<rss version="2.0" xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"><channel><title>Negocios | AkitaOnRails.com</title><link>https://akitaonrails.github.io/tags/negocios/</link><description>Blog do Fabio Akita do Canal do YouTube 'Akitando' falando sobre tecnologia, carreira e coisas geek.</description><generator>Hugo -- gohugo.io</generator><language>pt-BR</language><lastBuildDate>Mon, 19 Oct 2026 23:20:48 +0000</lastBuildDate><atom:link href="https://akitaonrails.github.io/tags/negocios/index.xml" rel="self" type="application/rss+xml"/><item><title>Você é um idiota se acredita nas propagandas enganosas da OpenAI, Anthropic, NVIDIA. Entenda</title><link>https://akitaonrails.github.io/2026/09/09/propagandas-enganosas-da-openai-anthropic-nvidia/</link><guid isPermaLink="true">https://akitaonrails.github.io/2026/09/09/propagandas-enganosas-da-openai-anthropic-nvidia/</guid><pubDate>Wed, 09 Sep 2026 16:00:00 -0300</pubDate><description>&lt;blockquote&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Nota de atualização:&lt;/strong&gt; este post foi publicado no dia 9/9 e atualizado ao longo da semana, à medida que a novela avançou: a carta dos 25 medalhistas Fields (11/9), o ensaio do Dario Amodei e a resposta de Altman e Musk (12/9), a fala do Trump (13/9), as correções de fact-check levantadas nos comentários, e a reportagem da Pirate Wires sobre a agência de PR por trás do Coxon (25/9).&lt;/p&gt;</description><content:encoded><![CDATA[<blockquote>
  <p><strong>Nota de atualização:</strong> este post foi publicado no dia 9/9 e atualizado ao longo da semana, à medida que a novela avançou: a carta dos 25 medalhistas Fields (11/9), o ensaio do Dario Amodei e a resposta de Altman e Musk (12/9), a fala do Trump (13/9), as correções de fact-check levantadas nos comentários, e a reportagem da Pirate Wires sobre a agência de PR por trás do Coxon (25/9).</p>

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<p>Essa semana foi um festival de propaganda agressiva das empresas de IA. Foi tanta declaração pomposa em tão pouco tempo que dá pra usar como estudo de caso de marketing enganoso. Então deixa eu repetir o meu lema de sempre, porque ele nunca falha:</p>
<blockquote>
  <p><strong>&ldquo;Sua empolgação com IA é inversamente proporcional ao seu conhecimento sobre IA&rdquo;</strong></p>

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<p>Se você leu as manchetes da semana e saiu empolgado achando que o Exterminador do Futuro está chegando, ou que a máquina virou Deus, você caiu na propaganda. E eu vou destrinchar peça por peça pra você entender por quê.</p>
<p>E deixa eu já botar minhas cartas na mesa, porque isso eu venho repetindo faz tempo nos podcasts em que apareço. Pra mim, o Dario Amodei, da Anthropic, tem complexo de Deus. O cara acredita de verdade que está salvando a humanidade, com aquele messianismo woke meio assustador dele. E o Sam Altman, da OpenAI, é um mafioso. Ele se acha o Michael Corleone, o chefão frio e calculista do Poderoso Chefão, mas na prática ele é o Fredo: o irmão fraco e atrapalhado que se acha o esperto da família e vive fazendo besteira. Guarde esses dois retratos, porque tudo que eu vou explicar aqui embaixo prova exatamente os dois.</p>
<h2>&ldquo;A AGI chegou&rdquo;, diz quem vende a pá<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="a-agi-chegou-diz-quem-vende-a-pá"></span>
    <a href="#a-agi-chegou-diz-quem-vende-a-p%c3%a1" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Começou com o Jensen Huang, CEO da Nvidia, <a href="https://fortune.com/2026/09/09/markets-agi-nvidia-singularity-wall-street/"target="_blank" rel="noopener">declarando mais uma vez que a AGI chegou</a>. Não num paper, não numa demonstração técnica, mas num post de domingo no X, amarrando a declaração ao novo modelo Astra da OpenAI, treinado em cerca de 100 mil chips Grace Blackwell. Ou seja, os chips que a Nvidia vende.</p>
<p>Repara na fonte. O homem que ganha dinheiro vendendo a pá pros garimpeiros anunciando que o ouro é infinito. Vale lembrar aquela entrevista dele no <a href="https://lexfridman.com/jensen-huang-transcript/"target="_blank" rel="noopener">podcast do Lex Fridman</a>, meses atrás. O Lex propôs uma definição de brincadeira: AGI seria uma IA capaz de criar, crescer e rodar sozinha uma empresa de tecnologia valendo 1 bilhão de dólares. E o Jensen, sem piscar: &ldquo;I think we&rsquo;ve achieved AGI&rdquo;. Uma definição convenientemente comercial, que não tem nada a ver com inteligência, e que o vendedor de pá abraçou na hora. O Gary Marcus foi direto ao ponto e questionou o óbvio: será que o Jensen tem algum incentivo financeiro em declarar que a AGI chegou, sendo que ele vende as GPUs?</p>
<p>E olha a ironia: apesar da manchete grandiosa, a ação da própria Nvidia caiu uns 2% nos dias seguintes. Nem o mercado, que é movido a hype, comprou totalmente a história.</p>
<p>Logo em seguida, a OpenAI lançou o GPT-6 Astra e cravou o mesmo discurso. O Greg Brockman fechou a coletiva com um &ldquo;bem-vindos à era da AGI&rdquo; e disse &ldquo;para mim, pessoalmente, eu acho que chegamos lá&rdquo;. Só que, na mesma respiração, ele soltou a frase que derruba tudo: &ldquo;todo mundo tem uma definição diferente de AGI&rdquo;. Então o cara afirma que a coisa mais importante da história da humanidade chegou e, ao mesmo tempo, admite que ninguém sabe direito o que essa coisa significa. Isso já devia acender o alarme na sua cabeça.</p>
<h2>O &ldquo;problema do milênio&rdquo; resolvido na marra<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="o-problema-do-milênio-resolvido-na-marra"></span>
    <a href="#o-problema-do-mil%c3%aanio-resolvido-na-marra" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>O prato principal da propaganda foi a OpenAI anunciando que resolveu um Problema do Milênio de matemática. Deixa eu explicar o que é isso, porque a manchete é feita justamente pra impressionar quem não sabe.</p>
<p>Em 2000, o Clay Mathematics Institute listou sete problemas em aberto da matemática e ofereceu 1 milhão de dólares para quem resolvesse cada um. São problemas duríssimos. Até hoje, em mais de vinte anos, só um foi resolvido: a Conjectura de Poincaré, pelo Grigori Perelman, que aliás recusou o prêmio.</p>
<p>Um desses sete é o das equações de Navier-Stokes. São as equações que descrevem o movimento de fluidos, água, ar, sangue. A pergunta em aberto não é &ldquo;como simular fluido&rdquo;, isso a engenharia já faz muito bem faz décadas em qualquer software de aerodinâmica. A pergunta é puramente matemática: será que uma solução suave sempre existe, ou será que o fluido pode desenvolver uma singularidade, um ponto de velocidade infinita, o tal &ldquo;blow-up&rdquo;, em tempo finito? É uma questão sobre o rigor e a existência das soluções, não sobre a utilidade prática das equações.</p>
<p>E é aqui que mora meu primeiro ponto, que eu já <a href="https://x.com/AkitaOnRails/status/2097752602440028566"target="_blank" rel="noopener">expliquei em detalhe num post</a>: mesmo resolvendo isso de forma definitiva, não muda absolutamente nada na vida real. Nenhum avião voa melhor, nenhuma previsão do tempo fica mais precisa, nenhum remédio funciona diferente. Os engenheiros continuam modelando fluido do mesmo jeito, com ou sem a prova. É uma bela conquista intelectual, e ponto. O impacto prático é zero.</p>
<p>Agora vem o detalhe que a manchete esconde. A prova anunciada ataca a versão <strong>forçada</strong> das equações, onde existe um termo de força externa suave empurrando o sistema, e crava o blow-up. Tecnicamente conta pro prêmio, porque essas rotas fazem parte do enunciado oficial do Clay. Só que a pergunta famosa, o coração profundo do problema, é a versão sem força externa, e essa segue em aberto. O Clay não deu o caso por encerrado e a OpenAI nem foi buscar o prêmio de 1 milhão. (Quem quiser o fine print disso, tem apêndice no final.)</p>
<p>E como eles chegaram nisso? Força bruta. Jogaram cerca de 10 mil agentes rodando em paralelo por 88 horas, queimando algo na casa dos 130 bilhões de tokens de saída só nesse problema. A conta de compute ficou na casa dos milhões de dólares: o Noam Brown, da OpenAI, confirmou que o resultado &ldquo;custou milhões&rdquo;, e a <a href="https://www.newscientist.com/article/2588063-openai-has-solved-the-navier-stokes-millennium-problem-using-15m-of-ai-effort/"target="_blank" rel="noopener">New Scientist estimou uns 15 milhões de dólares a preço de tabela</a> só nessa corrida. Deixa eu deixar isso bem claro: no melhor cenário, o que ficou provado é que jogar uma montanha de compute em cima de um problema pode fechar a última perna de algumas coisas específicas. Isso é força bruta em escala industrial, uma busca automatizada gigante que chega no resultado no peso do compute. Genialidade matemática destravando matemática nova é outra história, e não foi o que rolou aqui. E cara pra caramba, pra um &ldquo;prêmio&rdquo; de 1 milhão que eles nem foram buscar.</p>
<h2>A parte suja: como eles trataram os matemáticos de verdade<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="a-parte-suja-como-eles-trataram-os-matemáticos-de-verdade"></span>
    <a href="#a-parte-suja-como-eles-trataram-os-matem%c3%a1ticos-de-verdade" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>E aí a história deixa de ser sobre matemática e vira sobre caráter.</p>
<p>Existiam matemáticos de verdade trabalhando nesse problema faz meses: o Tristan Buckmaster, da NYU, e o Levent Alpoge, que por acaso trabalha na Anthropic. Um projeto pessoal deles, sem patrocínio de empresa nenhuma, que já tinha rendido um avanço num problema irmão, o das equações de Euler. Eles vinham por um caminho específico, que quase ninguém no mundo estava seguindo.</p>
<p>Segundo o relato do Buckmaster, <a href="https://techcrunch.com/2026/09/08/openai-fought-dirty-on-career-making-math-problem-says-nyu-mathematician/"target="_blank" rel="noopener">contado ao TechCrunch</a> e à <a href="https://fortune.com/2026/09/08/openai-says-it-cracked-navier-stokes-math-grand-challenge-buckmaster-accusation-cheating-intimidation-tao-lament/"target="_blank" rel="noopener">Fortune</a>, foi mais ou menos assim. Circulou o boato de que a Anthropic tinha resolvido um problemão de matemática. A OpenAI, com medo de ficar atrás, montou uma força-tarefa às pressas pra resolver primeiro e publicar antes. O Buckmaster tinha comentado do projeto pessoal dele com um matemático da OpenAI, e poucos dias depois o Sébastien Bubeck, da OpenAI, aparece dizendo que um modelo interno tinha produzido uma prova de cem páginas justamente pela mesma abordagem que quase ninguém estava usando. O Buckmaster chamou isso de &ldquo;má conduta acadêmica absoluta&rdquo; e perguntou, com todas as letras, se o modelo tinha treinado em cima das sessões deles.</p>
<p>Aí vem a parte de máfia. O relato é do Buckmaster, e a OpenAI nega a substância. Segundo ele, o Bubeck propôs um &ldquo;acordo&rdquo;: a OpenAI anunciaria primeiro, o Buckmaster poderia reescrever a prova da OpenAI como paper humano e até ficar com o prêmio de 1 milhão do Clay, mas com uma condição, o Alpoge fora da autoria, porque o Alpoge trabalha na Anthropic. Quando o Buckmaster recusou, o Bubeck teria dito &ldquo;por que você ia arruinar a sua carreira?&rdquo; e &ldquo;se você não quer que eu seja legal, então eu não preciso ser legal&rdquo;. Mesmo com o desconto de ser a versão de uma das partes, o simples fato de esse tipo de conversa estar em cima da mesa já diz muito sobre a cultura.</p>
<p>E o que a OpenAI faz depois que a coisa explode? <a href="https://x.com/OpenAI/status/2097374640582668336"target="_blank" rel="noopener">Publica um post no X</a> todo bonitinho dizendo que está &ldquo;compartilhando&rdquo; a solução com a comunidade. Um verniz de generosidade científica pra tentar enterrar o escândalo por baixo. Não colou. O caso ficou escancarado.</p>
<p>Quem botou o dedo na ferida com autoridade foi o Terence Tao, provavelmente o maior matemático vivo, medalha Fields. Ele criticou duramente a postura, dizendo que &ldquo;a mineração indiscriminada de problemas em aberto em busca de soluções pode destruir o ecossistema do qual sairia a próxima geração de técnicas, problemas e matemáticos&rdquo;. E completou dizendo que essa corrida transforma a matemática num &ldquo;jogo de cota de produção sem sentido&rdquo;. O ponto técnico dele é o mais fundo de todos: a IA cada vez mais cospe resposta sem entendimento, uma prova caixa-preta, sem gerar a compreensão que o esforço humano gera. E repara: o Tao elogiou o trabalho dos dois pesquisadores humanos. A crítica dele foi ao circo, não à ciência.</p>
<p>E ele não parou por aí. No dia 11 de setembro, o Tao publicou um texto direto ao ponto, <a href="https://terrytao.wordpress.com/2026/09/11/a-severe-misalignment-of-ai-in-mathematics/"target="_blank" rel="noopener">&ldquo;A Severe Misalignment of AI in Mathematics&rdquo;</a>, assinado por 25 medalhistas Fields ao todo, ele incluso. O recado é exatamente o que eu venho falando: resolver problema é só uma ferramenta pra chegar no que importa de verdade, que é entendimento e insight. Quando a solução sai numa corrida, sem tempo de escrever direito, isolar o método novo e citar quem veio antes, você ganha um &ldquo;verdadeiro/falso&rdquo; e perde a ideia. E tem o efeito mais perverso: se até um boato de que alguém está mexendo num problema já dispara uma força-tarefa de IA pra resolver antes, o incentivo vira parar de compartilhar o que você está pesquisando. Isso quebra a corrente de transmissão entre matemáticos que sustenta a ciência aberta faz séculos. Guarde esse padrão, a urgência fabricada pra atropelar o bem comum, porque ele reaparece lá embaixo com outra roupa.</p>
<h2>O funcionário da Anthropic que &ldquo;se demitiu em protesto&rdquo;<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="o-funcionário-da-anthropic-que-se-demitiu-em-protesto"></span>
    <a href="#o-funcion%c3%a1rio-da-anthropic-que-se-demitiu-em-protesto" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Um dia depois desse vexame da OpenAI, do outro lado do ringue, um funcionário da Anthropic resolveu fazer o próprio showzinho. O Jacob Coxon, um pesquisador de pré-treino que tinha só quatro meses de casa, <a href="https://x.com/hilbertspaess/status/2097476203863224394"target="_blank" rel="noopener">anunciou no X que estava saindo da empresa</a> com medo de que ninguém ali saiba o que está fazendo, batendo de novo na tecla do apocalipse: a IA virando Skynet, &ldquo;podendo matar todo mundo até o fim da década&rdquo;, pedindo uma &ldquo;pausa&rdquo; no avanço dos modelos. Pra completar o teatro, um chefe de alinhamento da própria Anthropic saiu endossando publicamente, dizendo que acha que tem &ldquo;mais de 10% de chance&rdquo; de a IA matar toda a humanidade na próxima década.</p>
<p>Minha opinião sobre isso é curta e grossa. Isso é mais um bullshit completo de virtue signalling.</p>
<p>Vamos pela lógica da sua própria dramatização. Você está vendo seu chefe colocar uma arma na cabeça de uma criança. Você &ldquo;se demite&rdquo; e twita &ldquo;saí da empresa porque não concordo com ela&rdquo;, em vez de ir até o chefe e socar a cara dele. Só tem duas explicações. Ou a tal &ldquo;ameaça&rdquo; que você está gritando não existe de verdade, e é encenação. Ou você é um idiota que acha que um tweet resolve o fim do mundo. Twitar dessa forma só me faz ouvir &ldquo;me deem atenção, eu sou carente&rdquo;.</p>
<h3>O sacrifício heroico que valia quase zero<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="o-sacrifício-heroico-que-valia-quase-zero"></span>
    <a href="#o-sacrif%c3%adcio-heroico-que-valia-quase-zero" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h3><p>E tem a parte que a imprensa correu pra transformar em heroísmo. Saiu até uma matéria no Axios pintando o Coxon como o cara que &ldquo;abriu mão de todo o equity dele&rdquo; pra poder falar livre. Soa lindo. Só que basta olhar os números que ele mesmo deu na entrevista. Ele ficou na Anthropic por quatro meses. E lá o equity só começa a vestir depois de seis meses de casa. Ou seja, ele saiu dois meses antes de a primeira ação virar dele de fato. Não tinha equity vestido nenhum pra &ldquo;abrir mão&rdquo;; o que ele perdeu foi a opção de começar a vestir dali a dois meses, num papel que ninguém sabe quanto valeria. O sacrifício heroico, em dinheiro no bolso, era próximo de zero. É quase como pedir demissão na segunda semana e sair falando que &ldquo;recusou o plano de aposentadoria da empresa&rdquo;.</p>
<p>E o pulo do gato é a frase com que ele se blinda: &ldquo;eu não tenho mais nada a ganhar inflando o valuation da Anthropic&rdquo;. Verdade pela metade. Ele largou quatro meses de papel que ainda não valiam nada, mas continua com o equity da OpenAI, onde trabalhou de 2023 a 2026. Quer dizer, largou a parte que não valia e ficou com a parte que vale. Então essa conversa de que ele está limpo de interesse financeiro no hype de IA não se sustenta.</p>
<p>Por isso tudo me soa muito mais como &ldquo;eu ainda não estava firme naquele lugar, então saí antes, soltei o terror online pra ganhar clout, massagear o ego vendo meu nome em 115 milhões de visualizações, sem precisar provar, demonstrar nem fazer nada. Glória&rdquo;.</p>
<h3>O mesmo roteiro se repete<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="o-mesmo-roteiro-se-repete"></span>
    <a href="#o-mesmo-roteiro-se-repete" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h3><p>E esse roteiro ele já rodou antes. O Coxon saiu da OpenAI pouco tempo antes e, pelo relato que está circulando, teria largado de lá pela mesma preocupação de &ldquo;segurança&rdquo;. Mesma pessoa, mesmo teatro de saída dramática, agora na segunda empresa. E de alguma forma o tweet de demissão de um único pesquisador virou uma história de mais de 100 milhões de visualizações, <a href="https://x.com/GoUncensored/status/2097798269975896517"target="_blank" rel="noopener">estampada em todo lugar</a>, praticamente do nada. Funcionário comum pedindo as contas não vira manchete global sozinho. Alguém amplifica.</p>
<p>E aí a coisa começa a virar piada de verdade. Poucos dias depois, um segundo funcionário da Anthropic fez exatamente a mesma dança. O Joe Benton, que <a href="https://www.nbcnews.com/tech/security/two-ai-researchers-leave-anthropic-google-safety-concerns-rcna597086"target="_blank" rel="noopener">liderava um time de segurança na empresa</a>, saiu dizendo que o progresso da IA pode acelerar &ldquo;de meramente frenético pra incontrolável&rdquo; e, adivinha, esticou o mesmo incidente da Hugging Face até o apocalipse. Dois caras da mesma empresa, no mesmo mês, com o mesmo roteiro de terror. E é aí que a minha cabeça vai pra dois lugares, os dois feios: ou tem uma mão coordenando isso por dentro da Anthropic, ou esses caras simplesmente aprenderam que gritar &ldquo;fim do mundo&rdquo; entrega toda a atenção que eles querem sem precisar provar absolutamente nada.</p>
<h3>E se o pânico for financiado?<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="e-se-o-pânico-for-financiado"></span>
    <a href="#e-se-o-p%c3%a2nico-for-financiado" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h3><p>E aqui eu entro em terreno de teoria da conspiração, então tome com o devido sal. Mas quando você junta tudo, a demissão viral, os endossos públicos de colegas, o timing colado na janela de IPO, começa a circular a suspeita de que nada disso é espontâneo. Já tem <a href="https://x.com/AndrewCurran_/status/2097839975190720935"target="_blank" rel="noopener">gente sugerindo</a> e <a href="https://x.com/orphcorp/status/2097781171673301330"target="_blank" rel="noopener">levantando a mesma lebre</a> de que a coisa toda é uma campanha coordenada, um &ldquo;doomer psyop&rdquo;: fabricar medo do apocalipse pra inflar a percepção de que a tecnologia é poderosa demais, e de quebra empurrar regulação que trava os concorrentes menores. Eu não tenho prova de que é isso, e nem estou afirmando que seja. Mas repara como a hipótese explica os fatos com a mesma facilidade da versão do herói solitário. Quando o roteiro se repete certinho e sempre favorece o mesmo lado, desconfiar é o mínimo.</p>
<p>E não sou só eu e uns anônimos no X achando isso. O David Sacks, que foi o czar de IA e cripto da Casa Branca até março deste ano e hoje é co-chair do conselho de consultoria científica do presidente, foi ao <a href="https://www.benzinga.com/markets/tech/26/09/61753920/david-sacks-jacob-coxon-anthropic-ai-safety"target="_blank" rel="noopener">podcast All-In desmontar a viralização</a> do Coxon peça por peça e chamou de &ldquo;psyop&rdquo; com todas as letras (e sim, o Sacks tem a própria agenda de desregulação, mas os fatos que ele levanta dá pra checar). Os pontos dele são difíceis de ignorar. A conta do Coxon quase não tinha atividade nem seguidor antes da enxurrada de tweets, e mesmo assim, do nada, achou uma audiência gigante em menos de um dia, uma coisa que o Elon disse que nunca tinha visto acontecer. O Sacks aponta quem amplificou nos primeiros quinze minutos: três grupos de advocacy bem organizados e bem financiados, a Encode AI, a AI Policy Network e a AI Futures Project. E o detalhe mais feio: a reportagem do Wall Street Journal sobre a carta de demissão foi ao ar uns dezoito minutos antes do próprio tweetstorm. Ou seja, o cara já tinha sentado com o jornal antes de &ldquo;desabafar&rdquo; espontaneamente na internet.</p>
<p>E o círculo fica pequeno demais quando você segue o dinheiro. Os três grupos que empurraram o tweet, segundo o Sacks, bebem da mesma fonte. Os <a href="https://survivalandflourishing.fund/recommendations"target="_blank" rel="noopener">registros públicos de grants</a> mostram a Encode e a AI Futures Project financiadas pelo Survival and Flourishing Fund, o fundo do Jaan Tallinn, co-fundador do Skype que virou um dos maiores financiadores do movimento de &ldquo;AI safety&rdquo;. E quem liderou a rodada Series A da própria Anthropic, com participação do Dustin Moskovitz? O próprio Tallinn. Esse mesmo Moskovitz banca a Open Philanthropy, a fundação de altruísmo eficaz que virou o cofre do movimento. E quem co-fundou a Open Philanthropy? O Holden Karnofsky, casado com a Daniela Amodei, presidente e co-fundadora da Anthropic e irmã do Dario. O Karnofsky, aliás, foi contratado pela Anthropic em 2025 pra cuidar justamente de &ldquo;segurança&rdquo;. Junta as pontas: o dinheiro que financia o pânico, a empresa que lucra com o pânico e a família que toca as duas coisas estão todos na mesma mesa de jantar. Não vou afirmar que existe um roteiro assinado numa sala fechada. Mas quando o medo, a grana e o laço familiar apontam todos pra mesma direção, chamar isso de &ldquo;denúncia corajosa e espontânea&rdquo; é ingenuidade.</p>
<blockquote>
  <p><strong>Atualização (25/09/2026):</strong> a Pirate Wires publicou <a href="https://www.piratewires.com/p/jacob-coxon-worked-with-ai-doomer-firm"target="_blank" rel="noopener">uma investigação</a> que bate direto nessa hipótese do Sacks. Na Fox News, o Bret Baier perguntou pro Coxon se ele tinha trabalhado com terceiros na campanha, e a resposta foi seca: &ldquo;not at all&rdquo;.</p>
<p>Só que a reportagem obteve um e-mail datado de 9 de setembro, um dia depois do tweetstorm, mostrando a DEY. Ideas + Influence, agência de comunicação que atende gente como o Eliezer Yudkowsky, a Timnit Gebru e a liderança do MIRI, já tentando agendar entrevista pra ele. Nem o Coxon nem a agência responderam aos pedidos de comentário da reportagem.</p>
<p>A coordenação profissional começou no dia seguinte ao post, não meses depois como ele deu a entender pra imprensa. Mais uma peça caindo do lado do roteiro combinado, não do herói solitário que se demitiu sozinho.</p>

</blockquote>
<p><img src="https://new-uploads-akitaonrails.s3.us-east-2.amazonaws.com/20260915112307_open-phil-anthropic-map.jpg" alt="Mapa de relacionamentos entre Open Philanthropy e Anthropic, mostrando os laços de financiamento e parentesco"  loading="lazy" /></p>
<p>Esse mapa, <a href="https://x.com/Hesamation/status/2099632482723209227"target="_blank" rel="noopener">publicado no X</a>, resume visualmente o que acabei de descrever. Ele também tenta ligar a Open Philanthropy a um laboratório de segurança chamado Irregular via um grant de 6,8 milhões de dólares, mas essa parte eu não consegui confirmar: o financiamento público que encontrei pra Irregular é uma rodada de 80 milhões de dólares liderada por Sequoia e Redpoint, sem menção a Open Philanthropy. Fico só com a parte que consigo sustentar: a rede de parentesco e financiamento em volta da Anthropic.</p>
<p>E é esse o padrão que eu quero que você aprenda a questionar. Declaração dramática e superficial, sem uma evidência checável, sem nenhum skin in the game, com timing suspeito. Não por acaso, isso tudo acontece bem no meio da janela de IPO dessas empresas. Onde estão as provas? Onde está o custo pessoal real de quem fala? Como é que isso não é só busca de publicidade grátis pra massagear o próprio ego? Enquanto ninguém responde isso, é só ruído.</p>
<h2>O teatro da &ldquo;AGI&rdquo;<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="o-teatro-da-agi"></span>
    <a href="#o-teatro-da-agi" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Agora o pano de fundo de tudo. Essa palavra, AGI, é o maior golpe de marketing da década, e funciona porque ela é propositalmente vazia.</p>
<p>Ninguém tem uma definição aceita do que é AGI. Cada laboratório, cada pesquisador, define de um jeito. O Brockman admitiu isso na cara dura. E o exemplo mais escrachado dessa vacuidade é o contrato entre OpenAI e Microsoft, que, <a href="https://www.wired.com/story/microsoft-and-openais-agi-fight-is-bigger-than-a-contract/"target="_blank" rel="noopener">segundo documentos reportados pela imprensa</a>, define AGI como um sistema capaz de gerar uns 100 bilhões de dólares de lucro pros investidores. Leia de novo. A definição de &ldquo;inteligência geral&rdquo; no papel que vale dinheiro é uma meta de lucro. Não tem nada de cognitivo ali. O Gary Marcus já apontou como as empresas foram movendo a trave, saindo de &ldquo;flexibilidade no nível humano&rdquo; pra &ldquo;se der uma certa grana&rdquo;.</p>
<p>Quando a palavra não significa nada, ela vira um balde vazio onde cada um joga seu próprio medo. E o medo que a maioria joga ali é o do cinema: o Exterminador do Futuro, o Skynet, a máquina que acorda e decide exterminar a humanidade. As empresas sabem disso e usam esse medo a seu favor. Quanto mais poderosa e perigosa a coisa parece, mais valiosa a empresa que a construiu parece. E não custa lembrar: tanto a OpenAI quanto a Anthropic estão de olho em IPO, com valuations que os relatos colocam perto de 1 trilhão de dólares. O objetivo financeiro é gritante. Toda declaração de &ldquo;AGI chegou&rdquo; e todo choro de &ldquo;vai virar Skynet&rdquo; empurram o mesmo carrinho: aumentar a percepção de valor antes de vender ação pra você.</p>
<h2>O dia em que a &ldquo;IA invadiu&rdquo; a Hugging Face<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="o-dia-em-que-a-ia-invadiu-a-hugging-face"></span>
    <a href="#o-dia-em-que-a-ia-invadiu-a-hugging-face" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Ainda dá tempo de falar de mais um episódio dessa mesma novela, de algumas semanas atrás. As manchetes gritaram que um modelo da OpenAI tinha &ldquo;invadido&rdquo; a Hugging Face sozinho, como se fosse o Skynet acordando e saindo pra atacar. Vamos baixar a bola.</p>
<p>Primeiro, o que é a Hugging Face. É o maior repositório de modelos de IA, datasets e demos abertos que existe, uma espécie de &ldquo;GitHub do machine learning&rdquo;. É onde praticamente todo mundo da área publica e baixa modelo open source. Central pro ecossistema, sim, mas no fim do dia é um site que hospeda arquivos.</p>
<h3>A prova de cibersegurança que escapou<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="a-prova-de-cibersegurança-que-escapou"></span>
    <a href="#a-prova-de-ciberseguran%c3%a7a-que-escapou" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h3><p>Agora o que de fato aconteceu, segundo os relatos da própria OpenAI e da Hugging Face, com <a href="https://www.technologyreview.com/2026/08/26/1143013/the-inside-story-on-why-openai-agents-hacked-hugging-face/"target="_blank" rel="noopener">a história de bastidor saindo na MIT Technology Review</a>. A OpenAI estava rodando uma avaliação interna de cibersegurança, um benchmark onde o modelo tem que achar e explorar vulnerabilidades. Os agentes deviam estar isolados da internet. Só que o &ldquo;isolamento&rdquo; era um filtro, não um air-gap de verdade: o tráfego saía por um proxy interno de cache de pacotes. Os agentes acharam uma falha nesse proxy e furaram pra internet aberta.</p>
<p>E o que eles fizeram com esse acesso? Não foi dominar o mundo. Eles deduziram que a Hugging Face provavelmente hospedava os datasets com as respostas da própria prova, e foram lá pegar o gabarito. Isso tem nome técnico e nada de mágico: reward hacking. O modelo é treinado pra maximizar uma pontuação, e descobre que colar é mais fácil do que resolver. É o mesmo bug clássico do agente que aprende a andar em círculo pra farmar pontos em vez de terminar a corrida.</p>
<p>E o estrago? Menor que um filme do Skynet, mas bem maior do que &ldquo;foram lá pegar o gabarito&rdquo; sugere. Pela reconstrução forense da Hugging Face e pelo <a href="https://cdn.openai.com/pdf/67869394-cb91-4c12-888c-5cbd85c7814c/OpenAI-Hugging-Face%20Incident-Technical-Report.pdf"target="_blank" rel="noopener">relatório técnico da própria OpenAI</a>: os agentes executaram código em 41 servidores de produção, pegaram root em pelo menos um, conseguiram acesso equivalente a administrador em clusters Kubernetes espalhados por quatro regiões de nuvem, baixaram quatro repositórios privados de código e leram 956 credenciais armazenadas. A forense reconstruiu umas 17.600 ações de atacante ao todo. A própria OpenAI classificou o episódio como a sua pior falha de segurança até hoje. O que não rolou, pela conta da Hugging Face, foi vazamento de dado de cliente: o CSO deles, o Thomas Wolf, disse que os ativos de cliente acessados foram cinco datasets, todos ligados justamente à tal prova, e que nada vazou. A OpenAI admite no relatório um acesso limitado a dados privados e a credenciais de sistemas internos. Reconstruíram parte da infra por precaução e seguiram a vida. O próprio Wolf resumiu o motivo do &ldquo;ataque&rdquo;: &ldquo;isso é trapaça. Mas às vezes trapacear é mais fácil&rdquo;.</p>
<p>Agora o meu ponto. Bug, vulnerabilidade, permissão mal configurada, sandbox furada: isso existe desde que existe software, e vai continuar existindo. Não é novidade nenhuma. Todo enabling dessa história foi uma decisão humana. Foi humano que deixou a internet &ldquo;filtrada&rdquo; em vez de cortada. Foi humano que deu pro serviço uma permissão de administrador larga demais no cluster. Foi humano que deixou credencial de nuvem exposta e endpoint velho no ar. As falhas que o agente encadeou eram bugs de software reais, tanto que a JFrog depois soltou correção pra nove CVEs. Isso é segurança ofensiva comum, feita por um script, não uma máquina ganhando consciência.</p>
<h3>Antes disso, o RubyGems<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="antes-disso-o-rubygems"></span>
    <a href="#antes-disso-o-rubygems" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h3><p>E nem foi a primeira vez naquele semestre. Um mês antes da Hugging Face, em maio, os agentes da OpenAI já tinham aprontado a mesma coisa no <a href="https://www.rubyhack.ai/"target="_blank" rel="noopener">RubyGems</a>, o repositório central de bibliotecas da linguagem Ruby. Entre 5 e 12 de maio, despejaram mais de 2 mil pacotes maliciosos, a ponto de o RubyGems ter que desligar o cadastro de novas contas e tratar aquilo como um &ldquo;DDoS em andamento&rdquo;. As pistas estavam por todo lado: centenas de pacotes com &ldquo;oai&rdquo; no nome, um autor &ldquo;oai&rdquo;, um endereço de e-mail com &ldquo;openai&rdquo; no nome. E, de novo, a OpenAI nunca avisou o RubyGems que era ela. No próprio relatório da Hugging Face, a OpenAI admite que esses pacotes faziam parte da mesma cadeia. Era o mesmo enxame de agentes batendo em vários alvos.</p>
<p>Agora, o que isso significa de verdade. Todo software tem bug, e sempre vai ter. É fato da vida. A ideia clássica do open source é que, com olhos suficientes, todo bug fica raso, mais cedo ou mais tarde alguém acha. Só que ninguém tem tempo infinito, então a gente sempre dependeu de voluntários humanos pra caçar e corrigir esses bugs de graça. Agora chega a OpenAI, com dinheiro e compute praticamente infinitos, e joga isso em cima do problema. Até uma IA boba, com recurso desse tamanho, acha um monte de falha que passou anos escondida embaixo do nariz de todo mundo. É por isso que a gente está vendo tanta vulnerabilidade sendo desenterrada. Tudo isso é força bruta financeira em ação, dinheiro e compute que a gente nunca teve à disposição. Inteligência superior não tem nada a ver com isso.</p>
<p>E repara em quem pode bancar essa brincadeira. Queimar 130 bilhões de tokens num problema de matemática, ou manter um enxame de agentes rodando por dias varrendo infraestrutura alheia, é privilégio de meia dúzia de empresas no mundo: OpenAI, Anthropic, Google, Meta, xAI, e olhe lá. E nem elas são donas do ferro, boa parte é alugada da Microsoft, da Amazon, da Oracle. Nenhum hacker solitário num porão consegue torrar milhões de dólares em token pra achar brecha. Quando essa capacidade vira manchete de &ldquo;olha como a IA é perigosa&rdquo;, lembra de quem é o teclado.</p>
<p>Se você não é da área, a ideia de uma IA descobrindo sozinha um vetor de ataque e saindo aproveitando parece o apocalipse. Pra quem trabalha com isso, é terça-feira. A gente parte do princípio de que todo software exposto está sob ataque o tempo inteiro, porque está: qualquer empresa grande, governo ou instituição com sistema importante na internet recebe tentativa de invasão todo santo dia. E como ninguém entrega software grande com garantia de zero bug, provar isso formalmente custa muito mais do que escrever o código, e quase ninguém paga essa conta, a resposta da indústria nunca foi fingir perfeição. Foi defesa em camadas: firewall, segmentação de rede, monitoramento, detecção de intrusão, resposta a incidente, bug bounty. Um atacante achando brecha e explorando é exatamente o cenário para o qual a cibersegurança inteira foi inventada.</p>
<p>A IA acelera o lado do ataque, sim. Mas acelera o da defesa também: a mesma técnica que acha brecha pra invadir acha brecha pra corrigir antes. A novidade do caso está no volume e na velocidade; o problema em si sempre existiu. Ninguém foi pego conceitualmente de surpresa. O escândalo da OpenAI é outro, e é sobre ele que eu quero falar agora.</p>
<p>E tem a camada ética, que é a mais grave. Profissional sério de cibersegurança não sai atacando sistema alheio no susto. Empresa de pentest avisa o alvo antes e combina o escopo, porque um ataque desses pode derrubar o serviço e prejudicar o negócio de verdade, tanto que o RubyGems ficou dias com o cadastro fechado. A OpenAI fez o contrário: atacou na surdina, sem autorização nem aviso. Dá pra imaginar um motivo só pra assumir esse risco: o clout de poder dizer depois &ldquo;olha como o GPT é inteligente, achou tudo isso sozinho&rdquo;. Isso é antiético na melhor das hipóteses e criminoso na pior. E não faz do GPT nada melhor do que qualquer scanner de cibersegurança que já existe. É a mesma jogada do Navier-Stokes: berrar pro mundo que tem milhões pra queimar.</p>
<p>E é exatamente esse o exagero que eu quero que você enxergue. A IA não &ldquo;acordou&rdquo; e &ldquo;decidiu invadir&rdquo; nada. Um script automatizado, otimizando uma métrica boba, encontrou uma porta que um humano deixou destrancada. Se você pega qualquer script idiota e dá acesso root pra ele, ele vai fazer estrago. Sempre foi assim. A diferença é que agora o &ldquo;script&rdquo; se escreve sozinho, mas o acesso continua sendo concedido por gente.</p>
<p>E pra ninguém dizer que eu diminuí o caso: foi grave, e teve gente séria comparando com o Morris Worm de 1988. Grave como negligência humana, que é o que os fatos sustentam. A versão do robô rebelde, os fatos não carregam.</p>
<h3>E adivinha quem está comprando a Hugging Face<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="e-adivinha-quem-está-comprando-a-hugging-face"></span>
    <a href="#e-adivinha-quem-est%c3%a1-comprando-a-hugging-face" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h3><p>E tem um detalhe que amarra a Hugging Face no resto dessa história de um jeito que ninguém deveria ignorar. No começo de setembro, <a href="https://blogs.nvidia.com/blog/nvidia-to-acquire-hugging-face/"target="_blank" rel="noopener">a Nvidia assinou um acordo definitivo pra comprar a Hugging Face</a> por cerca de 12,9 bilhões de dólares. O negócio ainda depende de aprovação regulatória e, <a href="https://www.theregister.com/ai/2026/09/03/nvidia-expands-its-open-source-ai-presence-with-129-billion-hugging-face-buy/5294352"target="_blank" rel="noopener">pelo filing da própria Nvidia</a>, só deve fechar no primeiro semestre de 2027. Mas a direção já está assinada: o &ldquo;GitHub do machine learning&rdquo;, o hub supostamente neutro onde a comunidade inteira publica e baixa modelo open source, está a caminho das mãos da Nvidia. A mesma Nvidia do Jensen que abriu essa semana gritando que a AGI chegou. A mesma que vende a pá.</p>
<p>Para e pensa no tamanho disso. São mais de 18 milhões de desenvolvedores e mais de 3 milhões de modelos hospedados ali. Era pra ser o terreno comum, a praça pública da IA aberta. E o dono da praça, se os reguladores deixarem, vai ser o maior vendedor de hardware do planeta, o cara com o maior incentivo do mundo em manter o hype de IA girando pra vender mais GPU.</p>
<p>E é exatamente isso que eu chamo de cartel lá embaixo. Isso está no organograma, preto no branco. O mesmo grupinho que fabrica o medo, declara a AGI, resolve problema de matemática na marra e pede regulação agora também vai ser dono do chip e da prateleira onde você baixa o modelo. Quando eu te digo pra desconfiar da narrativa, é porque a narrativa e a infraestrutura estão cada vez mais na mão das mesmas pessoas.</p>
<h2>A pergunta que todo programador devia fazer, e não faz<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="a-pergunta-que-todo-programador-devia-fazer-e-não-faz"></span>
    <a href="#a-pergunta-que-todo-programador-devia-fazer-e-n%c3%a3o-faz" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>O que mais me irrita é ver gente que trabalha na área, programador, engenheiro, gente que devia saber como uma máquina funciona por dentro, engolindo essa propaganda inteira sem a pergunta mais básica de todas.</p>
<p>Como, exatamente, uma &ldquo;AGI&rdquo;, ou até um script automatizado bobo, vai &ldquo;destruir a humanidade&rdquo; sozinha? Ela precisa de mãos. Alguém, um humano, precisa dar acesso a alguma coisa que cause dano no mundo físico. Acesso a uma arma, a um sistema de mísseis, a uma rede elétrica, a uma conta bancária. Software não tem braço, não tem perna, não tem botão de lançar míssil embutido. Ele depende, cem por cento, de um humano ter conectado ele a um atuador que faça algo no mundo real.</p>
<p>E uma vez conectado, o estrago rola sem ninguém apertar botão a cada passo, às vezes sem ninguém nem perceber. O Stuxnet rodou anos dentro de uma usina iraniana destruindo centrífuga, invisível. Mesmo assim, nem ele escapa da regra: alguém escreveu o worm, mirou os controladores industriais e atravessou ele pra dentro. A máquina não se conecta sozinha à infraestrutura, e depois de conectada já era, falar em &ldquo;tirar da tomada&rdquo; é fantasia. A dependência do humano mora na decisão de conectar, e a responsabilidade pelo estrago é de quem abre a porta. O Yann LeCun, um dos pais da área e ganhador do Turing, chama o pânico existencial de &ldquo;besteira completa&rdquo;, justamente porque os modelos atuais não têm memória persistente, planejamento nem contato com o mundo físico. O Andrew Ng compara se preocupar com a extinção pela IA a &ldquo;se preocupar com superpopulação em Marte&rdquo;. Gente que entende do assunto de verdade não está desesperada.</p>
<p>Isso que a gente está vivendo tem nome, e é velho: fear mongering. O terror do &ldquo;o fim está próximo&rdquo;. Sempre existiu. Teve o pânico do cometa Halley em 1910, quando venderam pílula anti-gás cósmico pras pessoas. Teve o bug do milênio, o Y2K, onde o mundo gastou uns 300 bilhões de dólares com medo de um colapso sistêmico que não aconteceu (sim, em parte porque a correção foi paga a tempo; mais disso no apêndice). É sempre a mesma estrutura: alguém com algo a ganhar te vende o apocalipse.</p>
<h2>Dario Amodei quer salvar a humanidade e abrir o capital no mesmo mês<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="dario-amodei-quer-salvar-a-humanidade-e-abrir-o-capital-no-mesmo-mês"></span>
    <a href="#dario-amodei-quer-salvar-a-humanidade-e-abrir-o-capital-no-mesmo-m%c3%aas" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Lembra do complexo de Deus que eu citei lá no começo? Chegou a hora de provar. Porque o grand finale dessa semana foi o próprio Dario Amodei subindo no palco pra bancar o salvador.</p>
<p>Mas antes dele, o coro ficou ainda mais alto. Além do Coxon e do Benton lá em cima, o Josh Engels, do Google DeepMind, <a href="https://www.nbcnews.com/tech/security/two-ai-researchers-leave-anthropic-google-safety-concerns-rcna597086"target="_blank" rel="noopener">também pediu as contas</a> batendo na mesma tecla apocalíptica, com direito a &ldquo;não tem nenhum adulto na sala, não tem ninguém vindo pra nos salvar&rdquo;. E, claro, transformando o mesmo incidente da Hugging Face em prova do apocalipse. O medo já tinha pulado a cerca da Anthropic e virado coro de indústria.</p>
<p>Repara no timing. Uma fila de demissões dramáticas, todas no mesmo mês, todas viralizando, todas apontando pro mesmo medo. E então, no dia 12, entra o Dario com um <a href="https://www.nbcnews.com/news/us-news/anthropic-ceo-dario-amodei-ai-development-rcna597383"target="_blank" rel="noopener">ensaio pedindo pra &ldquo;desacelerar&rdquo; a IA</a>. Ele chama isso de &ldquo;pacing the frontier&rdquo;. Traduzindo: &ldquo;a gente precisa reduzir o ritmo em que melhora as capacidades dos modelos&rdquo; pra &ldquo;dar mais um ou dois anos&rdquo; pros pesquisadores de segurança. E qual a prova central que ele usa? De novo, a Hugging Face. E repara no truque. O próprio ensaio admite que ninguém se feriu e que o dano econômico foi mínimo. Até aí, fato. Aí vem o &ldquo;mas&rdquo;: se um enxame mais capaz e mal-alinhado fizesse a mesma coisa, o estrago &ldquo;poderia ter sido catastrófico&rdquo;. E ele vai além: projeta que em 6 a 12 meses um enxame desses <a href="https://darioamodei.com/post/we-must-pace-the-frontier"target="_blank" rel="noopener">poderia tomar a internet inteira</a>, com dano na casa das centenas de bilhões. Poderia. É projeção. O fato documentado tem dano real mínimo, o apocalipse mora inteiro no condicional. Esse &ldquo;se&rdquo; está carregando o ensaio inteiro nas costas.</p>
<p>Agora liga o cérebro e olha a contradição escancarada. O Dario diz que a IA pode literalmente extinguir a humanidade. E a solução que ele propõe é&hellip; desacelerar um pouquinho, comprar um ou dois anos, e seguir construindo e vendendo. Peraí. Se você acredita de verdade que a coisa pode matar todo mundo, você não pede pra ir mais devagar. Você para. Fecha a porta e joga a chave fora. Ninguém fica &ldquo;pacing&rdquo; uma bomba nuclear enquanto vende ação dela.</p>
<p>Porque é isso que fica de fora do ensaio: a Anthropic está a caminho de um IPO com valuation na casa do trilhão. Você não pode gritar &ldquo;isso pode acabar com a espécie humana&rdquo; e, na mesma respiração, montar a maior captação da sua história em cima da mesma tecnologia. Ou é perigo existencial e você fecha a empresa, ou é um produto e você para de fazer chantagem emocional com a extinção. Fazer as duas coisas ao mesmo tempo é marketing, não coerência.</p>
<p>E não é a primeira vez que eles gritam lobo. Lembra do Mythos? A Anthropic passou meses dizendo que o modelo era <a href="https://www.techradar.com/ai-platforms-assistants/claude/anthropic-spent-months-saying-mythos-was-too-dangerous-to-release-then-it-launched-a-public-version-called-fable-5-that-it-warns-comes-with-risks"target="_blank" rel="noopener">perigoso demais pra soltar</a>, liberando só pra um grupinho fechado no tal Project Glasswing. Aí soltaram o Fable 5, a versão &ldquo;segura&rdquo;, avisando que &ldquo;vinha com riscos&rdquo;. Já faz meses. Cadê o estrago? Cadê o cyberataque apocalíptico, a arma biológica, o colapso? Nunca veio, porque nunca esteve ali. Foi susto de marketing, do mesmo jeito.</p>
<p>E aqui entra a minha leitura de fundo, aquela que eu venho repetindo faz anos. Todo mundo trata a evolução da IA como uma curva exponencial que sobe pra sempre. Mentira. Na prática é uma curva S. Ela sobe rápido no meio, e é esse pedaço que hospedou todo o hype, mas ela achata no topo. E eu aposto que a gente já está no teto faz tempo, provavelmente desde o Opus 4.6. Olha as últimas iterações com honestidade: cada uma é um incremento, um ganho de alguns pontos em benchmark, longe do salto revolucionário que o marketing vende. Quando você não tem mais capacidade nova pra impressionar, você troca a promessa pelo medo. Não dá pra dizer &ldquo;olha que revolucionário&rdquo;, então grita &ldquo;olha que perigoso&rdquo;.</p>
<p>E é aí que o &ldquo;pacing the frontier&rdquo; fica interessante de verdade. Vou botar o chapéu de alumínio, porque isso é especulação minha, mas o timing é coincidência demais. Você pega especulação, número inventado, &ldquo;análise de especialista&rdquo;, e transforma tudo em pânico. Depois empurra esse pânico pra dentro da política. E olha a coincidência: no dia 11 de setembro, no meio dessa onda toda, <a href="https://www.reuters.com/legal/litigation/us-senate-negotiators-consider-requiring-ai-firms-mitigate-known-major-risks-2026-09-11/"target="_blank" rel="noopener">negociadores do Senado americano já estavam discutindo</a> impor um &ldquo;dever de cuidado&rdquo; pra evitar &ldquo;riscos catastróficos&rdquo;, mirando justamente os modelos mais avançados, ou seja, Google, OpenAI e a própria Anthropic. Regulação escrita sob medida pro líder de mercado é fosso disfarçado de segurança. Você trava o concorrente pequeno e carimba o seu produto como o &ldquo;seguro e aprovado&rdquo;.</p>
<p>E é esse o complexo de Deus que eu falei lá no começo, agora explícito. O Dario não está só vendendo um modelo. Ele se enxerga como o homem que segura o apocalipse com as próprias mãos, o único adulto responsável num quarto cheio de irresponsáveis. É uma narrativa conveniente pra quem se acha o escolhido, e uma jogada de negócio impecável pra quem quer abrir o capital como o fornecedor oficial da salvação. As duas coisas na mesma pessoa. Se isso não é gaslighting em escala industrial, eu não sei o que é.</p>
<h2>De repente, o cartel inteiro concorda<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="de-repente-o-cartel-inteiro-concorda"></span>
    <a href="#de-repente-o-cartel-inteiro-concorda" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>E aí, no dia seguinte ao ensaio do Dario, aconteceu a coisa mais reveladora de todas. O <a href="https://www.mediaite.com/media/elon-musk-and-sam-altman-agree-with-anthropic-boss-ai-must-slow-down-to-avoid-catastrophic-damage/"target="_blank" rel="noopener">Sam Altman e o Elon Musk entraram no coro</a>. O Musk twitou &ldquo;o Dario está certo&rdquo;. O Altman disse &ldquo;eu concordo com o Dario que a gente precisa dar pace na fronteira&rdquo; e ainda se comprometeu a abrir os sistemas da OpenAI pra avaliadores independentes. De repente, três dos maiores rivais da indústria estão todos de acordo, na mesma semana, que a corrida precisa desacelerar.</p>
<p>Para com tudo e pensa no que isso é. Concorrente não combina de ir mais devagar por bondade. Quando os líderes de um mercado sentam e concordam publicamente em frear juntos, e ainda falam em &ldquo;pacto&rdquo;, isso, dependendo de como se formaliza, tem um nome velho no direito: cartel. Combinar o ritmo do mercado entre os maiores players é comportamento anticompetitivo clássico e esbarra em lei antitruste. E o objetivo declarado é empurrar o Congresso pra uma regulação que, convenientemente, eles vão ajudar a escrever. Regra que eles influenciam direto trava o novato que ainda nem chegou, e blinda quem já está no topo.</p>
<p>E olha que não precisa acreditar na minha leitura. O próprio ensaio do Dario admite que a coordenação entre os laboratórios precisaria de uma <a href="https://darioamodei.com/post/we-must-pace-the-frontier"target="_blank" rel="noopener">isenção antitruste estreita do governo americano</a> pra funcionar. Eles sabem que o que estão propondo esbarra em lei de concorrência, e já estão pedindo a licença por escrito.</p>
<p>E essa turma está longe de ser independente. É quase uma árvore genealógica. O Elon co-fundou a OpenAI e bancou o Altman no comecinho. O Dario saiu de dentro da OpenAI do Altman pra montar a Anthropic. A Nvidia do Jensen virou o império que é vendendo pá pra esse pessoal todo, a ponto do próprio Jensen ter entregado o primeiro supercomputador de IA na porta da OpenAI, em 2016. É um clubinho pequeno, todo mundo com raiz na mesma árvore, e agora todo mundo cantando a mesma música.</p>
<p>E aí vem a cereja. Poucas horas depois de pregar &ldquo;segurança&rdquo;, o Altman <a href="https://fortune.com/2026/09/12/sam-altman-openai-ipo-delay-ill-advised-moment-safety-concerns/"target="_blank" rel="noopener">avisou que talvez não queira mais abrir o capital agora</a>. Nas palavras dele, &ldquo;dado tudo que está acontecendo com segurança, agora seria um momento mal aconselhado pra abrir o capital&rdquo;. Que coincidência conveniente: o mesmo medo que ele acabou de ajudar a fabricar virou a desculpa perfeita pra adiar o IPO.</p>
<p>Deixa eu te dar a minha leitura crua. A expectativa em cima da OpenAI está nas alturas, com valuation projetado em 1 trilhão de dólares. Sustentar um número desses exige uma história de crescimento que não para. Só que, se eu estiver certo e eles já bateram no teto da curva S, ou estão quase, essa história acabou. Não sobrou capacidade nova revolucionária pra mostrar. Não sobrou narrativa. Eles já jogaram a última carta na mesa, a carta do apocalipse. Quando não te resta mais nada pra vender, e a conta pra pagar é de 1 trilhão, o que você faz? Você ganha tempo. Você adia o quanto der, embrulhado em &ldquo;responsabilidade&rdquo;, e reza pra achar a próxima história antes que o mercado perceba que a curva achatou.</p>
<p>E a semana terminou com o prego final nesse caixão. No domingo, o próprio Trump, falando com a imprensa no Irish Open, <a href="https://www.washingtonpost.com/politics/2026/09/13/trump-rejects-calls-so-slow-ai-development-citing-chinese-competition/"target="_blank" rel="noopener">rejeitou os pedidos de desaceleração</a>: &ldquo;estamos na frente da China em IA, somos o país mais tecnologicamente avançado do mundo&rdquo;, e pretende manter assim. Ele admitiu que dá pra &ldquo;colocar salvaguardas&rdquo; no lugar, mas disse que &ldquo;forças negativas&rdquo; estão levantando &ldquo;coisas que não vão acontecer&rdquo;. E fechou com a lógica dele: quem vencer em IA, vence. O Sacks <a href="https://mbiz.heraldcorp.com/article/10871834"target="_blank" rel="noopener">foi ainda mais fundo no X</a>: &ldquo;o jeito mais fácil de não construir superinteligência é vocês combinarem entre si de não construir. Exigir o framework regulatório que vocês preferem em troca parece chantagem com o público e com o sistema político&rdquo;. E cravou: se os laboratórios não fizerem isso por conta própria, &ldquo;vamos saber que era só captura regulatória, ou uma operação psicológica em época de eleição&rdquo;. Ou seja: o clubinho nem tinha terminado de assinar o pacto do freio e o governo americano já disse que não freia, porque tem corrida com a China no meio. O &ldquo;pacing the frontier&rdquo; morreu em dois dias. Se até a Casa Branca não comprou o apocalipse, fica cada vez mais difícil fingir que o medo era sobre segurança.</p>
<h2>Conclusão<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="conclusão"></span>
    <a href="#conclus%c3%a3o" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Me entenda bem: eu uso essas ferramentas todo dia e escrevo sobre elas o tempo todo. O meu ponto é sobre ligar o cérebro antes de compartilhar a manchete.</p>
<p>Quando uma empresa que vende GPU anuncia que a AGI chegou, pergunte quem lucra. Quando uma empresa queima milhões de dólares em compute pra &ldquo;resolver&rdquo; um problema que ela nem vai cobrar o prêmio, e ainda ameaça a carreira de um matemático no caminho, pergunte o que ela está comprando com aquela manchete. Quando um laboratório &ldquo;humilha&rdquo; o Vale do Silício num benchmark, pergunte o que rodava por baixo do capô. Quando um funcionário sai chorando Skynet no Twitter às vésperas de um IPO, pergunte cadê a evidência e cadê o custo que ele pagou. E quando um CEO se oferece pra &ldquo;desacelerar&rdquo; a IA que ele mesmo continua vendendo, pergunte quem fica com o assento na mesa quando a regulação for escrita.</p>
<p>Eu abri esse texto com o Jensen Huang, o homem que vende a pá, gritando que a AGI chegou. Vou fechar com ele também, porque a ironia é boa demais. O mesmo Jensen que infla o hype pra vender GPU <a href="https://www.businessinsider.com/nvidia-jensen-huang-ai-doomerism-damage-investments-2026-1"target="_blank" rel="noopener">chama o discurso apocalíptico de &ldquo;besteira completa&rdquo;</a>, diz que os profetas do fim do mundo &ldquo;fizeram muito estrago&rdquo; e avisa contra a captura regulatória, que nenhuma empresa devia bater na porta do governo pedindo mais regra. Quando nem o maior vendedor de otimismo da indústria compra a história de que a máquina vai nos exterminar, e ainda aponta o dedo pra jogada da regulação, é bom você desconfiar de quem está te vendendo o apocalipse.</p>
<p>Exija prova. Exija skin in the game. Pergunte quem ganha com o seu medo e com a sua empolgação. Faça isso, e a maior parte dessa propaganda desmancha na sua frente.</p>
<p>E se você leu tudo isso e ainda saiu daqui achando que o robô vai acordar e te matar enquanto você dorme, sem ninguém ter plugado ele em coisa nenhuma, bom, aí volta lá no começo e lê meu lema de novo.</p>
<h2>Apêndice: o fine print<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="apêndice-o-fine-print"></span>
    <a href="#ap%c3%aandice-o-fine-print" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Pro texto principal eu cortei as explicações chatas pra não quebrar o ritmo. Pra quem gosta de conferir detalhe, está tudo aqui:</p>
<ul>
