<rss version="2.0" xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"><channel><title>Startups | AkitaOnRails.com</title><link>https://akitaonrails.github.io/tags/startups/</link><description>Blog do Fabio Akita do Canal do YouTube 'Akitando' falando sobre tecnologia, carreira e coisas geek.</description><generator>Hugo -- gohugo.io</generator><language>pt-BR</language><lastBuildDate>Mon, 19 Oct 2026 23:20:49 +0000</lastBuildDate><atom:link href="https://akitaonrails.github.io/tags/startups/index.xml" rel="self" type="application/rss+xml"/><item><title>37 dias de Imersão em Vibe Coding: Conclusão quanto a Modelos de Negócio</title><link>https://akitaonrails.github.io/2026/03/05/37-dias-de-imers%C3%A3o-em-vibe-coding-conclus%C3%A3o-quanto-a-modelos-de-neg%C3%B3cio/</link><guid isPermaLink="true">https://akitaonrails.github.io/2026/03/05/37-dias-de-imers%C3%A3o-em-vibe-coding-conclus%C3%A3o-quanto-a-modelos-de-neg%C3%B3cio/</guid><pubDate>Thu, 05 Mar 2026 14:00:00 -0300</pubDate><description>&lt;p&gt;Nos últimos 37 dias eu me enfiei numa imersão em vibe coding. O objetivo era simples: entender de verdade o que a geração atual de LLMs e agentes de código consegue fazer. Não testando num toy project de fim de semana, mas construindo projetos reais, com deploy em produção, usuários, e as dores de manutenção que vêm junto.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O resultado foram 653 commits, ~144K linhas de código em 8 projetos publicados no GitHub, e uma série de artigos documentando cada um deles. Se você acompanhou, já leu os post-mortems. Se não acompanhou, aqui vai o índice:&lt;/p&gt;</description><content:encoded><![CDATA[<p>Nos últimos 37 dias eu me enfiei numa imersão em vibe coding. O objetivo era simples: entender de verdade o que a geração atual de LLMs e agentes de código consegue fazer. Não testando num toy project de fim de semana, mas construindo projetos reais, com deploy em produção, usuários, e as dores de manutenção que vêm junto.</p>
<p>O resultado foram 653 commits, ~144K linhas de código em 8 projetos publicados no GitHub, e uma série de artigos documentando cada um deles. Se você acompanhou, já leu os post-mortems. Se não acompanhou, aqui vai o índice:</p>
<h2>Os artigos<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="os-artigos"></span>
    <a href="#os-artigos" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><ul>
<li><a href="/2026/01/28/vibe-code-eu-fiz-um-appzinho-100-com-glm-4-7-tv-clipboard/">Vibe Code: Eu fiz um appzinho 100% com GLM 4.7 (TV Clipboard)</a></li>
<li><a href="/2026/01/29/vibe-code-qual-llm-%C3%A9-a-melhor-vamos-falar-a-real/">Vibe Code: Qual LLM é a MELHOR?? Vamos falar a REAL</a></li>
<li><a href="/2026/02/01/vibe-code-fiz-um-editor-de-markdown-do-zero-com-claude-code-frankmd-part-1/">Vibe Code: Fiz um Editor de Markdown do zero com Claude Code (FrankMD) PARTE 1</a></li>
<li><a href="/2026/02/01/vibe-code-fiz-um-editor-de-markdown-do-zero-com-claude-code-frankmd-parte-2/">Vibe Code: Fiz um Editor de Markdown do zero com Claude Code (FrankMD) PARTE 2</a></li>
<li><a href="/2026/02/08/rant-ia-acabou-com-programadores/">RANT: IA acabou com os programadores?</a></li>
<li><a href="/2026/02/16/vibe-code-do-zero-a-producao-em-6-dias-the-m-akita-chronicles/">Vibe Code: Do Zero à Produção em 6 DIAS - The M.Akita Chronicles</a></li>
<li><a href="/2026/02/20/do-zero-a-pos-producao-em-1-semana-como-usar-ia-em-projetos-de-verdade-bastidores-do-the-m-akita-chronicles/">Do Zero à Pós-Produção em 1 Semana - Como usar IA em Projetos de Verdade</a></li>
<li><a href="/2026/02/21/vibe-code-fiz-um-clone-do-mega-em-rails-em-1-dia-pro-meu-home-server/">Vibe Code: Fiz um clone do Mega em Rails em 1 dia pro meu Home Server</a></li>
<li><a href="/2026/02/23/vibe-code-fiz-um-indexador-inteligente-de-imagens-com-ia-em-2-dias/">Vibe Code: Fiz um Indexador Inteligente de Imagens com IA em 2 dias - Frank Sherlock</a></li>
<li><a href="/2026/02/24/rant-o-akita-abriu-as-pernas-pra-ia/">RANT: o Akita abriu as pernas pra IA??</a></li>
<li><a href="/2026/03/01/ai-jail-sandbox-para-agentes-de-ia-de-shell-script-a-ferramenta-real/">ai-jail: Sandbox para Agentes de IA</a></li>
<li><a href="/2026/03/01/software-nunca-esta-pronto-4-projetos-a-vida-pos-deploy-e-por-que-one-shot-prompt-e-mito/">Software Nunca Está &lsquo;Pronto&rsquo; - 4 Projetos, a Vida Pós-Deploy</a></li>
<li><a href="/2026/03/04/eu-fiz-um-sistema-de-data-mining-pra-minha-namorada-influencer-dicas-e-truques/">Eu Fiz um Sistema de Data Mining pra Minha Namorada Influencer</a></li>
<li><a href="/2026/03/05/meu-primeiro-fracasso-com-vibe-code-e-como-consertei-frank-yomik/">Meu primeiro fracasso com Vibe Code e como Consertei - Frank Yomik</a></li>
</ul>
<h2>Os projetos<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="os-projetos"></span>
    <a href="#os-projetos" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><table>
  <thead>
      <tr>
          <th>Projeto</th>
          <th>Commits</th>
          <th>LOC</th>
          <th>Tempo</th>
          <th>O que faz</th>
      </tr>
  </thead>
  <tbody>
      <tr>
          <td><a href="https://github.com/akitaonrails/FrankMD"target="_blank" rel="noopener">FrankMD</a></td>
          <td>234</td>
          <td>38K</td>
          <td>~5 dias</td>
          <td>Editor de Markdown em Rust/Tauri</td>
      </tr>
      <tr>
          <td><a href="https://github.com/akitaonrails/FrankYomik"target="_blank" rel="noopener">FrankYomik</a></td>
          <td>131</td>
          <td>21K</td>
          <td>~9 dias</td>
          <td>Tradutor de mangá/webtoon (Go + Python + Flutter)</td>
      </tr>
      <tr>
          <td><a href="https://github.com/akitaonrails/FrankSherlock"target="_blank" rel="noopener">FrankSherlock</a></td>
          <td>103</td>
          <td>37K</td>
          <td>~6 dias</td>
          <td>Indexador inteligente de imagens (Rails + Python)</td>
      </tr>
      <tr>
          <td>mila-bot (privado)</td>
          <td>60</td>
          <td>30K</td>
          <td>~3 dias</td>
          <td>Sistema de data mining (Rails + Discord)</td>
      </tr>
      <tr>
          <td><a href="https://github.com/akitaonrails/tvclipboard"target="_blank" rel="noopener">TVClipboard</a></td>
          <td>49</td>
          <td>5K</td>
          <td>~2 dias</td>
          <td>App de clipboard cross-device com GLM 4.7</td>
      </tr>
      <tr>
          <td><a href="https://github.com/akitaonrails/ai-jail"target="_blank" rel="noopener">ai-jail</a></td>
          <td>46</td>
          <td>6K</td>
          <td>~4 dias</td>
          <td>Sandbox de segurança pra agentes de IA (Rust)</td>
      </tr>
      <tr>
          <td><a href="https://github.com/akitaonrails/FrankMega"target="_blank" rel="noopener">FrankMega</a></td>
          <td>29</td>
          <td>7K</td>
          <td>~1 dia</td>
          <td>Clone do Mega para home server (Rails)</td>
      </tr>
      <tr>
          <td>The M.Akita Chronicles</td>
          <td>1+</td>
          <td>muitas</td>
          <td>~6 dias</td>
          <td>Blog/newsletter completo em produção</td>
      </tr>
  </tbody>
</table>
<p>Isso tudo aconteceu entre 27 de janeiro e 5 de março de 2026.</p>
<p>Não vou repetir os detalhes técnicos de cada projeto. Cada post-mortem acima já cobriu isso. O que eu quero discutir aqui é a consequência.</p>
<h2>O que esses 37 dias me mostraram<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="o-que-esses-37-dias-me-mostraram"></span>
    <a href="#o-que-esses-37-dias-me-mostraram" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Projetos que antes levariam semanas ou meses pra um desenvolvedor experiente agora levam dias. Um editor de Markdown completo em 5 dias. Um clone do Mega em 1 dia. Um sistema de data mining com 40+ ferramentas de bot em 3 dias. Um indexador de imagens com vision AI em 2 dias.</p>
<p>E não estou falando de protótipos jogados fora. Esses projetos estão em produção. Têm testes. Têm deploy automatizado. São software de verdade construído com práticas de engenharia de verdade, só que com velocidade que antes era impensável.</p>
<p>Essa velocidade não é exclusiva minha. A Cloudflare acabou de demonstrar algo parecido. <a href="https://blog.cloudflare.com/vinext/"target="_blank" rel="noopener">Num post recente</a>, eles descrevem como um engenheiro reimplementou o surface de API do Next.js sobre Vite em uma semana, usando Claude como ferramenta principal. US$ 1.100 em tokens de API, mais de 800 sessões, 1.700 testes unitários, 380 testes E2E, builds 4.4x mais rápidos que o Next.js original. Controvérsias à parte sobre se é uma reimplementação &ldquo;completa&rdquo; ou não, o ponto central é real: software que antes exigia equipes e meses agora pode ser construído por uma pessoa em dias.</p>
<p>E isso muda tudo pra quem quer empreender.</p>
<h2>A morte da startup fácil<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="a-morte-da-startup-fácil"></span>
    <a href="#a-morte-da-startup-f%c3%a1cil" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Durante anos, o modelo clássico de startup funcionava assim: alguém tem uma ideia, monta uma equipe pequena, desenvolve um MVP em 3-6 meses, levanta seed money, e tenta escalar. A barreira de entrada era o custo de desenvolvimento. Programadores são caros, desenvolvimento é lento, e o primeiro a chegar no mercado tem vantagem.</p>
<p>Esse modelo está quebrando.</p>
<p>Se eu consigo fazer um clone funcional do Mega em 1 dia, quanto vale a startup de &ldquo;cloud storage&rdquo;? Se a Cloudflare reimplementa o core do Next.js em 1 semana com um engenheiro e US$ 1.100 em tokens, qual é o moat real de uma plataforma como Vercel? O SaaS de &ldquo;social listening&rdquo; que cobra R$ 500/mês compete com algo que eu fiz em 3 dias como side project.</p>
<p>Todo aquele empreendedor que chegava descrevendo sua ideia como &ldquo;é tipo um Uber, mas pra&hellip;&rdquo; ou &ldquo;é como Airbnb, só que&hellip;&rdquo; ou &ldquo;mais uma rede social, mas com&hellip;&rdquo; &ndash; essas pessoas precisam parar e repensar. Quando qualquer desenvolvedor competente com acesso a Claude Code ou GPT Codex consegue replicar seu MVP numa semana, sua ideia não vale mais nada. A execução ficou barata demais.</p>
<p>Não estou exagerando. Nos meus 37 dias, eu fiz coisas que antigamente eu não faria nem em 6 meses. Pequenos CRMs, ecommerces, gerenciadores de conteúdo, ferramentas de produtividade, apps de data mining, pipelines de processamento &ndash; tudo isso virou commodity. O código em si não é mais diferencial.</p>
<h2>O que é diferencial, então?<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="o-que-é-diferencial-então"></span>
    <a href="#o-que-%c3%a9-diferencial-ent%c3%a3o" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Aqui entra a parte que a maioria dos entusiastas de vibe coding ignora. Pra ilustrar, vou usar meu próprio projeto como exemplo.</p>
<p>O <a href="https://github.com/akitaonrails/FrankYomik"target="_blank" rel="noopener">Frank Yomik</a> traduz páginas de mangá de japonês pra inglês em tempo quase real. O pipeline inteiro (detecção de balões, OCR, tradução, renderização) funciona. Mas o componente mais importante do sistema não é nenhum código que eu escrevi. É o modelo <code>ogkalu/comic-text-and-bubble-detector</code>, um RT-DETR-v2 treinado em ~11.000 imagens rotuladas de quadrinhos.</p>
<p>Eu não treinei esse modelo. Eu não poderia treinar esse modelo facilmente. Coletar 11.000 imagens de quadrinhos diversas, rotular manualmente os balões de fala em cada uma (ou gerar labels com alguma pipeline semi-automatizada, o que também não é trivial), configurar o treinamento, e rodar no hardware necessário &ndash; isso é trabalho de natureza diferente. É trabalho que vibe coding não resolve.</p>
<p>E esse é o caso de um modelo relativamente pequeno. Um detector de objetos pode ser treinado com algumas centenas a milhares de imagens rotuladas numa única GPU em horas. Estudos mostram que resultados úteis são possíveis com 100-350 imagens pra domínios específicos, mas detectores robustos pro mundo real geralmente precisam de milhares. O custo é baixo, na casa de centenas de dólares.</p>
<p>Agora olha o que acontece quando subimos pra modelos maiores.</p>
<h2>Os números que importam<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="os-números-que-importam"></span>
    <a href="#os-n%c3%bameros-que-importam" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>O GPT-4 custou mais de US$ 100 milhões pra treinar, segundo o próprio Sam Altman. A Stanford estimou o custo de compute do Gemini Ultra do Google em US$ 191 milhões. O Llama 3 da Meta consumiu 39,3 milhões de GPU-horas em H100s, e a Meta montou dois clusters de 24.576 GPUs cada pra viabilizar isso &ndash; e até o final de 2024, planejava ter 350.000 H100s na sua infraestrutura.</p>
<p>Esses custos estão acelerando. Segundo a Epoch AI, o custo de hardware e energia pra treinar modelos de fronteira cresce a 2,4x por ano desde 2016. Se essa tendência continuar, os maiores treinamentos vão custar mais de US$ 1 bilhão antes do fim de 2027. O Dario Amodei, CEO da Anthropic, já disse que desenvolvedores de fronteira provavelmente estão gastando perto de um bilhão por treinamento agora, com treinamentos de US$ 10 bilhões esperados em dois anos.</p>
<p>E o hardware? Uma GPU H100 custa US$ 25.000-40.000 por unidade. Um servidor com 8 GPUs sai entre US$ 200.000 e US$ 400.000. A memória HBM que essas GPUs usam está com capacidade esgotada &ndash; SK Hynix, Samsung e Micron já anunciaram aumentos de ~20% nos preços pra 2026. A NVIDIA consome mais de 60% da produção global de HBM. É um gargalo estrutural, não temporário.</p>
<p>Em termos de energia: data centers globais consumiram ~415 TWh de eletricidade em 2024, segundo o IEA, cerca de 1,5% da eletricidade mundial. A projeção é ~945 TWh até 2030. Novos data centers estão sendo construídos com capacidades de 100 MW a 1 GW cada.</p>
<p>E os investimentos das big techs refletem isso. Em 2025, os gastos de capital agregados de Amazon (<del>$125B), Google (</del>$91B), Microsoft (<del>$80B) e Meta (</del>$71B) passaram de US$ 400 bilhões, crescimento de 62% sobre 2024. Goldman Sachs projeta mais de US$ 500 bilhões em 2026.</p>
<p>Esses números não são pra assustar. São pra contextualizar de onde vem a barreira de entrada real.</p>
<h2>A nova barreira: dados exclusivos e capacidade de treinamento<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="a-nova-barreira-dados-exclusivos-e-capacidade-de-treinamento"></span>
    <a href="#a-nova-barreira-dados-exclusivos-e-capacidade-de-treinamento" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Se software ficou barato de produzir, o diferencial competitivo migrou. A pergunta deixou de ser &ldquo;quem escreve o código mais rápido?&rdquo; e virou &ldquo;quem tem acesso a dados que ninguém mais tem, e sabe transformar esses dados em modelos úteis?&rdquo;</p>
<p>O DeepSeek-V3 anunciou que seu treinamento custou US$ 5,5 milhões em compute. A imprensa celebrou o &ldquo;modelo barato chinês&rdquo;. Mas o The Register reportou que o custo de aquisição dos 256 servidores GPU usados foi de mais de US$ 51 milhões &ndash; e isso exclui R&amp;D, aquisição de dados, limpeza de dados, e todos os treinamentos fracassados antes do run final que deu certo. O custo real de desenvolver a capacidade é uma ou duas ordens de grandeza acima do custo marginal do treinamento final bem-sucedido.</p>
<p>É por isso que só vemos grandes empresas produzindo modelos de fronteira. Meta, Alibaba, Google, Amazon, Microsoft, Anthropic &ndash; empresas que investem dezenas de bilhões em hardware e energia. Uma startup em garagem não consegue competir nessa dimensão.</p>
<p>Mas a questão vai além de modelos de fronteira. Mesmo modelos especializados menores exigem algo que não se compra: dados proprietários de qualidade.</p>
<p>O Llama 3 foi treinado em 15 trilhões de tokens. A Epoch AI já documentou que estamos nos aproximando dos limites de dados textuais gerados por humanos na internet. Dados públicos estão sendo exauridos. Quem tem dados exclusivos &ndash; dados médicos, financeiros, industriais, logísticos, de sensores, de comportamento de usuário &ndash; tem algo que não pode ser replicado por vibe coding.</p>
<p>E mesmo quem treina modelos especializados com dados proprietários enfrenta um problema: a vantagem é temporária. Outro competidor pode coletar dados similares e treinar um modelo concorrente em meses. O diferencial precisa ser continuamente alimentado: mais dados, melhor curadoria, pipelines de treinamento mais eficientes, acesso a hardware que está cada vez mais escasso e caro.</p>
<h2>O cenário<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="o-cenário"></span>
    <a href="#o-cen%c3%a1rio" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Se você está pensando em montar uma startup, a pergunta que importa mudou.</p>
<p>Antes era: &ldquo;consigo construir esse software?&rdquo; Agora a resposta é quase sempre sim, rápido e barato.</p>
<p>A pergunta agora é: &ldquo;tenho dados exclusivos que ninguém mais tem, e sei como transformar esses dados em algo útil que seja difícil de replicar?&rdquo;</p>
<p>Se a resposta for não, qualquer concorrente com Claude Code replica seu produto em dias. E depois aparece outro. E outro. A corrida pro fundo em preço é imediata quando o custo de construir é próximo de zero.</p>
<p>Se a resposta for sim, você tem um moat real &ndash; mas temporário. Modelos concorrentes treinados em dados similares podem aparecer em meses. Seu diferencial precisa ser continuamente alimentado.</p>
<p>A era das startups fáceis acabou. Não porque ficou mais difícil construir software &ndash; ficou muito mais fácil. Mas justamente por isso: quando todo mundo consegue construir a mesma coisa em uma semana, a vantagem competitiva precisa vir de outro lugar. E esse &ldquo;outro lugar&rdquo; requer capital e infraestrutura que são ordens de grandeza mais caros do que escrever código.</p>
<p>A garagem ainda funciona. Mas o que sai dela não pode mais ser &ldquo;um app&rdquo;.</p>
]]></content:encoded><category>vibe-coding</category><category>startups</category><category>negocios</category><category>off-topic</category></item><item><title>[Akitando] #132 - Rant: A Bolha de Startups Estourou?</title><link>https://akitaonrails.github.io/2022/11/22/akitando-132-rant-a-bolha-de-startups-estourou/</link><guid isPermaLink="true">https://akitaonrails.github.io/2022/11/22/akitando-132-rant-a-bolha-de-startups-estourou/</guid><pubDate>Tue, 22 Nov 2022 10:15:00 -0300</pubDate><description>&lt;div class="embed-container"&gt;
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&lt;/div&gt;
&lt;p&gt;2o Semestre de 2022: todo mundo está vendo toda grande tech startup e emrpesa de tecnologia fazendo demissões em massa depois de apresentar resultados ruins. Isso ainda pode continuar? Por que isso está acontecendo agora? O fim dos lockdowns não deveria ter melhorado tudo?&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Hoje vamos entender o que eu tentei avisar em Junho de 2019, sem saber que uma pandemia iria acontecer. E o que você, se preparando pra entrar no mercado, precisa entender sobre sua carreira.&lt;/p&gt;</description><content:encoded><![CDATA[

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</div>

<p>2o Semestre de 2022: todo mundo está vendo toda grande tech startup e emrpesa de tecnologia fazendo demissões em massa depois de apresentar resultados ruins. Isso ainda pode continuar? Por que isso está acontecendo agora? O fim dos lockdowns não deveria ter melhorado tudo?</p>
<p>Hoje vamos entender o que eu tentei avisar em Junho de 2019, sem saber que uma pandemia iria acontecer. E o que você, se preparando pra entrar no mercado, precisa entender sobre sua carreira.</p>
<p>== Capítulos</p>
<ul>
<li>00:00 - Intro - Demissões em Massa em Tech</li>
<li>02:21 - Cap 1 - De Onde Vinha o Dinheiro? Venture Capital</li>
<li>06:15 - Cap 2 - Os Efeitos da Pandemia - Casa de Cartas</li>
<li>16:51 - Cap 3 - Pós-Pandemia e a Falta de Programadores - Excessos</li>
<li>21:14 - Ferramentas de Avaliação Financeira</li>
<li>27:15 - Cap 4 - O Escândalo da FTX - Criptomoedas</li>
<li>35:22 - Cap 5 - NÃO ACREDITEM EM INFLUENCERS - Cancelem Cursos</li>
<li>40:12 - Cap 6 - Estamos no Fim ou só no Começo? Crash de 2001?</li>
<li>43:48 - Bloopers</li>
</ul>
<p>== Links</p>
<ul>
<li>Tech Layoff Tracker (<a href="https://www.trueup.io/layoffs"target="_blank" rel="noopener">https://www.trueup.io/layoffs</a>)</li>
<li>TradingView (<a href="https://www.tradingview.com/"target="_blank" rel="noopener">https://www.tradingview.com/</a>)</li>
<li>Qualtrim Insights (<a href="https://qualtrim.com/insight"target="_blank" rel="noopener">https://qualtrim.com/insight</a>)</li>
</ul>
<h2>SCRIPT<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="script"></span>
    <a href="#script" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Olá pessoal, Fabio Akita</p>
<p>Estamos no fim de 2022 e todo mundo deve ter visto o tanto de demissões em massa em empresas de tecnologia. No fim de novembro a Amazon anunciou a demissão de 10 mil funcionários, boa parte  engenheiros. Pouco antes, tio Zuckerberg anunciou o resultado horrível da Meta e seguiu cortando 11 mil pessoas, boa parte engenheiros. Na mesma época tio Elon Musk comprou o Twitter e na sequência já cortou metade dos funcionários da empresa, mais de 3 mil pessoas. A Salesforce cortou 2 mil pessoas, a Netflix até que cortou pouco, só umas 450. A corretora Robinhood cortou 20% dos funcionários, a Snap cortou 20%, até a Intel que costuma ser mais estável cortou 20%. Só nas Big Tech dos Estados Unidos, foram pra lá de 120 mil demissões.</p>
<p>Vocês se lembram deste meu video de Junho de 2019 onde eu dizia que a bolha ia estourar? E depois este outro de Junho de 2021 onde  explico o que a pandemia causou na economia e o que ia acontecer em breve? Alguns aqui assistindo devem ter ouvido influencers, coaches, vendedores de curso uniesquina, todos falando que o Akita é negativo, que tá só espalhando medo, que é teoria da conspiração, terra planista. Pois bem, senhoras e senhores, não vou dizer que eu estava certo, mas pelo menos até agora tá próximo disso. E agora vou explicar como te enganaram até hoje.</p>
<p>(&hellip;)</p>
<p>Que o mercado de big tech estava inchado não era novidade pra ninguém que é sério. Vamos ver um exemplo que ilustra bem isso. Esta é a evolução do preço das ações do Facebook, agora Meta. De 2013 até meados de 2018, meros 5 anos, essa empresa valorizou mais de 500%. O preço da ação foi de 34 dólares pra mais de 200 dólares. Se fosse só ela poderíamos achar que foi uma exceção. Mas não, todo mundo tava assim. Vamos ver mais uma.</p>
<p>Se pegarmos o mesmo período, 2013 até 2018, as ações da Amazon subiram mais de 600%, pulando de 14 pra mais de 100 dólares. Imagina que sensacional, você investe 1400 dólares em 2013 e sai com 10 mil em 2018 sem fazer nada. E tava todo mundo assim, Microsoft, Apple, Google, Salesforce, Uber, Lyft, Netflix. Não é à toa que de repente o mundo de tecnologia se tornou as meninas dos olhos de Wall Street. O crescimento foi absurdo.</p>
<p>O que acontece é que todo mundo ao redor quer ver esse crescimento aumentando ainda mais, a qualquer custo. Então os fundos de investimento, os venture capitalists ou VCs, entraram no jogo pra alavancar todo mundo. É onde se vê nomes como Sequoia, Redpoint, Tiger, Softbank e outros. Toda hora a gente vê nas notícias, SoftBank colocou X milhões em startup fulano. SoftBank colocou Y milhões em em startup ciclano. Mas a gente olha pra essas startups e pensa &ldquo;cara, não é possível, esse business não vale tudo isso nem aqui, nem na China&rdquo;.</p>
<p>Ironia já que o dono da SoftBank, o Masayoshi Son se tornou famoso por ter apostado em Jack Ma do Alibaba antes dele ter virado gigante. Assim como o fundo de investimento Sequoia ficou famoso por ter acreditado no Mark Zuckerberg no começo do Facebook. É sempre assim que funciona: eles conseguem tirar a sorte grande, saem discursando como são mais inteligentes que todo mundo por terem sido visionários, e o resto do mundo, idiotas, acreditam que eles tem o toque de Midas e tudo que tocam vira ouro, sendo que a explicação mais simples e mais racional é sempre a mesma: só tiveram um tiro de sorte. Que inteligência você acredita que um ganhador da Loteria tem? Nenhuma. É a mesma coisa.</p>
<p>Só que nesse discurso eles atraem outros investidores pra junto deles. Assim como o Masa Son resolveu criar um segundo grande fundo, o Vision Fund, com objetivo de levantar nada menos que 100 bilhões de dólares pra investir em startups inovadoras. Onde ele conseguiu esse dinheiro? Com milionários do petróleo e sheiks do Oriente Médio. Todo mundo tava acreditando nesse papo de guru financeiro.</p>
<p>Os últimos 12 anos foram anormais. Tudo começou na última crise financeira de 2008, quando estourou a bolha imobiliária e muitos anunciavam que poderíamos estar pra reviver os anos negros da Grande Depressão de 1929. Justamente daquela época o que muito se critica o governo americano de Herbert Hoover foi ter demorado muito pra intervir e não ter intervido o suficiente. E em 2008 o presidente do Federal Reserve, o FED, Ben Bernanke, estava determinado a não cometer o mesmo erro e copiou a mesma estratégia do Banco do Japão de 2001, o que ficou conhecido como Quantitative Easing, ou QE.</p>
<p>QE é a compra e remoção dos ativos podres do mercado, pra agilizar a recuperação. Foi a compra massiva dos Mortage Backed Securities ou MBS que tinham contaminado todo o sistema financeiro em 2008. Na prática é imprimir muito, mas muito dinheiro, bilhões e bilhões, brrrrrrr. Não só isso mas também baixar as taxas de juro. Taxa de juros é o que você vê na TV quando falam em taxa Selic no Brasil. É o que se usa pra calcular, por exemplo, os juros que você paga quando financia uma casa ou pede empréstimo no banco. Quanto maior essa taxa, mais caro se paga em cada parcela que deve ao banco.</p>
<p>A queda na taxa de juros estimula a economia porque torna o crédito barato. Ao mesmo tempo diminui a rentabilidade de investimentos considerados seguros como papéis do Tesouro, CDB, Renda Fixa no caso de Brasil. Some essas duas coisas e acontece o seguinte: você é um fundo de investimento, se deixar a grana parado em papéis do tesouro, não vai render nada. As taxas de juro em determinado momento, chegaram muito perto de zero e todo mundo tava até cogitando o que ia acontecer se chegasse no elusivo caso de juros negativos. Literalmente o governo ia te pagar pra pegar dinheiro com eles, que é o que acontece no Japão.</p>
<p>Se não rende nada deixar em renda fixa, sua única alternativa é o mercado de risco, de ações, startups e coisas assim. É por isso que nos últimos 12 a 10 anos o mercado de tech explodiu: tinha muito, mas muito dinheiro sobrando. Todo fundo de investimento, hedge fund, family office saiu caçando todo mundo com montanhas de dinheiro parado, prometendo valuations absurdas no nível de Facebook ou Amazon pra todo mundo. E todo mundo acreditou.</p>
<p>Por 10 anos ficaram jogando dinheiro em tech startups esperando o momento de terem retorno desse investimento, quando abrissem IPO, que é quando a empresa se torna pública e seus papéis são negociados na bolsa de valores, atraindo ainda mais investidores. Mas chegou 2019 e veja o caso da Lyft por exemplo, concorrente do Uber e bem usado nos Estados Unidos. Todo mundo tinha expectativas que valorizaria muito. A ação abriu custando uns 88 dólares no dia 25 de março de 2019 e 1 ano depois, em março de 2020 tinha caído pra 20 dólares. O que aconteceu?</p>
<p>Na época que postei o video se a Bolha das Startups ia estourar, que foi Junho de 2019, eu tinha na cabeça que se fosse vir uma correção, era provável que seria por volta de 2020 ou 2021. Por isso postei o video achando que estava avisando com 6 meses a 1 ano de antecedência. Mas o que nem eu e nem ninguém fora da China podia imaginar é que em Março de 2020 estaríamos fazendo um lockdown mundial por causa de uma pandemia global, coisa que não se via faz mais de um século.</p>
<p>A pandemia veio nos 45 do segundo tempo, na prorrogação, e salvou o mundo da tecnologia do crash iminente. Foi um efeito colateral inesperado. E os sinais ficavam mais claros no fim de dezembro de 2019, quando a NASDAQ teve sua primeira grande queda em 10 anos. Mas a pandemia chegou bem a tempo de impedir essa correção. O que aconteceu foi simples: tranca todo mundo em casa. Esse movimento teve como efeito aumentar exponencialmente a demanda por todo tipo de serviço online possível.</p>
<p>Todo mundo que vendia infraestrutura, como VPNs, software de cooperação e comunicação como Zoom, Slack, com trabalho tendo que virar remoto, a demanda por soluções pra isso explodiu. Todo mundo precisa comer, serviços como iFood aumentaram absurdamente. Ninguém mais podia sair pra se entreter em cinema, bar ou balada, então serviços de streaming como Netflix, Disney+ e outros aumentaram absurdamente. Não dá pra ir nas lojas, mas continuamos precisando comprar coisas, então lojas online como Mercado Livre, Amazon e outros aumentaram absurdamente. E pra conseguir atender toda essa nova demanda massiva, precisava de mais infraestrutura, mais engenheiros, e a demanda por programadores, devops, infosec, data scientists e tudo mais ao redor, também aumentou absurdamente.</p>
<p>Tudo na economia caiu, comerciantes de rua, restaurantes, hotéis, viagens, menos tecnologia, que cresceu a níveis extraordinários. Se a casa de cartas já tava alta e prestes a colapsar no fim de 2019, a gente aumentou mais andares ainda em cima dessa casa. O caso clássico foi a Netflix, que atingiu seu All Time High, ou seja o preço mais alto já negociado nas suas ações em Junho de 2018,  negociado na faixa de 420 dólares. Desde então caiu um pouco, tentou subir, caiu de novo e em setembro de 2019 tava baixo na faixa de 240 dólares. Uma queda de quase 40% em 1 ano. Mas aí chegou a pandemia.</p>
<p>Em novembro de 2021, mais de 1 ano depois do começo oficial dos lockdowns, as ações dela foram pra quase 700 dólares, um aumento de mais de 160%. Mas ela foi conservadora. Veja o Zoom, que todo mundo passou a usar pra trabalhar remoto. Saiu da faixa de 80 dólares no começo de 2020 pra quase 600 dólares no fim de 2020, um aumento absurdo de quase 800%.  Amazon subiu 120%, Google subiu quase 200%, a Meta foi uns 180%, Apple foi uns 200%. Todo mundo tava subindo 200% ou mais nesse período.</p>
<p>Por causa da pandemia todos os governos do mundo literalmente seguiram a cartilha do &ldquo;A Economia a gente vê depois&rdquo;. Os níveis de Quantitative Easing que foram feitos pra salvar o mercado financeiro em 2008, na crise que muitos consideravam que poderia ser o fim do capitalismo, foi fichinha comparado com a quantidade de dinheiro impresso entre 2020 e 2021, foram trilhões e trilhões, o equivalente ao PIB desses países. É como se você se endividasse num valor muito superior ao que ganha de salário durante o ano todo, de uma só vez, só que no nível de países. Se alguém era fã de Universal Basic Income, essa foi a maior distribuição de renda diretamente pra pessoas que já se viu na história. Máquina de imprimir dinheiro nunca fez tanto brrrrrrrrrrr</p>
<p>Isso deveria ter feito a inflação explodir, mas como tava todo mundo preso em casa, boa parte dessa inflação ficou contida. Mas não no mercado financeiro. Esses aumentos de preço de ações que eu falei, 200% ou mais, foi justamente isso: inflação. Mas o que todo mundo viu nas notícias foi que era possível imprimir dinheiro e não ter inflação, parecia um milagre, no meio de uma pandemia. 2020 foi um ano bizarro. Só porque você não vê não significa que não existe, só que você não sabe onde olhar. Alguns de nós sabíamos.</p>
<p>Aí chegamos no fim de 2021, começo de 2022. A pandemia chegou ao fim, a maior parte dos lockdows impostos pelo mundo foram derrubados. Todo mundo voltou à vida normal. E os efeitos da gastança desenfreada começaram a aparecer. É impossível imprimir dinheiro e não ter inflação e foi o que aconteceu nos Estados Unidos. Pra quem não acompanha, pela primeira vez em não sei quantas décadas a inflação lá está maior do que aqui no Brasil. Já pararam pra imaginar isso? 7% lá contra 4% aqui. Americano não sabe lidar com isso não. Eles chegaram perigosamente próximos de ter inflação de 2 dígitos, uma catástrofe.</p>
<p>E só pra piorar o tio Putin resolveu lidar o foda-se e começar uma Guerra. Bora lá invadir a Ucrânia, por que não? Todos os líderes mundiais do Ocidente são os maiores bundões que já se viu na história tudo de uma só vez. Trudeau, Macron, o senil do Biden. De imediato isso causou sérios problemas no preço da energia, petróleo e principalmente gás natural. A Europa, em particular a Alemanha, que tomou a decisão estúpida de fechar usinas nucleares, ficou na mão da Rússia. Tivemos todo o imbróglio do Nordstream. Com tudo isso, o FED foi obrigado a subir as taxas de juros. Lembram? As taxas que tava perigando ficar negativo, começou a subir, 25 pontos, 50 pontos, em toda reunião do FOMC e agora já está em na faixa de 3% e pode subir mais.</p>
<p>Some a isso que todas as apresentações de resultados de empresas de tecnologia em 2022 foram ruins. Lockdown acabou, demanda diminuiu. E lógico, resultados ruins se comparados ao pico da pandemia um ano antes. A demanda por serviços caiu à medida que as pessoas puderam parar de ficar presas em casa. Serviços de delivery, vendas online, streaming, tudo caiu. Quanto eu falei que o Netflix subiu no pico da pandemia? 160%? Até agora, em novembro de 2022, ela perdeu 55% do seu valor.</p>
<p>Alguém pode pensar, &ldquo;ah, se cresceu 160% e perdeu só 55%, não é tão ruim assim&rdquo;. Isso porque você não sabe pensar em percentual. Quando seu preço é faixa de 280 dólares e crescer 160%, vai pra quase 700 dólares, é crescimento de quase 2.5x. Cada 100% a mais é dobrar. Mas quando cai, cair 50% significa perder metade do valor. Então essa queda de 55% devolveu o Netflix pra níveis semelhantes de antes da pandemia, pra faixa de 300 dólares. Pra recuperar não é subir os mesmos 55% mas sim 100%. Se você perdeu metade do valor, pra recuperar agora precisa dobrar. Todo a valorização que ela ganhou durante a pandemia, se perdeu em 2022. Só tem um problema: eles contratarm bastante gente e investiram mais. Então você tá valendo a mesma coisa de antes só que gastando muito mais.</p>
<p>E isso aconteceu com todo mundo. Veja a Amazon, cresceu 120% mas em 2022 caiu quase 50% e mesma coisa, voltou pro mesmo patamar de antes da pandemia. Veja o Zoom, que cresceu quase 800%, em 2022 perdeu 85% do valor, novamente, voltando pros patamares de antes da pandemia. Literalmente todo mundo de tech teve comportamento semelhante, salvo alguns poucos que tem excelência em gestão como a Apple, que ainda retém boa parte do crescimento que teve.</p>
<p>Portanto temos a tempestade perfeita pra retomar o crash que deveria ter acontecido no começo de 2020, a que eu estava avisando em 2019: uma alta drástica na demanda que fez todo mundo investir mais e contratar mais durante 2020 e 2021, seguida de uma baixa na demanda, que derrubou a receita de todo mundo, seguida de taxas de juros elevadas, o que faz muitos dos investidores que antes eram obrigados a investir em mercado de risco a voltar pra investimentos mais seguros como papéis do tesouro. Seguido dos resultados ruins de todo mundo durante o ano e o que temos é o que vocês estão vendo agora: demissões em massa.</p>
<p>Como listei no começo do video, Amazon teve que demitir 11 mil funcionários. Meta com seu fracassado plano de Metaverso, que já consumiu 8 bilhões de investimento sem ter nenhum resultado, teve que demitir outros 11 mil funcionários. E assim segue todas as Big Tech, deixando na rua mais de centenas de milhares de pessoas, que já é mais demissões do que tivemos no pico do Crash da Bolha da Internet de 2001. E essa ainda parece ser só a primeira perna desse crash. Muitos acreditam que ainda vamos ter um segundo crash nessa faixa de 50% antes de podermos declarar que atingimos o fundo.</p>
<p>A tal SoftBank, que era a menina dos olhos do mundo de startups, que teve sorte uma vez com o Alibaba, fez investimento ruim atrás de investimento ruim. O mais notável foi a queda da WeWork, nas mãos do hipster louco do Adam Newmann. Da abertura do IPO até agora ela perdeu 70% do valor. Nunca gerou nenhum valor pros investidores e manchou pra sempre a reputação da SoftBank. E o antes guru genial Masayoshi Son agora deve 4 bilhões de dólares pro Vision Fund que ele ajudou a criar e deixa o cargo de CEO depois tanta aposta ruim.</p>
<p>Caso semelhante foi o fundo de investimento Arkk Innovation que só investia em startups de risco que eles categorizam como altamente inovadores. A guru do investimento Cathie Wood atraiu muito investidor e durante a pandemia também teve um crescimento meteórico de quase 400%. Só que como todo mundo, em 2022, perdeu 75% desse valor. Todos os grandes gurus foram massacrados este ano. Todos foram expostos como tendo tido sorte durante um período econômico favorável e não porque eram gênios. Um verdadero gênio estaria ganhando dinheiro em 2022 onde todo mundo perdeu. E nenhum deles conseguiu isso.</p>
<p>Durante os últimos 10 anos, em particular nos 2 anos de pandemia, a demanda por programadores atingiu All Time High, a maior demanda da história ever. Toda tech startup minimamente competente conseguia atrair investidores a rodo. Tinha dinheiro sobrando, alta liquidez. E todo mundo tinha ânsia de crescer rápido, conseguir chegar no tão sonhado IPO e virar bilionário. Então estavam contratando como se não houvesse amanhã. Logo começou a faltar programadores no mercado.</p>
<p>Eu senti isso na pele. Entre 2020 e 2021, a demanda pelos programadores da minha empresa aumentou de forma absurda. Sério, tinha fila de gente querendo contratar. Todos os dias alguém queria mais programadores. Mesmo eu aumentando preços, nem assim eles desistiam. Se eu tivesse sido ganancioso e aproveitado a ocasião pra, por exemplo, consolidar e comprar concorrentes menores, dobrar o número de colabores, eu teria alocado todos com facilidade pelo dobro do preço. Ainda bem que não fiz isso, porque senão agora eu estaria na mesma lista de todo mundo que tá precisando fazer demissão em massa.</p>
<p>Por isso cursos foram um excelente negócio durante esse período, porque realmente estava razoavelmente fácil qualquer empresa contratar qualquer programador, independente do nível técnico dele, pela simples escassez do mercado. Bootcamps, cursos com marketing de &ldquo;estude 6 meses e tenha emprego garantido&rdquo; estava muito fácil. Se soubesse inglês então, todo mundo conseguia ir pro Canadá, pra Alemanha, pra todo lugar. Só que num mercado em crise como agora, quem você acha que vai ser cortado primeiro? Pois é.</p>
<p>Muita gente pensa, &ldquo;porra, olha os números da Meta. Os caras faturaram quase 30 bilhões de dólares&rdquo;. E é assim todo trimestre. Olha só como eles ganham bem pra caramba. Pra que precisava demitir 11 mil funcionários? Opa, calma lá, eles investiram muito e tiveram muitas despesas nesse período. O que realmente sobra de dinheiro, é o que chamamos de Free Cash Flow, fluxo de caixa livre. É o dinheiro que realmente se tem em caixa. E como investidor é o que você precisa prestar atenção. Deixa eu explicar como esses números realmente funcionam.</p>
<p>No caso da Meta, olha que ridículo. Até o fim de 2021 só crescia, chegou a sobrar 12 bilhões de dólares em caixa. Mas olha 2022. Caiu pra 8 bilhões, depois 4 bilhões e o último relatório diz que agora sobrou só 320 milhões. Pra dar dimensão pra vocês, pensa em dezembro de 2021 sobrando 12 mil reais de grana no saldo da sua conta. Agora você olha em setembro de 2022 e sobrou só 320 reais. Sim, não 3 mil e 200, 320 reais. Você ficaria preocupado?</p>
<p>Mas isso não é tudo. Principalmente nos Estados Unidos, engenheiros de software não costumam ser pagos só em dinheiro. Boa parte do que atraía eles pra trabalhar numa tech startup era ganhar as tais stock options, que quando era liberado, dava a oportunidade deles poderem comprar ações da empresa a preço mais baixo do que o mercado. É a estratégia pra manter você motivado já que faz você sentir que sua performance vai te dar mais lucro no futuro e também pra te reter já que options tem período de vesting, onde só se recebe essa opções de compra depois de alguns meses ou anos.</p>
<p>Só que ela tem outra vantagem: compensação com stock options é considerado non-cash expenditure ou gastos não em dinheiro, portanto não subtrai da conta de fluxo de caixa livre. Vamos voltar pro gráfico de cash flow da Meta. Como disse antes, vem caindo, mas pelo menos tá sobrando dinheiro, certo? 320 milhões dá pra pagar bastante gente. Nope, nessa ferramenta que estou usando posso mostrar o que foi gasto com stock options e olha só, na realidade eles tão no negativo! 320 milhões de fluxo de caixa nesse trimestre contra nada menos que mais de 3 bilhões em compensação de stock options!</p>
<p>A Meta tá efetivamente no negativo. Eles dobraram a quantidade de funcionários, boa parte sendo engenheiros, e pra atrair tanto engenheiro numa época onde programador tava em falta e super valorizado, ofereceram muita stock option como compensação. Isso significa que os investidores estavam sendo diluídos, o que diminui o valor de cada ação. Eles precisam rebalancear isso logo. E justamente por isso se justifica a demissão em massa que tiveram que fazer e os novos planos de tirar o foco do metaverso e tentar monetizar outros produtos como o Whatsapp. É assim que se lê os números de uma empresa.</p>
<p>Falando em ferramenta, antes que me perguntem, estou usando duas neste video, a primeira é a famosa TradingView que todo mundo que acompanha bolsa de valores usa todo dia. A versão gratuita é suficiente e ela facilita acompanhar e visualizar a evolução de preços de ações do mundo todo, fazer price discovery e análise técnica com as ferramentas gráficas. Todo dia eu bato o olho em diversas ações que gosto de acompanhar pra saber como anda o mundo.</p>
<p>A segunda ferramenta eu descobri num canal de YouTube, do Joseph Carlton. Eu passei a acompanhar ele porque gosto das análises. É um seguidor do livro de Warren Buffett, e é o oposto dos grafistas que acompanham só gráficos. Ele prefere o estilo mais fundamentalista de investir em empresas que tem fundamentos bons, que parecem bem administrados e tem bom histórico de retorno. É um estilo bem mais conservador, que eu gosto.</p>
<p>Eu não tenho vocação pra ser super arriscado fazendo day trading. Prefiro colocar meu dinheiro em empresas confiáveis e deixar lá por anos. Enfim, ele criou essa ferramenta pra facilitar avaliar os dados publicados por essas empresas. A ferramenta se chama Qualtrim Insight e pra ter acesso precisa assinar o Patreon dele. Achei super barato e a ferramenta é eficiente, então assinei.</p>
<p>Pra análise fundamentalista, precisa saber minimamente ler os números da empresa. As empresas públicas com ações negociadas na bolsa de valores precisam publicar esses relatórios todo trimestre, como manda a regulamentação, é por isso que temos esses dados. Deixa eu mostrar como é uma empresa pública de administração exemplar. A melhor que eu conheço é a Apple. E não porque eu sou fanboy, nem uso produtos Apple mais, mas pelos números mesmo. Primeiro no Trading View. Como todo mundo, ela também caiu esse ano, mas enquanto muitas caíram 50%, 70% ou mais, a Apple desvalorizou só pouco mais de 15%, o que é excelente.</p>
<p>Vamos ver faturamento, receitas e olha só isso. Ano após ano, a receita cresce muito. Em 2022 são quase 400 bilhões de dólares. Mas só faturar muito não significa nada se a empresa tá excessivamente endividada, então vamos ver fluxo de caixa livre e olha só, sobra dinheiro. Este ano ela tem em caixa mais de 100 bilhões. Dá pra comprar 2 Twitters e ainda sobra troco. Mas e compensação com stock options? Ela não fez a mesma coisa que a Meta e contratou a rodo?</p>
<p>Não, olha isso que coisa linda, 9 bilhões de compensação em options contra 111 bilhões de free cash flow. Tem 10x mais dinheiro líquido do que diluição das ações. Ela sabe contratar muito bem. Ela gera muito dinheiro, por isso mesmo distribuindo stock options, proporcionalmente, é muito pouco. Além disso veja como ela distribui dividendos e sempre vai aumentando ao longo do tempo, que todo investidor gosta. Ao mesmo tempo a quantidade de shares outstanding está diminuindo, o que significa que ela recompra as próprias ações. A Apple faz o oposto de diluir, ela valoriza as ações.</p>
<p>Empresas que alavancam às custas de investidor aumentam shares outstanding, ou seja, vendem mais ações e diluem os investidores atuais, diminuindo o valor de cada um. Quando a empresa recompra as ações, ela tira as ações de circulação, recupera mais controle da empresa ao mesmo tempo que valoriza quem investiu nela. Como investidor eu sempre quero ver empresas que distribuem dividendos, recompram ações, mas ao mesmo tempo não deixam de investir em melhorar o negócio.</p>
<p>Que é exatamente o que a Apple faz. Veja com as despesas dela aumentaram. Isso pode ser compra de outras empresas menores, pode ser pesquisa e desenvolvimento. É desse dinheiro que ela faz fábricas e desenvolve os novos chips M1 e M2. Mas ela continua aumentando esses gastos, ou seja, continua investindo no futuro da empresa. E faz isso sem ter que diluir investidor, aumentando fluxo de caixa e veja o lucro líquido, sempre crescendo. A Apple é o modelo que toda empresa gostaria de ser. Pouquíssimas empresas no mercado tem esse perfil, em qualquer área, não só tech.</p>
<p>Agora vamos ver uma que eu não ficaria confortável em investir, o oposto de uma Apple. Vamos ver a Shopify, plataforma de e-commerce que abriu IPO não faz muito tempo, por volta de 2016. Como todas as outras, teve crescimento meteórico, o preço das ações foi de uns 3 dólares pra mais de 160, crescimento absurdo de mais de 5 mil porcento! Mas nem preciso dizer o que aconteceu em 2022 né? Caiu mais de 80%. Continua com preço acima do IPO, o que não é ruim considerando todos os fatores, mas a história não acaba aqui.</p>
<p>Ela trabalha direitinho, veja as receitas, crescendo trimestre após trimestre, o que é sempre bom de ver. Ela sempre teve um Ebitda baixo, mas pelo menos era positivo. Em 2020 e 2021 foi quando ela explodiu pelos efeitos da pandemia que expliquei antes. Ebitda excelente, mas chegou 2022 e ela despencou espetacularmente no negativo. Números horrorosos.</p>
<p>E por que? Olhe os gastos e investimentos, vieram crescendo substancialmente e constantemente. E o fluxo de caixa livre? Uma grande bosta. Negativo em 2022, mais de 200 milhões negativo no último trimestre. Essa é uma empresa que sempre se orgulhou dos engenheiros que tem, portanto eles são muito bem compensados com stock options e, de fato, nesse mesmo último trimestre pagou quase 150 milhões de dólares em stock options. É a tendência oposta que um investidor gostaria de ver: olhe a curva de stock options subindo e a de fluxo de caixa decaindo, inversamente proporcionais, horrível.</p>
<p>E não é só isso, sendo uma empresa nova, ela ainda não distribui nenhum dividendo e vem pagando todas essas despesas em boa parte com dinheiro de investidor, diluindo as ações. Veja como shares outstanding só cresce também. Em julho ela demitiu 10% dos funcionários. Essas pessoas tiveram um pouco de sorte porque isso foi antes das demissões em massa das outras big techs, então a maioria conseguiu se recolocar com menos concorrência.</p>
<p>Mas olhando esses gráficos, eles não demitiram o suficiente ainda. Pelo jeito acreditam que o mercado pode virar no curto prazo, mas eu não contaria com isso. Essas contas precisam ser desesperadamente rebalanceadas logo. Eles incharam pra uns 5 mil funcionários. É gente demais. Em setembro demitiram só um pouquinho, meros 70. Mas pra rebalancear precisam cortar muito mais.</p>
<p>Se sairmos olhando todas as tech startups do mercado, todas se parecem com a Shopify, ou muito pior, e passam longe da excelência da Apple. Por isso estão já demitindo em massa ou muito em breve vão ter que demitir. Os fundos de investimentos estão secos. Não tem mais SoftBank pra ficar salvando startup ineficiente. Com os juros altos e inflação alta, vai ser bem mais caro conseguir dinheiro no mercado. E sem fluxo de caixa livre, é questão de tempo pra não conseguirem mais pagar funcionários.</p>
<p>Pra piorar mais ainda, agora em novembro de 2022 também tivemos o crash da corretora FTX de criptomoedas, que expôs diversos defeitos e corrupção em partidos políticos e no governo americano. Em resumo, a FTX de Sam Bankman-Fried cometeu fraude no nível do lendário Bernie Madoff, desfalcou milhares de investidores em bilhões de dólares e causou um efeito dominó que deve estourar em diversas outras tech startups e fintechs, não só de criptomoedas.</p>
<p>Basicamente, quem queria comprar criptomoedas e tokens nessa corretora fazia depósito em dólares pro banco que é parceira deles, a Alameda Research, cujo dono também é o próprio Sam. Ele deixou a ex namorada retardada dele no comando, uma figura que ficava tweetando como é legal tomar anfetaminas. E esse animal era responsável por gerenciar 10 bilhões de dólares. A FTX tinha um token, a FTT, que era negociado na FTX e servia como incentivo pro pessoal continuar transacionando lá e mantendo seus ativos dentro da corretora. Provavelmente aquele esquema de quanto mais tempo você deixa seu dinheiro lá, mais tokens vai ganhando, daí os trouxas não tiram.</p>
<p>O Sam pegava 10 milhões de dólares equivalentes em tokens FTT e usava como colateral, como garantia, pra pedir empréstimo pro banco Alameda. Por exemplo, me empresta 100 milhões de dólares reais e fica com esses 10 milhões em token que eu tirei do Koo, como garantia. E com esse dinheiro ele comprava políticos e celebridades. Vejam, ele chegou a ter um estádio em Miami com seu nome, a FTX Arena. Eles patrocinavam a Mercedes na F1, todo mundo que acompanha viu nos bonés deles. O Sam era parça do Bill Clinton, Leonardo DiCaprio, os típicos manés que todo fraudador adora andar junto e foi um dos maiores patrocinadores da campanha do senil do Joe Biden. Pensem nisso por 2 segundos. E o comercial de TV da FTX tinha ninguém menos que Tom Brady e Gisele Bundchen. Um papelão.</p>
<p>Pois bem, o Sam resolveu criar esse personagem idiota de bilionário nerd do bem. Inventou esse bullshit chamado &ldquo;altruísmo efetivo&rdquo;. Eu nem tô brincando &hellip; Que todo mundo da mídia amava, porque o discurso era que ele queria maximizar quanto dinheiro ganhar pra conseguir maximizar quanto podia doar. A mídia amava ele patrocinando campanhas pró-vacinação de Covid. Era o queridinho da América, capa da Forbes, Fortune e tudo mais. E se envolveu em querer ditar pro Congresso Americano como regulamentação do mercado de criptomoedas deveria ser.</p>
<p>Isso é muito inteligente. Se não dá pra evitar ter regulamentação, a melhor coisa é pagar pra políticos pra desenhar uma que fode ele pouco mas fode bastante toda a concorrência. E nisso, a Binance, a número um desse mercado, não ficou feliz. No começo da FTX, a fundador da Binance, o lendário CZ, fez um bom investimento pra ajudar eles. Mas depois que o Sam começou a apunhalar pelas costas, falando mau deles pra comissão de regulamentação, o CZ resolveu devolver à altura: tweetou que ia liquidar todos os tokens que ganhou pelo investimento na FTX. Um dump colossal.</p>
<p>Quando uma baleia faz um dump desse tamanho, um ativo que era pra ser escasso passa ter em excesso, ou seja, o preço instantaneamente implode e cai como se não houvesse amanhã, e isso gera uma corrida aos bancos, porque ninguém quer ser o último segurando esse token depois que todo mundo vender antes. O valor da FTX, que era todo em cima desse token, despencou de uns 15 bilhões pra menos de 1 bilhão no espaço de poucas horas.</p>
<p>Daí travaram os saques da corretora, vazamentos começaram a acontecer, e descobriram que a corretora não tinha o dinheiro dos investidores na conta. Pior, eles sequem tinham os bitcoins que vendiam, nenhum. O Sam gastou o dinheiro. No desespero, o Sam descobriu que pagar celebridade não serve pra nada, porque na hora do aperto todo mundo some. E foi obrigado a ligar pra ninguém menos que o próprio CZ pedindo pra comprar ele. O CZ tweetou que estava considerando mas no dia seguinte tweetou de novo dizendo que não tinha mais interesse depois de avaliar os números que teve acesso. Foi o prego no caixão.</p>
<p>No mesmo dia a FTX abriu falência. E não eram só duas empresas, a FTX e a Alameda, mas um conglomerado de umas 100 entidades jurídicas que ele criou em torno dessa fraude, um monte de empresas fantasmas pra lavar dinheiro. Uma fraude em proporções bíblicas. E essa novela ainda tá em andamento, o Sam continua foragido, todo mundo tá coçando a cabeça se questionando como confiaram num banco de moleques drogados de 25 anos que praticavam orgias no Bahamas com dinheiro dos outros.</p>
<p>Até o Kevin O&rsquo;Leiry, investidor do programa Shark Tank se ferrrou porque ele investiu e fazia propaganda a favor da FTX. Agora tá se lamentando no TikTok. Puta papelão. Por isso eu falo: nunca acreditem nessa história do fundador shark tank gênio guru abraçador de árvores que quer salvar o planeta, esse é o discurso padrão de todo charlatão ladrão vendendo óleo de cobra. Foi a mesma coisa com o Adam Newmann que fundou a WeWork e fodeu com a SoftBank. Foi a mesma coisa com a Elizabeth Holmes e a Theranos anos antes.</p>
<p>Aliás, Holmes que finalmente foi sentenciada agora no fim de novembro a ter que cumprir 11 anos de prisão. Se não conhecem a história da Theranos tem vários documentários a respeito já, podem procurar. E comparado com a FTX, a Theranos foi brincadeira de criança. O Sam precisa ser condenado a no mínimo o dobro disso sem direito a condicional. Mas sabemos que ele não vai, porque se meteu demais com política. Ou ele termina foragido e some pra sempre ou aparece o corpo com nota de suicídio em breve em algum lugar no sudeste asiático.</p>
<p>Ele fez o papel dele tão direitinho que olha só como a impressa tem tratado esse ladrão. Reuters: Sam Bankman Fried fez um favor ao sistema financeiro. Brincadeira. Na Forbes: Rainha Caroline, a jovem de 29 anos amante de riscos enroscada no colapso da FTX. Forbes virou uma piada. The Washington Post: O colapso da FTX prejudica os esforços do fundador pra prevenir outra pandemia. Caraca, esse povo virou mesmo terra planista. Notem, nenhum chama eles de ladrões ou fraudadores. Estão com pena deles! Agora veja o que o próprio Sam conversou com repórter da Vox quando foi questionado sobre seu discurso sobre ética: ele disse literalmente, é assim que se constrói reputação, nesse jogo idiota ocidental de woke, nós dizemos todas as merdas que eles querem pra que eles gostem da gente.</p>
<p>Todo discurso de sinalização virtuosa é cuidadosamente produzido pra atrair os idiotas online, políticos e celebridades pra ficarem a seu favor. Até um drogado ladrão de 25 anos sabe disso. E todo mundo continua caindo nesse discursinho de salvador da pátria, abraçador de árvore. Vocês são muito burros.</p>
<p>O problema é que nos últimos 10 anos surgiram dezenas de Sams, Adams, Elizabeths e todo mundo investiu bilhões e bilhões, porque tinha dinheiro fácil. De onde vinha esse dinheiro? Nos Estados Unidos toda aposentadoria é privada, tem fundos de pensão que administram o dinheiro de trabalhadores pra eles poderem se aposentar no futuro. No caso da FTX, por exemplo, o fundo de pensão dos professores de Ontario, do Canadá, se ferraram, perderam todo o dinheiro.</p>
<p>E não foi porque eram excessivamente gananciosos. O problema como eu disse é que a taxa de juros americana tava no zero, quase negativo, ou seja, não tinha nenhum investimento seguro como papéis do tesouro pra deixar o dinheiro rendendo. Então todos se viram obrigados a colocar esse dinheiro junto com hedge funds, como uma SoftBank, como uma Sequoia, Tiger, e dezenas de outras. Era só ver os gráficos: toda tech startup só subia, independente se tinha fluxo de caixa livre ou não, era um milagre. Por isso que tinha tanto hipster idiota falando que ninguém mais precisava trabalhar e o governo só deveria imprimir e distribuir mais dinheiro de graça pra todo mundo.</p>
<p>Mas agora a conta chegou. A conta sempre chega. Não existe isso de distribuir dinheiro infinito a custo zero. Fazer discurso bonitinho lacrador não trás fluxo de caixa livre. E no fim é só isso que interessa: fluxo de caixa livre: faturar mais do que gasta. Essa é a conta mais fundamental de todas. Não precisa ser analista cocainado de Wall Street nem engenheiro da Nasa pra entender essa conta: nunca gaste mais do que ganha. Só isso. Fiquem espertos, toda empresa que precisa gastar mais do que ganha, com o discurso que agora é a hora pra conseguir crescer e atingir o bilhão, é um charlatão, e vai implodir em breve.</p>
<p>Veja alguns sinais meio óbvios. O dinheiro tá secando. Investidor tá vazando. Como conseguir mais dinheiro? Começa a vender criptomoeda. Vende bitcoin mas diz que não pode sacar, tem que manter na plataforma. Foi o que a FTX fez. Quem comprou Bitcoin lá nunca realmente teve Bitcoin, a FTX sequer tinha os bitcoins pra eles. Era tudo mentira. Depois invente um NFT, Token, stablecoin ou qualquer coisa assim, mais papel que não vale nada, e bote umas celebridades reconhecidas pra fazer propaganda pra você. Todo mundo que segue esse caminho termina na merda. Escrevam o que estou dizendo, vocês foram avisados. Not your keys, not your coins. Se  não está na carteira que você, e só você controla a chave privada, então essas moedas não existem.</p>
<p>E o que acontece agora? Pra nossa realidade, de programadores, o cenário é o pior possível. Faça as contas. Se todo mundo tá demitindo ou deixando de contratar, vai ficar muito, mas muito mais difícil e concorrido conseguir boas vagas. Quem entrou no mercado faz poucos meses precisa botar a mão na consciência. Todo influencer que vende curso veio com esse discurso idiota de &ldquo;é fácil, faça um bootcamp de 6 meses e tenha emprego garantido ganhando 10 mil reais&rdquo;. Já era balela antes, mas dava pra enganar porque todo mundo via que toda empresa contratava qualquer um sem parar. Era muito fácil cair nesse conto do vigário.</p>
<p>Mas agora não tem mais essa mamata. Eu venho dizendo isso desde que comecei o canal: não acreditem em influencers, e era especificamente influencers que vendem cursos e sonho de emprego garantido que ganha muito fazendo pouco esforço. Teve milhares de programadores que foram demitidos agora, muitos deles formados em faculdades renomadas como Stanford, MIT, Harvard. Esses vão se recolocar fácil.</p>
<p>Todo mundo que só estudou alguns cursos por aí, vai pro fim da fila. Pro fim da fila que vai ter centenas de milhares de pessoas. É óbvio. Se agora a empresa tem opção de contratar alguém que fez 4 anos de faculdade e alguém que fez 4 meses de curso, quem acha que vão escolher? Pior, lembra a idéia de mudar de país? A empresa da Europa, que agora se vê obrigado a cortar custos e demitir. Entre manter um funcionário nascido no mesmo país e um imigrante, quem você acha que eles vão cortar primeiro? Precisa desenhar?</p>
<p>Pra todo jovem que tava em dúvida, ansioso porque via todo influencer botando pressão, falando que fazer faculdade era inútil, que bastava pagar o curso dele que você tava garantido. Acabou a ansiedade. Bloqueie esse influencer, cancele todos os cursos, e vá pra uma faculdade de verdade com boa reputação. Abandone as uniesquinas. Aprenda inglês direitinho. Esqueça os atalhos e caminhos mais curtos. Vai levar uns 2 anos ou mais pro mercado começar a se recuperar, uns 5 anos ou mais pra voltar a crescer como antes. Se você achava que não tinha tempo, agora tem bastante tempo.</p>
<p>Lembra o que eu falei no video de Dimensão do Tempo? Sim, você estava mesmo atrasado pra surfar esse último ciclo. Ele já acabou, mas talvez esteja adiantado pra conseguir surfar o próximo ciclo. E pra isso precisa estar muito melhor preparado que todo mundo, porque a concorrência aumentou exponencialmente. Por um lado isso é ótimo, porque todo freeloader, aproveitador, que só dizia que sabia alguma coisa mas realmente nunca precisou trabalhar de verdade, agora vai ser massacrado pela concorrência massiva. Vai ser o maior tapa na cara da história, e vai doer. E isso vai filtrar o mercado. É uma lei da natureza: seleção natural.</p>
<p>Eu não nasci pra ser cantor, nem artista, nem médico, nem chef, nem nada disso. Eu jamais desrespeitaria essas áreas dizendo que são fáceis e qualquer um pode virar médico ou artista. Porque isso não é verdade. Poucos tem aptidão e principalmente suportam a dor do esforço pra isso. Mesma coisa pra programação, nem todo mundo nasceu pra ser programador. E isso não é um defeito, é a vida. Programação não é fácil. Eu fiz um video inteiro explicando isso. Esqueça o que um influencer vendedor de curso diz: não é fácil. Ele vai sempre te dizer que é, porque obviamente, quer enfiar um curso goela abaixo. Não engula, não consuma mais esses cursos.</p>
<p>Sabe aquela história de programador que diz que é só front-end e não quer aprender nada de back-end? Vai acabar essa mamata também. O full-stack vai voltar a ser a preferência mais valorizada. Programador é programador e não meio-programador. Sabe backend que fala que não quer saber nada de devops? Acabou. Lembra o que eu sempre falo? Numa crise, quem sabe aprender rápido, não ficar só reclamando e sabe se virar, é quem não vai ter problemas. Todo mimizento, limitado, e crocodilo, da boca grande e braço curto, se fodeu. Já não era sem tempo.</p>
<p>Na pior das hipóteses, o crash de 50% que tivemos este ano é só a primeira perna. No crash da Internet de 2001 tivemos uma primeira correção como agora, daí o mercado rapidamente voltou a crescer, o otimismo começou a voltar, e na sequência tivemos uma segunda perna de crash muito pior. Veja nesse gráfico como foi. Essa foi a primeira queda, seguida de otimismo, e uma segunda queda. As coisas só começaram a voltar de novo depois de 2004. Por isso eu falo que pode levar de 2 a 4 anos pro crescimento de verdade voltar. Ou seja, o pior ainda pode estar por vir.</p>
<p>Na melhor das hipóteses, quem sabe o FED realmente consiga controlar a inflação, consiga evitar que o mercado entre em recessão, e com isso comece a baixar as taxas de juros, o que facilitaria acesso a investimentos de novo. Mas eu não vejo isso acontecendo tão cedo. No mínimo, 2023 vai ser um ano perdido pra empresas de tecnologia. Com sorte 2024 pode ser melhor, mas eu não contaria com isso.</p>
<p>Veja o índice NASDAQ que concentra as principais empresa públicas de tecnologia. Em maio atingiu o ponto mais baixo do ano, acumulando queda de 40%. Mas durante o ano ficou subindo e descendo mas já recuperou quase 40%, totalizando queda no ano de só 20%. Se você for otimista, pode argumentar que o mercado vai se recuperar logo. Mas eu acho que estamos em tempo emprestado. O volume de consumo ainda não caiu porque muita gente tá terminando de gastar o que tinha economizado durante a pandemia, somado ao diversos planos de ajuda dos governos. Essas economias tão acabando. Lembra da 2a perda que expliquei sobre a Bolha de 2001? Isso se parece com o otimismo curto antes da 2a perna do crash. Que eu acho que é o mais provável.</p>
<p>Em todos os videos que fiz falando do crash iminente, a idéia não era tentar prever nada, muito menos com exatidão, mas sim explicar o que os dados me diziam, que dados são esses, e mais ou menos como eu estava interpretando, como eu fiz neste também. Dei só alguns poucos exemplos, mas acho que dá pra entender como extrapolar pra avaliar todas as outras empresas mais importantes do mercado e ver se as conclusões são as mesmas. Novamente, não odeiem o mensageiro, eu só entrego as mensagens. É muito possível que eu esteja completamente enganado e daqui 1 ano tudo volta ao normal. Era impossível adivinhar que teríamos uma pandemia em 2020, vai saber o que pode acontecer em 2023.</p>
<p>Eu não tenho prazer nenhum em dar más notícias. Simplesmente descrevo as evidências à medida que elas se apresentam. Eu também trabalho nesse mercado, não é interessante ver ele regredindo. Por outro lado, parte de mim gosta de ver o filtro acontecendo e quem nem é programador mas ficava se achando começar a tomar no Koo. Não sentiremos sua falta. E quem estava sério de verdade na área, vai voltar a ser valorizado como deveria, sem agendas políticas, só resultados.</p>
<p>A dica é simples: a empresa que você trabalha tem fluxo de caixa livre positivo? Então pode ficar menos preocupado. Senão, o que está esperando pra estudar mais? A fila da concorrência tá só crescendo. Se ficaram com dúvidas deixem nos comentários abaixo, se curtiram o video deixem um joinha, assinem o canal, compartilhem com seus amigos. A gente se vê, até mais.</p>
]]></content:encoded><category>mercado-de-tecnologia</category><category>economia</category><category>startups</category><category>akitando</category></item><item><title>[Akitando] #104 - RANT: Empreendendo com Software do JEITO ERRADO!</title><link>https://akitaonrails.github.io/2021/09/28/akitando-104-rant-empreendendo-com-software-do-jeito-errado/</link><guid isPermaLink="true">https://akitaonrails.github.io/2021/09/28/akitando-104-rant-empreendendo-com-software-do-jeito-errado/</guid><pubDate>Tue, 28 Sep 2021 11:20:00 -0300</pubDate><description>&lt;div class="embed-container"&gt;
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&lt;p&gt;Assista pra não cometer os mesmos erros!&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Se gostou da proposta do video e quiser se candidatar, estamos contratando: &lt;a href="mailto:become@codeminer42.com"&gt;become@codeminer42.com&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;</description><content:encoded><![CDATA[

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<h2>DESCRIÇÃO<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="descrição"></span>
    <a href="#descri%c3%a7%c3%a3o" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Depois de 2+ décadas atendendo centenas de projetos, quero resumir alguns dos casos toscos que eu já vi no caso de pequenos empreendedores amadores não-técnicos e muitas das coisas que eles pensam errado e fazem errado com projetos de software.</p>
<p>Assista pra não cometer os mesmos erros!</p>
<p>Se gostou da proposta do video e quiser se candidatar, estamos contratando: <a href="mailto:become@codeminer42.com">become@codeminer42.com</a></p>
<p>Conteúdo:</p>
<ul>
<li>00:00 - Intro</li>
<li>01:27 - Disclaimer</li>
<li>02:02 - Sua idéia NÃO é original</li>
<li>03:00 - Zero Experiência</li>
<li>04:04 - Sem co-fundador técnico</li>
<li>05:40 - Sua empresa sequestrada!</li>
<li>07:30 - Não reinvente a roda!</li>
<li>07:54 - Especificações que não valem NADA!</li>
<li>10:25 - Escopo Fechado NÃO FUNCIONA!</li>
<li>11:53 - Por que o que você imaginou vai desandar</li>
<li>15:24 - Software NUNCA acaba!</li>
<li>15:52 - Você PRECISA de Júniors!</li>
<li>18:07 - Economia PORCA</li>
<li>18:33 - NUNCA TERCEIRIZE TUDO!</li>
<li>20:10 - Indianos e Príncipes Nigerianos</li>
<li>21:01 - Dá pra fazer igual empresa X??</li>
<li>22:06 - NDA é lixo</li>
<li>23:05 - Jurídicos AMADORES</li>
<li>23:35 - Licitações: LIXO</li>
<li>24:45 - E o que você REALMENTE deveria fazer?</li>
<li>26:17 - Fechamento</li>
</ul>
<h2>SCRIPT<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="script"></span>
    <a href="#script" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Olá pessoal, Fabio Akita</p>
<p>Andei um pouco sumido nas últimas semanas porque a última série me cansou um pouco, acho que exagerei e detalhei demais um tema só e isso me deixou bem entediado. Então vou retornar um pouco mais light antes de pegar mais temas técnicos. Hoje quero mudar de marcha e falar um pouco sobre projetos.</p>
<p>Por décadas eu trabalhei em projetos de software e até hoje  vejo que muita gente ainda pensa errado, especialmente os amadores, mas até gente que diz ter experiência comete alguns desses erros. Estando do lado da empresa que realiza os projetos, quero explicar que tipo de coisas que aparecem na minha porta e que eu quero chutar a mesa quando escuto. Obviamente não dá pra cobrir tudo, mas vou dar alguns exemplos pra que vocês não cometam os mesmos erros no futuro.</p>
<p>Uma coisa que você vai ouvir sempre é &ldquo;depende&rdquo;. Quanto custa? Depende. Quanto tempo leva? Depende. O que eu vou precisar fazer? Depende. E depende porque como já disse no video sobre The Mythical Man-Month, não existe Bala de Prata. Não existem soluções one-size-fits-all, ou seja um tamanho que cabe em qualquer problema. Todo projeto é sempre caso a caso. Hoje quero focar mais no pequeno empreendedor, microempresa, a startup de primeira viagem, o fundador individual não-técnico que nunca participou de projetos de software antes.</p>
<p>(&hellip;)</p>
<p>Como disclaimer vale dizer eu não estou generalizando dizendo que todo mundo que empreende, começa um projeto do zero faz tudo errado como vou falar agora. Já consigo ver gente nos comentários falando “ah, mas eu não sou assim” ou “ah, mas eu conheço gente que não é assim” e bla bla bla. Foda-se. Óbvio que existem exceções, senão não existiriam casos de sucesso. Mas é um fato que ao longo de quase 30 anos, tendo passado por literalmente centenas de projetos, estatisticamente a grande maioria se encaixa muito no que vou explicar hoje. Se a carapuça servir, não culpem o mensageiro, só isso.</p>
<p>Parte do que vou falar hoje já falei no video dos mitos de startups, mas vou repetir pra reforçar. E a primeira coisa que todo empreendedor de primeira viagem acha, é que teve alguma idéia inédita que vai revolucionar alguma área ou até o mundo - se for mais um megalomaníaco iludido. Deixa eu colocar da maneira mais suave possível: sua idéia não é original e muito menos revolucionária. Entenda: é muito, mas muito raro alguém surgir com uma idéia verdadeiramente inédita e revolucionária. Não importa o que sua mãe diga pra você, sua idéia é medíocre, na melhor das hipóteses.</p>
<p>Se você gosta de alguma área e gastou 10 anos fazendo pesquisa, estudando, criando protótipos, testando de verdade no mercado, voltando pra mesa de projetos e redesenhando, melhorando e investindo e depois desses 10 anos, talvez, talvez, você tenha conseguido chegar numa ideia razoavelmente original. Isso é possível. A pergunta é: você gastou esse tempo e esforço?</p>
<p>A coisa mais tosca que me deixa pasmo toda vez que eu ouço é um recém formado, faz de conta, de medicina, chegando pra mim e falando &ldquo;Akita, vou revolucionar o mercado de hospitais&rdquo;. A primeira pergunta que eu tenho que fazer é &ldquo;filho, quantos anos e em quantos hospitais você já trabalhou?&rdquo; E a resposta sempre é: nenhum, ou muito pouco tempo. E como você acha que vai revolucionar um mercado onde você sequer trabalhou ainda? Simples: não vai. Esquece. “Ah, mas teve o caso daquele outro cara que chegou e revolucionou do nada &hellip; “ - cara, um caso, você tá se baseando na exceção da exceção?</p>
<p>Pra compensar isso, o caso seguinte é quando o tal empreendedor conheceu alguém que já trabalhou os tais 10 anos ou mais na tal área e eles acham que juntos vão mudar o mercado. Ok, justo, é um pouco melhor. Não muito, mas já vi dar certo algumas vezes. Poucas vezes. O problema é que agora querem criar um software pra implementar essa ideia. Quantos anos eles tem de experiência trabalhando em projetos de software? Zero. Chances de dar certo? Perto de zero também.</p>
