo;causa&rdquo;. Fiquem espertos para variar: tem muita gente esperta querendo que você faça o trabalho sujo por ela. Desconfie de qualquer um que fale por <em>&ldquo;nós&rdquo;</em>, pelo <em>&ldquo;bem de todos&rdquo;</em> ou por qualquer demagogia barata do tipo.</p>
<p>O mundo hoje é melhor, verifique os dados, e está ficando cada vez melhor. Tudo que precisamos fazer é trabalhar e produzir mais e mais riqueza. Foi produzindo que o mundo chegou até aqui, e é produzindo que vai continuar melhorando. Retirar riqueza dos outros, o que muitos chamam eufemisticamente de &ldquo;compartilhar&rdquo;, nunca foi o caminho.</p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/325/1.jpeg" alt="Silicon Valey"  loading="lazy" /></p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/326/funny-worst-first-world-problem.jpeg" alt="First World Problems: I have a job"  loading="lazy" /></p>
]]></content:encoded><category>ciencia</category><category>filosofia</category><category>economia</category><category>off-topic</category></item><item><title>[Off-Topic] A Revolta de Atlas: Dinheiro é a raíz de todo o mal?</title><link>https://akitaonrails.github.io/2011/02/03/off-topic-a-revolta-de-atlas-dinheiro-e-a-raiz-de-todo-o-mal/</link><guid isPermaLink="true">https://akitaonrails.github.io/2011/02/03/off-topic-a-revolta-de-atlas-dinheiro-e-a-raiz-de-todo-o-mal/</guid><pubDate>Thu, 03 Feb 2011 22:17:00 -0200</pubDate><description>&lt;p&gt;Fui apresentado ao &lt;a href="http://web.archive.org/web/20110402053637/http://www.submarino.com.br:80/produto/1/21883535/revolta&amp;#43;de&amp;#43;atlas,&amp;#43;a"target="_blank" rel="noopener"&gt;Atlas Shrugged&lt;/a&gt; e a Ayn Rand em 2007, por ninguém menos que &lt;a href="http://akitaonrails.com/2007/07/20/conversando-com-carl-youngblood"target="_blank" rel="noopener"&gt;Carl Youngblood&lt;/a&gt;. Até então eu não conhecia o livro nem a filosofia do Objetivismo. De lá pra cá, fui estudando o assunto aos poucos. Li obras como &lt;a href="http://www.amazon.com/Virtue-Selfishness-Signet-Ayn-Rand/dp/0451163931"target="_blank" rel="noopener"&gt;The Virtue of Selfishness&lt;/a&gt;, uma das minhas favoritas, e já transcrevi três trechos de Rand aqui no blog:&lt;/p&gt;
&lt;ul&gt;
&lt;li&gt;&lt;a href="http://akitaonrails.com/2009/09/08/off-topic-o-culto-da-moral-cinzenta"target="_blank" rel="noopener"&gt;[Off-Topic] O Culto da Moral Cinzenta&lt;/a&gt;&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;&lt;a href="http://akitaonrails.com/2009/09/09/off-topic-direitos-do-homem"target="_blank" rel="noopener"&gt;[Off-Topic] Direitos do Homem&lt;/a&gt;&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;&lt;a href="http://akitaonrails.com/2009/09/12/off-topic-a-argumenta--o-atrav-s-da-intimida--o"target="_blank" rel="noopener"&gt;[Off-Topic] A Argumentação através da Intimidação&lt;/a&gt;&lt;/li&gt;
&lt;/ul&gt;
&lt;p&gt;E só neste ano finalmente sentei para encarar essa obra enorme que é o Atlas Shrugged. Estou chegando à metade, adorando a história e as ideias. O &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Objetivismo"target="_blank" rel="noopener"&gt;Objetivismo&lt;/a&gt; é a filosofia que melhor descreve a forma como gosto de pensar. Para quem tiver interesse, recomendo o livro &lt;a href="http://web.archive.org/web/20100515223252/http://www.submarino.com.br:80/produto/1/1976616/egoismo&amp;#43;racional:&amp;#43;o&amp;#43;individuo&amp;#43;de&amp;#43;ayn&amp;#43;rand"target="_blank" rel="noopener"&gt;Egoísmo Racional: o Indivíduo de Ayn Rand&lt;/a&gt;, do brasileiro &lt;a href="http://rodrigoconstantino.blogspot.com/"target="_blank" rel="noopener"&gt;Rodrigo Constantino&lt;/a&gt;, um dos poucos autores nacionais que leio com frequência.&lt;/p&gt;</description><content:encoded><![CDATA[<p>Fui apresentado ao <a href="http://web.archive.org/web/20110402053637/http://www.submarino.com.br:80/produto/1/21883535/revolta&#43;de&#43;atlas,&#43;a"target="_blank" rel="noopener">Atlas Shrugged</a> e a Ayn Rand em 2007, por ninguém menos que <a href="http://akitaonrails.com/2007/07/20/conversando-com-carl-youngblood"target="_blank" rel="noopener">Carl Youngblood</a>. Até então eu não conhecia o livro nem a filosofia do Objetivismo. De lá pra cá, fui estudando o assunto aos poucos. Li obras como <a href="http://www.amazon.com/Virtue-Selfishness-Signet-Ayn-Rand/dp/0451163931"target="_blank" rel="noopener">The Virtue of Selfishness</a>, uma das minhas favoritas, e já transcrevi três trechos de Rand aqui no blog:</p>
<ul>
<li><a href="http://akitaonrails.com/2009/09/08/off-topic-o-culto-da-moral-cinzenta"target="_blank" rel="noopener">[Off-Topic] O Culto da Moral Cinzenta</a></li>
<li><a href="http://akitaonrails.com/2009/09/09/off-topic-direitos-do-homem"target="_blank" rel="noopener">[Off-Topic] Direitos do Homem</a></li>
<li><a href="http://akitaonrails.com/2009/09/12/off-topic-a-argumenta--o-atrav-s-da-intimida--o"target="_blank" rel="noopener">[Off-Topic] A Argumentação através da Intimidação</a></li>
</ul>
<p>E só neste ano finalmente sentei para encarar essa obra enorme que é o Atlas Shrugged. Estou chegando à metade, adorando a história e as ideias. O <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Objetivismo"target="_blank" rel="noopener">Objetivismo</a> é a filosofia que melhor descreve a forma como gosto de pensar. Para quem tiver interesse, recomendo o livro <a href="http://web.archive.org/web/20100515223252/http://www.submarino.com.br:80/produto/1/1976616/egoismo&#43;racional:&#43;o&#43;individuo&#43;de&#43;ayn&#43;rand"target="_blank" rel="noopener">Egoísmo Racional: o Indivíduo de Ayn Rand</a>, do brasileiro <a href="http://rodrigoconstantino.blogspot.com/"target="_blank" rel="noopener">Rodrigo Constantino</a>, um dos poucos autores nacionais que leio com frequência.</p>
<p>E por acaso neste ano deve estrear a primeira parte da <a href="http://www.imdb.com/title/tt0480239/"target="_blank" rel="noopener">versão para o cinema</a>, dirigida por Paul Johansson. Gostei das escolhas de Taylor Schilling como Dagny Taggart e Grant Bowler como Henry Rearden. Para mim, Bowler tem um ar de Gary Cooper no papel de Howard Roark em <a href="http://www.imdb.com/title/tt0041386/"target="_blank" rel="noopener">The Fountainhead</a>, de 1949, que adapta o romance homônimo de Rand:</p>


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<p>Eu estava justamente no trecho que chega ao casamento de James Taggart. Ali, Francisco D’Anconia, um industrial riquíssimo e conhecido na imprensa como playboy, é abordado por uma convidada na festa:</p>
<blockquote>
  <ul>
<li>Sr. D’Anconia, o que acha que vai acontecer com o mundo?</li>
<li>Exatamente o que ele merece.</li>
<li>Ah, mas como o senhor é cruel!</li>
<li>A senhora não acredita na lei moral, madame? – perguntou Francisco, muito sério. – Eu acredito.</li>
</ul>
<p>Rearden ouviu Bertram Scudder, que estava fora do grupo, dizer a uma moça que emitira algum som que traduzia indignação:</p>
<ul>
<li>Não se incomode com ele. Sabe, o dinheiro é a origem de todo o mal, e ele é um produto típico do dinheiro.</li>
</ul>
<p>Rearden achou que Francisco não deveria ter ouvido o comentário, porém o viu se virar para eles com um sorriso muito cortês.</p>

</blockquote>
<p>E aí começa um dos melhores discursos que já li. Francisco disserta sobre o Dinheiro. Raramente paramos para pensar nas coisas triviais do dia a dia, e dinheiro é uma delas: todos temos, usamos, ganhamos e perdemos, mas entendemos pouco a respeito. O discurso é quase uma ode ao dinheiro, e resolvi compartilhar para dar vontade de ler o romance inteiro.</p>
<p>Abaixo vai o discurso de Francisco D’Anconia. Antes, um detalhe de linguagem: em inglês, para “ganhar dinheiro” se diz <em>“make money”</em>, ou seja, “fazer dinheiro”. Nós falamos em ganhar, os americanos falam em fazer. A diferença é mais importante do que parece, e o próprio discurso volta a esse ponto no fim.</p>
<p>Lembram da velha pergunta <em>“dinheiro traz felicidade?”</em> O discurso responde em parte a ela, e também àquela outra: <em>“dinheiro é a raiz de todo o mal?”</em> Leiam:</p>
<h2>O Discurso do Dinheiro<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="o-discurso-do-dinheiro"></span>
    <a href="#o-discurso-do-dinheiro" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p><a href="http://www.imdb.com/name/nm0006987/"target="_blank" rel="noopener"><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/2011/2/3/MV5BMTI5NzYzMTE5N15BMl5BanBnXkFtZTcwOTU3MDE5Mg@@._V1._SY314_CR18,0,214,314__original.jpg?1296778786" alt=""  loading="lazy" /></a><br>
Jsu Garcia como Francisco D’Anconia</p>
<p>Então o senhor acha que o dinheiro é a origem de todo o mal? O senhor já se perguntou qual é a origem do dinheiro? O dinheiro é um instrumento de troca, que só pode existir quando há bens produzidos e homens capazes de produzi-los. O dinheiro é a forma material do princípio de que os homens que querem negociar uns com os outros precisam trocar um valor por outro. O dinheiro não é o instrumento dos pidões, que pedem produtos por meio de lágrimas, nem dos saqueadores, que os levam à força. O dinheiro só se torna possível através dos homens que produzem. É isto que o senhor considera mau? Quem aceita dinheiro como pagamento por seu esforço só o faz por saber que ele será trocado pelo produto de esforço de outrem. Não são os pidões nem os saqueadores que dão ao dinheiro o seu valor. Nem um oceano de lágrimas nem todas as armas do mundo podem transformar aqueles pedaços de papel no seu bolso no pão de que você precisa para sobreviver. Aqueles pedaços de papel, que deveriam ser ouro, são penhores de honra; por meio deles você se apropria da energia dos homens que produzem. A sua carteira afirma a esperança de que em algum lugar no mundo a seu redor existem homens que não traem aquele princípio moral que é a origem da produção? Olhe para um gerador de eletricidade e ouse dizer que ele foi criado pelo esforço muscular de criaturas irracionais. Tente plantar um grão de trigo sem os conhecimentos que lhe foram legados pelos homens que foram os primeiros a plantar trigo. Tente obter alimentos usando apenas movimentos físicos, e descobrirá que a mente do homem é a origem de todos os produtos e de toda a riqueza que já houve na terra.</p>
<p>Mas o senhor diz que o dinheiro é feito pelos fortes em detrimento dos fracos? A que força o senhor se refere? Não é à força das armas nem dos músculos. A riqueza é produto da capacidade humana de pensar. Então o dinheiro é feito pelo homem que inventa um motor em detrimento daquele que não o inventou? O dinheiro é feito pela inteligência em detrimento dos estúpidos? Pelos capazes em detrimento dos incompetentes? Pelos ambiciosos em detrimento dos preguiçosos? O dinheiro é feito – antes de poder ser embolsado pelos pidões e pelos saqueadores – pelo esforço honesto de todo homem honesto, cada um na medida de sua capacidade. O homem honesto é aquele que sabe que não pode consumir mais do que produz. Comerciar por meio do dinheiro é o código dos homens de boa vontade. O dinheiro baseia-se no axioma de que todo homem é proprietário de sua mente e de seu trabalho. O dinheiro não permite que nenhum poder prescreva o valor do seu trabalho, senão a escolha voluntária do homem que está disposto a trocar com você o trabalho dele. O dinheiro permite que você obtenha em troca dos seus produtos e do seu trabalho aquilo que esses produtos e esse trabalho valem para os homens que os adquirem, e nada mais que isso. O dinheiro só permite os negócios em que há benefício mútuo segundo o juízo das partes voluntárias.</p>
<p>O dinheiro exige o reconhecimento de que os homens precisam trabalhar em benefício próprio, e não em detrimento de si próprio; para lucrar, não para perder; de que os homens não são bestas de carga, que não nascem para arcar com o ônus da miséria; de que é preciso oferecer-lhes valores, não dores; de que o vínculo comum entre os homens não é a troca de sofrimento, mas a troca de bens. O dinheiro exige que o senhor venda não a sua fraqueza à estupidez humana, mas o seu talento à razão humana; exige que o senhor compre não o pior que os outros oferecem, mas o melhor que o seu dinheiro pode comprar. E, quando os homens vivem do comércio – com a razão e não à força, como árbitro irrecorrível –, é o melhor produto que sai vencendo, o melhor desempenho, o homem de melhor juízo e maior capacidade – e o grau da produtividade de um homem é o grau de sua recompensa. Este é o código da existência cujo instrumento e símbolo é o dinheiro. É isto que o senhor considera mau?</p>
