<rss version="2.0" xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"><channel><title>Filosofia | AkitaOnRails.com</title><link>https://akitaonrails.github.io/tags/filosofia/</link><description>Blog do Fabio Akita do Canal do YouTube 'Akitando' falando sobre tecnologia, carreira e coisas geek.</description><generator>Hugo -- gohugo.io</generator><language>pt-BR</language><lastBuildDate>Mon, 19 Oct 2026 23:20:48 +0000</lastBuildDate><atom:link href="https://akitaonrails.github.io/tags/filosofia/index.xml" rel="self" type="application/rss+xml"/><item><title>AGI ou Skynet não vão chegar tão cedo</title><link>https://akitaonrails.github.io/2025/06/18/agi-ou-skynet-nao-vai-chegar-tao-cedo/</link><guid isPermaLink="true">https://akitaonrails.github.io/2025/06/18/agi-ou-skynet-nao-vai-chegar-tao-cedo/</guid><pubDate>Wed, 18 Jun 2025 15:00:00 -0300</pubDate><description>&lt;p&gt;Se não assistiu, recomendo que assista o episódio que participei na última sexta-feira 13/06/2025, no Flow Podcast:&lt;/p&gt;
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&lt;p&gt;Eu fiz questão de levantar um ponto que vale a pena complementar agora. Toda vez que você acredita num CEO de empresa que vende I.A., dizendo que &amp;ldquo;I.A. vai substituir pessoas&amp;rdquo; ou &amp;ldquo;AGI está batendo na nossa porta&amp;rdquo; ou &amp;ldquo;AGI vai ser catastrófico&amp;rdquo;, você está acreditando num traficante dizendo que cocaína é boa pra sua saúde.&lt;/p&gt;</description><content:encoded><![CDATA[<p>Se não assistiu, recomendo que assista o episódio que participei na última sexta-feira 13/06/2025, no Flow Podcast:</p>


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<p>Eu fiz questão de levantar um ponto que vale a pena complementar agora. Toda vez que você acredita num CEO de empresa que vende I.A., dizendo que &ldquo;I.A. vai substituir pessoas&rdquo; ou &ldquo;AGI está batendo na nossa porta&rdquo; ou &ldquo;AGI vai ser catastrófico&rdquo;, você está acreditando num traficante dizendo que cocaína é boa pra sua saúde.</p>
<p>Vamos a novas informações. Sundar Pichai é CEO do Google e um dos que disseram que &ldquo;30% do código do Google&rdquo; já é feito com I.A. (sem explicar, claro, &ldquo;quais 30%&rdquo; e nem mostrar nada).</p>
<p>Veja o mesmo Sundar Pichai hoje, 18/06/2025 no <a href="https://www.businessinsider.com/ai-google-engineers-coding-productive-sundar-pichai-alphabet-2025-6"target="_blank" rel="noopener">&ldquo;Business Insider&rdquo;</a></p>
<p><img src="https://new-uploads-akitaonrails.s3.us-east-2.amazonaws.com/sundar-pichai-2025-06-18.jpg" alt="Sundar Pichai"  loading="lazy" /></p>
<p>Interessante como o discurso ficou mais &ldquo;pé-no-chão&rdquo; agora. Mas ele não foi o primeiro. Já em fevereiro de 2025 o CEO da Microsoft, Satya Nadella disse o seguinte em <a href="https://futurism.com/microsoft-ceo-ai-generating-no-value"target="_blank" rel="noopener">artigos como este</a>:</p>
<p><img src="https://new-uploads-akitaonrails.s3.us-east-2.amazonaws.com/screenshot_18062025_161757.jpg" alt="Satya Nadella"  loading="lazy" /></p>
<p>E por que esta mudança de discurso, sendo que no fim de 2024 tava todo mundo animado falando só &ldquo;AGI&rdquo;, &ldquo;AGI&rdquo;?</p>
<p>Existe <a href="https://www.indicpacific.com/post/beyond-agi-promises-decoding-microsoft-openai-s-competition-policy-paradox"target="_blank" rel="noopener">uma cláusula</a> na negociação de investimento da Microsoft com a OpenAI (eles investiram USD 14 bilhões) de que a OpenAI pararia de compartilhar tecnologia com a Microsoft, uma vez que &ldquo;AGI&rdquo; fosse atingida. Definida como &ldquo;sistema altamente autônomo que ultrapassa humanos em trabalhos de mais valor econômico&rdquo;. Essa é a definição.</p>
<p>Problema é que isso tira a Microsoft como investidor também. Além disso, recentemente a própria Microsoft começou a se declarar como um concorrente da OpenAI, em vez de parceira, se posicionando junto com um Google ou Claude. Leia os detalhes nesta análise:</p>
<p><a href="https://www.indicpacific.com/post/beyond-agi-promises-decoding-microsoft-openai-s-competition-policy-paradox"target="_blank" rel="noopener"><img src="https://new-uploads-akitaonrails.s3.us-east-2.amazonaws.com/screenshot_18062025_162322.jpg" alt="msft-openai-clause"  loading="lazy" /></a>
Entenda: toda discussão de &ldquo;é AGI, não é AGI&rdquo; tem mais a ver com negociações por baixo dos panos entre as diversas Big Tech envolvidas e seus investidores. Não se relaciona com tecnologia de verdade. Você é só mais macaco de auditório de um show que nem pode assistir. Então está torcendo cegamente, pra variar.</p>
<h3>Geoffrey Hinton e o problema dos especialistas<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="geoffrey-hinton-e-o-problema-dos-especialistas"></span>
    <a href="#geoffrey-hinton-e-o-problema-dos-especialistas" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h3><p><a href="https://x.com/10X_AI_/status/1934970334693957852"target="_blank" rel="noopener"><img src="https://new-uploads-akitaonrails.s3.us-east-2.amazonaws.com/geoffrey-hinton-interview.jpeg" alt="geoffrey hinton interview"  loading="lazy" /></a>
Saiu mais uma entrevista do tal Geoffrey Hinton, mais fatalismo, mais &ldquo;já era&rdquo; e mais gente gritando pelos cantos achando que Armageddon vai chegar amanhã.</p>
<p>A mídia considera Geoffrey Hinton o &ldquo;Godfather das I.A.&rdquo;</p>
<p>Por causa disso muitos acreditam em tudo que ele fala - <em>&ldquo;Lógico que o cara que inventou I.A. sabe o que vai acontecer&rdquo;</em>. Virou um culto.</p>
<p>Eu mesmo falei no Flow que ele inventou Backpropagation - o backbone de treinamento de I.A. -, mas é uma simplificação. O próprio Hinton já esclareceu diversas vezes que ele <strong>não inventou</strong>. O grosso do trabalho foi publicado por <strong>Paul Werbos</strong> e <strong>Shun-Ichi Amari</strong>. Mas de fato, foi o Hinton que popularizou esse trabalho.</p>
<p>Hinton, como professor, teve a sorte de supervisionar alunos que viriam a se tornar brilhantes. Na AlexNet - eu contei no Flow - como foi Ilya Sutskever quem deu a idéia de usar GPUs pra treinar deep neural networks. Ilya, que depois viria a co-fundar a OpenAI - junto com Andrej Karpathy, outro aluno brilhante de HInton e que hoje em dia eu detesto porque ele que cunhou o tal de &ldquo;Vibe Coding&rdquo;. Karpathy vem seguindo os passos do seu mentor Hinton e espalhando bullshit.</p>
<p>Ainda na revolução de computer vision, além de usar GPUs, o grande passo de arquitetura foram os <em>Convolutional Neural Networks</em> (CNNs), de <strong>Yann LeCun</strong> - outro aluno de Hinton.</p>
<p>O problema: a mídia dá mais crédito pro supervisor do que pro aluno. E coloca tudo no mesmo saco e fica como se Hinton - sozinho - inventou BackPropagation, CNNs e o AlexNet inteiro. O próprio Prêmio Alan Turing que ele levou, de novo o mérito foi da equipe, mas o nome &ldquo;Hinton&rdquo; é mais forte, então foi como se &ldquo;ele&rdquo; fosse o maior responsável. Óbvio, desse jeito, qualquer um parece um semi-deus.</p>
<p>Não estou dizendo que ele é burro nem nada disso. Mas não é tudo isso, não é infalível e certamente é um ser humano normal que erra. Não há correlação dos seus trabalhos anteriores com especulações de futuro.</p>
<p>Em outro espectro, existe um prêmio Nobel, Roger Penrose que postula desde os anos 80 ou 90 que <strong>&ldquo;consciência NÃO é computável&rdquo;</strong> por exemplo, em seu livro <a href="https://www.amazon.com.br/Emperors-New-Mind-Concerning-Computers/dp/0192861980"target="_blank" rel="noopener">&ldquo;The Emperor&rsquo;s New Mind&rdquo;</a>. Um Nobel do nível que provou hipóteses de Einstein e trabalhou com Hawkings.</p>
<p>Além disso o próprio Yann LeCun, é do campo que não acredita que as I.A.s atuais vão chegar perto de AGI também. Como eu SEMPRE repito: precisa acontecer alguma nova descoberta - que ainda não sabemos - pra isso acontecer. LeCun tem suas teorias e está na Meta, trabalhando num projeto chamado <strong>V-JEPA</strong> pra ver se ele faz essa descoberta.</p>
<p>Em vez de ouvir Hinton, ouça um pouco de LeCun:</p>


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<p>Pois bem, se &ldquo;autoridade&rdquo; é seu único parâmetro, deveria então acreditar cegamente em Penrose e LeCun também. E agora, como fica?</p>
<p>Este jogo é mais complicado do que sua mente ingênua de seguidor-cego consegue enxergar. Não seja só um macaco de auditório e entenda como as peças de encaixam.</p>
<h3>&ldquo;Você não consegue provar que AGI não vai existir&rdquo;<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="você-não-consegue-provar-que-agi-não-vai-existir"></span>
    <a href="#voc%c3%aa-n%c3%a3o-consegue-provar-que-agi-n%c3%a3o-vai-existir" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h3><p>É verdade, ninguém consegue. Ninguém consegue provar que Deus não existe. Ninguém consegue provar que Unicórnios não existem. Isso não significa absolutamente nada, é um erro de lógica.</p>
<p>Pessoas de fora de tecnologia e que nunca estudaram ciência da computação só conseguem ver o que os jornais publicam ou o que influencer fala de bobagem em podcast.</p>
<p>Vamos esclarecer: sim, todos nós - programadores formados em ciência da computação - sabemo que, com a arquitetura atual de LLMs, não há como chegar em AGI. Isso é uma certeza.</p>
<p>O problema é que vocês acham que nem nós sabemos tudo sobre I.A., que existe uma camada misteriosa dentro do modelo que funciona sem que nós saibamos como funciona.</p>
<p>Ou pior, vocês acham que somente alguns poucos nomes considerados importantes como Geoffrey Hinton ou Ilya Sutskever, é que conseguem entender. Entenda uma verdade importante: sim, pra chegar numa Teoria Geral da Relatividade, precisou de gênios gigantes como Albert Einstein, David Hilbert, Kurt Godel, etc. Um deles chegaria nisso, nem todo físico conseguiria.</p>
<p>Mas, uma vez descrita e entendida a Teoria, ela é facilmente ensinada pra alunos de 1o ano de faculdade. Não é nenhum segredo místico que precisa de décadas de treinamento pra entender.</p>
<p>Mesma coisa, perceptrons, redes neurais, backpropagation, gradient descent, RNNs, CNNs, Transformers, etc. Cada uma dessas etapas contou com alguns considerados gênios, como Geoffrey Hinton (que muitos vão dizer que só levou crédito, quem fez o trabalho mesmo foram os Sutkever ou LeCun). Mas uma vez entendido, isso tudo é matéria de graduação de ciência da computação. Você não precisa nem ser um PhD pra entender a maior parte disso.</p>
<p>Os modelos treinados funcionam porque sabemos como ajustar pra funcionar. Parte importante da fase de treinamento é alimentar as redes neurais com milhões de perguntas e respostas PRÉ-PRONTAS. Essa é a fase de INSTRUÇÃO e TODA LLM passa por isso. Ela responde exatamente como cada empresa por trás mandou ela responder, nada a mais que isso.</p>
<p>Ah, mas é tanto parâmetro que não tem com você saber tudo dela. Sim, temos, qualquer bom programador consegue carregar Tensorflow, PyTorch, carregar o modelo e explorar todas as dimensões. Conseguimos partir da resposta e olhar os passos pra trás e ver porque ela se formou daquele jeito. Podemos re-ajustar, podemos mexer quanto quisermos. Eu mostrei parte disso nos posts anteriores.</p>
<p>Todas as etapas do treinamento, da inferência, das otimizações, das metodologias de alinhamento, das estratégias de deployment, tudo está documentado e todos das ciências sabemos exatamente como tudo funciona.</p>
<p>Por isso é assustador que alguém como um Hinton ou Sutskever fiquem fazendo alarmismo sem demonstrar nada. Mostra como eles estão por fora do que está acontecendo. Yann LeCun está correto: está com a mão na massa e ele sabe que a arquitetura atual já bateu no teto e não há muito mais pra seguir daqui. Por isso ele iniciou outros projetos pra tentar conseguir descobrir o que seria uma NOVA arquitetura que leve à próxima etapa. Esse é o projeto V-JEPA 2 da Meta.</p>
<p>Só porque VOCÊ não sabe como as coisas funcionam, não pensem que há margem pra coisas de ficção científica. É a mesma coisa que assistir um filme como &ldquo;O Chamado&rdquo; onde espíritos malignos vivem numa fita de VHS e saem da TV, associar que espírito-onda de TV pode ter relação e me dizer &ldquo;Você não consegue provar que não é possível&rdquo;. É um nível de criancice e falta de conhecimento que não tem como começar a explicar.</p>
<p>Sempre, o <strong>ÔNUS DA PROVA</strong> é de quem VENDE a afirmação. Todo CEO de empresa de IA e todo acadêmico renomado - sem publicar nada - está afirmando isso. Não sou quem tenho que provar: são eles. Ninguém deve tentar provar uma negativa, não faz sentido.</p>
<p>De bônus, voltando pra Yann LeCun. Eu não acompanhava ele, fui ver só hoje o que ele fala. Achei interessante como ele argumenta exatamente as mesmas coisas que eu falo faz mais de 1 ano já. Não quero nem de longe dizer que sou nem uma fração da inteligência dele. Só que partindo dos mesmos princípios, dá pra inevitavelmente chegar nas mesmas conclusões. É inferência pura a partir de primeiros-princípios. Não é uma especulação. Se escrever &ldquo;2 + 2&rdquo; tanto eu quanto ele vamos chegar em &ldquo;4&rdquo;. Todo mundo está dizendo &ldquo;mas se tiver poder de computação suficiente, um dia vai chegar em 10&rdquo;. Não vai. Assista esta outra entrevista dele, é muito esclarecedor:</p>


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<p>O que LeCun e outros - como DeepMind - já disseram, é que LLMs não tem capacidade pra chegar em AGI. Isso é sabido e a DeepMind já provou isso matematicamente. <a href="https://www.youtube.com/watch?v=kpOWmwA6tJc"target="_blank" rel="noopener">Este outro video</a> tem mais detalhes. Mas em resumo, uma LLM é boa como &ldquo;recuperador de informações&rdquo;. Além do que eu chamo de &ldquo;completador de texto glorificado&rdquo;, quer dizer que ele só é capaz de completar com informação que ele já viu em treinamento (e combinações aleatórias que às vezes faz parecer que é informação nova, mas não é). A única forma dele conseguir resolver QUALQUER problema é ter um MODELO CAUSAL de TODOS OS PROBLEMAS. Ou seja, ele já saber de ante-mão a resposta pra toda pergunta. Obviamente não temos isso, portanto, é impossível que uma LLM - sendo uma máquina de recuperar informações - nos dê soluções que não existem, como &ldquo;qual é a nova descoberta que vai permitir AGI?&rdquo;. É um problema não-decidível e não-computável. Matematicamente provado como inviável.</p>
<p>AGI, na arquitetura atual, não vai acontecer. Precisa acontecer alguma nova descoberta. Isso pode ser daqui 2 anos, pode ser daqui 20 anos. Mas não há um caminho possível a partir do que sabemos hoje.</p>
]]></content:encoded><category>inteligencia-artificial</category><category>llms</category><category>filosofia</category><category>off-topic</category></item><item><title>[Akitando] #31 - Manifesto Anti-Parasita: Seja um Criador</title><link>https://akitaonrails.github.io/2018/12/05/akitando-31-manifesto-anti-parasita-seja-um-criador/</link><guid isPermaLink="true">https://akitaonrails.github.io/2018/12/05/akitando-31-manifesto-anti-parasita-seja-um-criador/</guid><pubDate>Wed, 05 Dec 2018 17:00:00 -0200</pubDate><description>&lt;p&gt;Disclaimer: esta série de posts são transcripts diretos dos scripts usados em cada video do canal &lt;a href="https://www.youtube.com/channel/UCib793mnUOhWymCh2VJKplQ"target="_blank" rel="noopener"&gt;Akitando&lt;/a&gt;. O texto tem erros de português mas é porque estou apenas publicando exatamente como foi usado pra gravar o video, perdoem os errinhos.&lt;/p&gt;
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&lt;h3&gt;Descrição no YouTube&lt;span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="descrição-no-youtube"&gt;&lt;/span&gt;
&lt;a href="#descri%c3%a7%c3%a3o-no-youtube" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/h3&gt;&lt;p&gt;Disclaimer: este episódio é bem &amp;ldquo;atípico&amp;rdquo;, não espere que eu faça esse formato sempre, é só hoje, uma indulgência a mim mesmo :-D É só uma coisa que tive vontade de testar. E a música vai ser mais alta mesmo, de propósito pra dar mais peso no texto.&lt;/p&gt;</description><content:encoded><![CDATA[<p>Disclaimer: esta série de posts são transcripts diretos dos scripts usados em cada video do canal <a href="https://www.youtube.com/channel/UCib793mnUOhWymCh2VJKplQ"target="_blank" rel="noopener">Akitando</a>. O texto tem erros de português mas é porque estou apenas publicando exatamente como foi usado pra gravar o video, perdoem os errinhos.</p>


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<h3>Descrição no YouTube<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="descrição-no-youtube"></span>
    <a href="#descri%c3%a7%c3%a3o-no-youtube" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h3><p>Disclaimer: este episódio é bem &ldquo;atípico&rdquo;, não espere que eu faça esse formato sempre, é só hoje, uma indulgência a mim mesmo :-D É só uma coisa que tive vontade de testar. E a música vai ser mais alta mesmo, de propósito pra dar mais peso no texto.</p>
<p>Hoje resolvi fazer uma coisa um pouco diferente, eu ia gravar isso eventualmente mas por razões pessoais decidi que ia ser agora.</p>
<p>Esse discurso me motiva toda vez que eu me sinto &ldquo;preso&rdquo;. Eu assistindo eu mesmo dizendo isso me ajuda a olhar pra frente e me manter independente.</p>
<p>O discurso não fui eu quem escreveu. E quem acompanha meu blog faz alguns anos, já sabe de onde ele vem.</p>
<p>Todos os meus vídeos vêm exaltando a natureza do esforço individual. A intenção é definir de uma vez por todas o que é um &ldquo;criador&rdquo; e quem é sua antítese: o &ldquo;parasita&rdquo;.</p>
<p>Criador não é somente um inventor, mas qualquer pessoa que valoriza o que produz, e que produz com seu próprio esforço, não via intermediários.</p>
<p>Em particular, o mundo de redes sociais hoje é repleto de parasitas. Pessoas que dependem do &ldquo;like&rdquo; das pessoas, e que colocam como bandeira tirar o que outros criaram e dar a quem não merece. Que querem atacar os criadores, que passaram a vida produzindo, e surfar em cima de suas conquistas.</p>
<p>Percebam quem é o parasita: aquele que não produz de verdade, só diz que produz, mas olhem bem e vão ver: cadê o resultado individual? Vive de fazer &ldquo;movimentos&rdquo; chamando gado pra juntar volume e forçar outros que realmente produzem a se curvar diante da &ldquo;causa nobre&rdquo; deles. Esse é o padrão, não se deixe levar por esses padrões.</p>
<p>Links:</p>
<ul>
<li>
<p>[Off-Topic] The Fountainhead: Defesa de Howard Roark (<a href="http://www.akitaonrails.com/2011/02/04/off-topic-the-fountainhead-defesa-de-howard-roark"target="_blank" rel="noopener">http://www.akitaonrails.com/2011/02/04/off-topic-the-fountainhead-defesa-de-howard-roark</a>)</p>
</li>
<li>
<p>[Off-Topic] Direitos do Homem (<a href="http://www.akitaonrails.com/2009/09/09/off-topic-direitos-do-homem"target="_blank" rel="noopener">http://www.akitaonrails.com/2009/09/09/off-topic-direitos-do-homem</a>)</p>
</li>
<li>
<p>Discurso completo de Howard Roark (<a href="https://www.facebook.com/misesportugal/posts/discurso-completo-de-howard-roark-no-seu-julgamento-obra-the-fountainhead-por-ay/1139001889500888/"target="_blank" rel="noopener">https://www.facebook.com/misesportugal/posts/discurso-completo-de-howard-roark-no-seu-julgamento-obra-the-fountainhead-por-ay/1139001889500888/</a>)</p>
</li>
<li>
<p>A Nascente (<a href="https://www.amazon.com.br/nascente-Ayn-Rand-ebook/dp/B00GA9BTR8"target="_blank" rel="noopener">https://www.amazon.com.br/nascente-Ayn-Rand-ebook/dp/B00GA9BTR8</a>)</p>
</li>
<li>
<p>A Virtude do Egoísmo (<a href="https://www.amazon.com.br/Virtude-Do-Ego%C3%ADsmo-Verdadeira-Racional/dp/8585279133/ref=sr_1_cc_2"target="_blank" rel="noopener">https://www.amazon.com.br/Virtude-Do-Ego%C3%ADsmo-Verdadeira-Racional/dp/8585279133/ref=sr_1_cc_2</a>)</p>
</li>
<li>
<p>Exemplo de parasitismo (<a href="https://lulz.com/linux-devs-threaten-killswitch-coc-controversy-1252/"target="_blank" rel="noopener">https://lulz.com/linux-devs-threaten-killswitch-coc-controversy-1252/</a>)</p>
</li>
</ul>
<h2>Script<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="script"></span>
    <a href="#script" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Olá pessoal, Fabio Akita</p>
<p>Hoje eu quero fazer uma indulgência. Tem um texto de uma autora que obviamente eu gosto muito e que eu sempre quis tentar discursar. E alguns eventos felizes nos últimos dias me lembraram desse texto então eu meio que quis marcar a data com isso.</p>
<p>Como o texto é longo ainda estou pensando se talvez de novo este seja o único vídeo desta semana. Vamos ver.</p>
<p>Eu pessoalmente tentei viver minha vida seguindo esses princípios, e apesar do texto ser de 1943 vocês vão notar como ela é absolutamente atual e descreve os males de nossos tempos. E se vocês viram meus vídeos anteriores vão entender agora de onde vieram muitos dos temas que eu já descrevi. Particularmente no tocante à vida de um empreendedor, ou criador, ou inovador, ou qualquer pessoa de trabalho digno.</p>
<p>(&hellip;)</p>
<p>Há milhares de anos atrás, a primeira pessoa descobriu como fazer fogo. Ele ou ela provavelmente foi queimado na fogueira, mas acabou ensinando seus irmão a iluminar. Foi considerado um malfeitor que lidou com um demônio que a humanidade temia. Mas depois todos usaram o fogo pra se manterem quentes, pra cozinhar sua comida, pra iluminar suas cavernas.</p>
<p>Essa pessoas deram um presente que ninguém havia imaginado e tiraram o mundo da escuridão. Séculos mais tarde, a primeira pessoa inventou a roda. Essa pessoa provavelmente foi torturada na mesma roda que ensinou seus irmãos a construir. Foi considerado um transgressor que se aventurou em território proibido. Mas depois todos puderam viajar pra lá, a todos os horizontes. Essa pessoa deu um presente que ninguém havia imaginado e abriu as estradas do mundo.</p>
<p>Essa tal primeira pessoa está no capítulo de abertura de cada lenda que a humanidade registrou sobre seus começos. Prometeu foi acorrentado a um rochedo e torturado por abutres por ter roubado o fogo dos deuses. Adão foi condenado a sofrer por ter comido o fruto da árvore do conhecimento. Qualquer que seja a lenda, a humanidade soube que a sua glória começou com uma pessoa, e que essa pessoa pagou pela sua coragem.</p>
<p>Ao longo dos séculos existiram pessoas que deram os primeiros passos em novas estradas, munidos apenas com a sua visão. Os seus objetivos divergiram mas todos tinham isto em comum: a resposta que receberam – o ódio.</p>
<p>Os grandes criadores, os pensadores, os artistas, os cientistas, os inventores, mantiveram-se sós contra as pessoas do seu tempo. Cada grande novo pensamento sofreu oposição, cada grande nova invenção foi denunciada. O primeiro motor foi considerado ridículo. O avião foi considerado impossível. O tear mecânico foi considerado cruel. A anestesia foi considerada pecado. Mas os homens de visão própria continuaram adiante. Eles lutaram, sofreram e pagaram. Mas ganharam.</p>
<p>Nenhum criador foi motivado pelo desejo de servir aos seus irmãos, uma vez que os seus irmãos rejeitaram o presente que ele deu e esse presente destruiu a rotina ociosa das suas vidas. A sua verdade foi o seu único motivo. A sua própria verdade e o seu próprio trabalho para conquistar seu resultado da sua própria maneira. Uma sinfonia, um livro, uma máquina, uma filosofia, um avião ou um edifício – estes foram os seus objetivos e a sua vida.</p>
<p>Não aqueles que ouviram, leram, operaram, voaram ou habitaram a coisa que ele criou. A criação, não os seus utilizadores. A criação, não os benefícios que outros tiraram dela. A criação que deu forma à sua verdade. Ele manteve a sua verdade ACIMA de todas as coisas e contra todos. A sua visão, a sua força, a sua coragem vieram do seu próprio espírito. Aquela entidade chamada consciência. Pensar, sentir, julgar e agir são funções do ego.</p>
<p>Os criadores não eram altruístas. Esse é o segredo do seu poder – serem autossuficientes, automotivados, autogerados. O criador não serviu nada nem ninguém. Ele viveu a si mesmo. E apenas ao viver pra si mesmo, conseguiu alcançar as coisas que são a glória da humanidade. Tal é a natureza da proeza.</p>
<p>Nós não podemos sobreviver, exceto através de nossa mente. Nós chegamos à terra indefesos. Nosso cérebro é nossa única arma. Os animais conseguem a comida à força. Nós não temos garras, não temos presas, não temos grande força de músculos. Nós temos que plantar nossa comida ou caçá-la. Pra plantar, precisamos de um processo de pensamento. Pra caçar, precisamos de armas e pra fazer armas – um processo de pensamento.</p>
<p>Desde essa simples necessidade até a mais alta abstração religiosa, desde a roda até arranha-céus, tudo o que somos e tudo o que temos vem dum único atributo – a função do nosso raciocínio mental. Mas a mente é um atributo do indivíduo. Não existe mente coletiva. Não existe pensamento coletivo. Um entendimento chegado por um grupo de pessoas é só um compromisso, ou uma média. É uma consequência secundária.</p>
<p>O ato primário – o processo da razão – deve ser feito por cada pessoa individualmente. Podemos dividir uma refeição entre várias pessoas. Mas não podemos digerir num estômago coletivo. Ninguém pode usar os seus pulmões pra respirar por outra pessoa. Ninguém pode usar seu cérebro pra pensar por outra pessoa. Todas as funções do corpo e do espírito são privadas. Elas não podem ser partilhadas ou transferidas.</p>
<p>Nós herdamos os produtos do pensamento de outros. Nós herdamos a roda. Nós fizemos uma carroça. A carroça tornou-se um automóvel. O automóvel tornou-se um avião. Mas ao longo de todo o processo, o que recebemos dos outros é apenas o produto final do seu pensamento. A força motora é a faculdade criativa, que toma este produto como material, usa-o e origina o próximo passo. Esta faculdade criativa não pode ser dada ou recebida, emprestada ou tomada de empréstimo. Pertence a um único individuo. Aquilo que cria é propriedade do criador. As pessoas aprendem uns com os outros. Mas toda a aprendizagem é apenas troca de material. Ninguém pode dar a outro a capacidade de pensar. No entanto, essa capacidade é o nosso único meio de sobrevivência.</p>
<p>Nada na terra nos é dado. Tudo que precisamos tem que ser produzido. E aqui só temos uma alternativa: só podemos sobreviver de duas formas – pelo trabalho independente da nossa própria mente OU como um parasita alimentado pela mente dos outros.</p>
<p>O criador origina. O parasita rouba. O criador enfrenta a natureza sozinho. O parasita enfrenta a natureza através de um intermediário. A preocupação do criador é a conquista da natureza. A preocupação do parasita é a conquista das pessoas. O criador vive pelo seu trabalho. Ele não precisa dos outros. O seu objetivo primário é dentro de si próprio. O parasita vive dos outros. Ele precisa de outros. Os outros se tornam o seu objetivo primário.</p>
<p>A necessidade básica do criador é independência. A mente que raciocina não pode trabalhar sob qualquer forma de coerção. Não pode ser dobrada, sacrificada ou subordinada. Exige independência total em função e em motivo. Pro criador, todas as relações são secundárias. A necessidade básica do parasita é assegurar a sua relação com as pessoas para ser alimentado. Pra ele, os relacionamentos estão acima de tudo. Ele declara que as pessoas existem para servir aos outros. Ele prega o altruísmo, que é a doutrina que exige que o homem viva pros outros e dê mais importância aos outros que a si próprio. Ninguém pode viver por outro. Mas quem vive às custas dos outros usou o altruísmo como arma de exploração e inverteu o fundamento dos princípios morais da humanidade. Começaram a ensinar coisas que destróem o criador. Foi ensinado que a dependência é uma virtude.</p>
<p>Quem tenta viver por causa de outros é um dependente. É um parasita em sua motivação e faz daqueles a quem serve parasitas também. Essa relação não produz nada além de corrupção mútua. É impossível conceber tal relação. O exemplo mais próximo na realidade, quem vive para servir aos outros, é o escravo. Se a escravidão física é repugnante, quão mais repugnante é o conceito de escravidão espiritual? O escravo, mesmo subjugado, ainda retém um vestígio de honra. Ele tem o mérito de ter resistido e de saber que a sua condição é revoltante. Mas quem se escraviza voluntariamente em nome do amor é a criatura mais desprezível que existe. Ele degrada a dignidade humana E degrada o conceito de amor.</p>
<p>Mas essa é a essência do altruísmo. Nos ensinaram que a maior virtude não é realizar, é dar. Mas nada pode ser dado antes de ser criado. A criação precede a distribuição ou não teria nada pra distribuir. As necessidades do criador têm precedência sobre as de qualquer possível beneficiário. Entretanto, somos ensinados a ter mais admiração pelo parasita que distribui presentes que não criou do que por quem tornou os presentes possíveis. Nós elogiamos um ato de caridade e ficamos indiferentes a um ato de realização.</p>
<p>Nos foi ensinado que nossa primeira preocupação é aliviar o sofrimento dos outros. Mas o sofrimento é uma doença. Se alguém se depara com outra pessoa sofrendo, é normal tentar ajudar e dar assistência. Mas, fazer dessa decisão o teste mais crucial da virtude de alguém é tornar o sofrimento alheio a parte mais importante da vida. Sob essa perspectiva, a pessoa acaba desejando que os outros sofram, para que ela possa ser virtuosa. Essa é a natureza do altruísmo. O criador não se preocupa com a doença, mas com a vida. Ainda assim, o trabalho do criador eliminou doença após doença, curando tanto o corpo quanto o espírito das pessoas, e aliviou o sofrimento humano numa escala que altruísta nenhum jamais poderia conceber.</p>
<p>Nos ensinaram que concordar com os outros é uma virtude. Mas o criador é quem discorda. Nos ensinaram que nadar a favor da corrente é uma virtude. Mas o criador é quem vai contra a corrente. Nos ensinaram que se unir aos outros é uma virtude. Mas o criador é quem fica sozinho. Nos ensinaram que o ego é sinônimo do mal, e que esquecer o ego e ser altruísta é o ideal da virtude. Mas o criador é o egoísta no sentido mais absoluto, e uma pessoa sem ego é aquele que não pensa, sente, julga ou atua. Essas são funções do ego.</p>
<p>Essa inversão é absolutamente fatal. Essa questão foi pervertida e nos deixou sem nenhuma alternativa e sem nenhuma liberdade. Duas concepções nos foram oferecidas como polos do bem e do mal: altruísmo e egoísmo. O egoísmo passou a significar o sacrifício dos outros pra benefício próprio; o altruísmo, o sacrifício pessoal em benefício dos outros. Essas concepções nos ataram irrevogavelmente uns aos outros e nos deixaram apenas uma escolha de dor: nossa própria dor, suportada para benefício dos outros, ou infligida a outros, para benefício próprio. Quando adicionaram a ideia de que devemos nos alegrar com o sacrifício pessoal, a autoimolação, a armadilha se fechou. Nós fomos forçados a aceitar o masoquismo como nosso ideal, sob a ameaça de que o sadismo seja nossa única alternativa.</p>
<p>Essa foi a maior fraude jamais perpetrada contra a humanidade. Esse foi o estratagema que fez com que a dependência e o sofrimento se perpetuassem como princípios essenciais da vida. A escolha não é sacrifício pessoal ou domínio sobre os outros. É independência ou dependência. O código do criador ou o código do parasita que vive à custa dos outros. Essa é a questão básica.</p>
<p>O código do criador é construído de acordo com as necessidades da mente racional, que permite ao homem sobreviver. O código do parasita é construído de acordo com as necessidades de uma mente incapaz de garantir sua própria sobrevivência. Tudo o que resulta do ego independente das pessoas é bom. Tudo o que resulta da dependência de uma pessoa em relação a outra é mau. O egoísta, no sentido mais absoluto, não é quem sacrifica os outros. O egoísta é quem está acima da necessidade de usar os outros de qualquer forma. A gente não funciona por intermédio delas. Nós não existimos pra benefício de ninguém e não pedimos a ninguém que exista para nosso benefício. Essa é a única forma possível de respeito mútuo entre as pessoas.</p>
<p>Graus de habilidade variam, mas o princípio básico permanece o mesmo: o grau de independência, iniciativa e amor pelo seu trabalho é que determina nosso talento como trabalhadores e nosso valor como pessoas. Nossa independência é a única medida de nossa virtude e de nosso valor: o que somos, e o que fazemos de nós mesmo; não o que fizemos, ou deixamos de fazer pelos outros.</p>
<p>Não há substituto pra a dignidade pessoal. O único padrão de dignidade pessoal que existe é nossa independência. Em todos os relacionamentos dignos de respeito ninguém se sacrifica por ninguém. Por exemplo, um arquiteto precisa de clientes, mas não subordina seu trabalho aos desejos deles. E eles precisam de um arquiteto, mas não encomendam uma casa só para lhe dar trabalho. Os homens trocam o seu trabalho de livre e espontânea vontade, com mútuo consentimento e pra vantagem mútua, sempre que seus interesses pessoais coincidem e ambos desejam a troca. Se não desejam tratar um com o outro, não são forçados a fazer isso. Ambos podem continuar seguindo seus caminhos. Essa é a única forma possível de relacionamento entre iguais. Qualquer outra é uma relação abusiva entre escravo e dono, ou entre vítima e carrasco.</p>
<p>Aqueles que dominam outros não são egoístas. Eles não criam nada. A sua existência depende inteiramente de outros. O seu objetivo reside em seus súditos, seus seguidores, no ato de escravizá-los. Eles são tão dependentes quanto o mendigo, o assistente social e o bandido. A forma da dependência não importa. Mas nós fomos ensinados a ver os parasitas que vivem à custa dos outros - os tiranos, imperadores e ditadores - como os expoentes do egoísmo. Por meio dessa fraude, fomos levados a destruir o ego, a nós mesmos e aos outros. O objetivo da fraude era destruir os criadores. Ou subjugá-los.</p>
<p>Desde os primórdios da história, os dois antagonistas se enfrentaram face a face: o criador e o parasita. Quando o primeiro criador inventou a roda, o primeiro parasita reagiu. Ele inventou o altruísmo. O criador, rejeitado, hostilizado, perseguido, explorado, perseverou, seguiu adiante e com sua energia carregou toda a humanidade com ele. O parasita não contribuiu com nada para esse processo, só com obstáculos. Essa disputa tem outro nome: o indivíduo contra o coletivo.</p>
<p>O ‘bem comum’ do coletivo&hellip; da raça, do gênero, da classe, do Estado&hellip; foi a alegação e a justificativa de todas as tiranias estabelecidas sobre a humanidade. Os maiores horrores da história foram cometidos em nome de motivos altruísticos. Onde está a culpa: na hipocrisia dos altruístas ou na natureza do seu princípio? Os piores carrascos foram os mais sinceros. Eles acreditavam na sociedade perfeita alcançada através da guilhotina e do pelotão de fuzilamento.</p>
<p>Ninguém questionou o seu direito de matar porque matavam por motivações altruístas. A ideia de que devemos ser sacrificados pro beneficio dos outros tá bem estabelecida. Os atores e o cenário mudam, mas o curso da tragédia permanece o mesmo. Humanitários que começam declarando seu amor pela humanidade e acabam com banhos de sangue. Assim foi e assim será enquanto se acreditar que uma ação é boa se for altruísta. Essa crença dá ao altruístas permissão pra agir e forçar suas vítimas a sofrerem caladas. Os líderes de movimentos coletivistas não pedem nada para si mesmos. Mas observem os resultados. A única forma de nos beneficiarmos mutuamente e a única declaração de um relacionamento apropriado entre nós é: ‘Não se meta!’</p>
<p>Esse é um conflito muito antigo. Cada vez que as pessoas estiveram perto de descobrir a verdade, elas foram destruídas, e civilizações pereceram, uma após outra. A civilização é o progresso em direção a uma sociedade de privacidade. A existência inteira de um selvagem é pública, governada pelas leis da sua tribo. A civilização é o processo de libertar as pessoas umas das outras. Agora, na nossa época, o coletivismo, o reinado do parasita que vive às custas dos outros e do medíocre, o monstro antigo está à solta e correndo descontrolado. Isso leva as pessoas a um nível de indecência intelectual nunca igualado na face da Terra. Está causando horrores numa escala sem precedentes. Envenenaram todas as mentes.</p>
<p>Eu vim aqui para dizer que não reconheço o direito de ninguém a um minuto sequer da minha vida. Nem a nenhuma parte da minha energia. Nem a nenhuma conquista minha. Não me importa quem faça a exigência, quantos a façam, nem o tamanho da sua necessidade. Eu quis vir aqui e dizer que sou uma pessoa que não existe para servir aos outros. Isso precisava ser dito. O mundo está perecendo por causa de uma orgia de sacrifícios pessoais. Eu quis vir aqui e dizer que a integridade do trabalho criativo de uma pessoa é muito mais importante que qualquer projeto de caridade. Aqueles entre vocês que não entendem isso são os que estão  destruindo o mundo. Eu quis vir aqui e ditar as minhas condições. Não tenho interesse em existir sob quaisquer outras.</p>
<p>Eu não reconheço nenhuma obrigação a ninguém, com uma única exceção: respeitar a sua liberdade e não participar de nenhuma maneira em uma sociedade escravagista.</p>
<p>Esse texto é de autoria de Ayn Rand, é parte do famoso discurso no julgamento de Howard Roark, no livro The Fountainhead, ou A Nascente. Obviamente é uma obra de ficção e uma alegoria que define o que é o ideal de uma pessoa criativa contra uma sociedade de parasitas. Como ficção não é um livro de receita ou procedimentos, apenas uma perspectiva que pode ser útil a pessoas diferenciadas que querem tomar controle de suas próprias vidas.</p>
<p>Valeu pela paciência pessoal, a gente se vê! Até mais!</p>
]]></content:encoded><category>filosofia</category><category>pessoal</category><category>akitando</category></item><item><title>Off-Topic: A Lamentável Evolução da Sociedade Moderna</title><link>https://akitaonrails.github.io/2018/07/26/off-topic-a-lamentavel-evolucao-da-sociedade-moderna/</link><guid isPermaLink="true">https://akitaonrails.github.io/2018/07/26/off-topic-a-lamentavel-evolucao-da-sociedade-moderna/</guid><pubDate>Thu, 26 Jul 2018 15:28:00 -0300</pubDate><description>&lt;p&gt;O mundo está perecendo numa orgia de autojustiça.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O pessoal do Wisecrack sempre consegue me arrancar um sorriso. Me dão esperança de que ainda existem pessoas com bom senso nesse mundo. Este texto é inspirado naquele vídeo e numa série de pensamentos complementares que fui juntando.&lt;/p&gt;
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&lt;p&gt;Como engenheiro, vivo pasmo com o que somos capazes de criar. Ninguém imaginaria que uma das invenções mais fantásticas da humanidade, a internet, junto dos seus maiores sucessos, pudesse virar arma de destruição em massa. Falo do acesso móvel onipresente e das redes sociais capazes de reunir um número absurdo de pessoas ao mesmo tempo.&lt;/p&gt;</description><content:encoded><![CDATA[<p>O mundo está perecendo numa orgia de autojustiça.</p>
<p>O pessoal do Wisecrack sempre consegue me arrancar um sorriso. Me dão esperança de que ainda existem pessoas com bom senso nesse mundo. Este texto é inspirado naquele vídeo e numa série de pensamentos complementares que fui juntando.</p>


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<p>Como engenheiro, vivo pasmo com o que somos capazes de criar. Ninguém imaginaria que uma das invenções mais fantásticas da humanidade, a internet, junto dos seus maiores sucessos, pudesse virar arma de destruição em massa. Falo do acesso móvel onipresente e das redes sociais capazes de reunir um número absurdo de pessoas ao mesmo tempo.</p>
<p>Esse caso está longe de ser o único, mas serve de exemplo. Há poucos dias, fui pego de surpresa por uma notícia aparentemente pequena. James Gunn, o querido diretor de dois dos maiores sucessos do MCU com seus Guardiões da Galáxia, foi demitido por causa de tweets que escreveu havia dez anos.</p>
<p>Não estou aqui para julgar o mérito dos tweets nem se o pedido de desculpas dele foi suficiente.</p>
<p>Na verdade, só de dizer que sou neutro já sou automaticamente julgado como favorável. Esse é o problema.</p>
<p>Nos últimos dias, vimos páginas e contas de direita sendo deletadas do Facebook. Faz parte do esforço contínuo da plataforma para combater &ldquo;fake news&rdquo;, que de fato é um problema contemporâneo. Portais de notícia viraram fábricas de clickbait, exatamente como o vídeo do Wisecrack descreve.</p>
<p>Mas quem decide o que é &ldquo;fake news&rdquo;? O que &ldquo;ofende&rdquo; um grupo barulhento que gera cliques. Portanto, precisamos banir o outro lado.</p>
<p>Isso me lembra uma frase clichê de O Senhor dos Anéis que sempre ressoou em mim. Quando a Sociedade tenta atravessar Moria, Frodo lamenta para Gandalf:</p>
<blockquote>
  <p>&ldquo;Que pena que Bilbo não apunhalou aquela criatura vil quando teve a chance!&rdquo;</p>