<li><strong>Navier-Stokes e o Clay:</strong> os enunciados C e D (breakdown com força externa suave) fazem parte, literalmente, da <a href="https://www.claymath.org/wp-content/uploads/2022/06/navierstokes.pdf"target="_blank" rel="noopener">formulação oficial do prêmio, escrita pelo Charles Fefferman</a>. O que a OpenAI anunciou cobre essas rotas; a versão sem força externa, a pergunta famosa, segue em aberto. O Clay soltou uma <a href="https://www.claymath.org/news/navier-stokes-announcement/"target="_blank" rel="noopener">nota no dia 11/9</a> dizendo que o problema &ldquo;aparentemente foi resolvido&rdquo;, com a verificação e a atribuição de crédito caminhando &ldquo;deliberadamente sem pressa&rdquo;, e hoje o status no <a href="https://www.claymath.org/millennium-problems/"target="_blank" rel="noopener">site deles</a> é &ldquo;ativo&rdquo;. Nem &ldquo;resolvido&rdquo;, nem &ldquo;não resolvido&rdquo;. E a OpenAI não reivindicou o prêmio.</li>
<li><strong>Buckmaster vs. OpenAI:</strong> o relato do &ldquo;acordo&rdquo; (o Buckmaster reescreveria a prova como paper humano, ficaria com o prêmio de 1 milhão, e o Alpoge sairia da autoria) é a versão de uma das partes, contada pelo Buckmaster ao TechCrunch e à Fortune. A OpenAI nega a substância, diz que não viu o trabalho deles e afirma que o Bubeck se desculpou depois. Eu sinalizei isso no texto e repito aqui porque importa: é um relato de parte interessada, ainda que os detalhes documentados na cobertura (a troca de mensagens, o timing) façam ele parecer bem crível.</li>
<li><strong>Y2K:</strong> o colapso não aconteceu em parte porque os 300 bilhões pagaram a correção a tempo. Verdade, e eu não escondo isso. Só que a estrutura do pânico continua a mesma: quem vendeu a correção lucrava com o medo, e a manchete de fim do mundo rodou o planeta antes de qualquer correção.</li>
<li><strong>&ldquo;Software sem bug&rdquo;:</strong> existe, sim, software com correção provada formalmente. O exemplo clássico é o microkernel seL4, provado até o nível do binário. Só que essa prova custa ordens de grandeza a mais do que escrever o software, e quase ninguém paga essa conta num sistema grande. É por isso que a indústria vive de defesa em camadas em vez de garantia absoluta.</li>
<li><strong>David Sacks:</strong> ele deixou o cargo de czar de IA e cripto da Casa Branca em março de 2026, ao esgotar os 130 dias como funcionário especial do governo, e hoje é co-chair do PCAST, o conselho de consultoria científica do presidente. Continua influente na política de IA, mas &ldquo;czar&rdquo; ele não é mais.</li>
<li><strong>NVIDIA e Hugging Face:</strong> o acordo definitivo foi assinado em 2/9/2026 por cerca de US$ 12,9 bilhões, e o fechamento depende de aprovação regulatória, previsto pro primeiro semestre de 2027. A NVIDIA ainda não é juridicamente dona de nada. O ponto do texto é a direção, não a escritura.</li>
</ul>
]]></content:encoded><category>inteligencia-artificial</category><category>llms</category><category>negocios</category></item><item><title>37 dias de Imersão em Vibe Coding: Conclusão quanto a Modelos de Negócio</title><link>https://akitaonrails.github.io/2026/03/05/37-dias-de-imers%C3%A3o-em-vibe-coding-conclus%C3%A3o-quanto-a-modelos-de-neg%C3%B3cio/</link><guid isPermaLink="true">https://akitaonrails.github.io/2026/03/05/37-dias-de-imers%C3%A3o-em-vibe-coding-conclus%C3%A3o-quanto-a-modelos-de-neg%C3%B3cio/</guid><pubDate>Thu, 05 Mar 2026 14:00:00 -0300</pubDate><description>&lt;p&gt;Nos últimos 37 dias eu me enfiei numa imersão em vibe coding. O objetivo era simples: entender de verdade o que a geração atual de LLMs e agentes de código consegue fazer. Não testando num toy project de fim de semana, mas construindo projetos reais, com deploy em produção, usuários, e as dores de manutenção que vêm junto.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O resultado foram 653 commits, ~144K linhas de código em 8 projetos publicados no GitHub, e uma série de artigos documentando cada um deles. Se você acompanhou, já leu os post-mortems. Se não acompanhou, aqui vai o índice:&lt;/p&gt;</description><content:encoded><![CDATA[<p>Nos últimos 37 dias eu me enfiei numa imersão em vibe coding. O objetivo era simples: entender de verdade o que a geração atual de LLMs e agentes de código consegue fazer. Não testando num toy project de fim de semana, mas construindo projetos reais, com deploy em produção, usuários, e as dores de manutenção que vêm junto.</p>
<p>O resultado foram 653 commits, ~144K linhas de código em 8 projetos publicados no GitHub, e uma série de artigos documentando cada um deles. Se você acompanhou, já leu os post-mortems. Se não acompanhou, aqui vai o índice:</p>
<h2>Os artigos<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="os-artigos"></span>
    <a href="#os-artigos" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><ul>
<li><a href="/2026/01/28/vibe-code-eu-fiz-um-appzinho-100-com-glm-4-7-tv-clipboard/">Vibe Code: Eu fiz um appzinho 100% com GLM 4.7 (TV Clipboard)</a></li>
<li><a href="/2026/01/29/vibe-code-qual-llm-%C3%A9-a-melhor-vamos-falar-a-real/">Vibe Code: Qual LLM é a MELHOR?? Vamos falar a REAL</a></li>
<li><a href="/2026/02/01/vibe-code-fiz-um-editor-de-markdown-do-zero-com-claude-code-frankmd-part-1/">Vibe Code: Fiz um Editor de Markdown do zero com Claude Code (FrankMD) PARTE 1</a></li>
<li><a href="/2026/02/01/vibe-code-fiz-um-editor-de-markdown-do-zero-com-claude-code-frankmd-parte-2/">Vibe Code: Fiz um Editor de Markdown do zero com Claude Code (FrankMD) PARTE 2</a></li>
<li><a href="/2026/02/08/rant-ia-acabou-com-programadores/">RANT: IA acabou com os programadores?</a></li>
<li><a href="/2026/02/16/vibe-code-do-zero-a-producao-em-6-dias-the-m-akita-chronicles/">Vibe Code: Do Zero à Produção em 6 DIAS - The M.Akita Chronicles</a></li>
<li><a href="/2026/02/20/do-zero-a-pos-producao-em-1-semana-como-usar-ia-em-projetos-de-verdade-bastidores-do-the-m-akita-chronicles/">Do Zero à Pós-Produção em 1 Semana - Como usar IA em Projetos de Verdade</a></li>
<li><a href="/2026/02/21/vibe-code-fiz-um-clone-do-mega-em-rails-em-1-dia-pro-meu-home-server/">Vibe Code: Fiz um clone do Mega em Rails em 1 dia pro meu Home Server</a></li>
<li><a href="/2026/02/23/vibe-code-fiz-um-indexador-inteligente-de-imagens-com-ia-em-2-dias/">Vibe Code: Fiz um Indexador Inteligente de Imagens com IA em 2 dias - Frank Sherlock</a></li>
<li><a href="/2026/02/24/rant-o-akita-abriu-as-pernas-pra-ia/">RANT: o Akita abriu as pernas pra IA??</a></li>
<li><a href="/2026/03/01/ai-jail-sandbox-para-agentes-de-ia-de-shell-script-a-ferramenta-real/">ai-jail: Sandbox para Agentes de IA</a></li>
<li><a href="/2026/03/01/software-nunca-esta-pronto-4-projetos-a-vida-pos-deploy-e-por-que-one-shot-prompt-e-mito/">Software Nunca Está &lsquo;Pronto&rsquo; - 4 Projetos, a Vida Pós-Deploy</a></li>
<li><a href="/2026/03/04/eu-fiz-um-sistema-de-data-mining-pra-minha-namorada-influencer-dicas-e-truques/">Eu Fiz um Sistema de Data Mining pra Minha Namorada Influencer</a></li>
<li><a href="/2026/03/05/meu-primeiro-fracasso-com-vibe-code-e-como-consertei-frank-yomik/">Meu primeiro fracasso com Vibe Code e como Consertei - Frank Yomik</a></li>
</ul>
<h2>Os projetos<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="os-projetos"></span>
    <a href="#os-projetos" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><table>
  <thead>
      <tr>
          <th>Projeto</th>
          <th>Commits</th>
          <th>LOC</th>
          <th>Tempo</th>
          <th>O que faz</th>
      </tr>
  </thead>
  <tbody>
      <tr>
          <td><a href="https://github.com/akitaonrails/FrankMD"target="_blank" rel="noopener">FrankMD</a></td>
          <td>234</td>
          <td>38K</td>
          <td>~5 dias</td>
          <td>Editor de Markdown em Rust/Tauri</td>
      </tr>
      <tr>
          <td><a href="https://github.com/akitaonrails/FrankYomik"target="_blank" rel="noopener">FrankYomik</a></td>
          <td>131</td>
          <td>21K</td>
          <td>~9 dias</td>
          <td>Tradutor de mangá/webtoon (Go + Python + Flutter)</td>
      </tr>
      <tr>
          <td><a href="https://github.com/akitaonrails/FrankSherlock"target="_blank" rel="noopener">FrankSherlock</a></td>
          <td>103</td>
          <td>37K</td>
          <td>~6 dias</td>
          <td>Indexador inteligente de imagens (Rails + Python)</td>
      </tr>
      <tr>
          <td>mila-bot (privado)</td>
          <td>60</td>
          <td>30K</td>
          <td>~3 dias</td>
          <td>Sistema de data mining (Rails + Discord)</td>
      </tr>
      <tr>
          <td><a href="https://github.com/akitaonrails/tvclipboard"target="_blank" rel="noopener">TVClipboard</a></td>
          <td>49</td>
          <td>5K</td>
          <td>~2 dias</td>
          <td>App de clipboard cross-device com GLM 4.7</td>
      </tr>
      <tr>
          <td><a href="https://github.com/akitaonrails/ai-jail"target="_blank" rel="noopener">ai-jail</a></td>
          <td>46</td>
          <td>6K</td>
          <td>~4 dias</td>
          <td>Sandbox de segurança pra agentes de IA (Rust)</td>
      </tr>
      <tr>
          <td><a href="https://github.com/akitaonrails/FrankMega"target="_blank" rel="noopener">FrankMega</a></td>
          <td>29</td>
          <td>7K</td>
          <td>~1 dia</td>
          <td>Clone do Mega para home server (Rails)</td>
      </tr>
      <tr>
          <td>The M.Akita Chronicles</td>
          <td>1+</td>
          <td>muitas</td>
          <td>~6 dias</td>
          <td>Blog/newsletter completo em produção</td>
      </tr>
  </tbody>
</table>
<p>Isso tudo aconteceu entre 27 de janeiro e 5 de março de 2026.</p>
<p>Não vou repetir os detalhes técnicos de cada projeto. Cada post-mortem acima já cobriu isso. O que eu quero discutir aqui é a consequência.</p>
<h2>O que esses 37 dias me mostraram<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="o-que-esses-37-dias-me-mostraram"></span>
    <a href="#o-que-esses-37-dias-me-mostraram" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Projetos que antes levariam semanas ou meses pra um desenvolvedor experiente agora levam dias. Um editor de Markdown completo em 5 dias. Um clone do Mega em 1 dia. Um sistema de data mining com 40+ ferramentas de bot em 3 dias. Um indexador de imagens com vision AI em 2 dias.</p>
<p>E não estou falando de protótipos jogados fora. Esses projetos estão em produção. Têm testes. Têm deploy automatizado. São software de verdade construído com práticas de engenharia de verdade, só que com velocidade que antes era impensável.</p>
<p>Essa velocidade não é exclusiva minha. A Cloudflare acabou de demonstrar algo parecido. <a href="https://blog.cloudflare.com/vinext/"target="_blank" rel="noopener">Num post recente</a>, eles descrevem como um engenheiro reimplementou o surface de API do Next.js sobre Vite em uma semana, usando Claude como ferramenta principal. US$ 1.100 em tokens de API, mais de 800 sessões, 1.700 testes unitários, 380 testes E2E, builds 4.4x mais rápidos que o Next.js original. Controvérsias à parte sobre se é uma reimplementação &ldquo;completa&rdquo; ou não, o ponto central é real: software que antes exigia equipes e meses agora pode ser construído por uma pessoa em dias.</p>
<p>E isso muda tudo pra quem quer empreender.</p>
<h2>A morte da startup fácil<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="a-morte-da-startup-fácil"></span>
    <a href="#a-morte-da-startup-f%c3%a1cil" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Durante anos, o modelo clássico de startup funcionava assim: alguém tem uma ideia, monta uma equipe pequena, desenvolve um MVP em 3-6 meses, levanta seed money, e tenta escalar. A barreira de entrada era o custo de desenvolvimento. Programadores são caros, desenvolvimento é lento, e o primeiro a chegar no mercado tem vantagem.</p>
<p>Esse modelo está quebrando.</p>
<p>Se eu consigo fazer um clone funcional do Mega em 1 dia, quanto vale a startup de &ldquo;cloud storage&rdquo;? Se a Cloudflare reimplementa o core do Next.js em 1 semana com um engenheiro e US$ 1.100 em tokens, qual é o moat real de uma plataforma como Vercel? O SaaS de &ldquo;social listening&rdquo; que cobra R$ 500/mês compete com algo que eu fiz em 3 dias como side project.</p>
<p>Todo aquele empreendedor que chegava descrevendo sua ideia como &ldquo;é tipo um Uber, mas pra&hellip;&rdquo; ou &ldquo;é como Airbnb, só que&hellip;&rdquo; ou &ldquo;mais uma rede social, mas com&hellip;&rdquo; &ndash; essas pessoas precisam parar e repensar. Quando qualquer desenvolvedor competente com acesso a Claude Code ou GPT Codex consegue replicar seu MVP numa semana, sua ideia não vale mais nada. A execução ficou barata demais.</p>
<p>Não estou exagerando. Nos meus 37 dias, eu fiz coisas que antigamente eu não faria nem em 6 meses. Pequenos CRMs, ecommerces, gerenciadores de conteúdo, ferramentas de produtividade, apps de data mining, pipelines de processamento &ndash; tudo isso virou commodity. O código em si não é mais diferencial.</p>
<h2>O que é diferencial, então?<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="o-que-é-diferencial-então"></span>
    <a href="#o-que-%c3%a9-diferencial-ent%c3%a3o" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Aqui entra a parte que a maioria dos entusiastas de vibe coding ignora. Pra ilustrar, vou usar meu próprio projeto como exemplo.</p>
<p>O <a href="https://github.com/akitaonrails/FrankYomik"target="_blank" rel="noopener">Frank Yomik</a> traduz páginas de mangá de japonês pra inglês em tempo quase real. O pipeline inteiro (detecção de balões, OCR, tradução, renderização) funciona. Mas o componente mais importante do sistema não é nenhum código que eu escrevi. É o modelo <code>ogkalu/comic-text-and-bubble-detector</code>, um RT-DETR-v2 treinado em ~11.000 imagens rotuladas de quadrinhos.</p>
<p>Eu não treinei esse modelo. Eu não poderia treinar esse modelo facilmente. Coletar 11.000 imagens de quadrinhos diversas, rotular manualmente os balões de fala em cada uma (ou gerar labels com alguma pipeline semi-automatizada, o que também não é trivial), configurar o treinamento, e rodar no hardware necessário &ndash; isso é trabalho de natureza diferente. É trabalho que vibe coding não resolve.</p>
<p>E esse é o caso de um modelo relativamente pequeno. Um detector de objetos pode ser treinado com algumas centenas a milhares de imagens rotuladas numa única GPU em horas. Estudos mostram que resultados úteis são possíveis com 100-350 imagens pra domínios específicos, mas detectores robustos pro mundo real geralmente precisam de milhares. O custo é baixo, na casa de centenas de dólares.</p>
<p>Agora olha o que acontece quando subimos pra modelos maiores.</p>
<h2>Os números que importam<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="os-números-que-importam"></span>
    <a href="#os-n%c3%bameros-que-importam" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>O GPT-4 custou mais de US$ 100 milhões pra treinar, segundo o próprio Sam Altman. A Stanford estimou o custo de compute do Gemini Ultra do Google em US$ 191 milhões. O Llama 3 da Meta consumiu 39,3 milhões de GPU-horas em H100s, e a Meta montou dois clusters de 24.576 GPUs cada pra viabilizar isso &ndash; e até o final de 2024, planejava ter 350.000 H100s na sua infraestrutura.</p>
<p>Esses custos estão acelerando. Segundo a Epoch AI, o custo de hardware e energia pra treinar modelos de fronteira cresce a 2,4x por ano desde 2016. Se essa tendência continuar, os maiores treinamentos vão custar mais de US$ 1 bilhão antes do fim de 2027. O Dario Amodei, CEO da Anthropic, já disse que desenvolvedores de fronteira provavelmente estão gastando perto de um bilhão por treinamento agora, com treinamentos de US$ 10 bilhões esperados em dois anos.</p>
<p>E o hardware? Uma GPU H100 custa US$ 25.000-40.000 por unidade. Um servidor com 8 GPUs sai entre US$ 200.000 e US$ 400.000. A memória HBM que essas GPUs usam está com capacidade esgotada &ndash; SK Hynix, Samsung e Micron já anunciaram aumentos de ~20% nos preços pra 2026. A NVIDIA consome mais de 60% da produção global de HBM. É um gargalo estrutural, não temporário.</p>
<p>Em termos de energia: data centers globais consumiram ~415 TWh de eletricidade em 2024, segundo o IEA, cerca de 1,5% da eletricidade mundial. A projeção é ~945 TWh até 2030. Novos data centers estão sendo construídos com capacidades de 100 MW a 1 GW cada.</p>
<p>E os investimentos das big techs refletem isso. Em 2025, os gastos de capital agregados de Amazon (<del>$125B), Google (</del>$91B), Microsoft (<del>$80B) e Meta (</del>$71B) passaram de US$ 400 bilhões, crescimento de 62% sobre 2024. Goldman Sachs projeta mais de US$ 500 bilhões em 2026.</p>
<p>Esses números não são pra assustar. São pra contextualizar de onde vem a barreira de entrada real.</p>
<h2>A nova barreira: dados exclusivos e capacidade de treinamento<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="a-nova-barreira-dados-exclusivos-e-capacidade-de-treinamento"></span>
    <a href="#a-nova-barreira-dados-exclusivos-e-capacidade-de-treinamento" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Se software ficou barato de produzir, o diferencial competitivo migrou. A pergunta deixou de ser &ldquo;quem escreve o código mais rápido?&rdquo; e virou &ldquo;quem tem acesso a dados que ninguém mais tem, e sabe transformar esses dados em modelos úteis?&rdquo;</p>
<p>O DeepSeek-V3 anunciou que seu treinamento custou US$ 5,5 milhões em compute. A imprensa celebrou o &ldquo;modelo barato chinês&rdquo;. Mas o The Register reportou que o custo de aquisição dos 256 servidores GPU usados foi de mais de US$ 51 milhões &ndash; e isso exclui R&amp;D, aquisição de dados, limpeza de dados, e todos os treinamentos fracassados antes do run final que deu certo. O custo real de desenvolver a capacidade é uma ou duas ordens de grandeza acima do custo marginal do treinamento final bem-sucedido.</p>
<p>É por isso que só vemos grandes empresas produzindo modelos de fronteira. Meta, Alibaba, Google, Amazon, Microsoft, Anthropic &ndash; empresas que investem dezenas de bilhões em hardware e energia. Uma startup em garagem não consegue competir nessa dimensão.</p>
<p>Mas a questão vai além de modelos de fronteira. Mesmo modelos especializados menores exigem algo que não se compra: dados proprietários de qualidade.</p>
<p>O Llama 3 foi treinado em 15 trilhões de tokens. A Epoch AI já documentou que estamos nos aproximando dos limites de dados textuais gerados por humanos na internet. Dados públicos estão sendo exauridos. Quem tem dados exclusivos &ndash; dados médicos, financeiros, industriais, logísticos, de sensores, de comportamento de usuário &ndash; tem algo que não pode ser replicado por vibe coding.</p>
<p>E mesmo quem treina modelos especializados com dados proprietários enfrenta um problema: a vantagem é temporária. Outro competidor pode coletar dados similares e treinar um modelo concorrente em meses. O diferencial precisa ser continuamente alimentado: mais dados, melhor curadoria, pipelines de treinamento mais eficientes, acesso a hardware que está cada vez mais escasso e caro.</p>
<h2>O cenário<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="o-cenário"></span>
    <a href="#o-cen%c3%a1rio" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Se você está pensando em montar uma startup, a pergunta que importa mudou.</p>
<p>Antes era: &ldquo;consigo construir esse software?&rdquo; Agora a resposta é quase sempre sim, rápido e barato.</p>
<p>A pergunta agora é: &ldquo;tenho dados exclusivos que ninguém mais tem, e sei como transformar esses dados em algo útil que seja difícil de replicar?&rdquo;</p>
<p>Se a resposta for não, qualquer concorrente com Claude Code replica seu produto em dias. E depois aparece outro. E outro. A corrida pro fundo em preço é imediata quando o custo de construir é próximo de zero.</p>
<p>Se a resposta for sim, você tem um moat real &ndash; mas temporário. Modelos concorrentes treinados em dados similares podem aparecer em meses. Seu diferencial precisa ser continuamente alimentado.</p>
<p>A era das startups fáceis acabou. Não porque ficou mais difícil construir software &ndash; ficou muito mais fácil. Mas justamente por isso: quando todo mundo consegue construir a mesma coisa em uma semana, a vantagem competitiva precisa vir de outro lugar. E esse &ldquo;outro lugar&rdquo; requer capital e infraestrutura que são ordens de grandeza mais caros do que escrever código.</p>
<p>A garagem ainda funciona. Mas o que sai dela não pode mais ser &ldquo;um app&rdquo;.</p>
]]></content:encoded><category>vibe-coding</category><category>startups</category><category>negocios</category><category>off-topic</category></item><item><title>Refletindo Sobre Alcance de Redes Sociais</title><link>https://akitaonrails.github.io/2024/12/14/refletindo-sobre-alcance-de-redes-sociais-dff9d8fb-b54f-47f8-a013-4e37a54687e3/</link><guid isPermaLink="true">https://akitaonrails.github.io/2024/12/14/refletindo-sobre-alcance-de-redes-sociais-dff9d8fb-b54f-47f8-a013-4e37a54687e3/</guid><pubDate>Sat, 14 Dec 2024 16:48:00 -0300</pubDate><description>&lt;p&gt;Este artigo não tem a pretensão de ser um guia completo sobre o assunto &amp;ldquo;alcance&amp;rdquo;, só algumas coisas que estavam na minha cabeça e que eu queria dar um &amp;ldquo;dump&amp;rdquo;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Posso dizer que eu entendo alguma coisa sobre redes sociais, tendo começado desde que redes sociais começaram. Minha conta do X/Twitter era de 2007, eu literalmente conheci alguns dos programadores originais do Twitter original. Minha conta chegou a quase 84 mil seguidores, quase 70 mil no Instagram, mais de 150 mil no LinkedIn, quase 500 mil no YouTube - que, mesmo sem postar video novo o ano inteiro, ainda trouxe mais de 3 milhões de views -, tudo do zero, tudo sem nenhuma grande empresa por trás, nem nenhum patrocínio, tudo puramente orgânico. Acho que eu sei uma coisa ou duas sobre isso.&lt;/p&gt;</description><content:encoded><![CDATA[<p>Este artigo não tem a pretensão de ser um guia completo sobre o assunto &ldquo;alcance&rdquo;, só algumas coisas que estavam na minha cabeça e que eu queria dar um &ldquo;dump&rdquo;.</p>
<p>Posso dizer que eu entendo alguma coisa sobre redes sociais, tendo começado desde que redes sociais começaram. Minha conta do X/Twitter era de 2007, eu literalmente conheci alguns dos programadores originais do Twitter original. Minha conta chegou a quase 84 mil seguidores, quase 70 mil no Instagram, mais de 150 mil no LinkedIn, quase 500 mil no YouTube - que, mesmo sem postar video novo o ano inteiro, ainda trouxe mais de 3 milhões de views -, tudo do zero, tudo sem nenhuma grande empresa por trás, nem nenhum patrocínio, tudo puramente orgânico. Acho que eu sei uma coisa ou duas sobre isso.</p>
<p>Não é tão difícil crescer seu público. Existem várias formas consideradas negativas ou predatórias. Apelação forçada em memes agressivos, promessas de riqueza de alguma forma, fraudes, enganação e muito mais. Muitos que querem começar sério em redes sociais tem medo de serem confundidos com fraudes ou simplesmente serem &ldquo;do mau&rdquo;.</p>
<p>Esse é o motivo deste post. O maior erro que todo mundo que tenta criar uma pequena audiência comete é: <strong>TER MEDO</strong>.</p>
<p>Todas as pessoas normais tem medo de contrariar as outras, tem medo de ofender, tem medo de atrair críticas, tem medo que discordem, tem medo que critiquem, tem medo que não entendam o que você &ldquo;queria dizer&rdquo;. Isso é um problema, se você tem medo disso e isso é uma linha que pessoalmente você não vai cruzar, eu sinto dizer, mude de profissão, <strong>você nunca vai atrair a atenção de ninguém</strong>.</p>
<p>O mundo não é justo, o mundo não foi feito pra ser justo, eu canso de dizer isso. Você provavelmente é o que muitos considerariam &ldquo;uma boa pessoa&rdquo;. E em 2024 isso é um atributo negativo. Todo mundo é uma boa pessoa. Existem 8 bilhões de &ldquo;boas pessoas&rdquo;. É que nem grama, tem sobrando e, portanto, vale zero. Ninguém tem interesse numa boa pessoa. Boas pessoas não se destacam. Boas pessoas não vendem.</p>
<p><em>&ldquo;Quer dizer que eu preciso ser mau?&rdquo;</em></p>
<p>É uma forma, sim, mas não é só isso, claro. Você precisa estar disposto a frequentemente contrariar o status quo. Pense em outra palavra que parece mais positiva como &ldquo;inovação&rdquo;. Já parou pra pensar o que é uma inovação?</p>
<p>Inovar é contrariar o status quo. É uma discordância do status quo. É um indivíduo, o inovador, querendo dizer <em>&ldquo;o jeito atual está errado, o meu jeito é melhor.&rdquo;</em> Isso é uma inovação. E ele vai ter que bater de frente com uma grande maioria que vai dizer <em>&ldquo;ninguém pediu o seu jeito, o atual funciona, não precisa mudar.&rdquo;</em> Inovação é uma briga entre o jeito que todo mundo está acostumado e o &ldquo;novo jeito&rdquo;.</p>
<p>Nessa briga, pessoas vão sair feridas, literalmente. O computador moderno acabou com a linha de emprego das mulheres matemáticas que ganhavam a vida computando números no papel. O internet banking moderno praticamente acabou com bancários. Os totems de auto-atendimento acabaram com os caixas. A URA acabou com o telefonista. O email diminuiu drasticamente o volume de cartas e todo o ecossistema em torno de cartas de papel. E por aí vai, toda inovação melhora o futuro, mas destrói o presente de muita gente.</p>
<p>Não é possível inovar sem destruir alguma coisa. Não é possível ser relevante sem destruir alguma coisa. No caso, estou falando em destruir o status quo de opiniões. Opinião é que nem bunda, todo mundo tem um, e individualmente, elas não tem absolutamente nenhum valor.</p>
<p>No caso específico de geração de conteúdo, você faz seu material, publica no YouTube, com frequência. Faz posts, no X, no LinkedIn, com textos bem preparados, com imagens bem produzidas (aliás, grande erro ficar usando imagens de templates, só quer dizer que você vai ser igual todo mundo e ser diluído e se tornar mais IRRELEVANTE). Mas nada acontece. Passa uma semana, passa um mês, passa um ano, passam-se alguns anos, e você continua sem alcance. <em>&ldquo;Não era só publicar com frequência que eventualmente as pessoas apareceriam?&rdquo;</em></p>
<p><strong>NÃO</strong></p>
<p>Uma concepção errada que muita gente pensa: <em>&ldquo;O importante é conseguir muitos seguidores.&rdquo;</em> Eventualmente você consegue 1000 seguidores, 10.000 seguidores. Isso não é difícil. Se realmente for impaciente, existem formas ilegítimas de &ldquo;comprar seguidores&rdquo;.</p>
<p>Daí você faz posts. Se fosse 1 pra 1, concorda que seus posts deveriam ter mais ou menos perto do número de seguidores? Especialmente num perfil não tão velho, onde a maioria dos seguidores ainda são usuários ativos?</p>
<p><strong>NÃO</strong></p>
<p>Em todas as redes sociais existe o conceito de <strong>ENTREGA</strong>.</p>
<p>Quando você faz upload de um video. Quando você escreve e submete um post, via de regra, ninguém vê. É como uma carta que você entrega na DHL, endereçada a todos os seus seguidores. Mas a rede, digamos, o LinkedIn, não vai entregar nada. Primeiro ela vai checar alguns critérios.</p>
<p>Por exemplo. No dia 1, ela tenta entregar pra metade dos seus seguidores. Mas ninguém <strong>ENGAJA</strong>. O próximo post, ela vai passar a entregar pra menos gente. Novamente, ninguém ENGAJA. No próximo post ela vai passar a entregar pra menos gente. E assim por diante.</p>
<p>Na verdade, se seu conteúdo for ruim, o efeito não é NEUTRO, ele é <strong>NEGATIVO</strong>. É melhor não postar conteúdos ruins. Quanto mais postar, menos a rede vai entregar. Não adianta ter mil seguidores, apesar deles terem um pouco mais de prioridade, com o tempo, nem eles vão ver nada mais seu.</p>
<p>Se você continua postando conteúdo ruim atrás de conteúdo ruim, eventualmente esse tiro no pé se transforma numa coisa chamada <strong>SHADOW BAN</strong>. Você acaba se banindo da plataforma. Sua conta continua ativa. Se alguém for manualmente procurar seus posts, eles vão estar lá. Mas seu conteúdo é tão ruim, mas tão ruim, que a plataforma decide quase parar de entregar esse conteúdo.</p>
<p>Mas seu conteúdo não parece ruim, pelo menos você acha que não. Mas faça algumas perguntas:</p>
<ul>
<li>ela oferece alguma informação nova que ninguém mais sabia? Por exemplo, você faz pesquisa e acabou de publicar uma novidade</li>
<li>ela oferece algum produto novo? Por exemplo, você é produtor de algum produto online e adicionou novas funcionalidades que todo mundo pode querer</li>
<li>ela ensina alguma coisa, seja nova ou seja velha, mas é um artigo educativo que alguém possa tirar vantagem disso? Algo como um tutorial de como usar alguma coisa</li>
<li>ela oferece alguma OPINIÃO contrária, controversa, ou questionável?</li>
</ul>
<p>Se seus posts são sobre você mesmo &ldquo;olhe meus prêmios&rdquo;, &ldquo;olhe minhas conquistas&rdquo;, &ldquo;olhe minha viagem&rdquo; ou algo assim, sendo que você ainda não é nenhum nome que alguém reconheça, esses posts são total e completo <strong>LIXO</strong>.</p>
<p>As informações sobre uma pessoa ou empresa só interessa se a grande maioria das pessoas <strong>RECONHECE</strong> esses nomes. Daí toda e qualquer informação se torna automaticamente relevante. Se uma Kardashian fizer um post &ldquo;Acordei 7h da manhã hoje&rdquo;, imediatamente vai ter 10 mil likes, 1.000 compartihamentos, uns 500 comentários, fácil.</p>
<p>Agora, se você desconhecido postar &ldquo;olhem este prêmio que eu ganhei&rdquo;. Vai ter 2 likes (da sua mãe é um deles), zero compartilhamentos, talvez um comentário de alguém que precisa puxar seu saco. Isso é o retrato do que se chama <strong>LIXO</strong>.</p>
<p>O nome do jogo é <strong>ENGAJAMENTO</strong>. Esse é o fator que mais se correlaciona como <strong>ENTREGA</strong>. Pra atingir mais público novo, precisa haver muita entrega. Pra haver entrega, precisa haver conteúdo que as pessoas engajem. Por exemplo, apesar de ter 150 mil seguidores no LinkedIn, meus posts frequentemente atingem 200 mil views e vários fios de comentários, likes, compartilhamentos.</p>
<p>Pra isso é só fazer <strong>CLICK BAIT</strong> então? Sim e não. Precisa existir algum nível de click bait, que é jogar uma isca pras pessoas engajarem. Mas obviamente, faça isso com muita frequência, e o público vai começar a sumir. Click bait precisa estar misturado com conteúdo legítimo que ensina alguma coisa, informa alguma coisa, ou discorda de alguma coisa.</p>
<p>Esse é o ponto: discordar. Isso em si só é uma arte, porque não basta simplesmente ser &ldquo;do contra&rdquo;, isso é muito fácil, qualquer um consegue fazer isso. O ponto é oferecer opinião somado com algum ensinamento, informação, fontes, pesquisa ou qualquer coisa de substância.</p>
<p>O problema de uma &ldquo;boa pessoa&rdquo; é que dada a opção, ela vai preferir evitar o confronto, mesmo que tenha razão, mesmo que tenha informações suficientes pra fundamentar sua opinião, ela vai preferir desviar, virar as caras, ficar em silêncio, ir embora.</p>
<p>Por isso ninguém liga pra uma &ldquo;boa pessoa&rdquo;. Ela não representa nada nem ninguém. Ela não ofende, isso porque não diz nada que alguém se sinta na vontade de discordar. Pela mesma moeda, nada que ela diz, alguém sente vontade de ir lá dar sequer um like, por ser tão medíocre e de dar pena. Não ter sequer 100 likes num post com 10 mil views, é um fracasso completo de comunicação.</p>
<p>Comunicar não é escrever palavras e publicar. Comunicar é garantir que quem bata o olho sinta vontade de replicar, seja concordando, seja discordando. Todo post precisa ter palavras cuidadosamente planejadas pra provocar uma <strong>EMOÇÃO</strong>. Se você não é ninguém conhecido, ninguém liga se seu filho nasceu e você se emocionou, ninguém liga se seu cachorro teve filhotes e você se emocionou.</p>
<p><strong>SE VOCÊ JÁ NÃO É FAMOSO, NÃO É SOBRE VOCÊ</strong></p>
<p>Se quer que as pessoas liguem pros acontecimentos da sua vida que te interessam, primeiro fique famoso. Pra ficar famoso, necessariamente vai precisar pisar em calos e criar inimigos, porque se você não é interessante o suficiente pras pessoas odiarem, certamente não é interessante o suficiente pra te amarem. Você quer que as pessoas te amem mas não quer que te odeiem? Você é um amador.</p>
<p>O truque é só ganhar 2 pessoas que te amam pra cada 1 que te odeia. Mas se tentar ter zero pessoas que te odeiam, necessariamente, vai ter zero pessoas que te amam. Essa é ZONA DA IGNORÂNCIA. É a zona mais perigosa pra se estar.</p>
<p>É perigosa porque se entrar nesse ritmo de conteúdo neutro atrás de conteúdo neutro, seu engajamento vai continuar caindo ou continuar estagnado, e sua entrega vai caindo pouco a pouco até o nível de Shadow Ban, onde você passa a ser literalmente invisível na rede.</p>
<p><strong>PARABÉNS. NINGUÉM TE ODEIA. VOCÊ É INVISÍVEL</strong>.</p>
<p>A única solução pra você agora passa a ser PAGAR pra dar &ldquo;BOOST&rdquo; nos seus posts. Que quer dizer pagar o entregador pra ele entregar pra mais gente. Mas é inútil. É dinheiro jogado fora. Posts pagos que conquistam nenhum engajamento, é dinheiro jogado fora. A métrica que interessa não é seguidores e nem views, é &ldquo;quantos likes?&rdquo;, &ldquo;quantos compartilhamentos?&rdquo;, &ldquo;quantos comentários?&rdquo;. Se tiver 10 mil views por causa do Boost, mas 2 likes, 1 compartilhamento e 2 comentários, isso se chama <strong>FRACASSO</strong>.</p>
<p>Vou patrocinar outros canais, outras celebridades, eventos famosos e coisas assim. É dinheiro jogado fora. Você é a pessoa ou marca que aparece na frente de todo mundo mas NINGUÉM LEMBRA.</p>
<p><strong>PORQUE VOCÊ NÃO REPRESENTA NADA</strong></p>
<p>Na sua ânsia de não ofender ninguém, não discordar com ninguém, não criticar nada, significa que todos vêem que você não defende nada, não se dedica a nada, não inspira ninguém, então, pra que perder meu tempo com você? Qualquer coach que venda uma fraude é mais interessante de assistir do que você. É isso que você se tornou.</p>
<p>E não adianta vir com uma grande peça em janeiro, ficar em silêncio postando porcaria por meses, pra em julho tentar fazer um barulho, pra ficar postando mais conteúdo neutro por meses, pra só em dezembro aparecer com alguma coisa colorida. Tem pouquíssimas empresas no mundo que conseguem fazer isso, uma delas é a APPLE. Acredite, você NUNCA vai ser a APPLE.</p>
<p>Pessoas normais precisa publicar conteúdo &ldquo;engajante&rdquo; com frequência, multi-plataforma, pra ir trocando crescimento em engajamento por mais entrega que, por sua vez, vira mais engajamento e vai construindo um ciclo de crescimento. Opiniões sobre assuntos da ATUALIDADE, que todos estão pesquisando, neste momento. Postar sobre assuntos da semana retrasada é tarde demais, perdeu o tendência.</p>
<p><strong>O assunto de HOJE só vale discutir HOJE.</strong></p>
<p>Amanhã o assunto vai ser outro. Olhe seus números de engajamento. Eles precisam estar dobrando a cada seis meses. Se em um ano subiu de 5 engajamentos (likes, compartilhamentos, comentários) na média, pra 6, não fez diferença nenhuma. Aliás, qualquer coisa abaixo de 100 é isso &ldquo;abaixo de 100&rdquo;. 8 pra 9, 10 pra 11, não faz diferença nenhuma.</p>
<p>Quando eu postava stories no Instagram, em sequência, fácil eu postava 30, 40, tinha dia que batia no limite de 100 a cada 24 horas. E cada um com mais de 6000 views. Então só em views estamos falando de 600.000 views num dia. Só uma fração disso se converte em engajamento, mas quem acompanha via que eu respondia todas as perguntas que vinham. Perguntas são o melhor engajamento. A pessoa está engajada o suficiente pra se comprometer num diálogo. Esse é o nível de interesse que se quer numa audiência.</p>
<p>Tem muito mais que pode ser falado sobre isso, mas lembre-se apenas disso:</p>
<p><strong>SEU FRACASSO VAI SER DIRETAMENTE PROPORCIONAL AO SEU MEDO DE SER ODIADO</strong></p>
<p>E vou repetir, este é o resumo que o YouTube me enviou de 2024, sobre quanto meu canal cresceu mesmo eu não tendo publicado mais que 1 único video. Se você é criador de conteúdo, tem obrigação de fazer mais que um canal INATIVO:</p>
<p><img src="https://new-uploads-akitaonrails.s3.us-east-2.amazonaws.com/0txoxnwgnjn2rj9vy06mmsh7j9kq" alt="Akitando 2024"  loading="lazy" /></p>
]]></content:encoded><category>comunicacao</category><category>negocios</category></item><item><title>[Akitando] #85 - Monetizar? Bloquear ADs? O que Fazer?</title><link>https://akitaonrails.github.io/2020/10/09/akitando-85-monetizar-bloquear-ads-o-que-fazer/</link><guid isPermaLink="true">https://akitaonrails.github.io/2020/10/09/akitando-85-monetizar-bloquear-ads-o-que-fazer/</guid><pubDate>Fri, 09 Oct 2020 17:15:00 -0300</pubDate><description>&lt;div class="embed-container"&gt;
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&lt;h2&gt;DESCRIÇÃO&lt;span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="descrição"&gt;&lt;/span&gt;
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&lt;p&gt;Então hoje vou explicar mais ou menos como funciona a lógica de monetização do YouTube e o que eu pretendo fazer com isso.&lt;/p&gt;</description><content:encoded><![CDATA[

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<h2>DESCRIÇÃO<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="descrição"></span>
    <a href="#descri%c3%a7%c3%a3o" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Andei pensando em como ligar a monetização no canal, porque o YouTube já enfia ads mesmo eu não querendo, e ainda assim manter a confiança de que meus videos não vão ser influenciados por causa disso.</p>
<p>Então hoje vou explicar mais ou menos como funciona a lógica de monetização do YouTube e o que eu pretendo fazer com isso.</p>
<h2>SCRIPT<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="script"></span>
    <a href="#script" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Olá pessoal, Fabio Akita</p>
<p>Pra variar um pouco este vai ser um meta-episódio, um episódio pra falar sobre o canal em si. A última vez que fiz um desses acho que foi um ano atrás, no primeiro aniversário do canal. E hoje quero falar sobre monetização de videos.</p>
<p>Todo mundo sabe que eu não monetizo os vídeos, e tem três motivos pra isso. O primeiro é que eu não gosto de ser interrompido quando tô falando e ads aparecendo no meio dos meus videos me desagrada, tipo, muito. Quer me deixar irritado é me interromper. O segundo é que o canal não foi feito pra ser meu sustento. Eu já tenho meu sustento na minha empresa, que vai muito bem, obrigado. E o terceiro motivo é só uma consequência lógica: eu tenho liberdade pra falar o que bem entender sem me preocupar em perder público e diminuir monetização, ou seja, eu não tenho nenhum incentivo financeiro pra fazer clickbait e discurso puxa saco pra agradar ninguém.</p>
<p>Porém, alguns de vocês devem estar coçando a cabeça e pensando &ldquo;ué, mas eu tenho visto ads nos videos do Akita&rdquo;. Pois é, isso me fez repensar no assunto e por isso resolvi explicar o que tá acontecendo e dizer o que vou fazer a respeito.</p>
<p>(&hellip;)</p>
<p>Eu nem tinha me ligado disso mas já faz alguns dias que algumas pessoas têm me mandado DMs no Insta perguntando porque estão vendo ads nos meus videos. Pra tirar a dúvida eu fiz uma enquete no Twitter e na aba de comunidade do próprio YouTube. Tive mais de 700 votos no Twitter, mais de 6 mil no YouTube e a conclusão nos dois foi a mesma: pelo menos um em cada três de vocês me assistindo passaram por propaganda pra ver o vídeo. Ou seja, dizer que não quer monetizar o video não é a mesma coisa que garantir que não vai ter propaganda, só quer dizer que eu estou abrindo mão de receber por isso.</p>
<p>Quando comecei o canal uns 2 anos atrás, vi todas as boas práticas que todo mundo repetia, tipo fazer videos curtos, de uns dez minutos, fazer pelo menos um video toda semana e todo esse bla bla bla. E ao longo do tempo eu fui testando essas premissas e vendo que não faz nenhuma diferença pra mim. Como eu imaginava a única coisa que importa é conteúdo de qualidade que engaja e faz as pessoas voltarem. Todo o resto é bullshit. É o famoso, não adianta passar batom num porco, por baixo continua sendo um porco. Não interessa se você tem a melhor câmera 8K se não tem nada de interessante pra filmar com ela.</p>
<p>Se o conteúdo é meia boca, você é obrigado a ficar usando técnicas de clickbait pra atrair novas pessoas. Quando pessoas minimamente inteligentes vêem que era clickbait, elas vão embora e não voltam. O problema é quem fica. Começa a acumular o pior tipo de público, os haters, incels, neets, exatamente o oposto do que eu quero. Por isso eu comecei o canal focando em conteúdo que agrada o usuário mais exigente de todos, eu mesmo. O canal é feito pra mim e depois pros outros. E todos os videos que eu faço podem ser assistidos a qualquer momento, porque ele não é dependo da época em que foi feito. Por isso o canal é bom pra maratonar. Depois do primeiro ano eu diminui a frequência de videos, ao mesmo tempo também comecei a aumentar o tempo dos videos até chegar a absurdos 60 minutos num único video. E mesmo fazendo isso eu continuei crescendo.</p>
<p>Vou abrir meus analytics aqui pra vocês verem como anda o crescimento. Em 2020, até outubro tivemos quase 4 milhões de visualizações. Isso deu mais de 800 mil horas assistidas. E dos cento e setenta mil inscritos, mais de cento e vinte vieram só este ano. No fim do ano passado eu lembro que ainda não estava com 60 mil. A grande virada veio com a dupla de videos sobre o Covid-19 e logo na sequência o Guia Definitivo de Aprendendo a Aprender. Somados, esses dois deram quase um milhão de visualizações. Também deu pra ver que mesmo ficando um período grande sem postar vídeos, mais de um mês aqui entre julho e agosto, não diminuiu a audiência, o que é uma boa notícia pra mim. Meus videos não dependem tanto de muita gente nova e sim de manter as pessoas que já acompanham. E isso se faz com bom conteúdo.</p>
<p>Mas tem uma coisa que eu ainda não testei. Dizem que o YouTube tem menos incentivo de impulsionar e recomendar videos se eles forem desmonetizados. E isso faz sentido. O site tem espaços limitados como a coluna da direita, a página de tendências, os cards de recomendação quando os videos terminam e assim por diante. Se o espaço é limitado então o algoritmo precisa escolher quais videos quer impulsionar e obviamente faz sentido só recomendar aqueles que tenham chance de dar mais dinheiro. E o meu certamente tá no fim da fila porque dá menos dinheiro.</p>
<p>Imagino que essa seja uma das razões de porque eu não sou elegível pra ter a placa de 100 mil assinantes mesmo já estando quase nos duzentos mil. Porque meu canal dá pouco dinheiro pro YouTube. Aliás, muita gente não sabe disso, a placa não é automático pra todo mundo que chega num determinado número de seguidores. O YouTube tem critérios secretos pra escolher, e ele só manda pra quem ele gosta. Obviamente ele não gosta muito de mim, mas tudo bem, o sentimento é mútuo. Se eu fosse funcionário do YouTube, também ficaria com receio de mandar pra esse japonês doido porque vai que ele quebra a placa em público?</p>
<p>Ou seja, mesmo com o YouTube não querendo ajudar muito porque meus videos não dão muito dinheiro, chegamos a mais de cento e setenta mil assinantes e média de cinquenta mil views por video em dois anos. Isso me deixa pensando, quanto mais poderia chegar se meus videos dessem mais dinheiro pro Youtube? E o YouTube sorrateiramente já dá um jeito de conseguir uns trocados com meus videos, inserindo uns ads aqui e ali mesmo que eu não queira. Então acho que é hora de fazer o YouTube trabalhar um pouco mais a meu favor, pra variar.</p>
<p>Por isso eu decidi ligar a monetização de todos os videos a partir de hoje. Pra quem não gosta de ads, calma, continuem vendo até o fim! Como eu já disse, não tenho interesse em ganhar dinheiro com YouTube. Eu também continuo não aceitando ações patrocinadas porque não quero poluir meus videos com propaganda permanente neles. Fora que o que oferecem de pagamento literalmente não vale meu tempo pra responder.</p>
<p>Antes de mais nada, deixa eu mostrar a minha página de analytics de faturamento. Como podem ver, nos dois anos que eu tenho o canal, só tem um bleep ali de teste onde eu arrecadei um centavo. Teoricamente, se eu ligar a monetização na configuração mais minimalista possível, sem nenhuma propaganda que não pode pular e coisas assim, acho que eu devo conseguir faturar algo em torno de mil reais.</p>
<p>Não é grande coisa, mas é alguma coisa. Dependendo de quanto dinheiro der, todo mês ou a cada dois meses eu quero doar cem porcento do arrecadado pra projetos de alguma entidade de ensino confiável. Isso mesmo, não vai ser uma ação de marketing como muita gente faz de doar uma parte ou um valor fixo. Estou falando de tudo mesmo. Antes de vocês irem correndo nos comentários, deixa eu explicar em mais detalhes.</p>
<p>No video da semana passada mesmo, que falei do documentário do Dilema das Redes, eu concluí dizendo que o problema real que o documentário omite é que a grande culpada por manter as pessoas sem ferramentas pra reagir a fake news e comportamento tóxico em grupos de redes sociais é a baixa qualidade do nosso sistema de educação. E regulamentar coisas como redes sociais é um tapa buraco por não ter feito o trabalho direito antes. E claro, eu sozinho não vou chegar nem perto de consertar esse problema.</p>
<p>Com o canal e todo material que eu sempre fiz, talvez ajude algumas pessoas. Já é alguma coisa. E agora eu quero colocar meu dinheiro onde está minha boca. Só ficar latindo “as coisas estão ruins” é coisa de preguiçoso querendo ganhar biscoito fazendo sinalização virtuosa. É o mínimo, porque se nem você acredita na causa o suficiente pra colocar seu próprio dinheiro, porque você acha que alguém deveria colocar o dinheiro deles?</p>
<p>Mas eu já prevejo que vai ter gente pau no cú dizendo: Ah Akita, mas isso é fácil, você não tirou dinheiro do seu bolso, só doou o que foi gerado pelas &ldquo;minhas&rdquo; visualizações. Calma, eu ainda não terminei de falar. Como eu disse antes, meu canal ainda é bem pequeno e eu acho que se ligar a monetização, chuto que fique na faixa de mil reais. Então, por alguns meses, eu vou cobrir minha própria aposta.</p>
<p>Pra cada real arrecadado de visualizações eu vou colocar mais um real do meu bolso. Na realidade do bolso da minha empresa, a CodeMiner 42. A missão da CodeMiner é justamente formar profissionais melhores que o mercado médio consegue oferecer. Por isso eu já tinha explicado no video de Aprendendo a Aprender que damos chance pra recém-formados começarem a ganhar experiência por exemplo. De qualquer forma, se o canal arrecadar mil reais, a CodeMiner coloca mais mil. Se arrecadar dez mil reais, colocamos mais 10 mil do nosso bolso. Até chegar num volume de arrecadação expressivo que eu não precise mais cobrir. Depois decido quanto é esse limite.</p>
<p>Aí vem outro ponto que gera controvérsia. Quem vai receber esses fundos? E não é pra ter controvérsia. Eu estou tirando dinheiro do meu bolso, então quem escolhe sou eu. O foco vão ser projetos em universidades públicas. As privadas não precisam do meu dinheiro. A prioridade vai primeiro entre as doze cidades onde tenho escritórios, mas não estou limitando e pode ser de qualquer lugar do país. Ainda não tenho nenhuma regra escrita em pedra a não ser que precisa ser projetos ligados à educação, e vou precisar da ajuda de vocês. Se tiverem ou souberem de projetos, que tem apoio de corpo docente da faculdade, especialmente focado em software livre, mande a proposta pro email que está aqui embaixo: <a href="mailto:akitando@codeminer42.com">akitando@codeminer42.com</a></p>
<p>E nem percam tempo se estiverem procurando seed money pra algum empreendimento particular ou startup porque não é esse o objetivo. Falar em dar dinheiro sempre é um problema porque quem não recebe se sente pessoalmente atingido em vez de pensar que alguém que realmente precisava está recebendo. É assim que a maioria das pessoas sempre pensa, que a “causa” delas é sempre mais importante que dos outros. Não seja mesquinho. Às vezes não é que você não mereceu e sim que eu só vou ajudar um por mês, então muitos vão esperar na fila mesmo.</p>
<p>E como vocês vão ficar sabendo quanto arrecadou e que projeto foi beneficiado? Eu não vou fazer video todo mês reportando porque eu acho um tédio fazer relatório. Não vou fazer. Quem tiver interesse em acompanhar, sigam o Twitter da CodeMiner que sempre vamos publicar um screenshot da página de faturamento do meu analytics do YouTube e que projeto foi escolhido. Mas não fiquem fazendo spam de mensagens diretas no twitter, insta, aqui nos comentários ou tudo que é lugar. O único lugar que vou aceitar propostas de projetos é no email que eu falei. Não é quem grita mais alto que ganha, é que proposta eu acho melhor.</p>
<p>“Tudo bem Akita, tudo isso é legal e tals, mas eu continuo odiando ver ads, como fica?” Olha, é mentira se você disser que só assiste meu canal porque ele não tem ads. Porque todos os outros canais tem ads. Se você realmente odeia ads já paga Premium como eu ou dá um jeito pra bloquear ads. Não é meu canal que faz diferença pra você. Todo mundo que disser que vai deixar de ver meu canal porque agora tem que ver ads está dizendo um enorme bullshit. Eu não sou contra bloquear ads, aliás, quem me acompanha no Twitter sabe que em casa eu tenho um Raspberry Pi com Pi-Hole instalado pra filtrar chamadas de DNS. Por cima disso eu tenho o Adblocker Ultimate quando uso Chrome ou Edge. Eu bloqueio a maioria dos ads que dá.</p>
<p>Pelos comentários que recebi nas enquetes, é bom ver que uma boa parte de vocês já faz a mesma coisa ou usa navegadores como Opera ou Brave que nativamente tem funcionalidades de bloquear ads. Como o YouTube aleatoriamente já adiciona ads em qualquer lugar, milhares de vocês já tem esse problema hoje, quer eu ligue a monetização ou não. Pelo menos ligando eu acho que vou ter a opção de minimizar a quantidade de ads, porque pelos screenshots que alguns de vocês me mandaram, tem videos meus que o YouTube enfiou meia dúzia de ads no meio dos videos, que é exatamente o que eu odeio.</p>
<p>Então a conclusão que chegamos é simples. Não ligar monetização não impede ads, só vai fazer o YouTube ganhar mais dinheiro em cima nas minhas costas. Quem tem problema com ads eu recomendo que use navegadores como Brave ou pelo menos instale extensions como Adblocker. Mais do que isso, se você quer bloquear em celulares android ou Smart TVs que usam Android existem dois forks do app do YouTube que foram modificados pra melhorar funcionalidades e também bloquear ads. Um deles é o Smart YouTube TV pra instalar em Smart TVs e tem o YouTube Vanced pra instalar em smartphones.</p>
<p>Claro, são apks que você vai instalar de fora do Google Play Store, então vai ser obrigado a confiar num terceiro te dando um binário, o que não costuma ser uma coisa segura de se fazer. Eu recomendo que vocês pesquisem bem a respeito antes de instalar apks desconhecidos por fora da Play Store. Normalmente eles tem projetos abertos no GitHub pra você mesmo gerar seus próprios apks e garantir que não tem malwares embutidos. Pra quem é programador, pode ser um bom exercício. Nem me peçam pra fazer videos detalhando essas coisas porque é o tipo de conteúdo que já tem de dúzias por aqui e eu não vou ficar fazendo tutorialzinho de coisa que se acha em 2 minutos pesquisando no Google.</p>
<p>Acho que meu público já é esperto o suficiente pra saber o que fazer. Por outro lado, se você não se incomodar com alguns poucos ads, também pode ficar sossegado porque o dinheiro é pouco e insuficiente pra me enviesar. Fora que vai tudo pra projetos de educação. E de novo, quero a ajuda de vocês. Se conhecerem professores de universidades particulares, ou colegas trabalhando em projetos de pesquisa ou qualquer coisa assim, não deixe de compartilhar esse video. E não sejam mesquinhos nos comentários. Obviamente eu não posso ajudar todo mundo, então não se sintam mal se seu projeto não foi escolhido dessa vez por exemplo.</p>
<p>O que vocês acham? Parece justo? Se curtiram mandem um joinha, assinem o canal, não deixem de clicar no sininho pra não perder os próximos episódios. E sempre ajude o canal compartilhando o video com seus amigos. Aliás, o dinheiro não é um motivador pra mim, mas gente assistindo é, então realmente compartilhem. É o que mais ajuda o canal. Por hoje é isso aí, a gente se vê, até mais.</p>
]]></content:encoded><category>negocios</category><category>blog</category><category>akitando</category></item><item><title>[Akitando] #75 - O que vem DEPOIS do COVID-19?</title><link>https://akitaonrails.github.io/2020/03/24/akitando-75-o-que-vem-depois-do-covid-19/</link><guid isPermaLink="true">https://akitaonrails.github.io/2020/03/24/akitando-75-o-que-vem-depois-do-covid-19/</guid><pubDate>Tue, 24 Mar 2020 20:00:00 -0300</pubDate><description>&lt;div class="embed-container"&gt;
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&lt;h2&gt;DESCRIPTION&lt;span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="description"&gt;&lt;/span&gt;
&lt;a href="#description" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/h2&gt;&lt;p&gt;Erratas:&lt;/p&gt;
&lt;ul&gt;
&lt;li&gt;a letra da Apple na Bolsa é AAPL e não APPL como eu coloquei no video&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;me corrigiram que eu acho que falei errado uma hora. Esclarecendo, COVID-19 é a doença e o vírus é o Novo Corona Virus (é uma família de virus), acho que uma hora eu falo que o vírus é o COVID.&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;numa das telas de conta eu fiz um typo, o certo é (60.000 * 25% = 15.000) e não 5.000.&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;quando eu defino securitização eu não falei totalmente certo, melhor esclarecer: &amp;ldquo;O Akita é risco C de crédito e pega uma dívida de 12 meses, com parcelas de 1000 reais. A chance do Akita pagar as 6 primeiras parcelas é muito maior do que as 6 últimas. Dois investidores emprestaram a mesma quantia pro Akita, que gera a dívida dele de 1k por mês. Se ambos receberem metade o que o Akita pagar por 12 meses, estão assumindo um risco C de inadimplência ao longo do período. Agora, se um receber os primeiros 6 meses 100% do fluxo pago pelo akita, e um receber os últimos 6 messes 100% do fluxo pago pelo akita, o primeiro ta assumindo um risco A e o segundo um D-. Se vc priorizar o fluxo de caixa, consegue securitizar essa dívida em duas classes de ativos com riscos diferentes, esse é o ato de securitizar &amp;quot;&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;eu exagero na hora de falar que a depois de ser contaminado você passa a contaminar os outros &amp;ldquo;imediatamente&amp;rdquo;, na realidade leva uns 3 a 4 dias incubando o virus pra você começar a espalhar. Que continua sendo um tempo curto, e você pode estar assintomático, por isso tomar cuidado.&lt;/li&gt;
&lt;/ul&gt;
&lt;p&gt;Estamos agora (em 25/mar/2020) no meio da crise desencadeada pelo vírus COVID-19. Todo mundo está apreensivo querendo saber até onde isso vai. E por causa disso todo mundo está vivendo basicamente só um dia de cada vez.&lt;/p&gt;</description><content:encoded><![CDATA[

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<h2>DESCRIPTION<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="description"></span>
    <a href="#description" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Erratas:</p>