<p>Mas o dinheiro é só um instrumento. Ele pode levá-lo aonde o senhor quiser, mas não pode substituir o motorista do carro. Ele lhe dá meios de satisfazer seus desejos, mas não lhe cria desejos. O dinheiro é o flagelo dos homens que tentam inverter a lei da causalidade – os homens que tentam substituir a mente pelo sequestro dos produtos da mente. O dinheiro não compra felicidade para o homem que não sabe o que quer; não lhe dá um código de valores se ele não tem conhecimento a respeito de valores, e não lhe dá um objetivo, se ele não escolhe uma meta. O dinheiro não compra inteligência para o estúpido, nem admiração para o covarde, nem respeito para o incompetente. O homem que tenta comprar o cérebro de quem lhe é superior para servi-lo, usando dinheiro para substituir seu juízo, termina vítima dos que lhe são inferiores. Os homens inteligentes o abandonam, mas os trapaceiros e vigaristas correm a ele, atraídos por uma lei que ele não descobriu: o homem não pode ser menor do que o dinheiro que ele possui. É por isso que o senhor considera o dinheiro mau? Só o homem que não precisa da fortuna herdada merece herdá-la – aquele que faria sua fortuna de qualquer modo, mesmo sem herança. Se um herdeiro está à altura de sua herança, ela o serve; caso contrário, ela o destrói. Mas o senhor diz que o dinheiro corrompeu. Foi mesmo? Ou foi ele que corrompeu seu dinheiro? Não inveje um herdeiro que não vale nada; a riqueza dele não é sua, e o senhor não teria tirado melhor proveito dela. Não pense que ela deveria ser distribuída; criar cinquenta parasitas em lugar de um só não reaviva a virtude morta que criou a fortuna.</p>
<p>O dinheiro é um poder vivo que morre quando se afasta de sua origem. O dinheiro não serve à mente que não está a sua altura. É por isso que o senhor o considera mau? O dinheiro é o seu meio de sobrevivência. O veredicto que o senhor dá à fonte de seu sustento é o veredicto que o senhor dá à sua própria vida. Se a fonte é corrupta, o senhor condena a sua própria existência. O seu dinheiro provém da fraude? Da exploração dos vícios e da estupidez humana? O senhor o obteve servindo aos insensatos, na esperança de que eles lhe dessem mais do que sua capacidade merece? Baixando seus padrões de exigência? Fazendo um trabalho que o senhor despreza para compradores que o senhor não respeita? Neste caso, o seu dinheiro não lhe dará um momento sequer de felicidade. Todas as coisas que o senhor adquirir serão não um tributo ao senhor, mas uma acusação; não uma realização, mas um momento de vergonha. Então o senhor dirá que o dinheiro é mau. Mau porque ele não substitui seu amor-próprio? Mau porque ele não permite que o senhor aproveite e goze sua depravação? É este o motivo de seu ódio ao dinheiro? O dinheiro será sempre um efeito, e nada jamais o substituirá na posição de causa. O dinheiro é produto da virtude, mas não dá virtude nem redime vícios. O dinheiro não lhe dá o que o senhor não merece, nem em termos materiais nem em termos espirituais. É este o motivo de seu ódio ao dinheiro? Ou será que o senhor disse que é o amor ao dinheiro que é a origem de todo o mal?</p>
<p>Amar uma coisa é conhecer e amar a sua natureza. Amar o dinheiro é conhecer e amar o fato de que o dinheiro é criado pela melhor força que há dentro do senhor, a sua chave-mestra que lhe permite trocar o seu esforço pelo esforço dos melhores homens que há. O homem que venderia a própria alma por um tostão é o que mais alto brada que odeia o dinheiro – e ele tem bons motivos para odiá-lo. Os que amam o dinheiro estão dispostos a trabalhar para ganhá-lo. Eles sabem que são capazes de merecê-lo. Eis uma boa pista para saber o caráter dos homens: aquele que amaldiçoa o dinheiro o obtém de modo desonroso; aquele que o respeita o ganha honestamente. Fuja do homem que diz que o dinheiro é mau. Essa afirmativa é o estigma que identifica o saqueador, assim como o sino indicava o leproso. Enquanto os homens viverem juntos na terra e precisarem de um meio para negociar, se abandonarem o dinheiro, o único substituto que encontrarão será o cano do fuzil. Mas o dinheiro exige do senhor as mais elevadas virtudes, se o senhor quer ganhá-lo ou conservá-lo.</p>
<p>Os homens que não têm coragem, orgulho nem amor-próprio, que não têm convicção moral de que merecem o dinheiro que têm e não estão dispostos a defendê-lo como defendem suas próprias vidas, os homens que pedem desculpas por serem ricos – esses não vão permanecer ricos por muito tempo. São presa fácil para os enxames de saqueadores que vivem debaixo das pedras durante séculos, mas que saem do esconderijo assim que farejam um homem que pede perdão pelo crime de possuir riquezas. Rapidamente eles vão livrá-lo dessa culpa. Então o senhor verá a ascensão dos homens que vivem uma vida dupla – que vivem da força, mas dependem dos que vivem do comércio para criar o valor do dinheiro que eles saqueiam. Esses homens vivem pegando carona com a virtude. Numa sociedade onde há moral eles são os criminosos, e as leis são feitas para proteger os cidadãos contra eles. Mas quando uma sociedade cria uma categoria de criminosos legítimos e saqueadores legais – homens que usam a força para se apossar da riqueza de vítimas desarmadas – então o dinheiro se transforma no vingador daqueles que o criaram. Tais saqueadores acham que não há perigo em roubar homens indefesos, depois que aprovam uma lei que os desarme. Mas o produto de seu saque acaba atraindo outros saqueadores, que os saqueiam como eles fizeram com os homens desarmados. E assim a coisa continua, vencendo sempre não o que produz mais, mas aquele que é mais implacável em sua brutalidade. Quando o padrão é a força, o assassino vence o batedor de carteiras. E então esta sociedade desaparece, em meio a ruínas e matanças.</p>
<p>Quer saber se este dia se aproxima? Observe o dinheiro. O dinheiro é o barômetro da virtude de uma sociedade. Quando há comércio não por consentimento, mas por compulsão – quando para produzir é necessário pedir permissão a homens que nada produzem – quando o dinheiro flui para aqueles que não vendem produtos, mas influencia – quando os homens enriquecem mais pelo suborno e favores do que pelo trabalho, e as leis não protegem quem produz de quem rouba, mas quem rouba de quem produz – quando a corrupção é recompensada e a honestidade vira um sacrifício – pode ter certeza de que a sociedade está condenada. O dinheiro é um meio de troca tão nobre que não entra em competição com as armas e não faz concessões à brutalidade. Ele não permite que um país sobreviva se metade é propriedade, metade é produto de saques. Sempre que surgem destruidores, a primeira coisa que eles destroem é o dinheiro, pois o dinheiro protege os homens e constitui a base da existência moral. Os destruidores se apossam do ouro e deixam em troca uma pilha de papel falso. Isto destrói todos os padrões objetivos e põe os homens nas mãos de um determinador arbitrário de valores. O dinheiro era um valor objetivo, equivalente à riqueza produzida. O papel é uma hipoteca sobre riquezas inexistentes, sustentado por uma arma apontada para aqueles que têm de produzi-las. O papel é um cheque emitido por saqueadores legais sobre uma conta que não é deles: a virtude de suas vítimas. Cuidado que um dia o cheque é devolvido, com o carimbo: ’sem fundos’. Se o senhor faz do mal o meio de sobrevivência, não é de se esperar que os homens permaneçam bons. Não é de se esperar que eles continuem a seguir a moral e sacrifiquem suas vidas para proveito dos imorais. Não é de se esperar que eles produzam, quando a produção é punida e o saque é recompensado. Não pergunte quem está destruindo o mundo: é o senhor. O senhor vive no meio das maiores realizações da civilização mais produtiva do mundo e não sabe por que ela está ruindo a olhos vistos, enquanto o senhor amaldiçoa o sangue que corre pelas veias dela – o dinheiro. O senhor encara o dinheiro como os selvagens o faziam, e não sabe por que a selva está brotando nos arredores das cidades. Em toda a história, o dinheiro sempre foi roubado por saqueadores de diversos tipos, com nomes diferentes, mas cujo método sempre foi o mesmo: tomar o dinheiro à força e manter os produtores de mãos atadas, rebaixados, difamados, desonrados. Esta afirmativa de que o dinheiro é a origem do mal, que o senhor pronuncia com tanta convicção, vem do tempo em que a riqueza era produto do trabalho escravo – e os escravos repetiam os movimentos que foram descobertos pela inteligência de alguém e durante séculos não foram aperfeiçoados.</p>
<p>Enquanto a produção era governada pela força, e a riqueza era obtida pela conquista, não havia muito que conquistar. No entanto, no decorrer de séculos de estagnação e fome, os homens exaltavam os saqueadores, como aristocratas da espada, aristocratas de estirpe, aristocratas da tribuna, e desprezavam os produtores, como escravos, mercadores, lojistas – industriais. Para a glória da humanidade, houve, pela primeira e única vez na história, uma nação de dinheiro – e não conheço elogio maior aos Estados Unidos do que esse, pois ele significa um país de razão, justiça, liberdade, produção, realização. Pela primeira vez, a mente humana e o dinheiro foram libertados, e não havia fortunas adquiridas pela conquista, mas só pelo trabalho, e ao invés de homens da espada e escravos, surgiu o verdadeiro criador da riqueza, o maior trabalhador, o tipo mais elevado de ser humano – o self-made man – o industrial americano. Se me perguntarem qual a maior distinção dos americanos, eu escolheria – porque ela contém todas as outras – o fato de que foram os americanos que criaram a expressão “fazer dinheiro”. Nenhuma outra língua, nenhum outro povo jamais usara estas palavras antes, e sim “ganhar dinheiro”; antes, os homens sempre encaravam a riqueza como uma quantidade estática, a ser tomada, pedida, herdada, repartida, saqueada ou obtida como favor. Os americanos foram os primeiros a compreender que a riqueza tem que ser criada. A expressão ‘fazer dinheiro’ resume a essência da moralidade humana. Porém foi justamente por causa desta expressão que os americanos eram criticados pelas culturas apodrecidas dos continentes de saqueadores.</p>
<p>O ideário dos saqueadores fez com que pessoas como o senhor passassem a encarar suas maiores realizações como um estigma vergonhoso, sua prosperidade como culpa, seus maiores filhos, os industriais, como vilões, suas magníficas fábricas como produto e propriedade do trabalho muscular, o trabalho de escravos movidos a açoites, como na construção das pirâmides do Egito. As mentes apodrecidas que dizem não ver diferença entre o poder do dólar e o poder do açoite merecem aprender a diferença na sua própria pele, que, creio eu, é o que vai acabar acontecendo. Enquanto pessoas como o senhor não descobrirem que o dinheiro é a origem de todo bem, estarão caminhando para sua própria destruição. Quando o dinheiro deixa de ser o instrumento por meio do qual os homens lidam uns com os outros, os homens se tornam os instrumentos dos homens. Sangue, açoites, armas – ou dólares. Façam sua escolha – não há outra opção – e o tempo está esgotando.</p>
<h2>A Crítica<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="a-crítica"></span>
    <a href="#a-cr%c3%adtica" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Tenho certeza de que muita gente se sente estranha ao ler isso. A argumentação é sólida, mas a ideia soa “errada” à primeira vista. No livro, logo depois do discurso, vem esta cena:</p>
<blockquote>
  <p>Algumas pessoas haviam ouvido, mas agora se afastavam, e outras diziam: “é horrível!”; “Não é verdade!”; “Que egoísmo!”. Falavam ao mesmo tempo alto e discretamente, como se quisessem que aqueles que estavam ao lado ouvissem, mas não Francisco.</p>
<ul>
<li>Sr. D’Anconia – disse a mulher dos brincos -, não concordo com o senhor!</li>
<li>Se a senhora puder refutar uma só frase que eu disse, madame, lhe agradecerei.</li>
<li>Ah, não posso responder ao senhor. Não tenho respostas, minha mente não funciona assim, mas eu não <em>sinto</em> que o senhor tenha razão, portanto sei que o senhor está errado.</li>
<li>Como a senhora sabe disso?</li>
<li>Eu <em>sinto</em>. Não me guio pela cabeça, mas pelo coração. Sua lógica pode estar certa, mas o senhor não tem coração.</li>
<li>Minha senhora, quando as pessoas estiverem morrendo de fome ao nosso redor, seu coração não vai ajudá-las em nada. E, já que não tenho coração, eu lhe digo: quando a senhora gritar “Mas eu não sabia!”, não terá perdão.</li>
</ul>

</blockquote>
<p>Dá para imaginar que um personagem que fala assim coloca o “dinheiro” acima de tudo. A história mostra o contrário, e o que vem adiante é ainda mais surpreendente. Por isso recomendo ler o romance até o fim ;-)</p>
<p>E esse discurso não é a história toda. Para entender aonde tudo isso chega, o complemento é o discurso de John Galt.</p>
<h2>Bônus<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="bônus"></span>
    <a href="#b%c3%b4nus" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>O que provavelmente melhor resume o que Rand quis dizer com Atlas Shrugged é o Discurso de John Galt. Vale ler fora do contexto do romance, e existe uma <a href="http://alexrosa.blogspot.com/2008/03/o-discurso-de-john-galt.html"target="_blank" rel="noopener">transcrição em português</a>.</p>
<p>Existe outra versão dessa ideia no romance <em>The Fountainhead</em>. Meu <a href="http://www.akitaonrails.com/2011/02/04/off-topic-the-fountainhead-defesa-de-howard-roark"target="_blank" rel="noopener">post seguinte</a> traz o discurso de Howard Roark, que carrega a mesma tese de John Galt.</p>