</blockquote>


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<p>E Gandalf responde:</p>
<blockquote>
  <p>&ldquo;Pena? Foi a Pena que deteve sua mão. Pena e Misericórdia: não ferir sem necessidade. E ele foi bem recompensado por isso, Frodo. Pode ter certeza de que sofreu tão pouco com o mal e escapou no final justamente porque começou sua posse do Anel dessa forma. Com Pena.&rdquo;</p>

</blockquote>
<p>E então conclui:</p>
<blockquote>
  <p>&ldquo;Merece! Eu diria que sim. Muitos que vivem merecem a morte. E alguns que morrem merecem a vida. Você pode devolvê-la a eles? Então não seja tão ansioso para distribuir a morte em julgamento.</p>
<p>Pois mesmo os muito sábios não conseguem ver todos os fins. Não tenho muita esperança de que Gollum seja curado antes de morrer, mas existe uma chance. E ele está ligado ao destino do Anel. Meu coração me diz que ele ainda tem um papel a cumprir, para o bem ou para o mal, antes do fim; e quando isso acontecer, a pena de Bilbo poderá reger o destino de muitos, inclusive o seu.&rdquo;</p>

</blockquote>
<p>Voltando ao Gunn: o que me surpreendeu não foi a republicação dos tweets nem a indignação pública (obviamente, nenhuma pessoa sã endossa literalmente o conteúdo específico). O que realmente me impressionou foi a velocidade absurda com que uma megacorporação do tamanho da Disney respondeu com uma guilhotina, destruindo uma grande carreira em questão de horas.</p>
<p>Me lembra sentenças públicas igualmente rápidas, sem julgamento, sem devido processo. De novo, não estou defendendo essas pessoas, mas lembro dos casos James Damore vs. Google, Brendan Eich vs. Mozilla e James Watson vs. Nobel.</p>
<p>E a maioria de vocês, ou dos seus amigos, diria: <em>&ldquo;claro que foram expulsos, são pessoas ruins, temos que nos policiar para remover esses vilões do nosso meio.&rdquo;</em></p>
<p>Será que devemos?</p>
<p>Você consegue devolver o futuro deles se estiver errado? O que te dá o direito de ser juiz e júri?</p>
<p>Cuidado. Quando provocada, uma pessoa razoável e normal busca o diálogo em privado, como qualquer sociedade civilizada aprendeu a fazer. Mas as redes sociais motivam as pessoas a fazerem o pior: expor publicamente.</p>
<p>Isso é formação de manada. Bullying puro e simples. Sofri bullying a vida inteira, sendo minoria japonesa num país ocidental, e sei exatamente o quanto dói. É por isso que jamais revido com bullying.</p>
<p>Se você expõe alguém publicamente, não está praticando &ldquo;justiça&rdquo;. Você é simplesmente um bully. Independente do assunto.</p>
<p>Você já leu o cabeçalho dos meus perfis no <a href="https://www.facebook.com/fabio.akita.profile"target="_blank" rel="noopener">Facebook</a> e no <a href="https://twitter.com/akitaonrails"target="_blank" rel="noopener">Twitter</a>? Diz:</p>
<blockquote>
  <p>&ldquo;Eu desaprovo o que você diz, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-lo.&rdquo; — Evelyn Beatrice Hall.</p>

</blockquote>
<p>E eu acredito nisso de verdade.</p>
<p>Nunca vou humilhar alguém publicamente. Só covardes fazem isso. Envergonhar alguém em público tem um único propósito: mobilizar a massa, transformar o rebanho em tropa de choque para executar alguém em praça pública e, assim, fazer valer o próprio ponto sem precisar defendê-lo.</p>
<p><em>&ldquo;Mas eu tenho o direito de não ser ofendido.&rdquo;</em></p>
<p>Não. Não tem.</p>
<p>Outro filme que comentei anos atrás, e do qual cortei um trecho para publicar aqui, é a obra-prima de Miloš Forman, O Povo Contra Larry Flynt, produzida por Oliver Stone.</p>
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</div>
<p>O filme conta a história do fundador da revista pornográfica Hustler. Um sujeito desprezível por praticamente qualquer critério.</p>
<p>Mas esse é exatamente o ponto. Larry fez coisas que a maioria de vocês condenaria. Não só publicar pornografia, mas satirizar figuras públicas com piadas de péssimo gosto. Piadas, ainda assim. O trecho que mais me impactou foi a ideia de que ninguém tem o direito de não ser ofendido. É uma questão subjetiva, sem lugar num tribunal, porque gosto não se define juridicamente.</p>
<blockquote>
  <p>&ldquo;Senhoras e senhores do júri, vocês ouviram muito hoje, e não vou revisitar tudo isso, mas precisam entrar naquela sala e tomar algumas decisões. Mas antes, há algo que precisam saber. Não estou tentando sugerir que vocês deveriam gostar do que Larry Flynt faz. Eu não gosto do que Larry Flynt faz. Mas gosto de viver num país onde você e eu podemos tomar essa decisão por conta própria. Gosto de viver num país onde posso pegar a revista Hustler, lê-la, ou jogá-la no lixo se for lá que acho que ela pertence.&rdquo;</p>

</blockquote>
<p>Qualquer pessoa tem o direito de fazer e dizer o que quiser, desde que não cause dano real a outra pessoa. É uma linha tênue, porque meus direitos devem terminar onde os seus começam.</p>
<blockquote>
  <p>&ldquo;Se a Primeira Emenda vai proteger um lixo como eu, vai proteger todos vocês.&rdquo; — Larry Flynt.</p>

</blockquote>
<p>Mas como isso não pode ser resolvido nos tribunais, pessoas radicais tomam a lei nas próprias mãos usando a arma mais poderosa já criada: as redes sociais. Elas conseguem reunir um júri enorme em minutos e decretar a execução pública. É como dar uma arma carregada para uma criança.</p>
<p>Isso é território de Inquisição. Galileu foi julgado e condenado porque ofendeu a sociedade católica ao afirmar que a Terra e os planetas giram em torno do Sol, e não o contrário. Parece trivial hoje, mas era um escândalo monumental na época. Havia gente disposta a morrer para não aceitar essa afirmação ofensiva. O tema estaria em alta no Twitter dos anos 1600, e a execução pública seria exigida em minutos.</p>
<p>Essa justificativa do <em>&ldquo;estou ofendido&rdquo;</em> é o que levou, em última análise, a assassinatos como os de Luther King, JFK e Lennon, à prisão de Gandhi e ao genocídio dos judeus. Intolerância.</p>
<p>Se não ser ofendido é o objetivo máximo, a intolerância vira o único caminho, e o assassinato da Liberdade, a pior consequência.</p>
<p>Toda atrocidade da humanidade começa com o comportamento de manada em torno do <em>&ldquo;eu não deveria me sentir ofendido.&rdquo;</em></p>
<p>Essa é a história por trás de Fahrenheit 451, que o Wisecrack explica bem. Em dado momento, as pessoas simplesmente começaram a criar câmaras de eco. Cada feed do Twitter e cada linha do tempo do Facebook são, por definição, câmaras de eco. Você só recebe conteúdo meticulosamente curado por machine learning, configurado para cuspir posts que não vão te ofender e jamais vão desafiar seus pontos de vista.</p>
<p>Você cria e vive numa bolha, e fica indignado imediatamente quando sua realidade é desafiada por qualquer ideia que provoque reflexão. Você se limita ao seu status quo personalizado e estreito.</p>
<p>É mentira quando você diz <em>&ldquo;sou de mente aberta&rdquo;</em> mas fica expondo pessoas o tempo todo e reclamando de tudo que te ofende. Você não é de mente aberta. Não dá pra ter o bolo e comer o bolo também. Pelo menos admita a verdade: que você é de mente fechada e intolerante.</p>
<p>Ao contrário do que muitos acreditam, a internet deveria nos libertar dos governos, das instituições autoritárias e dos grandes veículos de mídia que supostamente controlavam o ponto de vista das massas.</p>
<p>Deveríamos ter acesso a um leque mais amplo de conhecimento, sem fronteiras, sem preconceito, o que nos ajudaria a avançar mais rápido para o futuro, para mais inovação.</p>
<p>Inovação, por definição, é um desafio ao status quo. Você não consegue inovar e agradar todo mundo ao mesmo tempo. Isso é impossível. Do contrário, é só mais do mesmo.</p>
<p>A invenção do fogo desafiou a natureza, o heliocentrismo questionou Deus, a teoria da evolução por seleção natural desafiou a alma humana.</p>
<p>As redes sociais pegaram uma internet livre e descentralizada e a colocaram numa coleira bem apertada, controlada por &ldquo;Influencers&rdquo;. Gente de puro carisma, sem retidão e muito menos sabedoria. O carisma é o que atrai grandes quantidades de seguidores. O efeito de rede é perverso.</p>
<p>Deveríamos estar todos <strong>juntos</strong>, colaborando para o bem da humanidade, independente de raça, geografia ou inclinações políticas.</p>
<p>Fique atento: você está caindo nas <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Eight_stages_of_genocide"target="_blank" rel="noopener">Oito Etapas do Genocídio</a>. Veja:</p>
<ol>
<li>Classificação: As pessoas são divididas em &ldquo;eles e nós&rdquo;.</li>
<li>Simbolização: &ldquo;Quando combinados com ódio, símbolos podem ser impostos a membros relutantes de grupos párias&hellip;&rdquo;</li>
<li>Desumanização: &ldquo;Um grupo nega a humanidade do outro. Os membros são equiparados a animais, vermes, insetos ou doenças.&rdquo;</li>
<li>Organização: &ldquo;O genocídio é sempre organizado&hellip; Unidades especiais do exército ou milícias são frequentemente treinadas e armadas&hellip;&rdquo;</li>
<li>Polarização: &ldquo;Grupos de ódio disseminam propaganda polarizante&hellip;&rdquo;</li>
<li>Preparação: &ldquo;As vítimas são identificadas e separadas por sua identidade étnica ou religiosa&hellip;&rdquo;</li>
<li>Extermínio: &ldquo;É &rsquo;extermínio&rsquo; para os assassinos porque eles não acreditam que suas vítimas sejam plenamente humanas.&rdquo;</li>
<li>Negação: &ldquo;Os perpetradores&hellip; negam que cometeram qualquer crime&hellip;&rdquo;</li>
</ol>
<p>Esse é o modus operandi nazista original, e você está perpetuando essas etapas. Não sou judeu, mas admiro e respeito profundamente sua história e resiliência. Já fui ao <a href="http://www.akitaonrails.com/2012/11/21/viagem-a-europa-parte-3-tel-aviv-israel"target="_blank" rel="noopener">Instituto do Holocausto</a> oficial em Yad Vashem, em Israel, e também ao de Washington D.C., porque respeito as lições que deixaram para trás. Era nosso dever não deixar a história se repetir.</p>
<p>Mas tal é o poder da ideologia cega e da liderança de celebridades carismáticas.</p>
<p>Tivemos líderes carismáticos fazendo coisas boas e ruins, carismáticos de qualquer forma. Para cada Lincoln ou Churchill, tivemos um Stalin ou um Castro.</p>
<p>O mais difícil é que só conseguimos saber, com clareza, que algo deu horrivelmente errado olhando para trás, pela História. Não existe um &ldquo;bem&rdquo; versus &ldquo;mal&rdquo; em preto e branco. Você sempre acha que está fazendo um excelente trabalho ao seguir pessoas carismáticas que parecem promover apenas o bem-estar de um grupo minoritário.</p>
<p>Pergunte a si mesmo: você está seguindo alguém altruísta, capaz de tratar o outro com mais humanidade do que recebeu? Ou isso soa mais como vingança egoísta e acerto de contas? O ódio é sempre a matéria do mal. Uma pessoa justa não imita aquilo contra o qual diz lutar. Qualquer um que defenda &ldquo;vamos fazer com eles o que fizeram conosco&rdquo; é provavelmente o Mal. Você cita gente como Gandhi. Não aprendeu nada com o que ele ensinou a vida inteira?</p>
<p>Todo Fidel, todo Mussolini, todo Hitler realmente acreditava que estava lutando pelo bem-estar do seu povo. Todo nazista agiu acreditando que estava fazendo a coisa certa pelo futuro dos seus filhos e filhas, que os sacrifícios valeriam a pena. Que eram Nobres por matar pessoas.</p>
<p>Nunca houve uma plataforma melhor para transformar pessoas em manadas irracionais do que agora. Há YouTubers com milhões de seguidores a mais do que qualquer Hitler jamais teve.</p>
<p>E para piorar, formamos o consenso online de que as pessoas têm um direito mágico e inerente de &ldquo;nunca serem ofendidas&rdquo;. Não podem ser ofendidas por tweets de 200 caracteres. Isso é pecado capital, e o perpetrador deve morrer. Pedido de desculpas não basta. A polícia do pensamento chegou a tal ponto que um único tweet fora de contexto basta para julgar e executar a vida de uma pessoa, sem recurso, sem liberdade condicional.</p>
<p>É fascinante ver como uma série de tecnologias e inovações que deveriam ampliar a liberdade de todos acabou se tornando a arma de destruição em massa mais potente já criada. E não precisou de um novo Hitler para isso.</p>
<p>O fim do mundo não precisa ser um evento físico catastrófico, como uma explosão nuclear. Acho que a destruição do próprio tecido da sociedade é ainda pior. Não é um grande ditador malvado que vai matar a Liberdade, são as pessoas que não a merecem. É muito mais nefasto e pode ser ainda mais devastador.</p>
<p>Essa é a lição: nenhum Omar Bashir, Bashar Al-Assad ou Nicolás Maduro será, sozinho, responsável por destruir a sociedade.</p>
<p>Todo malfeitor da história fez o que fez <em>&ldquo;em nome do povo.&rdquo;</em></p>
<p>E tudo começa com <em>&ldquo;eu não deveria ser ofendido.&rdquo;</em></p>
]]></content:encoded><category>politica</category><category>filosofia</category><category>psicologia</category><category>off-topic</category></item><item><title>Guilda de Programadores - Religião e Esportes</title><link>https://akitaonrails.github.io/2017/05/14/guilda-de-programadores-religiao-e-esportes/</link><guid isPermaLink="true">https://akitaonrails.github.io/2017/05/14/guilda-de-programadores-religiao-e-esportes/</guid><pubDate>Sun, 14 May 2017 13:45:00 -0300</pubDate><description>&lt;p&gt;O DHH fez um keynote de abertura muito bom na RailsConf'17 explicando como é completamente equivocada a tendência atual dos desenvolvedores de se convencerem de que estão fazendo escolhas &amp;ldquo;racionais&amp;rdquo; e &amp;ldquo;baseadas em fatos&amp;rdquo;, quando na realidade estão se apegando aos &amp;ldquo;valores&amp;rdquo; subjacentes de alguma comunidade. Algo muito mais próximo de &amp;ldquo;religião&amp;rdquo; (escolhas baseadas em fé) do que de ciência de verdade.&lt;/p&gt;
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&lt;p&gt;Minha linguagem é &amp;ldquo;mais rápida&amp;rdquo;. Meu framework é &amp;ldquo;mais elegante&amp;rdquo;. Minha ferramenta é &amp;ldquo;mais produtiva&amp;rdquo;. Minha comunidade é &amp;ldquo;mais simpática&amp;rdquo;. Todos são motivos &lt;strong&gt;uma bosta&lt;/strong&gt; para escolher qualquer coisa, porque esses motivos não importam de fato.&lt;/p&gt;</description><content:encoded><![CDATA[<p>O DHH fez um keynote de abertura muito bom na RailsConf'17 explicando como é completamente equivocada a tendência atual dos desenvolvedores de se convencerem de que estão fazendo escolhas &ldquo;racionais&rdquo; e &ldquo;baseadas em fatos&rdquo;, quando na realidade estão se apegando aos &ldquo;valores&rdquo; subjacentes de alguma comunidade. Algo muito mais próximo de &ldquo;religião&rdquo; (escolhas baseadas em fé) do que de ciência de verdade.</p>


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<p>Minha linguagem é &ldquo;mais rápida&rdquo;. Meu framework é &ldquo;mais elegante&rdquo;. Minha ferramenta é &ldquo;mais produtiva&rdquo;. Minha comunidade é &ldquo;mais simpática&rdquo;. Todos são motivos <strong>uma bosta</strong> para escolher qualquer coisa, porque esses motivos não importam de fato.</p>
<p>Apesar de o DHH ter feito um bom trabalho descrevendo a realidade das escolhas dos desenvolvedores, ele não foi longe o suficiente para explicar <strong>por que</strong> todos nós fazemos isso. Incluindo ele mesmo. Incluindo eu.</p>
<p>A teoria do framework religioso explica alguns dos comportamentos, mas eu iria ainda mais longe.</p>
<p>A maioria dos desenvolvedores se assemelha muito mais a torcedores esportivos (ou <strong>fanáticos</strong>, como é a raiz da palavra &ldquo;fã&rdquo;).</p>
<p>Olha alguns pontos do artigo <a href="http://waitbutwhy.com/2014/03/sports-fans-sports-fans.html"target="_blank" rel="noopener">&ldquo;Por que Torcedores são Torcedores&rdquo;</a>:</p>
<ul>
<li>Tem muita dramaturgia.</li>
<li>É divertido assistir à grandiosidade.</li>
<li>Desperta aquele lado macabro nosso que quer sentar no Coliseu romano e ver pessoas lutando até a morte.</li>
<li>É esteticamente agradável.</li>
<li>O mundo esportivo tem muito fofoca.</li>
<li>Esportes são uma fuga da vida.</li>
<li>É uma ferramenta perfeita para suas <a href="http://waitbutwhy.com/2013/10/why-procrastinators-procrastinate.html"target="_blank" rel="noopener">tendências paralisantes de procrastinação</a>.</li>
<li>Às vezes acho que usamos esportes como uma forma de nos apegarmos a algo imortal.</li>
<li>Numa época em que triunfos heroicos não fazem parte da vida da maioria das pessoas, o esporte nos permite capturar um pedacinho desse sentimento de glória.</li>
</ul>
<p>Os nichos de desenvolvedores se parecem mais com times esportivos em competição. Tem que haver &ldquo;vencedores&rdquo; e &ldquo;perdedores&rdquo;. E as pessoas torcem a cada pequena vitória — como benchmarks sintéticos inúteis ou índices pseudo-estatísticos e sem sentido como o TIOBE.</p>
<p>Torcedores de times perdedores sentem que precisam aumentar a lealdade para conseguir a recompensa máxima.</p>
<p>Os níveis de testosterona sobem ao discutir besteiras no Hacker News. Os threads ficam infinitamente longos, cada um lançando &ldquo;evidências&rdquo; uma bosta para &ldquo;provar&rdquo; seu ponto. Cada argumento tem um contra-argumento fácil, e os threads se estendem indefinidamente. Ninguém jamais concorda com o lado contrário. Ninguém jamais muda de posição com base nos argumentos expostos nesses threads. Mesmo assim, continuam perdendo tempo escrevendo. É uma loucura.</p>
<p>Pessoas — especialmente jovens — gostam de ter um senso de pertencimento, de desindividualização, de responsabilidades diluídas. Isso é parte do que escrevi alguns anos atrás sobre a <a href="http://www.akitaonrails.com/2015/10/28/personal-thoughts-on-the-current-functional-programming-bandwagon"target="_blank" rel="noopener">tendência absurda atual nas linguagens funcionais</a>.</p>
<blockquote>
  <p>Como Mike Perry descreve nesse post, os torcedores mais apaixonados tendem a se identificar como parte integrante do time que apoiam, com alguns deles — claramente — sentindo menos responsabilidade pelo próprio comportamento individual. Quando a desinibição se combina com a desindividuação — uma perda da autoconsciência e um senso de responsabilidade difusa — os torcedores simplesmente não se importam mais com o que qualquer outra pessoa possa pensar ou sentir. A desindividuação enfraquece as restrições normais sem as quais os torcedores são mais facilmente influenciados pelo ambiente; é quando os torcedores começam a agir de formas — realmente — estranhas, de maneira agradável ou desagradável.</p>

</blockquote>
<blockquote>
  <p>Grupos de torcedores podem intimidar, insultar, ameaçar ou até provocar tumultos. Os grupos proporcionam aos torcedores um senso de anonimato. Fazer parte de um grupo remove a responsabilidade individual e dilui a responsabilização. Infelizmente, esse comportamento aparece online com a mesma frequência que nos estádios.</p>

</blockquote>
<blockquote>
  <p>Sports Networker - <a href="http://www.sportsnetworker.com/2012/02/15/the-psychology-of-sports-fans-what-makes-them-so-crazy/"target="_blank" rel="noopener">Leia mais</a></p>

</blockquote>
<p>Conferências de tecnologia são como os jogos esportivos do fim de semana. As pessoas gostam de se sentir validadas estando no meio de grupos com as mesmas ideias.</p>
<p>Assim como com os esportes, os desenvolvedores sentem que seus &ldquo;times&rdquo; (tecnologias, empresas) são extensões deles mesmos. Pior ainda: sentem que esses times descrevem suas personalidades. Por isso os desenvolvedores reagem tão apaixonadamente a argumentos contrários — soa como uma agressão à própria identidade.</p>
<blockquote>
  <p>&ldquo;Quando olhamos para a motivação de torcer por um time esportivo, a afiliação ao grupo é uma das principais,&rdquo; diz Wann. &ldquo;Identificar-se fortemente com um time local relevante onde outros torcedores estão no ambiente — isso é um benefício para o bem-estar sociopsicológico.&rdquo;</p>

</blockquote>
<blockquote>
  <p>&ldquo;A ideia toda por trás da identificação é que ela realmente faz parte de como nos vemos, e isso não muda facilmente,&rdquo; diz Robert J. Fisher, professor de marketing da Universidade Western Ontario, cuja pesquisa enfatiza os efeitos das expectativas sociais na tomada de decisão gerencial e do consumidor. &ldquo;Se você se enxerga como membro de uma família, esse papel não muda. Esses tipos de conexões são muito duradouros e muito fortes.&rdquo;</p>

</blockquote>
<blockquote>
  <p>Psychological Science - <a href="https://www.psychologicalscience.org/observer/sports-complex-the-science-behind-fanatic-behavior#.WRm0CHVierx"target="_blank" rel="noopener">Leia mais</a></p>

</blockquote>
<p>É tudo um grande espetáculo e você é a plateia. Só não se engane achando que está sendo &ldquo;científico&rdquo; nas suas escolhas.</p>
<p>Somos todos vítimas de um pesado <strong>Viés Cognitivo</strong>, que nos cega para a realidade:</p>
<blockquote>
  <p><a href="http://blogs.scientificamerican.com/guest-blog/2011/09/22/cognitive-biases-in-sports-the-irrationality-of-coaches-commentators-and-fans/"target="_blank" rel="noopener">Aqui está um ótimo post</a> de Sam McNerney (<a href="http://twitter.com/WhyWeReason"target="_blank" rel="noopener">@WhyWeReason</a>) explicando o viés cognitivo. É o fenômeno em que todos nós buscamos apenas o que confirma nossas intuições e ignoramos o que as contradiz — o que os psicólogos chamam de viés de confirmação. O viés de confirmação ajuda a explicar por que alguns torcedores vão vaiar cada decisão do árbitro contra seu time, e por que torcedores ingleses de futebol ainda — até hoje — discutem com alemães se a bola cruzou ou não a linha em 1966(!). Os torcedores automaticamente enxergam o mundo como querem que ele seja, não como ele é.</p>

</blockquote>
<blockquote>
  <p>Sports Networker - <a href="http://www.sportsnetworker.com/2012/02/15/the-psychology-of-sports-fans-what-makes-them-so-crazy/"target="_blank" rel="noopener">Leia mais</a></p>

</blockquote>
<p>Mais interessante ainda: da mesma forma que torcedores de times perdedores, as pessoas encontram maneiras de lidar com isso. E a superstição é uma delas.</p>
<blockquote>
  <p>Superstições são parte integrante dos esportes e podem ser mais uma forma de os torcedores lidarem com o desempenho do seu time.</p>

</blockquote>
<blockquote>
  <p>Em pesquisa em andamento, Wann e seus colegas estão explorando o papel da superstição dos torcedores. Mais da metade dos seus 1.000 participantes consegue definir prontamente uma superstição ou ritual em que acredita. Além disso, alguns estão genuinamente convencidos de que sua participação em superstições rituais afeta o resultado, diz Wann. Quanto mais identificados com um time os torcedores são, mais propensos estão a acreditar que superstições importam.</p>

</blockquote>
<blockquote>
  <p>&ldquo;É uma luta real que os torcedores vivenciam,&rdquo; diz Wann. &ldquo;Eles se importam tanto com o resultado do evento sobre o qual não têm absolutamente nenhum controle. Como ganhamos controle? Podemos desenvolver superstições.&rdquo;</p>

</blockquote>
<blockquote>
  <p>Psychological Science - <a href="https://www.psychologicalscience.org/observer/sports-complex-the-science-behind-fanatic-behavior#.WRm0CHVierx"target="_blank" rel="noopener">Leia mais</a></p>

</blockquote>
<p>O que sempre tenho a dizer sobre toda essa besteira:</p>
<ul>
<li>
<p>Se ser o &ldquo;mais rápido&rdquo; fosse uma preocupação real de verdade, todos estaríamos programando em C, o mais próximo possível do metal.</p>
</li>
<li>
<p>Se ser o &ldquo;mais seguro&rdquo; fosse uma preocupação real de verdade, jamais faríamos fetch de bibliotecas criadas por pessoas desconhecidas, sem certificação, sem treinamento. Construiríamos tudo do zero, por nós mesmos, sempre, e esperaríamos meses de testes pesados antes de entregar qualquer coisa em produção. Sabe, como o militares faziam.</p>
</li>
<li>
<p>Se ser o &ldquo;mais elegante&rdquo; fosse uma preocupação real de verdade, não estaríamos preocupados em ser o mais rápido ou o mais seguro, já que essas coisas geralmente apontam em direções opostas.</p>
</li>
</ul>
<p>O ofício de um engenheiro — ou de qualquer profissional — é conseguir escolher entre diferentes compromissos e manter o equilíbrio. Nunca se comprometer cegamente com um grupo ou com uma forma de pensar. Amadores delegam a lealdade para outros. Profissionais se responsabilizam pelas próprias escolhas e fazem concessões.</p>
<p>Escalabilidade, Manutenibilidade, Confiabilidade — cada &ldquo;-bilidade&rdquo; que adicionamos à lista é um compromisso. Não dá pra ter o bolo e comê-lo também. Quer mais, paga mais. Como toda tecnologia é uma combinação de compromissos, não existe um único vencedor ou perdedor claro. Tudo vai vencer em alguns aspectos e perder em outros.</p>
<p>Como o Neo percebe em Matrix: o problema é a escolha. O problema é sempre a escolha. As pessoas não gostam de escolher porque isso as torna <strong>responsáveis</strong>. É muito mais fácil deixar outra pessoa escolher e simplesmente seguir, criando a ilusão de que você fez uma escolha &ldquo;racional&rdquo; porque &ldquo;o grupo&rdquo; a valida.</p>
<blockquote>
  <p>Afinal, <a href="https://www.quora.com/What-does-the-phrase-Nobody-ever-got-fired-for-choosing-IBM-mean"target="_blank" rel="noopener">&ldquo;Ninguém nunca foi demitido por escolher a IBM.&rdquo;</a></p>

</blockquote>
<p>A realidade que você vai perceber eventualmente é que não há obrigação de fazer &ldquo;a&rdquo; escolha.</p>
<p>&ldquo;Mocinhos&rdquo; e &ldquo;bandidos&rdquo; claros só existem em contos de fadas e histórias para crianças dormirem. O mundo dos adultos é definido por tons de cinza.</p>
<p>No fim das contas, o DHH está certo. Não importam as especificações técnicas do <a href="http://www.techradar.com/news/xbox-one-s-vs-ps4-pro-vs-nintendo-switch-which-is-better"target="_blank" rel="noopener">PS4 Pro vs Xbox One S vs Nintendo Switch</a>. Não importa a quantidade de teraflops. Não importa a largura de banda. Não importa 4K nativo ou checkerboarding 4K. Se eu gosto de Zelda, jogo no Switch. Se gosto de Forza, jogo no XBox. Se gosto de Uncharted, jogo no PS4. E se puder pagar, fico com todos eles. Se não puder, escolho o que quero jogar agora sabendo que posso mudar de plataforma sem ter que me justificar através de especificações técnicas.</p>
<p>Seja subscrevendo à <a href="http://rubyonrails.org/doctrine/"target="_blank" rel="noopener">Rails Doctrine</a> ou ao <a href="https://www.python.org/dev/peps/pep-0020/"target="_blank" rel="noopener">Zen do Python</a>. Não faz diferença. Vou fazer um Zelda com isso? Caso contrário, qualquer &ldquo;evidência&rdquo; que você ache ter para contra-argumentar minha escolha é uma besteira completa. Nem tente.</p>
<p>Mas claro, você deveria usar Ruby se for um desenvolvedor racional ;-)</p>
]]></content:encoded><category>psicologia</category><category>filosofia</category><category>engenharia-de-software</category></item><item><title>[Off-Topic] Carpe Diem e os Mitos da Felicidade</title><link>https://akitaonrails.github.io/2017/02/14/off-topic-carpe-diem-e-os-mitos-da-felicidade/</link><guid isPermaLink="true">https://akitaonrails.github.io/2017/02/14/off-topic-carpe-diem-e-os-mitos-da-felicidade/</guid><pubDate>Tue, 14 Feb 2017 15:44:00 -0200</pubDate><description>&lt;p&gt;&lt;img src="https://akitaonrails.s3.amazonaws.com/assets/image_asset/image/618/img_109445809d36e63818.jpg" alt="Don Draper" loading="lazy" /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;blockquote&gt;
&lt;p&gt;&amp;ldquo;Mas o que é felicidade? É um momento antes de você precisar de mais felicidade.&amp;rdquo; - Don Draper&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;
&lt;p&gt;Um dos grandes mitos da sociedade moderna, perpetuado por uma torturante repetição diária nas redes sociais, é o falso &amp;ldquo;objetivo&amp;rdquo; da &amp;ldquo;busca pela felicidade&amp;rdquo;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A esse mito se soma o &lt;a href="https://www.huffpost.com/entry/the-myth-of-motivation_b_8261560"target="_blank" rel="noopener"&gt;mito da &amp;ldquo;motivação&amp;rdquo;&lt;/a&gt;. TL;DR: motivação é superestimada, muito mais do que realmente merece.&lt;/p&gt;
&lt;blockquote&gt;
&lt;p&gt;&amp;ldquo;As pessoas podem ter dois tipos de mentalidade, diz ela. Aqueles com &amp;lsquo;mentalidade fixa&amp;rsquo; acreditam que seus talentos e habilidades estão cravados em pedra. Aqueles com &amp;lsquo;mentalidade de crescimento&amp;rsquo; acreditam que seus talentos e habilidades podem ser desenvolvidos. Mentalidades fixas enxergam cada situação como um teste de seu merecimento. Mentalidades de crescimento enxergam as mesmas situações como oportunidades de melhorar.&amp;rdquo; - Daniel H. Pink, &lt;a href="https://www.goodreads.com/work/quotes/6643001"target="_blank" rel="noopener"&gt;Drive: The Surprising Truth About What Motivates Us&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;</description><content:encoded><![CDATA[<p><img src="https://akitaonrails.s3.amazonaws.com/assets/image_asset/image/618/img_109445809d36e63818.jpg" alt="Don Draper"  loading="lazy" /></p>
<blockquote>
  <p>&ldquo;Mas o que é felicidade? É um momento antes de você precisar de mais felicidade.&rdquo; - Don Draper</p>

</blockquote>
<p>Um dos grandes mitos da sociedade moderna, perpetuado por uma torturante repetição diária nas redes sociais, é o falso &ldquo;objetivo&rdquo; da &ldquo;busca pela felicidade&rdquo;.</p>
<p>A esse mito se soma o <a href="https://www.huffpost.com/entry/the-myth-of-motivation_b_8261560"target="_blank" rel="noopener">mito da &ldquo;motivação&rdquo;</a>. TL;DR: motivação é superestimada, muito mais do que realmente merece.</p>
<blockquote>
  <p>&ldquo;As pessoas podem ter dois tipos de mentalidade, diz ela. Aqueles com &lsquo;mentalidade fixa&rsquo; acreditam que seus talentos e habilidades estão cravados em pedra. Aqueles com &lsquo;mentalidade de crescimento&rsquo; acreditam que seus talentos e habilidades podem ser desenvolvidos. Mentalidades fixas enxergam cada situação como um teste de seu merecimento. Mentalidades de crescimento enxergam as mesmas situações como oportunidades de melhorar.&rdquo; - Daniel H. Pink, <a href="https://www.goodreads.com/work/quotes/6643001"target="_blank" rel="noopener">Drive: The Surprising Truth About What Motivates Us</a></p>

</blockquote>
<p>Junto vem o mantra repetido do &ldquo;faça o que ama&rdquo;. Como <a href="http://www.akitaonrails.com/2014/09/13/off-topic-nao-faca-o-que-voce-acha-que-ama"target="_blank" rel="noopener">discorri em 2014</a>, essa ideia é uma forma mesquinha de desvalorizar o trabalho dos outros.</p>
<blockquote>
  <p>&ldquo;&hellip;, o grande problema da narrativa do “ame o que você faz” é que ela está vinculada a um discurso de felicidade que é “estar no topo da montanha russa o tempo inteiro”. Como se uma vida normal, cotidiana, rotineira não pudesse ser uma vida de satisfação. Tudo isso torna esse cenário preocupante.&rdquo; - Bárbara Castro - <a href="http://web.archive.org/web/20140326092650/http://exame.abril.com.br/carreira/noticias/5-razoes-pelas-quais-o-faca-o-que-ama-nao-e-uma-solucao"target="_blank" rel="noopener">&ldquo;5 Razões pelas quais o &lsquo;faça o que você ama&rsquo; não é a solução&rdquo;</a></p>

</blockquote>
<p>No nosso pequeno grande mundo de tecnologia, isso leva muita gente a concluir: &ldquo;vou trabalhar numa startup ou abrir a minha própria&rdquo;. A decisão em si não tem nada de errado. O problema é chegar nela movido pelos mitos anteriores, o que vira uma fonte enorme de frustração desnecessária, como <a href="http://www.akitaonrails.com/2013/10/31/traducao-carta-para-um-jovem-programador-considerando-uma-startup"target="_blank" rel="noopener">já expliquei em 2013</a>.</p>
<blockquote>
  <p>&ldquo;Não vou me equivocar: eu sou profundamente cético com esse sistema. Sou cético quanto à escravidão desse sistema, fetichização autocongratulatória de &ldquo;disrupção&rdquo; e ao mesmo tempo se tornando tão obviamente o tipo de instituição impassível que quer substituir. Sou cético quanto à visão de curto-prazo da comunidade de startup. E sou particularmente cético pelo seu desprezo quanto às vidas das pessoas que participam e a vida daqueles que vivem no mundo que as startups procuram reformular. Não vamos nem começar a discutir o conluio, cartelização e outras atividades de corrupção de mercado que são tão comuns no mundo dos VCs. O ponto sendo: é um jogo ruim, e um jogo de fraude.&rdquo; - Alex Payne</p>

</blockquote>
<p>Some a isso o &ldquo;consenso&rdquo; das redes sociais de que o mundo não para de piorar. Tudo hoje seria pior. As pessoas, piores. Os trabalhos, piores. O meio ambiente, destruído. Tudo ofende todo mundo o tempo todo, e ninguém consegue parar de julgar os outros.</p>
<p>Eu discordo, como <a href="http://www.akitaonrails.com/2013/01/02/off-topic-o-mundo-hoje-e-muito-bom-feliz-2013"target="_blank" rel="noopener">já expliquei também em 2013</a> e repito todo ano: o mundo está melhor, em melhoria constante, e o futuro será ainda melhor. Aproveito para homenagear um dos homens que ajudaram a mudar minha perspectiva sobre o mundo, o recém-falecido Dr. Hans Rosling.</p>
<p><img src="https://akitaonrails.s3.amazonaws.com/assets/image_asset/image/619/quote-i-have-a-neighbor-who-knows-200-types-of-wine-i-only-know-two-types-of-wine-red-and-hans-rosling-79-96-23.jpg" alt="Hans Rosling"  loading="lazy" /></p>
<h3>A Perpetuação dos Mitos<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="a-perpetuação-dos-mitos"></span>
    <a href="#a-perpetua%c3%a7%c3%a3o-dos-mitos" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h3><p>Não faltam livros, palestras, programas de TV, filmes e tudo mais construído ao redor da ideia de que todos &ldquo;devem&rdquo; ser felizes, o tempo todo. E que, se você não está feliz, está fazendo alguma coisa muito errada. A busca incessante pela &ldquo;felicidade ideal&rdquo; virou uma das obsessões mais insalubres e cruéis dos últimos dois séculos, ao lado do <a href="https://www.youtube.com/watch?v=f_4Q9Iv7_Ao"target="_blank" rel="noopener">consumo excessivo de açúcar</a>. Esse é outro assunto, embora açúcar e felicidade costumem andar correlacionados.</p>
<p>Existem 2 conceitos que todos precisam entender:</p>
<ol>
<li>Você provavelmente <a href="https://www.youtube.com/watch?v=ykvC3QXJb18"target="_blank" rel="noopener">não tem depressão</a>. Hoje em dia todo mundo &ldquo;está deprimido&rdquo;, claro, porque &ldquo;descobrir o que ama fazer&rdquo; dá muito trabalho e traz muito &ldquo;sofrimento&rdquo;&hellip;</li>
</ol>
<p>Não, você só está <strong>entediado</strong>, momentaneamente.</p>
<p>Dizer &ldquo;estou com depressão&rdquo; em vez de &ldquo;estou entediado&rdquo; ficou tão comum que a condição clínica de verdade precisou de outro nome para se diferenciar, o <a href="http://web.archive.org/web/20170213181854/http://www.mayoclinic.org/diseases-conditions/depression/basics/symptoms/CON-20032977"target="_blank" rel="noopener">&ldquo;Major Depressive Disorder&rdquo;</a>. Essa é uma condição médica séria demais para ser tratada com tanta falta de consideração.</p>
<ol start="2">
<li>Normalmente, mesmo depois de passar por eventos que consideramos muito ruins, ou muito bons, tendemos a voltar ao mesmo nível de &ldquo;felicidade&rdquo; (ou de tédio) em que estávamos antes deles. Isso se chama <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Hedonic_treadmill"target="_blank" rel="noopener">&ldquo;Adaptação Hedônica&rdquo;</a>. É a principal razão de a &ldquo;busca pela felicidade&rdquo; ser uma jornada tão cruel: quem não entende esse mecanismo vive frustrado o tempo inteiro.</li>
</ol>
<blockquote>
  <p>&ldquo;Quando o suficiente não é o suficiente, nasce um <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Hedonism"target="_blank" rel="noopener">hedonista</a>.&rdquo; - Sukant Ratnakar</p>

</blockquote>
<p><img src="https://akitaonrails.s3.amazonaws.com/assets/image_asset/image/620/hypocrisy.jpg" alt="Hypocrisy"  loading="lazy" /></p>
<blockquote>
  <p>Você já pensou em &ldquo;Eu finalmente serei feliz quando me casar.&rdquo; Ou &ldquo;se eu conseguir esse trabalho, vou me sentir totalmente satisfeito.&rdquo; Ou talvez você se relacione mais com o outro lado da moeda &ldquo;Eu nunca vou ser feliz agora que recebi esse diagnóstico médico.&rdquo; Ou &ldquo;Eu não posso ser feliz enquanto tiver que pagar essas dívidas.&rdquo; Pesquisas psicológicas revelaram duas descobertas importantes quando se fala nessas crenças: As coisas que achamos que nos tornarão felizes nunca nos tornam felizes pelo tempo que imaginamos. Ao mesmo tempo, eventos negativos na vida e desafios não têm um impacto duradouro na nossa felicidade como acreditamos que teriam também. - Sonja Lyubomirsky, Ph.D - <a href="https://www.amazon.com/gp/product/014312451X/ref=as_li_tl?ie=UTF8&amp;camp=1789&amp;creative=9325&amp;creativeASIN=014312451X&amp;linkCode=as2&amp;tag=happify05-20&amp;linkId=IYACCQJL6HM3CW3N"target="_blank" rel="noopener">The Myths of Happiness</a></p>

</blockquote>
<blockquote>
  <p>&ldquo;Nós parecemos obcecados por motivação, nos incitando rumo a algo além da vida disponível a nós agora, e tratamos essa motivação como se fosse uma parte importante da história da sabedoria, o que ela não é.&rdquo; - Jennifer Hecht - <a href="https://www.amazon.com/Happiness-Myth-Historical-Antidote-Working/dp/0060859504"target="_blank" rel="noopener">The Happiness Myth: The Historical Antidote to What Isn&rsquo;t Working Today</a></p>