<p>Eu não consigo entender fundadores não técnicos querendo criar uma empresa de software sem ter outro co-fundador que tenha anos de experiência nessa área. É quem ocuparia o cargo de CTO ou Vice presidente de engenharia ou diretor de tecnologia ou qualquer coisa assim. Alguém que já participou diretamente na codificação de diversos sistemas, de diversos tamanhos, e já esbarrou em todo tipo de problemas, tá calejado.</p>
<p>Entenda, se você quer ser uma tech startup significa que o Core Business, o negócio central, dessa empresa é tecnologia. Alguém de cargo de confiança precisa ser responsável por isso. Isso não é opcional. Não se terceiriza o core business inteiro da sua empresa. E eu digo isso sendo um terceirizador. Eu não quero a responsabilidade de decidir por você, porque eu não sou e nem vou ser seu sócio. Nenhum terceirizado jamais vai ter o mesmo nível de preocupação porque a gente não é stakeholder. Entenda esse conceito: não importa o quanto o vendedor te prometeu que vai ser o melhor relacionamento do mundo. Palavras são só palavras.</p>
<p>Também cansei de ver empreendedores não-técnicos falando que começaram a fazer algum curso online de programação, achando que isso vai fazer alguma diferença. Sério? Você acha que pra fazer sistemas eficientes, robustos, seguros, de fácil manutenção é só gastar algumas míseras semanas assistindo video no YouTube? Não perca seu tempo, não é sua praia, não vai fazer absolutamente nenhuma diferença. Foque nas suas responsabilidades. Ou você já é um engenheiro de carreira com anos de experiência nas costas ou você tem um sócio nesse perfil que confia totalmente. Não inventa moda.</p>
<p>Cansei de ver gente que contratou freelancer pra cuidar de tudo. A senha da Amazon fica com esse freelancer, a conta da organização do GitHub fica com esse freelancer, todos os acessos e permissões mais importantes, que podem desligar sua empresa, estão na mão de alguém que sequer é um funcionário da sua própria empresa. É que nem você ter 1 milhão de reais na sua conta de banco e nem você tem a senha dessa conta, está na mão de um estranho qualquer. Você faria isso?</p>
<p>O que acontece se no final o cara que parecia gente boa se mostra de má índole? Em bom português, você se ferrou. Você foi juvenil, agora vem as consequências. O mínimo do mínimo é que você como dono da empresa ou co-fundador técnico tenha os meios de desligar alguém da empresa e ele não ter acesso às coisas que mantém seu negócio de pé. Se não sabe como fazer isso, nem comece. Nunca dê as chaves da sua casa pra um estranho.</p>
<p>Isso é especialmente mais importante agora que existe a LGPD que é a Lei Geral de Proteção aos Dados. Se um terceiro faz bobagem com seu banco de dados e compromete dados pessoais dos seus usuários é sua empresa e você que são responsáveis. Se você precisa compartilhar parte desses dados com um terceiro, tem que ler a lei pra saber em quais condições e o que é necessário fazer pra não ficar juridicamente exposto. Não adianta dizer &ldquo;ah, eu não sabia&rdquo;. Ignorância das leis não te torna inocente.</p>
<p>Muitos projetos que as pessoas vem pedir são coisas que já existem. Um ecommerce, uma plataforma de ensino, um meio de pagamento ou algo assim. Vamos entender: seu negócio principal é produzir algum produto pra vender? Então seu core business, pelo menos no começo, não é tecnologia, é manufatura e vendas. Não tente construir seu próprio ecommerce, não é sua praia. Faça uma pesquisa, hoje em dia temos dezenas de plataformas pré-prontas que vão fazer praticamente tudo que você precisa de forma melhor do que se você tentar fazer do zero.</p>
<p>Não reinvente a roda, se precisa vender, abra uma conta num Shopify da vida. Lá na frente, quando seus processos de manufatura estiverem azeitados, quando já tiver bom volume de vendas e, principalmente, boa margem de lucros, daí sim, talvez você queira mais controle da tecnologia e vai ter dinheiro pra pesquisar e investir. E acredite, não vai ser barato, então não coloque o carro na frente dos bois.</p>
<p>Digamos que você chegou nesse ponto, ou talvez conseguiu ludibriar algum investidor disposto a colocar dinheiro no seu negócio. De novo, se você não tem um co-fundador técnico com muita experiência - e ênfase aqui em muita experiência, porque um co-fundador técnico recém formado não vai te ajudar em muita coisa. Daí você comete o próximo erro clássico: começa a desenhar como acha que seu sistema perfeito deveria ser.</p>
<p>Normalmente contrata algum designer, sei lá porque, pra sair desenhando telas de mockup. Acho impressionante quando vejo esses trabalhos porque vira um calhamaço de telas e a primeira tonelada de papel é sempre telas de formulários pra se registrar, login, esqueci minha senha e outras bobagens assim. Sério? Todo mundo sabe como um formulário de registro funciona, não precisa detalhar isso.</p>
<p>Mas coisas que deveriam ter sido especificadas e até feito mockup incluem as funcionalidades chatas que ninguém gosta de fazer justamente porque nem sabem que existem e como deveriam funcionar: as partes administrativas, relatórios, integração com backoffice e todos os controles que precisa pro sistema realmente funcionar. Pergunta se alguém que faz mockups lembra de desenhar essas coisas? Raramente! Dão mais atenção pra uma tela de login do que um admin.</p>
<p>Entenda: você, marinheiro de primeira viagem, sempre vai conseguir desenhar o que “acha” que precisa e não o que “realmente” precisa. No papel pode tudo mas sua imaginação não vai conseguir visualizar coisas que você nunca viu, as coisas por trás das telas bonitas. Se for um ecommerce, no final vira um copy e paste das telas de uma Magazine Luiza ou Mercado Livre. Mas se você nunca trabalhou numa plataforma dessas, não tem idéia de como eles funcionam por trás. O tanto de sistema que existe que um usuário jamais vai ver. Logística é um grande exemplo. Você realmente acha que com seus trocados e nenhuma experiência vai fazer uma fração disso? Não vai, então pára de chegar pedindo &ldquo;ahh, dá pra fazer essa funcionalidade igual do MercadoLivre?&rdquo; - claro que dá, se você pagar a mesma coisa que eles investiram, a gente pode tentar fazer.</p>
<p>Acho interessante que a primeira concepção que alguém sem experiência chega sempre é achar que é possível desenhar tudo em papel e de uma só vez chegar num software que funciona, custando &ldquo;barato&rdquo; ainda. Não é assim que software funciona. Design emerge do software e não o contrário. Software nunca tá pronto na versão 1.0. É sempre um trabalho em andamento. Se você acha que terminou a última linha de código e nunca mais vai mexer, provavelmente é um software que ninguém usa.</p>
<p>E na sequência dessa concepção errada, vem outra concepção errada. A próxima pergunta é &ldquo;olha só, fiz aqui o desenho, me dá um prazo e quanto vai custar.&rdquo; Podemos ficar dias aqui discutindo porque esse pedido não faz sentido. Construir um negócio baseado em software não é que nem construir uma casa, que quando o último tijolo for colocado, acabou. Nunca vai ter o último tijolo.</p>
<p>A primeira coisa que vou dizer é: a maior parte do que tá desenhado aqui você não vai precisar. Pode jogar tudo fora, perda de tempo. A segunda coisa é: esquece, posso dar uma ordem de grandeza de quanto vai custar pra chegar numa versão minimamente funcional. Mas o software nunca vai terminar. No mínimo, no mínimo, você sempre vai precisar fazer atualizações de segurança, nos frameworks, bibliotecas e outros componentes da infraestrutura. Senão em pouquíssimo tempo seu sistema vai ser atacado e invadido embaixo do seu nariz. Não pode largar código rodando sem ninguém mais vendo.</p>
<p>Entenda, você só vai entender o que realmente precisa implementar quando uma versão mínima for pro ar, pessoas reais realmente começarem a usar, e daí as reais necessidades vão começar a emergir e elas vão quase sempre ser diferentes do que você imaginou. É a natureza de se lidar com tecnologia. Só quando é um software muito pequeno, pra poucos usuários, e que é um copy e paste de outro software que já existe. Por exemplo, você só quer colocar no ar mais um Wordpress da vida e mudar o logotipo na primeira página. Ok, isso pode ser simples, barato e vai pro ar logo. Muito mais que isso é incerto.</p>
<p>Num exemplo tosco só pra ilustrar aqui. Um pequeno ecommerce, você pode facilmente baixar um Magento da vida que é um ecommerce de código aberto, pagar alguém pra instalar num servidorzinho qualquer e tá pronto. Dificilmente vai ser simples assim, mas enfim. Um freelancer amador vai instalar tudo num VPS, tipo numa DigitalOcean ou Linode da vida, servidor web, banco de dados, tudo numa máquina virtual só. Vai suportar algumas dezenas de usuários e se você só precisa disso, ok, tá pronto. Por algum tempo vai funcionar.</p>
<p>Mas normalmente não é só isso. Provavelmente você quer integrar com meios de pagamento, por exemplo. Alguns já tem plugins pré-prontos pra um Magento da vida, outros não. Implementar pode ser fácil ou difícil. Se sua empresa tem algum mínimo de organização, certamente tem um ou mais sistemas de backoffice, um ERP, que administra aspectos da sua empresa como manufatura, estoque, contabilidade, RH, CRM e mais. Você provavelmente quer integrar com ele, pra poder gerar nota fiscal, controlar faturamento, contas a pagar e a receber, disponibilidade de produtos.</p>
<p>Isso é mais difícil ter plugins prontos, alguém vai precisar integrar, e se for um amador como é a maioria dos casos, vai fazer uma zona. Certeza. Em breve você vai ter problemas de performance. O banco de dados rapidamente vai se tornar um gargalo. Então você instala mais plugins como de cache pra tentar ajudar. Não tava previsto, porque quem nunca fez projetos grandes, não vai saber que precisa disso. Lá se vão mais dias de bateção de cabeça.</p>
<p>Por acaso você tem sorte, e seu marketing foi competente pra trazer muitos usuários. De repente nenhuma venda acontece. Começa a vir um monte de tickets de suporte porque ninguém consegue comprar nada. Lembra aquela integração com seu ERP? Pois é, foi feita de tal maneira que se ela não responder a tempo, seu checkout falha. Clássico. Nenhum ERP foi feito pra aguentar escala de web e se você programa um passo pra ser sequencial e dependente do outro, dançou. Todo amador cai nisso.</p>
<p>Agora tem que rearquitetar pra resposta do ERP ser assíncrona do checkout e só bloquear a próxima etapa, que é a entrega, por exemplo. Tornar um código síncrono em assíncrono significa ter que colocar uma fila, e se tiver uma fila é mais um componente que precisa ser monitorado e gerenciado porque se cair e perder o que tava lá, muitas vendas vão ficar bloqueadas ou corrompidas de novo. Uma solução sempre vai criando novos problemas. Não existe uma solução definitiva que resolve todos os problemas e você nunca mais vai precisar olhar.</p>
<p>Esse cenário é bem mais comum do que parece. Já vi acontecer várias vezes. Mas o oposto é igualmente ruim, que é quando alguém que já passou por essas coisas uma ou duas vezes, agora quer tentar prever tudo que pode dar errado e implementar de uma vez no projeto que tá fase super inicial, onde o negócio não foi provado, não tem um usuário pagante ainda. Agora o sistema fica tão complexo de fazer, demora tanto tempo, e por consequência custa tão caro, que o negócio não aguenta esperar tanto e fecha as portas. Nem tanto oito, nem tanto oitenta. E é aí que experiência faz diferença.</p>
<p>Em vez de planejar um projeto que vai levar 2 anos pra ficar pronto o melhor é planejar uma versão mínima, que dá fazer em 2 ou 3 meses pra testar a ideia e o mercado. Se tudo der errado, você perdeu 3 meses em vez de 2 anos. Toda vez que acha que pode economizar 100% já prevendo e fazendo tudo de uma vez, é quando você vai se dar mau, garantidamente. Porque você está partindo da premissa errada que dá pra prever tudo e que você vai aguentar esperar implementar tudo. Melhor arriscar pouco e perder pouco. Não existe risco zero, existe gerenciar riscos. E colocar todos os ovos num lugar só é o oposto disso.</p>
<p>Por isso não venha com mentalidade de &ldquo;ah, depois de 1 ano, meu sistema vai estar pronto e nunca mais vou precisar me preocupar&rdquo;. Você sempre vai precisar se preocupar. Dar manutenção, atualização. Melhorar seu sistema com o feedback dos seus usuários tem que virar parte da rotina da sua empresa e você deve se preparar pra isso. Precisa de sistema de suporte, precisa de equipe treinada pra atender as pessoas. O mercado é super competitivo, quem fica parado e não ouve seus usuários, sempre vai ficando pra trás.</p>
<p>Outro erro super comum. Mesmo caso, o cara me chega com um calhamaço de especificações e pede &ldquo;pra fazer meu sistema perfeito, preciso da equipe perfeita, me vê aí uns 5 ou 6 desenvolvedores sênior, pra viagem&rdquo;. Povo pensa que é pastelaria. Nenhum projeto precisa ter só seniors, além de ser um desperdício, você vai desmotivar pelo menos metade deles, que em pouco tempo vão vazar. Isso porque todo projeto tem tarefas desafiadoras e tem muitas tarefas mundanas. Ficar trocando textos, substituir imagens, corrigir pequenos bugs, atender suporte. Pede pra um senior fazer isso, ele vai mandar você ir lá praquele lugar, especialmente num mercado aquecido e competitivo como de agora.</p>
<p>É que nem você querer construir sua casa dos sonhos, aí na sua infinita sabedoria pensa &ldquo;cara, não vou contratar nenhum pedreiro, vou contratar uma dúzia de mestres de obra. Se os pedreiros fazem minha casa em 6 meses, certamente os mestres de obra sozinhos vão fazer em 3 meses e ainda com muito mais qualidade&rdquo;. Entenderam o ridículo? Todo projeto tem tarefas pra seniors e pra juniors. A tarefa mundana que o senior já fez quinhentas vezes e não quer fazer de novo? É exatamente o tipo de tarefa que um junior precisa pra ganhar experiência.</p>
<p>Coloque seniors orientando juniors e não só sua produtividade vai ser melhor do que num time só de seniors, vão ser todos mais motivados e você ainda aproveita pra garantir que sua equipe naturalmente consiga se auto-repor. O junior de hoje é o senior de amanhã. E quando chegar amanhã ele vai saber da importância de orientar novos juniors, porque foi assim que ele cresceu também. É um ciclo positivo. Toda empresa de tecnologia precisa de juniors, estagiários. Não é sustentável achar que sempre você vai achar seniors com disposição pra ficar fazendo tarefas mundanas de manutenção. É isso que eu pratico na minha empresa faz anos.</p>
<p>&ldquo;Ah, esse mercado tá foda, não consigo contratar.&rdquo; Lógico, você tá procurando só seniors pra ficar mudando botão de lugar na sua tela. Não é o mercado que tá foda, é você que não sabe contratar e não sabe formar pessoas. Formação de novas pessoas é fundamental pra qualquer negócio, seja grandes corporações ou pequenas startups. Pessoas entram e saem, ninguém fica pra sempre, mas se você forma pessoas, seu processo já está adaptado a mudanças.</p>
<p>Não sei se vocês notaram, mas em todos os exemplos que falei até agora o tema comum é que todo mundo sempre pensa em economizar. E tá correto, não se deve esbanjar dinheiro a toa. Mesmo quando tem sobrando. Porém, em todos os casos, estamos falando de casos de &ldquo;economia porca&rdquo;. Toda economia porca sempre vai sair caro lá na frente. É que nem comprar um Mercedes e querer economizar não fazendo seguro. O que acham que vai acontecer? Murphy é o cara que mais trabalha.</p>
<p>Um exemplo disso é quando o tal empreendedor decide que gerenciar projetos, gerenciar pessoas, processos de tecnologia e tudo mais não é pra ele. Então terceiriza 100% de toda a tecnologia pra outra empresa. Pronto, agora ele só dá ordem, paga fatura no fim do mês, e deixa outra pessoa com a dor de cabeça de gerenciar tudo. Faz uma pesquisa porca, acha uma agênciazinha de esquina que tem um sisteminha pré-pronto e lá vai ele confiar o negócio pra um estranho.</p>
<p>Hoje em dia é comum no mundo de Software as a Service, ou SaaS, mudar muita coisa de capex pra opex. Em poucas palavras mudar de gastos internos pra gastos externos, ou de propriedade própria pra aluguel de serviços. Por exemplo, seria impossível toda empresa ter seu próprio servidor de emails que seja rápido, seguro e tudo mais. Por isso ninguém faz isso, todo mundo faz uma assinatura do Gmail, Outlook e outros e pronto. O mesmo vale pra vários outros serviços como video conferência, email marketing, até CRM e contabilidade. Todo mundo conhece as marcas mais famosas e mais confiáveis. Mailchimp, Salesforce, Zoom e muito mais.</p>
<p>O problema é contratar uma empresinha desconhecida de fundo de quintal, onde você paga pra eles desenvolverem customizações ou novas funcionalidades, mas por contrato você não é dono do que tá pagando pra construir. Propriedade intelectual é sério. Software é propriedade intelectual. Mas no começo você não se incomoda, afinal sai mais em conta pra você trabalhar assim. Se alguma coisa parece boa demais, é porque é: é menos caro porque você não tinha a propriedade. E se no futuro o relacionamento azedar, você fica sem nada. E acredite, sempre azeda. É assim que as coisas funcionam. Aprenda a ler contratos.</p>
<p>Mas aí você não quer nem pagar caro e nem ficar na mão de um terceiro assim. Aconteceu um caso que o cara veio pedir uma demanda pra minha empresa, passamos o preço e ele reclamou que achou muito caro e que se a gente não baixasse  ia terceirizar pra uma empresa indiana. Por alguma razão acho que ele achava que tava me oferecendo alguma grande honra de trabalhar pra ele.</p>
<p>Resumindo minha resposta eu disse algo como &ldquo;não tem nenhum problema, o código é seu, você terceiriza pra quem você quiser. Mas eu não abaixo meu preço, e já aviso que você vai pagar a metade com os indianos e daqui 6 meses vai voltar pra mim pedindo pra consertar, e nessa hora meu preço vai ser o dobro.&rdquo; Seis meses depois, ele voltou. Não existe almoço de graça, você recebe proporcional ao que paga, se foi barato, é porque o resultado vai ser porco. Simples assim. Eu recebo tanto email de empresa desconhecida indiana me oferecendo serviços que eles já tão ganhando do príncipe nigeriano.</p>
<p>Tô cansado de virem procurar a gente falando &ldquo;olha só, conhece esse site X? Quanto vocês cobram pra fazer igual? Eu falei com um indiano e ele me falou que por mil dólares ele faz, se vocês fizerem por menos fecho com vocês&rdquo;. Não estou nem inventando, foi um caso recente. Você abre o tal site, é uma plataforma de fintech, mais ou menos. Só tem um hotsite bonitinho. Eu nem duvido que por mil dólares ele faça a 1a página, que é exatamente o que a maioria das pessoas pensa.</p>
<p>Entenda, só a primeira página. Esquece as coisas invisíveis por baixo: integração com outras plataformas, banco de dados, administrativo, etc. Muita gente acha que um site é só as primeiras páginas que ele vê, sendo que o grosso do trabalho é tudo aquilo que um usuário comum nunca vai ver. Como eu falei antes do designer que só faz mockup da página de login, porque é só isso que ele conhece. E muita gente acredita que é só isso mesmo. Mil dólares pfff. Um protótipo de software começa na ordem de grandeza de 10 vezes isso. Uma tech startup de verdade começa na ordem de 100 vezes isso. Pra mais. Mil dólares &hellip;</p>
<p>Falando em gente que inventa abobrinha, coloco nessa categoria os famosos NDAs que me mandam pra assinar. Coisa de departamento jurídico amador ou empreendedor de primeira viagem querendo impressionar do jeito errado. NDA pra quem não sabe é non-disclosure agreement, basicamente um contrato de confidencialidade querendo dizer &ldquo;eu acho que minha ideia é super foda, mas ninguém pode ficar sabendo, e se você roubar minha ideia ou contar pra alguém, cobro uma multa&rdquo;. Acho NDA uma coisa ridícula, especialmente pra empresa iniciante.</p>
<p>Como eu disse lá no começo, sua ideia não é original, pára de ficar se super-valorizando. Em segundo lugar, se sua ideia realmente é algo fora do comum que eu nunca vi, e se eu for de má índole e quiser roubar, a multa de um NDA é só um preço de compra barato. Só isso. Qual é a multa? 1 milhão de reais? 5 milhões? Noooosa. Se a ideia for tão boa assim deve valer 50 milhões, 100 milhões? Comprar por um 1 milhão é barato, pago a vista, em cash se quiser. Tosco.</p>
<p>E esses departamentos juridicos amadores são os que fazem contratos toscos, copy e paste de alguma coisa que viu no Google, com cláusulas do tipo &ldquo;pra trabalhar com a gente, você se compromete, caso a gente termine, de não trabalhar com mais nenhuma empresa do setor&rdquo;. Aí você vê que o cara é do setor de fintech. Ele acha que eu nunca mais vou trabalhar com nenhum outro fintech. Tá de brincadeira? Quer comprar minha empresa, você paga por ela. De graça, vai sonhando. É impressionante a quantidade de juridico tosco assim que eu vejo.</p>
<p>Jurídico tosco me lembra de licitações. Como eu já expliquei, software não tem como especificar e construir exatamente. Eu ainda estou pra ver uma licitação que especifica alguma coisa direito. Pra quem não sabe licitação é um leilão. A empresa faz o desenho de um projeto de software e convida algumas empresas pra avaliar e apresentar propostas de tempo, custo, suporte e tudo mais. Daí eles escolhem o mais barato, normalmente, ou a empresa de algum conhecido. Então é tudo menos justo. Como eu disse: barato sai caro e eu não participo de licitações porque acho o modelo inteiro tosco pra começo de conversa. Só lamento pra quem precisa trabalhar nesse modelo.</p>
<p>Isso me lembra de casos que a gente já recebeu de licitação que pede pra gente mandar um prazo pra entregar o projeto, sendo que um dos itens de trabalho que vai ser realizado é literalmente &ldquo;definir o escopo&rdquo;. Entenderam? Pra participar da licitação eles querem que a gente já se comprometa num prazo final sendo que o escopo nem sequer está definido e vai ser parte do projeto, depois que ganhar a licitação, definir esse escopo. É uma piada de tão mau gosto que fico imaginando que tipo de gênio da lâmpada escreve essas coisas e pior ainda, que tipo de animal aprova isso.</p>
<p>Eu disse que ia me focar no pequeno empreeededor mas licitação já começa a entrar na área de empresas maiores então acho que é minha deixa pra finalizar. Se não ficou claro, no dia zero, quando você tá pensando em criar um software pra sua empresa e você é o dono e/ou o investidor principal, nem pense em começar se não tem um sócio técnico experiente pra gerenciar tudo. Contrate alguns programadores internamente primeiro, funcionários devidamente contratados em tempo integral, e não freelancers.</p>
<p>Só depois terceirize uma parte pra acelerar a produtividade, mas faça os terceiros trabalharem junto com seus funcionários de confiança, nunca em modelo de black box onde você manda especificação e fica meses esperando eles entregarem alguma coisa depois. Se preocupe com aspectos de infraestrutura e segurança, LGPD tá aí. E se preocupe em formar pessoas. Você precisa sim de bons seniors, que sejam de confiança, que vão ajudar a orientar e treinar os juniors e estagiários. Esse é o básico do básico.</p>
<p>E veja, falei um monte até aqui e nem entrei no assunto sobre melhores linguagens de programação, frameworks ou coisas assim. Porque não importa. A melhor linguagem e ferramentas são aquelas que seus melhores funcionários preferem. Não é essa escolha que vai fazer diferença se todo o resto que falei antes não estiver correto primeiro. Você como administrador e empreendedor não-técnico não tem que meter o bedelho nisso, pra isso serve um CTO ou um Tech Lead. E lembre-se do mais importante: economia porca não compensa.</p>
<p>Tem muito mais que posso falar sobre isso, mas acho que por hoje é o suficiente. Se ficaram com dúvidas mandem nos comentários abaixo, se curtiram o video deixem um joinha, assinem o canal e não deixem de compartilhar o video com seus amigos. A gente se vê, até mais.</p>
]]></content:encoded><category>startups</category><category>engenharia-de-software</category><category>gestao</category><category>akitando</category></item><item><title>[Akitando] #100 - Mercado Financeiro Pós-Pandemia: A Tempestade Perfeita?</title><link>https://akitaonrails.github.io/2021/06/22/akitando-100-mercado-financeiro-pos-pandemia-a-tempestade-perfeita/</link><guid isPermaLink="true">https://akitaonrails.github.io/2021/06/22/akitando-100-mercado-financeiro-pos-pandemia-a-tempestade-perfeita/</guid><pubDate>Tue, 22 Jun 2021 12:07:00 -0300</pubDate><description>&lt;div class="embed-container"&gt;
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&lt;h2&gt;DESCRIPTION&lt;span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="description"&gt;&lt;/span&gt;
&lt;a href="#description" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/h2&gt;&lt;p&gt;Depois de mais de 1 ano de pandemia, quais foram os efeitos causados na nossa Economia? Por que parece que os mercados de Tech, principalmente, estão tão super-aquecidos? Já nos recuperamos? Tudo passou bem? Vamos entender!&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Este vídeo é a terceira e última parte dos dois vídeos que publiquei 1 ano atrás:&lt;/p&gt;
&lt;ul&gt;
&lt;li&gt;O que vem depois da COVID-19? (&lt;a href="https://www.youtube.com/watch?v=Hrg0MnyE2jM"target="_blank" rel="noopener"&gt;https://www.youtube.com/watch?v=Hrg0MnyE2jM&lt;/a&gt;)&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;A COVID-19 Matou minha Startup? (&lt;a href="https://www.youtube.com/watch?v=Y8SaMX30X1g"target="_blank" rel="noopener"&gt;https://www.youtube.com/watch?v=Y8SaMX30X1g&lt;/a&gt;)&lt;/li&gt;
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&lt;h3&gt;Conteúdo&lt;span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="conteúdo"&gt;&lt;/span&gt;
&lt;a href="#conte%c3%bado" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/h3&gt;&lt;ul&gt;
&lt;li&gt;00:00 - Intro&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;01:17 - Disclaimer 1&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;01:35 - Março de 2020 - Como eu vi a pandemia chegando&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;03:17 - Meu Primeiro Video&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;03:59 - Primeiros efeitos no mercado&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;06:15 - Wallstreetbets vs Wall Street: Gamestop&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;09:59 - A Baleia de Nasdaq: Softbank&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;12:40 - A pergunta que ninguém fez: Por que agora?&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;15:08 - O Efeito Colateral de Distribuir Dinheiro&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;17:01 - Hiperinflação no Mercado Financeiro&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;18:29 - Estímulos: O Novo Zero&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;19:43 - Inflação no Mundo Real Começou&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;22:27 - O Brasileiro era mais Rico alguns anos atrás??&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;24:06 - Bolha de Tech 1: Venture Capital&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;32:43 - Bolha de Tech 2: SPAC&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;37:49 - A Agulha da Bolha? A TEMPESTADE PERFEITA&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;41:39 - O que dá pra fazer?&lt;/li&gt;
&lt;/ul&gt;
&lt;h3&gt;Links&lt;span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="links"&gt;&lt;/span&gt;
&lt;a href="#links" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/h3&gt;&lt;ul&gt;
&lt;li&gt;Sam Zell calls SPAC craze largely ‘rampant speculation’ reminiscent of 1990s dot-com bubble (&lt;a href="https://www.cnbc.com/2021/02/09/sam-zell-calls-spac-craze-largely-rampant-speculation-reminiscent-of-1990s-dot-com-bubble.html"target="_blank" rel="noopener"&gt;https://www.cnbc.com/2021/02/09/sam-zell-calls-spac-craze-largely-rampant-speculation-reminiscent-of-1990s-dot-com-bubble.html&lt;/a&gt;)&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;The Bubble Is Starting to Burst in the SPAC IPO Boom: Chart (&lt;a href="https://news.bloomberglaw.com/securities-law/the-bubble-is-starting-to-burst-in-the-spac-ipo-boom-chart"target="_blank" rel="noopener"&gt;https://news.bloomberglaw.com/securities-law/the-bubble-is-starting-to-burst-in-the-spac-ipo-boom-chart&lt;/a&gt;)&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;Inflation and the Commodities Bounce (&lt;a href="https://www.reuters.com/article/sponsored/inflation-commodities-bounce"target="_blank" rel="noopener"&gt;https://www.reuters.com/article/sponsored/inflation-commodities-bounce&lt;/a&gt;)&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;Companies sound alarm over commodity price hikes (&lt;a href="https://apnews.com/article/financial-markets-prices-health-coronavirus-business-7d3b979e1fc8f7c9cde7822131b0e014"target="_blank" rel="noopener"&gt;https://apnews.com/article/financial-markets-prices-health-coronavirus-business-7d3b979e1fc8f7c9cde7822131b0e014&lt;/a&gt;)&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;ROBINHOOD&amp;rsquo;S REVENUE INCREASED BY 514% YOY- $682M IN 2020 (&lt;a href="https://financialit.net/news/trading-systems/robinhoods-revenue-increased-514-yoy-682m-2020"target="_blank" rel="noopener"&gt;https://financialit.net/news/trading-systems/robinhoods-revenue-increased-514-yoy-682m-2020&lt;/a&gt;)&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;Robinhood Filing Shows Enormous Growth in Controversial Revenue Source (&lt;a href="https://www.barrons.com/articles/robinhood-filing-shows-enormous-growth-in-controversial-revenue-source-51620065477"target="_blank" rel="noopener"&gt;https://www.barrons.com/articles/robinhood-filing-shows-enormous-growth-in-controversial-revenue-source-51620065477&lt;/a&gt;)&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;Insider: SPACs are the ‘Scummiest’ Thing on Wall Street | Arvid Ali Clip (&lt;a href="https://www.youtube.com/watch?v=lmrtWKYMz9E"target="_blank" rel="noopener"&gt;https://www.youtube.com/watch?v=lmrtWKYMz9E&lt;/a&gt;)&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;&amp;ldquo;This Is Unsustainable&amp;rdquo;: 2021 SPAC Issuance Will Surpass Entire 2020 Total Before End Of March (&lt;a href="https://www.zerohedge.com/markets/unsustainable-2021-spac-issuance-will-surpass-entire-2020-total-end-march"target="_blank" rel="noopener"&gt;https://www.zerohedge.com/markets/unsustainable-2021-spac-issuance-will-surpass-entire-2020-total-end-march&lt;/a&gt;)&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;SEC Drops Accounting Bomb, Blows Up SPAC Boom (&lt;a href="https://www.zerohedge.com/markets/sec-drops-accounting-bomb-blow-spac-boom"target="_blank" rel="noopener"&gt;https://www.zerohedge.com/markets/sec-drops-accounting-bomb-blow-spac-boom&lt;/a&gt;)&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;Melvin Capital, hedge fund targeted by Reddit board, closes out of GameStop short position (&lt;a href="https://www.cnbc.com/2021/01/27/hedge-fund-targeted-by-reddit-board-melvin-capital-closed-out-of-gamestop-short-position-tuesday.html"target="_blank" rel="noopener"&gt;https://www.cnbc.com/2021/01/27/hedge-fund-targeted-by-reddit-board-melvin-capital-closed-out-of-gamestop-short-position-tuesday.html&lt;/a&gt;)&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;This Hedge Fund Made $700 Million on GameStop (&lt;a href="https://www.wsj.com/articles/this-hedge-fund-made-700-million-on-gamestop-11612390687"target="_blank" rel="noopener"&gt;https://www.wsj.com/articles/this-hedge-fund-made-700-million-on-gamestop-11612390687&lt;/a&gt;)&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;Are We in a SPAC Investment Bubble Now? (&lt;a href="https://www.thestreet.com/investing/is-the-spac-bubble-about-to-burst"target="_blank" rel="noopener"&gt;https://www.thestreet.com/investing/is-the-spac-bubble-about-to-burst&lt;/a&gt;)&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;Hey Fed, Explain Again How Making Billionaires Richer Creates Jobs (&lt;a href="https://www.zerohedge.com/economics/hey-fed-explain-again-how-making-billionaires-richer-creates-jobs"target="_blank" rel="noopener"&gt;https://www.zerohedge.com/economics/hey-fed-explain-again-how-making-billionaires-richer-creates-jobs&lt;/a&gt;)&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;Hyperinflation Can Happen Much Faster Than You Think (&lt;a href="https://www.zerohedge.com/markets/hyperinflation-can-happen-much-faster-you-think"target="_blank" rel="noopener"&gt;https://www.zerohedge.com/markets/hyperinflation-can-happen-much-faster-you-think&lt;/a&gt;)&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;&amp;ldquo;This Is Not Transitory&amp;rdquo;: Hyperinflation Fears Are Soaring Across America (&lt;a href="https://www.zerohedge.com/markets/not-transitory-inflation-fears-are-soaring-across-america"target="_blank" rel="noopener"&gt;https://www.zerohedge.com/markets/not-transitory-inflation-fears-are-soaring-across-america&lt;/a&gt;)&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;Commodities Are Soaring 25%: That&amp;rsquo;s Consistent With Headline Inflation Of Almost 4% (&lt;a href="https://www.zerohedge.com/markets/commodities-are-soaring-25-thats-consistent-headline-inflation-almost-4"target="_blank" rel="noopener"&gt;https://www.zerohedge.com/markets/commodities-are-soaring-25-thats-consistent-headline-inflation-almost-4&lt;/a&gt;)&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;Inflation speeds up in April as consumer prices leap 4.2%, fastest since 2008 (&lt;a href="https://www.cnbc.com/2021/05/12/consumer-price-index-april-2021.html"target="_blank" rel="noopener"&gt;https://www.cnbc.com/2021/05/12/consumer-price-index-april-2021.html&lt;/a&gt;)&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;SEC Investigating SoftBank After NASDAQ Gamma Squeeze, FOIA Reveals (&lt;a href="https://www.zerohedge.com/markets/sec-investigating-softbank-triggered-nasdaq-gamma-squeeze-foia-reveals"target="_blank" rel="noopener"&gt;https://www.zerohedge.com/markets/sec-investigating-softbank-triggered-nasdaq-gamma-squeeze-foia-reveals&lt;/a&gt;)&lt;/li&gt;
&lt;/ul&gt;
&lt;h2&gt;SCRIPT&lt;span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="script"&gt;&lt;/span&gt;
&lt;a href="#script" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/h2&gt;&lt;p&gt;Olá pessoal, Fabio Akita&lt;/p&gt;</description><content:encoded><![CDATA[

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<h2>DESCRIPTION<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="description"></span>
    <a href="#description" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Depois de mais de 1 ano de pandemia, quais foram os efeitos causados na nossa Economia? Por que parece que os mercados de Tech, principalmente, estão tão super-aquecidos? Já nos recuperamos? Tudo passou bem? Vamos entender!</p>
<p>Este vídeo é a terceira e última parte dos dois vídeos que publiquei 1 ano atrás:</p>
<ul>
<li>O que vem depois da COVID-19? (<a href="https://www.youtube.com/watch?v=Hrg0MnyE2jM"target="_blank" rel="noopener">https://www.youtube.com/watch?v=Hrg0MnyE2jM</a>)</li>
<li>A COVID-19 Matou minha Startup? (<a href="https://www.youtube.com/watch?v=Y8SaMX30X1g"target="_blank" rel="noopener">https://www.youtube.com/watch?v=Y8SaMX30X1g</a>)</li>
</ul>
<h3>Conteúdo<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="conteúdo"></span>
    <a href="#conte%c3%bado" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h3><ul>
<li>00:00 - Intro</li>
<li>01:17 - Disclaimer 1</li>
<li>01:35 - Março de 2020 - Como eu vi a pandemia chegando</li>
<li>03:17 - Meu Primeiro Video</li>
<li>03:59 - Primeiros efeitos no mercado</li>
<li>06:15 - Wallstreetbets vs Wall Street: Gamestop</li>
<li>09:59 - A Baleia de Nasdaq: Softbank</li>
<li>12:40 - A pergunta que ninguém fez: Por que agora?</li>
<li>15:08 - O Efeito Colateral de Distribuir Dinheiro</li>
<li>17:01 - Hiperinflação no Mercado Financeiro</li>
<li>18:29 - Estímulos: O Novo Zero</li>
<li>19:43 - Inflação no Mundo Real Começou</li>
<li>22:27 - O Brasileiro era mais Rico alguns anos atrás??</li>
<li>24:06 - Bolha de Tech 1: Venture Capital</li>
<li>32:43 - Bolha de Tech 2: SPAC</li>
<li>37:49 - A Agulha da Bolha? A TEMPESTADE PERFEITA</li>
<li>41:39 - O que dá pra fazer?</li>
</ul>
<h3>Links<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="links"></span>
    <a href="#links" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h3><ul>
<li>Sam Zell calls SPAC craze largely ‘rampant speculation’ reminiscent of 1990s dot-com bubble (<a href="https://www.cnbc.com/2021/02/09/sam-zell-calls-spac-craze-largely-rampant-speculation-reminiscent-of-1990s-dot-com-bubble.html"target="_blank" rel="noopener">https://www.cnbc.com/2021/02/09/sam-zell-calls-spac-craze-largely-rampant-speculation-reminiscent-of-1990s-dot-com-bubble.html</a>)</li>
<li>The Bubble Is Starting to Burst in the SPAC IPO Boom: Chart (<a href="https://news.bloomberglaw.com/securities-law/the-bubble-is-starting-to-burst-in-the-spac-ipo-boom-chart"target="_blank" rel="noopener">https://news.bloomberglaw.com/securities-law/the-bubble-is-starting-to-burst-in-the-spac-ipo-boom-chart</a>)</li>
<li>Inflation and the Commodities Bounce (<a href="https://www.reuters.com/article/sponsored/inflation-commodities-bounce"target="_blank" rel="noopener">https://www.reuters.com/article/sponsored/inflation-commodities-bounce</a>)</li>
<li>Companies sound alarm over commodity price hikes (<a href="https://apnews.com/article/financial-markets-prices-health-coronavirus-business-7d3b979e1fc8f7c9cde7822131b0e014"target="_blank" rel="noopener">https://apnews.com/article/financial-markets-prices-health-coronavirus-business-7d3b979e1fc8f7c9cde7822131b0e014</a>)</li>
<li>ROBINHOOD&rsquo;S REVENUE INCREASED BY 514% YOY- $682M IN 2020 (<a href="https://financialit.net/news/trading-systems/robinhoods-revenue-increased-514-yoy-682m-2020"target="_blank" rel="noopener">https://financialit.net/news/trading-systems/robinhoods-revenue-increased-514-yoy-682m-2020</a>)</li>
<li>Robinhood Filing Shows Enormous Growth in Controversial Revenue Source (<a href="https://www.barrons.com/articles/robinhood-filing-shows-enormous-growth-in-controversial-revenue-source-51620065477"target="_blank" rel="noopener">https://www.barrons.com/articles/robinhood-filing-shows-enormous-growth-in-controversial-revenue-source-51620065477</a>)</li>
<li>Insider: SPACs are the ‘Scummiest’ Thing on Wall Street | Arvid Ali Clip (<a href="https://www.youtube.com/watch?v=lmrtWKYMz9E"target="_blank" rel="noopener">https://www.youtube.com/watch?v=lmrtWKYMz9E</a>)</li>
<li>&ldquo;This Is Unsustainable&rdquo;: 2021 SPAC Issuance Will Surpass Entire 2020 Total Before End Of March (<a href="https://www.zerohedge.com/markets/unsustainable-2021-spac-issuance-will-surpass-entire-2020-total-end-march"target="_blank" rel="noopener">https://www.zerohedge.com/markets/unsustainable-2021-spac-issuance-will-surpass-entire-2020-total-end-march</a>)</li>
<li>SEC Drops Accounting Bomb, Blows Up SPAC Boom (<a href="https://www.zerohedge.com/markets/sec-drops-accounting-bomb-blow-spac-boom"target="_blank" rel="noopener">https://www.zerohedge.com/markets/sec-drops-accounting-bomb-blow-spac-boom</a>)</li>
<li>Melvin Capital, hedge fund targeted by Reddit board, closes out of GameStop short position (<a href="https://www.cnbc.com/2021/01/27/hedge-fund-targeted-by-reddit-board-melvin-capital-closed-out-of-gamestop-short-position-tuesday.html"target="_blank" rel="noopener">https://www.cnbc.com/2021/01/27/hedge-fund-targeted-by-reddit-board-melvin-capital-closed-out-of-gamestop-short-position-tuesday.html</a>)</li>
<li>This Hedge Fund Made $700 Million on GameStop (<a href="https://www.wsj.com/articles/this-hedge-fund-made-700-million-on-gamestop-11612390687"target="_blank" rel="noopener">https://www.wsj.com/articles/this-hedge-fund-made-700-million-on-gamestop-11612390687</a>)</li>
<li>Are We in a SPAC Investment Bubble Now? (<a href="https://www.thestreet.com/investing/is-the-spac-bubble-about-to-burst"target="_blank" rel="noopener">https://www.thestreet.com/investing/is-the-spac-bubble-about-to-burst</a>)</li>
<li>Hey Fed, Explain Again How Making Billionaires Richer Creates Jobs (<a href="https://www.zerohedge.com/economics/hey-fed-explain-again-how-making-billionaires-richer-creates-jobs"target="_blank" rel="noopener">https://www.zerohedge.com/economics/hey-fed-explain-again-how-making-billionaires-richer-creates-jobs</a>)</li>
<li>Hyperinflation Can Happen Much Faster Than You Think (<a href="https://www.zerohedge.com/markets/hyperinflation-can-happen-much-faster-you-think"target="_blank" rel="noopener">https://www.zerohedge.com/markets/hyperinflation-can-happen-much-faster-you-think</a>)</li>
<li>&ldquo;This Is Not Transitory&rdquo;: Hyperinflation Fears Are Soaring Across America (<a href="https://www.zerohedge.com/markets/not-transitory-inflation-fears-are-soaring-across-america"target="_blank" rel="noopener">https://www.zerohedge.com/markets/not-transitory-inflation-fears-are-soaring-across-america</a>)</li>
<li>Commodities Are Soaring 25%: That&rsquo;s Consistent With Headline Inflation Of Almost 4% (<a href="https://www.zerohedge.com/markets/commodities-are-soaring-25-thats-consistent-headline-inflation-almost-4"target="_blank" rel="noopener">https://www.zerohedge.com/markets/commodities-are-soaring-25-thats-consistent-headline-inflation-almost-4</a>)</li>
<li>Inflation speeds up in April as consumer prices leap 4.2%, fastest since 2008 (<a href="https://www.cnbc.com/2021/05/12/consumer-price-index-april-2021.html"target="_blank" rel="noopener">https://www.cnbc.com/2021/05/12/consumer-price-index-april-2021.html</a>)</li>
<li>SEC Investigating SoftBank After NASDAQ Gamma Squeeze, FOIA Reveals (<a href="https://www.zerohedge.com/markets/sec-investigating-softbank-triggered-nasdaq-gamma-squeeze-foia-reveals"target="_blank" rel="noopener">https://www.zerohedge.com/markets/sec-investigating-softbank-triggered-nasdaq-gamma-squeeze-foia-reveals</a>)</li>
</ul>
<h2>SCRIPT<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="script"></span>
    <a href="#script" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Olá pessoal, Fabio Akita</p>
<p>Vou dar uma pausa na saga de HDs e filesystems pra fazer um video não-técnico desta vez. Apesar de tudo, temos motivos pra comemorar, este é oficialmente o centésimo video do canal!! Daqui 1 mês o canal vai completar 3 anos. Quando lancei meu primeiro video em agosto de 2018 eu sabia que ia levar alguns anos, talvez com quase nenhuma view, até o canal ganhar alguma audiência.</p>
<p>Hoje quero atualizar os videos falando de economia que eu fiz em março e abril do ano passado, pouco mais de um ano atrás, mais especificamente sobre nosso nicho de mercado de tech. Foram videos onde eu comecei falando o que achava que podia acontecer com o estopim da pandemia. Já vou dizendo que tirando poucos pontos que errei, no geral tá caminhando como falei.</p>
<p>Como esse tipo de assunto sempre pode gerar desentendimento é bom deixar um disclaimer aqui: eu não sou economista, absolutamente nada do que disser aqui ou o que falei nos outros vídeos é recomendação financeira nem nada. São só minhas opiniões, e eu sempre falo que opinião é que nem bunda, todo mundo tem um. Então ouça tudo com quantidades saudáveis de cloreto de sódio e não esqueça do chapéu de papel alumínio. Avisos dados, vamos lá!</p>
<p>(&hellip;)</p>
<p>Vou evitar falar a palavra certa de coronga ou mostrar escrito porque no video que eu fiz em março o YouTube me desmonetizou e o Instagram não deixava nem mostrar a thumb porque detectava a palavra. Vamos ver se falando só &ldquo;coronga&rdquo; passa. De qualquer forma esse deve ser o último video que vou mencionar desse assunto.</p>
<p>Uma coisa que não contei nos outros videos foi como eu vi a chegada da pandemia. Em 9 de março de 2020 eu e meu sócio Rodrigo fomos fazer nossa viagem anual pros Estados Unidos pra visitar clientes. A gente pousa em Los Angeles, faz reuniões, no mesmo dia já pega um vôo doméstico pra São Francisco e vai fazendo isso de costa a costa até acabar em Miami pra finalmente voltar pra casa.</p>
<p>Ano passado a gente ia ficar alguns dias a mais pra ir num evento no Texas, a South by Southwest, que eu sempre tive curiosidade de ir. Mas logo que chegamos, todo lugar ficamos ouvindo sobre essa nova pandemia que tava se alastrando rápido. Parecia que à medida que íamos da costa oeste em direção ao meio do país, a pandemia tava vindo atrás.</p>
<p>O evento acabou sendo cancelado em cima da hora. Chegamos em Austin, no Texas e ainda faltavam mais cidades pra ir na semana seguinte. Mas quando vimos que os Estados Unidos tavam proibindo vôos vindos de Londres, as chances de começar a proibir vôos de outros lugares podia ser iminente. Meu sócio mandou bem em tomar a decisão de cancelar tudo, ir direto pra Miami e pegar o vôo de volta pro Brasil.</p>
<p>Dia 12 de março eu acho que declararam que iam fechar os vôos indo e vindo do Brasil. Eu disse que meu sócio mandou bem porque se tivesse atrasado mais um dia, a gente não ia conseguir o vôo de volta. Acho que saímos de Miami, no dia 13 de março, no penúltimo vôo de volta pro Brasil. Foi tipo nos 45 do segundo tempo mesmo.</p>
<p>Nesse mesmo dia, do aeroporto, mandei email pra todos os colaboradores da empresa declarando o home office imediato a partir de segunda, dia 16. Eu acho que no Brasil só declararam quarentena, mandando fechar tudo, uma semana depois, lá pro dia 23. Felizmente meu ramo de negócio já era com todo mundo espalhado em várias cidades do país trabalhando remoto pra clientes, ou pra São Paulo ou pros Estados Unidos, então o impacto foi mínimo.</p>
<p>Uma semana depois que voltamos foi quando publiquei o primeiro video falando dos efeitos da pandemia na economia. Uma coisa que eu errei foi ao falar sobre cloroquina por exemplo. Antes de alguém falar que eu segui o Bozo, não foi. Eu já tava lendo sobre isso durante a viagem, artigos dos Estados Unidos, lá pelo dia 10. Muito antes de começarem a falar sobre isso por aqui.</p>
<p>Como disse naquele video, eu não sou médico, muito menos infectologista, e mesmo dentro dos vários que são, até hoje ainda não existe consenso de tudo. Depende de quem você acompanha. A mesma coisa vale pros efeitos nos mercados. Economia não é uma fórmula que funciona perfeitamente porque tem centenas de variáveis e muitos deles são não-lineares. Política então, nem quero discutir.</p>
<p>Um dos efeitos imediatos que eu falei no video do ano passado foi que minha carteira de investimentos desvalorizou por volta de meio milhão de reais. Num período de meros vinte e um dias entre 19 de fevereiro de 2020 até 23 de março onde tivemos sequências de quedas que somaram 45% de crash. Foi crash nível das piores crises. E foi sistêmico, não foi só em empresas de tech, por exemplo, foi o mercado inteiro.</p>
<p>Mesmo assim, o mercado financeiro recuperou muito rápido. Aqui no Brasil levou 184 dias pra Ibovespa voltar pro mesmo patamar de antes do crash, por volta do começo de dezembro de 2020 já. E isso foi a Ibovespa. Já a NASDAQ, que representa empresas de tech nos Estados Unidos, recuperou muito mais rápido. Em 26 de maio, só 1 mês e meio depois, já tinha voltado pro mesmo nível.</p>
<p>E como se isso já não fosse impressionante, do dia 28 de março do ano passado, até fim de maio deste ano, só uns 250 dias, o mercado de tech ainda subiu quase 50%. Ou seja, nós investidores não só recuperamos as perdas daquele crash, mas nossos ativos valorizaram absurdamente nesse período.</p>
<p>Sem entender nada de finanças, qualquer um deveria pensar que isso é estranho. Você pensaria, &ldquo;claro, todo mundo ficando em casa, aumentou o número de assinantes na Netflix, por isso valorizou. Com lojas de rua e shopping centers fechados, todo mundo tá comprando muito mais online na Amazon, Mercado Livre, então lógico que ecommerces valorizaram.&rdquo;</p>
<p>&ldquo;Com restaurantes fechados todo mundo tá pedindo delivery de comida nos iFood e Uber Eats da vida. Com escolas e faculdades fechadas, plataformas de edtech valorizaram então todo curso online como um Skillshare da vida deve ter subido. E finalmente, com todo mundo gastando mais online, toda fintech valorizou junto&rdquo;.</p>
<p>Isso de fato explica uma parte, mas não é a maior parte. A essa altura, todo mundo que poderia assinar uma Disney+ já assinou. Toda mundo que precisa comer já tá num iFood. Depois de poucos meses, essa demanda já foi toda atendida. Não vai crescer exponencialmente num curto espaço de tempo, mas mesmo assim todas essas ações continuam subindo bastante.</p>
<p>Além do mais tem outro fator, os níveis de desemprego chegaram a números que não se via em décadas e muita gente continua desempregada. Fábricas inteiras precisaram parar por bastante tempo. Comércio no geral ainda tá longe de voltar ao normal. E mesmo assim, ações continuam subindo.</p>
<p>Tem uma história que ajuda a ilustrar essa contradição. A partir do meio de janeiro deste ano, mais ou menos, as ações da Gamestop nos Estados Unidos subiram nada menos que 1370 porcento! Num período de só 10 dias! Se você não entende porcentagem, isso significa o valor da ação se multiplicar por 15, indo de 23 até 347 dólares.</p>
<p>Gamestop é uma reconhecida cadeia de lojas de videogames e acessórios que em algum momento já foi tipo a Blockbuster nos anos 90, mas justamente por causa de compras online, também má administração, ela vinha definhando e morrendo aos poucos. Claro, ainda vai levar alguns anos pra realmente morrer se não fizer nada. Mas ainda tem bastante coisa que ela pode fazer.</p>
<p>Hedge funds vinham apostando contra ela faz algum tempo. E a forma de apostar contra uma empresa de capital aberto é fazendo short. - Akita do futuro editando, vou reexplicar este trecho porque não tinha ficado claro - Bem a grosso modo funciona assim. Você como o fundo vende uma opção de compra no mercado. Opções são baratas e você não precisa ter a ação da empresa. Quando a opção vencer e o preço estiver baixo, o fundo pode comprar barato no mercado e cumprir a promessa de venda ao preço mais alto e ele ganha. Mas como os preços subiram astronomicamente num espaço curto, ele agora fica obrigado a comprar caro no mercado e vender barato como tinha prometido na opção.</p>
<p>O caso da Gamestop foi assim: um grupo de investidores de varejo, e eu chamo de varejo porque não são instituições ou fundos e sim pessoas físicas como eu e você, entraram no Reddit e criaram um grupo chamado wallstreetbets. Eles resolveram apostar juntar a cauda longa de pequenos investidores que, sozinhos, não tem como influenciar o mercado, mas juntos poderiam coordenar e atacar uma única estratégia de uma só vez, talvez desse alguma coisa.</p>
<p>Impressionantemente deu certo! Num espaço curtíssimo de tempo eles apostaram a favor da Gamestop, bem quando os shorts de um determinado fundo iam vencer, daí o fundo que tava apostando contra foi obrigado a cobrir caro. É isso que se chama de short squeeze, que é literalmente apertar os shorts. O grupo do Reddit começou a comprar sistematicamente, fazendo os preços irem de 23 dólares até os absurdos 347 dólares.</p>
<p>Digamos que o preço subiu de 23 pra 50 logo de cara. Ninguém tava esperando isso. Quem tava shorteando, e alavancado, agora vai tomar chamada de margem da corretora. Muita gente não vai ter como cobrir e vai ficar endividado com a corretora. É o momento que quebra as pernas de todo mundo que entrou ambicioso demais e apostou o que não podia. Até um grande fundo pode ser pego desprevenido e tomar chamadas de margem milionárias.</p>
<p>O fundo em questão que sofreu o ataque foi a Melvin Capital. Tentaram consertar isso por baixo dos panos, mas era tarde demais, o prejuízo foi de nada menos que 3 bilhões de dólares. O grupo do Reddit começou bem antes na real, mas começou devagar, quando o preço tava mais baixo a uns 4 dólares lá por agosto, e levou uns seis meses pra ir de 4 até os 23 dólares, mas quando bateu 23 aí foi de uma vez só pra cima. Eles não esperavam que uma ação defunta dessas pudesse movimentar tão drástico assim.</p>
<p>Esse caso ficou super famoso em Janeiro porque pareceu mais uma história de Davi e Golias, o povo quebrando as pernas de Wall Street e toda essa baboseira. Foi divertido de acompanhar. Apesar da estratégia de short squeeze fazer sentido, não é novidade e acho que se uma empresa fizer algo assim é até ilegal. A gigante Softbank, famosinha por investir em tudo que é startup, é uma das que joga sujo no mercado. Vide o escândalo da WeWork que é só um exemplo.</p>
<p>Lembra que eu falei que a NASDAQ se recuperou super rápido logo depois de março? Parece que a Softbank deu uma mãozinha. Ela deveria ser um fundo de investimento em startups mas depois de prejuízos astronômicos como com a WeWork, começou a manipular o mercado financeiro pra cobrir um pouco desse prejuízo. Em resumo foi assim, tendo participação em dezenas de empresas, através delas ele distribuiu a compra de calls, opções de compra na ordem de 4 bilhões. 4 bilhões em calls comprados de forma indireta. Já entendeu né?</p>
<p>A Softbank pode ter causado uma gamma squeeze. Parecido com o que o grupo wallstreetbets fez contra a Melvin Capital. Pensa assim, você comprou a opção de compra de alguém. Agora esse alguém te vendeu porque acha que a ação vai cair. Mas digamos que começa a subir. Quem te vendeu precisa se proteger caso suba demais e uma das formas de fazer isso é comprar a própria ação antes que ela suba demais, pra minimizar o prejuízo. Então muita opção de compra pode incentivar mais gente a comprar mais ação que, por sua vez, aumenta o preço. Por sua vez isso faz aparecer mais opções de compra e um vai puxando o outro rápido pra cima. Em grande volume isso é um gamma squeeze.</p>
<p>Todo mundo sabia que uma ou mais baleias, que é como chamamos algum investidor milionário fazendo operações em grande volume pra influenciar preços começou a comprar calls em empresas de tech como se não houvesse amanhã. Mas ninguém sabia quem tava por trás. Em setembro seguiram o rastro do dinheiro e descobriram que a baleia da Nasdaq tinha grandes chances de ser a Softbank.</p>
<p>Eu acho que ela tava ou ainda tá sendo investigada pela SEC porque isso seria manipulação do mercado. Ela supostamente manipulou via volumes obcenos de opções de compra usando o nome de outras empresas como fachada, causando esse gamma squeeze e a impressão que empresas de tech se recuperaram muito rápido. E o problema de gamma squeezes é que elas podem crashear o preço da ação do nada. Eu falava isso anos atrás e continuo falando: suspeito de tudo que a Softbank bota as mãos. E não são só eles, vamos continuar.</p>
<p>Aqui eu tô chutando mas talvez seja isso que tenha feito a Nasdaq cair e acumular uma queda de 12%, que é mais que uma correção, no começo de setembro do ano passado. Isso fez a Nasdaq ficar volátil andando de lado e com tendência de queda até o fim de dezembro, quando começou a onda de otimismo com o novo presidente dos Estados Unidos, o Biden, e a promessa de novos estímulos à economia.</p>
<p>Mas tem outra pergunta importante, porque agora? De onde veio tanto dinheiro que o povo do Reddit usou pra fazer essas apostas? Não sei se você teve a sensação que parece que tem muito mais gente fazendo investimentos hoje. Pessoas física mesmo. Até aqui no Brasil aumentou. De repente você vê muito mais youtuber falando de investimentos, mais cursos de investimento aparecendo, mais fintechs de investimento. Eu não acho que é coincidência. E antes de sair metralhando nos comentários, a partir daqui considere tudo uma especulação da minha parte.</p>
<p>Vou falar mais dos Estados Unidos porque é onde os números são mais interessantes, mas entenda. Por causa das quarentenas os governos do mundo começaram a aprovar pacotes de ajuda e estímulos. Um monte de gente ficou sem emprego do dia pra noite. Seria um caos. Então fazia sentido distribuir dinheiro direto pras pessoas pra elas não irem pra baixo da ponte nem morrer de fome, o que só aumentaria o problema da pandemia em si.</p>
<p>Pra ter uma noção da quantidade de dinheiro, basta dizer que metade dos dólares em circulação na economia foi impressa no período de 1 ano. Consegue entender essa ordem de grandeza? Cada uma nota de 1 dólar ganhou um copy e paste automático. É de onde você vê aquele meme de gif animado do presidente do FED, o banco central americano, Jerome Powell, imprimindo dinheiro brrrrrrr.</p>
<p>Eu disse no video de março que o primeiro grande efeito da pandemia é que gerou uma crise de falta de dólares no mundo. O dólar ficou instantaneamente mais caro. Mas aí o FED interviu e começou a imprimir dólares. Até hoje acho que já foi impresso mais de 5 trilhões de dólares. Dinheiro que apareceu do nada indo direto pra mão das pessoas. Se você acredita em pseudo-teorias como a MMT ou UBIs, esse foi o maior programa global de redistribuição de dinheiro da história.</p>
<p>Isso foi pras mãos de quem realmente precisava mas também foi pras mãos de quem não precisava tanto assim, que tinha alguma poupança ou possibilidade de continuar trabalhando. Mas ao contrário do que se poderia imaginar, isso não gerou inflação, porque tava todo mundo trancado em casa, com medo, e não aumentou a demanda de compra de produtos e serviços na mesma proporção.</p>
<p>Então, por alguns meses, parecia o País das Maravilhas. Poder imprimir dinheiro em alto volume sem inflação como efeito colateral: o sonho de todo político populista que quer ser posar de salvador da pátria. Apesar de não ter tido inflação significativa nos consumíveis durante o ano de 2020, a gente que investe viu a inflação aparecer imediatamente num mercado específico: o financeiro. Claro que a fórmula não é bonitinha assim, e eu estou só extrapolando. Mas vamos especular um pouco.</p>
<p>Milhões de pessoas que receberam os cheques de estímulo resolveram tentar multiplicar esse dinheiro extra. Muita gente associou com criptomoedas. Depois de mais de 2 anos num bear market, em queda, um Bitcoin não passava de 10 mil dólares e normalmenta tava abaixo. Em março, igual todo mundo ele caiu mais ainda, pra faixa dos 4 mil dólares e em poucos meses não só superou o pico histórico de 20 mil, como foi direto pra sessenta e cinco mil dólares! Mesmo com a recente queda de mais de 40%, ainda assim ele tá o dobro acima do pico histórico do ciclo anterior do final de 2017. Mas Bitcoin não foi o único e nem o maior destino do dinheiro dos cheques.</p>
<p>Veja a plataforma de corretagem Robinhood dos Estados Unidos, que foi feita pra atrair investidores de varejo com sua estratégia de não cobrar taxas de corretagem e em vez disso ganhar dinheiro com market makers vendendo order flows. De qualquer maneira a idéia do Robinhood é ser um app pra tornar negociar na bolsa de valores algo tão simples quanto chamar um Uber ou jogar Candy Crush.</p>
<p>E deu certo, pra uma plataforma que não cobra taxas dos usuários, a receita deles cresceu nada menos que 514%. Desde que foi fundada em 2014, levou 2 anos pra atingir a marca de 1 milhão de usuários. Só nos primeiros meses de 2020 mais de 3 milhões de novos usuários entraram na plataforma e ela já tem mais de 13 milhões no total. É um monte de gente injetando dinheiro no sistema financeiro.</p>
<p>O que acontece quando a oferta de um produto não muda tanto, o estoque, mas a demanda aumenta drasticamente? Lembra o episódios da falta de papel higiênico? Pois é, uma Apple ou Facebook continuam tendo o mesmo estoque de ações, não lançaram nenhum produto revolucionário nem nada. Mas o número de compradores aumentou drasticamente. Então todas as ações e produtos financeiros também aumentaram na mesma proporção.</p>
<p>É assim que você consegue ter empresas bizarras e cheias de promessas e com pouca entrega como umas Teslas e Nikolas da vida sendo super valorizadas. Mesmo a Gamestop, que todo mundo sabe que foi esse jogo entre grupos de Reddit e wallstreet, ainda tá com preço alto. Lembra que eu falei que tava de 4 a 23 dólares no fim de 2019 e foi até 347 em poucos dias? O preço continua alto ainda hoje, na faixa de 240 dólares, que ainda é mais de 10 vezes o que deveria ser.</p>
<p>É um fato: o mercado financeiro está em hiper-inflação faz meses. Ele já estava em inflação desde a &ldquo;resolução&rdquo; da crise de 2008, quando o banco central americano foi ao resgate pra evitar quebradeira dos bancos e começou o tal Quantitative Easing, que é o nome bonitinho pra imprimir dinheiro.</p>
<p>Eu expliquei isso nos outros videos, mas em resumo bancos centrais conseguem criar dinheiro quando quiser. O balance sheet deles é uma planilha Excel. Basta colocar um zero a mais. Na real o termo correto é aumentar a dívida. Todo banco central pode fazer isso. E você poderia se perguntar, porque a gente precisa pagar imposto então? Basta imprimir dinheiro infinitamente. Só que todo mundo sabe que se fizesse isso sem controle viria inflação na mesma proporção.</p>
<p>Só os Estados Unidos conseguem fazer isso porque o dólar ainda é a moeda de reserva do mundo, desde a história de Bretton Woods que eu contei. Todos os países do mundo estão endividados em dólar, então sempre existe demanda por mais dólar.</p>
<p>Mas nem isso significa que eles são imunes a inflação. O motivo de porque eu não acredito em pseudo-teorias como UBI ou Universal Base Income ou qualquer bullshit de Nova Teoria Monetária é exatamente por isso: qualquer valor de base que você cria - como os cheques de estímulo - no longo prazo se tornam o novo zero.</p>
<p>Vamos ver no curto prazo o que já aconteceu. E de novo, estou simplificando grosseiramente só pra explicar o conceito, lógico que tem bem mais nuance que isso. Mas vamos lá: março de 2020, quarentena entra em vigor, tudo fecha e passamos a ter índices recordes de desemprego. Governos começam a imprimir dinheiro e distribuir pra população. Nos Estados Unidos estamos falando de cheques de mil de quatrocentos dólares por pessoa. Meses depois, em alguns lugares, a situação vai melhorando. Inúmeros fatores, vacinas agora, sei lá. Várias empresas que sobreviveram agora tentam recontratar e obviamente estão com dificuldade.</p>
<p>Porque empregos mais de base, que não exigem preparação acadêmica nem nada disso, garçons, operários, chão de fábrica e coisas assim agora não vão trabalhar por menos do que o cheque que recebem. Ótimo, você pode pensar, agora esses empresários ambiciosos vão se ferrar e vão ter que pagar mais. O povo sai ganhando, não?</p>
<p>Nope, o preço dos produtos e serviços que eles produzem é que vai aumentar. Some a isso outro problema. Do nada todo mundo parou de produzir ou diminuiu drasticamente nas quarentenas. A gente de tech tá vendo isso no preço de componentes eletrônicos. Se você é gamer tá vendo que não tem como comprar placas gráficas. Lembram que eu comprei minha RTX 3080 dezembro do ano passado? Eu paguei super caro, uns 7 mil reais. Pois é, se você for no Mercado Livre em menos de 6 meses o preço subiu pra 21 mil reais, 3 vezes mais.</p>
<p>A culpa é desses mineradores de criptomoedas. Não é só isso. À medida que a economia vai abrindo rápido em algumas partes do mundo, a produção tá tentando aumentar. Os estoques já acabaram então precisa produzir rápido pra cobrir a demanda. Se toda fábrica do mundo aumenta a produção de uma só vez, vai faltar matéria prima pra todo mundo. Chips em particular a gente já sentiu. Fábricas fechadas por muito tempo e agora reabrindo ao mesmo tempo, falta de matéria prima e falta de mão de obra é que foram os fatores pra faltar vários tipos de produtos, incluindo placas gráficas.</p>
<p>Além de alta demanda, por vários fatores, como seca em partes do Brasil, estamos com falta de muitos tipos de commodities. De novo, falta de oferta, aumento rápido na demanda, significa que os preços sobem. O preço da madeira subiu 280 porcento. Lembra que fora do Brasil muito da energia vem de termoelétrica. Preço do cobre subiu mais de 100%. O milho subiu 80%, isso nos Estados Unidos, mas todo commodity tá super caro.</p>
<p>Por mão de obra mais cara, matéria prima mais cara, e demanda de compra aumentando com as reaberturas, dinheiro de estímulo sobrando, isso tá fazendo os preços de tudo subir. Recentemente empresas gigantes que fabricam quase tudo que a gente compra, de refrigente a pasta de dente, como Proctor &amp; Gamble, Kimberly-Clark, Coca Cola, todo mundo já anunciou que vai ter que subir os preços de todos os produtos.</p>
<p>Não é só a placa gráfica de gamer que tá cara, tudo já tá ou vai ficar mais caro. Nos Estados Unidos que inflação era na casa dos 2% já tá o dobro, acima de 4%. E isso porque o índice de preços ao consumidor deles, a CPI, faz alguns anos que não coloca na conta o preço de housing, preço de moradia, que já subiu bastante também.</p>
<p>Além de imprimir muito dinheiro, outra estratégia foi manter os juros base, o equivalente nossa da SELIC, em níveis baixos, pra facilitar acesso ao crédito. E as taxas de juros já estavam nos níveis mais baixos da história, perto de zero. Isso gera efeitos como mais financiamentos de coisas como casas. Com desaceleração de obras, oferta limitada de imóveis e mais compradores com acesso a mais crédito barato, significa que o preço de imóveis aumenta também.</p>
<p>Quando muita gente pensa &ldquo;ah, alguns anos atrás o brasileiro era mais rico&rdquo;, não significa que a gente tinha mais dinheiro no bolso. Significa que os juros eram mantidos baixo, isso faz o crédito parecer mais barato. Então o que tinha era mais facilidade das pessoas se endividarem. Todo mundo parece mais rico gastando dinheiro que não tem. Se você sobe a taxa básica de juros, os juros de todos os financiamentos crescem junto.</p>
<p>Uma das formas de desacelerar inflação causada por aumento na demanda de compra é aumentar a taxa de juros, porque aí a população pensa duas vezes antes de pegar um empréstimo no banco. Mas lembra como falei que o lance de imprimir dinheiro dos bancos centrais é criar dívida no balance sheet deles também? Quanto mais dívida mais difícil fica aumentar os juros, porque os juros aumentam pra todo mundo, incluindo pro governo.</p>
<p>E só o governo americano imprimiu mais de 5 trilhões de dólares de dívida. Eles nunca acumularam tanta dívida assim desde a Segunda fucking Guerra Mundial. Pensa: eles tão com mais dívida em um ano do que durante a Guerra. Então quando a hiper-inflação chegar, vai ter mais dificuldade de controlar.</p>
<p>A definição de hiper-inflação varia mas uma que li que pode servir de referência é quando os preços sobem 50% ou mais num único mês. E isso tende a acelerar rápido, então 50% num mês rápido vira 100% no outro, 1000 porcento e aí vira a porcaria da Venezuela rapidinho, ou o Brasil nos anos 80. E todo mundo corretamente morria de medo porque uma vez que você entra nessa espiral, pra sair é super difícil. O problema é que parece que todo mundo perdeu o medo.</p>
<p>Isso nos trás pro próximo assunto que chama a atenção. Se você for de tech em grandes centros urbanos já viu que a demanda por programadores aumentou bastante. Eu posso dizer isso pessoalmente porque eu nunca tive que lidar com tanta demanda por programadores em 10 anos. Nem no pico do mercado de startups aqui no Brasil que foi entre 2010 a 2015 mais ou menos.</p>
<p>Se você não tá vendo isso, talvez tenha visto como apareceu notícias de tantas startups de tech, fintechs, edtechs, e tudo mais, recebendo um tanto de investimentos novos. E isso se traduz em todos eles contratando muito mais. Isso deveria ser uma excelente notícia. Mas se você acompanha meu canal já deve imaginar onde quero chegar.</p>
<p>Porque aumentaram esses novos investimentos em tech? Tem motivos legítimos. Por todos os motivos que falei no começo, de fato, aumentou a demanda por mais serviços digitais. Finalmente o mundo se viu obrigado a levar home office a sério e a atender gente presa em casa. Só serviços digitais conseguem escalar pra atender demanda massiva assim.</p>
<p>Por outro lado, surgiu a oportunidade pra ganhar dinheiro rápido. A grosso modo o objetivo de se abrir uma empresa é produzir algo útil, que tenha demanda. Isso gera receita que, com uma boa administração, vai eventualmente gerar lucros, que é o que permite ir continuamente melhorando os produtos e serviços.</p>
<p>A necessidade de aumentar produtividade e qualidade é porque se esse mercado é bom, a demanda aumenta e com isso novos concorrentes vão aparecendo e forçando as outras empresas a continuamente melhorar pra oferecer melhores produtos a melhores preços. Essa é a dinâmica normal.</p>
<p>O problema é quando governos interferem. E em 2020 você nunca viu uma interferência tão grande na história, de todos os governos do mundo combinados. Eles injetaram uma quantidade de dinheiro sem igual na economia. Nesse ponto você esquece qualquer lei econômica, agora é a hora de &ldquo;dog eat dog&rdquo;, da cobra comer a própria cauda.</p>
<p>O que mais tem no mercado hoje é empreendedor de fundo de quintal, a grande maioria vai fracassar, e deveria mesmo porque não tem nada a oferecer que gere valor. Não tem como em poucos parágrafos explicar o mercado inteiro, mas vamos pegar os conceitos principais que eu entendo.</p>
<p>Pense primeiro numa tech startup. Uma das coisas que não deveria ser &ldquo;o&rdquo; objetivo e sim uma consequência é atrair investidores, particularmente venture capital. Venture Capital é um nome bonito pra administradores de dinheiro dos outros. Em qualquer mercado que deu minimamente certo, você vai ter muitos milionários, bilionários e não só isso, fundos de investimento que administram dinheiro dos outros. Por exemplo fundos de pensão, que é responsável por administrar dinheiro de aposentadoria dos outros.</p>
<p>Sem interferências, é normal ter investimentos de risco como investir em startups que ainda não se provaram. E você tem investimentos de hedge ou proteção, que costumam ser estáveis a longo prazo. Se você é administrador da aposentadoria dos outros, por exemplo, não vai sair comprando ações da Tesla em atacado, porque a chance de implodir é enorme, numa hora que o Musk tiver fumado e falar merda no Twitter.</p>
<p>Mas se você deixar o dinheiro na poupança, ou não vai crescer nada, ou pior, vai perder, seja pra inflação, seja pra taxas bancárias. Dinheiro parado no banco, embaixo do colchão, sempre vai desvalorizar. Nosso papel moeda não tem lastro em nada, banco central pode sair imprimindo como tá fazendo agora, e o valor do seu dinheiro vai pro ralo. O que você acha que significa 1 dólar valer 4 reais em 2019 e ir pra quase 6 reais em 2020? Significa que o real desvalorizou 50% em relação ao dólar. E só não foi mais porque o próprio dólar desvalorizou, mas moedas bosta como a nossa desvalorizam mais rápido. Ninguém no mundo quer reais. Venezuelano, argentino, talvez queiram. Mas você entendeu.</p>
<p>Enfim, você quer se proteger, fazer hedge, mas não quer e nem pode brincar de cassino no mercado de ações. Então você compra coisas como papel do tesouro, que é como emprestar dinheiro pro governo e ele ir te pagando os juros. Lembram como eu falei que os juros base tão super baixos? Significa que o papel do tesouro dá pouco retorno ou praticamente nenhum. Daí você voltou pra estaca zero.</p>
