<rss version="2.0" xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"><channel><title>Teclados | AkitaOnRails.com</title><link>https://akitaonrails.github.io/tags/teclados/</link><description>Blog do Fabio Akita do Canal do YouTube 'Akitando' falando sobre tecnologia, carreira e coisas geek.</description><generator>Hugo -- gohugo.io</generator><language>pt-BR</language><lastBuildDate>Mon, 19 Oct 2026 23:20:49 +0000</lastBuildDate><atom:link href="https://akitaonrails.github.io/tags/teclados/index.xml" rel="self" type="application/rss+xml"/><item><title>Meus Teclados Modernos Favoritos</title><link>https://akitaonrails.github.io/2024/10/24/meus-teclados-modernos-favoritos/</link><guid isPermaLink="true">https://akitaonrails.github.io/2024/10/24/meus-teclados-modernos-favoritos/</guid><pubDate>Thu, 24 Oct 2024 11:05:00 -0300</pubDate><description>&lt;p&gt;Pra quem acompanhou meu canal no YouTube, deve ter visto a trilogia de videos onde contei a história por trás de teclados, desmistifiquei os teclados mecânicos, os diversos componentes, modelos mais populares da época. E hoje estou de volta pra terminar falando dos meus teclados modernos mais interessantes e qual eu realmente uso todo dia.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Se não assistiu, recomendo que assista a trilogia de videos depois:&lt;/p&gt;
&lt;ul&gt;
&lt;li&gt;&lt;a href="https://www.youtube.com/watch?v=tEXX1jdpZN8"target="_blank" rel="noopener"&gt;Entendendo Teclados Mecânicos | Minha coleção - Parte 1&lt;/a&gt;&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;&lt;a href="https://www.youtube.com/watch?v=57axLgXkS_M"target="_blank" rel="noopener"&gt;Teclados Mecânicos Exóticos | Minha coleção - Parte 2&lt;/a&gt;&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;&lt;a href="https://www.youtube.com/watch?v=78aw1muYWQM"target="_blank" rel="noopener"&gt;Caminho pro Melhor Teclado do Mundo!&lt;/a&gt;&lt;/li&gt;
&lt;/ul&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Primeiro Aviso:&lt;/strong&gt; antes que os chatos comentem. Sim, teclados mecânicos são caros. MUITO CAROS. Sim, dá pra escrever livros inteiros num teclado de 50 reais da Multilaser comprado na Kalunga. Não precisa ter switches mecânicos, não precisa de tecla PBT double-shot. Não precisa mudar de layout, qwerty staggered tradicional funciona muito bem. Não precisa de unibody de alumínio. Não precisa de RGB. Não precisa gastar R$ 2.500 num modelo topo de linha. Definitivamente não precisa. Quem faz a obra-prima é o autor e não o teclado.&lt;/p&gt;</description><content:encoded><![CDATA[<p>Pra quem acompanhou meu canal no YouTube, deve ter visto a trilogia de videos onde contei a história por trás de teclados, desmistifiquei os teclados mecânicos, os diversos componentes, modelos mais populares da época. E hoje estou de volta pra terminar falando dos meus teclados modernos mais interessantes e qual eu realmente uso todo dia.</p>
<p>Se não assistiu, recomendo que assista a trilogia de videos depois:</p>
<ul>
<li><a href="https://www.youtube.com/watch?v=tEXX1jdpZN8"target="_blank" rel="noopener">Entendendo Teclados Mecânicos | Minha coleção - Parte 1</a></li>
<li><a href="https://www.youtube.com/watch?v=57axLgXkS_M"target="_blank" rel="noopener">Teclados Mecânicos Exóticos | Minha coleção - Parte 2</a></li>
<li><a href="https://www.youtube.com/watch?v=78aw1muYWQM"target="_blank" rel="noopener">Caminho pro Melhor Teclado do Mundo!</a></li>
</ul>
<p><strong>Primeiro Aviso:</strong> antes que os chatos comentem. Sim, teclados mecânicos são caros. MUITO CAROS. Sim, dá pra escrever livros inteiros num teclado de 50 reais da Multilaser comprado na Kalunga. Não precisa ter switches mecânicos, não precisa de tecla PBT double-shot. Não precisa mudar de layout, qwerty staggered tradicional funciona muito bem. Não precisa de unibody de alumínio. Não precisa de RGB. Não precisa gastar R$ 2.500 num modelo topo de linha. Definitivamente não precisa. Quem faz a obra-prima é o autor e não o teclado.</p>
<p>Isso dito, sim, dá pra ir de São Paulo pra Bahia num Fusca. Ele vai servir sua função de levar do ponto A ao ponto B, como meu pai faria quando era jovem, como meu avô faria na época dele. Funciona perfeitamente bem. Mas, alguns de nós preferem fazer o mesmo trajeto com ar-condicionado, poltronas ergonômicas, som de qualidade, mais velocidade e mais segurança. Nada disso é obrigatório. Ir do ponto A ao ponto B pode ser feito de várias formas diferentes. Se pra você isso não inclui investir em carros caros, não precisa. Use seu Fusca e seja feliz. Este artigo é somente pra quem gosta de Porsche e vê valor nisso.</p>
<p><strong>Segundo Aviso:</strong> a maioria das fotos que mostro no artigo estão em alta resolução original. Pra ver mais detalhes, botão direito e &ldquo;abrir imagem e nova aba&rdquo;. Faz bastante diferença.</p>
<p><strong>Terceiro Aviso:</strong> sim, o artigo é SUPER longo, por isso dá pra navegar pras seções principais usando os links abaixo:</p>
<ul>
<li><a href="#layouts-qmk">Layouts e QMK</a></li>
<li><a href="#treinamento">Treinamento</a></li>
<li><a href="#solucoes-diy">Soluções DIY</a></li>
<li><a href="#ortolineares-gk6">Ortolineares - GK6</a></li>
<li><a href="#ortolineares-q15">Ortolineares - Q15</a></li>
<li><a href="#voyager">Meu Teclado Favorito - Voyager</a></li>
<li><a href="#pulso">Ortolinear vs Colunar</a></li>
<li><a href="#framework">O Futuro - Framework</a></li>
</ul>
<p>Fim dos avisos. No terceiro video eu começo a explicar a diferença pro melhor tipo de teclado do mundo: os ortolineares ou colunares. Não vou explicar tudo de novo, mas em resumo, eles se livram do legado histórico do layout limitado pelas máquinas de escrever mecânicas e repensam o que seria o melhor layout pensando na posição de verdade dos seus dedos, inclusive levando em conta que você tem dedos mais longos e dedos mais curtos (os colunares pensam nisso, os ortolineares não).</p>
<p>Naquele video eu tinha acabado de migrar pra um <a href="https://www.zsa.io/moonlander"target="_blank" rel="noopener">ZSA Moonlander</a>. Até hoje ainda é um dos melhores teclados que eu já experimentei. Mas tem dois problemas fundamentais: primeiro que é extremamente caro, faixa de USD 400. Pra nós, brasileiros, é pior ainda porque vai incidir quase 100% de impostos mais transporte, então estamos falando de um teclado de pelo menos USD 800, mais caro que um PS5, quase o preço de um iPhone 16 Pro comprado nos EUA, faixa de preço de um notebook completo.</p>
<p>Mesmo se dinheiro não for um empecilho pra você, o segundo problema, é que ele é fisicamente gigantesco. Ocupa um espaço absurdo na mesa. Mesmo que tenha uma mesa espaçosa, ele vai ser um &ldquo;trambolhão&rdquo;, olha só como é:</p>
<p><img src="https://new-uploads-akitaonrails.s3.us-east-2.amazonaws.com/jn6bce1tishe4tgocps39gtvlvlq" alt="Moonlander"  loading="lazy" /></p>
<p>Mas como disse, a construção da ZSA é de extrema qualidade, os materiais usados incluem metais como alumínio, portanto é tudo muito firme. Os plásticos também são de ótima qualidade. Os switches são removíveis então você pode experimentar um conjunto silencioso como Reds lineares ou barulhentos como Brown ou Blue.</p>
<p>Note também como ele tem inclinação (<a href="https://www.youtube.com/watch?v=oGQhiURh6Tw"target="_blank" rel="noopener">tenting</a>), que faz o meio ser mais alto, pra evitar pronação dos seus pulsos (um dos maiores ofensores em LER ou tendinite), e por isso também tem apoio pros punhos embaixo. É de longe o mais ergonômico. Além disso tem buraco pra parafuso padrão igual de câmera fotográfica, o que permite encaixar em tripés, caso queira experimentar estilos mais exóticos de postura.</p>