</blockquote>
<p>Por causa da Adaptação Hedônica, qualquer mudança parece fornecer uma &ldquo;motivação&rdquo; nova, a sensação de que &ldquo;finalmente engatamos no caminho certo&rdquo;. A menos que ela traga um propósito novo, é só mais do mesmo. Logo nos acostumamos ao &ldquo;novo normal&rdquo; e voltamos ao tédio.</p>
<p>Sem entender isso, você fica preso no ciclo interminável e insatisfatório da &ldquo;grama do vizinho é sempre mais verde&rdquo;. O efeito mais perverso desses mitos aparece quando a pessoa passa a culpar os outros pelos próprios problemas. &ldquo;Eu não consigo porque meu marido&hellip;&rdquo;, &ldquo;Eu não consigo porque minha família&hellip;&rdquo;, &ldquo;Eu não consigo porque meus colegas de trabalho&hellip;&rdquo;, &ldquo;Eu não consigo porque meu chefe&hellip;&rdquo;, &ldquo;Eu não consigo porque a sociedade&hellip;&rdquo;</p>
<p>Nesse momento você está perdido. Quer mudanças, mas quer que tudo ao seu redor mude, menos você mesmo. Essa é a melhor definição de covardia: viver de justificativas e desculpas superficiais para não se esforçar, para evitar a dor, para maximizar o prazer de curto prazo. É o comportamento de um viciado, e julgar tudo e todos é a droga.</p>
<p>Só você está destinado a coisas grandes, mas alguma coisa ou alguém te impede. Só você é especial. Só você merece tratamento diferenciado. Antigamente chamaríamos isso, educadamente, de &ldquo;imaturidade&rdquo; ou &ldquo;criancice&rdquo;. Hoje eu diria que a maioria se encaixa mesmo em <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Narcissistic_personality_disorder"target="_blank" rel="noopener">&ldquo;Transtorno de Personalidade Narcisista&rdquo;</a>.</p>
<blockquote>
  <p>&ldquo;Transtorno de personalidade narcisista é um transtorno mental em que as pessoas têm uma sensação inflada de sua própria importância, uma profunda necessidade de admiração e uma falta de empatia. Mas por trás dessa máscara de ultraconfiança está uma frágil auto-estima que é vulnerável à menor crítica &hellip; (isso) causa problemas em muitas áreas da vida, tais como relações, trabalho, escola ou assuntos financeiros. Você pode ser infeliz no geral e frustrado quando não lhe é concedido favores especiais ou admiração que você acredita que merece. Outros podem não gostar de estar perto de você, e você pode achar que seus relacionamentos não te satisfazem.&rdquo; - <a href="http://web.archive.org/web/20170208015158/http://www.mayoclinic.org/diseases-conditions/narcissistic-personality-disorder/basics/definition/CON-20025568"target="_blank" rel="noopener">Mayo Clinic</a></p>

</blockquote>
<p>No mundo moderno, eu reduziria isso à &ldquo;Cultura do Like&rdquo;. Triste.</p>
<h3>Conclusão<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="conclusão"></span>
    <a href="#conclus%c3%a3o" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h3><p>Essa busca incessante pela &ldquo;felicidade ideal&rdquo;, esse &ldquo;fazer somente o que você ama&rdquo; e essa certeza de que &ldquo;o mundo vai acabar&rdquo; tornam as pessoas muito fracas. Baixa autoestima, baixa empatia, narcisismo altíssimo e uma sensação de &ldquo;depressão&rdquo; que chega a paralisar. No fim, a pessoa só atira para todos os lados, por falta de &ldquo;propósito&rdquo; e por frustração constante com tudo e com todos.</p>
<p>Felizmente, eu nunca tive esse problema. Conheci pessoas que têm, e este artigo é dedicado a elas, como um &ldquo;wake up call&rdquo;. Isso não quer dizer que eu não tenha tido momentos infelizes e crises pessoais. Já perdi muita coisa, financeira e pessoalmente. Negócios, amigos, relacionamentos. Não estou exagerando. Mas aceito meus prejuízos e pago por eles, como parte da vida: No Pain, No Gain.</p>
<p>Ambiente de trabalho &ldquo;fancy&rdquo; nunca foi preocupação. Já trabalhei embaixo de uma lona (!) quando pintaram o pequeno escritório onde eu era estagiário, no verão, sem ar-condicionado, porque iam dar uma festa e o trabalho não podia parar. Já trabalhei dentro de um armazém de logística, com teto de zinco, só com ventilador, caminhões entrando e saindo ao lado.</p>
<p>Dormi no chão do escritório dezenas de vezes. Carreguei móveis pelo meio da rua para mudar de sede. Varei muitas noites não pagas. Tomei esporro na cara por coisas que nem eram minha responsabilidade (eu era estagiário). Fiz um monte de coisas fora do meu trabalho de verdade, briguei com gerentes, com &ldquo;colegas&rdquo; e com fornecedor.</p>
<p>Nunca tratei nada disso como &ldquo;fim do mundo&rdquo;. Era só o inevitável. O famoso &ldquo;aceita, que dói menos&rdquo;.</p>
<p>Não é à toa que sou um <strong>Engenheiro</strong>. Engenheiro resolve problema, e a nossa obsessão é sempre encontrar um jeito mais eficiente de fazer a mesma coisa. Nenhum engenheiro resolveu nada só com mimimi.</p>
<p>Também não existe &ldquo;trabalho que me desvaloriza&rdquo;. Se eu precisar recortar um Photoshop, não vou tratar isso como trabalho braçal inútil. Não existe trabalho inútil. Existe má vontade. Toda tarefa corriqueira e subestimada, feita com a cabeça, pode levar a <a href="http://www.popularmechanics.com/science/health/g1216/10-awesome-accidental-discoveries/"target="_blank" rel="noopener">grandes descobertas acidentais</a>.</p>
<blockquote>
  <p>&ldquo;O inventor da Coca-Cola não era um homem de negócios astuto, um vendedor de doces, nem um sonhador buscando enriquecer no ramo de bebidas. John Pemberton só queria curar dores de cabeça. Farmacêutico de profissão, Pemberton usou dois ingredientes principais em sua esperada cura para dor de cabeça: folhas de coca e nozes de cola. Quando seu assistente de laboratório acidentalmente misturou os dois com água carbonada, o resultado foi a primeira Coca-Cola do mundo.&rdquo; - <a href="http://www.popularmechanics.com/science/health/g1216/10-awesome-accidental-discoveries/"target="_blank" rel="noopener">10 Awesome Accidental Discoveries</a></p>

</blockquote>
<p>Muitos desses narcisistas, na aura de autoimportância, acham que precisam do ambiente perfeito, que alguém lhes <strong>dê</strong> as condições para realizar coisas grandiosas (a ênfase no &ldquo;dê&rdquo; é porque eles se recusam a conquistar sozinhos o que precisam). Isso é uma grande besteira. Ainda estou para ver alguém que pensa assim realizar qualquer coisa relevante para alguém.</p>
<p>Na minha experiência, todas as grandes descobertas nasceram em condições humildes, com pessoas que tinham interesse real no que faziam. Apenas isso. Profissionais, &ldquo;craftsmen&rdquo;, interessados em aperfeiçoar o próprio conhecimento e que, por consequência, chegaram a coisas grandes que beneficiaram mais gente. Você não planeja algo revolucionário. Ele acontece por acidente, dadas as condições ideais de temperatura e pressão daquele momento.</p>
<blockquote>
  <p>&ldquo;A questão não é quem vai me permitir: é quem acha que pode me impedir.&rdquo; - by Akita.</p>

</blockquote>
<p>Eu <strong>não</strong> sou programador com o intuito de um dia superar Bill Gates ou Linus Torvalds. Dá para fazer coisa boa sem ser cegamente arrogante. 30 anos depois, ainda me divirto com coisas triviais: um código novo que compila, uma configuração que otimiza minha GPU, montar um Raspberry Pi, testar uma linguagem nova, ajustar meu editor de textos, pesquisar, aprender, evoluir, e assim vai. &ldquo;Fazer o que ama&rdquo; é fazer bem essas coisas pequenas. E &ldquo;ser feliz&rdquo; é um processo de tentativa e erro, sempre em movimento, que se conquista aos poucos em vez de num destino final.</p>
<p>Quem aproveita o <strong>presente</strong>, o que existe ao redor e ao alcance neste momento, em vez de perder tempo com o &ldquo;e se no futuro&hellip;&rdquo;, é quem tem mais chance de fazer o que os outros não conseguem, cegos pela jornada da felicidade impossível. <a href="http://www.akitaonrails.com/2013/04/01/off-topic-restricoes-sao-libertadoras-menos-e-mais"target="_blank" rel="noopener">Restrições levam à Inovação</a>, como venho repetindo faz anos.</p>
<blockquote>
  <p>&ldquo;carpe diem, quam minimum credula postero&rdquo; - <a href="http://www.phrases.org.uk/meanings/carpe-diem.html"target="_blank" rel="noopener">&ldquo;Faça o melhor possível com o tempo (limitado) que você tem&rdquo;</a>.</p>

</blockquote>
<blockquote>
  <p>&ldquo;Quem vive de passado é museu. E quem sofre com o futuro longínquo é um doente mental.&rdquo; - Desconhecido.</p>

</blockquote>
<p>Coincidentemente, enquanto estava pesquisando para escrever este post, saiu o podcast do <a href="http://hipsters.tech/carreira-em-tecnologia-hipsters-31"target="_blank" rel="noopener">Hipsters Ponto Tech</a> onde fiz uma pequena participação justamente para falar sobre o assunto de Carreiras em tecnologia.</p>
<p>E releiam meus antigos posts mencionados acima, relacionado a estes assuntos:</p>
<ul>
<li><a href="http://www.akitaonrails.com/2013/01/02/off-topic-o-mundo-hoje-e-muito-bom-feliz-2013"target="_blank" rel="noopener">O Mundo Hoje é Muito Bom! Feliz 2013!</a></li>
<li><a href="http://www.akitaonrails.com/2013/10/31/traducao-carta-para-um-jovem-programador-considerando-uma-startup"target="_blank" rel="noopener">Carta para um Jovem Programador Considerando uma Startup</a></li>
<li><a href="http://www.akitaonrails.com/2013/04/01/off-topic-restricoes-sao-libertadoras-menos-e-mais"target="_blank" rel="noopener">Restrições são libertadoras: menos é mais</a></li>
<li><a href="http://www.akitaonrails.com/2014/09/13/off-topic-nao-faca-o-que-voce-acha-que-ama"target="_blank" rel="noopener">NÃO Faça o que Você (&ldquo;ACHA&rdquo;) que Ama</a></li>
</ul>
<p>TL;DR: Aprenda a aprender, e aproveite melhor sua vida.</p>
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]]></content:encoded><category>psicologia</category><category>pessoal</category><category>filosofia</category><category>off-topic</category></item><item><title>Os Próximos 10 Anos</title><link>https://akitaonrails.github.io/2016/09/26/os-proximos-10-anos/</link><guid isPermaLink="true">https://akitaonrails.github.io/2016/09/26/os-proximos-10-anos/</guid><pubDate>Mon, 26 Sep 2016 13:30:00 -0300</pubDate><description>&lt;p&gt;Se você esteve na &lt;a href="https://www.facebook.com/locaweb/photos/?tab=album&amp;amp;album_id=1183296425046662"target="_blank" rel="noopener"&gt;Rubyconf Brasil 2016&lt;/a&gt;, no último sábado, 24 de setembro, me viu anunciar minha &amp;ldquo;aposentadoria&amp;rdquo; da organização da conferência. Na verdade, da organização de qualquer conferência específica de linguagem ou plataforma.&lt;/p&gt;
&lt;blockquote class="twitter-tweet" data-lang="en"&gt;&lt;p lang="en" dir="ltr"&gt;I might not understand Portuguese, but I&amp;#39;m fluent in Douglas Adams. Congrats &lt;a href="https://twitter.com/AkitaOnRails"&gt;@AkitaOnRails&lt;/a&gt; and thank you! &lt;a href="https://twitter.com/hashtag/RubyConfBR?src=hash"&gt;#RubyConfBR&lt;/a&gt; &lt;a href="https://t.co/hfOA2wMKot"&gt;pic.twitter.com/hfOA2wMKot&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&amp;mdash; Kären Engelbrecht (@scriberty) &lt;a href="https://twitter.com/scriberty/status/779807126713733122"&gt;September 24, 2016&lt;/a&gt;&lt;/blockquote&gt;
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&lt;p&gt;Deixando cristalino: esse anúncio está longe de ser mais um daqueles dramas de &amp;ldquo;estou largando Ruby&amp;rdquo;. Porque eu desprezo &lt;a href="http://www.urbandictionary.com/define.php?term=BS"target="_blank" rel="noopener"&gt;baboseira&lt;/a&gt; desse tipo.&lt;/p&gt;</description><content:encoded><![CDATA[<p>Se você esteve na <a href="https://www.facebook.com/locaweb/photos/?tab=album&amp;album_id=1183296425046662"target="_blank" rel="noopener">Rubyconf Brasil 2016</a>, no último sábado, 24 de setembro, me viu anunciar minha &ldquo;aposentadoria&rdquo; da organização da conferência. Na verdade, da organização de qualquer conferência específica de linguagem ou plataforma.</p>
<blockquote class="twitter-tweet" data-lang="en"><p lang="en" dir="ltr">I might not understand Portuguese, but I&#39;m fluent in Douglas Adams. Congrats <a href="https://twitter.com/AkitaOnRails">@AkitaOnRails</a> and thank you! <a href="https://twitter.com/hashtag/RubyConfBR?src=hash">#RubyConfBR</a> <a href="https://t.co/hfOA2wMKot">pic.twitter.com/hfOA2wMKot</a></p>&mdash; Kären Engelbrecht (@scriberty) <a href="https://twitter.com/scriberty/status/779807126713733122">September 24, 2016</a></blockquote>
<script async src="//platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script>
<p>Deixando cristalino: esse anúncio está longe de ser mais um daqueles dramas de &ldquo;estou largando Ruby&rdquo;. Porque eu desprezo <a href="http://www.urbandictionary.com/define.php?term=BS"target="_blank" rel="noopener">baboseira</a> desse tipo.</p>
<blockquote>
  <p>Sou rubyista e sempre serei rubyista. Num futuro previsível, Ruby continuará sendo minha linguagem primária e preferida.</p>

</blockquote>
<p>E, aliás, nenhum outro drama está envolvido. A Rubyconf Brasil é primariamente patrocinada e organizada pela Locaweb, e tenho apenas gratidão pelo apoio incansável deles ao longo de todos esses anos. Devo até um pedido de desculpas por ter feito o anúncio sem avisar ninguém antes. Ainda não sei se eles vão querer continuar com a marca ou não, ainda nem conversamos sobre isso.</p>
<h3>Os Princípios da Conferência<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="os-princípios-da-conferência"></span>
    <a href="#os-princ%c3%adpios-da-confer%c3%aancia" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h3><iframe src="https://www.facebook.com/plugins/post.php?href=https%3A%2F%2Fwww.facebook.com%2Flocaweb%2Fphotos%2Fa.1183296425046662.1073741877.206944852681829%2F1185854254790879%2F%3Ftype%3D3&width=500" width="500" height="335" style="border:none;overflow:hidden" scrolling="no" frameborder="0" allowTransparency="true"></iframe>
<p>Sobre o evento, algumas coisas que talvez as pessoas não saibam:</p>
<p>Eu não <strong>sou dono</strong> da conferência.</p>
<p>Não tenho contrato com nenhum patrocinador. Não tenho salário, participação nos lucros (a conferência sempre foi non-profit; a Locaweb sempre bancou tudo em cima e nunca economizou, por isso a qualidade sempre foi altíssima) nem qualquer outro tipo de arranjo financeiro. Venho organizando a conferência no meu próprio tempo livre.</p>
<p>Isso foi proposital, um princípio.</p>
<p>Tentei garantir o máximo de isenção possível. É também por isso que sempre me limitei a palestrar no meu próprio evento. As poucas vezes em que palestrei foi para preencher um buraco (um palestrante que furou em cima da hora) ou em momentos muito específicos (nos primeiros Rails Summits, ou no aniversário de 10 anos de Ruby on Rails em 2014).</p>
<p>Minha principal preocupação com a conferência sempre foi a curadoria do programa. Escolhi as palestras a dedo, por mérito técnico, na medida do possível. Elas sempre refletiram o que eu pessoalmente acho que vale a pena assistir. Por isso sempre evitei votação pública (que desequilibra para o lado de celebridades), nunca formei comitê (que força política) e nunca fiz escolha às cegas (porque acredito que o programa de uma conferência é como contar uma história e eu queria coerência).</p>
<p>Como nunca fomos orientados a lucro, nunca me preocupei com bobagens como escolher temas só para inflar a audiência. Isso não significa que sempre acertei, erros acontecem, mas foram exceção. Na maior parte do tempo acredito que fiz o melhor que pude.</p>
<p>Sempre foi o que eu pessoalmente acreditava fazer sentido para o público. Tenho muito orgulho não só dos palestrantes que conseguimos fomentar, mas também do público que os acompanhou. Se você olhar os inscritos da Rubyconf Brasil, a maioria não aparece em nenhum outro dos grandes eventos do país. É um grupo exclusivo que se encontra uma vez por ano.</p>
<p>Mais do que isso: todo ano, nos últimos 10 anos, metade do público era novato na conferência, e mais da metade vinha de todos os cantos do país (e não só da cidade de São Paulo).</p>
<h3>RejectConf 2007<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="rejectconf-2007"></span>
    <a href="#rejectconf-2007" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h3><p>Meu primeiro evento &ldquo;oficial&rdquo; se chamou RejectConf SP, em 2007. Teve cerca de 150 inscrições e menos de 100 pessoas apareceram de fato. Quase todos <a href="http://www.akitaonrails.com/2007/11/14/rejectconf-sp-07-palestrantes"target="_blank" rel="noopener">os palestrantes</a> continuam por aí e indo muito bem.</p>
<p>O nome veio porque, em 2007, Ruby era o patinho feio, especialmente no Brasil. Ninguém em sã consciência imaginaria o tamanho que essa comunidade iria atingir. Então era a linguagem rejeitada.</p>
<p>O patinho feio acabou virando um <a href="http://www.akitaonrails.com/2008/09/13/off-topic-matando-a-m-dia"target="_blank" rel="noopener">Cisne Negro</a>.</p>
<p>Nos 2 anos seguintes, não tentei fazer uma &ldquo;Ruby&quot;Conf, porque a maioria das pessoas nem sabia o que era &ldquo;Ruby&rdquo;, mas todo mundo conhecia &ldquo;Rails&rdquo;, já que houve um período de &ldquo;Rails-bashing&rdquo; por todas as outras comunidades. Então chamei os eventos seguintes de &ldquo;Rails Summit&rdquo;.</p>
<p>Quando conseguimos fazer o nome Ruby pegar e ser melhor apreciado, aí sim fiz a troca para &ldquo;Rubyconf Brasil&rdquo;, em 2010.</p>
<p>Então 2016 foi a 7ª Rubyconf Brasil, mas o 10º evento relacionado a Ruby seguido.</p>
<p>Depois, Ruby on Rails chegou ao marco dos 10 anos, em 2014. <a href="http://www.slideshare.net/akitaonrails/rubyconf-brasil-2014"target="_blank" rel="noopener">Fiz a keynote de encerramento</a> explicando por que ainda importa.</p>
<p>E, mais importante, fiz o seguinte ponto:</p>
<blockquote>
  <p>&ldquo;Com ou sem religião, você teria pessoas boas fazendo coisas boas e pessoas más fazendo coisas más. Mas, para pessoas boas fazerem coisas más, para isso é preciso religião.&rdquo;
― Steven Weinberg</p>

</blockquote>
<h3>O Falso Dilema das Religiões de Linguagem<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="o-falso-dilema-das-religiões-de-linguagem"></span>
    <a href="#o-falso-dilema-das-religi%c3%b5es-de-linguagem" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h3><p>Se você vem prestando atenção em tudo o que faço, sabe que sou tudo menos um evangelista extremista de linguagem ou plataforma. Rejeito religiões de linguagem. Acredito em liberdade. Liberdade para fazer e dizer o que quiser (dentro do limite de não prejudicar os outros, claro), e, mais importante: sem preconceito.</p>
<p>Mas isso fica cada vez mais difícil, porque soa automaticamente &ldquo;esquisito&rdquo; quando um &ldquo;rubyista&rdquo; quer falar sobre Go, Clojure ou outras linguagens. Sempre parece aquele <em>&ldquo;opa, esse rubyista está falando de Clojure, está trocando, logo Ruby está perdendo terreno&rdquo;</em>. E, aliás, sempre soou estranho quando se ouvia um evangelista de uma linguagem falando de outra.</p>
<p>Essa é a baboseira dessa geração. Testemunhei minha liberdade sendo restringida, ano após ano. E a de todo mundo, diga-se. Hoje em dia todo mundo precisa estar debaixo de alguma bandeira, com uma posição extrema, de oito ou oitenta.</p>
<p>Isso é puro desperdício de neurônio.</p>
<p>A maioria das posições extremas, que se pretendem sólidas, acabam sendo posições ambíguas e demagógicas.</p>
<blockquote>
  <p>Vivemos numa sociedade extraordinariamente dependente de ciência e tecnologia, na qual praticamente ninguém sabe nada sobre ciência e tecnologia.
― Carl Sagan</p>

</blockquote>
<p>Venho escrevendo sobre <a href="http://www.akitaonrails.com/2008/03/01/off-topic-somos-matematicamente-ignorantes"target="_blank" rel="noopener">Pensamento Crítico</a>, <a href="http://www.akitaonrails.com/2015/01/07/off-topic-coletanea-processos-e-metodologias-nao-vao-te-ajudar"target="_blank" rel="noopener">Método Científico</a> e temas correlatos há muitos anos no meu blog e nas redes sociais.</p>
<p>Venho colocando temas não-Ruby na &ldquo;Ruby&quot;Conf há muitos anos. Tivemos Node.js em 2010, iOS em 2011, Elixir foi apresentado pelo José Valim na RubyConf de 2012. E em 2015 fiz outra grande mudança, introduzindo 3 trilhas paralelas (de 5) dedicadas a temas não-Ruby.</p>
<p>Neste ano colocamos os logos de todas as linguagens (<a href="http://www.akitaonrails.com/elixir"target="_blank" rel="noopener">Elixir</a>, <a href="http://www.akitaonrails.com/crystal"target="_blank" rel="noopener">Crystal</a>, Go, Javascript, Clojure) nos materiais da Rubyconf Brasil.</p>
<iframe src="https://www.facebook.com/plugins/post.php?href=https%3A%2F%2Fwww.facebook.com%2Flocaweb%2Fphotos%2Fa.360313600678286.84555.206944852681829%2F1129258497117122%2F%3Ftype%3D3&width=500" width="500" height="295" style="border:none;overflow:hidden" scrolling="no" frameborder="0" allowTransparency="true"></iframe>
<p>Nenhum rubyista achou isso estranho, e esse é o meu maior orgulho em relação ao público que construímos: os rubyistas no Brasil já acham super natural falar e usar outras linguagens e plataformas sem sentir que estão <strong>&ldquo;traindo&rdquo; uma causa</strong> ou sem sentir necessidade de <strong>&ldquo;abandonar&rdquo;</strong> Ruby só porque começaram a curtir algo como Elixir ou Clojure.</p>
<p>Os rubyistas, ao menos no Brasil, têm menos propensão a cair no erro das <em>métricas de vaidade</em>, como escolher uma linguagem por causa do <a href="http://www.akitaonrails.com/2008/04/13/off-topic-nunca-confie-no-tiobe"target="_blank" rel="noopener">ranking TIOBE</a>.</p>
<p>Faltava uma última coisa para fazer: dar o exemplo final.</p>
<p>Para a maioria das pessoas, <a href="https://www.facebook.com/akitaonrails/"target="_blank" rel="noopener">Fabio Akita</a> (a.k.a. AkitaOnRails) é sinônimo de Ruby. Apesar de eu escrever bastante sobre outras coisas há muitos anos, a maioria ainda me associa à RubyConf Brasil. E, mesmo a conferência tendo mudado de direção anos atrás, &ldquo;Ruby&quot;Conf continua sendo associada principalmente a &ldquo;só Ruby&rdquo;.</p>
<p>Estava confortável demais continuar com a Rubyconf Brasil como estava. Sei como fazer. As pessoas gostam. Ela continua crescendo, sem sinais de desaceleração (começamos a precisar fechar as inscrições algumas semanas antes por conta de overbooking).</p>
<p>Quando as coisas começam a ficar confortáveis demais, você sabe que possivelmente algo está errado.</p>
<blockquote>
  <p>Eu não sou minha linguagem favorita.</p>

</blockquote>
<p>Essa foi a mensagem final, a história que eu queria contar, e foram 10 anos no forno.</p>
<p>Passei 10 anos construindo um público saudável que difere de qualquer outro no mundo de tecnologia: uma turma altamente agnóstica, racional, consciente de pensamento crítico, orientada a resultados. Acreditamos de fato em &ldquo;best-of-breed&rdquo; e &ldquo;best-tools-for-the-job&rdquo;.</p>
<p>Mas isso demandava algo além de conversa fiada e discurso demagógico. E a coisa mais desconfortável que eu podia fazer era soltar.</p>
<p>A mensagem foi alta e clara: eu não sou minha linguagem, e você também deveria se libertar dela.</p>
<p><a href="http://www.slideshare.net/akitaonrails/rubyconf-brasil-2014"target="_blank" rel="noopener"><img src="https://akitaonrails.s3.amazonaws.com/assets/image_asset/image/560/Screen_Shot_2016-09-26_at_11.37.08.png" alt="Where is your Identity?"  loading="lazy" /></a></p>
<h3>Akita&quot;OnRails&rdquo;<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="akitaonrails"></span>
    <a href="#akitaonrails" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h3><p>Muita gente perguntou se eu vou mudar meu username.</p>
<p>Não, vai continuar sendo &ldquo;AkitaOnRails&rdquo;.</p>
<p>Desde o início, &ldquo;On Rails&rdquo; se refere a algo muito além do framework web &ldquo;Ruby on Rails&rdquo;. Significa exatamente o que diz: &ldquo;On Rails&rdquo;, &ldquo;Sobre uma Linha&rdquo;, <a href="https://gettingreal.37signals.com/ch03_Embrace_Constraints.php"target="_blank" rel="noopener">&ldquo;Abraçando Restrições&rdquo;</a>.</p>
<blockquote>
  <p>&ldquo;Restrições são Libertadoras&rdquo;</p>
<ul>
<li>DHH</li>
</ul>

</blockquote>
<p>Ruby on Rails é um framework web. Mas é também uma declaração, um ponto de vista opinativo.</p>
<p>Significa:</p>
<ul>
<li>Se esforçar para escrever Código Bonito</li>
<li>Se esforçar para escrever Código Agradável</li>
<li>Se esforçar para escrever Código Manutenível</li>
</ul>
<p>Significa usar as melhores técnicas e práticas para conseguir isso. Test-Driven Development (Test-First ou Test-After, tanto faz). Continuous Integration. YAGNI (You Ain&rsquo;t Gonna Need It). SOLID (como o Bob Martin prega). Continuous Delivery. Etc.</p>
<p>A comunidade Ruby não inventou o Git, mas fomos nós que fizemos ele decolar através do Github.</p>
<p>A comunidade Ruby foi a primeira turma de desenvolvimento de software a adotar técnicas Ágeis como um todo, e não como facção dissidente de algum outro grupo mainstream.</p>
<p>Agora toda comunidade nova aspira a ser &ldquo;On Rails&rdquo;, sem chamar assim. E não apenas copiando o framework web. Aspira pelo desejo e pela disciplina de escrever &ldquo;Bom Código&rdquo;, e nunca código &ldquo;Quick and Dirty&rdquo;.</p>
<p>E esses valores vão continuar, com ou sem Rubyconf ou a linguagem Ruby.</p>
<p>Eu sei, para a maioria ainda vai parecer que estou amarrado ao framework web, mas essa amarra existe só na cabeça dos outros. Talvez um dia eu mude, mas não agora.</p>
<p><a href="http://www.akitaonrails.com/2016/05/23/rails-venceu-o-elefante-na-sala"target="_blank" rel="noopener">Nem sempre vamos concordar</a> sobre quais são as técnicas certas, mas sempre vamos nos esforçar em direção aos mesmos objetivos: <strong>escrever código bonito que produza resultados valiosos</strong>.</p>
<h3>Os Próximos 10 Anos<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="os-próximos-10-anos"></span>
    <a href="#os-pr%c3%b3ximos-10-anos" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h3><p>Dito tudo isso, espero ter ajudado um pouco a espalhar a palavra:</p>
<blockquote>
  <p>Parem de ser extremistas.</p>

</blockquote>
<p>Exercitem o pensamento crítico. Façam o que parece certo, e não o que agrada a grupos influentes aleatórios. Nunca imponham seu ponto de vista aos outros. Parem de seguir cegamente falsos profetas.</p>
<p>Eu faço tudo guiado por essa ideia:</p>
<blockquote>
  <p>&ldquo;Nunca vivo pelo bem de outra pessoa e nunca peço a ninguém que viva pelo meu bem. Só aceito trocas voluntárias em benefício mútuo.&rdquo;</p>

</blockquote>
<blockquote>
  <p>&ldquo;Sou engenheiro de software. Sei o que está por vir pelo princípio sobre o qual se baseia.&rdquo;</p>

</blockquote>
<p>Expliquei isso em detalhes no meu artigo <a href="http://www.akitaonrails.com/en/2012/09/07/why-dramas-do-ruby-e-dinamitando-courtlandt/"target="_blank" rel="noopener">&quot;_Why, Ruby Dramas, and Dynamiting Courtlandt&rdquo;</a>. De uma forma modesta, quero acreditar que honrei esse princípio.</p>
<p>Eu escrevo software (e sobre software) porque gosto de software. Sou muito fã de Ruby e vou continuar fazendo o melhor Ruby que conseguir por muitos anos. E também vou escrever bom Elixir, e bom Crystal, e talvez bom Javascript, etc.</p>
<p>Mas vou fazer do meu jeito, e não do jeito de ninguém.</p>
<p>E você também deveria.</p>
]]></content:encoded><category>pessoal</category><category>filosofia</category></item><item><title>[Off-Topic] Software Livre: Exercício de CAPITALISMO</title><link>https://akitaonrails.github.io/2016/04/22/off-topic-software-livre-exercicio-de-capitalismo/</link><guid isPermaLink="true">https://akitaonrails.github.io/2016/04/22/off-topic-software-livre-exercicio-de-capitalismo/</guid><pubDate>Fri, 22 Apr 2016 15:30:00 -0300</pubDate><description>&lt;p&gt;Uma frase do &lt;a href="http://www.akitaonrails.com/2016/04/20/off-topic-se-voce-precisa-de-validacao-provavelmente-esta-errado"target="_blank" rel="noopener"&gt;meu artigo anterior&lt;/a&gt; causou estranheza em algumas pessoas:&lt;/p&gt;
&lt;blockquote&gt;
&lt;p&gt;&amp;ldquo;A base disso é o mundo open source: a maior experiência capitalista do mundo do software e um exemplo vivo para todos do que é um Mercado Livre Laissez-faire. O melhor lugar para manter e melhorar commodities de tecnologia.&amp;rdquo;&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;
&lt;p&gt;A estranheza vem da palavra &amp;ldquo;free&amp;rdquo;. Por causa dos princípios de liberdade do Free Software, muita gente associa o mundo do código aberto a uma grande experiência &amp;ldquo;socialista&amp;rdquo;. Minha tese é o contrário: software livre é a experiência mais capitalista que existe no software. Nenhum governo regula, nenhuma agência protege projeto ruim, toda troca é voluntária e a competição decide quem sobrevive. Um mercado assim não existe em nenhum setor da economia real; o período histórico mais próximo dele foi o fim do século XIX nos EUA, antes do Federal Reserve e do imposto de renda federal.&lt;/p&gt;</description><content:encoded><![CDATA[<p>Uma frase do <a href="http://www.akitaonrails.com/2016/04/20/off-topic-se-voce-precisa-de-validacao-provavelmente-esta-errado"target="_blank" rel="noopener">meu artigo anterior</a> causou estranheza em algumas pessoas:</p>
<blockquote>
  <p>&ldquo;A base disso é o mundo open source: a maior experiência capitalista do mundo do software e um exemplo vivo para todos do que é um Mercado Livre Laissez-faire. O melhor lugar para manter e melhorar commodities de tecnologia.&rdquo;</p>

</blockquote>
<p>A estranheza vem da palavra &ldquo;free&rdquo;. Por causa dos princípios de liberdade do Free Software, muita gente associa o mundo do código aberto a uma grande experiência &ldquo;socialista&rdquo;. Minha tese é o contrário: software livre é a experiência mais capitalista que existe no software. Nenhum governo regula, nenhuma agência protege projeto ruim, toda troca é voluntária e a competição decide quem sobrevive. Um mercado assim não existe em nenhum setor da economia real; o período histórico mais próximo dele foi o fim do século XIX nos EUA, antes do Federal Reserve e do imposto de renda federal.</p>
<p>Matt Asay escreveu na C|NET, em <a href="http://www.cnet.com/news/open-source-its-about-capitalism-not-freebies/"target="_blank" rel="noopener">&ldquo;Código Aberto: É sobre capitalismo, não brindes gratuitos&rdquo;</a>:</p>
<blockquote>
  <p>&ldquo;O segredo é usar software de código aberto como um meio para um fim, e não o fim em si mesmo. Código aberto é um meio de distribuição barata, uma maneira de colocar software nas mãos de potenciais compradores por pouco ou nenhum custo. É uma maneira de tornar a experiência de software social e menos arriscada, porque os usuários podem experimentar antes de comprar e porque eles podem customizar (ou pagar alguém para customizar) o software para suas necessidades por um custo menor do que software proprietário.&rdquo;</p>

</blockquote>
<p>E foi mais direto ainda em <a href="http://web.archive.org/web/20211023100641/https://www.cnet.com/news/sorry-socialists-open-source-is-a-capitalists-game/"target="_blank" rel="noopener">&ldquo;Desculpe, socialistas: Código Aberto é um jogo capitalista&rdquo;</a>:</p>
<blockquote>
  <p>&ldquo;[Sarah] Grey escreve que &rsquo;existem alternativas ao capitalismo&rsquo;. Ela está certa. Infelizmente, código aberto não é uma delas. Código aberto é a essência do Livre Mercado do Capitalismo.&rdquo;</p>

</blockquote>
<h3>Definições, para ninguém brigar com espantalho<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="definições-para-ninguém-brigar-com-espantalho"></span>
    <a href="#defini%c3%a7%c3%b5es-para-ningu%c3%a9m-brigar-com-espantalho" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h3><p>Antes de seguir, os termos que estou usando. Capitalismo é propriedade privada dos meios de produção, com trocas voluntárias entre os donos dessa propriedade. Livre Mercado é a condução dessas trocas sem coerção e sem regulador: oferta, procura e preços ficam nas mãos dos participantes.</p>
<p>Socialismo, no sentido clássico, é propriedade estatal ou coletiva dos meios de produção. Saúde pública e ensino gratuito num país de economia de mercado são políticas de bem-estar, e não socialismo. A crítica deste texto é ao modelo em que o Estado é o dono da produção.</p>
<p>Com essas definições, defender o socialismo clássico e defender a liberdade individual são posições opostas: o primeiro exige subordinar a propriedade e as escolhas de cada um a uma entidade central.</p>
<h3>Software livre é propriedade privada sob licença<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="software-livre-é-propriedade-privada-sob-licença"></span>
    <a href="#software-livre-%c3%a9-propriedade-privada-sob-licen%c3%a7a" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h3><p>Código aberto não é domínio público. Todo software tem dono: o copyright pertence aos autores, e usar, copiar ou modificar esse código só é possível porque o dono concedeu uma licença. Sem licença, ninguém tem direito algum sobre código alheio, como Jeff Atwood lembrou em <a href="http://blog.codinghorror.com/pick-a-license-any-license/"target="_blank" rel="noopener">&ldquo;Escolha uma Licença, qualquer Licença&rdquo;</a>:</p>
<blockquote>
  <p>&ldquo;Porque eu não indiquei explicitamente uma licença, eu declarei implicitamente um copyright sem explicar como outros poderiam usar meu código. Já que o código está sem licença, eu poderia teoricamente forçar o copyright a qualquer momento e demandar que as pessoas parem de usá-lo. Desenvolvedores experientes não tocam em código sem licença, porque não têm direito legal para isso.&rdquo;</p>

</blockquote>
<p>Existe um teste prático para essa propriedade: o dono pode retirar o código da circulação quando quiser. Em março de 2016, Azer Koçulu despublicou seus pacotes do npm, incluindo o minúsculo left-pad, depois de uma disputa de nome com o aplicativo Kik. Milhares de builds quebraram no mesmo dia, como <a href="http://arstechnica.com/information-technology/2016/03/rage-quit-coder-unpublished-17-lines-of-javascript-and-broke-the-internet/"target="_blank" rel="noopener">a Ars Technica reportou</a>. O código-fonte continuava no GitHub; o que ele removeu foi a distribuição no registro.</p>
<p>Concordar ou não com o Koçulu é irrelevante. O pacote era propriedade dele, e a decisão de remover era dele. O mais interessante veio depois: ninguém foi preso, nenhum regulador interveio. O npm restaurou o pacote quebrado e mudou sua <a href="http://blog.npmjs.org/post/141905368000/changes-to-npms-unpublish-policy"target="_blank" rel="noopener">política de unpublish</a>. O mercado absorveu o choque e criou anticorpos, sem tirar de ninguém o direito de sair.</p>
<p>A comunidade Ruby viveu uma versão menor disso em 2009, quando _why apagou seus projetos e desapareceu, <a href="http://www.akitaonrails.com/2012/09/07/why-dramas-do-ruby-e-dinamitando-courtlandt/"target="_blank" rel="noopener">como contei aqui</a>.</p>
<p>Quando o desacordo é interno, o mecanismo de saída é o fork: quem discorda clona o projeto e compete com o original. Foi o que aconteceu com o io.js, que nasceu como fork do Node.js em 2014 e se fundiu de volta em 2015, sob a recém-criada Node.js Foundation, quando a negociação fez sentido. A história tem vários forks que prosperaram: WebKit a partir do KHTML, LibreOffice a partir do OpenOffice.org, MariaDB a partir do MySQL, X.Org a partir do XFree86. E há derivados que ficaram maiores que a origem, como o Ubuntu a partir do Debian.</p>
<p>Fork é voto com os pés. Custa caro, porque exige manter um projeto inteiro, e é por isso que só prospera quando a motivação é real.</p>
<h3>Competição implica o direito de fracassar<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="competição-implica-o-direito-de-fracassar"></span>
    <a href="#competi%c3%a7%c3%a3o-implica-o-direito-de-fracassar" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h3><p>Num mercado sem regulador, ninguém mantém projeto ruim vivo artificialmente. Para cada PostgreSQL que existe, dezenas de bancos de dados tentaram e morreram. Para cada distro Linux relevante, centenas viraram nota de rodapé. Isso é sinal de saúde: a seleção está funcionando.</p>
<p>A justiça desse processo é cega. O código não carrega a biografia do autor, e o mercado não distribui medalha por boas intenções. Um projeto sobrevive se convence usuários e colaboradores de seu mérito técnico, e morre se não convence.</p>
<p>Abrir o código, aliás, não salva ninguém. A Nokia concluiu a abertura do código do Symbian em 2010, quando a plataforma já perdia terreno para iPhone e Android. O gesto não reverteu nada: muito pouco, muito tarde.</p>
<p>Eu comparei esse processo à seleção natural num <a href="http://www.akitaonrails.com/2010/07/01/screencast-entenda-software-da-maneira-correta"target="_blank" rel="noopener">screencast antigo</a>. O software que se adapta melhor às demandas do ambiente é o que mais se reproduz, na forma de usuários e contribuidores. O cemitério de projetos mortos prova que a seleção existe e funciona.</p>
<p>E a paisagem muda o tempo todo. O Apache HTTP cedeu espaço ao NGINX. O Firefox perdeu fatia enorme para o Chrome. O Perl cedeu para Python e para linguagens mais novas como Go. O MySQL perdeu prestígio entre desenvolvedores para o PostgreSQL, enfrentou a onda NoSQL e ainda ganhou um fork competidor, o MariaDB, depois da compra pela Oracle. Nenhum desses projetos tinha direito adquirido ao trono.</p>
<h3>O programador paga para participar<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="o-programador-paga-para-participar"></span>
    <a href="#o-programador-paga-para-participar" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h3><p>O mercado de software livre tem uma inversão curiosa de valores. Numa empresa, o programador recebe dinheiro para escrever código proprietário. Num projeto livre conhecido, é o programador quem &ldquo;paga&rdquo;, com seu tempo e sua capacidade, para ter código aceito. Em troca ele recebe reputação, aprendizado, portfólio e, sim, um pouco de vaidade. É uma troca voluntária com benefício para os dois lados, como qualquer outra.</p>
<p>&ldquo;Preço&rdquo;, aqui, não se mede só em dinheiro. Valor é qualquer coisa com oferta e procura, e quem define o preço é a competição. A moeda corrente desse mercado é a competência técnica demonstrada em público.</p>
<p>Isso tem uma consequência dura: convencer os outros faz parte do jogo. Se a sua ideia tem valor e mesmo assim ninguém adere, a explicação mais provável está na ideia ou na forma como você a apresenta, e não na burrice da plateia. Culpar a plateia é o jeito mais rápido de desvalorizar a própria causa.</p>
<h3>O paradoxo do software livre &ldquo;socialista&rdquo;<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="o-paradoxo-do-software-livre-socialista"></span>
    <a href="#o-paradoxo-do-software-livre-socialista" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h3><p>Imagine o modelo oposto: o mundo do software sob o socialismo clássico, com a produção controlada por uma entidade central.</p>
<p>Sem propriedade individual sobre os projetos, acaba a competição. Projeto ruim que atenda à agenda de quem controla se mantém vivo, mesmo que exista alternativa tecnicamente superior. A escolha sai das mãos de quem usa e vai para as mãos de quem controla. Não haveria acidentes como o left-pad, e o preço disso seria um catálogo imenso de software sucateado que ninguém quer usar.</p>
<p>Sem o benefício individual da troca, acaba o voluntariado. Nenhum programador competente doaria suas melhores horas sem reputação, aprendizado ou liberdade em troca. E se a contribuição virar cota obrigatória decretada em nome do &ldquo;bem social&rdquo;, todos farão o mínimo para cumprir a cota. A produção soviética funcionou assim em praticamente todos os setores, com os resultados que conhecemos.</p>
<p>Sem competição, acaba a inovação. Inovação nasce de uma vontade individual de resolver o próprio problema do próprio jeito. Eric Raymond abriu <a href="http://www.catb.org/~esr/writings/cathedral-bazaar/cathedral-bazaar/"target="_blank" rel="noopener">&ldquo;A Catedral e o Bazar&rdquo;</a> com essa ideia:</p>
<blockquote>
  <p>&ldquo;Todo bom trabalho de software começa coçando uma coceira pessoal de um desenvolvedor.&rdquo;</p>