<p>Se a grosso modo, pra controlar inflação, um governo pode subir a taxa básica de juros, pra &ldquo;estimular&rdquo; entre aspas, ela baixa os juros. Isso faz mais dinheiro circular na economia, porque facilita o crédito. Por sua vez isso aumenta o investimento em empresas que, finalmente, aumenta oferta de empregos. E tudo dá volta porque mais empregos que pagam melhor significa mais gente consumindo e é isso que significa &ldquo;girar a economia&rdquo;. Mas diminuir a taxa de juros diminui o valor dos papeis do tesouro - que são investimentos considerados estáveis - e move esse dinheiro pro mercado de risco, em busca de mais retorno.</p>
<p>E dentro do mercado de risco existem níveis de risco. Pra você se arriscar pouco, pode comprar ações de empresas tradicionalmente consideradas responsáveis, que ao longo de décadas teve poucos deslizes. Siderúrgicas ou empresas de energia por exemplo. Elas tem problemas quando acontecem desastres naturais, sei lá um petroleiro afunda. Mesmo a porcaria nossa da Petrobrás, com o tanto de palhaçada que todos os governos fazem com ela, continua sendo um dos menos arriscados no nosso mercado. Ou se você gosta de tech, vai comprar coisas como IBM e não Facebook.</p>
<p>Mas no outro extremo do mercado de risco existe o de altíssimo risco, os que fazem investimento early stage, na fase embrionária de uma empresa, onde ela demonstra ter potencial mas ainda não demonstrou resultados. A desculpa é a história da Amazon, que passou quase 1 década sem dar lucro e se tornou o gigante de hoje porque dentre outras coisas, investiu milhões em logística e tecnologia pra ter uma eficiência que nenhum outro consegue ter. Literalmente criando o próprio sistema de entregas que é mais eficiente do que opções tradicionais como DHL ou UPS.</p>
<p>No Brasil aconteceu a mesma coisa com os Mercado Livre ou Magazine Luiza da vida. Praticamente criaram um mini-Correios que é mil vezes melhor que a droga dos Correios. Todo grande ecommerce precisa ter controle do sistema de entregas. Enfim, a Amazon meio que deu esse exemplo de investir tudo, não ter lucro, e superar todos os concorrentes pelo caminho. Independente se você gosta do modelo ou não, os números são impressionatnes.</p>
<p>Um venture capitalist é um gerente de banco glorificado. Ele chega em fundos de investimento, family offices, junta milionários que querem investir o dinheiro mas não querem ter que passar seus dias avaliando cada startup porcaria que aparece. O venture capitalist recebe uma comissão, um dinheirão por sinal, por ano, pra administrar isso. Entenda que um VC vai ganhar dinheiro independente se o investimento que ele fizer der certo ou não. Lógico que quando dá certo ele ganha mais.</p>
<p>Então seu objetivo é achar uma dúzia de startups que tenham algum potencial e injetar dinheiro pra pagar coisas caras como marketing, comercial de TV, tudo que um empreendedor sozinho, sem receita, não teria como. Tudo isso pra atrair mais clientes e abocanhar uma fatia significativa de um mercado que eles acreditam que vão crescer.</p>
<p>Num mercado estabilizado, teria pouco disso. Mas quando tem dinheiro sobrando isso aumenta. Mas mesmo dinheiro de VC só vai até um certo ponto. O objetivo é que eles consigam dar EXIT, saída. Ou melhor, que em algum momento o dinheiro investido dê lucro. Pra isso ou ele precisa conseguir vender pra outra empresa maior a um bom preço ou uma hora precisa abrir o capital, o famoso IPO.</p>
<p>Initial Public Offering ou IPO é o sonho molhado de toda startup e VC. É o sonho de ser o próximo Google, o próximo Facebook. É quando você ganhou notoriedade o suficiente pra fazer investidor de varejo comprar ações caras acreditando que vão multiplicar de valor porque a empresa demonstrou que quanto mais dinheiro você põe nela, mais cresce. Como uma Amazon ou Netflix.</p>
<p>Entenda que quando você compra ações, seja depois, seja durante um IPO, você tá pagando caro por ela. Quem pagou barato foi o investidor inicial, os VCs. E isso faz sentido. Num mercado normal, eles de fato tomaram o risco maior que ninguém mais queria tomar, então é justo que quando dá certo recebam um premium por isso. Se você acha o valor que eles ganham muito ou pouco não importa, porque você não teria investido nesse negócio quando ninguém mais acreditava nele.</p>
<p>Mas não estamos num mercado normal. Estamos com excesso de liquidez e excesso de investidores de primeira viagem. Pra um VC conseguir transformar uma startup amadora num IPO é um longo caminho de muitos anos. Empresas que você acha que são perfeitas como Uber ou Airbnb da vida levaram quase 1 década pra conseguir abrir suas ações ao público.</p>
<p>As bolsas pelo mundo funcionam com diversas regras e leis muito duras. Depois de tanta crise financeira que tivemos na história, uma CVM no Brasil ou SEC nos Estados Unidos realmente tem o dever de evitar que empresas fraudulentas apareçam na bolsa com o objetivo de roubar dinheiro dos investidores, então o processo pra abrir um IPO costuma ser demorado mesmo, e bem caro.</p>
<p>Eu vou tirar a próxima explicação de outro video que vou deixar linkado abaixo pra você assistir inteiro, do canal do Jake Tran entrevistando Arvid Ali. Não importa tanto quem eles são, mas só que a informação não tá errada. Aliás, tangente, nunca associe a validade ou invalidade de uma informação baseado na reputação da pessoa que tá falando. Informação que depende da pessoa falando tem pouco valor.</p>
<p>Enfim, revisar uma empresa pra abrir IPO é complicado, porque ele pode ter dezenas de fornecedores, milhares de funcionários, centenas de ativos, passivos e uma contabilidade complicada e tudo precisa passar pelo escrutínio de uma SEC pra abrir IPO numa Nasdaq. Então você sabe que se o IPO aconteceu, algum mínimo de cuidado foi tomado antes de você pode entrar numa XP da vida ou Robinhood e efetivamente comprar a ação.</p>
<p>A grosso modo o que o Ali explica é: e se desse pra criar uma empresa de fachada. Alguns milionários celebridade se juntam, colocam um X de capital inicial, e abrem essa empresa pro público via IPO. Como não tem funcionários, máquinas, ativos nem nada, o processo de revisão fica muito mais simples. Só que aí vem o truque, agora essa empresa pode comprar uma outra menor, uma dessas startups podres, de origem duvidosa que não passariam pra um IPO normalmente. Mas como agora ela foi comprada por essa empresa de fachada, que é pública, essa startup se torna pública.</p>
<p>Entenderam o truque? É o que se chamaria de &ldquo;loophole&rdquo; ou brecha nas leis que permitia esse tipo de manobra. A startup sozinha jamais passaria pelo escrutínio do SEC. Mas ela sendo adquirida, automaticamente passa a fazer parete de uma empresa com capital aberto e que você poderia agora comprar ações na bolsa de valores.</p>
<p>Pra você ter uma noção, de 2013 a 2019 tinha 2, talvez 3 IPOs de SPACs. No melhor ano que foi 2019 teve 13. Em 2020 esse número foi pra 77, que é mais que todos os SPACs que teve desde 2013 somado! E em 2021 já deve mais de 50. Por isso que do fim do ano pra cá parece que o número de investimentos aumentou dramaticamente.</p>
<p>Em vez de só virar um VC e investir em startups em começo de carreira, essas SPACs abrem capital baseado na reputação dos seus fundadores, usar pra comprar essas startups e captar dinheiro de investidores incautos. Exemplo é uma AJAX I cujo time inclui nomes como Kevim Systrom, co-fundador do Instagram, Jim McKelvey, co-fundador da Square ou a Reinvent Technology Partners que tem o fundador da Zynga, Reid Hoffman, co-fundador do LinkedIn; ou a Altimeter Growth Corp que tem o Brad Gerstner que ficou famoso por ter investido no Facebook, Airbnb, Uber e Unity.</p>
<p>Eu falei que se aparece o nome Softbank em algum lugar suspeito, e se aparecer o nome de uma SPAC em algum lugar eu atravesso a rua e saio correndo. Desde a recuperação da crise de 2008 tudo só vem crescendo. E depois dessa crise eles tem a convicção que se algo der errado, papai banco central vai imprimir mais alguns bilhões e salvar todo mundo. Porque tem aquela desculpa de que se empresas X ou Y falirem vai causar disrupção em algum serviço considerado importante pelos eleitores, vai causar demissões em massa, e nenhum político gosta disso.</p>
<p>Pra ter esse nível de proteção, a melhor coisa que essas empresas podem fazer é inflar rápido, gastar como se não houvesse amanhã pra ficar grande e difícil de ignorar, mesmo sem ter nem um plano pra gerar lucro. E esse dinheiro vai vir de mim, de você, dos seus pais. Seja diretamente vendendo essas ações pra gente ou indiretamente quando o governo fizer bail neles e comprar os ativos sujos, como fez com os ativos imobiliários radioativos que eram os MBS 10 anos atrás. E como tá acontecendo agora.</p>
<p>Na década onde redes sociais se tornaram ubíquitas, nasceram celebridades instantâneas e no mundo de empreendedorismo levou nomes como os Elon Musk da vida a nível de deuses gregos que tem o toque de Midas. Se ele falou que dá dinheiro, eu compro. Só isso já foi suficiente pra inflar a corrida pelas startups e uma década de crescimento sem parar. Num mercado que tudo cresce, é fácil você ser guru, só falar que tudo cresce. Assim que aparece umas Cathie Wood da vida.</p>
<p>Daí você decide ir pro próximo nível, captar Mais dinheiro Mais fácil, daí aparece nomes como Chamath Palihapitiya que aparece falando coisas muito razoáveis, e se coloca na posição de dizer como o mundo de VCs é corrupto e como ele só ele é o salvador da pátria, impulsionando um segmento ainda mais controverso, pra dizer o mínimo, que são SPACs. Muitos consideram SPACs literalmente golpes a céu aberto. E eu não tenho muitos motivos pra discordar.</p>
<p>E agora você cria a tempestade perfeita. Uma pandemia, quarentenas e ondas massivas de pânico que abrem os cheques em branco de todos os governos, emitindo volumes massivos dinheiro. Aumentando ainda mais a inflação no mercado financeiro, que já tava inflacionado. Por isso você tem tanta nova startup recebendo investimento. Muitos querendo abrir IPO o quanto antes pra aproveitar a onda ou se vender pra algum SPAC.</p>
<p>A lei do dia é captar dinheiro da população, seja diretamente ou indiretamente convencendo instituições como fundos de pensão. E eles não tem muita opção porque a taxa básica de juros tá no zero e investimentos mais seguros como renda fixa e tesouro tão rendendo pouco ou nada. Só resta ir pro mercado de risco. Entenderam como as coisas vão fechando?</p>
<p>Eu fico sempre suspeito de empresa que aumentou sua propaganda do nada falando &ldquo;olha como nossos números são da hora&rdquo;. O marketing funciona assim: você não tem lucro, então chama &ldquo;despesa&rdquo; de &ldquo;investimento&rdquo; e vai falando assim: nossos investimento aumentaram em X milhões, aumentamos o número de funcionários pra Y milhares, nossa fatia do mercado aumentou Z porcento. Mas você não vê menção à palavra &ldquo;lucros&rdquo; ou &ldquo;quando&rdquo; pretendem dar lucro.</p>
<p>E outro sintoma fácil de ver é quando, de repente, certa empresas começam a publicar como tem roadmaps de investimento e começam a contratar a rodo. É o que eu chamo de engordar o porco antes do abate. Já que não tem lucro, já que talvez a receita não seja grande coisa, faz parecer que você é a próxima Amazon, contrata gente como se não houvesse amanhã pra parecer que é uma empresa muito melhor do que realmente é, preparando pra vender pra alguém. E agora que tem um monte de SPAC, aumentou o número de compradores.</p>
<p>E as outras grandes empresas tradicionais também querem comprar pra aumentar o valor das ações. Não se engane, o que todo mundo tá correndo pra fazer é engordar esse porco o mais rápido possível pra aproveitar esse momento do mundo onde todos as estrelas se alinharam pra facilitar. A tempestade perfeita.</p>
<p>Não fiquem surpresos de serem convidados pra uma startup promissora, com um roadmap bonito, e bla bla pra depois ver ela sendo vendida e os donos dando exit e saindo o mais rápido possível. O objetivo nunca foi criar bons produtos e bons serviços e ter lucro, mas sim alavancar o que tem, passar batom no porco pra você se convencer que tá indo pra próxima Amazon. As coisas não são fáceis assim. E aqui vale aquele velho ditado: se a esmola é muita até o santo desconfia.</p>
<p>Dependendo de quem você ler, vão te dizer que essa mamata de SPACs que inflaram ano passado tão estourando agora. Segundo a Bloomberg o volume de IPOs normais voltou a superar os de SPACs que, até março deste ano, ainda era gigante. Olha nesse gráfico, a parte amarela é o número de IPOs e em branco o de aquisições por SPACs, os famosos negócios de cheque em branco. Em Abril crasheou a níveis que não se via a meses. Não dá pra dizer ainda, mas é possível que o dinheiro que muita gente contava vai secar. Provavelmente pode ter a ver com notícias de que a SEC finalmente começou a investigar essas possíveis fraudes.</p>
<p>Alguns comparam essa bolha de tech com a das pontocoms do começo do século. Por menos que isso a bolha estourou. Já passamos desse ponto faz algum tempo. Ou você acredita que uma Tesla vale o que vale? No começo de 2020 uma ação da Tesla valia 80 dólares. Em maio de 2021 tava valendo 630 dólares. É mais de 600%. É a empresa que mais engorda o porco. Promessas e mais promessas. O Musk aprendeu como lidar com redes sociais e fazer propaganda. Entre um produto que funciona ela inventa meia dúzia que é só promessa. E assim vai indo.</p>
<p>Esses são alguns sintomas que vejo só ao meu redor. Eu como investidor até que conservador, fico longe de VC ou SPAC. Hoje não é dia ainda de falar de criptomoedas, mas com todos os governos imprimindo dinheiro como se não houvesse amanhã e inflação chegando, obviamente parte do meu investimento eu deixo em criptomoedas, metais (ouro, prata) e commodities. Em momentos assim é importante ter alguma coisa que não tem como multiplicar do nada. Se uma hiper-inflação chegar, são os ativos que não vão perder valor.</p>
<p>Se você não tem dinheiro sobrando pra investir, não tente multiplicar fácil fazendo manobras arriscadas que você certamente não entende e nenhum video de youtube vai conseguir ensinar. Como mexer com opções, derivativos ou investimento com margem. Isso é cassino mil vezes piorado. É 100% de certeza que você vai perder e ainda vai ficar devendo pra alguém.</p>
<p>A única coisa que eu considero sensível agora é evitar ficar empolgado e fazer financiamentos de longo prazo. Embora os juros pareçam razoáveis, os preços de tudo tão inflacionados. É receita pra dar ruim. E eu tomaria muito, mas muito cuidado com promessas de ir pra fora do país. Todo mundo tá engordando o porco, cansei de ver empresas desconhecidas de fora oferecendo isso. Eles ganharam tempo por causa das quarentenas e fronteiras fechadas. Na hora do vamos ver, dão pra trás.</p>
<p>O momento agora é de acumular fundos e não de gastar a menos que realmente precise. Se não deu pra surfar esta onda, vão vir outras, mas o risco é você cair em FOMO - que é fear of missing out -, de ver os outros se dando bem e só você não, daí entrar numa aposta arriscada fraudulenta e perder tudo. Nunca invista em nada que você não estudou muito bem. E nunca, nunca, jamais siga gurus financeiros. Não existe riqueza fácil.</p>
<p>Assim como aconteceu em outras bolhas, milhares ou milhões de investidores de varejo não só estão comprando ações de empresas que eles viraram fãs, como Tesla da vida, mas estão comprando opções de compra. Foi o que já expliquei: você vê a ação hoje custando 200 dólares, mas como é fã do Musk, acha que vai chegar fácil em mil dólares, então compra opção de compra alavancado. Porque quando expirar  você tá apostando que vai estar mil, mas aí só tem que pagar os 200 que é o preço de hoje.</p>
<p>O problema é se a ação cair, digamos pra 100 dólares. Agora você continua sendo obrigado a pagar os mesmos 200 e tomar prejuízo. Se investiu com margem, vai tomar chamada de margem e vai se endividar ou quebrar. Isto é uma recomendação: não brinque com opções e muito menos combinado com margem, é receita pra desgraça. Nem todo mundo nasceu pra ser trader. E é isso que pode acontecer se a bolha estourar: milhões de pessoas tomando chamada de margem ao mesmo tempo, sem tempo pra fazer nada a não ser ver o colapso multiplicando seu prejuízo, causando um efeito dominó de crash.</p>
<p>E não custa avisar de novo: nada do que falei é recomendação financeira. Não compre ou venda nada por causa do que falei. Quando eu falo de cassino fica parecendo que sou anti-apostas, mas nada disso, sou totalmente a favor. Se ninguém se arriscasse, tudo seria mil vezes mais devagar porque de fato, no meio de mil lixos, sai uma Apple da vida de vez em quando. Alguém teve que apostar nos novecentos e noventa e nove outros que deram errado.</p>
<p>Todo mundo é adulto e se você se arrisca e perde, a culpa é 100% sua, de mais ninguém. Ninguém botou uma arma na sua cabeça pra fazer a aposta. Existem formas de fazer investimentos mais seguros, mas pra isso você precisa fazer o mesmo que em qualquer profissão: sentar a bunda na cadeira e estudar. Isso leva anos.</p>
<p>Este canal não é feito pra ninguém que acredita em leprechauns e pote do ouro no fim do arco íris, só em estudo e trabalho, então se ficaram com dúvidas mande nos comentários abaixo, se curtiram o video deixem um joinha, assinem o canal e clique no sininho, e compartilhem o video pra ajudar o canal. A gente se vê, até mais.</p>
]]></content:encoded><category>economia</category><category>mercado-de-tecnologia</category><category>startups</category><category>akitando</category></item><item><title>[Akitando] #77 - A COVID-19 matou minha Startup? | Entendendo Criptomoedas</title><link>https://akitaonrails.github.io/2020/04/15/akitando-77-a-covid-19-matou-minha-startup-entendendo-criptomoedas/</link><guid isPermaLink="true">https://akitaonrails.github.io/2020/04/15/akitando-77-a-covid-19-matou-minha-startup-entendendo-criptomoedas/</guid><pubDate>Wed, 15 Apr 2020 10:30:00 -0300</pubDate><description>&lt;div class="embed-container"&gt;
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&lt;h3&gt;DESCRIÇÃO&lt;span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="descrição"&gt;&lt;/span&gt;
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&lt;ul&gt;
&lt;li&gt;desemprego nos EUA já está na casa dos 17 milhões e não os 6.6 que são do fim de março&lt;/li&gt;
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&lt;li&gt;esta semana sai os resultados de Q1 das empresas.&lt;/li&gt;
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<h3>DESCRIÇÃO<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="descrição"></span>
    <a href="#descri%c3%a7%c3%a3o" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h3><p>ERRATA pré-lançamento: antes do video sair eu já vi que os dados que eu falei no video estão desatualizados. Fonte: <a href="https://www.crescat.net/crescat-capital-quarterly-investor-letter-q1-2020/"target="_blank" rel="noopener">https://www.crescat.net/crescat-capital-quarterly-investor-letter-q1-2020/</a></p>
<ul>
<li>desemprego nos EUA já está na casa dos 17 milhões e não os 6.6 que são do fim de março</li>
<li>a perda de valor do mercado de equities está na casa dos 35 TRILHÕES. Os pacotes de estímulo do FED na casa dos 2.2 Trilhões não vai fazer cócegas</li>
<li>esta semana sai os resultados de Q1 das empresas.</li>
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<p>Semana passada (08/04/2020) eu fechei minha empresa de corretora de criptomoedas OmniTrade (<a href="https://livecoins.com.br/corretora-de-bitcoin-brasileira-encerra-atividades-entenda/%29"target="_blank" rel="noopener">https://livecoins.com.br/corretora-de-bitcoin-brasileira-encerra-atividades-entenda/)</a>.</p>
<p>No episódio de hoje vou aproveitar pra conectar uma breve atualização do cenário da crise econômica de agora pra explicar qual a relação de moedas como o dólar e criptomoedas como o bitcoin.</p>
<p>Então na segunda parte aproveito pra explicar as origens da OmniTrade, como ela foi construída, quais eram os planos e sobre o fechamento em si. E sim, o título do video ficou meio &ldquo;click-bait&rdquo;, sorry por isso :)</p>
<p>Links:</p>
<ul>
<li>A lot of countries did wrong fighting coronavirus. No one did worse than the Chinese government. (<a href="https://www.youtube.com/watch?v=_V4r5ibOm5g"target="_blank" rel="noopener">https://www.youtube.com/watch?v=_V4r5ibOm5g</a>)</li>
<li>Live devBagé (<a href="https://www.youtube.com/watch?v=HMRtzEkRTvA&amp;list=PLdsnXVqbHDUcjiwcY87avf7RWuQX5cF9g&amp;index=12&amp;t=0s"target="_blank" rel="noopener">https://www.youtube.com/watch?v=HMRtzEkRTvA&list=PLdsnXVqbHDUcjiwcY87avf7RWuQX5cF9g&index=12&t=0s</a>)</li>
<li>Live Flutterando (<a href="https://www.youtube.com/watch?v=XCsDC2FsM-E&amp;list=PLdsnXVqbHDUcjiwcY87avf7RWuQX5cF9g&amp;index=5&amp;t=1774s"target="_blank" rel="noopener">https://www.youtube.com/watch?v=XCsDC2FsM-E&list=PLdsnXVqbHDUcjiwcY87avf7RWuQX5cF9g&index=5&t=1774s</a>)</li>
<li>Playlists Blockchain (<a href="https://www.youtube.com/playlist?list=PLdsnXVqbHDUd6-be_WU0FzUgix3tRjAH4"target="_blank" rel="noopener">https://www.youtube.com/playlist?list=PLdsnXVqbHDUd6-be_WU0FzUgix3tRjAH4</a>)</li>
<li>Começando na Carreira de TI (<a href="https://www.youtube.com/watch?v=H84WD_xyj10"target="_blank" rel="noopener">https://www.youtube.com/watch?v=H84WD_xyj10</a>)</li>
<li>Canal do Fernando Ulrich (<a href="https://www.youtube.com/channel/UCLJkh3QjHsLtK0LZFd28oGg"target="_blank" rel="noopener">https://www.youtube.com/channel/UCLJkh3QjHsLtK0LZFd28oGg</a>)</li>
<li>Bitcoin Halving (<a href="https://www.bitcoinblockhalf.com/"target="_blank" rel="noopener">https://www.bitcoinblockhalf.com/</a>)</li>
<li>O que é o Livro Razão na contabilidade? (<a href="https://contadores.contaazul.com/blog/livro-razao-contabilidade"target="_blank" rel="noopener">https://contadores.contaazul.com/blog/livro-razao-contabilidade</a>)</li>
<li>Por que fungibilidade é importante? (<a href="https://blog.bitcointrade.com.br/por-que-fungibilidade-e-importante/"target="_blank" rel="noopener">https://blog.bitcointrade.com.br/por-que-fungibilidade-e-importante/</a>)</li>
<li>The operation and demise of the Bretton Woods system: 1958 to 1971 (<a href="https://voxeu.org/article/operation-and-demise-bretton-woods-system"target="_blank" rel="noopener">https://voxeu.org/article/operation-and-demise-bretton-woods-system</a>)</li>
<li>Black Swan author Nassim Taleb says Covid-19 pandemic not Black Swan event (<a href="https://mothership.sg/2020/04/covid-19-black-swan/"target="_blank" rel="noopener">https://mothership.sg/2020/04/covid-19-black-swan/</a>)</li>
<li>Under the Microscope: The Real Costs of a Dollar (<a href="https://www.coindesk.com/microscope-real-costs-dollar"target="_blank" rel="noopener">https://www.coindesk.com/microscope-real-costs-dollar</a>)</li>
<li>Nixon Ends Convertibility of US Dollars to Gold and Announces Wage/Price Controls (<a href="https://www.federalreservehistory.org/essays/gold_convertibility_ends"target="_blank" rel="noopener">https://www.federalreservehistory.org/essays/gold_convertibility_ends</a>)</li>
<li>Bernanke on taxpayer&rsquo;s money for the bailouts. (<a href="https://www.youtube.com/watch?v=U_bjDAZazWU"target="_blank" rel="noopener">https://www.youtube.com/watch?v=U_bjDAZazWU</a>)</li>
<li>A lot of countries did wrong fighting coronavirus. No one did worse than the Chinese government.(<a href="https://www.youtube.com/watch?v=_V4r5ibOm5g&amp;t=1s"target="_blank" rel="noopener">https://www.youtube.com/watch?v=_V4r5ibOm5g&t=1s</a>)</li>
</ul>
<h2>SCRIPT<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="script"></span>
    <a href="#script" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Olá pessoal, Fabio Akita</p>
<p>O video desta semana acabou atrasando. Eu ia finalmente fazer um video sobre minha coleção de teclados mecânicos mas vai dar mais trabalho do que eu pensei. E além disso eu acabei pedindo mais um de última hora que chegou segunda e ainda estou testando. Hoje faz exatamente 1 mês desde que eu comecei a quarentena, vou dar uma atualização de como estou vendo o curto prazo desta crise econômica pra dar contexto sobre o segundo assunto. Acho que 90% das pessoas que assistem meu canal provavelmente não sabiam que eu tenho 2 empresas e uma delas era uma corretora de criptomoedas, a OmniTrade, que terminamos de fechar semana passada e vou aproveitar pra contar um pouco da história dela.</p>
<p>Semana passada eu participei de duas lives, se vocês não assistiram vou deixar os links nas descrições abaixo. Provavelmente vão ser as duas únicas por agora, porque embora eu queira evitar o assunto, obviamente o maior interesse de todo mundo agora é sobre o desenrolar da crise econômica e da pandemia. Como eu já divaguei muito sobre o assunto nas lives, nos próximos vou evitar falar muito porque na real, não tem muito mais a dizer e detesto ficar me repetindo.</p>
<p>Disclaimer que vale a pena repetir, eu não sei tudo! Eu não sou e nem tenho interesse em ser um ativista ou qualquer coisa assim e defender alguma causa com unhas e dentes. Vira e mexe eu digo pra amigos que eu sou só uma &ldquo;testemunha da história&rdquo;. Quer dizer que eu não tenho vocação nem vontade de tentar mudar a história. Se isso acontecer foi um efeito colateral e não um objetivo. Eu sou só curioso pra saber se o que vem a seguir é o que eu imaginava, e eu até acho interessante quando a história me surpreende, porque é algo raro de acontecer.</p>
<p>Claro que eu também gostaria que o mundo fosse utopicamente melhor, mas eu sou um pragmático realista. Eu não faço contas baseados em sonhos, eu faço contas baseado na realidade, por pior que ela seja. Por isso não é importante pra mim que todos concordem com o que eu digo. Eu não derivo nenhum prazer de discutir com quem discorda. Pelo simples fato que se eu estiver errado, eu tenho Skin in the Game, ou seja, vou ter que cortar na minha própria carne. O tema de hoje é um exemplo disso.</p>
<p>Pronto, disclaimers feitos, uma pequena atualizada sobre minha visão da crise pra usar de contexto no tema. Tenham paciência por enquanto. O que eu e alguns economistas falamos durante 2018 e 2019, sobre uma crise eminente na economia que nos levaria a uma recessão, não aconteceu. Apesar da coincidência ser interessante, não é correto dizer que foi uma previsão. Nós não conseguimos prever que na realidade ia ser pior, mas muito pior do que nossos piores cenários. Muita gente ainda acha que quando a pandemia for controlada, tudo vai voltar ao normal. Infelizmente eu acho muito improvável. Existem duas coisas que me preocupam bastante.</p>
<p>O primeiro é a irracionalidade de todas as discussões públicas até agora. Só pra variar as pessoas estão indo perigosamente na direção de abrir mão das liberdades individuais em troca de uma falsa segurança que nunca existiu nem vai existir. Eu avisei dois vídeos atrás que momentos assim tendem a exaltar regimes totalitários e procurar salvadores da pátria. Especialmente momentos de pânico generalizado e desinformação massiva. O problema é que agora vai haver um consenso global em crenças erradas. Eu juro que eu quero estar redondamente enganado nisso. Vou recomendar um video importante que mostra a linha do tempo dos eventos que nos trouxeram até este ponto. Ninguém aprendeu nada antes, pelo visto vamos continuar não aprendendo, e vamos fazer pior da próxima vez.</p>
<p>O segundo motivo é econômico. Os mercados já foram massivamente infectados pelos bancos centrais e os dados que temos agora estão distorcidos. Vou dar um exemplo. Se você observar o comportamento de ações, fundos e tudo mais vai ver que no geral, tivemos o grande crash depois do carnaval, mas tirando os casos mais óbvios como companhias aéreas, quase tudo tá se recuperando. Olhem nos gráficos como S&amp;P 500, NASDAQ, IBOVESPA, qualquer um, tem subido no geral. Na média, metade das perdas já foi milagrosamente recuperado. Mas lembram no video sobre a crise que eu falei que na minha pessoa física eu tinha perdido quase meio milhão? Pois é, eu Não realizei as perdas obviamente, e eu já recuperei mais da metade, sem fazer absolutamente nada.</p>
<p>Se você olhar isso superficialmente poderia imaginar que os mercados tão respondendo positivamente, que na verdade a crise não é tão ruim quanto parece, e logo logo vamos voltar à normalidade. Eu realmente preferia que fosse só isso. Infelizmente não é assim que se lê isso. Seria o caso se esses dados representassem um mercado livre sem interferência. Mas os bancos centrais do mundo já interferiram. Estão jogando centenas de bilhões no sistema financeiro o tempo todo. O Japão sozinho aprovou 1 trilhão de dólares, os Estados Unidos 2.2 trilhões. O Brasil mesmo vai fazer isso. É o que eu falei sobre eles estarem &ldquo;imprimindo dinheiro&rdquo;, entre aspas.</p>
<p>Vou ser extremamente grosseiro pra simplificar. Quando os bancos centrais &ldquo;imprimem dinheiro&rdquo;, eles aumentam a oferta de dólar em circulação e eu já expliquei sobre oferta e procura. Aumente a oferta de alguma coisa e seu preço cai. Imprimir dinheiro aumenta sua oferta e desvaloriza seu valor. O efeito mais óbvio é que isso geraria inflação, que é o aumento dos preços dos produtos por exemplo. Por isso que não adianta só sair distribuindo dinheiro como muitos acham, isso só faria os preços aumentarem. E obviamente não adianta congelar os preços, isso só faria os produtos desaparecerem.</p>
<p>Mas temos outro problema. Não vamos ter inflação agora porque literalmente ninguém tá podendo consumir, seja porque já ficou desempregado, seja porque tá se precavendo caso fique desempregado, ou seja simplesmente porque tá num lockdown rígido e não pode sair de casa e os comércios não podem abrir. Nesse caso o risco é outro: deflação. É o caso onde nem abaixando os preços o consumo sobe. Existem países que já estavam em deflação antes da crise, vide o Japão que desesperadamente tenta aumentar o consumo faz décadas sem sucesso. Numa lógica simplista, porque você gastaria seu dinheiro hoje se amanhã você pode comprar um pouco mais com o mesmo dinheiro já que ele não desvaloriza? Parece bom, mas não é, isso cria estagnação.</p>
<p>Ma agora estamos numa combinação rara: podendo aumentar a liquidez imprimindo dinheiro e sem aumentar demais a inflação no curto prazo. Mas a inflação vai chegar, só que depois da pandemia. Só tem um lugar onde o efeito de inflação tá se refletindo já agora, e é nos mercados financeiros. Pense em ações como produtos de prateleira. As ações estão inflacionadas de novo. É a mesma coisa que veio causando a bolha que eu falei até antes da crise. Só que em vez da liquidez ser causada por imprimir dinheiro era por diminuir a taxa de juros, em ambos os casos isso leva à inflação das ações.</p>
<p>Eu não quero entrar em detalhes sobre os mecanismos porque tem gente mais qualificada que eu pra explicar isso, mas quando eu falo &ldquo;imprimir dinheiro&rdquo; não estou falando literalmente em imprimir papel moeda e sim em Quantitative Easing ou QE que a grosso modo é o governo colocar no balancete dele ativos do mercado. Imprimir dinheiro na prática é como adicionar uma linha no &ldquo;Excel&rdquo; do banco central. Problema é que você não pode pensar nisso de forma absoluta, como papel moeda trocando de mãos, é um linguajar contábil. Pesquisem sobre isso.</p>
<p>Esse lockdown ou quarentena global é super sério. Dependendo de que estimativas você olhar o mundo já perdeu até este momento todo o crescimento estimado de PIB do ano, no caso mais otimista algo na ordem de 4 a 5 trilhões de dólares. No caso mais pessimista, pode multiplicar isso por quanto quiser porque tá difícil ver o fundo do poço. Seu chute vai ser tão bom quanto o meu. Estima-se que um terço da população do mundo tá em algum nível de restrição de quarentena.</p>
<p>Tenta colocar esse número na cabeça, não existe situação assim na história a não ser em períodos de guerra mundial. Isso não vai acabar bem. E se você não está acompanhando dias atrás os Estados Unidos divulgaram o nível de pedidos de seguro desemprego e até dia 28 de março mais de 6.6 milhões de pessoas entraram com pedido. O normal são milhares, e em poucas semanas chegou em milhões. Isso não aconteceu na crise de 2008, nem de 2001, nem de 1987, é um nível catastrófico e muitas empresas já estão fechando. Eu quero que vocês gravem este gráfico que mostra seguro desemprego desde os anos 80 até agora e o pico no fim do gráfico que é este ano. Os efeitos dessa crise já estão se tornando permanentes. Essa vai ser a nova realidade.</p>
<p>Pronto, sem me alongar demais vamos parar por aqui no meu big picture e descer pro meu mundinho bem menor. Eu naturalmente não confio em papel moeda. Muito menos a do Brasil. Como eu já disse antes, eu vivi os tenebrosos anos 80 e senti a hiperinflação na própria pele. Por outro lado eu sempre vivi num mundo pós segunda guerra, mais especificamente pós-Bretton Woods e pós-desvinculação do padrão ouro, ou seja, um mundo de dinheiro virtual e câmbio flutuante. Significa que eu suspeito de basicamente tudo embora eu precise conviver com isso.</p>
<p>Por outro lado eu sou economicamente conservador, eu não tenho vocação pra trader nem investidor de risco. Eu gosto de risco mas até certo ponto, por isso nenhuma promessa de tech startups unicórnios me atrai. Os venture capitalists não gostam muito de mim aliás. Nem eu sou imune, claro, certamente já me balançou em algumas épocas, mas tudo sempre parece um golpe. Nem estou dizendo que existe a intenção, só que o marketing é extremo demais. Ironicamente foi por isso que me interessei por criptomoedas. E eu sei o que você pensou, mas aguentem até o fim. Eu não vou tentar vender criptomoedas como nenhum salvador da pátria não.</p>
<p>Por volta de 2009 ou 2010 apareceu as conversas em torno de moedas digitais e bitcoin e eu cheguei a minerar, na época que um bitcoin valia centavos. E obviamente eu também fui um daqueles que tinha bitcoins lá no começo e não guardou a carteira. Pois é! De repente hoje valeria alguns milhões, vai saber. Cagada minha não ter dado atenção.</p>
<p>Daí acho que foi lá pelo começo de 2017 que amigos meus começaram a falar de criptomoedas de novo. Parei pra pesquisar e vi que a coisa aumentou bastante. Mais interessante porque eu vi vários desses programadores hipsters influencers de rede social fazendo questão de ser religiosamente contra criptomoedas. Sem apresentar nenhuma lógica, pra variar. E isso me deixou mais curioso ainda, porque se irrita os ideológicos certamente tem alguma coisa que vale a pena eu explorar. Lembram que eu falo que eu não sigo nenhum influencer? Pois é, mas quando muitos influencers fazem questão de falar contra que eu fico mais interessado.</p>
<p>A tecnologia em si é razoavelmente simples. Você consegue ler o lendário paper original do Satoshi Nakamoto, que completou 10 anos ano passado, em uma hora e entender. Aliás, pra entender criptomoedas no nível técnico você precisa no mínimo saber o que eu já expliquei sobre criptografia nestes dois vídeos no canal, dêem uma estudada. Existem centenas de vídeos, posts de blog e até livros já hoje em dia explicando o funcionamento de um ledger digital e eu não vou perder tempo explicando tudo de novo. Pesquise por conta própria e se ainda não fez isso, pra efeitos deste video, assuma que funciona.</p>
<p>Aqui eu podia começar a explicar o que é um ledger, o que é uma transação, como é feita a assinatura e mineração de blocos e bla bla bla mas isso já existe super bem explicado em centenas de lugares, é só pesquisar um pouco. Em vez disso deixa eu rapidamente passar por quatro das principais coisas que as pessoas lêem no título de notícias e não pensam nem dois segundos a respeito.</p>
<p>A primeira coisa é sobre a lentidão em assinar blocos, a tal “mineração” que na prática é o trabalho de validar as transações de um bloco antes de adicionar no blockchain e através disso desbloquear mais um pouco de bitcoins como prêmio. No caso do Bitcoin isso pode levar 20 minutos a mais. Isso impossibilita usar Bitcoin numa maquininha de pagamento no caixa de uma loja por exemplo, é verdade. Mas isso não me preocupa. Existem alternativas pra isso. De forma simplória pense num boleto. Ela precisa de 1 dia pra processar e confirmar, é parecido. Você não usa boleto num caixa de supermercado, pra isso você usa outras coisas como seu cartão de crédito, que é rápido porque você não usa dinheiro e sim outra invenção, chamada crédito.</p>
<p>A administradora de cartão não checa se você tem dinheiro na sua conta e sim se tem direito a crédito por sua boa reputação de bom pagador. No fim do mês ele emite uma fatura e daí de fato você paga ou não. Todo mundo pensa que dinheiro é tudo igual mas não é, uma coisa é o papel moeda na sua mão, outra coisa diferença é a representação virtual no saldo da sua conta bancária, outra coisa totalmente diferente é o crédito no cartão e assim por diante. São todos formas de dinheiro virtual.</p>
<p>A segunda coisa é o custo dessa mineração, particularmente o controverso uso de energia. Sinceramente, isso é mais político que prático. O título de matérias é sempre algo do tipo &ldquo;nossa, a mineração de bitcoins usa o mesmo tanto de energia pra iluminar as casas de uma pequena cidade&rdquo;. Daí vira trending topic no Twitter. Eu falo que se algo similar ao Twitter existisse nos anos 40 a gente não teria computadores hoje. Um dos primeiros grandes computadores comerciais foi o ENIAC. Ele era tão veloz que podia executar 5 mil operações de adição por segundo. Ele tinha uns 15 metros de comprimento e consumia tanta energia e dissipava tanto calor que você podia aquecer um pequeno lago do lado dele.</p>
<p>Eu já consigo ver os tweets de 1945 &ldquo;esse tal de computador é uma abominação, um único computador poderia iluminar dezenas de casas numa pequena cidade&rdquo;. E adivinhem, os processadores modernos de hoje fazem bilhões de operações por segundo a uma fração da energia de um ENIAC. Qualquer calculadora moderna é mais rápida que isso. Vou contar uma novidade pra vocês que viveram embaixo de uma rocha em Marte nos últimos 100 anos: a tecnologia evolui rápido, o tempo todo.</p>
<p>A terceira coisa é a aversão a criptomoedas porque ela é usada pra coisas obscuras, sequestros, tráfico de drogas, espionagem e sei lá mais o que. Se isso te preocupa vou te contar qual é a moeda virtual mais usada no crime organizado e no mercado negro. Se chama dólar. O tanto de dólar que circula só em tráfico de drogas, por ano, provavelmente supera o valor de todos os bitcoins que existem hoje. Se usar uma moeda que tá envolvida com crimes é uma ofensa à sua pessoa, use lógica. Eu recomendaria que você deixe de usar qualquer moeda e volte a fazer escambo.</p>
<p>A quarta e última coisa é relacionada e dessa vez é meio real, que criptomoedas estão associados a golpes de pirâmides. Esta é a mais difícil de explicar mas deixa eu tentar. Da mesma forma como usos ilícitos, você não precisa de criptomoedas pra criar fraudes. Dólares e qualquer outra moeda servem. Produtos consumíveis servem, sei lá shake pra emagrecer por exemplo. Quantas pirâmides existem que todo mundo chama de marketing multinível?</p>
<p>Não existe nada inerente na tecnologia de blockchains que as tornam necessariamente fraudulentas. O problema é o uso do nome. De fato a maior parte dos negócios associados a criptomoedas que ganharam mais notoriedade são ligados a fraudes, em particular pirâmides. E aqui eu vou ser advogado do diabo. Fraudes como essas existem porque as pessoas consomem as fraudes. Isso vale pra tudo. Vira e mexe eu cutuco os tais coaches quânticos e tals mas metade do problema é que eles existem pra atender uma demanda. Por mais bizarro que pareça, existe uma demanda que tá disposta a pagar pra ser enganado, em busca de sonhos irreais a preços baratos.</p>
<p>O comportamento do bitcoin depois de 2017 não está muito diferente dos mercados tradicionais de agora depois do crash pós-carnaval. Muitos cínicos apontaram que nesse crash o Bitcoin caiu também, só que tudo caiu. O Ouro caiu. No fim de 2017 o bitcoin perdeu uns 500 bilhões de dólares de sua valuation. Os mercados tradicionais agora perderam uns 2 trilhões de dólares. Todo mundo quer acreditar que criptomoedas são inerentemente bolhas e fraudes, só que se você afirmar isso precisa adicionar os mercados tradicionais. Os produtos financeiros, securities, ETFs, bonds e tudo mais, tecnicamente se comportam de forma parecida com criptomoedas, são os mesmos conceitos e os mesmos mecanismos.</p>
<p>A grande diferença entre um bitcoin e um dólar é o mecanismo na sua fundação. Você nunca se perguntou porque o dólar é a moeda dominante e de maior valor no comércio internacional? Eu recomendo que vocês pesquisem sobre isso na história, mas existiu uma data pra isso, julho de 1944 depois da segunda grande guerra mundial, quando 730 delegados de 44 nações se reuniram no Hotel Mount Washington em Bretton Woods, New Hampshire nos Estados Unidos pra uma conferência pra definir a política monetária do mundo. E foi aí que definiram o dólar como a moeda de base, que na época era lastreado em ouro, sendo os Estados Unidos o país com a maior reserva de ouro.</p>
<p>Os acordos de Bretton Woods levaram uns 15 anos pra serem implementados. Mas seguindo a história, com o crescimento acelerado nos anos 60, a demanda pela liquidez de dólar e a limitação do lastro em ouro se tornou um fator limitante e que deixava os Estados Unidos vulneráveis. Pra não divagar demais, vou deixar um link nas descrições abaixo sobre isso, mas foi em agosto de 1971 que nascia a primeira moeda totalmente virtual do mundo quando o então presidente Richard Nixon removeu o lastro em ouro do dólar. Nenhum governo estrangeiro que tinha dólares podia mais converter de volta pro ouro e o dólar se estabeleceu com o lastro do mundo.</p>
<p>Entendido isso vamos voltar: qual a diferença do bitcoin pro dólar? Tiranda a parte óbvia que o mundo todo tá dependente de dólar, ou seja, suas dívidas são referenciadas em dólar, a diferença técnica - e aqui depende do entendimento de tecnologias de criptografia -, é que bitcoin foi construído pra se comportar mais ou menos como ouro. Ele tem uma quantidade limitada que vai sendo minerada cada vez mais devagar e um dia ele simplesmente vai esgotar e o que foi minerado é tudo que vai existir, sem exceção. Não existe a opção de se criar mais bitcoins do que o limite programado nele.</p>
<p>Além disso, assim como ouro ou outro material físico que eu posso transferir a propriedade só passando de uma mão pra outra, também uma unidade de bitcoin, ou uma fração dela que denominamos Satoshis, podem ter sua propriedade transferida de uma carteira pra outra carteira, sem cópia, sem duplicar, é uma transferência um pra um, e esta é a grande novidade dos blockchains que não é intuitivo de imediato.</p>
<p>Pense assim, um dos grandes problemas não resolvidos desde o surgimento da internet é sobre como lidar com propriedades 100% digitais. Porque é extremamente fácil e barato fazer cópia de qualquer coisa, da mesma forma quando você copia um arquivo do seu HD pra um pen drive. A cópia é idêntica à original, você não saberia distinguir qual foi o original. Diferente de cópias analógicas como fitas cassette ou VHS onde cada nova cópia deteriora em qualidade. Foi a grande controvérsia das plataformas de pirataria como Napster, Limewire, eDonkey até os dias de hoje com Mega ou Torrent.</p>
<p>Pior ainda, como representar dinheiro ou moedas virtuais? A única forma conhecida de controlar algo assim é confiar em uma autoridade centralizadora que todo mundo confia. Por exemplo, se você joga League of Legends você transaciona na plataforma com Riot Points, que é basicamente uma moeda virtual. Ela tem valor porque só se pode comprar coisas na plataforma com essa moeda virtual. E sua confiança na moeda é igual à sua confiança na empresa Riot Games. O mesmo vale pra qualquer outra plataforma virtual.</p>
<p>Com o dólar é basicamente a mesma coisa. O valor do dólar deriva no seu valor de moeda de troca internacional e como lastro de todas as dívidas do mundo. Pergunta pra Rússia se quando ele vende gás pra China ele prefere ser pago em dólares ou em Yuan. Ou pergunta pra Arábia Saudita se quando ele vende petróleo pra China, ele prefere ser pago em dólares ou Yuan. Aliás, eu pergunto pra você, se tivesse a opção do seu salário ser pago em dólares ou em Yuan, qual você escolheria? Essa confiança é equivalente a confiar no FED, o banco central americano, a única entidade que tem soberania pra imprimir mais moeda e controlar a política monetária. O que é o dólar? A grosso modo, é um número numa planilha, mais especificamente um livro razão ou, em inglês, um ledger.</p>
<p>E um blockchain é só isso: um ledger com garantias que um transação escrita e verificada neste ledger não pode ser modificado nunca mais. A grande diferença do ledger de bitcoin e o ledger do dólar é que no caso do blockchain, não existe uma única pessoa que é capaz de controlar e modificar esse blockchain, é a garantia do algoritmo utilizado, a idéia que conhecemos na ciência da computação como consenso bizantino. Uma das aplicações disso é coordenar sistemas distribuídos. Na prática garante que é altamente improvável reescrever uma transação nesse ledger. Uma vez escrito ele está de verdade na pedra.</p>
<p>No caso do dólar, o FED é o único que controla o ledger e ele pode escrever o que quiser. Que é o que ele tá fazendo agora com o tal Quantitative Easing, escrevendo novos dólares no seu livro razão e boom, 2.2 trilhões aparecem. Claro que não é simples assim, como já expliquei antes, não dá pra ficar criando moeda à vontade porque quanto mais dólares se coloca no mercado sem razão, mais ele desvaloriza o valor da moeda, por exemplo gerando inflação.</p>
<p>E nesse caso, por que existem tantos golpes e fraudes em cima do Bitcoin? Aí já não é culpa da tecnologia de blockchain. O problema é que uma vez tendo um lastro de valor, podemos criar dezenas de produtos financeiros que não ficam registrados no blockchain, basicamente os mesmos que podemos criar em cima dólares. Por exemplo, ações de uma empresa é um produto financeiro. Só que em vez de usar a base de dólares podemos usar a base de bitcoins ou qualquer outra moeda virtual, criptomoedas ou não. Sabe seus pontos de milhagens ou qualquer ponto de fidelidade? São moedas virtuais.</p>
<p>Mas de novo, por que temos tantos problemas de golpes e fraudes em cima de criptomoedas? Porque em termos de produtos financeiros ainda estamos aprendendo o que funciona e o que não funciona. O grande conceito é como o que eu falei do seu cartão de crédito. Quando você paga sua conta no supermercado, nenhum dinheiro trocou de mãos, só a promessa de troca. O dinheiro não saiu da sua conta e nem entrou na conta de banco do supermercado. Só em determinadas datas uma administradora de cartão de créditos faz o pagamento pros lojistas e faz a cobrança via uma fatura pra você. O conceito é que tanto você, consumidor, e o lojista confiam na administradora como intermediador. Se a administradora falir, o lojista fica sem o dinheiro, teoricamente, por isso confiança é um fator fundamental. A gente confia numa VISA porque ela existe faz décadas e dá impressão que vai existir mais algumas décadas.</p>
<p>A mesma coisa na Bolsa de Valores. As corretoras intermediam as compras e vendas entre a Bolsa e você, mas as corretoras em si não são donas das ações e, principalmente, não são donas dos order books ou livros de oferta, o que comumente se chama de &ldquo;pedra&rdquo;. A grosso modo funciona assim. Toda vez que uma Petrobrás quer vender ações ela registra na B3. Todas as corretoras enxergam a mesma quantidade e começam a receber ordens de compra de seus clientes. &ldquo;Compre a 50 reais&rdquo; ou &ldquo;Compre a 60 reais&rdquo;, é como um leilão e todos esses pedidos são enviados pro mesmo lugar: pro livro de ofertas da B3. Toda oferta colocada por toda corretora é enxergada por todas ao mesmo tempo. Bolsa é um grande leilão, ordens de compra e ordens de venda sendo colocadas num mesmo lugar o tempo todo. É como se fosse um Mercado Livre ou eBay de ações.</p>
<p>Não importa qual corretora você usar, teoricamente você enxerga exatamente o mesmo livro de ordens da B3 pras mesmas ações e outras classes de ativos. O que varia é o nível de serviço e coisas como taxas de administração. Teoricamente, mesmo se uma corretora falir, você não perde suas ações, porque sua propriedade é registrada na B3. É uma puta burocracia mudar a custódia das ações quando você sai de uma corretora e vai pra outra, mas isso é possível.</p>
<p>Muita gente pensa em corretoras de criptomoedas como se fossem corretoras do mercado tradicional como XP ou BTG ou EasyInvest. Porque corretora de cripto tem mais ou menos a mesma interface com vários pares de moedas em negociação como Bitcoin pra Real ou Bitcoin pra Litecoin e um livro de ofertas com ordens de compra e ordens de venda. Porém a grande diferença é que não existe uma entidade como uma B3 que detém a unificação da liquidez, ou seja, não existe um livro de ofertas centralizado. Cada corretora de cripto é também a própria bolsa de valores.</p>
<p>É isso que é um Mercado Bitcoin, Foxbit, ou Coinbase e Binance lá fora: bolsas de valores de criptomoedas e corretoras. Só que o nome disso ia ficar muito longo então comumente chamamos só de Exchanges, que não é muito correto. A minha empresa OmniTrade era a mesma coisa. Agora por que eu abri a OmniTrade em primeiro lugar? Dois motivos basicamente. Eu disse antes que amigos meus começaram a falar sobre bitcoins, trading e tudo mais. Até então eu já tava em mercados tradicionais, seja em bolsa de valores aqui no Brasil e eu já tava dolarizado e em fundos nos Estados Unidos. Felizmente eu tive oportunidade de começar a diversificar faz algum tempo.</p>
<p>Assim como todo mundo eu ouvi todas as histórias que vocês ouviram, sobre o consumo massivo de energia pra minerar, diversos casos sobre uso de bitcoin em crimes, as diversas pirâmides e golpes e tudo mais. Nada disso me interessou, mas a tecnologia por trás eu achei Muito interessante, inteligente e elegante. Se você estudou o mínimo de ciências da computação e um básico de economia, não era difícil enxergar além do hype e das fake news. A base de tecnologia é sólida. Uma evidência disso é que ela está publicamente exposta faz 10 anos e mesmo com o incentivo econômico de lucrar muito, nenhum hacker de nenhum lugar do mundo conseguiu quebrar ainda. Veja meus videos de criptografia e até de Supremacia Quântica pra entender porque. Certamente pode ser melhorado, como tudo em tecnologia, mas a fundação fazia sentido e o resto das notícias era só isso, barulho.</p>
<p>Mas era um fato que a maioria das exchanges, principalmente naquele ponto eram muito ruins. Eu diria lamentáveis. E a maioria de históricos não muito confiáveis. Eu não via um no Brasil que eu olhasse e gostasse da performance e tecnologias, e que tivesse histórico decente. O correto em criptomoedas é não confiar em nenhuma exchange, deixar numa carteira privada sua e ponto final. Porém é muito pouco prático se você que fazer trading. Aliás, eu já aviso aqui, não me perguntem qual eu recomendo porque eu realmente não recomendo nenhuma. Faça sua própria pesquisa assim como eu fiz a minha.</p>
<p>De qualquer forma o que eu queria fazer era realmente brincar na volatilidade. Pra maioria da população, o que todo mundo gostaria de ter é estabilidade, ir dormir com seu dinheiro valendo X e acordar no dia seguinte ainda valendo o mesmo X. Em mercados de risco como ações ou cripto ou qualquer classe de ativos isso não é verdade, você pode ir dormir rico e acordar pobre ou vice-versa. Por isso a gente fala pra quem for amador e não puder perder o que está investido, nem tentar. Sério, fica longe.</p>
<p>E mais ainda em corretoras de cripto porque elas são lojas online onde você não tem como saber sequer se eles tem mesmo os produtos que estão vendendo. Você só vai saber se tem mesmo o que comprou quando tentar sacar pra fora dela. Mas as ofertas ficam dentro da corretora, a volatilidade é alta, ou seja, o preço varia pra cima ou pra baixo o tempo todo. Não dá tempo de transferir o que você tem na sua carteira fora pra dentro de uma exchange a tempo de executar uma ordem de compra que chamou sua atenção. Eu disse que o tempo de mineração de um bloco leva no mínimo 20 minutos no caso de Bitcoin e pode ser horas dependendo do dia.</p>
<p>Por isso muitas pessoas optam por deixar uma boa parte dos seus bitcoins depositados na corretora, o que é cômodo mas um grande risco. Mais do que isso, eles acabam se alavancando. Eu expliquei sobre alavancagem no meu video de COVID, dêem uma olhada. É muito risco pra se assumir considerando que você precisa confiar numa corretora de origem desconhecida que nem tem muito tempo de vida. Toda vez que eu depositava dinheiro ou criptomoedas numa corretora eu ficava extremamente ansioso não se o preço do bitcoin ia subir ou descer, mas se amanhã a porcaria da corretora ainda ia existir e não sumir com meu dinheiro.</p>
<p>Isso foi meu período como trader entre mais ou menos abril a dezembro de 2017. No segundo semestre, meu sócio Rodrigo na Codeminer 42 que é a nossa empresa principal de desenvolvimento de software, me contou que um conhecido dele estava tentando fazer uma nova corretora fazia meses e ainda não tinha conseguido. Obviamente eu imaginei tudo de errado que ele tava fazendo e o Rodrigo brincou se eu não conseguia fazer em menos tempo. Isso foi uma conversa enquanto íamos pra algum cliente enquanto estávamos num Uber.</p>
<p>Então por volta de Outubro de 2017 eu resolvi encarar o desafio. Encontrei uma plataforma open source chamada Peatio. Naquela época e mesmo hoje ela é incompleta mas era um esqueleto muito bom. Se você procurar hoje, nem tente usar do jeito que tá, tem bugs, erros conceituais, e eu reescrevi toda a lógica de comunicação com os servidores de blockchains, todas as verificações de tratamento de filas, daemons, máquinas de estado, integrações e tudo mais. Ele foi feito pra fazer uma corretora pequena que delega a custódia das criptomoedas pra algum serviço de terceiros como a BitGo.</p>
<p>Aliás, aqui vale começar a entender o que está por trás desse ecossistema. Como eu disse sobre a B3 uma corretora tradicional é responsável pela custódia das ações que você compra, não é como no final do século XIX que você literalmente guardava os papeis de ações de empresas num cofre em casa. Assim como o dólar, ações também são digitais hoje em dia. Mas existe essa responsabilidade de custodiar essa propriedade que é regulamentada pela Comissão de Valores Mobiliários, a CVM. Um banco por exemplo, custódia seu dinheiro, pra você não ter que guardar papel moeda embaixo do colchão.</p>
<p>Em criptomoedas, pra você poder negociar dentro de uma corretora primeiro precisa depositar dinheiro ou criptomoedas e com isso ter um saldo pra negociar. Significa que a corretora precisa custodiar seus ativos. No caso de reais tudo bem porque você transfere da sua conta de banco pra conta de banco da corretora. Mesmo se a corretora for chinfrim o dinheiro teoricamente tá num banco grande tipo Caixa Econômica ou Banco do Brasil e não vai simplesmente sumir por erro técnico. Aliás, preciso comentar rapidamente que a integração de APIs de bancos tradicionais é uma grande porcaria e os bancos digitais não me impressionaram nem um pouco também.</p>
<p>Enfim, não existe o equivalente banco pra criptomoedas. Você transfere da sua carteira direto pra carteira da corretora. E aqui é um risco enorme porque se tiver um erro técnico ou vulnerabilidade no código mal feito das corretoras, um hacker ou algo assim poderia roubar essas criptomoedas e isso aconteceu dezenas de vezes em diversas corretoras não só no Brasil como em vários países do mundo tipo Coréia do Sul ou mesmo Japão. Por isso começaram a surgir empresas que se especializaram em ser o custodiante das criptomoedas de forma que corretoras não precisassem se preocupar tanto.</p>
<p>A estratégia é simples. Pra poder cumprir com o volume diário de saques que acontecem normalmente, as corretoras mantém um certo tanto no que chamamos de hot wallets, que são carteiras que a plataforma acessa automaticamente. Mas pra se proteger de eventualmente um hacker invadir a plataforma, mantém-se a maior parte em outro lugar, num cold wallet, que a plataforma não tem acesso automático e normalmente precisa de duas ou mais pessoas de verdade pra assinar a transferência entre as duas carteiras manualmente.</p>
<p>Porém, uma BitGo obviamente precisa lucrar e pra isso ela cobra uma taxa de administração dessa custódia. É meio como um seguro que você paga porque corretamente assume que não sabe como proteger essas coisas. Quem achou que sabia se deu mal e foi roubado por hackers. Eu no meu caso decidi que não ia usar um custodiante e custodiar eu mesmo. E é nesse caso que plataformas open source que você vê por aí não vão te ajudar.</p>
<p>Eu montei minha própria infraestrutura no Google Cloud, fiz clusters separados pra plataforma web que os clientes acessam, outro cluster completamente isolado e sem acesso pela internet pública com os servidores de blockchain de cada criptomoeda como Bitcoin, Ethereum, XRP, Dash e outros, cada qual rodando num container isolado. E a comunicação entre a plataforma web e os blockchains sendo intermediado por um sistema separado de filas e daemons que recebem as ordens antes dos blockchains. Portanto mesmo se alguém achasse uma vulnerabilidade na plataforma web, não teria nenhum acesso direto a nenhum dos blockchains. E quando eu falo blockchains, me refiro às hot wallets, que são cópias dos blockchains de cada moeda com a capacidade de assinar transações usando a chave privada da nossa carteira hot.</p>
<p>Por que eu fiz isso? Porque eu realmente senti que eu tinha know-how suficiente. Está virando um padrão eu dizer isso, mas eu não sou nenhum especialista em segurança, no sentido que meu trabalho principal não é esse. Mas eu estudo e pratico segurança em projetos reais desde a época da bolha da internet de 2001. Vamos dizer que eu sei uma coisa ou duas sobre segurança. E de quebra eu queria mesmo exercitar Kubernetes então aproveitei pra aprender Kubernetes e subir a estrutura que eu tinha em mente, e isso foi meu mês de dezembro de 2017.</p>
<p>Nesse ponto eu já não tava programando sozinho. Alistamos vários programadores da Codeminer pra me ajudar, alguns refizeram o front-end, alguns me ajudaram a corrigir mais bugs que fomos encontrando na plataforma open source, atualizando diversas bibliotecas e práticas de código antigas, adicionando testes automatizado pra muita coisa que não tinha e no final ele ficou razoavelmente melhor e internamente diferente do que era o open source original.</p>
<p>Em janeiro de 2018 a bolha já tinha estourado. Mas tudo bem, por um lado eu achei que seria bom porque muitas das corretoras ruins ou realizando más práticas iam sumir com o tempo então continuei desenvolvendo e foi quando decidimos contratar uma empresa terceira de auditoria de segurança, que passou o mês realizando testes pra ver se havia alguma vulnerabilidade que eu não tinha visto. Nenhum sistema online é 100% seguro e se eu fosse o invasor havia alguns caminhos bem tortuosos que eu podia tentar pra invadir, mas a chance era improvável demais dada a infraestrutura e contingências que colocamos.</p>
<p>Daí por volta de fevereiro o desenvolvimento da primeira versão tava completo e a auditoria voltou que depois de um mês de tentativas pelo menos nenhum bug grosseiro foi encontrado. Então lançamos ao público sem muito barulho. Nosso pensamento na época e desde então foi o seguinte: o mercado ainda estava infestado de piramideiros e corretoras ruins. Vamos acreditar no mercado, que em 1 ou 2 anos, agora que a histeria da bolha estourou, pra deixar ele se auto-regular. Enquanto isso ficaríamos operando sem muito barulho e construindo credibilidade por não oferecer produtos ruins e estando sempre solventes, que era outra coisa que poucos ofereciam: garantia que tudo que você deposita vai conseguir sacar sem nenhum problema. Isso é tanto verdade que agora que fechamos devolvemos tudo aos clientes. Isso é quase uma novidade nesse mundo onde várias empresas de criptomoedas fecham e nunca devolvem tudo dos clientes.</p>
<p>No mínimo agora eu tinha onde depositar as minhas próprias criptomoedas e dormir tranquilo sem acordar no dia seguinte e descobrir que a maldita corretora foi hackeada ou faliu. E durante os meses seguintes fomos melhorando mais bugs, performance, escalabilidade, segurança e adicionando mais criptomoedas. Não sei se eu era o único mas com certeza era um dos poucos que custodiava tudo nos meus próprios servidores de blockchain.</p>
<p>Agora tem outro problema. Liquidez. O problema do ovo e da galinha de qualquer corretora é que todo novo cliente entra numa plataforma dependendo do livro de ofertas. Se não tiver ninguém negociando, ninguém entra. Mas se ninguém entrar nunca vai ter ninguém negociando. Por causa disso muitas corretoras simplesmente mentem no livro de ofertas e adicionam volumes completamente falsos. Se você não entende tudo que eu falei até agora, não iria conseguir diferenciar, mas se parar pra observar não é tão difícil encontrar os padrões de um livro falso. Volume falso então chegava a ser vergonhoso.</p>
<p>Não digo que é só no Brasil não, em diversos países da Ásia como na China você via várias falsificando os volumes na cara dura. É uma falsa liquidez com o objetivo de atrair pessoas de verdade e ir substituindo as ordens falsas por ordens de verdade. Se fossem só ordens falsas mas que representam um volume de verdade ainda vá lá. Eu diria que o mercado tradicional faz a mesma coisa, particularmente no mercado de opções que tem bem menos liquidez que no de ações. Liquidez é sempre o problema.</p>
<p>Pra não ter que fazer números falsos nas plataformas ainda existe outra opção, os market makers. Literalmente eles criam o mercado e garantem a liquidez, ou seja, se ele colocar uma ordem de venda de 1000 reais, e alguém quiser comprar nesse preço, ele vai conseguir fechar a ordem. Existem várias pessoas e empresas que fazem isso no Brasil e fora. Porém eles cobram uma margem de lucro pra eles, taxas de serviço. E não vou dizer qual, mas uma das mais conhecidas começa cobrando na faixa de 20 mil reais por mês pra preencher seu livro de ofertas e oferecer liquidez.</p>
<p>Como nosso objetivo não era crescer rápido, ainda mais que todo mundo ainda tava no choque do estouro da bolha de 2017, preferimos crescer organicamente. Eu e meu sócio colocamos nossas próprias criptomoedas e fomos crescendo um cliente de cada vez. A gente não tinha pressa porque a OmniTrade sempre foi um negócio razoavelmente enxuto. Pra chamar gente massivamente precisaríamos gastar ordens de grandeza mais dinheiro do que gastamos pra construir a plataforma só em marketing, só que mesmo assim a reputação de criptomoedas estava nos chinelos graças aos piramideiros e a toda a publicidade negativa nos noticiários. Como você reverte a má reputação se na TV, jornais, revistas e tudo mais todo mundo associou criptomoedas com piramideiros?</p>
<p>Como sempre, nós sabemos que depois de um crash, uns dois anos depois os mercados tendem a começar a se recuperar. Povo tem memória curta, então toda a má reputação ia começar a se dissipar, e se fizéssemos um bom serviço e continuássemos a evoluir a plataforma, a gente encontraria uma janela de oportunidade no futuro. Nós não tínhamos a necessidade de forçar a barra bem naquele timing horroroso. Além disso, em maio de 2020 aconteceria o evento de halving, que em termos simples é o aumento automático da dificuldade de minerar bitcoins, diminuindo a oferta, o que naturalmente segue com um aumento do seu valor, o que poderia ser gatilho pra uma nova corrida de crescimento.</p>
<p>Então 2018 foi um ano de observação e aprendizado. Foi em agosto de 2018 que eu abri este canal e resolvi postar alguns videos das minhas observações dos mercados. Eu queria ver com meus próprios olhos como a Europa, Ásia e Estados Unidos estavam se comportando e por isso fui pra Seoul, Ilha de Malta, São Francisco e documentei nos primeiros videos deste canal que vocês podem assistir na playlist de Blockchain que vou deixar nas descrições abaixo. E eu ainda vi muito oba oba, muito confete e muita promessa. O mercado ainda não aprendeu com o crash de 2017 e por isso durante toda a vida deste canal você não me viu jogando mais lenha nessa fogueira.</p>
<p>Enquanto isso, meu negócio principal é a CodeMiner. Eu falei rapidamente dela no video de Aprendendo a Aprender. Também falei que a gente costuma jogar desafios pros estagiários e juniors. Um desses desafios era participar da manutenção da OmniTrade. Como eu falei brevemente, a infraestrutura é complicada pra um iniciante, com diversas peças móveis e vários conceitos que pouca gente conhece tanto sobre blockchains quanto finanças. E sempre tivemos um backlog de melhorias, novas funcionalidades, e por dois anos quase todo estagiário que entrou na Code teve que se exercitar puxando alguma tarefa da OmniTrade. Só o setup do projeto todo já é mais complicado que a maioria dos projetos web por aí então era um bom exercício.</p>
<p>Outro conceito que eu já falei em outros videos, como no Começando na Carreira de TI é que eu acredito que tanto um estagiário quanto um sênior devem ser capazes de chegar numa solução similar de código. A diferença é que um sénior já teve anos de experiência e de 20 caminhos diferentes, ele sabe que 18 não vão funcionar, daí ele foca nos 2 de maior chance. Um estagiário não sabe e ele é obrigado a testar todos. A razão pela qual código de estagiário tem má reputação é porque esperam que ele chegue na solução certa no mesmo tempo que um sênior chegaria e sem ninguém revisando. Obviamente vai dar errado. Simplesmente coloque ele perto de alguém mais experiente que vai eliminar 18 tentativas que ele já sabe que não funciona, e que revise o código depois, pra rejeitar as tentativas erradas; e se o estagiário tiver o perfil que falei no video anterior, ele chega num resultado razoável.</p>
<p>Portanto, por 2 anos a OmniTrade também serviu como um bom laboratório pra todos os programadores da empresa. Vários excelentes programadores que estão hoje atendendo meus clientes dos Estados Unidos passaram por isso. Portanto a plataforma representou uma melhoria de qualidade pra Codeminer. A estrutura ficou tão azeitada que eu tirei as mãos, que é outro sinal de maturidade quando o programador original pode parar de mexer e a plataforma não quebra. Se um sistema depende excessivamente do programador original, ele provavelmente está mal feito. Um teste de saúde de todo bom sistema é rotacionar os programadores, fica a dica.</p>
<p>Mesmo não investindo em marketing pelos motivos que expliquei, mesmo não tendo nenhuma equipe de desenvolvimento em tempo integral porque era usado tempo da Codeminer, mesmo não pagando serviços de custodiantes nem de market makers, ainda assim os custos operacionais da OmniTrade chegavam perto de 50 mil reais por mês. É um custo de mais de meio milhão de reais por ano que saía do meu bolso e do meu sócio Rodrigo.</p>
<p>Aliás, isso pode parecer bastante coisa, mas lembrem-se de quanto está o real comparado com dólar. Isso dá míseros 200 mil dólares por ano, que nos Estados Unidos é o salário anual de um bom programador em Silicon Valley. Eu poderia chutar que existem corretoras que pagam bem mais que isso por uma plataforma inferior. Mas chegamos em 2020 e vocês já sabem o que aconteceu.</p>
<p>Foi uma pena fechar porque havia mais coisas que não tentamos porque não precisávamos naquele momento. A arquitetura que montamos aguenta até um nível de escala. Pra um nível mais massivo do tipo pra suportar uma Coinbase ou Binance, precisaria de outra arquitetura. Mas não fazia sentido fazer a mais complicada antes do tempo. Outra dica: você não precisa da solução mais complicada no dia um e sim, se você der certo você vai reescrever uma parte ou todo o seu software, é inevitável. Não me venha com conversas de amador de “vamos fazer ‘certo’ da primeira vez” porque isso é garantia de gastar demais e fazer errado.</p>
<p>Mesmo antes desta crise, o mercado de criptomoedas continuou com os malditos piramideiros, poucos sobreviveram, e continua custando caro tentar se diferenciar dos golpistas. Pra fazer a OmniTrade ir pro próximo nível precisaríamos gastar ordens de grandeza mais do que já gastamos só em marketing. E em 2020 obviamente não vamos fazer isso, e não parece que vamos poder fazer em 2021 já que esta crise nem começou ainda. Pior, assim como a empresa de todo mundo, esta crise põe em risco a minha empresa principal, a Codeminer. Felizmente até hoje não tivemos que demitir nenhum programador, mas como eu disse, esta crise não tem data pra acabar.</p>
<p>Portanto a coisa racional a se fazer é cortar todos os custos não essenciais e neste ponto, a OmniTrade não é essencial pra sobrevivência da Codeminer, então a decisão que precisa ser tomada rápido, é clara. O que já foi investido chama-se custo perdido. E o que vamos deixar de gastar agora chama-se &ldquo;fazer caixa&rdquo; que é a prioridade número um de todo empresário no mundo. Quando não se tem uma data pra acabar a crise, nem todo o caixa do mundo pode ser suficiente.</p>
<p>Como não somos nenhuma corretora gigante, não foi tão difícil desligar a plataforma. Primeiro desligamos as negociações. Comunicamos todos os clientes de inúmeras formas e alguns tentamos inúmeras vezes, até ligando um a um quem não estava respondendo. Até o dia de hoje, praticamente todos fizeram saques, ainda temos uma pequena lista de pessoas que não encontramos de jeito nenhum, mas os saldos de todos estão na cold wallet e vamos continuar devolvendo até o último. Eu tenho zero interesse em ficar com o dinheiro dos outros.</p>
<p>Com tudo isso dito, alguns podem se questionar se eu parei de acreditar em criptomoedas. E a resposta é não. Voltando à situação atual, eu disse que os bancos centrais estão se vendo numa situação ruim onde estão sendo obrigados a imprimir mais dinheiro, desvalorizando ainda mais as moedas. E nós estamos só na primeira onda da pandemia. Muitos acreditam que podemos estar pra entrar numa segunda onda. A recuperação aparente dos mercados financeiros não é uma garantia e eu diria que a probabilidade maior é que nós ainda vamos ver mais um crash brutal nas próximas semanas ou meses. O crash pós carnaval fez os mercados perderem uma média de 40% do seu valor. Eu ainda acho que vamos chegar a 50% antes de enxergar o fundo.</p>
<p>Eu ainda estou segurando os bitcoins que eu comprei em 2017. Comprei mais em 2018 e um pouco em 2019. Não só criptomoedas, estou comprado em ouro também, imóvel, dólar, fundos e ações. Eu diversifiquei o quanto eu podia e mesmo assim pode não ter sido suficiente. E aproveito pra dizer, eu não sou analista financeiro, por isso não me façam perguntas do que você devia fazer com seu dinheiro ou investimentos, porque eu não pretendo responder. Eu mesmo não tenho certeza dos meus, e eu tenho amigos que tem anos de experiência no mercado financeiro. Faça sua lição de casa.</p>
<p>No caso particular de bitcoin, o próximo grande evento pra ficar de olho é o halving, que acontece mais ou menos a cada 4 anos. Só aconteceram dois na história até agora, em novembro de 2012 e em julho de 2016. O próximo vai acontecer daqui 26 dias a contar de hoje, 15 de abril de 2020.