<p><img src="https://new-uploads-akitaonrails.s3.us-east-2.amazonaws.com/1l8uo8a8opjlj7ova41ld96idhca" alt="Moonlander perfil"  loading="lazy" /></p>
<p>O canal do <a href="https://www.youtube.com/@BenVallack"target="_blank" rel="noopener">Ben Vallack</a> explica melhor isso. Lembrando que o canal dele é extremo, não é pra todo mundo, precisa de muita dedicação pra conseguir se acostumar ao estilo dele, mas é legal ter com referência o que é possível fazer pra casos especiais.</p>


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</div>

<p>Portanto sim, se pra você o tamanho e o preço não importam, este é de longe o teclado mais customizável, ergonômico e de melhor qualidade possível. Muitos vem me perguntar de modelos como o Kinesis - que também é gigante - mas eu prefiro o Moonlander, nessa categoria. Se formato do Kinesis, em particular, for importante, no final vou falar dele rapidinho.</p>
<p><a name="layouts-qmk"></a></p>
<h2>Layouts e QMK<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="layouts-e-qmk"></span>
    <a href="#layouts-e-qmk" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Mas o Moonlander tem um problema praqueles que querem mesmo cruzar a linha da ergonomia extrema: digitar sem tirar os dedos da &ldquo;home row&rdquo; a linha do meio, onde ficam as teclas &ldquo;F&rdquo; e &ldquo;J&rdquo;. O ideal é ter apenas 3 linhas, uma linha pra cima e outra pra baixo da &ldquo;home row&rdquo;, mas o Moonlander tem 2 linhas acima e 2 linhas abaixo, além de dois thumb-clusters enormes de 4 teclas cada, o que garante que, se tentar usar todas as teclas, vai acabar movendo a mão pra cima e pra baixo mais do que deveria, perdendo o ritmo e velocidade e, principalmente, a ergonomia.</p>
<p>Este passo não é pra todo mundo, mas depois de muito treinar e experimentar, acabei concordando que o formato mais &ldquo;balanceado&rdquo; pra maioria das pessoas que tem intenção de otimizar pra melhor, é o <strong>Corne colunar staggered 40%</strong>.</p>
<p>Se trata de um teclado colunar, ou seja, as teclas estão alinhadas verticalmente, em vez de zig-zaguear entre as linhas, como num convencional. Também são staggered, mas na vertical, ou seja, segue mais ou menos a proporção vertical de comprimento dos dedos. A coluna do meio vai mais pro alto porque o dedo médio é mais longo. Ortolineares são colunares que não são staggered. Já falo mais deles na próxima seção.</p>
<p>Um Corne 40% tem 40% das teclas que um teclado grande convencional - que costuma ter por volta de 103 teclas. Portanto umas 42 teclas. Como são split, divididas no meio, 21 teclas pra cada lado. Alguns preferem remover as duas últimas colunas de teclas nos dois lados mais extremos do teclado, onde ficam &ldquo;tab&rdquo; ou &ldquo;ctrl&rdquo;, reduzindo o total pra 18 teclas de cada lado, ou 36 teclas. E tem alguns como o Ben Vallack que conseguem ir ainda abaixo disso, mas já acho extremo demais e pouco prático pra maioria das pessoas.</p>
<p>Mas como usa um teclado com tão poucas teclas? Como faz pra caber tudo? E esse é o ponto: não faz. Em vez de tentar ter todas as teclas, divide-se em camadas virtuais, com uma tecla modificadora que muda a função de cada tecla. Por exemplo, a maioria dos firmwares de teclados bons hoje são baseados em padrões como QMK ou ZMK. Não quero entrar em detalhes, veja o repositório no GitHub do <a href="https://github.com/qmk/qmk_firmware"target="_blank" rel="noopener">QMK Firmware</a>, mas podemos usar sites como o <a href="https://config.qmk.fm/"target="_blank" rel="noopener">QMK Configurator</a> pra editar o arquivo JSON de layout, visualmente. Por exemplo:</p>
<p><img src="https://new-uploads-akitaonrails.s3.us-east-2.amazonaws.com/08zvubti1x2noddivb97pu7678j2" alt="corne layer 1"  loading="lazy" /></p>
<p>Este é o layer 0, sem fazer nada, se só sair digitando no meu teclado, são essas as teclas configuradas por padrão. Aqui nada de novidade, mas note embaixo, no &ldquo;thumb cluster&rdquo;, onde fica o dedão, tem uma tecla dizendo &ldquo;MO(1)&rdquo; que significa <em>&ldquo;Momentarily Turn Layer On&rdquo;</em>, ou seja, se deixar essa tecla apertada, enquanto estiver apertada, ele vai mudar pro layout na camada 1, que está configurada assim:</p>
<p><img src="https://new-uploads-akitaonrails.s3.us-east-2.amazonaws.com/6wwjkn4ei6qltt4mbk8g1d1xo50o" alt="corne layer 1"  loading="lazy" /></p>
<p>Tá vendo? É assim que, no meu caso, eu tenho acesso a teclas como &ldquo;page up&rdquo; ou &ldquo;page down&rdquo; ou setas de direção. Quem é de NeoVIM deve ter notado que é a configuração de setas de VIM. Se eu tirar o dedão daquela tecla &ldquo;MO(1)&rdquo;, volta pra camada 0 anterior, e lá, tem outra tecla modificadora, a &ldquo;MO(2)&rdquo; que muda pro seguinte layout:</p>
<p><img src="https://new-uploads-akitaonrails.s3.us-east-2.amazonaws.com/0igkt6wac5u5tfdsg2ws3glkbwul" alt="corne camada 2"  loading="lazy" /></p>
<p>É nesta camada que tenho acesso a caracteres especiais como &ldquo;@&rdquo; ou &ldquo;&amp;&rdquo;, sem precisar esticar meu mindinho até o shift no canto, como se faz num teclado convencional. Uso meu dedão. E com o dedão também tenho acesso a acentos e pontuações. Isso é muito subjetivo e cada um pode configurar como quiser, mas preferi fazer meu dedão trabalhar mais. Num teclado convencional, o dedão esquerdo serve pra dar espaço, mas o dedão direito não serve pra nada. E eles são os dedos mais fortes da sua mão. Por outro lado os dois mindinhos ficam encarregados por shift, acentos, pontuação e, em português, é ainda pior que em inglês, porque temos muito mais acentos.</p>
<p>Digitar em português é, na média, mais lento do que em inglês por conta de acentos e palavras mais longas. Mas no meu caso, dividi melhor e dei mais trabalho pro dedão. Veja meu thumb cluster, na camada 0:</p>
<p><img src="https://new-uploads-akitaonrails.s3.us-east-2.amazonaws.com/hfnc3l660frcoayvq8oiz110h1kd" alt="camada 0 thumb cluster"  loading="lazy" /></p>
<p>Além de barra de espaço, que coloquei na direita, os dedões ainda tem a função das teclas modificadoras &ldquo;MO(1)&rdquo; e &ldquo;MO(2)&rdquo; além de delete, backspace e enter. Isso tira muito trabalho dos mindinhos, e me parece uma divisão de trabalho mais justa, que leva em conta a força dos dedos. Essa é a principal vantagem de usar um teclado customizável com firmwares como QMK.</p>
<p>Existem dezenas de sugestões de outros layouts, mas leve em consideração que português, por ter acentos, não pode ser igual aos recomendados por norte-americanos. Onde você vai configurar acentos, vai mudar a velocidade e quantidade erros de sua digitação.</p>
<p>O problema é que precisa ter a mente aberta. Aceite que sua memória de teclados convencionais vai ser inutilizada e vai precisar treinar do zero. Então, em vez de tentar colocar teclas onde já está acostumado, pense em mudar pra onde faz mais sentido pro seu workflow. Por exemplo, alguém de data science ou contabilidade, pode querer colocar as teclas numéricas no formato de calculadora, como num teclado convencional grande, e isso pode ser feito numa das camadas extras. Eu tinha uma camada virtual somente com combinações de teclas pra Da Vinci Resolve, pra acelerar meu workflow de editar videos. O mesmo pode ser feito pra programar específicos como Photoshop ou Premiere.</p>