]]></content:encoded><category>filosofia</category><category>economia</category><category>off-topic</category></item><item><title>[Off-Topic] Empresas, Pessoas, Sucesso</title><link>https://akitaonrails.github.io/2010/01/30/off-topic-empresas-pessoas-sucesso/</link><guid isPermaLink="true">https://akitaonrails.github.io/2010/01/30/off-topic-empresas-pessoas-sucesso/</guid><pubDate>Sat, 30 Jan 2010 14:22:00 -0200</pubDate><description>&lt;div class="embed-container"&gt;
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&lt;p&gt;Adoro o vídeo &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Wear_Sunscreen"target="_blank" rel="noopener"&gt;Wear Sunscreen&lt;/a&gt;. Vi pela primeira vez em 2003 ou 2004 e ele ficou comigo como um aviso, algo para lembrar de vez em quando. As partes que mais gosto:&lt;/p&gt;
&lt;blockquote&gt;
&lt;p&gt;&amp;ldquo;Tenha cuidado com quais conselhos você aceita, mas seja paciente com quem lhes dá conselhos. Conselho é uma forma de nostalgia, distribuí-lo é uma forma de pescar o passado do lixo, limpá-lo, pintar sobre as partes feias e reciclá-lo por mais do que vale.&amp;rdquo;&lt;/p&gt;</description><content:encoded><![CDATA[

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<p>Adoro o vídeo <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Wear_Sunscreen"target="_blank" rel="noopener">Wear Sunscreen</a>. Vi pela primeira vez em 2003 ou 2004 e ele ficou comigo como um aviso, algo para lembrar de vez em quando. As partes que mais gosto:</p>
<blockquote>
  <p>&ldquo;Tenha cuidado com quais conselhos você aceita, mas seja paciente com quem lhes dá conselhos. Conselho é uma forma de nostalgia, distribuí-lo é uma forma de pescar o passado do lixo, limpá-lo, pintar sobre as partes feias e reciclá-lo por mais do que vale.&rdquo;</p>

</blockquote>
<p>Outra parte importante:</p>
<blockquote>
  <p>&ldquo;Talvez você se case, talvez não, talvez você tenha filhos, talvez não, talvez você se divorcie aos 40, talvez você dance a dança da galinha no seu 75o aniversário de casamento. Não importa o que faça, não se parabenize demais ou se critique demais. Suas chances são de 50%, assim como as de todo mundo.&rdquo;</p>

</blockquote>
<p>Relembrei dessa parte lendo <a href="http://www.amazon.com/What-Dog-Saw-Other-Adventures/dp/0316075841"target="_blank" rel="noopener">What the Dog Saw</a>, do Malcolm Gladwell, no capítulo em que ele fala de outro autor que gosto, Nassim Taleb, autor do excelente <a href="http://www.amazon.com/Fooled-Randomness-Hidden-Chance-Markets/dp/1587990717"target="_blank" rel="noopener">Fooled by Randomness</a>. O capítulo está no <a href="http://www.gladwell.com/2002/2002_04_29_a_blowingup.htm"target="_blank" rel="noopener">blog do Gladwell</a>, e este é o trecho que me chamou a atenção:</p>
<blockquote>
  <p>&ldquo;Para Taleb, então, a questão de porque alguém foi um sucesso no mercado financeiro era vexatório. Taleb consegue fazer os cálculos de cabeça. Suponha que existiam 10 mil gerentes de investimento por aí, o que nem é um número grande, e que a cada ano metade deles, totalmente por sorte, ganharam dinheiro e que metade deles, totalmente por azar, perderam dinheiro. E suponha que a cada ano os perdedores saiam do mercado, e o jogo é refeito com os que sobraram. Ao final de 5 anos, haveriam 313 pessoas que ganharam dinheiro em cada um desses anos, e depois de 10 anos, sobrariam 9 que ganharam dinheiro em cada ano, seguidamente, totalmente por sorte. Niederhoffer, como Buffett e Soros, era um homem brilhante. Ele tinha um Ph.D em economia pela Universidade de Chicago. Ele iniciou a ideia de que por análise matemática rígida de padrões no mercado um investidor poderia identificar anomalias lucrativas. Mas quem poderia dizer que ele não era um dos 9 sortudos? E quem poderia dizer que no 11o ano Niederhoffer não seria um dos azarados, que de repente perderia tudo, que de repente, como se diria em Wall Street, &lsquo;se ferrou&rsquo;?&rdquo;</p>

</blockquote>
<p>O artigo é longo, mas poupo vocês dos detalhes: <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Victor_Niederhoffer"target="_blank" rel="noopener">Victor Niederhoffer</a> literalmente &lsquo;se ferrou&rsquo; em outubro de 1997. Perdeu praticamente tudo.</p>
<h2>O Milagre da Apple<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="o-milagre-da-apple"></span>
    <a href="#o-milagre-da-apple" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Em 1997, a Apple era considerada praticamente fora do mercado, com uma linha de produtos ruim, péssima imagem, marketshare em declínio, enormes prejuízos. Foi quando Steve Jobs retornou.</p>
<p>Em 2009, a Apple é uma das empresas mais admiradas do mundo, seu valor de mercado se multiplicou dezenas de vezes, demonstra lucros extraordinários, a marca é uma das mais reconhecidas e adoradas do mundo, seus produtos são invejados por toda a indústria.</p>
<p>Essa é a história do <a href="http://web.archive.org/web/20100123120647/http://money.cnn.com/magazines/fortune/steve_jobs/2009/"target="_blank" rel="noopener">CEO da Década</a>, do iMac ao iPod, ao iPhone e agora ao iPad. Todos adoramos histórias assim. Imaginar que um grande cérebro, um gênio, um herói, sozinho dobra uma indústria inteira a seus pés. Doze anos ininterruptos de sucesso.</p>
<p>Eu também adoro essa história. Ela me fascina desde os anos 90, e conheço a trajetória inteira desde o começo, em 1976: o Macintosh em 1984, a Pixar em 1995, o grande retorno em 1997, o iPod em 2001, o iTunes em 2003, o iPhone em 2007.</p>
<p>Mas não consigo deixar de imaginar o quanto disso foi pura sorte, e quando virá o dia da grande virada para o azar. Espero que não aconteça, claro, mas a história mostra que é questão de tempo.</p>
<h2>As Receitas Mágicas<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="as-receitas-mágicas"></span>
    <a href="#as-receitas-m%c3%a1gicas" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>O que acho mais engraçado é quantos &ldquo;analistas&rdquo;, &ldquo;especialistas&rdquo; e &ldquo;gurus&rdquo; gostam de citar histórias como a da Apple, de Warren Buffett ou dos Victor Niederhoffer da vida como donos de &ldquo;Receitas Mágicas para o Sucesso&rdquo;.</p>
<p>Existe uma indústria inteira, de psicólogos a MBAs, PhDs e economistas, com toneladas de livros e análises traçando as rotas das grandes pessoas e empresas de sucesso. Todos tentam achar o que elas têm em comum e, a partir daí, vender procedimentos que &ldquo;garantidamente&rdquo; levam você ao sucesso.</p>
<p>É uma tarefa fácil: se der certo, a fórmula funciona; se não der certo, foi você quem não seguiu a fórmula corretamente. Não tem como errar.</p>
<p>Estou cansado de ouvir: <em>&ldquo;temos que seguir esse caminho, porque é assim que a empresa XYZ, de grande sucesso, faz.&rdquo;</em> Mal sabem eles que muito disso pode ser pura sorte. E sorte é incontrolável, presa à situação em que aconteceu, impossível de replicar sob encomenda.</p>
<p>Num mundo caótico, é impossível replicar as milhões de variáveis que levaram a um fenômeno. Em retrospectiva, enxergamos muitos dos fatores macro, mas nunca saberemos todos os microfatores que influenciaram o resultado. Por isso é fútil tentar.</p>
<p>Dá para aprender com erros. Aprender com acertos é bem mais difícil, ainda mais o tipo de acerto que tira uma Apple da quase-falência em 1997 e a leva ao estrelato em 2009. Nem os maiores supercomputadores do mundo dariam conta de analisar todas as variáveis envolvidas.</p>
<p>Admirar os grandes sucessos é um bom exercício. Inspira a tentar coisas diferentes e a rever pontos de vista, e nisso há algo saudável.</p>
<p>Mas é burrice sair citando ou imitando os outros. <em>&ldquo;Vamos fazer X porque esse guru de sucesso disse.&rdquo;</em> Isso é cegueira, é agir sem saber o que se está fazendo, é não entender que o sucesso de alguém pode muito bem ter vindo de pura sorte. Muita gente prefere acreditar que veio de suor, esforço próprio e mérito, 100% fruto da perspicácia e da inteligência.</p>
<p>Como Taleb diz, isso soa como heresia numa cultura que trata &ldquo;suor = sucesso&rdquo;, mas é assim que o mundo funciona. Espécies evoluem ou se extinguem com base em pura aleatoriedade. O Homo sapiens está aqui por pura chance. É um fato a se aceitar.</p>
<p>Tem mais: análises em retrospectiva são perigosas. Depois do fato, é simples traçar o caminho para trás e enxergar a maioria dos passos que foram dados. O truque é que, no passado, na hora de decidir, ninguém sabia como a história ia se desenrolar.</p>
<p>Por isso não dá para comparar o crítico de hoje, que diz <em>&ldquo;ah, mas você devia ter feito Y&rdquo;</em>, com o decisor de então, que não tinha o conhecimento do futuro. E análises retrospectivas não servem de receita para o futuro, porque o conjunto de variáveis e circunstâncias será totalmente outro.</p>
<p>Histórias heroicas fazem parte do nosso folclore, da nossa cultura. Já falei disso no artigo <a href="http://akitaonrails.com/2008/09/20/off-topic-o-poder-do-mito-redux"target="_blank" rel="noopener">O Poder do Mito: Redux</a>, e recomendo dar uma olhada se ainda não leram.</p>
<p>Diante disso, um dos perigos é o bom e velho <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Analysis_paralysis"target="_blank" rel="noopener">analysis paralysis</a>, quando queremos avaliar todas as variáveis possíveis antes de tomar qualquer decisão. Aceite que você nunca terá todas, e por mais que consiga analisar, suas chances de acerto não melhoram tanto assim. Como disse antes:</p>
<blockquote>
  <p>&ldquo;Não importa o que faça, não se parabenize demais ou se critique demais. Suas chances são de 50%, assim como as de todo mundo.&rdquo;</p>

</blockquote>
<p>Dito tudo isso, o que uma pessoa ou empresa deve fazer? &ldquo;Satisfazer os clientes?&rdquo; Isso é só um aspecto do negócio. &ldquo;Entregar bons produtos?&rdquo; Mais um aspecto. O que você faz no meio do caminho lhe dá ou não sustentabilidade, mas não confunda as coisas: o propósito é um só.</p>
<p>Um marketeiro dirá que o principal é &ldquo;satisfazer o cliente&rdquo;. Um engenheiro de produção, &ldquo;aumentar a produtividade&rdquo;. Um investidor, &ldquo;aumentar o valor da empresa&rdquo;. Um cientista da computação, &ldquo;criar tecnologias inovadoras&rdquo;. Um sociólogo, &ldquo;fazer diferença no mundo&rdquo;. E assim por diante.</p>
<p>O propósito de uma empresa é &ldquo;ganhar dinheiro de forma sustentável&rdquo;. Apenas isso.</p>
<p><strong>Obs:</strong> Não estou afirmando que tudo vem só de sorte, claro que não. Estou dizendo que é inútil tentar separar uma coisa da outra em casos passados, e pior ainda usar isso de modelo para o futuro, justamente por causa dessa incerteza.</p>
]]></content:encoded><category>negocios</category><category>economia</category><category>off-topic</category></item><item><title>[Off-Topic] Quem é o Burro?</title><link>https://akitaonrails.github.io/2010/01/08/off-topic-quem-e-o-burro/</link><guid isPermaLink="true">https://akitaonrails.github.io/2010/01/08/off-topic-quem-e-o-burro/</guid><pubDate>Fri, 08 Jan 2010 19:14:00 -0200</pubDate><description>&lt;p&gt;Lendo o livro Systems Thinking, de Jamshid Gharajedaghi, esbarrei numa história interessante que deu origem a um tweet que publiquei na véspera:&lt;/p&gt;
&lt;blockquote&gt;
&lt;p&gt;Information &amp;lt; Knowledge &amp;lt; Understanding&lt;br&gt;
Or&lt;br&gt;
What? &amp;lt; How? &amp;lt; Why?&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;
&lt;p&gt;A história é a seguinte. Havia um projeto de controle de natalidade da Fundação Ford na Índia, e o pessoal estava frustrado tentando ensinar planejamento familiar e controle de natalidade, sem nenhum resultado.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;“Indianos são irracionais.”&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;É o que eles achavam pois:&lt;/p&gt;</description><content:encoded><![CDATA[<p>Lendo o livro Systems Thinking, de Jamshid Gharajedaghi, esbarrei numa história interessante que deu origem a um tweet que publiquei na véspera:</p>
<blockquote>
  <p>Information &lt; Knowledge &lt; Understanding<br>
Or<br>
What? &lt; How? &lt; Why?</p>

</blockquote>
<p>A história é a seguinte. Havia um projeto de controle de natalidade da Fundação Ford na Índia, e o pessoal estava frustrado tentando ensinar planejamento familiar e controle de natalidade, sem nenhum resultado.</p>
<p><em>“Indianos são irracionais.”</em></p>
<p>É o que eles achavam pois:</p>
<p><em>“Eles sabem que o inimigo número um é a população, e aqui estamos nós ensinando sobre controle, dando os contraceptivos e até mesmo um radio como recompensa. Mas veja o que acontece. Eles voltam pra casa, ligam o rádio, e com música fazem um novo bebê.”</em></p>
<p>Algum tempo depois, saiu no The New York Times a história de uma mulher brasileira que havia dado à luz seu 42º filho. E eles pensaram: <em>“Se isso não é ser irracional, então eu não sei o que é ser irracional.”</em></p>