</blockquote>
<p>Inovação também é transgressora, porque torna profissões inteiras obsoletas. As agências de viagem quase sumiram quando comprar passagem pela internet ficou trivial. As locadoras de vídeo morreram com o streaming. O Uber apertou os taxistas, o Airbnb apertou os hotéis. Quem ficou preso ao modelo anterior sofreu, e o mundo seguiu em frente.</p>
<p>Em software foi igual. O pessoal do GNU Hurd não comemorou quando o Linux explodiu. A Nokia não achou graça no Android. O MySQL não torce pelo PostgreSQL. Quem resiste à dinâmica do mercado fica para trás. Duro, e absolutamente justo.</p>
<h3>A distopia do monopólio protegido<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="a-distopia-do-monopólio-protegido"></span>
    <a href="#a-distopia-do-monop%c3%b3lio-protegido" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h3><p>Um software proprietário pode ser bom ou ruim; o problema aparece quando ele vira monopólio protegido. A Microsoft dos anos 90 era um monopólio de fato. Podemos discutir se o julgamento do Departamento de Justiça foi justo, mas o golpe decisivo no monopólio veio do mercado: o software livre, com GNU e Linux, e depois a internet comercial, que tirou do Windows o monopólio da plataforma.</p>
<p>Imagine um futuro alternativo em que a Microsoft convence o governo americano de que o Windows é essencial à segurança nacional e merece proteção permanente. Tudo teria parado. Até hoje usaríamos um Pentium de 100 MHz rodando um derivado de Windows 98, com internet discada, porque &ldquo;ninguém precisa de mais que isso&rdquo;.</p>
<p>É essa a lógica de quem entrega as decisões do mercado a uma entidade central: não crie e-mail, vai prejudicar os carteiros; não crie sites, vai prejudicar as gráficas; não crie software livre, vai prejudicar os programadores do governo. Todo ditador usa o mesmo discurso, &ldquo;para o bem da população&rdquo;, e todo discurso de &ldquo;para o bem da população, não importam os meios&rdquo; termina no mesmo lugar.</p>
<h3>Tirania e o fim do software livre<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="tirania-e-o-fim-do-software-livre"></span>
    <a href="#tirania-e-o-fim-do-software-livre" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h3><p>O pior caso possível para um projeto livre começa assim. Um desenvolvedor cria um software para resolver um problema e abre o código. Por vinte anos, centenas de pessoas usam e contribuem.</p>
<p>Então surge uma causa, qualquer uma, e alguém se autonomeia representante dela. Por pressão social e propaganda, os mantenedores viram párias. A mídia especializada amplifica, porque controvérsia atrai leitor. O código deixa de ser o assunto: o que passa a valer é a opinião pessoal, a aparência e o passado de cada colaborador.</p>
<p>A partir daí, participar do projeto vira um risco. Ninguém recebe mais valor por contribuir; só recebe exposição. Um a um, os que realmente escreviam código vão embora, e o projeto definha. É uma forma perversa de tomar uma propriedade e destruir seu valor sem confiscar nada formalmente.</p>
<p>Ayn Rand dramatizou esse mecanismo no julgamento de Howard Roark, em &ldquo;A Nascente&rdquo;, e <a href="http://www.akitaonrails.com/2011/02/04/off-topic-the-fountainhead-defesa-de-howard-roark"target="_blank" rel="noopener">escrevi sobre isso em 2011</a>:</p>
<blockquote>
  <p>&ldquo;Eu vim aqui dizer que eu não reconheço o direito de qualquer um a um minuto da minha vida, ou a qualquer parte da minha energia, nem a qualquer conquista minha, não importa quem clame por isso!&rdquo;</p>

</blockquote>
<p>Esse é o aviso. Uma camada política sobre um projeto livre destrói o mercado que sustentava o projeto.</p>
<h3>Conclusão<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="conclusão"></span>
    <a href="#conclus%c3%a3o" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h3><p>Nada disso condena quem contribui por motivação social. Quem troca seu código pela sensação de estar ajudando faz uma troca voluntária como qualquer outra, e isso fora do software tem nome: doação e trabalho voluntário. O problema começa quando alguém decide que a propriedade alheia deve servir à causa que ele escolheu.</p>
<p>Resolver os problemas do mundo é muito mais difícil do que discutir sobre eles. Bill Gates deu esse recado em 2000, respondendo ao hype de que PCs acabariam com a pobreza:</p>
<blockquote>
  <p>&ldquo;Ótimo, visite os centros da Infosys em Bangalore, mas saia do oásis e vá três milhas adiante, atrás do cara que vive sem privada, sem água encanada&hellip; O mundo não é plano, e PCs não estão, na hierarquia das necessidades humanas, entre as cinco primeiras posições.&rdquo;</p>

</blockquote>
<p>Programadores, de qualquer classe social, têm internet e recursos de sobra para passar o dia em redes sociais discutindo como salvar o mundo. Quem trabalha de verdade nesses problemas está fora desse circuito, <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Computer_technology_for_developing_areas"target="_blank" rel="noopener">executando em vez de falar</a>.</p>
<p>Termino com um caso real que me relataram, sem nomes:</p>
<blockquote>
  <p>A: Puxa, ninguém dá chance à minha [minoria].</p>
<p>B: Por que você não me ajuda a resolver estes problemas neste projeto open source? Daí você pode palestrar sobre isso.</p>
<p>(A some. B espera, cansa, e chama C, que resolve os problemas e ganha o espaço de palestrar.)</p>
<p>A: Tá vendo, B? Você é parte dos opressores que não dão espaço pra gente como eu, e preferiu dar a oportunidade pro C.</p>

</blockquote>
<p>E uma nota pessoal para encerrar. Me taxam de &ldquo;seguidor de Ayn Rand&rdquo;, e estão enganados: Rand apenas pôs por escrito, antes de mim, o que eu já pensava e praticava. O mesmo vale para Bastiat, Friedman, Hayek ou Menger. São referências, e referências não são donos. Julgar uma ideia pelo autor em vez de julgar o argumento pelo mérito é a definição de <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Argumento_ad_hominem"target="_blank" rel="noopener">ad hominem</a>, e eu não respondo bem a falácias.</p>
]]></content:encoded><category>open-source</category><category>economia</category><category>filosofia</category><category>off-topic</category></item><item><title>[Off-Topic] Se Você Precisa de "Validação", Provavelmente está Errado</title><link>https://akitaonrails.github.io/2016/04/20/off-topic-se-voce-precisa-de-validacao-provavelmente-esta-errado/</link><guid isPermaLink="true">https://akitaonrails.github.io/2016/04/20/off-topic-se-voce-precisa-de-validacao-provavelmente-esta-errado/</guid><pubDate>Wed, 20 Apr 2016 15:49:00 -0300</pubDate><description>&lt;p&gt;TL;DR: este é um dos meus famosos posts Off-Topic, portanto, longos! Vá diretamente à &lt;a href="#conclusao"&gt;conclusão&lt;/a&gt; para ver aonde quero chegar. Mas por favor não critique antes de ler o texto todo, será mais produtivo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Em tempos em que todo mundo parece ter uma opinião ativa sobre certos assuntos, eu prefiro não defender ativamente nenhuma, nem a favor, nem contra. Os dois lados têm certeza absoluta de que estão certos, é um &lt;a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Zero-sum_game"target="_blank" rel="noopener"&gt;jogo de soma zero&lt;/a&gt;, e eu odeio soma zero.&lt;/p&gt;</description><content:encoded><![CDATA[<p>TL;DR: este é um dos meus famosos posts Off-Topic, portanto, longos! Vá diretamente à <a href="#conclusao">conclusão</a> para ver aonde quero chegar. Mas por favor não critique antes de ler o texto todo, será mais produtivo.</p>
<p>Em tempos em que todo mundo parece ter uma opinião ativa sobre certos assuntos, eu prefiro não defender ativamente nenhuma, nem a favor, nem contra. Os dois lados têm certeza absoluta de que estão certos, é um <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Zero-sum_game"target="_blank" rel="noopener">jogo de soma zero</a>, e eu odeio soma zero.</p>
<p>Se eu tiver uma opinião e forçá-la sobre as pessoas, muitas vão concordar e comprar meu ponto de vista. Outras tantas vão discordar com ódio e tentar desacreditar a ideia ou o autor. E o principal: todos só temos a perder se entrarmos nesse tipo de visão <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Manique%C3%ADsmo"target="_blank" rel="noopener">maniqueísta</a>.</p>
<p>Isso significa ficar &ldquo;em cima do muro&rdquo;? Também não. Uma coisa que eu tenho há anos no meu <a href="https://www.quora.com/profile/Fabio-Akita"target="_blank" rel="noopener">perfil do Quora</a> é isso:</p>
<blockquote>
  <p>&ldquo;I never live for the sake of another person and I never ask anyone to live for the sake of mine. I only accept voluntary trade for mutual benefit.&rdquo;</p>

</blockquote>
<p>Que quer dizer:</p>
<blockquote>
  <p>&ldquo;Eu nunca vivo por causa de outra pessoa e eu nunca peço a qualquer pessoa para viver por minha causa. Eu aceito somente trocas voluntárias para mútuo benefício.&rdquo;</p>

</blockquote>
<p>Portanto, antes de continuar, eu peço encarecidamente que você pense por si mesmo, não pelos outros e muito menos por mim, independente de concordar ou discordar do que eu tenho a dizer.</p>
<p>Dito isso, quero começar com um pequeno exemplo, de magnitude microscópica perto das grandes questões da atualidade.</p>
<h3>&ldquo;Bem Vindos&rdquo;<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="bem-vindos"></span>
    <a href="#bem-vindos" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h3><p>Em <strong>07 de Julho de 2016, às 1:52:39</strong> completará <strong>10 anos</strong> que publico posts dedicados à comunidade de tecnologia, particularmente de Ruby on Rails. Escolhi as palavras com cuidado e disse o seguinte:</p>
<blockquote>
  <p>Vamos ver até onde essa comunidade pode chegar.</p>

</blockquote>
<blockquote>
  <p>Ruby on Rails poderá ser muito ou nada, tudo vai depender de como o mercado vai encarar a novidade. Mas muita coisa pode ser feita agora. Para começar, aprendendo sobre o assunto.</p>

</blockquote>
<blockquote>
  <p>Vou postar os principais assuntos sobre a plataforma aqui e espero que todos colaborem com ideias e sugestões ou mesmo críticas e opiniões.</p>

</blockquote>
<blockquote>
  <p>Infelizmente ainda existem muitos desafios a serem vencidos. Para começar, materiais de Rails em português virtualmente inexistem. Sites brasileiros idem. Portanto quando digo &ldquo;começar do zero&rdquo;, estou falando sério.</p>

</blockquote>
<blockquote>
  <p>O maior desafio será convencer o mercado. E isso não se faz da noite para o dia. Significa que ainda não será possível deixar o legado do Java totalmente de lado. Vamos começar um período de transição no qual tentaremos as duas coisas em paralelo.</p>

</blockquote>
<blockquote>
  <p>Os pioneiros sempre caminham por território árduo, mas a recompensa dos primeiros sempre será maior também. Esse é o sentido do investimento.</p>

</blockquote>
<h3>Meus Princípios<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="meus-princípios"></span>
    <a href="#meus-princ%c3%adpios" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h3><p>Se você nunca leu meus <a href="/off-topic/">Off-Topic</a>, vamos deixar claro: eu não sou altruísta, no sentido literal da palavra, não no jeito errado como costuma ser interpretado. Nada do que fiz até hoje foi puramente em prol de alguma ideologia de &ldquo;bem maior&rdquo;.</p>
<p>Meu objetivo é simples: eu só quero o direito de <strong>produzir</strong>, nos meus próprios termos.</p>
<p>No caminho, o que eu faço deixa efeitos colaterais, e um deles é ajudar os outros. Hoje tenho uma pequena empresa chamada <a href="http://www.codeminer42.com"target="_blank" rel="noopener">Codeminer 42</a> que emprega mais de 60 pessoas. São pessoas com famílias, que encontram ali o sustento e também a própria melhoria, através dos resultados que eu e meus amigos buscamos e conquistamos juntos. Esse é um efeito colateral direto.</p>
<p>Eu organizo a <a href="http://web.archive.org/web/20160328015448/http://www.rubyconf.com.br/"target="_blank" rel="noopener">Rubyconf Brasil</a> há 9 anos, junto com a Locaweb. Palestrantes, patrocinadores, a Locaweb e eu temos um ponto de encontro anual onde empresas conhecem gente nova pra contratar, profissionais acham o próximo emprego e empreendedores se juntam pra testar ideias. São mais de <strong>1.200 participantes todo ano</strong> com a chance de produzir alguma coisa. Esse é um efeito colateral indireto.</p>
<p>Um grupo como o <a href="https://www.facebook.com/groups/rubyonrailsbrasil/"target="_blank" rel="noopener">Ruby on Rails Brasil</a> no Facebook, que não fui eu quem criou, tem mais de <strong>8.500 participantes</strong> trocando ideias, aprendizados e experiências.</p>
<p>A base de tudo isso é o mundo open source: a maior experiência capitalista do mundo do software e um exemplo vivo do que é um <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Free_market"target="_blank" rel="noopener">Mercado Livre Laissez-faire</a>. É o melhor lugar para manter e melhorar <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Commodity"target="_blank" rel="noopener">commodities</a> de tecnologia.</p>
<p>Empresas investem tempo e dinheiro contratando programadores para manter projetos abertos. Não por serem &ldquo;boazinhas&rdquo;, independente do que digam, mas porque essas tecnologias trazem benefícios diretos e indiretos aos seus negócios.</p>
<p>Sozinhas, elas precisariam investir muito mais do que dividindo o problema entre dezenas de outras empresas para lucrarem juntas. É a plataforma ideal para o indivíduo demonstrar suas capacidades ao mundo, melhorá-las e buscar novas oportunidades. E é um dos ambientes mais brutais e agressivos que existem, justamente por isso muito bom, para aprender a lidar com pressão, comunicação e soluções técnicas criativas, exatamente porque os recursos são finitos.</p>
<p>Todos lucram, e nem sempre em dinheiro: uns com aprendizado novo, outros com oportunidades novas. Até quem tem seu lucro na pura satisfação de ajudar faz uma troca justa, do que sabe produzir pela recompensa de uma consciência mais tranquila. Afinal, ninguém ajuda quem não gosta, e isso sim seria altruísmo de verdade.</p>
<h3>O que eu NÃO fiz, e NÃO faço<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="o-que-eu-não-fiz-e-não-faço"></span>
    <a href="#o-que-eu-n%c3%a3o-fiz-e-n%c3%a3o-fa%c3%a7o" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h3><p>Quando comecei essa jornada, e lembrando que eu não fui o primeiro, sempre busquei fazer coisas para meu próprio benefício, sabendo que isso poderia beneficiar outras pessoas. Com benefícios mútuos, todos andam mais rápido e melhor. Minha proposição nunca foi promessa de recompensa material ou moral, apenas a de trabalhar no que se gosta.</p>
<p>Se fosse puramente por moral ou ideologia, nunca teria dado certo. E se por acaso desse, seria frágil, porque estaria assentado na fundação errada.</p>
<p>Se eu realmente acreditasse que &ldquo;Ruby on Rails é a única melhor tecnologia&rdquo;, teria forçado essa visão nos outros. Muitos teriam acreditado. Pior: teríamos que assumir que as outras tecnologias são ruins e lutar contra elas, ignorando as evidências. O resultado teria sido desastroso.</p>
<p>Eu sempre soube que Rails é bom em certos casos, em particular no mercado de startups que crescia a partir de 2004. Software as a Service, Infrastructure as a Service, Platform as a Service. Muita gente pensou como eu, de forma independente, e daí nasceram gemas como o Github, o maior mercado livre de software já criado.</p>
<p>Se eu tivesse assumido que meu jeito era o certo e o dos outros automaticamente errado, teria me frustrado e fracassado amargamente. Meu pensamento natural teria sido:</p>
<p><em>&ldquo;Por que esse povo não me segue se meu caminho é certamente o correto?&rdquo;</em></p>
<p>Eu nunca tentei convencer ninguém de que meu ponto de vista é o correto &ldquo;pelo bem&rdquo; de alguma coisa, ou &ldquo;porque é free software&rdquo;, ou &ldquo;porque atende a alguma visão política&rdquo;. Eu sempre evangelizei ensinando como lucrar.</p>
<p>Num nicho com as características de Rails se acumularam profissionais de qualidade rara. Todo novo programador tinha esses pioneiros como &ldquo;role model&rdquo;. Todo Rubista almejava qualidade em primeiro lugar. E a nova geração de startups mostrava como fazer produtos lucrativos sem a torneira aberta de investidores alucinados como em 2000. Era esse o discurso da 37signals em 2005: todo mundo queria fazer o próximo Basecamp. E fizeram, de Engine Yard a Heroku, Github, Pivotal Labs, Living Social, Shopify, Twitter, Groupon, Zendesk, Hulu, Square, Airbnb e Soundcloud.</p>
<p>Importa que eles não são 100% feitos em Ruby? Lógico que não. Ninguém está defendendo uma visão extremista e religiosa, este não é o &ldquo;Culto do Ruby&rdquo;. Rails é um meio para um fim, jamais o fim. Quem adotou Rails queria filtrar os melhores programadores, porque era preciso gostar muito da arte de programar para aprender Rails em 2006. Queria também qualidade de vida na rotina, porque os princípios por trás do design do Ruby e do Rails criaram uma visão única de como fazer software. Ninguém escolheu Rails como se escolhe time de futebol ou partido. Todos que escolheram miravam algum ganho para si e, pensando assim, criaram um ecossistema gigante que acabou beneficiando muito mais gente.</p>
<p>O que eu não fiz? Não fiz promessas, não dei certificados, não garanti ministérios, não prometi &ldquo;um futuro brilhante&rdquo; e não coloquei visão política na comunidade. Talvez a única promessa tenha sido a de muito trabalho pela frente e oportunidades de produção. Releiam o último parágrafo do meu primeiro post:</p>
<blockquote>
  <p>&ldquo;Os pioneiros sempre caminham por território árduo, mas a recompensa dos primeiros sempre será maior também. Esse é o sentido do investimento.&rdquo;</p>

</blockquote>
<p>Esse é o espírito de um empreendedor: arriscar o que se possui, não o que os outros têm.</p>
<p>É proposital: desde o começo eu raramente palestro nos eventos que eu mesmo organizo. E desde o começo há outras tecnologias em exposição num evento de Ruby (tivemos palestras de Node.js já em 2009, antes de existirem eventos de Javascript). Por isso a &ldquo;Ruby&quot;conf tem trilhas de várias outras tecnologias em ascensão: porque só temos a lucrar com isso.</p>
<p>É a minha forma de produzir nos meus próprios termos, com o que eu gosto.</p>
<p>O &ldquo;Ruby-way&rdquo; não convence os outros de que usar Ruby é o único caminho. Ele mostra que trilhar o caminho mais difícil, o da qualidade e do cuidado com o que se faz, provavelmente traz resultados melhores. É o que faz um empreendedor: assume riscos calculados e trabalha brutalmente por <a href="http://www.akitaonrails.com/2009/09/09/off-topic-direitos-do-homem"target="_blank" rel="noopener">si próprio</a>. É o que faz um artista, sempre diferente do comum.</p>
<p>O caminho de um empreendedor, de um artista, de quem produz, é necessariamente <a href="http://www.akitaonrails.com/2009/09/09/off-topic-direitos-do-homem"target="_blank" rel="noopener">individualista</a>. Porque vai contra o status quo, contra o que se considera &ldquo;certo&rdquo; hoje, contra o que é &ldquo;comumente aceito&rdquo; por uma &ldquo;maioria&rdquo;.</p>
<blockquote>
  <p>&ldquo;Loucura é querer resultados diferentes fazendo sempre a mesma coisa.&rdquo; - Albert Einstein</p>

</blockquote>
<p>Vamos sempre ser apedrejados por isso. Mas são justamente as pessoas que escolhem o caminho diferente que todos tentam impedir, e são elas que nos levaram às grandes conquistas da humanidade. Uma das coisas que me fez enxergar isso logo de cara veio do criador do Rails, o até hoje controverso David Heinemeier Hansson, alguém com quem concordo e discordo em vários aspectos, quando citou nos primórdios da comunidade:</p>
<blockquote>
  <p>“Primeiro, eles o ignoram. Depois, o ridicularizam. Finalmente, eles brigam contra você. E então, você vence.” - Mahatma Gandhi</p>

</blockquote>
<p>É <strong>pecado</strong> sequer imaginar que não é o Sol que gira em torno da Terra. Foi preciso a visão individualista e absolutamente &ldquo;egoísta&rdquo; de um <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Galileo_affair"target="_blank" rel="noopener">&ldquo;Galileo vs Inquisição&rdquo;</a> para abrir caminho até hoje, quando não só já fomos à Lua como estamos ficando <a href="http://qz.com/579509/spacex-has-successfully-launched-and-landed-a-falcon-9-rocket-and-made-history/"target="_blank" rel="noopener">excepcionalmente bons</a> em mandar maquinário para o espaço.</p>
<h3>Uma Nação Nazista<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="uma-nação-nazista"></span>
    <a href="#uma-na%c3%a7%c3%a3o-nazista" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h3><blockquote>
  <p>&ldquo;Somente um Sith pensa em absolutos.&rdquo; - Obi-wan Kenobi</p>

</blockquote>
<p>Existe um termo para quem pensa em absolutos no mundo real: extremista terrorista. Ser extremista, por si só, não faz mal. O problema é forçar a visão extrema sobre os outros, o terreno do terrorista, e é isso que leva ao lado negro da Força.</p>
<p>Um terrorista é perigoso porque acredita, de forma absoluta, que está certo.</p>
<blockquote>
  <p>&ldquo;Porque algumas pessoas não estão procurando por alguma coisa lógica, como dinheiro. Eles não podem ser comprados, antagonizados, ensinados, ou negociados. Algumas pessoas somente querem ver o mundo pegar fogo.&rdquo; - Alfred, The Dark Knight</p>

</blockquote>
<p>É por isso que não se negocia com terrorista. É impossível, você sempre vai perder.</p>
<p>E o pior é que o lado negro da Força seduz, porque se traveste com facilidade de algo &ldquo;bom&rdquo;:</p>
<blockquote>
  <p>&ldquo;Não tente me ensinar, Obi-wan! Eu <strong>vejo</strong> através das mentiras dos Jedi. Eu não tenho medo do lado negro como você. Eu trouxe paz, liberdade, justiça e segurança &hellip; ao meu Novo Império!&rdquo; - Anakin Skywalker, Episode III</p>

</blockquote>
<p>Não é difícil entender como surgiram pessoas tão inequivocamente reconhecidas como &ldquo;o mal&rdquo;. Coletivistas e extremistas como Adolf Hitler, Joseph Goebbels, Heinrich Himmler, Hermann Göring.</p>
<p>Mas eles são só algumas pessoas. A questão principal é bem mais difícil: como se convence uma Nação inteira, como o povo alemão, a aceitar e agir em favor da ideologia de um partido como o Nacional Socialista, até o ponto do genocídio de 11 milhões de pessoas no <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/The_Holocaust"target="_blank" rel="noopener">Holocausto</a>!?</p>
<p>Existem <a href="http://web.archive.org/web/20160330114037/http://www.las.illinois.edu/news/2014/nazis/"target="_blank" rel="noopener">muitas teorias</a> para o que aconteceu durante a Segunda Guerra Mundial, e é um assunto delicado até hoje. Eu tenho uma pequena teoria pessoal, sem suporte em evidências, por isso o &lsquo;disclaimer&rsquo;:</p>
<p>Muitos devem ter cometido esses atos com intenção puramente maléfica. Ainda assim, é difícil acreditar que, num espaço curto de tempo, milhares de alemães viraram automaticamente agentes do Mal.</p>
<p>Naquela época, a Alemanha carregava a humilhação do pós-Primeira Guerra e uma economia em frangalhos depois da Grande Depressão de 1929. Nesse contexto, uma ideologia política populista, em nome do bem social da nação, ganhou força pelo Partido Nacional Socialista. A ideia do &ldquo;Terceiro Reich&rdquo; seduzia por devolver a esperança de um futuro brilhante, o de uma &ldquo;Nova Alemanha&rdquo;.</p>
<p>E encontraram alguém para odiar de verdade, no caso, os judeus. A ideia antissemita pegou tração no discurso populista.</p>
<p>Em nome do &ldquo;futuro brilhante da Nova Alemanha&rdquo;, o caminho pôde chegar até o extremo do Holocausto. E mesmo assim, como isso se justifica?</p>
<p>Se você não conhece as teorias psicológicas de Stanley Milgram, recomendo assistir ao filme <a href="http://www.imdb.com/title/tt3726704/"target="_blank" rel="noopener">The Experimenter (2015)</a> para entender.</p>
<div class="video-container">
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</div>
<p>Em resumo, o Experimento da Autoridade de Milgram, repetido inúmeras vezes ao longo dos anos, mostra que não é tão difícil quanto o senso comum imagina fazer um grupo de pessoas executar a coisa errada, mesmo com consciência disso, em nome de um &ldquo;bem maior&rdquo;.</p>
<p>Estou sendo simplista na explicação, claro, mas vale guardar isto: a maioria das pessoas reage com <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Herd_behavior"target="_blank" rel="noopener">comportamento de rebanho</a> (Herd Behavior).</p>
<p>Está perto da <a href="http://web.archive.org/web/20160424211624/http://administrador.pressbooks.com/chapter/a-lei-do-minimo-esforco/"target="_blank" rel="noopener">Lei do Mínimo Esforço</a>: afinal, por que gastar tempo pesquisando se algo é &ldquo;certo&rdquo; ou &ldquo;errado&rdquo;, quando é muito mais fácil seguir o que a &ldquo;maioria&rdquo; julga correto?</p>
<h3>&ldquo;Um Pouco de Conhecimento é Uma Coisa Perigosa&rdquo;<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="um-pouco-de-conhecimento-é-uma-coisa-perigosa"></span>
    <a href="#um-pouco-de-conhecimento-%c3%a9-uma-coisa-perigosa" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h3><p>A coisa mais perigosa de todas raramente é a ignorância completa. É &ldquo;um pouco de conhecimento&rdquo;, como já nos alertou o grande poeta Alexander Pope.</p>
<blockquote>
  <p>&ldquo;A little learning is a dangerous thing;
Drink deep, or taste not the Pierian spring :
There shallow draughts intoxicate the brain,
And drinking largely sobers us again.&rdquo; - Alexander Pope</p>

</blockquote>
<p>Uma das coisas que gosto de escrever é justamente esse alerta: não sabemos tudo, nunca saberemos tudo, e tudo o que sabemos pode estar errado. Se você viver com isso sempre em mente, estará seguro.</p>
<p>A <a href="https://www.youtube.com/watch?v=8nAos1M-_Ts"target="_blank" rel="noopener">Raiz de Todo o Mal</a>, os <a href="http://www.akitaonrails.com/2007/08/23/off-topic-inimigos-da-razo"target="_blank" rel="noopener">Inimigos da Razão</a>, é o que eu aponto faz tempo: o pensamento &ldquo;religioso&rdquo;.</p>
<p>E não digo isso para atacar a religião dos outros. A &ldquo;religião&rdquo; a que me refiro não é só Cristianismo, Judaísmo, Xintoísmo. É pior, é a <strong>Religião do Pouco Conhecimento</strong>.</p>
<p>Vemos exemplos disso todos os dias, basta ler as notícias:</p>
<ul>
<li><a href="http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2016-04/classicos-do-futebol-paulista-terao-torcida-unica-apos-brigas-e-morte-de-idoso"target="_blank" rel="noopener">Clássicos do futebol paulista terão torcida única após brigas e morte de idoso</a></li>
<li><a href="https://www.publico.pt/mundo/noticia/chines-condenado-a-morte-por-vender-mais-de-150-mil-documentos-secretos-1729477"target="_blank" rel="noopener">Chinês condenado à morte por vender mais de 150 mil documentos secretos</a></li>
<li><a href="http://cartacampinas.com.br/2016/04/criminalizacao-do-aborto-expoe-mulheres-a-morte-em-todas-as-classes-sociais-mostra-pesquisa/"target="_blank" rel="noopener">Criminalização do aborto expõe mulheres à morte em todas as classes sociais, mostra pesquisa</a></li>
<li><a href="http://www.sigamais.com/colunas/retrato/vacinar-ou-nao-vacinar-as-criancas-eis-a-questao/"target="_blank" rel="noopener">Vacinar ou não vacinar as crianças, eis a questão</a></li>
<li><a href="http://www.stuff.co.nz/world/australia/75950444/daughters-of-australian-scientists-who-took-their-own-lives-reflect-on-their-parents-plan"target="_blank" rel="noopener">Daughters of Australian scientists who took their own lives reflect on their parents&rsquo; plan</a></li>
</ul>
<p>Basta procurar por &ldquo;morte&rdquo; nas notícias e boa parte delas é resultado da ignorância ou, pior, do &ldquo;pouco conhecimento&rdquo; das pessoas. Isso não vai se resolver sozinho, mas já resolvemos milhares desses problemas. O século XX em diante foi um grande avanço na eliminação de preconceitos, conhecimentos ultrapassados e ignorância geral da população global.</p>
<p>O problema é que nenhuma dessas pessoas tem dúvida. Todas têm certeza de que estão certas e de que fazem o moralmente correto, dado o pouco que sabem.</p>
<p>A consequência é a dogmatização. E dogma é inquestionável. Você segue uma cartilha inquestionável? Então provavelmente já foi dogmatizado. Ninguém gosta de ser provado errado, ainda mais depois de acreditar numa mentira com afinco por muito tempo, porque ela vira parte da sua identidade. E quem quer ver a própria identidade quebrada?</p>
<h3>Cisnes Negros e o Antídoto do Pouco Conhecimento<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="cisnes-negros-e-o-antídoto-do-pouco-conhecimento"></span>
    <a href="#cisnes-negros-e-o-ant%c3%addoto-do-pouco-conhecimento" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h3><p>Finalmente chegamos ao ponto. Como se resolvem os problemas do mundo?</p>
<p>Com a &ldquo;filosofia científica&rdquo;. E não é preciso ser cientista para pensar assim.</p>
<p>O mundo é injusto, é um fato. É impossível resolver o problema de todo mundo de uma vez. Mas dá para resolver um problema de cada vez, ao longo do tempo. Sinto muito aos impacientes.</p>
<p>Acho que começa com uma coisa simples: raciocínio crítico que não se apoia em indução simples.</p>
<p>Para mim, <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Falseabilidade"target="_blank" rel="noopener">Karl Popper</a> ensinou uma das coisas mais valiosas do meu jeito de pensar. Eu não procuro falsos-gurus, falsos-especialistas, falsos-líderes, falsos-heróis nem falsos-ícones.</p>
<p><strong>Não preciso de ninguém de <a href="http://www.akitaonrails.com/2009/11/08/off-topic-obediencia-a-autoridade"target="_blank" rel="noopener">&ldquo;autoridade&rdquo;</a> para me dizer o que é certo. E também não preciso do consenso de uma &ldquo;maioria&rdquo; para validar minhas ações.</strong></p>
<p>Quando alguém advoga uma &ldquo;afirmação inviolável&rdquo;, &ldquo;a&rdquo; forma correta, seja pela tradição, pelas escrituras, pela vontade de uma entidade abstrata e amorfa como &ldquo;a sociedade&rdquo; ou &ldquo;as pessoas&rdquo;, ou pior, por &ldquo;provas invioláveis&rdquo;, eu sei que estou diante de um falso profeta.</p>
<p>A explicação para você se tornar incorruptível é simples. Deixe-me usar o exemplo clássico:</p>
<p><em>&ldquo;Imagine que todos os cisnes do mundo são brancos.&rdquo;</em></p>
<p>Digamos que sua afirmação venha do fato de que, nos 40 anos em que viveu, você, sua família e seus amigos só viram cisnes brancos com os próprios olhos. Sua conclusão natural e &ldquo;lógica&rdquo;, por &ldquo;indução&rdquo;, é extrapolar para uma lei geral e absoluta: <em>&ldquo;todos os cisnes do mundo são brancos&rdquo;</em>.</p>
<p>Isso vem do seu pouco conhecimento. Não importa se foram 40 anos. Não importa que você já tenha visto 1.000 cisnes na vida, todos brancos.</p>
<p>Você claramente nunca viajou para a Austrália ou para a Nova Zelândia, onde encontraria a variedade preta.</p>
<p>Pelo seu &ldquo;pouco conhecimento&rdquo;, você chegou a uma conclusão errada. E, pior, extrapolou e proferiu essa afirmação a outros, que agora pensam como você. A responsabilidade é sua.</p>
<p><em>&ldquo;Eu sei que vacinas são ruins porque eu ouvi casos de várias crianças que foram vacinadas e morreram, portanto nunca vou vacinar meus filhos.&rdquo;</em></p>
<p><em>&ldquo;Eu sei que remédios não funcionam mas homeopatia funciona, porque minhas tias usam faz anos e nunca tiveram problemas de saúde, portanto nunca vou usar remédios.&rdquo;</em></p>
<p><em>&ldquo;Eu sei que o capitalismo é coisa de gente maléfica, porque eu conheci empresários na minha cidade que exploravam meus amigos e vizinhos, portanto o sistema capitalista tem que cair.&rdquo;</em></p>
<p><em>&ldquo;Eu sei que o socialismo funciona, porque meus amigos que visitaram Cuba ficaram muito impressionados com o que ouviram dos hospitais de lá, e por isso acho que tinha que usar em todo lugar.&rdquo;</em></p>
<p>Você faz isso todos os dias: vê uma notícia de título chamativo, vê dezenas de &ldquo;Likes&rdquo;, concorda que está certa e ainda compartilha com mais gente, disseminando mentiras.</p>
<blockquote>
  <p>&ldquo;Uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade&rdquo; - Joseph Goebbels, Ministro da Propaganda Nazista</p>

</blockquote>
<p>O problema está na &ldquo;procura da verdade&rdquo;. Tirando os teoremas matemáticos, raramente é possível mostrar a prova correta de alguma coisa. Muitas vezes recorremos ao reverso, mostrar que algo é incorreto. Nenhuma quantidade de evidências prova uma teoria como verdade absoluta. O máximo que podemos fazer é <strong>&ldquo;desprovar&rdquo;</strong> uma teoria, e para isso basta uma única evidência que a refute.</p>
<blockquote>
  <p>&ldquo;Afirmações extraordinárias exigem evidências extraordinárias.&rdquo; - Carl Sagan, Cosmos</p>

</blockquote>
<p>E eu acrescento: nem mesmo com evidências extraordinárias dá para afirmar a descoberta de uma &ldquo;verdade absoluta&rdquo;. Dá apenas para dizer que temos conhecimento sólido o bastante para usar, e que pode ser desprovado a qualquer momento.</p>
<p>Vale ter esse conceito em mente, porque ele nos deixa mais fortes contra rumores, pseudociência, superstições, &ldquo;ditos comuns&rdquo;, tradição ultrapassada e todo tipo de falsa &ldquo;verdade&rdquo;.</p>
<p>Toda teoria que não oferece formas claras de desprová-la é uma teoria fraca e, certamente, não é científica. Toda afirmação que depende de uma divindade impossível de provar, de uma &ldquo;moral&rdquo; inviolável ou de uma autoridade &ldquo;inquestionável&rdquo; é pseudociência e está errada.</p>
<h3>A Moral Cinzenta dos &ldquo;Justiceiros Sociais&rdquo;<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="a-moral-cinzenta-dos-justiceiros-sociais"></span>
    <a href="#a-moral-cinzenta-dos-justiceiros-sociais" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h3><p>Esse é um assunto em que evito ao máximo me envolver, porque esta geração dos chamados Justiceiros Sociais (Social Justice Warriors, SJW) é particularmente perversa. <strong>Não todos!</strong> Apenas uma minoria pequena e muito influente. Verdadeiros lobos em pele de cordeiro.</p>
<p>Disclaimer: eu considero perverso quem luta por causas sociais? <strong>NÃO.</strong> Existem diversas iniciativas sociais legítimas, com excelentes resultados e com gente de afinco real em resolver um problema legítimo. Só desejo coisas boas a essas pessoas. Aqui falo apenas de quem as desvaloriza. O objetivo desta seção é separar o real do ilegítimo.</p>
<p>Não sou contra causas sociais, e a maioria das pessoas civilizadas também não é. Há muito o que fazer para continuar melhorando o mundo. E no último século nós o melhoramos de forma extraordinária, ainda mais se comparado aos séculos anteriores ao XX.</p>
<p>Ao contrário do que muitos dizem, e algo que repito desde 2013: <a href="http://www.akitaonrails.com/2013/01/02/off-topic-o-mundo-hoje-e-muito-bom-feliz-2013"target="_blank" rel="noopener">&ldquo;O Mundo Hoje está Melhor&rdquo;</a>. Acredite que o mundo está piorando e você vai começar a justificar atos perversos como moralmente corretos.</p>
<p>O mérito é do progresso contínuo de quem &ldquo;produz&rdquo;, não de eventos e movimentos pontuais. E roubar vai além de tirar de alguém um bem material. Dá para roubar bem mais que isso: o tempo, a moral, a mente e a liberdade de uma pessoa.</p>
<p>Roubo da liberdade é <strong>Escravidão</strong>.</p>
<p>Até o século XIX todo mundo precisava trabalhar arduamente só para garantir o sustento básico. Hoje temos uma sobra enorme, um surplus, porque descobrimos formas mais eficientes e as aplicamos para fins individuais. Isso acabou ajudando muito além do indivíduo que as criou. O motor a vapor, a eletricidade, a agricultura, a medicina, tudo criação de gente egoísta com o único objetivo de produzir, tornou o mundo ordens de magnitude melhor. Nenhuma revolução social da história pode reivindicar os mesmos resultados.</p>
<p>Você se importa em diminuir a pobreza? <a href="http://web.archive.org/web/20160424233853/http://www.libertarianismo.org/index.php/videos/milton-friedman-livre-mercado-melhor-pobres/"target="_blank" rel="noopener">Milton Friedman já explicava</a> por que o Livre Mercado é melhor para os pobres.</p>
<p>Existem só 3 liberdades básicas que realmente importam:</p>
<ol>
<li>o direito à liberdade de expressão;</li>
<li>o direito a produzir e manter para si o que se produz via trocas voluntárias, sem roubo ou escravidão;</li>
<li>o direito a procurar e conquistar seus próprios objetivos, sem obrigação de servir à vontade de outros.</li>
</ol>
<p>Um indivíduo produtivo &ldquo;egoísta&rdquo; tem um único objetivo, produzir, criar. Jamais roubar.</p>
<p>Ninguém tem o direito de <strong>restringir a liberdade</strong> de outra pessoa forçando a própria moral cinzenta, a própria agenda e os próprios objetivos, exceto pelo meio das &ldquo;trocas voluntárias&rdquo;. Nenhuma moral cinzenta tem o direito de justificar a imoralidade da escravidão de um indivíduo, por objetivo nenhum.</p>
<p>E aqui está o problema: o <strong>falso</strong> justiceiro social tem um único objetivo, ser um justiceiro social, ter a aceitação e a <strong>validação</strong> dos demais. Para isso, ele precisa que exista o sofrimento alheio, qualquer um, para justificar sua existência e sua <strong>identidade</strong>. Acabar com o sofrimento não é o objetivo dele. Se uma forma de sofrimento termina, logo será preciso outra para levantar uma causa, e esse é o círculo vicioso. O objetivo dele é se alimentar do sofrimento dos outros, escravizar esse sofrimento à validação da própria identidade.</p>
<p>Um produtor, um criador, nem sempre se interessa por &ldquo;causas&rdquo;, e certamente isso não é regra. Sejam quais forem os motivos, ele quer criar, e isso basta. Para o falso justiceiro, isso não basta: ele precisa tomar de quem produz em benefício de alguma &ldquo;causa&rdquo;. O justiceiro quer tirar o que você tem, e não o que ele mesmo tem, porque ele não produz, em nome de alguma moral cinzenta. E só pelas causas que interessam a ele. É a velha e eterna briga entre quem produz e quem toma, a moral cinzenta de Robin Hood.</p>
<p>É uma pena, porque isso desvaloriza quem de fato dedica a vida às causas sociais. Médicos, bombeiros, policiais, soldados e diversos <strong>anônimos</strong> que não gastam o tempo postando em rede social, julgando os outros e criando discórdia, mas trabalham em silêncio, sem esperar reconhecimento público.</p>
<p>Quer distinguir o justiceiro social real dos parasitas sociais? Procure pela <strong>ausência de busca por reconhecimento.</strong></p>
<p><a name="conclusao"></a></p>
<h3>Conclusão<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="conclusão"></span>
    <a href="#conclus%c3%a3o" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h3><p>O objetivo deste longo artigo? Apenas expor conceitos universais e os meus princípios pessoais, que são invioláveis e incorruptíveis. Os principais pontos:</p>
<ul>
<li>A única coisa realmente moral são as trocas voluntárias. Nunca forçar a escravidão, física ou moral, de qualquer indivíduo.</li>
<li>Não existe &ldquo;verdade&rdquo; decretada por um grupo ou por uma maioria. Existem ideias, umas válidas e outras inválidas. Mas se não forem falseáveis e refutáveis, provavelmente são falsas por premissa, não importa a moral aparente que representem nem a quantidade de &ldquo;evidências&rdquo; que juntem.</li>
<li>Não existe &ldquo;autoridade moral&rdquo;, esse é o domínio dos charlatães. Duvide de qualquer um que force a sua propriedade (sua ação é sua propriedade, sua liberdade é sua propriedade) em nome de qualquer &ldquo;causa&rdquo;, por mais justa que ela pareça. Não procure heróis.</li>
<li>A única coisa que nos tirou da Idade Média e nos lançou à modernidade foram as mentes que produziram para benefício próprio, sem exigir de forma unilateral a tomada da propriedade de ninguém, material ou mental.</li>
</ul>
<p>Veja o século XX e compare com o XIX e anteriores. Ninguém explicou isso melhor que Hans Rosling, da Gapminder:</p>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=jbkSRLYSojo"target="_blank" rel="noopener"><img src="https://akitaonrails.s3.amazonaws.com/assets/image_asset/image/540/big_Screenshot_from_2016-04-20_11_45_25.png" alt="Gapminder"  loading="lazy" /></a></p>
<p>Não vire vítima da minoria dos falsos justiceiros sociais. <a href="http://www.amazon.com/SJWs-Always-Lie-Taking-Thought-ebook/dp/B014GMBUR4"target="_blank" rel="noopener">Aprenda mais</a> sobre esse perigoso grupo Orwelliano, nada menos que a &ldquo;Polícia do Pensamento&rdquo; profetizada no universo despótico de <strong>1984</strong>. Esse tipo de pensamento não é novidade, existiu por todo o século XX, mas o advento da Internet e principalmente das Redes Sociais criou um ambiente selvagem onde reinam rumores, notícias falsas e pseudociência em geral. É onde o Racionalismo Crítico pode te salvar.</p>
<p>Princípios invioláveis e incorruptíveis são simples. No mundo axiomático da matemática, 2 + 2 é 4, e não há &ldquo;maioria&rdquo; nem grupo que, por clamor ou voto, mude esse resultado para 5 ou 6, não importa a moral ou a autoridade de quem clama. Você não precisa de validação! Você precisa, sim, assumir a responsabilidade pelas próprias ações e parar de justificar seus erros como resultado de seguir a moral cinzenta de outra pessoa.</p>
<p>Repetindo:</p>
<blockquote>
  <p>&ldquo;Eu nunca vivo por causa de outra pessoa e eu nunca peço a qualquer pessoa para viver por minha causa. Eu aceito somente trocas voluntárias para mútuo benefício.&rdquo;</p>