<p><a name="treinamento"></a></p>
<h2>Treinamento<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="treinamento"></span>
    <a href="#treinamento" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Pra aprender, não tem outro jeito, precisa treinar, horas e horas, dias e dias. Ajustar as teclas em cada camada não é uma coisa que se faz uma só vez. É um processo. Você muda, começa a treinar e vê se realmente está numa posição adequada. Se não estiver, muda, regrava o firmware, e treina mais algumas horas. Até ficar bom pras suas mãos. Esse processo leva dias. Não tente só copiar layouts de outras pessoas. Use de inspiração, mas pense no seu uso particular.</p>
<p>E treinar não é usar 1 hora e acabou. Migrar de teclado staggered convencional, pra colunar, e com layout diferente, vai levar <strong>no mínimo</strong> 40 horas de treino. Se você vai dividir 8 horas de treino por 5 dias ou 20 horas de treino em 2 dias, não importa, mas ninguém consegue ficar bom em menos de 40 horas. Pra maioria das pessoas, pense mais em torno de 50 a <strong>100 horas</strong>.</p>
<p>Eu digo isso porque muitos usam só alguns minutos e já falam <em>&ldquo;ah, isso não é pra mim, nunca vou conseguir&rdquo;.</em> Lógico, alguns minutos não é suficiente. Só depois de umas 10 horas você começa a sentir se quer ou não continuar, antes disso é pura frescura e preguiça.</p>
<p>No começo, logo que migrei, não conseguia digitar mais que 20 palavras por minuto. Treinando mais de 20 horas em 2 dias, num fim de semana, consegui subir pra 70 palavras por minuto e ao final da primeira semana, consegui voltar à minha média antiga de 90 a 100 palavras por minuto (wpm).</p>
<p>E eu tenho mais de 40 anos. Não tem nada a ver com idade. Tem a ver com dedicação em treinar. Isso dito, como treinar? Recomendo os mesmos sites que todo mundo, começando pelo bom e velho <a href="https://monkeytype.com/"target="_blank" rel="noopener">Monkey Type</a>.</p>


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</div>

<p>Esse site é excepcional, dá pra treinar em quase todas as línguas do mundo. Em inglês dá pra treinar com vocabulário simples e evoluir pra dicionários de palavras bem mais avançadas, dá pra mudar o layout de teclado, cores, temas, tudo. Vale fuçar bastante as opções dele.</p>
<p>Outro site bem conhecido é o <a href="https://www.keybr.com/"target="_blank" rel="noopener">KeyBr</a> que é parecido com o MonkeyType mas não sei porque, parece que sempre vou mais lento aqui. Também tem bastante customização e vale fuçar. É bom quando estiver cansado de olhar pra cara do MonkeyType e quiser novos ares pra variar.</p>
<p><img src="https://new-uploads-akitaonrails.s3.us-east-2.amazonaws.com/5owpsnfs2vq75a3nm9k6651xifql" alt="keybr"  loading="lazy" /></p>
<p>E quando estiver se sentindo confortável (especialmente quando conseguir achar posições rápidas pra teclas de acento), experimente competir com outros usuários no bom e velho <a href="https://play.typeracer.com/"target="_blank" rel="noopener">Type Racer</a>:</p>
<p><img src="https://new-uploads-akitaonrails.s3.us-east-2.amazonaws.com/mu5h5g2lez67fj6zzw1c1sb4qumv" alt="Type Racer"  loading="lazy" /></p>
<p>Diferente do MonkeyType e KeyBr, que não se preocupam tanto com textos que façam sentido e nem pontuação, aqui eles usam trechos de livros e artigos online. Então são trechos de textos de verdade. Também dá pra escolher diversas línguas diferentes. Inicia uma corrida, espera outros usuários aparecerem, e depois de uns 10 segundos já começa a competir.</p>
<p><img src="https://new-uploads-akitaonrails.s3.us-east-2.amazonaws.com/mlmhl8g24q3wr0wqdxgfh7d84gbl" alt="Type Racer Resultado"  loading="lazy" /></p>
<p>Em inglês normalmente se fala em WPM ou &ldquo;palavras por minuto&rdquo;, que é uma métrica que eu não gosto muito, porque palavras em inglês são muito mais curtos que em português, então 100 wpm em português é muito mais rápido do que 100 wpm em inglês. Já o TypeRacer usa &ldquo;CPM&rdquo; que é &ldquo;caracteres por minuto&rdquo;, que eu já acho mais justo.</p>
<p>E mesmo assim, em português, parte dos caracteres requerem duas teclas, uma pro acento e outro pra sílaba. Uma palavra como &ldquo;coração&rdquo; tem 7 caracteres, mas precisou de 9 toques no teclado pra escrever. Lembrem-se disso se forem treinar mais em português.</p>
<p>Finalmente, existem vários jogos gratuitos pra navegador, em javascript, pra treinar digitação e na Steam tem dois jogos pagos que recomendo pra brincar:</p>
<p><a href="https://store.steampowered.com/curator/24395108-Typing-Games/?appid=393330"target="_blank" rel="noopener"><img src="https://new-uploads-akitaonrails.s3.us-east-2.amazonaws.com/n3wytx0g7tfs93kcpdm2vh952qu7" alt="Jogos Steam"  loading="lazy" /></a></p>
<p><strong>Epistory</strong> é bem bonitinho, uma aventura pra relaxar, dá pra crianças jogarem de boa e vai servir pra incentivar a aprender a digitar direito. Já o <strong>The Typing of the Dead Overkill</strong> é um clássico que tinha nos arcades japoneses (e tinha teclado no arcade!!) e teve versão pra Dreamcast, com um teclado pro console, feito pela Sega e agora dá pra jogar no seu PC. É levinho e divertido e tem muito gore, então não é pra todo mundo. Ambos são baratinhos, por isso recomendo.</p>
<p><a name="solucoes-diy"></a></p>
<h2>Soluções DIY<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="soluções-diy"></span>
    <a href="#solu%c3%a7%c3%b5es-diy" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Infelizmente, teclados ortolineares, colunares, mecânicos no geral, são muito caros. Por isso já explico: não, usar um teclado desses não vai fazer ninguém digitar 10 vezes mais rápido, nem nada disso. É uma opção de conforto, você tem que se importar com isso pra investir. Se pra você um tecladinho genérico da Multilaser já atende, e não sente vontade de mudar, tá ótimo. Continue lendo só pra saber que existem opções, mas não se sinta mal por não estar mudando hoje. Quem sabe mais pra frente.</p>
<p>Pra quem realmente quer mudar mas quer gastar o mínimo possível de dinheiro, precisa gastar mais tempo pesquisando. Lógico, tudo que custa mais caro está embutido o preço da conveniência, já vem tudo montado, bonitinho, é só ligar e usar. Mas quem quer gastar pouco, tem que aprender a opção &ldquo;DIY&rdquo; (<em>Do It Yourself</em>) e montar o seu.</p>
<p>Faz algum tempo que eu recomendo as redes sociais do <strong>Felipe/Tupinikeebs</strong>, tanto no <a href="https://x.com/neversaytop"target="_blank" rel="noopener">X</a> quanto no <a href="https://www.instagram.com/tupinikeebs/"target="_blank" rel="noopener">Instagram</a>. Ele manja tudo sobre montagem de teclados, sabe como e onde pedir todas as peças e, se pagar um extra, faz o serviço todo de encomendar, montar e te mandar já montado. Nas redes sociais dele dá pra achar tudo que é tipo de modelo diferente e exótico.</p>
<p><a href="https://www.instagram.com/tupinikeebs/"target="_blank" rel="noopener"><img src="https://new-uploads-akitaonrails.s3.us-east-2.amazonaws.com/lnwgh8q6ywg4w5maxmenpps4chkd" alt="Tupinikeebs"  loading="lazy" /></a>
Segue ele, dá uma pesquisada no que já postou, e se quiser encomendar, manda DM. O cara é gente boa. Não incomoda com bobagem, por favor, ele tem mais o que fazer.</p>
<p><img src="https://new-uploads-akitaonrails.s3.us-east-2.amazonaws.com/71dok29u4vw25bxyuazu7sfy1pce" alt="corne, hillside"  loading="lazy" /></p>