<p>Mas pensando bem: <em>“Se uma mulher pode ter 42 filhos, então porque os indianos, na média, têm apenas 4.6? Isso significa que eles sabem como praticar controle, mas não estão dispostos a fazê-lo. Talvez estejamos tentando resolver o problema errado.”</em></p>
<p>Depois eles descobriram que, na época, não havia seguro social, aposentadoria nem benefício de desemprego. Portanto, ter <em>3 filhos homens</em> era, por padrão, o sistema de aposentadoria. A primeira prioridade de cada casal era garantir a própria velhice.</p>
<p>Estatisticamente, ter 3 filhos homens exige uma média de 4.6 filhos no total. Sem surpresa, quem chegava aos 3 homens parava de ter filhos. Agora, quem é o irracional? O casal indiano que ganhou um rádio de graça, ou o cara da Fundação Ford que achou que faria o casal abrir mão da própria aposentadoria por um radinho?</p>
<p>Quando se fala em “problema de natalidade”, temos a informação, ou o quê: casais com 4.6 filhos em média aumentam demais a população. Temos também o conhecimento, ou o como: programas de controle de natalidade, contraceptivos, palestras. O que costuma faltar é o entendimento, o porquê.</p>
<p>Sem esse entendimento, seguimos aplicando receitas de bolo que simplesmente não funcionam. Quando entendemos o porquê, conseguimos derivar soluções muito mais efetivas.</p>
<p>Lembram daquele papo de <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Root_cause_analysis"target="_blank" rel="noopener">procura pela solução raiz</a>, ou dos <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/5_Whys"target="_blank" rel="noopener">cinco porquês</a>? São todas maneiras de atacar a causa real por trás dos sintomas.</p>
]]></content:encoded><category>psicologia</category><category>economia</category><category>off-topic</category></item><item><title>[Off-Topic] Direitos do Homem</title><link>https://akitaonrails.github.io/2009/09/09/off-topic-direitos-do-homem/</link><guid isPermaLink="true">https://akitaonrails.github.io/2009/09/09/off-topic-direitos-do-homem/</guid><pubDate>Wed, 09 Sep 2009 23:14:00 -0300</pubDate><description>&lt;p&gt;&lt;img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/2009/9/8/The_Virtue_of_Selfishness_Ayn_Rand_unabridged_M_original.jpg" alt="" loading="lazy" /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Normalmente eu não gosto de falar de política. Detesto. Sempre achei uma grande perda de tempo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Mas diante das visões mais exacerbadas de populismo-esquerdismo, da ignorância que engrandece o socialismo-tirano cubano ou a ditadura totalitária venezuelana, do clamor por reestatização e dos movimentos contra a privatização, tudo calcado na ideia de “o bem para o povo”, “pelo benefício da maioria”, “pela ajuda aos fracos” e outras baboseiras do gênero, resolvi oferecer ao menos uma pequena contribuição filosófica.&lt;/p&gt;</description><content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/2009/9/8/The_Virtue_of_Selfishness_Ayn_Rand_unabridged_M_original.jpg" alt=""  loading="lazy" /></p>
<p>Normalmente eu não gosto de falar de política. Detesto. Sempre achei uma grande perda de tempo.</p>
<p>Mas diante das visões mais exacerbadas de populismo-esquerdismo, da ignorância que engrandece o socialismo-tirano cubano ou a ditadura totalitária venezuelana, do clamor por reestatização e dos movimentos contra a privatização, tudo calcado na ideia de “o bem para o povo”, “pelo benefício da maioria”, “pela ajuda aos fracos” e outras baboseiras do gênero, resolvi oferecer ao menos uma pequena contribuição filosófica.</p>
<p>Traduzi mais um capítulo do livro de Ayn Rand, <a href="http://web.archive.org/web/20090802051516/http://www.aynrandbookstore2.com/prodinfo.asp?number=AR09B"target="_blank" rel="noopener">The Virtue of Selfishness</a>, que trata exatamente desse tema. Vale lembrar que ele foi escrito no contexto dos anos 60. Ainda assim, é impressionante como as coisas mudaram pouco por aqui.</p>
<p>Antes do capítulo, mais um trecho da introdução, sobre a fundação do “egoísmo racional” do Objetivismo:</p>
<blockquote>
  <p>Observem a indecência do que se passa por julgamentos morais hoje. Um industrial que produz uma fortuna, e um bandido que rouba um banco são considerados igualmente imorais, uma vez que ambos procuraram riqueza para seu próprio benefício “egoísta”. Um jovem que abandona sua carreira, a fim de sustentar os pais e nunca ultrapassa o posto de escriturário de mantimentos é considerado moralmente superior ao jovem que sofre um esforço excruciante e alcança a sua ambição pessoal. Um ditador é considerado como moral, uma vez que as atrocidades indescritíveis que foram cometidas foram para beneficiar “o povo”, e não a si mesmo.</p>
<p>Observe o que este critério de benefício da moralidade faz na vida de um homem. A primeira coisa que ele aprende é que a moralidade é o seu inimigo, ele não tem nada a ganhar com isso, ele só pode perder; perda auto-infligida, dor auto-infligida e a mortalha cinza, debilitante de uma obrigação incompreensível é tudo o que ele pode esperar. Ele pode esperar que outros podem, ocasionalmente, sacrificar-se para seu benefício, como ele se sacrifica de má vontade a eles, mas ele sabe que o relacionamento vai trazer ressentimento mútuo, não prazer – e que, moralmente, sua perseguição de valores será como um intercâmbio de presentes de Natal indesejados, não escolhidos, onde nenhum é moralmente permitido comprar para si mesmo. Além dos momentos onde ele consegue realizar um ato de auto-sacrifício, ele não possui nenhum significado moral: a moral não toma conhecimento dele e não tem nada a dizer-lhe para orientá-lo nas questões cruciais de sua vida, é apenas a sua própria vida pessoal, privada, “egoísta” e, como tal, é considerado ou mal, ou, na melhor das hipóteses, amoral.</p>
<p>…</p>
<p>Já que o egoísmo é a “preocupação com os próprios interesses,” a ética Objectivista utiliza esse conceito em seu sentido exato e mais puro. Não é um conceito que pode ser entregue aos inimigos do homem, nem para os equívocos irrefletidos, distorções, preconceitos e medos do ignorante e do irracional. O ataque ao “egoísmo” é um ataque à auto-estima do homem, desistir de um é desistir do outro.</p>

</blockquote>
<h2>Capítulo 12 – Direitos do Homem<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="capítulo-12--direitos-do-homem"></span>
    <a href="#cap%c3%adtulo-12--direitos-do-homem" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Se alguém quiser defender uma sociedade livre – ou seja, capitalismo – ele deve entender que a fundação indispensável é o princípio do direito individual. Se alguém quiser suportar os direitos individuais, ele deve entender que o capitalismo é o único sistema que pode sustentá-los e protegê-los. E se alguém quiser medir o relacionamento da liberdade com os objetivos dos intelectuais de hoje, ele deve medí-lo pelo fato que o conceito de direitos individuais é evitado, distorcido, pervertido e raramente discutido pelos chamados “conservadores”.</p>
<p>“Direitos” são um conceito moral, o conceito que fornece uma transição lógica dos princípios que norteiam as ações de um indivíduo para os princípios que orientam a sua relação com os outros, o conceito que preserva e protege a moralidade individual em um contexto social, a ligação entre o código moral de um homem e o código jurídico de uma sociedade, entre ética e política. Os direitos individuais são o meio para subordinar a sociedade à lei moral.</p>
<p>Todo sistema político é baseado em algum código de ética. A ética dominante da história da humanidade é variante da doutrina altruísta-coletivista, que subordinava o indivíduo a alguma autoridade superior, seja mística ou social. Consequentemente, a maioria dos sistemas políticos eram variantes da mesma tirania estatista, diferindo apenas em grau, não em princípio básico, limitada apenas pelos acidentes da tradição, do caos, da luta sangrenta e colapso periódico. Sob todos esses sistemas, a moralidade era um código aplicável ao indivíduo, mas não à sociedade. A Sociedade foi colocada fora da lei moral, como a sua incorporação ou fonte ou intérprete exclusivo – e a inculcação de devoção auto-sacrificial ao dever social foi considerado como o principal objetivo da ética na existência terrena do homem.</p>
<p>Uma vez que não existe tal entidade como “sociedade”, já que a sociedade é apenas um número de homens individuais, isto significou, na prática, que os governantes da sociedade estavam isentos da lei moral, sujeita apenas aos rituais tradicionais, detendo o poder total e exigindo obediência cega – no princípio implícito de: “O bom é o que é bom para a sociedade (ou a tribo, a raça, a nação), e decretos do governante são sua voz na terra.”</p>
<p>Isto era verdade de todos os sistemas estatais, em todas as variantes da ética altruísta-coletivista, mística ou social. “O direito divino dos reis”, resume a teoria política da primeira “Vox populi, vox Dei” do segundo. Como testemunha: a teocracia do Egito, com o faraó como um deus encarnado, a regra da maioria ilimitada ou democracia de Atenas, o estado de bem-estar executado pelos imperadores de Roma, a Inquisição da Idade Média, a monarquia absolutista da França, o estado de bem-estar da Prússia de Bismarck, as câmaras de gás da Alemanha nazista, o matadouro da União Soviética.</p>
<p>Todos estes sistemas políticos eram expressões da ética altruísta-coletivista e sua característica comum é o fato de que a sociedade estava acima da lei moral, como um adorador caprichoso, onipotente, soberano. Assim, politicamente, todos estes sistemas eram variantes de uma sociedade amoral.</p>
<p>O resultado mais profundamente revolucionário dos Estados Unidos da América foi a subordinação da sociedade à lei moral.</p>
<p>O princípio dos direitos individuais do homem representou a extensão da moralidade no sistema social, como a limitação do poder do Estado, como a proteção do homem contra a força bruta do coletivo, como a subordinação do poder ao direito. Os Estados Unidos foram a primeira sociedade moral da história.</p>
<p>Todos os sistemas anteriores consideravam o homem como um meio de sacrifício para os objetivos dos outros, e da sociedade como um fim em si mesmo. Os Estados Unidos consideraram o homem como um fim em si mesmo, e a sociedade como um meio para a convivência pacífica, ordenada e voluntária de indivíduos. Todos os sistemas anteriores tinham considerado que a vida do homem pertence à sociedade, que a sociedade pode dispor dele da forma que quiser, e que qualquer liberdade que ele desfruta é seu apenas por favor, com a permissão da sociedade, que pode ser revogada a qualquer momento. Os Estados Unidos decidiram que a vida do homem é seu por direito (o que significa: por princípio moral e por sua natureza), que um direito é a propriedade de um indivíduo, que a sociedade como tal, não tem direitos, e que o único propósito moral de uma governo é a proteção dos direitos individuais.</p>
<p>Um “direito” é um princípio moral que define e sanciona a liberdade de ação de um homem em um contexto social. Existe apenas um direito fundamental (todos os outros são as suas consequências ou corolários): um direito do homem à sua própria vida. A vida é um processo de ações auto-geradas de auto-sustentação, o direito à vida significa o direito de exercer ações auto-geradas de auto-sustentação, o que significa: a liberdade de tomar todas as medidas exigidas pela natureza de forma racional sendo para o apoio, a promoção, a satisfação e o prazer de sua própria vida. (Esse é o significado do direito à vida, liberdade e a busca da felicidade.)</p>
<p>O conceito de “direito” se refere apenas à ação, especificamente, a liberdade de ação. Isso significa ausência de coerção física, coação ou interferência de outros homens. Assim, para cada indivíduo, um direito é a sanção moral de um positivo – de sua liberdade para agir em seu próprio julgamento, para seus próprios objetivos, por sua própria escolha voluntária. Quanto aos seus vizinhos, seus direitos não impõem obrigações a eles, exceto de um tipo negativo: de se abster de violar os seus direitos.</p>
<p>O direito à vida é a fonte de todos os direitos – e do direito de propriedade é a sua implementação. Sem direitos de propriedade, nenhum outro direito é possível. Já que o homem tem de sustentar a sua vida por seu próprio esforço, o homem que não tem direito ao produto do seu esforço não tem meios para sustentar a sua vida. O homem que produz, enquanto outros dispõe do seu produto, é um escravo.</p>
<p>Tenha em mente que o direito à propriedade é um direito de ação, como todos os outros: não é o direito a um objeto, mas a ação e as conseqüências de produzir ou ganhar esse objeto. Não é uma garantia de que um homem vai ganhar qualquer propriedade, mas apenas uma garantia de que ele terá sua propriedade se ganhá-la. É o direito de adquirir, guardar, usar e dispor dos bens materiais.</p>