</blockquote>
<p>E com esse princípio vamos continuar a evoluir o século XXI como fizemos no XX, não importa quem tente nos roubar, quer você concorde com esta exposição ou não.</p>
<p>Já estamos fazendo isso.
</content>
</invoke></p>
]]></content:encoded><category>filosofia</category><category>pessoal</category><category>off-topic</category></item><item><title>[Off-Topic] Coletânea "Processos e Metodologias Não Vão Te Ajudar!"</title><link>https://akitaonrails.github.io/2015/01/07/off-topic-coletanea-processos-e-metodologias-nao-vao-te-ajudar/</link><guid isPermaLink="true">https://akitaonrails.github.io/2015/01/07/off-topic-coletanea-processos-e-metodologias-nao-vao-te-ajudar/</guid><pubDate>Wed, 07 Jan 2015 14:33:00 -0200</pubDate><description>&lt;p&gt;Este é um dos assuntos mais antigos que eu exploro neste blog. Muitos dos princípios e filosofias por trás dele estão nos meus famigerados (e longos) &lt;a href="http://www.akitaonrails.com/off-topic/"target="_blank" rel="noopener"&gt;Off-Topic&lt;/a&gt;. Como são muitos anos de posts, resolvi compilar o que considero as bases do que todos precisam saber sobre esse longo bikeshedding chamado &amp;ldquo;processos e metodologias&amp;rdquo;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Comece simples com o artigo que empresta título a esta coletânea, &lt;a href="http://www.akitaonrails.com/2013/05/24/processos-e-metodologias-nao-vao-te-ajudar"target="_blank" rel="noopener"&gt;Processos e Metodologias não vão te Ajudar&lt;/a&gt;, que publiquei nos blogs da Abril em 2011. É o ponto de partida para entender o que são processos, metodologias e procedimentos.&lt;/p&gt;</description><content:encoded><![CDATA[<p>Este é um dos assuntos mais antigos que eu exploro neste blog. Muitos dos princípios e filosofias por trás dele estão nos meus famigerados (e longos) <a href="http://www.akitaonrails.com/off-topic/"target="_blank" rel="noopener">Off-Topic</a>. Como são muitos anos de posts, resolvi compilar o que considero as bases do que todos precisam saber sobre esse longo bikeshedding chamado &ldquo;processos e metodologias&rdquo;.</p>
<p>Comece simples com o artigo que empresta título a esta coletânea, <a href="http://www.akitaonrails.com/2013/05/24/processos-e-metodologias-nao-vao-te-ajudar"target="_blank" rel="noopener">Processos e Metodologias não vão te Ajudar</a>, que publiquei nos blogs da Abril em 2011. É o ponto de partida para entender o que são processos, metodologias e procedimentos.</p>
<p>Em seguida, vá direto ao mais recente <a href="http://www.akitaonrails.com/2014/09/28/off-topic-agile-a-verdade-por-tras-do-metodo"target="_blank" rel="noopener">Agile: a Verdade por trás do Método</a> e entenda de uma vez: nenhuma metodologia ou receita mágica vai salvar membros incompetentes ou de mau caráter em nenhuma equipe. Depois de tentar melhorar postura e treinamento sem sucesso, você só livra o time desses elementos de uma forma: trocando os membros. Nada salva um <a href="http://www.akitaonrails.com/2009/03/30/off-topic-net-negative-producing-programmer"target="_blank" rel="noopener">Net Negative Producing Programmer</a>.</p>
<p>Muitos ficam com aquela sensação de &ldquo;desperdício&rdquo;, tipo <strong>&ldquo;puxa, mas já investimos tanto nele, e se investirmos mais um pouco?&rdquo;</strong>. Isso vem da falta de compreender que <a href="http://www.akitaonrails.com/2007/08/19/a-falcia-do-custo-perdido"target="_blank" rel="noopener">Custo Perdido</a> é melhor do que aumentar seu Custo de Oportunidade.</p>
<p>No mesmo tema &ldquo;Agile is Dead&rdquo;, ou, mais explicitamente, &ldquo;Agile-by-bikeshedding-consultants is Dead&rdquo;, vale relembrar o antigo tema de <a href="http://www.akitaonrails.com/2009/11/04/off-topic-o-problema-das-credenciais"target="_blank" rel="noopener">O problema das credenciais</a> e <a href="http://www.akitaonrails.com/2009/09/12/off-topic-a-argumenta--o-atrav-s-da-intimida--o"target="_blank" rel="noopener">A Argumentação através da Intimidação</a>. O cara da credencial tem o trabalho mais fácil do mundo: chega na sua empresa para implementar &ldquo;práticas&rdquo; que ele não pratica de verdade. E tentar implementar em uma ou meia dúzia de lugares é ridiculamente a mesma coisa que nada.</p>
<p>Quando &ldquo;parece&rdquo; que dá certo, ele coloca o caso na lista do portfolio como &ldquo;sucesso&rdquo;. Quando dá errado, diz &ldquo;você não fez direito&rdquo;. Péssimo.</p>
<p>Esqueçam nomes pomposos e diferentes escolas de metodologias. Tudo parte exatamente do mesmo princípio: <a href="http://www.akitaonrails.com/2008/12/16/off-topic-m-todo-cient-fico-vs-cargo-cult"target="_blank" rel="noopener">Método Científico vs Cargo Cult</a>, onde é claro que ninguém compreende o principal do método: ele não escolhe lados, nem torce por nenhum time.</p>
<p><strong>Não existe a frase &ldquo;está provado que funciona porque já vi funcionando em 100 lugares&rdquo;.</strong></p>
<p>Qualquer um que use uma frase similar a esta é claramente um amador. Pelo princípio da <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Falsifiability"target="_blank" rel="noopener">&ldquo;Falseabilidade&rdquo;</a> de Karl Popper, em vez de tentar provar que algo funciona, o melhor é tentar desprovar que ela funciona. Porque não importa quantas toneladas de evidências conseguimos acumular de que algo é verdadeiro, basta uma única evidência que a torne falsa pra destruir qualquer hipótese. É por isso que o corpo científico é robusto, não porque temos montanhas de evidências a seu favor, mas porque o que temos acumulado até hoje ainda não foi provado falso.</p>
<p>Porém, seres humanos são falíveis. Nosso cérebro não-racional, resquício de nossa longa evolução, ainda é excepcional em enxergar padrões onde eles não existem, como descrevo em <a href="http://www.akitaonrails.com/2008/03/01/off-topic-somos-matematicamente-ignorantes"target="_blank" rel="noopener">Somos Matematicamente Ignorantes</a> e <a href="http://www.akitaonrails.com/2013/06/21/processos-metodologias-e-o-cerebro-humano"target="_blank" rel="noopener">Processos, Metodologias e o Cérebro Humano</a>.</p>
<p>A hipótese mais aceita é que temos a tendência de confundir correlação com causalidade. Porque &ldquo;A&rdquo; veio antes de &ldquo;B&rdquo;, tendemos a achar que &ldquo;A&rdquo; causou &ldquo;B&rdquo;, e isso, na maioria das vezes, não é verdade. O mundo é mais aleatório do que gostaríamos de aceitar. Shit just happens.</p>
<p>Isso leva aos pseudo-intelectuais, que querem empurrar sua &ldquo;Dieta Southbeach&rdquo; da vez e se tornam meros trolls ou haters, como descrevo em <a href="http://www.akitaonrails.com/2013/10/30/off-topic-matematica-trolls-haters-e-discussoes-de-internet"target="_blank" rel="noopener">Matemática, Trolls, Haters e Discussões de Internet</a>. Eles criam mais e mais dietas, como falo em <a href="http://www.akitaonrails.com/2013/10/07/off-topic-desmontando-o-noestimates/"target="_blank" rel="noopener">#noEstimates Debunked</a>, <a href="http://www.akitaonrails.com/2013/05/31/desmistificando-o-metodo-kanban"target="_blank" rel="noopener">Desmistificando o método Kanban</a> e <a href="http://www.akitaonrails.com/2009/12/16/off-topic-cuidado-com-o-kanban-butt"target="_blank" rel="noopener">Cuidado com o Kanban-butt</a>.</p>
<p>E tudo isso que linkei acima é apenas a introdução da coisa mais importante de todas: seja cético o tempo todo, nada é automaticamente verdade, não importa quem esteja dizendo. E como Carl Sagan diria: <em>&ldquo;afirmações extraordinárias EXIGEM evidências extraordinárias&rdquo;</em>. No fim, sempre voltamos ao tema dos <a href="http://www.akitaonrails.com/2007/08/23/off-topic-inimigos-da-razo"target="_blank" rel="noopener">Inimigos da Razão</a>.</p>
<p>O problema é: se nada disso funciona, o que fazer? É bem mais fácil dizer o que está errado do que dizer o que fazer. O problema nunca foi a receita. Tudo se resume às decisões que você toma.</p>
<p>Cada decisão traz consequências, que levam a novos dilemas, que exigem mais decisões. Como Neo diria em Matrix Reloaded: &ldquo;O problema são as escolhas&rdquo;. Simplesmente não existe receita, dieta ou metodologia mágica que faça você tomar decisões melhores o tempo todo.</p>
<p>Existe uma vontade de buscar uma ferramenta externa, uma fonte externa de &ldquo;validação&rdquo;, que é uma das <a href="http://web.archive.org/web/20141029201958/http://startupi.com.br/2013/03/a-maioria-disse-que-usaria-meu-produto-vai-dar-certo-nao/"target="_blank" rel="noopener">piores palavras</a> inventadas nos últimos tempos. O detalhe é que decisões carregam <strong>consequências</strong>, e a maioria das pessoas simplesmente gostaria de não ter que assumi-las. Essa é a raiz do problema. É a <a href="http://web.archive.org/web/20150110212840/http://startupi.com.br/2014/02/o-dilema-da-nova-geracao-empreender-ou-arranjar-um-emprego/"target="_blank" rel="noopener">zona de conforto</a>: <a href="http://web.archive.org/web/20150404181526/http://startupi.com.br/2013/07/zona-de-conforto-sair-as-ruas-nao-e-a-unica-solucao/"target="_blank" rel="noopener">todos reclamam e querem coisas</a>, mas ninguém quer tomar decisões e, muito menos, encarar suas consequências.</p>
<p>A única forma de tomar decisões melhores é estudar e treinar, o máximo possível, o tempo todo, continuamente. <a href="http://www.akitaonrails.com/2014/05/02/off-topic-carreira-em-programacao-codificar-nao-e-programar"target="_blank" rel="noopener">Experiência não é fazer a mesma coisa 10 anos seguidos</a>, e sim se tornar muito bom em 10 coisas diferentes ao longo desses 10 anos. <a href="http://www.akitaonrails.com/2013/10/31/traducao-carta-para-um-jovem-programador-considerando-uma-startup"target="_blank" rel="noopener">Seguir a moda não vai te ajudar</a>, assim como seguir dietas mágicas. Elas te deixam um pouco mais magro no começo, e logo vem o rebote que te deixa mais gordo do que você era antes. É por isso que Processos e Metodologias não vão te ajudar.
</content>
</invoke></p>
]]></content:encoded><category>agile</category><category>gestao</category><category>filosofia</category><category>off-topic</category></item><item><title>[Off-Topic] NÃO Faça o que Você ("ACHA") que Ama</title><link>https://akitaonrails.github.io/2014/09/13/off-topic-nao-faca-o-que-voce-acha-que-ama/</link><guid isPermaLink="true">https://akitaonrails.github.io/2014/09/13/off-topic-nao-faca-o-que-voce-acha-que-ama/</guid><pubDate>Sat, 13 Sep 2014 17:04:00 -0300</pubDate><description>&lt;p&gt;Hoje eu li uma &lt;a href="http://www.businessinsider.com/andreessen-whatever-you-do-dont-follow-your-passion-2014-5"target="_blank" rel="noopener"&gt;série de tweets de Marc Andreessen&lt;/a&gt; onde ele começa dizendo o seguinte:&lt;/p&gt;
&lt;blockquote&gt;
"Faça o que ama"/"Siga sua paixão" é um conselho perigoso e pode destruir sua carreira.
&lt;/blockquote&gt;
&lt;p&gt;Outra celebridade reconhecida nos EUA é Mark Cuban, dono do Dallas Mavericks que, em 2012, &lt;a href="http://blogmaverick.com/2012/03/18/dont-follow-your-passion-follow-your-effort/"target="_blank" rel="noopener"&gt;disse a mesma coisa&lt;/a&gt;:&lt;/p&gt;
&lt;blockquote&gt;
"Não siga sua paixão, siga seu esforço."
&lt;/blockquote&gt;
&lt;p&gt;Ao que indica, o famoso Confúcio disse pela primeira vez a frase que se tornaria um dos maiores clichês para jovens, saindo da adolescência e tendo que encarar a vida adulta de responsabilidades reais:&lt;/p&gt;</description><content:encoded><![CDATA[<p>Hoje eu li uma <a href="http://www.businessinsider.com/andreessen-whatever-you-do-dont-follow-your-passion-2014-5"target="_blank" rel="noopener">série de tweets de Marc Andreessen</a> onde ele começa dizendo o seguinte:</p>
<blockquote>
"Faça o que ama"/"Siga sua paixão" é um conselho perigoso e pode destruir sua carreira.
</blockquote>
<p>Outra celebridade reconhecida nos EUA é Mark Cuban, dono do Dallas Mavericks que, em 2012, <a href="http://blogmaverick.com/2012/03/18/dont-follow-your-passion-follow-your-effort/"target="_blank" rel="noopener">disse a mesma coisa</a>:</p>
<blockquote>
"Não siga sua paixão, siga seu esforço."
</blockquote>
<p>Ao que indica, o famoso Confúcio disse pela primeira vez a frase que se tornaria um dos maiores clichês para jovens, saindo da adolescência e tendo que encarar a vida adulta de responsabilidades reais:</p>
<blockquote>
"Faça o que você ama e o dinheiro vem em seguida."
</blockquote>
<p>Aliás, Confúcio é meio que um genérico pra tudo: não sabe quem disse? Diga que é de Confucius. (Aliás, o disclaimer de sempre: só porque eu citei pessoas não significa que concordo com elas ou com tudo que dizem, são meras referências!)</p>
<p>Além de Mark Cuban, Marc Andreessen, diversos outros já levantaram o assunto antes, e recomendo que você leia o <a href="https://medium.com/@rachelnabors/dont-do-what-you-love-41312c943e2"target="_blank" rel="noopener">&ldquo;Don’t do what you love.&rdquo;</a> da cartunista Rachel Nabors, onde ela conclui como uma nova frase:</p>
<blockquote>
"Apenas não faça o que você odeia."
</blockquote>
<p>No reconhecido site Slate, Miya Tokumitsu também escreveu <a href="http://www.slate.com/articles/technology/technology/2014/01/do_what_you_love_love_what_you_do_an_omnipresent_mantra_that_s_bad_for_work.2.html"target="_blank" rel="noopener">&ldquo;In the Name of Love&rdquo;</a> onde inicia com o excelente subtítulo ao artigo:</p>
<blockquote>
Elites abraçam o mantra "faça o que ama". Mas isso desvaloriza o trabalho e machuca os trabalhadores.
</blockquote>
<p>Devo dizer que fiquei até um pouco surpreso de que este assunto também esteja no Brasil. Em março de 2014, Daniela Carasco escreveu o artigo &ldquo;5 razões pelas quais o &lsquo;faça o que ama&rsquo; não é a solução&rdquo;, publicado pela EXAME.com, falando de Bárbara Castro, socióloga especialista em questões do trabalho e professora do curso de sociopsicologia da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP). E ela também já identificou o óbvio que muitos ainda se mantém cegos a respeito:</p>
<blockquote>
Segundo ela, o grande problema da narrativa do “ame o que você faz” é que ela está vinculada a um discurso de felicidade que é “estar no topo da montanha russa o tempo inteiro”. Como se uma vida normal, cotidiana, rotineira não pudesse ser uma vida de satisfação. Tudo isso torna esse cenário preocupante.
</blockquote>
<p>Finalmente, a blogueira Dani Arrais analisou o assunto em Fevereiro de 2014 em seu post <a href="http://web.archive.org/web/20140707104721/http://contente.vc/blog/a-armadilha-do-faca-o-que-voce-ama/"target="_blank" rel="noopener">&ldquo;A ARMADILHA DO “FAÇA O QUE VOCÊ AMA”&rdquo;</a> que coincidentemente também é amiga da mesma socióloga Bárbara Castro (algo me diz que eu deveria procurar conhecê-la), e ela diz:</p>
<blockquote>
A gente precisa ser feliz o tempo todo com o trabalho que a gente faz? Ainda que a gente ame o que a gente faça? Não podemos sofrer com as contradições que esse trabalho nos impõe? Porque não podemos assumir que ele não faz sentido? A quem isso interessa? 
</blockquote>
<p>Você pode estar confuso lendo tudo isso, imagino que a grande maioria dos meus leitores sempre se identificou com o mantra do &ldquo;Faça o que Ama&rdquo;. Afinal, se está num blog que fala de Ruby e, em menor ênfase, de tecnologia em geral e empreendedorismo, provavelmente é porque &ldquo;ama&rdquo; os assuntos Ruby, Tecnologia ou Empreendedorismo.</p>
<p>E provavelmente lê o que posto porque assume que eu seja &ldquo;apaixonado&rdquo; por esses assuntos. E aqui vem a parte importante:</p>
<ul>
<li>Eu não amo Ruby ou programação</li>
<li>Eu não amo empreender ou ser dono de uma empresa</li>
<li>Eu não amo tecnologia ou os equipamentos que compro</li>
<li>Eu não amo escrever ou o tempo que gasto nisso</li>
</ul>
<p>E sendo sincero, ao longo dos anos, por causa desse mantra tão repetido, tantas tentativas de lavagem cerebral, por algumas vezes eu quase sucumbi e acreditei nessa ideia, mas felizmente eu sempre consegui me trazer de volta. E eu não tenho nenhum problema em dizer que eu não amo nenhuma dessas coisas.</p>
<p>Mas se for assim, você poderia querer me perguntar:</p>
<ul>
<li>Por que tanto esforço em escrever tanto sobre esses assuntos? (1000 posts!)</li>
<li>Por que tanto esforço em trabalhar em programação? (quase 20 anos!)</li>
<li>Por que tanto esforço em organizar eventos? (7 Rubyconf Brasil!)</li>
<li>Por que tanto esforço em viajar o país para evangelizar esses assuntos? (mais de 100 palestras!)</li>
<li>Por que tanto esforço em criar uma empresa? (6 anos em consultoria, 3 anos na minha própria!)</li>
</ul>
<p>Vou tentar responder no final. E não há nada de errado com o que você acha que gosta, ama ou está apaixonado. A ideia do artigo não é dizer porque isso é &ldquo;errado&rdquo;, é apenas a forma como a frase é usada que quero explorar dentro do meu próprio contexto pessoal.</p>
<p>Antes de mais nada, não siga conselhos cegamente. A primeira vez que entendi esse conceito de forma consciente foi assistindo o famoso vídeo viral do começo do século, <a href="https://www.youtube.com/watch?v=xfq_A8nXMsQ"target="_blank" rel="noopener">Everybody&rsquo;s Free to Wear Sunscreen</a> onde um dos trechos diz o seguinte:</p>
<blockquote>
Cuidado com quais conselhos você acredita, mas seja paciente com aqueles que os dão.
</blockquote>
<blockquote>
Conselho é uma forma de nostalgia. Distribuí-lo é uma forma de pescar o passado do lixo, limpá-lo, pintar as partes feias e reciclá-lo por mais do que vale.
</blockquote>
<p>Isso dito, não quero aconselhá-los sobre o que devem fazer, mas quero explicar alguns pontos que podem passar batido.</p>
<h2>Primeiro, o Óbvio.<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="primeiro-o-óbvio"></span>
    <a href="#primeiro-o-%c3%b3bvio" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Antes de mais nada, se você pensa &ldquo;Faça o que ama&rdquo; está na verdade pensando &ldquo;Faça APENAS o que ama&rdquo;.</p>
<ul>
<li>&ldquo;Eu não amo acordar cedo&rdquo;</li>
<li>&ldquo;Eu não amo obedecer ordens&rdquo;</li>
<li>&ldquo;Eu não amo pegar trânsito&rdquo;</li>
</ul>
<p>E essa lista vai crescer, porque existem milhões de coisas que precisamos fazer mas, obviamente, não &ldquo;amamos&rdquo;. No fundo, a mais genérica seria: &ldquo;Eu não gosto de fazer nada (trabalhar)&rdquo;. Só não sei como disso se deriva o outro grande clichê de nossos tempos:</p>
<blockquote>
"Vou virar meu próprio chefe para seguir minhas próprias paixões e não o sonho dos outros".
</blockquote>
<p>A ironia é que se alguém acredita nisso já está seguindo o sonho de quem fez essa frase da primeira vez. Você já está vivendo o sonho de outra pessoa, quer você queira ou não. Pense nisso.</p>
<p>Frases como essa levam naturalmente a outras falácias da auto-ajuda. Uma das mais famosas certamente seria o tenebroso e perigoso <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/The_Secret_%28book%29"target="_blank" rel="noopener">&ldquo;The Secret&rdquo;</a>, cuja definição seria o seguinte (segundo a Wikipedia):</p>
<p>The Secret afirma que a lei da atração é uma lei natural que determina a ordem completa do universo e de nossas vidas pessoais através do processo de &ldquo;igual atrai igual&rdquo;. A autora afirma a forma como pensamos e sentimos, uma frequência correspondente é enviada ao universo e isso atrai de volta eventos e circunstâncias da mesma frequência. (&hellip;) e você pensar positivamente, vai atrair eventos e circunstâncias positivas. Os proponentes clamam que resultados desejáveis como saúde, riqueza e felicidade podem ser atraídos mudando seus pensamentos e sentimentos.</p>
<p>A ideia de &ldquo;fazer o que ama&rdquo; está inequivocadamente interligada com o &ldquo;pensar positivo para atrair positivo&rdquo;, mesmo que racionalmente tentar coisas como &ldquo;largar tudo pra perseguir o que ama&rdquo;, pra dar certo, tem as mesmas chances de ganhar na loteria. E quem pensa desta forma, deveria olhar pra criança da foto abaixo e dizer a ela:</p>
<blockquote>"Você certamente não está pensando positivo o suficiente."</blockquote>
<p><img src="https://akitaonrails.s3.amazonaws.com/assets/image_asset/image/472/29261592-CA3A-44F4-B812-BC70D802F154_cx0_cy5_cw0_mw1024_s_n.jpg" alt="Criança com Fome"  loading="lazy" /></p>
<p>Exagero? Nem tanto, é o mesmo resultado: você acreditou cegamente numa ideia, sem pensar nela. Fazemos isso todos os dias, e eu sei que é necessário um esforço consciente, grande, para não ser vítima disso. Eu mesmo já quase acreditei nessas ideias.</p>
<p>Segure o que você quer trolar nos comentários neste instante: eu não estou dizendo que pensar positivo é errado, que perseguir seus sonhos é errado ou que fazer o que gosta é errado! Acompanhem até o final.</p>
<h2>Segundo, o que você Ama?<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="segundo-o-que-você-ama"></span>
    <a href="#segundo-o-que-voc%c3%aa-ama" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Qual a diferença de Paixão e Amor? E o que é Paixão? E o que é Amor?</p>
<p>Estas são perguntas que a humanidade já passou milênios explorando e ainda deve explorar por mais alguns milênios. Quantos poemas, literaturas, músicas, pinturas, esculturas, discursos, revoluções já não aconteceram por causa de Paixão e Amor? Não será este post num mero blog onde você encontrará uma resposta, e este autor nem tem a presunção de imaginar que sabe a resposta.</p>
<p>Mas para efeito de continuar este texto, gosto deste <a href="http://www.differencebetween.net/miscellaneous/difference-between-love-and-passion/"target="_blank" rel="noopener">pequeno resumo</a>:</p>
<ul>
<li>Amor é um estado de modo de vida, enquanto paixão é um estado de ser.</li>
<li>Paixão dura por pouco tempo, mas Amor dura mais tempo.</li>
<li>No Amor, entendimento profundo é a essência, enquanto paixão não a requer.</li>
</ul>
<p>Releia a frase &ldquo;Faça o que Ama&rdquo;, ou similares como &ldquo;Siga sua paixão&rdquo;.</p>
<p>Você é apaixonado ou ama muitas coisas ao mesmo tempo. E isso muda com o tempo. Raramente você encontra algo ou alguém que vai amar pra sempre (e só vai saber disso perto da sua morte).</p>
<p><strong>APENAS</strong> seguir algo que muda o tempo todo é uma corrida sem propósito. E o único resultado garantido é que você vai se frustrar de maneira pior.</p>
<p>Mas isso significa que deveríamos ignorar nossas paixões? Claro que não. Só estou dizendo que achar que a vida deve ser preenchida somente pelo que te apaixona, ignorando todo o resto do mundo, é uma postura absolutamente infantil.</p>
<p>É como qualquer criança empolgada com o Nintendo 64, que passa dias sem tomar banho, sem dormir, sem falar com ninguém e sem querer ir pra escola, porque está profundamente apaixonada por aquilo. E, como todos sabemos, a maioria enjoa em alguns dias. Semanas depois, o objeto de desejo tão apaixonante está num canto do armário pegando pó, e a criança já procura o que amar em seguida, em todo dia das crianças, aniversário e Natal.</p>
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</div>
</div>
<p>Fazer &ldquo;SOMENTE&rdquo; o que &ldquo;ACHA&rdquo; que &ldquo;AMA&rdquo; (veja as ênfases nesta frase), significa simplesmente ignorar o mundo real. Ignorar escovar os dentes, ignorar ir pra escola, ignorar trabalhar, ignorar responsabilidades, que é o que todo adulto chamaria de &ldquo;ainda é uma criança&rdquo;.</p>
<h2>Terceiro, o que Eu amo?<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="terceiro-o-que-eu-amo"></span>
    <a href="#terceiro-o-que-eu-amo" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Falando dessa forma parece outro clichê: o de que um adulto é uma criança que deixou suas paixões de lado. Daí talvez venha a evolução mais tardia, onde &ldquo;adultos&rdquo; de 30 anos ainda tentam ser as mesmas crianças que foram um dia.</p>
<p>Isso normalmente significa ser irresponsável, egocêntrico e anti-social, já que o tal &ldquo;mundo adulto&rdquo; exige responsabilidade, colaboração, interação e compromissos. Ninguém &ldquo;ama&rdquo; esse tipo de coisa, ninguém ama &ldquo;negociar meio termo&rdquo;. Toda criança quer tudo ou nada.</p>
<p>Se você é um leitor que me acompanhou nos últimos 8 anos, até este post 1001 (que meus amigos carinhosamente já pré-apelidaram que deveria ser o &ldquo;post bombril, de 1.001 utilidades&rdquo;), talvez tenha uma ideia sobre o que quero dizer agora.</p>
<p>E agora vem um disclaimer: não me citem dizendo que esta é a solução ou a resposta. O que vou dizer agora é absolutamente pessoal.</p>
<p>Eu de fato persigo algumas de minhas &ldquo;paixões&rdquo;, como todo ser humano eu me apaixono muito fácil por muita coisa. Significa que eu me frustro muito também, o tempo todo. Sou humano: me corte e eu sangro. E muito do que gosto são supérfluos, e a diferença talvez seja que faz muito tempo que eu entendi que são supérfluos. Ou seja, eu cometo erros, tropeço, caio, o tempo todo, e aprendo como me levantar todas as vezes.</p>
<p>Eu sou apaixonado por tecnologia, por programação, pelos métodos, pelos processos. E ao mesmo tempo elas me frustram, me deixam chateado, me deixam frustrado, me deixam irritado e com vontade de jogar tudo fora. Como toda paixão sempre é.</p>
<p>Eu sou apaixonado por comunicação, por sociologia, por pessoas, por compartilhar conhecimento, seja escrevendo, seja palestrando. E novamente, isso me deixa cansado, estressado, frustrado quando não me entendem, chateado quando assumem coisas sem perguntar, mas novamente, é como uma paixão deve ser.</p>
<p>Mas como disse no começo, não Amo nenhuma dessas coisas. Elas não são meus &ldquo;objetivos de vida&rdquo; ou definições da minha identidade ou qualquer coisa filosófica desse tipo. São coisas que gosto, que persigo, que me trazem ao mesmo tempo prazer e sofrimento, e que são meios para outro fim, e que não é me fazer &ldquo;feliz&rdquo; (no sentido de estar confortável no curto prazo, como é pra todo mundo).</p>
<p>Estar feliz o tempo todo é o domínio dos drogados em LSD. Já viu alguém que é honestamente feliz 100% do tempo? Isso é impossível. E achar que seu trabalho deve ser sua maior paixão só vai trazer como resultado um estado de miséria e frustração que é domínio dos psicólogos e psiquiatras, o domínio dos calmantes e anti-depressivos.</p>
<p><img src="http://akitaonrails.s3.amazonaws.com/files/tumblr_mm91vjRkJx1rr5fnmo1_500.gif" alt="Pokemon LSD"  loading="lazy" /></p>
<p>(Aliás, se eu fosse neurótico, quase concluiria que frases de auto-ajuda como a discutida aqui é uma Conspiração dos Psiquiatras pra gerar mais Depressivos. #troll)</p>
<p>Ninguém nunca deveria estar &ldquo;confortável&rdquo; ou &ldquo;feliz&rdquo; 100% do tempo. Paixões, Amor, Felicidade, sempre são um balanço dinâmico entre coisas que te satisfazem e coisas que não te satisfazem. Não dá para ter Luz sem existir Escuridão. Não dá para existir saciação sem existir fome. Não dá para existir calor sem existir o frio.</p>
<p>Outra frase derivada é <em>&ldquo;Ame o que faz&rdquo;</em> mas isso é um exagero. Eu penso de outra forma que acho que foi minha mãe quem me disse pela primeira vez e que é verdadeiro:</p>
<blockquote>
"Não importa o que está fazendo, mas já que está fazendo, faça o melhor possível."
</blockquote>
<p>Confucius não disse somente a frase que dá origem a este post. Talvez você se lembre de Confucionismo e que os antigos orientais talvez já tenham definido isso melhor: <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Yin_and_yang"target="_blank" rel="noopener">Yin e Yang</a>, o conceito de como coisas opostas ou forças contrárias são na realidade complementares, interconectadas e interdependentes no mundo natural, e como uma dá origem à outra. Yin e Yang podem ser vistas como complementares em vez de opostas, que interagem num sistema dinâmico onde o todo é maior que a soma das partes.</p>
<p>Sem nunca ter sofrido, como é possível saber o que é felicidade?</p>
<h2>Minha Conclusão<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="minha-conclusão"></span>
    <a href="#minha-conclus%c3%a3o" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>No final, Ruby, programação, tecnologia, projetos, empreendedorismo, palestras, blog e tudo isso são apenas meios que não definem o que eu realmente gosto e sempre gostei: aprender e me aprimorar, puramente.</p>
<p>Se você pelo menos alguma vez ouviu falar de Agilidade, Lean, Kanban, Toyota (temas recorrentes neste blog) vai lembrar do conceito japonês de <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Kaizen"target="_blank" rel="noopener">Kaizen (改善)</a> ou &ldquo;melhoria contínua&rdquo;. Pra mim é algo consciente. Me lembro de quando era criança ver uma coisa muito simples numa alegoria: como um ninja consegue pular tão alto e até por cima de uma árvore (nos desenhos)? Simples: ele começa pulando um matinho no chão, depois um pequeno arbusto, e assim por diante.</p>
<p>Perfeição não é um objetivo atingível, melhoria contínua é o processo infinito para um objetivo inalcançável. E o que eu amo é o desafio de melhorar um aspecto de cada vez em cada uma das capacidades que eu tenho hoje (programar, comunicar, ensinar, produzir).</p>
<p>Meu fundamento é que eu sou apaixonado por produzir, e tudo que eu produzo é não mais do que um rascunho do conhecimento que eu tenho hoje, e sempre pior do que eu posso produzir amanhã. Minha única, verdadeira, &ldquo;paixão&rdquo; é a certeza de que eu nunca vou ser realmente &ldquo;bom&rdquo; e que eu sou hoje um pouco melhor do que fui ontem. Só isso. Não importa agora se estou fazendo um projeto de programação ou escrevendo este post ou se amanhã eu decidir pintar quadros.</p>
<p>Aprender significa que eu não gosto de coisas fáceis. Tudo aquilo que todo mundo diz que é difícil, chato, que nunca faria, ou que não consegue fazer, naturalmente me atraem. Porque eu gosto de resolver problemas, que é uma das melhores formas de testar o que eu sei. Fazer o que todo mundo já sabe não me dá nenhum prazer.</p>
<p>Em particular eu gosto de produzir algo que é útil para alguém. Seja um post ou uma palestra que ajudou alguém a aprender alguma coisa, seja uma oportunidade de trabalho que alguém pode usar para seus próprios objetivos, seja um projeto que um cliente pode usar para atingir seus objetivos.</p>
<p>No fundo, tenho a impressão que se pudesse resumir é que eu amo e sou apaixonado não pelo &ldquo;o que&rdquo; eu faço mas o &ldquo;como&rdquo; eu faço. Principalmente quando há obstáculos no que seria o &ldquo;como ideal&rdquo; e como eu posso resolver esse problema para atingir o &ldquo;o que&rdquo;. O &ldquo;o que&rdquo; não é a parte que me interessa mais.</p>
<p>A frase &ldquo;Faça o que ama&rdquo; é sempre levada pra &ldquo;Faça &lsquo;apenas&rsquo; o que ama&rdquo; e o que quis resumir foi: &ldquo;Não faça &lsquo;apenas&rsquo; o que &lsquo;acha&rsquo; que ama&rdquo;. Só isso.</p>
<p>Meu <strong>único</strong> princípio inviolável é viver através de trocas voluntárias para mútuo benefício. Por isso mesmo nada do que eu digo são verdades absolutas e invioláveis, mas ensinamentos de como pensar, como contra-argumentar, como ser consciente, como ser um indivíduo que não vive pelos clichês dos outros. Não quero seguidores cegos da mesma forma como não quero e não preciso de ídolos carismáticos para seguir.</p>
<p>Espero que este possa ser meu legado.</p>
]]></content:encoded><category>carreira</category><category>filosofia</category><category>pessoal</category><category>off-topic</category></item><item><title>[Off-Topic] Alguém importante deixou a comunidade! E agora??</title><link>https://akitaonrails.github.io/2014/07/06/off-topic-alguem-importante-deixou-a-comunidade-e-agora/</link><guid isPermaLink="true">https://akitaonrails.github.io/2014/07/06/off-topic-alguem-importante-deixou-a-comunidade-e-agora/</guid><pubDate>Sun, 06 Jul 2014 20:38:00 -0300</pubDate><description>&lt;p&gt;Esta semana um conhecido desenvolvedor da comunidade Node.js declarou estar deixando o barco. Foi &lt;a href="https://medium.com/code-adventures/farewell-node-js-4ba9e7f3e52b"target="_blank" rel="noopener"&gt;TJ Holowaychuk&lt;/a&gt;, um dos contribuidores mais prolíficos dessa comunidade. Como era de se esperar, a notícia gerou controvérsia, discussão e gente se desesperando.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Se você é um programador experiente, não precisa de mim para ouvir isso. Mas se as notícias recentes deixaram você inseguro, talvez o que eu tenho a dizer traga alguma perspectiva.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Antes, quero compartilhar outros artigos que li nos últimos dias:&lt;/p&gt;</description><content:encoded><![CDATA[<p>Esta semana um conhecido desenvolvedor da comunidade Node.js declarou estar deixando o barco. Foi <a href="https://medium.com/code-adventures/farewell-node-js-4ba9e7f3e52b"target="_blank" rel="noopener">TJ Holowaychuk</a>, um dos contribuidores mais prolíficos dessa comunidade. Como era de se esperar, a notícia gerou controvérsia, discussão e gente se desesperando.</p>
<p>Se você é um programador experiente, não precisa de mim para ouvir isso. Mas se as notícias recentes deixaram você inseguro, talvez o que eu tenho a dizer traga alguma perspectiva.</p>
<p>Antes, quero compartilhar outros artigos que li nos últimos dias:</p>
<ul>
<li>
<p><a href="http://www.mikeperham.com/2014/07/02/my-next-chapter/"target="_blank" rel="noopener">My Next Chapter</a>: a declaração de <a href="http://web.archive.org/web/20150321122529/https://plus.google.com/118252393888359805350"target="_blank" rel="noopener">Mike Perham</a>, um dos rubistas mais conhecidos desta geração e criador do onipresente e excelente Sidekiq. Ele não abandona o projeto; conta que está tocando um produto novo, e esse produto não envolve Ruby.</p>
</li>
<li>
<p><a href="http://www.ianbicking.org/blog/2014/02/saying-goodbye-to-python.html"target="_blank" rel="noopener">Saying Goodbye To Python</a>: aqui foi o pythonista Ian Bicking, que declarou trocar Python por JavaScript, seguindo a onda do momento. Vale entender que a bolha atual de JavaScript não &ldquo;exige&rdquo; que você &ldquo;abandone&rdquo; nada. Dá para ser pythonista e usar JavaScript ao mesmo tempo, sem conflito.</p>
</li>
<li>
<p><a href="http://blog.jonathanoliver.com/why-i-left-dot-net/"target="_blank" rel="noopener">Why I Left the .Net Framework</a>: o desenvolvedor Jonathan Oliver resolveu explicar por que está deixando a tecnologia do dia a dia e aponta os prós e contras das ferramentas Microsoft. Nada de trollagem; é uma leitura bem interessante.</p>
</li>
<li>
<p><a href="https://medium.com/tales-from-6w/java-again-5de2c1aa6857"target="_blank" rel="noopener">Java Again</a>: quem é das primeiras gerações da comunidade Java lembra de James Duncan Davidson, criador nada menos que do primeiro Tomcat e do Ant. Ele deixou o Java, passou um tempo na comunidade Ruby e se dedicou à fotografia (procure as fotos das RubyConf de oito anos atrás e vai ver que as oficiais são todas dele). Agora declarou que está voltando ao Java.</p>
</li>
<li>
<p><a href="http://yager.io/programming/go.html"target="_blank" rel="noopener">Why Go Is Not Good</a>: como o nome diz, é uma crítica que argumenta que uma linguagem recém-lançada deveria ter sido melhor pensada para cobrir casos que outras linguagens já resolvem.</p>
</li>
<li>
<p><a href="http://jaredly.github.io/2014/03/22/rust-vs-go/"target="_blank" rel="noopener">Rust vs Go</a>: de novo com um certo tom de &ldquo;dor de cotovelo&rdquo;. Rust realmente parece uma tecnologia superior a Go em design de linguagem e recursos, e o texto demonstra a frustração de ver Go mais popular mesmo assim.</p>
</li>
<li>
<p><a href="http://outspeaking.com/words-of-technology/why-perl-didnt-win.html"target="_blank" rel="noopener">Why Perl Didn&rsquo;t Win</a>: leitura obrigatória sobre as circunstâncias de uma das linguagens mais populares do fim dos anos 80 ao fim dos anos 90, que caiu no esquecimento e no desuso. Até o Swift, lançado pela Apple semanas atrás, já tem mais usuários ativos que o Perl 6. Uma das conclusões: qualquer coisa nova precisa mirar os problemas do futuro, não os do passado.</p>
</li>
</ul>
<p>Quem é das primeiras gerações das comunidades Ruby e Rails vai lembrar dos &ldquo;traumas&rdquo; que passamos:</p>
<ul>
<li>
<p><a href="http://web.archive.org/web/20140709000638/http://www.akitaonrails.com/2008/1/1/zed-shaw-vs-rails"target="_blank" rel="noopener">Zed is Not Dead</a>: de 2008, quando um dos nossos desenvolvedores mais prolíficos, Zed Shaw, criador do Mongrel e um dos primeiros a encarar o desafio de medir e otimizar a performance do Ruby, declarou que estava deixando a comunidade e migrando para Python.</p>
</li>
<li>
<p><a href="http://web.archive.org/web/20140709094857/http://www.akitaonrails.com/2008/12/23/bomba-merb-e-rails-se-fundem"target="_blank" rel="noopener">Bomba: Merb e Rails se fundem!</a>: também de 2008, quando a equipe do Merb estava em rota de colisão com o Core do Rails. A solução, feliz para muitos e infeliz para alguns poucos, foi engolir o Merb dentro do Rails 3, e ela deixou mortos e feridos. Em retrospecto, vale ler <a href="http://web.archive.org/web/20140626092759/http://merbist.com/2012/02/29/learning-from-rails-failures/"target="_blank" rel="noopener">&ldquo;Learning from Rails&rsquo; failures&rdquo;</a>, de Matt Aimonetti (que também migrou para Go) e que está entre os feridos dessa insurgência, e <a href="http://gilesbowkett.blogspot.fr/2014/06/the-railsmerb-merge-in-retrospect.html"target="_blank" rel="noopener">&ldquo;The Rails/Merb Merge In Retrospect&rdquo;</a>, de Giles Bowkett (ainda rubista), que analisa os resultados com olhar bem crítico.</p>
</li>
<li>
<p><a href="http://www.akitaonrails.com/2011/04/16/twitter-muda-de-ruby-para-java-ruby-e-3x-mais-lento-que-java"target="_blank" rel="noopener">Twitter muda de Ruby para Java</a>: de 2011, quando o Twitter declarou que estava substituindo as partes da infraestrutura de mensagens escritas em Ruby por uma solução proprietária em Scala. O que a notícia original dizia e o que as pessoas escolheram memorizar são coisas diferentes, mas o fato é que aquilo virou uma bela dor de cabeça de relações públicas para nós. Felizmente já passou.</p>
</li>
</ul>
<p>E esses são só os links que li e lembro de cabeça. Existem dezenas de outros.</p>
<p>Quem ainda é jovem ou inexperiente em comunidades de software, em especial quem é novo no Node.js, deve estar se perguntando: <em>&ldquo;E agora? Se alguém importante como o TJ diz que está saindo, eu não deveria sair também?&rdquo;</em> Se fizer sua pesquisa direito, vai ver que não é a primeira vez. Em 2012, o criador do Node.js, <a href="http://venturebeat.com/2012/01/30/dahl-out-mike-drop/"target="_blank" rel="noopener">Ryan Dahl declarou</a> que continuaria acompanhando o projeto, mas não estaria mais no dia a dia de codificação. <em>&ldquo;Putz, o mundo acabou!&rdquo;</em></p>
<h2>Isto não é uma Má Notícia. Esta é uma Excelente Oportunidade! (Sério!)<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="isto-não-é-uma-má-notícia-esta-é-uma-excelente-oportunidade-sério"></span>
    <a href="#isto-n%c3%a3o-%c3%a9-uma-m%c3%a1-not%c3%adcia-esta-%c3%a9-uma-excelente-oportunidade-s%c3%a9rio" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Em 2006, quando eu estava começando minha militância no mundo Ruby e Rails, eu já sabia o que vinha pela frente. Éramos os novatos, imaturos, com tecnologia incompleta e muita expectativa, então o caminho seria o mais difícil possível. Foi por isso que escrevi o artigo <a href="http://www.akitaonrails.com/2006/09/27/evolu%c3%a7%c3%a3o-pela-concorr%c3%aancia"target="_blank" rel="noopener">Evolução pela Concorrência</a>.</p>
<p>Muita gente imagina que o melhor dos mundos seria aquele em que ninguém questiona o que você faz, todos deixam você em paz e acreditam nas suas promessas que, claro, você pretende cumprir um dia. (<em>yeah, right&hellip;</em>)</p>
<p>Eu discordo. Qualquer promessa ou expectativa que valha a pena precisa ser questionada, pressionada, escrutinada. Se ela é tão frágil que não aguenta crítica, ataque direto e indireto e sabotagem, então a promessa já era fraca e não merecia seguir em frente. Quanto antes cair, melhor, porque menos tempo a gente perde.</p>
<p>Por isso eu sempre abraço os ataques: espero estar pronto para revidar em dobro ou morrer tentando. E não esperaria menos da comunidade Rails. Todo mundo ainda acredita que restrição é ruim, mas eu <a href="http://startupi.com.br/2013/restricoes-sao-libertadoras-menos-e-mais/"target="_blank" rel="noopener">já disse antes</a> que restrição é importante, porque é o único lugar de onde nasce a <strong>inovação</strong>.</p>
<p>Quem precisa recorrer ao velho truque de falar mal dos outros, o famoso <em>&ldquo;não tenho vontade de melhorar, então vou prejudicar o outro para parecer maior&rdquo;</em> (escrevi sobre isso em 2007, <a href="http://web.archive.org/web/20140709023445/http://www.akitaonrails.com/2007/10/23/para-eu-ganhar-o-outro-precisa-perder"target="_blank" rel="noopener">&ldquo;Para eu ganhar, o outro precisa perder&hellip;&rdquo;</a>), se declara fraco por conta própria. Pare e lembre de artigos, palestras e entrevistas em que você ouviu alguém que admira falando mal de outra comunidade. <em>&ldquo;Ah, Ruby, aquele negócio de menininha. Porque nós, homens, usamos JavaScript.&rdquo;</em> Isso me dá vontade de rir e um pouco de pena, porque para mim fica claro que a pessoa sempre vai ser fraca.</p>
<p>Todas as declarações acima, e outras parecidas (&ldquo;Estou deixando Node&rdquo;, &ldquo;Estou deixando .NET&rdquo;, &ldquo;Estou deixando Ruby&rdquo;, &ldquo;Estou deixando X&rdquo;), eu honestamente acredito que vieram sem má intenção ou má fé, ao menos não conscientemente. Mas tenho uma teoria. Quem faz declarações assim quer validação dos pares, ou pior, quer que os pares o sigam, o que também é uma validação da própria posição. <em>&ldquo;Não gosto mais do meu brinquedo velho, mas também não quero que ninguém brinque com ele.&rdquo;</em> É uma posição bem infantil.</p>
<p>Tomando a comunidade Ruby como exemplo, vários nomes meio que &ldquo;largaram&rdquo; suas atividades principais sem bater a porta nem agir com infantilidade. Chad Fowler está na Alemanha tocando o Wunderlist, focado em desenvolvimento mobile e back-end, e não fala mais de Ruby. Ilya Grigorik teve sua startup comprada pelo Google e acabou sumindo também. Matt Aimonetti, depois do episódio Merb vs Rails, se retirou em silêncio e hoje trabalha com Go.</p>
<p>Ryan Bates, um dos mais queridos da comunidade pelo trabalho incansável de anos no RailsCasts, parou de publicar faz meses e não declarou nada a respeito. David Chelimsky, mantenedor do RSpec, passou o bastão adiante e saiu sem alarde. José Valim, um dos principais nomes por trás do Rails 3, hoje está com Elixir e Erlang e raramente comenta algo sobre Ruby.</p>
<h2>&ldquo;O.M.G! Quer dizer que tudo acabou!? Foi pelos ares!?&rdquo;<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="omg-quer-dizer-que-tudo-acabou-foi-pelos-ares"></span>
    <a href="#omg-quer-dizer-que-tudo-acabou-foi-pelos-ares" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Não. Nesse meio-tempo, centenas de novos rubistas surgiram e tocaram o trabalho para a frente. O exemplo mais imediato são Carlos Antônio e Rafael França, que meio que assumiram o manto do José Valim no Rails Core. Evan Phoenix assumiu o manto do Chad Fowler na Ruby Central. Avdi Grimm meio que assumiu o do Ryan Bates com o excelente <a href="http://www.rubytapas.com"target="_blank" rel="noopener">RubyTapas</a>, e por aí vai.</p>
<p>Uma comunidade é feita de indivíduos, e cada indivíduo rende mais quando age para maximizar o próprio benefício. O efeito colateral disso é que ele acaba influenciando e puxando outros para cima junto com ele. São sempre trocas voluntárias para benefício <strong>mútuo</strong>. Ninguém age sem nenhum benefício próprio; há quem acredite que sim, e são justamente esses que chegam mais rápido ao &ldquo;burnout&rdquo;, porque logo a pergunta vira:</p>
<blockquote>"Por que eu me canso tanto de colaborar nessa comunidade, me estresso, e mesmo assim nem todos apreciam o que eu faço? Eu faço tudo por eles!"</blockquote>
<p>Essa é a pergunta errada, e pergunta errada leva a resposta errada. Alguns começam a achar que os outros lhe devem algo, já que dedicaram tanto do tempo livre (ainda mais no mundo open source) para &ldquo;ajudar os outros&rdquo;. E &ldquo;os outros&rdquo; acham que não devem nada, porque ninguém pediu esse esforço em primeiro lugar. Na prática, &ldquo;os outros&rdquo; estão certos.</p>
<p>Se você participa de uma comunidade, faz isso por você mesmo. Pode ser porque entende que ajudar os outros faz parte da sua recompensa pessoal. Pode ser porque isso traz paz de espírito ou consciência limpa. Ou porque você é bom estrategista e sabe que certas contribuições vão abrir portas lá na frente. O motivo não importa, desde que exista uma recompensa que você não cobra dos outros de forma obrigatória. Cobrar respeito, educação, compaixão, nada disso faz sentido sem contrapartida. Ninguém pediu para você fazer o que faz; se está fazendo, entenda que é por você. Essa é a definição de trabalho <strong>voluntário</strong>.</p>
<p>E deixando bem claro: trabalho voluntário é trabalho sem <strong>remuneração financeira</strong>, e não trabalho sem benefício ou puramente altruísta. Se o seu trabalho é remunerado, a conversa é outra, e aí o melhor conselho é o do Don Draper:</p>
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</div>
</div>
<p>Voltando ao assunto, imagino que os nomes que citei, os que se retiraram de forma parcial ou silenciosa, entendem isso. Foram buscar satisfação pessoal em outro lugar. Não devem nada a ninguém, e ninguém deve nada a eles.</p>
<p>Já quem sai com declaração bombástica está, consciente ou não, jogando na cara dos outros: <em>&ldquo;você não me valorizou, agora perdeu a chance, e eu sei que vai sentir minha falta!&rdquo;</em> Não está escrito assim, mas é o que faz sentido. Do contrário, por que jogar no ventilador e transformar aquilo em controvérsia pública? Todo argumento por escrito é só parte da razão, nunca &ldquo;a&rdquo; razão.</p>
<h2>Você, Indivíduo<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="você-indivíduo"></span>
    <a href="#voc%c3%aa-indiv%c3%adduo" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>O outro lado da moeda é quem segue, admira e idolatra uma dessas pessoas que largaram o lugar onde você está. Dependendo do nível de admiração, você fica sem chão, atordoado, sem saber para onde correr. Aí acontece uma de duas coisas: ou você procura outro ídolo e começa o famoso <em>&ldquo;ele nem era tão bom assim&rdquo;</em>, ou afunda na depressão e no desespero do <em>&ldquo;não sei o que vai ser agora&rdquo;</em>.</p>
<blockquote>Meu conselho: "não tenha ídolos, tenha referências."</blockquote>
<p>Pare de achar que você deve alguma coisa aos outros e, por tabela, pare de jogar nos outros a responsabilidade de ajudar mais gente. É isso que está acontecendo: você não entende o seu <strong>propósito</strong> e acha que os outros têm que fazer aquilo que você mesmo não faz. Pior, você deixa os outros decidirem o caminho que você vai tomar. Se a insegurança é tão grande assim, pare um instante e reflita sobre o que você &ldquo;é&rdquo; antes de tudo.</p>
<p>Seu único propósito na vida é cuidar de si mesmo e produzir, sem atrapalhar o caminho dos outros. Quando você faz isso, o efeito natural é que colaborações espontâneas aparecem, comunidades evoluem e todo mundo sai ganhando. Uma comunidade onde todos cobram todos cresce sem propósito.</p>
<p>Sobre tecnologia, opinião, proposta e promessa, lembre também: você <strong>quer</strong> estar sob &ldquo;ataque&rdquo; e restrição constantes. Não existe nada pior do que ser ignorado. Escrevi outro artigo, tradução de alguém bem mais sábio que eu, a Kathy Sierra, chamado <a href="http://www.akitaonrails.com/2006/10/19/kathy-sierra-dilbert-e-a-zona-de-mediocridade"target="_blank" rel="noopener">Dilbert e a zona de mediocridade</a>, onde cito:</p>
<blockquote>
Quanta coragem você tem? Até onde você (ou seu empregador) iria para evitar a Zona de Mediocridade? A menos que você esteja disposto a arriscar provocar ódio passional, talvez nunca sinta o amor. Scott Adams concorda. Num post recente no blog do Dilbert, ele escreveu: "Se todo mundo que for exposto a um produto gostar dele, o produto não terá sucesso... A razão pela qual um produto que 'todo mundo gosta' vai falhar é que ninguém o 'ama'. A única coisa que prevê sucesso é paixão, mesmo que só 10% dos consumidores a tenham."
</blockquote>
<p>E daí se alguém deixou a sua comunidade? Será que ela é tão frágil que uma pancada, não importa o tamanho do impacto, vai fazer tudo desmoronar? Se você acredita que a sua comunidade é apenas <strong>resistente</strong>, você tem razão: passado certo ponto, ela desmorona. Mas se ela for <strong>resiliente</strong>, maleável e adaptável, ela sobrevive. É o que garante a sobrevivência das espécies, a <a href="http://c2.com/cgi/wiki?SurvivalOfTheFittest"target="_blank" rel="noopener"><strong>Lei do Mais Adaptável</strong></a> (não do mais &ldquo;forte&rdquo;; lembre da diferença entre resistente e resiliente, você quer ser o segundo).</p>
<p>Você é adaptável? Ou está só procurando validação dos outros, deixando que eles decidam por você? Uma coisa eu garanto: se um dia eu desistir do que faço, ninguém vai ficar sabendo por um comunicado escrito. Isso eu já tinha decidido no dia em que comecei.
</content>
</invoke></p>
]]></content:encoded><category>open-source</category><category>filosofia</category><category>gestao</category><category>off-topic</category></item><item><title>[Off-Topic] Matemática, Trolls, Haters e Discussões de Internet</title><link>https://akitaonrails.github.io/2013/10/30/off-topic-matematica-trolls-haters-e-discussoes-de-internet/</link><guid isPermaLink="true">https://akitaonrails.github.io/2013/10/30/off-topic-matematica-trolls-haters-e-discussoes-de-internet/</guid><pubDate>Wed, 30 Oct 2013 21:01:00 -0200</pubDate><description>&lt;p&gt;Em tempos de redes sociais e discussões abertas em timelines e fóruns, já nos acostumamos com o fato de nunca existir consenso em nada. E em tempos de Twitter, onde 140 caracteres definem o que vamos dizer, soltar algo como &lt;em&gt;&amp;ldquo;X funciona&amp;rdquo;&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;&amp;ldquo;Y não funciona&amp;rdquo;&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;&amp;ldquo;concordo com A&amp;rdquo;&lt;/em&gt; ou &lt;em&gt;&amp;ldquo;discordo de B&amp;rdquo;&lt;/em&gt; é garantia de um longo e inacabável flame war.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Sou culpado também, viciado em argumentar tanto sobre assuntos sérios quanto sobre os irrelevantes. Faz parte do entretenimento, eu acho, mas admito que algumas vezes falta paciência mesmo. Quem assistiu minhas &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=Oiu-EhaLA4s"target="_blank" rel="noopener"&gt;palestras&lt;/a&gt; mais recentes deve lembrar da parte em que digo o seguinte: as pessoas buscam &amp;ldquo;validação&amp;rdquo; para suas ideias e argumentos. Parece que, quanto mais gente concorda, mais válida a ideia seria, o tal processo &amp;ldquo;democrático&amp;rdquo; onde 50% + 1 garante vitória.&lt;/p&gt;</description><content:encoded><![CDATA[<p>Em tempos de redes sociais e discussões abertas em timelines e fóruns, já nos acostumamos com o fato de nunca existir consenso em nada. E em tempos de Twitter, onde 140 caracteres definem o que vamos dizer, soltar algo como <em>&ldquo;X funciona&rdquo;</em>, <em>&ldquo;Y não funciona&rdquo;</em>, <em>&ldquo;concordo com A&rdquo;</em> ou <em>&ldquo;discordo de B&rdquo;</em> é garantia de um longo e inacabável flame war.</p>
<p>Sou culpado também, viciado em argumentar tanto sobre assuntos sérios quanto sobre os irrelevantes. Faz parte do entretenimento, eu acho, mas admito que algumas vezes falta paciência mesmo. Quem assistiu minhas <a href="http://www.youtube.com/watch?v=Oiu-EhaLA4s"target="_blank" rel="noopener">palestras</a> mais recentes deve lembrar da parte em que digo o seguinte: as pessoas buscam &ldquo;validação&rdquo; para suas ideias e argumentos. Parece que, quanto mais gente concorda, mais válida a ideia seria, o tal processo &ldquo;democrático&rdquo; onde 50% + 1 garante vitória.</p>
<p>Existem vários problemas nisso, e já discuti parte do tema no artigo <a href="http://www.akitaonrails.com/2011/04/25/off-topic-mea-culpa-organizacoes-democraticas-nao-funcionam"target="_blank" rel="noopener">Mea Culpa: Organizações Democráticas não Funcionam</a>. Embora eu não seja um matemático formado e atuante, minha fundação é de matemática. Uma das coisas boas que lembro do meu tempo no <a href="http://www.ime.usp.br"target="_blank" rel="noopener">Instituto de Matemática e Estatística da USP</a> foi justamente a pesada fundação matemática a que fui submetido. Até hoje trago o que aprendi para o meu dia a dia.</p>
<h2>Leis são Leis<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="leis-são-leis"></span>
    <a href="#leis-s%c3%a3o-leis" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>A primeira grande coisa que aprendi foi esta: dado um conjunto de <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Axiom"target="_blank" rel="noopener">axiomas</a>, e dado que determinado teorema está comprovado, posso usar essa ferramenta com a <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Mathematical_proof"target="_blank" rel="noopener">garantia</a> de que ele sempre vai funcionar <strong>dentro das premissas estipuladas</strong>.</p>
<p>Portanto, dado que <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Natural_number"target="_blank" rel="noopener">números naturais</a> existem, dado x pertencente aos naturais e dadas as propriedades algébricas dos naturais, sei que <tt>y = x + x</tt> e que <tt>y</tt> estará nos naturais. Com isso, posso dizer com toda a certeza que <strong>2 + 2</strong> é <strong>4</strong> e sempre será <strong>4</strong>.</p>
<p>Isso é importante porque não preciso da &ldquo;validação&rdquo; de uma maioria para saber disso. Não importa se alguém propõe uma votação e 1 milhão de pessoas dizem que 2 + 2 é 5. Quantidade de opiniões não desfaz a Álgebra. Certas áreas do conhecimento científico já foram totalmente comprovadas, e não dependem de consenso de &ldquo;opiniões&rdquo;.</p>
<p>Maioria e autoridade não significam nada dentro desse contexto.</p>
<p>Isso me dá diversas certezas. Existe todo um corpo de conhecimento científico nas mais diferentes áreas, da matemática à física, à biologia, à psicologia, à sociologia, à medicina, que é confiável e está à nossa disposição. E o seu uso não depende de consenso, de votação, nem da &ldquo;validação&rdquo; de nenhum grupo.</p>
<p>Me dá também a certeza de que, só porque eu não sei alguma coisa, isso não significa que alguém já não saiba, e aumenta a minha estima pela pesquisa adequada desse corpo de conhecimento. O erro é ter preguiça de fazer essa pesquisa e assumir que, porque uma maioria disse algo, ou porque alguém com aparente autoridade disse algo, aquilo &ldquo;deve ser verdade&rdquo;.</p>
<p>Para mim, por definição, tudo está <strong>errado</strong> até que se comprove rigorosamente que é verdade, pelos mesmos métodos que garantiram esse corpo de conhecimento científico.</p>
<h2>Problemas de Primeiro Mundo<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="problemas-de-primeiro-mundo"></span>
    <a href="#problemas-de-primeiro-mundo" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>No mundo da autoajuda existem milhares de &ldquo;fórmulas&rdquo;, ou &ldquo;receitas&rdquo;. Receitas para emagrecer, para ter sucesso, para ser feliz, e assim por diante. É uma indústria enorme que, <a href="http://web.archive.org/web/20131109192807/http://www.prweb.com/releases/2010/12/prweb4847314.htm"target="_blank" rel="noopener">pelo menos até 2010, movimentava cerca de USD 11 bilhões</a>. Ela não vai parar e deve crescer.</p>
<p>Nós nos movemos na <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Maslow%27s_hierarchy_of_needs"target="_blank" rel="noopener">pirâmide de Maslow</a>. A geração dos nossos pais e avós ainda precisava se preocupar com a sobrevivência mais básica: alimentação, saúde. Nesta nova geração, uma parcela enorme da população vive muito melhor, e essa base já não é a maior prioridade.</p>
<p>Mas o ser humano sempre vai procurar problemas com que se preocupar, os famosos <a href="http://knowyourmeme.com/memes/first-world-problems"target="_blank" rel="noopener">&ldquo;problemas de primeiro mundo&rdquo;</a>. Algumas vezes parece que somos uma espécie feita para encontrar problemas até onde eles não existem.</p>
<p>É por isso que o mercado de autoajuda cresce tanto, e por isso que problemas que pareciam não existir alguns séculos atrás agora parecem tão maiores: depressão, stress. Medicamentos que nunca fizeram tanta falta 2 ou 3 séculos atrás hoje são fabricados em toneladas: Zoloft, Prozac, Paxil, Celexa.</p>
<p>Para constar, não estou menosprezando esses problemas. Uma parcela enorme é bastante real, e ainda bem que a medicina moderna tem esses instrumentos para tratar. Porém é inegável que muita gente faz mau uso dessa circunstância já que, diferente de uma perna quebrada, não há evidência física desse tipo de problema.</p>
<p>Cito isso porque já faz parte da nossa cultura assumir que esse tipo de patologia é uma coisa comum. A cada nova geração, parece que todo mundo é feito de cristal e qualquer pequena disrupção já quebra. A impressão que dá é que, se essa geração fosse magicamente transportada para o século XVII ou antes, ninguém sobreviveria.</p>
<h2>O efeito da Auto-Ajuda<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="o-efeito-da-auto-ajuda"></span>
    <a href="#o-efeito-da-auto-ajuda" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Dito tudo isso, vem a parte que mais me incomoda: as fórmulas mágicas, as balas de prata. Dentro do mercado de autoajuda, até que não me incomodo tanto. Afinal, que mal há em alguém ler <a href="http://franklysaurkraut.blogspot.com.br/2007/03/debunking-management-fads.html"target="_blank" rel="noopener">&ldquo;Quem Mexeu no Meu Queijo&rdquo;</a> para se entreter?</p>
<p>O problema é quando pseudociência é tomada como ciência de verdade.</p>
<p>É o que eu chamo de <em>&ldquo;porque funcionou para X deve funcionar para Y&rdquo;</em>, ou o que muita gente já me ouviu repetir ad nauseam: <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Correlation_does_not_imply_causation"target="_blank" rel="noopener"><strong>&ldquo;correlação não é causalidade&rdquo;</strong></a>.</p>
<p>Toda autoajuda é uma ou mais fórmulas, devidamente embrulhadas em muito marketing e vendidas como soluções universais.</p>
<p><a href="http://www.debunkingskeptics.com/LawofAttraction.htm"target="_blank" rel="noopener">&ldquo;Basta pensar positivo.&rdquo;</a></p>
<p>Sozinhas, afirmações como essa são inofensivas, mas rapidamente se desenrolam em proporções bíblicas.</p>
<p>Qual o problema das fórmulas? De novo recorro à minha fundação matemática. Uma fórmula matemática, sozinha, não serve para nada: é indefinida, incompleta. Para ser completamente definida, ela precisa de pelo menos mais dois elementos, um <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Domain_of_a_function"target="_blank" rel="noopener">Domínio e uma Imagem</a>. Por exemplo, veja a fórmula:</p>
<div class="hextra-code-block hx:relative hx:mt-6 hx:first:mt-0 hx:group/code">