<p>Na foto anterior temos 3 modelos similares. Dois <strong>Cornes</strong> e um <strong>Hillside</strong> (que é tipo um Corne com espaço pra um Rotary, que é aquele cilindro que dá pra girar, como pra volume).</p>
<p>Os dois primeiros usam teclas de impressora 3D, acho que de resina na verdade, uma com perfil mais de Cherry, mais alto e gordo. O segundo mais low profile e fino. O terceiro são teclas Choc low profile comerciais mesmo. Apesar de todos serem bons, eu realmente prefiro teclas industrializadas, de preferência PBT double shot. Não entendeu nada? É porque não assistiu os videos do meu canal (!!)</p>
<p>Só o do meio fui eu que montei meio que do zero, o primeiro e o terceiro foram o Felipe quem me mandou. Você pode tentar assistir tutoriais no YouTube e pesquiser em sites como o <a href="https://www.boardsource.xyz/products/Corne"target="_blank" rel="noopener">BoardSource</a>. Daí comprar diretamente todos os componentes pra montar. Tem que ficar de olho porque nem sempre tem estoque de todos os componentes.</p>
<p>O primeiro e segundo Corne da foto acho que usam o controlador <strong>Nice!Nano 2.0</strong> e o terceiro, o Hillside, usa controlador <strong>RP2040</strong>, que é mais novo e mais avançado. Eu não sou especialista em todos os modelos, mas isso é importante porque varia o tipo de firmware que suportam. Modelos mais parrudos aguentam firmwares mais complexos, com mais customizações. Por isso é bom pesquisar a respeito. O Hillside, por exemplo, tem os rotary, daí precisa ter suporte a tecla que rotaciona.</p>
<p>Quando faz clone do projeto <strong>QMK Firmware</strong> do GitHub, tem um diretório &ldquo;keyboards&rdquo; com todos os modelos conhecidos. No meu caso, fui em &ldquo;keyboards/hillside/48/keymaps/akitaonrails&rdquo; e editei o &ldquo;keymap.c&rdquo; pra ter este trecho:</p>
<div class="hextra-code-block hx:relative hx:mt-6 hx:first:mt-0 hx:group/code">

<div><div class="highlight"><pre tabindex="0" class="chroma"><code class="language-c" data-lang="c"><span class="line"><span class="cl"><span class="cm">/* The encoder_update_user is a function.
</span></span></span><span class="line"><span class="cl"><span class="cm"> * It&#39;ll be called by QMK every time you turn the encoder.
</span></span></span><span class="line"><span class="cl"><span class="cm"> *
</span></span></span><span class="line"><span class="cl"><span class="cm"> * The index parameter tells you which encoder was turned. If you only have
</span></span></span><span class="line"><span class="cl"><span class="cm"> * one encoder, the index will always be zero.
</span></span></span><span class="line"><span class="cl"><span class="cm"> *
</span></span></span><span class="line"><span class="cl"><span class="cm"> * The clockwise parameter tells you the direction of the encoder. It&#39;ll be
</span></span></span><span class="line"><span class="cl"><span class="cm"> * true when you turned the encoder clockwise, and false otherwise.
</span></span></span><span class="line"><span class="cl"><span class="cm"> */</span>
</span></span><span class="line"><span class="cl"><span class="kt">bool</span> <span class="nf">encoder_update_user</span><span class="p">(</span><span class="kt">uint8_t</span> <span class="n">index</span><span class="p">,</span> <span class="kt">bool</span> <span class="n">clockwise</span><span class="p">)</span> <span class="p">{</span>
</span></span><span class="line"><span class="cl">  <span class="cm">/* With an if statement we can check which encoder was turned. */</span>
</span></span><span class="line"><span class="cl">  <span class="k">if</span> <span class="p">(</span><span class="n">index</span> <span class="o">==</span> <span class="mi">0</span><span class="p">)</span> <span class="p">{</span> <span class="cm">/* First encoder */</span>
</span></span><span class="line"><span class="cl">    <span class="cm">/* And with another if statement we can check the direction. */</span>
</span></span><span class="line"><span class="cl">    <span class="k">if</span> <span class="p">(</span><span class="n">clockwise</span><span class="p">)</span> <span class="p">{</span>
</span></span><span class="line"><span class="cl">      <span class="cm">/* This is where the actual magic happens: this bit of code taps on the
</span></span></span><span class="line"><span class="cl"><span class="cm">         Page Down key. You can do anything QMK allows you to do here.
</span></span></span><span class="line"><span class="cl"><span class="cm">         You&#39;ll want to replace these lines with the things you want your
</span></span></span><span class="line"><span class="cl"><span class="cm">         encoders to do. */</span>
</span></span><span class="line"><span class="cl">      <span class="nf">tap_code</span><span class="p">(</span><span class="n">KC_PGDN</span><span class="p">);</span>
</span></span><span class="line"><span class="cl">    <span class="p">}</span> <span class="k">else</span> <span class="p">{</span>
</span></span><span class="line"><span class="cl">      <span class="cm">/* And likewise for the other direction, this time Page Down is pressed. */</span>
</span></span><span class="line"><span class="cl">      <span class="nf">tap_code</span><span class="p">(</span><span class="n">KC_PGUP</span><span class="p">);</span>
</span></span><span class="line"><span class="cl">    <span class="p">}</span>
</span></span><span class="line"><span class="cl">  <span class="cm">/* You can copy the code and change the index for every encoder you have. Most
</span></span></span><span class="line"><span class="cl"><span class="cm">     keyboards will only have two, so this piece of code will suffice. */</span>
</span></span><span class="line"><span class="cl">  <span class="p">}</span> <span class="k">else</span> <span class="k">if</span> <span class="p">(</span><span class="n">index</span> <span class="o">==</span> <span class="mi">1</span><span class="p">)</span> <span class="p">{</span> <span class="cm">/* Second encoder */</span>
</span></span><span class="line"><span class="cl">    <span class="k">if</span> <span class="p">(</span><span class="n">clockwise</span><span class="p">)</span> <span class="p">{</span>
</span></span><span class="line"><span class="cl">      <span class="nf">tap_code</span><span class="p">(</span><span class="n">KC_UP</span><span class="p">);</span>
</span></span><span class="line"><span class="cl">    <span class="p">}</span> <span class="k">else</span> <span class="p">{</span>
</span></span><span class="line"><span class="cl">      <span class="nf">tap_code</span><span class="p">(</span><span class="n">KC_DOWN</span><span class="p">);</span>
</span></span><span class="line"><span class="cl">    <span class="p">}</span>
</span></span><span class="line"><span class="cl">  <span class="p">}</span>
</span></span><span class="line"><span class="cl">  <span class="k">return</span> <span class="nb">false</span><span class="p">;</span>
</span></span><span class="line"><span class="cl"><span class="p">}</span></span></span></code></pre></div></div><div class="hextra-code-copy-btn-container hx:opacity-0 hx:transition hx:group-hover/code:opacity-100 hx:flex hx:gap-1 hx:absolute hx:m-[11px] hx:right-0 hx:top-0">
  <button
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    title="Copy code"
  >
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  </button>
</div>
</div>