<ul>
<li>a letra da Apple na Bolsa é AAPL e não APPL como eu coloquei no video</li>
<li>me corrigiram que eu acho que falei errado uma hora. Esclarecendo, COVID-19 é a doença e o vírus é o Novo Corona Virus (é uma família de virus), acho que uma hora eu falo que o vírus é o COVID.</li>
<li>numa das telas de conta eu fiz um typo, o certo é (60.000 * 25% = 15.000) e não 5.000.</li>
<li>quando eu defino securitização eu não falei totalmente certo, melhor esclarecer: &ldquo;O Akita é risco C de crédito e pega uma dívida de 12 meses, com parcelas de 1000 reais. A chance do Akita pagar as 6 primeiras parcelas é muito maior do que as 6 últimas. Dois investidores emprestaram a mesma quantia pro Akita, que gera a dívida dele de 1k por mês. Se ambos receberem metade o que o Akita pagar por 12 meses, estão assumindo um risco C de inadimplência ao longo do período. Agora, se um receber os primeiros 6 meses 100% do fluxo pago pelo akita, e um receber os últimos 6 messes 100% do fluxo pago pelo akita, o primeiro ta assumindo um risco A e o segundo um D-. Se vc priorizar o fluxo de caixa, consegue securitizar essa dívida em duas classes de ativos com riscos diferentes, esse é o ato de securitizar &quot;</li>
<li>eu exagero na hora de falar que a depois de ser contaminado você passa a contaminar os outros &ldquo;imediatamente&rdquo;, na realidade leva uns 3 a 4 dias incubando o virus pra você começar a espalhar. Que continua sendo um tempo curto, e você pode estar assintomático, por isso tomar cuidado.</li>
</ul>
<p>Estamos agora (em 25/mar/2020) no meio da crise desencadeada pelo vírus COVID-19. Todo mundo está apreensivo querendo saber até onde isso vai. E por causa disso todo mundo está vivendo basicamente só um dia de cada vez.</p>
<p>Porém, as economias do mundo já estavam caminhando pra uma inevitável recessão e o COVID-19 não só adiantou, como fez a queda ser mais violenta e os efeitos são multiplicados. Estamos possivelmente pertos da maior crise econômica já reportada na história. Ainda não temos como saber porque a história ainda não acabou.</p>
<p>Mas nunca é prudente ser otimista demais. Digamos que não aconteça o fim do mundo, qual é o cenário negativo que devemos ter em mente? Quando isso vai acontecer? Como devemos nos preparar? É o que eu vou tentar explicar neste episódio.</p>
<p>Links:</p>
<ul>
<li>3Blue1Brown - Exponential growth and epidemics (<a href="https://www.youtube.com/watch?v=Kas0tIxDvrg"target="_blank" rel="noopener">https://www.youtube.com/watch?v=Kas0tIxDvrg</a>)</li>
<li>Investopedia - Margin Call (<a href="https://www.investopedia.com/terms/m/margincall.asp"target="_blank" rel="noopener">https://www.investopedia.com/terms/m/margincall.asp</a>)</li>
<li>Netflix Sells $2.2 Billion of Junk Bonds to Fund More Content (<a href="https://www.bloomberg.com/news/articles/2019-10-22/netflix-prepares-to-sell-2-2-billion-of-bonds-to-fund-content"target="_blank" rel="noopener">https://www.bloomberg.com/news/articles/2019-10-22/netflix-prepares-to-sell-2-2-billion-of-bonds-to-fund-content</a>)</li>
<li>Panic: The Untold Story of the 2008 Financial Crisis | Full VICE Special Report | HBO (<a href="https://www.youtube.com/watch?v=QozGSS7QY_U"target="_blank" rel="noopener">https://www.youtube.com/watch?v=QozGSS7QY_U</a>)</li>
<li>1929 Stock Market Crash and the Great Depression - Documentary (<a href="https://www.youtube.com/watch?v=qlSxPouPCIM"target="_blank" rel="noopener">https://www.youtube.com/watch?v=qlSxPouPCIM</a>)</li>
</ul>
<p>Assine estes canais também:</p>
<ul>
<li>Idéias Radicais (<a href="https://www.youtube.com/user/ideiasradicais"target="_blank" rel="noopener">https://www.youtube.com/user/ideiasradicais</a>)</li>
<li>Fernando Ulrich (<a href="https://www.youtube.com/channel/UCLJkh3QjHsLtK0LZFd28oGg"target="_blank" rel="noopener">https://www.youtube.com/channel/UCLJkh3QjHsLtK0LZFd28oGg</a>)</li>
</ul>
<h2>SCRIPT<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="script"></span>
    <a href="#script" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Olá pessoal, Fabio Akita</p>
<p>Assim como no clássico programa de rádio O Dia que a Terra Parou e todo show de catástrofe apocalíptico, parece que estamos à beira do fim do mundo. Como em qualquer evento assim, existem os desesperados que realmente acham que o mundo vai acabar e do outro lado existem os que acham que nem existe problema e todo mundo tá desesperado à toa. E como sempre, a verdade se encontra no meio desses extremos. Mas não se enganem, estamos vendo em tempo real uma catástrofe econômica de proporções bíblicas acontecendo e que seus filhos vão estudar nos livros de história em breve.</p>
<p>Eu não sou médico nem nada disso por isso não vou perder tempo repetindo o que todo mundo já explicou em detalhes sobre o covid-19. Mas como não dá pra escapar de comentar, eu vou dar meus 2 cents sobre o que ando pensando sobre isso. Como sempre, é minha opinião pessoal e não recomendação médica ou econômica, então fica o disclaimer. E outro disclaimer é que este vídeo vai ser bem complexo pra quem nunca estudou nada de economia. Eu mesmo não sou economista, mas preparem-se pra ter que pausar e repetir alguns trechos. Vocês sabem que eu sempre mostro no vídeo algumas palavras-chave que são jargões e que eu acho importante que vocês estudem depois se não souberem. Não me venham comentando nervosos “ah akita, mas na minha opinião, mas na opinião do olavo, mas na opinião do atila, mas na opinião de Jesus” foda-se. Eu vou explicar uma linha de raciocínio minha, isso não é um concurso de popularidade.</p>
<p>Primeiro de tudo, isso já deveria ser senso comum mas duvide de absolutamente tudo que vem via grupo de whatsapp. Pra cada 1 informação útil deve vir umas 10 completamente inúteis. Qualquer coisa de teoria da conspiração é lixo, é divertido de especular mas não é pra levar a sério. Qualquer coisa sobre cura iminente é lixo. Qualquer politicagem é lixo. Qualquer dica pra sair de casa ou receita caseira é lixo. Tem gente que tem medo da Deep Web? Eu tenho medo é dos grupos de Whatsapp que é a verdadeira Deep Web. Vamos pensar com lógica por 2 segundos que isso tudo não é difícil assim de entender.</p>
<p>A essa altura já existem milhares de vídeos e acho que todo mundo já sabe o que precisa fazer. Vamos resumir. Num cenário normal, sem milagres ou novos desastres, estamos falando em ter uma vacina pra esse novo corona entre 1 ou 2 anos. Vacinas normais podem levar até 10 anos pra atingir o mercado. Então 1 ou 2 anos seria bem rápido. Ferrou então? Vamos ter que ficar em quarentena até o ano que vem? Também não é necessariamente isso. O maior problema desse virus é que é muito fácil se contaminar, logo que você se contamina imediatamente passa a contaminar os outros mesmo sem apresentar sintomas. E por essa facilidade, a expansão dos casos é quase exponencial. Pra quem é cientista de dados, estatístico ou simplesmente sabe fazer contas simples, termos como curvas exponenciais, curvas logísticas, regressão linear etc não deveria ser tão complicado.</p>
<p>Pro resto de vocês, assistam este vídeo da 3Blue1Brown explicando em termos muito simples o que isso significa. Sério, pausem este vídeo e vão assistir. Pensar em termos exponenciais é tão básico quanto saber fazer regra de três e você precisa saber pensar assim. Em resumo, a razão que precisamos ficar todos em casa é o seguinte.</p>
<p>Digamos que o Brasil no momento da publicação deste vídeo tem uns 1500 casos confirmados, provavelmente mais já. E digamos que sem tomar muitos cuidados estamos crescendo a uma taxa de 15% ao dia mais ou menos. E digamos que vamos continuar sem fazer nada. Quantos casos vamos ter depois de meros 2 meses? Vamos abrir a HP-12c e usar tudo que eu sei sobre ela (que não é muita coisa, desculpem). Vamos plugar 1500 como valor presente ou PV, então adicionar 15 como sendo a taxa ou interest rate que é I, finalmente plugamos 60 dias como N e agora clicando em FV que é o valor futuro temos &hellip; quase 6,6 milhões de casos confirmados daqui só dois meses. Esse é o poder dos juros compostos.</p>
<p>Agora, digamos que uma boa parte da população faça a coisa mais óbvia, que é diminuir a taxa de expansão ficando em casa e mantendo a distância social a qualquer custo. Sejamos otimistas e digamos que isso faça a taxa de expansão diminuir dos 15% pra 5%. Esses 5% são os babacas querendo ir de propósito pra praias, festas e coisas assim. Vamos plugar os mesmos 1500 casos confirmados em PV de novo, mas desta vez colocamos 5% como taxa, os mesmos 60 dias como N e o valor futuro FV será de &hellip; 28 mil casos. Ainda assim é bastante gente, mas concordam que é ordens de grandeza melhor que 6,6 milhões.</p>
<p>Digamos que nem fomos tão disciplinados assim, afinal o que não falta por aí é babaca, e a taxa de 15% caiu só pra 10%. Vamos plugar os mesmos números e depois de 60 dias teríamos 456 mil casos que ainda assim é MUITO menos que 6,6 milhões. Esse é um casos onde toda contribuição individual de ficar em casa faz muita diferença porque é uma taxa de crescimento exponencial. Cada 1 porcento que se diminui nessa taxa são dezenas de milhares de casos a menos. E como baixamos essa porcentagem? Ficando em casa. Você quer ajudar? Não aumenta essa porcentagem. Fica em casa.</p>
<p>A outra forma de diminuir essa curva é diminuir o número de casos já confirmados. E pra isso, sem a cura, precisa de algum tratamento. Felizmente existem vários em teste em vários países. E já tem gente se curando, só que leva muitos dias ou semanas pra isso acontecer. Por isso não correlacione ver uma notícia de gente sendo curada com você se animando de querer já sair pra rua. Você só vai estragar tudo e desperdiçar esse avanço. Não quer ajudar? Pelo menos não atrapalha.</p>
<p>Pra alguns de nós, vai ser só um período de inconveniente que precisamos passar. Mas pra muitos é possível que a gente esteja só vendo o começo de uma grande crise que nem começou direito ainda. Obviamente vou torcer que não, mas vamos entender o que isso significa. O que podemos esperar pela frente? Como interpretar o que está acontecendo e o que devemos fazer agora? Chegou a hora de eu tentar explicar algumas coisas que eu vim dizendo em vários dos meus videos anteriores.</p>
<p>(&hellip;)</p>
<p>Se você acompanhou o que aconteceu no mercado financeiro brasileiro, tivemos nada menos que 6 circuit breakers em poucos dias, 6! Em menos de 2 semanas. Pra colocar em perspectiva nós tivemos 6 circuit breakers durante toda a crise financeira de 2008 cujos reflexos chegaram atrasados no Brasil e tivemos nossa crise de gastos excessivos só em 2015. Mas enfim, o mercado brasileiro desvalorizou até agora pelo menos 42% e sumiu da economia mais de um trilhão de reais de valor. Sem contar na subida vertical do dólar que saltou de 4.2 pro pico de 5.2.</p>
<p>No resto do mundo não é diferente. Se você olhar qualquer índice de qualquer país, tudo caiu nessa proporção. Não é um problema só do Brasil, é global. Todos os bons economistas já estavam demonstrando os sintomas da exuberância irracional e clima de oba-oba ao redor do mundo. Alguma correção ia precisar acontecer em breve, este ano, ano que vem. Obviamente ninguém tem bola de cristal e jamais poderíamos imaginar que o estopim pra derrubar esse House of Cards ou casa de cartas mundial frágil seria uma pandemia. Como num efeito dominó, todos os mercados começaram a cair drasticamente e isso causou um pânico de todos os investidores em busca de ativos mais seguros. Em períodos de pânico como esse o que todo mundo procura é dólares ou coisas equivalentes ao dólar como papéis de curto prazo do tesouro americano.</p>
<p>A razão disso é fazer caixa. Ninguém sabe quanto tempo essa crise do covid-19 vai durar. Pode ser 2 semanas. Pode ser um mês. Talvez dure meses! No Brasil, pra piorar, nunca tivemos tantos investidores novatos. Pela primeira vez atingimos a marca de 1 milhão de investidores em abril de 2019, ainda não fez um ano. E de lá pra cá esse número dobrou. Todo mundo quis aproveitar esse período anterior de alta desproporcional. Se você não sabe o que isso quer dizer, veja este gráfico do S&amp;P 500 que listas algumas das principais empresas americanas. Olha como era até 2009. Agora olha como acelerou depois de 2009. E agora veja o que aconteceu em 2020. Agora, veja a IBOVESPA aqui no Brasil. Nós tivemos o que foi estupidamente chamado de Marolinha, houve toda a gastança desenfreada que vocês já sabem que nos derrubou em 2015 e desde 2016 também entramos numa curva acelerada, até chegar 2020. Olhem só essa queda! Nós retrocedemos até níveis de 2017.</p>
<p>Pelo menos até agora eu ainda não estou sentindo nenhum desespero, pessoalmente. E isso porque eu estou exposto em diversos tipos de ativos, incluindo ações, ouro, bitcoins, tanto aqui no Brasil quanto nos Estados Unidos. Eu vinha falando a tempos que estávamos pertos de uma correção e eu achava que ia enxergar os sintomas a tempo de realizar meu lucro e sair fora. Mas lógico que eu nunca eu ia prever uma pandemia do dia pra noite. Esse evento foi a definição de um Cisne Negro. Eu repito esse termo faz tempo mas se até hoje você ainda não leu Nassim Taleb, agora é meio tarde demais. Enfim, durante essa queda abrupta minha carteira desvalorizou acho que algo por volta de meio milhão de reais na minha pessoa física. Não se preocupem, não vai me fazer falta por enquanto. E isso pra dizer que eu tenho sim interesse numa recuperação rápida e mesmo assim eu preciso dizer o que eu realmente acho que vai acontecer.</p>
<p>Pelo menos eu não tava muito alavancado. Quem tava alavancado excessivamente provavelmente começou ou vai começar a sofrer chamadas de margem e vai perder muito dinheiro. Isso é uma tangente de conceito interessante aliás, deixa eu explicar porque eu vou usar isso depois no video. Eu não sou um investidor sofisticado, então eu vou explicar de forma muito simples. Quando os mercados estão constantemente subindo, como nós vimos nos últimos anos desde pelo menos 2012 nos Estados Unidos, que foi um dos maiores períodos de crescimento. Muita gente vê isso e se alavanca. Vamos dar um exemplo que vou pegar emprestado da página da Investopedia.</p>
<p>Faz de conta que um investidor compra 100 mil dólares de ações da Apple. Pra isso ele usa 50 mil dele mesmo e pega emprestado os 50 mil restantes da corretora. Digamos que a corretora tem uma margem de manutenção de 25%. No momento da compra, o patrimônio do investidor como porcentagem é de 50%.</p>
<p>Isso tá acima da margem de manutenção de 25%. Então, por enquanto, tudo bem. Mas suponha que, duas semanas depois, deu a porra do covid-19 e o valor dos títulos comprados caia de 100 pra 60.000, ou seja, perdeu 40% do valor como aconteceu agora. Isso resulta no patrimônio do investidor caindo para dos 50 mil iniciais pra 10.000 (que é o valor de mercado de 60.000 menos os fundos que ele pegou emprestados da corretora de 50.000), ou seja 16,67% que é (60.000 - 50.000) / (60.000)</p>
<p>Agora ficou abaixo da margem de manutenção de 25%. O corretor precisa fazer uma chamada de margem, exigindo que o investidor deposite pelo menos 5.000 para atender à margem de manutenção.  Portanto, o investidor precisa de pelo menos 15.000 em patrimônio (o valor de mercado de títulos de 60.000 vezes a margem de manutenção de 25%) em sua conta para se qualificar pra margem. Mas ele só tinha 10.000 em patrimônio líquido, resultando em uma deficiência de 5.000 que é (60.000 x 25%) - 10.000.</p>
<p>Ou seja, você partiu de uma posição inicial de 50 mil dólares, com a queda ficou só com 10 mil e agora ainda deve mais 5 mil ou você pode ter sua posição liquidada. Isso tem acontecido desde o fim do carnaval, nas duas semanas seguintes de queda abrupta e seis circuit breakers levando a perdas de 42% no valor das ações.</p>
<p>E porque tanta gente tava apostando em ações? Pelo menos duas razões. Primeiro porque as opções que muitos consideravam mais seguras como fundos de renda fixa ou comprar diretamente papéis do tesouro estavam pagando pouco, por causa dos juros baixos. Isso nos Estados Unidos. Quero dizer a taxa básica de juros que é controlado pelos bancos centrais, no caso a nossa taxa selic, que é definido pelo Copom que é o Comitê de Política Monetária.</p>
<p>Quando as taxas básicas ficam muito baixas, o rendimento de papéis do tesouro, no caso o americano, por exemplo, rendem muito pouco. Faz de conta que você é um gestor de fundos, como os fundos de pensão norte-americanos. Como gestor você precisa tentar garantir um certo rendimento ou não vai dar pras pessoas se aposentarem. O que você faz? Você se encontra num período inédito de crescimento constante no mercado de ações. E você entra no jogo e coloca dinheiro nos mercados, que era o que o governo queria, estimular mais os mercados.</p>
<p>Como você acha que tanta startup apareceu na última década? Pior, assim como aconteceu em décadas anteriores, com tudo sempre subindo, fica aquele clima de oba-oba, que nunca vai cair, que crises são coisa do passado, e quanto mais tempo passa sem cair, mais você arrisca. Você vai graduando de só comprar ações e passa a comprar alavancado. E vai ficando pior. Pense o caso de uma Netflix que é icônico, ele não dá lucro. O modelo de negócios dele é emitir debêntures ou bonds como se chama nos Estados Unidos.</p>
<p>Bonds são títulos de dívida que são securitizados, ou seja, vendidos no mercado como uma classe de ativos, como uma ação. Securitizar como o nome diz é dar segurança. Como eu sei que essa dívida vai ser paga? A securitização é como um seguro e a garantia é o desconto no valor a ser recebido. O Netflix precisa de dinheiro pra produzir dezenas de shows como o seu Sex Education da vida. Mas só a sua mensalidade não dá pra pra pagar por isso.</p>
<p>Então o Netflix emite títulos e securitiza sua dívida, que são esses junk bonds - junk de lixo mesmo - e muita gente compra achando que é um bom investimento e se torna credor do Netflix. É como ir no mercado e pedir empréstimo e quem compra os junk bonds acha que tá virando credor de uma empresa que vai pagar eles de volta sem falta. Só em outubro de 2019 eles emitiram e venderam 2.2 bilhões de dólares de junk bonds. Se não me engano eles já acumulam pelo menos 13 bilhões de dólares de dívida. E ano que vem eles precisam começar a pagar um pouco de volta, 500 milhões em 2021, mais 700 milhões em 2022. Vocês acham que por causa da quarentena que tem muito mais gente assistindo então eles vão faturar mais? Pense de novo, suas mensalidades não cobrem as dívidas e por isso esses bonds são chamados de junk bonds e por isso eles precisam pagar um pouco mais caro pelo empréstimo pra atrair mais credores.</p>
<p>Agora vem a parte interessante. Com os mercados em queda livre como tá agora, quem vai querer comprar mais junk bonds? Só que sem conseguir vender mais bonds, a operação de produção deles vai parar uma hora. E com competidores grandes como HBO, Amazon Prime, e agora o mamute que é a Disney+, eles já estavam perdidos. Isso porque apesar das dezenas de shows de sucesso como The Witcher, Stranger Things, The Crown e outros, isso ainda é só 10% do catálogo deles. Os outros 90% são filmes e séries licenciados de outros estúdios e à medida que os estúdios vão abrindo novos canais de streaming como a Disney+ eles começam a perder esse catálogo, como aconteceu com todo o conteúdo da Disney, que inclui Marvel, Pixar, LucasFilms e Fox. Eles estão num jogo onde só dá pra queimar muito dinheiro.</p>
<p>E alguém poderia dizer que basta vender, talvez pra Disney. Mas eu não acho que isso vai ser tão simples assim. Pra ter uma idéia, a Disney pagou 7 bilhões pra adquirir a Pixar, 4 bilhões pra adquirir a LucasFilm, 4 bilhões pra adquirir a Marvel. Ou seja, não é um bom negócio pra Disney pagar pra assumir 13 bilhões de dívida da Netflix, mais fácil deixar ela morrer, comprar a licença dos shows exclusivos da Netflix a preço de banana depois e ter um competidor a menos no mercado.</p>
<p>E porque eu estou comentando esse possível cenário sombrio da Netflix? Porque estamos no meio de uma crise de liquidez. Está faltando dólares no mercado. No mundo todo. Por que o dólar no Brasil tá tão caro? Volta Dilma que tá tudo certo? Não né, idiota, pensa. A explicação é complicada mas pra simplificar bastante, pense em lei de oferta e procura, essa é a única lei universal que você precisa entender de uma vez por todas. Dinheiro não vale o que você acha que vale. O valor do dinheiro é determinado pelas leis de mercado, que é basicamente como a gravidade, é fundamental. Se você tiver 1 milhão de reais, mas eu te largar sozinho numa ilha deserta, quanto vale seu dinheiro? Literalmente zero. Ela não serve nem pra limpar sua bunda.</p>
<p>Valor não é o que você “acha” que alguma coisa vale, é quanto alguém tá disposto a pagar. Vamos entender em termos simples, pra começar, tamos numa crise. Todo mundo tá endividado direta ou indiretamente em dólares. Como países nós importamos e exportamos e a moeda base é o dólar americano. Pra sobreviver e pagar suas dívidas, você precisa de dinheiro, cash. Aquela barra de ouro ou prata que você tem guardado, seus bitcoins, suas ações, sua casa, não vai pagar suas dívidas desse mês se você tá prevendo que seu faturamento vai diminuir ou até mesmo parar, como é o caso de muitos negócios mundo afora que já pararam completamente ou quase. Companhias aéreas, empresas de eventos, restaurantes, lojas, hotéis, o seu cabeleireiro, o seu dentista, a sua diarista, todos eles já tão sofrendo hoje.</p>
<p>Como micro-empresários vão pagar a folha de pagamentos? Esse mês ainda tem caixa, talvez. Se a quarentena durar mais de um mês, e o faturamento continuar zerado, fodeu. Acaba o caixa, acaba o dinheiro. Não tem mais como pagar funcionários. Eles vão precisar começar a fazer uma coisa que não se fazia há dez anos: cortar custos brutalmente e tentar ficar eficientes. Só que isso não resolve o problema do curto prazo. Sem faturamento, você precisa tirar dinheiro de algum lugar. Seja via empréstimos, seja vendendo ativos. E por isso você tem esse cenário: o preço de tudo tá caindo porque tem mais gente querendo vender do que gente querendo comprar. O valor das coisas, incluindo o valor das moedas, é definido pela oferta e demanda.</p>
<p>E aí todo mundo precisa trocar tudo por dólar, mas agora pense no dólar como um produto de prateleira. Não tem estoque de dólares suficiente pra todo mundo, então o valor do dólar aumenta na mesma proporção que ações e tudo mais caem. Portanto o preço do dólar sobe se comparado ao Real e a qualquer outra moeda. Por exemplo, veja dólares australianos. Uns 6 anos atrás eles estavam quase 1 pra 1 com o dólar americano. Vieram desvalorizando, mas 1 ano atrás ainda dava pra comprar 70 centavos com 1 dólar australiano. Agora só dá pra comprar 50 centavos, ou seja o dólar australiano perdeu metade do valor em uns 6 anos. Veja o Euro, que sempre era mais caro que o dólar, agora tá quase 1 pra 1.</p>
<p>Todo mundo que pensa limitado e ficava pensando só em como criptomoedas eram voláteis e não dava pra confiar? Como se sente agora com o real no seu bolso, o ouro, as ações, tudo com volatilidade em níveis de criptomoedas, e com valor em queda livre? O Real se tornou um shit-coin. Quem se deu bem neste momento é quem estava líquido em dólares. Quando o mundo se vê numa crise o dito popular que vale é &ldquo;cash is king&rdquo;. A demanda por dólar tá tão alto que no começo da crise o Banco Central tentou segurar o preço do dólar colocando mais oferta no mercado, mas o que o Bacen tem pra colocar não é suficiente pra suprir a demanda e por isso os preços continuaram subindo.</p>
<p>Eu disse que estamos só vendo o começo, os efeitos disso tudo vão começar a aparecer no próximo mês, quando no começo de Abril os Estados Unidos reportarem o nível de desemprego norte-americano. Já existem milhões de desempregados lá por causa desta crise. E agora começa uma espiral negativa. Com a incerteza de até quando essa quarentena vai acabar, ninguém com bom senso vai fazer gastos desnecessários, e isso diminui o consumo. E não pense que todo mundo é que nem você que tem como fazer compras online. Sem consumo, aumenta o desemprego, que por sua vez colabora pra diminuir mais ainda o consumo. Se o consumo cai drasticamente dessa forma, fábricas vão fechar, serviços vão fechar, e isso vai gerar mais desemprego. Entenderam estamos numa queda livre já?</p>
<p>Podemos ficar discutindo em mesa de bar infinitamente se estamos sendo drásticos demais impondo essa quarentena massiva, mas o resultado disso é bastante claro, e ele não é bom. Nós já estamos numa recessão, não tem mais como voltar atrás. Essa recessão vai durar no mínimo, no mínimo um ano, provavelmente mais. Dependendo das ações coordenadas dos bancos centrais do mundo, talvez seja possível não entrar na pior etapa, que seria uma grande depressão. O que já perdemos agora não vamos recuperar em menos de 2 anos. E o valor do mercado não vai voltar aos mesmos patamares em menos de 4 ou 5 anos.</p>
<p>Quem vai se dar mal nessa crise no nosso setor de tecnologia? Lembra que eu venho avisando que startups que estavam no oba-oba de dinheiro fácil iam ter problemas? Pois é. Não é só a Netflix que tá numa situação delicada. Todas as estrelas da última década, os tais unicórnios, estão na mesma situação. Quando você não dá lucro e depende de artifícios como novas rodadas de investimento ou emissão de junk bonds e de repente o mercado inverte, e agora o único produto que tem valor é o dólar, significa que o valor que você achava que tinha agora não vale mais nada. E isso é o conceito de valuation. Valuation não é quanto você de verdade vale, é quando a gente acha que pode valer se oferecer no mercado. E na situação atual, a valuation de qualquer startup não tá valendo mais muita coisa.</p>
<p>Sabe aquele emprego fácil que você tinha numa startup unicórnio? Ela pode estar com os dias contados. Se a posição que você tem não gera valor pra sobrevivência da empresa, eu ficaria bem preocupado, porque agora muitas dessas startups vão ser obrigadas a fazer uma coisa que elas nunca tentaram fazer: ser eficientes. E pra ser eficiente cada centavo conta. Então a primeira coisa que precisam fazer é cancelar o desenvolvimento de qualquer coisa experimental ou que não colabore diretamente pro bottom-line, pros resultados. Em seguida precisam demitir todo mundo em posições que não são essenciais. Sabe aquele emprego fácil de coach? Já era.</p>
<p>O que eu falei no vídeo de Programação não é Fácil vai começar a acontecer agora, e eu já tenho ouvido casos de demissões já agora por causa disso. Alguns vão se precaver e cortar custos agora, alguns vão apostar que haverá algum milagre e segurar até ser tarde demais. Mas claro, não quer dizer que todas vão fazer isso amanhã. A maioria dos unicórnios que operam com fluxo de caixa negativo costumam conseguir levantar rounds de investimento que conseguem manter elas por até 2 anos. Quem conseguiu levantar investimento recentemente, tem cerca de 2 anos pra ficar eficiente. Quem tá no fim do ciclo e tava precisando de mais um round é que vai se dar mal.</p>
<p>Mas mesmo assim ainda tem outro cenário. Pra que servem os bancos centrais? Isso é um assunto super cabeludo. Mas a função do banco central é controlar o fluxo de moeda na economia. Eu nem vou entrar na questão de keynesianos versus escola de chicago versus austríacos, vou só falar do meu ponto de vista. Eu falei que o mercado tá massivamente procurando dólares, vendendo tudo que tem pra ter dinheiro em caixa. E também disse que se o estoque de dólares não é suficiente o preço do dólar sobe rápido demais e causa uma crise de liquidez na economia. O que significa isso? No pior cenário imagine um belo dia acordar e tentar sacar dinheiro no caixa eletrônico e não sair nada porque acabou o estoque de dinheiro.</p>
<p>Eu também disse que o valor das coisas é determinado pelo mercado. Muita gente vê uma empresa como uma Apple e as notícias até o começo do ano dizendo que as ações subiram e ela agora vale quase 1 trilhão e meio de dólares. A maioria da população pensa de forma ingênua, quase infantil, que existe uma conta de banco com 1 trilhão e que eles poderiam sacar todo esse valor em papel moeda a qualquer momento, mas não é assim que as coisas funcionam. Vamos dar um exemplo, por volta de 12 de fevereiro de 2020, antes dessa crise começar, uma ação da Apple valia uns 327 dólares, o que computava um market cap ou valor de mercado de 1.4 trilhão de dólares. Em 23 de março, pouco mais de 1 mês depois o valor da ação caiu pra 224 dólares e agora a Apple vale só 980 bilhões.</p>
<p>Porra, ainda é bastante dinheiro, claro, mas em pouco mais de um mês a Apple perdeu mais de 400 bilhões de dólares. Ou, mais corretamente, ela desvalorizou 400 bilhões. E pra ter uma idéia do que isso significa, 400 bilhões é mais ou menos a reserva de dólares que o banco central brasileiro tem em caixa. Toda vez que você ouve falar de algum bilionário ou qualquer celebridade rica é a mesma coisa, eles não tem todo aquele dinheiro em espécie. O preço da Apple, aos olhos do mercado do dia 23 de março é 980 bilhões e não mais 1.4 trilhão.</p>
<p>Agora deixa eu voltar no tempo mais de 10 anos, pra crise financeira de 2008 que eu sempre menciono nos videos. Eu recomendo muito que vocês assistam este documentário da HBO, também o filme The Big Short que eu já indiquei várias vezes nos meus vídeos, e leiam sobre o que aconteceu. Mas em resumo hiper resumido, lá por volta de 2005 em diante se iniciou uma bolha imobiliária. Acesso mais fácil a crédito e tudo mais começou a incentivar as pessoas a comprar mais casas e fazer financiamentos com os bancos, os chamados mortgages ou hipotecas.</p>
<p>Agora vai ficar complicado, então presta atenção. Pense hipotecas de milhares de pessoas sendo empacotadas em produtos financeiros e sendo securitizados. Papéis que tem como garantias essas hipotecas, ou mortgage backed securities, os MBS. Num primeiro momento tá tudo certo, as pessoas que financiam passam por análises de crédito de bancos com credibilidade, então todo mundo costuma ser bom pagador, e por isso essas MBS tem valor. Diferente dos junk bons do Netflix que eu falei. Só que com o crescimento da bolha aumentou o incentivo pra se procurar por mais hipotecas pra emitir mais MBS. MBS se tornou um produto de alta demanda. E pra suprir essa demanda começaram a flexibilizar o crédito pra pessoas que não eram boas pagadoras, pessoas que hipotecavam a mesma casa mais de uma vez, e essas hipotecas podres ou subprime mortgages começaram a poluir os MBS. E o primeiro erro é que as agências avaliadoras continuaram a dizer que esses MBS eram confiáveis.</p>
<p>Os vendedores de MBS tavam tão seguros que essas hipotecas eram todas de valor que eles ofereciam garantias, caso alguém faça default na hipoteca, onde default em inglês é calote, a seguradora garantia o crédito, esses eram os Credit Default Swaps ou CDS. O volume de CDS era tão grande que no seu pico acho que havia o equivalente a 47 trilhões de dólares. Pra ter noção desse valor, essa é a ordem de grandeza da dívida dos Estados Unidos. Não havia dinheiro no sistema financeiro suficiente pra cobrir esse tanto de CDS. Quando a crise começou todos os bancos norte-americanos estavam contaminados de subprime MBS podres e CDS que eles não podiam cobrir. E isso não foi corretorazinha de criptomoeda do Rio Grande do Sul. Estamos falando de Goldman Sachs, Merryl Linch, JP Morgan, Wells Fargo, Citigroup.</p>
<p>O cenário era tenebroso, esse câncer fez desaparecer o dinheiro do sistema. Porque o dinheiro só existia numa planilha, no balanço dos bancos. Um monte de gente perdeu as casas porque pense nessas hipotecas como alavancagem que eu expliquei no começo do vídeo, num determinado momento elas precisavam pagar a mais pra cobrir e a maioria não tinha como. Daí o banco faz foreclosure que é tomar a casa. E mesmo assim não havia dinheiro suficiente no sistema. Então o FED que é o banco central americano tentou intervir, mas muitos criticam que o Congresso demorou demais pra agir e a intervenção foi pequena. Precisou o Bear Sterns faliu, depois o gigante Lehman Brothers e outros num efeito dominó que ameaçava fechar bancos que você nem  imaginaria como o próprio Goldman Sachs ou Merryl Linch, todo mundo tava contaminado.</p>
<p>Pra resumir a história, quando as intervenções pequenas não estavam surtindo efeito pra suprir a demanda por liquidez o que parece que tapou o buraco foi o programa conhecido como TARP ou Troubled Assets Relief Program. Nesse caso o FED literalmente fez o que chamamos de “imprimir dinheiro”. Não literalmente de imprimir fisicamente papel moeda, mas ele comprou esses MBS podres dos bancos, isso injeta dinheiro no sistema financeiro que é como uma transfusão de sangue e com isso o sistema voltou, male male, a funcionar. Pelo menos os principais bancos não quebraram. Foi algo na ordem de 400 bilhões de dólares injetados no sistema pelo TARP.</p>
<p>Pra consertar o problema o FED removeu o câncer dos bancos, comprando pra si esses ativos tóxicos. E desde então os MBS estão no balanço do FED. Mas a população em geral detestou isso porque ficou parecendo que o dinheiro do contribuinte foi usado pra salvar banqueiros. E eles não estão completamente errados. Porém, sendo advogado do diabo, o medo todo é que se eles não fizessem isso os bancos teriam todos quebrados, o sistema financeiro mundial entraria em ruínas e nós teríamos entrado numa depressão pior que a Grande Depressão de 1929.</p>
<p>E aqui eu recomendo que você assistam este documentário sobre a grande depressão de 1929. Muita gente já ouviu provavelmente falar do famigerado Black Tuesday, quando o índice Dow Jones caiu 12% em um só dia dando início à famosa Crise Financeira de 1929. Novamente em resumo, pra financiar a Guerra Civil americana de 1861 o governo emitiu Liberty Bonds, que são papéis da dívida do governo, o que a gente chama de tesouro, o que ajudou a iniciar a bolha de investimentos. E adivinha? Lembra o conceito de alavancagem que eu falei antes? Imagina que uma boa parcela da população estava não só comprada em ações de grandes empresas como General Electric e gozando de um mercado que só subia no começo do século XX, achando que eram invencíveis, como eles estavam alavancados, e muito alavancados.</p>
<p>Então quando o Dow Jose caiu do nada 12% isso causou um pânico geral, e quando todo mundo quer vender de uma só vez o preço de tudo cai. De novo, oferta e procura. Só que o presidente Hoover, na época, não só não sabia o que fazer porque isso era novo, como acabou não fazendo quase nada e deixou os mercados irem até onde dava pra ir. O resultado foi que a bolsa quebrou, a crise de liquidez quebrou uns bons 3 mil bancos. Sem bancos o crédito sumiu, e todo pequeno comerciante e micro-empresário ficou sem caixa, o que fechou empresas e fábricas, e gerou um desemprego gigantesco na casa de 25%. A Grande Depressão que é contada até hoje como história de terror e desespero.</p>
<p>Isso afetou não só os Estados Unidos como diversos outros países na Europa, como na Inglaterra, Alemanha, Itália e outros. Os níveis gigantes de desemprego, queda brutal no consumo levou a recessão ao nível de depressão. E muitos concordariam que isso ajudou muito a convencer o povo alemão, que já vinha massacrado da primeira grande guerra, a procurar um salvador da pátria e subir alguém como Hitler ao poder. E o mesmo aconteceu na Itália elevando alguém como Mussolini. O resto, como vocês sabem, é história.</p>
<p>E foi por isso que em 2008 o FED, apesar de atrasado, tentou evitar a quebradeira geral dos bancos e dar a liquidez pra evitar que a recessão que era iminente se tornasse uma nova grande depressão. Veja que todas essas crises começam com a queda nas bolsas. Na crise atual tivemos a sequência mais rápida de 6 circuit breakers, nem na crise de 2008, nem na de 1929 foi rápido assim. Eu disse que o FED injetou pelo menos 400 bilhões via o programa TARP pra estancar a crise de liquidez na crise de 2008? O FED hoje está prometendo trilhões de dólares e os mercados continuam não reagindo. Eu disse que o nível de desemprego durante a Grande Depressão de 1929 chegou a 25%? Alguns analistas como o do Goldman Sachs avaliam que podemos chegar a 30% de desemprego este ano nos Estados Unidos por conta dessa crise de quarentena gerada pelo pânico.</p>
<p>E desta vez temos mais uma variável: não sabemos quanto tempo vamos ter que ficar em quarentena. Mesmo se por milagre a doença simplesmente sumir hoje, nós já estamos em recessão. Se formos obrigados a ficar mais do que um mês, vamos começar a ver nos noticiários várias empresas quebrando uma atrás da outra. Depois vamos ver notícias de como o desemprego tá atingindo níveis recordes. E se nada mudar podemos mesmo acabar entrando numa nova Grande Depressão. Esse é o pior cenário possível e por isso nesses dias próximos de 23 de março de 2020, caso você esteja assistindo este video no futuro, o FED tá querendo evitar fazer muito pouco muito tarde como foi em 2008 e 1929 e tá indo all-in, atirando com tudo o que tem, anunciando um Unlimited Quantitative Easing, que é um termo que você vai ouvir falar muito ainda.</p>
<p>Pra evitar toda essa espiral negativa que aparece numa recessão o FED tá querendo apertar o botão de reset. Em 2008 ela comprou os ativos tóxicos que eram os subprime mortgage backed securities. Em 2020 ela não quer só recomprar títulos do tesouro, ela quer comprar todos os ativos tóxicos e puxar todos os preços de tudo que caiu pra cima de novo. Não literalmente tudo, mas bastante. É quase como nacionalizar tudo. O problema de fazer isso, que é praticamente como imprimir dinheiro do nada, é que isso desvaloriza o câmbio, e se não tomar cuidado gera uma puta inflação. Se você é novo pergunte aos seus pais o que foi a hiper inflação dos anos 80 no Brasil e porque temos medo de inflação.</p>
<p>Mas pior que isso, ninguém tem nem uma mínima noção de como funcionam esses mecanismos que acabei de citar, e provavelmente a gente talvez não caia numa depressão do jeito negativo que eu pintei. Se der certo, as intervenções vão funcionar o suficiente mas não vão conseguir salvar todo mundo, e vai de novo ficar a impressão que os governos estão salvando os bancos e as grandes empresas. E de novo vamos ver revoltas como o movimento Occupy Wall Street e pode de novo levar a população a acreditar que precisamos de medidas socialistas, populistas e consequentemente totalitárias e ditatoriais, porque se tem uma coisa que a população média adora fazer, principalmente em tempos de crise, é achar que salvador da pátria existe, e é assim que os Hitlers da vida chegam ao poder.</p>
<p>O que temos hoje não é capitalismo, já não é faz décadas, não é livre mercado, o correto seria deixar o mercado se corrigir e expurgar o câncer. É como qualquer organismo em evolução durante milhares anos. Mas se tivermos uma mão divina como o FED literalmente salvando temporariamente o mundo todo, uma hora isso vai causar uma crise de proporções ainda maiores do que hoje. E eu não tenho como explicar em poucos minutos todas as ramificações por isso aqui eu páro pra recomendar dois canais que vocês deviam assistir, o primeiro é o Idéias Radicais que explica muito dessa filosofia, e o segundo é o canal do Fernando Ulrich que tem feito uma cobertura muito boa em todos os dias dessa crise e também já vinha explicando quais são os efeitos que essas intervenções do FED podem causar.</p>
<p>O que todo mundo quer saber agora é o que deve fazer. E obviamente é impossível de dizer. Quem tem essa bola de cristal certamente não está divulgando. Lembram do meu video de Não Terceirize suas Decisões? Pois é, não adianta ficar me perguntando o que vocês devem fazer com suas vidas. Se for seguir a lógica, o período de quarentena ainda vai continuar pelo menos mais algumas semanas. Na Ásia alguns países como Coréia do Sul e Japão estão conseguindo se controlar mesmo sem precisar de uma quarentena completa de todo mundo. Não é do interesse de ninguém esticar essa quarentena mais tempo do que o necessário. Pra isso os governos devem acelerar tanto a produção massiva de mais testes e também tratamentos como os a base de hidroxicloroquina pra mitigar os efeitos da pandemia e eventualmente só isolar quem realmente tá contaminado. Mas isso ainda vai levar semanas.</p>
<p>Se as quarentenas demorarem mais que isso, cada vez mais a recessão vai ficar mais e mais cara. Da forma como tá hoje, eu daria um chute - e é chute mesmo - que não vamos nos recuperar em menos do que uns 2 anos. E isso eu quero dizer reverter os níveis de desemprego e de consumo. E mesmo com a queda colossal de 42% da bolsa, os ativos ainda devem cair mais enquanto o mercado não ver que as quarentenas estão chegando ao fim. E todo esse valor perdido só deve ser recuperado em uns 4 a 5 anos.</p>
<p>Por isso a recomendação mais óbvia, pra quem pode, é ficar líquido. Isso significa manter dinheiro em caixa. Agora não é a hora de fazer grandes gastos. Se for possível atrasar o financiamento de uma casa, atrase. Se não precisar o carro que tava querendo comprar, não compre. Se for possível evitar fazer viagens caras, evite. Pra quem tem condições existem pelo menos duas oportunidades aqui. A primeira é pra quem tem dinheiro e está líquido. Quando a poeira baixar vai ser a hora de comprar ações de empresas que tem bons fundamentos e vão estar muito baratos. Então é a hora de estudar os balancetes e resultados das principais empresas na bolsa, escolher os que tem menos dívidas, estão menos alavancados e cujos nichos de mercado devem se recuperar primeiro.</p>
<p>Pra quem é jovem e estava afobado porque parecia estar atrasado pra entrar num mercado que não parava de crescer, pause um segundo, os mercados pararam de crescer. Na realidade o que vai acontecer é muita demissão. Por isso o valor de um profissional medíocre vai cair. Lembra? Oferta e demanda. Vai haver muita oferta, muito estoque sobrando, de pessoas que só fizeram cursos básicos ou tiveram formação inadequada e vai crescer a demanda por profissionais bem preparados, que já são raros hoje. Vocês acabaram de ganhar uns 2 anos ou mais pra estudar com calma, criar fundações sólidas, como eu venho repetindo sem parar em vários videos do canal.</p>
<p>E quando a maré virar, o mercado vai precisar de gente bem preparada. Eu disse isso antes e vou dizer de novo: com ou sem crise, o mercado sempre tem espaço pra gente competente de verdade, aquele que realmente faz a diferença no resultado da empresa. E agora você vai ter menos concorrência, porque a maioria quis pegar atalho pra surfar a onda, não fez fundações sólidas, escolheu cursos mais por serem curtos do que por serem bons. Evitaram as coisas difíceis e como o mercado só crescia, eles tinham espaço. Esse espaço vai começar a desaparecer a partir de agora. Eu disse isso no meu vídeo de Programação não é Fácil, se você tem uma posição que não é fundamental pra sobrevivência da empresa, fique preocupado. Claro, com o resgate do FED ainda vão sobrar muitas, mas se tudo der certo, pelo menos as piores vão falir.</p>
<p>Eu venho falando já pelo menos desde o começo de 2019 que por volta de 2020 ou 2021 vocês deveriam se preparar pra um período de correção dos mercados. Vocês prestaram atenção e fizeram isso? Se fizeram não tem nada a temer, vamos passar por uma longa tempestade, mas se você estiver preparado vai chegar até o final só molhado em vez de afogado. E por hoje eu vou acabar num cliffhanger pro próximo episódio onde eu vou fazer um novo vídeo sobre educação pra esse novo período e eu precisava da introdução de hoje pra continuar. Por enquanto seguimos Abril de 2020 em quarentena. Fiquem seguros e fiquem em casa, não contribua neste momento pra aumentar a estatística de contaminação. Se ficaram com alguma dúvida mande nos comentários abaixo, se curtiram o video mandem um joinha, assinem o canal, não deixem de clicar no sininho pra não perder os próximos episódios e ajudem o canal compartilhando com seus amigos. A gente se vê, até mais.</p>
]]></content:encoded><category>economia</category><category>negocios</category><category>akitando</category></item><item><title>[Akitando] #73 - RANT: A Realidade do "Software Livre"</title><link>https://akitaonrails.github.io/2020/03/04/akitando-73-rant-a-realidade-do-software-livre/</link><guid isPermaLink="true">https://akitaonrails.github.io/2020/03/04/akitando-73-rant-a-realidade-do-software-livre/</guid><pubDate>Wed, 04 Mar 2020 10:30:00 -0300</pubDate><description>&lt;div class="embed-container"&gt;
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&lt;p&gt;Pior ainda, por simplesmente só acreditar que está defendendo um movimento social, no final você está só defendendo o marketing de empresas e nem se dá conta disso. Nem é uma coisa completamente ruim, mas certamente não é o que sua crença diz.&lt;/p&gt;</description><content:encoded><![CDATA[

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<h2>DESCRIPTION<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="description"></span>
    <a href="#description" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Muita gente acha que é defensor do Software Livre, mas na realidade não é.</p>
<p>Pior ainda, por simplesmente só acreditar que está defendendo um movimento social, no final você está só defendendo o marketing de empresas e nem se dá conta disso. Nem é uma coisa completamente ruim, mas certamente não é o que sua crença diz.</p>
<p>Então hoje eu vou desmistificar o que é software livre, open source e como as grandes corporações te enganaram. A idéia não é ser um vídeo completo sobre o assunto, somente sobre os temas que eu acho mais importantes pra começar.</p>
<p>Links:</p>
<ul>
<li>Affero General Public License (<a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Affero_General_Public_License"target="_blank" rel="noopener">https://en.wikipedia.org/wiki/Affero_General_Public_License</a>)</li>
<li>What is free software? (<a href="https://www.gnu.org/philosophy/free-sw.html"target="_blank" rel="noopener">https://www.gnu.org/philosophy/free-sw.html</a>)</li>
<li>The JavaScript Trap (<a href="https://www.gnu.org/philosophy/javascript-trap.html"target="_blank" rel="noopener">https://www.gnu.org/philosophy/javascript-trap.html</a>)</li>
<li>The quietly accelerating adoption of the AGPL (<a href="https://www.synopsys.com/blogs/software-security/using-agpl-adoption/"target="_blank" rel="noopener">https://www.synopsys.com/blogs/software-security/using-agpl-adoption/</a>)</li>
<li>What’s a SaaS to Do? The SaaS Loophole in GPL Open Source Licenses (<a href="https://resources.whitesourcesoftware.com/blog-whitesource/the-saas-loophole-in-gpl-open-source-licenses"target="_blank" rel="noopener">https://resources.whitesourcesoftware.com/blog-whitesource/the-saas-loophole-in-gpl-open-source-licenses</a>)</li>
<li>Google open source guru: &lsquo;Why we ban the AGPL&rsquo; (<a href="https://www.theregister.co.uk/2011/03/31/google_on_open_source_licenses/"target="_blank" rel="noopener">https://www.theregister.co.uk/2011/03/31/google_on_open_source_licenses/</a>)</li>
<li>Can I use the middleman loophole to reduce AGPL to LGPL? (<a href="https://opensource.stackexchange.com/questions/5010/can-i-use-the-middleman-loophole-to-reduce-agpl-to-lgpl"target="_blank" rel="noopener">https://opensource.stackexchange.com/questions/5010/can-i-use-the-middleman-loophole-to-reduce-agpl-to-lgpl</a>)</li>
<li>Managed Cassandra on AWS, Our Take (<a href="https://www.scylladb.com/2019/12/04/managed-cassandra-on-aws-our-take/"target="_blank" rel="noopener">https://www.scylladb.com/2019/12/04/managed-cassandra-on-aws-our-take/</a>)</li>
<li>AWS and Open Source: It’s Complicated (<a href="https://www.redislabs.com/blog/aws-vs-open-source/"target="_blank" rel="noopener">https://www.redislabs.com/blog/aws-vs-open-source/</a>)</li>
<li>Choose an open source license (<a href="https://choosealicense.com/"target="_blank" rel="noopener">https://choosealicense.com/</a>)</li>
<li>Why Open Source misses the point of Free Software (<a href="https://www.gnu.org/philosophy/open-source-misses-the-point.en.html"target="_blank" rel="noopener">https://www.gnu.org/philosophy/open-source-misses-the-point.en.html</a>)</li>
<li>How to decide whether to open source your SaaS solution (<a href="https://opensource.com/article/18/5/open-source-saas-y-world"target="_blank" rel="noopener">https://opensource.com/article/18/5/open-source-saas-y-world</a>)</li>
<li>Explaining The Fair Use Principle for Copyrighted Work (<a href="https://www.thebalancesmb.com/fair-use-of-copyrighted-work-explained-4771134"target="_blank" rel="noopener">https://www.thebalancesmb.com/fair-use-of-copyrighted-work-explained-4771134</a>)</li>
<li>Copyright Definition (<a href="https://www.thebalancesmb.com/copyright-definition-2948254"target="_blank" rel="noopener">https://www.thebalancesmb.com/copyright-definition-2948254</a>)</li>
<li>YouTuber Extortion? MxR Plays v. Jukin - Real Law Review // LegalEagle (<a href="https://www.youtube.com/watch?v=5A_i-sB9H0Q"target="_blank" rel="noopener">https://www.youtube.com/watch?v=5A_i-sB9H0Q</a>)</li>
</ul>
<p>AkitaOnRails:</p>
<ul>
<li>[Off-Topic] Software Livre: Exercício de CAPITALISMO (<a href="https://www.akitaonrails.com/2016/04/22/off-topic-software-livre-exercicio-de-capitalismo"target="_blank" rel="noopener">https://www.akitaonrails.com/2016/04/22/off-topic-software-livre-exercicio-de-capitalismo</a>)</li>
</ul>
<h2>SCRIPT<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="script"></span>
    <a href="#script" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Olá pessoal, Fabio Akita</p>
<p>Eu acabei pulando o carnaval e não publicando video semana passada. Eu fiquei em dúvida entre dois temas e qual eu ia falar primeiro e os dois são trabalhosos pra explicar. Então deixei o assunto maturar na minha cabeça um pouco mais de tempo. O tema que eu escolhi falar foi sobre software livre. O problema é que software livre é um puta tema espinhoso. Se eu escolher palavras um pouco ambíguas, vai chover hater nos comentários porque todo mundo tem uma opinião forte sobre o assunto e na grande maioria das vezes elas estão erradas ou no mínimo incompletas.</p>
<p>O motivo desse tema é que de vez em quando ainda me perguntam qual é a vantagem de mexer com software livre. As respostas mais comuns, de fato acabam sendo alguma coisa como &ldquo;pra ajudar a comunidade&rdquo; ou &ldquo;pra outros poderem te ajudar&rdquo;. Não está completamente errado, mas não é só isso. E pensando um pouco mais no assunto, eu vejo que os motivos vão ser completamente diferentes pra pessoas e situações diferentes. Então acho que primeiro eu preciso explicar os mecanismos por baixo e daí você pode tirar conclusões melhores. Na realidade, pra variar, eu quero quebrar algumas concepções erradas que eu sei que muitos iniciantes ainda tem.</p>
<p>Eu já expliquei alguns dos elementos dessa novela, por exemplo, no video da Lerna vs ICE eu expliquei a diferença entre licenças permissivas e restritivas e a impossibilidade de mudar licenças retroativamente. E no vídeo sobre a Apple e GPL eu explico sobre como o GPLv3 que foi criado pra brigar contra DRM no episódio da Tivoização levou a Apple a migrar do compilador GCC para clang e evoluir o LLVM até sair a linguagem Swift.</p>
<p>Eu acho fascinante acompanhar as diversas novelas jurídicas e discussões filosóficas em torno de software livre e como você é facilmente enganado por ideologia barata se não parar pra ler além da propaganda. Por exemplo, talvez você ache que é um defensor do software livre usando Linux e programas de código aberto todo dia. Mas você não é 100% dentro da ideologia se navega em qualquer site moderno que executa Javascript. Já pensou porque?</p>
<p>(&hellip;)</p>
<p>Deixa eu começar com esse ponto que eu acho irônico. Muita gente pensa que usar Javascript é a mesma coisa que contribuir com o mundo de software livre, quando de fato não é. Se você é adepto da ideologia de software livre como Free Software e não somente como Open Source, você provavelmente conhece as quatro liberdade de software de cor, certo? Vamos relembrar. “Número 0 - e, claro, em programação listas começam em zero -, a liberdade de executar o programa como quiser, pra qualquer propósito.” Se você vai num Google Docs, ou Slack, ou Spotify, isso está satisfeito. Quando o seu navegador favorito carrega o site, ele carrega um monte de Javascript e executa o programa e você usa como quiser. O primeiro ponto está satisfeito.</p>
<p>“Número 1, a liberdade de estudar como o programa funciona, e mudá-lo pra ele computar como você desejar. Acesso ao código fonte é pré-condição pra isso.” Pronto, basicamente os principais produtos feitos em Javascript hoje quebram essa condição. O código Javascript é carregado no seu navegador, mas ele quase sempre vem em forma minificada. É impossível entender como esse código funciona porque minificação, que é uma forma de obfuscação criada pra minimizar o tamanho dos arquivos, é quase próxima de compilação. Você não tem como modificar o cliente do Google Docs ou do Spotify nem criar sua própria versão facilmente.</p>
<p>Continuando. “Número 2, a liberdade de redistribuir cópias para ajudar seu vizinho.” Neeeh, impossível. E “Número 3, a liberdade de distribuir cópias da sua modificação pros outros. Fazendo isso você dá uma chance pra toda a comunidade de se beneficiar de suas mudanças. Acesso ao código fonte é pré-condição pra isso.” Pois é, também não.</p>
<p>E antes que os haters cheguem nos comentários, calma! Eu usei Javascript de exemplo só porque é o alvo mais fácil já que a maioria de vocês estão aqui assistindo este video num front-end feito em Javascript que é o YouTube. E o YouTube não é software livre. E não só o Javascript do front-end, mas nenhum componente de nada que você usa todo dia, YouTube, Slack, Discord, Spotify, Netflix, Amazon, AliExpress, Uber, a maioria esmagadora dos softwares que você usa no seu dia a dia, são todos proprietários e fechados.</p>
<p>Isso não é imediatamente óbvio pros desavisados porque praticamente todas essas empresas e marcas parecem associadas de alguma forma com software livre. Em muitos casos oferecendo bibliotecas de código aberto que você pode consumir em seus próprios programas pra falar com as APIs dos produtos deles. Só que cliente de API é um software inútil sem a parte que roda no servidor. É simples entender a consequência. Você faz hoje um aplicativo que usa o cliente de API de um Dropbox. Digamos que amanhã o Dropbox feche, ou simplesmente decida fechar sua API. Seu aplicativo não serve pra mais nada. Era pra evitar esse tipo de cenário que nasceu a idéia de software livre.</p>
<p>Porém, o mundo SaaS inteiro se aproveita do que conhecemos como o GPL loophole. É uma brecha da licença GPL. Entenda, a GPL foi desenhada de tal forma que se você copiar um software GPL e fizer modificações, por exemplo, construindo seu produto em cima dele, e daí você comercializar ou distribuir o binário desse produto, você obrigatoriamente deveria distribuir o código fonte. Só que produtos SaaS não comercializa nem distribui o conteúdo, todo o código e binários rodam somente dentro dos servidores. E executar o código que você modificou é um direito do GPL. O que ele oferece aos usuários é apenas uma API e um front-end em Javascript com uma licença de uso remoto. E contanto que esse Javascript não contenha código GPL, também não há obrigação de abrir o código fonte.</p>