<p>O conceito de direitos individuais é tão novo na história da humanidade que a maioria dos homens não o compreenderam plenamente até hoje. De acordo com as duas teorias da ética, o místico ou o social, alguns homens afirmam que os direitos são um dom de Deus, outros, que os direitos são um dom da sociedade. Mas, na verdade, a fonte dos direitos é a natureza do homem.</p>
<p>A Declaração de Independência afirmou que “homens são dotados por seu Criador de certos direitos inalienáveis.” Se alguém acredita que o homem é produto de um Criador ou da natureza, a questão da origem do homem não altera o fato de que ele é uma entidade de um tipo específico de um ser racional que não pode funcionar com êxito sob coerção, e que os direitos são uma condição necessária para o seu modo particular de sobrevivência.</p>
<p>“A fonte dos direitos do homem não é a lei divina ou lei do Congresso, mas a lei da identidade. A é A e homem é homem. Os direitos são condições de existência exigido pela natureza do homem para sua própria sobrevivência. Se o homem deve viver na Terra, é direito dele usar sua mente, é direito agir em seu próprio livre julgamento, é direito trabalhar para os seus valores e manter o produto de seu trabalho. Se a vida na Terra é o seu propósito, ele tem o direito de viver como um ser racional: a natureza o proíbe do irracional. &ldquo;(Atlas Shrugged.)</p>
<p>Violar os direitos do homem significa obrigá-lo a agir contra seu próprio julgamento, ou expropriar seus valores. Basicamente, só há uma maneira de fazê-lo: pelo uso de força física. Há dois potenciais violadores dos direitos do homem: os criminosos e o governo. A grande conquista dos Estados Unidos foi de estabelecer uma distinção entre esses dois, proibindo ao segundo a versão legalizada das atividades do primeiro.</p>
<p>A Declaração de Independência estabelece o princípio de que “para assegurar esses direitos, governos são instituídos entre os homens.” Isso forneceu a única justificativa válida de um governo e definiu o seu único objetivo correto: para proteger os direitos do homem, protegendo-o da violência física.</p>
<p>Assim, a função do governo mudou do papel de governante para o papel servil. O governo foi instituído para proteger o homem dos criminosos – e a Constituição foi escrita para proteger o homem do governo. O <em>Bill of Rights</em> não era dirigida contra cidadãos particulares, mas contra o governo como uma declaração explícita de que os direitos individuais se sobressaem a qualquer poder público ou social.</p>
<p>O resultado foi o padrão de uma sociedade civilizada que, por breve espaço de cerca de cento e cinquenta anos, a América chegou perto de conquistar. Uma sociedade civilizada é aquela em que a força física é banida das relações humanas, em que o governo, agindo como um policial, pode usar a força apenas em retaliação e somente contra aqueles que iniciam seu uso.</p>
<p>Este foi o sentido essencial e intenção da filosofia política da América, implícita no princípio dos direitos individuais. Mas não foi formulado de forma explícita, nem totalmente aceita, nem consistentemente praticada.</p>
<p>A contradição interna da América foi a ética altruísta-coletivista. Altruísmo é incompatível com Liberdade, com o capitalismo e os direitos individuais. Não se pode combinar a busca da felicidade com o status moral de um animal de sacrifício.</p>
<p>Foi o conceito de direitos individuais que deu à luz a uma sociedade livre. Foi com a destruição de direitos individuais que a destruição da liberdade tinha de começar.</p>
<p>A tirania coletivista não se atreve a escravizar um país por um confisco dos seus valores, material ou moral. Tem que ser feito por um processo de corrupção interna. Assim como no reino material a pilhagem das riquezas de um país é feito inflacionando a moeda – então hoje se pode testemunhar o processo de inflação sendo aplicado à esfera de direitos. O processo envolve tamanho crescimento de recém promulgados “direitos” que as pessoas não percebem o fato de que o sentido do conceito está sendo revertido. Assim como dinheiro ruim acaba com o dinheiro bom, assim essa “máquina de imprimir direitos” nega os direitos autênticos.</p>
<p>Considere o fato curioso que nunca houve tal proliferação, em todo o mundo, de dois fenômenos contraditórios: de “direitos” novos e de campos de trabalho escravo.</p>
<p>O truque foi a troca do conceito de direitos da esfera política para a econômica.</p>
<p>A plataforma do Partido Democrata de 1960, resume a troca de forma ousada e explícita. Ela declara que uma Gestão Democrata “reafirmará o projeto econômico dos direitos que Franklin Roosevelt escreveu em nossa consciência nacional dezesseis anos atrás.”</p>
<p>Tenha claramente em mente o significado do conceito de “direitos” quando ler a lista que esta plataforma oferece:</p>
<p>“1. O direito a um trabalho útil e remunerado, em indústrias ou estabelecimentos comerciais ou fazendas ou minas do país.</p>
<p>“2. O direito de ganhar o suficiente para fornecer alimentação adequada, de vestuário e de recreação.</p>
<p>“3. O direito de cada agricultor para criar e vender seus produtos a um retorno que dará a ele e sua família uma vida decente.</p>
<p>“4. O direito de cada homem de negócios, grande e pequeno, de comercializar em uma atmosfera de liberdade em relação à concorrência desleal e da dominação de monopólios no país e no exterior.</p>
<p>“5. O direito de cada família a uma casa decente.</p>
<p>“6. O direito à assistência médica adequada e oportunidade de alcançar e gozar de boa saúde.</p>
<p>“7. O direito à proteção adequada para os temores econômicos da velhice, doença, acidentes e desemprego.</p>
<p>“8. O direito a uma boa educação.”</p>
<p>Uma pergunta simples adicionada a cada uma das oito cláusulas acima tornaria a questão clara: à custa de quem?</p>
<p>Postos de trabalho, alimentação, vestuário, recreação (!), casas, assistência médica, educação, etc, não crescem na natureza. Esses são valores feitos pelo homem – bens e serviços produzidos pelos homens. Quem vai fornecer isso a eles?</p>
<p>Se alguns homens têm garantia por direito aos produtos do trabalho dos outros, isso significa que os outros são privados de direitos e condenados ao trabalho escravo.</p>
<p>Qualquer alegação de “direito” de um homem, que implica na violação dos direitos do outro, não é e não pode ser um direito.</p>
<p>Nenhum homem pode ter o direito de impor uma obrigação não escolhida, um dever sem recompensa ou um direito de servidão involuntária a outro homem. Não pode existir qualquer coisa tal como “o direito de escravizar.”</p>
<p>Um direito não inclui a implementação material desse direito por outros homens; ele inclui apenas a liberdade de ganhar tal implementação por próprio esforço.</p>
<p>Observe-se, neste contexto, a precisão intelectual dos Pais Fundadores da América: eles falaram do direito à “busca pela felicidade”, não do direito à felicidade. Isso significa que um homem tem o direito de tomar as ações que considera necessário para atingir a sua felicidade, mas isso não significa que outros devem fazê-lo feliz.</p>
<p><a href="http://tinyurl.com/5bkx5d"target="_blank" rel="noopener"><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/2009/9/10/declaration_original.jpg" alt=""  loading="lazy" /></a><br>
<em>“Consideramos estas verdades como evidentes por si mesmas, que todos os homens são criados iguais, que são dotados pelo Criador de certos direitos inalienáveis, que entre estes estão a Vida, Liberdade e a <strong>Busca pela Felicidade</strong>.”</em> – Thomas Jefferson</p>
<p>O direito à vida significa que um homem tem o direito de apoiar a sua vida pelo seu próprio trabalho (em qualquer nível econômico, tão alto quanto a sua capacidade o levar), mas isso não significa que outros devem prestar-lhe as necessidades da vida.</p>
<p>O direito à propriedade significa que um homem tem o direito de tomar as medidas econômicas necessárias para ganhar sua propriedade, usá-lo e descartá-la, mas isso não significa que outros devem fornecer-lhe essa propriedade.</p>
<p>O direito à liberdade de expressão significa que um homem tem o direito de expressar suas idéias, sem risco de supressão, interferência ou ação punitiva por parte do governo. Isso não significa que outros devem fornecer-lhe uma sala de aula, uma estação de rádio ou uma prensa de impressão para expressar suas idéias.</p>
<p>Qualquer empresa que envolve mais do que um homem, exige o consentimento voluntário de cada participante. Cada um deles tem o direito de tomar sua própria decisão, mas ninguém tem o direito de forçar a sua decisão sobre os outros.</p>
<p>Não há tal coisa como um “direito a um emprego”, existe apenas o direito de livre comércio, que é um direito do homem de ter um emprego se outro homem escolher contratá-lo. Não há direito a “uma casa”, apenas o direito de livre comércio: o direito de construir uma casa ou comprá-lo. Não existem direitos a um salário “justo” ou um preço “justo” se ninguém escolhe pagar por isso, contratar um homem ou comprar seu produto. Não há “direitos dos consumidores” ao leite, sapatos, filmes ou champanhe, se ninguém escolhe fabricar tais itens (existe apenas o direito de fabricá-los você mesmo). Não há “direitos” de grupos especiais, não há “direitos dos agricultores, dos trabalhadores, dos empresários, dos trabalhadores, dos empregadores, dos idosos, dos jovens.” Existem apenas os Direitos do Homem – direitos possuídos por cada homem individualmente e por todos os homens como indivíduos.</p>
<p>Os direitos de propriedade e o direito de livre comércio são os únicos “direitos econômicos” do homem (eles são, de fato, direitos políticos) – e não pode haver tal coisa como “um projeto de lei de direitos econômicos.” Mas observe que os defensores deste último têm feito tudo para destruir os primeiros.</p>
<p>Lembre-se que os direitos são princípios morais que definem e protegem a liberdade de ação de um homem, mas não impõem obrigações aos demais. Os cidadãos não são uma ameaça para os direitos ou liberdades dos outros. Um cidadão que recorre à força física e viola os direitos dos outros é um criminoso e os homens têm proteção legal contra ele.</p>
<p>Criminosos são uma pequena minoria em qualquer época ou país. E o mal que fizeram à humanidade é infinitesimal quando comparado com os horrores – o derramamento de sangue, as guerras, as perseguições, a confiscação, as fomes, as escravidões, a destruição por atacado, perpetrados pelos governos da humanidade. Potencialmente, um governo é a ameaça mais perigosa para os direitos dos homens: ele detém um monopólio legal sobre o uso de força física contra vítimas legalmente desarmadas. Quando irrestrito e ilimitado pelos direitos individuais, um governo é o inimigo mortal dos homens. Não é como proteção contra ações privadas, mas contra as ações governamentais que o “Bill of Rights” foi escrito.</p>
<p>Agora observe o processo pelo qual essa proteção está sendo destruída.</p>
<p>O processo consiste em atribuir a cidadãos particulares as violações específicas constitucionalmente vedadas ao Governo (que cidadãos particulares não têm poder para cometer) e assim libertando o governo de todas as restrições. A troca está se tornando cada vez mais evidente no domínio da liberdade de expressão. Por anos, os coletivistas propagam a ideia de que a recusa de um indivíduo particular, de financiar um adversário é uma violação do direito do oponente da liberdade de expressão e um ato de “censura”.</p>
<p>É “censura”, dizem eles, se um jornal se recusa a empregar ou publicar escritores cujas idéias são diametralmente opostas à sua política.</p>
<p>É “censura”, dizem eles, se os empresários se recusam a anunciar numa revista que denuncia, os insulta e os mancha.</p>
<p>É “censura”, dizem eles, se um patrocinador de TV se opõe a algum atentado perpetrado em um programa que está financiando, tais como o incidente de Alger Hiss sendo convidado a denunciar o ex-vice-presidente Nixon.</p>
<p>E depois há Newton N. Minow que declara: “Existe censura por audiência, pelos anunciantes, pelas redes, pelas filiais que rejeitam a programação oferecida às suas áreas.” É o mesmo Sr. Minow que ameaça revogar a licença de qualquer estação que não seguir com sua opinião sobre a programação – e que afirma que isso não é censura.</p>
<p>Considere as implicações de tal tendência.</p>
<p>“Censura” é um termo que apenas diz respeito à ação governamental. Nenhuma ação privada é censura. Nenhum indivíduo particular ou agência pode silenciar um homem ou suprimir uma publicação; só o governo consegue fazer isso. A liberdade de expressão dos indivíduos particulares inclui o direito de não concordar, não ouvir e não financiar seus próprios antagonistas.</p>
<p>Mas de acordo com doutrinas como o projeto “econômico de direitos”, um indivíduo não tem o direito de dispor do seu próprio meio material através da orientação de suas próprias convicções – e deve entregar o seu dinheiro de forma indiscriminada a qualquer falador ou propagandista, que têm o “direito” à sua propriedade.</p>