<p>O código não é importante agora, só pra vocês terem uma idéia. Isso foi neste caso específico. Na maioria dos casos mais simples, só precisa editar um JSON, e ajuda ter um editor visual como o <strong>QMK Configurator</strong> via Web que falei antes. Daí coloca o JSON no diretório do seu modelo de teclado e segue a documentação pra compilar o binário do firmware. Não quero ter que explicar passo a passo aqui, mas tem tutorial em todo lugar, depois dêem uma fuçada no Google e YouTube.</p>
<p>Na dúvida, hoje em dia acho que o padrão é comprar <a href="https://pandakb.com/products/parts/others/promicro-nrf52840/"target="_blank" rel="noopener">Pro Micro</a> e só se não tiver o <a href="https://nicekeyboards.com/nice-nano/"target="_blank" rel="noopener">Nice!Nano v2.0</a>. Esses chips são o que na foto aparecem no centro de cada teclado. É onde fica o cérebro que controla tudo, onde se conecta o cabo USB e o cabo de áudio P1 que conecta as duas metades. Também é onde se ligaria Wi-fi e bateria em alguns modelos. Aí faz mais diferença porque quanto mais potente, mais bateria gasta, menos tempo dura. Então precisa balancear se realmente precisa do chip mais potente.</p>
<p><img src="https://new-uploads-akitaonrails.s3.us-east-2.amazonaws.com/cgdxylg28aexie1wk6xpvtg2hiwo" alt="Controlador Nice!Nano"  loading="lazy" /></p>
<p>Olha o meu acima, é wireless, e tem bateria pequena instalada embaixo, acho que é uma Nice!Nano. O acabamento dos fios não ficou grande coisa. Está usando tanto switches Choc quanto teclas low profile estilo Choc, são lineares red, bem finos. Tem gente que prefere um teclado mais alto, eu prefiro mais baixo quanto possível.</p>
<p><img src="https://new-uploads-akitaonrails.s3.us-east-2.amazonaws.com/3vrmkf4dxd51zn9hj34sg6r2w1g4" alt="case impressão 3d mais grosso"  loading="lazy" /></p>
<p>Olha essa que o Felipe montou pra mim, com case feito em impressora 3D, bem mais grosso, com switches e teclas de tamanho normal, bem mais alto. O certo é ter apoio de pulso ou acostumar a digitar sem encostar os pulsos na mesa, senão vai dar tendinite rapidinho com essa altura. E tem esses dois buracos na direita onde dá pra colocar parafusos altos, pra fazer &ldquo;tenting&rdquo;, que nem expliquei no Moonlander. Então é boa opção pra quem não quer ou não pode pronar os pulsos (que é justamente onde &ldquo;pinça&rdquo; o nervo e dá tendinite).</p>
<p><img src="https://new-uploads-akitaonrails.s3.us-east-2.amazonaws.com/itiib5ic6pyv5w97566ya6bre7wc" alt="hillside de perto"  loading="lazy" /></p>
<p>Essa Hillside, na verdade, tinha vindo com as teclas low profile pretas. A minha de antes era que estavam com as teclas brancas low profile Choc, mas fiquei trocando pra experimentar (maus Felipe!! kkkk). Na real, esse conjunto de teclas brancas são as que mais gosto. Note o case mais &ldquo;lean&rdquo; roxo que o Felipe fez pra esse board, e o principal, o botão giratório rotary. Dá pra programar pra muita coisa, no momento é só volume, mas acho que dá pra customizar em apps como Photoshop ou edição de video e coisas assim. Eu mesmo não cheguei a tentar, mas pra quem tem essa necessidade, é uma ótima opção.</p>
<p><a name="ortolineares-gk6"></a></p>
<h2>Ortolineares - GK6<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="ortolineares---gk6"></span>
    <a href="#ortolineares---gk6" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Moonlander, Corne, Hillside e outros são todos teclados colunares, staggered, e split. Eu recomendo fortemente acostumar a usar split. Primeiro porque não precisa aproximar as duas mãos, elas podem ficar afastadas, que é o mais natural.</p>
<p>Segundo, pra aprender a fazer cada mão usar as teclas corretas de cada metade, sem uma mão ficar invadindo a metade da outra. Novamente, faz parte do treino forçar isso. É outra vida quando cada dedo aprende a usar a tecla certa. Muito menos esforço, muito menos cansaço, muito menos dores e ainda aumenta velocidade e diminui quantidade de erros. Só tem vantagem.</p>
<p>Na época que fiz meu video, só tinha um modelo ortolinear que era razoável, o <strong>Planck</strong>. Planck acho que é o nome do layout, mas tinha mais de um fabricante, como a Drop (antiga MassDrop) e a própria ZSA.</p>


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</div>

<p>Se quiser comprar as peças separadas pra montar você mesmo, compre a versão <a href="https://drop.com/buy/planck-mechanical-keyboard?defaultSelectionIds=988297"target="_blank" rel="noopener">Drop + OLKB</a>. E acho que vai ser a única opção porque a ZSA anunciou em Agosto de 2023 que <a href="https://blog.zsa.io/2307-goodbye-planck-ez/"target="_blank" rel="noopener">vai parar de fabricar os Planck EZ</a>, o que é uma pena. Parece que não vendia o suficiente pra justificar continuar fazendo.</p>
<p>A única vantagem dele frente aos outros que mostrei até agora, é a <strong>mobilidade</strong>. Ele é todo de plástico. É muito bem feito e bem construído, não tem cara de plástico barato. Mas por isso é bem leve, e super compacto. De dimensões, se compara a um Nintendo Switch, só mais grosso. Então é muito fácil de carregar numa mochila.</p>
<p>Assim como seu irmão maior, o Moonlander, mas diferente dos Cornes e outros modelos mais baratos, o Planck EZ tinha LEDs coloridos em cada tecla. Parece bobagem, mas agora que você entendeu que dá pra configurar diversas camadas, imagine como é mais intuitivo de encontrar o que procura se, quando apertar um modificador como o &ldquo;MO(1)&rdquo;, acender em cores customizadas que te ajudam a lembrar o que era o que.</p>
<p>Por exemplo, no video acima, dá pra ver uma camada que acende parecendo uma calculadora. Veja como acendem embaixo dos 9 números principais, daí 3 teclas na direita e 3 na esquerda com funções como adição, multiplicação, etc, igual à configuração que fiz no Oryx abaixo, entenderam a utilidade?</p>
<p><img src="https://new-uploads-akitaonrails.s3.us-east-2.amazonaws.com/en1vwj0ukc98fvddja8jgnzijsxz" alt="Oryx, calc"  loading="lazy" /></p>
<p>O problema é que uma vez que se acostuma com split, voltar pra um monolito como esse é muito chato. Trazer as mãos pra perto e ter que angular os pulsos é cansativo. É exatamente o cansaço que se tem todo dia num teclado convencional. Seus pulsos não foram feitos pra serem nem dobrados e nem rotacionados. Um teclado convencional faz exatamente tudo que seus pulsos odeiam.</p>
<p><strong>A solução é tenting e split</strong>. Mesmo se tenting ocupar muito espaço, no mínimo split já vai fazer muita diferença. Mas enfim, existe esse meio do caminho entre teclado convencional e teclado colunar, que não exige se acostumar ao split logo de cara. É esse layout <strong>ortolinear</strong>, que é um colunar não-staggered, ou seja, onde linhas e colunas estão perfeitamente alinhadas, ortogonais e alinhadas (orto-linear, entenderam?), sem levar em consideração o diferente comprimento de cada dedo.</p>
<p>Nessa categoria existem dois modelos que gostei muito. O primeiro é da <a href="https://www.gizmo.engineering/"target="_blank" rel="noopener">Gizmo Engineering, o GK6</a>. No meu caso, o modelo Imperial Panda. Todo fã de anime dos anos 2000 gosta do esquema de cor de Panda, como em Initial D.</p>
<p><img src="https://new-uploads-akitaonrails.s3.us-east-2.amazonaws.com/xifzigq5wf3c1h1ykwo31co4bcy5" alt="Moonlander vs GK6"  loading="lazy" /></p>
<p>Na foto coloquei embaixo do Moonlander, pra demonstrar o que falei antes: uma das desvantagens do Moonlander é ser um trambolho na mesa, e não é exagero. Agora, esse GK6, é extremamente bem construído, uma obra de arte na mesa.</p>