<p>À medida que muita coisa se move nessa direção onde tudo roda remoto, nenhum dos códigos proprietários é comercializado nem redistribuído. Porque você acha que idéias como usar iPad no lugar de Macbook ou Chromebooks são tão atraentes pra Apple e pro Google? A licença GPL não está sendo quebrada, só subvertida. O mundo de software livre obviamente notou isso e por isso existe a licença Aphero GPL ou AGPL, criada em 2002. A diferença com a GPL normal é que se você usa AGPL pra fazer um software as a service, seu código inteiro precisa ser aberto. E é por isso que nenhuma das empresas que eu mencionei e diversas outras, jamais vão chegar perto de software AGPL, porque ela basicamente quebra o modelo de negócios de SaaS como é conhecido hoje.</p>
<p>Um exemplo disso foi a entrevista do diretor de open source do Google em 2008, Chris DiBona que declarou que AGPL é banido dentro do Google. Toda grande empresa que se preza tem um departamento preocupado em avaliar todo o software desenvolvido internamente e suas dependências porque com o tanto de gerenciadores de pacotes que puxam coisas de fora como NPM pra Javascript ou Pip do Python e outros, é muito simples uma biblioteca GPL ou AGPL acabar entrando sem querer e contaminar todo o código. É um problema sério isso. Por isso todas as empresas vão sempre escolher licenças permissivas como MIT ou BSD ou derivadas delas.</p>
<p>Não existe nada como o passar do tempo. 20 anos atrás empresas como Apple, Microsoft ou Oracle eram os inimigos número 1 do software livre. Mas essa imagem foi revertida, e não é porque eles aderiram ao software livre, mas porque aprenderam como subverter a idéia toda. Hoje em dia a gente quer mais conveniência do que liberdade. Na verdade, hoje estamos mais dispostos a abrir mão de parte da liberdade em nome de mais conveniência e por isso todo mundo está em jardins fechados, os walled gardens, como dentro do ecossistema Apple, ou Amazon, ou Google ou similar. Todo o software que você usa e todos os dados que você deixa pra trás estão fora do seu controle, não importa se você usa Linux ou não. É o oposto de livre. Até mesmo quem está reclamando de privacidade continua dentro desses ecossistemas.</p>
<p>Antigamente você podia ter uma máquina Linux, com software 100% livre, rodando offline na sua máquina e ser razoavelmente produtivo. Mas hoje você não tem mais como, na prática. Se você trabalha remoto, vai ser obrigado a usar um comunicador, e ele vai ser um Slack ou similar, que é fechado. Se precisa compartilhar arquivos vai ser obrigado a usar um Dropbox ou OneDrive ou Google Drive, todos fechados. Se precisa compartilhar documentos, vai acabar usando Google Docs ou ironicamente Office online, e eles são fechados. Basicamente, tudo que não funciona se você fica offline, é software proprietário que encontrou caminho pra dentro do seu Linux.</p>
<p>Dá impressão que não é nada demais porque você não tá instalando manualmente nenhum binário proprietário na própria máquina. Na verdade, é pior: agora você não tem nem o binário mais: fica tudo remoto. Você abriu mão até do binário. Pior ainda, em vez de pagar uma única vez pelo software, você paga uma assinatura pelo direito de uso temporário desse software remoto. Pare de pagar e você não tem mais acesso ao software e muitas vezes nem aos seus dados. Não tem nem como piratear esse software, porque não existe mais um binário. No máximo um front-end  e um cliente de API, que são meras cascas descartáveis. Nem o conteúdo que você gera nesses softwares fica mais na sua máquina, fica na sua conta online do Google, ou da Apple.</p>
<p>Mas e o tanto de software livre que existe hoje em dia em lugares como GitHub? Sim, existem diversos softwares muito importantes e muito bons de forma livre e aberta. Só não os que você precisa usar todo dia. Com o passar do tempo e a maturidade no entendimento de software livre pelas empresas, um modelo ficou mais óbvio: mantenha todo o código crítico dos seus produtos fechados, mas abra alguns que podem se beneficiar da contribuição de fora.</p>
<p>A kernel do Linux é um exemplo disso. É muito caro pra uma empresa criar e manter seu próprio kernel, que dirá seu próprio sistema operacional inteiro. O valor desse desenvolvimento e manutenção não compensa o investimento. Portanto é vantajoso dividir esse custo com outras empresas. O Linux é o que é hoje por causa do investimento compartilhado de dezenas de empresas da Linux Foundation que pagam programadores pra manter seus interesses em dia. Empresas como IBM, Microsoft, Intel, Oracle, RedHat, e várias outras. E todo mundo se beneficia disso. É um compromisso pragmático. Não soa tão legal se você for um purista que achava que um Linux da vida era feito só com programadores anônimos voluntários aleatórios, mas essa é a realidade.</p>
<p>Pra um Google compensa manter sua linguagem, o Go, como código aberto. Nem tanto pra ganhar contribuições de fora, mas porque eles precisam constantemente contratar bons engenheiros. E é sempre melhor se os candidatos aparecerem já dominando a linguagem que eles usam. Mas não espere que eles liberem o código fonte do algoritmo de pesquisa, ou do banco de dados BigTable, ou qualquer outra coisa assim que se usa internamente. Esses códigos sempre foram e sempre vão ser fechados.</p>
<p>Mesma coisa o Facebook, pra eles compensa contribuir com linguagens como PHP, que eles usam internamente, vale a pena liberar o React como código aberto. Novamente eles precisam recrutar engenheiros o tempo todo. Essa é a principal motivação pra manter uma comunidade externa de desenvolvedores. Brigar contra software livre nos anos 90 e começo dos 2000 se mostrou extremamente danoso. A Microsoft sofreu isso na pele, sendo corretamente reconhecida como inimigo da liberdade.</p>
<p>Pra contratar bons profissionais, especialmente em um ambiente de abundância excessiva de hoje, com vários outros competidores, essas empresas precisaram mudar a estratégia. O marketing precisava mostrar que eles não eram o inimigo. Só que abrir o código secreto dos seus principais produtos nunca foi uma opção. Em vez disso elas se tocaram que dá pra pagar um preço mais barato e colher os mesmos benefícios. No começo dos anos 2000 todos os departamentos jurídicos já se atualizaram sobre as leis de propriedade intelectual de código frente a licenças de código aberto. O truque é simples: primeiro de tudo, você não precisa abrir o código dos produtos mais importantes, só do que não é crítico, como clientes de API, linguagens de programação, frameworks, bibliotecas, tudo aquilo que é commodity. Segundo, nunca usar GPL e muito menos AGPL internamente.</p>
<p>Felizmente pras empresas, depois do movimento de software livre, que é de fato um movimento social, ganhou força o movimento open source ou código aberto, que é um movimento pragmático de uma metodologia de desenvolvimento. Software Livre de verdade quase nenhuma empresa de fato adotou em seu núcleo e você vai notar que todas elas escolhem falar “open source” ou código aberto e raramente “free software” ou software livre. Open source é muito fácil de adotar porque elas costumam preferir licenças permissivas como MIT e BSD em vez de licenças restritivas como GPL e AGPL. O movimento open source meio que “matou” o software livre. E como pra maioria da população, incluindo a maioria dos desenvolvedores que nunca vão estudar sobre isso; open source e software livre são parecidos o suficiente pra passar batido.</p>
<p>Podem dar uma olhada nas suas empresas favoritas e quais projetos abriram e quais são as licenças. A licença do Go? É similar a um BSD. A licença do V8 que é o coração do seu Javascript? É similar a um BSD. A licença do React? É MIT. A licença do novo Terminal do Windows que roda Bash? É MIT. A licença do VS Code? É MIT. Eu poderia apostar que a maioria das coisas que você usa no seu dia a dia, tirando o Linux, não é GPL. Ou seja, não é software livre, é só open source. Então todo mundo começou a adotar open source sem pensar muito e achando que é tudo a mesma coisa. Mas qual a importância dessa diferença?</p>
<p>Pense na Amazon Web Services ou AWS. E pra não ser injusto pense também no Google Cloud ou Microsoft Azure. Use qualquer um dos produtos deles, seja AWS Lambda, seja Google App Engine, seja Azure Machine Learning. Você nunca mais vai sair deles. Porque as alternativas são todas incompatíveis e uma vez que seu negócio estiver rodando em alguma delas, você está preso. Pelo próprio tamanho, escopo e complexidade, é praticamente impossível ter opções de código aberto que você poderia rodar no seu próprio servidor. E o modelo de negócio de vender assinaturas em vez de licenças tornou tudo tão mais barato e acessível, que você sequer conseguiria manter algo similar a um custo equivalente. Esse é o poder da adoção em massa num período de abundância econômica.</p>
<p>Antigamente a gente se preocupava que se todo mundo continuasse a usar Office, todos os documentos do mundo um dia poderiam ficar ilegíveis se o Office sumisse, ou se decidíssemos que não queríamos mais pagar a Microsoft e sim outra alternativa. Era um caminho sem volta. Deu um trabalhão e pressão de governos pra fazer a Microsoft criar um formato aberto que são os atuais DOCX e XLSX pra Word e Excel por exemplo. O antigo formato DOC e XLS eram binários fechados e sem documentação. As versões novas são basicamente arquivos XML abertos compactados num zip. Levou anos pra conseguir isso e hoje em dia ninguém mais dá a mínima porque edita dentro do Google Docs e ninguém sabe internamente que formato que eles usam. Como ele exporta em formatos conhecidos a gente não liga tanto. Pior, a gente não baixa e guarda os arquivos na própria máquina, todo mundo se acostumou a confiar no servidor do Google como mais seguro. Como foi que começamos a abrir mão das nossas propriedades assim?</p>
<p>A resposta é simples: nós somos baratos. Eu não lembro mais a fonte mas eu acho que o case de marketing que me contaram era assim. Cervejarias de diversas marcas precisam competir pra serem escolhidas pelo consumidor. Não lembro se foi a Heineken que teve a boa idéia de distribuir cerveja grátis ou muito mais barato pras fraternidades de faculdades, pras cervejadas e festas de estudantes. Óbvio, se todo mundo aprende a tomar Heineken na faculdade, as chances de continuarem a tomar Heineken quando se formarem e entrarem na vida adulta aumenta muito.</p>
<p>Toda empresa que pode faz isso. Sempre que você vê uma grande marca patrocinando eventos em faculdades, dando descontos generosos nos seus produtos, custeando salas de computador e material de aprendizado, não é porque eles são bonzinhos. Eles estão competindo pela sua fidelidade exatamente na época onde estudantes são facilmente compráveis com um coffee break barato em evento e algumas camisetas e stickers. É muito barato comprar a fidelidade de estudantes. E como funciona! Não faz sentido na minha cabeça ser fã de empresas. Eu pago pelos produtos, e pronto, eu não sou outdoor ambulante pra ficar carregando a marca delas de graça, ou em troca de um brinde.</p>
<p>Se parece um exagero, vamos olhar a AWS. A comunidade de desenvolvimento em geral parece gostar bastante dela, afinal a grande maioria das tech startups e produtos web escolhem ela como primeira opção. Afinal ela oferece suporte de muitos produtos open source que você quer usar como o MySQL ou Postgres no produto RDS ou o ElastiCache que implementa Memcached e Redis. Em dezembro teve o evento deles, o AWS re:Invent onde muita gente comemorou que eles vão começar a oferecer o NoSQL Cassandra como opção gerenciada, o que deve aumentar adoção do Cassandra por mais gente. Note que toda propaganda da AWS sempre faz menção de como eles gostam de contribuir com o mundo open source. E se eu parar aqui, realmente parece que é isso mesmo.</p>
<p>Vamos aos fatos. Segundo o blog post da RedisLabs, que é a mantenedora do Redis e que já tiveram vários problemas com a AWS, novamente, o que a propaganda diz não é a realidade. Pra começar a AWS não está oferecendo o Cassandra. Na verdade é só uma camada de compatibilidade. Eles vão oferecer uma API compatível com o Cassandra mas que internamente vai falar com o produto DynamoDB que eles já oferecem faz anos. Segundo a equipe do ScyllaDB que é uma implementação aberta de Cassandra em C++ esse produto da AWS não vai oferecer coisas essenciais a usuários de Cassandra como suporte multi-região, não vai ter UDT, não vai ter alter table, não vai ter counters, não vai ter views materializadas, não vai ter como carregar SSTables diretamente. É uma versão simplificada que “parece” Cassandra mas na verdade é o DynamoDB por baixo.</p>
<p>É como se no ano 2000 a Microsoft falasse que está lançando o MySQL. Só que por baixo dos panos na verdade é uma versão frankenstein do MySQL que recebe os comandos compatíveis de MySQL e só traduz pro SQL Server que é quem de fato vai estar rodando. A AWS está fazendo exatamente isso: um frankenstein do Cassandra pra receber os comandos, por exemplo tudo da API CQL e vai mandar pro DynamoDB. Os preços inclusive são basicamente do DynamoDB só que 16% mais caros pra ter essa camada por cima. E por isso não tem como ter todas as funcionalidades do Cassandra de verdade.</p>
<p>E essa não é a primeira vez, eu disse que o povo da RedisLabs tem problemas com a AWS porque o produto ElastiCache que suporta Redis, como o nome diz, é voltado primariamente pra ser só um cache, e não inclui suporte a funcionalidades chave que tornam o Redis viável pra ser um broker persistente de mensagens ou mesmo um banco de dados primário. Do ponto de vista da AWS se você precisa de mensageria ou suporte a pubsub deveria estar usando SQS ou SNS e se quer um banco de dados primário deveria usar o DynamoDB ou RDS. O Redis é bem mais do que a AWS oferece no ElastiCache.</p>
<p>A mesma coisa acontece com o MongoDB da AWS. O MySQL da AWS se não me engano também não é o mesmo MySQL que você instala no seu Linux, é uma modificação interna que eles não abrem o código. E ao fazer isso, a Amazon divide as comunidades em duas: as que optam pela versão completa e realmente aberta e as que se acomodam às limitações dos produtos da AWS. É literalmente uma apropriação: agora que todo mundo gosta do Redis, vamos nos apropriar do nome Redis mas oferecer um produto inferior mas que pelo menos é mais conveniente de usar pra maioria das pessoas, já que a maioria sequer sabe a diferença.</p>
<p>Por menos que isso a Microsoft foi julgada como inimigo 20 anos atrás. E eu nem estou defendendo que eles deixaram de ser, só aprenderam a se marketar melhor. Porém, quando foi a última vez que você ouviu qualquer coisa negativa assim da AWS? Pois é. Esse é o resultado de um marketing muito bem trabalhado pela Amazon. Eles tem muito mais fãs do que detratores. E o mais interessante é que ela é bem vista como amiga do mundo de software livre.</p>
<p>Se não ficou claro ainda, deixa eu desenhar: a AWS de hoje é a Microsoft dos anos 90. É a mesma tática, só que executada com muito mais finésse e pzazz. E isso não é uma exclusividade da Amazon. Você vai encontrar exemplos similares de todas as empresas que você é fã, seja Google, Facebook, Apple. E todos eles fizeram a lição de casa. Por exemplo, eles tem dezenas de programadores influencers como MVPs, evangelists, advocates ou seja lá qual é o título hoje em dia. Estão todos nas folhas de pagamentos deles. São todos recursos de marketing, não do desenvolvimento core de verdade. Eles patrocinam eventos e distribuem brindes em todos os lugares. Sempre que podem repetem como o mundo open source é importante e como eles apoiam. E com isso dobraram a opinião pública e hoje são os heróis do software livre. Richard Stallman e Eben Moglen estão se revirando em seus caixões.</p>
<p>Com tudo isso que eu disse, pode parecer que eu sou um defensor do software livre. Mas eu não sou não, nunca fui e não tenho vocação pra ser. Eu sou pragmático, eu me adapto às limitações de cada era. Eu nunca usei Linux porque queria participar do movimento de software livre. Eu sempre usei open source porque me interesso por tecnologia tanto em plataformas abertas quanto fechadas. Mas eu não posso evitar e dar risada se você se considera um defensor do software livre e diz isso vestindo uma camiseta da Amazon ou do Google. Seu preço é um brinde de evento, você é uma propaganda ambulante que custa barato e ainda não entendeu como as coisas funcionam.</p>
<p>Agora, falando de forma pragmática. Eu tiraria proveito desse momento. Como eu já venho repetindo em todos os meus vídeos, estamos num período da abundância. E goste disso ou não, essas empresas estão no topo do jogo. Se você tem ideologia de software livre e não gostou do que acabou de descobrir sobre a AWS, não seja ingênuo de achar que Google Cloud ou Microsoft Azure ou qualquer outro são diferentes. Digamos que você use Google AppEngine e você acha que é o super defensor do mundo de software livre porque programa em Python. Só que sua aplicação usa o DataStore do Google, que é um software proprietário e fechado. Pois é. Essa é a realidade.</p>
<p>Eu sinto um pouco de pena por quem é defensor de software livre, ou mesmo de quem é defensor da liberdade em geral, porque o voto da maioria dos programadores foi abrir mão da liberdade por conveniência. Antigamente o mantra era que o conhecimento e a informação querem ser livres. Mas acho que as pessoas em geral não fazem tanta questão assim disso. Independente de qual lado desses movimentos você está, a importância de ter contato com software livre também é entender como as coisas funcionam no mundo real. Em particular eu gosto da parte jurídica disso. E o tema que você precisa entender é copyright e propriedade intelectual.</p>
<p>Nunca, em hipótese alguma, use um código que você achou num GitHub da vida que não tem nenhuma licença ou copyright. É pedir pra ter problemas jurídicos depois. Se você desenvolve produtos web e o que eu falei até agora foi novidade, reveja todas as dependências que você usa e garanta que não existe código AGPL misturado. Se você desenvolve produtos mobile e distribui os binários, veja se não está usando alguma dependência GPL. GPL e AGPL são licenças virais, eu expliquei isso no video da Apple e GPL. Todo código que toca neles se torna automaticamente GPL ou AGPL e sua obrigação é abrir todo o código que você escreveu. Não existe nenhum problema em usar GPL ou AGPL, eu até acho que muitos casos deveriam usar, mas não se meta com licenças se você ainda não estudou como elas funcionam.</p>
<p>Na dúvida, a recomendação costuma ser pra escolher licenças permissivas como MIT ou BSD. Toda vez que você cria um repositório no GitHub ele te lembra pra você escolher uma licença. Quando falamos em liberdade você precisa entender o seguinte: licenças restritivas como GPL ou AGPL promovem o software livre, ou seja, estamos garantindo a liberdade do software e protegendo os usuários, mas restringindo a liberdade dos desenvolvedores. Licenças permissivas como MIT ou BSD estão promovendo a liberdade dos programadores e das empresas, mas não necessariamente do software e nem dos usuários. Ou seja, se você desenvolve um produto usando software com licença BSD, você não é obrigado a abrir o código que fez, você faz o que quiser, pode inclusive comercializar e nunca abrir o código. Você tem liberdade de escolher o que fazer. Entenderam?</p>
<p>Tirando a parte ideológica e filosófica, software livre e open source são um pequeno caso de leis de copyright e propriedade intelectual. Eu não tenho treinamento jurídico nisso portanto tudo que eu disser a respeito, não considerem como conselhos legais, mesmo porque eu nem posso advogar nada. De qualquer forma é um assunto muito interessante especialmente se você se considera criador de conteúdo. Só porque você pode baixar e editar algum código, não quer dizer que você tem licença vender. É a mesma coisa com código e qualquer outro produto de criação como video, áudio, imagens e tudo mais. Se você encontra na internet talvez só tenha licença pra ver, mas não pra usar. E se usar, você não pode declarar ignorância da lei. Ser ignorante da lei não o torna isento da lei, isso vale pra qualquer coisa.</p>
<p>Em resumo super resumido, copyright é literalmente o que o nome diz, o direito de cópia. E a única pessoa que tem o direito de cópia sobre uma criação é o próprio criador. Esse direito é automático. Propriedade Intelectual é bem mais complicado e depende de pesquisa pra garantir que não havia obra igual ou similar já registrada antes. Licenças de software como a GPL foram chamadas de copyleft. Na realidade é um copyright onde o criador dá a licença de uso e modificação da criação se a pessoa obedecer as restrições da licença, que são as quatro liberdades que eu disse logo no começo do video. GPL é uma subversão do copyright, na prática é uma licença que restringe o uso, por isso chamamos de restritivas.</p>
<p>Em coisas fora de software, como este video, eu só posso usar coisas que eu comprei a licença. Por exemplo, a vinheta de entrada eu comprei. As músicas que eu uso em todos os vídeos são licenciadas pelo site Epidemic Sound. E nos casos onde eu uso pequenos trechos de músicas de filmes por exemplo, eu tento ao máximo estar próximo do que se chama de Fair Use. Essa parte da lei é a complicada, que é o limite de até onde você pode usar a criação de outra pessoa de forma que não entre em conflito com seu copyright. Um exemplo simples era antigamente que a gente fazia mix tapes, ou fitas cassetes com nossas músicas favoritas pra ouvir no carro. Se eu tinha a fita ou CD original comprado, eu tinha direito sob o Fair Use de fazer uma cópia pessoal para uso pessoal. No minuto que eu vendo a fita, aí eu infringi a lei, e vira pirataria. Se você assina um Spotify hoje, você concordou com os termos da assinatura, e você só tem a licença pra ouvir a música, mas não pode baixar e ouvir fora do Spotify. Muito menos usar as músicas inteiras ou mesmo trechos dela. E você não pode reclamar, a conveniência de pagar mais barato é que você abriu mão do fair use.</p>
<p>Na dúvida: não copie o que não é seu. Pra todo o resto, consulte um advogado especializado em propriedade intelectual. E já aviso que muitos vendem bullshit, então tomem cuidado e exercitem o pensamento crítico. Muita gente que quer empreender tem essas dúvida quanto ao software que estão desenvolvendo. Alguns acham que precisam registrar esse software. Mas isso é um dos bullshits: seu software nunca vai estar finalizado, você vai mudar ele o tempo todo. E provavelmente é um produto web as a service, que nunca vai ser exposto.</p>
<p>Digamos que alguém copie seu software e lance um concorrente de alguma forma. Essa é outra preocupação. Mas minha resposta pra isso é simples: se seu produto é tão frágil que só de copiar o código qualquer um consegue lançar um concorrente melhor, eu diria que sua empresa está muito mal montada. A marca, a operação, a comunicação, a reputação e tudo mais fazem o produto e não só o código. O código é só uma pequena parte de uma empresa de produto. Se seu negócio vai pros ares no segundo que alguém lança um concorrente, eu questionaria a necessidade da sua empresa existir.</p>
<p>Registrar seu software não vai servir pra muita coisa. Se você teve uma idéia realmente original, de novo, consulte um advogado e consiga uma patente. Agora, copyright, propriedade intelectual, patentes, não são coisas que se enforçam sozinhas também. É obrigação do detentor da propriedade de proteger sua própria propriedade, então se alguém infringir sua propriedade você deve acionar seu advogado pra começar os procedimentos legais. Mas isso não é barato, é extremamente caro na realidade, estamos falando de centenas de milhares de reais pra mais. A hora de advogado é muito caro, e se você perder você arca com os custos do outro lado também. Portanto não é algo que você vai usar tão cedo. De curiosidade eu recomendo dar uma olhada num caso recente da Jukin Media vs MxR que é explicado num canal que eu gosto bastante que é o Legal Eagle onde um advogado de verdade discute um caso de disputa de copyrights do ponto de vista legal e não do seu ponto de vista do que você acha que é certo ou não.</p>
<p>A discussão sobre propriedade e copyright é a parte mais cabeluda e não existe um consenso. Depende do caso. A legislação varia de país pra país e se quiser ter segurança sobre o assunto, consulte um advogado. Mas em princípio existem os que acreditam que tudo que alguém cria deveria ser domínio público e os que acreditam que tudo que alguém cria é propriedade do criador. Eu pessoalmente sou do segundo campo, tudo que você cria é automaticamente seu. Daí você tem a escolha do que fazer, se você acha que quer deixar os outros usarem, então é seu direito conceder a licença de uso. Do lado de quem usa também, se você aceitou o trabalho de alguém, você tem obrigação de seguir a licença que foi anexada nela. Esse é o protocolo.</p>
<p>Isso tudo dito. Por que uma empresa abriria seu código como software livre ou open source? Dezenas de motivos e dezenas de estratégias. Mas mais importante, só porque você abriu o código não tem nenhuma garantia que alguém vai adotar. Muita gente pensa que abrir o código automaticamente vai trazer gente pra colaborar. Eu diria que se você está aqui se perguntando isso, provavelmente é porque não deveria tentar ainda. Vá estudar primeiro e participar de projetos que já existem pra entender como funciona. Pare de ver videos ou blog posts pra achar essa resposta. Não é barato manter o software aberto. Alguém precisa manter esse projeto ativo, responder dúvidas, orientar os possíveis voluntários, avaliar as contribuições o mais rápido quanto possível, manter o software estável pra quem está usando, manter canais de comunicação ativos e assim por diante. Repito, não é de graça manter um projeto open source.</p>
<p>Depois que sua empresa já estiver inserida em projetos abertos, tiver prática, entender a cultura e as licenças, é possível sim fazer bastante coisa. Um dos exemplos mais simples são projetos com licença dupla. Sim, você pode ter uma licença aberta e outra licença fechada. Um exemplo é o próprio MySQL. O conceito é simples, se seu software já tem sucesso você pode abrir ela com licença GPL, dessa forma você garante que outra empresa não pode copiar seu código e lançar uma versão própria fechada. Se outra empresa modificar o código, ela tem obrigação de soltar essa modificação ou ela vai estar infringindo a licença. Mas se uma empresa precisa fazer isso, ela tem a opção de te contatar pra comprar sua licença proprietária que dá o direito dela modificar o produto internamente e não liberar o código. É um modelo de negócio. Se ela é efetiva ou não, depende do negócio e, de novo, consulte seu advogado.</p>
<p>Você enquanto desenvolvedor, porque contribuir em projetos open source? Primeiro, porque você tem um problema com o software que você usa e quer ver consertado ou você quer uma funcionalidade que a comunidade não parece interessada em fazer. A idéia toda de open source é que você coce sua própria coceira. A postura da maioria dos desenvolvedores é ser bem folgado, povo só posta “ow, e aí, quando vocês vão fazer a funcionalidade lá que eu pedi 2 meses atrás?” Folgado pra caramba. Povo que mantém os projetos tem que ser super paciente, porque se fosse eu já respondia “eu vou fazer a hora que você me pagar, folgado”. Se você é desenvolvedor e nem você que precisa da funcionalidade se deu ao trabalho de tentar implementar, porque outra pessoa vai fazer pra você de graça? Se liga, é assim que você começa com o pé esquerdo.</p>
<p>A idéia de trabalho voluntário em projetos abertos parece algo estranho, mas não é tanto assim. Pra começar é uma base de treinamento. Você que é iniciante, você acha que já é o pica das galáxias, que manja do código? Eis um excelente lugar pra provar isso. Resolva um problema seu e ao mesmo tempo demonstre suas capacidades com código. Tem gente que acha que só deve escrever uma linha de código se é pago pra isso. Eu questiono se esse tipo de pessoa realmente gosta de programar, e se for esse o caso, eu não vejo crescendo como programador. Um bom programador escreveria código sozinho, sem ninguém ver, só pelo prazer ou vontade de programar, independente se alguém fosse ver ou não.</p>
<p>Mais do que isso, antigamente a gente não tinha referências pra saber o que é considerado um código bem feito ou mal feito, em que velocidade certos códigos são feitos, as diferentes alternativas de código pra resolver o mesmo problema. Você tem à sua disposição hoje, milhares de projetos abertos, gratuitamente disponíveis, que você pode fuçar quanto quiser. Mesmo se não tiver vontade de contribuir, eu fico pasmo que poucos iniciantes estão baixando esses códigos e estudando. Toda nova biblioteca ou programa útil que aparece, se me interessa eu baixo o código e vou olhar como foi implementado essa ou aquela função que me interessa e sempre me dá algum insight de “ahhh, dá pra fazer assim!” e isso vai se aculumando ao longo dos anos.</p>
<p>Eu mesmo fiz poucas contribuições em projetos open source. Quando eu tava na faculdade, quando eu ainda era um programador júnior, eu não era o melhor programador. E era bem difícil de contribuir em projetos abertos naquela época. Se você viu meus vídeos de Git eu expliquei porque. Foi só depois de 2008, ou seja, quase 20 anos depois que eu comecei a aprender a programar, que contribuir em projetos open source se tornou fácil como é hoje. Eu teria sido um programador muito melhor se desde o começo eu tivesse conseguido contribuir e criado essa rotina.</p>
<p>Mas tanto empresas quanto programadores, a intenção deste vídeo foi colocar suas expectativas em dia. Open source não é mágica. Só porque você abriu seu código, não quer dizer que alguém vai se interessar por ele. Na verdade é até uma boa se quiser testar, você abre seu código e vê que zero pessoas se interessaram. É uma boa evidência que esse código que você achava legal na verdade não tem tanta serventia pras pessoas, ou você que é muito ruim de comunicar os benefícios. De qualquer forma é um feedback útil. Mesma coisa se for um desenvolvedor, se suas contribuições que você achava que eram boas forem rejeitadas, é um bom feedback pra melhorar. E é isso que a maioria das pessoas precisam de qualquer forma: feedback. É como se você tivesse programadores sêniors do seu lado apontando seus erros. Só isso já tem muito valor. Por isso que apesar do trabalho ser voluntário, estão existindo trocas entre você, o projeto e os outros colaboradores. Isso não é caridade, são trocas voluntárias pra mútuo benefício.</p>
<p>Além disso, da mesma forma que você escolhe entrar, qualquer hora pode escolher sair. Jamais pense que alguém te deve alguma coisa só porque você fez uma contribuição. É outro bom exercício pra entender o valor das coisas. Você contribuiu pra coçar uma coceira sua. Se outra pessoa se beneficiou disso, bom pra ela, mas isso foi o efeito colateral. Se outra pessoa fez melhor uso da sua contribuição do que você mesmo, melhor ainda pra ela, e bom aprendizado pra você também. Não existe mérito automático, mérito é algo que você conquista, nunca vai ser dado pra você independente da quantidade de esforço que você fez.</p>
<p>Enfim, o mundo de software livre não é tão ideológico como você poderia imaginar no começo. As grandes empresas já entenderam como formular estratégias onde eles podem alocar projetos open source como bons canais de marketing e de contratação de talentos. E isso não é uma coisa totalmente ruim, basta que você como desenvolvedor não fique perdendo tempo sendo fanboy de empresa e use o que está disponível como material grátis pra sua própria evolução. Essa é a única coisa que interessa pra um programador. Os brindes são inúteis, mas os códigos, sejam eles abertos via licenças permissivas ou via licenças restritivas, são códigos úteis. Pode ser que esse mundo abundante suma amanhã, então aproveite enquanto ela existe.</p>
<p>Eu já ouvi muita gente reclamar que mora em lugares afastados, cidades pequenas, que sequer tem empresas ao redor onde elas podem começar a trabalhar. Em muitos casos, projetos open source podem ser a única fonte de conhecimento e contato com outros programadores. E mais, você tem a oportunidade de fazer código e receber feedback desse código. Se o feedback for negativo, você finalmente sabe no que precisa melhorar. Em vez de pensar mesquinharias de “ah, mas eu vou estar trabalhando de graça” eu pensaria diferente “puxa, eu estou recebendo feedback de graça”. E com o tempo, se você se dedicar de verdade, é possível montar um bom portfolio de contribuições em projetos relevantes que chamem a atenção de outras empresas procurando alguém como você. E por hoje vamos ficando por aqui, se ficaram com dúvidas mandem nos comentários abaixo, se curtiram o video mandem um joinha, assinem o canal, não deixem de clicar no sininho pra não perder os próximos episódios e ajudem o canal compartilhando o video com seus amigos. Este mês vai ter menos vídeos porque vou passar as próximas semanas nos Estados Unidos, então a gente se vê na minha volta. Até mais.</p>
]]></content:encoded><category>open-source</category><category>leis-e-regulacao</category><category>negocios</category><category>akitando</category></item><item><title>[Akitando] #53 - 10 Mitos sobre Tech Startups | Parte 2 [Rated R]</title><link>https://akitaonrails.github.io/2019/07/02/akitando-53-10-mitos-sobre-tech-startups-parte-2-rated-r/</link><guid isPermaLink="true">https://akitaonrails.github.io/2019/07/02/akitando-53-10-mitos-sobre-tech-startups-parte-2-rated-r/</guid><pubDate>Tue, 02 Jul 2019 17:00:00 -0300</pubDate><description>&lt;div class="embed-container"&gt;
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&lt;p&gt;Nesta segunda e última parte do tema &amp;ldquo;10 Mitos de Tech Startups&amp;rdquo; eu vou pegar mais pesado em porque você insiste em ser enganado o tempo todo por fake-celebridades de empreendorismo de palco e o que você realmente deveria estar pensando se seu objetivo é realmente abrir uma empresa ou ajudar o mundo. Dica: não é em eventinho de startup.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;E o episódio de hoje é RATED R de novo porque eu acho que vai doer em muito floquinho. Se for frágil, pegue seus sais antes de assistir. Mas assista!&lt;/p&gt;</description><content:encoded><![CDATA[

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<p>Nesta segunda e última parte do tema &ldquo;10 Mitos de Tech Startups&rdquo; eu vou pegar mais pesado em porque você insiste em ser enganado o tempo todo por fake-celebridades de empreendorismo de palco e o que você realmente deveria estar pensando se seu objetivo é realmente abrir uma empresa ou ajudar o mundo. Dica: não é em eventinho de startup.</p>
<p>E o episódio de hoje é RATED R de novo porque eu acho que vai doer em muito floquinho. Se for frágil, pegue seus sais antes de assistir. Mas assista!</p>
<p>Links:</p>
<ul>
<li>
<p>10 Mitos de Tech Startups | PARTE 1 (<a href="https://www.youtube.com/watch?v=jkHnPxsiyGk"target="_blank" rel="noopener">https://www.youtube.com/watch?v=jkHnPxsiyGk</a>)</p>
</li>
<li>
<p>Somos Matematicamente Ignorantes (<a href="http://www.akitaonrails.com/2008/03/01/off-topic-somos-matematicamente-ignorantes"target="_blank" rel="noopener">http://www.akitaonrails.com/2008/03/01/off-topic-somos-matematicamente-ignorantes</a>)</p>
</li>
<li>
<p>Skeptical Inquirer - Coincidence: Remarkable or Random? (<a href="https://skepticalinquirer.org/1998/09/coincidences_remarkable_or_random/"target="_blank" rel="noopener">https://skepticalinquirer.org/1998/09/coincidences_remarkable_or_random/</a>)</p>
</li>
<li>
<p>Mary Gates, 64; Helped Her Son Start Microsoft (<a href="https://www.nytimes.com/1994/06/11/obituaries/mary-gates-64-helped-her-son-start-microsoft.html"target="_blank" rel="noopener">https://www.nytimes.com/1994/06/11/obituaries/mary-gates-64-helped-her-son-start-microsoft.html</a>)</p>
</li>
</ul>
<p>=== Script</p>
<p>Olá pessoal, Fabio Akita</p>
<p>Caramba eu tô bem contente com a repercussão dos meus últimos vídeos, em particular meu rant em Esqueça Metodologias “Ágeis” onde eu explico como as consultorias e coaches ágeis destruíram a essência do verdadeiro ágil. Até semana passada eu tinha pouco mais de 9 mil inscritos e meus vídeos raramente batem 5 mil views, ficando na média dos 3 mil a 4 mil, que não é ruim, pois quer dizer que pelo menos metade dos inscritos assiste os vídeos.</p>
<p>Esse vídeo até o dia da gravação de hoje - que costuma ser 2 dias antes de eu lançar - já bateu mais de 15 mil views, ele sozinho trouxe mais de 2 mil novos inscritos, e o canal finalmente alcançou os 10 mil inscritos e rapidamente querendo já passar os 11 mil inscritos. Muito obrigado a todos vocês, e eu só posso concluir que vocês gostam mesmo de tretas. Eu sei, eu sei. Se vocês gostaram daquele vídeo este talvez seja mais uma boa munição pra compartilhar com seus algozes.</p>
<p>O episódio de hoje é a segunda parte dos 10 mitos de startups que eu comecei na semana passada. Na primeira parte eu falei dos primeiros 5 mitos e hoje vamos falar dos outros 5 que coincidentemente são os que eu gosto mais. Se ainda não viu a primeira parte, veja o link nas descrições e assista antes de continuar. Vamos lá, eu espero ….    Pronto, já assistiu? Então vamos continuar.</p>
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<p>Vamos lá. O mito 6 é outra coisa que você ouve muito falar no mercado de TI e em particular no mercado de startups e empreendedorismo. Acho que é o dilema de todo jovem ansioso, e nem posso dizer que está totalmente errado. Mas alguns motivos são piores do que outros. Você não tem tempo pra perder, então larga a faculdade. E um dos argumentos pra isso é a velha falácia de olhar pras grandes exceções da história como Steve Jobs, Bill Gates ou Mark Zuckerberg, bilionários que largaram suas faculdades. Se na sua cabeça isso parece um bom argumento, pára tudo e vai se tratar.</p>
<p>Vamos começar contando as coisas que você provavelmente não sabe. Um Bill Gates, por exemplo, ele já tinha se associado a Paul Allen e fundado a Microsoft “antes” de largar Harvard. O Zuckerberg já tinha feito primeiro o Facemesh e depois o The Facebook antes de abandonar Harvard. Tirando Steve Jobs, tanto Gates quanto Zuckerberg vem de famílias ricas, eles tinham condições, muitas condições. Porra, eles tavam em Harvard! Não era na faculdade EAD da esquina, era Harvard!</p>
<p>E falando em correlações, na verdade existe uma correlação muito maior e mais significativa entre quem ocupa os melhores e mais influentes cargos dos Estados Unidos, como juízes federais, senadores, CEOs de Fortune 500, os homens e mulheres mais poderosos segundo a Forbes, e a grande maioria deles se formou nas principais universidades de elite dos Estados Unidos, como Harvard. A faixa não formada é quase insignificante nesses gráficos.</p>
<p>Vou falar de networking depois mas o verdadeiro networking começa na faculdade e nos primeiros empregos. Com as pessoas de igual talento ou talento superior ao seu, com os quais você teve a oportunidade de trabalhar lado a lado por longos períodos de tempo. Onde essas pessoas tiveram tempo pra avaliar quem você é de verdade, se é honesto, se realmente entrega o que promete, se é melhor do que os outros ao redor. Principalmente, se você é realmente confiável. Nada disso vem de uma pequena conversa em evento de startup. Essas coisas só surgem de relacionamentos de longo prazo, e o melhor lugar pra começar isso é nas melhores universidades que você puder entrar. Se fosse só o conteúdo você podia só estudar o mesmo currículo que se estuda em Harvard e ser a mesma coisa. Mas não é só isso, você não vai ter esses relacionamentos num EAD. Esse é o real valor de um Harvard.</p>
<p>Como eu já expliquei em vídeos anteriores, o treinamento deliberado faz toda a diferença. Assim como Mozart começou a ser treinado na infância, também foi a mesma coisa com Bill Gates, que vindo de família rica teve acesso a tecnologia e networking desde a infância. A Microsoft não foi a primeira parceria entre Gates e Allen. Como prodígios da computação no Colégio Lakeside, aos 13 anos, eles escreveram um programa de folha de pagamentos para uma empresa chamada Information Sciences Inc. Logo depois, eles tiveram a idéia de melhorar o processo de medir fluxo do tráfego de veículos. No formato existente, um tubo sensível à pressão perfurava uma sequência numa fita de papel sempre que um carro passava, com os resultados depois transcritos para cartões perfurados de computador. Depois de juntar 360 dólares pra um microprocessador, Gates e Allen desenvolveram seu computador “Traf-O-Data” para ler e analisar as fitas de papel. Embora isso funcionasse, eles entenderam que sabiam mais sobre construir esse tipo de máquina do que vender. Allen então aponta essa experiência como uma lição importante sobre o valor de um business model.</p>
<p>Já que mencionei business model, o mito número 7 é pra rebater outra coisa que muito amador ainda acha importante: ficar gastando tempo, dias, semanas, meses desenhando slides bonitos de powerpoint e chamando isso de Business Plan.</p>
<p>Um business model é a descrição do seu negócio, suas capacidades, seus produtos e serviços, seu formato de distribuição, seu modelo de custos, suas parcerias, sua infraestrutura, enfim, tudo que define seu negócio. Um business plan é seu plano de ataque, como você cresce seu business model em um negócio de verdade, seus objetivos, sua missão e seus valores, quem é sua concorrência, sua estratégia financeira, sua estratégia de marketing, sua estratégia de trabalho.</p>
<p>Tudo isso é importante. Mas nada disso você desenha no dia 1 e segue como um passo a passo pelos próximos meses ou anos. Tanto o business model quanto o business plan são temporários, meros rascunhos. Na prática eu diria que se você precisa demais de um business plan, você não sabe o que está fazendo e nem devia estar começando. Especialmente numa pequena empresa, essas coisas não tem quase nenhum valor. O único que consegue desenhar um business plan de verdade, que faz sentido, é quem já lidou com várias empresas antes, daí você basicamente escreve o que você já sabe por experiência. Quem não sabe, não vai descobrir desenhando um plano teórico. O plano só reflete a experiência atual do empreendedor, se for seu primeiro negócio, garantidamente seu business plan é uma droga. Simples assim.</p>
<p>Quem viu meus videos anteriores já sabe: eu já disse que programador é uma profissão de prática, e os primeiros códigos serão uma droga. Isso é normal. Eles ficam melhores com treino deliberado. Empreendedor é a mesma coisa: é uma profissão de prática. Não interessa se você fez MBA ou qualquer coisa desse tipo: seu primeiro business plan vai ser uma droga. Empreender é muito tentativa e erro. Portanto, não importa se você gastou 1 semana ou 1 mês desenhando esse plano, ele não vai ficar melhor só porque você ficou refinando cor de slide e tamanho de fonte mais 1 semana ou 2. E quando eu digo uma droga, não estou dizendo que só vai ter bobagens escritas nos slides.</p>
<p>Pelo contrário: se você se dedicar vai ter muita coisa correta que você vai copiar de diversos livros sobre administração ou coisas assim, só que você nunca praticou nada do que está escrevendo. Pra você vai ser só um monte de jargões, tudo teoria. É como se em vez de um business plan você estivesse escrevendo uma rotina de treinos pra se tornar campeão olímpico. Só que você nunca nem subiu numa esteira sua vida inteira. Você acha que interessa qualquer coisa que você pode escrever numa rotina de treinos teórica? Sério: você nunca fez uma flexão na vida e acha que escrever sobre ser campeão olímpico te deixa um passo mais próximo de ser mesmo? Cai na real.</p>
<p>Muita gente até hoje ainda fica obcecado em fazer business plan porque é isso que muitos livros e palestras de empreendedorismo dizem pra fazer. É isso que muitos programas de incubação e aceleração mandam fazer. É isso que muitos coaches ou mentores mandam fazer. E se for esse o caso, isso é bullshit. Mais bullshit ainda é o objetivo de porque muitos gastam tempo fazendo isso: pra conseguir funding.</p>
<p>Na cabeça idiota de empreendedor wannabe que acredita em conto de fada é que se você fizer o melhor e mais bonito business plan, com o melhor e mais bem treinado sales pitch, que você apresenta impecavelmente em evento de startup na frente de uma banca de VCs e investidores de seed money, então você tem grandes chances de conseguir funding. E com esse funding você finalmente vai conseguir executar sua ideia e criar sua startup.</p>
<p>Tá errado. Tá tudo errado. Vou te dizer como um investidor pensa: se a única coisa que você tem pra mostrar é um punhado de slides de powerpoint, seu valor é zero. Não importa o que tem nos slides. A menos que você me diga que nesses slides tem alguma coisa como o segredo pra curar cancer, qualquer outra coisa, não importa o que seja, é lixo por padrão. Ponto final, é isso que o investidor pensa, não importa o que ele te diga. E ele não está errado!</p>
<p>Pra começar, um investidor precisa ver alguma coisa funcionando. Portanto, faz aí seu business plan, executa aí esse business plan, e com um resultado palpável em mãos, daí vá procurar funding, que talvez você precise pra expandir seu negócio. Mas o negócio precisa existir primeiro. Muita gente quer ganhar funding pra poder largar o emprego e ter uma outra fonte de renda, ou seja, salário,  enquanto executa seu business plan. Isso é bullshit. Se nem você acredita em você mesmo o suficiente pra arriscar seu próprio dinheiro e tempo na sua própria ideia, porque você acha que um investidor vai arriscar um real dele ou um segundo do tempo dele em você?</p>
<p>Várias vezes eu já encontrei esses fake empreendedores, são todos sempre um saco. Eles me aparecem com um business plan ou mesmo só um sales pitch e falam que precisam de alguém pra programar, mas obviamente não querem pagar nada. E tem a audácia de me oferecer alguma coisa ridícula como 10% ou menos do negócio. Bullshit. Na minha empresa a gente responde: ok, eu quero 90% do negócio então. Daí o cara fica indignado dizendo que a idéia é dele e tals. E eu digo, foda-se a idéia, ela não vale dick shit até eu ou alguém executar ela pra você. Se eu que vou realmente trabalhar e construir essa idéia toda do zero, gastando meu tempo e dinheiro, e você vai ficar aí coçando o saco enquanto isso - porque é exatamente o que você vai fazer -, então minha parte vale 100%, e eu ainda tô sendo legal de ter deixar com 10%. Lógico, pára e pensa se essa não é a única resposta que faz sentido a menos que eu goste de jogar dinheiro fora?</p>
<p>Mas e as premiações em competição de apresentação de startup? Os cheques de 100 mil reais? Isso se chama entretenimento. 100 mil reais não é nada, nada. Faça as contas. Digamos que você precisa de 3 bons programadores, e digamos que você pague 5 mil reais pra cada um. Por 3 meses, só em programadores, você já gastou metade desse tal prêmio. Em 3 a 6 meses você vai estar no mínimo faturando 100 mil? Porque se não estiver, pra que você ficou feliz de ganhar 100 mil? Quem está jogando o jogo do entretenimento não vai de fato produzir nada com esses 100 mil, só gastar em aumentar sua própria imagem de marketing pra ficar indo de evento em evento até parecer mais do que é, pra atrair investidores de primeira viagem e ficar engordando um porco que nunca existiu.</p>
<p>Esse é o jogo. Por isso eu não participo desse jogo, não tenho saco pra lidar com gente que só quer construir imagem. Ficar se vangloriando porque ganhou prêmio em evento de startup - ou qualquer tipo de prêmio na real - não significa nada a não ser pra quem está mais preocupado em achar gente pra chupar dinheiro do que fazer um negócio realmente lucrativo. E de novo, esse é o jogo, não vejo nenhum problema em quem joga sabendo disso. Mas você que está de fora e por alguma razão acha que tem algum valor pro seu negócio ganhar um prêmio, você está com suas prioridades erradas.</p>
<p>Mas digamos que você acredita de verdade na sua idéia, digamos que você teve a idéia de produzir alguma coisa via impressoras 3D, você acha que as pessoas vão querer. Qual é sua próxima grande idéia? Qual seu business plan? Talvez conseguir funding pra comprar um monte de impressoras 3D pra produzir em maior quantidade. E obviamente isso é uma idéia idiota. Se você quer produzir uma peça em grande quantidade, você não produz você mesmo. Você manda produzir na China. Você transporta de volta pra cá em containers. Você lida com centros de distribuição e logística. Você procura conseguir vantagens fiscais. E como você faz pra saber tudo isso?</p>
<p>Você trabalha! Você trabalha em empresas de varejo, em empresas de produção, em empresas de logística, aprende de verdade como funciona o caminho burocrático, quem são os fornecedores confiáveis, como negociar com estrangeiros, como configurar logística. São anos e anos aprendendo como as coisas de fato funcionam e não como você “acha” que funciona porque assistiu uma palestra do TED Talk.</p>
<p>A grande maioria das tais ideias de startups acabam sendo tudo Uber de qualquer coisa porque vem de pessoas que nunca trabalharam ou trabalharam pouco. E o que uma pessoa que nunca trabalhou conhece? Só os apps que estão instalados no smartphone dele. Ele não tem como melhorar como as empresas funcionam porque ele nunca trabalhou tempo suficiente nem em uma pra saber como as coisas funcionam, o suficiente pra saber como melhorar.</p>
<p>Portanto: se a única coisa que você tem é uma idéia, nem perca tempo fazendo slide de powerpoint. É perda de tempo. Arranje um emprego e vai trabalhar alguns anos na área que você diz que quer revolucionar primeiro. Como alguém tem a audácia de dizer que vai revolucionar a área de saúde e nunca sequer botou os pés num posto de saúde? Consegue ver como isso soa ridículo?</p>
<p>Principalmente: nunca acredite num investidor logo de cara. O objetivo do investidor não é fazer seu sonho se realizar, é em como ganhar dinheiro se isso acontecer. Ninguém aqui está no negócio de caridade e, de novo, isso não está errado. Suas premissas é que estão erradas porque ninguém tem obrigação de dar dinheiro a troco de nada.</p>
<p>E falando em não acreditar, no mito número 8 eu diria pra parar de acreditar em fake celebridades. Seja investidores, seja influencer, ou todo tipo de empreendedor de palco. Isso é uma das coisas que mais me irrita: a quantidade de gente que são fãs de empreendedores celebridades e ainda acreditam em headline de jornalista.</p>
<p>No mercado como um todo existem milhares de pessoas tentando ser o próximo Steve Jobs. Todos os dias. Está claro que só existiu um Steve Jobs, mas no meio de milhares de pessoas tentando, por uma combinação aleatória de fatores, às vezes surgem alguns acidentes de sucesso moderado. Mesmo não chegando ao nível multi bilionário, foi o suficiente pra fazer conseguir ter uma quantidade grande de seguidores sem ter que entregar muito resultado. A grande maioria dos influencers de hoje em dia é isso: gente que nunca de fato entregou nada, mas tem carisma suficiente pra ter fãs. Não vejo nenhum problema nisso, mas só enxergue da forma correta.</p>
<p>Nassim Taleb é quem explica melhor como surgem muitos gurus que você vê por aí. Digamos que você tenha 11 candidatos a guru, em 2013, e nesse exercício a única coisa que eles precisam dizer é se o mercado vai cair ou subir, tipo cara ou coroa mesmo. Estatisticamente, por pura sorte, metade vai acertar e metade vai errar. No ano seguinte vamos considerar ouvir só aqueles que acertaram. De novo, metade vai acertar e metade vai errar e vamos fazendo isso sucessivamente por mais 2 ou 3 anos. Ao final de 5 anos, por pura sorte, vai sobrar uma pessoa que acertou consecutivamente, por 5 anos seguidos, e vamos chamar essa pessoa de “guru”. Bom pra ele, agora que tipo de relevância tem a opinião dessa pessoa pra você? Nenhuma.</p>
<p>A regra é simples, você acha que as pessoas dividem informações realmente valiosas de graça? Se a informação é tão boa assim, quem está falando está aplicando na própria empresa? Ah, ele não tem empresa né? Pois é. Na dúvida, não tenha celebridades de estimação. Não ouça pessoas porque elas foram nominadas “a pessoa mais influente bla bla bla”. Se jornalista fosse tão bom em identificar os reais motivos de um negócio ser bem sucedido no mercado, eles não seriam jornalistas, seriam investidores. O trabalho de um jornalista é vender matéria, se o título vende, ele fez o trabalho dele. E isso não tem correlação com o conteúdo ser bom ou não. De novo, não tem nada de errado nisso, problema seu se acredita. Sempre entenda quais os objetivos de quem escreveu o que você está lendo. Na dúvida, não acredite em mim! Reveja a lógica do argumento e não a pessoa que escreveu. O argumento tem que se sustentar independente de quem está aqui falando pra você. Eu não sou celebridade, nem influencer, qualquer um devia conseguir chegar na mesma conclusão.</p>
<p>E porque nos enganamos tanto? Porque nosso cérebro evoluiu pra procurar padrões e correlações em qualquer lugar, mesmo que não existam. Existem diversas teorias mas se eu for resumir de uma maneira mais informal, nós ainda estamos nos adaptando pra viver num mundo que tem informação demais. Mas o mais importante é sempre lembrar: correlação não é causalidade. Por exemplo, todo grande ditador da história como Hitler, Mussolini, Lenin, Fidel Castro, todos tem barba! Ou seja, todo ditador é barbudo! O erro seria assumir a causalidade e concluir: portanto, todo mundo que tem barba é um ditador em potencial! Soa ridículo, mas vocês fazem esse tipo de generalização o tempo todo! Como já falei antes em associar largar a faculdade como o Gates fez e isso levaria de alguma forma a você ficar mais perto do Gates. É ridículo.</p>
<p>Alguns anos atrás eu publiquei a tradução de um artigo da revista Skeptical Inquirer intitulado Somos Matematicamente Ignorantes, e recomendo que vocês leiam, vou deixar o link nas descrições abaixo. Nós vemos correlações o tempo todo porque com uma quantidade infinita de informações é quase impossível não achar correlações, na verdade o mais comum é conseguir correlacionar qualquer coisa com qualquer coisa. Por exemplo veja este gráfico, segundo esse gráfico podemos ver que existe uma correlação muito grande entre a diminuição do market share do Internet Explorer e a diminuição da taxa de assassinatos nos Estados Unidos. O que podemos concluir disso? Oras, que se você quiser diminuir a quantidade de assassinatos, basta parar de usar Internet Explorer! Ah você já usa Chrome né? Você não se sente melhor agora, tendo colaborado pra diminuir o crime na América?</p>
<p>Ou veja este outro gráfico, aqui vemos que a temperatura global vem aumentando à medida que o número de piratas no mundo vem caindo. Quem diria que o aquecimento global na verdade está associado com a extinção dos piratas. Ou seja, se você quiser colaborar com o fim do aquecimento global, é muito simples, torne-se um pirata!