<div><pre><code>f(x) = 1/x</code></pre></div><div class="hextra-code-copy-btn-container hx:opacity-0 hx:transition hx:group-hover/code:opacity-100 hx:flex hx:gap-1 hx:absolute hx:m-[11px] hx:right-0 hx:top-0">
  <button
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    title="Copy code"
  >
    <div class="hextra-copy-icon hx:group-[.copied]/copybtn:hidden hx:pointer-events-none hx:h-4 hx:w-4"></div>
<div class="hextra-success-icon hx:hidden hx:group-[.copied]/copybtn:block hx:pointer-events-none hx:h-4 hx:w-4"></div>
  </button>
</div>
</div>
<p>Imediatamente alguém poderia dizer <em>&ldquo;mas esta fórmula está errada, pois se x for zero a conta não funciona&rdquo;</em>. É uma boa observação, mas parte de uma premissa: a de que x pode ser qualquer número que existe.</p>
<p>Porém, se eu definir corretamente e disser:</p>
<div class="hextra-code-block hx:relative hx:mt-6 hx:first:mt-0 hx:group/code">

<div><pre><code>dado x pertencente ao domínio dos números reais, e dado x diferente de zero, f(x) = 1/x, resultará na imagem dos números reais</code></pre></div><div class="hextra-code-copy-btn-container hx:opacity-0 hx:transition hx:group-hover/code:opacity-100 hx:flex hx:gap-1 hx:absolute hx:m-[11px] hx:right-0 hx:top-0">
  <button
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    title="Copy code"
  >
    <div class="hextra-copy-icon hx:group-[.copied]/copybtn:hidden hx:pointer-events-none hx:h-4 hx:w-4"></div>
<div class="hextra-success-icon hx:hidden hx:group-[.copied]/copybtn:block hx:pointer-events-none hx:h-4 hx:w-4"></div>
  </button>
</div>
</div>
<p>Agora esta fórmula, no campo da Álgebra, está bem definida e é incontestável. Notem o que fiz com este exemplo simples: dei uma fórmula incompleta e imediatamente gerei uma discussão sobre ela. É exatamente isso que acontece em toda discussão em rede social e em todo tema de autoajuda.</p>
<p>Repetindo: toda autoajuda é uma ou mais fórmulas que não definem o domínio nem a imagem. Cada pessoa que lê essa fórmula incompleta tenta completá-la com o próprio domínio, <em>&ldquo;para mim funciona&rdquo;</em> ou <em>&ldquo;para mim não funciona&rdquo;</em>, e acabamos de encontrar a origem mais simples de todo flame war, todo hater e todo troll da internet.</p>
<p>Por outro lado, também encontramos a primeira forma de distinguir uma fórmula inválida de uma &ldquo;possivelmente&rdquo; válida. Com a inválida, você terá enorme dificuldade de definir o domínio. Partimos sempre do domínio maior, aquele que funcionaria para todo mundo em todos os cenários. A fórmula quebra na hora, então começamos a reduzir esse domínio e, invariavelmente, ele encolhe até chegar a um único caso que funcionou alguma vez.</p>
<h2>Sistemas Complexos, Biografias e a falácia das &ldquo;evidências&rdquo;<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="sistemas-complexos-biografias-e-a-falácia-das-evidências"></span>
    <a href="#sistemas-complexos-biografias-e-a-fal%c3%a1cia-das-evid%c3%aancias" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>E normalmente as fórmulas se reduzem mesmo a um único indivíduo. É o caso de toda biografia: a sequência de eventos por que determinado indivíduo passou só ele passou, e ela não se repete.</p>
<p>Falo sobre <a href="http://www.akitaonrails.com/2009/07/08/off-topic-agilidade-caos-auto-organizacao"target="_blank" rel="noopener">sistemas complexos</a> faz muito tempo, desde pelo menos 2009 esse assunto chama minha atenção. Já incorri no erro de derivar teorias sobre o conceito, mas admito que até agora não fui bem-sucedido. Na verdade, todo o campo da sociologia e do estudo de redes ainda está na infância desse tipo de conhecimento, com pouca coisa em termos de postulados e leis. Portanto, interprete esse tipo de assunto com muito mais cuidado que o normal.</p>
<p>A física quântica também já foi indevidamente explorada no mundo da autoajuda. Veja calamidades como <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/What_the_Bleep_Do_We_Know!%3F"target="_blank" rel="noopener">&ldquo;What the Bleep Do We Know&rdquo;</a> para entender como transformar um assunto sério numa piada (que muita gente acha que é séria).</p>
<p>Correndo o risco de ser superficial, resumo a parte que interessa assim: no mundo real, somos todos parte de um <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Complex_adaptive_system"target="_blank" rel="noopener">sistema complexo adaptativo</a>. Uma ação que eu tomo pode desencadear diversas outras, que por sua vez desencadeiam mais outras, e muitas delas interagem entre si, criando uma rede de incalculáveis nós e conexões.</p>
<p>É praticamente impossível determinar o final de uma cadeia de eventos em rede com inúmeras variáveis. Digo &ldquo;praticamente&rdquo; porque ainda não sabemos como determinar todas as variáveis da equação, e para todos os efeitos práticos isso torna qualquer previsão impossível.</p>
<p>Claro, dados certos limites de espaço, tempo e margens de erro, sabemos prever muita coisa, o suficiente para mandar foguetes a Júpiter com precisão. Por outro lado, existem muitos casos cujas margens de erro ainda são difíceis de controlar, e a própria meteorologia é um exemplo.</p>
<p>É daí que surge a ideia de que uma borboleta bate as asas na China e um maremoto atinge o Rio de Janeiro. A borboleta não causou o maremoto. Ela foi apenas uma <strong>condição inicial</strong> de uma cadeia intricada de eventos que, por acaso, resultou nele.</p>
<p>Agora, dado um certo resultado, em muitos casos podemos olhar para trás e rastrear a cadeia de eventos até as condições iniciais. Quem já assistiu <a href="http://www.imdb.com/title/tt0247082/"target="_blank" rel="noopener">CSI</a> ou algum programa de detetives sabe que dá para coletar evidências e usar dedução para conectar eventos até um ponto de origem.</p>
<p>É assim que todas as &ldquo;fórmulas&rdquo; são criadas. A cadeia de eventos já aconteceu e não vai mais mudar, porque dentro do nosso Universo o passado é imutável e o tempo só tem uma direção.</p>
<p><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/George_Santayana"target="_blank" rel="noopener">George Santayana</a> certa vez disse que <em>&ldquo;quem não aprende com a História está destinado a repeti-la&rdquo;</em>. Se levarmos ao pé da letra o que eu disse até aqui, vamos concluir que a História raramente se repete. Só porque as condições iniciais e o resultado se parecem com os de outro evento, a cadeia de acontecimentos no meio raramente é a mesma. Interpretar isso como &ldquo;a História se repetindo&rdquo; é coincidência e uma série de enganos que o nosso cérebro comete o tempo todo, incluindo o <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Confirmation_bias"target="_blank" rel="noopener">viés de confirmação</a>.</p>
<p>Sei que esse trecho pode ser complexo, mas o ponto é este: só porque algo aconteceu uma vez, isso não significa que a mesma cadeia vai acontecer de novo.</p>
<p>As condições iniciais e a cadeia de eventos são o tal &ldquo;domínio&rdquo; restrito da &ldquo;fórmula&rdquo; que citei acima. E, como diria <a href="http://www.youtube.com/watch?v=D9XF0QOzWM0"target="_blank" rel="noopener">Duncan Watts</a>, todo mundo se engana o tempo todo com o conceito de &ldquo;óbvio&rdquo;. Hoje parece óbvio dizer que o Facebook faz sucesso. Porém, em 2002, ninguém poderia prever que em 2012 existiria esse tal Facebook e que o seu IPO abriria com uma valorização de USD 104 bilhões. Depois do fato, podemos tentar traçar os eventos para trás e encontrar as condições iniciais e a cadeia que tornou aquilo possível. Nunca antes.</p>
<p>Empiricamente, de tudo que já vi oferecido por aí como bala de prata, a &ldquo;melhor fórmula&rdquo; parece muito boa, até você começar a questionar: <em>&ldquo;parece uma Fórmula que leva a um bom resultado (Imagem), mas quais são as condições iniciais necessárias? Qual é o Domínio dessa fórmula?&rdquo;</em></p>
<p>E quando você começa a questionar isso, a <a href="http://vimeo.com/53494258"target="_blank" rel="noopener">teoria não se sustenta por 1 segundo</a>. É o caso do Lean Startup, a moda do mundo tech. Veja as condições iniciais do Eric Ries: você encontra exemplos de Groupon, Intuit e HP, empresas que são tudo menos &ldquo;pequenas startups&rdquo;, mas o livro é evangelizado para todo pequeno empreendedor. Há uma contradição clara de condições iniciais, e o <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Scientific_method"target="_blank" rel="noopener">método científico</a> é muito diferente do que o livro sugere.</p>
<p><em>&ldquo;Mas há vários bons exemplos de pequenas startups que seguiram o Lean Startup e se deram bem.&rdquo;</em> E aqui vai outra lição que qualquer um que assistiu CSI sabe distinguir: cena de crime contaminada não serve para nada. Em nenhum desses casos dá para afirmar que a &ldquo;causa&rdquo; do sucesso foi ter usado Lean Startup. Pode haver uma &ldquo;correlação&rdquo;, e pequena, porque estamos falando de um sistema complexo adaptativo.</p>
<p>A borboleta &ldquo;causou&rdquo; o maremoto? A probabilidade é muito pequena. Mas aí entra o marketing. Como diria <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Big_Lie"target="_blank" rel="noopener">Joseph Goebbels</a>, ministro da propaganda da Alemanha nazista, <em>&ldquo;quanto maior a mentira, mais acreditarão nela&rdquo;</em>, ou o derivado disso, <em>&ldquo;repita uma mentira vezes suficientes e as pessoas acreditarão que é verdade&rdquo;</em>.</p>
<p>Como diria <a href="http://www.youtube.com/watch?v=mRaXvPQ-ayk"target="_blank" rel="noopener">Carl Sagan</a>, <em>&ldquo;alegações extraordinárias exigem evidências extraordinárias&rdquo;</em>. E isso depende de um trabalho exaustivo de testes para quebrar a hipótese. Um medicamento, feito de forma séria, leva anos, às vezes décadas, até chegar às farmácias, mas balas de prata se tornam virais em questão de horas ou dias. Dependendo de quem fala e de como fala, aquilo ganha status de &ldquo;verdade inquestionável&rdquo; muito rápido. Valdomiro da Mundial que o diga.</p>
<p>Só porque &ldquo;parece&rdquo; que funcionou para 1, 2, 10 casos, isso não basta para tornar algo verdade. A &ldquo;Teoria&rdquo; da Evolução das espécies, de Charles Darwin, tem toneladas de evidências concretas e sólidas, vem sendo questionada, atacada e dilacerada minuciosamente por mais de 150 anos, e para todos os efeitos já é praticamente uma verdade absoluta. Mesmo assim, ainda não ganhou o status de &ldquo;Lei&rdquo;. Se nem ela ganhou, por que algo muito menos testado mereceria?</p>
<h2>Conclusão<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="conclusão"></span>
    <a href="#conclus%c3%a3o" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Na prática, a menos que faça parte do corpo de conhecimento científico já reconhecido e exaustivamente documentado, todo o resto é questionável, deve ser questionado e nunca deveria ganhar o status dogmático de &ldquo;verdade&rdquo;, por definição.</p>
<p>Autoajuda é pseudociência, por definição.</p>
<p>Fórmulas que garantem certo &ldquo;resultado&rdquo; (Imagem) sem um Domínio são incompletas e indefinidas, e isso vai necessariamente dividir opiniões, porque cada um tem o próprio domínio. E só porque um grupo é maior que quem está questionando, a fórmula não vira verdade. O contrário seria seguir a doutrina de Goebbels.</p>
<p>E aquilo que é de fato ciência comprovada não precisa de quórum, maioria ou &ldquo;validação&rdquo;. 2 + 2 será sempre 4, não importa quem queira contrariar.</p>
<p>Uma dica: para qualquer assunto que cruzar o seu caminho, use o Google. Coloque o termo com a palavra <a href="http://www.akitaonrails.com/2013/10/07/off-topic-desmontando-o-noestimates/"target="_blank" rel="noopener">&ldquo;debunked&rdquo;</a> ou &ldquo;skeptic&rdquo;, &ldquo;fake&rdquo; ou &ldquo;scam&rdquo;, e você vai encontrar a resposta. Por exemplo, procure por <a href="https://www.google.com/search?q=The&#43;Secret&#43;Debunked"target="_blank" rel="noopener">&ldquo;The Secret Debunked&rdquo;</a> e veja quanto já foi publicado colocando abaixo a tal <a href="http://web.archive.org/web/20140420185117/http://www.rockyourday.com/the-secret-is-out-debunking-the-law-of-attraction/"target="_blank" rel="noopener">&ldquo;Lei da Atração&rdquo;</a>. Eu pratico isso o tempo todo. Nada é inquestionável, não importa quem está dizendo.</p>
<p>Desde a infância sou um grande defensor de <a href="http://www.akitaonrails.com/2007/08/23/off-topic-inimigos-da-razo"target="_blank" rel="noopener">destruir a pseudociência</a>, porque ela causa mais mal do que quase qualquer outra coisa. Lembrem-se de que <a href="http://www.akitaonrails.com/2008/03/01/off-topic-somos-matematicamente-ignorantes"target="_blank" rel="noopener">coincidências acontecem</a>, e não são tão raras assim.
</content>
</invoke></p>
]]></content:encoded><category>ciencia</category><category>psicologia</category><category>filosofia</category><category>off-topic</category></item><item><title>[Off-Topic] Restrições são libertadoras: menos é mais</title><link>https://akitaonrails.github.io/2013/04/01/off-topic-restricoes-sao-libertadoras-menos-e-mais/</link><guid isPermaLink="true">https://akitaonrails.github.io/2013/04/01/off-topic-restricoes-sao-libertadoras-menos-e-mais/</guid><pubDate>Mon, 01 Apr 2013 06:19:00 -0300</pubDate><description>&lt;p&gt;Publicado pela 1a vez em &lt;a href="http://web.archive.org/web/20150404175715/http://startupi.com.br/2013/04/restricoes-sao-libertadoras-menos-e-mais/"target="_blank" rel="noopener"&gt;2013-04-01T09:19:10+00:00&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O título deste artigo é uma frase repetida inúmeras vezes, mas de tempos em tempos vale recuperar seu significado, especialmente neste novo momento de excitação em torno de startups.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Muita gente acredita que poderia realizar muito, mas se convence de que as inúmeras restrições ao redor a condenam ao fracasso. Se tivesse “mais” dinheiro, “mais” tempo, “mais” reconhecimento, “mais” alguma coisa, só então realizaria seu “potencial escondido”. O fracasso passa a ser culpa do mercado, da sociedade e de tudo que limita esse potencial.&lt;/p&gt;</description><content:encoded><![CDATA[<p>Publicado pela 1a vez em <a href="http://web.archive.org/web/20150404175715/http://startupi.com.br/2013/04/restricoes-sao-libertadoras-menos-e-mais/"target="_blank" rel="noopener">2013-04-01T09:19:10+00:00</a></p>
<p>O título deste artigo é uma frase repetida inúmeras vezes, mas de tempos em tempos vale recuperar seu significado, especialmente neste novo momento de excitação em torno de startups.</p>
<p>Muita gente acredita que poderia realizar muito, mas se convence de que as inúmeras restrições ao redor a condenam ao fracasso. Se tivesse “mais” dinheiro, “mais” tempo, “mais” reconhecimento, “mais” alguma coisa, só então realizaria seu “potencial escondido”. O fracasso passa a ser culpa do mercado, da sociedade e de tudo que limita esse potencial.</p>
<p>Por isso existe um enorme rebanho de pessoas que gostariam de ser “empreendedores” e gastam o tempo criando “sales pitches” para seduzir fundos de investimento, investidores anjos ou qualquer um com recursos para lhe dar esse “mais”.</p>
<p>E não falo só de quem quer empreender, mas de qualquer profissional. Estão todos convencidos de que, se a empresa lhe pagasse “mais”, ele se sentiria motivado a produzir mais. Se o projeto tivesse “mais” tempo, ele entregaria dentro do prazo. Se tivesse “mais” liberdade, entregaria melhor.</p>
<p>Em resumo: <em>“Se me dessem mais, eu faria mais, afinal liberdade é ter todas as escolhas possíveis”</em>.</p>
<blockquote>
  <p>Quero argumentar que o oposto é a verdade. Até certo limite, são as restrições que levam à inovação, e não a abundância. A abundância leva à zona de conforto, e não existe motivação para tomar qualquer ação quando você já está confortável.</p>

</blockquote>
<ul>
<li>Por que alguém inventaria maneiras mais eficientes quando se tem tempo infinito?</li>
<li>Por que alguém inventaria maneiras mais baratas quando se tem dinheiro infinito?</li>
<li>Para quê ter criatividade para inovar quando não existe essa necessidade?</li>
</ul>


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</div>

<p>A resposta é simples. Abundância significa ausência da necessidade de fazer escolhas, e quem não precisa escolher também não precisa priorizar. A priorização é consequência de se viver sob restrições.</p>
<p>Quando algo “não é possível” dentro dessas restrições pelas “formas convencionais”, é aí que alguém se vê forçado a ser criativo, a abandonar o caminho batido e produzir a real “inovação”. Inovar é o que torna o impossível de hoje possível amanhã.</p>
<ul>
<li><em>“É impossível atravessar o mundo em 24 horas”</em>. Seria, antes do século XX, quando a forma mais eficiente de transporte era o navio.</li>
<li><em>“É impossível continuar alimentando todas as pessoas do planeta”</em>. Seria, se não tivéssemos avanços de agricultura e genética que permitem extrair o máximo de cada área cultivável.</li>
<li><em>“É impossível ir até a Lua”</em>. Acho que vocês entenderam.</li>
</ul>
<p>Quando você tem zero reais no bolso e nenhum lugar para captar dinheiro, reclamar do mundo injusto não muda nada. A saída vem por outros caminhos, com as próprias pernas. Você vai ter que convencer parceiros, priorizar, negociar, barganhar, tomar escolhas difíceis. É assim que a restrição libera e força a criatividade a inovar em outras direções.</p>
<p>Se ainda não acredita vamos a alguns extremos:</p>
<ul>
<li>Toda a riquíssima literatura ocidental dos últimos séculos é descrita com uma combinação de 26 letras e 10 números do alfabeto. Shakespeare não seria melhor necessariamente se existissem mais letras no alfabeto.</li>
<li>Toda a infinidade de números podem ser expressados com meros 10 símbolos numéricos. Paul Erdős não faria matemática melhor com mais formas de notação numérica.</li>
<li>Toda a diversidade dos seres vivos que existem hoje, já existiram e ainda estão por vir pode ser resumida na informação do DNA, codificada com apenas 4 bases, adenina, citosina, guanina e timina. 1% de diferença nesse DNA é o suficiente para criar espécies tão diferentes quanto o macaco e nós.</li>
</ul>
<p>Claro, um tweet tem apenas 140 caracteres. É uma restrição que se levarmos a sério nos leva a ser concisos e dizer o absolutamente necessário que cabe nesse pequeno espaço, e muitos conseguem criar memes inteiros nesse espaço. Não é diferente de um Haiku, uma forma literária de 17 sílabas ou menos para também capturar o essencial no momento.</p>
<p>Em design falamos o tempo todo de minimalismo, de que “menos é mais”, onde os exemplos de excelência vêm dos reconhecidos designs industriais de Jony Ive na Apple.</p>
<p>Ainda em design, outro nome reconhecido, John Maeda, diz que <em>“na área de design existe a crença de que com mais restrições, soluções melhores são reveladas”</em> e que “urgência e espírito criativo andam de mãos dadas.”</p>
<p>No mundo das apresentações, palestras e slides temos o famoso “Presentation Zen” de Garr Reynolds. Ele ensina a limitar as ideias ao mínimo possível, até chegar à menor narrativa e a slides simples que, no limite, se restringem a uma única imagem ou uma única palavra por slide. Lembram das apresentações de Steve Jobs? Mesmo conceito. A abundância leva aos horríveis Powerpoints poluídos de informação que, paradoxalmente, transmitem pouco.</p>
<p>Ou o que dá para fazer a partir de meros dois dígitos, zero e um? Um sistema binário que é o DNA por trás de todo o mundo digital e da Internet que conecta bilhões de pessoas.</p>
<p>Podemos extrapolar em muitos outros exemplos, mas o ponto central é que buscar abundância com o pretexto de finalmente executar suas ideias é uma busca sem sentido. As soluções aparecem nas limitações. Quem souber encarar as restrições ao redor procurando saídas criativas é quem inova primeiro, de verdade.</p>
<p>Você acha que precisa de “mais” para fazer “mais”? Minha conclusão é que se com pouco não se faz nada, com muito vai se fazer menos ainda.</p>
<blockquote>
  <p>Inovar é a arte de priorizar e ser criativo, motivado pelas constantes restrições.</p>