<p>Isto significa que a capacidade de fornecer as ferramentas materiais para a expressão das idéias de um homem o priva do direito de ter a propriedade sobre qualquer idéia. Isso significa que um editor tem que publicar livros que considera inúteis, falsas ou más – que um patrocinador de TV tem que financiar comentadores que optam por afrontar suas convicções – que o proprietário de um jornal deve tornar suas páginas editoriais a qualquer jovem hooligan que clamar pela escravização da imprensa. Isso significa que um grupo de homens, adquire o “direito” à licença ilimitada – enquanto outro grupo é reduzido à irresponsabilidade desamparada.</p>
<p>Mas uma vez que é obviamente impossível fornecer qualquer reclamante com um emprego, um microfone ou uma coluna de jornal, quem irá determinar a “distribuição” dos “direitos econômicos” e selecionar os destinatários, quando o direito dos proprietários de escolha foi abolida? Bem, Sr. Minow indicou isso muito claramente.</p>
<p>E se você cometer o erro de pensar que isso se aplica apenas aos grandes proprietários, é melhor perceber que a teoria do “direito econômico” inclui o “direito” de cada aspirante a escritor, cada poeta jovem, cada compositor ruidoso e cada artista não-objetivo (que puxa saco de político) ao apoio financeiro que você não lhes deu quando não assistiu seus shows. O que mais é o significado do projeto para gastar o dinheiro dos seus impostos em arte subsidiada?</p>
<p>E enquanto as pessoas estão reclamando sobre os “direitos econômicos,” o conceito de direitos políticos está desaparecendo. Esquece-se que o direito à liberdade de expressão significa a liberdade para defender pontos de vista e encarar as possíveis consequências, incluindo desacordo com outros, oposição, impopularidade e falta de apoio. A função política do “direito à liberdade de expressão” é proteger as minorias dissidentes e impopulares da repressão violenta – não para garantir-lhes apoio, vantagens e recompensas de uma popularidade que não ganharam.</p>
<p>O “Bill of Rights” diz: &ldquo;O Congresso não fará nenhuma lei … cerceando a liberdade de expressão ou de imprensa … &quot; Ele não exige que os cidadãos privados ofereçam um microfone para o homem que defende a sua destruição, ou uma chave de acesso para o ladrão que quer roubá-los, ou uma faca para o assassino que quer cortar suas gargantas.</p>
<p>Tal é o estado de uma das questões mais cruciais de hoje: os direitos políticos versus “direitos econômicos.” É ou-ou. Um destrói o outro. Mas não existe, de fato, “direitos econômicos”, “direitos coletivos”, “direitos de interesse público.” A expressão “direitos individuais” é uma redundância: não há nenhum outro tipo de direitos e ninguém mais para os possuir.</p>
<p>Aqueles que defendem o capitalismo laissez-faire são os únicos defensores dos direitos do homem.</p>


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]]></content:encoded><category>filosofia</category><category>politica</category><category>economia</category><category>off-topic</category></item><item><title>Off-Topic: Entendendo a Crise Econômica</title><link>https://akitaonrails.github.io/2008/10/09/off-topic-entendendo-a-crise-econ-mica/</link><guid isPermaLink="true">https://akitaonrails.github.io/2008/10/09/off-topic-entendendo-a-crise-econ-mica/</guid><pubDate>Thu, 09 Oct 2008 03:17:00 -0300</pubDate><description>&lt;p&gt;&lt;a href="http://web.archive.org/web/20081013114656/http://www.locaweb.com.br/railssummit/"target="_blank" rel="noopener"&gt;&lt;img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/2008/8/1/468x60.gif" alt="" loading="lazy" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Nassim_Nicholas_Taleb"target="_blank" rel="noopener"&gt;Nassim Taleb&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Beno%c3%aet_Mandelbrot"target="_blank" rel="noopener"&gt;Benoît Mandelbrot&lt;/a&gt; devem estar vendo esta crise, de forma trágica, com olhos bem diferentes dos nossos. Alguns devem estar cansados disso, mas vou repetir minha recomendação: leiam as obras dos dois.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/2008/10/9/n1a7_blackswan.jpg" alt="" loading="lazy" /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Veja este trecho do livro &lt;a href="http://www.amazon.com/Black-Swan-Impact-Highly-Improbable/dp/1400063515/ref=sr_1_1?ie=UTF8&amp;amp;s=books&amp;amp;qid=1223360749&amp;amp;sr=1-1"target="_blank" rel="noopener"&gt;The Black Swan&lt;/a&gt;, de 2007, de Nassim Taleb:&lt;/p&gt;
&lt;blockquote&gt;
&lt;p&gt;A Globalização cria fragilidade interligada, ao mesmo tempo que reduz a volatilidade e dá aparência de estabilidade. Em outras palavras isso cria Cisnes Negros devastadores. Nunca antes vivemos sob a ameaça de colapso global. Instituições Financeiras continuam se mesclando em um número menor de bancos muito grandes. Quase todos os bancos estão inter-relacionados. Então a ecologia financeira está se acumulando em bancos gigantes, incestuosos, burocráticos – quando um cai, todos caem. O aumento da concentração entre bancos parece ter o efeito de fazer crises financeiras parecerem menos prováveis, mas quando acontecem eles têm efeitos muito mais globais em escala e nos atingem duramente. Nos movemos de uma ecologia diversificada de pequenos bancos, com políticas variadas de empréstimos, para um framework mais homogêneo de firmas onde todas se parecem umas com as outras. Verdade, agora temos menos defeitos, mas quando eles acontecem … eu tremo só de pensar.&lt;/p&gt;</description><content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://web.archive.org/web/20081013114656/http://www.locaweb.com.br/railssummit/"target="_blank" rel="noopener"><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/2008/8/1/468x60.gif" alt=""  loading="lazy" /></a></p>
<p><a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Nassim_Nicholas_Taleb"target="_blank" rel="noopener">Nassim Taleb</a> e <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Beno%c3%aet_Mandelbrot"target="_blank" rel="noopener">Benoît Mandelbrot</a> devem estar vendo esta crise, de forma trágica, com olhos bem diferentes dos nossos. Alguns devem estar cansados disso, mas vou repetir minha recomendação: leiam as obras dos dois.</p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/2008/10/9/n1a7_blackswan.jpg" alt=""  loading="lazy" /></p>
<p>Veja este trecho do livro <a href="http://www.amazon.com/Black-Swan-Impact-Highly-Improbable/dp/1400063515/ref=sr_1_1?ie=UTF8&amp;s=books&amp;qid=1223360749&amp;sr=1-1"target="_blank" rel="noopener">The Black Swan</a>, de 2007, de Nassim Taleb:</p>
<blockquote>
  <p>A Globalização cria fragilidade interligada, ao mesmo tempo que reduz a volatilidade e dá aparência de estabilidade. Em outras palavras isso cria Cisnes Negros devastadores. Nunca antes vivemos sob a ameaça de colapso global. Instituições Financeiras continuam se mesclando em um número menor de bancos muito grandes. Quase todos os bancos estão inter-relacionados. Então a ecologia financeira está se acumulando em bancos gigantes, incestuosos, burocráticos – quando um cai, todos caem. O aumento da concentração entre bancos parece ter o efeito de fazer crises financeiras parecerem menos prováveis, mas quando acontecem eles têm efeitos muito mais globais em escala e nos atingem duramente. Nos movemos de uma ecologia diversificada de pequenos bancos, com políticas variadas de empréstimos, para um framework mais homogêneo de firmas onde todas se parecem umas com as outras. Verdade, agora temos menos defeitos, mas quando eles acontecem … eu tremo só de pensar.</p>
<p>A instituição patrocinada pelo governo, <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Fannie_Mae"target="_blank" rel="noopener">Fannie Mae</a>, quando eu olho seus riscos, parece estar montada num barril de dinamite, vulnerável ao menor soluço. Mas não se preocupem: eles têm grandes equipes de cientistas que consideram esses eventos “improváveis”.</p>

</blockquote>
<p>Não, Nassim não é profeta, adivinho, bidu ou guru. Aliás, ele odiaria ser chamado de guru. Ele só fez uma observação baseada no que todos nós ignoramos: nossa máquina humana é muito ruim para lidar com abstrações, como a <a href="/2008/03/01/off-topic-somos-matematicamente-ignorantes/">Aleatoriedade</a>.</p>
<p>Não confundam: isso não é argumento contra a globalização nem baboseira pseudo-socialista. O ponto importante é o segundo parágrafo da citação.</p>
<h2>Isso já aconteceu antes<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="isso-já-aconteceu-antes"></span>
    <a href="#isso-j%c3%a1-aconteceu-antes" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>A <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Long-Term_Capital_Management"target="_blank" rel="noopener">Long Term Capital Management</a> era a menina dos olhos do mundo financeiro. Um hedge fund americano formado em 1994, que tinha entre seus fundadores não apenas um, mas <strong>dois</strong> prêmios Nobel de Economia: Robert C. Merton e Myron Scholes. Eles acreditavam ter a matemática (cof gaussiana cof) capaz de prever qualquer tipo de evento.</p>
<p>Em 1998, a LTCM perdeu USD 4.6 bilhões. A <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Russian_financial_crisis"target="_blank" rel="noopener">Crise Russa</a> destruiu as teorias gaussianas deles, que ignoravam e subestimavam completamente os Cisnes Negros.</p>
<p>E você acha que as pessoas aprenderam a lição? Infelizmente somos mais teimosos do que isso: as teorias de Scholes e Merton são ensinadas nos cursos de economia até hoje.</p>
<p>Isso não é exclusividade do mundo econômico. <strong>Diversas</strong> outras áreas aceitam e empregam teorias absurdas, sem fundamento, sem resultados, e ainda assim tratadas como a próxima grande revolução. As pessoas comuns se deixam enganar por nomes e credenciais. Se credencial valesse alguma coisa, um Nobel destruído em 1998 deveria querer dizer alguma coisa.</p>
<p>Eu costumo dizer o seguinte: empresas e charlatães que vendem metodologias (de qualquer tipo: financeira, recursos humanos, gestão) têm o emprego mais fácil do mundo. Basta serem bons vendedores.</p>
<p>Se o cliente tem sucesso depois de implementar a tal metodologia: <em>“viu só, vocês tiveram sucesso porque implementaram nossa metodologia revolucionária.”</em> E esse cliente passa a figurar como “case de sucesso” no portfolio.</p>
<p>Se o cliente fracassa: <em>“é claro que fracassou, vocês não implementaram exatamente como dissemos, faltou comprometimento das suas equipes. Não há nada errado com nossa metodologia, o problema é vocês.”</em> Esse cliente nunca vai aparecer no portfolio, afinal ninguém gosta de divulgar fracasso.</p>
<p>É muito fácil enganar as pessoas. E não olhe para o lado: você está implementando uma metodologia desse tipo hoje, eu sei!</p>
<h2>Falseabilidade<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="falseabilidade"></span>
    <a href="#falseabilidade" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p><a href="http://www.amazon.com/Fooled-Randomness-Hidden-Chance-Markets/dp/1400067936/ref=pd_bbs_2?ie=UTF8&amp;s=books&amp;qid=1223532769&amp;sr=8-2"target="_blank" rel="noopener"><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/2008/10/9/41nirFmqcwL._SL500_BO2_204_203_200_AA219_PIsitb-sticker-dp-arrow_TopRight_-24_-23_SH20_OU01_.jpg" alt=""  loading="lazy" /></a></p>
<p>As pessoas têm a péssima mania de fazer a pergunta errada: <em>“como saber se uma teoria é verdadeira?”</em> Por isso recebem as respostas erradas, e isso leva a decisões mais erradas ainda.</p>
<p>Como já disse várias vezes em artigos anteriores, nós somos feitos para sermos enganados. Pior: conscientemente não exercitamos nossas habilidades <strong>céticas</strong>.</p>
<p>Toda vez que vemos um “case de sucesso”, aceitamos automaticamente a teoria como “verdadeira”. Ou, de forma ainda mais torta: <em>“nunca ouvi falar de um caso de fracasso dessa metodologia, portanto ela só pode ser válida.”</em> É o que a maioria dos “gerentes” e “executivos” conclui. Quantas vezes vamos precisar repetir isso?</p>
<blockquote>
  <p>Ausência de evidência não é evidência de ausência.</p>

</blockquote>
<p>Hoje usamos muitos dados estatísticos para tomar decisões. Estatística é muito útil quando usada do jeito certo. Usada do jeito errado, é um <strong>enorme</strong> desastre.</p>
<p>O raciocínio é sempre o mesmo: <em>“nos últimos 3 anos estamos crescendo 2% todo mês, portanto podemos concluir com certeza que vamos continuar crescendo 2% nos próximos meses.”</em> Todo mundo já fez isso. Até que um Cisne Negro acontece e a desculpa muda: <em>“não sei o que aconteceu, foi um acidente, porque segundo os dados isso não deveria ter acontecido.”</em></p>
<p>Deixemos as coisas bem claras: um evento raro se chama <strong>raro</strong> justamente porque não acontece o tempo todo. E é exatamente esse tipo de evento raro, aleatório e imprevisível que costuma dar os prejuízos bilionários ou os ganhos bilionários. Depende se você é do tipo gaussiano ou do tipo paretiano.</p>
<p>Mas voltando ao problema inicial: dados estatísticos do passado são suficientes para assegurar a validade de uma teoria?</p>
<p><strong>Óbvio que NÃO.</strong></p>