Aqui eu diria que “se ficaram com dúvidas pra mandar nos comentários abaixo”, porém o video do COVID-19 que eu fiz acabou viralizando e atraiu todo tipo de gente fazendo comentários inúteis. Eu leio praticamente todos os comentários que vocês fazem e aquilo virou improdutivo por isso desativei. Se acontecer a mesma coisa com este vou desativar também então atenha-se a comentários de verdade. Enfim, se curtiram o video mandem um joinha, assinem o canal, cliquem no sininho pra não perder os próximos episódios e não deixem de compartilhar com seus amigos. A gente se vê na próxima, até mais!</p>
]]></content:encoded><category>bitcoin-e-criptomoedas</category><category>economia</category><category>startups</category><category>akitando</category></item><item><title>[Akitando] #69 - Respondendo suas Perguntas sobre Carreira | via Instagram</title><link>https://akitaonrails.github.io/2019/12/11/akitando-69-respondendo-suas-perguntas-sobre-carreira-via-instagram/</link><guid isPermaLink="true">https://akitaonrails.github.io/2019/12/11/akitando-69-respondendo-suas-perguntas-sobre-carreira-via-instagram/</guid><pubDate>Wed, 11 Dec 2019 11:00:00 -0300</pubDate><description>&lt;div class="embed-container"&gt;
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<h2>DESCRIPTION<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="description"></span>
    <a href="#description" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Muita gente me procura via mensagens diretas em redes sociais, em particular pelo Instagram. Pro episódio de hoje eu selecionei 10 perguntas que representam a maior parte dos temas que costumam me perguntar e apesar de já ter parcialmente respondido algumas delas via os temas de outros vídeos passados, vou tentar compilar respostas um pouco melhores hoje. Espero que ajude.</p>
<p>O tema vai ser “Perguntas mais frequentes de iniciantes no mercado de tecnologia”. Diferente do vídeo que eu fiz chamado “Começando na Carreira de TI” (<a href="https://www.youtube.com/watch?v=H84WD_xyj10"target="_blank" rel="noopener">https://www.youtube.com/watch?v=H84WD_xyj10</a>) onde eu abordei assuntos que começam mais na escolha da faculdade primeiro, esta é mais focado no primeiro emprego e na forma de começar a evoluir. Depois de assistir este video convido vocês a tentarem o vídeo “Dimensão do Tempo” (<a href="https://www.youtube.com/watch?v=Qb5b8ZE9tIY"target="_blank" rel="noopener">https://www.youtube.com/watch?v=Qb5b8ZE9tIY</a>) e “O Mercado de TI para Iniciantes em Programação” (<a href="https://www.youtube.com/watch?v=O76ZfAIEukE"target="_blank" rel="noopener">https://www.youtube.com/watch?v=O76ZfAIEukE</a>)  também.</p>
<p>Se vocês ainda não me seguem nas redes sociais, não deixem de seguir (@akitaonrails em todo lugar). E podem mandar perguntas em privado que eu possa usar em próximos episódios de perguntas e respostas.</p>
<h2>Links diretos pra cada pergunta<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="links-diretos-pra-cada-pergunta"></span>
    <a href="#links-diretos-pra-cada-pergunta" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>03:14 - pergunta 1</p>
<p>11:27 - pergunta 2</p>
<p>15:23 - pergunta 3</p>
<p>19:23 - pergunta 4</p>
<p>21:30 - pergunta 5</p>
<p>29:00 - pergunta 6</p>
<p>30:30 - pergunta 7</p>
<p>33:13 - pergunta 8</p>
<p>35:14 - pergunta 9</p>
<p>36:21 - pergunta 10</p>
<h2>SCRIPT<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="script"></span>
    <a href="#script" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Olá pessoal, Fabio Akita</p>
<p>Ultimamente eu ando bem distraído por assuntos pessoais, e ao mesmo tempo tem alguns assuntos técnicos pros próximos episódios que vão demandar mais tempo de pesquisa do que eu normalmente faço, por isso acabei procrastinando um pouco mesmo. Provavelmente minha frequência de lançar videos vai ficar irregular agora entre dezembro e janeiro. Um desses assuntos pessoais é que estou pra me mudar pra outro apartamento, e ainda tem uma obra que vai começar agora, tem feriados que vão atrapalhar essa obra. Eu imagino que quando eu terminar de me mudar e estiver com tudo pronto mais do meio pro fim de Janeiro é que vou conseguir me focar 100% pro canal de novo. Inclusive, até o fim de Janeiro significa que o cenário do canal vai mudar também.</p>
<p>Pro episódio de hoje eu resolvi repescar algumas perguntas que vocês me mandaram em mensagem privada. Eu não peguei todas, acho que vasculhei um período de quase 2 meses de mensagens no Instagram. Por alguma razão a maioria das pessoas interage mais comigo no Instagram mais do que em qualquer outra rede social. Aliás, se vocês nunca prestaram atenção, todo vídeo eu começo com meus perfis de rede social, então não deixem de me seguir. Às vezes eu não consigo responder todas as perguntas como eu gostaria. Não se sintam mal quando eu não respondo, muitas vezes é simplesmente porque eu esqueço mesmo, outras vezes é porque eu não estou muito a vontade de responder qualquer coisa rápida.</p>
<p>A maioria das perguntas acaba sendo em torno de assuntos de carreira, principalmente início de carreira. Eu já falei sobre vários desses assuntos como no vídeo sobre Mercado de TI ou Conhecimentos Gerais e vários outros. No episódio de hoje eu vou repetir algumas das coisas que já falei em outros vídeos, mas vou tentar reformular em algo que se pareça mais com respostas. Então vamos lá!</p>
<p>Antes de mais nada, eu não vou dizer quem mandou as perguntas. Eu imagino que se me perguntaram em privado pode ser que não se sintam a vontade de eu expor publicamente. Então se vocês reconhecerem suas perguntas e quiserem expandir em cima delas nos comentários, sintam-se à vontade. Ou se preferem falar em privado, podem mandar direct no Instagram ou Twitter.</p>
<p>Outra coisa que é meio óbvio mas melhor avisar antes. Cada pessoa tem circunstâncias diferentes. Por isso não existe resposta universal que cabe pra todo mundo. Na minha posição, toda resposta podia começar com &ldquo;depende&rdquo;. Depende de que tipo de formação você já teve, depende de quanto você tem condições de investir em educação, depende se você tem objetivos específicos como morar fora do país, depende se você tem limitações que te impedem de escolher um ou outro caminho. Por isso ajuda muito se você se apresentar um pouco melhor quando faz as perguntas.</p>
<p>E isso já é uma dica: no trabalho muita gente quando fala alguma coisa acha que todo mundo devia entender suas circunstâncias, mas ninguém vai saber se você não disser. Todo mundo vai responder no seu ponto de vista particular e não no de quem perguntou. Por causa disso também, minhas respostas provavelmente vão ficar meio compridas. Porque eu vou tentar dar um contexto em vez de só dar uma receita simples. Então vamos começar com a primeira pergunta que é: &ldquo;Quais dicas você daria pra quem tá começando na área de dev. Interior, quase não tem empresas pra contratar devs, só com faculdade.&rdquo;</p>
<p>Eu achei essa pergunta interessante porque na real é onde eu acho que a maioria das pessoas se encaixa no Brasil. Muito do material sobre carreira parece mais voltado pra quem é de algum grande centro ou pólo tecnológico como São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife. Mas a maioria das pessoas vive fora das capitais. Durante mais de uma década eu visitei cidades como Xanxerê, Maringá, Rio Branco, Criciúma, Macapá, Campos de Goytacazes. A maioria sequer tem aeroportos perto. A indústria de tecnologia na maioria das cidades do interior simplesmente não existe.</p>
<p>Pouco a pouco isso vem mudando, muitas empresas estão procurando cidades fora dos grandes centros. A minha própria empresa, a Codeminer, costuma procurar cidades fora de São Paulo pra montar escritório, por isso estou em lugares como Santa Maria, Guarapuava, Poços de Caldas, mas nenhum de nós vai conseguir cobrir o Brasil inteiro tão cedo. Muitos estudantes tem o sonho de se mudar pra uma cidade maior e alguns até mesmo morar em outro país, mas isso não é realidade pra muita gente que não quer ou mesmo não pode deixar a família pra trás, por exemplo.</p>
<p>Por isso muita coisa que se usa em tech startups, linguagens mais arrojadas como Elixir, Clojure, Scala, Go, Typescript ou até mesmo coisas que consideramos super normal como Lambdas, NoSQL, Machine Learning, nada disso é remotamente perto da realidade. No máximo tem projetinhos Web simples que se integram com sistemas legados que tem 20, 30 anos de idade até. Pra todos os efeitos e propósitos, não é exagero eu dizer que já vi empresas do interior que estão literalmente presos a tecnologias e práticas que eu só via nos anos 90 e começo dos anos 2000. Você vai achar implementações de ERP como os da Totus, ou coisas customizadas dessa época feita em Delphi antigo, ou até mesmo Clipper, que eu parei de usar em 1994.</p>
<p>Então vamos lá. Vamos assumir que por qualquer razão, você esteja preso na região. Não tem planos de se mudar tão cedo. Não há sequer agências pequenas de sites e serviços de Web. Só empresas que Não são tecnologicamente avançadas mas tem sistemas pra manter. Coisas em Java antigo, ou .NET antigo, ou VB ou Delphi ou até Clipper. Que usam bancos de dados antigos como Interbase, Informix, Ingres, Caché. Se você não tem opção, então a escolha já está feita. Eu imagino que você vai precisar comer e pagar suas contas. E se sua vocação é programação, não tem como evitar lidar com tecnologias antigas.</p>
<p>Começar em empresas assim, ao contrário do que pode parecer, não é necessariamente uma coisa ruim, especialmente se você está no começo de carreira. Mas tem duas coisas que você vai precisar fazer. A mais importante delas é estudar inglês até se tornar fluente. Esse vai ser seu passaporte pra conseguir coisas melhores. Eu fico pasmo que até hoje ainda tem gente na área que desincentiva o aprendizado de inglês mas fica empurrando tecnologias inúteis que a maioria das empresas sequer tem intenções de usar por muito tempo ainda. A menos que você goste de programação só como hobby, você precisa aprender inglês, o quanto antes. Pra saber como fazer isso sem gastar muito, veja meu video sobre Como eu aprendi inglês.</p>
<p>Apesar de hoje de fato termos bons materiais em português pras tecnologias mais populares, a maioria delas fica defasada muito rápido, porque todas as linguagens, frameworks, ferramentas e plataformas, estão recebendo novas versões o tempo todo. E quanto mais usado é uma tecnologia, mais rápido ele recebe atualizações. Em poucos meses um livro em português fica defasado. Mesmo em inglês os livros ficam defasados apesar deles receberem novas edições com muito mais frequência do que no Brasil. Por isso a grande maioria dos programadores que estão à frente não estão estudando por livros, mas sim pelas documentações nos sites oficiais de cada tecnologia e foruns de discussão, e adivinhem: 100% delas é em inglês. As tecnologias que não são populares ainda, mas que tem potencial de mercado no futuro próximo, sequer tem livros publicados ainda.</p>
<p>Pior ainda, talvez muitos nem saibam disso mas se você usa Wikipedia em português, você sempre está lendo versões curtas e incompletas. Vejam por exemplo o verbete de computação quântica que foi assunto que eu gravei a respeito algumas semanas atrás. Em inglês tem mais de 70 referências. Em português tem uma lista ridícula de 18 links, metade pra posts de blog. O mesmo vale pra stackoverflow que todo programador usa todo dia. Se você não usa a versão em inglês, você está perdendo provavelmente 80% das opções, se não mais. Nem importa se você ainda não é fluente, pare de usar as versões em português e vá direto na versão mais completa em inglês. Por que você quer ficar em desvantagem em relação a todo mundo?</p>
<p>Enquanto seu inglês for ruim, sim, use todo material em português que conseguir encontrar porque não tem outra opção, mas faça isso sabendo que você está com um material que é incompleto ou já está defasado. Agora, sua vida vai ser bem mais difícil mesmo. Você vai ter que aprender a tecnologia antiga que a empresa da sua região usa e em paralelo vai ter que estudar as tecnologias um pouco mais modernas que são mais populares no mercado dos grandes centros, como Javascript ou Python, frameworks como React, linguagens mais modernas como Go. Se as empresas da sua região pelo menos usarem coisas como Java ou .NET menos mal, porque elas são fundação pra muita coisa nova. Eu diria que todo programador deveria saber um pouco ou de Java ou mesmo C#. Você aprecia melhor as novas linguagens se souber algumas um pouco mais antigas. Não procure a linguagem que é a mais simples pra aprender, ou a que você acha que pagam melhor, se for você realmente entrar na carreira de programação, você vai aprender várias linguagens diferentes ao longo do tempo. Se você estiver anos com a mesma, você está se colocando em desvantagem, de novo.</p>
<p>O outro problema é a falta de faculdade. Nos grandes centros isso também ainda é um requisito, especialmente em começo de carreira onde você ainda não tem muito como demonstrar o que sabe, porque não tem experiência anterior. Não preciso dizer que as leis trabalhistas do Brasil são uma das piores do mundo, sério é o conjunto de leis mais primitivo e imbecil e um das coisas que mais dificulta a entrada de iniciantes no mercado. Por exemplo, você só pode ser estagiário se estiver cursando faculdade, porque estágio é um processo assinado entre empresa, o estagiário e a faculdade. Existe a obrigatoriedade da figura da instituição de ensino. Pra contratar alguém, sem faculdade e sem experiência, é um custo muito alto pra maioria das empresas, porque o vínculo empregatício e a liability que isso trás custa caro. As leis trabalhistas são obstáculos pra todo mundo que não fez faculdade e precisa buscar experiência. Essas leis garantem que você que não fez faculdade comece em desvantagem.</p>
<p>Daí a única outra alternativa que pode acabar sobrando é tentar se tornar autônomo ou freelancer muito cedo na carreira. E isso é péssimo, porque se você aprendeu sozinho e nunca trabalhou em projetos de verdade ou com alguém mais experiente que consiga te mentorar, você não tem noção ainda do que um projeto realmente precisa pra ser entregue de ponta a ponta, e vai ter um caminho ainda mais difícil. Especialmente porque sem saber até onde dá pra ir, você só vai ficar repetindo as poucas coisas que aprendeu, e muitas vezes do jeito errado por muito tempo. A maioria desiste porque a pressão e frustração são grandes demais.</p>
<p>Por isso eu digo que mesmo se na região não tiver empresas com tecnologias modernas, mesmo que não paguem tão bem, ainda assim é melhor que nada. Você precisa ver como uma empresa funciona no mundo real. Mesmo se ela for ruim, você precisa ver o que ser ruim significa. Mesmo se o código for antigo e mal feito, você precisa ver como é um código antigo e mal feito. E ao mesmo tempo aprender como lidar com outras pessoas, mesmo chefes ruins pra saber o que significa ser um chefe ruim. Entenda, mesmo com faculdade, tendo aprendido só teoria, por mais que tenha lido livros e feito cursos online, você ainda não sabe 1% do que precisa.</p>
<p>Pra continuar, vou aproveitar o gancho da segunda pergunta que separei pra hoje que diz: &ldquo;É legítimo o alarmismo com relação a escassez de profissionais na área de programação? Mão de obra qualificada. Não que precise ser genial, mas alguém que tenha uma base boa pelo menos.&rdquo;</p>
<p>E sim, existe escassez de profissionais qualificados neste mercado. Não é alarmismo. Nos grandes centros a situação é bem diferente do interior e regiões afastadas do país. São realidades completamente diferentes aliás. Em centros como São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Belo Horizonte, Porto Alegre, e um pouco menos em outras capitais como Florianópolis, Curitiba, Fortaleza, por exemplo, o ciclo econômico dos últimos 10 anos trouxe um boom de tech startups e grandes empresas que absorveram parte da cultura das tech startups. Essas regiões atraíram muito investimento tanto nacional quanto internacional. Não é exagero dizer que o Brasil em 10 anos conseguiu crescer um ecossistema de tech startups muito grande. Só que com todo crescimento rápido demais conseguir mão de obra qualificada vai ficando mais e mais difícil. Porque qualificação de verdade não acontece do dia pra noite, exige anos de dedicação, estudo e experiência.</p>
<p>Pra tentar suprir essa demanda, também houve uma explosão em cursos online e geração de material de aprendizado. Mas não existe milagre. Educação exige tempo. É impossível só via um curso online produzir programadores seniors, nem mesmo pleno. Via de regra, qualquer curso online, os melhores, só vão conseguir gerar, no máximo do máximo, programadores júniors. A partir de um determinado ponto, o júnior precisa obrigatoriamente se inserir numa empresa de verdade pra aprender na prática o que significa desenvolver um sistema grande de verdade, como desenvolvedores mais experientes resolvem problemas de verdade. Nenhum curso jamais vai conseguir queimar esses passos. Aliás, se você ver algum curso ou bootcamp que faça promessas imbecis como &ldquo;estude com a gente e pule de júnior pra pleno em x tempos&rdquo; eles são charlatães, fuja. Outros cursos exigem que você já seja um pleno pelo menos e tenha uma formação boa pra conseguir usar o material mais avançado.</p>
<p>O lado menos óbvio se você não é da área é que apesar do número de tech startups ou empresas similares em tecnologia tenha crescido rápido, elas tem um problema grave: quanto mais investimentos ela recebe mais a pressão pra crescer mais rápido. Só que a maioria não tem experiência em gerir uma empresa que cresce tão rápido. E dentre as várias coisas que elas são péssimas em fazer é treinar os programadores júniors. Por isso elas tendem a procurar só programadores mais experientes, muitas vezes tentando tirar funcionários de outras empresas e pagando mais caro do que deveriam. Isso causa distorções graves no mercado e ao mesmo tempo é um tiro no próprio pé. Elas não percebem isso porque muitas sequer dão lucro, vivem de rodada de investimento atrás de rodada de investimento, então eles não entendem o conceito de eficiência, são máquinas de queimar dinheiro. A maioria vai quebrar ou ser adquirida por outra empresa maior.</p>
<p>Então de um lado existe alta demanda e escassez de profissionais experientes. E do outro lado existe uma oferta crescente de programadores júniors saindo de cursos online que não vão conseguir chegar nesse nível de qualificação sendo contratados por tech startups que ainda não chegaram no nível de crescimento acelerado via investimentos. E esse é aquele cenário onde o júnior é contratado como se fosse sênior, não vai ser mentorado direito, e tem grandes chances de acabar queimado, frustrado e sem evolução adequada. Por isso outra consequência é que o nível de retenção é baixo, os programadores crescendo nesses ambientes tem uma visão irreal de como as coisas funcionam e do que realmente valem, e a barreira de entrada é maior. Portanto existe essa escassez de moscas brancas, os seniors que conseguem carregar esse tipo de estrutura ineficiente nas costas.</p>
<p>Pra completar esse pensamento, vou engatar a terceira pergunta que é &ldquo;Você falou sobre aprender tecnologias que estão ficando &ldquo;top trending&rdquo;, mas seria errado você aprender uma tecnologia já bem estruturada no mercado de trabalho e depois se aventurar por tecnologias novas?&rdquo;</p>
<p>Parte da estratégia das tech startups é tentar adotar tecnologias mais novas que elas acreditam que podem dar alguma vantagem no crescimento delas. São as que estão usando os Clojure ou Elixir da vida, coisas mais novas da AWS como Lambdas, serviços de machine learning de uma Azure por exemplo. Ao mesmo tempo é uma forma de tentar reter as pessoas porque não tem tantos outros lugares que elas podem usar tecnologias novas demais. Por outro lado você é um profissional que tem mais valor se ao mesmo tempo souber as coisas novas e tiver domínio sobre outras tecnologias mais difundidas e maduras como Java ou Python por exemplo.</p>
<p>Uma empresa de tecnologia raramente usa uma única marca de tecnologias, porque sempre existe a ferramenta certa pro uso certo. Saindo do mundo Web, você tem mais valor como programador mobile se souber Java e Kotlin direito pra programar Android. Ou pra mercados mais de nicho que faz coisas como IoT ou hardware embarcado. Ou mesmo em grandes corporações. Aliás, voltando à conversa de se você for iniciante e tiver acesso a uma região geográfica com mais grandes empresas que não são tech startups, essas podem ter condições de oferecer programas de trainée mais estáveis, que conseguem absorver mais programadores júniors inexperientes e dar um treinamento melhor. Eu expliquei um pouco mais sobre isso tanto no meu vídeo sobre o Mercado de TI quanto no de SAP, não deixem de assistir pra saber mais.</p>
<p>Quando se fala em carreira você não deve ser imediatista. Eu sei como é, a gente é jovem, vê o brilho das tech startup, tecnologias modernas, e acha que esse é o objetivo do emprego dos sonhos. Baixe suas expectativas. Tech startups no geral são péssimos lugares pra iniciantes, porque a prioridade não é te ensinar nada, a prioridade é crescimento acelerado acima de tudo, muitas vezes queimando etapas. É um lugar melhor pro senior aventureiro que tem mais mobilidade pra fazer o que ele já sabe que tem que ser feito. Mas pra maioria dos juniors, você pode acabar sendo queimado rápido demais e se frustrar com a área antes do tempo. De novo, óbvio que tem exceções, mas como estou considerando a maioria da população e o mercado em geral, eu diria pra procurar empresas que tem um histórico maior, já existem faz 10 anos ou mais, e que oferecem um mínimo de suporte pra ganhar experiência. Não existem garantias, só brincar com a sorte mesmo. Talvez você desperdice menos tempo no começo, que é quando você ainda não vai conseguir enxergar tudo. Mesmo que essa empresa seja como no caso da primeira pergunta: no interior, com tecnologias legadas.</p>
<p>Muito se fala em soft-skills. Tem milhares de podcasts, videos, livros e palestras sobre o assunto. O mais importante é aprender a ser honesto. E não, se você é iniciante, você ainda não sabe disso. Quando você trabalha sob pressão é que você vai saber se é de verdade ou se também vai sucumbir a dar respostas fáceis. Ser honesto é saber dizer “não” quando sabe que não vai conseguir entregar. Só que não dá pra dizer “não” sempre, senão pra que você serve? Como aprender a dizer esse “não” na hora certa, ou melhor, como aprender a gerenciar expectativas?</p>
<p>Você pode ler quantos livros quiser. Mas a única forma de aprender é na prática, em situações reais, tomando até decisões erradas e tendo que consertar depois. Por isso eu digo que não importa se é uma empresa de interior, com software mal feito, com chefes ruins. Se você sempre for o cara que diz sim, fica quieto quanto devia falar, ou fala demais quando não precisa, e não consegue explicar objetivamente porque você prefere uma opção que considera melhor do que a outra que a empresa já usa, então não importa se é uma empresa de interior ou uma tech startup, você ainda não tem o que precisa. Então vai lá e pratica.</p>
<p>Agora aproveito pra colocar a quarta pergunta: &ldquo;Iniciei recentemente um curso de Javascript e agora estou estudando o mesmo por conta. Gostaria de saber, apenas com Javascript consigo algum trabalho, o quanto tenho que saber nessa linguagem pra atuar na área? Qual é o mínimo que preciso saber pra atuar em uma empresa ou prestação de serviços?&rdquo;</p>
<p>Isso é um pouco o que eu já respondi acima. Neste momento existe uma demanda alta também por bons profissionais de Javascript. Mas não basta só saber um pouco da linguagem, isso é simples. No caso de front-end, você precisa saber frameworks como React, precisa saber Redux, dependendo da região geográfica precisa saber os concorrentes como Angular que infelizmente muitas empresas ainda usam. Precisa saber como organizar projetos corretamente, as melhores práticas pra organizar módulos, como configurar coisas com Webpack direito.</p>
<p>Precisa saber as bibliotecas mais usadas. Se for fazer uma landing page ou gerenciador de conteúdo precisa saber coisas como Gatsby. Se for server-side precisa saber Node, precisa saber Express. Precisa saber usar frameworks de teste como Chai, Mocha, Puppeteer. E isso que acabei de falar aqui é só o básico. É o mínimo pra Javascript. E quando falamos Javascript, claro, estamos falando da versão ES6 que é a mais usada hoje, mas lembrem-se do que falei no começo: muitos livros e documentações antigas estão defasadas na versão ES5. A forma como se organiza código Javascript hoje e 5 anos atrás é bem diferente.</p>
<p>Como falei na pergunta anterior, por causa desse boom de crescimento rápido tanto de tech startups como produtos web em grandes empresas, a demanda por profissionais que conheçam coisas como Javascript cresceu bastante. Especialmente porque muitos modernizaram ou estão modernizando os front-end com componentes React, usando coisas como Progressive Web Apps pra fazer aplicativos web que funcionem como aplicativos desktop, como a app do Twitter por exemplo. Javascript completo hoje é muito mais abrangente do que 5 ou 10 anos atrás.</p>
<p>Eu diria que hoje, indo pra 2020, o ecossistema Javascript tá um pouco mais estável e menos caótico do que 3 a 5 anos atrás que era uma zona completa. Mas agora se você é iniciante e não sabia disso, pode estar meio assustado, como aprender tanta coisa logo no começo? Vamos pra quinta pergunta que é gancho pra isso, e a pessoa falou: &ldquo;Tenho alguns problemas que me impedem de prosseguir nessa carreira. Sou muito imediatista, quando inicio algum curso, seja de inglês ou de uma linguagem nova, eu já penso em um longo caminho pra percorrer e acabo desanimando de prosseguir, não consigo adquirir uma rotina de estudos. E também tenho medo de ser burro e não saber programar, ou esquecer de tudo na hora que uma empresa me contratar. Meu conhecimento na teoria é bom, mas na hora de praticar ou criar alguma coisa, eu esqueço ou desanimo por pensar que não consigo achar o que as pessoas iriam pensar. Sempre me dá um branco e não consigo começar nada, nem um portfolio que preciso muito. Tem alguma dica? Já passou por isso?&rdquo;</p>
<p>Eu já estou parecendo uma vitrola quebrada, mas vou repetir isso até vocês enjoarem ou entenderem de uma vez: existe um limite do que cursos e livros podem fazer só na teoria. Chega uma hora que simplesmente não adianta só estudar. Ninguém aprende a programar só lendo. Não tem um ponto exato pra começar, mas eu sempre vou dizer que você precisa dividir seu tempo entre estudar teoria e praticar. O problema é que muito iniciante ainda acha que prática vem no emprego. E isso era bem verdade, até o começo dos anos 2010 pelo menos. Mas especialmente nos últimos 10 anos com um acesso melhor que a maioria da população tem de internet de banda larga e com a popularização de plataformas como GitHub, você tem literalmente milhares de projetos open source à sua disposição.</p>
<p>Eu falei no episódio sobre a Dor de Aprender o que você tem que fazer: não fique só lendo post, vá no GitHub e baixe os projetos. Digamos que você é o iniciante no interior, que só tem a opção de trabalhar numa empresa com sistemas legados. Ou mesmo se você é um júnior numa tech startup caótica que ninguém tem tempo nem estrutura pra te treinar. Como você vai conseguir aprender o que é um bom código se você só está exposto a código mal feito, seja porque é legado ou seja porque é feito às pressas num lugar que prioriza crescer rápido acima de tudo?</p>
<p>A sua única opção é código open source. Não estou dizendo que todo projeto open source tem bom código, na verdade tem muito código bem porcaria também. Mas o importante é que você consegue achar bons códigos. E mais do que isso. Eu falei que você precisa saber um monte de bibliotecas que muitas empresas modernas usam. Muitas dessas bibliotecas sequer tem cursos ou livros. A sua única forma de saber como elas são usadas é procurar projetos que usam essas bibliotecas. Exemplo simplificado em post de blog é muito pouco. Mas ver só num projeto é pouco, você precisa ver como vários projetos usam a mesma biblioteca de maneiras diferentes.</p>
<p>Aqui você vai encontrar a barreira: você vai ter que encarar qual é sua real determinação em querer aprender. Se você diz que só consegue estudar dentro do horário de uma aula de curso. Se você diz que só consegue pegar no teclado pra digitar código durante o horário de serviço. Essa é sua barreira. Não é um defeito, só não é sua vocação. A maioria dos programadores é assim na realidade. São mais raros os que tem a determinação de, nas horas vagas, ler documentação online, baixar as dezenas de projetos na própria máquina e treinar esses códigos.</p>
<p>Lembre-se, você não tem experiência, muitos que não quiseram ou não puderam fazer faculdade, sequer tem a fundação. Se você não tiver essa disposição, eu realmente não tenho muito mais que eu posso recomendar pra você. Literalmente todo dia tem coisa nova aparecendo. Você pode escolher que não quer ter que estudar pro resto da vida, então você tem a opção de empresas que não estão tão preocupadas em seguir as novas tendências. As tais empresas de interior, empresas cujo foco não é tanto tecnologia, setor público por exemplo. Eu chutaria que a maioria dos programadores na realidade são mais codificadores, não estão tão preocupados em buscar as melhores soluções, mais em manter o que já tem e torcer pra não mudar muito pra não ter que estudar nada novo. Já deixo bem claro que esse não é meu público alvo.</p>
<p>Mas se você gostaria de uma carreira que vai evoluir, e você vai ter mais valor no futuro, você tem que colocar na cabeça que vai ter que estudar e praticar com frequência, pro resto da sua vida, não é uma opção. Na pergunta a pessoa fala que tem dificuldade de se colocar numa rotina de estudos. Isso é muito comum. Eu também não consigo ficar estudando coisas na teoria sem nunca usar na prática. Eu prefiro iniciar pela prática e buscar a teoria pra complementar o que eu não sei e vou intercalando. Raramente eu leio um livro técnico do começo ao fim. Na verdade eu não lembro se um dia cheguei a fazer isso. Eu realmente nunca li um livro técnico de cabo a rabo. Seria uma enorme perda de tempo. Livro técnico é que nem dicionário: é uma referência que você busca em momentos específicos, pra ler um trecho específico, e daí voltar pra prática.</p>
<p>E aí tem o tal medo de numa entrevista não lembrar do que estudou. Ou mesmo quando vai tentar começar um projeto não se lembra também. A razão disso é a falta de prática. Só fazer curso e ler livro é uma chatice. Eu não lembro a última vez que fiz algum curso, mesmo lá no começo. Na real, faz anos que eu não leio livros técnicos nem faço cursos online. Eu só procuro referências quando eu tenho dúvidas específicas. Como eu disse, pra muitas das coisas novas, sequer existem cursos. Eu prefiro sempre ir atrás das documentações online e em alguns casos abrir o código fonte dos projetos que quero usar pra ter uma noção de como funcionam.</p>
<p>Muita gente recomenda você começar um projeto pessoal do zero. É a pior recomendação que se pode dar, justamente porque se você não tem experiência, como vai imaginar como se começa um projeto do zero? Na verdade isso é uma experiência super frustrante pra quem tem zero experiência. É muito melhor começar baixando projetos dos outros. Copie código dos outros, sem nenhum objetivo de no final ter um produto seu que tenha alguma utilidade.</p>
<p>Eu disse isso em outro vídeo e vou repetir de novo: copie muito código. Literalmente abra o navegador no projeto do Github de um lado, abra seu editor de textos do outro, e copie. Treine sua memória muscular a se acostumar com código. Não só baixe o projeto e rode. Crie um novo diretório e redigite tudo do zero de novo. Você vai descobrir que mesmo copiando, seu código vai falhar. Você vai descobrir que às vezes é melhor codar algumas coisas do começo ao fim, às vezes é mais fácil copiar uma parte, tentar rodar, depois continuar. Você vai descobrir que algumas partes você já sabe como codar de uma forma melhor e vai ver na prática se o que você acha que é melhor realmente funciona. E além disso vai ver bibliotecas sendo usadas que você nem sabia que existiam e pra que servem, na prática. Quando você está começando do zero, isso é extremamente importante.</p>
<p>Nem pense tanto em contribuir nos projetos open source logo de imediato. Essa não é a prioridade. Com o tempo, você vai saber quando tá apto a contribuir. E contribuir é vantajoso tanto como exercício e prática quanto pra montar portfolio e currículo. Porque é um código seu que qualquer um consegue avaliar e ver até onde você consegue contribuir. No Brasil parece que nem toda empresa olha isso, mas no exterior é um critério muito importante.</p>
<p>A sexta pergunta eu ouço bastante, a pergunta é curta e a resposta não vai ser satisfatória, mas a partir daqui minhas respostas devem ficar um pouco mais curtas pelo menos. Vamos lá, a pergunta é assim: “Qual seria a linguagem mais fácil pra começar a programar? Eu tentei Python mas falhei.”</p>
<p>Cara, Python é uma das linguagens mais simples pra começar. A sintaxe dela é uma das mais simples, tem poucas exceções às regras, ninguém fica inventando muita moda nos patterns. Não é a toa que muitas faculdades escolhem Python hoje, porque realmente é simples de começar. Mas isso dito, não existe isso de “linguagem mais fácil pra começar”. Qualquer linguagem é fácil pra começar. É que nem eu perguntar: qual idioma é mais fácil pra começar. Tanto faz. Qualquer criança no mundo, nascida em qualquer país do mundo, aprende o idioma local. O que faz a diferença não é a dificuldade do idioma comparado com a que você já sabe, é quanto você está disposto a mergulhar nela. Como eu disse antes, se sua disposição for fraca, qualquer opção vai ser difícil.</p>
<p>Você tá no começo, literalmente tanto faz. De preferência procure um conjunto de tecnologias que é usado nas empresas da sua região. Depois você aprende outras. Daqui 5 anos as linguagens que hoje são consideradas as mais tops, já não vão mais ser. Nem se preocupa e se não assistiu ainda veja meus episódios sobre “Sua Linguagem Não é Especial” e “A Dimensão do Tempo” onde eu tento explicar mais essa visão de longo prazo.</p>
<p>A sétima pergunta é outra que ouço bastante ainda: “Pra irmos pro framework, precisamos dominar a linguagem pura ou basta saber do básico ao intermediário? Por que as vagas de emprego hoje em dia tudo pede eles, perdi duas vagas em entrevista porque eu disse que sabia a linguagem pura.”</p>
<p>Você precisa saber obviamente, tanto a linguagem quanto o framework. Por exemplo, Javascript e React. Python e Django. PHP e Laravel. Ruby e Rails. Java e Spring. Você nunca vai conseguir saber 100% de qualquer linguagem. Isso leva anos, provavelmente nem os criadores dessas linguagens conseguem saber tudo que elas fazem hoje, porque é como um idioma. Nem Shakespeare saberia tudo de inglês. Só com a linguagem, sem ter conhecimento do ecossistema ao redor, você tem bem pouco valor pro mercado. O mercado adota frameworks, bibliotecas, ferramentas e processos que você vai precisar saber. Portanto não tem nenhum problema em começar pelo framework e aprender o mínimo da linguagem pra conseguir copiar e colar trechos que viu no stackoverflow. Muita gente faz isso.</p>
<p>Mas deixa eu colocar isso bem claro: é muito fácil pra qualquer sênior olhar pro código feito dessa forma e saber que é trabalho de um iniciante. Vira e mexe eu avalio código e de bater o olho eu já sei se é um iniciante ou alguém mais experiente. Sei quais trechos tem cheiro que foram copy e paste. De novo, pensa um idioma. Se você faz uma redação, algumas partes você mesmo escreve, outras partes você abre um livro de Shakespeare e copia trechos, abre um livro de Mark Twain e copia outro trecho. Você não acha que o estilo da codificação fica diferente? Alias, fica bem diferente? Por isso eu enfatizo tanto pra você treinar copiando código dos outros o máximo que puder. Com o tempo você vai começar a notar esses padrões. Comprimento de métodos, complexidade do código, estética da organização, e com o tempo vai começar a se preocupar não só com a função, mas com a forma do seu código. Vai identificar o que é sujeira desnecessária, vai aprender a reduzir seu código ao mínimo necessário que deixa ao mesmo tempo legível e também eficiente.</p>
<p>Não se preocupe, seu código no começo vai ser sempre ruim. Não importa se você começou aprendendo primeiro a linguagem e depois pulou pro framework, ou se começou pelo framework e foi aprendendo a linguagem no caminho. Qualquer das duas opções você tem que continuar estudando os dois. E se você parar, qualquer um mais experiente vai saber qual é seu nível só de olhar pro seu código. Aliás, isso é outra dica: se alguém que se diz senior, olhar pro seu código de junior, e não tiver nada a dizer, provavelmente é porque ele também é junior e só tem o título de senior.</p>
<p>A oitava pergunta é uma continuação. Depois de ter passado do estágio de aprender o básico de uma linguagem e dos frameworks, a dúvida é: “Eu tenho muita dificuldade com CSS, não consigo encaixar as coisas onde eu quero na página, e também tenho dificuldade com responsividade. A maior parte do meu trabalho é construindo APIs REST, e alguns back-offices com o próprio Rails. Meu foco é no backend, mas acabo mexendo um pouco com front e deploy no Heroku. Como profissional, eu devo focar meus estudos em superar essa dificuldade com CSS ou focar na minha carreira de backend e estudar TDD, design patterns, fundamentos, etc? Lembrando que meu foco é ser desenvolvedor fora do Brasil.”</p>
<p>A velha discussão sobre desenvolvedor full-stack. Isso existe e não existe. Em pequena escala é possível ser full-stack. Mas em grandes tech startups, que já tem alcance e escala, o trabalho de engenharia é muito mais especializado. Então a discussão se divide entre empresas onde é possível ser full-stack e onde não é. E a barreira é a quantidade de conhecimento avançado e experiência que o profissional precisa ter. Pra que direção você vai depende que tipo de empresa que você tem como objetivo. Tanto no Brasil quanto no Exterior. Empresas menores tendem a querer mais um “full-stack” que no fundo é alguém que consegue desenvolver e deployar uma aplicação web de ponta a ponta sozinho, mas sem se preocupar com escala e segurança de tech startup nível Uber. Claro que o que esse full-stack vai saber em termos de conhecimento e experiência é muito menos que um back-end especializado senior de um Uber.</p>
<p>Agora, o que foi listado como TDD, design patterns, fundamentos, ainda é só o básico. Tanto pra empresas médias, quanto pras grandes isso é be-a-bá, coisas que juniors já tem que estar estudando, plenos já tem que saber. Back-end senior tem ir além disso. Mas o que vai determinar até onde você vai é o quanto você tem disposição pra buscar coisas novas versus se conformar onde está e evitar mudanças.</p>
<p>A nona e penúltima pergunta é outra que não tem uma resposta satisfatória. A pergunta é: “Onde você vê mais vagas de emprego. No front-end ou back-end?”</p>
<p>Dependendo de que site de empregos ou post analíticos você procurar, vai achar respostas diferentes. Dependendo se está olhando só na sua região, nos grandes centros, em outros países. Depende. E de novo, como eu disse antes, existe escassez de profissionais de qualidade e existe excesso de profissionais inexperientes ou ruins mesmo. Se você for um programador ruim, não tem vaga decente em quase nenhum lugar. Se você se esforçou pra ser qualificado, existe vaga sobrando. E tanto faz se é em front, se é em back, em devops, em infosec. Pense sempre assim: se você sabe pouco, tem muito mais concorrência, portanto você vale menos. Se você se esforçou pra saber mais, tem muito menos gente que se esforçou, então a concorrência é menor. É lei da oferta e da procura. Use essa lei a seu favor e acumule mais conhecimento e experiência do que a maioria está fazendo. Se você está seguindo a maioria, você provavelmente está indo na direção errada.</p>
<p>E finalmente, a décima e última pergunta de hoje diz: “Meu sonho é ser um engenheiro de software, programo já tem 5 anos e amo fazer isso, mas ao mesmo tempo amo empreender. Estou criando minha empresa, vai ser um produto saas. Será que um dia vou ter que tomar a decisão de ou empreender ou programar? Os dois consigo fazer? Ouvi dizer que um dia se eu quiser que a empresa tenha sucesso vou ter que deixar de codar.”</p>
<p>Empreender, principalmente no mundo de tech startups, tem um fator que é pouco dito: o fator QI, que é Quem Indica. Nada é garantido no mundo de empreendimento, mas se você já é bem conectado, seja por histórico familiar e coisas assim, você sempre vai ter chances melhores de conseguir parcerias melhores, investidores e tudo mais. Se como eu, você não teve nada disso, sua única chance é conseguir isso do zero e confiança é algo que se adquire rápido. Certamente não tem vantagem nenhuma ir em evento de networking trocar cartão.</p>
<p>Criar um produto é razoavelmente fácil. Se você não for ruim demais, eventualmente consegue codificar um produto. Se ele vai ser bom ou não é outros quinhentos. Porém o maior custo de um produto do zero é o marketing. Estou falando numa ordem de grandeza maior do que você gastar pra fazer o produto. Um produto ruinzinho que tem um marketing caro tem mais chances de atrair usuários do que um produto extremamente bem feito que ninguém nunca ouviu falar. Eu falei que estamos no meio de um boom de tech startups, significa que a concorrência é enorme. Ser só um pouquinho melhor do que a concorrência, ainda mais se for só subjetivo, não basta. Pra conseguir crescimento orgânico só na competência técnica, sem apoio externo, é basicamente sorte.</p>
<p>Se seu objetivo é ser um engenheiro de software bom, isso vai de encontro a empreender, que também é uma atividade de tempo integral. De novo, se você já não tem excelentes sócios administradores, que conseguem perfeitamente levar a parte tributária, fiscal, vendas, marketing, suporte, recursos humanos, você vai ter que fazer tudo isso sozinho. É muito raro, sozinho, conseguir fazer tudo e ainda conseguir ter alguma chance de ter sucesso. Já vi gente conseguir, mas é a exceção da regra. Por isso não é uma recomendação.</p>
<p>E isso é outra coisa que eu falo pra todo iniciante na carreira. Empreender muito cedo não é nunca uma recomendação. Administrar uma empresa de maneira inteligente e eficiente, especialmente no começo, é tão difícil quanto fazer um bom código que funciona, sem bugs e que escala. Não superestime suas capacidades de programação e nem subestime a dificuldade de ser empresário com as leis toscas do Brasil. Aqui é uma preferência pessoal, mas eu prefiro ir um caminho de cada vez. Primeiro ganhar calo como programador de verdade em uma variedade de projetos diferentes até se tornar realmente bom e com o tempo ver como as empresas realmente funcionam e durante esses projetos ir conhecendo pessoas fora da sua área como advogados, contadores, administradores, que você passe a confiar e que também confiam em você depois de ver resultados, e naturalmente você pode se tornar um empresário.</p>
<p>Tudo isso muda se você já tem dinheiro, vem de família abastada, e pode contar com esse networking e recursos, claro. Mas não é a realidade da maioria das pessoas. O caminho pra se tornar um bom profissional, um bom engenheiro de software, não é simples. E não deveria ser mesmo, por isso ele é bem remunerado. Justamente porque a maioria das pessoas desiste no caminho, é desonesto, não consegue admitir as próprias fraquezas e por isso nunca sabe onde precisa melhorar, e gasta mais tempo botando defeito no mundo e nas outras pessoas do que em si mesmo. Eu sempre falo que se alguém reclama tempo demais, é justamente o tempo que não está usando pra praticar, estudar e entregar valor de verdade. Acho que falei no video sobre SAP que no mundo de consultoria a gente tem um nome pra isso: consultor crocodilo, que é aquele que tem boca grande e braço curto.</p>
<p>E por hoje é isso aí, não dá tempo pra responder todas as outras perguntas que recebi, mas essas representam a maioria das coisas que me perguntam. Eu tentei cobrir os cenários que eu acho que a maioria das pessoas se encaixam, seu caso particular talvez não esteja aqui. Também não tem problema me mandar perguntas em privado pelas redes sociais, mas eu realmente não consigo responder todo mundo de bate pronto, mas pode ser muito útil pra um próximo vídeo. Vocês gostam desse tipo de video de vez em quando? Não deixem de dar feedback nos comentários abaixo, se curtiram o video deixem um joinha, assinem o canal e não deixem de clicar no sininho pra não perder os próximos episódios. Aliás, o YouTube vira e mexe tira a sua assinatura do canal se você não volta com alguma frequência, então chequem se ainda estão assinando! Por hoje é isso aí, a gente se vê, até mais!</p>
<p>Olá pessoal, Fabio Akita</p>
<p>Antes de mais nada, meus agradecimentos ao Codigo Fonte TV pelo convite pra compartilhar nossas mensagens pra comunidade brasileira de desenvolvimento de software.</p>
<p>Estamos nos anos 20 do século XXI eu fico pensando uma coisa. Faz só 6 décadas que começou a revolução do circuito integrado. Faz só 5 décadas que começou a revolução dos computadores desktop. A revolução da Web ainda não completou 3 décadas. E faz só 1 década que tivemos a revolução dos smartphones. Durante minha carreira de 30 anos de programação eu tive o privilégio de testemunhar boa parte dessa história em primeira mão e mesmo assim eu não consigo imaginar o que vai acontecer na próxima década. Não existiu melhor momento pra se tornar um programador do que agora e fazer parte dessa história que vai continuar transformando a humanidade. E não tem nada mais empolgante pra mim do que saber como essas coisas funcionam e ter parte da construção do futuro. Juntem-se a nós!</p>
<p>Muita gente me procura via mensagens diretas em redes sociais, em particular pelo Instagram. Pro episódio de hoje eu selecionei 10 perguntas que representam a maior parte dos temas que costumam me perguntar e apesar de já ter parcialmente respondido algumas delas via os temas de outros vídeos passados, vou tentar compilar respostas um pouco melhores hoje. Espero que ajude.</p>
<p>O tema vai ser “Perguntas mais frequentes de iniciantes no mercado de tecnologia”. Diferente do vídeo que eu fiz chamado “Começando na Carreira de TI” (<a href="https://www.youtube.com/watch?v=H84WD_xyj10"target="_blank" rel="noopener">https://www.youtube.com/watch?v=H84WD_xyj10</a>) onde eu abordei assuntos que começam mais na escolha da faculdade primeiro, esta é mais focado no primeiro emprego e na forma de começar a evoluir. Depois de assistir este video convido vocês a tentarem o vídeo “Dimensão do Tempo” (<a href="https://www.youtube.com/watch?v=Qb5b8ZE9tIY"target="_blank" rel="noopener">https://www.youtube.com/watch?v=Qb5b8ZE9tIY</a>) e “O Mercado de TI para Iniciantes em Programação” (<a href="https://www.youtube.com/watch?v=O76ZfAIEukE"target="_blank" rel="noopener">https://www.youtube.com/watch?v=O76ZfAIEukE</a>)  também.</p>
<p>Se vocês ainda não me seguem nas redes sociais, não deixem de seguir. E podem mandar perguntas em privado que eu possa usar em próximos episódios de perguntas e respostas.</p>
]]></content:encoded><category>carreira</category><category>aprendizado</category><category>startups</category><category>akitando</category></item><item><title>[Akitando] #53 - 10 Mitos sobre Tech Startups | Parte 2 [Rated R]</title><link>https://akitaonrails.github.io/2019/07/02/akitando-53-10-mitos-sobre-tech-startups-parte-2-rated-r/</link><guid isPermaLink="true">https://akitaonrails.github.io/2019/07/02/akitando-53-10-mitos-sobre-tech-startups-parte-2-rated-r/</guid><pubDate>Tue, 02 Jul 2019 17:00:00 -0300</pubDate><description>&lt;div class="embed-container"&gt;
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&lt;p&gt;Nesta segunda e última parte do tema &amp;ldquo;10 Mitos de Tech Startups&amp;rdquo; eu vou pegar mais pesado em porque você insiste em ser enganado o tempo todo por fake-celebridades de empreendorismo de palco e o que você realmente deveria estar pensando se seu objetivo é realmente abrir uma empresa ou ajudar o mundo. Dica: não é em eventinho de startup.&lt;/p&gt;
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<p>Nesta segunda e última parte do tema &ldquo;10 Mitos de Tech Startups&rdquo; eu vou pegar mais pesado em porque você insiste em ser enganado o tempo todo por fake-celebridades de empreendorismo de palco e o que você realmente deveria estar pensando se seu objetivo é realmente abrir uma empresa ou ajudar o mundo. Dica: não é em eventinho de startup.</p>
<p>E o episódio de hoje é RATED R de novo porque eu acho que vai doer em muito floquinho. Se for frágil, pegue seus sais antes de assistir. Mas assista!</p>
<p>Links:</p>
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<p>10 Mitos de Tech Startups | PARTE 1 (<a href="https://www.youtube.com/watch?v=jkHnPxsiyGk"target="_blank" rel="noopener">https://www.youtube.com/watch?v=jkHnPxsiyGk</a>)</p>
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<p>Somos Matematicamente Ignorantes (<a href="http://www.akitaonrails.com/2008/03/01/off-topic-somos-matematicamente-ignorantes"target="_blank" rel="noopener">http://www.akitaonrails.com/2008/03/01/off-topic-somos-matematicamente-ignorantes</a>)</p>
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<p>Skeptical Inquirer - Coincidence: Remarkable or Random? (<a href="https://skepticalinquirer.org/1998/09/coincidences_remarkable_or_random/"target="_blank" rel="noopener">https://skepticalinquirer.org/1998/09/coincidences_remarkable_or_random/</a>)</p>
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<p>Mary Gates, 64; Helped Her Son Start Microsoft (<a href="https://www.nytimes.com/1994/06/11/obituaries/mary-gates-64-helped-her-son-start-microsoft.html"target="_blank" rel="noopener">https://www.nytimes.com/1994/06/11/obituaries/mary-gates-64-helped-her-son-start-microsoft.html</a>)</p>
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<p>=== Script</p>
<p>Olá pessoal, Fabio Akita</p>
<p>Caramba eu tô bem contente com a repercussão dos meus últimos vídeos, em particular meu rant em Esqueça Metodologias “Ágeis” onde eu explico como as consultorias e coaches ágeis destruíram a essência do verdadeiro ágil. Até semana passada eu tinha pouco mais de 9 mil inscritos e meus vídeos raramente batem 5 mil views, ficando na média dos 3 mil a 4 mil, que não é ruim, pois quer dizer que pelo menos metade dos inscritos assiste os vídeos.</p>
<p>Esse vídeo até o dia da gravação de hoje - que costuma ser 2 dias antes de eu lançar - já bateu mais de 15 mil views, ele sozinho trouxe mais de 2 mil novos inscritos, e o canal finalmente alcançou os 10 mil inscritos e rapidamente querendo já passar os 11 mil inscritos. Muito obrigado a todos vocês, e eu só posso concluir que vocês gostam mesmo de tretas. Eu sei, eu sei. Se vocês gostaram daquele vídeo este talvez seja mais uma boa munição pra compartilhar com seus algozes.</p>
<p>O episódio de hoje é a segunda parte dos 10 mitos de startups que eu comecei na semana passada. Na primeira parte eu falei dos primeiros 5 mitos e hoje vamos falar dos outros 5 que coincidentemente são os que eu gosto mais. Se ainda não viu a primeira parte, veja o link nas descrições e assista antes de continuar. Vamos lá, eu espero ….    Pronto, já assistiu? Então vamos continuar.</p>
<p>(&hellip;)</p>
<p>Vamos lá. O mito 6 é outra coisa que você ouve muito falar no mercado de TI e em particular no mercado de startups e empreendedorismo. Acho que é o dilema de todo jovem ansioso, e nem posso dizer que está totalmente errado. Mas alguns motivos são piores do que outros. Você não tem tempo pra perder, então larga a faculdade. E um dos argumentos pra isso é a velha falácia de olhar pras grandes exceções da história como Steve Jobs, Bill Gates ou Mark Zuckerberg, bilionários que largaram suas faculdades. Se na sua cabeça isso parece um bom argumento, pára tudo e vai se tratar.</p>
<p>Vamos começar contando as coisas que você provavelmente não sabe. Um Bill Gates, por exemplo, ele já tinha se associado a Paul Allen e fundado a Microsoft “antes” de largar Harvard. O Zuckerberg já tinha feito primeiro o Facemesh e depois o The Facebook antes de abandonar Harvard. Tirando Steve Jobs, tanto Gates quanto Zuckerberg vem de famílias ricas, eles tinham condições, muitas condições. Porra, eles tavam em Harvard! Não era na faculdade EAD da esquina, era Harvard!</p>
<p>E falando em correlações, na verdade existe uma correlação muito maior e mais significativa entre quem ocupa os melhores e mais influentes cargos dos Estados Unidos, como juízes federais, senadores, CEOs de Fortune 500, os homens e mulheres mais poderosos segundo a Forbes, e a grande maioria deles se formou nas principais universidades de elite dos Estados Unidos, como Harvard. A faixa não formada é quase insignificante nesses gráficos.</p>
<p>Vou falar de networking depois mas o verdadeiro networking começa na faculdade e nos primeiros empregos. Com as pessoas de igual talento ou talento superior ao seu, com os quais você teve a oportunidade de trabalhar lado a lado por longos períodos de tempo. Onde essas pessoas tiveram tempo pra avaliar quem você é de verdade, se é honesto, se realmente entrega o que promete, se é melhor do que os outros ao redor. Principalmente, se você é realmente confiável. Nada disso vem de uma pequena conversa em evento de startup. Essas coisas só surgem de relacionamentos de longo prazo, e o melhor lugar pra começar isso é nas melhores universidades que você puder entrar. Se fosse só o conteúdo você podia só estudar o mesmo currículo que se estuda em Harvard e ser a mesma coisa. Mas não é só isso, você não vai ter esses relacionamentos num EAD. Esse é o real valor de um Harvard.</p>
<p>Como eu já expliquei em vídeos anteriores, o treinamento deliberado faz toda a diferença. Assim como Mozart começou a ser treinado na infância, também foi a mesma coisa com Bill Gates, que vindo de família rica teve acesso a tecnologia e networking desde a infância. A Microsoft não foi a primeira parceria entre Gates e Allen. Como prodígios da computação no Colégio Lakeside, aos 13 anos, eles escreveram um programa de folha de pagamentos para uma empresa chamada Information Sciences Inc. Logo depois, eles tiveram a idéia de melhorar o processo de medir fluxo do tráfego de veículos. No formato existente, um tubo sensível à pressão perfurava uma sequência numa fita de papel sempre que um carro passava, com os resultados depois transcritos para cartões perfurados de computador. Depois de juntar 360 dólares pra um microprocessador, Gates e Allen desenvolveram seu computador “Traf-O-Data” para ler e analisar as fitas de papel. Embora isso funcionasse, eles entenderam que sabiam mais sobre construir esse tipo de máquina do que vender. Allen então aponta essa experiência como uma lição importante sobre o valor de um business model.</p>
<p>Já que mencionei business model, o mito número 7 é pra rebater outra coisa que muito amador ainda acha importante: ficar gastando tempo, dias, semanas, meses desenhando slides bonitos de powerpoint e chamando isso de Business Plan.</p>
<p>Um business model é a descrição do seu negócio, suas capacidades, seus produtos e serviços, seu formato de distribuição, seu modelo de custos, suas parcerias, sua infraestrutura, enfim, tudo que define seu negócio. Um business plan é seu plano de ataque, como você cresce seu business model em um negócio de verdade, seus objetivos, sua missão e seus valores, quem é sua concorrência, sua estratégia financeira, sua estratégia de marketing, sua estratégia de trabalho.</p>
<p>Tudo isso é importante. Mas nada disso você desenha no dia 1 e segue como um passo a passo pelos próximos meses ou anos. Tanto o business model quanto o business plan são temporários, meros rascunhos. Na prática eu diria que se você precisa demais de um business plan, você não sabe o que está fazendo e nem devia estar começando. Especialmente numa pequena empresa, essas coisas não tem quase nenhum valor. O único que consegue desenhar um business plan de verdade, que faz sentido, é quem já lidou com várias empresas antes, daí você basicamente escreve o que você já sabe por experiência. Quem não sabe, não vai descobrir desenhando um plano teórico. O plano só reflete a experiência atual do empreendedor, se for seu primeiro negócio, garantidamente seu business plan é uma droga. Simples assim.</p>
<p>Quem viu meus videos anteriores já sabe: eu já disse que programador é uma profissão de prática, e os primeiros códigos serão uma droga. Isso é normal. Eles ficam melhores com treino deliberado. Empreendedor é a mesma coisa: é uma profissão de prática. Não interessa se você fez MBA ou qualquer coisa desse tipo: seu primeiro business plan vai ser uma droga. Empreender é muito tentativa e erro. Portanto, não importa se você gastou 1 semana ou 1 mês desenhando esse plano, ele não vai ficar melhor só porque você ficou refinando cor de slide e tamanho de fonte mais 1 semana ou 2. E quando eu digo uma droga, não estou dizendo que só vai ter bobagens escritas nos slides.</p>
<p>Pelo contrário: se você se dedicar vai ter muita coisa correta que você vai copiar de diversos livros sobre administração ou coisas assim, só que você nunca praticou nada do que está escrevendo. Pra você vai ser só um monte de jargões, tudo teoria. É como se em vez de um business plan você estivesse escrevendo uma rotina de treinos pra se tornar campeão olímpico. Só que você nunca nem subiu numa esteira sua vida inteira. Você acha que interessa qualquer coisa que você pode escrever numa rotina de treinos teórica? Sério: você nunca fez uma flexão na vida e acha que escrever sobre ser campeão olímpico te deixa um passo mais próximo de ser mesmo? Cai na real.</p>
<p>Muita gente até hoje ainda fica obcecado em fazer business plan porque é isso que muitos livros e palestras de empreendedorismo dizem pra fazer. É isso que muitos programas de incubação e aceleração mandam fazer. É isso que muitos coaches ou mentores mandam fazer. E se for esse o caso, isso é bullshit. Mais bullshit ainda é o objetivo de porque muitos gastam tempo fazendo isso: pra conseguir funding.</p>
<p>Na cabeça idiota de empreendedor wannabe que acredita em conto de fada é que se você fizer o melhor e mais bonito business plan, com o melhor e mais bem treinado sales pitch, que você apresenta impecavelmente em evento de startup na frente de uma banca de VCs e investidores de seed money, então você tem grandes chances de conseguir funding. E com esse funding você finalmente vai conseguir executar sua ideia e criar sua startup.</p>
<p>Tá errado. Tá tudo errado. Vou te dizer como um investidor pensa: se a única coisa que você tem pra mostrar é um punhado de slides de powerpoint, seu valor é zero. Não importa o que tem nos slides. A menos que você me diga que nesses slides tem alguma coisa como o segredo pra curar cancer, qualquer outra coisa, não importa o que seja, é lixo por padrão. Ponto final, é isso que o investidor pensa, não importa o que ele te diga. E ele não está errado!</p>
<p>Pra começar, um investidor precisa ver alguma coisa funcionando. Portanto, faz aí seu business plan, executa aí esse business plan, e com um resultado palpável em mãos, daí vá procurar funding, que talvez você precise pra expandir seu negócio. Mas o negócio precisa existir primeiro. Muita gente quer ganhar funding pra poder largar o emprego e ter uma outra fonte de renda, ou seja, salário,  enquanto executa seu business plan. Isso é bullshit. Se nem você acredita em você mesmo o suficiente pra arriscar seu próprio dinheiro e tempo na sua própria ideia, porque você acha que um investidor vai arriscar um real dele ou um segundo do tempo dele em você?</p>
<p>Várias vezes eu já encontrei esses fake empreendedores, são todos sempre um saco. Eles me aparecem com um business plan ou mesmo só um sales pitch e falam que precisam de alguém pra programar, mas obviamente não querem pagar nada. E tem a audácia de me oferecer alguma coisa ridícula como 10% ou menos do negócio. Bullshit. Na minha empresa a gente responde: ok, eu quero 90% do negócio então. Daí o cara fica indignado dizendo que a idéia é dele e tals. E eu digo, foda-se a idéia, ela não vale dick shit até eu ou alguém executar ela pra você. Se eu que vou realmente trabalhar e construir essa idéia toda do zero, gastando meu tempo e dinheiro, e você vai ficar aí coçando o saco enquanto isso - porque é exatamente o que você vai fazer -, então minha parte vale 100%, e eu ainda tô sendo legal de ter deixar com 10%. Lógico, pára e pensa se essa não é a única resposta que faz sentido a menos que eu goste de jogar dinheiro fora?</p>
<p>Mas e as premiações em competição de apresentação de startup? Os cheques de 100 mil reais? Isso se chama entretenimento. 100 mil reais não é nada, nada. Faça as contas. Digamos que você precisa de 3 bons programadores, e digamos que você pague 5 mil reais pra cada um. Por 3 meses, só em programadores, você já gastou metade desse tal prêmio. Em 3 a 6 meses você vai estar no mínimo faturando 100 mil? Porque se não estiver, pra que você ficou feliz de ganhar 100 mil? Quem está jogando o jogo do entretenimento não vai de fato produzir nada com esses 100 mil, só gastar em aumentar sua própria imagem de marketing pra ficar indo de evento em evento até parecer mais do que é, pra atrair investidores de primeira viagem e ficar engordando um porco que nunca existiu.</p>
<p>Esse é o jogo. Por isso eu não participo desse jogo, não tenho saco pra lidar com gente que só quer construir imagem. Ficar se vangloriando porque ganhou prêmio em evento de startup - ou qualquer tipo de prêmio na real - não significa nada a não ser pra quem está mais preocupado em achar gente pra chupar dinheiro do que fazer um negócio realmente lucrativo. E de novo, esse é o jogo, não vejo nenhum problema em quem joga sabendo disso. Mas você que está de fora e por alguma razão acha que tem algum valor pro seu negócio ganhar um prêmio, você está com suas prioridades erradas.</p>
<p>Mas digamos que você acredita de verdade na sua idéia, digamos que você teve a idéia de produzir alguma coisa via impressoras 3D, você acha que as pessoas vão querer. Qual é sua próxima grande idéia? Qual seu business plan? Talvez conseguir funding pra comprar um monte de impressoras 3D pra produzir em maior quantidade. E obviamente isso é uma idéia idiota. Se você quer produzir uma peça em grande quantidade, você não produz você mesmo. Você manda produzir na China. Você transporta de volta pra cá em containers. Você lida com centros de distribuição e logística. Você procura conseguir vantagens fiscais. E como você faz pra saber tudo isso?</p>
<p>Você trabalha! Você trabalha em empresas de varejo, em empresas de produção, em empresas de logística, aprende de verdade como funciona o caminho burocrático, quem são os fornecedores confiáveis, como negociar com estrangeiros, como configurar logística. São anos e anos aprendendo como as coisas de fato funcionam e não como você “acha” que funciona porque assistiu uma palestra do TED Talk.</p>
<p>A grande maioria das tais ideias de startups acabam sendo tudo Uber de qualquer coisa porque vem de pessoas que nunca trabalharam ou trabalharam pouco. E o que uma pessoa que nunca trabalhou conhece? Só os apps que estão instalados no smartphone dele. Ele não tem como melhorar como as empresas funcionam porque ele nunca trabalhou tempo suficiente nem em uma pra saber como as coisas funcionam, o suficiente pra saber como melhorar.</p>
<p>Portanto: se a única coisa que você tem é uma idéia, nem perca tempo fazendo slide de powerpoint. É perda de tempo. Arranje um emprego e vai trabalhar alguns anos na área que você diz que quer revolucionar primeiro. Como alguém tem a audácia de dizer que vai revolucionar a área de saúde e nunca sequer botou os pés num posto de saúde? Consegue ver como isso soa ridículo?</p>
<p>Principalmente: nunca acredite num investidor logo de cara. O objetivo do investidor não é fazer seu sonho se realizar, é em como ganhar dinheiro se isso acontecer. Ninguém aqui está no negócio de caridade e, de novo, isso não está errado. Suas premissas é que estão erradas porque ninguém tem obrigação de dar dinheiro a troco de nada.</p>
<p>E falando em não acreditar, no mito número 8 eu diria pra parar de acreditar em fake celebridades. Seja investidores, seja influencer, ou todo tipo de empreendedor de palco. Isso é uma das coisas que mais me irrita: a quantidade de gente que são fãs de empreendedores celebridades e ainda acreditam em headline de jornalista.</p>
<p>No mercado como um todo existem milhares de pessoas tentando ser o próximo Steve Jobs. Todos os dias. Está claro que só existiu um Steve Jobs, mas no meio de milhares de pessoas tentando, por uma combinação aleatória de fatores, às vezes surgem alguns acidentes de sucesso moderado. Mesmo não chegando ao nível multi bilionário, foi o suficiente pra fazer conseguir ter uma quantidade grande de seguidores sem ter que entregar muito resultado. A grande maioria dos influencers de hoje em dia é isso: gente que nunca de fato entregou nada, mas tem carisma suficiente pra ter fãs. Não vejo nenhum problema nisso, mas só enxergue da forma correta.</p>
<p>Nassim Taleb é quem explica melhor como surgem muitos gurus que você vê por aí. Digamos que você tenha 11 candidatos a guru, em 2013, e nesse exercício a única coisa que eles precisam dizer é se o mercado vai cair ou subir, tipo cara ou coroa mesmo. Estatisticamente, por pura sorte, metade vai acertar e metade vai errar. No ano seguinte vamos considerar ouvir só aqueles que acertaram. De novo, metade vai acertar e metade vai errar e vamos fazendo isso sucessivamente por mais 2 ou 3 anos. Ao final de 5 anos, por pura sorte, vai sobrar uma pessoa que acertou consecutivamente, por 5 anos seguidos, e vamos chamar essa pessoa de “guru”. Bom pra ele, agora que tipo de relevância tem a opinião dessa pessoa pra você? Nenhuma.</p>
<p>A regra é simples, você acha que as pessoas dividem informações realmente valiosas de graça? Se a informação é tão boa assim, quem está falando está aplicando na própria empresa? Ah, ele não tem empresa né? Pois é. Na dúvida, não tenha celebridades de estimação. Não ouça pessoas porque elas foram nominadas “a pessoa mais influente bla bla bla”. Se jornalista fosse tão bom em identificar os reais motivos de um negócio ser bem sucedido no mercado, eles não seriam jornalistas, seriam investidores. O trabalho de um jornalista é vender matéria, se o título vende, ele fez o trabalho dele. E isso não tem correlação com o conteúdo ser bom ou não. De novo, não tem nada de errado nisso, problema seu se acredita. Sempre entenda quais os objetivos de quem escreveu o que você está lendo. Na dúvida, não acredite em mim! Reveja a lógica do argumento e não a pessoa que escreveu. O argumento tem que se sustentar independente de quem está aqui falando pra você. Eu não sou celebridade, nem influencer, qualquer um devia conseguir chegar na mesma conclusão.</p>
<p>E porque nos enganamos tanto? Porque nosso cérebro evoluiu pra procurar padrões e correlações em qualquer lugar, mesmo que não existam. Existem diversas teorias mas se eu for resumir de uma maneira mais informal, nós ainda estamos nos adaptando pra viver num mundo que tem informação demais. Mas o mais importante é sempre lembrar: correlação não é causalidade. Por exemplo, todo grande ditador da história como Hitler, Mussolini, Lenin, Fidel Castro, todos tem barba! Ou seja, todo ditador é barbudo! O erro seria assumir a causalidade e concluir: portanto, todo mundo que tem barba é um ditador em potencial! Soa ridículo, mas vocês fazem esse tipo de generalização o tempo todo! Como já falei antes em associar largar a faculdade como o Gates fez e isso levaria de alguma forma a você ficar mais perto do Gates. É ridículo.</p>
<p>Alguns anos atrás eu publiquei a tradução de um artigo da revista Skeptical Inquirer intitulado Somos Matematicamente Ignorantes, e recomendo que vocês leiam, vou deixar o link nas descrições abaixo. Nós vemos correlações o tempo todo porque com uma quantidade infinita de informações é quase impossível não achar correlações, na verdade o mais comum é conseguir correlacionar qualquer coisa com qualquer coisa. Por exemplo veja este gráfico, segundo esse gráfico podemos ver que existe uma correlação muito grande entre a diminuição do market share do Internet Explorer e a diminuição da taxa de assassinatos nos Estados Unidos. O que podemos concluir disso? Oras, que se você quiser diminuir a quantidade de assassinatos, basta parar de usar Internet Explorer! Ah você já usa Chrome né? Você não se sente melhor agora, tendo colaborado pra diminuir o crime na América?</p>
<p>Ou veja este outro gráfico, aqui vemos que a temperatura global vem aumentando à medida que o número de piratas no mundo vem caindo. Quem diria que o aquecimento global na verdade está associado com a extinção dos piratas. Ou seja, se você quiser colaborar com o fim do aquecimento global, é muito simples, torne-se um pirata!