Estão vendo um padrão nisso que estou dizendo? Quantas coisas que você faz que acredita estar ajudando alguma causa na verdade são simples correlações como essa, sem nenhuma causalidade de verdade?</p>
<p>Nosso cérebro quer encontrar essas correlações, em qualquer lugar, padrões, por isso a gente enxerga rostos em nuvens, por exemplo. Obviamente não tem nenhum rosto lá, é apenas uma forma aleatória, mas nosso cérebro quer forçar uma correlação, uma imagem, onde ela simplesmente não existe. E isso era útil de fato, no passado, antes da civilização moderna, onde a gente tinha que dar um jeito de sobreviver no meio do mato, no escuro. Se de repente a gente visse um par de luzes brilhantes no meio da escuridão, a gente fugia! Sem nem considerar se de fato esse par de luzes eram o reflexo dos olhos de um tigre ou se não era nada. Se a gente parasse pra analisar os fatos, podia ser tarde demais. Então a reação de agir primeiro e pensar depois pode ter sido um fator importante na nossa sobrevivência.</p>
<p>Daí vem as teorias do nosso cérebro ter 2 sistemas: um sistema racional e outro sistema intuitivo. Nós achamos que estamos o tempo todo sendo racionais, mas não estamos. Na verdade você nem sabe disso mas seu lado intuitivo controla suas decisões tanto ou mais que seu lado racional. Um experimento do economista comportamental Dan Ariely ilustra bem isso. Ele contou a história sobre um estudo a respeito de doação de órgãos na Europa e como eles notaram que havia uma diferença muito grande entre países que tinham taxa de doação enorme e outros com taxa de doação muito pequena.</p>
<p>E você podia olhar pra esse gráfico e pensar, ah eu sempre soube que esses ingleses esnobes não tem compaixão nenhuma. Mas por outro lado você ia achar países que não são culturalmente tão diferentes como Holanda e Bélgica ou Dinamarca e Suécia. E imediatamente você devia pensar que a cultura e as pessoas não tem nenhuma relação com essa diferença nas taxas de doação. Mas se não era isso, o que causaria tanta diferença assim?</p>
<p>Então eles foram rever os formulários de doação e viram que nos países que tinham baixa taxa de doação como a Dinamarca ou Alemanha a opção no formulário dizia “assinale ao lado se quer participar do programa de doação de órgãos”, daí as pessoas não assinalavam e ninguém participava. Nos países com maior taxa de participação como França ou Portugal, o formulário era diferente, nela dizia “assinale ao lado se não quer participar do programa”, novamente, ninguém assinalava, mas dessa vez todo mundo participava!</p>
<p>Hoje em dia todo mundo de marketing e UX sabe a diferença do que é uma opção opt-in e opt-out, é basicamente arroz com feijão de comunicação e design de interfaces. Inclusive existem leis hoje em dia pra muitas coisas não serem opt-out de má fé. As pessoas tem que conscientemente querer participar de alguma coisa e não estarem todas já automaticamente participando. Mas o ponto é salientar que na maior parte do tempo, você não tá nem aí. Na verdade, seu cérebro não tá nem aí. Você é muito menos racional do que pensa que é, e isso é importante de saber pra parar de automaticamente acreditar em tudo que fazem pro seu cérebro se confundir.</p>
<p>O mito 9 eu já adiantei um pouco quando falei sobre faculdade. Se você não assistiu meu episódio sobre Faculdade, clique no link acima. Muita gente ainda acredita na idéia de participar de eventos de startup ou trabalhar em co-workings por causa do networking. Isso é outro bullshit. Claro, serendípite sempre existe, mas não é uma regra, na verdade é a exceção da regra. A idéia de você estar num co-working e numa conversa de bebedouro você estar encontrando a parceria que precisava pro seu negócio decolar, ou a idéia de que trocar cartões num evento de startup vai trazer contatos importantes.</p>
<p>Tudo isso “pode” acontecer, é verdade. Mas reveja os mitos. Se tudo que você tem é uma idéia, não importa a qualidade dos seus slides de powerpoint. Não importa se você largou a faculdade. Não importa se você conseguiu o cartão de algum investidor bam-bam-bam ou celebridade de palco. Nada disso interessa. Sério, pra que serve você ficar trancafiado brincando de editor de powerpoint num pseudo hackathon em evento de startup pra ganhar um aperto de mão e um certificado no final?? Que experiência você ganha em 2 ou 3 dias varando noite a não ser que você gosta de tomar Redbull?? Você tá com a vida ganha assim pra ficar perdendo tempo nessas brincadeiras? Ou você só tomou pai-trocínio pra ficar indo em pseudo rave? Vai numa rave de verdade, pelo menos tem álcool e drogas de verdade.</p>
<p>Networking de verdade é uma relação de confiança. Eu não tenho nenhum motivo pra confiar em ninguém que eu acabei de conhecer num evento. E certamente tenho menos motivos pra apresentar alguém que eu confio pra alguém que eu acabei de conhecer. Por esse mesmo motivo eu recuso a grande maioria dos convites de amizade no LinkedIn.</p>
<p>Networking de verdade é uma questão de QI, ou famoso “Quem Indica”. Vamos rever o caso do Bill Gates, já que todo mundo gosta de citar ele. Mas ninguém cita a mãe dele: Mary Gates. Vou deixar linkado um artigo sobre ela nas descrições mas basta vocês saberem que ela foi uma mulher de negócios à frente do seu tempo e muito influente em Seattle. Mais do que isso, ela era do mesmo comitê que fazia parte também John Opel, então CEO da fucking IBM em 1980. Como você acha que a pequena Microsoft de Bill Gates naquela época conseguiu o famoso contrato de licença do MS-DOS para ser instalado em todos os IBM PC e que transformou a Microsoft no que ela é hoje?</p>
<p>Aliás, aqui eu estou totalmente especulando mas se não me engano a Microsoft foi fundada no fim dos anos 70 em Albuquerque, Novo México. Mas se mudou pra Seattle, onde a mãe era influente. Coincidência? I think not! Entenda, mesmo sem o empurrão de sua mãe o Bill Gates estava destinado a se tornar milionário, ele era muito à frente dos seus conterrâneos, ele tinha a herança, o pedigree e a formação. Mas foram empurrões como esse que o colocaram no caminho de se tornar bilionário. Todo mundo sabe sobre a parceria de Bill Gates com o outro bilionário Warren Buffet, certo? Quem você acha que insistiu Bill a ir conhecer Warren, mesmo a contra gosto? Sim, Mary Gates. Com todo respeito a todas as mães que tem que aguentar filhos como nós, mas essa foi uma mãe particularmente foda. E isso sim, é networking de verdade.</p>
<p>Finalmente, chegamos no último mito, o mito número 10 e o famoso “você vai ficar rico” se empreender. E sinto dizer, estatisticamente falando, você tem mais chances de dar errado do que dar certo. Na verdade se eu tiver que chutar, eu sempre vou dizer que vai dar errado, porque as chances de acerto pra mim são muito maiores. Desculpe, é a estatística. Mas mais do que isso: tem que ser assim. Empreender não é pra qualquer um. É um risco grande, que tem muito mais fatores que você não tem controle. Então não basta ter um herança familiar sólida, não basta ter pedigree, não basta ter formação, não basta ter competência, você vai ter que contar com fatores aleatórios como ciclos de mercado como eu expliquei no vídeo sobre a Bolha, tem timing, tem que estar no lugar certo na hora certa, tem serendípite, tem QI. Tudo isso, e você ainda não tem garantias de dar certo. Por isso o jogo é interessante e por isso a recompensa é fora do comum, e por isso você tem mais chances depois de acumular conhecimento, experiência, networking de verdade, e principalmente seu próprio dinheiro, depois dos 30 anos do que logo que sair da faculdade, virgem, aos 20 e poucos.</p>
<p>Se você quer só ganhar um salário melhor, com segurança, se torne um bom profissional pra trabalhar em boas empresas. Não há nada de errado nisso, pelo contrário, faça aquilo em que você é bom, não tente ser aquilo que você já sabe que não é só porque fica vendo celebridade de palco repetindo bullshit do tipo “seja seu próprio chefe”.</p>
<p>Se você de verdade tem um ideal de querer ajudar o mundo e acha que virar fundador de tech startup é um caminho, não seja hipócrita. Se pra você ajudar as pessoas é parte fundamental de quem você é, junte-se ao exército, junte-se à cruz vermelha, ao médico sem fronteiras. Não é caminho pra virar celebridade, muito menos rico. Mas segundo você mesmo, seu ideal é ajudar as pessoas e não ficar famoso, não é isso? O meu objetivo pessoal é fazer o que eu quiser, e se o que eu quiser eventualmente ajuda os outros, ótimo.</p>
<p>Pra finalizar, quero contar uma última história praqueles que mesmo depois de tudo que eu falei continuam afobados, com essa ansiedade de virar empreendedor aos 20 e poucos. Eu já contei essa história no meu vídeo sobre Talento, mas vamos lá. Em 1832, a Marinha Real Britânica mandou o navio HMS Beagle para mapear a costa da América do Sul, as Ilhas Falkland e as Ilhas Galápagos. A marinha precisava do conhecimento pra se preparar melhor em caso de guerra. O capitão do navio, que era um cientista amador, decidiu adicionar um geólogo na expedição para estudar formações geológicas que eles poderiam encontrar no caminho.</p>
<p>Depois de diversos geólogos profissionais recusarem o convite, o capitão ofereceu o trabalho a um formando de Cambridge de 22 anos, Charles Darwin. Darwin tinha estudado para se tornar um pastor Anglicano mas estava muito mais interessado em geologia e ciências naturais do que na Bíblia. Ele agarrou a oportunidade, e o resto é história. O capitão gastou seu tempo na jornada desenhando mapas militares enquanto Darwin coletava dados empíricos e formulava os insights que eventualmente se tornariam a Teoria da Evolução.</p>
<p>Se Darwin nunca tivesse nascido, por exemplo, hoje estaríamos atribuindo a Teoria da Evolução a Alfred Russel Wallace que chegou na idéia de evolução via seleção natural independentemente de Darwin poucos anos antes (mas ele não tinha networking, nem vinha de família rica). Por outro lado se os Impérios Europeus não tivessem financiado as pesquisas geográficas, zoológicas e botânicas ao redor do mundo, nem Darwin e nem Wallace teriam tido os dados empíricos necessáriow para desenvolver uma Teoria da Evolução. Pelo menos não naquela época. É mais provável que nenhum dos dois jamais sequer teria tentado.</p>
<p>Entenda, você não tem como planejar “ser o próximo Darwin”. O timing de mercado, no caso o interesse dos impérios em investir nesse tipo de pesquisa, precisou existir. Fatores externos que nós não controlamos. Mas quando a oportunidade surgiu, haviam alguns candidatos que tinham a capacidade de ocupar uma posição de muito trabalho duro. A maioria declinou o trabalho duro mas foi disso que saíram os dados que levariam à revolução. Você não planeja essas coisas, você faz o que tem que fazer, o que sabe fazer e se mantém preparado pra pegar oportunidades assim que elas aparecem, e muitas vezes elas não são bonitas nem agradáveis à primeira vista. Mas como eu já falei em outro vídeo: quem disse que é pra você ficar escolhendo? Depois reclama que não tem oportunidades. Nunca vai existir uma oportunidade que cai no seu colo dizendo “vou te deixar rico em pouco tempo e com pouco esforço”. Só se você achar uma Sugar Mama ou Sugar Daddy.</p>
<p>Pára de ser ansioso. Um Stan Lee criou seu primeiro título de quadrinhos quando estava com uns 39 anos. Foi só depois disso que ele criou o Universo Marvel que você conhece hoje. Samuel L Jackson trabalhou anos em Hollywood mas ninguém conhecia ele direito, e foi só depois de “Jungle Fever” do Spike Lee em 1991, quando Samuel Jackson já tinha 43 anos, que ele finalmente se tornou conhecido. E todos vocês que varam noite, precisam agradecer Momofuku Ando que cimentou seu lugar na história de junk food só aos 48 anos quando inventou o instant ramen em 1958, seu combustível de todas as noites mal dormidas.</p>
<p>Falando em comida, Julia Child trabalhou em advertising e media antes de publicar seu primeiro livro de receitas aos 50 anos, que foi o que a tornou uma chef celebridade depois. Ray Kroc gastou a vida toda como um vendedor de aparelho pra fazer milkshake antes de comprar o McDonald’s aos 52 anos, em 1954 e tornar o gigante que é hoje. Harland Sanders, mais conhecido como Coronel Sanders, tinha 62 anos quando ele franqueou o Kentucky Fried Chickens, o famoso KFC, que ele vendeu por 2 milhões de dólares, 12 anos depois. O famoso Henry Ford criou o igualmente famoso Ford Model T quando ele tinha 45 anos. E como falei antes, Charles Darwin tinha 50 anos quando finalmente publicou o magnum opus On the Origin of Species que mudou o mundo.</p>
<p>Tudo que eu falei no episódio anterior e neste é basicamente um recado simples: pára de querer ficar rico rápido. Se você acreditou em um ou mais dos mitos que eu falei aqui, então você foi enganado, na verdade, você quis se enganar e talvez ainda esteja se iludindo. E sinto dizer que é só isso: uma ilusão, um ticket de loteria. Muito provavelmente você não vai ser o próximo Bill Gates. Aliás, o nome dele é William Henry Gates Terceiro, ele é no mínimo a terceira geração de uma família aristocrata de tradição. Nós não somos. A forma de ultrapassar isso vai ser por sorte. Ninguém vai um dia planejar “vou superar Bill Gates”, fazer um plano, seguir passo a passo e conseguir. Alguém vai superar sim, mas vai ser por acaso, por uma soma de fatores fora do controle dessa pessoa. E, de novo, dificilmente vamos ser eu ou você.</p>
<p>Se você está tentando copiar alguém, seja Gates, Zuckerberg, Elon Musk, Peter Thiel, Kalakanis, ou seja lá qual CEO ou founder de Silicon Valley, você está errado. Quanto mais você me diz que é fã de uma celebridade dessas e tenta seguir o que eles fazem, mais eu diria que você está longe de ser um founder bem sucedido. Atenha-se aos fundamentos. Atenha-se ao seu próprio esforço e pare de perseguir sonhos temporários infantis. Vai por mim, seus sonhos aos 20 anos são completamente dos seus sonhos aos 30 que também vão ser diferentes dos seus sonhos aos 40 e assim por diante. Quem diria, você pode mudar de sonhos toda hora se quiser e nenhum está necessariamente mais certo ou mais errado</p>
<p>A única coisa que você vai conseguir sendo assim é atrair gente que vai te enganar, porque vai vender elementos que encaixam no seu sonho. Vai te alugar lugares caros decorados como Silicon Valley, porque você acha que é pra lá que vai um dia. Vai te fazer perder tempo em eventos com celebridades pra fazer você se lembrar de como quer ser como eles. Vai ter fazer pagar caro por turismo pra visitar a lanchonete do prédio do Google, sério pra que serve isso? Vai te fazer perder tempo criando massa pra fazer parecer que existe um ecossistema de boas startups, mas todo investidor sabe que deve manter várias startups de poucas chance por perto, pra balancear os riscos, basta que uma dê certo. Nenhum investidor está preocupado se 90% falir. Se pelo menos um do portfolio virar unicornio, o resto é descartável. E, de novo, não está errado esse pensamento.</p>
<p>E essa é a verdade sobre o mundo de tech startups. Se ficaram com dúvidas mandem nos comentários abaixo, se curtiram o video mandem um joinha, assinem o canal e cliquem no sininho pra não perder os próximos vídeos. E compartilhem com seus amigos pra ajudar o canal. A gente se vê semana que vem, até mais.</p>
]]></content:encoded><category>startups</category><category>negocios</category><category>akitando</category></item><item><title>[Akitando] #52 - 10 Mitos sobre Tech Startups | Parte 1</title><link>https://akitaonrails.github.io/2019/06/25/akitando-52-10-mitos-sobre-tech-startups-parte-1/</link><guid isPermaLink="true">https://akitaonrails.github.io/2019/06/25/akitando-52-10-mitos-sobre-tech-startups-parte-1/</guid><pubDate>Tue, 25 Jun 2019 17:00:00 -0300</pubDate><description>&lt;div class="embed-container"&gt;
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&lt;p&gt;errata: no começo do vídeo eu falo &amp;ldquo;positivismo&amp;rdquo; mas na realidade queria dizer &amp;ldquo;otimismo&amp;rdquo;. não tem nada a ver com a filosofia.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O tema de hoje vai ser dividido em 2 episódios. Vamos cobrir os primeiros 5 mitos dos 10 sobre Tech Startups e continuamos o resto na semana que vem.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Desta vez eu resolvi pegar uma palestra que apresentei nos últimos anos chamado &amp;ldquo;Desmistificando Mitos de Startups&amp;rdquo; e adaptei pro formato de video do canal, depois digam se gostaram disso.&lt;/p&gt;</description><content:encoded><![CDATA[

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<p>errata: no começo do vídeo eu falo &ldquo;positivismo&rdquo; mas na realidade queria dizer &ldquo;otimismo&rdquo;. não tem nada a ver com a filosofia.</p>
<p>O tema de hoje vai ser dividido em 2 episódios. Vamos cobrir os primeiros 5 mitos dos 10 sobre Tech Startups e continuamos o resto na semana que vem.</p>
<p>Desta vez eu resolvi pegar uma palestra que apresentei nos últimos anos chamado &ldquo;Desmistificando Mitos de Startups&rdquo; e adaptei pro formato de video do canal, depois digam se gostaram disso.</p>
<p>Infelizmente até hoje ainda repetem muitos mantras e dogmas errados e muitos jovens estão perdendo tempo seguindo as celebridades de &ldquo;empreendedorismo de palco&rdquo; e o objetivo de hoje é quebrar esses dogmas.</p>
<p>Links:</p>
<ul>
<li>A Brief History of Mankind (<a href="https://erenow.com/common/sapiensbriefhistory/69.html"target="_blank" rel="noopener">https://erenow.com/common/sapiensbriefhistory/69.html</a>)</li>
<li>The Myth of The Million-Dollar App (<a href="https://medium.com/swlh/the-myth-of-the-million-dollar-app-62e733d8b07a"target="_blank" rel="noopener">https://medium.com/swlh/the-myth-of-the-million-dollar-app-62e733d8b07a</a>)</li>
<li>Why The Best Idea Doesn’t Always Win (<a href="https://scottberkun.com/2014/why-the-best-idea-doesnt-always-win/"target="_blank" rel="noopener">https://scottberkun.com/2014/why-the-best-idea-doesnt-always-win/</a>)</li>
<li>Vida de Programador - Ninja (<a href="https://vidadeprogramador.com.br/2013/04/10/ninja/"target="_blank" rel="noopener">https://vidadeprogramador.com.br/2013/04/10/ninja/</a>)</li>
</ul>
<p>=== Script</p>
<p>Olá pessoal, Fabio Akita</p>
<p>Continuando no tema dos episódios anteriores, eu estou aqui pra tentar equilibrar as coisas. O que você mais vê hoje em dia é positivismo excessivo, ou o que eu chamei de exuberância irracional no penúltimo episódio. Por um lado sim, de vez em quando é muito bom poder se inspirar em alguma coisa mesmo que seja numa fantasia, e eu sou totalmente a favor disso. Tem filmes de ficção que me inspiram muito mais do que a grande maioria das pessoas de verdade.</p>
<p>No episódio de hoje quero explorar algumas coisas que eu considero como mitos no mundo de startups e empreendedorismo em geral. Em particular, eu odeio empreendedorismo de palco. Gente que sequer fundou uma empresa lucrativa enganando as pessoas com pura retórica, sem nenhuma substância além de falar alto e de forma impressionante.</p>
<p>Eu gosto de sempre tentar separar o que é realidade, o que é ficção, o que é wishful thinking e o que é puramente fraude. Em particular, eu sou praticante de uma profissão, no caso programação. E eu fico pessoalmente irritado ao ver fraudes ao meu redor neste mercado de tecnologia. Mas no final das contas eu acho que o fraudador está no seu direito de tentar fraudar. “Vai que cola?” E quem insiste em querer ser enganado, muitas vezes conscientemente ignorando os fatos, merece continuar ser enganado. Querer ser enganado também é um direito, e eu não faço nenhuma questão de achar que adultos devem ser protegidos, pelo contrário.</p>
<p>(&hellip;)</p>
<p>Eu seria um péssimo investidor. Em particular porque eu não vejo muita graça no jogo de apostas. Outras pessoas são muito melhores do que eu em achar boas apostas e influenciar os resultados, então não me perguntem no que eu apostaria ou não. Apostadores não necessariamente apostam com o único objetivo de ganhar. Claro que ganhar é parte da equação mas eu acho que muitos apostam pela adrenalina do risco, da incerteza. Pura e simplesmente. Assim como pular de paraquedas ou de bungie jump ou mergulhar do lado de tubarões brancos. Nesse sentido eu sou mais conservador, e eu não estou nem de longe dizendo que estou certo. Eu até invejo quem consegue ter e aproveitar esses picos de adrenalina, porque eles realmente servem pra te fazer coisas que você não faria normalmente.</p>
<p>Por experiência própria eu posso dizer que é muito mais fácil arriscar tudo quando você tem muito pouco ou nada a perder, ou pelo menos a sensação de que não tem nada a perder, do que quando você realmente consegue sentir falta do que perderia. Por isso muita gente nos 20 aos 30 anos se sente nessa posição. Depois que você se acostuma com uma rotina, família, bens e patrimônio, daí seria mais a abstinência da falta de adrenalina que levaria a uma decisão de alto risco sem garantias de retorno. Na prática, pessoas diferentes fazem apostas que parecem absurdas por motivos muito diferentes. Egocentrismo de achar que está mais certo que os outros, narcisismo de precisar demonstrar que estava mais certo que os outros, ganância de querer ter mais do que poderia, ou puro esporte mesmo.</p>
<p>Eu não sou contra nada disso. Mas existe uma outra categoria importante, e muito grande, de gente que escolhe empreender porque sente FOMO, o que no mundo de investimentos o pessoal chama de Fear Of Missing Out, ou seja, Medo de perder o bonde. E esse é o pior motivo de todos: cargo cult, seguir os outros só pra não se sentir de fora.</p>
<p>Eu apresentei esse tema como palestra nos últimos anos em alguns eventos e quero condensar em vídeo, dividido em duas partes. Esta vai ser a primeira vez que vou acessar material direto das minhas palestras no episódio, então depois me digam nos comentários abaixo se gostaram. Antes de começar a listar os Mitos, eu queria deixar um pensamento que li no livro Sapiens, de Yuval Harari:</p>
<p>O momento mais marcante e definitivo dos últimos 500 anos veio às 05:29:45 do dia 16 de julho de 1945.
Nesse exato segundo, cientistas americanos detonaram a primeira bomba atômica em Alamogordo, Novo México. A partir desse ponto, a humanidade ganhou a capacidade não somente de mudar o curso da história, mas de encerrá-la.
O processo histórico que levou até Alamogordo e até a Lua é conhecida como a Revolução Científica. A Revolução Científica não foi uma revolução de conhecimento. Ela foi sobretudo uma revolução da ignorância. A maior descoberta que lançou a Revolução Científica foi a descoberta que humanos não sabem todas as respostas pras mais importantes questões.</p>
<p>A intenção de episódios como este não é dar as respostas de tudo mas sim questionar o que achamos que sabemos e com isso incentivar as pessoas a procurarem com mais cuidado em vez de acreditar em receitas mágicas e salvadores da pátria. Isso tudo dito, vamos começar com o Mito número 1, que muita gente repete “Basta ter uma boa idéia”</p>
<p>Falando em Yuval Harari, acho que foi dele também que eu vi o seguinte trecho: Blade Runner (1982) é um filme magnífico, mas há algo de estranho nele. A heroína, Rachael, parece ser uma pessoa jovem e linda. Na realidade, ela é um pedaço de tecnologia. Um robô orgânico (uma replicante) construída pela organização Tyrell. Ela tem a mente de um ser vivo, incluindo memórias extraídas de um ser humano. Tão sofisticada que é impossível de distinguir de um humano sem equipamento especializado. Ela até mesmo “acredita” que é uma humana. O detetive Deckard (Harrison Ford) da polícia de Los Angeles sabe a verdade, que ela é uma inteligência artificial tão perfeita que ele mesmo acaba se apaixonando. Mesmo assim, quando ele quer convidar Rachael para tomar um drink, o que ele faz?
Ele liga de um orelhão!</p>
<p>Existe uma revelação nesse contraste de tecnologias - o milagre biotécnico que é Rachael e esse videofone caricato. Não é que Blade Runner fracassou no futurismo em antecipar o smartphone. Isso é perdoável, e esse nem foi o único filme futurista que errou nisso. Mas quando nos pedem pra imaginar como novas invenções podem moldar o futuro, nossas imaginações tendem a dar saltos tecnológicos que são sofisticados além da compreensão. Imediatamente imaginamos inteligência artificial nível Skynet, ou fazer download da mente humana nível Matrix. Mesmo assim, se nos perguntam como seria nosso dia a dia mundano num mundo sofisticado com androids biológicos, nossa imaginação emperra.</p>
<p>Em 1980, Milton Friedman apresentou sua visão de como os livres mercados poderiam trazer paz mundial numa série de 10 horas do canal PBS chamado “Free to Choose”. Em um clip do seu show, Friedman apresenta seu clássico argumento numa parábola de 2 minutos e meio sobre um objeto bem mundano. Felizmente estamos no YouTube e eu posso só linkar o vídeo dele aqui em cima, mas o ponto é que você dificilmente vai inventar alguma coisa totalmente do zero.</p>
<p>Uma das maiores invenções da humanidade foi a prensa de Gutemberg, que ele inventou em 1440. Até então livros eram artigos de extremo luxo porque precisavam ser escritas à mão, cada cópia era única. Ninguém vai negar a revolução cultural que a prensa causou. Porém lembrem-se de uma coisa: pra existir livros precisamos de papel. E o papel foi inventado na China ~105 AC - e levaria mais mil anos para começar a ser usado fora da China. A própria escrita foi inventada ~3000 AC. Invente a prensa antes da existência da produção de papel e a prensa não vai servir de muita coisa.</p>
<p>Vamos dividir o entendimento em duas palavras que nos confundem. Invenção não é Inovação. Muita gente ainda tem essa concepção de que a idéia é a parte mais importante de tudo. E nada está mais longe da verdade. Qualquer idéia pode ser uma invenção. E invenção pode ser qualquer coisa. São coisas baratas, facilmente patenteáveis. Mas patentes não tem nenhuma atribuição de valor a uma idéia. Idéias são banais e baratas, lembrem-se disso. Mas se é esse o caso e inovações?</p>
<p>A única coisa que realmente importa é a “execução”. Invenção é a parte menos importante da inovação. Inovação aparece quando uma invenção encontra um mercado. Tem um artigo meio antigo de um tal Josiah Humphrey que vou deixar linkado nas descrições que elabora um pouco mais sobre isso, e eu concordo com as conclusões dele. Em particular pra parar de ter medo da sua idéia ser roubada. Se sua idéia tiver algum valor, ela vai ser roubada de qualquer forma. Você não é a Apple, pare de ficar inventando NDA ou non-disclosure agreements antes de falar da sua idéia pra qualquer um, em particular investidores. Lembre-se disso: ninguém está interessado na sua idéia. A única coisa que interessa é a qualidade de execução dessa idéia.</p>
<p>Na minha cabeça um NDA é simplesmente um preço barato pra adquirir uma idéia, se ela realmente fosse boa. E se for caro demais, eu simplesmente não assino. Em praticamente todos os casos que já vi, nenhum vale sequer meu tempo assinando um NDA. Se não quer me mostrar a idéia, não precisa, eu não estou interessado em ver. E já estamos em 2019, por favor não invente mais um Uber de qualquer coisa. Já temos tanto disso que a maioria não vale nada. Por outro lado pouca gente consegue de fato executar e criar o ecossistema que permite um verdadeiro Uber de X, um dos últimos foi os Rappi da vida, que de fato vem funcionando e por isso atraiu uma Softbank. Não foi a idéia, foi a execução. Isso dito, vamos pro Mito 2, o que também todo mundo fala de “basta ter um bom produto”.</p>
<p>Em seu livro “Mitos da Inovação” o autor Scott Berkun, no capítulo 4 que vou deixar o trecho linkado nas descrições abaixo, fala de um dito popular nos Estados Unidos que diz que “se você construir a melhor ratoeira o mundo vai abrir caminho até sua casa” que é a interpretação errada de que a qualidade do seu produto ou da sua idéia fala por ele mesmo. A ilusão de que todo mundo vai disputar lugar na frente da sua casa por sua idéia. Isso nunca vai acontecer, desista dessa noção. Completamente.</p>
<p>Inclusive, sobre a ratoeira do ditado, nos Estados Unidos são cadastrados 400 novas patentes de ratoeiras todo ano, e temos certeza que ninguém tá indo lá bater na porta desses inventores. Existem mais de 4000 patentes de ratoeiras, e mesmo assim só uns 20 chegaram a ser produtos lucrativos. O equivalente das ratoeiras seria “fazer um website ou app melhor do que os que existem”. A única forma de ter alguma chance não é fazer um produto um pouco melhor, a chance é conseguir convencer os outros a se juntar à idéia, como investidores, fornecedores, funcionários, varejistas, clientes e até mesmo competidores. Sim, porque se sua idéia é tão cretina que sequer seus competidores acham que vale a pena o tempo deles, você tá perdido. Não é a idéia, como eu disse antes, é a execução e não tem nada mais importante na primeira etapa do que criar uma rede.</p>
<p>Berkun lista oito fatores que são determinantes no sucesso ou fracasso de uma idéia. Só porque uma idéia parece tecnicamente boa, não existe nenhuma garantia de seu sucesso. Vamos ver alguns desses fatores que ele cita:</p>
<ol>
<li>Cultura - armas de fogo foram inventadas primeiro no Japão antes dos Europeus, mas no Japão a cultura valorizava a espada, o artesanato, a honra. A invenção foi condenada como uma forma desonrada de matar.</li>
<li>Design dominante - quando Christopher Scholes inventou a primeira máquina de escrever ele só queria um design de teclado que não emperrasse. Mas agora na era do computador, poderíamos usar um design melhor, mas o custo de aprendizado é muito grande frente ao design dominante do QWERTY</li>
<li>Qualidade - podemos vender muito até mesmo produtos ruins para o meio ambiente e para a saúde se executado direito (vender fast-food em embalagem de isopor, por exemplo), pensa que qualquer fast food vende muito mais que sua idéia de salvar o planeta.</li>
<li>Gosto - Beta tinha melhor qualidade mas VHS tinha mais tempo de conteúdo, e a prioridade dos consumidores foi tempo mais que qualidade de imagem</li>
</ol>
<p>No final das contas você precisa aceitar que não importa tanto o que você acha da sua idéia. Obviamente o criador da idéia sempre vai achar que ela vale mais do que todo mundo acha. Essa dissonância faz sentido, claro, o seu trabalho é convencer todo mundo que sua idéia é a melhor, através da execução, e parte dessa execução é como você vai convencer as pessoas. Você vai ter que ligar pra pessoas, vai escrever sobre ela, vai falar sobre ela, vai fazer propaganda, vai ter que marketar mesmo, não tem outro jeito.</p>
<p>O Mito número 3 é um favorito pessoal. Digamos que você chegou no ponto em que de alguma forma juntou algum capital, seja via family and friends, bom e velho empréstimo, ou achou algum investidor. Chegou a hora de construir a primeira versão ou protótipo dessa sua idéia. E como todo mundo você faz anúncios procurando bons programadores pra se juntar à sua equipe. E é impressionante como até hoje todo mundo continua escrevendo bullshit como “Estamos procurando um programador ninja ou jedi”. Se você não sabia disso vou te explicar: isso soa como uma piada.</p>
<p>Em 2013 fiz uma sugestão pro Vida de Programador que faz tirinhas de piadas sobre nosso mundo de TI que você pode ver nos links na descrição abaixo. Ele ilustrou perfeitamente o que eu penso sobre programadores Ninja. Programador Ninja é aquele que quando tudo começa a dar errado ele solta uma bomba de fumaça e desaparece.</p>
<p>Todo mundo gostaria de contratar os lendários programadores à la Mr. Robot, que sozinhos começam a digitar qualquer coisa e, com a motivação certa, em 60 segundos conseguem invadir a CIA. Obviamente programadores assim não existem, caso alguém esteja em dúvida. Mas mesmo assim você já ouviu falar de muitos programadores de verdade que se destacam como John Carmack ou Linus Torvalds, programadores que são os equivalente Neymar no mundo de código. Todo programador deveria mesmo aspirar se tornar tão bom quanto eles. Requer muita disciplina, muito estudo, muita prática. Você não costuma ver um John Carmack ou Linus Torvalds perdendo tempo participando de discussão idiota sobre política ou mimimi de porque ficou ofendidinho com qualquer imbecilidade que viu no Twitter. Porque nada disso interessa se seu objetivo é ser o melhor.</p>
<p>Muita gente fala sobre ser um desenvolvedor 10x. De fato existe essa noção de que é possível um desenvolvedor ser 10 vezes melhor ou mais produtivo do que os outros. Nem tanto porque esse indivíduo é 10x melhor, mas eu diria que é mais porque a grande maioria dos programadores faz 10x menos do que poderia. E não to dizendo por pura preguiça, mas porque fazem muitas escolhas erradas de prioridade e não focam no que estão fazendo. Um programador que decide se focar por 30 minutos produz mais do que um que fica dando alt-tab pra discutir política no Twitter o dia inteiro. Quanto mais claro está a tarefa que precisa ser feita, e quanto menos interrupções um programador tiver, tanto causadas por ele mesmo quanto fatores externos, mais vezes produtivo ele vai ser. É só isso.</p>
<p>E pra você que quer contratar esses “rockstar” ou “Jedi”, pare um segundo e pense: porque você acha que alguém como o Torvalds trabalharia pra você? Certamente não será pelos seus olhos verdes, muito menos por causa dos seus anúncios procurando Jedis, então pare de passar vergonha.</p>
<p>O Mito 4 é outro que é “cringe” de ouvir, dá até vergonha de ouvir alguém realmente dizendo isso em público. O famoso “Seja seu próprio chefe” ou pior “Siga seus próprios sonhos” ou pior ainda “Faça o que Ama”. Existe essa noção idiota de que você trabalhar pra alguém é estar sendo usado pra realizar o sonho dos outros. Vamos destruir essa noção primeiro.</p>
<p>Não existe isso de estar sendo escravizado e trabalhando pros outros de graça. Quando foi a última vez que seu chefe colocou uma arma na sua cabeça? Você trabalha acorrentado? Se você é remunerado pelo seu trabalho, não existe nada de negativo nisso. Aliás, salários sempre é um assunto complicado de explicar mas sempre parta do seguinte princípio: tirando poucas exceções você normalmente recebe exatamente quanto devia receber.</p>
<p>Não vou explicar isso hoje, mas reflita sobre isso: você sempre pode ganhar mais, se arriscar mais. Abrir uma empresa própria é um enorme risco, especialmente no Brasil, especialmente se você não tem idéia de como fazer isso e não está disposto a gastar o tempo pra aprender da forma certa. Dependendo de onde você buscar pesquisas sobre mercado, o número costuma estar perto de no mínimo 6 de 10 empresas novas que abrem, vão fechar antes de completar 5 anos. A pergunta que você deve fazer não é se “eu ganho pouco” mas sim “eu tenho a capacidade de fazer uma empresa do jeito que eu acho que devia ser?” Se sim, abra sua própria empresa e prove. Porque bla bla bla é barato, mão na massa, sangue frio, é pra poucos.</p>
<p>Sobre a frase auto-ajuda de “persiga seus próprios sonhos” ou “faça aquilo que ama” eu fiz um vídeo inteiro só sobre isso. Então não vou repetir aqui de novo, recomendo que assista no link acima. Em resumo, não fique eternamente procurando alguma coisa que absolutamente ama fazer pra fazer só isso, nem fique se iludindo pensando que já achou esse alguma coisa, porque o que você ama hoje é temporário, você só gosta de algum assunto momentaneamente. E entenda que sua vida inteira vai ser lotada de coisas que você não ama fazer como pagar impostos, limpar sua casa, dirigir pro trabalho e coisas assim, e na vida de um adulto essas coisas vão existir quer você goste delas ou não.</p>
<p>Um estado constante de felicidade simplesmente não existe. Você tem sorte se tem coisas que fazem você ser feliz, mas um estado permanente de adrenalina e montanha russa é um lugar que só existe pros viciados em LSD.</p>
<p>E muita gente confunde ser feliz com trabalhar num ambiente familiar. O melhor caso é o literalmente com sua família que, se você for de famílias que são tradicionalmente empreendedoras, como os antigos italianos ou judeus, que tem linhagens de muita experiência e tradição e, principalmente, técnica e networking, então sim, pode dar muito certo nesta geração também. Mas caso contrário eu diria que o jeito mais fácil de perder família e amigos é justamente trabalhando junto com eles. Recomendação: não faça isso. A menos que tenha tradição, eu diria que o pior que um empreendedor amador pode fazer é envolver família com negócios.</p>
<p>Agora, o outro lado disso, empresas que chamam todo mundo de família. Entenda isso de uma vez por todas: sua empresa não é sua família, você já tem uma família, e ela não é sua empresa. Já devia estar mais do que óbvio a esta altura que empresas que tentam criar ambientes que substituem sua casa não fazem isso porque consideram você um membro da família. Eles colocam Xbox no escritório mas o mais óbvio é que você devia ganhar o suficiente pra comprar o seu próprio Xbox pra deixar na sua própria casa. Pra que serve um Xbox comunitário? Pra absolutamente nada a não ser ostentação. Piscinas de bolinha não tornam o escritório sua casa e seus colegas e chefes não são membros da sua família.</p>
<p>E já que começamos falando disso, vamos pro próximo mito, o número 5 de Trabalhe 24 por 7. Assistindo meus outros vídeos falando sobre a profissão dá a impressão que eu estou dizendo que você deve trabalhar todas as horas do seu dia e noite e fins de semana e feriado e não fazer outra coisa além de trabalhar. E pior ainda se você acredita que está fazendo o que ama então você só devia estar trabalhando porque qualquer coisa fora disso são coisas que você não ama.</p>
<p>E não, nunca faça isso. Trabalhar horas extras deve ser reservado pra momentos excepcionais. Esses momentos realmente existem, acidentes de percurso que a gente consegue resolver varando uma noite. Muitas vezes vale a pena. Porém eu sou totalmente contra tornar isso uma rotina. Seja você um funcionário que quer mostrar serviço ou seja você um empreendedor achando que precisa trabalhar o máximo possível pra atingir seus sonhos. Vocês estão errados.</p>
<p>Eu já varei muitas noites por diversos motivos. E até hoje ainda faço isso. Porém na minha cabeça toda vez que eu preciso fazer hora extra ou varar noite só existe um motivo constante: que eu ainda não sou bom o suficiente. Se eu fosse bom, faria 100% de tudo caber nas 8 horas de trabalho. Se eu não consigo fazer isso com certa frequência só quer dizer que eu sou incompetente, e não que eu sou esforçado. Existe uma linha muito clara entre pessoas incompetentes e pessoas esforçadas. Esforço vem junto com inteligência e eficiência.</p>
<p>Varar noite só por varar noite, sem um resultado excepcional em um momento excepcional pra justificar, você só está colaborando pra aumentar a receita da Redbull e dos fabricantes de anti-depressivos. Tempo é dinheiro, e os melhores profissionais, seja você um funcionário, seja você um empreendedor, são aqueles que sabem usar esse recurso escasso da forma mais eficiente possível. Fazer o menos possível pra ter o maior resultado possível, é assim que você precisa estar constantemente pensando.</p>
<p>Uma coisa que eu aprendi assistindo sobre fotografia, não lembro onde foi, foi quando falaram sobre o frame da foto, as bordas. Num mundo ideal, a fotografia poderia enquadrar o máximo do cenário quanto possível. Mas isso é impossível. A melhor fotografia é o que consegue enquadrar o melhor daquele cenário no espaço limitado do frame da foto. Por isso, a melhor parte de toda fotografia é esse frame ou a melhor parte de toda pintura é o quadro. As restrições é que vão expor seu real talento.</p>
<p>Uma das restrições que temos que lidar todos os dias são prazos. Todo mundo odeia prazos, e aqui vemos mais uma das coisas que você nunca vai fazer amando, que é gerenciar prazos. E um desses prazos é o limite de 8 horas de trabalho por dia, 5 dias úteis por semana. Quanto você consegue colocar dentro desse prazo, melhor que os outros?</p>
<p>Uma definição de agilidade que eu venho explicando nos últimos 10 anos é o seguinte. No estilo Go-horse de trabalhar, existem aqueles que resolvem dar um gás, fazer horas extras, trabalhar fim de semana. E no começo você de fato entrega muito mais do que quem está trabalhando só 8 horas por dia. Faça isso só por alguns dias e muito rápido, mesmo trabalhando muitas horas o resultado final é pouco. Pior do que ser pouco, é de baixa qualidade, cheio de bugs. Daí você resolve esticar mais horas ainda, vara noite, fica sem dormir mais 2 ou 3 noites. De repente sua produtividade vai pra zero, ou negativo porque você está constantemente tendo que consertar os bugs que acumularam da última vez que você varou noite. E aquela produtividade mágica que começou em pico no começo, chega no zero em pouco tempo e daí em diante você vai ficar constantemente correndo atrás do próprio rabo e nunca conseguindo avançar.</p>
<p>Ser ágil é ser consistente. Se comparar com o cara fazendo hora extra, no começo o agilista é comparativamente mais devagar. Ele faz um código, faz testes nesse código, só sobe o que funciona e vai fazendo um passo de cada vez, todo dia. Acabou o dia, ele vai pra casa e descansa e começa no dia seguinte, descansado, e continua naquela velocidade que pode ser baixa se comparado a quem está fazendo hora extra todo dia. Porém, ao longo do tempo, enquanto o cara varando noite começa rapidamente a entrar em decadência, entregando só coisas de baixa qualidade, em velocidade cada vez menor, apesar da maior quantidade de horas. Já o agilista continua entregando na mesma velocidade do primeiro dia, e na mesma qualidade. E ele é capaz de manter esse ritmo por semanas ou meses a mais, enquanto o cara que só acelera a toa vai estar quebrado antes disso. Consistência, é a única coisa que interessa, não produtividade máxima na maior quantidade de horas possível.</p>
<p>É assim que nasce o desenvolvedor 10x que eu falei antes: não é que ele faz 10 vezes melhor que todo mundo, é que todo mundo se coloca nessa posição de ser 10 vezes mais ineficiente gastando mais horas e tendo que desistir antes porque chega num ponto onde não consegue mais avançar.</p>
<p>Nunca trabalhe numa rotina de horas extras. Isso não é ser bom, é só demonstrar incapacidade de gerenciar suas próprias horas. Quando eu faço isso, eu não me sinto “o bom”, eu faço quando preciso, mas como consequência de alguma coisa que eu fiz errado antes, e agora esse é o castigo. Especialmente ruim quando eu vejo algum funcionário meu trabalhando horas extras. Se você é um chefe que constantemente vê sua equipe tendo que fazer horas extras, só significa que você é um péssimo chefe.</p>
<p>E chegamos ao fim da parte 1. Recapitulando, não se esqueça que só uma idéia não é uma inovação. Uma idéia é barata, não vale quase nada. Pelo mesmo motivo, não basta só ter um bom produto, se a execução for uma droga, seu produto não vale nada. Pare de procurar programadores ninja, você não quer programadores ninja. Esqueça essas idéia de auto-ajuda de ser seu próprio chefe ou perseguir seus sonhos. E finalmente, trabalhe de maneira eficiente. Quantidade de horas não reflete eficiência, o importante é ser consistente, não mostrar que trabalha muito.</p>
<p>Se ficaram com dúvidas não deixem de mandar nos comentários abaixo, se curtiram o vídeo mandem um joinha, assinem o canal e não deixem de clicar no sininho pra não perder a parte 2 deste episódio. Compartilhem com seus amigos pra ajudar o canal. A gente se vê semana que vem, até mais!</p>
]]></content:encoded><category>startups</category><category>negocios</category><category>mercado-de-tecnologia</category><category>akitando</category></item><item><title>[Akitando] #36 - O Mercado de TI para Iniciantes em Programação | Série "Começando aos 40"</title><link>https://akitaonrails.github.io/2019/01/23/akitando-36-o-mercado-de-ti-para-iniciantes-em-programacao-serie-comecando-aos-40/</link><guid isPermaLink="true">https://akitaonrails.github.io/2019/01/23/akitando-36-o-mercado-de-ti-para-iniciantes-em-programacao-serie-comecando-aos-40/</guid><pubDate>Wed, 23 Jan 2019 17:00:00 -0200</pubDate><description>&lt;p&gt;Disclaimer: esta série de posts são transcripts diretos dos scripts usados em cada video do canal &lt;a href="https://www.youtube.com/channel/UCib793mnUOhWymCh2VJKplQ"target="_blank" rel="noopener"&gt;Akitando&lt;/a&gt;. O texto tem erros de português mas é porque estou apenas publicando exatamente como foi usado pra gravar o video, perdoem os errinhos.&lt;/p&gt;
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&lt;/div&gt;
&lt;h3&gt;Descrição no YouTube&lt;span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="descrição-no-youtube"&gt;&lt;/span&gt;
&lt;a href="#descri%c3%a7%c3%a3o-no-youtube" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/h3&gt;&lt;p&gt;O ano virou e eu resolvi tirar 2 semanas de &amp;ldquo;férias&amp;rdquo; pra mim mesmo, mas agora estou de volta!&lt;/p&gt;</description><content:encoded><![CDATA[<p>Disclaimer: esta série de posts são transcripts diretos dos scripts usados em cada video do canal <a href="https://www.youtube.com/channel/UCib793mnUOhWymCh2VJKplQ"target="_blank" rel="noopener">Akitando</a>. O texto tem erros de português mas é porque estou apenas publicando exatamente como foi usado pra gravar o video, perdoem os errinhos.</p>


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<h3>Descrição no YouTube<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="descrição-no-youtube"></span>
    <a href="#descri%c3%a7%c3%a3o-no-youtube" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h3><p>O ano virou e eu resolvi tirar 2 semanas de &ldquo;férias&rdquo; pra mim mesmo, mas agora estou de volta!</p>
<p>Me fizeram uma pergunta interessante: como uma pessoa de 40 anos pode mudar de carreira e entrar no mercado de programação?</p>
<p>Não dá pra responder isso de forma curta, então resolvi tentar produzir uma mini-série, e hoje vou iniciar com o Primeiro Episódio apresentando rapidamente um panorama do mercado como um todo e algumas considerações sobre remuneração e carreira.</p>
<p>Nos próximos episódios quero tentar explicar mais sobre o que é a profissão de programador e como você pode começar a aprender na ordem mais eficiente.</p>
<h2>Script<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="script"></span>
    <a href="#script" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Olá pessoal, Fabio Akita</p>
<p>Desculpem por per pulado algumas semanas. Vou tentar voltar com episódios semanais. E desta vez me fizeram uma pergunta difícil. O que uma pessoa de 40 anos precisa saber pra se tornar um programador? Parei pra pensar sobre isso e resolvi fazer uma pequena série pra responder. Não dá pra responder só em um vídeo.</p>
<p>Mesmo se você tem 20 anos ou 30 anos, tudo que eu disser mais ou menos se aplica. A intenção desta série não é dar uma receita de bolo detalhada pra ser seguida ao pé da letra.</p>
<p>Primeiro de tudo, pode uma pessoa de 40 anos de repente mudar de profissão completamente? Claro. Qualquer um vai dizer que sim. Eu tenho mais de 40 anos, eu tenho uma boa idéia do que isso significa.</p>
<p>Na parte motivacional mais clichê, sim, qualquer um pode ser o que quiser. Mas eu não vejo isso acontecendo todo dia. Mudanças assim exigem uma pessoa madura o suficiente pra engolir o próprio ego por alguns anos, quanto mais velho mais isso é verdade. Se seu ego é frágil e se você se apega às aparências ou depende muito da validação de outras pessoas, eu diria que é impossível mudar de profissão. Por isso vocês vão notar que eu falo tanto sobre individualismo, porque eu tenho zero paciência com pessoas que são parasitas da validação dos outros.</p>
<p>A primeira coisa que você tem que aceitar é que a partir de agora você tem o mesmo nível de um estudante de faculdade no primeiro ano, menos ainda que um traineé ou estagiário. Antes de falar da profissão em si, HOJE vou começar falando um pouco sobre o mercado de TI em geral. Vamos lá.</p>
<p>(&hellip;)</p>
<p>O mercado de tecnologia, no geral, é altamente competitivo. Anos no mesmo emprego não tem muito valor. O que tem valor é sua capacidade de resolver problemas. O fato de ser um mercado não regulamentado trás como vantagem que se você realmente for bom, você avança, e quem é acomodado fica pra trás. É um mercado ainda razoavelmente meritocrático. O código não se importa com seu gênero, sua raça ou sua posição social. Código é código. Ou você resolve o problema melhor que os outros ou alguém vai resolver melhor que você. E não importa se VOCÊ acha que vale mais, você normalmente ganha exatamente o que merece.</p>
<p>É exatamente por isso que tecnologia sempre foi um terreno fértil, porque a gente tá cagando pra status quo. Se você acha que ganha mal nesse mercado e não é valorizado, é um problema seu e só seu, que não consegue enxergar as centenas de oportunidades que existem. E não estou dizendo fora do seu emprego. Tenho certeza que a maioria sequer olha ao redor pra ver o que tem.</p>
<p>E você acha que pode fazer melhor que seu empregador? Cadê você abrindo sua própria empresa e fazendo melhor então? Não precisa de certificação, não precisa de nenhuma licença especial pra operar. Não existe CREA, não existe CRM, não existe OAB.
Não existe &ldquo;me pague primeiro que eu mostro o que posso fazer&rdquo;. Só existe &ldquo;eu sou melhor que você e posso provar&rdquo;. Portanto nesse mercado as empresas não tem um padrão regulamentado pra seguir, todas são diferentes.</p>
<p>A gente tende a seguir algumas boas práticas muito óbvias, mas no geral cada empresa estrutura sua área de tecnologia como quiser, então só porque você viu sendo feito de um jeito numa empresa, se outra fizer diferente não quer dizer nem certo nem errado. Você precisa ver o histórico de resultados reais (não o que aparece só na propaganda e muito menos em eventos). Não seja arrogante de achar que sabe tudo, especialmente no começo de carreira, você não sabe nada ainda. Em 5 anos, talvez, vai começar a entender a dinâmica do mercado como um todo. É muito fácil tirar conclusões precipitadas olhando pro próprio umbigo, então aprenda a ter paciência primeiro.</p>
<p>Claro, estou dizendo isso conceitualmente e generalizando. Localmente você sempre tem lugares que vão praticar do jeito corporativista ou até monopolista, mas se fizer isso muito tempo um novo concorrente vai aparecer do lado, ser mais eficiente, mais barato, e aí já era. Um mercado livre (ou semi-livre no nosso caso) auto regulado, tende a convergir pro lado certo: premiando quem é mais eficiente e punindo quem não é. Não existe segurança se você for acomodado ou incompetente, você só vai ficar pulando de galho em galho até não ter mais lugar pra você. Mesmo um país de leis trabalhistas toscas e medievais como o Brasil não vai segurar gente incompetente no mesmo lugar por muito tempo.</p>
<p>Programação, no geral, não é uma profissão de procedimento mas sim uma profissão de prática, mas vou explicar mais sobre isso em outro vídeo. Como eu disse, nosso mercado não é regulamentado, e os critérios pra projetos e empresas públicas costumam ser altamente defasados e ineficientes, então nunca servem de referência pra muita coisa no mundo de verdade. Não existe uma ordem pré-definida nem critérios totalmente objetivos.</p>
<p>Isso é sensacional. Eu sempre pude dar um passo pra trás pra poder dar dois pra frente. Quando trocava de emprego eu aceitava ganhar menos por uma oportunidade em algo que eu não tinha experiência porque tinha confiança que ia aprender rápido e compensar esse passo pra trás muito rápido, justamente porque não existe carreira pré-definida pra gente. Se você for devagar, inseguro e ineficiente, nunca vai sair do lugar.</p>
<p>Dentro da nossa indústria existem diversos tipos de empresas. E repetindo, aviso que é impossível detalhar cada uma só num episódio, então eu vou de propósito cometer o pecado de generalizar. Lógico que existem exceções mas quero dar um panorama geral a partir do meu ponto de vista, não levem tudo ao pé da letra. Se alguém quiser complementar ou mesmo descrever exceções ao que vou dizer, fiquem à vontade nos comentários, a intenção não é iniciar nenhum flame war. Lembrando que o público pra este tema é alguém que ainda não conhece quase nada desta indústria.</p>
<p>Primeiro, como disse antes, existem as empresas públicas. No Brasil sempre é uma opção pra quem é inseguro demais e precisa mortalmente de garantias. Se você é esse tipo de pessoa, então sugiro ver o currículo de concurso público. Eu não posso te ajudar aqui. Eu não gosto por princípio e em particular porque são concorrência desleal, inibem o crescimento de empresas de verdade na região, estão sempre tecnicamente defasados e politicagem vale mais do que mérito. Pra uma pessoa com 40 anos eu acho que é uma opção ruim mesmo porque você provavelmente precisaria ter um diploma pra se enquadrar, e eu realmente não recomendo uma faculdade nesse caso.</p>
<p>Em segundo lugar, existem as empresas de grande porte, sei lá, marcas reconhecidas, mais de 1000, 2000 funcionários, onde no geral você vai ser só mais um e vai ter que engajar numa hierarquia rígida e provavelmente viciada em politicagem. Pra programadores vai existir a constante manutenção do que chamamos de sistemas de back-office, literalmente os sistemas que ficam por trás dos processos de todos os departamentos da empresa. Financeiro, Compras, Recursos Humanos, Atendimento ao cliente e assim por diante. Você pode passar a vida inteira só criando  relatórios, ajustando uma regra de negócio nova ou atendendo alguma nova legislação, ou um formulário novo e nunca vai sair muito disso. Não é necessariamente ruim, e eu acho até importante conhecer uma dessas por dentro, mas não ficar tempo demais pra não se tornar defasado. Nessa categoria você encontra empresas de todas as indústrias. Seja sistema administrativo de um hospital, de uma fábrica automotiva, do setor agrícola, comércio exterior e por aí vai. Se você precisa ter alguma estrutura ao redor, pode ser uma boa opção pra começar.</p>
<p>Em terceiro lugar existem as empresas mais desejadas, vamos assim dizer, as famosas empresas de produtos. Pense assim, o software dessa empresa é o core-business dela ou não? Ou seja, a empresa é definida pelo software? Por exemplo, se você apagar o código do aplicativo do iFood, ela continua sendo o iFood? Não né, portanto ela é uma empresa de produtos. Muitos dos maiores e-commerces como Magazine Luiza ou Submarino, as novas fintechs como Nubank, C6. Meios de pagamento como Pagseguro, Pagar.me ou os apps que você usa todo dia como iFood, 99.</p>
<p>Muitas empresas de grande porte que eu falei, criaram sub-empresas ou departamentos que são mais ágeis do que tinham antes, caso da Magazine Luiza que criou o Luiza Labs, ou o Itau que criou divisões mais ágeis e investe em iniciativas como o Cubo. Como eu disse, competição: pra se manterem competitivas, atrair talentos, muitas das empresas da categoria anterior foram obrigadas a se tornar mais eficientes. É a importância de existir concorrência mesmo num mercado que é semi-livre. E pelo mesmo motivo que disse antes, se você precisa de alguma estrutura ao seu redor, também são boas opções pra iniciantes.</p>
<p>Em quarto lugar existem as terceirizadas. Essa categoria é meio uma zona mas eu diria que existem pelo menos 3 grandes categorias. Primeiro temos as pequenas agências. Muitas empresas que ou precisam ser mais ágeis ou não sabem como lidar com tecnologia procuram por agências. Seja pra manter seu website principal ou mesmo e-commerces e outros sistemas que chamamos de &ldquo;white-label&rdquo; ou seja softwares pré-prontos que são customizados pra cada empresa. Costuma ser um bom lugar pra iniciantes mais arrojados porque costumam ser empresas pequenas, com pouca ou até nenhuma estrutura. Muitas são bagunçadas e desorganizadas, vendem mal e por isso pagam mal e você é obrigado a fazer muitas horas extrass. Mas isso não importa, você não vai ficar pra sempre lá, mas eu acho importante sentir esse tipo de ambiente na pele pra aprender a ter jogo de cintura. É muito fácil se acostumar mesmo num lugar desses então tome cuidado.</p>
<p>Ainda na categoria de terceirizadas, em segundo lugar, temos os body-shops. Qualquer empresa, física ou remota, que aloca você POR PROJETO ou seja, que não te contrata em tempo integral e não te dá o suporte mínimo ou que demite se ficar algum tempo sem projeto. Muitas ainda contratam você por um pacote mínimo de horas e você preenche planilhas ou sistemas de controle de horas e é pago por hora. A função dessas empresas é basicamente achar pessoas no mercado, manter um banco de currículos, e quando os clientes pedem algum perfil eles tentam fazer um match. É um tinder de pobre pra empregos.</p>
<p>Eu fortemente desaconselho iniciantes nesse tipo de empresa, porque você ainda não está preparado. Iniciantes precisam de outras pessoas mais experientes ao redor pra crescer. Esse tipo de empresa funciona pra quem já tem alguma experiência e sabe se vender sozinho, freelancers. Talvez, se for pra alocação remota  pode fazer sentido pra quem quer morar numa região distante sem mercado local e quer home office, por exemplo. Ou pra quem quer cobrar mais caro alocado num cliente sem ter vínculo empregatício com ela. Novamente, funciona bem pra quem já tem experiência e pode ser uma boa alternativa mas repito: não deveria ser seu primeiro emprego. Quem vira freelancer rápido demais perde muita oportunidade de crescer antes do tempo. Você perde mais tempo preocupado se vai ter um próximo projeto. Como não tem experiência vai acabar trabalhando demais por pouco resultado e não vai ter ninguém pra realmente orientar o trabalho pra ser mais eficiente. No começo pode parecer que vai ganhar mais, mas você não cresce e fica estagnado muito rápido. É uma armadilha.</p>
<p>Finalmente, na categoria de terceirizadas, existem as consultorias propriamente ditas. Cuidado que muitos body-shops se auto-intitulam consultorias mas não são. Se você não é empregado como funcionário em tempo integral, independente se tem ou não projeto pra te alocar, então é um body-shop. Consultorias tendem a viver de reputação, então costumam ter alguma formação inicial, costumam ter acompanhamento com cliente e se forem boas, selecionam bem os funcionários. A grande vantagem: você vai ter suporte da empresa e de seus pares, e vai ter a oportunidade de trabalhar com diversos tipos diferentes de clientes e projetos, de todas as categorias que mencionei anteriormente. Mesmo as famigeradas fábricas de software não deixam de ser consultorias, elas vendem um processo mais estruturado e com menos margem pra você ter autonomia, mas para iniciantes vale a pena se eles oferecem algum treinamento e mínimo de segurança.</p>
<p>Resumindo, no geral eu falei que o mercado é dividido em pelo menos 4 grandes categorias:
1, as empresas públicas, 2, as grandes empresas com manutenção de sistemas back-office, 3, as tech startups ou empresas grandes com produtos ou departamentos de inovação, 4. as terceirizadas.</p>
<p>E nas terceirizadas temos pelo menos 3 tipos diferentes de terceirização: 1, as agências que vendem pequenos projetos e customização de pequenos produtos como websites ou pequenos e-commerces, 2. os body-shops e sistemas pra freelancers, 3. as consultorias e fábricas de software.</p>
<p>Agora, fiquem espertos. Não ache que você vai conseguir aprender tudo só no trabalho. No trabalho você vai aplicar o que aprendeu estudando. Se você tentar entrar no ritmo de aprender enquanto faz, a tendência é ir muito devagar. Os primeiros empregos devem servir primeiro pra você aplicar a parte técnica que aprendeu na teoria via livros e cursos e em segundo pra aprender os protocolos de comunicação, como conversar com seus pares, como conversar com seus chefes, como conversar com seus clientes, entender as expectativas de cada um e como você pode demonstrar resultados práticos e eficientes.</p>
<p>Eu já disse antes que um programador não é definido pelas tecnologias que escolheu. E eu digo que o programador também não é definido por aquilo que ganha. Se você acha que ganha pouco, mas sabe que é bom e aprende rápido, isso é temporário, você vai ganhar mais. Porque um programador é definido pela eficiência como consegue resolver problemas reais. Quem só reclama a maior parte do tempo não é um bom profissional, porque como eu já disse, quem gasta a maior parte do tempo reclamando obviamente não está resolvendo nada. Então no ambiente de trabalho, fuja dos coleguinhas que ficam o dia inteiro só lamentando da vida, eles não vão te ajudar a subir na carreira, só vão te atrapalhar. Nunca se preocupe em ficar julgando os outros, se os outros forem ruins como você diz, eles não vão subir na vida e você sim. Caso contrário, assuma que suas premissas é que estavam erradas. Entendeu? Eu já disse que se você é iniciante e está irritado que os outros não fazem do seu jeito, considere que pode ser o seu jeito que está errado. Não foque no seu jeito ou jeito dos outros, foque em resolver o maldito problema. E se não tem solução, solucionado está, pule pro próximo problema.</p>
<p>Dê preferência a empresas que te contratam do jeito certo. Apesar de eu odiar a CLT, a lei vigente é CLT então temos que cumprí-la. A lei trabalhista mudou ano passado e agora permite contratar PJs para funções principais da empresa. Mas saiba identificar quando uma empresa oferece a opção de PJ só pra te pagar menos ou quando ela faz isso realmente pra te repassar mais. Na dúvida, dê preferência a quem contrata CLT cheio, carteira assinada, 13o, férias e benefícios como plano de saúde e vale refeição. E quando você sai de uma empresa, seja uma pessoa ética, avise com antecedência, cumpra seu aviso prévio. São coisas meio básicas que se você quer ser um profissional sério já deveria saber.</p>
<p>Resumindo o que eu falei, como iniciante, toda oportunidade é uma oportunidade. Uma pessoa muito nova tem o problema de não chamar nenhuma atenção. Não tem muito jeito, se você tem 20 anos, está na faculdade, ainda não teve muita experiência, não importa o que faça no seu currículo, ele simplesmente não se destaca. Por isso você precisa adicionar coisas que os outros não tenham, por exemplo fluência em inglês.</p>
<p>Se você tem 40 anos, uma vantagem é que seu currículo, de imediato, até se destaca ao lado de vários de 20 anos. Mas a falta de experiência na área também não vai ajudar. 20 ou 40 vocês precisam dar algum jeito de se destacar na multidão. E se você realmente leva a sério começar a montar sua carreira, vá até as empresas, procure as pessoas, não fique passivamente só esperando alguém te ligar.</p>
<p>Entenda que o mercado tem excesso de programador iniciante e falta de programador realmente bom. Existe uma saturação de gente que customiza e-commerce, que se diz front-end, freelancers que não são tão bons. Todo mundo saiu da faculdade sabendo algum Java ou algum .NET. Então além da idade, você estará no bolo onde tem mais gente, onde a reputação da categoria é a mais baixa, e portanto é onde se paga pior. Obviamente isso faz sentido. Por isso eu digo que iniciantes não devem se preocupar com salário, porque realmente tanto faz nessa etapa.</p>
<p>Você precisa sim, querer sair do bolo da maioria e ir pra camada mais escassa, onde as empresas estão competindo por você e oferecendo valores maiores. Mas você acha que você vai pra essa camada só por causa dos seus olhos azuis? Porra nenhuma, você precisa começar a passar por várias empresas da camada mais baixa, agências, body-shops, empresas tradicionais, e ir acumulando boas referências, boas experiência e networking de verdade. Aliás, Networking não é só ir em evento, trocar cartão e adicionar no LinkedIn. Sabe o que eu faço com panfleto e cartão de evento? Jogo tudo no lixo, desculpa, nunca usei pra nada.</p>
<p>Networking de verdade começa no seu emprego, no seu projeto, no seu cliente, você constantemente demonstrar capacidade de resolver problemas, consistentemente ao longo do tempo, de tal forma que as pessoas começam a contar com você. Quando seus pares saem do grupo que você está, e vão pra outro lugar, eles vão lembrar de você. Não se esqueça, o estagiário de hoje pode ser o diretor de amanhã, e isso aconteceu comigo. Muita gente que eu conheci como júnior ou mesmo estagiário, hoje viraram gerentes de projeto, diretores, CTOs ou mesmo fundadores das próprias empresas. Isso é networking, acesso a pessoas de influência porque eles confiam em você e não porque você adicionou no LinkedIn.</p>
<p>Não pense em salário nos primeiros anos, porque é uma conta inútil, a menos que você planeje ficar só na camada baixa. Pense só em estudar sem parar e trabalhar sem parar pra conseguir subir da base da pirâmide pro meio e depois pro topo. Se for pra fazer conta, faça a conta mais óbvia: oferta e procura, quanto mais oferta existe, menor o valor. No começo você acaba precisando ir pra onde a “maioria” está porque não tem muita opção mesmo. Mas deixe a “maioria” pra trás o quanto antes, não se conforme por muito tempo, não se acostume com validação. Seja mais esperto e veja onde está mais escasso. Com certeza é escasso porque é difícil, mas você não quer ganhar mais?</p>
<p>Em termos de remuneração, todo mundo só pensa no tempo zero, o t0, mas esquece do Delta T, o resto do caminho. Quem pensa errado, fica toda hora procurando validação, só tenta pegar atalhos, e reclama mais do que faz, vai desacelerar. É mais ou menos como nesse gráfico.