<p>O case dele é um unibody de alumínio, nível Apple de qualidade. Internamente tem espuma pra &ldquo;dampening&rdquo; do som (não vir aquele &ldquo;ping&rdquo; oco), as teclas são de extrema qualidade, dá pra sentir nos dedos a diferença. Cada posição de switch na placa mãe tem LED RGB. O único problema é que esses materiais todos são pesados. No final o teclado tem mais de 800g, <strong>quase 1 quilo</strong>, e dá pra sentir. Pra carregar na mochila já dá pra sentir bem mais pesado. É quase o dobro do peso do antigo Planck EZ que era quase todo de plástico.</p>
<p>Em termos de layout, comparado com o Corne que é 40%, este é 60%, tem 59 teclas, porque a barra de espaço ocupa dois espaços - dá pra tirar o estabilizador e dividir em duas teclas, se quiser. A diferença principal pro Corne é que tem uma linha a mais no topo, a linha de teclas numéricas. Pra quem está acostumado a usar teclados <strong>Tenkey-less</strong> (teclado convencional sem teclado numérico, como da maioria dos notebooks), tende a não ter tanto problema pra se adaptar a este layout.</p>
<p><img src="https://new-uploads-akitaonrails.s3.us-east-2.amazonaws.com/x7d1hlkksi7an3i4iyl2eb4o657r" alt="GK6 close up"  loading="lazy" /></p>
<p>É possível usar assim, mas recomendo mudar as teclas de lugar. Como um bom teclado moderno, o GK6 tem firmware que podemos customizar. Está tudo documentado <a href="https://www.gizmo.engineering/firmware"target="_blank" rel="noopener">nesta página</a> no site deles e, claro, é baseado em QMK, então podemos mudar coisas que não fazem sentido, como o &ldquo;backspace&rdquo; que fica no canto superior direito e jogar, por exemplo, pra uma das teclas do dedão, economizando seu mindinho direito. Tem gente que não gosta de fazer isso, mas recomendo tentar. Mesma coisa o enter/return, mudar pra um dos dedões.</p>
<p>O maior problema do GK6 é que sempre está fora de estoque, e o preço é bem salgado: USD 250, sem contar transporte nem impostos. Tem várias cores muito boas pra escolher, então, fiquem de olho pra quando voltar o estoque.</p>
<p><img src="https://new-uploads-akitaonrails.s3.us-east-2.amazonaws.com/zjhjrzuvtd4azlf61v613oi7me0u" alt="GK6 bottom"  loading="lazy" /></p>
<p>Sério, olha essa foto, a traseira deste teclado é mais bonita do que a frente da grande maioria dos teclados comerciais. Isso é unibody de alumínio com o nome do teclado esculpido em relevo baixo.</p>
<p><a name="ortolineares-q15"></a></p>
<h2>Ortolineares - Q15<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="ortolineares---q15"></span>
    <a href="#ortolineares---q15" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Mas se não tem paciência e tem dinheiro sobrando, sempre tem a opção da <strong>Keychron</strong>, que se estabelece com a marca de teclados com a maior variedade de todas. Pense num estilo, eles tem. De todos os tamanhos, de todas as qualidades, mas todos muito caros. Pelo menos, sempre costuma ter estoque.</p>
<p>E na linha ortolinear, temos que ver o <a href="https://keychronbrasil.com.br/products/keychron-q15-max-qmk-teclado-mecanico-custom-wireless"target="_blank" rel="noopener">Keychron Q15 max</a> que tem no Brasil mas está a bagatela de nada menos que R$ 2.229,00, quase USD 400 dólares. É BEM caro.</p>
<p><img src="https://new-uploads-akitaonrails.s3.us-east-2.amazonaws.com/dkrgad9ki9irl5v51erlbff2q3h3" alt="Keychron Q15 Max"  loading="lazy" /></p>
<p>Mesma coisa, comparando o tamanho com o monstruoso Moonlander. Mas veja que também é compacto. Em termos de dimensões é muito próximo do Gizmo GK6. Mas muito mais pesado, em vez de 800g, esse tem <strong>1.2 quilo</strong>. É 50% mais pesado e dá pra sentir carregando. Este, definitivamente seus ombros vão chorar quando carregar na mochila. É literalmente o peso de um Macbook Air inteiro!</p>
<p>Ele é mais caro e mais pesado porque realmente tem muito mais material. Faz o GK6 parecer teclado de hobbista. Também tem case em unibody de alumínio, múltiplas camadas, design double-gasket, espuma de dampening, camada de latex, etc. Olha isso, direto do site deles:</p>
<p><img src="https://cdn.shopify.com/s/files/1/0578/7815/1346/files/Q15-Max-structur.jpg?v=1723147312" alt="Q15 layers"  loading="lazy" /></p>
<p>Além disso tem <strong>dois rotary</strong>, um em cada canto superior, que nem o Hillside que o Felipe tinha montado pra mim, mas este tem acabamento bem profissional. Serve não só pra controlar volume, mas é muito desejável em workflows de Photoshop, Premiere, Da Vinci Resolve. Toda vez que precisar lidar com timelines, gradientes, coisas que modificam ranges de valores com precisão. Pra isso esses rotary são muito melhores do que só mouse ou combinação de teclas.</p>
<p><img src="https://new-uploads-akitaonrails.s3.us-east-2.amazonaws.com/4oja3or2pjk97ex482s7a8dont6k" alt="Q15 close up"  loading="lazy" /></p>
<p>Além disso, notem como tem teclas duplas e triplas. Ele vem com teclas extras, e essas teclas maiores tem estabilizadores, dá pra tirar e dividir em mais teclas menores. Dá pra customizar de vários jeito diferentes e, pra variar, também tem firmware baseado em QMK e um aplicativo visual pra ficar mais fácil de mudar o layout só com mouse, em vez de ter que editar um arquivo JSON.</p>
<p><img src="https://new-uploads-akitaonrails.s3.us-east-2.amazonaws.com/t0wr29gfjxsw0av8vjd9tkh6l7z5" alt="Q15 bottom"  loading="lazy" /></p>
<p>Eu elogiei a traseira do GK6, mas o Q15 Max não fica atrás. Novamente, unibody de alumínio. Parafusos de bronze, se não me engano. Textura impecável. É uma obra de arte também. E dá pra ver a grossura extra desse teclado, é um pouco mais alto no topo, então é um pouco inclinado em vez de totalmente reto com o GK6. Este teclado já começa a exigir um apoio de pulso.</p>
<p>Agora, esse peso todo, e tantas camadas, também resultam num som muito mais encorpado e robusto, ouçam só:</p>


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<p>Ouviram o barulho do peso do Q15 no chão? E conseguem entender a diferença nos sons? O Q15 não ecoa nada, o &ldquo;dampening&rdquo; dele é muito bom. O som é grave e encorpado. O GK6 também é muito bom, mas tem menos camadas. Em comparação dá pra sentir um pouquinho de eco no fim. Já os últimos dois são mais ocos por dentro, sem espuma, com materiais menos robustos, aí já tem um barulho um pouco mais agudo e ecoado. O ideal é o som do Q15. Nenhum deles é particularmente ruim, mas o Q15 é superior mesmo.</p>
<div class="video-container">
<video controls preload="auto"> <source src="https://cdn.shopify.com/videos/c/o/v/8f053eebc79f4e07a923e477e38d04d0.mp4" type="video/mp4"> Your browser does not support the video tag. </video>
</div>
<p>O exemplo acima é do próprio site da Keychron, mostrando como eles tem um aplicativo visual pra editar os layouts, parecido com o Oryx da ZSA também. Apesar de ser bom ter a liberdade de fazer o que quiser no nível da linguagem C com o QMK, pra teclados, eu realmente prefiro que exista uma opção visual assim. Nem todo mundo que vai comprar é programador e vai saber configurar terminal, python, git, etc. O ideal é ter as duas opções, mas o default ser plug-and-play, só plugar na USB, o aplicativo sobe o firmware e já era.</p>
<p><a name="voyager"></a></p>
<h2>Meu Melhor Teclado - Voyager<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="meu-melhor-teclado---voyager"></span>