Estão vendo um padrão nisso que estou dizendo? Quantas coisas que você faz que acredita estar ajudando alguma causa na verdade são simples correlações como essa, sem nenhuma causalidade de verdade?</p>
<p>Nosso cérebro quer encontrar essas correlações, em qualquer lugar, padrões, por isso a gente enxerga rostos em nuvens, por exemplo. Obviamente não tem nenhum rosto lá, é apenas uma forma aleatória, mas nosso cérebro quer forçar uma correlação, uma imagem, onde ela simplesmente não existe. E isso era útil de fato, no passado, antes da civilização moderna, onde a gente tinha que dar um jeito de sobreviver no meio do mato, no escuro. Se de repente a gente visse um par de luzes brilhantes no meio da escuridão, a gente fugia! Sem nem considerar se de fato esse par de luzes eram o reflexo dos olhos de um tigre ou se não era nada. Se a gente parasse pra analisar os fatos, podia ser tarde demais. Então a reação de agir primeiro e pensar depois pode ter sido um fator importante na nossa sobrevivência.</p>
<p>Daí vem as teorias do nosso cérebro ter 2 sistemas: um sistema racional e outro sistema intuitivo. Nós achamos que estamos o tempo todo sendo racionais, mas não estamos. Na verdade você nem sabe disso mas seu lado intuitivo controla suas decisões tanto ou mais que seu lado racional. Um experimento do economista comportamental Dan Ariely ilustra bem isso. Ele contou a história sobre um estudo a respeito de doação de órgãos na Europa e como eles notaram que havia uma diferença muito grande entre países que tinham taxa de doação enorme e outros com taxa de doação muito pequena.</p>
<p>E você podia olhar pra esse gráfico e pensar, ah eu sempre soube que esses ingleses esnobes não tem compaixão nenhuma. Mas por outro lado você ia achar países que não são culturalmente tão diferentes como Holanda e Bélgica ou Dinamarca e Suécia. E imediatamente você devia pensar que a cultura e as pessoas não tem nenhuma relação com essa diferença nas taxas de doação. Mas se não era isso, o que causaria tanta diferença assim?</p>
<p>Então eles foram rever os formulários de doação e viram que nos países que tinham baixa taxa de doação como a Dinamarca ou Alemanha a opção no formulário dizia “assinale ao lado se quer participar do programa de doação de órgãos”, daí as pessoas não assinalavam e ninguém participava. Nos países com maior taxa de participação como França ou Portugal, o formulário era diferente, nela dizia “assinale ao lado se não quer participar do programa”, novamente, ninguém assinalava, mas dessa vez todo mundo participava!</p>
<p>Hoje em dia todo mundo de marketing e UX sabe a diferença do que é uma opção opt-in e opt-out, é basicamente arroz com feijão de comunicação e design de interfaces. Inclusive existem leis hoje em dia pra muitas coisas não serem opt-out de má fé. As pessoas tem que conscientemente querer participar de alguma coisa e não estarem todas já automaticamente participando. Mas o ponto é salientar que na maior parte do tempo, você não tá nem aí. Na verdade, seu cérebro não tá nem aí. Você é muito menos racional do que pensa que é, e isso é importante de saber pra parar de automaticamente acreditar em tudo que fazem pro seu cérebro se confundir.</p>
<p>O mito 9 eu já adiantei um pouco quando falei sobre faculdade. Se você não assistiu meu episódio sobre Faculdade, clique no link acima. Muita gente ainda acredita na idéia de participar de eventos de startup ou trabalhar em co-workings por causa do networking. Isso é outro bullshit. Claro, serendípite sempre existe, mas não é uma regra, na verdade é a exceção da regra. A idéia de você estar num co-working e numa conversa de bebedouro você estar encontrando a parceria que precisava pro seu negócio decolar, ou a idéia de que trocar cartões num evento de startup vai trazer contatos importantes.</p>
<p>Tudo isso “pode” acontecer, é verdade. Mas reveja os mitos. Se tudo que você tem é uma idéia, não importa a qualidade dos seus slides de powerpoint. Não importa se você largou a faculdade. Não importa se você conseguiu o cartão de algum investidor bam-bam-bam ou celebridade de palco. Nada disso interessa. Sério, pra que serve você ficar trancafiado brincando de editor de powerpoint num pseudo hackathon em evento de startup pra ganhar um aperto de mão e um certificado no final?? Que experiência você ganha em 2 ou 3 dias varando noite a não ser que você gosta de tomar Redbull?? Você tá com a vida ganha assim pra ficar perdendo tempo nessas brincadeiras? Ou você só tomou pai-trocínio pra ficar indo em pseudo rave? Vai numa rave de verdade, pelo menos tem álcool e drogas de verdade.</p>
<p>Networking de verdade é uma relação de confiança. Eu não tenho nenhum motivo pra confiar em ninguém que eu acabei de conhecer num evento. E certamente tenho menos motivos pra apresentar alguém que eu confio pra alguém que eu acabei de conhecer. Por esse mesmo motivo eu recuso a grande maioria dos convites de amizade no LinkedIn.</p>
<p>Networking de verdade é uma questão de QI, ou famoso “Quem Indica”. Vamos rever o caso do Bill Gates, já que todo mundo gosta de citar ele. Mas ninguém cita a mãe dele: Mary Gates. Vou deixar linkado um artigo sobre ela nas descrições mas basta vocês saberem que ela foi uma mulher de negócios à frente do seu tempo e muito influente em Seattle. Mais do que isso, ela era do mesmo comitê que fazia parte também John Opel, então CEO da fucking IBM em 1980. Como você acha que a pequena Microsoft de Bill Gates naquela época conseguiu o famoso contrato de licença do MS-DOS para ser instalado em todos os IBM PC e que transformou a Microsoft no que ela é hoje?</p>
<p>Aliás, aqui eu estou totalmente especulando mas se não me engano a Microsoft foi fundada no fim dos anos 70 em Albuquerque, Novo México. Mas se mudou pra Seattle, onde a mãe era influente. Coincidência? I think not! Entenda, mesmo sem o empurrão de sua mãe o Bill Gates estava destinado a se tornar milionário, ele era muito à frente dos seus conterrâneos, ele tinha a herança, o pedigree e a formação. Mas foram empurrões como esse que o colocaram no caminho de se tornar bilionário. Todo mundo sabe sobre a parceria de Bill Gates com o outro bilionário Warren Buffet, certo? Quem você acha que insistiu Bill a ir conhecer Warren, mesmo a contra gosto? Sim, Mary Gates. Com todo respeito a todas as mães que tem que aguentar filhos como nós, mas essa foi uma mãe particularmente foda. E isso sim, é networking de verdade.</p>
<p>Finalmente, chegamos no último mito, o mito número 10 e o famoso “você vai ficar rico” se empreender. E sinto dizer, estatisticamente falando, você tem mais chances de dar errado do que dar certo. Na verdade se eu tiver que chutar, eu sempre vou dizer que vai dar errado, porque as chances de acerto pra mim são muito maiores. Desculpe, é a estatística. Mas mais do que isso: tem que ser assim. Empreender não é pra qualquer um. É um risco grande, que tem muito mais fatores que você não tem controle. Então não basta ter um herança familiar sólida, não basta ter pedigree, não basta ter formação, não basta ter competência, você vai ter que contar com fatores aleatórios como ciclos de mercado como eu expliquei no vídeo sobre a Bolha, tem timing, tem que estar no lugar certo na hora certa, tem serendípite, tem QI. Tudo isso, e você ainda não tem garantias de dar certo. Por isso o jogo é interessante e por isso a recompensa é fora do comum, e por isso você tem mais chances depois de acumular conhecimento, experiência, networking de verdade, e principalmente seu próprio dinheiro, depois dos 30 anos do que logo que sair da faculdade, virgem, aos 20 e poucos.</p>
<p>Se você quer só ganhar um salário melhor, com segurança, se torne um bom profissional pra trabalhar em boas empresas. Não há nada de errado nisso, pelo contrário, faça aquilo em que você é bom, não tente ser aquilo que você já sabe que não é só porque fica vendo celebridade de palco repetindo bullshit do tipo “seja seu próprio chefe”.</p>
<p>Se você de verdade tem um ideal de querer ajudar o mundo e acha que virar fundador de tech startup é um caminho, não seja hipócrita. Se pra você ajudar as pessoas é parte fundamental de quem você é, junte-se ao exército, junte-se à cruz vermelha, ao médico sem fronteiras. Não é caminho pra virar celebridade, muito menos rico. Mas segundo você mesmo, seu ideal é ajudar as pessoas e não ficar famoso, não é isso? O meu objetivo pessoal é fazer o que eu quiser, e se o que eu quiser eventualmente ajuda os outros, ótimo.</p>
<p>Pra finalizar, quero contar uma última história praqueles que mesmo depois de tudo que eu falei continuam afobados, com essa ansiedade de virar empreendedor aos 20 e poucos. Eu já contei essa história no meu vídeo sobre Talento, mas vamos lá. Em 1832, a Marinha Real Britânica mandou o navio HMS Beagle para mapear a costa da América do Sul, as Ilhas Falkland e as Ilhas Galápagos. A marinha precisava do conhecimento pra se preparar melhor em caso de guerra. O capitão do navio, que era um cientista amador, decidiu adicionar um geólogo na expedição para estudar formações geológicas que eles poderiam encontrar no caminho.</p>
<p>Depois de diversos geólogos profissionais recusarem o convite, o capitão ofereceu o trabalho a um formando de Cambridge de 22 anos, Charles Darwin. Darwin tinha estudado para se tornar um pastor Anglicano mas estava muito mais interessado em geologia e ciências naturais do que na Bíblia. Ele agarrou a oportunidade, e o resto é história. O capitão gastou seu tempo na jornada desenhando mapas militares enquanto Darwin coletava dados empíricos e formulava os insights que eventualmente se tornariam a Teoria da Evolução.</p>
<p>Se Darwin nunca tivesse nascido, por exemplo, hoje estaríamos atribuindo a Teoria da Evolução a Alfred Russel Wallace que chegou na idéia de evolução via seleção natural independentemente de Darwin poucos anos antes (mas ele não tinha networking, nem vinha de família rica). Por outro lado se os Impérios Europeus não tivessem financiado as pesquisas geográficas, zoológicas e botânicas ao redor do mundo, nem Darwin e nem Wallace teriam tido os dados empíricos necessáriow para desenvolver uma Teoria da Evolução. Pelo menos não naquela época. É mais provável que nenhum dos dois jamais sequer teria tentado.</p>
<p>Entenda, você não tem como planejar “ser o próximo Darwin”. O timing de mercado, no caso o interesse dos impérios em investir nesse tipo de pesquisa, precisou existir. Fatores externos que nós não controlamos. Mas quando a oportunidade surgiu, haviam alguns candidatos que tinham a capacidade de ocupar uma posição de muito trabalho duro. A maioria declinou o trabalho duro mas foi disso que saíram os dados que levariam à revolução. Você não planeja essas coisas, você faz o que tem que fazer, o que sabe fazer e se mantém preparado pra pegar oportunidades assim que elas aparecem, e muitas vezes elas não são bonitas nem agradáveis à primeira vista. Mas como eu já falei em outro vídeo: quem disse que é pra você ficar escolhendo? Depois reclama que não tem oportunidades. Nunca vai existir uma oportunidade que cai no seu colo dizendo “vou te deixar rico em pouco tempo e com pouco esforço”. Só se você achar uma Sugar Mama ou Sugar Daddy.</p>
<p>Pára de ser ansioso. Um Stan Lee criou seu primeiro título de quadrinhos quando estava com uns 39 anos. Foi só depois disso que ele criou o Universo Marvel que você conhece hoje. Samuel L Jackson trabalhou anos em Hollywood mas ninguém conhecia ele direito, e foi só depois de “Jungle Fever” do Spike Lee em 1991, quando Samuel Jackson já tinha 43 anos, que ele finalmente se tornou conhecido. E todos vocês que varam noite, precisam agradecer Momofuku Ando que cimentou seu lugar na história de junk food só aos 48 anos quando inventou o instant ramen em 1958, seu combustível de todas as noites mal dormidas.</p>
<p>Falando em comida, Julia Child trabalhou em advertising e media antes de publicar seu primeiro livro de receitas aos 50 anos, que foi o que a tornou uma chef celebridade depois. Ray Kroc gastou a vida toda como um vendedor de aparelho pra fazer milkshake antes de comprar o McDonald’s aos 52 anos, em 1954 e tornar o gigante que é hoje. Harland Sanders, mais conhecido como Coronel Sanders, tinha 62 anos quando ele franqueou o Kentucky Fried Chickens, o famoso KFC, que ele vendeu por 2 milhões de dólares, 12 anos depois. O famoso Henry Ford criou o igualmente famoso Ford Model T quando ele tinha 45 anos. E como falei antes, Charles Darwin tinha 50 anos quando finalmente publicou o magnum opus On the Origin of Species que mudou o mundo.</p>
<p>Tudo que eu falei no episódio anterior e neste é basicamente um recado simples: pára de querer ficar rico rápido. Se você acreditou em um ou mais dos mitos que eu falei aqui, então você foi enganado, na verdade, você quis se enganar e talvez ainda esteja se iludindo. E sinto dizer que é só isso: uma ilusão, um ticket de loteria. Muito provavelmente você não vai ser o próximo Bill Gates. Aliás, o nome dele é William Henry Gates Terceiro, ele é no mínimo a terceira geração de uma família aristocrata de tradição. Nós não somos. A forma de ultrapassar isso vai ser por sorte. Ninguém vai um dia planejar “vou superar Bill Gates”, fazer um plano, seguir passo a passo e conseguir. Alguém vai superar sim, mas vai ser por acaso, por uma soma de fatores fora do controle dessa pessoa. E, de novo, dificilmente vamos ser eu ou você.</p>
<p>Se você está tentando copiar alguém, seja Gates, Zuckerberg, Elon Musk, Peter Thiel, Kalakanis, ou seja lá qual CEO ou founder de Silicon Valley, você está errado. Quanto mais você me diz que é fã de uma celebridade dessas e tenta seguir o que eles fazem, mais eu diria que você está longe de ser um founder bem sucedido. Atenha-se aos fundamentos. Atenha-se ao seu próprio esforço e pare de perseguir sonhos temporários infantis. Vai por mim, seus sonhos aos 20 anos são completamente dos seus sonhos aos 30 que também vão ser diferentes dos seus sonhos aos 40 e assim por diante. Quem diria, você pode mudar de sonhos toda hora se quiser e nenhum está necessariamente mais certo ou mais errado</p>
<p>A única coisa que você vai conseguir sendo assim é atrair gente que vai te enganar, porque vai vender elementos que encaixam no seu sonho. Vai te alugar lugares caros decorados como Silicon Valley, porque você acha que é pra lá que vai um dia. Vai te fazer perder tempo em eventos com celebridades pra fazer você se lembrar de como quer ser como eles. Vai ter fazer pagar caro por turismo pra visitar a lanchonete do prédio do Google, sério pra que serve isso? Vai te fazer perder tempo criando massa pra fazer parecer que existe um ecossistema de boas startups, mas todo investidor sabe que deve manter várias startups de poucas chance por perto, pra balancear os riscos, basta que uma dê certo. Nenhum investidor está preocupado se 90% falir. Se pelo menos um do portfolio virar unicornio, o resto é descartável. E, de novo, não está errado esse pensamento.</p>
<p>E essa é a verdade sobre o mundo de tech startups. Se ficaram com dúvidas mandem nos comentários abaixo, se curtiram o video mandem um joinha, assinem o canal e cliquem no sininho pra não perder os próximos vídeos. E compartilhem com seus amigos pra ajudar o canal. A gente se vê semana que vem, até mais.</p>
]]></content:encoded><category>startups</category><category>negocios</category><category>akitando</category></item><item><title>[Akitando] #52 - 10 Mitos sobre Tech Startups | Parte 1</title><link>https://akitaonrails.github.io/2019/06/25/akitando-52-10-mitos-sobre-tech-startups-parte-1/</link><guid isPermaLink="true">https://akitaonrails.github.io/2019/06/25/akitando-52-10-mitos-sobre-tech-startups-parte-1/</guid><pubDate>Tue, 25 Jun 2019 17:00:00 -0300</pubDate><description>&lt;div class="embed-container"&gt;
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&lt;p&gt;Desta vez eu resolvi pegar uma palestra que apresentei nos últimos anos chamado &amp;ldquo;Desmistificando Mitos de Startups&amp;rdquo; e adaptei pro formato de video do canal, depois digam se gostaram disso.&lt;/p&gt;</description><content:encoded><![CDATA[

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<p>errata: no começo do vídeo eu falo &ldquo;positivismo&rdquo; mas na realidade queria dizer &ldquo;otimismo&rdquo;. não tem nada a ver com a filosofia.</p>
<p>O tema de hoje vai ser dividido em 2 episódios. Vamos cobrir os primeiros 5 mitos dos 10 sobre Tech Startups e continuamos o resto na semana que vem.</p>
<p>Desta vez eu resolvi pegar uma palestra que apresentei nos últimos anos chamado &ldquo;Desmistificando Mitos de Startups&rdquo; e adaptei pro formato de video do canal, depois digam se gostaram disso.</p>
<p>Infelizmente até hoje ainda repetem muitos mantras e dogmas errados e muitos jovens estão perdendo tempo seguindo as celebridades de &ldquo;empreendedorismo de palco&rdquo; e o objetivo de hoje é quebrar esses dogmas.</p>
<p>Links:</p>
<ul>
<li>A Brief History of Mankind (<a href="https://erenow.com/common/sapiensbriefhistory/69.html"target="_blank" rel="noopener">https://erenow.com/common/sapiensbriefhistory/69.html</a>)</li>
<li>The Myth of The Million-Dollar App (<a href="https://medium.com/swlh/the-myth-of-the-million-dollar-app-62e733d8b07a"target="_blank" rel="noopener">https://medium.com/swlh/the-myth-of-the-million-dollar-app-62e733d8b07a</a>)</li>
<li>Why The Best Idea Doesn’t Always Win (<a href="https://scottberkun.com/2014/why-the-best-idea-doesnt-always-win/"target="_blank" rel="noopener">https://scottberkun.com/2014/why-the-best-idea-doesnt-always-win/</a>)</li>
<li>Vida de Programador - Ninja (<a href="https://vidadeprogramador.com.br/2013/04/10/ninja/"target="_blank" rel="noopener">https://vidadeprogramador.com.br/2013/04/10/ninja/</a>)</li>
</ul>
<p>=== Script</p>
<p>Olá pessoal, Fabio Akita</p>
<p>Continuando no tema dos episódios anteriores, eu estou aqui pra tentar equilibrar as coisas. O que você mais vê hoje em dia é positivismo excessivo, ou o que eu chamei de exuberância irracional no penúltimo episódio. Por um lado sim, de vez em quando é muito bom poder se inspirar em alguma coisa mesmo que seja numa fantasia, e eu sou totalmente a favor disso. Tem filmes de ficção que me inspiram muito mais do que a grande maioria das pessoas de verdade.</p>
<p>No episódio de hoje quero explorar algumas coisas que eu considero como mitos no mundo de startups e empreendedorismo em geral. Em particular, eu odeio empreendedorismo de palco. Gente que sequer fundou uma empresa lucrativa enganando as pessoas com pura retórica, sem nenhuma substância além de falar alto e de forma impressionante.</p>
<p>Eu gosto de sempre tentar separar o que é realidade, o que é ficção, o que é wishful thinking e o que é puramente fraude. Em particular, eu sou praticante de uma profissão, no caso programação. E eu fico pessoalmente irritado ao ver fraudes ao meu redor neste mercado de tecnologia. Mas no final das contas eu acho que o fraudador está no seu direito de tentar fraudar. “Vai que cola?” E quem insiste em querer ser enganado, muitas vezes conscientemente ignorando os fatos, merece continuar ser enganado. Querer ser enganado também é um direito, e eu não faço nenhuma questão de achar que adultos devem ser protegidos, pelo contrário.</p>
<p>(&hellip;)</p>
<p>Eu seria um péssimo investidor. Em particular porque eu não vejo muita graça no jogo de apostas. Outras pessoas são muito melhores do que eu em achar boas apostas e influenciar os resultados, então não me perguntem no que eu apostaria ou não. Apostadores não necessariamente apostam com o único objetivo de ganhar. Claro que ganhar é parte da equação mas eu acho que muitos apostam pela adrenalina do risco, da incerteza. Pura e simplesmente. Assim como pular de paraquedas ou de bungie jump ou mergulhar do lado de tubarões brancos. Nesse sentido eu sou mais conservador, e eu não estou nem de longe dizendo que estou certo. Eu até invejo quem consegue ter e aproveitar esses picos de adrenalina, porque eles realmente servem pra te fazer coisas que você não faria normalmente.</p>
<p>Por experiência própria eu posso dizer que é muito mais fácil arriscar tudo quando você tem muito pouco ou nada a perder, ou pelo menos a sensação de que não tem nada a perder, do que quando você realmente consegue sentir falta do que perderia. Por isso muita gente nos 20 aos 30 anos se sente nessa posição. Depois que você se acostuma com uma rotina, família, bens e patrimônio, daí seria mais a abstinência da falta de adrenalina que levaria a uma decisão de alto risco sem garantias de retorno. Na prática, pessoas diferentes fazem apostas que parecem absurdas por motivos muito diferentes. Egocentrismo de achar que está mais certo que os outros, narcisismo de precisar demonstrar que estava mais certo que os outros, ganância de querer ter mais do que poderia, ou puro esporte mesmo.</p>
<p>Eu não sou contra nada disso. Mas existe uma outra categoria importante, e muito grande, de gente que escolhe empreender porque sente FOMO, o que no mundo de investimentos o pessoal chama de Fear Of Missing Out, ou seja, Medo de perder o bonde. E esse é o pior motivo de todos: cargo cult, seguir os outros só pra não se sentir de fora.</p>
<p>Eu apresentei esse tema como palestra nos últimos anos em alguns eventos e quero condensar em vídeo, dividido em duas partes. Esta vai ser a primeira vez que vou acessar material direto das minhas palestras no episódio, então depois me digam nos comentários abaixo se gostaram. Antes de começar a listar os Mitos, eu queria deixar um pensamento que li no livro Sapiens, de Yuval Harari:</p>
<p>O momento mais marcante e definitivo dos últimos 500 anos veio às 05:29:45 do dia 16 de julho de 1945.
Nesse exato segundo, cientistas americanos detonaram a primeira bomba atômica em Alamogordo, Novo México. A partir desse ponto, a humanidade ganhou a capacidade não somente de mudar o curso da história, mas de encerrá-la.
O processo histórico que levou até Alamogordo e até a Lua é conhecida como a Revolução Científica. A Revolução Científica não foi uma revolução de conhecimento. Ela foi sobretudo uma revolução da ignorância. A maior descoberta que lançou a Revolução Científica foi a descoberta que humanos não sabem todas as respostas pras mais importantes questões.</p>
<p>A intenção de episódios como este não é dar as respostas de tudo mas sim questionar o que achamos que sabemos e com isso incentivar as pessoas a procurarem com mais cuidado em vez de acreditar em receitas mágicas e salvadores da pátria. Isso tudo dito, vamos começar com o Mito número 1, que muita gente repete “Basta ter uma boa idéia”</p>
<p>Falando em Yuval Harari, acho que foi dele também que eu vi o seguinte trecho: Blade Runner (1982) é um filme magnífico, mas há algo de estranho nele. A heroína, Rachael, parece ser uma pessoa jovem e linda. Na realidade, ela é um pedaço de tecnologia. Um robô orgânico (uma replicante) construída pela organização Tyrell. Ela tem a mente de um ser vivo, incluindo memórias extraídas de um ser humano. Tão sofisticada que é impossível de distinguir de um humano sem equipamento especializado. Ela até mesmo “acredita” que é uma humana. O detetive Deckard (Harrison Ford) da polícia de Los Angeles sabe a verdade, que ela é uma inteligência artificial tão perfeita que ele mesmo acaba se apaixonando. Mesmo assim, quando ele quer convidar Rachael para tomar um drink, o que ele faz?
Ele liga de um orelhão!</p>
<p>Existe uma revelação nesse contraste de tecnologias - o milagre biotécnico que é Rachael e esse videofone caricato. Não é que Blade Runner fracassou no futurismo em antecipar o smartphone. Isso é perdoável, e esse nem foi o único filme futurista que errou nisso. Mas quando nos pedem pra imaginar como novas invenções podem moldar o futuro, nossas imaginações tendem a dar saltos tecnológicos que são sofisticados além da compreensão. Imediatamente imaginamos inteligência artificial nível Skynet, ou fazer download da mente humana nível Matrix. Mesmo assim, se nos perguntam como seria nosso dia a dia mundano num mundo sofisticado com androids biológicos, nossa imaginação emperra.</p>
<p>Em 1980, Milton Friedman apresentou sua visão de como os livres mercados poderiam trazer paz mundial numa série de 10 horas do canal PBS chamado “Free to Choose”. Em um clip do seu show, Friedman apresenta seu clássico argumento numa parábola de 2 minutos e meio sobre um objeto bem mundano. Felizmente estamos no YouTube e eu posso só linkar o vídeo dele aqui em cima, mas o ponto é que você dificilmente vai inventar alguma coisa totalmente do zero.</p>
<p>Uma das maiores invenções da humanidade foi a prensa de Gutemberg, que ele inventou em 1440. Até então livros eram artigos de extremo luxo porque precisavam ser escritas à mão, cada cópia era única. Ninguém vai negar a revolução cultural que a prensa causou. Porém lembrem-se de uma coisa: pra existir livros precisamos de papel. E o papel foi inventado na China ~105 AC - e levaria mais mil anos para começar a ser usado fora da China. A própria escrita foi inventada ~3000 AC. Invente a prensa antes da existência da produção de papel e a prensa não vai servir de muita coisa.</p>
<p>Vamos dividir o entendimento em duas palavras que nos confundem. Invenção não é Inovação. Muita gente ainda tem essa concepção de que a idéia é a parte mais importante de tudo. E nada está mais longe da verdade. Qualquer idéia pode ser uma invenção. E invenção pode ser qualquer coisa. São coisas baratas, facilmente patenteáveis. Mas patentes não tem nenhuma atribuição de valor a uma idéia. Idéias são banais e baratas, lembrem-se disso. Mas se é esse o caso e inovações?</p>
<p>A única coisa que realmente importa é a “execução”. Invenção é a parte menos importante da inovação. Inovação aparece quando uma invenção encontra um mercado. Tem um artigo meio antigo de um tal Josiah Humphrey que vou deixar linkado nas descrições que elabora um pouco mais sobre isso, e eu concordo com as conclusões dele. Em particular pra parar de ter medo da sua idéia ser roubada. Se sua idéia tiver algum valor, ela vai ser roubada de qualquer forma. Você não é a Apple, pare de ficar inventando NDA ou non-disclosure agreements antes de falar da sua idéia pra qualquer um, em particular investidores. Lembre-se disso: ninguém está interessado na sua idéia. A única coisa que interessa é a qualidade de execução dessa idéia.</p>
<p>Na minha cabeça um NDA é simplesmente um preço barato pra adquirir uma idéia, se ela realmente fosse boa. E se for caro demais, eu simplesmente não assino. Em praticamente todos os casos que já vi, nenhum vale sequer meu tempo assinando um NDA. Se não quer me mostrar a idéia, não precisa, eu não estou interessado em ver. E já estamos em 2019, por favor não invente mais um Uber de qualquer coisa. Já temos tanto disso que a maioria não vale nada. Por outro lado pouca gente consegue de fato executar e criar o ecossistema que permite um verdadeiro Uber de X, um dos últimos foi os Rappi da vida, que de fato vem funcionando e por isso atraiu uma Softbank. Não foi a idéia, foi a execução. Isso dito, vamos pro Mito 2, o que também todo mundo fala de “basta ter um bom produto”.</p>
<p>Em seu livro “Mitos da Inovação” o autor Scott Berkun, no capítulo 4 que vou deixar o trecho linkado nas descrições abaixo, fala de um dito popular nos Estados Unidos que diz que “se você construir a melhor ratoeira o mundo vai abrir caminho até sua casa” que é a interpretação errada de que a qualidade do seu produto ou da sua idéia fala por ele mesmo. A ilusão de que todo mundo vai disputar lugar na frente da sua casa por sua idéia. Isso nunca vai acontecer, desista dessa noção. Completamente.</p>
<p>Inclusive, sobre a ratoeira do ditado, nos Estados Unidos são cadastrados 400 novas patentes de ratoeiras todo ano, e temos certeza que ninguém tá indo lá bater na porta desses inventores. Existem mais de 4000 patentes de ratoeiras, e mesmo assim só uns 20 chegaram a ser produtos lucrativos. O equivalente das ratoeiras seria “fazer um website ou app melhor do que os que existem”. A única forma de ter alguma chance não é fazer um produto um pouco melhor, a chance é conseguir convencer os outros a se juntar à idéia, como investidores, fornecedores, funcionários, varejistas, clientes e até mesmo competidores. Sim, porque se sua idéia é tão cretina que sequer seus competidores acham que vale a pena o tempo deles, você tá perdido. Não é a idéia, como eu disse antes, é a execução e não tem nada mais importante na primeira etapa do que criar uma rede.</p>
<p>Berkun lista oito fatores que são determinantes no sucesso ou fracasso de uma idéia. Só porque uma idéia parece tecnicamente boa, não existe nenhuma garantia de seu sucesso. Vamos ver alguns desses fatores que ele cita:</p>
<ol>
<li>Cultura - armas de fogo foram inventadas primeiro no Japão antes dos Europeus, mas no Japão a cultura valorizava a espada, o artesanato, a honra. A invenção foi condenada como uma forma desonrada de matar.</li>
<li>Design dominante - quando Christopher Scholes inventou a primeira máquina de escrever ele só queria um design de teclado que não emperrasse. Mas agora na era do computador, poderíamos usar um design melhor, mas o custo de aprendizado é muito grande frente ao design dominante do QWERTY</li>
<li>Qualidade - podemos vender muito até mesmo produtos ruins para o meio ambiente e para a saúde se executado direito (vender fast-food em embalagem de isopor, por exemplo), pensa que qualquer fast food vende muito mais que sua idéia de salvar o planeta.</li>
<li>Gosto - Beta tinha melhor qualidade mas VHS tinha mais tempo de conteúdo, e a prioridade dos consumidores foi tempo mais que qualidade de imagem</li>
</ol>
<p>No final das contas você precisa aceitar que não importa tanto o que você acha da sua idéia. Obviamente o criador da idéia sempre vai achar que ela vale mais do que todo mundo acha. Essa dissonância faz sentido, claro, o seu trabalho é convencer todo mundo que sua idéia é a melhor, através da execução, e parte dessa execução é como você vai convencer as pessoas. Você vai ter que ligar pra pessoas, vai escrever sobre ela, vai falar sobre ela, vai fazer propaganda, vai ter que marketar mesmo, não tem outro jeito.</p>
<p>O Mito número 3 é um favorito pessoal. Digamos que você chegou no ponto em que de alguma forma juntou algum capital, seja via family and friends, bom e velho empréstimo, ou achou algum investidor. Chegou a hora de construir a primeira versão ou protótipo dessa sua idéia. E como todo mundo você faz anúncios procurando bons programadores pra se juntar à sua equipe. E é impressionante como até hoje todo mundo continua escrevendo bullshit como “Estamos procurando um programador ninja ou jedi”. Se você não sabia disso vou te explicar: isso soa como uma piada.</p>
<p>Em 2013 fiz uma sugestão pro Vida de Programador que faz tirinhas de piadas sobre nosso mundo de TI que você pode ver nos links na descrição abaixo. Ele ilustrou perfeitamente o que eu penso sobre programadores Ninja. Programador Ninja é aquele que quando tudo começa a dar errado ele solta uma bomba de fumaça e desaparece.</p>
<p>Todo mundo gostaria de contratar os lendários programadores à la Mr. Robot, que sozinhos começam a digitar qualquer coisa e, com a motivação certa, em 60 segundos conseguem invadir a CIA. Obviamente programadores assim não existem, caso alguém esteja em dúvida. Mas mesmo assim você já ouviu falar de muitos programadores de verdade que se destacam como John Carmack ou Linus Torvalds, programadores que são os equivalente Neymar no mundo de código. Todo programador deveria mesmo aspirar se tornar tão bom quanto eles. Requer muita disciplina, muito estudo, muita prática. Você não costuma ver um John Carmack ou Linus Torvalds perdendo tempo participando de discussão idiota sobre política ou mimimi de porque ficou ofendidinho com qualquer imbecilidade que viu no Twitter. Porque nada disso interessa se seu objetivo é ser o melhor.</p>
<p>Muita gente fala sobre ser um desenvolvedor 10x. De fato existe essa noção de que é possível um desenvolvedor ser 10 vezes melhor ou mais produtivo do que os outros. Nem tanto porque esse indivíduo é 10x melhor, mas eu diria que é mais porque a grande maioria dos programadores faz 10x menos do que poderia. E não to dizendo por pura preguiça, mas porque fazem muitas escolhas erradas de prioridade e não focam no que estão fazendo. Um programador que decide se focar por 30 minutos produz mais do que um que fica dando alt-tab pra discutir política no Twitter o dia inteiro. Quanto mais claro está a tarefa que precisa ser feita, e quanto menos interrupções um programador tiver, tanto causadas por ele mesmo quanto fatores externos, mais vezes produtivo ele vai ser. É só isso.</p>
<p>E pra você que quer contratar esses “rockstar” ou “Jedi”, pare um segundo e pense: porque você acha que alguém como o Torvalds trabalharia pra você? Certamente não será pelos seus olhos verdes, muito menos por causa dos seus anúncios procurando Jedis, então pare de passar vergonha.</p>
<p>O Mito 4 é outro que é “cringe” de ouvir, dá até vergonha de ouvir alguém realmente dizendo isso em público. O famoso “Seja seu próprio chefe” ou pior “Siga seus próprios sonhos” ou pior ainda “Faça o que Ama”. Existe essa noção idiota de que você trabalhar pra alguém é estar sendo usado pra realizar o sonho dos outros. Vamos destruir essa noção primeiro.</p>
<p>Não existe isso de estar sendo escravizado e trabalhando pros outros de graça. Quando foi a última vez que seu chefe colocou uma arma na sua cabeça? Você trabalha acorrentado? Se você é remunerado pelo seu trabalho, não existe nada de negativo nisso. Aliás, salários sempre é um assunto complicado de explicar mas sempre parta do seguinte princípio: tirando poucas exceções você normalmente recebe exatamente quanto devia receber.</p>
<p>Não vou explicar isso hoje, mas reflita sobre isso: você sempre pode ganhar mais, se arriscar mais. Abrir uma empresa própria é um enorme risco, especialmente no Brasil, especialmente se você não tem idéia de como fazer isso e não está disposto a gastar o tempo pra aprender da forma certa. Dependendo de onde você buscar pesquisas sobre mercado, o número costuma estar perto de no mínimo 6 de 10 empresas novas que abrem, vão fechar antes de completar 5 anos. A pergunta que você deve fazer não é se “eu ganho pouco” mas sim “eu tenho a capacidade de fazer uma empresa do jeito que eu acho que devia ser?” Se sim, abra sua própria empresa e prove. Porque bla bla bla é barato, mão na massa, sangue frio, é pra poucos.</p>
<p>Sobre a frase auto-ajuda de “persiga seus próprios sonhos” ou “faça aquilo que ama” eu fiz um vídeo inteiro só sobre isso. Então não vou repetir aqui de novo, recomendo que assista no link acima. Em resumo, não fique eternamente procurando alguma coisa que absolutamente ama fazer pra fazer só isso, nem fique se iludindo pensando que já achou esse alguma coisa, porque o que você ama hoje é temporário, você só gosta de algum assunto momentaneamente. E entenda que sua vida inteira vai ser lotada de coisas que você não ama fazer como pagar impostos, limpar sua casa, dirigir pro trabalho e coisas assim, e na vida de um adulto essas coisas vão existir quer você goste delas ou não.</p>
<p>Um estado constante de felicidade simplesmente não existe. Você tem sorte se tem coisas que fazem você ser feliz, mas um estado permanente de adrenalina e montanha russa é um lugar que só existe pros viciados em LSD.</p>
<p>E muita gente confunde ser feliz com trabalhar num ambiente familiar. O melhor caso é o literalmente com sua família que, se você for de famílias que são tradicionalmente empreendedoras, como os antigos italianos ou judeus, que tem linhagens de muita experiência e tradição e, principalmente, técnica e networking, então sim, pode dar muito certo nesta geração também. Mas caso contrário eu diria que o jeito mais fácil de perder família e amigos é justamente trabalhando junto com eles. Recomendação: não faça isso. A menos que tenha tradição, eu diria que o pior que um empreendedor amador pode fazer é envolver família com negócios.</p>
<p>Agora, o outro lado disso, empresas que chamam todo mundo de família. Entenda isso de uma vez por todas: sua empresa não é sua família, você já tem uma família, e ela não é sua empresa. Já devia estar mais do que óbvio a esta altura que empresas que tentam criar ambientes que substituem sua casa não fazem isso porque consideram você um membro da família. Eles colocam Xbox no escritório mas o mais óbvio é que você devia ganhar o suficiente pra comprar o seu próprio Xbox pra deixar na sua própria casa. Pra que serve um Xbox comunitário? Pra absolutamente nada a não ser ostentação. Piscinas de bolinha não tornam o escritório sua casa e seus colegas e chefes não são membros da sua família.</p>
<p>E já que começamos falando disso, vamos pro próximo mito, o número 5 de Trabalhe 24 por 7. Assistindo meus outros vídeos falando sobre a profissão dá a impressão que eu estou dizendo que você deve trabalhar todas as horas do seu dia e noite e fins de semana e feriado e não fazer outra coisa além de trabalhar. E pior ainda se você acredita que está fazendo o que ama então você só devia estar trabalhando porque qualquer coisa fora disso são coisas que você não ama.</p>
<p>E não, nunca faça isso. Trabalhar horas extras deve ser reservado pra momentos excepcionais. Esses momentos realmente existem, acidentes de percurso que a gente consegue resolver varando uma noite. Muitas vezes vale a pena. Porém eu sou totalmente contra tornar isso uma rotina. Seja você um funcionário que quer mostrar serviço ou seja você um empreendedor achando que precisa trabalhar o máximo possível pra atingir seus sonhos. Vocês estão errados.</p>
<p>Eu já varei muitas noites por diversos motivos. E até hoje ainda faço isso. Porém na minha cabeça toda vez que eu preciso fazer hora extra ou varar noite só existe um motivo constante: que eu ainda não sou bom o suficiente. Se eu fosse bom, faria 100% de tudo caber nas 8 horas de trabalho. Se eu não consigo fazer isso com certa frequência só quer dizer que eu sou incompetente, e não que eu sou esforçado. Existe uma linha muito clara entre pessoas incompetentes e pessoas esforçadas. Esforço vem junto com inteligência e eficiência.</p>
<p>Varar noite só por varar noite, sem um resultado excepcional em um momento excepcional pra justificar, você só está colaborando pra aumentar a receita da Redbull e dos fabricantes de anti-depressivos. Tempo é dinheiro, e os melhores profissionais, seja você um funcionário, seja você um empreendedor, são aqueles que sabem usar esse recurso escasso da forma mais eficiente possível. Fazer o menos possível pra ter o maior resultado possível, é assim que você precisa estar constantemente pensando.</p>
<p>Uma coisa que eu aprendi assistindo sobre fotografia, não lembro onde foi, foi quando falaram sobre o frame da foto, as bordas. Num mundo ideal, a fotografia poderia enquadrar o máximo do cenário quanto possível. Mas isso é impossível. A melhor fotografia é o que consegue enquadrar o melhor daquele cenário no espaço limitado do frame da foto. Por isso, a melhor parte de toda fotografia é esse frame ou a melhor parte de toda pintura é o quadro. As restrições é que vão expor seu real talento.</p>
<p>Uma das restrições que temos que lidar todos os dias são prazos. Todo mundo odeia prazos, e aqui vemos mais uma das coisas que você nunca vai fazer amando, que é gerenciar prazos. E um desses prazos é o limite de 8 horas de trabalho por dia, 5 dias úteis por semana. Quanto você consegue colocar dentro desse prazo, melhor que os outros?</p>
<p>Uma definição de agilidade que eu venho explicando nos últimos 10 anos é o seguinte. No estilo Go-horse de trabalhar, existem aqueles que resolvem dar um gás, fazer horas extras, trabalhar fim de semana. E no começo você de fato entrega muito mais do que quem está trabalhando só 8 horas por dia. Faça isso só por alguns dias e muito rápido, mesmo trabalhando muitas horas o resultado final é pouco. Pior do que ser pouco, é de baixa qualidade, cheio de bugs. Daí você resolve esticar mais horas ainda, vara noite, fica sem dormir mais 2 ou 3 noites. De repente sua produtividade vai pra zero, ou negativo porque você está constantemente tendo que consertar os bugs que acumularam da última vez que você varou noite. E aquela produtividade mágica que começou em pico no começo, chega no zero em pouco tempo e daí em diante você vai ficar constantemente correndo atrás do próprio rabo e nunca conseguindo avançar.</p>
<p>Ser ágil é ser consistente. Se comparar com o cara fazendo hora extra, no começo o agilista é comparativamente mais devagar. Ele faz um código, faz testes nesse código, só sobe o que funciona e vai fazendo um passo de cada vez, todo dia. Acabou o dia, ele vai pra casa e descansa e começa no dia seguinte, descansado, e continua naquela velocidade que pode ser baixa se comparado a quem está fazendo hora extra todo dia. Porém, ao longo do tempo, enquanto o cara varando noite começa rapidamente a entrar em decadência, entregando só coisas de baixa qualidade, em velocidade cada vez menor, apesar da maior quantidade de horas. Já o agilista continua entregando na mesma velocidade do primeiro dia, e na mesma qualidade. E ele é capaz de manter esse ritmo por semanas ou meses a mais, enquanto o cara que só acelera a toa vai estar quebrado antes disso. Consistência, é a única coisa que interessa, não produtividade máxima na maior quantidade de horas possível.</p>
<p>É assim que nasce o desenvolvedor 10x que eu falei antes: não é que ele faz 10 vezes melhor que todo mundo, é que todo mundo se coloca nessa posição de ser 10 vezes mais ineficiente gastando mais horas e tendo que desistir antes porque chega num ponto onde não consegue mais avançar.</p>
<p>Nunca trabalhe numa rotina de horas extras. Isso não é ser bom, é só demonstrar incapacidade de gerenciar suas próprias horas. Quando eu faço isso, eu não me sinto “o bom”, eu faço quando preciso, mas como consequência de alguma coisa que eu fiz errado antes, e agora esse é o castigo. Especialmente ruim quando eu vejo algum funcionário meu trabalhando horas extras. Se você é um chefe que constantemente vê sua equipe tendo que fazer horas extras, só significa que você é um péssimo chefe.</p>
<p>E chegamos ao fim da parte 1. Recapitulando, não se esqueça que só uma idéia não é uma inovação. Uma idéia é barata, não vale quase nada. Pelo mesmo motivo, não basta só ter um bom produto, se a execução for uma droga, seu produto não vale nada. Pare de procurar programadores ninja, você não quer programadores ninja. Esqueça essas idéia de auto-ajuda de ser seu próprio chefe ou perseguir seus sonhos. E finalmente, trabalhe de maneira eficiente. Quantidade de horas não reflete eficiência, o importante é ser consistente, não mostrar que trabalha muito.</p>
<p>Se ficaram com dúvidas não deixem de mandar nos comentários abaixo, se curtiram o vídeo mandem um joinha, assinem o canal e não deixem de clicar no sininho pra não perder a parte 2 deste episódio. Compartilhem com seus amigos pra ajudar o canal. A gente se vê semana que vem, até mais!</p>
]]></content:encoded><category>startups</category><category>negocios</category><category>mercado-de-tecnologia</category><category>akitando</category></item><item><title>[Akitando] #50 - A Bolha de Startups vai Estourar? | Winter is Coming</title><link>https://akitaonrails.github.io/2019/06/11/akitando-50-a-bolha-de-startups-vai-estourar-winter-is-coming/</link><guid isPermaLink="true">https://akitaonrails.github.io/2019/06/11/akitando-50-a-bolha-de-startups-vai-estourar-winter-is-coming/</guid><pubDate>Tue, 11 Jun 2019 17:00:00 -0300</pubDate><description>&lt;div class="embed-container"&gt;
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&lt;p&gt;Segundo (17:25), quero apresentar uma análise sob a ótica de quem está neste mercado desde os anos 90 e tentar explorar uma possibilidade que mais e mais está se solidificando: a de que estamos chegando ao fim de um período de bolha de tech startups.&lt;/p&gt;</description><content:encoded><![CDATA[

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<p>Você está iniciando neste mercado de tecnologia ou está atuando nele faz menos de 10 anos.</p>
<p>Primeiro, quero introduzir um pouco minha filosofia do que é ser um &ldquo;profissional&rdquo; de desenvolvimento de software; tema que vou explorar mais nos próximos episódios.</p>
<p>Segundo (17:25), quero apresentar uma análise sob a ótica de quem está neste mercado desde os anos 90 e tentar explorar uma possibilidade que mais e mais está se solidificando: a de que estamos chegando ao fim de um período de bolha de tech startups.</p>
<p>Será que o Inverno está chegando para o mercado de tecnologia? E como você deveria se preparar se for esse o caso?</p>
<p>Disclaimer: tudo que estiver neste vídeo é uma opinião pessoal baseada na análise e experiência do autor. As previsões não tem nenhuma garantia e não devem ser usadas para operar em mercados de ações.</p>
<p>Links:</p>
<ul>
<li>Tech Startups, Is It A (Bubble) Wrap? (<a href="https://www.forbes.com/sites/cognitiveworld/2019/02/25/tech-startups-is-it-a-bubble-wrap/#5c3cfe296d37"target="_blank" rel="noopener">https://www.forbes.com/sites/cognitiveworld/2019/02/25/tech-startups-is-it-a-bubble-wrap/#5c3cfe296d37</a>)</li>
<li>Why Has Seed Investing Declined? And What Does this Mean for the Future? (<a href="https://bothsidesofthetable.com/why-has-seed-investing-declined-and-what-does-this-mean-for-the-future-6a9572357130"target="_blank" rel="noopener">https://bothsidesofthetable.com/why-has-seed-investing-declined-and-what-does-this-mean-for-the-future-6a9572357130</a>)</li>
<li>Why 2019 could be the year of another tech bubble crash (<a href="http://theconversation.com/why-2019-could-be-the-year-of-another-tech-bubble-crash-109468"target="_blank" rel="noopener">http://theconversation.com/why-2019-could-be-the-year-of-another-tech-bubble-crash-109468</a>)</li>
<li>Air Is Coming Out Of The Silicon Valley Startup Bubble (<a href="https://realinvestmentadvice.com/air-is-coming-out-of-the-silicon-valley-startup-bubble/"target="_blank" rel="noopener">https://realinvestmentadvice.com/air-is-coming-out-of-the-silicon-valley-startup-bubble/</a>)</li>
<li>If Silicon Valley’s unicorn bubble bursts, what legacy will it leave? (<a href="https://www.theguardian.com/commentisfree/2019/feb/03/if-silicon-valleys-unicorn-bubble-bursts-what-legacy-will-it-leave"target="_blank" rel="noopener">https://www.theguardian.com/commentisfree/2019/feb/03/if-silicon-valleys-unicorn-bubble-bursts-what-legacy-will-it-leave</a>)</li>
<li>Another tech bubble could be about to burst (<a href="https://www.ft.com/content/43d5e972-2098-11e9-b2f7-97e4dbd3580d"target="_blank" rel="noopener">https://www.ft.com/content/43d5e972-2098-11e9-b2f7-97e4dbd3580d</a>)</li>
<li>The Startup Bubble Is A Derivative Of The Stock Market Bubble (<a href="https://www.zerohedge.com/news/2018-11-16/startup-bubble-derivative-stock-market-bubble"target="_blank" rel="noopener">https://www.zerohedge.com/news/2018-11-16/startup-bubble-derivative-stock-market-bubble</a>)</li>
<li>Silicon Valley tech bubble is larger than it was in 2000, and the end is coming (<a href="https://www.cnbc.com/2018/05/22/tech-bubble-is-larger-than-in-2000-and-the-end-is-coming.html"target="_blank" rel="noopener">https://www.cnbc.com/2018/05/22/tech-bubble-is-larger-than-in-2000-and-the-end-is-coming.html</a>)</li>
<li>Some Startup Founders Leave Silicon Valley ‘Bubble’ and Head East (<a href="https://www.wsj.com/articles/some-startup-founders-leave-silicon-valley-bubble-and-head-east-11553506201"target="_blank" rel="noopener">https://www.wsj.com/articles/some-startup-founders-leave-silicon-valley-bubble-and-head-east-11553506201</a>)</li>
<li>China Created a New Tech Unicorn Every 3.8 Days Last Year (<a href="https://www.bloomberg.com/news/articles/2019-01-28/china-creates-fewer-tech-unicorns-as-economy-slows-down"target="_blank" rel="noopener">https://www.bloomberg.com/news/articles/2019-01-28/china-creates-fewer-tech-unicorns-as-economy-slows-down</a>)</li>
<li>Computer Science Demand Is Soaring Due To Tech Bubble 2.0 (<a href="https://moguldom.com/175683/computer-science-demand-is-soaring-due-to-tech-bubble-2-0/"target="_blank" rel="noopener">https://moguldom.com/175683/computer-science-demand-is-soaring-due-to-tech-bubble-2-0/</a>)</li>
<li>Yes, It&rsquo;s a Tech Bubble. Here&rsquo;s What You Need to Know (<a href="https://www.inc.com/james-ledbetter/2018-inc5000-us-economic-growth-jobs.html"target="_blank" rel="noopener">https://www.inc.com/james-ledbetter/2018-inc5000-us-economic-growth-jobs.html</a>)</li>
<li>Opinion: Uber and Lyft IPOs mean the cheap rides are coming to an end (<a href="https://www.marketwatch.com/story/uber-and-lyft-ipos-mean-the-cheap-rides-are-coming-to-an-end-2019-05-09"target="_blank" rel="noopener">https://www.marketwatch.com/story/uber-and-lyft-ipos-mean-the-cheap-rides-are-coming-to-an-end-2019-05-09</a>)</li>
</ul>
<p>=== Script</p>
<p>Olá pessoal, Fabio Akita</p>
<p>Finalmente estou de volta! Passei um mês fora do canal, duas semanas foi viajando a trabalho e duas semanas de pausa mesmo.</p>
<p>Antes de começar, quero aproveitar pra convidar todo mundo pro evento que eu e minha empresa Codeminer, junto com a InfoQ Brasil, organizamos todo ano. A The Conf, que está com a grade completa e com ingressos à venda. Veja mais sobre o evento nesse vídeo linkado acima e nas descrições.</p>
<p>Se você ainda não assistiu a série anterior com conceitos básicos de computação, recomendo que cliquem no link acima pra acessar a playlist, também vou deixar nas descrições abaixo. O canal está acumulando vídeos sobre o que eu acho essencial que todo programador deveria saber.</p>
<p>Sendo bem honesto voltar pro canal tem sido bem difícil. Andei passando por um bloqueio criativo e ainda não estou muito seguro sobre quais temas quero falar nos próximos episódios, se vocês tiverem sugestões não deixem de mandar na seção de comentários abaixo pra me ajudar a decidir.</p>
<p>Enquanto isso, continuando um pouco na vibe dos episódios anteriores, queria falar um pouco sobre assuntos que deveriam preocupar quem está iniciando na carreira de programador. O episódio de hoje vai ser dividido em duas partes, primeiro uma parte mais filosófica, segundo uma parte mais prática. Se você já é programador experiente talvez queira ir direto pra segunda parte nesse tempo aqui embaixo. Se você tem pouco mais de 20 anos, talvez você não consiga enxergar o que está acontecendo.</p>
<p>(&hellip;)</p>
<p>Vamos começar do começo. Alguém que se forma chef provavelmente gosta de cozinhar, gosta de preparar boa comida, escolher bons ingredientes, e criar uma boa experiência pros seus clientes. Alguém que se forma músico, gosta de sons, melodias, arranjos e instrumentos, e criar uma boa experiência pra quem está escutando. Alguém que se forma um esportista gosta de se exercitar, puxar limites, pontuar e competir, e criar uma boa experiência pros seus fãs. Alguém que se forma programador gosta de programar, de combinar tipos diferentes de código, solucionar problemas com código, e resolver problemas reais pros seus clientes.</p>
<p>E é simplesmente isso. Para ser um bom programador o mais importante é gostar de programar, ser obcecado pela pura atividade de fazer código somente pelo código. Experimentar diferentes combinações, experimentar diferentes ferramentas, diferentes hardwares. Tudo que tem a ver com a arte de combinar códigos diferentes para se chegar na mesma solução de formas mais eficientes ou simplesmente esteticamente diferentes. Programar pelo ato de programar.</p>
<p>Claro, como em qualquer profissão de prática, existem diversos outros aspectos que podem chamar a atenção. Aspectos sociais, aspectos políticos, aspectos financeiros. Mas tudo isso é secundário. A função de um programador é a programação. Ou você aprecia a prática de programar ou nunca será um bom programador. Desde o fim dos anos 80 eu sempre gostei de experimentar código. Simplesmente digitar código mesmo que não tivesse nenhum fim a não ser eu ver ele sendo executado logo depois de ter digitado. Quando eu comecei a programar eu nunca programei com o objetivo de ser bem remunerado ou qualquer outro objetivo.</p>
<p>Escrever código é uma coisa muito simples. Qualquer idiota consegue copiar e colar algum código, modificar algumas poucas coisas e fazer rodar. É extremamente simples. Alguém que nunca programou, se não for muito burro, é capaz de seguir um tutorial na internet e escrever algum código. Isso não o torna um programador.</p>
<p>Cozinhar é uma coisa muito simples. Qualquer idiota consegue abrir um livro de receitas, separar ingredientes, jogar tudo numa panela, ligar o fogo e no final, se não for muito burro, vai ter alguma coisa minimamente comestível. É extremamente simples e milhões de pessoas fazem isso todos os dias de alguma forma. Alguns até cozinham todos os dias, o mesmo arroz com feijão e ovo frito. Obviamente não tem nada de errado nisso, mas isso não o torna um cozinheiro profissional, nem muito menos um chef.</p>
<p>Um Michelin 3 Estrelas é um reconhecimento para poucos. As 3 estrelas num restaurante indicam que a Michelin acha que se você viajar para um país somente para ir nesse restaurante, é uma experiência de valor e recomendada. É o reconhecimento de anos, décadas de treinamento deliberado, desde a fase de descascar batatas todos os dias, cozinhar dia e noite em dezenas de restaurantes como ajudante, tudo em benefício de refinar a própria arte, até o ponto de ser capaz de montar, administrar, e entregar uma experiência diferenciada no seu próprio restaurante. Não só com um menu fora do comum, mas a experiência completa, do momento que se cruza as portas na entrada até o pagamento na saída. Alguém que simplesmente sabe seguir receitas, não importa se cozinhou todos os dias nos últimos 10 anos, continua milhas de distância de ser um Chef Michelin 3 Estrelas.</p>
<p>No mundo da programação um Turing Award talvez seja o mais próximo de um Michelin 3 estrelas, e novamente é um reconhecimento para poucos. O que eu quero dizer é que do ponto onde se começa, seguindo uma receita sem saber muito bem porque está seguindo esses passos até uma premiação rara existe uma distância gigantesca que é para poucos.</p>
<p>A grande maioria dos cozinheiros do mundo nunca vai chegar nem perto de um Alain Ducasse ou Gordon Ramsay da mesma forma que a grande maioria dos programadores, eu incluso, nunca vamos chegar a um Djkstra ou Knuth ou Tim Berners-Lee e ganhar um Turing Award. Mas eu acho importante ter essa noção de que existe essa distância entre o começo e o fim.</p>
<p>Por alguma razão, eu sempre gostei de usar a carreira de um chef como metáfora à carreira de um programador. Ambas são o que eu chamo de profissão de prática. Existem profissões onde o teto é bem baixo, onde você aprende um procedimento e com pouquíssimo tempo de prática você já consegue trabalhar e não importa quanto mais praticar a partir desse ponto, seu resultado nunca vai ser muito melhor do que quando começou. Sem querer menosprezar, mas qualquer trabalho de repetição é assim: seja um caixa de supermercado, um operário numa linha de produção, ou um motorista de táxi.</p>
<p>Um programador se torna melhor quanto mais pratica; mais importante, quanto mais pratica deliberadamente como eu expliquei nos meus episódios sobre Talento: Matando Semi-deuses. Assim como um chef nunca vai sair do lugar se fizer o mesmo ovo frito todos os dias, também um programador nunca vai sair do lugar fazendo o código do mesmo jeito todos os dias. O mesmo vale pra qualquer profissão de prática: seja um esportista, um músico, um escritor, um pintor, um fotógrafo, um jornalista. É a enorme diferença em dedicação deliberada entre um jogador de futebol de várzea de fim de semana e de um jogador de seleção profissional.</p>
<p>Eu faço questão de explicar dessa maneira porque muitos não entendem isso quando está começando. Por exemplo, muita gente ainda associa que programar é algo que você só faz durante o horário de trabalho. Que você precisa ser remunerado para começar a digitar o código. E que esse código, depois que está pronto, é algo que precisa ser preservado. Muita gente é resistente a apagar o próprio código, muita gente é resistente a aceitar críticas sobre o próprio código. “Eu sou formado em computação” eles pensam “lógico que meu código é bom, como ousa questionar?”.</p>
<p>Uma coisa comum em toda profissão de prática é que tudo que você faz nos primeiros anos é basicamente porcaria. Aceite essa realidade. Não estou dizendo 100% mas uma parte considerável de tudo que você produzir nos primeiros anos, talvez na primeira década, vai ser medíocre. E se você não tomar cuidado, não estiver prestando atenção, não estiver consciente e deliberadamente treinando, tudo que você produzir vai ser lixo. Pense seu primeiro dia numa cozinha de restaurante, tendo que atender dezenas de pedidos e entregando tudo no tempo certo e na qualidade certa. É absurdamente difícil, a pressão é enorme, e você não pode errar. Com o tanto de reclamação e mimimi que eu ouço de programadores que trabalham em lugares com ar condicionado e café quente, batendo cartão das 9 às 5, eu diria que nenhum deles aguentaria trabalhar um dia na cozinha de um restaurante de verdade, mesmo se fosse só lavando pratos.</p>
<p>A primeira coisa que você precisa separar é o código que você faz no trabalho e o código que você faz fora do trabalho. E sim, precisa ter os dois. Seja no seu primeiro ano de carreira, seja no décimo ano. Ou você acha que no começo de carreira, um Gordon Ramsay só treinava no horário de trabalho? Durante o horário de serviço de um restaurante você já tem que saber exatamente o que tem que fazer, ou seria impossível entregar os pratos certos, na qualidade certa, no tempo certo. Durante o trabalho você precisa entregar o melhor resultado do seu treinamento prévio. Mas aí a questão é, quando você treina? E a resposta não é agradável pra quem entrou nessa área sem realmente gostar: é em todo tempo que tiver disponível, especialmente no começo da carreira.</p>
<p>Quando as pessoas falam que as faculdades não te preparam pro mercado de trabalho, especialmente as mais voltadas à ciência da computação, e muita gente prefere os cursos técnicos porque você sai com mais facilidade pra conseguir trabalhar, a percepção não está errada mas a o pensamento está errado. De fato, quando você se forma como bacharel em ciências da computação, se a única coisa que você fez foi aparecer nas aulas, estudar o suficiente pra tirar 5 nas matérias e passar na média, você não sabe fazer nada quando se forma. Se por outro lado você usou esse tempo pra estudar pra tirar 10, participou de todas as opcionais que pôde, fez grupos de prática com seus amigos e professores, e praticou o quanto pôde, ainda assim você ainda não vai estar pronto, mas vai saber uma coisa que seus colegas da média não sabem: como praticar.</p>
<p>O que ninguém nunca vai ter quando sai da faculdade se chama prática. Óbvio, pra ter prática, você precisa praticar. Se você treinou uma hora, todo dia, o ano todo, no máximo praticou umas 300 horas. Isso é extremamente pouco. Pra comparar, um mês de trabalho de 8 horas são apenas 170 horas.</p>
<p>Quantas horas você acha que precisaria praticar pra conseguir cozinhar pratos diferentes durante as 5 horas do serviço de almoço de um restaurante? Quantas horas você acha que precisaria praticar pra conseguir competir num jogo profissional de campeonato e não passar vergonha? Quantas horas você acha que precisaria praticar escrevendo pra conseguir ter nível suficiente pra publicar um livro que não fique pegando pó nas prateleiras? E por que você acha que com programação seria diferente?</p>
<p>Agora, profissões de prática tem uma armadilha. Eu chamo da armadilha dos 80/20 e eu já falei disso em outros episódios mas vou repetir hoje de novo. Digamos que você está começando a programar, você notou que essa bibliotecas open source do Facebook, o React.js, tem uma boa demanda. Você resolve fazer um curso ou mesmo estudar aulas online sozinho. Com umas 40 horas de aulas você já é capaz de realizar tarefas simples. Se você tiver a oportunidade de integrar uma equipe em alguma empresa e se não for muito burro, com alguns dias apanhando você já será capaz de entregar algumas tarefas de verdade.</p>
<p>Em algumas semanas você vai ganhar confiança nesse assunto, aprender mais alguns truques. Em dois a seis meses, se você não for muito incompetente, já vai ter adquirido uma boa fluência. SIm, é pra ser assim rápido mesmo. Na minha metáfora da cozinha, é como você comprar um livro de receitas, ou fazer um curso rápido de cozinha, se você não for do tipo que reprova num teste psicotécnico e souber seguir instruções básicas, até você vai conseguir montar, digamos, alguns tipos diferentes de sushi em poucos dias. É muito simples. Em algumas semanas você pode até estar preparando pros seus amigos e alguns deles podem até gostar.</p>
<p>Em profissões de prática, sabendo muito pouco, você se torna capaz de entregar alguma coisa. Você se sente empoderado. E isso é um sério problema. Aceite a realidade, que nesse estágio, você continua não sendo muito melhor que um hobista amador. Está longe, mas milhares de milhas de distância longe, de ser melhor que um profissional em nível junior. Claro que não existem tempos pré-definidos, algumas pessoas são mais dedicadas do que outras, mas no geral, ninguém deixa de ser júnior em menos de 1 ano. E não se sinta um sênior antes de 5 anos pra mais se, e somente se, você se expõe a muitos cenários diferentes de prática deliberada.</p>
<p>Muitos que não são da área podem ficar impressionados com o que você entrega e isso é óbvio, porque quem está elogiando não é ele mesmo um praticante, então tudo que um amador faz já parece impressionante. Mas um sênior de verdade sabe identificar facilmente e sem ambiguidade um outro sénior, assim como um jogador profissional nunca vai ser enganado em campo por um amador. Basta chutar a bola pra ele no meio da pressão do jogo e ver como ele se sai.</p>
<p>No começo de carreira, pare de ficar neurótico com questões de remuneração. Primeiro de tudo aceite outra noção: não existe média salarial. Eu quero falar disso em outro episódio, mas todo mundo tem mania de querer aplicar média em tudo. Média não se aplica em tudo. Média só se aplica em eventos independentes. Altura de uma população, notas numa prova. Salários não são eventos independentes. Diversas variáveis influenciam todos os salários por todo o mercado ao mesmo tempo. Salários se distribuem numa curva diferente da gaussiana. Apesar de não ser estatístico eu diria que elas se aproximam mais de distribuições Power Law, uma distribuição cuja característica é não ter média.</p>
<p>Você já viu distribuições assim, o 80/20 de Paretto que foi usado pra descrever como 80% das propriedades estão na mão de 20% das pessoas. Essa distribuição é o que define quase tudo no mundo real. Por exemplo, seguidores em redes sociais. Não existe média de seguidores. Você tem 20% das celebridades acumulando 80% dos seguidores. A mesma coisa pra séries de TV mais assistidas, 20% das séries produzidas acumulam 80% da audiência. A mesma coisa pra música. A mesma coisa pra qualquer coisa do mundo real. E salários é a mesma coisa. Se você pegar mesmo dentro de uma mesma empresa você vai ter essa distribuição do maior pro menor salário, 20% das pessoas podem receber 80% da folha de pagamento, ou algo nessa proporção.</p>
<p>Não parece justo como seria numa distribuição gaussiana, que tem média. E não é pra ser justo, o mundo não é justo. Por outro lado significa que seu salário não precisa crescer de forma linear, constante. Ou seja, se você ganha hoje 1000 reais e ganhou um aumento de 100 reais depois de um ano, não é verdade que você só tem como aumentar mais 10% ano que vem. Você pode dar salto maiores, 15%, 20%. Você tem a oportunidade de dar saltos grandes quando conquistar seu lugar pela sua competência. Essa é a beleza dos mercados. Se 80% da riqueza está na mão de apenas 20% das pessoas, também significa que os acomodados e os que gostam da zona de conforto vão ficar eternamente disputando os 20% que sobram dessa riqueza com os outros 80% acomodados.</p>
<p>Voltando ao assunto, eu disse que com pouco conhecimento, digamos 20% do que você deveria saber, você esteja nos 80% dos menores salários. É óbvio que uma hora você vai ficar impaciente e frustrado por nunca ganhar mais. Mas claro, você acha que sabe o suficiente porque sempre consegue entregar o que te pedem. Mas você só consegue entregar poucos tipos de coisas. Você é um cozinheiro que toda vez que te pedem ovo frito, você entrega o ovo frito. Só que você só sabe fazer ovo frito. Quando te pedem salada, você se esconde atrás de “eu não faço pratos vegetarianos”. É como o junior de React que falei acima quando pedem pra subir um Docker “eu sou front-end, não faço devops”. Bem vindo aos 80% da população.</p>
<p>Notem que no começo eu tentei descrever um tipo muito particular de profissional: os que respeitam e apreciam a prática, não os que querem aprender meia dúzia de truques e ganhar salários que magicamente sobem todo ano. Um diploma, um certificado, uma validação de alguém, ou entregar o básico, não te garantem nada, absolutamente nada. Você nunca vai subir na carreira fazendo sempre variações da mesma coisa, do mesmo tipo de código, do mesmo tipo de prato.</p>
<p>Faça a conta mais básica: se chegar nesse ponto foi razoavelmente fácil pra você, também é fácil pra milhares de outras pessoas que estão ingressando todos os dias no mercado de trabalho e estão se tornando seus competidores. Você fica feliz de ver que a barreira de entrada está cada vez menor, e que toda hora todo mundo gosta de ficar cantando como é fácil qualquer um ser programador? Preocupe-se. Lembre-se da lei mais básica do mercado: a lei da oferta e da procura. Quanto maior é a oferta de programadores, se a demanda do mercado não cresce na mesma proporção, tecnicamente a remuneração desse tipo de programador tende a cair.</p>
<p>Se não ficou claro nos meus últimos vídeos, eu contei a história de como até 2001 programadores ruins eram remunerados muito acima do que deveriam, porque todo mundo investia nas ponto com como se fossem minas de ouro. Foi a grande era da exuberância irracional na tecnologia. Daí a bolha da internet estourou e de repente programadores ficaram sem emprego. Some a isso a terceirização em massa pra Índia e a profissão sofreu uma queda enorme, principalmente nos Estados Unidos. Demorou anos pro mercado se estabilizar e voltar a crescer.</p>
<p>Daí em 2008 e 2009 tivemos a grande crise do sistema financeiro que causou uma queda global em todos os mercados e a recuperação que tivemos no mercado de tecnologia também sofreu uma queda. Ao mesmo tempo, durante a crise, muitos começaram a acreditar que inovações da época nos mundos de cloud, big data, coletar dados massivos dos usuários, e a recém-inaugurada era dos apps mobile por causa da revolução do iPhone, poderiam se tornar grandes investimentos.</p>
<p>Mas ao mesmo tempo iniciou uma era de novas tech startups que 10 anos depois se tornaram unicórnios. Uber, Airbnb, GitHub, Instagram, Snap, Pinterest, Netflix, e dezenas de outros. Se você só vivenciou este mercado a partir de mais ou menos 2009, você cresceu dentro de uma bolha onde parece que tudo vai crescer pra sempre. Sinto lhe informar que em breve essa bolha vai estourar, como sempre estoura. Não é um talvez, é só uma questão de quando exatamente.</p>
<p>Deixe eu ilustrar. O Google tem uma ferramenta que eu acho muito interessante. O Google Trends que mostra um gráfico com o interesse por um certo termo ao longo do tempo. Se procurarmos “tech startups”, você vai ver que como eu falei, depois de 2008 a tendência veio sendo de alta, mas já faz alguns anos que parou de crescer, está andando de lado, em breve deve cair.</p>
<p>Se procurarmos por “Techcrunch” que é uma das principais publicações sobre tech startups, você vai notar que, se antecipando à tendência, desde pouco antes de 2008 ele veio crescendo, atingiu pico em 2011 mas desde então já reverteu e só vem caindo. Mesmo se procurarmos sobre o famoso Node.js do mundo de Javascript, você vê que desde 2009 ele veio crescendo em interesse até bater o pico por volta de 2014 e 2015 e desde então já reverteu a tendência.</p>
<p>Dependendo do que procurar sobre o assunto, vai ver que as tendências vieram crescendo e já atingiram um pico e estão revertendo ou estão começando a confirmar uma resistência. Se eu tivesse que chutar eu diria que o mercado pode começar a ficar muito diferente a partir de 2021 já. Talvez leve ainda um pouco mais de tempo. Eu venho esperando por esse novo ciclo faz tempo já e no fim do ano passado, quando a Nasdaq sofreu uma queda que pegou muitos de surpresa, todos os analistas financeiros começaram a concordar com esse cenário. A partir de fevereiro deste ano você podia ver na Forbes, Financial Times, Washington Post, The New York Times, CNBC, todo mundo chegando às mesmas conclusões. Os investimentos no mercado de tecnologia estão crescendo de forma desenfreada faz 10 anos, existe liquidez excessiva no mercado. Só em 2018 surgiu um novo unicórnio - que são empresas avaliadas em mais de 1 bilhão de dólares, a cada 4 dias. São mais de 300 unicórnios pelo mundo somando mais de 1 trilhão de dólares em valuation.</p>
<p>Pra piorar, os IPOs desses unicórnios vem se provando muito abaixo das expectativas. Segundo a CNBC, o IPO do Snap que saiu em março de 2017 começou a 17 dólares por share, chegou a dar um pico positivo de 44% no primeiro dia mas desde então caiu pra 11 dólares por share. A Blue Apron abriu IPO com 10 dólares por share em junho e agora está a 3 dólares. A Fitbit abriu em 2015 a 45 dólares por share e agora está a 5 dólares.</p>
<p>Duas estrelas dessa geração de unicórnios, a Lyft abriu IPO este ano com shares a 88 dólares e hoje está na faixa de 61 dólares. Mesmo o Uber começou em queda e está perto do mesmo preço de abertura, nada bombástico. Antes do IPO tinha um valuation de mais de 80 bilhões de dólares, os otimistas esperavam que depois de abrir capital ele subisse pra 120 bilhões, mas isso não se concretizou. E ela representa o tipo de startup que veio sendo criado nesses últimos anos: com receita de 11 bilhões, prejuízo operacional de 3 bilhões e déficit de 8 bilhões. A exuberância irracional dessa bolha criou empresas que trabalham com cash flow negativo.</p>
<p>Vamos colocar dessa forma: eu tomaria cuidado em apostar numa tech startup que opera com cash flow negativo, ou seja, que não dá lucro e não tem planos no curto prazo pra reverter. Especialmente se você estiver apostando morar fora do país ou algo assim. Esses planos vão ser cortados muito em breve. Ninguém é capaz de prever o futuro, tudo isso pode não se concretizar. Mas ser antifrágil significa apostar em alguma coisa que, se você perder, não vai fazer falta, mas se ganhar vai ser muito. Se você for sentir falta do que perder, não aposte. É a regra básica de todo investidor.</p>