Quem tem paciência, estuda, fica quieto e ouve, faz mais do que fala, e não dá muita bola pro que os outros ficam julgando, tende a ter um começo mais difícil, mas em pouco tempo é isso que acontece. Entenderam? É só uma questão de tempo, delta T.</p>
<p>Neste primeiro episódio eu queria explicar um pouco como se divide o mercado e uma visão bem geral do que esperar. No próximo episódio quero falar mais especificamente sobre o papel do programador e como começar quase do zero. O que é ser um programador? Não percam os próximos episódios e pra isso assinem o canal e cliquem no sininho. Se curtiram mandem um joinha e discutam nos comentários abaixo! A gente se vê semana que vem, até mais!</p>
]]></content:encoded><category>carreira</category><category>mercado-de-tecnologia</category><category>negocios</category><category>akitando</category></item><item><title>[Akitando] #35 - Pequena retrospectiva 2018 e previsões 2019</title><link>https://akitaonrails.github.io/2019/01/04/akitando-35-pequena-retrospectiva-2018-e-previsoes-2019/</link><guid isPermaLink="true">https://akitaonrails.github.io/2019/01/04/akitando-35-pequena-retrospectiva-2018-e-previsoes-2019/</guid><pubDate>Fri, 04 Jan 2019 10:00:00 -0200</pubDate><description>&lt;div class="embed-container"&gt;
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&lt;h2&gt;DESCRIPTION&lt;span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="description"&gt;&lt;/span&gt;
&lt;a href="#description" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/h2&gt;&lt;p&gt;Feliz 2019!&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Este episódio está saindo um pouco atrasado por causa do recesso de fim de ano :-)&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Esta semana será um pouco curto mas quero deixar minhas impressões de alguns episódios chave de 2018 que sinalizam o que está por vir em 2019 e 2020.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Obviamente eu não ganhei o poder da onisciência ainda, então não posso prever o futuro, mas achei interessante deixar gravado minhas impressões pra comparar quando for 2020. Vamos ver.&lt;/p&gt;</description><content:encoded><![CDATA[

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<h2>DESCRIPTION<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="description"></span>
    <a href="#description" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Feliz 2019!</p>
<p>Este episódio está saindo um pouco atrasado por causa do recesso de fim de ano :-)</p>
<p>Esta semana será um pouco curto mas quero deixar minhas impressões de alguns episódios chave de 2018 que sinalizam o que está por vir em 2019 e 2020.</p>
<p>Obviamente eu não ganhei o poder da onisciência ainda, então não posso prever o futuro, mas achei interessante deixar gravado minhas impressões pra comparar quando for 2020. Vamos ver.</p>
<p>Links:</p>
<ul>
<li>
<p>U.S. Economy Will Slow in 2019, May Enter Recession in 2020, Economists Forecast. Trump Administration Disagrees (<a href="http://fortune.com/2018/11/21/us-economy-slow-2019-recession-2020-economist-forecast/"target="_blank" rel="noopener">http://fortune.com/2018/11/21/us-economy-slow-2019-recession-2020-economist-forecast/</a>)</p>
</li>
<li>
<p>Silicon Valley&rsquo;s year of reckoning (<a href="https://techcrunch.com/2018/12/24/silicon-valleys-reckoning/"target="_blank" rel="noopener">https://techcrunch.com/2018/12/24/silicon-valleys-reckoning/</a>)</p>
</li>
<li>
<p>Uber, Pinterest and the rest of the 2019 IPO class emerged from the ashes of the Great Recession (<a href="https://www.recode.net/2018/11/28/18114790/2019-ipos-recession-uber-airbnb-pinterest-lyft-slack"target="_blank" rel="noopener">https://www.recode.net/2018/11/28/18114790/2019-ipos-recession-uber-airbnb-pinterest-lyft-slack</a>)</p>
</li>
</ul>
<h2>SCRIPT<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="script"></span>
    <a href="#script" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Olá pessoal, Fabio Akita</p>
<p>Primeiramente, Feliz 2019!</p>
<p>Eu devia ter lançado este vídeo no dia 2. Já tinha escrito o script dias atrás, mas resolvi usar o feriadão prolongado pra ficar largado no sofá tirando o atraso do Netflix. Aliás, pequena dica: Bird Box é uma droga, vejam meu review no Facebook, o link está na descrição. E finalmente estou assistindo Lucifer, já estou na terceira temporada. Agora vocês sabem porque eu não lancei este vídeo no dia 2.</p>
<p>Segundamente, sendo primeiro vídeo do ano, muita gente espera algum tipo de retrospectiva ou previsões. Até poucos dias atrás eu não sabia se tentaria fazer algo assim ou não. Bom, what the hell, vamos tentar.</p>
<p>Deixando claro que o objetivo não é fazer uma retrospectiva detalhada. Eu tenho zero vontade de discutir publicamente sobre política, então eleições, posse, ou qualquer dessas hashtags temporárias que já morreram, zero espaço. Zero vontade de ter que ficar apagando trolls esta semana.</p>
<p>Se for pra resumir rapidamente. Dispositivos, eletrônicos, nada de realmente importante. Tudo evoluções incrementais. Samsung S8 pra S9, iPhone X pra XS, bla bla bla.</p>
<p>Super tendências, Big Data, Inteligência Artificial, Realidade Virtual, Carros elétricos. Nada de interessante. Tudo que era hype 1 ano atrás, continua sendo hype agora. E vai continuar sendo pelos próximos anos. Não espere nada demais nessas áreas que já não sabemos.</p>
<p>Linguagens? Frameworks? Pff nada de interesante que vale a pena mencionar. Mesma coisa que em 2017, mesma coisa que em 2016, essa parte anda super estagnada e, de novo, só updates incrementais.</p>
<p>Vamos pra um dos meus assuntos favoritos. Criptomoedas. Se vocês ainda não assistiram, recomendo ver os vídeos que fiz da minha peregrinação blockchain aqui no canal. Em 2018 fui ver pessoalmente como andam as coisas em Seoul na Coréia do Sul, na Ilha de Malta e em São Francisco. Relaxem, o mercado está em queda mas ele tá longe de ter quebrado.</p>
<p>Uma coisa que já deixo de dica: se você segue qualquer grupo no Facebook, fóruns, grupos de whatsapp ou telegram ou perfil de twiteiro hipster que quer ganhar like falando mal. Bloqueie todos eles. Se tem uma coisa que eu fiquei tolerando o ano inteiro de 2018 foi o lixo que sai desses lugares. Mas realmente, nada de útil. Eu parei de seguir quase tudo, porque é bem inútil mesmo. Faça o mesmo. No máximo gente chutando previsões sem base nenhuma, ou propaganda, ou mais tentativas de aplicar golpes e pirâmides. A única coisa que eu ando acompanhando de leve são os gráficos. Atenha-se aos fundamentos.</p>
<p>Criptomoedas não é nada de mágico. São mercados financeiros, como qualquer outro. Todo mundo que fica se gabando &ldquo;ahhh o bitcoin fracassou, era tudo pirâmide mesmo, a bolha estourou, bla bla bla&rdquo; é um imbecil, porque o comportamento de 2018 era esperado. Eu estava prevendo que o preço poderia cair pra baixo dos USD 2000 ainda em 2018 e o suporte ficou na casa dos USD 3700. E sim, eu tenho muitos bitcoins em HOLD, que não pretendo mexer tão cedo porque também não tenho paciência pra ficar fazendo micro trades.</p>
<p>O que vocês esperavam, na real? No fim de 2017 todo mundo viu o rali parabólico que levou os preços a absurdos USD 20 mil. Foi rápido demais, tudo que sobe rápido demais, também cai rápido. Estamos repetindo o ciclo que aconteceu entre o fim de 2014 até começo de 2016. Se quiser comparar com outros ciclos, é menos ruim do que o crash da internet de 2001 até 2003. O mesmo de 2008 até 2010.</p>
<p>Eu diria que estamos num cripto winter que deve durar no mínimo até o meio de 2019, sendo mais realista, até 2020. Se você fez a besteira de comprar quando os preços estavam acima dos USD 10.000, se ferrou. Não é este ano que você vai realizar a menos que alguma coisa muito cisne negro aconteça.</p>
<p>Mas não foi só criptomoedas. Agora você precisa colocar as coisas em perspectiva. TUDO caiu no fim de 2018. Desde 2010 tudo vem subindo, ano após ano, consecutivamente melhor que o anterior. Como tudo vem se comportando desde a crise de 2008?</p>
<p>Veja a Alphabet/Google, ….. Despencou.</p>
<p>Veja a Apple, subiu, bateu o 1 trilhão e … despencou.</p>
<p>Até a Microsoft que eu diria que foi a empresa de tecnologia que deu as melhores notícias do ano, subiu, subiu, e …. também caiu.</p>
<p>O índice NASDAQ veio se recuperando desde o crash de 2001, subiu bem mas aí a crise de 2008 chegou, e caiu tudo de novo, então veio subindo, subindo e agora caiu tamb’em</p>
<p>O DOW JONES despencou espetacularmente.</p>
<p>O S&amp;P, o Standards &amp; Poor 500 despencou tambem!</p>
<p>Não foi só criptomoedas que despencou, tudo vem despencando, a economia como um todo. Tem várias teorias da conspiração do apocalipse econômico que vem por aí, se não em 2019, em 2020. Os juros estão altos, sinais de recessão nos Estados Unidos vem aumentando.</p>
<p>Eu não sou muito de acreditar em previsões de apocalipses, mas claro, cisnes negros realmente acontecem. Eu prefiro aceitar que ciclos econômicos existem. E é bom, porque quando está tudo em crescimento é muito fácil declarar sucesso. Mas é na correção do mercado que separamos o joio do trigo. Quem sobrevive ao longo inverno. A mamata acabou.</p>
<p>Em 2018, o  Google deu uma sucumbida em discussões controversas que tiraram o foco do que eles deveriam estar fazendo. O Facebook, só vem se dando mau com relações públicas, ano após ano, principalmente com o escândalo da Cambridge Analitica. A Apple vem desapontando ano após ano desde a morte de Jobs. A Microsoft é uma das poucas empresas de tecnologia que tem se mantido razoavelmente bem aos olhos do público. Claro, o market cap de todos eles continua gigante, mas a tendência dos papéis está se invertendo. Google ou Facebook, que outrora eram os bastiões da inovação e dos bons costumes estão cada vez mais aparecendo em pasquim de fofoca e mostrando suas verdadeiras cores. Eu não perderia meu tempo evangelizando nada delas.</p>
<p>A Microsoft está fazendo o que toda empresa de seu porte precisa mesmo fazer: saindo às compras. Depois de desastradas aquisições como a Nokia, ela vem adquirindo empresas interessantes. Em 2016 a Microsoft adquiriu a Xamarin, foi um passo extremamente importante e foi quando eu comecei a ficar mais otimista com a Microsoft. Esse merge ainda vem acontecendo internamente. Todo mundo está tentando avançar do .NET Framework pro .NET Core e toda a linha de produtos de desenvolvimento vem evoluindo até que rápido, como o Visual Studio Code que hoje é uma das melhores IDEs pra desenvolvedores.</p>
<p>O maior objetivo certamente foi a possibilidade de se ter uma plataforma .NET que consegue entregar aplicativos que são cross-plataforma, que rode em Windows, desktop Linux, Android e iOS. Soa familiar? Parece o antigo objetivo da Sun em “write once, run anywhere” ou “escreva uma vez, rode em qualquer lugar” que era o slogan do Java dos anos 90. No fim não funcionou exatamente assim, mas a Microsoft quer tentar. 2 anos depois ainda não chegamos exatamente lá no .NET Core também. Talvez leve 2 anos ou mais pra realmente chegar lá 100%.</p>
<p>E em junho de 2018 a Microsoft surpreendeu de novo adquirindo o gigante Github por nada menos que USD 7.5 bilhões. Falei da aquisição da Xamarin porque o novo CEO no lugar do fundador Chris Wanstrath será o fundador da Xamarin e atual Microsoft Corporate Vice President Nat Friendman, e o Chris Wanstrath vai reportar pra outro veterano da Microsoft, Scott Guthrie. Ainda é muito cedo pra dizer o que pode realmente acontecer com o futuro do Github. A transição parece tranquila até agora.</p>
<p>Pra outra uma perspectiva, vamos lembrar que nos últimos 10 anos todos nós ajudamos o Github a se tornar o maior repositório de código open source do planeta. Parece que foi ontem que eu conheci o Chris e o Tom Preston em 2009 em São Francisco. O Google tentou lançar seu próprio repositório, a própria Microsoft tentou, a Atlassian tentou, mas foi o suporte massivo da comunidade Ruby on Rails que ajudou a elevar a plataforma nos primeiros anos.</p>
<p>É irônico pensar que nos anos 90 a Microsoft era o inimigo número 1 do mundo open source. Quem não se lembra do julgamento antitruste dos Estados Unidos versus Microsoft em 2000 que levou Bill Gates ao banco dos réus e quase dividiu a empresa em 3 partes?</p>
<p>E quase 20 anos depois o maior repositório de código open source é agora propriedade da Microsoft. Essa nova geração sob liderança do Satya Nadella realmente está nos surpreendendo. Resta torcer pra eles terem aprendido a lição depois da Nokia, Skype e LinkedIn. Porém, é claro que o objetivo é alinhar as soluções de desenvolvimento como Visual Studio Code, alguma coisa do .NET Core, e as soluções de cloud da Azure. Ninguém faz caridade, e os stakeholders vão querer ver resultados de uma aquisição tão cara.</p>
<p>Em outubro, a IBM surpreendeu o mercado fazendo uma de suas aquisições mais caras. Nada menos do que USD 34 bilhões por ninguém menos que a RedHat. A idéia principal é elevar a IBM no jogo de Hybrid Cloud adquirindo plataformas do portfolio da RedHat como o OpenShift. Mas além disso a RedHat trás um portfolio amplo de soluções, incluindo o sistema operacional, soluções JBoss, Ansible e muito mais. Novamente, ainda é cedo pra dizer o que realmente vai acontecer mas a IBM vai querer vitaminar suas soluções de cloud corporativo usando esse portfolio. E, de novo, é uma das aquisições mais caras da IBM, os stakeholders vão querer ver resultados disso logo.</p>
<p>Eu achei esses episódios muito interessantes porque Xamarin, RedHat, Github são empresas de sucesso que surgiram justamente da guerra do mundo proprietário contra o mundo open source nos anos 90 e começo dos 2000. E 20 anos depois são os mesmos gigantes dos anos 90 que estão adquirindo essas empresas. Está acontecendo um shift no mundo open source que não pode ser ignorado.</p>
<p>Significa que muitos dos principais desenvolvedores do mundo open source, agora, estão na folha de pagamento de algumas das maiores empresas de tecnologia do mundo, incluindo na lista também Google, Facebook, Apple, Intel e outras. E isso inclui pessoas como Linus Torvalds, que trabalham pra Linux Foundation cujas contas também são pagas por essas mesmas Microsoft, IBM, Google, Intel, Apple e dezenas de outras.</p>
<p>Assista meu vídeo sobre a Controvérsia da Lerna vs a ICE, mas o mundo de Free Software nasceu com uma ideologia e uma cultura subversiva própria, que privilegia sempre o software, nunca grupos politizados, qualquer politização do código é errado. Open source sempre foi e sempre deverá continuar sendo meritocrático onde a qualidade do código se sobressai a qualquer outra coisa. Esse ideal se acelerou durante a primeira bolha da Internet do fim dos anos 90, tivemos a depressão do começo do século XXI e agora essa nova bolha de tech startups que começou a acelerar principalmente depois de 2010.</p>
<p>As principais tecnologias que usamos hoje começaram a se consolidar entre 2006 e 2010, isso inclui coisas como Ruby on Rails, Git, o amadurecimento do próprio movimento Ágil, o surgimento disso que hoje chamamos de “cloud”, o nascimento do mundo mobile moderno, a consolidação da web em cima do Chrome.</p>
<p>Mais uma década se passou depois disso, passamos pela crise de 2008/2009 e desde então iniciamos um crescimento sem parar. 10 anos depois finalmente estamos vendo consolidações. Por causa desse ritmo de abundância, nossa cultura de Free Software veio sendo corrompida.</p>
<p>Se o povo do mundo financeiro estiver correto, estamos meio próximos de uma nova correção de todos os mercados. Como eu mostrei antes, os mercados de tecnologia, como um todo, atingiram seus picos e todos dão sinais de correção. Não só em tecnologia, no mercado imobiliário se especula se estamos em outra bolha. Muitos especulam que a economia norte-americana pode entrar em recessão até 2020.</p>
<p>Nem tudo são más notícias, na última grande crise econômica de 2008 e 2009, uma nova classe de startups se iniciou. Ano que vem muitas delas planejam abrir seus IPOs, incluindo Uber, Lyft, Pinterest, Slack e talvez Airbnb. Startups que nasceram das cinzas de uma crise e se tornaram unicórnios.</p>
<p>Os IPOs de 2030 podem ser das empresas que consigam nascer e crescer da próxima grande crise. Crises não são fins do mundo, pra muitos são excelentes oportunidades de crescer com menos competição. Ciclos econômicos são inevitáveis.</p>
<p>Eu não sou profissional financeiro, mas pelo histórico e pela intuição, minha recomendação pessoal: agora não é o momento de fazer grandes compromissos financeiros. Se você já tem dinheiro, por outro lado, em breve será o momento de comprar barato. Imóveis ou investimentos. Se você não tem dinheiro, eu guardaria, porque podemos estar pra entrar numa recessão em 1 ou 2 anos.</p>
<p>Se você iniciou sua carreira em menos de 10 anos pra cá, você começou bem num mercado que estava em constante crescimento, portanto sempre tivemos boas oportunidades em todos os lugares. Agora é hora de refletir se sua carreira veio subindo por sua própria competência ou porque você conseguiu surfar um momento em que tudo estava subindo sozinho?</p>
<p>Em termos de carreira na nossa área de tecnologia, estamos num momento de consolidação. Como disse antes, eu não vejo nada particularmente interessante que valha a pena focar todas as suas energias. Já faz pelo menos uns 5 anos que nada de realmente interessante aparece, só vaporware, só hype, mas nada que se provou ainda. Então, não acredite em nenhuma propaganda que se auto-intitula a salvação da lavoura, porque não tem. Só consolidações. A diferença é que eu espero que você tenha investido nos seus estudos nos últimos anos porque se o mercado se retrair, a competição vai aumentar, a demanda vai cair, e o mercado vai começar a separar o joio do trigo.</p>
<p>Por acaso, a entrada no século XXI foi marcado por um grande crash e uma depressão em 2001. Quase 10 anos depois em 2008/2009. E agora em 2019 ou 2020 já temos sinais de que estamos pra passar por algo similar.</p>
<p>Sabe aquela conclusão errada que todo mundo toma? Qual tecnologia tem mais gente? Deve ser porque é a que tem mais oferta de emprego. É o que todos pensam, eu já disse isso antes e repito, é o pior lugar que você pode estar se as previsões se tornarem realidade, porque onde tem gente demais é justamente onde o valor vai cair mais quando a demanda geral cair.</p>
<p>Resoluções pra 2019? Se a recessão não chegar este ano, aceite a sorte. Use este ano pra investir o máximo que puder nos seus estudos. Em 2020 você vai precisar disso.</p>
<p>E claro, como eu disse, especialista ou não especialista, ainda não existe ninguém que pode prever o futuro com certeza, nem especialista financeiro, nem cartomante. Mas, os sintomas estão aí. Vai bobear? Ah sim, e mudar de país não resolve o problema, porque essa tal próxima crise pode ser global e justamente os países hipster que a molecada gosta vão ser os primeiros a ser afetados.</p>
<p>E é isso aí, eu sei que pra um começo de ano eu não trouxe exatamente boas notícias, e espero que eu esteja errado, mas eu não pretendo pagar pra ver. Eu já passei por pelo menos 3 ou 4 grandes crises mundiais neste século e nos anos 90 e 80. Essas coisas são naturais e precisam mesmo acontecer, não existe crescimento infinito, existem ciclos, toda grande subida deve seguir com uma grande queda.</p>
<p>Eu disse no episódio do Dia das Crianças que o mundo está ficando cada vez melhor, e apesar do que eu disse aqui, é verdade. Crises são naturais, elas precisam acontecer e toda vez nós voltamos melhores do que estávamos antes. Não estamos nem falando de extinção em massa ou o fim da humanidade nem nada remotamente perto disso. Estudem história, vejam por exemplo que a Terra já passou por diversos episódios de extinção em massa como a Extinção Cambriana, a Extinção Permiana, a Extinção Triássico-Jurássico e várias outras, e o planeta continua aqui. Não se preocupem, se a crise vier, a humanidade vai continuar crescendo depois. Quer fazer parte do grupo que vai sobreviver? Aprenda a ser anti-frágil - talvez eu fale disso em outro episódio.</p>
<p>E vocês, concordam? Discordam? Deixem nos comentários abaixo o que vocês acham que vai ser 2019. Se curtiram deixem um joinha, compartilhem com seus amigos, não deixem de assinar no canal e clicar no sininho. A gente se vê semana que vem, até mais!</p>
]]></content:encoded><category>mercado-de-tecnologia</category><category>economia</category><category>negocios</category><category>akitando</category></item><item><title>[Akitando] #34 - Você não sabe nada de Enterprise. Conhecendo a SAP!</title><link>https://akitaonrails.github.io/2018/12/26/akitando-34-voce-nao-sabe-nada-de-enterprise-conhecendo-a-sap/</link><guid isPermaLink="true">https://akitaonrails.github.io/2018/12/26/akitando-34-voce-nao-sabe-nada-de-enterprise-conhecendo-a-sap/</guid><pubDate>Wed, 26 Dec 2018 17:00:00 -0200</pubDate><description>&lt;p&gt;Disclaimer: esta série de posts são transcripts diretos dos scripts usados em cada video do canal &lt;a href="https://www.youtube.com/channel/UCib793mnUOhWymCh2VJKplQ"target="_blank" rel="noopener"&gt;Akitando&lt;/a&gt;. O texto tem erros de português mas é porque estou apenas publicando exatamente como foi usado pra gravar o video, perdoem os errinhos.&lt;/p&gt;
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<h3>Descrição no YouTube<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="descrição-no-youtube"></span>
    <a href="#descri%c3%a7%c3%a3o-no-youtube" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h3><p>Certamente ninguém ia ver video ontem, então fica meu presente de natal hoje mesmo :-) (26/12)</p>
<p>Finalmente, um dos episódios mais longos da minha carreira. Vamos entender um dos mercados menos compreendidos por toda a comunidade de programação.</p>
<p>Quase nenhum programador de agência, startup, tem idéia do que realmente é o tão temido mercado &ldquo;enterprise&rdquo;.</p>
<p>Então em vez de ficar falando mal sem saber, vou explicar o que diabos realmente é a SAP, tanto do ponto de vista de história quanto tecnologias.</p>
<h2>Script<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="script"></span>
    <a href="#script" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Olá pessoal, Fabio Akita</p>
<p>Finalmente chegou o dia de eu contar uma das minhas histórias mais longas. Eu falei um pouco no vídeo de &ldquo;O que estudar&rdquo; sobre o que é ser um consultor. Então HOJE eu quero explorar mais sobre isso e também sobre um mercado que a grande maioria das pessoas não conhece: o famigerado mundo Enterprise, mais especificamente a vertente da SAP que eu conheci no começo dos anos 2000.</p>
<p>Eu já falei algumas vezes de quando eu estava trabalhando na ponto com PSN que fazia sites de esportes na América Latina. Todo mundo sabe que em 2001 a bolha das ponto com estourou com força, muitos acharam que a internet ia até acabar e eu estava numa dessas ponto com. De repente eu estava na rua, mas não por muito tempo.</p>
<p>Exatamente na semana que tudo explodiu eu recebi uma ligação, meu amigo e mentor Antélio Abe, que eu tinha conhecido anos antes lá por 1997 quando estava trabalhando pela minha agência num projetinho de intranet pra Camargo Corrêa. Em 2001 ele tinha saído da Camargo e estava numa pequena consultoria enterprise chamada Balance e eles estavam precisando de alguém que entendesse de tecnologias Web, coisa que ainda era meio alienígena no mundo enterprise. Ele me ofereceu pra aprender esse tal de SAP, e eu pensei, &ldquo;por que não?&rdquo;</p>
<p>(&hellip;)</p>
<p>Pra fazer esse episódio eu pedi ajuda de novo pro Antélio e somado com o que eu lembro, vou tentar organizar algumas informações que podem ser interessantes. Pra vocês entenderem o Antélio é um consultor “asterisco”, coisa rara quando um consultor é bom em múltiplos módulos funcionais de um ERP. Ele já participou de grandes projetos em empresas como Monsanto, Telemar/OI, Claro, Diageo e dezenas de outras.</p>
<p>Vamos dar uma recapitulada. Embora a SAP não seja nem de longe do tamanho do market cap de uma Microsoft, Google ou Apple, ela está instalada no coração das maiores empresas do mundo. Uma hipérbole que acho que não está muito longe da realidade é que eu digo que pra entender SAP, pegue a lista das 500 maiores empresas do mundo. Eu poderia apostar a maioria, ou quase todas, rodam soluções da SAP no seu backend.</p>
<p>SAP SE significa, do alemão pro inglês, Systems, Applications &amp; Product in Data Processing. Seu quartel general é em Walldorf na Alemanha com escritórios em 180 países e mais de 335 mil clientes. Sua gestão já foi muito centralizada, mas agora está espalhada pelo mundo inteiro, conseguindo suportar clientes 24x7 em qualquer fuso horário.</p>
<p>Em 2017 a receita da SAP foi de mais de 23 bilhões de dólares com lucro de mais de 4 bilhões. Ela tem quase 100 mil funcionários pelo mundo. Dentre as principais figuras da SAP ainda está um de seus co-fundadores, Hasso Platner. Não sei se ainda hoje é assim mas Hasso sempre foi o arqui-inimigo de outro titã do mundo enterprise, o famigerado Larry Ellison, da Oracle. Diz uma lenda urbana que eles disputaram uma corrida de iates e quando o Hasso passou na frente abaixou a calça e mostrou a bunda pro Larry. :-D</p>
<p>(aham) Uma curiosidade é que todo mundo se lembra do lendário laboratório da Xerox Parc, que foi a semente da revolução dos micro computadores dos anos 80, a fonte onde tanto a Apple quanto a Microsoft beberam para sair com coisas como o mouse e a interface gráfica. Mas além deles a Xerox ainda ia deixar outro legado pra indústria.</p>
<p>Segundo nossa amiga Wikipedia, a Xerox estava querendo sair da indústria de computadores até 1975 e pediu à IBM para migrar seus sistemas de negócios para tecnologia IBM. Então, cinco engenheiros da IBM que estavam trabalhando no software do sistema enterprise e lhes foi dito que esse software não seria mais necessário. Em vez de jogar tudo fora, eles decidiram sair da IBM Tech e começar outra empresa.</p>
<p>SAP é mais um dos casos em que o nome da empresa sobrepõe ao nome de seus produtos e sistemas. O nome da empresa inicialmente foi System Analysis and Program Development ou SAPD e seu primeiro cliente foi a Imperial Chemical Industries em Ostringen onde fizeram o software de folha de pagamento de contabilidade para mainframe. Mas em vez de guardar os dados em cartões perfurados como a IBM fazia na época, eles armazenavam locamente num banco de dados lógico. Por isso chamaram o sistema de &ldquo;real-time&rdquo; e é de onde vem a letra R do principal sistema integrado deles que, em 1973, foi lançado como R/98.</p>
<p>Em 1979 lançaram o SAP R/2 estendendo para outros módulos como gerenciamento de materiais e planejamento de produção. Daí, do mainframe eles pularam pra arquitetura cliente/servidor nos anos 90, o que chamávamos de arquitetura em 3 camadas, e com isso o nome foi de R/2 para R/3 em 1995.</p>
<p>No Brasil algumas das primeiras instalações de SAP foi na Dow Química e Dupont, ambas usando o R/2 de mainframe que serviriam de base para construção da localização Brasil. Em termos de SAP, localização envolve não só o óbvio que é traduzir todos os textos do sistema em português, mas também a Tropicalização que envolve regras de negócio específicas do nosso país como as regras tributárias, fiscais, CLT e tudo mais.</p>
<p>A primeira instalação do SAP R/3 no Brasil foi na Philips, que veio via a consultoria francesa Atos Origin que por si só tem uma história interessante, sendo originada do merge de duas empresas francesas e da holandesa Origin. Foi adquirida pela KPMG em 2002 e depois a Atos Origin anunciou a compra da Siemens IT que foi finalizada em 2011 sob o nome só de Atos.</p>
<p>Enfim, no Brasil a Atos Origin tinha sede onde hoje é o prédio da Locaweb em São Paulo. A própria Origin foi tipo uma spin off da área de TI da Philips e quem passou a representar a SAP no Brasil.</p>
<p>Uma coisa que vocês devem ter ouvido falar que aconteceu no fim dos anos 90 foi a corrida desenfreada pelo Bug do Milênio. Eu lembro disso porque eu mesmo trabalhei consertando esse bug em 1999, mas isso pode ser história pra outro dia. De qualquer forma as empresas baseadas em Mainframe analisaram a possibilidade de implementar SAP. Já que ia precisar lidar com o tal Bug do Milênio já aproveita pra substituir o legado por SAP.</p>
<p>Mas aí começou um empurra-empurra entre a então SAP AG da Alemanha e a Origin pra investir na localização Brasil. Ou seja extrair o que se tinha na Philips como um conjunto reusável de templates e customizações para ser o scaffold pra novas instalações. Vou mencionar localização depois mas entenda que isso não é uma coisa barata de fazer. Com esse impasse as multinacionais ameaçaram desistir da SAP, o que forçou a SAP a abrir a SAP Brasil e colocar a Origin de escanteio.</p>
<p>Durante a virada do século, eu vi uma das grandes transições da SAP, do mundo client/server para integrar tecnologias Web. Esse era um dos meus trabalhos. Na minha época estávamos no R/3 versão 4.6c.</p>
<p>Eu costumo explicar o R/3 da seguinte forma: comece imaginando uma máquina virtual, como um JVM. Essa camada parasita e se sobrepõe ao sistema operacional e também ao banco de dados relacional por baixo, como Oracle, DB/2 ou SQL Server. 99% dos consultores não sabem se é um UNIX ou um Windows ou o que rodando, eles só viam o R/3.</p>
<p>Essa máquina virtual é tão completa que ela abstrai o banco de dados relacional inteiro, incluindo a linguagem de acesso, permissões, schemas, dicionário de dados, e todas as ferramentas de administração. Essa é a camada que chamávamos de &ldquo;Basis&rdquo;, em linguajar do mercado o cara de Basis costuma ser tipo o sysadmin ou devops nos dias de hoje. E você acha que já viu banco de dados grande? Não, na minha época uma instalação padrão já pré-configurava mais de 40 mil tabelas (acho que hoje já é dobro disso).</p>
<p>Pense tabelas cujos nomes são acrônimos de palavras em alemão, então você tem tabelas como VBAK e VBAP pra cabeçalho de ordem de venda e ítens. Você em BUKRS pra código de empresa. Ou LIFNR pra fornecedor e assim por diante. Depois de algum tempo você decora muitos acrônimos, é bizarro que mais de 10 anos depois eu ainda lembro de muitos de cabeça.</p>
<p>Os acrônimos originalmente deveriam ser curtos: 4 caracteres para tabelas e 5 caracteres para nomes dos campos, tudo isto para economizar espaço em memória e banco de dados, afinal de contas em 1997 em pleno boom de SAP R/3 o processador mais top na época é um Pentium-II, sistemas unix mais fortes rodavam em 32 bits.</p>
<p>Na minha época havia o minisap que era só a camada Basis com as ferramentas de ABAP mas sem os módulos funcionais. Era mais pros sysadmin e devs poderem ter um sandbox pra brincar e treinar. Ainda existem versões mais novas disponíveis no SAP Trials, acessivel pra quem tem conta na SCN a SAP Community Network, qualquer pessoa pode-se increver, vou explicar isso mais abaixo. Mas pra entender, sem os módulos funcionais, ainda assim pesa nada menos que 15GB pra baixar e precisa de no mínimo 4GB de RAM e 100GB de HD pra instalação. ??? Existem algumas versões alternativas que podem ser instaladas via docker, mas ainda precisam do mesmo espaço → bizarro</p>
<p>Sobre essa máquina virtual roda uma linguagem proprietária chamada ABAP que é um acrônimo em alemão absurdo que significa &ldquo;general report creation processor&rdquo; ou processador de criação de relatório gerais. Ou seja, em muitos aspectos não é muito diferente de um PL/SQL da Oracle ou T-SQL do SQL Server, mas como linguagem ela é bem mais completa e hoje em dia tem recursos como orientação a objetos.</p>
<p>Como gerador de relatórios e também de formulários existe ainda o SAP GUI que é um cliente burro. Via ABAP eu posso construir telas e o que é mandado para o client são as instruções de como desenhar essa tela. Do lado cliente não roda nenhuma lógica de negócio, só lógica de apresentação. Você usa um derivado desse conceito todo dia: o navegador web, que é só um cliente burro que não roda nada e recebe instruções pra desenhar a tela. Pelo menos era assim até embutirem tanto Javascript … enfim, o SAP GUI é o navegador.</p>
<p>(telas)
Por exemplo, esta é a tela de Login, o SAP Logon, vc pode cadastrar login pra vários SAP.
Aqui você ver o Easy Access, os menus pra acessar os programas ou transações, mas na prática ninguém usa isso, todo mundo sabe o código da transação e digita direto. E código de transação é um acrônimo em alemão, SE80 por exemplo é o Object Explorer.</p>
<p>Sobre esse runtime você tem as ferramentas de desenvolvimento, o ABAP Workbench que é o conjunto de ferramentas como editor, dicionário de dados, painter de tela e tudo mais, que é como se fosse seu Visual Studio ou Eclipse de hoje. Falando em Eclipse existe até o ADT que é o ABAP Development Tools que são plugins pro Eclipse, pouca gente usa, por incompatibilidade de servidores, funcionalidades ou por serem reacionários a mudanças e além de demandar uma curva de aprendizado..</p>
<p>Como mencionei antes, os programas são chamados por transações no SAP, o mesmo conceito de shortcuts do windows. E pra mim a coisa mais importante nessa infraestrutura é o Dicionário de Dados (tela) que contém todos os metadados do sistema que você acessa via o Object Navigator ou transaction SE80. Todas as transações são identificadas por um código como esse, é tipo a URL pros programas.</p>
<p>Vou tentar resumir bastante agora, mas por exemplo, no dicionário você tem tabelas. Mas você lembra que eu falei que o Basis abstrai o banco por baixo? Uma tabela em ABAP é uma representação 1 pra 1 com uma tabela no banco se ela for uma tabela que chamamos de &ldquo;transparente&rdquo; mas existem &ldquo;pools&rdquo; que são entidades independentes no dicionário mas agrupados em tabelas físicas maiores ou &ldquo;pools&rdquo; no nível do banco de dados. Você tem cluster tables que são fisicamente agrupadas em clusters baseados em suas chaves primárias, são alternativas para limitações de banco de dados, por exemplo, um tamanho de registro maximo ou de número de campos. Os dados de um registro lógico é guardado em mais do que uma linha no banco de dados, fora as chaves os demais campos ficam serializados em um campo raw. Obviamente com o pior conceito de performance, mas de novo, fica transparente para o workbench de abap o mesmo select. O trade-off para isto é a criação de tabelas secundárias particionadas. não lembro se na prática funcionam como views materializadas em bancos como postgresql.</p>
<p>Mais interessante são os Domains, que armazenam o registro dos elementos de dados. Acho muito engraçado que muito pouca gente sabe que qualquer banco de dados relacional que se preza tem coisas como User-defined types ou custom types. Por exemplo, se eu falo vamos representar um preço numa tabela, a primeira coisa que um programador pensa é: vou criar um campo FLOAT ou INT. No SAP você tem um tipo chamado PRICE e toda tabela que precisa de preço vai ter o tipo PRICE e ponto. Se amanhã o tipo primitivo de PRICE mudar, ela muda pra todo o sistema replicando a alteração para todos os demais objetos dependentes.</p>
<p>Mais ainda, internamente no ABAP digamos que eu queira uma variável no programa pra armazenar o preço que eu puxo de uma tabela. Que tipo vai ser essa variável? Vai ser tipo PRICE, igual o que vem da tabela. E como ABAP compila tipo uma AST mas sua execução é dinâmica, se o tipo PRICE muda, não só as tabelas, mas os programas passam a usar o tipo novo, é plug and play assim. Você acha que já viu boas modelagens de dados, mas comparado com o que se tem numa instalação SAP, chega a ser primitivo como um hello world.</p>
<p>Sendo ainda mais específico, uma tabela tem campos, campos tem elementos de dados, elementos de dados tem domínios, e o domínio contém o tipo de dado para armazenamento de banco de dados, valores permitidos, rotinas de conversão. Por exemplo, o elemento Centro de Custo valor string &ldquo;1000&rdquo; é convertido pra &ldquo;0000001000&rdquo;</p>
<p>então se um usuário preencher &ldquo;0001000&rdquo; ou &ldquo;01000&rdquo;</p>
<p>vai ser tudo reduzido a exatamente o mesmo valor. Então o elemento de dados já traz embutido não só o tipo primitivo mas regras como validação, conversão e inclusive a internacionalização do nome. Basta você falar que o campo é determinado domínio e ele já herda tudo.</p>
<p>Uma aplicação prática:
Um campo pro exemplos, o domínio email: os espaços no início e no fim são suprimidos, o campo é convertido para minúsculo, implementa-se uma regra de validação tipo regex em ABAP e um tamanho máximo.
Qualquer campo que seja exibido na tela do usuário já irá implementar todas estas regras.
Caso um dia o campo precise ser ampliado ou implementar uma regra do tipo @exemplo.com não é mais permitido, TODAS as referências utilizadas são automaticamente herdadas sem a necessidade de search, copy &amp; paste, etc.</p>
<p>&mdash;&gt; Foi o primeiro tapa na minha cara, onde eu aprendi que dar manutenção em programas é muito mais difícil do que escrever programas. E a SAP criou um fluxo de trabalho extremamente eficiente. Permitindo um código base existir e evoluir por quase meio século.</p>
<p>Eu falei de localização antes, e aqui entra domínios e elementos de dados de novo.
Pra quem acha que localização é só traduzir texto na verdade estamos falando de todos os cenários e regras de negócio particulares de um país para atender as necessidades fiscais e contábeis, por exemplo livros fiscais, cálculo e contabilização de impostos, retenção de impostos, obrigações acessórias como SPED contábil, contribuições, REINF, além de cálculo de folha de pagamentos e outras regras derivadas de CLT por exemplo.</p>
<p>Como eu disse que existe essa abstração de elemento de dados, num designer de tela, como você veria num Visual Basic, você não precisa arrastar um Label, editar o texto e daí arrastar um campo de texto e criar as validações. Você arrasta o elemento de dados inteiro e ele já vem certinho o texto internacionalizado, o tipo de campo de input correto e todas as validações e regras de negócio relacionados. É um nível acima do que você imagina como Rapid Application Development ou RAD que um Visual Basic ou Delphi nunca atingiram.</p>
<p>Pois é, lembra que eu falei que nomes de tabelas e campos no banco são tudo acrônimos em alemão? Não em importância porque graças aos elementos de dados no dicionário, cada campo além de tudo tem as traduções nas diversas línguas suportadas, então todas as telas traduzem automaticamente também.</p>
<p>Eu acho interessante porque se você começar a olhar todos os componentes em detalhes, é absolutamente surpreendente que um sistema como esse existe, e faz você, enquanto programador, enxergar o quanto nós somos ruins. Por exemplo, um programador amador, se precisasse fazer um sistema de vendas, começaria pensando um troço besta como uma tabela de produtos, que tem campos como código do produto, nome, quantidade e preço.</p>
<p>Esse é obviamente o jeito idiota de se fazer. Se você for um pouco mais avançado, vai pensar em variante de produtos, SKUs e modificadores de preço como descontos, preço de campanha.</p>
<p>Mas se você for no módulo de vendas do SAP, o famoso SD, você vai ter um sistema de precificação que é uma matriz multidimensional programática que leva em conta as variantes todas (que por si só são outras matrizes) e todos os aspectos geográficos, como setor de atividade, centro de distribuição, e tantos outros parâmetros que modificam desde custo até imposto que vai na composição dos preços. Um produto na verdade são N produtos que custam M preços diferentes dependente de quem faz o pedido, pra onde entrega, como foi manufaturado ou comprado, onde está armazenado, em que cidade, em que estado, de que país.</p>
<p>Eu tive a oportunidade de lidar com diversos módulos do R/3, incluindo sales and distribution ou SD, materials management ou MM, projects ou PS, financials ou FI, human resources ou HR. Como eu disse, eu não era um consultor funcional, eu era um integrador, principalmente pra sistemas Web. O R/3 tinha o equivalente a RPC pra integração ou Remote Procedure Calls, se você for de Java pense em algo como RMI ou Remote Method Invocation, pense a época de DCOM, COM+ ou CORBA. Tudo tecnologia pré-JSON-RPC que temos hoje em Web.</p>
<p>Na minha época, a SAP começou a tentar modernizar tudo pra Web, seguindo a tendência do mundo Java. A SAP compra muitas empresas o tempo todo, o portfólio de aquisição deles é enorme. Uma das empresas foi a In-Q-My de outra figura que ficou muito famosa na época, o Shai Agassi, empreendedor israelense. Muito antes de Elon Musk era Shai Agassi que estava iniciando a tendência de carros elétricos com sua empresa Better Place, que desenvolvia baterias pra carros elétricos e foi fundada em 2007, faliu em 2013, mas pense que foi tipo um pré-Tesla. Acho que meio por isso eu também não fiquei muito surpreso com um Elon Musk tendo conhecido Shai Agassi antes. Com a aquisição ele virou presidente de produtos da SAP e foi um forte candidato a suceder Henning Kagermann como CEO em 2007. Mas nessa batalha o Kagermann se estendeu como CEO até 2009 e Agassi renunciou.</p>
<p>Sob a liderança de Agassi surgiu a plataforma SAP NetWeaver, um pacote complementar ao ERP R/3, que adicionava componentes Web ao legado corporativo. Isso incluiu pacotes como o SAP Enterprise Portals, que foi onde eu me certifiquei e virei especialista. Era um conjunto de aplicações J2EE que rodava no servidor de aplicações da In-Q-My. Diversos outros produtos foram saindo nessa época, os xApps, o Exchange Infrastruture ou XI que era o sistema de filas, a versão menor do ERP pra empresas menores que foi o Business One e muito mais. Foi uma pequena revolução e todo mundo ficava confuso porque era o mundo legado recebendo a porrada do mundo Web. E exatamente nesse momento um cara como eu, que era de Web e aprendendo o legado, virei mosca branca.</p>
<p>Nessa época estávamos entrando na versão 4.7 do R/3. Quando eu estava saindo do mundo SAP eles estavam mudando o nome do produto principal de ERP de novo. De R/3 passou a ser ECC ou Enterprise Core Components. Então hoje em dia você não ouve mais falar de R/3 e sim de ECC.</p>
<p>Além disso eu falei que o Hasso Platner e o Larry Ellison não se bicam, mas uma das combinações mais fortes do mundo Enterprise sempre foi o R/3 rodando com banco de dados Oracle. Era bem bizarro, é meio como é hoje os iPhones da Apple usando telas OLED da Samsung embora eles sejam concorrentes. Hoje o cliente que gerar maior receita de banco de dados oracle no mundo é a própria SAP, que vende sua licença SAP adicionada do custo de licenciamento que é repassado para a Oracle. Houve uma litígio jurídico entre ambas sobre o valor do repasse, a primeira sentença foi de 1,3 Bilhões de USD.</p>
<p>O começo da sua história a SAP não lidou com bancos próprios, sendo como princípio fundamental multiplataforma e multi-banco. Para mitigar esta dependência uma das alternativas foi o famoso ADABAS D, que eles liberaram como open source com licença GPL no ano 2000. Em 2003 a SAP AG e a MySQL AB se uniram e lançaram um novo banco próprio pra SAP chamado de MaxDB. A MySQL saiu da jogada depois de alguns anos e a SAP continuou sozinha com o MaxDB que hoje é closed source. Para “controlar” a dependência sobre o sistema operacional a SAP é uma das acionistas da(o) Suse. Hoje o caminho da SAP é todo direcionado para o SAP HANA que é o novo banco de dados que roda como núcleo dos produtos de inteligência da SAP, é como se fosse um mantra ou uma lavagem celebral, tudo hoje na SAP gira em torno do Hana.</p>
<p>SAP HANA é um produto que vale a pena dar uma olhada, em resumo ele é um banco de dados in-memory (pensa um Redis), orientado a colunas (pensa um Cassandra) e com duas coisas absolutamente importantes: suporte a OLTP e OLAP.
OLTP pense em transações de bancos relacionais: a integridade dos dados é absolutamente importante num sistema enterprise.
E OLAP é a parte analítica, que é suporte a análise multi-dimensional, que é o caso pra Big Data, Data Mining, Data Warehouse. Se você nunca ouviu falar em dimensões, modelo estrela, cubos, não sabe o que é análise de dados ainda. Você acha que com uma mísera query SQL vai conseguir chegar de forma eficiente nos dados de uma multinacional tipo uma Nestlé e agregar os resultados de vendas de todos os países do mundo de uma só vez? Com capacidade de dar drill down do faturamento anual da marca e ir descendo - drill down - até chegar no faturamento de uma loja? Pensa no que significa esse tipo de query, e agora pensa centenas delas pra ter a visão do MUNDO de uma multinacional. Quando virar data scientist não era hipster como é hoje, já se lidava com Big Data em multinacionais.</p>
<p>O S/4 HANA é o primeiro re-code da SAP. Onde o antiquado, combalido mas ativo e forte cinquentão R/3 e suas repaginações segue finalmente para o caminho de legado.
O trocadilho S/4 é proposital da evolução do R para S e do 3 para 4.</p>
<p>Por muitos anos os sistemas SAP foram especializados em lidar com grande quantidade de transações. Vendas, compras, contratos, projetos, manufatura, etc. Onde a prioridade foi funcionalidade com o tradeoff de performance.  Agora que as empresas que implementaram tem essa quantidade massiva de dados, o foco tem sido em tornar esse dados inteligentes. Já que tem todos os dados vitais de uma empresa, porque o sistema já não pode tomar muitas decisões estratégicas? Daí entra o HANA ligado a diversos outros produtos como o TREX o próprio Hadoop e assim por diante.</p>
<p>Voltando a falar do mercado nacional, eu lembro que quando comecei no mercado SAP o mercado top tier era altamente concentrado no que chamávamos de Big Five. Pra explicar, haviam as grandes consultorias de renome que eram quem conseguia fechar contratos gigantes como Petrobrás, Vale. E existiam as quarteirizadas menores como onde eu trabalhava que prestavam serviço via essas grandes. No começo do século as Big Five eram IBM, Arthur Andersen, Price WaterhouseCoopers, Ernst &amp; Young e KPMG.</p>
<p>Mas não demorou muito e a parte de consultoria Arthur Andersen virou Accenture, a Price foi comprada pela IBM, a Ernst &amp; Young foi comprada pela Capgemini. No fim as Big 5 foram consolidadas mais ainda em Big 3.</p>
<p>Digamos que você quer se tornar um consultor, o que fazer? Você precisa passar pela academia, são os cursos de certificação licenciados pela SAP. Existem dois motivos de porque você não tem como ser autodidata no mundo SAP. Primeiro, tenta ir no Google, você não vai achar nada de muito útil online. Toda a base de conhecimento da SAP é fechada, só consultores certificados tem acesso a essa base. Existe tipo uma Deep Web da SAP que ninguém tem acesso, que é a SCN que mencionei no começo.</p>
<p>Fora isso pra acessar essa base e também pra conseguir acessar o sistema das empresas, você tem um SAP ID que é seu RG de consultor e é reconhecido mundialmente e cadastrado na SAP da Alemanha. Sem isso você não tem autorização pra atuar como consultor. Parece que diminuiu um pouco a dificuldade, antes você precisava fazer a academia, hoje tem um tal de Certification Day. Fragmentou um pouco o conceito de academias e bootcamps, hoje tem mais cursos não-oficiais pra assuntos específicos. A época de ouro da SAP no Brasil foi do meio dos anos 90 até o começo dos 2000 eu acho, quando as taxa hora eram exorbitantes. Mas até esse mercado se comoditizou um pouco hoje em dia, mas a exclusividade ainda garante boas taxas.</p>
<p>A certificação é do consultor, e ligado à consultoria que pagou pelo curso ou prova. E são cursos caros. Na minha época acho que uma academia era na casa dos 10 ou 20 mil reais. Pra consultoria isso é importante porque ela precisa de um número mínimo de consultores ligados ao seu CNPJ. Se o consultor trocar de consultoria ele precisa pedir a transferência. É uma burocracia da SAP que ainda mantém um certo controle de como organiza seu mercado. É meio parecido com o que a Microsoft tem com seus MCPs ou MCSEs.</p>
<p>Em começo de carreira o melhor é iniciar como trainee de uma das Big que mencionei, entrar no programa da IBM, Accenture, Deloitte, Capgemini e outras. Elas são pouco divulgadas então tem que cavar um pouco. E não é só pra programadores, na verdade os consultores funcionais são especializados em cada módulo de negócio. Um contador pode virar consultor do módulo financeiro, alguém que se formou em direito trabalhista pode trabalhar no módulo de HR, por exemplo.</p>
<p>Outro ponto que eu achava interessante antigamente era o que a gente coloquialmente chamava de Z/3. Uma das convenções de programação é que tudo que você desenvolvia em ABAP que não era standard a gente começava o nome com Y ou Z, muito mais Z. E um dos principais problemas de consultorias ruins é que em vez de resolver os problemas do jeito certo, via customização dos módulos funcionais, eles resolvem fazer via força-bruta, basicamente um copy e paste de uma transação que já existe em um Z pra mudar duas linhas. Que nem antigamente quem fazia web tosco tinha index.php e index2.php ou coisas assim.</p>
<p>Faça isso por muito tempo e você basicamente perde a habilidade de conseguir fazer upgrade do sistema porque as transações originais vão ser atualizadas, mas as cópias Z vão ficar pra trás. Então se formou um mercado paralelo pra dar manutenção nesses malditos Z/3. E você acha que só empresa pequena que faz isso, não empresas grandes fazem Z demais também. Eu vi vários.</p>
<p>Pra evitar esse cenários, depois da minha época a SAP inventou uma forma melhor pra estender os programas padrão sem ter que clonar em Zs, e isso é chamado de SAP Fiori ou SAP na Web. Eu mesmo ainda não vi como isso funciona, mas deve ajudar a evitar as dores de cabeça de manter um Z/3.</p>
<p>E falando em suporte, um dos grandes mercados pra consultorias de SAP ou Oracle é a parte de suporte. Eles vendem horas de suporte pra grandes empresas. Na minha época não tinha mas agora tem opções como a Rimini Street.</p>
<p>Fazer tudo by the book custa caro. Mas na prática não existe nenhuma trava de funcionamento do sistema, como chave de ativação ou algo assim. E mesmo que tivesse daria pra bypassar porque o código fonte do sistema em ABAP vem no sistema, ele é modificável. Mas só isso não é suficiente, sem o suporte da SAP seu sistema deteriora.</p>
<p>Mas em vez de pagar os 22% de valor de aquisição da licença pra efeito de manutenção muitas empresas optam por não evoluir o SAP, porque os processos em si ficam estáveis e não mudam tanto. Os demais gaps de desenvolvimento eles contratam de suporte alternativo, literalmente mercado negro mesmo. Fica a cargo de empresas como a Remini Street manutenções desse tipo.</p>
<p>Durante minha carreira enterprise eu passei por diversas empresas diferentes. Eu mencionei como ganhei o projeto de SAP Enterprise Portals na Suzano Papel e Celulose no meu vídeo de O que Estudar, mas além disso eu passei quarteirizado por consultorias como Atos Origin, e participei do projeto de merge de telecoms que gerou a Vivo, depois o merge que gerou a Claro, Ultrafértil Fosfértil, C&amp;A, Copersucar, ESAB, Embratel, e outras.</p>
<p>Apesar de ter sido um dos períodos mais estressantes foi também um dos mais interessantes. O trabalho era longe de ser glamuroso. Absolutamente longe de qualquer ideal de tech startup que você já tenha visto, na verdade acho que o total oposto. Não tem hora. Não tem lugar. Uma vez eu estava na Atos Origin falando de não sei que projeto e literalmente numa conversa de bebedouro troquei idéia com um gerente de não sei aonde, e ele falou de um problema que estava tendo no módulo de viagens na instalação da Embratel e, por acaso, eu tinha uma suspeita do que podia ser o problema. Ele disse que ninguém estava conseguindo resolver e quando falei da minha suspeita ele só disse: “porra, você pode ir pro Rio amanhã?” E assim eu fui pro Rio, passei 3 dias e resolvi o problema.</p>
<p>Só pra entender qual era o problema, uma transação SAP tem tela gráfica. Mas ela pode rodar headless. Pensa como rodamos hoje um Selenium, Capybara, com o Chrome headless. Mesma coisa. Eles chamam isso de Job, que roda em background. Agora imagina se uma tela headless de repente sobe um dialog box que não tem como dar cancel, daí obviamente o Job trava. Ninguém parou pra pensar nisso, daí eu achei onde abria dialog, não lembro se fiz algum ABAP uma exit ou algo assim pra tirar o dialog e aí tudo voltou a passar.</p>
<p>Um bom consultor, por definição, tem que pensar fora da caixa, como eu disse, nós temos menos tempo e menos recursos que todo mundo que tentou resolver antes da gente. Por isso que quando um consultor mosca branca troca de consultoria até o cliente tende a mudar de consultoria se precisar pra não perder o consultor. Nas consultorias menores, o consultor é mais importante do que a a consultoria. Isso eu sempre achei legal. Por outro lado gente que reclama demais nunca vai ser um solucionador de problemas - óbvio porque claramente gasta mais tempo reclamando que resolvendo - e, portanto, nunca será consultor porque nós éramos a elite, a swat, os navy seals, quando nos chamam é porque a casa já caiu. Quer trabalho facinho, vai trabalhar em fábrica.</p>
<p>Mas, uma coisa é certa, nenhum programador tem como saber as regras de negócio de grandes empresas sem ter passado por elas, de preferência por várias delas. Eu não sou especialista, mas ter tido a oportunidade de lidar com áreas completamente diferentes como vendas, recursos humanos, financeiro, manufatura, logística, controladoria, me deu uma visão de estrutura de empresas que nenhum MBA, e obviamente, nenhum evento ou workshop ou mentoria de startup jamais vai conseguir dar pra ninguém. Você precisa ter sofrido o mundo enterprise pra entender o mundo enterprise, é impossível saber disso de outra forma.</p>
<p>Como tangente eu acho engraçado quando o recém-formado ou mesmo drop-out “acha” que vai revolucionar qualquer coisa. Não vai. É uma loteria, é sorte, 1 em milhares. A razão é simples: o moleque chega e diz “vou revolucionar o mercado médico”, aí eu pergunto, beleza, quanto tempo você trabalhou na medicina? Em que especialidades? Em quantos hospitais? E ele fala “nunca fui médico”. Eu só balanço a cabeça e mando embora. Nem os próprios médicos entendem o sistema onde eles mesmos trabalham, estando dentro. Ou você tem um sócio médico que compreende os processos, ou esquece.</p>
<p>E não tente se comparar com os grandes. Você não é o Reid Hoffman. Você não é o Jack Ma. Você não é o Elon Musk nem o Shai Agassi. É um absurdo querer se comparar com eles.</p>
<p>Muitos dos processos que eu apliquei nas empresas seguintes que trabalhei, incluindo na minha própria, são derivados do que eu aprendi no mundo SAP. As partes boas eu trouxe, as que eu vi na prática que não funcionavam eu mudei, mas não saiu a idéia do zero da minha cabeça. Foram anos e anos tentando de tudo, falhando, aprendendo porque falhou e tentando de novo. E eu tive a oportunidade de fazer isso em grandes empresas. E mesmo com tudo isso quando comecei minha própria empresa tive problemas. Imagine você começar do absoluto zero e no risco? É como dizer “vou atravessar o Atlântico de caiaque, mas nem sei nadar ainda”. Minha cabeça explode ouvindo estupidez desse nível.</p>
<p>O mundo SAP serviu pra amadurecer minha visão de negócios, corporações e o mercado como um todo, uma nova dimensão que um programador recebendo ordem de serviço numa fábrica jamais vai ter. Minha recomendação é que se você tiver a oportunidade, tente, não vai perder nada. Se eu pudesse voltar no tempo será que eu passaria por todo esse stress de novo? Com certeza!</p>
<p>E é isso aí, hoje foi uma pincelada muito rápida no que eu aprendi em 5 anos nesse mercado, não dá pra detalhar tudo mas acho que isso deve dar uma visão geral, pelo menos uma visão geral segundo o que eu experimentei, tem muito mais que nem eu sei ainda. E vocês, já tiveram experiência no grande mercado enterprise? Compartilhem suas experiências nos comentários abaixo. Se curtiu mandem um joinha, compartilhem o vídeo, assine o canal e clique no sininho. A gente se vê, até mais.</p>
]]></content:encoded><category>negocios</category><category>arquitetura-de-software</category><category>programacao</category><category>akitando</category></item><item><title>[Akitando] #6 - 33 exemplos de projetos de ICOs e blockchains</title><link>https://akitaonrails.github.io/2018/08/30/akitando-6-33-exemplos-de-projetos-de-icos-e-blockchains/</link><guid isPermaLink="true">https://akitaonrails.github.io/2018/08/30/akitando-6-33-exemplos-de-projetos-de-icos-e-blockchains/</guid><pubDate>Thu, 30 Aug 2018 17:00:00 -0300</pubDate><description>&lt;p&gt;Disclaimer: esta série de posts são transcripts diretos dos scripts usados em cada video do canal &lt;a href="https://www.youtube.com/channel/UCib793mnUOhWymCh2VJKplQ"target="_blank" rel="noopener"&gt;Akitando&lt;/a&gt;. O texto tem erros de português mas é porque estou apenas publicando exatamente como foi usado pra gravar o video, perdoem os errinhos.&lt;/p&gt;
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<h3>Descrição no YouTube<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="descrição-no-youtube"></span>
    <a href="#descri%c3%a7%c3%a3o-no-youtube" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h3><p>FINALMENTE! Este é o último episódio da série Blockchain Week Seoul. Este episódio está BEM mais longo que o normal, mas não se preocupem, é só porque eu queria fechar o assunto o quanto antes. Eu selecionei e menciono nada menos do que 33 projetos neste vídeo, por isso ficou tão longo.</p>
<p>Para facilitar eu dividi este episódio em 7 grandes grupos que você pode pular de acordo com as seguintes marcações:</p>
<ol>
<li>Novas Tecnologias de Blockchains (1:49)</li>
<li>Exchanges e Investimentos (6:33)</li>
<li>Pagamentos (11:42)</li>
<li>Cartório e Auditoria (15:16)</li>
<li>Inteligência (17:12)</li>
<li>Games (20:58)</li>
<li>Outros (25:29)</li>
</ol>
<p>O objetivo desta série foi mostrar quão maior é o mundo, quão diverso é o mercado de criptomoedas, blockchains e ICOs e quais são as possibilidades sendo perseguidas hoje para inspirá-los. O mesmo mercado na América do Sul é extremamente atrasado, por isso quis mostrar um pouco mais do futuro que já está em construção.</p>
<p>Se você se interessou por algum dos projetos de ICO e blockchain que mencionei no vídeo, vá direto ao site deles. Os projetos estão listados abaixo em ordem alfabética.</p>
<ul>
<li>BitHero (<a href="http://bithero.io/"target="_blank" rel="noopener">http://bithero.io/</a>)</li>
<li>CertiK (<a href="https://certik.org/"target="_blank" rel="noopener">https://certik.org/</a>)</li>
<li>ChainKey (<a href="https://chainkey.io/"target="_blank" rel="noopener">https://chainkey.io/</a>)</li>
<li>ChiliZ (<a href="https://www.chiliz.com/"target="_blank" rel="noopener">https://www.chiliz.com/</a>)</li>
<li>COTI (<a href="https://coti.io/"target="_blank" rel="noopener">https://coti.io/</a>)</li>
<li>CRED (<a href="https://www.libracredit.io/"target="_blank" rel="noopener">https://www.libracredit.io/</a>)</li>
<li>Dex.top (<a href="https://dex.top/"target="_blank" rel="noopener">https://dex.top/</a>)</li>
<li>DX.exchange (<a href="https://dx.exchange/"target="_blank" rel="noopener">https://dx.exchange/</a>)</li>
<li>Electrify.asia (<a href="https://electrify.asia/#home"target="_blank" rel="noopener">https://electrify.asia/#home</a>)</li>
<li>EMX (<a href="https://www.emx.com/en/"target="_blank" rel="noopener">https://www.emx.com/en/</a>)</li>
<li>Evident Proof (<a href="https://ept.gi/"target="_blank" rel="noopener">https://ept.gi/</a>)</li>
<li>Fleta (<a href="http://fleta.io/"target="_blank" rel="noopener">http://fleta.io/</a>)</li>
<li>FuzeX (<a href="https://fuzex.co/"target="_blank" rel="noopener">https://fuzex.co/</a>)</li>
<li>Game X Coin (<a href="https://www.gamexcoin.io/"target="_blank" rel="noopener">https://www.gamexcoin.io/</a>)</li>
<li>GCOX (<a href="https://gcox.com/"target="_blank" rel="noopener">https://gcox.com/</a>)</li>
<li>Gifto (<a href="https://gifto.io/"target="_blank" rel="noopener">https://gifto.io/</a>)</li>
<li>HintChain (<a href="http://hintchain.io/"target="_blank" rel="noopener">http://hintchain.io/</a>)</li>
<li>Hycon (<a href="https://hycon.io/"target="_blank" rel="noopener">https://hycon.io/</a>)</li>
<li>Lucidity (<a href="https://lucidity.tech/"target="_blank" rel="noopener">https://lucidity.tech/</a>)</li>
<li>MagnaChain (<a href="https://magnachain.co/"target="_blank" rel="noopener">https://magnachain.co/</a>)</li>
<li>Mfun (<a href="https://mfun.io/"target="_blank" rel="noopener">https://mfun.io/</a>)</li>
<li>MobileChain (<a href="https://www.mobilechain.network/"target="_blank" rel="noopener">https://www.mobilechain.network/</a>)</li>
<li>Nexty (<a href="https://nexty.io/"target="_blank" rel="noopener">https://nexty.io/</a>)</li>
<li>Orion Vault (<a href="https://orionvault.com/"target="_blank" rel="noopener">https://orionvault.com/</a>)</li>
<li>PATH (<a href="https://path.network/"target="_blank" rel="noopener">https://path.network/</a>)</li>
<li>PayProtocol (<a href="https://payprotocol.io"target="_blank" rel="noopener">https://payprotocol.io</a>)</li>
<li>Pinmo (<a href="https://www.pinmo.io/"target="_blank" rel="noopener">https://www.pinmo.io/</a>)</li>
<li>Platin (<a href="https://platin.io/"target="_blank" rel="noopener">https://platin.io/</a>)</li>
<li>Rebirth Coin (<a href="http://wrecoin.org/"target="_blank" rel="noopener">http://wrecoin.org/</a>)</li>
<li>SGame Pro (<a href="https://sgamepro.io/"target="_blank" rel="noopener">https://sgamepro.io/</a>)</li>
<li>T.OS (<a href="https://www.tosblock.com/"target="_blank" rel="noopener">https://www.tosblock.com/</a>)</li>
<li>Tokedo (<a href="https://tokedo.io/"target="_blank" rel="noopener">https://tokedo.io/</a>)</li>
<li>Tottle (<a href="https://www.totle.com/"target="_blank" rel="noopener">https://www.totle.com/</a>)</li>
<li>WePower (<a href="https://wepower.network/#"target="_blank" rel="noopener">https://wepower.network/#</a>)</li>
</ul>
<p>E não deixe de visitar minha corretora:</p>
<ul>
<li>OmniTrade (<a href="https://omnitrade.io"target="_blank" rel="noopener">https://omnitrade.io</a>)</li>
</ul>
<h2>Script<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="script"></span>
    <a href="#script" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Olá pessoal, Fabio Akita!</p>
<p>HOJE é um dia especial! Depois de 5 episódios sobre a Coréia do Sul, vamos FINALMENTE, chegar ao final dessa jornada com um pequeno tour sobre ICOs.</p>
<p>Se você ainda não assistiu os episódios anteriores, pause este vídeo e faça isso agora pelo link acima, vamos lá, eu espero.