<p>O que dados do passado podem fazer, no máximo, é assegurar a <strong>falseabilidade</strong> de uma teoria. Como Nassim explica em <a href="http://www.amazon.com/Fooled-Randomness-Hidden-Chance-Markets/dp/1400067936/ref=sr_1_3?ie=UTF8&amp;s=books&amp;qid=1223360749&amp;sr=1-3"target="_blank" rel="noopener">Fooled by Randomness</a>: com dados do passado podemos provar que uma teoria é inválida, mas <strong>jamais</strong> poderemos provar que ela é válida.</p>
<p>Hoje sabemos que a física clássica de Newton é inválida, pois a Teoria da Relatividade de Einstein a derrubou. Mas sabemos em quais contextos a teoria clássica ainda pode ser usada e quando precisamos da relatividade. Boas teorias científicas são as que permitem critérios para julgar sua falseabilidade, nunca sua validade.</p>
<p>Astrologia e outras pseudo-ciências são <strong>dogmáticas</strong>. Tudo que é <strong>dogmático</strong> deve ser automaticamente descreditado, pois impede qualquer tentativa de verificar sua falseabilidade. Essa é a assinatura dos <strong>charlatães</strong>.</p>
<p>O argumento que descrevi na seção anterior é exatamente o que os charlatães fazem: se funcionou, é graças à teoria; se não funcionou, você não aplicou direito. A previsão não deu certo apesar de Marte alinhado com Saturno porque ele estava “um pouquinho” fora de posição. Caso contrário, teria funcionado.</p>
<p>Nassim deu outro exemplo ótimo: <em>“tenho feito um estudo sobre a vida de George Bush. Depois de quase 16 mil observações, posso assegurar que em nenhuma delas ele morreu. Portanto posso afirmar, baseado nesses dados históricos, que Bush é imortal.”</em></p>
<h2>Falácias<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="falácias"></span>
    <a href="#fal%c3%a1cias" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p><a href="http://www.amazon.com/Black-Swan-Impact-Highly-Improbable/dp/1400063515/ref=pd_bbs_sr_1?ie=UTF8&amp;s=books&amp;qid=1223532703&amp;sr=8-1"target="_blank" rel="noopener"><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/2008/10/9/41whNBCgGjL._SL500_BO2_204_203_200_AA219_PIsitb-sticker-dp-arrow_TopRight_-24_-23_SH20_OU01_.jpg" alt=""  loading="lazy" /></a></p>
<p>Ultimamente já dei várias dicas de coisas a evitar. Se o assunto é gestão ou controle, principalmente de pessoas, e a teoria não leva Pareto em consideração, joguem fora.</p>
<p>Se a teoria não deixa margem para avaliar sua falseabilidade, é charlatanismo, joguem fora.</p>
<p>Livros de auto-ajuda são assim: oferecem teorias floridas, cobertas de mel, empacotadas de forma atraente. Mas, ao contrário das teorias científicas, não deixam ninguém tentar provar que não funcionam. Eles só afirmam que funcionam, citam vários “casos de sucesso” e escondem todas as tentativas fracassadas.</p>
<p>Desde o começo do mês passado tenho viajado toda semana para dar palestras e sempre passo na livraria do aeroporto ou da rodoviária. Prestando mais atenção, os livros em destaque são quase todos desse tipo: charlatanismo barato.</p>
<p>A teoria “bonita” só existe hoje porque ainda não encontrou um Cisne Negro no caminho. <em>“Ah, nunca vai acontecer, pois nunca aconteceu até agora.”</em> E é exatamente por isso que talvez tenha até mais chance de acontecer: porque nunca aconteceu!</p>
<p>Fiquem atentos às seguintes falácias:</p>
<ul>
<li>
<p><strong>Falácia da Indução:</strong> é a falácia onde a indução está errada. Indução significa tentar encontrar princípios gerais a partir de fatos conhecidos.</p>
</li>
<li>
<p><strong>Falácia Narrativa:</strong> é a criação de uma história <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Post-hoc"target="_blank" rel="noopener">post-hoc</a> de tal forma que o evento pareça ter tido uma causa identificável.</p>
</li>
<li>
<p><strong>Falácia Estatística Regressiva:</strong> acreditar que a probabilidade de eventos futuros é previsível examinando ocorrências de eventos passados.</p>
</li>
<li>
<p><strong>Falácia Lúdica:</strong> acreditar que a aleatoriedade estruturada dos jogos se parece com a aleatoriedade não-estruturada da vida. É o problema de confundir o mapa (modelo) com o território (realidade).</p>
</li>
</ul>
<p>Essa última leva em consideração:</p>
<ul>
<li>é impossível ter <strong>todas</strong> as informações</li>
<li>variações muito pequenas nos dados podem levar a um impacto enorme (<a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Butterfly_effect"target="_blank" rel="noopener">Efeito Borboleta</a>, sim, ele acontece o <strong>tempo todo</strong>)</li>
<li>teorias e modelos baseados em dados empíricos são falhos, já que eventos que ainda não aconteceram não podem ser levados em conta</li>
</ul>
<p>É o exemplo que Taleb explica: você está tirando bolinhas coloridas de uma caixa tampada, sem ver o interior. Tira 5 bolinhas brancas e 5 vermelhas e, a partir desses dados empíricos, conclui que <em>“<strong>sempre</strong> vai sair 1 bolinha vermelha a cada 2 bolinhas retiradas.”</em> Mal sabe você que embaixo da mesa tem um buraco com um menino escondido. Ao ouvir sua afirmação, ele começa a te dar mais bolinhas brancas do que vermelhas. Essa é a realidade.</p>
<p>Exercitamos <strong>muito</strong> pouco nosso ceticismo. Ninguém precisa virar paranoico, mas dá para avaliar as coisas um pouco melhor do que a forma medíocre de hoje.</p>
<h2>Emoções<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="emoções"></span>
    <a href="#emo%c3%a7%c3%b5es" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p><a href="http://www.amazon.com/Blink-Power-Thinking-Without/dp/0316010669/ref=pd_bbs_sr_3?ie=UTF8&amp;s=books&amp;qid=1223532716&amp;sr=8-3"target="_blank" rel="noopener"><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/2008/10/9/31MzZt-kMNL._SL500_BO2_204_203_200_AA219_PIsitb-sticker-dp-arrow_TopRight_-24_-23_SH20_OU01_.jpg" alt=""  loading="lazy" /></a></p>
<p>Como Malcolm Gladwell diz em <a href="http://www.amazon.com/Blink-Power-Thinking-Without/dp/0316010669/ref=sr_1_3?ie=UTF8&amp;s=books&amp;qid=1223360700&amp;sr=1-3"target="_blank" rel="noopener">Blink</a>, nós efetivamente tomamos decisões num piscar de olhos. Claro, a decisão será tanto melhor quanto melhor for nossa experiência, nosso conhecimento e nossas habilidades.</p>
<p>Taleb descreve o caso de uma pessoa que precisou operar o cérebro por causa de um tumor, e os médicos tiveram que retirar o trecho responsável pelas nossas emoções. Todo o resto permaneceu intacto.</p>
<p><em>“Excelente!”</em>, alguém poderia pensar. Eis uma pessoa 100% <strong>racional</strong>, que não vai deixar as emoções esbarrarem na razão, e que deve ser capaz de tomar decisões inteligentes o tempo todo.</p>
<p>Surpresa: essa pessoa se tornou totalmente <strong>incapaz</strong> de tomar qualquer decisão. Mal conseguia decidir levantar da cama. Os estudos feitos mostram que nossas decisões são muito mais movidas pela parte emocional do que pela racional, ao contrário do que imaginamos.</p>
<p>Quem já lidou com inteligência artificial chega à conclusão de que nós, humanos, precisamos de um mecanismo de <strong>aproximação</strong>, pois é simplesmente impossível levar todas as variáveis em consideração. Avaliar <strong>tudo</strong> que sabemos levaria tanto tempo que já teríamos sido extintos por predadores milênios atrás.</p>
<p>Decidir num piscar de olhos, ou pior, tentar ser “racional”, tem vantagens e desvantagens. Pessoas de mente aberta, muito estudiosas, experientes em várias áreas, provavelmente vão tomar muitas decisões certas bem rápido (algumas na sorte, algumas erradas). Pessoas de mente fechada e medíocres vão tomar muitas decisões erradas.</p>
<p>Exemplo de decisão errada: confiar em vendedores de pseudo-ciência.</p>
<p>Karl Popper dizia que não se deve levar a ciência a sério demais. Faz sentido: a ciência se permite estar errada e vai se refinando com o tempo. Se você levar tudo a sério demais, corre o risco de apostar em teorias que ainda não foram postas à prova de verdade, e sua próxima decisão pode ser justamente o Cisne Negro que vai falsificá-las.</p>
<h2>Conclusão<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="conclusão"></span>
    <a href="#conclus%c3%a3o" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Muito, mas muito cuidado com os <strong>especialistas</strong>. Sem denegrir todos os tipos de especialista, porque existem muitos bons: mas especialistas de coisas abstratas e intangíveis, como “metodologias” e “economia”, devem ser vistos com olhos suspeitos, sempre. Uma boa credencial não torna uma teoria melhor ou pior. É simplesmente irrelevante.</p>
<p>Não deixe sua decisão ser viciada por teorias não-científicas: pseudo-ciência, superstição, astrologia, homeopatia.</p>
<p>Novamente, leiam Taleb: o que ele diz é <strong>óbvio</strong>, mas por alguma razão todos nós ignoramos. Pouca gente de fato entende o que é aleatoriedade. Parem de assistir freneticamente à Bloomberg e de atualizar o navegador a cada 5 segundos para ver os índices financeiros. Nada disso vai te ajudar: você já ignorou o Cisne Negro, você já perdeu.</p>
<p>Só uma <em>pontinha</em> sobre filosofia Ágil: sempre achei inteligente o motivo de as metodologias Ágeis insistirem tanto em Sprints e iterações <strong>curtas</strong>. Eles sabem que é impossível prever o futuro de longo prazo, então priorizam o que é realmente importante e planejam só o curto prazo, o que é efetivamente possível. As metodologias Ágeis me parecem feitas sob medida para se defender dos Cisnes Negros que ainda assombram as equipes <em>tradicionais</em> de desenvolvimento de software, como expliquei no meu artigo <a href="/2008/10/07/off-topic-o-manifesto-gil-ou-como-se-tornar-o-google/">anterior</a>.</p>
<p>Todo mundo conheceu apenas cisnes brancos no passado e induz que Cisnes Negros não existem. Eis onde mora o perigo!</p>
]]></content:encoded><category>economia</category><category>ciencia</category><category>filosofia</category><category>off-topic</category></item><item><title>Evolução pela Concorrência</title><link>https://akitaonrails.github.io/2006/09/27/evolu%C3%A7%C3%A3o-pela-concorr%C3%AAncia/</link><guid isPermaLink="true">https://akitaonrails.github.io/2006/09/27/evolu%C3%A7%C3%A3o-pela-concorr%C3%AAncia/</guid><pubDate>Wed, 27 Sep 2006 16:13:00 -0300</pubDate><description>&lt;p&gt;&lt;img src="https://akitaonrails.s3.amazonaws.com/files/402px-AdamSmith.jpg" alt="" loading="lazy" /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Não lembro se escrevi sobre isso em algum post ou se foi no meu livro, mas existe um senso comum que chamo de &lt;strong&gt;&amp;ldquo;Evolução pela Concorrência&amp;rdquo;&lt;/strong&gt;. Discussões como &lt;em&gt;&amp;ldquo;Ruby VS Java&amp;rdquo;&lt;/em&gt; ou &lt;em&gt;&amp;ldquo;Rails VS J2EE&amp;rdquo;&lt;/em&gt; não são exclusividade da comunidade Ruby on Rails. Vejam outras brigas recentes do mundo da informática:&lt;/p&gt;
&lt;ul&gt;
&lt;li&gt;Firefox VS Internet Explorer&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;Macs VS PCs&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;Windows VS Linux&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;C# VS Java&lt;/li&gt;
&lt;/ul&gt;
&lt;p&gt;A Microsoft é a favorita para o papel de vilã. Ela atua em praticamente todos os mercados de informática, então sempre será alvo de críticas: &lt;em&gt;&amp;ldquo;Windows é ruim&amp;rdquo;&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;&amp;ldquo;Office é uma droga&amp;rdquo;&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;&amp;ldquo;Internet Explorer não presta&amp;rdquo;&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;&amp;ldquo;Visual Basic não é linguagem profissional&amp;rdquo;&lt;/em&gt;. Alguns argumentos são válidos, outros são birra de visão estreita.&lt;/p&gt;</description><content:encoded><![CDATA[<p><img src="https://akitaonrails.s3.amazonaws.com/files/402px-AdamSmith.jpg" alt=""  loading="lazy" /></p>
<p>Não lembro se escrevi sobre isso em algum post ou se foi no meu livro, mas existe um senso comum que chamo de <strong>&ldquo;Evolução pela Concorrência&rdquo;</strong>. Discussões como <em>&ldquo;Ruby VS Java&rdquo;</em> ou <em>&ldquo;Rails VS J2EE&rdquo;</em> não são exclusividade da comunidade Ruby on Rails. Vejam outras brigas recentes do mundo da informática:</p>
<ul>
<li>Firefox VS Internet Explorer</li>
<li>Macs VS PCs</li>
<li>Windows VS Linux</li>
<li>C# VS Java</li>
</ul>
<p>A Microsoft é a favorita para o papel de vilã. Ela atua em praticamente todos os mercados de informática, então sempre será alvo de críticas: <em>&ldquo;Windows é ruim&rdquo;</em>, <em>&ldquo;Office é uma droga&rdquo;</em>, <em>&ldquo;Internet Explorer não presta&rdquo;</em>, <em>&ldquo;Visual Basic não é linguagem profissional&rdquo;</em>. Alguns argumentos são válidos, outros são birra de visão estreita.</p>
<p>Crítica é construtiva quando a pessoa toma uma atitude. Radicais são desnecessários neste mundo. Quem só xinga e não age é irrelevante, como diz o ditado: <strong><em>&ldquo;quem não faz parte da solução, faz parte do problema&rdquo;</em></strong>.</p>