</blockquote>
]]></content:encoded><category>filosofia</category><category>produtividade</category><category>off-topic</category></item><item><title>[Off-Topic] O Mundo Hoje é Muito Bom! Feliz 2013!</title><link>https://akitaonrails.github.io/2013/01/02/off-topic-o-mundo-hoje-e-muito-bom-feliz-2013/</link><guid isPermaLink="true">https://akitaonrails.github.io/2013/01/02/off-topic-o-mundo-hoje-e-muito-bom-feliz-2013/</guid><pubDate>Wed, 02 Jan 2013 02:05:00 -0200</pubDate><description>&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Atualização 15/01:&lt;/strong&gt; Saiu outro artigo, &lt;a href="http://web.archive.org/web/20130103042141/http://www.spectator.co.uk/the-week/leading-article/8789981/glad-tidings/"target="_blank" rel="noopener"&gt;Why 2012 was the best year ever&lt;/a&gt;, dizendo a mesma coisa: estamos muito melhor hoje do que em qualquer momento do passado. Por que não parece? Porque muita gente alarmista diz o contrário. E por que espalham que o mundo está pior? Para se sentirem &amp;ldquo;heróis&amp;rdquo; por fazer &amp;ldquo;alguma coisa&amp;rdquo;, e para fazer você se sentir pior por não fazer como elas. Devemos sempre melhorar, claro, mas sem alarmismo irracional e pânico.&lt;/p&gt;</description><content:encoded><![CDATA[<p><strong>Atualização 15/01:</strong> Saiu outro artigo, <a href="http://web.archive.org/web/20130103042141/http://www.spectator.co.uk/the-week/leading-article/8789981/glad-tidings/"target="_blank" rel="noopener">Why 2012 was the best year ever</a>, dizendo a mesma coisa: estamos muito melhor hoje do que em qualquer momento do passado. Por que não parece? Porque muita gente alarmista diz o contrário. E por que espalham que o mundo está pior? Para se sentirem &ldquo;heróis&rdquo; por fazer &ldquo;alguma coisa&rdquo;, e para fazer você se sentir pior por não fazer como elas. Devemos sempre melhorar, claro, mas sem alarmismo irracional e pânico.</p>
<p>Resolvi começar 2013 com um artigo que espero que soe como uma mensagem positiva para o ano. A mensagem é simples:</p>
<blockquote>O mundo hoje é bom, muito bom, e está ficando cada vez melhor.</blockquote>
<p>Fico frustrado toda vez que vejo gente teoricamente &ldquo;estudada&rdquo; que prefere acreditar que o mundo está piorando, que estamos pior hoje do que ontem. Hoje somos &ldquo;impessoais&rdquo;, não brincamos mais na rua, perdemos a solidariedade, queimamos nossas florestas, todas as corporações são vilãs, o povo sofre mais.</p>
<p>Respeitosamente, discordo de todas essas ideias de que estamos piorando. Um motivo simbólico para escrever isto hoje é que atravessamos 2012, uma das últimas profecias conhecidas de &ldquo;Fim dos Tempos&rdquo;, como se não fosse nada (aliás, nunca foi nada mesmo).</p>
<p>Qualquer um que lê as notícias sabe que temos metrópoles cada vez mais superlotadas, surtos de violência o tempo todo em várias partes do mundo, guerras no Oriente Médio, intolerância religiosa e terrorismo, desastres naturais que &ldquo;parecem&rdquo; resultado do famigerado &ldquo;Aquecimento Global&rdquo;.</p>
<p>Tudo isso é verdade. E nada disso é sintoma de que o mundo está piorando.</p>
<p><a href="http://knowyourmeme.com/memes/first-world-problems"target="_blank" rel="noopener"><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/323/Latino_First_World_Problems_THUMP.png" alt="First World Problems"  loading="lazy" /></a></p>
<h2>O Mundo está melhor<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="o-mundo-está-melhor"></span>
    <a href="#o-mundo-est%c3%a1-melhor" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>A despeito de todas as profecias cataclísmicas, vou resumir rápido: o mundo é melhor hoje do que era 50 anos atrás, 100 anos atrás ou milênios atrás. Felizmente existe gente de ciência, fazendo pesquisa e trabalho sério, que acumulou dados durante anos a fio, e hoje dá para comparar item a item. Uma dessas organizações é a <a href="http://www.gapminder.org/"target="_blank" rel="noopener">Gapminder</a>, que disponibiliza tudo isso para você ver com os próprios olhos.</p>
<p>Recomendo assistir às palestras no <a href="http://www.ted.com/speakers/hans_rosling.html"target="_blank" rel="noopener">TED de Hans Rosling</a> interpretando esses dados. Ele demonstra como nas últimas décadas aumentamos a expectativa de vida da maioria das pessoas, melhoramos a qualidade de vida, reduzimos drasticamente a pobreza, a malnutrição e as diferenças. A grande maioria das pessoas hoje vive melhor, com mais conforto e por mais tempo.</p>
<p>A violência também está diminuindo, como mostra <a href="http://www.ted.com/talks/steven_pinker_on_the_myth_of_violence.html"target="_blank" rel="noopener">essa palestra do Steven Pinker no TED</a>. O livro <a href="http://www.thedailybeast.com/articles/2012/02/21/the-world-is-getting-better-argues-new-book-abundance.html"target="_blank" rel="noopener">Abundance</a>, de Peter H. Diamandis, traz ainda mais dados dessa nossa era de abundância.</p>
<p>E mesmo o tão temido Aquecimento Global é <a href="http://web.archive.org/web/20130109101134/http://www.globalclimatescam.com/"target="_blank" rel="noopener">constantemente questionado</a>. Muitos cientistas não estão convencidos com os dados que temos. E pouco importa se o Aquecimento Global é &ldquo;real&rdquo;: claramente existe gente ganhando muito <a href="http://www.akitaonrails.com/2011/02/03/off-topic-a-revolta-de-atlas-dinheiro-e-a-raiz-de-todo-o-mal"target="_blank" rel="noopener">dinheiro</a> e notoriedade a partir do &ldquo;medo&rdquo; causado por esse possível fenômeno natural. Assista ao documentário <a href="http://web.archive.org/web/20130204054920/http://coolit-themovie.com/"target="_blank" rel="noopener">Cool It</a>, onde o pesquisador Bjorn Lomborg desmistifica item a item o que você, leitor deste blog, certamente ainda não parou para pensar.</p>
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<p>Exemplo: se o Protocolo de Kyoto tivesse tido sucesso como os lobistas queriam, ele diminuiria a temperatura do mundo em apenas 0.008 graus Fahrenheit até 2100. E a política climática da União Europeia baixaria a temperatura em só 0.1 graus Fahrenheit, ao custo ridículo de USD 250 bilhões por ano pelo próximo século. Com metade desse dinheiro daria para acabar com a pobreza, a fome e as doenças do mundo.</p>
<p>Se todo mundo nos Estados Unidos passasse a dirigir um Prius, isso não cobriria nem 0.5% do carbono que tecnicamente deveria ser cortado até o meio do século. E se todos nos Estados Unidos usassem apenas lâmpadas econômicas, isso não cobriria nem 0.2% do carbono a ser cortado.</p>
<p>O comediante George Carlin foi quem explicou isso da forma mais clara que já vi:</p>
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<p>Estão entendendo?</p>
<h2>A Quem isso Beneficia?<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="a-quem-isso-beneficia"></span>
    <a href="#a-quem-isso-beneficia" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Nenhum &ldquo;pequeno ato&rdquo;, como reciclar uma latinha de alumínio, faz muita diferença sozinho hoje (não se preocupe, também não faz mal por si só). O que realmente faz diferença são os avanços contínuos da ciência. Foi a experimentação disciplinada e o acúmulo de conhecimento que um dia nos levaram à agricultura, afastando a fome mesmo com a superpopulação do mundo.</p>
<p>Essa conquista vem regredindo com modas como a <a href="http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2012/09/estudo-polemico-diz-que-comida-organica-nao-e-mais-nutritiva.html"target="_blank" rel="noopener">&ldquo;comida orgânica&rdquo;</a>, que ignora anos de evolução da tecnologia agrônoma responsável por garantir que nossa geração existisse.</p>
<p>A razão deste artigo é questionar o óbvio: <strong>a quem tudo isso beneficia?</strong> A resposta mais fácil são as grandes corporações que sabem tirar vantagem financeira disso. Mas elas não são o problema. O problema são as pessoas que facilitam a vida das corporações, transformando toda discussão em julgamento moral.</p>
<p>Hoje em dia, se eu digo que não ajudo nenhuma causa &ldquo;social&rdquo;, viro culpado de alguma forma pela desgraça de alguém. Uma história que me perturba até hoje foi contada por um amigo que respeito muito. Ele é um empresário bem-sucedido e se sente um pouco culpado por ter mais do que os outros. Por isso, quando pode, oferece esmola e coisas do tipo. Um dia, se me lembro direito, um desses mendigos esnobou a esmola, e meu amigo não sabia se tinha o direito de se sentir tão frustrado quanto estava.</p>
<p>Essa é a minha longa discussão sobre os <a href="http://akitaonrails.com/2009/09/09/off-topic-direitos-do-homem"target="_blank" rel="noopener">Direitos do Homem</a>. E, para deixar bem claro, digo com todas as letras: não tenho nenhuma obrigação de ajudar ninguém, da mesma forma que ninguém tem obrigação de me ajudar.</p>
<p>A palavra-chave aqui é &ldquo;obrigação&rdquo;. Sempre tenho a escolha de ajudar ou não, mas nunca a obrigação. Exercer essa escolha é uma opção individual que não cabe a ninguém julgar.</p>
<p>O mundo é simples: tudo que produzi pelo meu esforço é meu e de mais ninguém. Se eu quiser doar a alguém, é escolha minha. Se eu quiser jogar fora, é outra escolha absolutamente válida minha. Ninguém tem direito a algo meu, e ninguém pode julgar o que faço com algo meu. A recíproca vale: nunca terei direito a nada de ninguém de graça, e nunca devo julgar o que os outros fazem com as próprias posses. É simples.</p>
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<p>Esmola e doação são a mesma coisa. Vou dar a quem quiser, quando quiser e se quiser. E não julgo ninguém que doe ou que não doe. Agora, me irrita muito alguém ter a audácia de achar que pode me julgar pelo que faço com algo inteiramente meu.</p>
<p>Volte à minha história: por que esse meu amigo precisa se sentir &ldquo;culpado&rdquo; por algo de que não tem culpa? Tudo que ele ganhou foi pelo próprio esforço e suor, é dele. Mais do que isso, o trabalho dele possibilitou muitos empregos e até que outras empresas existissem, gerando riqueza indireta para muita gente. Por que ele precisa se sentir culpado por não dar de graça algo que é dele?</p>
<p>Essa é a prostituição da mente que quem trabalha sofre diariamente. Quanto mais trabalham, mais se esforçam e mais ganham, proporcionalmente mais se sentem culpados e julgados pelos outros. E quem são esses &ldquo;outros&rdquo;?</p>
<p>Este é o verdadeiro alvo do meu artigo. Quero expor quem se beneficia dessa orgia de falso altruísmo e ignorância. Gente carismática, que fala bonito, com discursos inspiradores (principalmente quem fala em justiça, inspiração e motivação), que usa muita hipérbole e apresenta quase nenhum dado de fonte confiável.</p>
<p>Todos usam os mesmos discursos, as mesmas formas pomposas e sem conteúdo. Mostram vídeos com o mundo se despedaçando, pessoas apáticas, criancinhas, repetindo os mesmos <em>&ldquo;Devemos&hellip;&rdquo;</em>, <em>&ldquo;Precisamos&hellip;&rdquo;</em> de sempre:</p>
<blockquote>"Precisamos nos unir", "Precisamos ser mais solidários", "Precisamos nos preocupar mais", "Precisamos pensar no próximo", "Precisamos largar o celular e nos conectar de verdade", bla, bla.</blockquote>
<p><strong>BULLSHIT!</strong></p>
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<!-- youtube video unavailable (deleted): 2DX3lZ8peBU (Penn & Teller Bullshit - Environmental Hysteria Part 1) -->
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<!-- youtube video unavailable (deleted): _ELJt0vUBi4 (Penn & Teller Bullshit - Environmental Hysteria Part 2) -->
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<p>Qualquer um que diz muitos <em>&ldquo;Precisamos&rdquo;</em>, sempre na primeira pessoa do plural <em>&ldquo;nós&rdquo;</em>, claramente quer ser o ditador de um grupo. Alguém que sozinho tem pouca capacidade e por isso incita mais gente para ganhar a credibilidade das massas. E, a partir de um certo número de pessoas, tudo que ele disser parece ter alguma validade.</p>
<p>Isso só é possível porque permitimos. Porque não olhamos os dados, não procuramos os fatos, nos emocionamos por qualquer vídeo bem montado com animais, paisagens e crianças, especialmente se mostrar crianças em alguma região miserável do interior da África. Batemos palma para todos esses demagogos.</p>
<p>E sabe o que fazem esses demagogos quando têm massas atrás? Fazem todos que efetivamente trabalham, criam e produzem riqueza no mundo se sentirem culpados. Colocam a massa para olhar essas pessoas e pressioná-las a &ldquo;compartilhar&rdquo; a própria propriedade, fazendo-as se sentir mal caso não dividam. E fazem isso de um jeito &ldquo;alegre&rdquo;, quase festivo: põem o dono da propriedade no meio da massa e dizem coisas como <em>&ldquo;pessoal, esse cara não seria hiper-legal se doasse o que tem para nossa causa?&rdquo;</em>, batendo palmas e sorrindo com sarcasmo, ao mesmo tempo que envergonham e encurralam o produtor, sem saída.</p>
<p>Isso, senhores, chama-se <a href="http://web.archive.org/web/20110904053728/http://www.jusbrasil.com.br/topicos/294442/estelionato"target="_blank" rel="noopener">estelionato</a>. É uma atividade fraudulenta, criminosa e, obviamente, ofensiva. Vamos ser claros: não vou me sujeitar ao sofrimento de atos criminosos. E você também não deveria.</p>
<p>A lição aqui é simples. Se alguém vem falar de outra pessoa ou grupo, faça a pergunta: <em>&ldquo;a quem isso beneficia?&rdquo;</em>. Se alguém diz <em>&ldquo;a empresa tal deve estar falindo, já que não tem dinheiro nem para doar para essa causa social tão importante&rdquo;</em>, por que essa pessoa que repassa a informação se importa? A quem isso beneficia? E vire a pergunta: por que uma empresa não doar significaria necessariamente que ela está mal financeiramente? A alternativa mais óbvia, &ldquo;a empresa não tem interesse em doações&rdquo;, parece &ldquo;moralmente ruim&rdquo; demais para ser considerada. E é justamente ela a mais provável. Só que chegamos num ponto tão degradante da moral que essa escolha é quase tratada como crime.</p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/324/2011-11-11_First_World_Problems.png" alt="Memes"  loading="lazy" /></p>
<h2>Não caia na conversa<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="não-caia-na-conversa"></span>
    <a href="#n%c3%a3o-caia-na-conversa" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Por isso, prestem atenção: o mundo hoje é melhor do que ontem. Não tenha dúvida disso. Doar e participar de causas sociais são coisas válidas. Mas julgar os outros por não participarem é crime.</p>
<p>Qualquer empresa, qualquer trabalhador realiza uma operação muito simples: trocas. Um trabalhador troca o valor do que produziu por dinheiro. Uma empresa troca um produto por dinheiro. E quem participa de causas sociais troca a própria capacidade de trabalho por outro tipo de moeda: consciência. Toda doação é uma transação do seu dinheiro ou das suas posses por <strong>&ldquo;você se sentir bem consigo mesmo&rdquo;</strong>. É uma troca comercial como qualquer outra. Afinal, você já viu alguém doar com o objetivo de se sentir mal depois?</p>
<p>Isso fica mais óbvio quando você encontra os famigerados <em>solidários de fim de semana</em>. Gente que quer comprar karma positivo por estar frustrada, deprimida, infeliz consigo mesma. Aí resolve participar dos movimentos de &ldquo;salvar o mundo&rdquo;, doar dinheiro, doar tempo, doar trabalho. Mas assim que se cansam, já estão na praia, num churrasco jogando futebol, debaixo do sol na piscina. Só que agora estão &ldquo;moralmente com crédito&rdquo; e se colocam na posição de julgar os outros com um <em>&ldquo;eu ajudei e você não&rdquo;</em>.</p>
<p>Só para constar, não estou falando de todos que são solidários. Muitos levam isso a sério de verdade e, na maioria dos casos, são anônimos, porque não estão nisso para chamar atenção, e sim para ajudar. Mas o tipo de que falo está no negócio de &ldquo;se sentir bem&rdquo;, e isso pede atenção, pede dizer para os outros como são boas pessoas, como todos deveriam imitá-los para se sentir bem igual. Como viciados oferecendo drogas porque elas fazem se sentir bem.</p>
<p>E elas estão preocupadas com as criancinhas? Veja o trauma que as estão fazendo passar contando falsas histórias de fim do mundo:</p>
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<p>A existência de pessoas assim é, justamente, mais uma evidência de como nossos tempos são melhores. No começo do século XX ninguém daria atenção a &ldquo;causas sociais&rdquo; como hoje: muitos sequer tinham o que comer direito, não tinham roupas, morriam de doenças comuns.</p>
<p>Só que esse grupo está cada vez mais incômodo e chato. Se não ficou claro, sou totalmente a favor de causas sociais sérias, e detesto os <em>hipsters solidários de fim de semana</em>. Existem movimentos sérios que merecem respeito sendo manchados por esses grupos. Quer mesmo se dedicar a uma causa? Junte-se a organizações como a Cruz Vermelha, trabalhe nisso em tempo integral e nunca force ninguém, física ou moralmente, a tomar a mesma decisão que você.</p>
<p>Isso vale para causas sociais e para qualquer tipo de &ldquo;causa&rdquo;. Fiquem espertos para variar: tem muita gente esperta querendo que você faça o trabalho sujo por ela. Desconfie de qualquer um que fale por <em>&ldquo;nós&rdquo;</em>, pelo <em>&ldquo;bem de todos&rdquo;</em> ou por qualquer demagogia barata do tipo.</p>
<p>O mundo hoje é melhor, verifique os dados, e está ficando cada vez melhor. Tudo que precisamos fazer é trabalhar e produzir mais e mais riqueza. Foi produzindo que o mundo chegou até aqui, e é produzindo que vai continuar melhorando. Retirar riqueza dos outros, o que muitos chamam eufemisticamente de &ldquo;compartilhar&rdquo;, nunca foi o caminho.</p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/325/1.jpeg" alt="Silicon Valey"  loading="lazy" /></p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/326/funny-worst-first-world-problem.jpeg" alt="First World Problems: I have a job"  loading="lazy" /></p>
]]></content:encoded><category>ciencia</category><category>filosofia</category><category>economia</category><category>off-topic</category></item><item><title>_Why, Dramas do Ruby e Dinamitando Courtlandt</title><link>https://akitaonrails.github.io/2012/09/07/why-dramas-do-ruby-e-dinamitando-courtlandt/</link><guid isPermaLink="true">https://akitaonrails.github.io/2012/09/07/why-dramas-do-ruby-e-dinamitando-courtlandt/</guid><pubDate>Fri, 07 Sep 2012 14:37:00 -0300</pubDate><description>&lt;p&gt;&lt;img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/22/why_fountainhead.jpg" alt="_Why é o Howard Roark do mundo Ruby" loading="lazy" /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Recentemente escrevi um artigo chamado &lt;a href="http://www.akitaonrails.com/2012/09/03/documentario-do-why-na-rubyconf-2012-denver"target="_blank" rel="noopener"&gt;_Why Documentary at Rubyconf 2012, Denver&lt;/a&gt; lembrando as pessoas sobre essa figura que se autodenominava &amp;ldquo;_Why&amp;rdquo;, que decidiu desaparecer em agosto de 2009, levando consigo todo o seu trabalho, basicamente cometendo um suicídio virtual.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O artigo atraiu muitos trolls e haters na seção de comentários, gerando bem mais discussão do que eu esperava, questionando por que cultuamos alguém louco o suficiente para destruir todo o próprio trabalho, alguém que obviamente não é um bom modelo a ser seguido e que, comparado a outros titãs da programação, fez pouco e com qualidade duvidosa.&lt;/p&gt;</description><content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/22/why_fountainhead.jpg" alt="_Why é o Howard Roark do mundo Ruby"  loading="lazy" /></p>
<p>Recentemente escrevi um artigo chamado <a href="http://www.akitaonrails.com/2012/09/03/documentario-do-why-na-rubyconf-2012-denver"target="_blank" rel="noopener">_Why Documentary at Rubyconf 2012, Denver</a> lembrando as pessoas sobre essa figura que se autodenominava &ldquo;_Why&rdquo;, que decidiu desaparecer em agosto de 2009, levando consigo todo o seu trabalho, basicamente cometendo um suicídio virtual.</p>
<p>O artigo atraiu muitos trolls e haters na seção de comentários, gerando bem mais discussão do que eu esperava, questionando por que cultuamos alguém louco o suficiente para destruir todo o próprio trabalho, alguém que obviamente não é um bom modelo a ser seguido e que, comparado a outros titãs da programação, fez pouco e com qualidade duvidosa.</p>
<p>E aí, hoje, fiquei sabendo desse site sobre Ruby Dramas — que faço questão de não linkar. Não conheço o autor e até acho que é só brincadeira, mas as reações dos trolls e haters não são. Basicamente o site lista algumas das chamadas &ldquo;Ruby Dramas&rdquo;, as discussões que trolls e haters chamam de perda de tempo, prova da imaturidade e do comportamento infantil dos programadores Ruby.</p>
<p>Em 2006, Kathy Sierra escreveu um artigo chamado <a href="http://headrush.typepad.com/creating_passionate_users/2006/10/dilbert_and_the.html"target="_blank" rel="noopener">Dilbert and the zone of mediocrity</a> onde ela afirma que, se você quer ser bem-sucedido, então você não deve querer agradar todo mundo só para que todos gostem de você. Você faz as coisas de um jeito que algumas pessoas vão amar, sabendo que muitas outras certamente vão odiar nesse processo. É tudo ou nada: se você se esforça apenas para agradar a todos, você está sendo medíocre.</p>
<p>Tem uma pegadinha aí. A coisa não é fazer com o objetivo de ser amado pelos outros. A coisa é fazer de um jeito que <strong>Você Ame</strong>.</p>
<p>O que são trolls e haters? Em essência, eles voltam pra você toda vez porque se importam com algumas das mesmas coisas que você. Mas eles não são produtores, são saqueadores, parasitas. O que eles estão dizendo de verdade é: <strong>&ldquo;Você é tão bom, me agrade, eu quero que os bem-sucedidos me agradem, porque eu não consigo fazer o que você faz, e como o mais fraco eu mereço ser agradado.&rdquo;</strong></p>
<p>Essa é a mentalidade do altruísmo e do coletivismo: pessoas que têm menos, que conseguem menos, merecem aquilo que os bem-sucedidos produziram, e os bem-sucedidos devem se sentir culpados por serem tão melhores. A horrenda filosofia Robin Hood.</p>
<p>Vou me dar uma liberdade filosófica e usar metáforas para ilustrar meu ponto. Nunca conversei com outros rubistas que conheciam o _Why pessoalmente, então espero que eles não se ofendam se minha visão pessoal divergir, mas, de novo, isso é só minha opinião pessoal.</p>
<p>Recentemente descobri que, por coincidência, o nome <strong>&ldquo;Why, the Lucky Stiff&rdquo;</strong> é mencionado na famosa obra-prima de Ayn Rand, <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Talk:Why_the_lucky_stiff#Real_name"target="_blank" rel="noopener">The Fountainhead</a>. — A propósito, como não sou nativo americano, acabei de saber que essa era uma expressão bem comum naquela época. Mas não resisti em deixar essa coincidência registrada mesmo assim :-)</p>
<p>Esse romance ilustra a visão ideal da filosofia Objetivista de Ayn Rand. Ele conta a história do homem ideal: Howard Roark, um arquiteto talentoso que vive pela paixão das próprias habilidades criativas. Ele não se curva a ninguém, mesmo que isso signifique sua própria destruição. Ele vive segundo os princípios morais da troca voluntária e da realização individual.</p>
<p><a href="http://bit.ly/P1H10f"target="_blank" rel="noopener">Objetivismo</a> é a base de uma versão mais pura do Capitalismo (não a versão em que vivemos atualmente), na qual os indivíduos fazem apenas acordos voluntários entre si.</p>
<p>Então, em The Fountainhead, os trolls e haters são personificados pelos saqueadores como os Peter Keatings e Ellsworth Tooheys deste mundo.</p>
<h2>Alerta de Spoiler!! (não siga em frente se você prefere ler o livro)<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="alerta-de-spoiler-não-siga-em-frente-se-você-prefere-ler-o-livro"></span>
    <a href="#alerta-de-spoiler-n%c3%a3o-siga-em-frente-se-voc%c3%aa-prefere-ler-o-livro" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Resumindo, no livro Roark acaba envolvido num projeto chamado Courtlandt, um complexo enorme para os pobres e necessitados, em que nenhum outro arquiteto conseguiu desenhar algo que coubesse nos requisitos e no orçamento. Só Roark conseguiu resolver o quebra-cabeça e ele aceita entregar com uma única condição: que seu trabalho não seja modificado de jeito nenhum.</p>
<p>Quando ele entrega, os outros arquitetos acham que têm voz no design dele e modificam tudo conforme um comitê que acha que sabe o que é melhor para &ldquo;o bem maior&rdquo;. Quando Roark fica sabendo, e vê sua criação sendo construída de um jeito que ele não queria, ele decide dinamitar e botar tudo abaixo.</p>
<p>Ele vai a júri e essa é a defesa dele:</p>
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</div>
<p><a href="http://www.nasonart.com/personal/lifelessons/fountainhead.html"target="_blank" rel="noopener">Leia a versão completa dessa notável defesa no romance</a>.</p>
<p>De novo, como metáfora, não consigo deixar de imaginar o _Why no lugar de Howard, falando para seus detratores, os trolls e haters, aqueles que apontam as ditas &ldquo;Ruby Dramas&rdquo;, os saqueadores, aqueles que acham que sabem o que é &ldquo;o bem maior&rdquo;.</p>
<p>Tem gente que questiona por que &ldquo;_Why&rdquo; desperta tamanha &ldquo;adoração irracional&rdquo; se, no fim das contas, ele nem programou tanto assim, e o código dele nem era exatamente bom o suficiente (segundo a visão deles, claro).</p>
<p>Minha teoria pessoal é justamente porque _Why encarna os ideais de Howard Roark. Ele é um artista, igual ao Roark. Ele fazia coisas de jeitos que surpreendiam as pessoas. Ele criava, ele produzia, ele se manteve uma mente independente. Mas algum contrato foi quebrado. Eu não sei qual, talvez o acordo fosse exatamente esse: &ldquo;me deixem em paz&rdquo;, &ldquo;não venham atrás da minha identidade pessoal&rdquo;, &ldquo;não me digam como eu devo fazer meu trabalho&rdquo;.</p>
<p>Então, quando os Tooheys passaram por cima dele, ele literalmente dinamitou Courtlandt. Era o trabalho dele, nos termos dele, escolha dele. E sua escolha individual foi fazer o que Roark defendeu:</p>
<blockquote>
  <p>&ldquo;Sou um arquiteto. Sei o que está por vir pelo princípio sobre o qual está sendo construído. <strong>Estamos nos aproximando de um mundo no qual eu não posso me permitir viver</strong>.</p>
<p>&ldquo;Agora você sabe por que eu dinamitei Cortlandt.</p>
<p>&ldquo;Eu projetei Cortlandt. Eu o entreguei a vocês. Eu o destruí.</p>
<p>&ldquo;Eu o destruí porque escolhi não permitir que existisse. Era um monstro duplo. Em forma e em implicação. Tive que destruir os dois. A forma foi mutilada por dois oportunistas que assumiram o direito de melhorar aquilo que não fizeram e que não conseguiriam igualar. Eles foram autorizados a fazer isso pela implicação geral de que o propósito altruísta do prédio se sobrepunha a todos os direitos e que eu não tinha qualquer reivindicação contra isso.</p>
<p>&ldquo;Concordei em projetar Cortlandt com o propósito de vê-lo erguido como eu o havia projetado e por nenhuma outra razão. Esse foi o preço que estabeleci para o meu trabalho. Não fui pago.</p>

</blockquote>
<p>Então Kathy Sierra estava certa: se você faz algo notável, algo que você ama, alguns também vão amar, e outros vão denunciar e odiar. Trolls são como sanguessugas, eles vêm rastejando rápido perseguindo o sucesso alheio para se alimentar dele. Eles fazem isso não produzindo, mas evocando os princípios altruístas, todos contra o indivíduo. E esse é o mal da nossa sociedade: deveríamos ser capazes de entender que a realização individual não precisa ser compartilhada. Um indivíduo que conquistou sucesso pelos próprios méritos merece cada centavo dele sem precisar se sentir culpado.</p>
<p>Trolls e haters dão nome a coisas como &ldquo;Ruby Dramas&rdquo; porque querem sua atenção. Eles querem que as pessoas que citam estejam disponíveis para agradá-los. E eles não podem ser agradados, então é uma proposta impossível. Trolls existem só pelo prazer de trollar. Isso é o que a Kathy talvez não tenha percebido quando escreveu seu ensaio: sim, o sucesso vai atrair os haters, mas não porque eles se importam com o que foi conquistado e querem proteger isso, e sim porque — como sanguessugas — querem se beneficiar sem produzir, no princípio de que pessoas bem-sucedidas devem agradar aqueles que não conseguem realizar.</p>
<p>Roark disse: <strong>&ldquo;Estamos nos aproximando de um mundo no qual eu não posso me permitir viver&rdquo;</strong>, e foi assim que _Why apagou seu trabalho, mesmo tendo muitos outros contribuído para ele. De novo, houve quebra de contrato e de novo eu cito Roark:</p>
<blockquote>
  <p>&ldquo;Eu não recebi o pagamento que pedi. Mas os donos de Cortlandt obtiveram de mim o que precisavam. Eles queriam um esquema desenvolvido para construir uma estrutura o mais barata possível. Não acharam ninguém mais que conseguisse fazer isso a contento. Eu consegui e fiz. Eles pegaram o benefício do meu trabalho e me obrigaram a entregá-lo como um presente. Mas eu não sou um altruísta. Eu não dou presentes desse tipo.</p>
<p>&ldquo;Dizem que destruí o lar dos necessitados. Esquecem que, sem mim, os necessitados nem teriam tido esse lar específico. Aqueles que se preocupavam com os pobres tiveram que vir até mim, que nunca me preocupei, para ajudar os pobres. Acredita-se que a pobreza dos futuros inquilinos lhes dava o direito ao meu trabalho. Que a necessidade deles constituía uma reivindicação sobre a minha vida. Que era meu dever contribuir com qualquer coisa exigida de mim. Esse é o credo do oportunista que agora engole o mundo.</p>
<p>&ldquo;Vim aqui para dizer que não reconheço o direito de ninguém a um minuto da minha vida. Nem a qualquer parte da minha energia. Nem a qualquer realização minha. Não importa quem faça a reivindicação, quão grande seja seu número ou quão grande seja sua necessidade.</p>
<p>&ldquo;Quis vir aqui e dizer que sou um homem que não existe para os outros.</p>
<p>&ldquo;Tinha que ser dito. <strong>O mundo está perecendo numa orgia de auto-sacrifício</strong>.</p>
<p>&ldquo;Quis vir aqui e dizer que a integridade do trabalho criativo de um homem é mais importante do que qualquer empreitada caritativa. Aqueles de vocês que não entendem isso são os homens que estão destruindo o mundo.</p>
<p>&ldquo;Quis vir aqui e estabelecer meus termos. Não me importo em existir sob quaisquer outros.</p>

</blockquote>
<p>E o ponto deste artigo não é idealizar o _Why, e sim deixar claro o que significa valorizar a realização individual.</p>
<p>Então, muita gente vê valor no _Why, o suficiente para perdoá-lo por destruir seu Courtlandt e cultuá-lo como inspiração. Os trolls e haters estão furiosos, claro, do mesmo jeito que Ellsworth Toohey ficou. Não importa o volume nem mesmo a qualidade do trabalho dele. Poderiam ser 6 linhas de código, mas se essas 6 linhas significaram muito para muita gente, ele ainda seria lembrado. Essa é a natureza da criação.</p>
<p>Não dá para se livrar dos trolls e haters. Eu mesmo sei que, para tudo que faço e que as pessoas amam, conheço alguns dos haters por nome e endereço. Eles estão lá, espreitando, rastejando. Mas não importa, porque eu não faço o que faço por causa deles, faço por mim mesmo. E se você é uma pessoa que produz, você também deveria fazer assim.</p>
<p>E, se há algo que, para mim pessoalmente, _Why simboliza, é isso. Acho que não estamos cultuando só a pessoa dele, e sim o que ele representou: ser um indivíduo criativo produzindo pelo próprio bem.</p>
]]></content:encoded><category>filosofia</category><category>ruby</category><category>biografias</category></item><item><title>Ruby é Belo? O Que é Beleza?</title><link>https://akitaonrails.github.io/2012/09/02/ruby-e-belo-o-que-e-beleza/</link><guid isPermaLink="true">https://akitaonrails.github.io/2012/09/02/ruby-e-belo-o-que-e-beleza/</guid><pubDate>Sun, 02 Sep 2012 21:46:00 -0300</pubDate><description>&lt;p&gt;Se você é Rubista, conhece o meme de que &lt;a href="http://web.archive.org/web/20120904122219/http://rubyrogues.com/what-makes-beautiful-code/"target="_blank" rel="noopener"&gt;&amp;ldquo;Ruby permite escrever código belo&amp;rdquo;&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Várias pessoas na comunidade já tentaram definir o que é &amp;ldquo;Código Ruby Belo&amp;rdquo;. A maioria conseguiu nos mostrar código realmente bonito, mas eu ainda não vi ninguém comunicar de fato o conceito de &amp;ldquo;Beleza&amp;rdquo;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Eis que entra o &lt;a href="http://www.ted.com"target="_blank" rel="noopener"&gt;TED&lt;/a&gt;. Quem me conhece sabe que sou completamente viciado nele há anos, todos os temas me inspiram. E hoje à noite, durante o jantar, assisti ao grande &lt;a href="https://www.ted.com/talks/richard_seymour_how_beauty_feels"target="_blank" rel="noopener"&gt;Richard Seymour&lt;/a&gt; (não, ele não é programador) falando exatamente sobre esse assunto e fiquei impressionado.&lt;/p&gt;</description><content:encoded><![CDATA[<p>Se você é Rubista, conhece o meme de que <a href="http://web.archive.org/web/20120904122219/http://rubyrogues.com/what-makes-beautiful-code/"target="_blank" rel="noopener">&ldquo;Ruby permite escrever código belo&rdquo;</a>.</p>
<p>Várias pessoas na comunidade já tentaram definir o que é &ldquo;Código Ruby Belo&rdquo;. A maioria conseguiu nos mostrar código realmente bonito, mas eu ainda não vi ninguém comunicar de fato o conceito de &ldquo;Beleza&rdquo;.</p>
<p>Eis que entra o <a href="http://www.ted.com"target="_blank" rel="noopener">TED</a>. Quem me conhece sabe que sou completamente viciado nele há anos, todos os temas me inspiram. E hoje à noite, durante o jantar, assisti ao grande <a href="https://www.ted.com/talks/richard_seymour_how_beauty_feels"target="_blank" rel="noopener">Richard Seymour</a> (não, ele não é programador) falando exatamente sobre esse assunto e fiquei impressionado.</p>
<p>O vídeo está logo abaixo, mas deixa eu acrescentar algumas palavras minhas. No nosso pequeno mundo de programadores e tecnólogos, temos um monte de discussões em torno de &ldquo;Forma&rdquo; vs &ldquo;Função&rdquo;, como se tivéssemos que escolher uma em detrimento da outra, ou balancear uma contra a outra.</p>
<p>Eu tenho a mesma opinião do Richard: isso não é uma questão de &ldquo;Forma&rdquo; <strong>VS</strong> &ldquo;Função&rdquo;. A maneira correta de pensar é &ldquo;Forma&rdquo; <strong>É</strong> &ldquo;Função&rdquo;. E beleza é algo que se <strong>sente</strong>, antes de qualquer análise ou racionalização.</p>
<p>Sua reação à beleza está diretamente ligada ao que você sabe e ao que já viveu. Sem vivência e sem aprendizado, você não encontra beleza. Voltando à programação, é impossível para alguém que acabou de começar a escrever software, ou mesmo alguém que já fez alguns projetos pequenos, entender o conceito de &ldquo;beleza&rdquo;.</p>
<p>Só depois de algum tempo, alguma experiência e algum aprendizado é que essa pessoa vai começar a sacar como a beleza possivelmente se sente.</p>
<p>Com esse comentário, assista ao Richard Seymour (se quiser legendas no seu idioma nativo, vá ao <a href="https://www.ted.com/talks/richard_seymour_how_beauty_feels"target="_blank" rel="noopener">site original</a> para escolher as legendas):</p>
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<p>Conhecimento e experiência são tudo. Ignorância não conhece beleza.</p>
]]></content:encoded><category>filosofia</category><category>ruby</category><category>off-topic</category></item><item><title>[Off-Topic] Grandes Artistas Roubam</title><link>https://akitaonrails.github.io/2012/05/13/off-topic-grandes-artistas-roubam/</link><guid isPermaLink="true">https://akitaonrails.github.io/2012/05/13/off-topic-grandes-artistas-roubam/</guid><pubDate>Sun, 13 May 2012 11:00:00 -0300</pubDate><description>&lt;p&gt;A maioria de nós geeks provavelmente já ouviu a frase:&lt;/p&gt;
&lt;blockquote&gt;
&lt;p&gt;&amp;ldquo;Good artists copy, great artists steal&amp;rdquo;&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;
&lt;p&gt;Ela nos chega pelo Steve Jobs, no contexto da interface gráfica copiada primeiro pela Apple a partir da Xerox e depois pela Microsoft a partir da Apple.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A frase virou quase um cult depois do famoso filme para TV &lt;a href="http://www.imdb.com/title/tt0168122/"target="_blank" rel="noopener"&gt;Piratas do Vale do Silício&lt;/a&gt;. E acabou, para muita gente, erroneamente associada a &amp;ldquo;plágio&amp;rdquo; e &amp;ldquo;pirataria&amp;rdquo;. Por muito tempo eu mesmo nunca parei para pensar nela, só a joguei nesse mesmo balaio.&lt;/p&gt;</description><content:encoded><![CDATA[<p>A maioria de nós geeks provavelmente já ouviu a frase:</p>
<blockquote>
  <p>&ldquo;Good artists copy, great artists steal&rdquo;</p>

</blockquote>
<p>Ela nos chega pelo Steve Jobs, no contexto da interface gráfica copiada primeiro pela Apple a partir da Xerox e depois pela Microsoft a partir da Apple.</p>
<p>A frase virou quase um cult depois do famoso filme para TV <a href="http://www.imdb.com/title/tt0168122/"target="_blank" rel="noopener">Piratas do Vale do Silício</a>. E acabou, para muita gente, erroneamente associada a &ldquo;plágio&rdquo; e &ldquo;pirataria&rdquo;. Por muito tempo eu mesmo nunca parei para pensar nela, só a joguei nesse mesmo balaio.</p>
<p>A frase costuma ser creditada ao grande artista <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Pablo_Picasso"target="_blank" rel="noopener">Pablo Diego José Francisco de Paula Juan Nepomuceno María de los Remedios Cipriano de la Santísima Trinidad Ruiz y Picasso</a>, ou simplesmente Pablo Picasso :-). Abro um parêntese: essa autoria é discutível. O registro documentado mais antigo dessa ideia é de T.S. Eliot, em 1920 (&ldquo;poetas imaturos imitam; poetas maduros roubam&rdquo;), e foi o próprio Steve Jobs quem passou a colar o nome de Picasso no ditado, nos anos 1980. De qualquer forma, é a versão atribuída a Picasso que ficou popular, e é dela que parto aqui.</p>
<p>Quem me acompanha há algum tempo e assiste às minhas palestras sabe que eu gasto muito tempo tentando explicar o termo &ldquo;artista&rdquo; aplicado a &ldquo;desenvolvedor de software&rdquo;, ao &ldquo;software craftsmanship&rdquo; e, mais especificamente, à &ldquo;prática de programação&rdquo;.</p>
<p>Programação não é algo que você lê num livro, exercita uma vez e <em>&ldquo;boom&rdquo;</em>, já sabe programar. Como qualquer arte, seja pintura, música ou dança, ela depende de disciplina e muita prática. E quem se dedica a uma arte sabe que repetição é uma técnica, mas repetir a mesma coisa não leva a lugar nenhum.</p>
<p>O processo de &ldquo;prática&rdquo; começa em dominar uma técnica, repeti-la muitas vezes, entender onde se erra e refiná-la. Quando ela está dominada, segue-se rápido para técnicas novas e mais difíceis. É contínuo, sem um &ldquo;fim&rdquo;. Não existe &ldquo;ponto de chegada&rdquo; para quem pratica arte. Até lutadores de artes marciais sabem que faixa preta não significa &ldquo;fim&rdquo;.</p>
<p>Se eu tivesse que resumir tudo isso, seria com a frase de Picasso:</p>
<blockquote>
  <p>&ldquo;Bons Artistas Copiam, Grandes Artistas <del>Roubam</del> Tomam para Si&rdquo;</p>

</blockquote>
<p>Troquei &ldquo;roubar&rdquo; pelo sentido mais literal de &ldquo;tomar para si&rdquo;. Essa é a pegadinha que muda o sentido para mim.</p>
<p>Tudo o que temos hoje, conhecimento, cultura, técnica, tecnologia, vem de séculos de acúmulo meticuloso e refinamento cuidadoso feito por centenas de grandes homens e mulheres. Literalmente, somos pequenos duendes de pé <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Standing_on_the_shoulders_of_giants"target="_blank" rel="noopener">sobre o ombro de gigantes</a>.</p>
<p>Uma propriedade material, física, quando tomada de alguém, é roubo: para você ter, alguém ficou sem. Copiar essa propriedade é plágio. Com conhecimento e ideias, porém, &ldquo;copiar&rdquo; ou &ldquo;roubar&rdquo; ganha vários sentidos mais abstratos, e quero expor um deles aqui.</p>
<p>Qualquer artista precisa começar de algum lugar. Um pintor contemporâneo já parte anos-luz à frente dos colegas de alguns séculos atrás. Naquela época, acesso a tinta não era óbvio.</p>
<p>De que material da natureza se extrai o amarelo? Talvez da gema de ovo. E o azul ultramarino? A coisa complica. Anos de conhecimento acumulado hoje nos dão todas as tonalidades possíveis sem precisar pensar nisso.</p>
<p>O mesmo vale para pontilhismo, aquarela, tinta a óleo. Hoje não precisamos &ldquo;descobrir&rdquo; essas técnicas, elas já estão exaustivamente documentadas. Ou seja:</p>
<blockquote>
  <p>&ldquo;Para nos tornarmos &lsquo;bons&rsquo; artistas, devemos &lsquo;copiar&rsquo; as centenas de técnicas que os gigantes criaram antes de nós, até dominá-las.&rdquo;</p>