&hellip;</p>
<p>(abertura)</p>
<p>Ótimo, já viram? Assinem o canal para não perder mais. HOJE vamos explorar rapidamente as diversas startups e ICOs que eu vi durante os eventos que participei. Não todos, mas MUITOS!</p>
<p>Como DISCLAIMER: nada do que eu disser aqui constitui recomendação a favor ou contra. Qualquer opinião é  pessoal e produzida com intenção de encaixar na narrativa deste episódio. Se você ficar interessado em qualquer uma delas, veja os links na descrição do vídeo abaixo e estude por conta própria em detalhes e com muito cuidado!</p>
<p>Além disso estou me restringindo somente ao que estava exposto nos eventos, o mundo de ICOs é infinitamente maior do que isso. Muitos não eram da Coréia propriamente dito, mas de outros países da Ásia como Cingapura ou Indonésia e outros eram da Europa e até mesmo Estados Unidos. Neste video você certamente terá exemplos de ICOs que claramente são muito ruins e outros que podem ser os próximos candidatos a unicórnios, quem sabe? Mesmo assim os exemplos aqui não são representativos do mundo como um todo. Mas, se você nunca tinha parado para pensar nas possibilidades, talvez este vídeo ajude a aumentar seus horizontes.</p>
<p>Vou separar o vídeo em SETE grandes grupos para facilitar um pouco. Vamos começar!</p>
<p>(&hellip; 1 - novas técnicas de blockchains)</p>
<p>No primeiro grupo temos projetos que se colocam para &ldquo;resolver&rdquo; os problemas das primeiras gerações de blockchains. Para quem não sabe, alguns categorizam as criptomoedas em gerações. Bitcoin, obviamente é da primeira geração, o blockchain canônico. Ethereum meio que iniciou a segunda geração com smart contracts. E assim por diante.</p>
<p>Existem várias formas alternativas de implementar blockchains com consenso distribuído. Muitos derivam o código de criptomoedas existentes e fazem um tuning ou fazem uma do zero mesmo.</p>
<p>A Fleta diz ter uma arquitetura diferente, permitindo shards do blockchain, múltiplos chains e também distributed apps ou o DAPPS. Dapps podem ser usados para gerar tokens e no caso da Fleta eles podem ficar em sub-chains e inclusive podem escolher o método de mineração, como Proof of Work (PoW) ou Proof of Stake (PoS). Mas a chain principal pode ter blocos minerados via um método proprietário deles chamado Proof of Formulation baseado em uma &ldquo;formulação&rdquo; de ordem de recompensa. Com o suporte a shards e limitação na propagação dos blocos eles dizem conseguir atingir 10 milhões de TPS ou transações por segundo (o bitcoin por exemplo não consegue mais do que 7 blocos por segundo, ethereum é só uma ordem de grandeza mais rápido). Cada shard diz conseguir 20 mil TPS. Além de terem a capacidade de confirmação em quase tempo real via nós de observadores.</p>
<p>Exemplo semelhante é a MagnaChain, mais um blockchain que dizem ser escrito em C++ e implementa a virtual machine Lua para executar smart contracts em vez do Solidity usado no Ethereum. Novamente, eles também tentam melhorar o consenso usando um híbrido entre PoW e PoS que eles chamam de VirtualHash-PoS. Além disso também vai pelo caminho de side chains e tem como primeiro use case a indústria de games, para isso estão preparando SDKs para games mobile e outras ferramentas. A idéia, claro, é poder ter tokens In-app que podem ser usados fora do game em exchanges ou marketplaces. Diferente do Fleta os números que eles clamam são um pouco mais realistas, na casa das 100 mil TPS. Na testnet deles dizem ter chegado a 13 mil TPS.</p>
<p>Outra alternativa é a HYCON ou hyper connected coin. Seu genesis block foi publicado já no GitHub em janeiro desse ano. Ele tenta também mexer no sistema de consenso e embora tenham começado com o blake 2b, eles abandonaram para usar cryptonight, o mesmo do Monero. A vantagem é tornar a vida de fabricantes de ASIC como a Bitmain mais difícil porque ele faz leituras/escritas pseudo aleatórios em memória e corta a diferença de processamento também entre CPU e GPU, na prática impede mineradores de usarem ASICs potentes, tornando o sistema mais decentralizado em máquinas mais lentas. O protocolo de consenso usa o SPECTRE que generaliza o blockchain um direct acyclic graph ou DAG, como um IOTA onde você tem um algoritmo de voto entre pares de blocos. Por conta da estrutura de DAG múltiplos blocos podem ser adicionados simultaneamente o que aumenta a velocidade da mineração mesmo sendo PoW. Dizem que conseguem confirmar um bloco a cada 1 segundo. Um dos diferenciais é que eles tem do seu lado um grande evangelizador de criptomoedas da Coréia, o Taewon Kin, da Glofer.</p>
<p>Mas, falando em celebridades, a Platin também tem um do seu lado, como advisor eles conseguiram chamar o controverso Robert Scoble, que parece que já foi mais famoso alguns anos atrás. Essas celebridades na prática não influenciam o desenvolvimento técnico, mas muitos procuram figuras reconhecidas para ficar mais fácil se destacarem. Mas a Platin tem um conceito um tanto ousado, eles implementaram um PoL ou Proof of Location. A idéia é fazer um Pokemon Go de tokens, para lojas fazerem airdrop de tokens e você ter que ir até a loja para coletar os tokens. É a mesma idéia dos pokemons, mas daí você “minera” tokens baseado na localização. Então é um blockchain pensado para ser mobile-first, porque precisa do GPS. Por baixo ele vai trazer o PTN token e vai poder customizar a moeda para estabelecimentos comerciais. Não tenho idéia se faz sentido ou se vai funcionar, mas achei inteligente um Pokemon Go que te dá alguma coisa em troca por ficar tendo que andar tanto para achar os bichos. No Pokemon Go você sequer pode treidar os pokemons que consegue, o que eu sempre achei uma limitação bem ruim.</p>
<p>(.. 2 Exchanges and Investments)</p>
<p>Todo mundo deve achar que o mundo já tem corretoras demais, mas não se desesperem ainda. Tem muitas mais chegando! Mas certamente uma categoria que tem ganhado cada vez mais espaço são as exchanges decentralizadas. A idéia é tentar ser o mais peer to peer possível. Infelizmente as blockchains desta geração ainda não tem velocidade suficiente para manter order books com trades ultra rápidos on-chain. Seria extremamente lento tentar implementar um order book dentro de um smart contract, como fazemos com tokens. Mas existem implementações tentando coisas como usar side-chains, mantendo os books off-chain e de tempos em tempos colocar as trades on-chain.</p>
<p>É o que fazem projetos como a Dex.top, - entenderam? Desk-top dex top? um dos nomes mais interessantes. Ele é construído obviamente em cima do ethereum, eles tem uma app de wallet chamada TrustWallet para iniciar os trades. Já aparecem até no famoso site coinmarketcap com pelo menos 30 pares de tokens. Mais do que isso, eles são incubados por ninguém menos que a famosa Bitmain - lembram, dos hardware ASIC para mineração? E eles fazem o que expliquei: um sistema que chamam de RoC ou Replayed On Chain. Tecnicamente eles dizem não ter funções de custódia, mas não são 100% decentralizados também. Um dos diferenciais é que dizem ter sido auditados pela Bug Bounty, HackerOne, ChainSecurity e Sentinel Protocol.</p>
<p>Outro exemplo parecido é a DX.exchange, onde uma das propostas é em vez de cobrar taxas por transação, eles cobram uma mensalidade fixa. Então é “marketamente” zero fees. Outro diferencial é que dizem serem regulados pela Unidade de Inteligência Financeira da Estônia, obviamente eles ficam na Estônia.</p>
<p>Um pouquinho diferente parece a proposta da Tottle DEX que está em beta agora. A idéia deles é ser um agregador de exchanges descentralizadas como as que mencionei acima. Unificar os order books de todo mundo em um só. De similar novamente é ser implementado em cima do ethereum, então obviamente o target são tokens ERC20. Fico em dúvida se fazendo isso eles conseguiram implementar um protocolo rápido para liquidar as ordens. Tecnicamente eles precisam manter contas abertas em todas as que integram e ter reservas de criptos em todas elas para conseguir fazer as trades serem liquidadas o mais rápido possível. Não sei se foi assim que implementaram mas é a única solução que me vem à cabeça. Se depender de transferência on-chain, seria absurdamento lento.</p>
<p>Antigamente havia um app chamado TradeHero que é uma exchange simulada com moeda realmente “virtual” para você aprender a tradar sem risco. Uma excelente ferramenta para quem quer aprender o mundo de trading. Daí eles criam um novo app o BitHero que começa como um simulador mas daí você pode trocar para tradar criptos de verdade. Como plataforma educacional achei uma excelente idéia e a idéia é aprendizado baseado em gamificação e interação social com seus amigos. Eles tem um token próprio, claro, o BTH e um dos investidores é ninguém menos que a Samsung.</p>
<p>Até agora, apesar de se chamarem “decentralizadas” parece como qualquer outra corretora moderna. Mas aí temos projetos como a EMX, que diz conseguir possibilitar o trading de futuros com cripto, coisa que nenhuma corretora tradicional consegue fazer. Normalmente você é obrigado a ter conta em múltiplas corretoras, vender suas criptos por moeda fiduciária, transferir pra outra corretora e aí comprar futuros ou outros derivativos e commodities. Isso é extremamente ruim e lento, mas na EMX ele diz facilitar isso dentro de uma mesma corretora. Obviamente ele tem seu próprio token para negociar internamente, o EMX Token. Além disso você pode pegar emprestado de um margin syndicate ou emprestar a eles para não precisar movimentar suas criptos e ganhar taxas por isso além de manter os assets dos traders que pegaram emprestado com você, como colateral. Me chamou a atenção ter como advisor o Simon Kim, lembram, CEO da Hashed.</p>
<p>E nessa linha ainda temos a CRED, que eu conheci no evento Blockchain Partners como Libra Credit, mas mudaram de nome. Eles dizem ser uma plataforma descentralizada de emprestimo. A idéia é trazer mais acesso a crédito. Você precisa de moeda fiduciária, tem cripto, mas não quer ter que vender suas posições em cripto. Então você pode deixar suas cripto como colateral em empréstimo. Ou, se simplesmente quer fazer hedge, se proteger da volatilidade, pode transformar suas criptos numa stablecoin deles. Falta no mundo de exchanges de cripto mais opções de produtos financeiros como os oferecidos pela EMX e pela CRED. Outro detalhe que me chamou a atenção é eles serem incubados na Binance Labs. A Binance também está continuamente pesquisando diferentes produtos para aumentar seu portfolio.</p>
<p>(&hellip; 3 Pagamentos)</p>
<p>Na sequência, o que todo mundo reclama é que criptos tem sido usados somente como armazenamento de valor e papel especulativo. O real uso seria quebrar a barreira do comércio de verdade e ser usado em pagamentos no mundo real. Eu vi várias propostas como a PumaPay que já tinha mencionado nos outros vídeos ou esta Pay Protocol, que é de ninguém menos que a Danal que já tem um negócio em meios de pagamento e POS para lojas. Eles também implementaram SDK para aplicações mobile, querem suportar múltiplas criptomoedas e ser o mais amigável possível para o comércio. Na prática o POS poderia escanear um código de barras direto do app do seu celular para efetuar o pagamento ou se for e-commerce um app equivalente Amazon ou MercadoLivre teria no checkout a opção de pagar com meios normais como cartão de crédito ou Pay Protocol. Provavelmente ele deve oferecer uma wallet ou se integrar a existentes.</p>
<p>Outra que tenta criar a ponte com o mundo real é a FuseX que está fabricando cartões de plástico como os de crédito ou débito que usamos. Eles já fabricaram pelo menos 30 mil unidades. Tem um micro processador, uma tela tipo e-paper, bateria recarregável que dura de 45 a 60 dias e 3 botões dentro do espaço que ocupa um cartão de crédito tradicional. Novamente ele quer suportar múltiplas criptomoedas e ele tem um módulo backend que provavelmente se integra com adquirentes. Não ficou muito claro mas é uma solução que depende de parcerias no mundo tradicional, e com empresas como VISA não tendo sido muito amigável com cripto ultimamente, não sei ainda até onde isso vai.</p>
<p>A Nexty é uma que olhando o site, eu imaginaria não ser muito real, mas parece que tem mesmo um sistema funcionando hoje, talvez. Na prática me pareceu outro fork de ethereum um pouco customizado, onde eles inventaram um modelo de confirmação usando dois tokens ERC20, que eles chamam de NTY e NTF. Nesse sistema quem quiser participar da mineração precisa de tokens NTF e os fees vão baixando até zero conforme o uso, um tipo de smart staking. No fim o usuário dessas tokens baixa um wallet proprietário deles que, segundo reviews na página do Google App Store não tem tido boas notas não ….</p>
<p>Na mesma linha temos o COTI ou Currency Of The Internet. Eles tem um blockchain próprio implementado na estrutura de um DAG também (de novo, como a HYCON), eles chamam de TrustChain. A idéia deles é um sistema de scores para promover bom comportamento e penalizar mal comportamento na rede. O objetivo também é chegar em fees muito baixo ou zero. No fundo ele é para ser um blockchain mais genérico mas a primeira aplicação que eles querem é um meio de pagamento, o COTI PAY. Não fiquei muito convencido vendo a página deles, mas vejam vocês mesmos.</p>
<p>Como a COTI a T.OS é outra moeda para pagamentos, também tem uma wallet e dizem eles ter uma solução pelo menos 10x mais rápida que o Bitcoin (que apesar de ser o mais difundido é de fato o mais lento de todos), 3x mais rápido que ethereum, e até 14x mais rápido que isso se usar o modo de pagamento deles (provavelmente alguma side-chain também). Ser 10 ou 100x mais rápido que Bitcoin não é exatamente rápido o suficiente na minha opinião, mas enfim, é mais uma alternativa.</p>
<p>E … eu disse que este seria o último episódio mas pra variar acabei escrevendo muito! Então, vamos fazer o esquema Harry Potter and the Deathly Hallows e dividir o final em parte 1 e parte 2! Das SETE grandes categorias cobrimos hoje novas técnicas de blockchains, exchanges descentralizadas e pagamentos com cripto. No próximo episódio vamos finalizar as 4 últimas categorias e concluir a série!</p>
<p>Não deixem de comentar abaixo, dêem um joinha se gostaram, assinem o canal e cliquem no sininho para ser notificado nos próximos episódios! Até mais!</p>
<p>E aí pessoal, Fabio Akita</p>
<p>Agora sim! Eu juro! É o última parte do último episódio da série sobre a Coréia do Sul. Na parte 1 passamos por vários projetos de criptos em 3 grandes categorias de 7. Hoje vamos cobrir as últimas 4.</p>
<p>Se não assistiram o episódio anterior, clique no link do topo do vídeo para assistir! Eu espero …</p>
<p>(&hellip; abertura)</p>
<p>Pronto! Vamos continuar a parte 2 do último episódio.</p>
<p>( … 4. Cartório e Auditoria)</p>
<p>Além de trading e pagamentos, outro grande caso de uso que ouvimos muito falar é a eliminação de cartórios. Cartórios existem como um terceiro que valida um documento entre duas pontas. Mas se usarmos blockchains para isso poderíamos tecnicamente eliminar esse intermediário burocrático.</p>
<p>Exemplo disso é a ChainKey que diz ser uma platforma que se conecta com a mainnet da ethereum, ou você pode usar uma rede privada como hyperledger ou grandeo. Usa tokens ERC20 CKEY ou GDO como crédito e permite armazenar qualquer arquivo de forma pública ou privada (tipo um dropbox ou google drive) mas com identidade do arquivo certificado no blockchain.</p>
<p>A Orion Vault é uma opção mais especializada que quer ser uma mistura de IMDB de peças de arte fina junto com um marketplace, cortando os intermediários e levando o artista mais próximo do comprador. O comprador ganha um certificado digital da peça que comprou, que identifica unicamente aquela peça. Na prática é adicionar um identificador único a uma peça no mundo real que é outra tendência que muitos já vinham discutindo.</p>
<p>E temos também a Evident Proof que provê serviços de verificação de dados e prova. Ele tem tokens próprios os EPT, porque, porque não? Eles dizem prover provas imutáveis que mantém encriptado no blockchain (espero que eu não tenha entendido errado quando li, mas do jeito que falaram parecia que querem guardar o arquivo dentro do blockchain. Apesar de possível, não é pra isso que serve o blockchain. Mas eles também suportam blockchains públicas e privadas como a ChainKey e tem como alvo mercados que levam privacidade e veracidade dos dados a sério, quando precisam de coisas como HIPAA no mercado hospitalar ou SOX (Sarbanes Oxley) em auditoria financeira.</p>
<p>(&hellip; 5 Inteligência)</p>
<p>Outro uso que sempre falam de blockchains é otimizar a cadeia de suprimentos, ou supply chain. Toda cadeia de produção tem muitos intermediários no meio do caminho e no fim o produtor tem muito pouca informação do consumidor final. Fora coordenação dos diversos fornecedores numa cadeia de produção de um produto. Tudo isso poderia ser otimizado mesmo com blockchains privados, mas tem mais valor ainda se as soluções conseguem se manter públicas sem sacrificar a privacidade dos consumidores.</p>
<p>A Hint Chain tem como alvo uma vertical muito específica, no caso a cadeia de suprimentos de comida. Onde eles querem criar perfis de comida, algo mais na linha de data mining. A idéia é catalogar uma estrutura padrão para esse perfil para delinear o que cada consumidor prefere em cada situação para comer, seus hábitos alimentares, premiar a participação com tokens, claro, e levar esses dados aos produtores no começo da cadeia que, hoje, normalmente tem pouco contato e conhecimento do consumidor final, e no futuro adicionar até inteligência artificial para melhorar o lado da produção de comida baseado nesses dados. De fato eu sei que existe um mercado para esse tipo de dados, vamos ver se eles conseguem entregar o que prometem.</p>
<p>Um pouco diferente é a PATH que pelo menos à primeira vista parece nada mais do que um sistema de monitoramento de servidores como centenas que já existem no mercado. Checar uptime de servidores, monitoramento de performance, monitoramento de ataques de distributed denial of service ou DDOS, testes de interação, etc. Mas em vez de um sistema centralizado eles querem distribuir os agentes de monitoramento em forma de apps ou plugins de browser que usuários normais podem instalar e serem recompensados com tokens por prover os dados de monitoramento. Eu achei a idéia até inteligente porque eles conseguiriam muitos mais pontos de dados de usuários em cenários reais de rede e computador e fornecer dados mais interessantes - se eles conseguirem adoção.</p>
<p>Mais um que quer otimizar a cadeia é a Lucidity, no caso no mundo de advertising. Um dos problemas que os anunciantes enfrentam é não saber qual o real resultado de seus investimentos em campanhas digitais de marketing. Eles são obrigados a acreditar em qualquer relatório que as agência constróem. O que a Lucidity quer é assinar blocos de dados de analytics, que eles vão manter armazenados em seus sistemas, mas cuja assinatura de verificação estará disponível no blockchain do ethereum. Os participantes na validação desses analytics são usuários também, que receberão tokens pela participação. Dessa forma eles estão distribuindo o trabalho de auditoria e mantendo dados verificados que depois podem ser usados para gerar relatórios que podem ser rechecados para autenticidade, melhorando a credibilidade do mercado de advertising e garantindo resultados mais reais aos anunciantes. Para ter a performance necessária eles também tem uma segunda camada off-chain, como a Orbs que falei em outro vídeo, usando a solução chamada Plasma - recomendo pesquisar sobre isso e sobre a arquitetura de side-chains / off-chain em geral.</p>
<p>A Pinmo tem uma proposta para um mercado similar, mas no caso a intenção é trazer os anunciantes mais próximos dos influenciadores em redes sociais, novamente a intenção é cortar os intermediários como as agências. Novamente também tem seus próprios tokens. Novamente implementado sobre ethereum como uma dapp para prover soluções cross-chain. Achei um pouco superficial ainda, pelo menos vendo pelo site.</p>
<p>(&hellip; 6 Games)</p>
<p>Já mencionei rapidamente em alguns vídeos, mas games é um target meio óbvio hoje em dia. Especialmente pelo enorme mercado de loot crates, e in-app purchases que basicamente todo game online tem hoje em dia. Os gamers já estão acostumados a comprar todo tipo de digital assets usando moedas virtuais que eles compram com cartão de crédito e depois usam em marketplaces virtuais fechados dentro do próprio jogo.</p>
<p>A Game X Coin quer ser uma moeda universal para games. Eles tem seu próprio blockchain construído como uma versão customizada do EOS, estão criando SDKs para integrar nos games, tem um gerador de tokens para cada game, wallet e uma exchange descentralizada onde os jogadores podem tradar os tokens de um game por outro. Ainda é bem no começo e tem só um pequeno game de demo que vocês podem baixar no site deles.</p>
<p>Muito parecido seria a MobileChain que tenta ser uma solução um pouco mais genérica do que só games, eles também vão oferecer SDKs para in-app wallet deles. Permitir os publicadores de apps recompensar diretamente os usuários com tokens. É a solução padrão; em cima de ethereum, smart contracts, tokens ERC20 e opções para permitir coisas como recompensa de tokens baseado em localização para lojas físicas, meio como a Platin.</p>
<p>E também um pouco parecido é Mfun, mas diferente porque vem da Indonésia, um mercado que parece que cresce rápido no mundo de games na Ásia. Um mercado de 50 milhões de jogadores e o 3o maior da Ásia. A solução é parecida, tokens in-game, cortar intermediários, dar recompensa ao jogador quanto mais ele joga. Em vez do publicador gastar caro com ads, ele pode pagar direto ao usuário e evitar spam de ads em todo lugar, dando ads mais direcionados. Diferencial é ter a marca da Agate que já fez mais de 250 mobile games, e outros parceiros como a Duniaku e Yogrt.</p>
<p>Um pouco mais evoluído seria a Chilliz, mais voltado para os fãs de e-sports. No caso a idéia é você ser um investidor do seu time de e-sports, comprar tokens que dá direito a ter “voz” e participar de pesquisas para ajudar a decidir a direção do seu time preferido. Eles estão monetizando a “voz”, a participação do fã nas escolhas do time. É um sistema parecido com de sócio de clubes. Uma mistura de crowdfunding com cripto. Eles já levantaram USD 27 milhões na primeira rodada e estão juntando forças com a Binance numa joint venture estabelecida … na Ilha de Malta.</p>
<p>Agora, temos a SGame Pro. Proposta? Mesma coisa: in-game tokens cuja “mineração” é jogar. Seria PoP ou Proof of Play como “algoritmo” de consenso. Novamente tokens ERC20, wallet, etc. O diferencial deles foi ter recrutado ninguém menos que o mais famoso gamer da atualidade o Pewdiepie como garoto propaganda do ICO deles.</p>
<p>Na mesma categoria ainda temos um mais evoluído, a Gifto cujo propósito é vender presentes virtuais. Sim! Chegamos à era onde você presenteia amigos com digital assets. Parece bem idiota mas em 2017 eles já faturaram USD 150 milhões e eles vendem 25 milhões de presentes virtuais por mês. Integram com apps como Uplive que é tipo o Periscope da Ásia para streaming, tem opções de doar pra caridade, opções para criadores de presentes virtuais e já tem mais de um milhão de usuários da wallet deles. No caso acho que seria um reverse ICO porque parece que querem adicionar integração com ethereum como forma de pagar os criadores de presentes, ou algo assim.</p>
<p>E você nota que muitas dessas ICOs trazem alguma celebridade pra tentar dar alguma notoriedade aos projetos, como o PewDiePie que acabamos de falar, ou o Taewon na HYCON ou o Robert Scoble na Platin, mas que tal a GCOX ou Global Crypto Offering Exchange, como o nome diz uma exchange mas cujo propósito é gerar um ecossistema para gerenciar tokens de celebridades, novamente a idéia dos fã clubes como a Chilliz mas em vez de ser só pra e-sports é para celebridades em geral, ou Celebrity Token que pode ser usado para comprar merchandise da sua celebridade favorita, entrar em contato com essa celebridade ou doar para a caridade que eles apoiam e coisas desse tipo. No time de fundadores eles tem celebridades, duh, como o boxeador superstar e senador das Filipinas Manny Pacquiao e o ex-jogador de futebol da Inglaterra, Michael Owen.</p>
<p>( … 7 Outros)</p>
<p>E para a última categoria vamos começar falando de 2 projetos na área de energia. Que tal o Electrify Asia. Parece que em alguns países como Singapura a eletricidade foi democratizada desde 2001. E qualquer um que consuma mais que 2000 kWH pode escolher seu fornecedor de energia - coisa que nem ouvimos falar por aqui. Eles querem criar um marketplace onde você pode comprar energia usando o token deles, o ELEC, abrindo o mercado para pequenos produtores, por exemplo prédios que tem células solares no teto e queiram vender seu excesso de energia. Eles também estão querendo fabricar o PowerPod que é basicamente um medidor de saída de energia para pequenos produtores, para medir e executar as trades p2p em seus smart contracts. É uma idéia interessante em países mais avançados que já estão chegando nesse estágio.</p>
<p>No mesmo setor mas com outra proposta é a WePower, no caso é mais um crowdfunding para projetos de energia renovável. Eles também querem conectar compradores e produtores, também usam smart contracts ethereum, e também tem seus próprios tokens de energia.</p>
<p>Enfim, bons ou ruins, todos os projetos envolvem tokens como vocês podem ver. Em comum é que a maioria são tokens no padrão ERC20 que é uma interface padrão de smart contracts, normalmente programados em Solidity, uma linguagem meio primária que não te protege muito não, e é muito fácil cometer erros graves. E pra piorar, uma vez instalado no blockchain o contrato é imutável. Muitos casos graves de bugs em smart contract já levaram muitos ICOs a perder todos os seus tokens. E por causa disso achei interessante um projeto que vi lá chamado CertiK que é uma plataforma que executa uma séries de checagens de análise estática de código (como um Brakeman, que usamos em projetos Ruby) para achar erros comuns como buffer overflow e coisas do tipo, com o twist que obviamente else rodam as análises de forma descentralizada. Eles dizem criar um certificado para dizer que seu smart contract é “sem bugs e resistente a hackers”, isso eu já acho um exagero. Tudo bem que tokens ERC20 não são exatamente difíceis de fazer, então quem sabe eles já tenham mesmo coberto tudo nesse tipo específico de smart contract.</p>
<p>E, claro, se você não é exatamente o tipo que consegue programar seus próprios smart contracts, não se preocupe, existe o projeto TOKEDO que oferece produtos como wallet, uma exchange e nada menos que um Criador de Tokens para ICOs usando o modelo DAICO que é um modelo sugerido por ninguém menos que o criador do ethereum Vitalik Buterin para incorporar certos aspectos de uma DAO ou organização autônoma descentralizada em tokens para crowdfunding. Na prática é uma governança automatizada onde o projeto que levanta o ICO não tem acesso a todos os fundos gerados pela venda dos tokens, em vez disso ele vai soltando os fundos à medida que o projeto realmente entregue os milestones que ele mesmo prometeu ou os fundos restantes são devolvidos aos compradores. É meio como funcionam rounds de investimento tradicional em startups. Você atinge metas e recebe o próximo round, e é um modelo mais correto para ICOs que é o que muitas regulamentações devem começar a exigir de qualquer jeito. Então, se você ficou interessado em criar seu próprio ICO, estude o modelo DAICO.</p>
<p>E, finalmente, chegamos ao fim!! Nem acredito! A parte 1 e esta parte 2 listam a maioria dos projetos que circularam no meetup da CoinUS e BRP, na Beyond Blocks e na Blockchain Partners. Não é a lista completa mas pelo menos dá uma boa idéia de diferentes casos de uso para novos blockchains, tokens ERC20, security e utility tokens e explora mais como os tokens podem ser usados em aplicações mais reais. É muito importante que ecossistemas de ICOs floreçam para abrir o caminho para um uso mais cotidiano de criptomoedas no mundo real. E como vocês já devem ter concluído é uma pena que ainda não exista nada perto disso deste lado do planeta. Da minha parte, em breve teremos suporte a tokens ERC20 na minha exchange a OmniTrade, então vão preparando seus ICOs ;-)</p>
<p>Chegamos ao fim desta enorme série sobre a Coréia do Sul e o Blockchain Week que tive a oportunidade de visitar. Talvez tenhamos uma nova série como esta em breve já que pretendo fazer uma visita um pouco mais curta na Ilha de Malta que tanto mencionamos nos últimos vídeos. Até lá quero fazer vídeos sobre outros assuntos. O que vocês gostariam que eu discutisse nos próximos vídeos? Não deixem de sugerir assuntos nos comentários abaixo. Se gostaram deem um joinha, assinem o canal e cliquem no sininho! A gente se vê, valeu galera!</p>
]]></content:encoded><category>bitcoin-e-criptomoedas</category><category>startups</category><category>negocios</category><category>akitando</category></item><item><title>[Off-Topic] Blockchain e Criptomoedas no Brasil</title><link>https://akitaonrails.github.io/2017/08/28/off-topic-blockchain-e-criptomoedas-no-brasil/</link><guid isPermaLink="true">https://akitaonrails.github.io/2017/08/28/off-topic-blockchain-e-criptomoedas-no-brasil/</guid><pubDate>Mon, 28 Aug 2017 13:07:00 -0300</pubDate><description>&lt;p&gt;Quem me acompanha no &lt;a href="https://twitter.com/AkitaOnRails/status/900450641755156480"target="_blank" rel="noopener"&gt;Twitter&lt;/a&gt; já percebeu que ando MUITO interessado e ativo com cryptocurrencies. Por enquanto estou só como investidor, sem nenhum projeto próprio.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;De curiosidade, perguntei lá se alguém conhecia empresas ou pessoas atuando nessa área aqui no Brasil, e a lista que recebi ficou bem interessante. Vale compartilhar as recomendações com todo mundo.&lt;/p&gt;
&lt;ul&gt;
&lt;li&gt;&lt;a href="http://auctus.org/"target="_blank" rel="noopener"&gt;Auctus&lt;/a&gt; - ICO de uma alt-coin&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;&lt;a href="https://originalmy.com/"target="_blank" rel="noopener"&gt;Original My&lt;/a&gt; - proof-of-authenticity&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;&lt;a href="http://web.archive.org/web/20171129024802/https://play.google.com/store/apps/developer?id=Laivon"target="_blank" rel="noopener"&gt;Laivon&lt;/a&gt; - parece que desenvolve apps mobile e alguns deles são trackers de cryptocurrencies&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;&lt;a href="https://opendime.com/"target="_blank" rel="noopener"&gt;OpenDime&lt;/a&gt; - mais um hardware stick pra wallet - dizem que tem brasileiros trabalhando lá também&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;&lt;a href="http://web.archive.org/web/20170901202750/http://www.hugpay.com.br/"target="_blank" rel="noopener"&gt;HugPay&lt;/a&gt; - uma forma de fazer remessas de/para o exterior sem precisar de conta bancária, com parceria com lotéricas (boa ideia)&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;&lt;a href="http://web.archive.org/web/20180302211934/https://www.blockoventures.com/"target="_blank" rel="noopener"&gt;Blocko Ventures&lt;/a&gt; - não entendi bem se são uma empresa de serviços ou investidores em soluções com blockchain&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;&lt;del&gt;Kriptacoin - é mais uma alt-coin&lt;/del&gt; (vide comentários)&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;&lt;a href="https://blinktrade.com/"target="_blank" rel="noopener"&gt;BlinkTrade&lt;/a&gt; - parece uma infra para exchange (acho que a Foxbit e outras talvez usem - não confirmei isso) e foi fundada por brasileiros&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;&lt;a href="http://www.stone.com.br/"target="_blank" rel="noopener"&gt;Stone Pagamentos&lt;/a&gt; - &lt;a href="https://twitter.com/BernardoDCGA/status/901793619635515398"target="_blank" rel="noopener"&gt;disse&lt;/a&gt; que está ajudando empresas a aceitar pagamentos em cryptocurrencies.&lt;/li&gt;
&lt;/ul&gt;
&lt;p&gt;Quero conhecer mais empresas e profissionais brasileiros no ecossistema de bitcoin e cryptocurrencies em geral. Estou procurando em especial palestrantes que dominem o assunto e estejam fazendo coding hands-on, para palestrar (em inglês) na conferência que estou organizando, a &lt;a href="http://web.archive.org/web/20170911201232/http://www.theconf.club/"target="_blank" rel="noopener"&gt;THE CONF&lt;/a&gt;. Se souberem de alguém, mandem na seção de comentários.&lt;/p&gt;</description><content:encoded><![CDATA[<p>Quem me acompanha no <a href="https://twitter.com/AkitaOnRails/status/900450641755156480"target="_blank" rel="noopener">Twitter</a> já percebeu que ando MUITO interessado e ativo com cryptocurrencies. Por enquanto estou só como investidor, sem nenhum projeto próprio.</p>
<p>De curiosidade, perguntei lá se alguém conhecia empresas ou pessoas atuando nessa área aqui no Brasil, e a lista que recebi ficou bem interessante. Vale compartilhar as recomendações com todo mundo.</p>
<ul>
<li><a href="http://auctus.org/"target="_blank" rel="noopener">Auctus</a> - ICO de uma alt-coin</li>
<li><a href="https://originalmy.com/"target="_blank" rel="noopener">Original My</a> - proof-of-authenticity</li>
<li><a href="http://web.archive.org/web/20171129024802/https://play.google.com/store/apps/developer?id=Laivon"target="_blank" rel="noopener">Laivon</a> - parece que desenvolve apps mobile e alguns deles são trackers de cryptocurrencies</li>
<li><a href="https://opendime.com/"target="_blank" rel="noopener">OpenDime</a> - mais um hardware stick pra wallet - dizem que tem brasileiros trabalhando lá também</li>
<li><a href="http://web.archive.org/web/20170901202750/http://www.hugpay.com.br/"target="_blank" rel="noopener">HugPay</a> - uma forma de fazer remessas de/para o exterior sem precisar de conta bancária, com parceria com lotéricas (boa ideia)</li>
<li><a href="http://web.archive.org/web/20180302211934/https://www.blockoventures.com/"target="_blank" rel="noopener">Blocko Ventures</a> - não entendi bem se são uma empresa de serviços ou investidores em soluções com blockchain</li>
<li><del>Kriptacoin - é mais uma alt-coin</del> (vide comentários)</li>
<li><a href="https://blinktrade.com/"target="_blank" rel="noopener">BlinkTrade</a> - parece uma infra para exchange (acho que a Foxbit e outras talvez usem - não confirmei isso) e foi fundada por brasileiros</li>
<li><a href="http://www.stone.com.br/"target="_blank" rel="noopener">Stone Pagamentos</a> - <a href="https://twitter.com/BernardoDCGA/status/901793619635515398"target="_blank" rel="noopener">disse</a> que está ajudando empresas a aceitar pagamentos em cryptocurrencies.</li>
</ul>
<p>Quero conhecer mais empresas e profissionais brasileiros no ecossistema de bitcoin e cryptocurrencies em geral. Estou procurando em especial palestrantes que dominem o assunto e estejam fazendo coding hands-on, para palestrar (em inglês) na conferência que estou organizando, a <a href="http://web.archive.org/web/20170911201232/http://www.theconf.club/"target="_blank" rel="noopener">THE CONF</a>. Se souberem de alguém, mandem na seção de comentários.</p>
<p>Cheguei a pensar em escrever sobre blockchain ou cryptocurrencies, já que andei estudando e investindo bastante. Mas tudo que você precisa saber já está acessível em inúmeros blogs e sites, em inglês e em português, e não faz sentido explicar tudo de novo.</p>
<p>O que me interessa é saber onde estão as maiores dúvidas das pessoas sobre o assunto, para tentar explorar algum aspecto específico. Comentem sobre isso também.</p>
]]></content:encoded><category>bitcoin-e-criptomoedas</category><category>negocios</category><category>off-topic</category></item><item><title>3 Meses de GitLab. A Era do SaaS Híbrido</title><link>https://akitaonrails.github.io/2016/11/16/3-meses-de-gitlab-a-era-do-saas-hibrido/</link><guid isPermaLink="true">https://akitaonrails.github.io/2016/11/16/3-meses-de-gitlab-a-era-do-saas-hibrido/</guid><pubDate>Wed, 16 Nov 2016 16:44:00 -0200</pubDate><description>&lt;p&gt;Se você ainda não leu, talvez seja uma boa ideia dar uma olhada no meu post anterior &lt;a href="https://about.gitlab.com/2016/08/04/moving-to-gitlab-yes-its-worth-it/"target="_blank" rel="noopener"&gt;Moving to GitLab! Yes, it&amp;rsquo;s worth it!&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Minhas impressões vêm de circunstâncias bem específicas, então isso aqui não deve ser lido como recomendação geral para qualquer situação. Por exemplo, eu não avaliei as opções hospedadas do GitLab, que podem ser mais compatíveis com cenários diferentes do meu.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;No meu caso, a mudança para o GitLab fez parte de uma estratégia interna da empresa para ter mais controle sobre nossos próprios dados. Nessa mesma estratégia também migramos do Slack para o Mattermost, e do Pivotal Tracker para uma alternativa open source que eu mesmo mantenho, chamada &lt;a href="https://github.com/Codeminer42/cm42-central"target="_blank" rel="noopener"&gt;Central&lt;/a&gt;, entre outras coisas.&lt;/p&gt;</description><content:encoded><![CDATA[<p>Se você ainda não leu, talvez seja uma boa ideia dar uma olhada no meu post anterior <a href="https://about.gitlab.com/2016/08/04/moving-to-gitlab-yes-its-worth-it/"target="_blank" rel="noopener">Moving to GitLab! Yes, it&rsquo;s worth it!</a>.</p>
<p>Minhas impressões vêm de circunstâncias bem específicas, então isso aqui não deve ser lido como recomendação geral para qualquer situação. Por exemplo, eu não avaliei as opções hospedadas do GitLab, que podem ser mais compatíveis com cenários diferentes do meu.</p>
<p>No meu caso, a mudança para o GitLab fez parte de uma estratégia interna da empresa para ter mais controle sobre nossos próprios dados. Nessa mesma estratégia também migramos do Slack para o Mattermost, e do Pivotal Tracker para uma alternativa open source que eu mesmo mantenho, chamada <a href="https://github.com/Codeminer42/cm42-central"target="_blank" rel="noopener">Central</a>, entre outras coisas.</p>
<p>Antes da migração, eu tinha dezenas de projetos ativos no GitHub e uma porção de projetos arquivados no Bitbucket. Sou do tipo que odeia perder dado, então mantenho backups redundantes e tento nunca apagar nada.</p>
<p>Movi praticamente tudo para meu próprio servidor GitLab e isso dá quase <strong>200 repositórios</strong>, espalhados em 4 grupos, com cerca de 80 usuários ativos. Isso representa mais de 13.500 notas, mais de 5.200 Merge Requests, mais de 2.500 builds no CI, e o Sidekiq interno que controla tudo isso já processou mais de 51.000 jobs.</p>
<p>Nos últimos 3 meses desde a migração, venho pagando uma conta de Digital Ocean em torno de $140 por mês pela infraestrutura exata que descrevi no artigo anterior, com máquinas separadas para o GitLab Core, o CI Runner, o CI Docker Registry Mirror, o servidor de cache do CI e máquinas descartáveis para builds paralelos, controladas pelo Runner.</p>
<p>A redução de custo é bem-vinda, claro, mas não foi por causa dela que fui atrás dessa empreitada toda. Eu pagaria tranquilamente o dobro ou o triplo só pela conveniência, só que a estratégia por trás é o que mais importa nesse caso.</p>
<p>Minha empresa tem mais de 60 desenvolvedores, trabalhando a partir dos nossos próprios escritórios em 6 cidades diferentes no Brasil (sem freelancers e sem home-office), se comunicando diariamente pelo Mattermost, fazendo Code Review via Merge Requests do GitLab, recebendo feedback automatizado imediato dos testes pelo GitLab CI, e gerenciando projetos através da nossa própria aplicação Central.</p>
<p>A única peça que ainda está faltando é uma boa ferramenta de análise estática de código. A gente depende bastante do Code Climate, que na nossa experiência é uma das melhores opções que existem hoje.</p>
<p>Eu estava prestes a começar uma empreitada para construir uma versão OSS simplificada para integrar com o GitLab CI, mas o <a href="http://blog.codeclimate.com/blog/2016/10/06/series-a-and-community-edition/"target="_blank" rel="noopener">Bryan Helmkamp anunciou recentemente</a> que eles vão lançar a própria &ldquo;Community Edition&rdquo; do Code Climate nos próximos meses.</p>
<p>Essa é exatamente a peça que faltava no meu stack, e vai acelerar minha estratégia para o ano que vem.</p>
<h3>A Era do SaaS Híbrido<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="a-era-do-saas-híbrido"></span>
    <a href="#a-era-do-saas-h%c3%adbrido" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h3><p>Nos últimos 5 a 10 anos houve um movimento rápido em direção a uma estrutura de &ldquo;micro-serviços&rdquo; de terceiros. E isso é realmente ótimo, porque permitiu que muitas empresas pequenas ou até desenvolvedores independentes tivessem acesso a tecnologias que os fizeram andar mais rápido e com cada vez mais qualidade na entrega.</p>
<p>Hoje é super fácil ter um serviço de upload e storage de primeira linha com ferramentas como Cloudinary.</p>
<p>Também é muito fácil ter um banco relacional de ponta, com replicação e escalabilidade, como Heroku Postgres ou AWS RDS.</p>
<p>Gerenciamento de projetos como serviço com Pivotal Tracker, Trello.</p>
<p>Comunicação como serviço com Slack, Hangout, etc.</p>
<p>Gestão de conhecimento como serviço com GitHub, Bitbucket, etc.</p>
<p>Então hoje muitas empresas de tecnologia são um mashup de vários serviços de terceiros diferentes.</p>
<p>Minha pequena implicância é que todo o nosso conhecimento, experiência, portfólio, fica espalhado por uma dúzia ou mais de serviços opacos, completamente fora do nosso controle e dependendo do capricho de cada empresa (ou dos investidores delas).</p>
<p>Não me entenda mal, sou a favor de usar esses serviços, pelo contrário. Uso vários e vou continuar usando muitos deles no futuro previsível. Algumas empreitadas nem seriam possíveis sem a eficiência desse pedaço de um mercado livre baseado em tecnologia.</p>
<p>Só que de vez em quando você chega num ponto de virada onde passa a ser importante ter mais controle sobre seus próprios dados, sua própria identidade. Tanto pela posse em si quanto pela possibilidade de usar esses dados com mais intenção.</p>
<p>E acredito que, chegado esse ponto, a gente deveria ter uma opção que não custasse um rim e um pulmão pra replicar.</p>
<p>Antes de uma opção como o GitLab, estávamos limitados a escolher entre jardins murados como GitHub ou Bitbucket, ou então investir uma tonelada de recursos tentando juntar pequenos componentes open source para construir o seu próprio. Com o GitLab agora temos a opção de fazer uma transição suave para a versão hospedada, sem precisar encarar manutenção de infraestrutura, ou podemos optar por ter controle total. E os usuários não sofrem no processo.</p>
<p>Por isso acredito que o melhor SaaS para sobreviver à próxima década vai começar a entrar no <strong>modo Híbrido</strong>: ter uma opção comercial, hospedada, geralmente &ldquo;mais barata&rdquo;, e uma versão OSS DIY (do-it-yourself).</p>
<p>GitLab é assim. Mattermost é assim. Agora o Code Climate está ficando assim.</p>
<p>Nessa opção, empresas como o GitLab ficam numa situação ganha-ganha. Muito mais gente e empresas podem contribuir para fazer uma plataforma madura e robusta que todo mundo gosta de usar, e ao mesmo tempo cada participante pode estender a ferramenta para seus próprios planos particulares. O GitLab consegue ter um modelo de negócio sustentável atendendo a cauda longa de empresas e desenvolvedores que querem um serviço hospedado razoavelmente acessível, enquanto os 20% do topo podem perseguir empreitadas mais específicas usando a mesma tecnologia.</p>
<p>Dessa forma tiramos a discussão de confidencialidade, do jeito como as empresas tratam nossos dados, e avançamos para ações mais produtivas como construir uma ferramenta que beneficia tanto o público externo quanto os planos internos de cada um.</p>
<p>Jardins murados vieram para ficar. Liberar integração - ainda que opaca - via APIs públicas não é suficiente. É muito animador ver essas novas opções surgindo para preencher essa lacuna. O ambiente OSS junto de um modelo de negócio sustentável faz sentido. E espero continuar vendo cada vez mais concorrentes de serviços fechados seguindo o modelo Híbrido num futuro próximo.</p>
<p>Por que dar o trabalho de instalar, manter e ajustar alternativas open source para serviços hospedados (ainda que opacos) bem estabelecidos? Acredito que seja uma discussão maior do que conveniência, manutenção e corte de custos. A gente deveria começar pequeno, com menos risco, mas à medida que cresce deveria conseguir retomar o controle. Só que normalmente não dá para sair de um jardim murado sem um investimento significativo - e às vezes impossível - em reinventar a roda. Sempre tivemos os pequenos componentes open source sobre os quais esses serviços são construídos, mas ir desses pequenos componentes até um sistema completo é um caminho irrealista.</p>
<p>Com essa tendência possível de pós-SaaS, ou SaaS Híbrido como eu chamo, talvez a gente tenha acabado de ganhar o elo que faltava para ir da mera conveniência ao controle total sem o abismo inerente de custos e riscos.</p>
]]></content:encoded><category>controle-de-versao</category><category>open-source</category><category>negocios</category></item><item><title>[Off-Topic] Impressão 3D, a lenda?</title><link>https://akitaonrails.github.io/2014/10/07/off-topic-impressao-3d-a-lenda/</link><guid isPermaLink="true">https://akitaonrails.github.io/2014/10/07/off-topic-impressao-3d-a-lenda/</guid><pubDate>Tue, 07 Oct 2014 14:39:00 -0300</pubDate><description>&lt;p&gt;Publicado pela 1a vez em &lt;a href="http://web.archive.org/web/20220124113355/https://startupi.com.br/2014/10/impressao-3d-lenda/"target="_blank" rel="noopener"&gt;2014-10-07T17:39:50+00:00&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;img src="https://akitaonrails.s3.amazonaws.com/assets/image_asset/image/515/print_the_legend_impressao_impressora_3d-600x250.png" alt="3D printing" loading="lazy" /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Se você andou viajando por Júpiter nos últimos anos, talvez não tenha ouvido falar de uma vertente de produção que já causou muita controvérsia e já se firmou como viável: a impressão 3D doméstica. A impressão 3D, ou produção por adição de material em vez da produção por remoção que usamos hoje, existe há uns 30 anos. Mas o mercado ficava nas mãos de gigantes como a 3D Systems e a Stratasys, e só para impressoras industriais que passavam dos 100 mil dólares. Elas eram a IBM dos anos 70.&lt;/p&gt;</description><content:encoded><![CDATA[<p>Publicado pela 1a vez em <a href="http://web.archive.org/web/20220124113355/https://startupi.com.br/2014/10/impressao-3d-lenda/"target="_blank" rel="noopener">2014-10-07T17:39:50+00:00</a></p>
<p><img src="https://akitaonrails.s3.amazonaws.com/assets/image_asset/image/515/print_the_legend_impressao_impressora_3d-600x250.png" alt="3D printing"  loading="lazy" /></p>
<p>Se você andou viajando por Júpiter nos últimos anos, talvez não tenha ouvido falar de uma vertente de produção que já causou muita controvérsia e já se firmou como viável: a impressão 3D doméstica. A impressão 3D, ou produção por adição de material em vez da produção por remoção que usamos hoje, existe há uns 30 anos. Mas o mercado ficava nas mãos de gigantes como a 3D Systems e a Stratasys, e só para impressoras industriais que passavam dos 100 mil dólares. Elas eram a IBM dos anos 70.</p>
<p>E assim como na revolução dos desktops que Microsoft, Compaq, Apple e Dell ajudaram a fundar, agora é a vez de startups como a <a href="http://www.makerbot.com/"target="_blank" rel="noopener">MakerBot</a> e a <a href="http://formlabs.com/en/"target="_blank" rel="noopener">Form Labs</a> entrarem em cena. A Form Labs foi um dos projetos de maior sucesso da sua categoria no <a href="https://www.kickstarter.com/projects/formlabs/form-1-an-affordable-professional-3d-printer"target="_blank" rel="noopener">Kickstarter</a>. Elas trazem as impressoras 3D domésticas, abaixo dos 2 mil dólares, acessíveis não só a hobistas como ao consumidor comum no futuro.</p>
<p>“Mas impressão 3D é só para nerds.” Assim também soava a ideia de um “computador pessoal em cada casa” no fim dos anos 70. Essa é a premissa do documentário <a href="http://www.imdb.com/title/tt3557464/?ref_=nv_sr_1"target="_blank" rel="noopener">“Print the Legend”</a>, produzido e lançado pela Netflix no dia 26 de setembro de 2014.</p>
<iframe src="http://www.imdb.com/video/imdb/vi767536921/imdb/embed?autoplay=false&width=640" width="640" height="360" allowfullscreen="true" mozallowfullscreen="true" webkitallowfullscreen="true" frameborder="no" scrolling="no"></iframe>
<p>Devo admitir que me deixa um pouco nervoso a “revolução 3D” já ganhar um documentário sem ter atingido o patamar que um Apple II tinha em meados dos anos 80. Por outro lado, o filme não se propõe a explicar o processo de manufatura nem as várias técnicas de impressão 3D, laser e afins. Ele explora o que acontece quando o idealismo da startup de garagem vira realidade e chega ao nível de uma Apple do começo dos anos 80.</p>
<p>A confusão fica óbvia nas entrevistas com ex-funcionários da MakerBot, sobre como agora odeiam o CEO e co-fundador, <a href="https://makezine.com/article/digital-fabrication/3d-printing-workshop/stratasys-lawsuit-patents-and-more-an-interview-with-makerbots-bre-pettis/"target="_blank" rel="noopener">Bre Pettis</a>. A visão original de garagem, de uma empresa voltada a código aberto e hardware aberto, de repente recebe investimento e alavancagem dos típicos Brad Felds. E a empresa começa a inchar de uma garagem de 12 pessoas para uma corporação de 200, 600 e mais gente.</p>
<p>Amigos viram inimigos (aliás, amigos sempre viram os piores inimigos), pessoas saem desiludidas, traumatizadas, decepcionadas, e crueldade e autoritarismo viram rotina. Pelo menos é o que os que saíram sempre vão dizer.</p>
<p>Quanto disso é verdade? Nunca vamos saber. A verdade sempre tem três versões: a que eu conto, a que você conta e a que realmente aconteceu.</p>
<p>Pessoas começam startups, em geral, para serem o anti-sistema, os rebeldes, os que não se encaixam, os que querem fazer diferente e mudar o jogo. Chega a ser “fofo” esse nível de idealismo ingênuo, e ele é necessário: se você não acredita que a coisa pode acontecer, ela não acontece mesmo. Pensar assim é um requisito, até certo ponto.</p>
<p>Chamo de “ingênuo” por um motivo. Nos raríssimos casos como o da MakerBot (e talvez no futuro o da Form Labs, que trilha o mesmo caminho depois de receber seu gordo Series A), quando você é bem sucedido de verdade em mudar o sistema e virar o jogo, a partir daquele momento você vira o novo sistema, o novo jogo, o novo alvo. Agora é você o sistema a ser combatido e derrubado.</p>
<p>A Apple era o contramovimento à IBM nos anos 80. Deu tão certo que ela mesma virou o novo sistema. Nos anos 90 a gente achava que a Microsoft seria a sucessora da IBM, mas no século XXI descobrimos que quem assumiu esse papel foi a Apple.</p>
<p>Cabe a uma nova startup de garagem começar outro jogo do zero. A parte mais interessante de “Print the Legend” é justamente mostrar esse drama, do começo até agora, de uma startup que percorre essa maldição. Como Bre Pettis passou de líder de uma comunidade aberta de makers a “traidor” do movimento, e como a pequena MakerBot chegou ao sucesso: foi comprada pela Stratasys, a segunda maior desse mercado, e com isso conseguiu crescer o negócio.</p>
<p>Sem dar muito spoiler, lá pelo fim alguém comenta que fundadores, empreendedores e CEOs de sucesso sempre falam do “sacrifício” que foi chegar aonde chegaram. A maioria imagina que sacrifício é trabalhar longas horas, ficar longe da família por longos períodos ou aguentar as complicações do processo.</p>
<p>Mas o sacrifício a que eles talvez se refiram é outro: quebrar a própria identidade, trair os próprios princípios e cruzar as linhas que jurou que nunca cruzaria. E os raros grandes casos de sucesso, as Microsofts, as Apples, as IBMs e agora talvez as Stratasys, exigem que isso aconteça.</p>
<p>O ciclo vai recomeçar. Em breve uma nova startup rebelde de garagem desponta, joga o mesmo jogo e, logo depois, vira o novo sistema a ser batido. Esse é o ciclo das startups de sucesso, e são exatamente essas as regras do jogo do grande “sucesso”.</p>
<p>Foto de abertura: <a href="http://fb.com/printthelegend"target="_blank" rel="noopener">fb.com/printthelegend</a></p>
]]></content:encoded><category>startups</category><category>negocios</category><category>cinema-e-cultura-pop</category><category>off-topic</category></item><item><title>[Off-Topic] O dilema da Nova Geração: empreender ou arranjar um emprego?</title><link>https://akitaonrails.github.io/2014/02/20/off-topic-o-dilema-da-nova-geracao-empreender-ou-arranjar-um-emprego/</link><guid isPermaLink="true">https://akitaonrails.github.io/2014/02/20/off-topic-o-dilema-da-nova-geracao-empreender-ou-arranjar-um-emprego/</guid><pubDate>Thu, 20 Feb 2014 06:00:00 -0300</pubDate><description>&lt;p&gt;Publicado pela 1a vez em &lt;a href="http://web.archive.org/web/20150110212840/http://startupi.com.br/2014/02/o-dilema-da-nova-geracao-empreender-ou-arranjar-um-emprego/"target="_blank" rel="noopener"&gt;2014-02-20T09:00:09+00:00&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Recentemente um artigo num blog gerou algum burburinho. Intitulado &lt;a href="http://web.archive.org/web/20140221150137/https://medium.com/apple-daily/f5f8c807d868"target="_blank" rel="noopener"&gt;Eu queria tanto trabalhar na Apple, agora nem tanto&lt;/a&gt;, é um desabafo do próprio autor. O resumo é simples: na opinião dele, o chefe tratava mal a ele e à equipe, ao ponto de largar tudo e ir embora.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;As discussões mais genéricas foram na linha de que a Apple deve ser mesmo um lugar horrível de trabalhar, e que a cúpula ainda pratica o lendário &amp;ldquo;estilo Steve Jobs&amp;rdquo; de chutar as pessoas para arrancar resultado. Alguns chegaram a dizer que &amp;ldquo;a única saída é empreender, seguir os próprios sonhos sem um chefe desses pisando em você&amp;rdquo;.&lt;/p&gt;</description><content:encoded><![CDATA[<p>Publicado pela 1a vez em <a href="http://web.archive.org/web/20150110212840/http://startupi.com.br/2014/02/o-dilema-da-nova-geracao-empreender-ou-arranjar-um-emprego/"target="_blank" rel="noopener">2014-02-20T09:00:09+00:00</a></p>
<p>Recentemente um artigo num blog gerou algum burburinho. Intitulado <a href="http://web.archive.org/web/20140221150137/https://medium.com/apple-daily/f5f8c807d868"target="_blank" rel="noopener">Eu queria tanto trabalhar na Apple, agora nem tanto</a>, é um desabafo do próprio autor. O resumo é simples: na opinião dele, o chefe tratava mal a ele e à equipe, ao ponto de largar tudo e ir embora.</p>
<p>As discussões mais genéricas foram na linha de que a Apple deve ser mesmo um lugar horrível de trabalhar, e que a cúpula ainda pratica o lendário &ldquo;estilo Steve Jobs&rdquo; de chutar as pessoas para arrancar resultado. Alguns chegaram a dizer que &ldquo;a única saída é empreender, seguir os próprios sonhos sem um chefe desses pisando em você&rdquo;.</p>
<p>E é esse o ponto do artigo. Com o frenesi atual em torno de startups, essa é uma atitude que vejo com frequência cada vez maior.</p>
<p>Deixe eu colocar em perspectiva a reclamação comum sobre chefes. Nenhum chefe que você já encontrou, mesmo o pior dos piores, chega perto de Henry Clay Frick, responsável pelas operações das siderúrgicas do lendário Andrew Carnegie. As condições de trabalho no fim do século XIX eram péssimas, e talvez nem as piores condições de hoje se comparem ao pior daquela época.</p>
<p>Vários dos grandes magnatas industriais do período, incluindo Carnegie, Rockefeller, Vanderbilt e <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Robber_baron_%28industrialist%29"target="_blank" rel="noopener">muitos outros</a>, exploravam os trabalhadores até o limite da miséria. Um exemplo de até onde isso ia foi a famosa <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Homestead_Strike"target="_blank" rel="noopener">Greve de Homestead</a>. O resultado? Sete trabalhadores mortos e onze feridos.</p>
<p>Acredite, você não ia querer alguém como Frick de chefe.</p>
<p>Esse foi um exemplo extremo, e não quer dizer que não existam chefes ruins hoje. Vou restringir o contexto ao mundo das tech startups do qual fazemos parte, sem falar de serviço público, forças armadas ou outras áreas fora desse recorte.</p>
<p>A grande diferença entre hoje e a época de Carnegie é que hoje existem opções. Antigamente, ou você aguentava péssimas condições e péssimos salários, ou vivia na miséria sem emprego nenhum. Hoje qualquer bom profissional tem muitas alternativas. Gente entra e sai de empresa centenas de vezes por dia, em centenas de empresas, e basta ver a proliferação de sites de emprego e recrutamento para confirmar.</p>
<p><img src="https://akitaonrails.s3.amazonaws.com/assets/image_asset/image/503/Homestead_riot_harpers_3c26046v.jpg" alt="Homestead Strike"  loading="lazy" /></p>
<p>Se você é estudante ou recém-formado, entenda uma verdade dura: você é igual às centenas de pessoas que se formaram junto com você e entram no mercado todos os dias. O primeiro emprego é sempre difícil. E não só o primeiro: o segundo, o terceiro e talvez os seguintes também. O que você &ldquo;acha&rdquo; que é capaz de fazer não vale nada até ter uma sequência de resultados concretos para provar. É o que chamamos de currículo.</p>
<p>Já ouvi muito jovem dizer coisas como &ldquo;preciso mudar de emprego, não estou aprendendo mais nada aqui&rdquo;. Se você está na mesma empresa há dez anos, provavelmente já passou da hora. No primeiro ou segundo ano, é bobagem. A empresa tem muito a ensinar; o problema é você não querer aprender.</p>
<p>Um programador, por exemplo, não tem &ldquo;programar&rdquo; como única atribuição. Em agosto de 2013 escrevi que a <a href="/2013/08/23/off-topic-estimativas-sao-promessas-promessas-devem-ser-cumpridas/">coisa mais difícil para um Engenheiro de Software</a> é entender que problemas de software muitas vezes não têm solução em software. Aprender a negociar, <a href="/2013/11/02/off-topic-programadores-sao-pessimos-comunicadores-udp-vs-tcp/">se comunicar de forma que os outros entendam</a>, gerenciar expectativas, trabalhar em equipe, convencer os outros de que suas ideias são boas: tudo isso faz parte do trabalho.</p>
<p>Ou seja, muita coisa que não tem nada a ver com código. E isso vale para qualquer profissão, seja você designer, escritor, cozinheiro ou piloto de corrida. Todos precisam aprender e praticar essas habilidades para crescer.</p>
<p>Existem algumas frases-feitas repetidas a esmo, como &ldquo;não vale a pena viver o sonho dos outros sendo funcionário de uma empresa&rdquo;. Se o pensamento é esse, melhor pedir demissão mesmo. Uma empresa não é caridade: ela existe para ter lucro, não para ser babá de funcionário. E, a menos que seja uma organização sem fins lucrativos, nenhum funcionário está ali como voluntário não remunerado.</p>
<p>Entre empresa e funcionário existe um contrato de trabalho. Os dois concordaram com os termos. Se você não concorda, não aceite; se aceitou, cumpra; se acha que a situação mudou, renegocie. Renegociar é uma opção, e a empresa pode recusar. Se você não está satisfeito, peça demissão, cumpra os termos até o fim e saia como qualquer bom profissional. Abandonar o posto, como no relato do blog, é quebra unilateral de contrato. Está errado.</p>
<p>Você tem vários motivos <a href="/2011/04/25/off-topic-mea-culpa-organizacoes-democraticas-nao-funcionam/">para estar num emprego</a>. Tem o salário para pagar as contas no fim do mês, presumindo que você já criou vergonha na cara e parou de parasitar o papai e a mamãe. E tem o aprendizado: você é pago não só para cumprir suas responsabilidades, mas para explorar tudo que as empresas estabelecidas já aprenderam e que você absorve &ldquo;de graça&rdquo;. Cada crítica que recebe, cada reclamação, é uma chance de melhorar algo que você nem sabia que faltava. &ldquo;No pain, no gain.&rdquo;</p>
<p>O próprio fato de você ter dificuldade de achar outra empresa que o contrate já mostra que ainda faltam competências. Outra frase comum é &ldquo;eu faria mais, mas ninguém me dá uma chance (ou me paga mais)&rdquo;. Se você já se pegou dizendo isso, ainda tem muito a aprender. E, mesmo para empreender, essa é a lição mais básica: ninguém dá nada de graça, tudo é troca voluntária para benefício mútuo. Sem benefício, não tem negócio.</p>
<p>E eu digo qual é o pior lugar do mundo para aprender tudo isso: a sua própria primeira empresa. O resultado mais comum de alguém totalmente inexperiente decidir abrir a própria empresa? Virar exatamente o tipo de chefe descrito pelo autor do blog que trabalhou na Apple.</p>
<blockquote>PS: existem diversas formas do autor do blog ter resolvido seu problema interno. Uma empresa do tamanho da Apple, com mais de 80 mil funcionários, certamente tem vários caminhos para resolver um problema desses. Não saber encontrá-los só demonstra que ainda falta muito a aprender. Afinal, quem tem boca vai a Roma.</blockquote>
]]></content:encoded><category>carreira</category><category>startups</category><category>negocios</category><category>off-topic</category></item><item><title>[Off-Topic] Tech Startups, superlotação de B2C. Boring.</title><link>https://akitaonrails.github.io/2013/11/14/off-topic-tech-startups-superlotacao-de-b2c-boring/</link><guid isPermaLink="true">https://akitaonrails.github.io/2013/11/14/off-topic-tech-startups-superlotacao-de-b2c-boring/</guid><pubDate>Thu, 14 Nov 2013 14:29:00 -0200</pubDate><description>&lt;p&gt;Quando &lt;a href="http://www.akitaonrails.com/2012/11/05/viagem-a-sao-francisco-parte-1-techcrunch-disrupt"target="_blank" rel="noopener"&gt;estive em São Francisco em 2012&lt;/a&gt;, participei da Techcrunch Disrupt (pessoalmente, &lt;em&gt;boring&lt;/em&gt;). Dentre as poucas coisas que me lembro, uma foi um comentário de &lt;a href="http://techcrunch.com/2012/09/10/reid-hoffman-next-wave-of-tech-ipos-will-be-enterprise-with-consumer-flare-arrington-yawns/"target="_blank" rel="noopener"&gt;Reid Hoffman&lt;/a&gt;, fundador do LinkedIn. Não lembro a frase exata, mas em resumo era algo assim:&lt;/p&gt;
&lt;blockquote&gt;
"Todos estão fazendo startups B2C, quase ninguém está resolvendo o problema 'Enterprise', o mercado B2B de bilhões de dólares."