<p>Segundo a Forbes as valuations de unicórnios estão ridiculamente inflados. Quão inflado? Um estudo de 135 unicórnios americanos, os que foram avaliados valendo mais de 1 bilhão de dólares, sugere que depois de ajustar termos que inflam valuation como diferentes classes de ações, pelo menos metade, 65 dos 135 perdem o status de unicórnio. Como a Forbes descreve, é um monte de mulas disfarçadas.</p>
<p>Uma das desculpas pra essas valuations absurdas é que a prioridade número 1 é aquisição de clientes e data mining dos dados dos usuários. Muitos tem considerado isso até mais importante do que receita e lucro. Você ficou chocado com o vazamento dos dados da Cambridge Analytica no escândalo do Facebook? Você trabalha em tech startups de cashflow negativo? Parabéns, você faz parte do modelo de negócios de acumular e vender dados de usuários.</p>
<p>Assim como foi no ano 2000, pré crash da bolha da internet, os empreendedores acreditam que simplesmente funding de venture capital é um modelo de negócios em si mesmo, o que é absurdo. Eles realmente acreditam em dinheiro que nasce em árvore. Considere que 80% das empresas que abriram capital ano passado não são lucrativos, o maior número desde o pico da bolha das ponto com em 2000 quando 81% das empresas que abriram capital naquela época não tinham lucro.</p>
<p>Foi em 2009 que você viu surgindo o movimento de Lean Startups por causa do livro de Eric Ries, o surgimento acelerado de co-workings como WeWork, incubadoras, e venture capital que começou a aparecer. Pense que por coincidência tudo convergiu nesse momento. As tecnologias de internet ganharam escala principalmente depois do surgimento da AWS em 2006, a idéia de web applications que competem com aplicativos nativos de desktop depois do Gmail também de 2006. O crescimento exponencial das redes sociais por causa do boom do Facebook. A revolução do iPhone em 2007 e do lançamento da App Store em 2009. Tecnologias de geolocalização, a possibilidade de big data, o barateamento da banda larga e de armazenamento possibilitou coisas como Dropbox.</p>
<p>Tivemos a crise de 2008 e 2009 onde o sistema financeiro entrou em colapso e deixou milhões desempregados e a inovação tecnológica permitiu muita gente se recolocar como motoristas de Uber ou Lyft ou alugar suas casas vai Airbnb, plataformas como Shopify, Wix, Square, tornou mais fácil pras pessoas abrirem micro-empresas. Plataformas de compra coletiva como Groupon explodiram entre 2010 e 2011. A tecnologia nesse ponto ganhou figura de salvador da pátria e o mercado de SaaS ganhou força como a fundação desse novo crescimento.</p>
<p>Mas tudo isso já está chegando ao fim. Como diria George Santayana, aqueles que não se lembram do passado estão condenados a repetí-la. E de fato, eu lembro da devastação que foi o crash da bolha das ponto com. O mercado perdeu todo o seu valor, levou 2 décadas pra recuperar e hoje já mais que ultrapassamos o pico da exuberância irracional daquela época. E novamente citando ditos populares: quanto maior o tamanho, pior vai ser a queda.</p>
<p>Eu gosto de ser conservador, eu detesto ser otimista demais porque os otimistas são os primeiros a cair quando uma crise aparece, especialmente uma que já está dando sinais cada vez mais claros. Eu sou um cético pragmático. Eu já sobrevivi a 2 ou 3 grandes crises. Sobrevivi os anos 90, os anos 2000 e os anos 2010, cada década teve uma crise e eu realmente nunca tive grandes problemas durantes esses períodos de transição. E o ponto de dizer tudo isso é porque durante minha carreira eu segui exatamente a descrição acima sobre a minha profissão. Quando o mercado acumula gente demais e de repente a demanda some, quem você acha que as empresas mantém e quem você acha que elas abandonam?</p>
<p>Se você se manteve firme na sua profissão, acumulou conhecimento, acumulou prática, e começou pouco a pouco a ser capaz de manter expectativas, ou seja, você é o tipo que promete o que entrega, do jeito que prometeu, no custo que prometeu, no tempo que prometeu e na qualidade que prometeu, e ainda é do tipo que às vezes consegue surpreender entregando mais do que prometeu e consegue fazer isso com consistência, ao longo de muito tempo, sem nunca se valer de muletas como desculpas e histórias pra esconder seus erros, você sempre vai ter empregos bem remunerados. Independente se está num período de crise ou não.</p>
<p>Se por outro lado você associa sua profissão diretamente com brindes imbecis como um nespresso ou piscina de bolinhas ou sala de xbox, que acha que já é bom o suficiente porque alguém te dá feedbacks positivos com frequência, que acha que sua “qualidade de vida” de trabalhar menos de 8 horas por dia é a prioridade e por isso só programa durante o horário de trabalho, e ainda programa pouco porque procrastina a maior parte do tempo fazendo fofoca no whatsapp. Gosta de ir em evento porque é mais um dia que não precisa trabalhar e ainda ganha pra isso. Fica mudando de emprego com frequência porque outra empresa te paga um pouco melhor pra fazer a mesma coisa. Bom, boa sorte pra você na próxima crise.</p>
<p>A maior recompensa sempre vem praqueles que jogam o jogo do longo prazo. Os que procuram ganhos de curto prazos tendem a ser varridos da história. Sua profissão é programação, espero que você goste de programar. Pare de ouvir auto-ajuda glorificada de celebridade de startup ou fake coach ou fake mentor. As contas precisam sempre fechar, gastos desenfreados, sem um retorno sustentável, é claramente uma bolha. Ou você acha que piscina de bolinhas serve pra alguma coisa a não ser ostentação? Aliás, aproveitando, da próxima vez que você ver um “coach de inovação”, me façam um favor, perguntem pra ele quantas patentes ele tem. Ou se achar um mentor de empreendedorismo, perguntem pra ele quantas empresas lucrativas de mais de 10 anos ele tem.</p>
<p>O recado é muito simples, se você for um aventureiro especulador e quiser navegar na onda de dinheiro fácil, ainda é possível. Os aproveitadores de plantão estão todos fazendo isso. Mas se você está no papel de quem está acreditando em papai noel e em dinheiro infinito, negligenciando sua carreira em troca de promessas de stock options ou algo assim, sinto dizer que a maioria de vocês vai perder. Aliás, nunca caiam no golpe das stock options. Em resumo muito resumido, o conceito é te pagar menos em troca do direito de ter opções de compra das ações quando a empresa abrir capital. Porém, quando isso acontecer, você tem a opção da compra que você precisa exercer, … duh comprando as ações. Só que você veio ganhando menos do que normal e ainda vai precisar acumular dinheiro pra exercer essa compra. E nada garante que você vai se dar bem. Veja os casos da Amazon ou do Uber. Entenda uma coisa: os únicos que vão ganhar dinheiro de verdade são os venture capitalists, e eles não estão errado. Você com sua stock option, ainda pode ser diluído e o que for exercer não valer quase nada. Problema seu que acredita em conto de fadas.</p>
<p>E apesar de parecer uma mensagem apocalíptica, se o cenário que eu descrevi acontecer, eu consideraria uma correção saudável. Nenhum mercado se beneficia de crescimento constante. Mercados precisam de correção. Mesmo depois do crash das pontocoms e centenas de empresas falindo e milhares de desempregados, o resultado ainda assim foi bom. O legado da exuberância do ano 2000 foi a colossal infraestrutura de fibra ótica que foi construído no meio da loucura acelerada. Foi isso que possibilitou as redes de banda larga cabeadas e wireless e a exploração das tecnologias de smartphones. Como disse a The Guardian, alguma coisa positiva sobrou de toda a loucura. Mas esta atual bolha? Já que ela não construiu grande coisa, o que vai deixar pra trás vai ser só um sorrisinho amarelo, como em Alice no País das Maravilhas.</p>
<p>A maioria dos grandes unicórnios surgiu no vácuo da crise financeira de 2008 e 2009. Porém, chegaram no ponto onde eles precisam abrir capital pra continuar crescendo no ritmo absurdo de agora. E é quando o capital é aberto que a verdade aparece e todos vão ver que a valuation que acreditavam na verdade não existe e isso gera desespero e uma corrida pra vender e estancar o sangramento, e quando isso começa a acontecer de forma generalizada, é quando vamos ter o crash. O fato é que a grande maioria dos unicórnios de hoje não valem uma fração do que os investidores acham que vale. Em algum momento essa conta tem que fechar, e não vai. E sob as cinzas dessa geração é que vai surgir o ciclo dos próximos 10 a 20 anos. Eu mal posso esperar.</p>
<p>A idéia do episódio de hoje foi delinear um pouco da filosofia que eu vejo em profissões de prática por gostar da prática em si. E não em profissão enquanto aprender procedimentos rápidos pra ganhar dinheiro rápido, cego por estar num mercado com alta demanda, num ciclo que pode estar acabando. O recado é muito simples: você está vivendo hoje num mercado que globalmente paga mais do que se deveria, fique esperto, essas coisas nunca duram. Se você está sentindo dificuldades hoje, vai ficar pior. Por outro lado, quem está conseguindo se enganar surfando na onda, vai tomar um caldo muito em breve.</p>
<p>Nos próximos episódios vou encorpar um pouco mais minha definição de um profissional de desenvolvimento de software em particular. O assunto ainda não está terminado e tem várias coisas estou deixando pros próximos episódios, mas se quiser discutir o assunto mande nos comentários abaixo. Se gostou do vídeo mande um joinha, assine o canal e clique no sininho pra não perder os próximos, e não deixe de compartilhar com seus amigos pra ajudar o canal. A gente se vê, até mais.</p>
]]></content:encoded><category>startups</category><category>mercado-de-tecnologia</category><category>carreira</category><category>akitando</category></item><item><title>[Akitando] #6 - 33 exemplos de projetos de ICOs e blockchains</title><link>https://akitaonrails.github.io/2018/08/30/akitando-6-33-exemplos-de-projetos-de-icos-e-blockchains/</link><guid isPermaLink="true">https://akitaonrails.github.io/2018/08/30/akitando-6-33-exemplos-de-projetos-de-icos-e-blockchains/</guid><pubDate>Thu, 30 Aug 2018 17:00:00 -0300</pubDate><description>&lt;p&gt;Disclaimer: esta série de posts são transcripts diretos dos scripts usados em cada video do canal &lt;a href="https://www.youtube.com/channel/UCib793mnUOhWymCh2VJKplQ"target="_blank" rel="noopener"&gt;Akitando&lt;/a&gt;. O texto tem erros de português mas é porque estou apenas publicando exatamente como foi usado pra gravar o video, perdoem os errinhos.&lt;/p&gt;
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&lt;h3&gt;Descrição no YouTube&lt;span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="descrição-no-youtube"&gt;&lt;/span&gt;
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<h3>Descrição no YouTube<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="descrição-no-youtube"></span>
    <a href="#descri%c3%a7%c3%a3o-no-youtube" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h3><p>FINALMENTE! Este é o último episódio da série Blockchain Week Seoul. Este episódio está BEM mais longo que o normal, mas não se preocupem, é só porque eu queria fechar o assunto o quanto antes. Eu selecionei e menciono nada menos do que 33 projetos neste vídeo, por isso ficou tão longo.</p>
<p>Para facilitar eu dividi este episódio em 7 grandes grupos que você pode pular de acordo com as seguintes marcações:</p>
<ol>
<li>Novas Tecnologias de Blockchains (1:49)</li>
<li>Exchanges e Investimentos (6:33)</li>
<li>Pagamentos (11:42)</li>
<li>Cartório e Auditoria (15:16)</li>
<li>Inteligência (17:12)</li>
<li>Games (20:58)</li>
<li>Outros (25:29)</li>
</ol>
<p>O objetivo desta série foi mostrar quão maior é o mundo, quão diverso é o mercado de criptomoedas, blockchains e ICOs e quais são as possibilidades sendo perseguidas hoje para inspirá-los. O mesmo mercado na América do Sul é extremamente atrasado, por isso quis mostrar um pouco mais do futuro que já está em construção.</p>
<p>Se você se interessou por algum dos projetos de ICO e blockchain que mencionei no vídeo, vá direto ao site deles. Os projetos estão listados abaixo em ordem alfabética.</p>
<ul>
<li>BitHero (<a href="http://bithero.io/"target="_blank" rel="noopener">http://bithero.io/</a>)</li>
<li>CertiK (<a href="https://certik.org/"target="_blank" rel="noopener">https://certik.org/</a>)</li>
<li>ChainKey (<a href="https://chainkey.io/"target="_blank" rel="noopener">https://chainkey.io/</a>)</li>
<li>ChiliZ (<a href="https://www.chiliz.com/"target="_blank" rel="noopener">https://www.chiliz.com/</a>)</li>
<li>COTI (<a href="https://coti.io/"target="_blank" rel="noopener">https://coti.io/</a>)</li>
<li>CRED (<a href="https://www.libracredit.io/"target="_blank" rel="noopener">https://www.libracredit.io/</a>)</li>
<li>Dex.top (<a href="https://dex.top/"target="_blank" rel="noopener">https://dex.top/</a>)</li>
<li>DX.exchange (<a href="https://dx.exchange/"target="_blank" rel="noopener">https://dx.exchange/</a>)</li>
<li>Electrify.asia (<a href="https://electrify.asia/#home"target="_blank" rel="noopener">https://electrify.asia/#home</a>)</li>
<li>EMX (<a href="https://www.emx.com/en/"target="_blank" rel="noopener">https://www.emx.com/en/</a>)</li>
<li>Evident Proof (<a href="https://ept.gi/"target="_blank" rel="noopener">https://ept.gi/</a>)</li>
<li>Fleta (<a href="http://fleta.io/"target="_blank" rel="noopener">http://fleta.io/</a>)</li>
<li>FuzeX (<a href="https://fuzex.co/"target="_blank" rel="noopener">https://fuzex.co/</a>)</li>
<li>Game X Coin (<a href="https://www.gamexcoin.io/"target="_blank" rel="noopener">https://www.gamexcoin.io/</a>)</li>
<li>GCOX (<a href="https://gcox.com/"target="_blank" rel="noopener">https://gcox.com/</a>)</li>
<li>Gifto (<a href="https://gifto.io/"target="_blank" rel="noopener">https://gifto.io/</a>)</li>
<li>HintChain (<a href="http://hintchain.io/"target="_blank" rel="noopener">http://hintchain.io/</a>)</li>
<li>Hycon (<a href="https://hycon.io/"target="_blank" rel="noopener">https://hycon.io/</a>)</li>
<li>Lucidity (<a href="https://lucidity.tech/"target="_blank" rel="noopener">https://lucidity.tech/</a>)</li>
<li>MagnaChain (<a href="https://magnachain.co/"target="_blank" rel="noopener">https://magnachain.co/</a>)</li>
<li>Mfun (<a href="https://mfun.io/"target="_blank" rel="noopener">https://mfun.io/</a>)</li>
<li>MobileChain (<a href="https://www.mobilechain.network/"target="_blank" rel="noopener">https://www.mobilechain.network/</a>)</li>
<li>Nexty (<a href="https://nexty.io/"target="_blank" rel="noopener">https://nexty.io/</a>)</li>
<li>Orion Vault (<a href="https://orionvault.com/"target="_blank" rel="noopener">https://orionvault.com/</a>)</li>
<li>PATH (<a href="https://path.network/"target="_blank" rel="noopener">https://path.network/</a>)</li>
<li>PayProtocol (<a href="https://payprotocol.io"target="_blank" rel="noopener">https://payprotocol.io</a>)</li>
<li>Pinmo (<a href="https://www.pinmo.io/"target="_blank" rel="noopener">https://www.pinmo.io/</a>)</li>
<li>Platin (<a href="https://platin.io/"target="_blank" rel="noopener">https://platin.io/</a>)</li>
<li>Rebirth Coin (<a href="http://wrecoin.org/"target="_blank" rel="noopener">http://wrecoin.org/</a>)</li>
<li>SGame Pro (<a href="https://sgamepro.io/"target="_blank" rel="noopener">https://sgamepro.io/</a>)</li>
<li>T.OS (<a href="https://www.tosblock.com/"target="_blank" rel="noopener">https://www.tosblock.com/</a>)</li>
<li>Tokedo (<a href="https://tokedo.io/"target="_blank" rel="noopener">https://tokedo.io/</a>)</li>
<li>Tottle (<a href="https://www.totle.com/"target="_blank" rel="noopener">https://www.totle.com/</a>)</li>
<li>WePower (<a href="https://wepower.network/#"target="_blank" rel="noopener">https://wepower.network/#</a>)</li>
</ul>
<p>E não deixe de visitar minha corretora:</p>
<ul>
<li>OmniTrade (<a href="https://omnitrade.io"target="_blank" rel="noopener">https://omnitrade.io</a>)</li>
</ul>
<h2>Script<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="script"></span>
    <a href="#script" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Olá pessoal, Fabio Akita!</p>
<p>HOJE é um dia especial! Depois de 5 episódios sobre a Coréia do Sul, vamos FINALMENTE, chegar ao final dessa jornada com um pequeno tour sobre ICOs.</p>
<p>Se você ainda não assistiu os episódios anteriores, pause este vídeo e faça isso agora pelo link acima, vamos lá, eu espero.
&hellip;</p>
<p>(abertura)</p>
<p>Ótimo, já viram? Assinem o canal para não perder mais. HOJE vamos explorar rapidamente as diversas startups e ICOs que eu vi durante os eventos que participei. Não todos, mas MUITOS!</p>
<p>Como DISCLAIMER: nada do que eu disser aqui constitui recomendação a favor ou contra. Qualquer opinião é  pessoal e produzida com intenção de encaixar na narrativa deste episódio. Se você ficar interessado em qualquer uma delas, veja os links na descrição do vídeo abaixo e estude por conta própria em detalhes e com muito cuidado!</p>
<p>Além disso estou me restringindo somente ao que estava exposto nos eventos, o mundo de ICOs é infinitamente maior do que isso. Muitos não eram da Coréia propriamente dito, mas de outros países da Ásia como Cingapura ou Indonésia e outros eram da Europa e até mesmo Estados Unidos. Neste video você certamente terá exemplos de ICOs que claramente são muito ruins e outros que podem ser os próximos candidatos a unicórnios, quem sabe? Mesmo assim os exemplos aqui não são representativos do mundo como um todo. Mas, se você nunca tinha parado para pensar nas possibilidades, talvez este vídeo ajude a aumentar seus horizontes.</p>
<p>Vou separar o vídeo em SETE grandes grupos para facilitar um pouco. Vamos começar!</p>
<p>(&hellip; 1 - novas técnicas de blockchains)</p>
<p>No primeiro grupo temos projetos que se colocam para &ldquo;resolver&rdquo; os problemas das primeiras gerações de blockchains. Para quem não sabe, alguns categorizam as criptomoedas em gerações. Bitcoin, obviamente é da primeira geração, o blockchain canônico. Ethereum meio que iniciou a segunda geração com smart contracts. E assim por diante.</p>
<p>Existem várias formas alternativas de implementar blockchains com consenso distribuído. Muitos derivam o código de criptomoedas existentes e fazem um tuning ou fazem uma do zero mesmo.</p>
<p>A Fleta diz ter uma arquitetura diferente, permitindo shards do blockchain, múltiplos chains e também distributed apps ou o DAPPS. Dapps podem ser usados para gerar tokens e no caso da Fleta eles podem ficar em sub-chains e inclusive podem escolher o método de mineração, como Proof of Work (PoW) ou Proof of Stake (PoS). Mas a chain principal pode ter blocos minerados via um método proprietário deles chamado Proof of Formulation baseado em uma &ldquo;formulação&rdquo; de ordem de recompensa. Com o suporte a shards e limitação na propagação dos blocos eles dizem conseguir atingir 10 milhões de TPS ou transações por segundo (o bitcoin por exemplo não consegue mais do que 7 blocos por segundo, ethereum é só uma ordem de grandeza mais rápido). Cada shard diz conseguir 20 mil TPS. Além de terem a capacidade de confirmação em quase tempo real via nós de observadores.</p>
<p>Exemplo semelhante é a MagnaChain, mais um blockchain que dizem ser escrito em C++ e implementa a virtual machine Lua para executar smart contracts em vez do Solidity usado no Ethereum. Novamente, eles também tentam melhorar o consenso usando um híbrido entre PoW e PoS que eles chamam de VirtualHash-PoS. Além disso também vai pelo caminho de side chains e tem como primeiro use case a indústria de games, para isso estão preparando SDKs para games mobile e outras ferramentas. A idéia, claro, é poder ter tokens In-app que podem ser usados fora do game em exchanges ou marketplaces. Diferente do Fleta os números que eles clamam são um pouco mais realistas, na casa das 100 mil TPS. Na testnet deles dizem ter chegado a 13 mil TPS.</p>
<p>Outra alternativa é a HYCON ou hyper connected coin. Seu genesis block foi publicado já no GitHub em janeiro desse ano. Ele tenta também mexer no sistema de consenso e embora tenham começado com o blake 2b, eles abandonaram para usar cryptonight, o mesmo do Monero. A vantagem é tornar a vida de fabricantes de ASIC como a Bitmain mais difícil porque ele faz leituras/escritas pseudo aleatórios em memória e corta a diferença de processamento também entre CPU e GPU, na prática impede mineradores de usarem ASICs potentes, tornando o sistema mais decentralizado em máquinas mais lentas. O protocolo de consenso usa o SPECTRE que generaliza o blockchain um direct acyclic graph ou DAG, como um IOTA onde você tem um algoritmo de voto entre pares de blocos. Por conta da estrutura de DAG múltiplos blocos podem ser adicionados simultaneamente o que aumenta a velocidade da mineração mesmo sendo PoW. Dizem que conseguem confirmar um bloco a cada 1 segundo. Um dos diferenciais é que eles tem do seu lado um grande evangelizador de criptomoedas da Coréia, o Taewon Kin, da Glofer.</p>
<p>Mas, falando em celebridades, a Platin também tem um do seu lado, como advisor eles conseguiram chamar o controverso Robert Scoble, que parece que já foi mais famoso alguns anos atrás. Essas celebridades na prática não influenciam o desenvolvimento técnico, mas muitos procuram figuras reconhecidas para ficar mais fácil se destacarem. Mas a Platin tem um conceito um tanto ousado, eles implementaram um PoL ou Proof of Location. A idéia é fazer um Pokemon Go de tokens, para lojas fazerem airdrop de tokens e você ter que ir até a loja para coletar os tokens. É a mesma idéia dos pokemons, mas daí você “minera” tokens baseado na localização. Então é um blockchain pensado para ser mobile-first, porque precisa do GPS. Por baixo ele vai trazer o PTN token e vai poder customizar a moeda para estabelecimentos comerciais. Não tenho idéia se faz sentido ou se vai funcionar, mas achei inteligente um Pokemon Go que te dá alguma coisa em troca por ficar tendo que andar tanto para achar os bichos. No Pokemon Go você sequer pode treidar os pokemons que consegue, o que eu sempre achei uma limitação bem ruim.</p>
<p>(.. 2 Exchanges and Investments)</p>
<p>Todo mundo deve achar que o mundo já tem corretoras demais, mas não se desesperem ainda. Tem muitas mais chegando! Mas certamente uma categoria que tem ganhado cada vez mais espaço são as exchanges decentralizadas. A idéia é tentar ser o mais peer to peer possível. Infelizmente as blockchains desta geração ainda não tem velocidade suficiente para manter order books com trades ultra rápidos on-chain. Seria extremamente lento tentar implementar um order book dentro de um smart contract, como fazemos com tokens. Mas existem implementações tentando coisas como usar side-chains, mantendo os books off-chain e de tempos em tempos colocar as trades on-chain.</p>
<p>É o que fazem projetos como a Dex.top, - entenderam? Desk-top dex top? um dos nomes mais interessantes. Ele é construído obviamente em cima do ethereum, eles tem uma app de wallet chamada TrustWallet para iniciar os trades. Já aparecem até no famoso site coinmarketcap com pelo menos 30 pares de tokens. Mais do que isso, eles são incubados por ninguém menos que a famosa Bitmain - lembram, dos hardware ASIC para mineração? E eles fazem o que expliquei: um sistema que chamam de RoC ou Replayed On Chain. Tecnicamente eles dizem não ter funções de custódia, mas não são 100% decentralizados também. Um dos diferenciais é que dizem ter sido auditados pela Bug Bounty, HackerOne, ChainSecurity e Sentinel Protocol.</p>
<p>Outro exemplo parecido é a DX.exchange, onde uma das propostas é em vez de cobrar taxas por transação, eles cobram uma mensalidade fixa. Então é “marketamente” zero fees. Outro diferencial é que dizem serem regulados pela Unidade de Inteligência Financeira da Estônia, obviamente eles ficam na Estônia.</p>
<p>Um pouquinho diferente parece a proposta da Tottle DEX que está em beta agora. A idéia deles é ser um agregador de exchanges descentralizadas como as que mencionei acima. Unificar os order books de todo mundo em um só. De similar novamente é ser implementado em cima do ethereum, então obviamente o target são tokens ERC20. Fico em dúvida se fazendo isso eles conseguiram implementar um protocolo rápido para liquidar as ordens. Tecnicamente eles precisam manter contas abertas em todas as que integram e ter reservas de criptos em todas elas para conseguir fazer as trades serem liquidadas o mais rápido possível. Não sei se foi assim que implementaram mas é a única solução que me vem à cabeça. Se depender de transferência on-chain, seria absurdamento lento.</p>
<p>Antigamente havia um app chamado TradeHero que é uma exchange simulada com moeda realmente “virtual” para você aprender a tradar sem risco. Uma excelente ferramenta para quem quer aprender o mundo de trading. Daí eles criam um novo app o BitHero que começa como um simulador mas daí você pode trocar para tradar criptos de verdade. Como plataforma educacional achei uma excelente idéia e a idéia é aprendizado baseado em gamificação e interação social com seus amigos. Eles tem um token próprio, claro, o BTH e um dos investidores é ninguém menos que a Samsung.</p>
<p>Até agora, apesar de se chamarem “decentralizadas” parece como qualquer outra corretora moderna. Mas aí temos projetos como a EMX, que diz conseguir possibilitar o trading de futuros com cripto, coisa que nenhuma corretora tradicional consegue fazer. Normalmente você é obrigado a ter conta em múltiplas corretoras, vender suas criptos por moeda fiduciária, transferir pra outra corretora e aí comprar futuros ou outros derivativos e commodities. Isso é extremamente ruim e lento, mas na EMX ele diz facilitar isso dentro de uma mesma corretora. Obviamente ele tem seu próprio token para negociar internamente, o EMX Token. Além disso você pode pegar emprestado de um margin syndicate ou emprestar a eles para não precisar movimentar suas criptos e ganhar taxas por isso além de manter os assets dos traders que pegaram emprestado com você, como colateral. Me chamou a atenção ter como advisor o Simon Kim, lembram, CEO da Hashed.</p>
<p>E nessa linha ainda temos a CRED, que eu conheci no evento Blockchain Partners como Libra Credit, mas mudaram de nome. Eles dizem ser uma plataforma descentralizada de emprestimo. A idéia é trazer mais acesso a crédito. Você precisa de moeda fiduciária, tem cripto, mas não quer ter que vender suas posições em cripto. Então você pode deixar suas cripto como colateral em empréstimo. Ou, se simplesmente quer fazer hedge, se proteger da volatilidade, pode transformar suas criptos numa stablecoin deles. Falta no mundo de exchanges de cripto mais opções de produtos financeiros como os oferecidos pela EMX e pela CRED. Outro detalhe que me chamou a atenção é eles serem incubados na Binance Labs. A Binance também está continuamente pesquisando diferentes produtos para aumentar seu portfolio.</p>
<p>(&hellip; 3 Pagamentos)</p>
<p>Na sequência, o que todo mundo reclama é que criptos tem sido usados somente como armazenamento de valor e papel especulativo. O real uso seria quebrar a barreira do comércio de verdade e ser usado em pagamentos no mundo real. Eu vi várias propostas como a PumaPay que já tinha mencionado nos outros vídeos ou esta Pay Protocol, que é de ninguém menos que a Danal que já tem um negócio em meios de pagamento e POS para lojas. Eles também implementaram SDK para aplicações mobile, querem suportar múltiplas criptomoedas e ser o mais amigável possível para o comércio. Na prática o POS poderia escanear um código de barras direto do app do seu celular para efetuar o pagamento ou se for e-commerce um app equivalente Amazon ou MercadoLivre teria no checkout a opção de pagar com meios normais como cartão de crédito ou Pay Protocol. Provavelmente ele deve oferecer uma wallet ou se integrar a existentes.</p>
<p>Outra que tenta criar a ponte com o mundo real é a FuseX que está fabricando cartões de plástico como os de crédito ou débito que usamos. Eles já fabricaram pelo menos 30 mil unidades. Tem um micro processador, uma tela tipo e-paper, bateria recarregável que dura de 45 a 60 dias e 3 botões dentro do espaço que ocupa um cartão de crédito tradicional. Novamente ele quer suportar múltiplas criptomoedas e ele tem um módulo backend que provavelmente se integra com adquirentes. Não ficou muito claro mas é uma solução que depende de parcerias no mundo tradicional, e com empresas como VISA não tendo sido muito amigável com cripto ultimamente, não sei ainda até onde isso vai.</p>
<p>A Nexty é uma que olhando o site, eu imaginaria não ser muito real, mas parece que tem mesmo um sistema funcionando hoje, talvez. Na prática me pareceu outro fork de ethereum um pouco customizado, onde eles inventaram um modelo de confirmação usando dois tokens ERC20, que eles chamam de NTY e NTF. Nesse sistema quem quiser participar da mineração precisa de tokens NTF e os fees vão baixando até zero conforme o uso, um tipo de smart staking. No fim o usuário dessas tokens baixa um wallet proprietário deles que, segundo reviews na página do Google App Store não tem tido boas notas não ….</p>
<p>Na mesma linha temos o COTI ou Currency Of The Internet. Eles tem um blockchain próprio implementado na estrutura de um DAG também (de novo, como a HYCON), eles chamam de TrustChain. A idéia deles é um sistema de scores para promover bom comportamento e penalizar mal comportamento na rede. O objetivo também é chegar em fees muito baixo ou zero. No fundo ele é para ser um blockchain mais genérico mas a primeira aplicação que eles querem é um meio de pagamento, o COTI PAY. Não fiquei muito convencido vendo a página deles, mas vejam vocês mesmos.</p>
<p>Como a COTI a T.OS é outra moeda para pagamentos, também tem uma wallet e dizem eles ter uma solução pelo menos 10x mais rápida que o Bitcoin (que apesar de ser o mais difundido é de fato o mais lento de todos), 3x mais rápido que ethereum, e até 14x mais rápido que isso se usar o modo de pagamento deles (provavelmente alguma side-chain também). Ser 10 ou 100x mais rápido que Bitcoin não é exatamente rápido o suficiente na minha opinião, mas enfim, é mais uma alternativa.</p>
<p>E … eu disse que este seria o último episódio mas pra variar acabei escrevendo muito! Então, vamos fazer o esquema Harry Potter and the Deathly Hallows e dividir o final em parte 1 e parte 2! Das SETE grandes categorias cobrimos hoje novas técnicas de blockchains, exchanges descentralizadas e pagamentos com cripto. No próximo episódio vamos finalizar as 4 últimas categorias e concluir a série!</p>
<p>Não deixem de comentar abaixo, dêem um joinha se gostaram, assinem o canal e cliquem no sininho para ser notificado nos próximos episódios! Até mais!</p>
<p>E aí pessoal, Fabio Akita</p>
<p>Agora sim! Eu juro! É o última parte do último episódio da série sobre a Coréia do Sul. Na parte 1 passamos por vários projetos de criptos em 3 grandes categorias de 7. Hoje vamos cobrir as últimas 4.</p>
<p>Se não assistiram o episódio anterior, clique no link do topo do vídeo para assistir! Eu espero …</p>
<p>(&hellip; abertura)</p>
<p>Pronto! Vamos continuar a parte 2 do último episódio.</p>
<p>( … 4. Cartório e Auditoria)</p>
<p>Além de trading e pagamentos, outro grande caso de uso que ouvimos muito falar é a eliminação de cartórios. Cartórios existem como um terceiro que valida um documento entre duas pontas. Mas se usarmos blockchains para isso poderíamos tecnicamente eliminar esse intermediário burocrático.</p>
<p>Exemplo disso é a ChainKey que diz ser uma platforma que se conecta com a mainnet da ethereum, ou você pode usar uma rede privada como hyperledger ou grandeo. Usa tokens ERC20 CKEY ou GDO como crédito e permite armazenar qualquer arquivo de forma pública ou privada (tipo um dropbox ou google drive) mas com identidade do arquivo certificado no blockchain.</p>
<p>A Orion Vault é uma opção mais especializada que quer ser uma mistura de IMDB de peças de arte fina junto com um marketplace, cortando os intermediários e levando o artista mais próximo do comprador. O comprador ganha um certificado digital da peça que comprou, que identifica unicamente aquela peça. Na prática é adicionar um identificador único a uma peça no mundo real que é outra tendência que muitos já vinham discutindo.</p>
<p>E temos também a Evident Proof que provê serviços de verificação de dados e prova. Ele tem tokens próprios os EPT, porque, porque não? Eles dizem prover provas imutáveis que mantém encriptado no blockchain (espero que eu não tenha entendido errado quando li, mas do jeito que falaram parecia que querem guardar o arquivo dentro do blockchain. Apesar de possível, não é pra isso que serve o blockchain. Mas eles também suportam blockchains públicas e privadas como a ChainKey e tem como alvo mercados que levam privacidade e veracidade dos dados a sério, quando precisam de coisas como HIPAA no mercado hospitalar ou SOX (Sarbanes Oxley) em auditoria financeira.</p>
<p>(&hellip; 5 Inteligência)</p>
<p>Outro uso que sempre falam de blockchains é otimizar a cadeia de suprimentos, ou supply chain. Toda cadeia de produção tem muitos intermediários no meio do caminho e no fim o produtor tem muito pouca informação do consumidor final. Fora coordenação dos diversos fornecedores numa cadeia de produção de um produto. Tudo isso poderia ser otimizado mesmo com blockchains privados, mas tem mais valor ainda se as soluções conseguem se manter públicas sem sacrificar a privacidade dos consumidores.</p>
<p>A Hint Chain tem como alvo uma vertical muito específica, no caso a cadeia de suprimentos de comida. Onde eles querem criar perfis de comida, algo mais na linha de data mining. A idéia é catalogar uma estrutura padrão para esse perfil para delinear o que cada consumidor prefere em cada situação para comer, seus hábitos alimentares, premiar a participação com tokens, claro, e levar esses dados aos produtores no começo da cadeia que, hoje, normalmente tem pouco contato e conhecimento do consumidor final, e no futuro adicionar até inteligência artificial para melhorar o lado da produção de comida baseado nesses dados. De fato eu sei que existe um mercado para esse tipo de dados, vamos ver se eles conseguem entregar o que prometem.</p>
<p>Um pouco diferente é a PATH que pelo menos à primeira vista parece nada mais do que um sistema de monitoramento de servidores como centenas que já existem no mercado. Checar uptime de servidores, monitoramento de performance, monitoramento de ataques de distributed denial of service ou DDOS, testes de interação, etc. Mas em vez de um sistema centralizado eles querem distribuir os agentes de monitoramento em forma de apps ou plugins de browser que usuários normais podem instalar e serem recompensados com tokens por prover os dados de monitoramento. Eu achei a idéia até inteligente porque eles conseguiriam muitos mais pontos de dados de usuários em cenários reais de rede e computador e fornecer dados mais interessantes - se eles conseguirem adoção.</p>
<p>Mais um que quer otimizar a cadeia é a Lucidity, no caso no mundo de advertising. Um dos problemas que os anunciantes enfrentam é não saber qual o real resultado de seus investimentos em campanhas digitais de marketing. Eles são obrigados a acreditar em qualquer relatório que as agência constróem. O que a Lucidity quer é assinar blocos de dados de analytics, que eles vão manter armazenados em seus sistemas, mas cuja assinatura de verificação estará disponível no blockchain do ethereum. Os participantes na validação desses analytics são usuários também, que receberão tokens pela participação. Dessa forma eles estão distribuindo o trabalho de auditoria e mantendo dados verificados que depois podem ser usados para gerar relatórios que podem ser rechecados para autenticidade, melhorando a credibilidade do mercado de advertising e garantindo resultados mais reais aos anunciantes. Para ter a performance necessária eles também tem uma segunda camada off-chain, como a Orbs que falei em outro vídeo, usando a solução chamada Plasma - recomendo pesquisar sobre isso e sobre a arquitetura de side-chains / off-chain em geral.</p>
<p>A Pinmo tem uma proposta para um mercado similar, mas no caso a intenção é trazer os anunciantes mais próximos dos influenciadores em redes sociais, novamente a intenção é cortar os intermediários como as agências. Novamente também tem seus próprios tokens. Novamente implementado sobre ethereum como uma dapp para prover soluções cross-chain. Achei um pouco superficial ainda, pelo menos vendo pelo site.</p>
<p>(&hellip; 6 Games)</p>
<p>Já mencionei rapidamente em alguns vídeos, mas games é um target meio óbvio hoje em dia. Especialmente pelo enorme mercado de loot crates, e in-app purchases que basicamente todo game online tem hoje em dia. Os gamers já estão acostumados a comprar todo tipo de digital assets usando moedas virtuais que eles compram com cartão de crédito e depois usam em marketplaces virtuais fechados dentro do próprio jogo.</p>
<p>A Game X Coin quer ser uma moeda universal para games. Eles tem seu próprio blockchain construído como uma versão customizada do EOS, estão criando SDKs para integrar nos games, tem um gerador de tokens para cada game, wallet e uma exchange descentralizada onde os jogadores podem tradar os tokens de um game por outro. Ainda é bem no começo e tem só um pequeno game de demo que vocês podem baixar no site deles.</p>
<p>Muito parecido seria a MobileChain que tenta ser uma solução um pouco mais genérica do que só games, eles também vão oferecer SDKs para in-app wallet deles. Permitir os publicadores de apps recompensar diretamente os usuários com tokens. É a solução padrão; em cima de ethereum, smart contracts, tokens ERC20 e opções para permitir coisas como recompensa de tokens baseado em localização para lojas físicas, meio como a Platin.</p>
<p>E também um pouco parecido é Mfun, mas diferente porque vem da Indonésia, um mercado que parece que cresce rápido no mundo de games na Ásia. Um mercado de 50 milhões de jogadores e o 3o maior da Ásia. A solução é parecida, tokens in-game, cortar intermediários, dar recompensa ao jogador quanto mais ele joga. Em vez do publicador gastar caro com ads, ele pode pagar direto ao usuário e evitar spam de ads em todo lugar, dando ads mais direcionados. Diferencial é ter a marca da Agate que já fez mais de 250 mobile games, e outros parceiros como a Duniaku e Yogrt.</p>
<p>Um pouco mais evoluído seria a Chilliz, mais voltado para os fãs de e-sports. No caso a idéia é você ser um investidor do seu time de e-sports, comprar tokens que dá direito a ter “voz” e participar de pesquisas para ajudar a decidir a direção do seu time preferido. Eles estão monetizando a “voz”, a participação do fã nas escolhas do time. É um sistema parecido com de sócio de clubes. Uma mistura de crowdfunding com cripto. Eles já levantaram USD 27 milhões na primeira rodada e estão juntando forças com a Binance numa joint venture estabelecida … na Ilha de Malta.</p>
<p>Agora, temos a SGame Pro. Proposta? Mesma coisa: in-game tokens cuja “mineração” é jogar. Seria PoP ou Proof of Play como “algoritmo” de consenso. Novamente tokens ERC20, wallet, etc. O diferencial deles foi ter recrutado ninguém menos que o mais famoso gamer da atualidade o Pewdiepie como garoto propaganda do ICO deles.</p>
<p>Na mesma categoria ainda temos um mais evoluído, a Gifto cujo propósito é vender presentes virtuais. Sim! Chegamos à era onde você presenteia amigos com digital assets. Parece bem idiota mas em 2017 eles já faturaram USD 150 milhões e eles vendem 25 milhões de presentes virtuais por mês. Integram com apps como Uplive que é tipo o Periscope da Ásia para streaming, tem opções de doar pra caridade, opções para criadores de presentes virtuais e já tem mais de um milhão de usuários da wallet deles. No caso acho que seria um reverse ICO porque parece que querem adicionar integração com ethereum como forma de pagar os criadores de presentes, ou algo assim.</p>
<p>E você nota que muitas dessas ICOs trazem alguma celebridade pra tentar dar alguma notoriedade aos projetos, como o PewDiePie que acabamos de falar, ou o Taewon na HYCON ou o Robert Scoble na Platin, mas que tal a GCOX ou Global Crypto Offering Exchange, como o nome diz uma exchange mas cujo propósito é gerar um ecossistema para gerenciar tokens de celebridades, novamente a idéia dos fã clubes como a Chilliz mas em vez de ser só pra e-sports é para celebridades em geral, ou Celebrity Token que pode ser usado para comprar merchandise da sua celebridade favorita, entrar em contato com essa celebridade ou doar para a caridade que eles apoiam e coisas desse tipo. No time de fundadores eles tem celebridades, duh, como o boxeador superstar e senador das Filipinas Manny Pacquiao e o ex-jogador de futebol da Inglaterra, Michael Owen.</p>
<p>( … 7 Outros)</p>
<p>E para a última categoria vamos começar falando de 2 projetos na área de energia. Que tal o Electrify Asia. Parece que em alguns países como Singapura a eletricidade foi democratizada desde 2001. E qualquer um que consuma mais que 2000 kWH pode escolher seu fornecedor de energia - coisa que nem ouvimos falar por aqui. Eles querem criar um marketplace onde você pode comprar energia usando o token deles, o ELEC, abrindo o mercado para pequenos produtores, por exemplo prédios que tem células solares no teto e queiram vender seu excesso de energia. Eles também estão querendo fabricar o PowerPod que é basicamente um medidor de saída de energia para pequenos produtores, para medir e executar as trades p2p em seus smart contracts. É uma idéia interessante em países mais avançados que já estão chegando nesse estágio.</p>
<p>No mesmo setor mas com outra proposta é a WePower, no caso é mais um crowdfunding para projetos de energia renovável. Eles também querem conectar compradores e produtores, também usam smart contracts ethereum, e também tem seus próprios tokens de energia.</p>
<p>Enfim, bons ou ruins, todos os projetos envolvem tokens como vocês podem ver. Em comum é que a maioria são tokens no padrão ERC20 que é uma interface padrão de smart contracts, normalmente programados em Solidity, uma linguagem meio primária que não te protege muito não, e é muito fácil cometer erros graves. E pra piorar, uma vez instalado no blockchain o contrato é imutável. Muitos casos graves de bugs em smart contract já levaram muitos ICOs a perder todos os seus tokens. E por causa disso achei interessante um projeto que vi lá chamado CertiK que é uma plataforma que executa uma séries de checagens de análise estática de código (como um Brakeman, que usamos em projetos Ruby) para achar erros comuns como buffer overflow e coisas do tipo, com o twist que obviamente else rodam as análises de forma descentralizada. Eles dizem criar um certificado para dizer que seu smart contract é “sem bugs e resistente a hackers”, isso eu já acho um exagero. Tudo bem que tokens ERC20 não são exatamente difíceis de fazer, então quem sabe eles já tenham mesmo coberto tudo nesse tipo específico de smart contract.</p>
<p>E, claro, se você não é exatamente o tipo que consegue programar seus próprios smart contracts, não se preocupe, existe o projeto TOKEDO que oferece produtos como wallet, uma exchange e nada menos que um Criador de Tokens para ICOs usando o modelo DAICO que é um modelo sugerido por ninguém menos que o criador do ethereum Vitalik Buterin para incorporar certos aspectos de uma DAO ou organização autônoma descentralizada em tokens para crowdfunding. Na prática é uma governança automatizada onde o projeto que levanta o ICO não tem acesso a todos os fundos gerados pela venda dos tokens, em vez disso ele vai soltando os fundos à medida que o projeto realmente entregue os milestones que ele mesmo prometeu ou os fundos restantes são devolvidos aos compradores. É meio como funcionam rounds de investimento tradicional em startups. Você atinge metas e recebe o próximo round, e é um modelo mais correto para ICOs que é o que muitas regulamentações devem começar a exigir de qualquer jeito. Então, se você ficou interessado em criar seu próprio ICO, estude o modelo DAICO.</p>
<p>E, finalmente, chegamos ao fim!! Nem acredito! A parte 1 e esta parte 2 listam a maioria dos projetos que circularam no meetup da CoinUS e BRP, na Beyond Blocks e na Blockchain Partners. Não é a lista completa mas pelo menos dá uma boa idéia de diferentes casos de uso para novos blockchains, tokens ERC20, security e utility tokens e explora mais como os tokens podem ser usados em aplicações mais reais. É muito importante que ecossistemas de ICOs floreçam para abrir o caminho para um uso mais cotidiano de criptomoedas no mundo real. E como vocês já devem ter concluído é uma pena que ainda não exista nada perto disso deste lado do planeta. Da minha parte, em breve teremos suporte a tokens ERC20 na minha exchange a OmniTrade, então vão preparando seus ICOs ;-)</p>
<p>Chegamos ao fim desta enorme série sobre a Coréia do Sul e o Blockchain Week que tive a oportunidade de visitar. Talvez tenhamos uma nova série como esta em breve já que pretendo fazer uma visita um pouco mais curta na Ilha de Malta que tanto mencionamos nos últimos vídeos. Até lá quero fazer vídeos sobre outros assuntos. O que vocês gostariam que eu discutisse nos próximos vídeos? Não deixem de sugerir assuntos nos comentários abaixo. Se gostaram deem um joinha, assinem o canal e cliquem no sininho! A gente se vê, valeu galera!</p>
]]></content:encoded><category>bitcoin-e-criptomoedas</category><category>startups</category><category>negocios</category><category>akitando</category></item><item><title>[Off-Topic] Impressão 3D, a lenda?</title><link>https://akitaonrails.github.io/2014/10/07/off-topic-impressao-3d-a-lenda/</link><guid isPermaLink="true">https://akitaonrails.github.io/2014/10/07/off-topic-impressao-3d-a-lenda/</guid><pubDate>Tue, 07 Oct 2014 14:39:00 -0300</pubDate><description>&lt;p&gt;Publicado pela 1a vez em &lt;a href="http://web.archive.org/web/20220124113355/https://startupi.com.br/2014/10/impressao-3d-lenda/"target="_blank" rel="noopener"&gt;2014-10-07T17:39:50+00:00&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;img src="https://akitaonrails.s3.amazonaws.com/assets/image_asset/image/515/print_the_legend_impressao_impressora_3d-600x250.png" alt="3D printing" loading="lazy" /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Se você andou viajando por Júpiter nos últimos anos, talvez não tenha ouvido falar de uma vertente de produção que já causou muita controvérsia e já se firmou como viável: a impressão 3D doméstica. A impressão 3D, ou produção por adição de material em vez da produção por remoção que usamos hoje, existe há uns 30 anos. Mas o mercado ficava nas mãos de gigantes como a 3D Systems e a Stratasys, e só para impressoras industriais que passavam dos 100 mil dólares. Elas eram a IBM dos anos 70.&lt;/p&gt;</description><content:encoded><![CDATA[<p>Publicado pela 1a vez em <a href="http://web.archive.org/web/20220124113355/https://startupi.com.br/2014/10/impressao-3d-lenda/"target="_blank" rel="noopener">2014-10-07T17:39:50+00:00</a></p>
<p><img src="https://akitaonrails.s3.amazonaws.com/assets/image_asset/image/515/print_the_legend_impressao_impressora_3d-600x250.png" alt="3D printing"  loading="lazy" /></p>
<p>Se você andou viajando por Júpiter nos últimos anos, talvez não tenha ouvido falar de uma vertente de produção que já causou muita controvérsia e já se firmou como viável: a impressão 3D doméstica. A impressão 3D, ou produção por adição de material em vez da produção por remoção que usamos hoje, existe há uns 30 anos. Mas o mercado ficava nas mãos de gigantes como a 3D Systems e a Stratasys, e só para impressoras industriais que passavam dos 100 mil dólares. Elas eram a IBM dos anos 70.</p>
<p>E assim como na revolução dos desktops que Microsoft, Compaq, Apple e Dell ajudaram a fundar, agora é a vez de startups como a <a href="http://www.makerbot.com/"target="_blank" rel="noopener">MakerBot</a> e a <a href="http://formlabs.com/en/"target="_blank" rel="noopener">Form Labs</a> entrarem em cena. A Form Labs foi um dos projetos de maior sucesso da sua categoria no <a href="https://www.kickstarter.com/projects/formlabs/form-1-an-affordable-professional-3d-printer"target="_blank" rel="noopener">Kickstarter</a>. Elas trazem as impressoras 3D domésticas, abaixo dos 2 mil dólares, acessíveis não só a hobistas como ao consumidor comum no futuro.</p>
<p>“Mas impressão 3D é só para nerds.” Assim também soava a ideia de um “computador pessoal em cada casa” no fim dos anos 70. Essa é a premissa do documentário <a href="http://www.imdb.com/title/tt3557464/?ref_=nv_sr_1"target="_blank" rel="noopener">“Print the Legend”</a>, produzido e lançado pela Netflix no dia 26 de setembro de 2014.</p>
<iframe src="http://www.imdb.com/video/imdb/vi767536921/imdb/embed?autoplay=false&width=640" width="640" height="360" allowfullscreen="true" mozallowfullscreen="true" webkitallowfullscreen="true" frameborder="no" scrolling="no"></iframe>
<p>Devo admitir que me deixa um pouco nervoso a “revolução 3D” já ganhar um documentário sem ter atingido o patamar que um Apple II tinha em meados dos anos 80. Por outro lado, o filme não se propõe a explicar o processo de manufatura nem as várias técnicas de impressão 3D, laser e afins. Ele explora o que acontece quando o idealismo da startup de garagem vira realidade e chega ao nível de uma Apple do começo dos anos 80.</p>
<p>A confusão fica óbvia nas entrevistas com ex-funcionários da MakerBot, sobre como agora odeiam o CEO e co-fundador, <a href="https://makezine.com/article/digital-fabrication/3d-printing-workshop/stratasys-lawsuit-patents-and-more-an-interview-with-makerbots-bre-pettis/"target="_blank" rel="noopener">Bre Pettis</a>. A visão original de garagem, de uma empresa voltada a código aberto e hardware aberto, de repente recebe investimento e alavancagem dos típicos Brad Felds. E a empresa começa a inchar de uma garagem de 12 pessoas para uma corporação de 200, 600 e mais gente.</p>
<p>Amigos viram inimigos (aliás, amigos sempre viram os piores inimigos), pessoas saem desiludidas, traumatizadas, decepcionadas, e crueldade e autoritarismo viram rotina. Pelo menos é o que os que saíram sempre vão dizer.</p>
<p>Quanto disso é verdade? Nunca vamos saber. A verdade sempre tem três versões: a que eu conto, a que você conta e a que realmente aconteceu.</p>
<p>Pessoas começam startups, em geral, para serem o anti-sistema, os rebeldes, os que não se encaixam, os que querem fazer diferente e mudar o jogo. Chega a ser “fofo” esse nível de idealismo ingênuo, e ele é necessário: se você não acredita que a coisa pode acontecer, ela não acontece mesmo. Pensar assim é um requisito, até certo ponto.</p>
<p>Chamo de “ingênuo” por um motivo. Nos raríssimos casos como o da MakerBot (e talvez no futuro o da Form Labs, que trilha o mesmo caminho depois de receber seu gordo Series A), quando você é bem sucedido de verdade em mudar o sistema e virar o jogo, a partir daquele momento você vira o novo sistema, o novo jogo, o novo alvo. Agora é você o sistema a ser combatido e derrubado.</p>
<p>A Apple era o contramovimento à IBM nos anos 80. Deu tão certo que ela mesma virou o novo sistema. Nos anos 90 a gente achava que a Microsoft seria a sucessora da IBM, mas no século XXI descobrimos que quem assumiu esse papel foi a Apple.</p>
<p>Cabe a uma nova startup de garagem começar outro jogo do zero. A parte mais interessante de “Print the Legend” é justamente mostrar esse drama, do começo até agora, de uma startup que percorre essa maldição. Como Bre Pettis passou de líder de uma comunidade aberta de makers a “traidor” do movimento, e como a pequena MakerBot chegou ao sucesso: foi comprada pela Stratasys, a segunda maior desse mercado, e com isso conseguiu crescer o negócio.</p>
<p>Sem dar muito spoiler, lá pelo fim alguém comenta que fundadores, empreendedores e CEOs de sucesso sempre falam do “sacrifício” que foi chegar aonde chegaram. A maioria imagina que sacrifício é trabalhar longas horas, ficar longe da família por longos períodos ou aguentar as complicações do processo.</p>
<p>Mas o sacrifício a que eles talvez se refiram é outro: quebrar a própria identidade, trair os próprios princípios e cruzar as linhas que jurou que nunca cruzaria. E os raros grandes casos de sucesso, as Microsofts, as Apples, as IBMs e agora talvez as Stratasys, exigem que isso aconteça.</p>
<p>O ciclo vai recomeçar. Em breve uma nova startup rebelde de garagem desponta, joga o mesmo jogo e, logo depois, vira o novo sistema a ser batido. Esse é o ciclo das startups de sucesso, e são exatamente essas as regras do jogo do grande “sucesso”.</p>
<p>Foto de abertura: <a href="http://fb.com/printthelegend"target="_blank" rel="noopener">fb.com/printthelegend</a></p>
]]></content:encoded><category>startups</category><category>negocios</category><category>cinema-e-cultura-pop</category><category>off-topic</category></item><item><title>[Off-Topic] Breaking Bad foi uma startup de muito sucesso</title><link>https://akitaonrails.github.io/2014/03/28/off-topic-breaking-bad-foi-uma-startup-de-muito-sucesso/</link><guid isPermaLink="true">https://akitaonrails.github.io/2014/03/28/off-topic-breaking-bad-foi-uma-startup-de-muito-sucesso/</guid><pubDate>Fri, 28 Mar 2014 06:00:00 -0300</pubDate><description>&lt;p&gt;Publicado pela 1a vez em &lt;a href="http://web.archive.org/web/20150405090805/http://startupi.com.br/2014/03/breaking-bad-foi-uma-startup-de-muito-sucesso/"target="_blank" rel="noopener"&gt;2014-03-28T09:00:33+00:00&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Eu escrevi este artigo em inglês logo depois que o último episódio da série foi exibido na TV, em &lt;a href="https://akitaonrails.tumblr.com/post/62925918688/breaking-bad-showed-a-startup-that-was-too-successful"target="_blank" rel="noopener"&gt;Outubro de 2013&lt;/a&gt;. Como já passaram alguns meses, imagino que todos já tenham tido a oportunidade de assistir tudo. Para mim esta foi uma das melhores séries de TV das últimas décadas. Chega perto do &amp;ldquo;The Sopranos&amp;rdquo;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Não vou revisar cada detalhe da série, já que existem muitos blogs fazendo isso com mais competência do que eu faria. Vou assumir que você já assistiu à série e vou contar partes do final, então vá assistir antes de continuar lendo.&lt;/p&gt;</description><content:encoded><![CDATA[<p>Publicado pela 1a vez em <a href="http://web.archive.org/web/20150405090805/http://startupi.com.br/2014/03/breaking-bad-foi-uma-startup-de-muito-sucesso/"target="_blank" rel="noopener">2014-03-28T09:00:33+00:00</a></p>
<p>Eu escrevi este artigo em inglês logo depois que o último episódio da série foi exibido na TV, em <a href="https://akitaonrails.tumblr.com/post/62925918688/breaking-bad-showed-a-startup-that-was-too-successful"target="_blank" rel="noopener">Outubro de 2013</a>. Como já passaram alguns meses, imagino que todos já tenham tido a oportunidade de assistir tudo. Para mim esta foi uma das melhores séries de TV das últimas décadas. Chega perto do &ldquo;The Sopranos&rdquo;.</p>
<p>Não vou revisar cada detalhe da série, já que existem muitos blogs fazendo isso com mais competência do que eu faria. Vou assumir que você já assistiu à série e vou contar partes do final, então vá assistir antes de continuar lendo.</p>
<p>As pessoas amam a série e torcem pelo Heisenberg mesmo sabendo que ele comete vários crimes. Pessoalmente, acho que o que prende as pessoas é a história que o autor está contando, muito mais do que os crimes em si.</p>
<p>Esta é a história de uma startup de muito, muito sucesso, a clássica &ldquo;startup de garagem&rdquo;, só que dentro de uma van. Walter e Jesse começam com uma ideia, alguns trocados e muito trabalho, cozinhando metanfetamina no meio do deserto. Mesmo com pouco dinheiro e sem recursos, Walt não abre mão da qualidade do produto, e essa é uma marca dos grandes empreendedores. Jesse é a metáfora do empreendedor amador, que largou os estudos e tenta acertar na loteria sem experiência e sem pensar adiante.</p>
<p><img src="https://akitaonrails.s3.amazonaws.com/assets/image_asset/image/514/talent.jpg" alt="Walt"  loading="lazy" /></p>
<p>Para mim, toda a ideia de Breaking Bad gira em torno de empreendedorismo. Walt não é só um experiente professor de química, com conhecimento e talento de verdade; é também um grande homem de negócios, e provou isso muitas vezes. Um exemplo está em perceber que, para pontuar alto, crescer organicamente vendendo nas ruas do jeito do Jesse não é o bastante.</p>
<p>Aí entram Gus Fring e a Los Pollos Hermanos, com a explosão nos canais de distribuição. É assim que se escala um negócio. Gus é o &ldquo;investidor anjo&rdquo; do Walt, e depois do aporte a pressão só aumenta. Jesse se cansa rápido de trabalhar tanto no laboratório, como todo jovem idealista que ainda não entende o que é trabalho pesado de verdade. Walt, por outro lado, está focado em pontuar alto a qualquer custo.</p>
<p>A série também mostra como negociar com parceiros de quem você não gosta e em quem não confia, num jogo sempre exigente. Quando surge a oportunidade, você não precisa fazer todo o trabalho sujo com as próprias mãos: ponha cachorro grande para comer cachorro grande, jogue o Cartel contra o Gus. E, se tudo der errado, sempre dá para explodir a casa de repouso.</p>
<p>No processo, o que vemos é o amadurecimento do Jesse. Walt foi um grande mentor, e as aventuras o tornaram mais forte. O final também é sobre o Jesse entender o que ele realmente é e talvez se tornar uma pessoa melhor, em termos de autoconhecimento. Agora ele está pronto para se comprometer e sacrificar, em vez de ser só um idealista.</p>
<p>No mundo real, a gente tem que se comprometer e fazer sacrifícios. Vão existir danos colaterais, porque não dá para fazer uma omelete sem quebrar alguns ovos. Nada que valha a pena é fácil, e o processo nunca vai ser bonito.</p>
<p>O final é fantástico porque Walt finalmente admite uma coisa: quem empreende faz isso por si mesmo. Não pela família, não pelos amigos, não pelo bem da humanidade. É para você e só para você. Quem não está fazendo por si mesmo está fazendo errado, e esse é o conceito mais básico do empreendedorismo.</p>
<p>Beneficiar (ou prejudicar) os outros é sempre um efeito colateral de ações feitas com o único objetivo de beneficiar a si mesmo. Enquanto você não faz por você, sempre vai usar os outros como saída fácil, como desculpa. &ldquo;Deu errado, mas eu fiz com boas intenções.&rdquo; Boas intenções não importam, resultados importam. Se você faz tudo por você mesmo, a responsabilidade é sempre sua. Sem desculpas.</p>
<p>Ter sucesso vai muito além de glória e fama. Como Breaking Bad mostra, quando o negócio cresce, a concorrência fica mais agressiva, os ataques ficam mais violentos e todo mundo quer o seu pedaço da pizza. Defender o próprio território depende só de você, e nem sempre dá para fazer isso sozinho.</p>
<p>Às vezes você precisa de bons mercenários e sempre de um bom advogado, como Mike Ehrmantraut e Saul Goodman, para cobrir seus passos. São os parceiros de sangue frio que tocam os negócios que você não pode fazer o tempo todo.</p>
<p>Marie representa o que há de pior e mais degradante no mundo: a normalidade medíocre. São pessoas tão presas ao status quo, tão entediadas com a própria existência, que sentem inveja mortal de quem não segue a sua versão minúscula de &ldquo;verdade&rdquo;, o tal caminho de &ldquo;ser normal&rdquo;. Gente cheia de preconceito e cheia de si, que julga tudo e todos o tempo todo. O melhor a fazer é se manter o mais longe possível desse tipo.</p>
<p>Skyler começa igual à Marie, mas, por estar tão perto do Walt, ela luta contra si mesma. Sofre para sair da caixa, para se acostumar a correr riscos, para pensar de um jeito diferente. Ela passa por todas as <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/K%C3%BCbler-Ross_model"target="_blank" rel="noopener">fases comuns de transição</a>: negação, raiva, negociação, depressão e aceitação. No final, a gente vê que ela finalmente entendeu.</p>
<p><img src="https://akitaonrails.s3.amazonaws.com/assets/image_asset/image/512/breaking_bad_entrepreneurship.jpg" alt="Breaking Bad"  loading="lazy" /></p>
<p>Walt não era o vilão, era um homem fazendo o que sabia fazer de melhor. Alguém que valorizava tanto o próprio trabalho que jamais deixaria nada nem ninguém pará-lo. Isso é &ldquo;garra&rdquo;, e é o nível de garra que qualquer um que queira empreender precisa ter. Alcançar o objetivo, custe o que custar.</p>
<p>Walt é o melhor exemplo de empreendedor que existe, muito parecido com o Tony Soprano. A Máfia é o melhor MBA do mundo.</p>
]]></content:encoded><category>startups</category><category>gestao</category><category>cinema-e-cultura-pop</category><category>off-topic</category></item><item><title>[Off-Topic] O dilema da Nova Geração: empreender ou arranjar um emprego?</title><link>https://akitaonrails.github.io/2014/02/20/off-topic-o-dilema-da-nova-geracao-empreender-ou-arranjar-um-emprego/</link><guid isPermaLink="true">https://akitaonrails.github.io/2014/02/20/off-topic-o-dilema-da-nova-geracao-empreender-ou-arranjar-um-emprego/</guid><pubDate>Thu, 20 Feb 2014 06:00:00 -0300</pubDate><description>&lt;p&gt;Publicado pela 1a vez em &lt;a href="http://web.archive.org/web/20150110212840/http://startupi.com.br/2014/02/o-dilema-da-nova-geracao-empreender-ou-arranjar-um-emprego/"target="_blank" rel="noopener"&gt;2014-02-20T09:00:09+00:00&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Recentemente um artigo num blog gerou algum burburinho. Intitulado &lt;a href="http://web.archive.org/web/20140221150137/https://medium.com/apple-daily/f5f8c807d868"target="_blank" rel="noopener"&gt;Eu queria tanto trabalhar na Apple, agora nem tanto&lt;/a&gt;, é um desabafo do próprio autor. O resumo é simples: na opinião dele, o chefe tratava mal a ele e à equipe, ao ponto de largar tudo e ir embora.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;As discussões mais genéricas foram na linha de que a Apple deve ser mesmo um lugar horrível de trabalhar, e que a cúpula ainda pratica o lendário &amp;ldquo;estilo Steve Jobs&amp;rdquo; de chutar as pessoas para arrancar resultado. Alguns chegaram a dizer que &amp;ldquo;a única saída é empreender, seguir os próprios sonhos sem um chefe desses pisando em você&amp;rdquo;.&lt;/p&gt;</description><content:encoded><![CDATA[<p>Publicado pela 1a vez em <a href="http://web.archive.org/web/20150110212840/http://startupi.com.br/2014/02/o-dilema-da-nova-geracao-empreender-ou-arranjar-um-emprego/"target="_blank" rel="noopener">2014-02-20T09:00:09+00:00</a></p>
<p>Recentemente um artigo num blog gerou algum burburinho. Intitulado <a href="http://web.archive.org/web/20140221150137/https://medium.com/apple-daily/f5f8c807d868"target="_blank" rel="noopener">Eu queria tanto trabalhar na Apple, agora nem tanto</a>, é um desabafo do próprio autor. O resumo é simples: na opinião dele, o chefe tratava mal a ele e à equipe, ao ponto de largar tudo e ir embora.</p>
<p>As discussões mais genéricas foram na linha de que a Apple deve ser mesmo um lugar horrível de trabalhar, e que a cúpula ainda pratica o lendário &ldquo;estilo Steve Jobs&rdquo; de chutar as pessoas para arrancar resultado. Alguns chegaram a dizer que &ldquo;a única saída é empreender, seguir os próprios sonhos sem um chefe desses pisando em você&rdquo;.</p>
<p>E é esse o ponto do artigo. Com o frenesi atual em torno de startups, essa é uma atitude que vejo com frequência cada vez maior.</p>
<p>Deixe eu colocar em perspectiva a reclamação comum sobre chefes. Nenhum chefe que você já encontrou, mesmo o pior dos piores, chega perto de Henry Clay Frick, responsável pelas operações das siderúrgicas do lendário Andrew Carnegie. As condições de trabalho no fim do século XIX eram péssimas, e talvez nem as piores condições de hoje se comparem ao pior daquela época.</p>
<p>Vários dos grandes magnatas industriais do período, incluindo Carnegie, Rockefeller, Vanderbilt e <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Robber_baron_%28industrialist%29"target="_blank" rel="noopener">muitos outros</a>, exploravam os trabalhadores até o limite da miséria. Um exemplo de até onde isso ia foi a famosa <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Homestead_Strike"target="_blank" rel="noopener">Greve de Homestead</a>. O resultado? Sete trabalhadores mortos e onze feridos.</p>
<p>Acredite, você não ia querer alguém como Frick de chefe.</p>
<p>Esse foi um exemplo extremo, e não quer dizer que não existam chefes ruins hoje. Vou restringir o contexto ao mundo das tech startups do qual fazemos parte, sem falar de serviço público, forças armadas ou outras áreas fora desse recorte.</p>
<p>A grande diferença entre hoje e a época de Carnegie é que hoje existem opções. Antigamente, ou você aguentava péssimas condições e péssimos salários, ou vivia na miséria sem emprego nenhum. Hoje qualquer bom profissional tem muitas alternativas. Gente entra e sai de empresa centenas de vezes por dia, em centenas de empresas, e basta ver a proliferação de sites de emprego e recrutamento para confirmar.</p>
<p><img src="https://akitaonrails.s3.amazonaws.com/assets/image_asset/image/503/Homestead_riot_harpers_3c26046v.jpg" alt="Homestead Strike"  loading="lazy" /></p>
<p>Se você é estudante ou recém-formado, entenda uma verdade dura: você é igual às centenas de pessoas que se formaram junto com você e entram no mercado todos os dias. O primeiro emprego é sempre difícil. E não só o primeiro: o segundo, o terceiro e talvez os seguintes também. O que você &ldquo;acha&rdquo; que é capaz de fazer não vale nada até ter uma sequência de resultados concretos para provar. É o que chamamos de currículo.</p>
<p>Já ouvi muito jovem dizer coisas como &ldquo;preciso mudar de emprego, não estou aprendendo mais nada aqui&rdquo;. Se você está na mesma empresa há dez anos, provavelmente já passou da hora. No primeiro ou segundo ano, é bobagem. A empresa tem muito a ensinar; o problema é você não querer aprender.</p>
<p>Um programador, por exemplo, não tem &ldquo;programar&rdquo; como única atribuição. Em agosto de 2013 escrevi que a <a href="/2013/08/23/off-topic-estimativas-sao-promessas-promessas-devem-ser-cumpridas/">coisa mais difícil para um Engenheiro de Software</a> é entender que problemas de software muitas vezes não têm solução em software. Aprender a negociar, <a href="/2013/11/02/off-topic-programadores-sao-pessimos-comunicadores-udp-vs-tcp/">se comunicar de forma que os outros entendam</a>, gerenciar expectativas, trabalhar em equipe, convencer os outros de que suas ideias são boas: tudo isso faz parte do trabalho.</p>
<p>Ou seja, muita coisa que não tem nada a ver com código. E isso vale para qualquer profissão, seja você designer, escritor, cozinheiro ou piloto de corrida. Todos precisam aprender e praticar essas habilidades para crescer.</p>
<p>Existem algumas frases-feitas repetidas a esmo, como &ldquo;não vale a pena viver o sonho dos outros sendo funcionário de uma empresa&rdquo;. Se o pensamento é esse, melhor pedir demissão mesmo. Uma empresa não é caridade: ela existe para ter lucro, não para ser babá de funcionário. E, a menos que seja uma organização sem fins lucrativos, nenhum funcionário está ali como voluntário não remunerado.</p>
<p>Entre empresa e funcionário existe um contrato de trabalho. Os dois concordaram com os termos. Se você não concorda, não aceite; se aceitou, cumpra; se acha que a situação mudou, renegocie. Renegociar é uma opção, e a empresa pode recusar. Se você não está satisfeito, peça demissão, cumpra os termos até o fim e saia como qualquer bom profissional. Abandonar o posto, como no relato do blog, é quebra unilateral de contrato. Está errado.</p>
<p>Você tem vários motivos <a href="/2011/04/25/off-topic-mea-culpa-organizacoes-democraticas-nao-funcionam/">para estar num emprego</a>. Tem o salário para pagar as contas no fim do mês, presumindo que você já criou vergonha na cara e parou de parasitar o papai e a mamãe. E tem o aprendizado: você é pago não só para cumprir suas responsabilidades, mas para explorar tudo que as empresas estabelecidas já aprenderam e que você absorve &ldquo;de graça&rdquo;. Cada crítica que recebe, cada reclamação, é uma chance de melhorar algo que você nem sabia que faltava. &ldquo;No pain, no gain.&rdquo;</p>
<p>O próprio fato de você ter dificuldade de achar outra empresa que o contrate já mostra que ainda faltam competências. Outra frase comum é &ldquo;eu faria mais, mas ninguém me dá uma chance (ou me paga mais)&rdquo;. Se você já se pegou dizendo isso, ainda tem muito a aprender. E, mesmo para empreender, essa é a lição mais básica: ninguém dá nada de graça, tudo é troca voluntária para benefício mútuo. Sem benefício, não tem negócio.</p>
<p>E eu digo qual é o pior lugar do mundo para aprender tudo isso: a sua própria primeira empresa. O resultado mais comum de alguém totalmente inexperiente decidir abrir a própria empresa? Virar exatamente o tipo de chefe descrito pelo autor do blog que trabalhou na Apple.</p>
<blockquote>PS: existem diversas formas do autor do blog ter resolvido seu problema interno. Uma empresa do tamanho da Apple, com mais de 80 mil funcionários, certamente tem vários caminhos para resolver um problema desses. Não saber encontrá-los só demonstra que ainda falta muito a aprender. Afinal, quem tem boca vai a Roma.</blockquote>
]]></content:encoded><category>carreira</category><category>startups</category><category>negocios</category><category>off-topic</category></item><item><title>[Off-Topic] Tech Startups, superlotação de B2C. Boring.</title><link>https://akitaonrails.github.io/2013/11/14/off-topic-tech-startups-superlotacao-de-b2c-boring/</link><guid isPermaLink="true">https://akitaonrails.github.io/2013/11/14/off-topic-tech-startups-superlotacao-de-b2c-boring/</guid><pubDate>Thu, 14 Nov 2013 14:29:00 -0200</pubDate><description>&lt;p&gt;Quando &lt;a href="http://www.akitaonrails.com/2012/11/05/viagem-a-sao-francisco-parte-1-techcrunch-disrupt"target="_blank" rel="noopener"&gt;estive em São Francisco em 2012&lt;/a&gt;, participei da Techcrunch Disrupt (pessoalmente, &lt;em&gt;boring&lt;/em&gt;). Dentre as poucas coisas que me lembro, uma foi um comentário de &lt;a href="http://techcrunch.com/2012/09/10/reid-hoffman-next-wave-of-tech-ipos-will-be-enterprise-with-consumer-flare-arrington-yawns/"target="_blank" rel="noopener"&gt;Reid Hoffman&lt;/a&gt;, fundador do LinkedIn. Não lembro a frase exata, mas em resumo era algo assim:&lt;/p&gt;
&lt;blockquote&gt;
"Todos estão fazendo startups B2C, quase ninguém está resolvendo o problema 'Enterprise', o mercado B2B de bilhões de dólares."