    <a href="#meu-melhor-teclado---voyager" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Apesar de todos os elogios que vim fazendo a todos os teclados anteriores, eu não uso nenhum deles hoje em dia. Na verdade, recebi o Q15 Max e não tinha nem tirado da caixa até ter que tirar as fotos pra este artigo. Um dos problemas desse tipo de teclado é que já me acostumei ao meu layout, com minhas próprias camadas customizadas, então todo novo teclado, preciso passar pelo cansativo processo de editar layouts tudo de novo. Aí não tive paciência e acabei nem usando.</p>
<p>Se nenhum dos modelos comerciais existisse, o teclado ideal seria alguma variação de Corne. São pequenos e compactos, não ocupam quase nenhum espaço na mesa. Somado a switches e teclas Choc, ficam bem low profile. O PCB (placa controladores) não exige uso de case, pode ficar direto na mesa porque não tem nada embaixo que dá curto. Isso o torna  extremamente &ldquo;flat&rdquo; na mesa, não precisando usar nenhum tipo de apoio de pulso.</p>
<p>Além disso, é colunar staggered, que leva em consideração comprimento diferente dos dedos, e é split, que permite deixar as duas mãos bem separadas, evitando rotações desnecessárias. Finalmente, é totalmente customizável via QMK, onde posso colocar todas as camadas do jeito que eu quero. Ou seja, é o teclado perfeito.</p>
<p>Mas a ZSA, fabricante do descontinuado Planck EZ e do monstruoso Moonlander, resolveu criar um novo modelo, o <a href="https://www.zsa.io/voyager"target="_blank" rel="noopener">Voyager</a>. Eu acho que muito desse modelo veio do feedback de pessoas com o Ben Vallack. Sério, maratonem os videos do canal dele onde mostra passo a passo a pesquisa que fez pra determinar como o teclado perfeito deveria ser. E até vai além do ponto, ao extremo de criar um teclado com nada menos do que míseras 18 teclas (!!)</p>
<p>Não é prático, mas é ultrapassando os limites que sabemos onde está o limite:</p>


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</div>

<p>Ele começou a fazer os protótipos usando o Moonlander como base, removendo teclas, fazendo experimentos. E chegou à conclusão que o Moonlander seria ainda mais ergonômico e muito mais produtivo se fosse muito menor e com muito menos teclas. E a ZSA ouviu.</p>
<p><img src="https://new-uploads-akitaonrails.s3.us-east-2.amazonaws.com/wr7r2w8spl4kitmtr8oyg3si21tw" alt="Moonlander vs Voyager"  loading="lazy" /></p>
<p>Ele tem mais ou menos as mesmas dimensões do GK6 ou Q15, mas em formato &ldquo;split&rdquo;, dividido ao meio, o que possibilita mais flexibilidade e ergonomia. Note que a cor branca vai encardindo com o tempo. Ainda não sei o que é melhor pra limpar, mas o meu já está amarelando de tanto usar. Recomendo comprar a versão preta.</p>
<p>O Voyager é o Moonlander 2.0, um Corne comercial. É um pouco maior do que um Corne 40% porque tem a linha superior numérica. Eu acho que nem precisaria, mas não chega a atrapalhar. Ao contrário do meu Corne montado de forma caseira, o Voyager é &ldquo;slick&rdquo;, com cara de algo que a Apple construiria. Plásticos duros de alta qualidade, placa de metal atrás dando suporte, peso e rigidez, mas sem aumentar demais o peso total. Espessura fina, usando switches e teclas low profile, parecidas com as Choc que falei que gosto, e ainda com LEDs RGB em cada tecla. Tem tudo que gosto no Corne e mais um pouco.</p>
<p>Claro, assim como tudo nessa categoria, o Voyager também é bem caro. USD 365, sem contar transporte nem impostos. É a mesma faixa de preço do Q15 Max. Por isso falei: se preço menor for importante, um Corne montado manualmente faz a mesma coisa, e pode custar metade do preço ou menos! Falem com o Felipe!</p>
<p>Em comparação com o Corne, tem 2 teclas a menos em cada thumb-cluster. Isso foi um pouquinho chato no começo de me acostumar, mas hoje eu acho que foi a decisão certa: cada dedão não precisa de mais do que duas teclas. Este é um caso onde limitações são libertadoras. O senso-comum diz que ter mais teclas é melhor, mas os dedos precisam se mexer mais e é mais fácil de errar.</p>
<p>Isso vale a pena explicar. Vamos revisar o layout do meu Corne:</p>
<p><img src="https://new-uploads-akitaonrails.s3.us-east-2.amazonaws.com/hfnc3l660frcoayvq8oiz110h1kd" alt="camada 0 thumb cluster"  loading="lazy" /></p>
<p>Aqui cada dedão precisa lembrar a posição de 3 teclas. As mais usadas são backspace e barra de espaço, por isso coloco mais na ponta. Assim eu sempre sei que precisa esticar o dedão e nunca vou errar. Já &ldquo;delete&rdquo; e &ldquo;enter¨ se usa um pouco menos, deixo no meio, onde é só abaixar o dedão, sem esticar. Era assim que eu usava no Moonlander, Planck, Corne e outros.</p>
<p>Mas o Voyager só tem 2 teclas em cada dedão, como faz?</p>
<p><img src="https://new-uploads-akitaonrails.s3.us-east-2.amazonaws.com/r0jooa947kshzk2gc35wphqlem2m" alt="oryx camada 0"  loading="lazy" /></p>
<p>Esta é a camada 0 (zero) do meu Voyager. Tem só backspace e espaço nas teclas maiores do thumb-cluster, mas note que acima tem as teclas &ldquo;hold&rdquo;, que é a mesma coisa que o &ldquo;MO(1)&rdquo; e &ldquo;MO(2)&rdquo; do QMK, lembram? Servem pra deixar apertado e mudar pra outra camada virtual. Se apertar esse &ldquo;hold 1&rdquo;, vai virar o seguinte:</p>
<p><img src="https://new-uploads-akitaonrails.s3.us-east-2.amazonaws.com/gn29nzx8jwsoakjf3em29d3dxg2t" alt="oryx camada 1"  loading="lazy" /></p>
<p>Agora sim, com o &ldquo;hold 1&rdquo; apertado na esquerda, posso apertar &ldquo;enter&rdquo; com dedão direito.</p>
<p><img src="https://new-uploads-akitaonrails.s3.us-east-2.amazonaws.com/05xfa8qfyjt7hpebv6ru9rmyxkf0" alt="oryx camada 2"  loading="lazy" /></p>
<p>Por outro lado, se deixar apertado &ldquo;hold 2&rdquo; com dedão direito, agora o backspace vira &ldquo;delete&rdquo; na esquerda. E com isso as mesmas funções estão disponíveis, mesmo tendo fisicamente menos teclas. É só aprender isso de camadas.</p>
<p>Mais do que camadas, tem coisas não uso tanto, com <em>&ldquo;tap-to-hold&rdquo;</em>. Você Dá pra apertar rápido uma vez e depois segurar a mesma tecla, e isso dá gatilho em outro evento. No caso da ferramenta de configuração Oryx, da ZSA, tem opções de configurar o que acontece só quando aperta e tira o dedo (<em>&ldquo;held&rdquo;</em>), ou quando aperta rápido duas vezes (<em>&ldquo;double-tapped&rdquo;</em>), ou quando aperta rápido uma vez e aperta de novo (<em>&ldquo;tapped and then held&rdquo;</em>) e deixa segurando. Ou seja, dá pra configurar no mínimo <strong>3 ações diferentes em cada tecla, em cada camada, e dá pra ter múltiplas camadas!</strong> São centenas de opções!</p>
<p><img src="https://new-uploads-akitaonrails.s3.us-east-2.amazonaws.com/qou3zcgjw79mawagyatme0b0mbc2" alt="Oryx Voyager"  loading="lazy" /></p>
<p>Assim como a Keychron, a ZSA também tem um aplicativo visual via web. É muito mais cômodo do que editar um arquivo JSON. Ele tem já embutido botão pra compilar o firmware e, quando conectar seu teclado no modo de upload, o navegador consegue detectar e é plug-and-play pra subir o firmware. Não precisa instalar nada extra na sua máquina. É esse tipo de poimento comercial que uma opção mais barata como Corne não vai ter. O mais próximo é o QMK Configurator.</p>
<p>E diferente do Corne, o Voyager também tem LEDs RGB. Tá vendo no Oryx como tem opção de <em>&ldquo;set color&rdquo;</em>? Assim fica muito mais fácil pra lembrar onde que tá qual tecla, em qual camada. Até pra saber em que camada estamos neste momento. Muito melhor do que ter que memorizar tudo e não ter feedback nenhum. Acho muito importante o hardware ter alguma forma de comunicar seu estado atual.</p>