&lt;/blockquote&gt;
&lt;p&gt;Deixa eu simplificar. Estou tratando &amp;ldquo;B2C&amp;rdquo;, business to consumer, como todos os sites comuns que vemos hoje: redes sociais, instant messaging, content management, tudo cujo público alvo final é a massa de consumidores pessoas físicas. E &amp;ldquo;B2B&amp;rdquo;, business to business, como as soluções em software que resolvem tanto problemas internos de uma corporação quanto problemas que interligam várias corporações, onde o público alvo são pessoas jurídicas. É uma simplificação, mas serve ao meu propósito.&lt;/p&gt;</description><content:encoded><![CDATA[<p>Quando <a href="http://www.akitaonrails.com/2012/11/05/viagem-a-sao-francisco-parte-1-techcrunch-disrupt"target="_blank" rel="noopener">estive em São Francisco em 2012</a>, participei da Techcrunch Disrupt (pessoalmente, <em>boring</em>). Dentre as poucas coisas que me lembro, uma foi um comentário de <a href="http://techcrunch.com/2012/09/10/reid-hoffman-next-wave-of-tech-ipos-will-be-enterprise-with-consumer-flare-arrington-yawns/"target="_blank" rel="noopener">Reid Hoffman</a>, fundador do LinkedIn. Não lembro a frase exata, mas em resumo era algo assim:</p>
<blockquote>
"Todos estão fazendo startups B2C, quase ninguém está resolvendo o problema 'Enterprise', o mercado B2B de bilhões de dólares."
</blockquote>
<p>Deixa eu simplificar. Estou tratando &ldquo;B2C&rdquo;, business to consumer, como todos os sites comuns que vemos hoje: redes sociais, instant messaging, content management, tudo cujo público alvo final é a massa de consumidores pessoas físicas. E &ldquo;B2B&rdquo;, business to business, como as soluções em software que resolvem tanto problemas internos de uma corporação quanto problemas que interligam várias corporações, onde o público alvo são pessoas jurídicas. É uma simplificação, mas serve ao meu propósito.</p>
<p>Vou repetir uma coisa que twitei recentemente: &ldquo;empreendedor&rdquo; é um estado, não uma carreira nem uma profissão. Qualquer pessoa, física ou jurídica, por definição, empreende. Até um estudante empreende, construindo o próprio conhecimento para resolver algum problema no futuro. Uma diarista é empreendedora, e hoje algumas ganham em escala subcontratando outras e distribuindo serviços.</p>
<p>Portanto, não são só os desenvolvedores de software que, por acaso, ganharam esse &ldquo;privilégio&rdquo;. Na prática, não há nada de especial em ser empreendedor, basta não ser um procrastinador.</p>
<p>Muitos jovens, muitos ainda nem na faculdade, estão iludidos pelo falso &ldquo;glamour&rdquo; desse curto período, que pode até ser uma bolha, ou pelo menos uma anomalia temporária de mercado. Se você está nesse grupo, recomendo meu artigo anterior, a tradução do post de Alex Payne, <a href="http://www.akitaonrails.com/2013/10/31/traducao-carta-para-um-jovem-programador-considerando-uma-startup"target="_blank" rel="noopener">Carta para um Jovem Programador Considerando uma Startup</a>.</p>
<p>O exercício aqui é simples. Por que vocês acham que a maioria esmagadora das tech startups investe em aplicações Web B2C? E por que quase todas são tão parecidas entre si? Basicamente, se você trocar o logotipo, o nome e algumas cores, muitas ficam praticamente idênticas. Ecommerces são óbvios. Redes sociais verticais. Misture um componente de rede de conhecidos a verticais como empregos, classificados, transporte (táxi), exercícios e saúde.</p>
<p>A resposta é assustadora de tão simples: é tudo o que uma pessoa inexperiente conhece. O dia a dia dela se resume a usar Facebook, Instagram, Medium e Tumblr. A pegar ônibus e metrô. A ir num pronto-socorro ou fazer alguns exames. A ir na academia. A frequentar uma universidade. E tudo isso do ponto de vista do consumidor, nunca do provedor ou produtor. Por isso tudo sai mais ou menos igual.</p>
<h2>O Mundo Corporativo é Muito Chato<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="o-mundo-corporativo-é-muito-chato"></span>
    <a href="#o-mundo-corporativo-%c3%a9-muito-chato" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>O efeito colateral mais assustador é que as &ldquo;tech startups&rdquo; e a pseudo-carreira de &ldquo;empreendedor&rdquo; chegam como a salvação de quem leu blogs, tweets e posts de Facebook falando como é &lsquo;horrenda&rsquo; a vida de quem trabalha numa agência, numa grande empresa, numa corporação. A burocracia, a politicagem, a estrutura hierárquica. Tudo isso foi pintado como se arranjar um emprego fosse andar pelo corredor da morte, e como se estar empregado numa corporação fosse ser torturado diariamente de formas cruéis.</p>
<p>E o pior: a maioria dos jovens e inexperientes acredita nisso. <a href="http://www.urbandictionary.com/define.php?term=tl%3Bdr"target="_blank" rel="noopener">TL;DR</a>: não é inteiramente verdade.</p>
<p>Para piorar, de fato aparecem <a href="http://www.akitaonrails.com/2008/10/09/off-topic-entendendo-a-crise-econ-mica"target="_blank" rel="noopener">Cisnes Negros</a> pelo caminho. Facebook, Tumblr, Snapchat, Twitter. Isso dá a impressão de que é possível repetir o feito. Não entender a <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Lei_dos_grandes_n%c3%bameros"target="_blank" rel="noopener">Lei dos Grandes Números</a> pode ser fatal.</p>
<p>Em resumo: dados milhões de pessoas tentando ganhar na loteria, uma eventualmente ganha. Mas não existe processo repetível que leve até ali. É um beco sem saída de aleatoriedade. Agradeça a Bernoulli e Poisson por nos avisarem disso, embora poucos saibam hoje.</p>
<p>Não quero dizer que não exista valor em B2C. Claro que existe, só que muito mais limitado do que se imagina. O outro lado da moeda, o mundo corporativo, é quase imune a startups. Conhecemos os grandes nomes: SAP, Oracle, Microsoft, Totvs. Do lado puramente técnico, são softwares de baixíssima qualidade que, &lsquo;magicamente&rsquo; para alguns, movimentam bilhões de dólares. E é um mercado que vê pouca ou quase nenhuma disrupção há décadas.</p>
<p>O motivo é simples: poucos pararam para entender como esse mundo funciona. Pense em quem tenta entrar no mundo de ecommerce. O entendimento raso é que um ecommerce é uma &ldquo;loja virtual&rdquo;. Eu vejo diferente: entendo ecommerce como mais um <a href="http://www.investopedia.com/terms/d/distribution-channel.asp"target="_blank" rel="noopener">canal de distribuição</a>.</p>
<p>Por trás existem inúmeros processos consolidados que qualquer um que trabalhou em varejo (<a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Retail"target="_blank" rel="noopener">&ldquo;retail&rdquo;</a>) conhece bem. Centros de distribuição, Supply Chain, estratégias de precificação, tributação e transporte de materiais, aprovação de compras, inventário e warehouse management. Território conhecido para quem já trabalhou com Sales and Distribution. Alienígena para qualquer outro.</p>
<p>Sites de empregos. Poucos entendem o que isso significa, mas é uma perna pequena da área conhecida como HR, Recursos Humanos. Significa entender CLT, liability trabalhista, benefícios, recrutamento e seleção, treinamento, folha de pagamento, timesheet, viagens.</p>
<p>Entenda: você não tem a mínima condição de oferecer nada ao mercado corporativo sem ter participado ativamente dele. Para quem nunca esteve lá, uma corporação é uma caixa preta. E a maioria das pessoas imediatistas costuma se afastar do que não entende, em vez de explorar. Um &ldquo;hacker&rdquo; faz o oposto: quebra caixas pretas. Quem apenas consome continua um script kid achando que é mais do que é.</p>
<p>Quando você passa por várias empresas, vários contextos e situações, processos diferentes em etapas diferentes, só então começa a entender o domínio do problema. Faça isso algumas vezes e talvez comece a enxergar como melhorar ou, melhor ainda, &ldquo;inovar&rdquo; nesse segmento.</p>
<p>Inovação no mercado corporativo começa com otimização simples de processos, e pode terminar na substituição completa de um processo antigo ou na criação de uma vertical inteiramente nova. Mas inovação, por si só, é um processo, com etapas que precisam ser vencidas uma a uma. E a primeira etapa é invariavelmente adquirir conhecimento.</p>
<p>Não há atalhos. Mesmo no B2C me admira ver alguém tentar criar um produto para as massas sem entender as técnicas de convencimento acumuladas no corpo de conhecimento chamado &ldquo;marketing&rdquo;.</p>
<p>O atalho de criar tech startups copy-cat, acreditando cegamente numa promessa inexistente, está formando uma geração que desconhece os processos que regem esse mercado enorme. E algumas coisas dependem de tempo. Eu me aproveitei dessa vantagem ao entrar cedo no mercado, com o objetivo de descobrir como suas engrenagens funcionam.</p>
<p>Quando você é o mais novo, erros pesam menos e acertos são supervalorizados. Quando passou da idade, erros ficam intoleráveis e acertos viram o normal esperado. E quanto mais tarde, menos chance você tem de entender como o mundo funciona, com mais e mais portas fechadas.</p>
<p>Obviamente estou generalizando. Existem casos excepcionais em que isso funciona diferente, mas se você ainda não sabe se é um caso excepcional, as chances são de que não seja.</p>
<p><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Serendipity"target="_blank" rel="noopener">Serendipidade</a> só acontece quando você se expõe à maior variedade de situações possível, criando oportunidades. Numa única startup, num único produto, numa única ideia não provada, as chances de serendipidade despencam.</p>
<p>A vantagem de uma SAP, nas suas várias décadas de existência, foi acumular o conhecimento de todos os processos, de todas as indústrias, varrendo quase tudo que existe de importante no mundo corporativo. E mesmo assim há áreas que ela ainda não toca direito, o que abre espaço para uma Salesforce.com se sobressair. Imagine quem está artificialmente se limitando.</p>
<p>Mais do que isso: sem conhecimento nenhum e com a ilusão de que &ldquo;erros&rdquo; são bons porque viram aprendizado, esquecemos o óbvio. Errar é humano. Errar o que já é notoriamente errado é burrice, pura e simplesmente.</p>
<p>Cobrar um cliente sem ter assinado contrato antes, e depois chamá-lo de desonesto por não pagar tudo, demonstra a estupidez de quem não assinou o contrato. Gastar o dinheiro adiantado como &ldquo;investimento&rdquo; e depois ter problema com a folha de pagamento é amadorismo de quem desconhece o básico de fluxo de caixa.</p>
<p>Reescrever sistemas inteiros sem saber quanto vai custar em horas de desenvolvimento, treinamento de usuários, integrações, migração de dados e custo de oportunidade é outra burrice enorme de quem não sabe fazer análise básica de custos. Tudo isso é simples burrice, não precisa errar para aprender. Bastava ter visto acontecer uma vez: toda empresa faz isso há décadas, muito antes de você nascer.</p>
<p>Isso é inexperiência, algo normal, ninguém nasce sabendo tudo. Por isso adquirir experiência importa tanto. Sem ela você fica sempre em desvantagem, porque quis um atalho que imaginava economizar 5 anos e vai deixá-lo 10 anos atrasado.</p>
<p>O mundo B2C está super-saturado. O mundo B2B vai continuar isento de startups importantes por mais alguns anos, já que esta geração também desperdiça tempo e esforço de formas ineficientes, jogando fora tudo que já sabemos há anos. E lembre-se: evitar desperdício, que eu me lembre, é o pilar do &ldquo;Lean&rdquo;.</p>
]]></content:encoded><category>startups</category><category>negocios</category><category>mercado-de-tecnologia</category><category>off-topic</category></item><item><title>[Tradução] Carta para um Jovem Programador Considerando uma Startup</title><link>https://akitaonrails.github.io/2013/10/31/traducao-carta-para-um-jovem-programador-considerando-uma-startup/</link><guid isPermaLink="true">https://akitaonrails.github.io/2013/10/31/traducao-carta-para-um-jovem-programador-considerando-uma-startup/</guid><pubDate>Thu, 31 Oct 2013 15:25:00 -0200</pubDate><description>&lt;p&gt;Recentemente compartilhei um artigo &lt;a href="https://www.facebook.com/akitaonrails/posts/10151953794484837?comment_id=27965547&amp;amp;offset=0&amp;amp;total_comments=3&amp;amp;notif_t=share_comment"target="_blank" rel="noopener"&gt;criticando Lean Startup&lt;/a&gt;, e isso já está virando um hobby. O grande &lt;a href="https://www.facebook.com/alexandre.porcelli"target="_blank" rel="noopener"&gt;Alexandre Porcelli&lt;/a&gt; compartilhou uma &lt;a href="https://www.youtube.com/watch?v=4Wb0CGGhjE4#t=0"target="_blank" rel="noopener"&gt;palestra de ninguém menos que Alex Payne&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Alex Payne foi um dos engenheiros mais antigos do Twitter. Eu o conheço por causa de Scala e dos seus posts sobre NoSQL e outros assuntos de tecnologia. Além de programador e autor de livros, ele é um investidor experiente em startups.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A visão dele sobre startups é parecida com a minha. Recomendo assistir a palestra, que nasceu de um post no blog dele com o mesmo título deste artigo. Resolvi traduzir esse post para o português porque os brasileiros precisam ouvir mais o outro lado da moeda.&lt;/p&gt;</description><content:encoded><![CDATA[<p>Recentemente compartilhei um artigo <a href="https://www.facebook.com/akitaonrails/posts/10151953794484837?comment_id=27965547&amp;offset=0&amp;total_comments=3&amp;notif_t=share_comment"target="_blank" rel="noopener">criticando Lean Startup</a>, e isso já está virando um hobby. O grande <a href="https://www.facebook.com/alexandre.porcelli"target="_blank" rel="noopener">Alexandre Porcelli</a> compartilhou uma <a href="https://www.youtube.com/watch?v=4Wb0CGGhjE4#t=0"target="_blank" rel="noopener">palestra de ninguém menos que Alex Payne</a>.</p>
<p>Alex Payne foi um dos engenheiros mais antigos do Twitter. Eu o conheço por causa de Scala e dos seus posts sobre NoSQL e outros assuntos de tecnologia. Além de programador e autor de livros, ele é um investidor experiente em startups.</p>
<p>A visão dele sobre startups é parecida com a minha. Recomendo assistir a palestra, que nasceu de um post no blog dele com o mesmo título deste artigo. Resolvi traduzir esse post para o português porque os brasileiros precisam ouvir mais o outro lado da moeda.</p>
<p>A partir daqui seguem as palavras do Alex:</p>
<p><em>Eu regularmente recebo e-mails de jovens, normalmente daqueles com interesse em programação, que estão tentando tomar decisões sobre escola e/ou seus futuros profissionais. Este post é para esses jovens.</em></p>
<p>Se você está no fim da juventude, início dos 20 anos, você cresceu num mundo que idealizou startups, seus fundadores, e as pessoas que vão trabalhar nelas.</p>
<p>Se estiver na escola, talvez você tenha sentido a pressão ou tenha sido <a href="http://www.thielfellowship.org/"target="_blank" rel="noopener">incentivado a largar</a> e se juntar ou começar sua própria empresa. Se já estiver fora no mundo de trabalho, talvez sinta que seu trabalho de não-startup é de alguma forma inadequado, ou que você está perdendo experiência valiosa e potencial riqueza.</p>
<p>A geração em que você cresceu tem, nos últimos anos recentes, oscilado à beira de ficar &ldquo;perdido&rdquo;. Empregos são escassos, entrar numa universidade não oferece nenhuma garantia de emprego. Grandes, velhas corporações não são mais garantia de porto seguro para construir uma carreira. Startups aparentam, através da lente da mídia, como o único sinal de vida num mundo morrendo. Eu entendo o apelo.</p>
<p>O passado de cada um é diferente, e suas escolhas são apenas suas. Isso dito, você não está tomando decisões em um vácuo. Aqui vão algumas coisas para considerar que, em minha experiência, você tem menos chances de ouvir a respeito se estiver trabalhando em startups.</p>
<h2>Uma startup é somente um meio para um fim.<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="uma-startup-é-somente-um-meio-para-um-fim"></span>
    <a href="#uma-startup-%c3%a9-somente-um-meio-para-um-fim" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Recentemente entrevistei um jovem rapaz. Eu lhe perguntei onde se via daqui quatro anos. &ldquo;Dirigindo minha própria empresa,&rdquo; ele disse sem hesitar. Eu lhe perguntei porque. &ldquo;Por que empreendedorismo está no meu sangue,&rdquo; ele respondeu. Não havia nenhuma menção sobre o que sua empresa hipotética faria, que problemas ele resolveria para as pessoas. Seu objetivo era uma empresa apenas por ter uma empresa. Foi para isso que ele estudou, afinal.</p>
<p>As pessoas se satisfazem em seus trabalhos quando operam com um senso de propósito. Então muito do nosso entendimento da psicologia do sucesso gira em torno de objetivos e manter esses objetivos no topo da mente: visualizando o momento da conquista, rastreando o progresso, tendo outros nos cobrando para atingí-los. Objetivos dão forma a nossos futuros individuais.</p>
<p>Talvez uma startup seja o melhor jeito de atingir esse objetivo, e talvez não seja. Se o objetivo do jovem rapaz descrito acima é ter um negócio - qualquer negócio! - então talvez uma startup seja de fato o melhor caminho. Para outros, no entanto, eu sempre me pergunto se eles estão adequando seus objetivos no formato de uma startup porque essa é a aproximação mais aplaudida, admirada, e facilmente entendida (se não facilmente atingida).</p>
<p>Talvez o melhor jeito de atingir seu objetivo seja iniciando uma organização sem fins lucrativos ou entrando na política. Talvez seja fazendo pesquisa numa universidade ou fazendo arte. Talvez a resposta seja se juntar a uma empresa grande, estável com formidáveis recursos para que você possa tirar proveito para atingir seu objetivo. Talvez seu objetivo seja melhor atingido construindo uma carreira estável, sem pressão, que deixe tempo suficiente para sua família, amigos, comunidade e auto-aperfeiçoamento.</p>
<p>Uma startup é somente um meio para um fim. Considere o fim, e procure não festejar com os meios. Com o que você se importa? Quem você quer ajudar? Uma startup facilita ou dificulta atingir esse objetivo? Onde isso vai levá-lo quando seu objetivo for atingido? Onde isso vai te deixar se não atingir?</p>
<h2>Um emprego numa startup é o novo emprego de escritório. Cultura de Startup é a nova cultura corporativa.<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="um-emprego-numa-startup-é-o-novo-emprego-de-escritório-cultura-de-startup-é-a-nova-cultura-corporativa"></span>
    <a href="#um-emprego-numa-startup-%c3%a9-o-novo-emprego-de-escrit%c3%b3rio-cultura-de-startup-%c3%a9-a-nova-cultura-corporativa" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Startups são retratadas como sendo excitantes, arriscadas, e mesmo alternativas subversivas ao tradicional emprego corporativo. Startups são vistas como mais livres, mais abertas, mais flexíveis. Algumas empresas de fato começam assim, mas algumas entrevistas em startups em estágio avançado torna claro quão rápido elas se ossificam em estruturas que se parecem com as organizações que vieram antes delas.</p>
<p>Da mesma forma como foi na primeira bolha da ponto com, atualmente existe uma proliferação de <a href="http://www.businessweek.com/small-business/startup-rates-surge-in-the-us-and-abroad-01202012.html"target="_blank" rel="noopener">startups</a>, <a href="http://www.xconomy.com/national/2011/08/12/theres-an-incubator-bubble-and-it-will-pop/?single_page=true"target="_blank" rel="noopener">incubadoras</a>, <a href="http://www.businessweek.com/articles/2013-03-14/waiting-for-the-accelerator-bubble-to-pop"target="_blank" rel="noopener">aceleradoras</a>, <a href="http://navfund.com/blog/the-angel-bubble-or-why-i-would-rather-be-a-vc"target="_blank" rel="noopener">investidores anjo</a>, e assim por diante. Para a &ldquo;comunidade startup&rdquo; conseguir se replicar, no estilo nanobot, as mecânicas de &ldquo;fazer uma startup&rdquo; tem sido reduzidas para uma sequência facilmente transportável de ações acompanhadas de um conjunto compartilhado de valores, normas e linguagem. Como consequência, a cultura da maioria das startups é uniforme, até no estilo de vestimenta e enfeites que ajudam os &ldquo;caras de startup&rdquo; - e na maioria das vezes são mesmo &ldquo;os&rdquo; caras - a ficar com seu rebanho (para não serem <a href="http://www.vanityfair.com/culture/2013/05/silicon-valley-cougar-nights-love"target="_blank" rel="noopener">apanhados por pumas</a>).</p>
<p>Formados de escolas de negócios como o jovem rapaz que eu entrevistei estão indo <a href="http://www.businessweek.com/articles/2013-03-26/college-startups-the-new-masters-degree"target="_blank" rel="noopener">diretamente da universidade para startups</a>, e isso se chegam a terminar a escola. Formados em negócios, tradicionalmente avessos a riscos, agora dizem que não querem trabalhar para as grandes empresas. Mas startups são as novas grandes empresas. Elas são, como vou descrever mais abaixo, os campos de escritórios de uma força de trabalho distribuída agregados por venture capitalistas e suas instituições associadas.</p>
<p>Não existe nada inerentemente errado com um emprego de escritório. Apenas entenda no que está se juntando. Quando os barris de cerveja fornecidos pela empresa secam, quando os lanches de graça estão tornando você gordo, e jogar Xbox na sala de relaxamento não é mais tão divertido, e aí? Quando você descobrir que agora se reporta a um gerente médio politiqueiro e não o CEO inspirador que o entrevistou, ainda vai querer estar lá? É um ambiente com brinquedos e novidades o suficiente para sustentá-lo? Quando todos os lugares que você considera trabalhar se parecem mais ou menos os mesmos, até quando vai a novidade?</p>
<p>As Startups foram sistematizadas, mitologizadas, culturalmente e socialmente tiveram seus riscos retirados; reduzidos a fórmulas e receitas. E ainda assim, não existe uma fórmula sustentável para criatividade e rebelião. Quando tentamos industrializar a inovação nós arrancamos exatamente o que estamos tentando cultivar: a <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Creative_destruction"target="_blank" rel="noopener">destruição criativa</a> que mantém o fogo do capitalismo.</p>
<h2>Startups são parte do sistema, não uma chave rebelde nas engrenagens.<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="startups-são-parte-do-sistema-não-uma-chave-rebelde-nas-engrenagens"></span>
    <a href="#startups-s%c3%a3o-parte-do-sistema-n%c3%a3o-uma-chave-rebelde-nas-engrenagens" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>O funding para startups - ou seja, o dinheiro que paga seus salários - vem de algum lugar. Indivíduos ricos e instituições investem em startups como qualquer outra <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Asset_classes"target="_blank" rel="noopener">classe de ativos</a>. O futurista Bruce Sterling recentemente <a href="http://nextberlin.eu/2013/04/bruce-sterling-fantasy-prototypes-and-real-disruption/"target="_blank" rel="noopener">brincou</a> que &ldquo;startups estão cheios de jovens trabalhando duro para tornar outras pessoas ricas - financistas Baby Boomers, principalmente&rdquo;. Mesmo isso podendo ser uma afirmação generalista e cínica, de jeito nenhum é uma inverdade.</p>
<p>Em traços largos e excluindo áreas como biotecnologia, venture-backed startups são uma máquina onde relativamente pequenas quantidades de capital são inseridos de um lado e, idealmente, um monte sai do outro lado. (Na realidade essa máquina <a href="http://www.forbes.com/sites/timworstall/2013/02/22/venture-capital-returns-are-beaten-by-nasdaq-sp-and-djia/"target="_blank" rel="noopener">parece não funcionar mais</a>, embora a efetividade do VC como uma classe de ativos e os próprios VCs esteja <a href="http://www.bothsidesofthetable.com/2013/05/25/as-populist-as-it-may-feel-98-of-vcs-arent-dumb/"target="_blank" rel="noopener">aberta a discussão</a>). O ponto saliente: o que está no meio da máquina é você. <em>Você</em> faz ele andar.</p>
<p>A máquina não se interessa por você. De fato, a máquina é desenhada com o entendimento de que a maioria das startups vai falhar, ou no máximo oferecer retornos medíocres aos investidores. A maioria das empresas em muitos portfolios de VCs são reconhecidas como espantalhos. Uma ou duas empresas &ldquo;10x&rdquo; é que valorizam o portfolio. No melhor dos casos, fundadores de startups que falham recebem outro empurrão na máquina caça-níquel. No pior dos casos, suas falhas os <a href="http://www.businessinsider.com/jody-sherman-ecomom-2013-4?op=1"target="_blank" rel="noopener">levam ao desespero</a>.</p>
<p>Não existe nada inerentemente disruptivo numa venture-backed startup. O sistema de startup é somente mais um sistema; uma alternativa à escada corporativa mas com tantos degraus quanto. Algumas startups podem acabar dramaticamente reformulando o mercado, mas assim como qualquer outro operador já no jogo ou regulador ativo.</p>
<p>A agora perene celebração de disrupção dirigida por startups levantam a pergunta: se aceitarmos que disrupção está de fato acontecendo, estamos melhor no mercado disruptivo resultante? Resolvemos um problema, ou apenas mudamos o problema de posição? Criamos valor enquanto aumentamos a justiça e igualdade, criando mudança positiva que vai durar? Ou somente criamos um grupo de pessoas ricas um pouco mais ricas ao custo de outro grupo de pessoas ricas? Estamos criando um futuro melhor ou somente embaralhando o presente?</p>
<h2>Startups tem um custo interpessoal em andamento.<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="startups-tem-um-custo-interpessoal-em-andamento"></span>
    <a href="#startups-tem-um-custo-interpessoal-em-andamento" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Nenhuma história de uma startup está completa sem uma cena ou duas de heróis machos: noites gastas programando até a exaustão, semanas longe de casa tentando levantar dinheiro em pitch humilhante atrás de pitch humilhante. Startups apelam a um desejo de ousadia que está perdida em muitas formas de trabalho moderno, e ouvimos histórias das recompensas esperando quando vidas pessoais são sacrificadas no altar do cronograma de lançamento.</p>
<p>Menos frequentemente ouvimos sobre os danos que startups fazem à vida das pessoas. Em casos extremos, como com o empreendedor cuja história de fracasso e suicídio está ligado acima, a &ldquo;comunidade&rdquo; pode tirar um dia ou dois para refletir e lamentar em blogs e tweets. Então estão de volta à &ldquo;moeção&rdquo;, e mais importante, fazer um show público de quão duro você está trabalhando para satisfazer os investidores e a intimidadora concorrência.</p>
<p>Eu vi em primeira mão os danos que startups podem fazer a relacionamentos. Eu vi casamentos e amizades destruídas, vi crianças e parceiros sendo colocados de lado, e falhei com aqueles na minha vida de todas as maneiras quando o trabalho veio à frente. Eu ouvia enquanto as pessoas que são o retrato de uma startup de sucesso - visíveis na imprensa e mídia social, liderando conferências, eternamente fundando e saindo - confidenciando sua total solidão a despeito de aparentemente ser o centro social da comunidade empreendedora.</p>
<p>Quando você é jovem, relacionamentos parecem um recurso renovável. Amizades existem aos montes e vem de forma fácil. Acabando de sair de casa e para o mundo, você está ansioso para escapar da presença constante da família. Ser puxado para o trabalho o faz se sentir importante, independente, um adulto. O trabalho por si fornece uma nova comunidade e novas amizades, e as ligações formadas durante intenso trabalho colaborativo são fortes.</p>
<p>Eu fiz muitos amigos através do trabalho em empresas em fase inicial. Ironicamente, esses relacionamentos são mais fáceis de manter e aproveitar quando não estou trabalhando numa startup.</p>
<h2>Pensamentos de Partida.<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="pensamentos-de-partida"></span>
    <a href="#pensamentos-de-partida" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Eu trabalhei em startups por metade da minha vida já. Esse trabalho me trouxe liberdade financeira, e eu coloquei dinheiro que ganhei numa startup em outras startups. Se existe, como eu argumentei acima, um moderno &ldquo;sistema de startups&rdquo;, eu sou parte disso.</p>
<p>Não vou me equivocar: eu sou profundamente cético com esse sistema. Sou cético quanto à escravidão desse sistema, fetichização autocongratulatória de &ldquo;disrupção&rdquo; e ao mesmo tempo se tornando tão obviamente o tipo de instituição impassível que quer substituir. Sou cético quanto à visão de curto-prazo da comunidade de startup. E sou particularmente cético pelo seu desprezo quanto às vidas das pessoas que participam e a vida daqueles que vivem no mundo que as startups procuram reformular. Não vamos nem começar a discutir o <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Collusion"target="_blank" rel="noopener">conluio</a>, <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Price_fixing"target="_blank" rel="noopener">cartelização</a> e outras atividades de corrupção de mercado que são tão comuns no mundo dos VCs. O ponto sendo: é um jogo ruim, e um jogo de fraude.</p>
<p>E mesmo assim. Existem startups que eu não gostaria de ver desaparecer. Existem pessoas trabalhando e fundando essas startups que são boas, gentis, com vidas pessoais e profissionais equilibradas, preocupadas com o impacto dos seus trabalhos. Da mesma forma como jogamos calúnias e acusações de corrupção em outros sistemas como política, mídia de massa, entretenimento e esportes profissionais, também devemos admirar aqueles que operam de forma ética e eficiente neles. Devemos ainda mais celebrar aqueles que são pioneiros em sistemas novos e alternativos, pois eles trabalham nas sombras da comunidade que tem uma mão constante na manivela da máquina publicitária.</p>
<p>Agora, você poderia dizer que estou jogando muita responsabilidade aos pés do mundo de startups. Embora esse sistema espalhe todos os dias sobre ele mesmo como o salvador de tudo, do capitalismo à cultura, claro que podemos aceitar que negócios são negócios e ideais são melhores deixados em casa. Como um VC de uma empresa de topo de Sand Hill Road me disse durante um pitch muitos anos atrás quando descrevia uma funcionalidade conceitual no <a href="http://www.simple.com/"target="_blank" rel="noopener">Simple</a> que facilitaria aos usuários doar mais facilmente e regularmente uma porção das suas economias para a caridade, &ldquo;não vamos desperdiçar tempo nessa coisa, estamos aqui para fazer dinheiro.&rdquo;</p>
<p>Você poderia aguentar essa conduta, mas eu espero que seu idealismo não tenha sido desgastado quando ainda tão jovem. Eu espero que você queira que seu trabalho tenha significado, propósito, e valor não importa que forma esse trabalho tenha. Mais do que isso, eu espero que você queira que sua vida seja definida por mais do que seu trabalho.</p>
<p>Jovem programador, eu insisto que você considere ambos os lados da moeda da startup. Existem tantas formas de deixar uma marca no mundo.</p>
<h2>Uma Nota quanto ao Feedback<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="uma-nota-quanto-ao-feedback"></span>
    <a href="#uma-nota-quanto-ao-feedback" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Se você é parte do público alvo deste post, adoraria ouvir seu feedback e responder suas perguntas, preferencialmente por e-mail. Meu endereço é fácil de encontrar <a href="https://al3x.net/2013/05/23/letter-to-a-young-programmer.html"target="_blank" rel="noopener">neste site</a>.</p>
<p>Se você <strong>não</strong> é parte do público alvo e está <strong>muito muito bravo</strong> que um estranho na Internet tem uma opinião diferente da sua, eu o encorajo a direcionar sua energia em um argumento alternativo que alguém jovem (ou, realmente, qualquer pessoa num ponto de transição de carreira) poderia se beneficiar lendo. Eles são seus futuros funcionários, colegas de trabalho ou fundadores. São eles que você precisa convencer, não eu.</p>
<p>— 23 de Maio de 2013</p>
]]></content:encoded><category>startups</category><category>carreira</category><category>negocios</category><category>off-topic</category></item><item><title>[Off-Topic] Pessoas: Animais Racionais? O id e o ego no marketing</title><link>https://akitaonrails.github.io/2013/05/14/off-topic-pessoas-animais-racionais-o-id-e-o-ego-no-marketing/</link><guid isPermaLink="true">https://akitaonrails.github.io/2013/05/14/off-topic-pessoas-animais-racionais-o-id-e-o-ego-no-marketing/</guid><pubDate>Tue, 14 May 2013 20:54:00 -0300</pubDate><description>&lt;p&gt;Publicado pela 1a vez em &lt;a href="https://web.archive.org/web/20150405090821/http://startupi.com.br/2013/05/pessoas-animais-racionais-o-id-e-o-ego-no-marketing/"target="_blank" rel="noopener"&gt;2013-05-16T17:54:01+00:00&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Em diferentes níveis, nós nos consideramos &amp;ldquo;animais racionais&amp;rdquo;. Entendemos a nossa capacidade de raciocinar como a característica que nos separa dos outros animais.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Neste mundo de startups, vivemos tentando responder a uma pergunta difícil: &amp;ldquo;Como demonstrar o valor do meu produto ao mundo?&amp;rdquo; Será o mais barato? O mais fácil de usar? O mais elegante?&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Para chegar à raiz do problema, vale recuar alguns séculos e depois avançar até o que sabemos hoje sobre como raciocinamos.&lt;/p&gt;</description><content:encoded><![CDATA[<p>Publicado pela 1a vez em <a href="https://web.archive.org/web/20150405090821/http://startupi.com.br/2013/05/pessoas-animais-racionais-o-id-e-o-ego-no-marketing/"target="_blank" rel="noopener">2013-05-16T17:54:01+00:00</a></p>
<p>Em diferentes níveis, nós nos consideramos &ldquo;animais racionais&rdquo;. Entendemos a nossa capacidade de raciocinar como a característica que nos separa dos outros animais.</p>
<p>Neste mundo de startups, vivemos tentando responder a uma pergunta difícil: &ldquo;Como demonstrar o valor do meu produto ao mundo?&rdquo; Será o mais barato? O mais fácil de usar? O mais elegante?</p>
<p>Para chegar à raiz do problema, vale recuar alguns séculos e depois avançar até o que sabemos hoje sobre como raciocinamos.</p>
<blockquote>“Penso, logo existo”</blockquote>
<p>Quase todo mundo já ouviu e repetiu essa frase alguma vez na vida, normalmente com interpretações duvidosas, mas poucos param para refletir sobre o que ela significa. A frase é do matemático e filósofo francês <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Ren%C3%A9_Descartes"target="_blank" rel="noopener">René Descartes</a>, um homem que duvidava e questionava tudo, inclusive os próprios sentidos, já que eles nos enganaram inúmeras vezes. No mínimo, o próprio ato de questionar, de pensar, define a única certeza que podemos ter: a de que existimos.</p>
<p>O nome Descartes, em latim, é &ldquo;Cartesius&rdquo;, de onde vem a palavra &ldquo;cartesiano&rdquo;. Ela batiza a filosofia de Descartes, o <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Dualism"target="_blank" rel="noopener">“Dualismo Cartesiano”</a>, a separação completa entre mente e corpo. A ideia é que &ldquo;a alma intangível existe a despeito do corpo material&rdquo;. É a entrada do pensamento matemático na filosofia, com a proposta de que todo conhecimento possível pode ser deduzido apenas pelo raciocínio, à revelia do corpo, dos sentidos e das emoções.</p>
<p>Vamos saltar do século XVII para o século XIX e conhecer outro nome: <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Phineas_Gage"target="_blank" rel="noopener">Phineas Gage</a>, um trabalhador da construção civil nos EUA lembrado até hoje por um episódio inusitado. Uma explosão no canteiro de obras de uma ferrovia lançou um enorme cilindro de ferro, de cerca de 3cm de diâmetro e pesando 6kg, que entrou por baixo do maxilar esquerdo, passou atrás do olho esquerdo, perfurou o cérebro e saiu pela parte de cima, deixando um buraco no topo do crânio.</p>
<p>A força da explosão jogou o cano a 25 metros de distância. Gage permaneceu consciente, mesmo literalmente escorrendo cérebro pelo buraco.</p>
<p>O que torna o caso interessante é que Phineas sobreviveu e ainda viveu mais doze anos. Segundo os relatos da época, porém, a pessoa de antes do acidente e a de depois eram completamente diferentes.</p>
<p>Esses relatos não são confiáveis, mas descrevem o Gage anterior ao acidente como &ldquo;equilibrado, meticuloso e persistente quanto aos seus objetivos, além de profissional responsável e habilidoso&rdquo;. Depois do acidente sua personalidade mudou, &ldquo;era briguento, mal humorado, preguiçoso e irresponsável. Tornou-se impaciente e obstinado, passando a usar um linguajar rude nunca antes utilizado por ele&rdquo;.</p>
<p><img src="https://akitaonrails.s3.amazonaws.com/assets/image_asset/image/504/Phineas-Gage.png" alt="Phineas Gage"  loading="lazy" /></p>
<blockquote>“Phineas não era mais Phineas”.</blockquote>
<p>Esse episódio pode ser considerado o catalisador da neurociência moderna e dos seus efeitos na psicologia, na sociologia e até na economia comportamental. O neurocientista português Antonio Damasio usa esse caso no seu famoso livro <a href="http://www.amazon.com/Descartes-Error-Emotion-Reason-Human/dp/014303622X"target="_blank" rel="noopener">“O Erro de Descartes”</a>.</p>
<blockquote>“Sinto, logo existo”.</blockquote>
<p>A neurociência moderna já derrubou a antiga noção cartesiana de separação entre mente e corpo. Hoje sabemos que o corpo influencia a mente. Para efeito desta explicação, vamos simplificar as nossas emoções como a expressão do estado fisiológico do corpo e do cérebro, afetado por estímulos. Qualquer pessoa que já usou drogas legais ou ilegais, prozac, zoloft, LSD, ou que passou por anomalias hormonais, conhece o efeito devastador que isso tem na própria definição de &ldquo;EU&rdquo;.</p>
<p>A hipótese de Damasio é que a região danificada em Phineas foi o córtex pré-frontal esquerdo. Esse é um dos alicerces da <a href="https://web.archive.org/web/20120907024838/http://www.iee.unibe.ch/unibe/philnat/biology/zoologie/content/e7493/e7854/e8920/e8926/DamasioPhilTransRSocB96.pdf"target="_blank" rel="noopener">“Hipótese dos Marcadores Somáticos”</a>, que propõe que a nossa tomada de decisões, longe de ser puramente racional e cartesiana, é guiada pelas emoções.</p>
<p>Pesquisas com várias pessoas que, como Phineas, sofreram danos na região do neocórtex mostram problemas de tomada de decisão e de conduta social. Elas têm dificuldade para planejar no longo prazo, aprender com os próprios erros e se comportar de maneira socialmente aceitável.</p>
<blockquote>“Um homem tem sempre dois motivos para fazer qualquer coisa: o bom motivo e o motivo real”.</blockquote>
<p>Este artigo nasceu quando parei para refletir sobre essa frase, comumente atribuída ao gigante das finanças que ajudou a constituir a General Electric, <a href="http://www.amazon.com/The-Men-Who-Built-America/dp/B00A2XTHYU/ref=pd_cp_mov_1"target="_blank" rel="noopener">John Pierpont Morgan</a>, mais conhecido como J.P. Morgan.</p>
<p>Voltando ao mundo da biologia, nada nem ninguém nos projetou do jeito que somos. Somos o resultado mais recente de mutações constantes e de testes de sobrevivência no meio ambiente, ao longo de milhões de anos. Estamos no topo dessa cadeia, os Homo Sapiens, e, graças a pensadores como Descartes, nos definimos como &ldquo;animais racionais&rdquo;.</p>
<p>De fato, uma das nossas características mais marcantes é ter um cérebro dotado de córtex pré-frontal (PFC), o que nos dá habilidades cognitivas, personalidade, expressão, capacidade de decisão e a moderação do comportamento social.</p>
<p>Mas o nosso cérebro é resultado de uma evolução, e o PFC é só o episódio mais recente. Segundo a teoria do cérebro triúno, a segunda parte mais antiga é o que conhecemos como sistema límbico, a fonte das emoções, junto do cérebro proto-reptiliano.</p>
<p>Uma característica presente no cérebro de todos os animais, dos invertebrados até nós, são os mecanismos instantâneos que podemos resumir como &ldquo;emoções&rdquo;. Alegria, tristeza, medo, coragem, prazer.</p>
<p>Ainda bem que temos emoções como o medo, porque é o que nos faz reagir antes mesmo de raciocinar. Pode ser o milissegundo de reação que faz você desviar do carro que não percebeu conscientemente, mas que ia te matar. O mesmo milissegundo que impede a sua mão de chegar perto demais da boca de um animal prestes a morder.</p>
<p>Tecnicamente, emoção e instinto não são a mesma coisa, mas a emoção carrega esse componente instintivo.</p>
<p><img src="https://akitaonrails.s3.amazonaws.com/assets/image_asset/image/505/triune-brain.png" alt="Cérebro Triúno"  loading="lazy" /></p>
<p>O ponto importante, e a teoria por trás dos Marcadores Somáticos, é que primeiro vem a reação emotiva e só depois vem a reação racional, que demora mais para processar. Essa ordem importa. Usando uma metáfora emprestada da <a href="http://www.amazon.com/The-Ego-Id-Sigmund-Freud/dp/1481978934/ref=sr_1_1?ie=UTF8&amp;qid=1368647442&amp;sr=8-1&amp;keywords=freud&#43;ego&#43;id"target="_blank" rel="noopener">psicologia de Freud</a>, dá para equiparar o cérebro emocional ao &ldquo;Id&rdquo; e o cérebro racional, o PFC, ao &ldquo;Ego&rdquo;.</p>
<p>A ordem a que estamos acostumados diz que, pelo menos nas decisões mais demoradas e &ldquo;ponderadas&rdquo;, conseguimos &ldquo;desligar&rdquo; quase por completo o Id e usar só a cognição do Ego. Fazemos análises de custo e benefício, avaliamos os fatos de forma imparcial e tomamos a melhor decisão possível.</p>
<p>O que a neurociência evidencia é que o contrário pode estar acontecendo. Primeiro o seu Id já tomou uma decisão (&ldquo;Eu quero isso!&rdquo;) e depois o seu Ego racionaliza e tenta justificar essa decisão (&ldquo;Quero pelo motivo X.&rdquo;). Tem gente que chama isso de &ldquo;gut feeling&rdquo;, intuição, reação emocional visceral.</p>
<p>Ou seja, primeiro vem o &ldquo;motivo real&rdquo;, a reação emocional. Depois você justifica e expressa com o &ldquo;bom motivo&rdquo;, a reação racional.</p>
<p>Isso é importante porque não pensamos nessa sequência. Sem muito rigor, veja o que se conhece como &ldquo;Marketing Mix&rdquo;, os 4 Ps do Marketing: Produto, Preço, Promoção e Distribuição (&ldquo;Place&rdquo;). Nos anos 1960, Jerome McCarthy cunhou o termo e Philip Kotler o transformou em dogma na sua magnum opus, o <a href="http://www.amazon.com/Principles-Marketing-Philip-Kotler/dp/0131469185"target="_blank" rel="noopener">Princípios de Marketing</a>. Os 4 Ps já viraram 7 Ps, depois 4 Cs, 4 Es, e seguem gerando derivações.</p>
<p>Olhando por cima, a maioria de nós está condicionada a racionalizar: comparar especificações técnicas, tentar justificar um produto como superior ao outro por preço, características técnicas, disponibilidade. Quando pensamos em como apresentar o nosso produto ou serviço e como diferenciá-lo, o foco costuma ser torná-lo &ldquo;melhor&rdquo;, &ldquo;mais rápido&rdquo;, &ldquo;mais barato&rdquo;, todas justificativas racionais que imaginamos que mais vão influenciar os demais &ldquo;animais racionais&rdquo; como nós.</p>
<p>O papel do Marketing começa antes de justificar o produto ou de agradar o Ego. O primordial é provocar o Id primeiro, criar a reação emocional visceral. As características objetivas continuam valendo, e viram ferramentas para o Ego usar na hora de justificar a escolha. Mas a escolha já vai estar feita. Essa é a beleza da teoria.</p>
<p>Você pode justificar quanto quiser quantos gols o seu time fez neste campeonato, quantos títulos conquistou na história, a escalação. Tudo isso é o seu córtex pré-frontal ventromedial tentando racionalizar a escolha emocional que o sistema límbico já tomou. Se você ama futebol, nenhum volume de racionalização vai fazer você trocar o &ldquo;time do coração&rdquo;.</p>
<p>Não dá para ajustar os níveis de noradrenalina, serotonina e dopamina direto, injetando químicos nas pessoas para mexer nas emoções delas (só psiquiatras podem fazer isso legalmente). Mas dá para afetar essas reações por outros canais. O ser humano tem cinco sentidos que servem de interface. Qualquer campanha publicitária que coloca crianças, por exemplo, quer manipular o seu sistema límbico a ter a primeira reação emocional antes que você pare para racionalizar.</p>
<p>Até aqui só arranhamos a superfície do que áreas como medicina, neurociência, psicologia, sociologia e economia vêm pesquisando nas últimas décadas. A intenção é só mostrar que essas áreas existem, que o conhecimento sobre o comportamento humano evolui o tempo todo, e que dá para tirar muitas perspectivas novas desse conhecimento para usar no mundo real.
</content>
</invoke></p>
]]></content:encoded><category>psicologia</category><category>negocios</category><category>off-topic</category></item><item><title>[Off-Topic] A maioria disse que usaria meu produto. Vai dar certo? Não!</title><link>https://akitaonrails.github.io/2013/03/11/off-topic-a-maioria-disse-que-usaria-meu-produto-vai-dar-certo-nao/</link><guid isPermaLink="true">https://akitaonrails.github.io/2013/03/11/off-topic-a-maioria-disse-que-usaria-meu-produto-vai-dar-certo-nao/</guid><pubDate>Mon, 11 Mar 2013 06:39:00 -0300</pubDate><description>&lt;p&gt;Publicado pela 1a vez em &lt;a href="http://web.archive.org/web/20140928140600/http://startupi.com.br/2013/03/a-maioria-disse-que-usaria-meu-produto-vai-dar-certo-nao/"target="_blank" rel="noopener"&gt;2013-03-13T14:06:39+00:00&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&amp;ldquo;Estamos montando um excelente novo produto que vai resolver seus problemas, você usaria esse produto?&amp;rdquo;, diz a pesquisa de validação de uma nova startup. Resultado: 70% das 1.000 pessoas que responderam disseram sim. A conclusão é clara, então: o produto é válido e não tem como dar errado, certo?&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Errado. Esses valores não querem dizer nada. Sozinhos, não têm validade e não sustentam conclusão alguma. &amp;ldquo;Mas são 1.000 pessoas! Como você pode dizer isso?&amp;rdquo; Este artigo não pretende ser estatisticamente rigoroso, só apontar alguns dos muitos pontos onde quase todo mundo erra ao fazer pesquisa hoje em dia.&lt;/p&gt;</description><content:encoded><![CDATA[<p>Publicado pela 1a vez em <a href="http://web.archive.org/web/20140928140600/http://startupi.com.br/2013/03/a-maioria-disse-que-usaria-meu-produto-vai-dar-certo-nao/"target="_blank" rel="noopener">2013-03-13T14:06:39+00:00</a></p>
<p>&ldquo;Estamos montando um excelente novo produto que vai resolver seus problemas, você usaria esse produto?&rdquo;, diz a pesquisa de validação de uma nova startup. Resultado: 70% das 1.000 pessoas que responderam disseram sim. A conclusão é clara, então: o produto é válido e não tem como dar errado, certo?</p>
<p>Errado. Esses valores não querem dizer nada. Sozinhos, não têm validade e não sustentam conclusão alguma. &ldquo;Mas são 1.000 pessoas! Como você pode dizer isso?&rdquo; Este artigo não pretende ser estatisticamente rigoroso, só apontar alguns dos muitos pontos onde quase todo mundo erra ao fazer pesquisa hoje em dia.</p>
<p>Primeiro de tudo, qual é o público-alvo do seu produto? Digamos que seja a população do interior dos estados do Sul, classes C e D, de 50 a 60 anos, com pouca experiência de informática. Agora imagine que a pergunta acima fez parte de uma pesquisa online, compartilhada pelo Facebook e pelo Twitter.</p>
<p>Quem respondeu? Com certeza muita gente das classes A até C, concentrada nas capitais do Sudeste, entre 16 e 25 anos, que usa computador todo dia. Você fez a pergunta errada para as pessoas erradas.</p>
<p>Para efeito do exemplo, digamos que você teve o cuidado de escolher a população certa e evitou o que se conhece como &ldquo;Biased Sampling&rdquo;. Mesmo assim, a pergunta continua ruim, e deveria ser óbvio por quê. É o que se chama de &ldquo;Loaded Question&rdquo;: a formulação já empurra o entrevistado para um tipo de resposta.</p>
<p>Para começar, ela parte da premissa de que o produto é &ldquo;excelente&rdquo; e de que &ldquo;vai resolver&rdquo; os problemas do sujeito. Uma forma menos carregada seria: &ldquo;Estamos montando um produto com as funcionalidades X; supondo que você tenha os problemas Y, acha que isso ajudaria a resolvê-los?&rdquo;</p>
<p>Existem várias técnicas para fugir de premissas infundadas, como explicar direito a proposição de valor em vez de encher a pergunta de retórica. É muito fácil montar uma pergunta falaciosa que puxa uma resposta falsa.</p>
<p>Pior ainda é pegar essas 1.000 pessoas, separar os 700 que disseram &ldquo;sim&rdquo; à pergunta viciada feita ao público errado e começar a tirar conclusões dali. &ldquo;Ah, notamos que, desses 700, metade tem cartão de crédito, compra pela internet pelo menos uma vez por mês e diz que compartilharia o serviço com ao menos 2 amigos nas redes sociais.&rdquo; E fica pior ainda quando justamente os que disseram &ldquo;não&rdquo; são o público mais próximo do alvo que você quer atingir.</p>
<p>Consultei também Ricardo Couto* que explicou a questão. &ldquo;Conhecer o entrevistado, seus hábitos e motivações é muito mais valioso para o negócio do que ter um alto percentual de respostas favoráveis sobre o produto ou serviço em um questionário online. A propósito, chamar de pesquisa um formulário feito em 5 minutos no Google Docs ou SurveyMonkey é, no mínimo, ingenuidade. O que se tem lá é um questionário. Questionários podem ser úteis se bem usados. Mas, em geral, são apenas conjuntos de perguntas em torno de um assunto. Uma pesquisa pode até fazer uso dessa ferramenta mas nem todo questionário é pesquisa&rdquo;.</p>
<p>Estatística, probabilidade e pesquisa em geral são trabalho de profissionais que dominam esse campo. Não é assunto trivial nem coisa para se tratar de qualquer jeito. Este exemplo é só uma das muitas maneiras de se enganar com números.</p>
<p>Mark Twain popularizou a frase &ldquo;Existem 3 tipos de mentiras: mentiras, malditas mentiras e estatísticas&rdquo;. O tema já foi tão discutido e rebatido que rendeu um livro famoso de 1954, de <a href="https://www.amazon.com/How-Lie-Statistics-Darrell-Huff/dp/0393310728"target="_blank" rel="noopener">Darrell Huff</a>, &ldquo;Como mentir com estatísticas&rdquo;, que cataloga os erros intencionais e não-intencionais na interpretação de estatísticas.</p>
<p>Ricardo também complementou dizendo: &ldquo;Se pensarmos em um questionário online como ferramenta séria para pesquisa, primeiro há de se saber como se faz pesquisa. Tenho muitas dúvidas se as pessoas que dizem que &ldquo;estão fazendo&rdquo; uma pesquisa e te mandam um link para um questionário tenham levado em conta o <a href="https://revista.fumec.br/index.php/facesp/article/view/1136"target="_blank" rel="noopener">efeito de ordem</a>, <a href="http://web.archive.org/web/20130830060826/http://www2.pucpr.br:80/reol/index.php/PA?dd1=188&amp;dd99=view"target="_blank" rel="noopener">efeito do observador</a> ou evitaram perguntas tendenciosas – fatores bem conhecidos por quem faz pesquisa de verdade. E olha que nem comentei sobre a validade estatística, que só se consegue aplicando métodos estatísticos (percentual simples não é <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Estat%C3%ADstica_descritiva"target="_blank" rel="noopener">estatística descritiva</a>, ok? há de se conhecer o que é <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Valor-p"target="_blank" rel="noopener">valor p</a>), ou mesmo da seleção dos respondentes adequados ao público-alvo que se pretende atingir. Ou será que eu quero como usuários, clientes ou consumidores apenas profissionais com a minha faixa etária, minha faixa de renda e meu comportamento de compra online e uso de redes sociais?&rdquo;</p>
<p>Então, da próxima vez que for criar conta em um daqueles dezenas de serviços online de pesquisa, veja se a ferramenta cumpre o mínimo de uma pesquisa bem feita e guia você pelos procedimentos corretos: definir o público, coletar, processar e analisar os dados com rigor. Sem isso, o que sobra na sua mão é um punhado de números opacos, sem significado nenhum e dos quais não se tira conclusão alguma.</p>
<blockquote>*Ricardo Couto é Consultor em Experiência do Usuário e Pesquisas, Mentor na Aceleratech, Presidente da Associação dos Designers de Interação SP (IxDA SP) e Membro da Sociedade Brasileira de Design da Informação. Estudou Psicologia Cognitiva (mestrado) na Universidade Federal de Pernambuco e especializações em Design da Informação, Docência do Ensino Superior e Tecnologia em Educação a Distância. Foi professor universitário em nível de graduação e pós-graduação por 7 anos.</blockquote>
]]></content:encoded><category>startups</category><category>negocios</category><category>ciencia</category><category>off-topic</category></item></channel></rss>