&lt;/blockquote&gt;
&lt;p&gt;Deixa eu simplificar. Estou tratando &amp;ldquo;B2C&amp;rdquo;, business to consumer, como todos os sites comuns que vemos hoje: redes sociais, instant messaging, content management, tudo cujo público alvo final é a massa de consumidores pessoas físicas. E &amp;ldquo;B2B&amp;rdquo;, business to business, como as soluções em software que resolvem tanto problemas internos de uma corporação quanto problemas que interligam várias corporações, onde o público alvo são pessoas jurídicas. É uma simplificação, mas serve ao meu propósito.&lt;/p&gt;</description><content:encoded><![CDATA[<p>Quando <a href="http://www.akitaonrails.com/2012/11/05/viagem-a-sao-francisco-parte-1-techcrunch-disrupt"target="_blank" rel="noopener">estive em São Francisco em 2012</a>, participei da Techcrunch Disrupt (pessoalmente, <em>boring</em>). Dentre as poucas coisas que me lembro, uma foi um comentário de <a href="http://techcrunch.com/2012/09/10/reid-hoffman-next-wave-of-tech-ipos-will-be-enterprise-with-consumer-flare-arrington-yawns/"target="_blank" rel="noopener">Reid Hoffman</a>, fundador do LinkedIn. Não lembro a frase exata, mas em resumo era algo assim:</p>
<blockquote>
"Todos estão fazendo startups B2C, quase ninguém está resolvendo o problema 'Enterprise', o mercado B2B de bilhões de dólares."
</blockquote>
<p>Deixa eu simplificar. Estou tratando &ldquo;B2C&rdquo;, business to consumer, como todos os sites comuns que vemos hoje: redes sociais, instant messaging, content management, tudo cujo público alvo final é a massa de consumidores pessoas físicas. E &ldquo;B2B&rdquo;, business to business, como as soluções em software que resolvem tanto problemas internos de uma corporação quanto problemas que interligam várias corporações, onde o público alvo são pessoas jurídicas. É uma simplificação, mas serve ao meu propósito.</p>
<p>Vou repetir uma coisa que twitei recentemente: &ldquo;empreendedor&rdquo; é um estado, não uma carreira nem uma profissão. Qualquer pessoa, física ou jurídica, por definição, empreende. Até um estudante empreende, construindo o próprio conhecimento para resolver algum problema no futuro. Uma diarista é empreendedora, e hoje algumas ganham em escala subcontratando outras e distribuindo serviços.</p>
<p>Portanto, não são só os desenvolvedores de software que, por acaso, ganharam esse &ldquo;privilégio&rdquo;. Na prática, não há nada de especial em ser empreendedor, basta não ser um procrastinador.</p>
<p>Muitos jovens, muitos ainda nem na faculdade, estão iludidos pelo falso &ldquo;glamour&rdquo; desse curto período, que pode até ser uma bolha, ou pelo menos uma anomalia temporária de mercado. Se você está nesse grupo, recomendo meu artigo anterior, a tradução do post de Alex Payne, <a href="http://www.akitaonrails.com/2013/10/31/traducao-carta-para-um-jovem-programador-considerando-uma-startup"target="_blank" rel="noopener">Carta para um Jovem Programador Considerando uma Startup</a>.</p>
<p>O exercício aqui é simples. Por que vocês acham que a maioria esmagadora das tech startups investe em aplicações Web B2C? E por que quase todas são tão parecidas entre si? Basicamente, se você trocar o logotipo, o nome e algumas cores, muitas ficam praticamente idênticas. Ecommerces são óbvios. Redes sociais verticais. Misture um componente de rede de conhecidos a verticais como empregos, classificados, transporte (táxi), exercícios e saúde.</p>
<p>A resposta é assustadora de tão simples: é tudo o que uma pessoa inexperiente conhece. O dia a dia dela se resume a usar Facebook, Instagram, Medium e Tumblr. A pegar ônibus e metrô. A ir num pronto-socorro ou fazer alguns exames. A ir na academia. A frequentar uma universidade. E tudo isso do ponto de vista do consumidor, nunca do provedor ou produtor. Por isso tudo sai mais ou menos igual.</p>
<h2>O Mundo Corporativo é Muito Chato<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="o-mundo-corporativo-é-muito-chato"></span>
    <a href="#o-mundo-corporativo-%c3%a9-muito-chato" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>O efeito colateral mais assustador é que as &ldquo;tech startups&rdquo; e a pseudo-carreira de &ldquo;empreendedor&rdquo; chegam como a salvação de quem leu blogs, tweets e posts de Facebook falando como é &lsquo;horrenda&rsquo; a vida de quem trabalha numa agência, numa grande empresa, numa corporação. A burocracia, a politicagem, a estrutura hierárquica. Tudo isso foi pintado como se arranjar um emprego fosse andar pelo corredor da morte, e como se estar empregado numa corporação fosse ser torturado diariamente de formas cruéis.</p>
<p>E o pior: a maioria dos jovens e inexperientes acredita nisso. <a href="http://www.urbandictionary.com/define.php?term=tl%3Bdr"target="_blank" rel="noopener">TL;DR</a>: não é inteiramente verdade.</p>
<p>Para piorar, de fato aparecem <a href="http://www.akitaonrails.com/2008/10/09/off-topic-entendendo-a-crise-econ-mica"target="_blank" rel="noopener">Cisnes Negros</a> pelo caminho. Facebook, Tumblr, Snapchat, Twitter. Isso dá a impressão de que é possível repetir o feito. Não entender a <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Lei_dos_grandes_n%c3%bameros"target="_blank" rel="noopener">Lei dos Grandes Números</a> pode ser fatal.</p>
<p>Em resumo: dados milhões de pessoas tentando ganhar na loteria, uma eventualmente ganha. Mas não existe processo repetível que leve até ali. É um beco sem saída de aleatoriedade. Agradeça a Bernoulli e Poisson por nos avisarem disso, embora poucos saibam hoje.</p>
<p>Não quero dizer que não exista valor em B2C. Claro que existe, só que muito mais limitado do que se imagina. O outro lado da moeda, o mundo corporativo, é quase imune a startups. Conhecemos os grandes nomes: SAP, Oracle, Microsoft, Totvs. Do lado puramente técnico, são softwares de baixíssima qualidade que, &lsquo;magicamente&rsquo; para alguns, movimentam bilhões de dólares. E é um mercado que vê pouca ou quase nenhuma disrupção há décadas.</p>
<p>O motivo é simples: poucos pararam para entender como esse mundo funciona. Pense em quem tenta entrar no mundo de ecommerce. O entendimento raso é que um ecommerce é uma &ldquo;loja virtual&rdquo;. Eu vejo diferente: entendo ecommerce como mais um <a href="http://www.investopedia.com/terms/d/distribution-channel.asp"target="_blank" rel="noopener">canal de distribuição</a>.</p>
<p>Por trás existem inúmeros processos consolidados que qualquer um que trabalhou em varejo (<a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Retail"target="_blank" rel="noopener">&ldquo;retail&rdquo;</a>) conhece bem. Centros de distribuição, Supply Chain, estratégias de precificação, tributação e transporte de materiais, aprovação de compras, inventário e warehouse management. Território conhecido para quem já trabalhou com Sales and Distribution. Alienígena para qualquer outro.</p>
<p>Sites de empregos. Poucos entendem o que isso significa, mas é uma perna pequena da área conhecida como HR, Recursos Humanos. Significa entender CLT, liability trabalhista, benefícios, recrutamento e seleção, treinamento, folha de pagamento, timesheet, viagens.</p>
<p>Entenda: você não tem a mínima condição de oferecer nada ao mercado corporativo sem ter participado ativamente dele. Para quem nunca esteve lá, uma corporação é uma caixa preta. E a maioria das pessoas imediatistas costuma se afastar do que não entende, em vez de explorar. Um &ldquo;hacker&rdquo; faz o oposto: quebra caixas pretas. Quem apenas consome continua um script kid achando que é mais do que é.</p>
<p>Quando você passa por várias empresas, vários contextos e situações, processos diferentes em etapas diferentes, só então começa a entender o domínio do problema. Faça isso algumas vezes e talvez comece a enxergar como melhorar ou, melhor ainda, &ldquo;inovar&rdquo; nesse segmento.</p>
<p>Inovação no mercado corporativo começa com otimização simples de processos, e pode terminar na substituição completa de um processo antigo ou na criação de uma vertical inteiramente nova. Mas inovação, por si só, é um processo, com etapas que precisam ser vencidas uma a uma. E a primeira etapa é invariavelmente adquirir conhecimento.</p>
<p>Não há atalhos. Mesmo no B2C me admira ver alguém tentar criar um produto para as massas sem entender as técnicas de convencimento acumuladas no corpo de conhecimento chamado &ldquo;marketing&rdquo;.</p>
<p>O atalho de criar tech startups copy-cat, acreditando cegamente numa promessa inexistente, está formando uma geração que desconhece os processos que regem esse mercado enorme. E algumas coisas dependem de tempo. Eu me aproveitei dessa vantagem ao entrar cedo no mercado, com o objetivo de descobrir como suas engrenagens funcionam.</p>
<p>Quando você é o mais novo, erros pesam menos e acertos são supervalorizados. Quando passou da idade, erros ficam intoleráveis e acertos viram o normal esperado. E quanto mais tarde, menos chance você tem de entender como o mundo funciona, com mais e mais portas fechadas.</p>
<p>Obviamente estou generalizando. Existem casos excepcionais em que isso funciona diferente, mas se você ainda não sabe se é um caso excepcional, as chances são de que não seja.</p>
<p><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Serendipity"target="_blank" rel="noopener">Serendipidade</a> só acontece quando você se expõe à maior variedade de situações possível, criando oportunidades. Numa única startup, num único produto, numa única ideia não provada, as chances de serendipidade despencam.</p>
<p>A vantagem de uma SAP, nas suas várias décadas de existência, foi acumular o conhecimento de todos os processos, de todas as indústrias, varrendo quase tudo que existe de importante no mundo corporativo. E mesmo assim há áreas que ela ainda não toca direito, o que abre espaço para uma Salesforce.com se sobressair. Imagine quem está artificialmente se limitando.</p>
<p>Mais do que isso: sem conhecimento nenhum e com a ilusão de que &ldquo;erros&rdquo; são bons porque viram aprendizado, esquecemos o óbvio. Errar é humano. Errar o que já é notoriamente errado é burrice, pura e simplesmente.</p>
<p>Cobrar um cliente sem ter assinado contrato antes, e depois chamá-lo de desonesto por não pagar tudo, demonstra a estupidez de quem não assinou o contrato. Gastar o dinheiro adiantado como &ldquo;investimento&rdquo; e depois ter problema com a folha de pagamento é amadorismo de quem desconhece o básico de fluxo de caixa.</p>
<p>Reescrever sistemas inteiros sem saber quanto vai custar em horas de desenvolvimento, treinamento de usuários, integrações, migração de dados e custo de oportunidade é outra burrice enorme de quem não sabe fazer análise básica de custos. Tudo isso é simples burrice, não precisa errar para aprender. Bastava ter visto acontecer uma vez: toda empresa faz isso há décadas, muito antes de você nascer.</p>
<p>Isso é inexperiência, algo normal, ninguém nasce sabendo tudo. Por isso adquirir experiência importa tanto. Sem ela você fica sempre em desvantagem, porque quis um atalho que imaginava economizar 5 anos e vai deixá-lo 10 anos atrasado.</p>
<p>O mundo B2C está super-saturado. O mundo B2B vai continuar isento de startups importantes por mais alguns anos, já que esta geração também desperdiça tempo e esforço de formas ineficientes, jogando fora tudo que já sabemos há anos. E lembre-se: evitar desperdício, que eu me lembre, é o pilar do &ldquo;Lean&rdquo;.</p>
]]></content:encoded><category>startups</category><category>negocios</category><category>mercado-de-tecnologia</category><category>off-topic</category></item><item><title>[Tradução] Carta para um Jovem Programador Considerando uma Startup</title><link>https://akitaonrails.github.io/2013/10/31/traducao-carta-para-um-jovem-programador-considerando-uma-startup/</link><guid isPermaLink="true">https://akitaonrails.github.io/2013/10/31/traducao-carta-para-um-jovem-programador-considerando-uma-startup/</guid><pubDate>Thu, 31 Oct 2013 15:25:00 -0200</pubDate><description>&lt;p&gt;Recentemente compartilhei um artigo &lt;a href="https://www.facebook.com/akitaonrails/posts/10151953794484837?comment_id=27965547&amp;amp;offset=0&amp;amp;total_comments=3&amp;amp;notif_t=share_comment"target="_blank" rel="noopener"&gt;criticando Lean Startup&lt;/a&gt;, e isso já está virando um hobby. O grande &lt;a href="https://www.facebook.com/alexandre.porcelli"target="_blank" rel="noopener"&gt;Alexandre Porcelli&lt;/a&gt; compartilhou uma &lt;a href="https://www.youtube.com/watch?v=4Wb0CGGhjE4#t=0"target="_blank" rel="noopener"&gt;palestra de ninguém menos que Alex Payne&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Alex Payne foi um dos engenheiros mais antigos do Twitter. Eu o conheço por causa de Scala e dos seus posts sobre NoSQL e outros assuntos de tecnologia. Além de programador e autor de livros, ele é um investidor experiente em startups.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A visão dele sobre startups é parecida com a minha. Recomendo assistir a palestra, que nasceu de um post no blog dele com o mesmo título deste artigo. Resolvi traduzir esse post para o português porque os brasileiros precisam ouvir mais o outro lado da moeda.&lt;/p&gt;</description><content:encoded><![CDATA[<p>Recentemente compartilhei um artigo <a href="https://www.facebook.com/akitaonrails/posts/10151953794484837?comment_id=27965547&amp;offset=0&amp;total_comments=3&amp;notif_t=share_comment"target="_blank" rel="noopener">criticando Lean Startup</a>, e isso já está virando um hobby. O grande <a href="https://www.facebook.com/alexandre.porcelli"target="_blank" rel="noopener">Alexandre Porcelli</a> compartilhou uma <a href="https://www.youtube.com/watch?v=4Wb0CGGhjE4#t=0"target="_blank" rel="noopener">palestra de ninguém menos que Alex Payne</a>.</p>
<p>Alex Payne foi um dos engenheiros mais antigos do Twitter. Eu o conheço por causa de Scala e dos seus posts sobre NoSQL e outros assuntos de tecnologia. Além de programador e autor de livros, ele é um investidor experiente em startups.</p>
<p>A visão dele sobre startups é parecida com a minha. Recomendo assistir a palestra, que nasceu de um post no blog dele com o mesmo título deste artigo. Resolvi traduzir esse post para o português porque os brasileiros precisam ouvir mais o outro lado da moeda.</p>
<p>A partir daqui seguem as palavras do Alex:</p>
<p><em>Eu regularmente recebo e-mails de jovens, normalmente daqueles com interesse em programação, que estão tentando tomar decisões sobre escola e/ou seus futuros profissionais. Este post é para esses jovens.</em></p>
<p>Se você está no fim da juventude, início dos 20 anos, você cresceu num mundo que idealizou startups, seus fundadores, e as pessoas que vão trabalhar nelas.</p>
<p>Se estiver na escola, talvez você tenha sentido a pressão ou tenha sido <a href="http://www.thielfellowship.org/"target="_blank" rel="noopener">incentivado a largar</a> e se juntar ou começar sua própria empresa. Se já estiver fora no mundo de trabalho, talvez sinta que seu trabalho de não-startup é de alguma forma inadequado, ou que você está perdendo experiência valiosa e potencial riqueza.</p>
<p>A geração em que você cresceu tem, nos últimos anos recentes, oscilado à beira de ficar &ldquo;perdido&rdquo;. Empregos são escassos, entrar numa universidade não oferece nenhuma garantia de emprego. Grandes, velhas corporações não são mais garantia de porto seguro para construir uma carreira. Startups aparentam, através da lente da mídia, como o único sinal de vida num mundo morrendo. Eu entendo o apelo.</p>
<p>O passado de cada um é diferente, e suas escolhas são apenas suas. Isso dito, você não está tomando decisões em um vácuo. Aqui vão algumas coisas para considerar que, em minha experiência, você tem menos chances de ouvir a respeito se estiver trabalhando em startups.</p>
<h2>Uma startup é somente um meio para um fim.<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="uma-startup-é-somente-um-meio-para-um-fim"></span>
    <a href="#uma-startup-%c3%a9-somente-um-meio-para-um-fim" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Recentemente entrevistei um jovem rapaz. Eu lhe perguntei onde se via daqui quatro anos. &ldquo;Dirigindo minha própria empresa,&rdquo; ele disse sem hesitar. Eu lhe perguntei porque. &ldquo;Por que empreendedorismo está no meu sangue,&rdquo; ele respondeu. Não havia nenhuma menção sobre o que sua empresa hipotética faria, que problemas ele resolveria para as pessoas. Seu objetivo era uma empresa apenas por ter uma empresa. Foi para isso que ele estudou, afinal.</p>
<p>As pessoas se satisfazem em seus trabalhos quando operam com um senso de propósito. Então muito do nosso entendimento da psicologia do sucesso gira em torno de objetivos e manter esses objetivos no topo da mente: visualizando o momento da conquista, rastreando o progresso, tendo outros nos cobrando para atingí-los. Objetivos dão forma a nossos futuros individuais.</p>
<p>Talvez uma startup seja o melhor jeito de atingir esse objetivo, e talvez não seja. Se o objetivo do jovem rapaz descrito acima é ter um negócio - qualquer negócio! - então talvez uma startup seja de fato o melhor caminho. Para outros, no entanto, eu sempre me pergunto se eles estão adequando seus objetivos no formato de uma startup porque essa é a aproximação mais aplaudida, admirada, e facilmente entendida (se não facilmente atingida).</p>
<p>Talvez o melhor jeito de atingir seu objetivo seja iniciando uma organização sem fins lucrativos ou entrando na política. Talvez seja fazendo pesquisa numa universidade ou fazendo arte. Talvez a resposta seja se juntar a uma empresa grande, estável com formidáveis recursos para que você possa tirar proveito para atingir seu objetivo. Talvez seu objetivo seja melhor atingido construindo uma carreira estável, sem pressão, que deixe tempo suficiente para sua família, amigos, comunidade e auto-aperfeiçoamento.</p>
<p>Uma startup é somente um meio para um fim. Considere o fim, e procure não festejar com os meios. Com o que você se importa? Quem você quer ajudar? Uma startup facilita ou dificulta atingir esse objetivo? Onde isso vai levá-lo quando seu objetivo for atingido? Onde isso vai te deixar se não atingir?</p>
<h2>Um emprego numa startup é o novo emprego de escritório. Cultura de Startup é a nova cultura corporativa.<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="um-emprego-numa-startup-é-o-novo-emprego-de-escritório-cultura-de-startup-é-a-nova-cultura-corporativa"></span>
    <a href="#um-emprego-numa-startup-%c3%a9-o-novo-emprego-de-escrit%c3%b3rio-cultura-de-startup-%c3%a9-a-nova-cultura-corporativa" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Startups são retratadas como sendo excitantes, arriscadas, e mesmo alternativas subversivas ao tradicional emprego corporativo. Startups são vistas como mais livres, mais abertas, mais flexíveis. Algumas empresas de fato começam assim, mas algumas entrevistas em startups em estágio avançado torna claro quão rápido elas se ossificam em estruturas que se parecem com as organizações que vieram antes delas.</p>
<p>Da mesma forma como foi na primeira bolha da ponto com, atualmente existe uma proliferação de <a href="http://www.businessweek.com/small-business/startup-rates-surge-in-the-us-and-abroad-01202012.html"target="_blank" rel="noopener">startups</a>, <a href="http://www.xconomy.com/national/2011/08/12/theres-an-incubator-bubble-and-it-will-pop/?single_page=true"target="_blank" rel="noopener">incubadoras</a>, <a href="http://www.businessweek.com/articles/2013-03-14/waiting-for-the-accelerator-bubble-to-pop"target="_blank" rel="noopener">aceleradoras</a>, <a href="http://navfund.com/blog/the-angel-bubble-or-why-i-would-rather-be-a-vc"target="_blank" rel="noopener">investidores anjo</a>, e assim por diante. Para a &ldquo;comunidade startup&rdquo; conseguir se replicar, no estilo nanobot, as mecânicas de &ldquo;fazer uma startup&rdquo; tem sido reduzidas para uma sequência facilmente transportável de ações acompanhadas de um conjunto compartilhado de valores, normas e linguagem. Como consequência, a cultura da maioria das startups é uniforme, até no estilo de vestimenta e enfeites que ajudam os &ldquo;caras de startup&rdquo; - e na maioria das vezes são mesmo &ldquo;os&rdquo; caras - a ficar com seu rebanho (para não serem <a href="http://www.vanityfair.com/culture/2013/05/silicon-valley-cougar-nights-love"target="_blank" rel="noopener">apanhados por pumas</a>).</p>
<p>Formados de escolas de negócios como o jovem rapaz que eu entrevistei estão indo <a href="http://www.businessweek.com/articles/2013-03-26/college-startups-the-new-masters-degree"target="_blank" rel="noopener">diretamente da universidade para startups</a>, e isso se chegam a terminar a escola. Formados em negócios, tradicionalmente avessos a riscos, agora dizem que não querem trabalhar para as grandes empresas. Mas startups são as novas grandes empresas. Elas são, como vou descrever mais abaixo, os campos de escritórios de uma força de trabalho distribuída agregados por venture capitalistas e suas instituições associadas.</p>
<p>Não existe nada inerentemente errado com um emprego de escritório. Apenas entenda no que está se juntando. Quando os barris de cerveja fornecidos pela empresa secam, quando os lanches de graça estão tornando você gordo, e jogar Xbox na sala de relaxamento não é mais tão divertido, e aí? Quando você descobrir que agora se reporta a um gerente médio politiqueiro e não o CEO inspirador que o entrevistou, ainda vai querer estar lá? É um ambiente com brinquedos e novidades o suficiente para sustentá-lo? Quando todos os lugares que você considera trabalhar se parecem mais ou menos os mesmos, até quando vai a novidade?</p>
<p>As Startups foram sistematizadas, mitologizadas, culturalmente e socialmente tiveram seus riscos retirados; reduzidos a fórmulas e receitas. E ainda assim, não existe uma fórmula sustentável para criatividade e rebelião. Quando tentamos industrializar a inovação nós arrancamos exatamente o que estamos tentando cultivar: a <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Creative_destruction"target="_blank" rel="noopener">destruição criativa</a> que mantém o fogo do capitalismo.</p>
<h2>Startups são parte do sistema, não uma chave rebelde nas engrenagens.<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="startups-são-parte-do-sistema-não-uma-chave-rebelde-nas-engrenagens"></span>
    <a href="#startups-s%c3%a3o-parte-do-sistema-n%c3%a3o-uma-chave-rebelde-nas-engrenagens" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>O funding para startups - ou seja, o dinheiro que paga seus salários - vem de algum lugar. Indivíduos ricos e instituições investem em startups como qualquer outra <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Asset_classes"target="_blank" rel="noopener">classe de ativos</a>. O futurista Bruce Sterling recentemente <a href="http://nextberlin.eu/2013/04/bruce-sterling-fantasy-prototypes-and-real-disruption/"target="_blank" rel="noopener">brincou</a> que &ldquo;startups estão cheios de jovens trabalhando duro para tornar outras pessoas ricas - financistas Baby Boomers, principalmente&rdquo;. Mesmo isso podendo ser uma afirmação generalista e cínica, de jeito nenhum é uma inverdade.</p>
<p>Em traços largos e excluindo áreas como biotecnologia, venture-backed startups são uma máquina onde relativamente pequenas quantidades de capital são inseridos de um lado e, idealmente, um monte sai do outro lado. (Na realidade essa máquina <a href="http://www.forbes.com/sites/timworstall/2013/02/22/venture-capital-returns-are-beaten-by-nasdaq-sp-and-djia/"target="_blank" rel="noopener">parece não funcionar mais</a>, embora a efetividade do VC como uma classe de ativos e os próprios VCs esteja <a href="http://www.bothsidesofthetable.com/2013/05/25/as-populist-as-it-may-feel-98-of-vcs-arent-dumb/"target="_blank" rel="noopener">aberta a discussão</a>). O ponto saliente: o que está no meio da máquina é você. <em>Você</em> faz ele andar.</p>
<p>A máquina não se interessa por você. De fato, a máquina é desenhada com o entendimento de que a maioria das startups vai falhar, ou no máximo oferecer retornos medíocres aos investidores. A maioria das empresas em muitos portfolios de VCs são reconhecidas como espantalhos. Uma ou duas empresas &ldquo;10x&rdquo; é que valorizam o portfolio. No melhor dos casos, fundadores de startups que falham recebem outro empurrão na máquina caça-níquel. No pior dos casos, suas falhas os <a href="http://www.businessinsider.com/jody-sherman-ecomom-2013-4?op=1"target="_blank" rel="noopener">levam ao desespero</a>.</p>
<p>Não existe nada inerentemente disruptivo numa venture-backed startup. O sistema de startup é somente mais um sistema; uma alternativa à escada corporativa mas com tantos degraus quanto. Algumas startups podem acabar dramaticamente reformulando o mercado, mas assim como qualquer outro operador já no jogo ou regulador ativo.</p>
<p>A agora perene celebração de disrupção dirigida por startups levantam a pergunta: se aceitarmos que disrupção está de fato acontecendo, estamos melhor no mercado disruptivo resultante? Resolvemos um problema, ou apenas mudamos o problema de posição? Criamos valor enquanto aumentamos a justiça e igualdade, criando mudança positiva que vai durar? Ou somente criamos um grupo de pessoas ricas um pouco mais ricas ao custo de outro grupo de pessoas ricas? Estamos criando um futuro melhor ou somente embaralhando o presente?</p>
<h2>Startups tem um custo interpessoal em andamento.<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="startups-tem-um-custo-interpessoal-em-andamento"></span>
    <a href="#startups-tem-um-custo-interpessoal-em-andamento" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Nenhuma história de uma startup está completa sem uma cena ou duas de heróis machos: noites gastas programando até a exaustão, semanas longe de casa tentando levantar dinheiro em pitch humilhante atrás de pitch humilhante. Startups apelam a um desejo de ousadia que está perdida em muitas formas de trabalho moderno, e ouvimos histórias das recompensas esperando quando vidas pessoais são sacrificadas no altar do cronograma de lançamento.</p>
<p>Menos frequentemente ouvimos sobre os danos que startups fazem à vida das pessoas. Em casos extremos, como com o empreendedor cuja história de fracasso e suicídio está ligado acima, a &ldquo;comunidade&rdquo; pode tirar um dia ou dois para refletir e lamentar em blogs e tweets. Então estão de volta à &ldquo;moeção&rdquo;, e mais importante, fazer um show público de quão duro você está trabalhando para satisfazer os investidores e a intimidadora concorrência.</p>
<p>Eu vi em primeira mão os danos que startups podem fazer a relacionamentos. Eu vi casamentos e amizades destruídas, vi crianças e parceiros sendo colocados de lado, e falhei com aqueles na minha vida de todas as maneiras quando o trabalho veio à frente. Eu ouvia enquanto as pessoas que são o retrato de uma startup de sucesso - visíveis na imprensa e mídia social, liderando conferências, eternamente fundando e saindo - confidenciando sua total solidão a despeito de aparentemente ser o centro social da comunidade empreendedora.</p>
<p>Quando você é jovem, relacionamentos parecem um recurso renovável. Amizades existem aos montes e vem de forma fácil. Acabando de sair de casa e para o mundo, você está ansioso para escapar da presença constante da família. Ser puxado para o trabalho o faz se sentir importante, independente, um adulto. O trabalho por si fornece uma nova comunidade e novas amizades, e as ligações formadas durante intenso trabalho colaborativo são fortes.</p>
<p>Eu fiz muitos amigos através do trabalho em empresas em fase inicial. Ironicamente, esses relacionamentos são mais fáceis de manter e aproveitar quando não estou trabalhando numa startup.</p>
<h2>Pensamentos de Partida.<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="pensamentos-de-partida"></span>
    <a href="#pensamentos-de-partida" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Eu trabalhei em startups por metade da minha vida já. Esse trabalho me trouxe liberdade financeira, e eu coloquei dinheiro que ganhei numa startup em outras startups. Se existe, como eu argumentei acima, um moderno &ldquo;sistema de startups&rdquo;, eu sou parte disso.</p>
<p>Não vou me equivocar: eu sou profundamente cético com esse sistema. Sou cético quanto à escravidão desse sistema, fetichização autocongratulatória de &ldquo;disrupção&rdquo; e ao mesmo tempo se tornando tão obviamente o tipo de instituição impassível que quer substituir. Sou cético quanto à visão de curto-prazo da comunidade de startup. E sou particularmente cético pelo seu desprezo quanto às vidas das pessoas que participam e a vida daqueles que vivem no mundo que as startups procuram reformular. Não vamos nem começar a discutir o <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Collusion"target="_blank" rel="noopener">conluio</a>, <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Price_fixing"target="_blank" rel="noopener">cartelização</a> e outras atividades de corrupção de mercado que são tão comuns no mundo dos VCs. O ponto sendo: é um jogo ruim, e um jogo de fraude.</p>
<p>E mesmo assim. Existem startups que eu não gostaria de ver desaparecer. Existem pessoas trabalhando e fundando essas startups que são boas, gentis, com vidas pessoais e profissionais equilibradas, preocupadas com o impacto dos seus trabalhos. Da mesma forma como jogamos calúnias e acusações de corrupção em outros sistemas como política, mídia de massa, entretenimento e esportes profissionais, também devemos admirar aqueles que operam de forma ética e eficiente neles. Devemos ainda mais celebrar aqueles que são pioneiros em sistemas novos e alternativos, pois eles trabalham nas sombras da comunidade que tem uma mão constante na manivela da máquina publicitária.</p>
<p>Agora, você poderia dizer que estou jogando muita responsabilidade aos pés do mundo de startups. Embora esse sistema espalhe todos os dias sobre ele mesmo como o salvador de tudo, do capitalismo à cultura, claro que podemos aceitar que negócios são negócios e ideais são melhores deixados em casa. Como um VC de uma empresa de topo de Sand Hill Road me disse durante um pitch muitos anos atrás quando descrevia uma funcionalidade conceitual no <a href="http://www.simple.com/"target="_blank" rel="noopener">Simple</a> que facilitaria aos usuários doar mais facilmente e regularmente uma porção das suas economias para a caridade, &ldquo;não vamos desperdiçar tempo nessa coisa, estamos aqui para fazer dinheiro.&rdquo;</p>
<p>Você poderia aguentar essa conduta, mas eu espero que seu idealismo não tenha sido desgastado quando ainda tão jovem. Eu espero que você queira que seu trabalho tenha significado, propósito, e valor não importa que forma esse trabalho tenha. Mais do que isso, eu espero que você queira que sua vida seja definida por mais do que seu trabalho.</p>
<p>Jovem programador, eu insisto que você considere ambos os lados da moeda da startup. Existem tantas formas de deixar uma marca no mundo.</p>
<h2>Uma Nota quanto ao Feedback<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="uma-nota-quanto-ao-feedback"></span>
    <a href="#uma-nota-quanto-ao-feedback" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Se você é parte do público alvo deste post, adoraria ouvir seu feedback e responder suas perguntas, preferencialmente por e-mail. Meu endereço é fácil de encontrar <a href="https://al3x.net/2013/05/23/letter-to-a-young-programmer.html"target="_blank" rel="noopener">neste site</a>.</p>
<p>Se você <strong>não</strong> é parte do público alvo e está <strong>muito muito bravo</strong> que um estranho na Internet tem uma opinião diferente da sua, eu o encorajo a direcionar sua energia em um argumento alternativo que alguém jovem (ou, realmente, qualquer pessoa num ponto de transição de carreira) poderia se beneficiar lendo. Eles são seus futuros funcionários, colegas de trabalho ou fundadores. São eles que você precisa convencer, não eu.</p>
<p>— 23 de Maio de 2013</p>
]]></content:encoded><category>startups</category><category>carreira</category><category>negocios</category><category>off-topic</category></item><item><title>[Off-Topic] Zona de conforto: sair às ruas não é a única solução</title><link>https://akitaonrails.github.io/2013/07/23/off-topic-zona-de-conforto-sair-as-ruas-nao-e-a-unica-solucao/</link><guid isPermaLink="true">https://akitaonrails.github.io/2013/07/23/off-topic-zona-de-conforto-sair-as-ruas-nao-e-a-unica-solucao/</guid><pubDate>Tue, 23 Jul 2013 14:20:00 -0300</pubDate><description>&lt;p&gt;Publicado pela 1a vez em &lt;a href="http://web.archive.org/web/20150404181526/http://startupi.com.br/2013/07/zona-de-conforto-sair-as-ruas-nao-e-a-unica-solucao/"target="_blank" rel="noopener"&gt;2013-07-23T09:17:20+00:00&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Sair às ruas não é a única solução.&lt;/p&gt;
&lt;blockquote&gt;“Nunca na história do mundo ninguém nunca alcançou nada de bom e valioso por meio de orações e súplicas” – J.P. Morgan&lt;/blockquote&gt;
&lt;p&gt;&lt;img src="https://akitaonrails.s3.amazonaws.com/assets/image_asset/image/509/34strikebloody-thursday-fighting.jpg" alt="" loading="lazy" /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Não quero julgar nem analisar os movimentos #vemprarua que tomaram as ruas do país neste passado recente. É um emaranhado que deixo para cientistas políticos e historiadores desembaraçarem. Quero elaborar sobre um pensamento que deriva desse tipo de movimento e aparece no nosso dia a dia: a &lt;em&gt;“reivindicação”&lt;/em&gt;, o ato de &lt;em&gt;“reclamar, exigir”&lt;/em&gt;.&lt;/p&gt;</description><content:encoded><![CDATA[<p>Publicado pela 1a vez em <a href="http://web.archive.org/web/20150404181526/http://startupi.com.br/2013/07/zona-de-conforto-sair-as-ruas-nao-e-a-unica-solucao/"target="_blank" rel="noopener">2013-07-23T09:17:20+00:00</a></p>
<p>Sair às ruas não é a única solução.</p>
<blockquote>“Nunca na história do mundo ninguém nunca alcançou nada de bom e valioso por meio de orações e súplicas” – J.P. Morgan</blockquote>
<p><img src="https://akitaonrails.s3.amazonaws.com/assets/image_asset/image/509/34strikebloody-thursday-fighting.jpg" alt=""  loading="lazy" /></p>
<p>Não quero julgar nem analisar os movimentos #vemprarua que tomaram as ruas do país neste passado recente. É um emaranhado que deixo para cientistas políticos e historiadores desembaraçarem. Quero elaborar sobre um pensamento que deriva desse tipo de movimento e aparece no nosso dia a dia: a <em>“reivindicação”</em>, o ato de <em>“reclamar, exigir”</em>.</p>
<p>É muito comum esta nova geração cair no erro de achar que reivindicar é a melhor solução para os problemas. Estão errados. Fora os casos extremos, essa é sempre a pior solução possível. No cotidiano do homem comum, reivindicar é só a declaração da própria incompetência.</p>
<p>Vamos considerar nosso mercado de tecnologia no geral:</p>
<ul>
<li>Reivindicar melhores condições de trabalho: ninguém mais trabalha em fábricas sujas, esfumaçadas, junto com ratos e esgoto. Ora, ninguém sequer trabalha 8 horas por dia sem parar, no máximo 4 horas esticadas em 8.</li>
<li>Reivindicar melhores salários: é um livre mercado, com dezenas de empresas de tecnologia de todos os tamanhos e categorias. A mobilidade é simples. Claro, só consegue se mover de uma empresa para outra ganhando mais quem tem capacidade para isso. Quem fica no mesmo lugar, descontente, e só sabe “demandar” para ganhar mais já demonstra seu baixo caráter.</li>
<li>Reivindicar investimentos: parece que os ‘empreendedores’ de startups hoje viram apenas ‘mendigos profissionais’, convencidos de que só dá para ir pra frente quando um investidor lhes der dinheiro.</li>
</ul>
<p><img src="https://akitaonrails.s3.amazonaws.com/assets/image_asset/image/508/10.jpg" alt=""  loading="lazy" /></p>
<p>O pensamento de “reivindicar” leva ao outro pensamento, o do “reclamador barato”, aquele que joga a culpa em todos menos nele mesmo.</p>
<ul>
<li>“O que estão pedindo é impossível de fazer nesse tempo e custo.” O pensamento por trás: “não consigo imaginar uma maneira, portanto deve ser impossível.”</li>
<li>“Os usuários do produto são burros, o problema não está no produto.” O pensamento: “se fui eu que fiz, só pode ser bom; se estão reclamando, os burros são eles.”</li>
<li>“O mercado é injusto: eu manjo mais e ganho menos do que deveria.” O pensamento: “sei que manjo muito, por que não me pagam o quanto eu quero?”</li>
<li>“Só me criticam, e o outro que também não fez?” Ninguém gosta de ser criticado, mas sem crítica não há avanço. Pior ainda quando a primeira reação diante da crítica é comparar com o erro do outro ou justificar jogando a culpa nos demais. Esse perfil jamais vai longe. Elogio não contribui para a evolução de ninguém, ainda mais elogio barato.</li>
</ul>
<p>A Geração “Me me me” é a mais sensível que eu já vi. Deveria se chamar “Geração Porcelana”, porque quebra fácil demais.</p>
<p>Na Revolução Industrial as pessoas eram literalmente duras como ferro. Não havia opção: muitas morriam nas fábricas, e o conceito de “condições de trabalho” nem existia. Na era da agricultura, trabalhavam de sol a sol, ganhando muito pouco e carregando toneladas nas costas.</p>
<p>Agora esta era digital tem uma resistência estereotipicamente Emo (nada a ver com a origem do hardcore punk): riscou a unha, já entra em desespero. A adolescência está sendo esticada, e a fase adulta só se manifesta depois dos 30 (antigamente, aos 16 já era boa idade para assumir uma posição adulta).</p>
<p>Isso até deveria ser bom, porque significa que elevamos o conforto a um patamar jamais visto em milênios de história humana. Mas veio um efeito colateral: a nova geração cresceu sem entender a dificuldade de chegar até aqui.</p>
<p>Tudo isso pode levar à pergunta: “quer dizer que devo engolir tudo de que não gosto?”. De jeito nenhum. E aqui entra um gancho com meu artigo anterior <a href="http://www.akitaonrails.com/2013/04/01/off-topic-restricoes-sao-libertadoras-menos-e-mais"target="_blank" rel="noopener">“Restrições são Libertadoras: menos é mais”</a>.</p>
<p>Assuma sempre esta premissa: ninguém vai te dar o que você quer ou precisa, muito menos além disso. Se você não conquistou, não merece o que está pedindo, e ninguém tem obrigação nem de ouvir o que você tem a dizer. Cabe a você, e só a você, resolver o próprio problema, com o próprio suor e as próprias lágrimas.</p>
<p>Para mim, a diferença entre uma criança e um adulto é simples: o adulto resolve os próprios problemas com as próprias mãos e nunca espera que resolvam de graça para ele. E “resolver” quer dizer resolver de verdade, sem jogar a culpa nos outros, sem demandar ou exigir, sem esconder o problema debaixo do tapete.</p>
<p><img src="https://akitaonrails.s3.amazonaws.com/assets/image_asset/image/507/340857.jpg" alt=""  loading="lazy" /></p>
<p>E quando o problema parece “impossível” é que aparece a melhor oportunidade de inovar. Inovação nasce justamente de uma situação impossível. Uma coisa é impossível quando não dá para realizá-la com o que sabemos até hoje. Só dá para resolvê-la por um caminho diferente, um caminho que ainda ninguém conhece.</p>
<p>Os adolescentes que se formam hoje nas faculdades veem essa moda das “Startups” e querem ser “empreendedores”. Tudo o que aprendem a fazer é montar PowerPoints para Demo Days. Acreditam que a “formação” (que é pouca, não importa o MBA ou PhD) e a “ideia” bastam para se intitular “empreendedor”. É pouco, extremamente pouco.</p>
<p>“Empreendedor” que assume baixo risco e baixo sacrifício é só um funcionário médio com nome pomposo. Uma “ideia” e um possível investimento resolvem muito pouco.</p>
<p>Primeiro trabalhe numa indústria de verdade para aprender como ela funciona e, quem sabe, achar uma solução que ninguém tentou. Porque essa é outra verdade: qualquer ideia que você tenha, provavelmente alguém já teve antes e já tentou de várias formas. As chances de você ter uma ideia inédita são baixas.</p>
<p>Só quando você cai numa situação impossível, em que já se tentou de tudo, é que aparece a chance de tentar algo novo e talvez inovador. Ao tentar resolvê-la, você pode acabar encontrando uma solução que já existia e descobrir que o seu “impossível” era só desconhecimento do que já se sabia. Aí é pular para o próximo problema.</p>


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<p>Estava assistindo à série do History Channel <a href="http://web.archive.org/web/20130717090520/http://www.seuhistory.com/programas/gigantes-da-industria.html"target="_blank" rel="noopener">“Gigantes da Indústria”</a>, que mostra, de forma romanceada, parte da história de como os Estados Unidos conquistaram e mereceram o posto de maior potência econômica do mundo. A história começa como a nossa: ninguém lhes deu nada, tudo teve que ser conquistado. Ela traz alguns bons exemplos que gosto de citar.</p>
<ul>
<li>Era impossível transportar mercadorias pelo país inteiro somente a cavalo ou mesmo a navio; cada vez mais foi preciso achar maneiras de encurtar esse tempo. Foram as ferrovias de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Cornelius_Vanderbilt"target="_blank" rel="noopener">Vanderbilt</a> que ligaram todos os estados do país.</li>
<li>Era impossível ter uma corporação tão grande e massiva como a <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Standard_Oil"target="_blank" rel="noopener">Standard Oil</a> foi no passado, mas Rockefeller inovou o que hoje conhecemos como estruturas corporativas, muitas de suas práticas depois consideradas ilegais. Se você já encheu o tanque num posto Esso aqui no Brasil, vale lembrar onde tudo começou.</li>
<li>Era impossível atravessar o grande Rio Mississipi com uma ponte de ferro. Ligar o Leste e o Oeste do país parecia impossível. Foi preciso um Andrew Carnegie executar a ideia de uma indústria de aço acessível em larga escala para resolver esse problema. Formou-se a <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Carnegie_Steel_Company"target="_blank" rel="noopener">Carnegie Steel</a>, que depois se tornaria a US Steel.</li>
<li>Era impossível ter eletricidade distribuída em todas as casas do país. Foi preciso literalmente o <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/War_of_Currents"target="_blank" rel="noopener">“sangue”</a> de gênios como Edison, Tesla, Westinghouse e Morgan para atingir esse objetivo. Hoje nem pensamos nisso, porque todo mundo assume que eletricidade é algo “natural”. Não era.</li>
<li>Era impossível melhorar as condições brutais de trabalho nas fábricas e ao mesmo tempo ter produtividade. <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Henry_Ford"target="_blank" rel="noopener">Henry Ford</a> mudou esse conceito com o refinamento da sua linha de produção. Aliás, lembrem que o modelo que o tornou famoso foi o Ford Modelo T; para chegar ao “T”, ele começou no modelo “A”.</li>
</ul>
<p>Esses e outros <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Self-Made_Men"target="_blank" rel="noopener">“self-made men”</a> mudaram o mundo de um jeito só: resolvendo um problema de cada vez, sem reivindicar, reclamar ou exigir. E quanto mais “impossível” era o problema, mais “revolucionária” era a solução. É assim que se formam grandes empreendedores: resolvendo os próprios problemas com as próprias mãos.</p>
<p>A frase de abertura do artigo resume seu conteúdo, e a próxima o define:</p>
<blockquote>“Visão sem execução é alucinação” – Thomas Edison</blockquote>
]]></content:encoded><category>carreira</category><category>startups</category><category>mercado-de-tecnologia</category><category>off-topic</category></item><item><title>[Off-Topic] A maioria disse que usaria meu produto. Vai dar certo? Não!</title><link>https://akitaonrails.github.io/2013/03/11/off-topic-a-maioria-disse-que-usaria-meu-produto-vai-dar-certo-nao/</link><guid isPermaLink="true">https://akitaonrails.github.io/2013/03/11/off-topic-a-maioria-disse-que-usaria-meu-produto-vai-dar-certo-nao/</guid><pubDate>Mon, 11 Mar 2013 06:39:00 -0300</pubDate><description>&lt;p&gt;Publicado pela 1a vez em &lt;a href="http://web.archive.org/web/20140928140600/http://startupi.com.br/2013/03/a-maioria-disse-que-usaria-meu-produto-vai-dar-certo-nao/"target="_blank" rel="noopener"&gt;2013-03-13T14:06:39+00:00&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&amp;ldquo;Estamos montando um excelente novo produto que vai resolver seus problemas, você usaria esse produto?&amp;rdquo;, diz a pesquisa de validação de uma nova startup. Resultado: 70% das 1.000 pessoas que responderam disseram sim. A conclusão é clara, então: o produto é válido e não tem como dar errado, certo?&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Errado. Esses valores não querem dizer nada. Sozinhos, não têm validade e não sustentam conclusão alguma. &amp;ldquo;Mas são 1.000 pessoas! Como você pode dizer isso?&amp;rdquo; Este artigo não pretende ser estatisticamente rigoroso, só apontar alguns dos muitos pontos onde quase todo mundo erra ao fazer pesquisa hoje em dia.&lt;/p&gt;</description><content:encoded><![CDATA[<p>Publicado pela 1a vez em <a href="http://web.archive.org/web/20140928140600/http://startupi.com.br/2013/03/a-maioria-disse-que-usaria-meu-produto-vai-dar-certo-nao/"target="_blank" rel="noopener">2013-03-13T14:06:39+00:00</a></p>
<p>&ldquo;Estamos montando um excelente novo produto que vai resolver seus problemas, você usaria esse produto?&rdquo;, diz a pesquisa de validação de uma nova startup. Resultado: 70% das 1.000 pessoas que responderam disseram sim. A conclusão é clara, então: o produto é válido e não tem como dar errado, certo?</p>
<p>Errado. Esses valores não querem dizer nada. Sozinhos, não têm validade e não sustentam conclusão alguma. &ldquo;Mas são 1.000 pessoas! Como você pode dizer isso?&rdquo; Este artigo não pretende ser estatisticamente rigoroso, só apontar alguns dos muitos pontos onde quase todo mundo erra ao fazer pesquisa hoje em dia.</p>
<p>Primeiro de tudo, qual é o público-alvo do seu produto? Digamos que seja a população do interior dos estados do Sul, classes C e D, de 50 a 60 anos, com pouca experiência de informática. Agora imagine que a pergunta acima fez parte de uma pesquisa online, compartilhada pelo Facebook e pelo Twitter.</p>
<p>Quem respondeu? Com certeza muita gente das classes A até C, concentrada nas capitais do Sudeste, entre 16 e 25 anos, que usa computador todo dia. Você fez a pergunta errada para as pessoas erradas.</p>
<p>Para efeito do exemplo, digamos que você teve o cuidado de escolher a população certa e evitou o que se conhece como &ldquo;Biased Sampling&rdquo;. Mesmo assim, a pergunta continua ruim, e deveria ser óbvio por quê. É o que se chama de &ldquo;Loaded Question&rdquo;: a formulação já empurra o entrevistado para um tipo de resposta.</p>
<p>Para começar, ela parte da premissa de que o produto é &ldquo;excelente&rdquo; e de que &ldquo;vai resolver&rdquo; os problemas do sujeito. Uma forma menos carregada seria: &ldquo;Estamos montando um produto com as funcionalidades X; supondo que você tenha os problemas Y, acha que isso ajudaria a resolvê-los?&rdquo;</p>
<p>Existem várias técnicas para fugir de premissas infundadas, como explicar direito a proposição de valor em vez de encher a pergunta de retórica. É muito fácil montar uma pergunta falaciosa que puxa uma resposta falsa.</p>
<p>Pior ainda é pegar essas 1.000 pessoas, separar os 700 que disseram &ldquo;sim&rdquo; à pergunta viciada feita ao público errado e começar a tirar conclusões dali. &ldquo;Ah, notamos que, desses 700, metade tem cartão de crédito, compra pela internet pelo menos uma vez por mês e diz que compartilharia o serviço com ao menos 2 amigos nas redes sociais.&rdquo; E fica pior ainda quando justamente os que disseram &ldquo;não&rdquo; são o público mais próximo do alvo que você quer atingir.</p>
<p>Consultei também Ricardo Couto* que explicou a questão. &ldquo;Conhecer o entrevistado, seus hábitos e motivações é muito mais valioso para o negócio do que ter um alto percentual de respostas favoráveis sobre o produto ou serviço em um questionário online. A propósito, chamar de pesquisa um formulário feito em 5 minutos no Google Docs ou SurveyMonkey é, no mínimo, ingenuidade. O que se tem lá é um questionário. Questionários podem ser úteis se bem usados. Mas, em geral, são apenas conjuntos de perguntas em torno de um assunto. Uma pesquisa pode até fazer uso dessa ferramenta mas nem todo questionário é pesquisa&rdquo;.</p>
<p>Estatística, probabilidade e pesquisa em geral são trabalho de profissionais que dominam esse campo. Não é assunto trivial nem coisa para se tratar de qualquer jeito. Este exemplo é só uma das muitas maneiras de se enganar com números.</p>
<p>Mark Twain popularizou a frase &ldquo;Existem 3 tipos de mentiras: mentiras, malditas mentiras e estatísticas&rdquo;. O tema já foi tão discutido e rebatido que rendeu um livro famoso de 1954, de <a href="https://www.amazon.com/How-Lie-Statistics-Darrell-Huff/dp/0393310728"target="_blank" rel="noopener">Darrell Huff</a>, &ldquo;Como mentir com estatísticas&rdquo;, que cataloga os erros intencionais e não-intencionais na interpretação de estatísticas.</p>
<p>Ricardo também complementou dizendo: &ldquo;Se pensarmos em um questionário online como ferramenta séria para pesquisa, primeiro há de se saber como se faz pesquisa. Tenho muitas dúvidas se as pessoas que dizem que &ldquo;estão fazendo&rdquo; uma pesquisa e te mandam um link para um questionário tenham levado em conta o <a href="https://revista.fumec.br/index.php/facesp/article/view/1136"target="_blank" rel="noopener">efeito de ordem</a>, <a href="http://web.archive.org/web/20130830060826/http://www2.pucpr.br:80/reol/index.php/PA?dd1=188&amp;dd99=view"target="_blank" rel="noopener">efeito do observador</a> ou evitaram perguntas tendenciosas – fatores bem conhecidos por quem faz pesquisa de verdade. E olha que nem comentei sobre a validade estatística, que só se consegue aplicando métodos estatísticos (percentual simples não é <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Estat%C3%ADstica_descritiva"target="_blank" rel="noopener">estatística descritiva</a>, ok? há de se conhecer o que é <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Valor-p"target="_blank" rel="noopener">valor p</a>), ou mesmo da seleção dos respondentes adequados ao público-alvo que se pretende atingir. Ou será que eu quero como usuários, clientes ou consumidores apenas profissionais com a minha faixa etária, minha faixa de renda e meu comportamento de compra online e uso de redes sociais?&rdquo;</p>
<p>Então, da próxima vez que for criar conta em um daqueles dezenas de serviços online de pesquisa, veja se a ferramenta cumpre o mínimo de uma pesquisa bem feita e guia você pelos procedimentos corretos: definir o público, coletar, processar e analisar os dados com rigor. Sem isso, o que sobra na sua mão é um punhado de números opacos, sem significado nenhum e dos quais não se tira conclusão alguma.</p>
<blockquote>*Ricardo Couto é Consultor em Experiência do Usuário e Pesquisas, Mentor na Aceleratech, Presidente da Associação dos Designers de Interação SP (IxDA SP) e Membro da Sociedade Brasileira de Design da Informação. Estudou Psicologia Cognitiva (mestrado) na Universidade Federal de Pernambuco e especializações em Design da Informação, Docência do Ensino Superior e Tecnologia em Educação a Distância. Foi professor universitário em nível de graduação e pós-graduação por 7 anos.</blockquote>
]]></content:encoded><category>startups</category><category>negocios</category><category>ciencia</category><category>off-topic</category></item><item><title>Jornada Startup 2012</title><link>https://akitaonrails.github.io/2012/11/21/jornada-startup-2012/</link><guid isPermaLink="true">https://akitaonrails.github.io/2012/11/21/jornada-startup-2012/</guid><pubDate>Wed, 21 Nov 2012 10:45:00 -0200</pubDate><description>&lt;p&gt;Este ano tive a oportunidade de visitar 4 cidades fantásticas pelos EUA e Europa/Ásia. Tudo começou neste &lt;a href="http://akitaonrails.com/2012/08/29/getting-to-know-the-international-ruby-communities#.UKzPmqX6Qco"target="_blank" rel="noopener"&gt;primeiro post&lt;/a&gt;. Eram vários objetivos: conhecer pessoalmente essas cidades, já que nunca tinha estado lá antes, encontrar gente boa e empresas interessantes, e finalmente entender melhor esse mundo nascente das startups de tecnologia.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Escrevi sobre a viagem em 6 artigos, originalmente em português brasileiro. A jornada começa em setembro de 2012 e termina em outubro de 2012. Aqui estão os artigos:&lt;/p&gt;</description><content:encoded><![CDATA[<p>Este ano tive a oportunidade de visitar 4 cidades fantásticas pelos EUA e Europa/Ásia. Tudo começou neste <a href="http://akitaonrails.com/2012/08/29/getting-to-know-the-international-ruby-communities#.UKzPmqX6Qco"target="_blank" rel="noopener">primeiro post</a>. Eram vários objetivos: conhecer pessoalmente essas cidades, já que nunca tinha estado lá antes, encontrar gente boa e empresas interessantes, e finalmente entender melhor esse mundo nascente das startups de tecnologia.</p>
<p>Escrevi sobre a viagem em 6 artigos, originalmente em português brasileiro. A jornada começa em setembro de 2012 e termina em outubro de 2012. Aqui estão os artigos:</p>
<ul>
<li>
<p><a href="http://akitaonrails.com/2012/11/05/viagem-a-sao-francisco-parte-1-techcrunch-disrupt"target="_blank" rel="noopener">Viagem a São Francisco - Parte 1 - Techcrunch Disrupt</a></p>
</li>
<li>
<p><a href="http://akitaonrails.com/2012/11/05/viagem-a-sao-francisco-parte-2-visitando-empresas"target="_blank" rel="noopener">Viagem a São Francisco - Parte 2 - Visitando Empresas</a></p>
</li>
<li>
<p><a href="http://akitaonrails.com/2012/11/06/viagem-a-sao-francisco-parte-3-pessoas-e-turismo"target="_blank" rel="noopener">Viagem a São Francisco - Parte 3 - Pessoas e Turismo</a></p>
</li>
<li>
<p><a href="http://akitaonrails.com/2012/11/20/viagem-a-europa-parte-1-amsterda-holanda"target="_blank" rel="noopener">Viagem à Europa - Parte 1 - Amsterdã, Holanda</a></p>
</li>
<li>
<p><a href="http://akitaonrails.com/2012/11/20/viagem-a-europa-parte-2-berlim-alemanha"target="_blank" rel="noopener">Viagem à Europa - Parte 2 - Berlim, Alemanha</a></p>
</li>
<li>
<p><a href="http://akitaonrails.com/2012/11/21/viagem-a-europa-parte-3-tel-aviv-israel"target="_blank" rel="noopener">Viagem à Europa - Parte 3 - Tel-Aviv, Israel</a></p>
</li>
</ul>
<p>PS: Fiquei na dúvida se devia considerar Israel na &ldquo;Europa&rdquo;, parece que geograficamente é Ásia mas é <a href="http://wiki.answers.com/Q/Is_Israel_in_Europe"target="_blank" rel="noopener">considerado Europa</a> para fins esportivos :-)</p>
<p>Também postei centenas de fotos organizadas em álbuns no Facebook que você pode acessar aqui:</p>
<ul>
<li><a href="https://www.facebook.com/media/set/?set=a.10151226797134837.483084.616304836&amp;type=1&amp;l=7d6a1691fb"target="_blank" rel="noopener">San Francisco</a></li>
<li><a href="https://www.facebook.com/media/set/?set=a.10151247464494837.486183.616304836&amp;type=1&amp;l=fe4f806655"target="_blank" rel="noopener">Amsterdã</a></li>
<li><a href="https://www.facebook.com/media/set/?set=a.10151247807699837.486243.616304836&amp;type=1&amp;l=02c23c31be"target="_blank" rel="noopener">Berlim</a></li>
<li><a href="https://www.facebook.com/media/set/?set=a.10151248216549837.486300.616304836&amp;type=1&amp;l=be90adabb9"target="_blank" rel="noopener">Tel-Aviv/Jerusalém</a></li>
</ul>
<p>Por fim, documentei cada passo por lá pelo Instagram, dá pra ver tudo <a href="http://instagram.com/akitaonrails"target="_blank" rel="noopener">aqui</a></p>
<p>Aproveitem!</p>
]]></content:encoded><category>viagens</category><category>startups</category><category>negocios</category></item><item><title>Viagem à Europa (Parte 3) - Tel Aviv, Israel</title><link>https://akitaonrails.github.io/2012/11/21/viagem-a-europa-parte-3-tel-aviv-israel/</link><guid isPermaLink="true">https://akitaonrails.github.io/2012/11/21/viagem-a-europa-parte-3-tel-aviv-israel/</guid><pubDate>Wed, 21 Nov 2012 01:57:00 -0200</pubDate><description>&lt;p&gt;Como disse no final do meu &lt;a href="http://akitaonrails.com/2012/11/20/viagem-a-europa-parte-2-berlim-alemanha"target="_blank" rel="noopener"&gt;relato sobre Berlim&lt;/a&gt;, a Israel começaria bem antes, no aeroporto de Schönefeld quando estava indo fazer o check-in. Acontece que eles tem diversos agentes antes do check-in que escolhem algumas pessoas para entrevistar, extensivamente. Infelizmente eu fui um dos escolhidos. E não estamos falando de perguntas padrão do tipo &lt;em&gt;&amp;ldquo;Alguém além de você mexeu na sua mala?&amp;rdquo;&lt;/em&gt;. A agente quis saber porque eu estava em &lt;a href="http://akitaonrails.com/2012/11/20/viagem-a-europa-parte-2-berlim-alemanha"target="_blank" rel="noopener"&gt;Berlim&lt;/a&gt;, porque eu vim de &lt;a href="http://akitaonrails.com/2012/11/20/viagem-a-europa-parte-1-amsterda-holanda"target="_blank" rel="noopener"&gt;Amsterdã&lt;/a&gt;, quem eram as pessoas com quem falei, informações do hotel, tive que abrir meu notebook para mostrar meus emails, tweets, ela abriu o notebook dela pra checar se meu blog, o site da minha empresa realmente existiam. Acho que levou quase 1 hora nessa entrevista.&lt;/p&gt;</description><content:encoded><![CDATA[<p>Como disse no final do meu <a href="http://akitaonrails.com/2012/11/20/viagem-a-europa-parte-2-berlim-alemanha"target="_blank" rel="noopener">relato sobre Berlim</a>, a Israel começaria bem antes, no aeroporto de Schönefeld quando estava indo fazer o check-in. Acontece que eles tem diversos agentes antes do check-in que escolhem algumas pessoas para entrevistar, extensivamente. Infelizmente eu fui um dos escolhidos. E não estamos falando de perguntas padrão do tipo <em>&ldquo;Alguém além de você mexeu na sua mala?&rdquo;</em>. A agente quis saber porque eu estava em <a href="http://akitaonrails.com/2012/11/20/viagem-a-europa-parte-2-berlim-alemanha"target="_blank" rel="noopener">Berlim</a>, porque eu vim de <a href="http://akitaonrails.com/2012/11/20/viagem-a-europa-parte-1-amsterda-holanda"target="_blank" rel="noopener">Amsterdã</a>, quem eram as pessoas com quem falei, informações do hotel, tive que abrir meu notebook para mostrar meus emails, tweets, ela abriu o notebook dela pra checar se meu blog, o site da minha empresa realmente existiam. Acho que levou quase 1 hora nessa entrevista.</p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/224/IMG_2339.jpg" alt="Chegando em Ben Gurion"  loading="lazy" /></p>
<p>PS: eu estava em dúvida sobre considerar Israel na &ldquo;Europa&rdquo;, mas parece que ele é Ásia, mas <a href="http://wiki.answers.com/Q/Is_Israel_in_Europe"target="_blank" rel="noopener">considerado Europa</a> para fins de esportes por exemplo :-)</p>
<p>Depois disso você faz o check-in e passa pela inspeção padrão que todos já conhecem. Mas na área de embarque, antes de entrar no avião da El Al Israel Airlines, você passa por uma segunda inspeção das malas e detectores de metais manualmente por todo o corpo. Não tem como passar um alfinete sem eles verem! Considerando a <a href="http://edition.cnn.com/2012/11/20/opinion/elgindy-gaza/index.html?hpt=hp_c1"target="_blank" rel="noopener">situação em Gaza</a> ultimamente não dá para culpar o excesso de cuidado.</p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/225/IMG_2341.jpg" alt="Ben Gurion"  loading="lazy" /></p>
<p>Mas os obstáculos não acabam aqui. Dizem que o aeroporto Ben Gurion é considerado o mais seguro do mundo. Chegando lá dá para entender porque. Logo na imigração eu já fui novamente separado e tive que esperar uma meia hora uma sala. Acho que eles fazem algum tipo de checagem de antecedentes e tudo mais. Mas depois desse último obstáculo finalmente consegui entrar em Israel. A primeira impressão, apesar de tudo, é o de estar num lugar bem mais civilizado do que se poderia esperar. O aeroporto tem instalações de primeiro mundo.</p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/226/IMG_2343.jpg" alt="Espera por vistoria"  loading="lazy" /></p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/227/IMG_2345.JPG" alt="Entrada do aeroporto"  loading="lazy" /></p>
<p>Lembram-se do meu martírio para conseguir um SIM card no aeroporto Tegel na Alemanha? Aqui foi absolutamente trivial. Havia uma loja de aluguel de cartões SIM Card. Todos os atendentes falavam inglês perfeitamente bem, foram bem atenciosos, me deram várias opções para minha estadia. Em poucos minutos já estava de volta à Internet. Todos os serviços de aeroporto deveriam ser como esse.</p>
<p>Antes de embarcar, eu havia twitado que estava indo para Tel Aviv e alguns israelenses foram muito gentis em me responder. O primeiro que já me ajudou logo no aeroporto, via Twitter, foi <a href="http://www.rauchy.net"target="_blank" rel="noopener">Omer Rauchwerger</a>. O primeiro choque é ver tudo escrito em hebreu ou árabe. Diferente de holandês ou alemão onde você pode pelo menos tentar identificar algumas palavras ou sílabas, aqui não dá para entender absolutamente nada. Deve ser a sensação de ser completamente analfabeto. Felizmente Tel Aviv é amigável a turistas então existem diversas traduções de placas e sinalizações nos principais locais.</p>
<p>No próprio aeroporto você identifica a existência de um trem que pode te levar de um lado para Jerusalém e de outro para Tel Aviv. Você compra tickets em máquinas automáticas que felizmente tinham opção para inglês. Nesse caso basta comprar o ticket de ida para Tel Aviv. Pegando o trem você espera umas 3 estações (aproximadamente meia hora de viagem) e desce em Tel Aviv Merkaz (Centro), também conhecido como Savidor. Da estação eu estava a menos de 2km do <a href="https://foursquare.com/v/4bc8ed11762beee16cb53d38"target="_blank" rel="noopener">Vital Hotel</a>.</p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/228/IMG_2354.jpg" alt="Vital Hotel"  loading="lazy" /></p>
<p>Uma dica importante: assim como aqui nos aeroportos de São Paulo, nunca pegue táxi de taxistas que te abordam na saída. Procure a fila oficial (fácil de identificar, sempre tem um funcionário coordenando uma fila). E dentro de qualquer táxi sempre peça para ligar o medidor, caso contrário eles vão querer te enrolar para fechar um preço que vai acabar sendo o dobro do normal. Aliás, fique esperto no geral, todo comerciante de rua vai querer passar a perna em turista, por padrão.</p>
<p>Voltando ao hotel, devo dizer que foi uma excelente escolha. Ela fica conectada ao Weizmann Shopping Center com acesso a partir da recepção do hotel. O atendente que me recepcionou foi provavelmente o mais simpático e prestativo de todos os tempos. Conversando com ele foi que decidi como ocuparia meu dia seguinte: fazendo um tour com guia por Jerusalém. Ele se encarregou de acertar tudo para mim.</p>
<p>O hotel é muito bem equipado, moderno, limpo e de todas as cidades que passei até agora foi a que ofereceu o melhor serviço de internet. O único que dava para fazer ligações por Skype decentemente. Já era noite e o Omer também me recomendou um bom restaurante para jantar, então como já estava equipado com internet resolvi sair para caminhar pela cidade e foi uma excelente escolha. Meu primeiro destino foi o restaurante <a href="https://foursquare.com/v/4b0588e6f964a52098de22e3"target="_blank" rel="noopener">Brasserie M&amp;R</a> com ótimas opções de culinária francesa. <a href="http://goisrael.about.com/od/DiningandNightlife/tp/Five-Essential-Tel-Aviv-Dining-Spots.htm"target="_blank" rel="noopener">Nessa lista</a>, por exemplo, ele está entre os 3 melhores restaurantes para ir em Israel. Uma excelente opção, um pouco cara para meus padrões mas ainda assim acessível.</p>
<p>Novamente as garçonetes do restaurante falavam excelente inglês e foram muito simpáticas e receptivas. Já percebi que tirando os comerciantes mais agressivos, a maioria das pessoas é sempre muito educada e receptiva a estrangeiros, fato que me deixou positivamente impressionado.</p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/229/IMG_2358.jpg" alt="Caminhando por Tel Aviv"  loading="lazy" /></p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/230/IMG_2359.jpg" alt="Caminhando por Tel Aviv"  loading="lazy" /></p>
<p>Depois da excelente refeição fui andando pela rua Frishman até a beira da praia. Aliás, diferente de Amsterdã e Berlim, finalmente um clima mais próximo ao que estou acostumado, na verdade um pouco mais quente do que eu gosto, mais próximo do clima do Rio de Janeiro. E não é para menos já que eu estava à beira do Mediterrâneo. As praias, mesmo a noite, oferecem uma excelente vista e é uma ótima opção para caminhar. E assim como nas outras cidades européias, a sensação de estar seguro novamente me deixou bem mal acostumado.</p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/231/IMG_2362.jpg" alt="Caminhando pela praia"  loading="lazy" /></p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/232/IMG_2363.jpg" alt="Caminhando pela praia"  loading="lazy" /></p>
<p>Meu hotel ficava no centro-leste da cidade, portanto andei em direção oeste para a praia e depois peguei uma paralela chamada Bograshov para retornar, passando pelo <a href="https://foursquare.com/v/4b0aa54ff964a520ef2523e3"target="_blank" rel="noopener">Dizengoff Center</a>. Diferente das outras visitas, esta cidade tem diversos Shopping Centers, uma ótima opção se estiver procurando por ar condicionado nesta cidade mediterrânea. De lá subi até a Sderot e rapidamente já estava de volta à Weizmann. Uma ótima noite.</p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/233/IMG_2372.jpg" alt="Dizengoff"  loading="lazy" /></p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/234/IMG_2378.jpg" alt="Praça"  loading="lazy" /></p>