<p>Parabéns a todos que transformaram a insatisfação com o status quo em alternativas de altíssima qualidade aos criticados produtos Microsoft. Nenhuma é perfeita, mas a dedicação merece reconhecimento. Hoje só uso Firefox (ou o <a href="http://www.caminobrowser.org/"target="_blank" rel="noopener">Camino</a> no Mac, que usa a mesma engine Gecko).</p>
<p>O Linux, graças ao apoio tecnológico de gigantes como IBM e Silicon Graphics, ganhou filesystems avançados como o JFS e o XFS, suporte a <a href="http://lse.sourceforge.net/numa"target="_blank" rel="noopener">NUMA</a>, clusters, gerenciamento mais avançado de <a href="http://web.archive.org/web/20180415043221/http://www.onlamp.com/pub/a/onlamp/2002/11/07/linux_threads.html"target="_blank" rel="noopener">threads</a>, virtualização como o <a href="http://web.archive.org/web/20111019173305/http://kerneltrap.org/node/4168"target="_blank" rel="noopener">Xen</a> e muito mais. Virou uma alternativa confiável para grandes servidores.</p>
<p>A Apple também deixou de ser uma empresa irredutível. Soube assumir seus erros e fazer transições cada vez mais eficientes: dos processadores Motorola para o PowerPC da IBM, do obsoleto MacOS 9 para o MacOS X, baseado em núcleo Unix, e agora do PowerPC para os Intel Core Duo e Core 2 Duo. Mudar para evoluir.</p>
<p>A Microsoft, por sua vez, não está quieta. Vendo os concorrentes se levantarem, criou um sistema para eliminar boa parte das críticas: o Windows Vista. Apesar dos tropeços e atrasos, promete ser um sistema robusto e moderno. Melhor que o Linux? Melhor que o MacOS X? Quem sabe. Mas a evolução está acontecendo. O mesmo vale para a plataforma de desenvolvimento: sob a ameaça do Java, criou o .NET. Ambos têm vantagens e desvantagens, mas o .NET tem funcionalidades fantásticas que não podem ser ignoradas.</p>
<p>Esse fenômeno vai muito além do mundo de TI: é uma característica inerente do <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Capitalism"target="_blank" rel="noopener">capitalismo</a>. A inteligência do sistema de concorrência é essa: ela leva inevitavelmente à evolução. As empresas de hoje são melhores que as de dez ou vinte anos atrás. É o exato motivo pelo qual monopólios precisam ser erradicados.</p>
<p>É o caso do nosso mercado de telecomunicações. Na época do ineficiente monopólio estatal da Telebrás, conseguir uma linha telefônica levava meses e custava obscenamente caro. Hoje, com concorrentes como Telefonica e Embratel, uma linha sai praticamente de um dia para o outro por um preço razoável. O serviço está longe da perfeição (vide Procon), mas é inegável que as coisas só começaram a melhorar depois da privatização.</p>
<p>E o que isso tudo tem a ver com Rails? Um corolário desse raciocínio: tecnologias pouco discutidas e pouco criticadas tendem a estagnar ou pior, a ser esquecidas. É o mesmo efeito dos monopólios. Uma empresa que fica tempo demais sem concorrente se acomoda, piora, desestabiliza, até surgir alguém para desbancá-la. Por isso, num mercado saudável, concorrência é imperativo.</p>
<p>Olhem casos como o <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/BeOS"target="_blank" rel="noopener">BeOS</a>, ou linguagens como <a href="http://web.archive.org/web/20130529032811/http://nemerle.org/Main_Page"target="_blank" rel="noopener">Nemerle</a> e <a href="http://www-swiss.ai.mit.edu/projects/scheme/"target="_blank" rel="noopener">Scheme</a>. Todas mantêm pequenos nichos, mas foram esquecidas pelo mercado como um todo. Isso não significa que fossem ruins; por circunstâncias diversas, não foram criticadas nem sabatinadas o suficiente.</p>
<p>Expliquei tudo isso para chegar ao ponto: Ruby e Rails estão sob crítica constante, observados com minúcia, escrutinados sem cerimônia. E isso é excelente. Todas as engrenagens da evolução estão em movimento. Graças a essa atenção toda, pessoas inteligentes da comunidade se levantaram para preencher as lacunas, levando o RoR rápido a níveis que ele não alcançaria sozinho. Vejamos exemplos:</p>
<h5>RoR não suporta Internacionalização<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="ror-não-suporta-internacionalização"></span>
    <a href="#ror-n%c3%a3o-suporta-internacionaliza%c3%a7%c3%a3o" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h5><p>Para alguns, é uma falta grave, agravada pelo fato de a própria linguagem Ruby não ser muito amigável a Unicode. Lembrem que Ruby nasceu no Japão, para os japoneses, no começo dos anos 90. Detalhei o assunto no livro; resumindo, hoje temos soluções como o <a href="http://web.archive.org/web/20120209000503/http://wiki.rubyonrails.org/rails/pages/Internationalization"target="_blank" rel="noopener">Globalize</a>.</p>
<h5>RoR não tem o equivalente a EJBs<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="ror-não-tem-o-equivalente-a-ejbs"></span>
    <a href="#ror-n%c3%a3o-tem-o-equivalente-a-ejbs" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h5><p>De fato, apesar de extremamente burocráticos, os containers EJB atuais são bastante robustos. O RoR equivale a apenas o container de servlets de um sistema J2EE completo. Mas graças a <strong>Ezra Zygmuntowicz</strong> agora temos o <a href="http://www.infoq.com/articles/BackgrounDRb"target="_blank" rel="noopener">BackgrounDRb</a>. Ele funciona mais ou menos como um Message Bean para executar tarefas assíncronas. Não é necessariamente melhor, mas é uma solução.</p>
<h5>RoR não passa de um gerador de templates<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="ror-não-passa-de-um-gerador-de-templates"></span>
    <a href="#ror-n%c3%a3o-passa-de-um-gerador-de-templates" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h5><p>É a velha conversa sobre scaffolds. Muitos novatos e críticos mal informados acreditam que Rails é só o método scaffold. Estão redondamente errados, embora seja um conceito incrível, difícil ou impossível de reproduzir em linguagens estáticas. O scaffold padrão do Rails é simples demais: falta, por exemplo, interpretar os relacionamentos entre as tabelas. Surgiram várias alternativas, e as mais interessantes são Streamlined e AjaxScaffold, como já <a href="http://web.archive.org/web/20240223172630/https://www.akitaonrails.com/2006/09/27/snakes-vs-rubies-scaffold-on-steroids"target="_blank" rel="noopener">mencionei</a> alguns posts antes.</p>
<h5>RoR privilegia apenas projetos Green Field<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="ror-privilegia-apenas-projetos-green-field"></span>
    <a href="#ror-privilegia-apenas-projetos-green-field" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h5><p><em>&ldquo;Green Field&rdquo;</em> é o que chamamos de projeto começado do zero, sem legado, onde podemos escolher a implementação e seguir as convenções do Rails desde o início. O problema é implementar um módulo Rails em cima de um banco de dados que já existe, totalmente fora das convenções. Nesse caso, dá trabalho. Para facilitar, Robby Russell está escrevendo o plugin <a href="http://www.robbyonrails.com/articles/2006/04/14/sneaking-rails-through-the-legacy-system"target="_blank" rel="noopener">Acts as Legacy</a>, uma extensão do Active Record que promete tornar as coisas mais fáceis.</p>
<h5>RoR utiliza scriptlets: código misturado com HTML, isso é terrível<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="ror-utiliza-scriptlets-código-misturado-com-html-isso-é-terrível"></span>
    <a href="#ror-utiliza-scriptlets-c%c3%b3digo-misturado-com-html-isso-%c3%a9-terr%c3%advel" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h5><p>Discussão sem fim. A engine de views do Rails, Erb, de fato usa o equivalente aos scriptlets de JSP ou PHP, com código Ruby puro misturado ao HTML. No caso do Rails, é uma grande funcionalidade. Mas há quem prefira algo parecido com taglibs: um HTML livre de programação, principalmente quando entram Web Designers no projeto. Uma ótima alternativa é o <a href="https://shopify.github.io/liquid/"target="_blank" rel="noopener">Liquid</a>, com funcionalidades semelhantes ao Velocity do mundo Java. Assim dá para atender gregos e troianos.</p>
<h5>RoR sozinho é muito cru. Python, por exemplo, tem Zope/Plone<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="ror-sozinho-é-muito-cru-python-por-exemplo-tem-zopeplone"></span>
    <a href="#ror-sozinho-%c3%a9-muito-cru-python-por-exemplo-tem-zopeplone" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h5><p>Rails é um framework. Alguns querem estender a briga dizendo que Rails perde para o Zope. Para quem não conhece, Zope é um excelente servidor de aplicações com CMS, escrito em Python. Claro, comparar CMS com framework é comparar maçãs com laranjas. Mesmo assim, já existem soluções inteligentes escritas em Rails. Em CMS (conteúdo, blogs) temos o famoso <a href="http://typosphere.org/"target="_blank" rel="noopener">Typo</a> e o <a href="http://mephistoblog.com/"target="_blank" rel="noopener">Mephisto</a>. Em eCommerce, o <a href="http://shopify.com/"target="_blank" rel="noopener">Shopify</a>.</p>
<h5>RoR usa bons Design Patterns mas não implementa conceitos novos como Rules Engine<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="ror-usa-bons-design-patterns-mas-não-implementa-conceitos-novos-como-rules-engine"></span>
    <a href="#ror-usa-bons-design-patterns-mas-n%c3%a3o-implementa-conceitos-novos-como-rules-engine" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h5><p>Uma Rules Engine, ou Business Rules Engine, gerencia regras de negócio. É um conceito que ganhou força recentemente e ainda está amadurecendo, então cada fornecedor o implementa de um jeito. No mundo Java, um dos mais famosos é o JBoss Rules (Drools). No mundo Ruby já existe uma alternativa chamada <a href="http://web.archive.org/web/20170203232526/http://rools.rubyforge.org/"target="_blank" rel="noopener">Rools</a>.</p>
<h5>RoR não tem tantas bibliotecas quanto Java<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="ror-não-tem-tantas-bibliotecas-quanto-java"></span>
    <a href="#ror-n%c3%a3o-tem-tantas-bibliotecas-quanto-java" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h5><p>Verdade. Apesar de a linguagem Ruby já ter mais de 10 anos e de o Rails ganhar plugins novos o tempo todo, é inegável que Java tem um acervo enorme de bibliotecas, perdendo talvez só para C/C++. Um fato novo pode mudar isso: a <strong><a href="https://rubyonrails.org/2006/9/7/sun-hires-the-jruby-team"target="_blank" rel="noopener">Sun acaba de contratar os criadores do JRuby</a></strong>, uma maneira de rodar código Ruby direto na JVM, o que abre caminho para o Ruby acessar todas as bibliotecas do Java. Se a Sun fizer a lição de casa, em pouco tempo teremos um Ruby na JVM com alta performance, robustez, suporte a internacionalização e acesso a uma infinidade de bibliotecas.</p>
<h5>Finalmente, por que Rails foi feito em Ruby? Não poderia existir um &ldquo;Jails&rdquo;?<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="finalmente-por-que-rails-foi-feito-em-ruby-não-poderia-existir-um-jails"></span>
    <a href="#finalmente-por-que-rails-foi-feito-em-ruby-n%c3%a3o-poderia-existir-um-jails" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h5><p>Muita gente questiona o fato de Rails ser escrito em Ruby. À primeira vista parece birra do programador contra Java. Estudando as linguagens mais famosas, fica claro que Rails só é Rails se for em Ruby. A prova está nos frameworks recentes (a maioria ainda inacabada) que copiam os mesmos conceitos em outras linguagens: <a href="https://grails.org/"target="_blank" rel="noopener">Grails</a> em Groovy/Java, <a href="http://www.cakephp.org/"target="_blank" rel="noopener">CakePHP</a> em PHP, <a href="http://web.archive.org/web/20061024010829/http://www.castleproject.org/index.php/Main_Page"target="_blank" rel="noopener">Castle</a> em .NET. Leiam as documentações, experimentem os códigos. Todos tentam, mas nenhum tem a mesma &ldquo;sensação&rdquo; do Ruby on Rails.</p>
<p>E isso faz parte do jogo. Essas alternativas precisam existir por dois motivos. Primeiro, porque frameworks concorrentes obrigam a comunidade Rails a inovar e evoluir mais rápido, sem se acomodar. Segundo, porque ajudam a justificar a escolha do Ruby para criar o Rails.</p>
<p>A mensagem é simples: não se incomodem com as críticas. Aceitem, entendam e evoluam. No mundo real não existe o lema fantasioso do Highlander, <em>&ldquo;só pode haver um&rdquo;</em>. Tecnologia que reina sozinha deve temer: não há mais para onde subir, só para cair. A evolução funciona em ciclos, como tudo na vida: nasce, cresce e morre.</p>
<p>Como consultor, minha função é escolher os <em>&ldquo;best of breed&rdquo;</em>, os melhores de cada setor naquele momento. Uma solução boa hoje pode estar substituída amanhã, então nós, profissionais de sistemas, precisamos estar atualizados a cada minuto. Escolher por marca, ou por ignorar as alternativas, é receita de ineficiência e obsolescência.</p>
<p>Abram os olhos.</p>
]]></content:encoded><category>rails</category><category>engenharia-de-software</category><category>economia</category><category>off-topic</category></item></channel></rss>