</blockquote>
<p>E convenhamos: um pintor que copia as técnicas bem o bastante para ficar indistinguível dos mestres que as criaram já é um excelente artista.</p>
<p>Toda prática começa copiando o que já foi feito. Repetindo, aprendendo as nuances, entendendo por que as técnicas chegaram ao que são hoje. Quem segue essa filosofia, copiar para dominar e seguir em frente até cobrir a área inteira, está andando nos passos dos gigantes do passado.</p>
<p>Depois vem um passo extra. Nós, geeks, conhecemos o chavão de quando <em>&ldquo;o discípulo se torna o mestre&rdquo;</em>. Nos filmes parece bem mais fácil, mas esse passo é o momento em que o artista deixa de só copiar o que dominou:</p>
<blockquote>
  <p>&ldquo;Para nos tornarmos &lsquo;grandes&rsquo; artistas, depois de dominar o que copiamos, podemos adaptar, refinar e, quem sabe, melhorar ou inovar. É quando deixamos de apenas copiar e passamos a literalmente &lsquo;roubar&rsquo;, tornando aquela propriedade efetivamente nossa, tomando para si.&rdquo;</p>

</blockquote>
<p>É quando um Einstein sucede a um Newton, ou um Platão sucede a um Sócrates. Aqui &ldquo;roubar&rdquo; carrega o sentido de &ldquo;tornar a propriedade efetivamente sua&rdquo;, longe do uso comum de &ldquo;tirar sem mérito o que pertence a outro&rdquo;.</p>
<p>Todo bom pintor ou artista plástico tem dezenas de gigantes e séculos de material para &ldquo;copiar&rdquo; e &ldquo;praticar&rdquo;: Michelângelo, Da Vinci, Picasso.</p>
<h2>Pintor de Parede vs Pintor de Quadros<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="pintor-de-parede-vs-pintor-de-quadros"></span>
    <a href="#pintor-de-parede-vs-pintor-de-quadros" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Outra coisa que repito <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Ad_nauseam"target="_blank" rel="noopener">ad nauseam</a> é que existem programadores-codificadores e programadores-desenvolvedores. Pintores de parede e pintores de quadros.</p>
<p>Codificadores não entendem seu papel nessa história. Aprendem a copiar umas poucas técnicas, talvez dominem algumas, e logo se autodenominam &ldquo;mestres&rdquo;. É um pensamento medíocre, que envergonharia os gigantes de eras anteriores: Babbage, Von Neumann, Bob Noyce. São meros pintores de parede.</p>
<p>Desenvolvedores, como gosto de chamar, entendem melhor seu papel na história. Reconhecem a riqueza do material que já existe, praticam sem limite e sem acreditar num fim, e dominam técnica após técnica, sempre mirando um nível acima do atual. Mas jamais se colocariam na posição de pintar uma Mona Lisa sem antes aperfeiçoar o <em>sfumato</em>. Esses são pintores de quadros.</p>
<p>Me envergonham programadores que leram pouco, praticaram miseravelmente pouco e se acham na posição de mestre. Do mesmo jeito que envergonharia um pintor ouvir alguém dizer que sabe pintar um afresco sem sequer saber diluir uma base de gesso.</p>
<p>Resumindo a minha versão pessoal:</p>
<blockquote>
  <p>&ldquo;Bons Artistas Copiam, Grandes Artistas Tomam para Si, Péssimos Artistas são cheios de si.&rdquo;</p>

</blockquote>
]]></content:encoded><category>filosofia</category><category>aprendizado</category><category>off-topic</category></item><item><title>[Off-Topic] Mensagem de Ano Novo - Filosofia</title><link>https://akitaonrails.github.io/2011/12/31/off-topic-mensagem-de-ano-novo-filosofia/</link><guid isPermaLink="true">https://akitaonrails.github.io/2011/12/31/off-topic-mensagem-de-ano-novo-filosofia/</guid><pubDate>Sat, 31 Dec 2011 21:29:00 -0200</pubDate><description>&lt;p&gt;&lt;a href="http://www.amazon.com/Why-Businessmen-Need-Philosophy-Rand/dp/0786117907"target="_blank" rel="noopener"&gt;&lt;img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/2011/12/31/ref=dp_image_0_original.jpeg?1325374073" alt="" loading="lazy" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Este foi um ano longo. Pessoalmente, um dos piores e um dos melhores ao mesmo tempo. Uma consequência foi que bloguei muito pouco, mas 2012 deve ser o ano do retorno.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Para fechar o ano bem, fica uma reflexão. Foi um ano de muitas startups novas e muita gente disposta a explorar as oportunidades de empreender. Quem entra nesse mundo precisa levar a sério a filosofia por trás de qualquer empreendimento capitalista, o capitalismo de verdade, não este capitalismo-misto medíocre que a maioria pratica. Sem uma filosofia adequada, o mundo dos negócios não vai muito longe.&lt;/p&gt;</description><content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.amazon.com/Why-Businessmen-Need-Philosophy-Rand/dp/0786117907"target="_blank" rel="noopener"><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/2011/12/31/ref=dp_image_0_original.jpeg?1325374073" alt=""  loading="lazy" /></a></p>
<p>Este foi um ano longo. Pessoalmente, um dos piores e um dos melhores ao mesmo tempo. Uma consequência foi que bloguei muito pouco, mas 2012 deve ser o ano do retorno.</p>
<p>Para fechar o ano bem, fica uma reflexão. Foi um ano de muitas startups novas e muita gente disposta a explorar as oportunidades de empreender. Quem entra nesse mundo precisa levar a sério a filosofia por trás de qualquer empreendimento capitalista, o capitalismo de verdade, não este capitalismo-misto medíocre que a maioria pratica. Sem uma filosofia adequada, o mundo dos negócios não vai muito longe.</p>
<p>Busco minha fonte nos artigos de Ayn Rand e Leonard Peikoff. Como entrada <em>light</em>, vamos ao artigo <a href="http://web.archive.org/web/20120311233344/http://atlasshrugged.com/articles/an-answer-for-businessmen/"target="_blank" rel="noopener">Uma Resposta para Empresários</a>, publicado em 15 de maio de 1962, numa revista de notícias não identificada encontrada entre os documentos de Ayn Rand.</p>
<p>Para fechar a introdução, fica a leitura principal: <a href="http://web.archive.org/web/20120403073643/http://atlasshrugged.com/articles/why-businessmen-need-philosophy/"target="_blank" rel="noopener">Por que Empresários Precisam de Filosofia</a>, escrito por Leonard Peikoff, um trecho do <a href="http://www.amazon.com/Why-Businessmen-Need-Philosophy-Rand/dp/0962533629"target="_blank" rel="noopener">livro de mesmo nome</a> que todo interessado em empreender deveria ler.</p>
<h2>Uma Resposta para Empresários<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="uma-resposta-para-empresários"></span>
    <a href="#uma-resposta-para-empres%c3%a1rios" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Se você quer salvar o capitalismo só existe um tipo de argumento que você deve adotar, o único que sempre ganhou em qualquer disputa moral: o argumento da auto-estima. Cheque suas premissas, se convença de que sua causa é correta, então lute pelo capitalismo com plena certeza moral.</p>
<p>A crise mundial de hoje é uma crise moral – e nada menos do que uma revolução moral pode resolvê-la: uma revolução moral para sancionar e completar a conquista política da revolução Americana. Devemos lutar pelo capitalismo, não como uma disputa prática, não como uma disputa econômica, mas, com o maior orgulho de justiça, como uma disputa moral. É isso que o capitalismo merece, e nada menos irá salvá-lo.</p>
<p>Gostaria de dizer que você deve começar aplicando ao mundo das ideias o mesmo critério objetivo, lógico, racional de julgamento que você aplica ao mundo dos negócios. Você não julga disputas de negócios usando padrões emocionais – não faça isso em disputas ideológicas. Você não constrói fábricas guiado pelas suas emoções – não deixe suas emoções guiarem suas convicções políticas.</p>
<h2>Não tente enganar as pessoas nos negócios<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="não-tente-enganar-as-pessoas-nos-negócios"></span>
    <a href="#n%c3%a3o-tente-enganar-as-pessoas-nos-neg%c3%b3cios" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Você não conta com a estupidez dos homens em negócios, você não lança produtos de qualidade inferior “porque as pessoas são idiotas demais para apreciar o melhor”, não faça isso em filosofia política; não endosse ou propague ideias que você sabe serem falsas, na esperança de conquistar o medo, preconceitos ou ignorância das pessoas. Você não engana as pessoas em negócios – não tente fazer isso na filosofia: os chamados homens comuns são perceptivos de forma incomum.</p>
<p>Você não duvida de seu próprio julgamento nos negócios – não duvide no mundo da ideologia; não deixe a bobagem ininteligível dos intelectuais “liberais” o intimidar ou desencorajá-lo; não conclua: “deve ser profundo, porque eu não entendo isso” ou “se é assim que as coisas de intelectuais se parecem, então todas as ideias são impraticáveis e não fazem sentido”. Ideias são o maior e mais crucial poder da Terra.</p>
<p>Você não contrata homens como cabeças dos seus departamentos de negócios, sem conhecimento prévio da natureza dos seus trabalhos e como julgar suas performances – não faça isso em relação ao seu departamento de relações públicas; aprenda a julgar se o que estão lhe vendendo é veneno ou não. Você não contrata doutores-bruxos como mecânicos ou engenheiros – não os contrate como relações públicas.</p>
<h2>Conheça seus amigos e seus inimigos<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="conheça-seus-amigos-e-seus-inimigos"></span>
    <a href="#conhe%c3%a7a-seus-amigos-e-seus-inimigos" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Aprenda a diferenciar seus amigos de seus inimigos. Saiba quem apoiar em disputas filosóficas e políticas. Se você não consegue dizer livremente, se estiver preso e engasgado pela desgraçada injustiça de tais maus como leis antitruste – no mínimo, não elogie, espalhe ou suporte a filosofia de seus próprios destruidores; não lhes dê a sanção das vítimas. Pense um pouco na possibilidade de estabelecer um sindicato de liberdades civis – para empresários.</p>
<p>E se tem o desejo de ter uma missão ou propósito “social” – não existe serviço maior à humanidade do que lutar pelos seus próprios direitos e propriedades.</p>
]]></content:encoded><category>filosofia</category><category>negocios</category><category>off-topic</category></item><item><title>[Off-Topic] Opiniões, Verdades, Democracia e Ética</title><link>https://akitaonrails.github.io/2011/05/04/off-topic-opinioes-verdades-democracia-e-etica/</link><guid isPermaLink="true">https://akitaonrails.github.io/2011/05/04/off-topic-opinioes-verdades-democracia-e-etica/</guid><pubDate>Wed, 04 May 2011 03:18:00 -0300</pubDate><description>&lt;p&gt;Muita gente talvez não tenha entendido minha posição no artigo anterior, &lt;a href="http://www.akitaonrails.com/2011/04/25/off-topic-mea-culpa-organizacoes-democraticas-nao-funcionam"target="_blank" rel="noopener"&gt;Mea Culpa: Organizações Democráticas não Funcionam&lt;/a&gt;. Recomendo ler aquele texto com calma para entender o conceito correto de Democracia. Aqui vou complementar.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O maior problema de todos é acreditar que &amp;ldquo;democracia&amp;rdquo; é a única e melhor forma de governar, ou de decidir qualquer coisa, porque &amp;ldquo;a maioria&amp;rdquo;, &amp;ldquo;o povo&amp;rdquo;, &amp;ldquo;as massas&amp;rdquo; sempre teriam razão, e o que foi decidido coletivamente deve prevalecer. Esse é o maior erro de todos os tempos.&lt;/p&gt;</description><content:encoded><![CDATA[<p>Muita gente talvez não tenha entendido minha posição no artigo anterior, <a href="http://www.akitaonrails.com/2011/04/25/off-topic-mea-culpa-organizacoes-democraticas-nao-funcionam"target="_blank" rel="noopener">Mea Culpa: Organizações Democráticas não Funcionam</a>. Recomendo ler aquele texto com calma para entender o conceito correto de Democracia. Aqui vou complementar.</p>
<p>O maior problema de todos é acreditar que &ldquo;democracia&rdquo; é a única e melhor forma de governar, ou de decidir qualquer coisa, porque &ldquo;a maioria&rdquo;, &ldquo;o povo&rdquo;, &ldquo;as massas&rdquo; sempre teriam razão, e o que foi decidido coletivamente deve prevalecer. Esse é o maior erro de todos os tempos.</p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/2011/5/4/medical%20symbol_original.jpg?1304489548" alt=""  loading="lazy" /></p>
<p>Resumindo o que disse antes: liberdade é importante, defender a liberdade é importante, e a liberdade mais importante a defender é a do indivíduo. A maioria jamais deve tiranizar a minoria. E a menor minoria sempre é o indivíduo. Se um indivíduo é privado de sua liberdade, não existe liberdade para ninguém.</p>
<p>Num estado de liberdade, todos têm direito a formular e expressar suas opiniões. A confusão começa quando uma opinião é proferida por uma &ldquo;maioria&rdquo;. Democraticamente falando, essa &ldquo;opinião&rdquo; parece ganhar muito valor. E aí está outro grande erro.</p>
<p>Vamos definir:</p>
<ul>
<li>
<p>Opinião: uma visão ou julgamento formado sobre alguma coisa, não necessariamente baseado em fato ou conhecimento.</p>
</li>
<li>
<p>Verdadeiro: de acordo com fato ou realidade. Apurado, exato. Real.</p>
</li>
</ul>
<blockquote>
  <p>Opinião não é fato nem verdade.</p>

</blockquote>
<p>A opinião de uma maioria jamais será automaticamente uma verdade. Qualquer opinião de uma maioria jamais valerá mais do que a verdade comprovada por um único indivíduo, não importa o tamanho dessa maioria.</p>
<p>Isso é importante. Foi por isso que eu disse que a melhor forma de pensar organizações passa longe do modelo &ldquo;puramente&rdquo; democrático. No nosso nicho de desenvolvimento de software, muitos assumem que agilistas e métodos ágeis são &ldquo;democráticos&rdquo;. Se você ler a própria <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Scrum_%28development%29"target="_blank" rel="noopener">Wikipedia sobre Scrum</a>, encontra esta definição de &ldquo;equipe&rdquo;:</p>
<blockquote>
  <p>Uma Equipe é responsável por entregar o produto. Uma Equipe é tipicamente formada por 5 a 9 pessoas com capacidades cross-funcionais que realizam o trabalho propriamente dito (análise, design, desenvolvimento, teste, comunicação técnica, documentação, etc). É recomendado que a Equipe seja auto-organizada e auto-liderada, mas normalmente trabalhe com alguma forma de projeto ou gerenciamento de equipe.</p>

</blockquote>
<p>Em nenhum momento se diz que a Equipe pode ser anárquica. Mas as pessoas leem errado o conceito de <a href="http://akitaonrails.com/2009/07/08/off-topic-agilidade-caos-auto-organizacao"target="_blank" rel="noopener">auto-organização</a> como <em>&ldquo;fazemos como queremos&rdquo;</em>. E isso está completamente errado.</p>
<p>É o mesmo problema de um sistema de governo puramente democrático. A maioria pode decidir entre si a <strong>implementação</strong> de uma lei, um princípio ou uma verdade. Um princípio inviolável e indiscutível, por exemplo, é que o indivíduo deve conseguir manter para si os produtos do próprio trabalho. A comunidade pode decidir, democraticamente, se a implementação será um corpo policial com custo dividido igualmente entre todos.</p>
<p>Esse é o ponto que falta quando falamos em organizações ou equipes ágeis. As equipes podem decidir democraticamente como executar a implementação, mas todos precisam entender que existem princípios invioláveis limitando quais decisões essa &ldquo;democracia&rdquo; pode tomar.</p>
<p>Voto ignorante em grande volume, para mim, significa apenas um grande volume de ignorância. Quer definir o que é verdade? Estude, pesquise, demonstre, prove. Basta um único indivíduo com a demonstração correta para destroçar a opinião de qualquer maioria. O contrário nunca acontece.</p>
<p><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Galileo_affair"target="_blank" rel="noopener"><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/2011/5/4/Galileo_facing_the_Roman_Inquisition_original.jpg?1304489723" alt=""  loading="lazy" /></a></p>
<p>Veja o caso de uma empresa: o objetivo dela é obter a maior quantidade de lucro possível. Um trabalho não tem outro objetivo além de dar lucro. Portanto, de nada adianta você fazer o software mais bem feito (na sua opinião pessoal, aliás, o que não torna isso um fato) se ele gera prejuízo em vez de lucro.</p>
<p>Lucro é uma premissa, mas não é a única. Lembre-se da definição de &ldquo;Equipe&rdquo;. Uma equipe deve ser &ldquo;responsável&rdquo;, ou seja, deve se comprometer a entregar um projeto do jeito que o cliente espera, incluindo o gerenciamento dessa expectativa (assunto que detalho em outro artigo).</p>
<p>Um projeto encomendado a uma equipe pertence a quem paga por ele. Uma equipe dita ágil, ao assumir um projeto, assume junto o cuidado com as expectativas do cliente, do começo ao fim, muito além de simplesmente codificar o produto pedido.</p>
<p>Mais ainda: o objetivo de um projeto é atingir um resultado para o cliente. O cliente não se importa se o software usa a técnica X ou Y para aumentar a qualidade, porque qualidade é uma característica trivial, já esperada por quem encomenda. O valor para o cliente vem do resultado que o software gera.</p>
<p>Pense num projeto de e-commerce. O que importa são as vendas que ele gera, muito mais do que o software em si. Se você fizer o sistema mais avançado do mundo, com as melhores arquiteturas e tecnologias, mas que nunca vendeu um único produto, ele não vale nada. Já um e-commerce feito com as piores tecnologias, cheio de todas as gambiarras já documentadas, mas que ajudou a gerar um milhão de vendas diretas ao cliente, é infinitamente superior, sem discussão.</p>
<p>Um desenvolvedor deve prezar pelo seu trabalho técnico. Isso é ótimo e deve continuar. Um arquiteto de sistemas preza por sua análise e arquitetura, sem problema nenhum. Um agilista preza por seus processos e rituais. Cada profissional deve sempre tentar o melhor no que faz.</p>
<p>Só que nenhuma dessas atividades é mais importante que a do outro, e nenhuma delas é um fim em si mesma. Um desenvolvedor preocupado única e exclusivamente com o próprio código, a qualquer custo, é um péssimo profissional.</p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/2011/5/4/oath_original.jpg?1304490176" alt=""  loading="lazy" /></p>
<p>E aqui entra a diferença entre um profissional e um amador: a <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Professional_ethics"target="_blank" rel="noopener"><strong>ética profissional</strong></a>.</p>
<blockquote>
  <p>O profissional carrega responsabilidades morais adicionais àquelas da população em geral e da sociedade. Isso porque profissionais são capazes de tomar e agir em decisões informadas em situações onde o público em geral não conseguiria, porque não recebeu o treinamento relevante. Por exemplo, uma pessoa comum do público não poderia ser responsabilizada por falhar em agir para salvar a vítima de um acidente de carro porque não conseguiu realizar uma traqueotomia de emergência. Isso porque ela não tinha o conhecimento relevante. Em contraste, um médico totalmente treinado (com o equipamento correto) seria capaz de realizar o diagnóstico correto e o procedimento, e nós julgaríamos incorreto se ele ficasse parado sem ajudar nessa situação. Você não pode ser responsabilizado por não realizar algo que não tem capacidade de fazer. Éticas são regras e valores usados em um ambiente profissional.</p>

</blockquote>
<p>A tradição da medicina, por exemplo, herda o <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Hippocratic_Oath"target="_blank" rel="noopener">Juramento de Hipócrates</a>, atualizado ao longo de milênios. Esta é a versão moderna:</p>
<ul>
<li>Juro cumprir, o melhor que minha habilidade permitir, esta aliança:</li>
<li>Respeitarei os ganhos científicos duramente conquistados por aqueles médicos cujos passos eu sigo, e compartilharei tal conhecimento com prazer como é meu, àqueles que seguirão.</li>
<li>Aplicarei, para benefício do doente, todas as medidas requeridas, evitando as facas de dois gumes do tratamento excessivo e niilismo terapêutico.</li>
<li>Lembrarei que existe arte à medicina assim como ciência, e que o calor, simpatia e entendimento podem superar o bisturi do cirurgião ou a droga do químico.</li>
<li>Não me envergonharei em dizer &ldquo;Eu não sei&rdquo; nem falharei em chamar meus colegas quando as capacidades de outros são necessárias para a recuperação do paciente.</li>
<li>Respeitarei a privacidade de meus pacientes, pois seus problemas não são revelados para mim para que o mundo saiba. Mais especificamente devo tratar com cuidado em casos de vida ou morte. Se me é dada a tarefa de salvar uma vida, muitos agradecimentos. Mas também pode estar dentro do meu poder retirar uma vida; esta responsabilidade incrível deve ser encarada com grande humildade e consciência da minha própria fragilidade. Acima de tudo, eu não devo brincar com Deus.</li>
<li>Me lembrarei que eu não trato um gráfico de febre ou um câncer em crescimento, mas um humano doente, cuja doença pode afetar a família e estabilidade econômica da pessoa. Minha responsabilidade inclui esses problemas relacionados, para tratar adequadamente o doente.</li>
<li>Prevenirei doença sempre que puder, pois prevenção é preferível à cura.</li>
<li>Me lembrarei que continuo sendo um membro da sociedade, com obrigações especiais com todos os meus companheiros humanos, aqueles sãos de mente e corpo, assim como os enfermos.</li>
<li>Se eu não violar este juramento, que eu possa desfrutar a vida e a arte, respeitado enquanto viver e lembrado com afeição após. Que eu aja somente para preservar as finas tradições do meu chamado e que eu aprecie por muito tempo a experiência de curar aqueles que procuram minha ajuda.</li>
</ul>


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<p>Está longe de ser uma versão &ldquo;definitiva&rdquo;, mas vou aproveitar para adaptar, bem de perto do Juramento de Hipócrates, o que seria um rascunho de juramento para programadores. Só para deixar clara a ideia de que todo profissional tem responsabilidades maiores do que a sua atividade geral de trabalho:</p>
<ul>
<li>Juro cumprir, o melhor que minha habilidade permitir, esta aliança:</li>
<li>Respeitarei os ganhos científicos duramente conquistados por aqueles programadores cujos passos eu sigo, e compartilharei tal conhecimento com prazer como é meu, àqueles que seguirão.</li>
<li>Aplicarei, para benefício do cliente, todas as medidas requeridas, evitando as facas de dois gumes da aplicação excessiva de tecnologias ou preconceito por marcas ou tecnologias que desconheço.</li>
<li>Lembrarei que existe arte no desenvolvimento de software assim como ciência, e que o calor, simpatia e entendimento podem superar o código do programador ou o diagrama do analista.</li>
<li>Não me envergonharei em dizer &ldquo;Eu não sei&rdquo; nem falharei em chamar meus colegas quando as capacidades de outros são necessárias para o benefício do projeto do cliente.</li>
<li>Respeitarei a privacidade de meus clientes, pois seus problemas não são revelados para mim para que o mundo saiba. Mais especificamente devo tratar com cuidado projetos de minha empresa ou meus clientes. Se me é dada a tarefa de entregar um projeto, muitos agradecimentos. Mas também pode estar dentro do meu poder recuperar um projeto fracassando; esta responsabilidade incrível deve ser encarada com grande humildade e consciência da minha própria fragilidade. Acima de tudo, eu não devo brincar em serviço.</li>
<li>Me lembrarei que eu não lido com um arquivo de código ou uma ferramenta de edição, mas um projeto, cujo resultado pode afetar a estabilidade econômica do cliente, dos funcionários da empresa do cliente e suas famílias. Minha responsabilidade inclui esses problemas relacionados, para desenvolver adequadamente o projeto.</li>
<li>Prevenirei bugs e problemas técnicos sempre que puder, pois prevenção é preferível à correção.</li>
<li>Me lembrarei que continuo sendo um membro da sociedade, com obrigações especiais com todos os tipos de projetos, aqueles que eu posso começar do zero do meu jeito, ou os que herdar com estilo de outros.</li>
<li>Se eu não violar este juramento, que eu possa desfrutar a vida e a arte, respeitado enquanto viver e lembrado com afeição após. Que eu aja somente para preservar as finas tradições do meu chamado e que eu aprecie por muito tempo a experiência de desenvolver projetos àqueles que procuram minha ajuda.</li>
</ul>
<p>Meu ponto com este texto é lembrar o seguinte:</p>
<ul>
<li>parem de usar &ldquo;democracia&rdquo; com conotação <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Populism"target="_blank" rel="noopener">populista</a>. Quem precisa ser protegido e beneficiado é o resultado do cliente e seus projetos, muito antes da &ldquo;equipe&rdquo;. Nunca se esqueçam disso.</li>
<li>certos princípios são invioláveis e não estão abertos a votação: objetivos de negócio numa ponta, ética profissional na outra.</li>
<li>todos têm direito a ter e expressar opiniões pessoais, mas opinião é só isso: opinião. E voto nenhum transforma opinião em verdade. 2 + 2 será 4 não importa quantas pessoas votem que é 5.</li>
<li>demonstrem um pouco de respeito e dignidade pela sua profissão. Você trabalha em benefício próprio, sim, mas sem causar prejuízo aos outros. Vou repetir isto <em>ad nauseam</em>: você só tem trabalho porque existe alguém disposto a pagar por ele. Seja ético, seja profissional.</li>
</ul>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/2011/5/4/Stupid_Opinion_original.jpg?1304489739" alt=""  loading="lazy" /></p>
<p>Sinceramente, me incomoda pensar num mundo em que uma maioria ignorante pode decidir, por votação, que a Terra é plana, que simpatia funciona, que um funcionário &ldquo;merece&rdquo; um salário maior do que a empresa tem condições de pagar, que a diversão de um &ldquo;profissional&rdquo; está acima de suas responsabilidades. Jurem a si mesmos, não a mim nem a um terceiro qualquer, que serão profissionais. Ou desistam de trabalhar na mesma área que a nossa, para pararem de envergonhar quem leva isso a sério.</p>
]]></content:encoded><category>gestao</category><category>filosofia</category><category>off-topic</category></item><item><title>[Off-Topic] Desmistificando a Microsoft do "Mal"</title><link>https://akitaonrails.github.io/2011/02/20/off-topic-desmistificando-a-microsoft-do-mal/</link><guid isPermaLink="true">https://akitaonrails.github.io/2011/02/20/off-topic-desmistificando-a-microsoft-do-mal/</guid><pubDate>Sun, 20 Feb 2011 17:53:00 -0300</pubDate><description>&lt;p&gt;&lt;img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/2011/2/20/ballmerasdrevil_original.jpg?1298235025" alt="" loading="lazy" /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Talvez quem tenha entrado no mercado de tecnologia nesta década não acompanhou a história da década de 90 que culminou com o caso antitruste contra a Microsoft. O “medo” da Microsoft “monopolista” foi substituído por um desdém e ridicularização. Eu sei, eu mesmo uso essa figura de vez em quando, é quase que uma piada universal onde a Microsoft é o mal eterno e todo o resto, as Canonicals, as Apples, os Googles, são os mocinhos do bem.&lt;/p&gt;</description><content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/2011/2/20/ballmerasdrevil_original.jpg?1298235025" alt=""  loading="lazy" /></p>
<p>Talvez quem tenha entrado no mercado de tecnologia nesta década não acompanhou a história da década de 90 que culminou com o caso antitruste contra a Microsoft. O “medo” da Microsoft “monopolista” foi substituído por um desdém e ridicularização. Eu sei, eu mesmo uso essa figura de vez em quando, é quase que uma piada universal onde a Microsoft é o mal eterno e todo o resto, as Canonicals, as Apples, os Googles, são os mocinhos do bem.</p>
<p>Ou quase, porque agora é a Apple que está crescendo demais, assim como o Google, que já tem milhares de detratores em vez de fãs. Em breve talvez estaremos vendo um novo caso antitruste: contra um iTunes Store da Apple, por suas práticas “injustas” e “anticompetitivas”. Se isso acontecer, é porque as pessoas não aprendem nada mesmo e estamos fadados a retroceder em vez de progredir.</p>
<p>Em termos de gosto pessoal, garantido pela liberdade individual de expressão, eu desgosto da maioria dos produtos da Microsoft e gosto da maioria dos produtos da Apple. Isso não me impede de entender, respeitar e admirar a capacidade das duas de saírem de uma garagem para o topo do mundo. É o que um mercado livre capitalista possibilita.</p>
<p>E me incomoda quando o sucesso passa a ser visto com o desdém e a inveja dos incompetentes, que no fim acham que têm “direito” a alguma coisa sem ter a mesma capacidade.</p>
<p>Aliás, se eu considero um produto “tecnicamente” melhor ou não é irrelevante. “Melhor” e “pior” são questão de gosto, e o melhor termômetro do mercado é a demanda. Se a demanda é alta, o produto pode ser “bom” mesmo sendo “tecnicamente ruim”.</p>
<p>Ninguém tem “direito” a nada além do que ele próprio produz, e muito menos a algo dos outros de graça. Mas muita gente acha que ninguém pode crescer demais, senão como ficam os competidores menores? Esse tipo de pensamento estatista levou à Grande Depressão de 1929, às Guerras Mundiais e à Crise Financeira de 2008.</p>
<p>Eu acho desorientado juntar o fato de um software ser “aberto”, ou de uma empresa apoiar “software livre”, com movimentos sociais e populistas. Tecnologia não deve se misturar com ideologias socialistas fracassadas. Em outro artigo vou explicar por que Código Aberto (open source) tem tudo a ver com Capitalismo e nada a ver com movimentos sociais politizados.</p>
<p>O texto a seguir é antigo, traduzido do <a href="https://ari.aynrand.org/issues/government-and-business/regulations/drop-the-antitrust-case-against-microsoft/"target="_blank" rel="noopener">artigo original</a> de Onkar Ghate (Pittsburgh Tribune-Review, 17 de março de 2002), e deve convencê-los do que quero dizer. Larguem os preconceitos (“Microsoft = Mal”) e leiam com raciocínio, porque os argumentos são lógicos. O contexto é de 2002; desde então a Microsoft decresceu bastante e suas qualidades mudaram.</p>
<h2>[TRADUÇÃO] Largue o caso antitruste contra Microsoft<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="tradução-largue-o-caso-antitruste-contra-microsoft"></span>
    <a href="#tradu%c3%a7%c3%a3o-largue-o-caso-antitruste-contra-microsoft" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>O histórico caso de antitruste contra a Microsoft está agora entrando em sua fase final: a determinação da pena da Microsoft. O juiz-presidente, juiz da Corte Distrital dos EUA, Colleen Kollar-Kotelly, deveria ser tão branda quanto legalmente permitido. (Se possível, ela deveria impor uma punição nominal como uma multa de um dólar ou, melhor ainda, jogar o caso fora por completo.)</p>
<p>Para entender o porquê, é preciso entender dois pontos, um geral e um particular. Primeiro, as leis antitruste não são objetivas e são injustas. Em segundo lugar, a Microsoft não é culpada de nenhum crime real. Vamos começar com o primeiro ponto.</p>
<p>As “ações” que as leis antitruste proíbem são vagas, contraditórias, indefinidas. Por exemplo, as leis antitruste proíbem as empresas de criarem “restrições ao comércio”. Mas que ações específicas constituem “restrição ao comércio”? Se, como é feito repetidamente no mundo dos negócios, a companhia assina um acordo exclusivo de distribuição com outra empresa, isso é “restrição do comércio” porque agora outras concorrentes potenciais são excluídas dessa área do mercado? Ou se uma empresa vende um computador para um indivíduo X, isso é “a restrição do comércio” porque empresas de informática concorrentes não podem mais vender a X um computador pois ele tem necessidade de um só? Não – os tribunais têm declarado a empresários – apenas as “restrições” que são “irracionais” são ilegais. Mas que “restrições” específicas são “irracionais”? Nenhuma definição é encontrada na lei, de modo que nenhuma empresa pode saber antes de agir quais ações são legais e quais não são.</p>
<p>Considere um outro exemplo. As leis antitruste proíbem as práticas de comércio “injustas”. Mas, novamente, o que conta como uma prática “abusiva”? É qualquer prática comercial que, por exemplo, provoca falências entre alguns dos concorrentes de uma empresa, porque não conseguiram encontrar uma maneira de competir com os preços baixos da empresa e/ou produtos de qualidade superior? Ou é simplesmente uma prática que a administração no poder desaprova? Mais uma vez, nenhuma resposta pode ser encontrada na lei, por isso é impossível para uma empresa determinar de antemão quais ações específicas a lei proíbe.</p>
<p>Tome um último exemplo. Segundo as leis antitruste, uma empresa pode ser acusada de “preços predatórios”, se define preços inferiores aos dos seus concorrentes, porque os concorrentes poderiam falir como resultado. Ele pode ser acusado de “preços de monopólio”, se define os preços que são considerados muito altos, porque isso é supostamente fraudar os consumidores dos seus rendimentos suados. Mas se do contrário decidir fixar os preços ao nível do dos seus concorrentes – pode ser acusado de “conluio” ou “conspiração”, porque agora ele não está mais “competindo”.</p>
<p>No mundo de pesadelo que é a lei antitruste, toda e qualquer ação pode ser declarada ilegal. Não existem e não podem ser definidos princípios objetivos especificados na lei, e como resultado um empresário não tem como determinar, antes de agir, se a sua ação é legal ou não. Na prática, isso significa que os empresários ficam à mercê do governo. Qualquer momento em que o governo quer enfraquecer uma determinada empresa, pode desencadear as leis antitruste contra ela. Na lógica, uma empresa não tem defesa possível contra a acusação de “restrição ao comércio” ou políticas de comércio “injustas” ou de “preços predatórios”, porque a própria acusação não tem nenhum significado objetivo. As leis antitruste, portanto, dão poder arbitrário ao governo.</p>
<p>O resultado óbvio é que quando, digamos, um burocrata está descontente com uma empresa de sucesso, porque ele falhou em compartilhar (isto é, dar) a sua riqueza ou apoio a programas específicos do governo – ou quando um funcionário do governo acha que a destruição de um poderosa empresa vai ganhar o voto dos cidadãos desorientados que acreditam que o “Grande Negócio” é o seu inimigo – ou quando concorrentes ressentidos, invejosos (como a Netscape, Oracle e AOL no caso da Microsoft) podem convencer os seus representantes do governo a enfraquecer um concorrente superior – o impacto da legislação antitruste desce sobre essa empresa.</p>
<p>Não é por acaso que as empresas mais bem-sucedidas, mais produtivas, mais admiradas da América – Microsoft, IBM, Intel, Wal-Mart, American Airlines, Standard Oil, etc – são as que são submetidas a processos antitruste.</p>
<p>Como uma forma de conceder o poder arbitrário ao governo, as leis antitruste são inconstitucionais e anti-americanas. Como uma forma de punir os bem sucedidos pelo seu sucesso, as leis antitruste são uma perversão da justiça.</p>
<p>Vamos agora, portanto, deixar de lado a lei antitruste, segundo o qual toda a ação de uma empresa poderia ser considerada um crime, e perguntar se de fato a Microsoft é culpada de algum crime.</p>
<p>Quais são as principais acusações contra a Microsoft?</p>
<p>A Microsoft é acusada de concorrência “desleal”. Mas a concorrência se refere ao processo pelo qual as empresas utilizam os seus ativos e pessoal para construir produtos melhores e/ou mais baratos. Assim eles procuram ganhar, através de trocas voluntárias, lucros ainda maiores. Em um mercado livre, não existe concorrência “desleal”. Há apenas concorrentes melhores e piores. Em outras palavras, algumas empresas são melhores do que outras em pesquisa e desenvolvimento, estruturação de longo prazo, acordos de negócios mutuamente benéficos, comercialização de produtos, em manter os bons funcionários felizes e com desafios. A Microsoft, por exemplo, é excelente em todos estes processos – e muitos mais. (A acusação de que a Microsoft não é inovadora é particularmente hipócrita dada a sua contínua atualização e melhorias em seus principais produtos. Mesmo o juiz Jackson teve que admitir este ponto). O fato de a Microsoft ser um dos maiores competidores que o mundo dos negócios tem visto é, em uma nação livre, não um crime, mas uma virtude.</p>
<p>A única “concorrência desleal” que existe é, de fato, a não-competição. Se, digamos, a Máfia ameaça explodir a loja de um comerciante a menos que ele lhe dê um percentual de suas vendas, a máfia não está envolvida na competição, ainda que injusta. Ela está envolvida na coerção – precisamente para impedir o comércio voluntário e mercado livre de operar. Quando a Netscape perde vendas para a Microsoft porque o navegador da Microsoft é melhor e/ou mais barato, a perda da Netscape de vendas não tem qualquer semelhança com “perda” de um lojista de vendas para a máfia. Nunca se deve equacionar voluntário (pessoas optam por comprar produtos da Microsoft) com coagido (se ele tivesse uma escolha, o lojista não “lidaria” com a Máfia).</p>
<p>Em segundo lugar, a Microsoft é acusada de “preços predatórios”. Traduzido em realidade, isto significa que a Microsoft é capaz de praticar preços inferiores aos dos seus concorrentes, como o Netscape. Alguns destes concorrentes, que não podem igualar os preços baixos da Microsoft, perdem fatia de mercado ou vão à falência. Mas é a incrível eficiência e produtividade da Microsoft que permite bater sua competição e ainda assim fazer grandes lucros. Novamente, isto não representa um comportamento criminoso, mas virtude.</p>
<p>Finalmente, a Microsoft é acusada de exercer o “poder de monopólio.” Essa acusação também se baseia em equacionar o voluntário com o forçado.</p>
<p>É verdade que a Microsoft detém uma posição dominante no mercado em alguns segmentos da indústria de software e que alguns dos seus concorrentes saíram do negócio. Mas isso é porque a Microsoft realmente estava vencendo a competição: foi mais inovadora, mais eficiente, tem marketing melhor, e empregou melhor do que outras empresas de software. A Microsoft, em outras palavras, ganhou a sua posição dominante.</p>
<p>E continua a ganhar: ela enfrenta concorrência constante, mesmo se não houver concorrentes reais atualmente em seu mercado. Pois sempre que outro empreendedor descobre uma maneira de produzir software similar a um preço mais barato ou melhor software a um preço atraente (ou alguns inimagináveis produtos que tornam o software atual obsoleto), ele é livre para entrar no mercado da Microsoft. E se ele tiver um bom plano de negócios, será capaz de levantar o capital necessário, mesmo se ele próprio não tem nada: há milhares de investidores de risco procurando o próximo Bill Gates. A posição dominante da Microsoft no setor de software, em outras palavras, deve ser conquistada de novo a cada dia.</p>
<p>Então mais uma vez, a Microsoft está sendo atacada por seu sucesso: na realidade ela não tem poder de monopólio, apenas gestão brilhante.</p>
<p>Os únicos monopólios que podem de fato existir são os criados pelo governo. Somente um governo pode impedir alguém de entrar num mercado e, assim, eliminar a concorrência. Os Correios, por exemplo, são um monopólio. Há pouca dúvida de que a Federal Express (nos EUA) pode oferecer um serviço melhor, mais barato, e ainda obter lucro. Mas o governo forçadamente a impede de entrar nesse mercado. A posição dominante dos Correios no mercado não é conquistada: oferece um serviço ruim, mas por causa da coerção do governo não enfrenta concorrência. A posição dominante de mercado da Microsoft, pelo contrário, é conquistada: ela enfrenta concorrência constante, que continua batendo. Novamente, não equiparem o voluntário com o forçado.</p>
<p>A Microsoft é o epítome do sucesso empresarial americano: ela produz uma enorme riqueza através da inteligência e trabalho duro. Imagine a riqueza que existiria – para cada empresa, para cada empregado, para todos os acionistas, para cada cliente – se todas as empresas na América fossem dirigidas por um Bill Gates. O fato de que não são não deve nos levar a destruir a criação de Bill Gates, mas, mais ainda, admirá-lo e defendê-lo.</p>
<p>Por que a punição da Microsoft deveria ser tão tolerante quanto possível (supondo que o caso não pode ser jogado fora, nesta fase do processo)? Porque as leis antitruste são leis arbitrárias que penalizam a virtude por ser virtude – como as acusações específicas contra a Microsoft revelam claramente.</p>
<p>Dr. <a href="https://ari.aynrand.org/experts/onkar-ghate/"target="_blank" rel="noopener">Onkar Ghate</a>, PhD em filosofia, é um pesquisador sênior do Instituto Ayn Rand, em Irvine, na Califórnia. O Instituto promove o Objetivismo, a filosofia de Ayn Rand, autora de <a href="http://web.archive.org/web/20070202073236/http://www.aynrandbookstore.com:80/prodinfo.asp?number=AR91B"target="_blank" rel="noopener">Atlas Shrugged</a> e <a href="http://web.archive.org/web/20070202073147/http://www.aynrandbookstore.com:80/prodinfo.asp?number=AR89B"target="_blank" rel="noopener">The Fountainhead</a>.</p>
<h2>Disclaimer<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="disclaimer"></span>
    <a href="#disclaimer" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Explicando, não é a intenção dizer que a Microsoft é inocente em tudo. Para isso existe o sistema judiciário e qualquer empresa que se sinta prejudicada ilegalmente tem todo o direito de processar, como já aconteceu inúmeras vezes. Vejam <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Microsoft_litigation"target="_blank" rel="noopener">esta lista</a> de processos.</p>
<p>E isso é verdade para qualquer empresa. Uma das funções de um governo é garantir que contratos sejam cumpridos.</p>
<p>A discussão que me interessa no episódio acima é o <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Sherman_Antitrust_Act"target="_blank" rel="noopener">Sherman Antitrust Act</a> que, em essência, dá carta branca ao governo para litigar qualquer empresa por qualquer motivo. Esse não foi o único processo contra a Microsoft, mas foi um dos mais divulgados. A lei antitruste em si é um mal, assim como regulamentações que dão privilégios que ninguém conseguiria no mercado.</p>
<p>E para quem quer se aprofundar, recomendo ler o <a href="https://www.justice.gov/sites/default/files/atr/legacy/2006/04/11/msjudge.pdf"target="_blank" rel="noopener">Findings of Fact</a> completo sobre o caso, no arquivo da justiça americana. Para entender por que a lei antitruste é um grave problema, comece por <a href="http://wiki.objectivismonline.net/Antitrust"target="_blank" rel="noopener">este artigo</a>, mas principalmente pelo livro <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Capitalism:_The_Unknown_Ideal"target="_blank" rel="noopener">Capitalism: The Unknown Ideal</a>.</p>
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