<p>A cidade de Tel-Aviv, novamente é uma cidade minúscula. Tem meros 52 km2, a área urbana tem 176 km2. Ela é a segunda cidade mais populosa de Israel e mesmo assim não tem mais que 406 mil pessoas. A cidade mais populosa é Jerusalém, com pouco mais de 800 mil pessoas e uma área de 125 km2. E não é para menos, o país inteiro ainda tem menos de 8 milhões de pessoas. Como perspectiva se lembrem de São Paulo que tem sozinha mais de 11 milhões de pessoas. Se tiver mais tempo do que eu, recomendo continuar a linha de trem que mencionei antes até a Universidade de Tel Aviv e também ir até Haifa, a terceira cidade mais populosa de Israel, com quase 270 mil pessoas.</p>
<p>Além do famoso Porto de Haifa esta cidade é berço de Pesquisa de Desenvolvimento para empresas como Intel, IBM, Microsoft, Motorola, Google, Yahoo!, e muitas outras de alta tecnologia. Na Universidade de Haifa fica o IBM Haifa Labs. Se Tel-Aviv é São Francisco então Haifa é Palo Alto. Infelizmente não tive tempo de visitar essa cidade, mas certamente está na minha lista para a próxima vez.</p>
<p>A cidade de Tel Aviv na verdade é Tel-Aviv Jaffa. Ela é uma cidade mais ou menos &ldquo;vertical&rdquo;. Sua história iniciou no sul, com os árabes de Jaffa. Tel Aviv foi fundada pela comunidade judia de Jaffa e logo cresceu mais rápido. No final elas foram fundidas numa única cidade, Tel-Aviv Jaffa. Eu não cheguei a ir até Jaffa, infelizmente, mas dizem que se quiser experimentar um dos melhores humus que já comeu, precisa ir até o restaurante <a href="http://bit.ly/e697B8"target="_blank" rel="noopener">Abu-Hassan</a>. Era um lugar que eu queria ter ido mas também não tive tempo. Fica de recomendação.</p>
<h2>Turismo por Jerusalém<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="turismo-por-jerusalém"></span>
    <a href="#turismo-por-jerusal%c3%a9m" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>O tour que eu escolhi foi de grupo pequeno (business), é mais caro mas mesmo assim por USD 100 compensa. Você definitivamente não quer grupos de mais de 15 pessoas, e os pacotes mais baratos podem comportar 30 ou mais pessoas e aí é extremamente desconfortável. Obviamente em um único dia é impossível ver tudo que Jerusalém tem por isso escolhi o pacote para andar por dentro da cidade antiga, a Velha Jerusalém. O serviço de turismo vai te buscar direto no seu hotel o que é bastante cômodo para quem tem pouco tempo a perder.</p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/235/IMG_2382.jpg" alt="Micro-ônibus"  loading="lazy" /></p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/236/IMG_2397.jpg" alt="Micro-ônibus"  loading="lazy" /></p>
<p>Uma coisa que eu não tinha noção mas que vocês já devem ter percebido é como Israel é pequeno. Ir de micro-ônibus de Tel Aviv até Jerusalém é uma viagem que não dura mais que 40 minutos. Sem ter nenhum conhecimento eu imaginava que elas eram distantes (para mim distante é ir de São Paulo ao Rio) mas aqui a viagem é mais como ir de São Paulo a Sorocaba.</p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/237/IMG_2406.jpg" alt="Indo a Jerusalém"  loading="lazy" /></p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/238/IMG_2411.jpg" alt="Indo a Jerusalém"  loading="lazy" /></p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/239/IMG_2418.jpg" alt="Indo a Jerusalém"  loading="lazy" /></p>
<p>Jerusalém, ao contrário do que eu poderia imaginar, também é uma cidade moderna. Tem hotéis muito bonitos, a arquitetura da cidade toda são casas e prédios com pedras claras que dá um tom &ldquo;creme&rdquo; à cidade. Ela é razoavelmente arborizada então é um cenário muito bonito. Já o que se chama de Velha Jerusalém é o que está atrás dos antigos muros e é conhecida também como Cidade de Davi. Se você imagina que visitar a Europa é ter um gosto do passado, na Velha Jerusalém estamos falando de outro tipo de passado: do tipo que tem uma história de mais de 3 mil anos. Acho que nenhum lugar parece mais fora do tempo do que essa cidade. O importante aqui não é a religião (e aqui você vai encontrar judeus, cristãos, islãs e muçulmanos), mas sim o &ldquo;peso histórico&rdquo; que esse lugar carrega, e História é uma coisa que eu respeito muito.</p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/240/IMG_2421.jpg" alt="Arquitetura de Jerusalém"  loading="lazy" /></p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/241/IMG_2424.jpg" alt="Arquitetura de Jerusalém"  loading="lazy" /></p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/242/IMG_2429.jpg" alt="Arquitetura de Jerusalém"  loading="lazy" /></p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/243/IMG_2435.jpg" alt="Arquitetura de Jerusalém"  loading="lazy" /></p>
<p>A primeira grande parada antes de entrar na Velha Jerusalém foi no <a href="https://foursquare.com/v/4e8e78100aaf1c9802c15caf"target="_blank" rel="noopener">Monte Scopus</a>, não conheço a história mas parece que foi ponto estratégico durante a <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Mount_Scopus"target="_blank" rel="noopener">Guerra Árabe-Israelense de 1948 e a Guerra de 6 dias de 1967</a>.</p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/244/IMG_2444.jpg" alt="Monte Scopus"  loading="lazy" /></p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/245/IMG_2446.jpg" alt="Monte Scopus"  loading="lazy" /></p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/246/IMG_2447.jpg" alt="Monte Scopus"  loading="lazy" /></p>
<p>Em seguida nos dirigimos para o famoso <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Mount_of_Olives"target="_blank" rel="noopener">Monte da Oliveira</a> onde dizem que o messias vai retornar primeiro no fim do mundo. Esse lugar é um enorme cemitério onde judeus vem sendo enterrados há 3 mil anos, tendo mais de 150 mil covas. Paga-se caro para ser enterrado nesse local, onde também se acredita que quando o messias chegar, essas são as pessoas que serão ressucitadas primeiro. Ou algo assim. Se quiser ver o Monte das Oliveiras ao vivo existe até um <a href="http://www.daystar.com/israel/live/"target="_blank" rel="noopener">canal de TV</a> com câmeras apontadas ao Monte das Oliveiras, para capturar o momento que o tal messias retornar. Tem doido pra tudo.</p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/247/IMG_2450.jpg" alt="Monte das Oliveiras"  loading="lazy" /></p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/248/IMG_2451.jpg" alt="Monte das Oliveiras"  loading="lazy" /></p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/249/IMG_2457.jpg" alt="Monte das Oliveiras"  loading="lazy" /></p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/250/IMG_2459.jpg" alt="Monte das Oliveiras"  loading="lazy" /></p>
<p>Finalmente, nos dirigimos até a Cidade de Davi e Solomão. Deixamos o micro-ônibus e daqui iríamos a pé. Ao entrar pela segurança da cidade (novamente, revista do que você carrega em bolsas e mochilas), o primeiro lugar que podemos ver é o famigerado <a href="https://foursquare.com/v/4b896c78f964a520ff3432e3"target="_blank" rel="noopener">Muro das Lamentações</a>. Dizem que em igrejas e sinagogas você tem uma comunicação indireta com o todo poderoso, mas nesse muro é ligação direta, tipo fibra ótica de alta velocidade mesmo, sem intermediários. A área na frente do muro é dividido, uma área grande para homens e uma área menos para mulheres. Ironicamente a área das mulheres é mais cheia que a dos homens. Parece que os homens já não ligam muito para isso, mas as mulheres ainda levam os pedidos mais a sério. Se você já não é judeu e tem as vestimentas corretas, eles tem kits que você pode usar antes de entrar nessa área sagrada.</p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/251/IMG_2470.jpg" alt="Muro das Lamentações"  loading="lazy" /></p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/252/IMG_2478.jpg" alt="Muro das Lamentações"  loading="lazy" /></p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/253/IMG_2483.jpg" alt="Muro das Lamentações"  loading="lazy" /></p>
<p>Eu pessoalmente fiquei só observando e me veio à cabeça o nome em inglês do Muro, chamado de Western Wall, Kotel ou Whaling Wall. Sendo que &ldquo;whale&rdquo;, enquanto verbo é como &ldquo;apanhar&rdquo;, &ldquo;tomar uma sova&rdquo;, mas enquanto substantivo é uma baleia. E ainda quando Twitei que estava visitando o Muro das Lamentações meu caramada Gleicon ainda me respondeu <a href="https://twitter.com/gleicon/status/258503323022413824"target="_blank" rel="noopener">&ldquo;visitando o Twitter?&rdquo;</a>. Pronto, minha Teoria da Conspiração é que a famosa <a href="http://www.whatisfailwhale.info"target="_blank" rel="noopener">tela da Baleira (Fail Whale) do Twitter</a> é na verdade inspirado no &ldquo;Whaling Wall&rdquo;. Verdade ou não, é uma história engraçada para se contar.</p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/254/facebook-cover.jpg" alt="Whaling Wall"  loading="lazy" /></p>
<p>Depois disso o guia nos levou mais para dentro da cidade. Sinceramente não consigo lembrar de tudo que ele explicou, especialmente porque me faltam as bases históricas para conectar os pontos. Mas passamos por diversas vielas cheias de comerciantes. Lembram daqueles filmes que mostram cidades árabes ou do oriente médio cheio de comerciantes? É tipo isso mesmo. Aliás, por recomendação do guia, tome muito cuidado ao fazer compras nessa região, como disse antes esses comerciantes de rua obviamente sabem que você é um turista ingênuo e farão de tudo para te vender as coisas mais caro do que são. Se decidir comprar pechinche o quanto puder, lembre de estar sempre convertendo de cabeça de Shekels para Reais, mais ou menos divida o preço em Shekels por 2 e terá em Reais. Por exemplo, uma garrafa de água custando 10 Shekels (5 Reais) obviamente está muito caro.</p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/260/IMG_2505.jpg" alt="Hora do Almoço"  loading="lazy" /></p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/261/IMG_2506.jpg" alt="Hora do Almoço"  loading="lazy" /></p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/262/IMG_2507.jpg" alt="Hora do Almoço"  loading="lazy" /></p>
<p>No <a href="https://foursquare.com/v/4cd003301ac7a1cd87bc1692"target="_blank" rel="noopener">meio da cidade</a> paramos para almoçar, onde pude comer um excelente Shawarma. E também entramos numa joalheria (dizem que ela é certificada para poder vender ouro, no mercado de rua vão te vender bijuteria como ouro). Mas cuidado, os preços são bastante salgados, é para quem tem muito dinheiro mesmo. E a lábia dos vendedores é ligeira <em>&ldquo;é baratinho, leva esse crucifixo que é só USD 1.000 e eu te dou a cordinha de ouro por meros USD 100, pechincha.&rdquo;</em> De jeito nenhum.</p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/255/IMG_2485.jpg" alt="Comércio"  loading="lazy" /></p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/256/IMG_2487.jpg" alt="Comércio"  loading="lazy" /></p>
<p>Finalmente chegamos à Via Dolorosa, onde dizem que Jesus deu seus últimos passos antes de ser crucificado. Essa rua possui nove das catorze estações da cruz, as cinco últimas na Basílica do Santo Sepúlcro, que foi nossa próxima parada. Se eu entendi o que a <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Via_Cr%c3%bacis"target="_blank" rel="noopener">Wikipedia</a> explica, conhecemos o termo &ldquo;Via Crucis&rdquo; que é o trajeto que Jesus fez. Via Sacra é o exercício da reprodução que os fiéis fazem desse trajeto. O trajeto em si foi feita na rua cujo nome é Via Dolorosa. Os passos desse trajeto são as Estações da Cruz, reproduzida em toda Igreja Católica. Vivendo e aprendendo.</p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/257/IMG_2490.jpg" alt="Via Dolorosa"  loading="lazy" /></p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/258/IMG_2491.jpg" alt="Via Dolorosa"  loading="lazy" /></p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/259/IMG_2495.jpg" alt="Via Dolorosa"  loading="lazy" /></p>
<p>A <a href="https://foursquare.com/v/4b599fc5f964a5207d8f28e3"target="_blank" rel="noopener">Basílica do Santo Sepúlcro</a> é o lugar mais sagrado do cristianismo, dizem que mais ainda do que a Igreja de São Pedro em Roma. Esse é o lugar onde Jesus foi crucificado, sepultado e onde ressucitou no Domingo de Páscoa. As áreas de interesse começam logo que se entra, à direita, com o <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/G%c3%b3lgota"target="_blank" rel="noopener">Calvário ou Gólgota</a>, uma elevação de 5 metros onde dizem que Jesus foi crucificado.</p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/263/IMG_2508.jpg" alt="Santo Sepúlcro"  loading="lazy" /></p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/264/IMG_2509.jpg" alt="Santo Sepúlcro"  loading="lazy" /></p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/269/IMG_2544.jpg" alt="Calvário"  loading="lazy" /></p>
<p>Na entrada, logo à frente está a tal <a href="http://www.holycrossstore.com/facts-about-the-stone-of-the-anointing"target="_blank" rel="noopener">Pedra da Unção</a>, a pedra onde dizem que o corpo de Jesus foi preparado para ser enterrado. Muita gente ficava bem emocionada tocando essa pedra, imagino que é porque imaginam que o corpo de Cristo efetivamente descansou sobre essa pedra antes de ser enterrado. É uma grande pedra.</p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/265/IMG_2523.jpg" alt="Pedra"  loading="lazy" /></p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/270/IMG_2545.jpg" alt="Pedra"  loading="lazy" /></p>
<p>Finalmente, andando mais à esquerda está a edícula do Santo Sepúlcro propriamente dito, onde tecnicamente o Jesus foi enterrado. Tinha uma fila enorme não entendi bem para que. A Basílica em si é enorme, tem mais do que eu descrevi, um andar subterrâneo. Em algum lugar por ali dizem que foi enterrado também José de Arimatéia, mas vou deixar isso para quem entende mais dos contos da Bíblia.</p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/266/IMG_2526.jpg" alt="Edícula"  loading="lazy" /></p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/267/IMG_2531.jpg" alt="Edícula"  loading="lazy" /></p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/268/IMG_2540.jpg" alt="Subterrâneo"  loading="lazy" /></p>
<p>Saindo da Basílica fomos até o fim do percurso, no caminho passamos por um tal Muro de Solomão, mas não entendi bem sua história. A única coisa que sei é que ela está obviamente em pedaços e podemos caminhar sobre a linha por onde ela passava antes. Provavelmente tem a ver com essa <a href="http://www.sciencedaily.com/releases/2010/02/100222094757.htm"target="_blank" rel="noopener">notícia de 2010</a> sobre a descoberta desse muro. Existem dezenas de escavações por toda cidade.</p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/271/IMG_2562.jpg" alt="Muro de Salomão"  loading="lazy" /></p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/272/IMG_2566.jpg" alt="Muro de Salomão"  loading="lazy" /></p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/273/IMG_2570.jpg" alt="Muro de Salomão"  loading="lazy" /></p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/274/IMG_2575.jpg" alt="Saindo da Cidade"  loading="lazy" /></p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/275/IMG_2578.jpg" alt="Saindo da Cidade"  loading="lazy" /></p>
<p>Saímos da Velha Cidade, voltamos ao micro-ônibus e de lá fomos à nossa última parada e, na minha opinião, a melhor parte do passeio, por uma enorme margem. Fomos visitar o Museu do Holocausto, <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Yad_Vashem"target="_blank" rel="noopener">Yad Vashem</a>. Em primeiro lugar eu completamente ignorava que um lugar como esse existia. Ela é uma enorme área de 180 mil m2, destinada não só a ser um museu de exposição, mas um centro de documentação, pesquisa e educação sobre o Holocausto.</p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/276/IMG_2598.jpg" alt="Yad Vashem"  loading="lazy" /></p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/277/IMG_2600.jpg" alt="Yad Vashem"  loading="lazy" /></p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/278/IMG_2602.jpg" alt="Yad Vashem"  loading="lazy" /></p>
<p>O guia nos avisou que tudo era proibido, comer, fumar, beber, etc, incluindo tirar fotos (de fato, notei funcionários à paisana fiscalizando quem estava tirando fotos). Antes de entrar eu imaginava que passaria rápido e seria somente mais um museu. Tínhamos somente uma hora. Eu pretendia obedecer a norma de não fotografar, mas depois de entrar no museu eu mudei completamente de idéia.</p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/279/IMG_2605.jpg" alt="Yad Vashem"  loading="lazy" /></p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/280/IMG_2609.jpg" alt="Yad Vashem"  loading="lazy" /></p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/281/IMG_2613.jpg" alt="Yad Vashem"  loading="lazy" /></p>
<p>A arquitetura é muito interessante, ela é um zigue-zague que te guia de sala em sala mostrando todos os aspectos da história da Segunda Guerra Mundial da perspectiva dos judeus. Ela conta a história de como Hitler subiu à posição de ditador da Alemanha, como ele começou a invadir os países vizinhos. Principalmente como a ideologia do Nazismo considerava os judeus um problema e a apresentação da sua <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Final_Solution"target="_blank" rel="noopener">Solução Final</a>, a criação dos guetos, a transferência para os campos de concentração e o genocídio de 6 milhões de judeus (dos 9 que existiam na Europa na época), sendo 1 milhão de crianças.</p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/282/IMG_2618.jpg" alt="Yad Vashem"  loading="lazy" /></p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/283/IMG_2622.jpg" alt="Yad Vashem"  loading="lazy" /></p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/284/IMG_2630.jpg" alt="Yad Vashem"  loading="lazy" /></p>
<p>Ao final do museu existe a <a href="http://www1.yadvashem.org/yv/en/museum/hall_of_names.asp"target="_blank" rel="noopener">Sala dos Nomes</a>, uma enorme sala em formato cilíndrico com um cone enorme no topo. Ficando abaixo desse cone é possível ver as fotografias de pelo menos 600 judeus mortos. E nas paredes do cilindro estão as Páginas das Testemunhas, uma coleção de mini-biografias dos 6 milhões de mortos que estão sendo coletados com o tempo.</p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/286/IMG_2633.jpg" alt="Sala dos Nomes"  loading="lazy" /></p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/287/IMG_2634.jpg" alt="Sala dos Nomes"  loading="lazy" /></p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/288/IMG_2636.jpg" alt="Sala dos Nomes"  loading="lazy" /></p>
<p>A exposição em si é espetacular, ela te guia por cada episódio do acontecido, através da ordem das salas que você tem que percorrer e dos materiais em exposição que incluem não somente textos, fotos, objetos mas também centenas de horas de áudio e vídeo com testemunhos, documentários, notícias da época. Principalmente nas partes que se falam dos guetos e campos de concentração existem pequenas salas mais isoladas para te fazer assistir vídeos de testemunhos e entrar no clima sombrio e melancólico. O áudio vem de diversas direções, a forma como as coisas estão expostas, tudo contribui para criar uma experiência de imersão.</p>
<p>Lembram da Lista de Schindler? Pois é, está em exposição em Yad Vashem.</p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/285/IMG_2631.jpg" alt="Lista de Schindler"  loading="lazy" /></p>
<p>Sinceramente, 1 hora é muito pouco tempo. Esse museu exige no mínimo um dia inteiro de dedicação apenas para começar a apreciar tudo que ele tem a oferecer. Mesmo depois que você sai do pavilhão principal, Yad Vashem é uma enorme área com diversos outros prédios e monumentos. Dentre eles estão o Yad Layeled, o memorial das crianças, e a Avenida dos Justos Entre as Nações, com mais de duas mil árvores plantadas em nome de pessoas não judias que se arriscaram para ajudá-las.</p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/289/IMG_2638.jpg" alt="Saída do Museu"  loading="lazy" /></p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/290/IMG_2647.JPG" alt="Memorial das Crianças"  loading="lazy" /></p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/291/IMG_2651.jpg" alt=""  loading="lazy" /></p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/292/IMG_2656.jpg" alt="Memorial das Crianças"  loading="lazy" /></p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/293/IMG_2658.jpg" alt="Memorial das Crianças"  loading="lazy" /></p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/294/IMG_2660.jpg" alt="Memorial das Crianças"  loading="lazy" /></p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/295/IMG_2662.jpg" alt=""  loading="lazy" /></p>
<p>Infelizmente tivemos muito pouco tempo, se um dia retornar a Israel, reservarei um dia inteiro dedicado somente a visitar Yad Vashem novamente.</p>
<h2>De Volta a Tel Aviv - Startups<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="de-volta-a-tel-aviv---startups"></span>
    <a href="#de-volta-a-tel-aviv---startups" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>O dia foi bem proveitoso, bastante inspirador de certa forma por passar por uma carga tão grande de história de uma só vez. Na volta para Tel Aviv, já no começo da noite, entrei em contato com outra pessoa que fiquei conhecendo apenas <a href="https://twitter.com/benln/status/258596627177148416"target="_blank" rel="noopener">via Twitter</a> recentemente, <a href="http://benjaminlang.com"target="_blank" rel="noopener">Ben Lang</a>. Quando twitei que vinha para Israel, algumas pessoas no Twitter me falaram sobre o site <a href="http://mappedinisrael.com"target="_blank" rel="noopener">Mapped in Israel</a>, um completo diretório de Startups, aceleradoras, co-workings, investidores e tudo mais sobre esse mercado. Ela lista atualmente 790 startups em Israel (lembram como em Berlim, que tem metade da população do país de Israel tinha cerca de 330?). Se quiser pesquisar mais sobre o mercado de Israel este é um excelente lugar para começar. Um site menor, que serve para complementar esse é o <a href="http://rorisrael.com"target="_blank" rel="noopener">RoR Israel</a> que lista mais de 50 empresas que utilizam Ruby on Rails em Israel, criada por Boris Dinkevich.</p>
<p>Como o Ben estava com tempo justamente quando meu micro-ônibus estava começando a deixar o grupo em seus hotéis, pedi ao motorista para me deixar no meio do caminho e peguei um táxi até Carlebach 4. Ele estava num pequeno bar-restaurante, sentado numa mesa na rua com seu notebook - aliás, outra coisa impossível de se fazer aqui no Brasil. O Ben é jovem, acho que tem seus 18 anos agora, se mudou dos Estados Unidos com sua família e já é bem conhecido, tem mais de 11 mil seguidores no Facebook, já escreveu para sites conhecidos como Techcrunch e Business Insider. Ele foi muito simpático, me explicou mais sobre o mercado e como acabou de entrar para o exército de Israel por vontade própria, e devo dizer que ele sabe o que está fazendo - mais sobre isso no fim do artigo.</p>
<p>Estava acontecendo algum evento de Startups na região - e segundo ele acontecem vários toda semana - e ele estava matando tempo antes do after party que aconteceria ali por perto. Comemos um bom Falafel de rua e fomos pra um bar-balada numa cobertura, devidamente chamada de &ldquo;Roof Top&rdquo;, que oferece uma área aberta com excepcional vista para a cidade. Chegamos um pouco cedo, não havia quase ninguém, então ficamos ali conversando um tempo.</p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/296/IMG_2667.jpg" alt="Roof Top"  loading="lazy" /></p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/297/IMG_2669.jpg" alt="Roof Top"  loading="lazy" /></p>
<p>Logo pessoas que conheciam o Ben se aproximaram e com isso fiz alguns contatos, incluindo Mayer Reich, da startup <a href="http://www.rankabove.com"target="_blank" rel="noopener">Rank Above</a> uma plataforma de sucesso que oferece ferramentas e serviços no domínio de SEO, toda feita usando Ruby e Merb (!). Fiquei de visitá-los no dia seguinte. Também pude brevemente me encontrar com Roy Carthy da Initial Capital, que recentemente iniciou <a href="http://techcrunch.com/2011/07/13/initial-capital-launches-to-invest-in-seed-deals-in-israel-and-brazil/"target="_blank" rel="noopener">negócios no Brasil</a> também.</p>
<p>Eu tinha acabado de voltar do turismo por Jerusalém e estava bem cansado, então depois de conversar com algumas pessoas por algum tempo decidi fechar o dia e retornar ao hotel para descansar. O dia seguinte também seria corrido.</p>
<p>Meu último dia em Tel Aviv começou com a visita à Rank Above. Não era muito longe, pouco menos de 2 km então decidi ir <a href="https://foursquare.com/v/4b0588e3f964a52040de22e3"target="_blank" rel="noopener">caminhando</a> em mais um dia quente. Devo dizer que mesmo no calor a cidade é bastante agradável para caminhar, então recomendo se possível.</p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/298/IMG_2671.jpg" alt="Caminhando"  loading="lazy" /></p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/299/IMG_2672.jpg" alt="Caminhando"  loading="lazy" /></p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/300/IMG_2674.jpg" alt="Caminhando"  loading="lazy" /></p>
<p>A Rank Above é uma empresa que já tem 5 anos, o Mayer veio de Nova Iorque e montou uma equipe em Israel. A empresa não deve ter mais que 15 pessoas no total, com meia dúzia de desenvolvedores Ruby. Eles tem um escritório até que espartano mas confortável. Ficamos conversando sobre Ruby, em particular eles estavam interessados na minha opinião sobre migrar de Merb para Rails.</p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/301/IMG_2679.jpg" alt="Rank Above"  loading="lazy" /></p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/303/odfzbu.jpg" alt="Rank Above"  loading="lazy" /></p>
<p>Ao mesmo tempo o Omer me apresentou, de novo via Twitter, ao <a href="http://twitter.com/vkushner"target="_blank" rel="noopener">Vitaly Kushner</a> um programador Ruby ucraniano que se mudou pra Israel faz muitos anos. Ele tem uma pequena consultoria de Rails chamada <a href="http://astrails.com"target="_blank" rel="noopener">Astrails</a>. Ele e seu outro sócio Michael Mazyar foram me buscar no escritório da Rank Above para almoçarmos. Fomos comer num restaurante de comida búlgara. Eles me contaram como atuam com Rails faz muitos anos mas mesmo assim ainda não conseguiram crescer. Eles obviamente são muito experientes e sabem disso, o problema que todo bom desenvolvedor tem é delegar para programadores menos experientes, especialmente se você se torna preciosista e o código dos outros sempre é pior que o seu. Por isso, eles são em 6 pessoas dividindo múltiplos projetos por pessoa ao mesmo tempo, o que causa muito estresse e mais medo ainda de escalar. Conversamos bastante sobre o que eu tenho feito em consultoria porque eles ficaram interessados em saber como eu escalei de 2 programadores para mais de 30 em menos de 1 ano. Espero que tenha ajudado.</p>
<p>Nesse fim de tarde eu havia combinado com o Omer que eu participaria de um encontro de usuários Ruby da região chamada <a href="http://meetup.rubyunderground.co.il/events/74518752/"target="_blank" rel="noopener">Ruby Underground</a>. Algumas semanas antes de iniciar essa viagem toda, eu havia publicado no blog que talvez viria pra Tel Aviv e o Omer foi o primeiro a se manifestar. Ele organizou o encontro na empresa onde trabalha, a suíça Klarna. Eu faria uma palestra sobre a comunidade Ruby Brasileira e as novidades do Rails 4.</p>
<p>Depois do almoço com o Vitaly e o Michael eu ainda tinha algum tempo então pedi para me deixarem no <a href="https://foursquare.com/v/4b0588e7f964a520ddde22e3"target="_blank" rel="noopener">Azrieli Center Mall</a> que era perto do prédio da Klarna. Depois de algum tempo, resolvi ir até o encontro. O prédio da <a href="https://foursquare.com/v/5021ff86e4b04d1e26014d93"target="_blank" rel="noopener">Klarna</a> fica próximo à estação de trem e do Azrieli dava pra ir a pé sem nenhum problema.</p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/302/IMG_2680.jpg" alt="Azrieli"  loading="lazy" /></p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/304/IMG_2693.jpg" alt="Azrieli"  loading="lazy" /></p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/306/IMG_2694.jpg" alt="Azrieli"  loading="lazy" /></p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/307/IMG_2701.jpg" alt="Azrieli"  loading="lazy" /></p>
<p>A Klarna é uma solução de pagamento para ecommerces, por exemplo, com uma solução onde o cliente recebe o produto antes de realizar o pagamento. O escritório de Tel Aviv é bem amplo, moderno e organizado, com uma área especial para eventos junto à uma cozinha e terraço. Caberia até 100 pessoas sentadas sem problemas.</p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/308/IMG_2706.jpg" alt="Klarna"  loading="lazy" /></p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/309/IMG_2708.jpg" alt="Klarna"  loading="lazy" /></p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/310/IMG_2715.jpg" alt="Klarna"  loading="lazy" /></p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/311/IMG_2717.jpg" alt="Klarna"  loading="lazy" /></p>
<p>Acho que havia quase 80 pessoas presentes, e devo dizer que eu estava um pouco nervoso pois seria mais uma palestra que eu terminei durante a viagem e ainda não tinha conseguido testar o tempo, mas acho que consegui passar tudo que queria com clareza no tempo exato de uma hora, um recorde!</p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/312/highres_170454502.jpeg" alt="Palestra"  loading="lazy" /></p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/313/highres_170433452.jpeg" alt="Palestra"  loading="lazy" /></p>
<p>Tive a oportunidade de conhecer diversos rubistas, muitos ainda iniciantes durante o encontro e no final do evento fomos todos para um happy hour no pub Lee Bloom. Conversei bastante com <a href="http://about.me/daniel.szmulewicz"target="_blank" rel="noopener">Daniel Szmulewicz</a> que além de Rubista e programador experiente, também é filósofo por formação, e eu gosto pouco de filosofia (nah) então dá pra imaginar que a conversa foi bem longe.</p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/314/IMG_2726.JPG" alt="Lee Bloom"  loading="lazy" /></p>
<p>Enfim, foi um último dia muito proveitoso até o último minuto. Tive a oportunidade de conhecer mais empresas e entender bem mais sobre esse poderoso mercado Israelense. No dia seguinte infelizmente eu já tinha que retornar. Deixo apenas registrado que a volta por Ben Gurion não é mais fácil que a entrada, novamente com múltiplas etapas de revista - lembra da recomendação de chegar com 3 horas de antecedência? Bem, em Israel isso não é recomendação é obrigação, caso contrário você não embarca. Mesmo com tudo isso, volto ao Brasil com vontade de retornar a Israel o quanto antes. De todos os lugares que visitei nos últimos anos, nenhum lugar me deixou com mais vontade de retornar do que Israel, e para um cara desapegado como eu, isso é muita coisa.</p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/315/IMG_2744.jpg" alt="Vistoria no aeroporto"  loading="lazy" /></p>
<h2>Por que Israel é tão Avançado?<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="por-que-israel-é-tão-avançado"></span>
    <a href="#por-que-israel-%c3%a9-t%c3%a3o-avan%c3%a7ado" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Quero aproveitar esse final para que todos vocês, leitores, pensem nisso: o que faz um país de menos de 8 milhões de pessoas, somente 60 anos de idade (ela declarou sua independência faz pouco tempo), cercada de inimigos em constante estado de guerra, sem recursos naturais, ser a <a href="http://techcrunch.com/2012/11/20/startup-genome-ranks-the-worlds-top-startup-ecosystems-silicon-valley-tel-aviv-l-a-lead-the-way/"target="_blank" rel="noopener">segunda do mundo em startups</a>, atrás apenas dos Estados Unidos? Ou seja, ela está à frente de países maiores, com mais recursos e pacíficos como Japão, India, Coréia, China e muitos outros europeus. Brasil então, está na rabeira da rabeira em comparação.</p>
<p>Por que Israel é tão mais avançada? Essa é a pergunta que os autores Dan Senor e Saul Singer se propuseram a responder no conhecido livro <a href="http://www.amazon.com/Start-up-Nation-Israels-Economic-Miracle/dp/0446541478"target="_blank" rel="noopener">Startup Nation</a>. Eles focam em dois pontos que argumentam ser os principais, o <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Conscription"target="_blank" rel="noopener">serviço militar mandatório</a> e a imigração. Eu já sabia que o serviço lá era obrigatório mas não tinha parado para pensar no que isso significava. Aqui no Brasil é obrigatório apenas para homens por 1 ano. Em Israel é obrigatório para homens por 3 anos e mulheres por 2 anos. Ou seja, todo mundo no país passou por uma formação no exército muito mais difícil do que em países como o Brasil.</p>
<p>Diferente do que muitos podem imaginar, o exército evoluiu muito da imagem que temos de anedotas e histórias. Os autores argumentam que o <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Israel_Defense_Forces"target="_blank" rel="noopener">Israel Defense Force (IDF)</a> ajuda a criar bons empreendedores com reais capacidades e, por causa do tempo de serviço, também com muitos contatos. A IDF dá experiência a esses jovens para exercitar responsabilidade num ambiente onde a hierarquia não é tão rígida, onde criatividade e e inteligência são altamente valorizados. Soldados da IDF recebem poucas ordens vindas de cima para baixo e são incentivados a improvisar, mesmo que signifique quebrar algumas regras. Soldados de patentes mais baixas chamam seus superiores pelo primeiro nome, e se eles vêem seus superiores fazendo algo errado eles devem dizer isso. (Aliás, conceito que tento explicar há tempos e parece tão difícil de se fazer entender.)</p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/316/IMG_2736.jpg" alt="Soldados"  loading="lazy" /></p>
<p>Olhando meus pares no mundo em geral e principalmente no Brasil, sinto que uma estrutura como o IDF proporciona está em grande falta. Hoje os garotos são muito molengas, choram por qualquer coisa, fazem birra, fazem cortina de fumaça reclamando para esconder a própria incompetência, não sabem receber críticas, tem medo de cara feia, tem medo de dizer o que estão pensando, são <strong>vergonhosamente covardes</strong> só falando mal pelas costas achando que ninguém está prestando atenção, enfim, uma grande decepção. Muitos reclamam por picuinha em trabalhos de 3 meses. Esses adolescentes israelenses passam 3 anos - 3 anos! - servindo no exército.</p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/317/IMG_2682.jpg" alt="Estudantes"  loading="lazy" /></p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/318/IMG_2681.jpg" alt="Estudantes"  loading="lazy" /></p>
<p>Difícil dizer que esse é o fator fundamental, mas que certamente faz uma diferença de ordens de grandeza com certeza faz. Esses garotos de Israel, quando terminam seu serviço no IDF certamente saem muito mais próximos a se tornarem adultos de verdade. Os garotos daqui, por sua vez, estão chegando aos 30 anos com mentalidade de adolescente mimado, acostumado a receber tudo de mão beijada. É lamentável.</p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/319/IMG_2348.jpg" alt="Estudantes"  loading="lazy" /></p>
<p>Some a isso alguns outros fatores que já mencionei durante o artigo: todos falam inglês fluentemente. No Brasil não dá pra dizer que alguém fala inglês decentemente. Além disso, ao contrário do Brasil que tem um enorme mercado consumidor interno, Israel só tem 8 milhões de pessoas, é muito pouco, ou seja, toda startup lá precisa pensar desde o dia 1 em ser uma aplicação web ou mobile já internacionalizada e focada no mercado exterior.</p>
<p>Finalmente, outro fato: empresas grandes como IBM, Motorola, Intel abrem escritórios em países como Índia ou Brasil para terceirização de mão de obra barata. Na cidade de Haifa, que mencionei antes, eles abriram centros de R&amp;D, Pesquisa e Desenvolvimento, coisa que não vemos no Brasil. São só alguns fatores. Determinantes? Não sei, mas são muitos fatores derivados da necessidade de sobrevivência num ambiente hostil. Isso sempre evolui uma população muito mais do que abundância de recursos e muita paz.</p>
<p>Lembram que o jovem Ben Lang me disse que decidiu entrar no IDF voluntariamente? (Como estrangeiro, ele não era obrigado.) Acho que ele também leu Startup Nation. Antes mesmo de entrar pro IDF ele já demonstrou ser mais adulto com 18 anos do que muitos de 25 ou mais que eu conheço. Fiquei bastante impressionado ao ouvir isso. E imaginar que todas as pessoas à minha volta, nas empresas que visitei, no encontro de Ruby, eram todos com formação militar de 3 anos, eu não conseguia me conter mas ficar empolgado com as possibilidades e potencial que eles tem comparado às comunidades que eu estou acostumado.</p>
<p>Esses são pessoas de ação e não de dramas. Enquanto os meninos estão fazendo birra, eles estão construindo a segunda maior economia de startups do mundo. Louvável.</p>
]]></content:encoded><category>viagens</category><category>startups</category></item><item><title>Viagem à Europa (Parte 2) - Berlim, Alemanha</title><link>https://akitaonrails.github.io/2012/11/20/viagem-a-europa-parte-2-berlim-alemanha/</link><guid isPermaLink="true">https://akitaonrails.github.io/2012/11/20/viagem-a-europa-parte-2-berlim-alemanha/</guid><pubDate>Tue, 20 Nov 2012 19:21:00 -0200</pubDate><description>&lt;p&gt;No Domingo, dia 14 de Outubro me despedi de &lt;a href="http://akitaonrails.com/2012/11/20/viagem-a-europa-parte-1-amsterda-holanda"target="_blank" rel="noopener"&gt;Amsterdã&lt;/a&gt; e fui para Berlim. Devo dizer que meu maior engano nesta parte da viagem foi que eu deveria ter saído de Amsterdã logo no Sábado de manhã, logo depois da BubbleConf, para ter mais tempo em Berlim. Eu aterrissei no Domingo a noite e já iria embora na Terça de manhã, tendo somente a Segunda-feira para fazer tudo. Foi de longe o dia mais denso de toda a viagem.&lt;/p&gt;</description><content:encoded><![CDATA[<p>No Domingo, dia 14 de Outubro me despedi de <a href="http://akitaonrails.com/2012/11/20/viagem-a-europa-parte-1-amsterda-holanda"target="_blank" rel="noopener">Amsterdã</a> e fui para Berlim. Devo dizer que meu maior engano nesta parte da viagem foi que eu deveria ter saído de Amsterdã logo no Sábado de manhã, logo depois da BubbleConf, para ter mais tempo em Berlim. Eu aterrissei no Domingo a noite e já iria embora na Terça de manhã, tendo somente a Segunda-feira para fazer tudo. Foi de longe o dia mais denso de toda a viagem.</p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/223/IMG_2289.jpg" alt="Centro comercial em Berlim"  loading="lazy" /></p>
<p>Aterrissei num dos maiores e mais importantes aeroportos da Europa, o Tegel. Ele tem um formato hexagonal curioso, estava cheio quando cheguei à noite. Diferente do Schiphol onde todos foram muito simpáticos e prestativos, devo dizer que fiquei extremamente decepcionado com a recepção na Alemanha. A primeira coisa que tentei fazer foi comprar um SIM Card para conseguir Internet via 4G ou 3G. Perguntando descobri que poderia comprar um numa casa de câmbio. O velhinho que me atendeu não falava quase nada de inglês ou não estava com vontade nenhuma de tentar. Aposto na segunda opção.</p>
<p>Ele me vendeu um SIM Card pré-pago da porcaria da Blauworld (nunca comprem Blauworld). O manual estava todo em alemão, perguntei o que eu tinha que fazer mas ele não estava nem um pouco com vontade de ajudar. Acabei comprando por uns €10. Como ele não queria me ajudar fui até o balcão de informações para pedir ajuda. A resposta da atendente? <em><strong>&ldquo;Por que eu tenho que ajudar você a ler?&rdquo;</strong></em> Com essa resposta desisti de tentar ajuda. Desisti de tentar ativar o SIM Card também pois ligando nos números da Blauworld a URA só falava em alemão.</p>
<p>Saí do aeroporto para descobrir como chegar ao hotel. O funcionário dos ônibus foi outro que não foi de muita ajuda. Ele me indicou o ônibus que passaria na região de Alt-Moabit, onde fica meu hotel. Perguntei quando deveria descer e a única coisa que ele disse foi: <strong>&ldquo;Pergunte ao motorista.&rdquo;</strong></p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/182/IMG_2221.jpg" alt="Canais"  loading="lazy" /></p>
<p>Fácil dizer, mas o ônibus estava lotado de gente com malas, estando no meio do ônibus não era exatamente simples chegar até o motorista. Depois de alguns pontos vi um passageiro com internet no smartphone e pedi ajuda pra ele me mostrar o Google Maps. Vi que estava mais ou menos próximo mas não sabia se o ônibus ia fazer a entrada pra onde eu precisava ir, resolvi pular do ônibus antes e terminar de táxi mesmo. Culpa minha por não falar alemão, claro, mas foi irritante.</p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/181/IMG_2220.jpg" alt="Mais canais"  loading="lazy" /></p>
<p>Fiquei hospedado no hotel <a href="http://www.goldentulip.com/EN/hotels/Germany/BERLIN/GT-park-consul-hotel-hotel-booking-room.aspx"target="_blank" rel="noopener">Golden Tulip Park Consul</a> um hotel bem pequeno, com uma recepção no primeiro andar onde você precisa subir de escadas com sua mala. Inconveniente. Pelo menos o quarto era razoável, com vista para o parque na frente. A internet no quarto obviamente não era grande coisa mas tentei o máximo que pude ativar meu SIM Card e carregá-lo. O site da Blauworld é super mal feito, muda de inglês pra alemão, as mensagens de erro não fazem sentido. Finalmente desisti, joguei o SIM Card fora e deixei pra me virar pela manhã.</p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/179/IMG_2214.jpg" alt="Hotel"  loading="lazy" /></p>
<p>Felizmente atravessando a praça na frente do hotel havia uma área comercial e encontrei uma loja da <a href="https://foursquare.com/v/4f06d503e4b0596c8cebe71a"target="_blank" rel="noopener">Vodafone</a>. Agora sim, de volta com acesso à Internet pude começar a me movimentar pela cidade. Eu estava em Alt-Moabit, uma região à oeste do centro da cidade, que seria mais pra direção de Mitte, na divisa do que era a antiga Berlim Ocidental e Oriental.</p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/180/IMG_2217.jpg" alt="Vodafone"  loading="lazy" /></p>
<p>Berlim é uma cidade mais no meu estilo: grande, com uma área de quase 900 km2 e mais de 3,5 milhões de pessoas. Definitivamente não é uma área que você pode cobrir a pé num único dia como nas outras viagens que fiz recentemente. Não me admira que a receptividade não seja grande coisa, é como provavelmente em qualquer grande cidade, incluindo a minha.</p>
<p>Alt-Moabit até Mitte não é longe, coisa de uns 2km se estiver com disposição para ir a pé. Mas eu não tinha tempo a perder, por isso foi bom saber que poderia contar com um dos melhores <a href="http://ocachambinaoeaqui.wordpress.com/2011/02/14/berlim-a-cidade-do-transporte-publico-eficiente/"target="_blank" rel="noopener">sistemas de transporte público</a> à minha disposição. E isso não é uma hipérbole, o sistema de metrô, trens, bondes é todo interconectado. De cara as palavras que você deve procurar são U-Bahn (o metrô subterrâneo) e o S-Bahn (os trems de superfície). Com essas duas redes você pode ir a qualquer lugar. Berlim é dividida em três zonas, chamadas de A, B e C, comprando um bilhete para o dia todo na zona AB era o que eu precisava.</p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/193/IMG_2253.jpg" alt="S-Bahn"  loading="lazy" /></p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/208/IMG_2308.jpg" alt="U-Bahn"  loading="lazy" /></p>
<p>Outra coisa impressionante: não há catracas nas estações, você compra o bilhete numa máquina automática, valida o ticket em outra máquina (prestem atenção, de primeira eu não percebi que elas estavam lá), entra no trem e vai para onde quiser. Somente em um país realmente civilizado isso é possível. Ninguém pensa em <strong>&ldquo;vou aproveitar para andar por aí de graça&rdquo;</strong>, mesmo porque parece que existem fiscais que podem parar você a qualquer momento, por isso seja civilizado, pra variar.</p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/194/IMG_2252.jpg" alt="Venda de Ticket e Validador de Ticket"  loading="lazy" /></p>
<p>Poderia passar vários artigos tecendo adjetivos para o sistema de transporte público europeu mas veja <a href="http://ocachambinaoeaqui.wordpress.com/2011/02/14/berlim-a-cidade-do-transporte-publico-eficiente/"target="_blank" rel="noopener">este outro artigo</a> que faz esse trabalho melhor do que eu. Na prática, confie nas rotas do Google Maps. De qualquer forma, só tome cuidado porque nas linhas da S-Bahn você precisa prestar atenção ao número dos trens na mesma linha, alguns tomam caminhos diferentes do que você quer. No Google Maps ele indica o número da linha que você precisa pegar. Minha primeira parada foi na estação <a href="https://foursquare.com/v/4af53e5df964a520a4f821e3"target="_blank" rel="noopener">Warschauer Straße</a>. A partir dali poderia caminhar alguns quarteirões para um dos trechos dos restos do famoso <a href="http://www.visitberlin.de/en/feature/wall-trail"target="_blank" rel="noopener">Muro de Berlim</a>. Imaginei que estando em Berlim, pelo menos esse ponto turístico eu deveria tentar visitar.</p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/183/IMG_2225.jpg" alt="Warschauer Straße"  loading="lazy" /></p>
<p>Não preciso descrever a importância histórica da Queda do Muro. Como primeiro checkpoint fiquei contente de ter conseguido chegar sem nenhum problema. Grande diferença andar por uma cidade desconhecida com a ajuda da Web. Disse e repito: a primeira coisa que você precisa fazer quando chegar numa nova cidade é arranjar um SIM Card com Internet, depois disso fica tudo trivial.</p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/184/IMG_2226.jpg" alt="Muro"  loading="lazy" /></p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/185/IMG_2229.jpg" alt="Muro"  loading="lazy" /></p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/187/IMG_2236.jpg" alt="Muro"  loading="lazy" /></p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/188/IMG_2237.jpg" alt="Muro"  loading="lazy" /></p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/190/IMG_2242.jpg" alt="Muro"  loading="lazy" /></p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/191/IMG_2247.JPG" alt="Muro"  loading="lazy" /></p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/192/IMG_2249.JPG" alt="Muro"  loading="lazy" /></p>
<p>Logo em seguida eu havia conseguido contato com um pessoal do Groupon. Não lembro exatamente qual caminho fiz, mas lembro de ter caminhado pelo <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Lustgarten"target="_blank" rel="noopener">Lustgarten</a>, outra excelente região para visitar com mais calma da próxima vez.</p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/195/IMG_2262.jpg" alt=""  loading="lazy" /></p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/196/IMG_2269.jpg" alt="Lustgarten"  loading="lazy" /></p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/197/IMG_2273.jpg" alt=""  loading="lazy" /></p>
<p>O <a href="https://foursquare.com/v/4ff1442cd86ceeedc56b6aa5"target="_blank" rel="noopener">Groupon</a> fica na Oberwallstraße 6 onde fui recebido por Jonas Fleer, Alexandre Campelo, Jens Günther, Tino Montalbano e Dietrich. Peguei eles no meio do almoço mas foram bastante simpáticos em me receber. O prédio que visitei é novo, mudaram para lá fazia poucos meses. O Groupon em Berlim é um enorme complexo que deve ter perto de 800 funcionários e mais de 100 desenvolvedores. Pelo que me explicaram o Groupon da Europa é a plataforma em Java que suporta a maior partes dos Groupons do mundo. O Groupon de Chicago é o único diferente, inclusive usando Ruby como plataforma em vez de Java.</p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/198/IMG_2274.jpg" alt="Groupon"  loading="lazy" /></p>
<p>Minha primeira conversa se não me engano foi com Tino e Dietrich. A conversa com eles foi interessante, o Tino é de RH e estava interessado em discutir comigo maneiras de mudar a imagem do Groupon. O que eu não sabia é que na Europa o Groupon não parece ser bem reconhecido entre desenvolvedores, sendo mais reconhecido como uma empresa de vendas - o que de fato ela é. Por isso eles tem tido dificuldades em encontrar e contratar bons programadores, mesmo na Alemanha. Eles querem mudar isso participando e organizando mais tech talks internos, eventos. Gastei bastante tempo com eles explicando as características dos diferentes tipos de eventos de tecnologias que existem, o que eu achava ser o melhor caminho e muito mais. Foi pelo menos uma hora de conversas para lher dar mais fundação nessa tarefa árdua de se integrar à comunidade de desenvolvimento.</p>
<p>O curioso é que eu lhes disse que ano passado eu havia já convidado o programador <a href="http://www.eventials.com/rubyconfbr/recorded/M2UzZTJkMzY2MzdiNTg2NTUxNWM1MzI3NWY1YjRhMzYjIzM5MQ_3D_3D"target="_blank" rel="noopener">Ivan Moscoso</a> do Groupon de Chicago para palestrar no Rubyconf Brasil 2011, ou seja, eles já tinham gente em casa com experiência em palestras que poderia servir de exemplo aos demais desenvolvedores. Mais coincidência ainda foi que depois da nossa conversa eles me levaram para um tour pelo prédio e num dos andares cruzamos com ninguém menos do que o próprio Ivan, que tinha acabado de chegar de Chicago. Foi engraçado eu apresentar um funcionário do Groupon para outro funcionário do Groupon, mas é assim que serendípede funciona.</p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/199/IMG_2279.JPG" alt="Groupon"  loading="lazy" /></p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/200/IMG_2280.jpg" alt="Groupon"  loading="lazy" /></p>
<p>Depois a visita continuou com o Jens Günther, se não me engano, que me mostrou mais das equipes de desenvolvimento. Em sua equipe trabalha também um brasileiro, o Alexandre Campelo, que se mudou do Groupon do Rio para Berlim recentemente.</p>
<p>Outro fato curioso foi que ele me contou como eles são divididos em equipes &ldquo;departamentais&rdquo; (equipes especialistas) e que a direção da empresa determinou que queriam mudar sua estrutura para &ldquo;feature teams&rdquo;, um tema que eu <a href="http://akitaonrails.com/2008/10/07/off-topic-o-manifesto-gil-ou-como-se-tornar-o-google#.UKvV9aX6Qco"target="_blank" rel="noopener">pesquiso e experimento faz anos</a>, inclusive tentei implementar na Locaweb entre 2008 e 2009, numa organização de tamanho semelhante em termos de desenvolvedores, e que implemento na minha empresa hoje. Contei a ele sobre os pontos positivos mas principalmente sobre os problemas que eu já sei que ele vai enfrentar. Espero ter ajudado. De qualquer forma, mais serendípede.</p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/201/IMG_2285.jpg" alt="Groupon"  loading="lazy" /></p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/202/IMG_2287.jpg" alt="Groupon"  loading="lazy" /></p>
<p>A visita pelo Groupon foi interessante, não é uma estrutura muito diferente do que estou acostumado em qualquer grande corporação. Não estou muito por dentro das últimas notícias, mas parece que o Groupon também <a href="http://techcrunch.com/2012/08/13/andrewmason-groupon-europe/"target="_blank" rel="noopener">não anda muito bem das pernas</a>, mas isso não é visível para quem está só olhando de passagem.</p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/203/IMG_2294.jpg" alt=""  loading="lazy" /></p>
<p>Além do Groupon eu já estava em contato com o camarada <a href="https://twitter.com/pellegrino"target="_blank" rel="noopener">Vitor Pellegrino</a> que trabalhou por algum tempo na <a href="http://www.codeminer42.com"target="_blank" rel="noopener">minha empresa</a> antes de se mudar para morar em Berlim. Ele me apresentou a outro brasileiro, o <a href="https://github.com/caiofilipini"target="_blank" rel="noopener">Caio Filipini</a>, que se mudou também não faz muito tempo. Ele trabalha na <a href="https://foursquare.com/v/4af808aff964a520c40a22e3"target="_blank" rel="noopener">SponsorPay</a> e me convidou para visitar seu escritório.</p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/205/IMG_2300.jpg" alt="Caio"  loading="lazy" /></p>
<p>O espaço onde eles trabalham parece um tipo de co-working, mas é num complexo de pequenos prédios bem peculiar, bem &ldquo;europeu&rdquo;, vamos dizer. Parece que ocupam a maior parte desse espaço e devem ter pouco mais de 100 funcionários nesse estágio, sendo uns 20 deles desenvolvedores. Não é uma equipe muito grande e isso é uma vantagem para eles continuarem a acelerar no seu produto. Eu particularmente nunca tinha ouvido falar neles, mas a <a href="http://www.sponsorpay.com"target="_blank" rel="noopener">SponsorPay</a> é uma grande plataforma de advertising e marketing direcionado através de moeda virtual em games sociais, redes sociais e mundos virtuais, MMOs. Pense que você, enquanto consumidor, pode ser &ldquo;pago&rdquo; em moeda virtual por consumir propaganda de alguma campanha para gastar depois num Farmville. Se entendi bem é algo assim.</p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/204/IMG_2296.jpg" alt="co-working"  loading="lazy" /></p>
<p>O Caio me apresentou ao seu chefe, <a href="https://github.com/juanjo"target="_blank" rel="noopener">Juan Vidal</a>, Diretor de Engenharia. Ele é um programador ativo também e dentre outras coisas criou o site <a href="http://hascore.com"target="_blank" rel="noopener">Hascore</a>, um site de empregos que dentre outras características é um dos diretórios mais completos de todas as startups ativas em Berlim (330 cadastradas atualmente). Ele me deu dezenas de insights sobre o mercado de startup, foi a primeira conversa onde pude sentir que aprendi alguma coisa mais realista sobre esse romantizado mundo de startups. Ele inspira muita confiança e experiência no que diz e faz, se tiver a oportunidade de conhecê-lo garanto que terá uma ótima conversa.</p>
<p>Confirmando algumas coisas que eu já imaginava, por mais que existam mais de 300 startups em Berlim, 90% deles não deve durar muito tempo. É a famosa curva de Paretto que eu tanto gosto de descrever. As maiores de Berlim são o Groupon, SoundCloud, SponsorPay e mais algumas poucas, o resto não tem tanto destaque. Outra coisa: as leis trabalhistas européias são realmente tão ruins quanto ou piores do que as brasileiras. Um exemplo: quanto mais tempo de casa você tem como funcionário, mais difícil é para ser demitir (o que obviamente leva à acomodação; proteção por tempo e não por mérito nunca funciona). Diferente dos Estados Unidos onde você pode demitir e no mesmo dia o funcionário já vai pra rua (como deve ser).</p>
<p>Outra coisa é dificuldade de encontrar bons profissionais em qualquer lugar. É um problema que existe no mundo todo como eu apresento há anos: não existe escassez de boas vagas para bons profissionais, o problema é que 90% do mercado é péssimo. O SponsorPay é um grande exemplo dessa dificuldade porque dentre seus cerca de 20 programadores, eles divididos em pelo menos uns 10 países. Eles buscam bons profissionais onde estiverem para se mudar para Berlim. É tão notório que cada programador tem uma bandeira do seu país de origem em sua mesa. A preferência parece ser que o desenvolvedor se mude para trabalhar junto com os outros no escritório, um sinal que deve ter a ver com a recomendação do Juan no livro <a href="http://www.amazon.com/Inmates-Are-Running-Asylum-Products/dp/0672326140"target="_blank" rel="noopener">The Inmates Are Running the Asylum</a>, oposto à romantizada e nem sempre tão prática conversa sobre trabalhar remoto de casa.</p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/206/IMG_2302.jpg" alt="Mesa do Caio"  loading="lazy" /></p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/207/IMG_2304.jpg" alt="Mais bandeiras"  loading="lazy" /></p>
<p>Já estava ficando tarde então infelizmente não pude conversar tanto quanto gostaria com todos eles. A partir dali eu peguei o U-Bahn até Moritzplatz em Kreuzberg, em direção a Prinzessinnenstrasse 21. Esse é o endereço de um co-working bem famoso na região, a <a href="https://foursquare.com/v/4fa117fbe4b0de2b9b894093"target="_blank" rel="noopener">Betahaus</a> onde fica a equipe do <a href="https://travis-ci.org"target="_blank" rel="noopener">Travis-CI</a>. Além da Betahaus, próximo dali existe o co-working <a href="co-up.de">Co-Up</a> onde fica o pessoal da <a href="http://www.couchbase.com/"target="_blank" rel="noopener">CouchBase</a>. O <a href="http://jan.prima.de/"target="_blank" rel="noopener">Jan Lehnardt</a> me mandou tweet sobre o local mas infelizmente ele não estava lá nesse dia. A Betahaus e a Co-Up parece que são conhecidas por concentrarem muitas startups que usam Ruby, então são bons locais para visitar quando estiver em Berlim.</p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/209/IMG_2309.jpg" alt="Betahaus"  loading="lazy" /></p>
<p>Quando estava saindo de Amsterdam o <a href="http://www.eventials.com/rubyconfbr2012/recorded/M2UzZTJkMzY2MzdiNTg2NTUxNWM1MzI3NWY1YjRhMzYjIzEyOTc_3D"target="_blank" rel="noopener">Josh Kalderimis</a> estava chegando lá, então nos desencontramos, mas ele sugeriu que eu visitasse o resto da equipe em Berlim e lá fui.</p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/210/IMG_2311.jpg" alt="Porta do Elevador"  loading="lazy" /></p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/212/IMG_2313.jpg" alt="Porta do Elevador"  loading="lazy" /></p>
<p>Quem participou da Rubyconf Brasil 2011 também conheceu outro integrante dessa equipe, o <a href="http://www.eventials.com/rubyconfbr/recorded/M2UzZTJkMzY2MzdiNTg2NTUxNWM1MzI3NWY1YjRhMzYjIzQwNA_3D_3D"target="_blank" rel="noopener">Konstantin Haase</a>, committer do Rack e do Sinatra. E se você já usou o suporte à internacionalização do Rails também deve conhecer <a href="http://svenfuchs.com"target="_blank" rel="noopener">Sven Fuchs</a> que conheci quando contribuí para as traduções em português na época. Os três formam a equipe por trás do software as a service e do projeto open source conhecido como Travis, um sistema de integração contínua que vem crescendo rápido, principalmente pela rápida adoção da comunidade Ruby.</p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/211/IMG_2312.jpg" alt="Sven e Konstantin"  loading="lazy" /></p>
<p>É sempre bom rever bons amigos, especialmente os que conhecíamos apenas pela Internet e finalmente tive a oportunidade de conhecer pessoalmente. Eles tem um pequeno escritório na Betahaus e operam da forma mais enxuta possível, cada um faz um pouco de tudo, do técnico ao administrativo.</p>
<p>Aproveitei para aprender um pouco mais de história e confirmar outro fato que outros já haviam me explicado. Uma das razões para Berlim ter se tornado um dos pólos de startups da Europa é o preço mais acessível dos imóveis, especialmente na área Oriental, como lá em Kreuzberg. Nos anos 90, quando o muro caiu, a população da região ex-socialista do Oriente migrou para o lado Ocidental. O governo criou diversos incentivos para repopular e reconstruir o lado Oriental. Outro detalhe das leis trabalhistas é que quem paga o salário dos sindicalizados são os sindicatos, e do lado Oriental eles recebem cerca de 75% do que se recebe do lado Ocidental, para atrair indústrias para o lado Oriental, dentre outros incentivos. O baixo preço dos imóveis também atraiu uma nova classe de jovens artistas e empreendedores, especialmente para regiões como Mitte, o que tornou essa região mais &ldquo;hipster&rdquo; e, claro, mais atraente para as novas startups.</p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/189/IMG_2239.jpg" alt="Mapa do Muro"  loading="lazy" /></p>
<p>Em Berlim você recebe razoavelmente bem comparado ao resto da Europa - talvez não tanto comparado à Inglaterra -, mas por outro lado o custo de vida e conforto é muito melhor que em Londres. Portanto as startups ou estão concentradas em Berlim por essas razões de custo-benefício, ou vão para Londres porque, bem, porque Londres é Londres.</p>
<p>Outro fato interessante foi saber que semanalmente o pessoal do Travis-CI empresta o espaço do seu escritório para um grupo de estudos do <a href="http://railsgirlsberlin.de"target="_blank" rel="noopener">RailsGirls de Berlim</a>. Foi um fato interessante porque eu acho que é assim que os RailsGirls deveriam evoluir. Um evento de 2 dias é muito bom para as garotas se conhecerem, conhecer o ecossistema, mas a partir daí elas poderiam se reunir para continuar os estudos e continuar aprendendo cada vez mais. Espero que esse grupo sirva de exemplo a outras RailsGirls pelo mundo. Uma dica que elas deram para outras garotas: levem comida nos encontros semanais!</p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/213/IMG_2315.jpg" alt="RailsGirls"  loading="lazy" /></p>
<p>Finalmente, já estava de noite quando me dirigi para a <a href="https://foursquare.com/v/502cf5d7e4b0eed9c25f8f51"target="_blank" rel="noopener">SoundCloud</a> me encontrar com o Vitor Pellegrino e seu chefe, o também brasileiro e ex-Thoughtworks Austrália, <a href="http://soundcloud.com/pcalcado"target="_blank" rel="noopener">Philip Calçado</a>. Foi só pegar o U-Bahn de novo no sentido oposto e descer na Bernauer Straße, agora em Mitte. A SoundCloud fica na Brunnenstraße 141A, um prédio para onde eles mudaram recentemente. Na verdade eles tem outros prédios mas este (o Moonbase) é onde fica o pessoal de desenvolvimento. Pelo que me contaram estão construindo um novo logo atrás para onde vão se mudar em breve.</p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/214/IMG_2319.jpg" alt="Novo prédio da SoundCloud"  loading="lazy" /></p>
<p>Cheguei a noite porque estava tendo algum tipo de evento e eu ia pegar carona no happy hour deles. O prédio em si na verdade era um prédio residencial convertido em escritórios, então é como estar andando dentro de apartamentos e encontrar uma mesa grande com computadores no meio da sala. Na cobertura eles tem uma área aberta onde estavam os comes e bebes. A empresa está com mais de 150 funcionários se entendi bem, e eles também tem uma equipe bem diversificada com pessoas da Espanha, Itália, Israel, Brasil e muitos outros lugares.</p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/215/IMG_2321.jpg" alt="Prédio Moonbase"  loading="lazy" /></p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/216/IMG_2323.jpg" alt="Pessoal da SoundCloud"  loading="lazy" /></p>
<p>O Philip agora é o &ldquo;the Boss&rdquo; de engenharia e comanda o desenvolvimento dessa rede social de música. Os planos parecem ser de torná-la algo como um iTunes. O Vitor se mudou bem recentemente, questão de poucas semanas e com a mudança para esse novo prédio ele agora mora a poucas quadras a pé do trabalho. Como disse antes, a comodidade de ter prédios comerciais acessíveis perto de casa ou perto de trem e metrô é definitivamente o melhor atrativo dessa cidade para empresas em geral.</p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/217/IMG_2329.jpg" alt="Vitor e Philip"  loading="lazy" /></p>
<p>Sendo meu último compromisso do dia, já que havia anoitecido, pude relaxar um pouco mais e conversar com o pessoal. Em particular gostei muito de trocar idéias pela primeira vez com o Philip. Sua reputação o precede, seu nome não é desconhecido no mundo Java do Brasil, especialmente para quem participa do Guj da Caelum (aliás, o Caio Filipini é um ex-Caelum, outra excelente referência). Nós só nos encontramos pessoalmente uma única vez quando eu organizei a Rails Summit, não lembro se foi na edição de 2008 ou 2009, mas foi muito rapidamente. E só agora, 4 anos depois, tive a oportunidade de conversar com ele. Foi interessante ouvir suas opiniões como ex-insider da Thoughtworks, acho que aprendi algumas lições com ele.</p>
<p>No final eles me levaram a uma barzinho chamado <a href="https://foursquare.com/v/4b2b4426f964a52077b524e3"target="_blank" rel="noopener">Mein Haus</a> onde pudemos relaxar e conversar mais um pouco.</p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/218/IMG_2332.jpg" alt="Mein Haus"  loading="lazy" /></p>
<p>Como disse no início, este foi um dia bem corrido. Mesmo pulando o tempo de almoço, não deu para fazer muito mais do que isso num único dia, mas pelo que consegui, pelas pessoas que conheci, pelas conversas que tive e o que pude absorver, acho que foi mais proveitoso do que estava esperando.</p>
<p>No dia seguinte, saindo do hotel peguei o U-Bahn a um quarteirão do hotel e depois conectei com a S-Bahn até a estação de <a href="https://foursquare.com/v/4af212c8f964a520b3e521e3"target="_blank" rel="noopener">Ostkreuz</a> onde eu pegaria o trem para o aeroporto, desta vez em <a href="https://foursquare.com/v/4e37dcb518a8470916ce917f"target="_blank" rel="noopener">Schönefeld</a>. Eu saí com mais de 3 horas de antecedência do hotel, sabia que levaria pelo menos 1 hora e meia para chegar até o aeroporto, imaginei que teria tempo de sobra.</p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/219/IMG_2335.jpg" alt="S-Bahn"  loading="lazy" /></p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/220/IMG_2336.jpg" alt="Schönefeld"  loading="lazy" /></p>
<p>Porém o último capítulo desta história, em Israel, começa antes mesmo de eu conseguir fazer o check-in na El Al Israel Airlines, e isso fica para o último capítulo dessa série.</p>
<p><img src="http://s3.amazonaws.com/akitaonrails/assets/image_asset/image/222/IMG_2338.JPG" alt="Vistoria de Israel"  loading="lazy" /></p>
]]></content:encoded><category>viagens</category><category>startups</category><category>carreira</category></item></channel></rss>