<p>Portanto, a experiência do software me faz querer experimentar mais com o Voyager ou Moonlander do que o GK6 que é QMK puro, por exemplo.</p>
<p><img src="https://new-uploads-akitaonrails.s3.us-east-2.amazonaws.com/ss2jz5lwpi19mwivpxj0mq4iqhkv" alt="Voyager close up"  loading="lazy" /></p>
<p>Novamente, olhem na minha mão como é fino. Cada metade tem pouco mais de 200g. Com os cabos, o total é menos de <strong>700g</strong>. É próximo do GK6, metade do Q15, mas parece ainda mais leve. O balanço do peso é muito bom.</p>
<p><img src="https://new-uploads-akitaonrails.s3.us-east-2.amazonaws.com/dco0ukkdnhi17i4y77x6mk80kbhp" alt="Voyager bottom"  loading="lazy" /></p>
<p>A traseira do Voyager não chega a ser tão elegante quanto do GK6 ou Q15, mesmo assim é bonito o suficiente e funcional, uma vibe mais industrial, com metal e parafusos à mostra e pontos de montagem pra anexar em suportes, caso queira usar em tripé, braço de cadeira ou em &ldquo;tenting&rdquo;. Eu não tentei nenhuma dessas opções, prefiro reto na mesa mesmo.</p>
<p>Mas tem <a href="https://www.reddit.com/r/ErgoMechKeyboards/comments/17fwd57/zsa_voyager_tenting_experiment/"target="_blank" rel="noopener">sub-reddits</a> com projetos de impressão 3D e coisas assim pra quem quiser experimentar tenting no Voyager. Veja um exemplo de lá:</p>
<p><a href="https://www.printables.com/model/597882-zsa-voyager-stand"target="_blank" rel="noopener"><img src="https://preview.redd.it/zsa-voyager-tenting-experiment-v0-kdfxc7d4x9wb1.jpg?width=640&amp;crop=smart&amp;auto=webp&amp;s=5615ebece5db23212ce5fda464039f6847cfcfc9" alt="Voyager tenting"  loading="lazy" /></a>
Tem esta outra opção usando um tripé chamado <a href="https://preview.redd.it/voyager-tenting-with-manfrotto-pocket-tripods-v0-49xxqiada5sb1.jpg?width=640&amp;crop=smart&amp;auto=webp&amp;s=bb095a3a9c18da455e661400e082e0cbaff513f3"target="_blank" rel="noopener">&ldquo;Manfrotto&rdquo;</a>:</p>
<p><img src="https://preview.redd.it/voyager-tenting-with-manfrotto-pocket-tripods-v0-49xxqiada5sb1.jpg?width=5712&amp;format=pjpg&amp;auto=webp&amp;s=cac876389d4ff94206b6b120446a90ae260db688" alt="Manfrotto tripod"  loading="lazy" /></p>
<p>Essa é uma opção que me vejo usando. E tem <a href="https://www.reddit.com/r/ErgoMechKeyboards/comments/16k7p4x/voyager_tenting/"target="_blank" rel="noopener">mais opções</a>. Eu gosto de tenting, é a única coisa que só o Moonlander faz de fábrica. Eu sentiria mais falta se ainda precisasse digitar muito todos os dias, mas como não preciso mais, prefiro o Voyager puro pra ser mais bonito e ocupar menos espaço na minha mesa.</p>
<p><img src="https://new-uploads-akitaonrails.s3.us-east-2.amazonaws.com/ducayps3ys884gq2hucn7nl19ppf" alt="minha mesa com voyager"  loading="lazy" /></p>
<p>Esta é minha mesa em Outubro de 2024 e como tem sido por pelo menos 1 ano. Eu troco por outros teclados pra testar, mas sempre acabo voltando nesta configuração, por tudo que já expliquei antes. Eu uso o mouse na mão esquerda (porque minha mão direita dói mais, então me acostumei a usar com a esquerda pra doer os dois igual kkkk). Tenho um Apple Touchpad na direita pra coisas que exigem &ldquo;scrolling&rdquo; (dói muito menos do que &ldquo;scroll-wheel&rdquo; de mouse). E note como uso as duas metades do teclado bem afastados. Essa é uma distância boa, mas dá pra abrir bem mais se quiser.</p>
<p><a name="pulso"></a></p>
<h2>Ortolinear vs Colunar<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="ortolinear-vs-colunar"></span>
    <a href="#ortolinear-vs-colunar" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Pra ficar claro, achei melhor ilustrar o que significa esse papo todo de pulso. Veja como ficam suas mãos num teclado de uma única peça, um monolito:</p>
<p><img src="https://new-uploads-akitaonrails.s3.us-east-2.amazonaws.com/44ia6l5v13w8z5wz9vyhi8hda0c4" alt="pulso rotacionado"  loading="lazy" /></p>
<p>Está claro? Quando o teclado não é split, somos obrigados a trazer as duas mãos super pra perto. Obviamente a única forma de posicionar assim é dobrando os pulsos de uma forma não-natural. Somado à rotação (por não ser tenting), estamos pinçando os nervos e causando micro-lesões, todas as vezes.</p>
<p>Sim, pra quem usa pouco, esporadicamente, não faz diferença mesmo. Isso é pra nós, programadores, escritores, pessoas que digitam horas seguidas. Se você não for essa pessoa não me venha comentar <em>&ldquo;ain, eu não sinto isso&rdquo;</em>. Lógico, você digita pouco.</p>
<p><img src="https://new-uploads-akitaonrails.s3.us-east-2.amazonaws.com/8aab5kmzzyym6wr1dq4q8j365d8y" alt="voyager, perto"  loading="lazy" /></p>
<p>Se a intenção for construir um teclado monolito pelo fato de ser mais fácil de carregar na mochila ou algo assim, no mínimo, as duas metades deveriam estar num ângulo, como na foto acima. Dessa forma as mãos teriam que continuar próximas, mas não seria necessário dobrar os pulsos.</p>
<p><img src="https://new-uploads-akitaonrails.s3.us-east-2.amazonaws.com/rpe3wdfjduwim2aihulb2pf8sb4h" alt="Voyager, afastado"  loading="lazy" /></p>
<p>Claro, o ideal é split: duas metades que podem ser afastadas. Assim seus braços podem permanecer numa posição natural, reta, sem precisar dobrar nada, sem fazer esforço desnecessário. Isso permite ficar horas digitando sentindo pouca ou nenhuma dor. Se somar a um suporte embaixo, pra elevar o meio do teclado, criando tenting, aí sim, os braços ficam na posição mais neutra possível. E é por isso que eu prefiro este tipo de teclado: <strong>split-colunar-staggered</strong>.</p>
<p><a name="framework"></a></p>
<h2>O Futuro - Framework<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="o-futuro---framework"></span>
    <a href="#o-futuro---framework" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Este artigo foi só porque eu estava com esses teclados parados aqui. E não, não adianta mandar no comentário pra sortear, vender, nem nada disso. São parte da minha coleção, eu deixo na minha prateleira porque acho bonito e posso usar quando der na telha. Não vou me desfazer de nenhum. Não insistam!</p>
<p>Mas se tem uma coisa que me frustra são notebooks. Nenhum tem opção ortolinear. Então sempre preciso conectar um externo via USB ou então digitar mais devagar usando o layout convencional. Mas minhas esperanças aumentaram quando surgiu a empresa Framework.</p>
<div class="video-container">
<video controls preload="auto"> <source src="https://customer-gbu4wsrjcdamtxzc.cloudflarestream.com/864433f3f504c98ddc2d5837b4f081f9/downloads/default.mp4" type="video/mp4"> Your browser does not support the video tag. </video>
</div>
<p>Eles só tem dois modelos, o Laptop 13 e o Laptop 16. Meu ideal seria um 14&rdquo; com formato 3:2 como os Surface, mas o de 13&quot; é mais que suficiente. Eu conheci eles pelo canal <strong>Linus Tech Tips</strong>, pois o Linus Sebastian se tornou um dos primeiros patrocinadores/sócios do projeto.</p>
<p>A ideia parece simples, mas até hoje ninguém conseguiu fazer algo que não só funcione, mas dure anos. Esse laptop é todo modular. E não só nas coisas triviais como trocar uma porta HDMI externa por uma porta Ethernet ou USB 4. Mas também fazer upgrade de memória, e até de placa-mãe, GPU, monitor e &hellip; teclado!!</p>
<blockquote class="twitter-tweet"><p lang="en" dir="ltr">Jack at <a href="https://twitter.com/OrtholinearKB?ref_src=twsrc%5Etfw">@OrtholinearKB</a> prepared a mockup of an ortholinear keyboard module for the Framework Laptop 16! Modularity opens up some incredible possibilities. <a href="https://t.co/hKqT3AMU7t">pic.twitter.com/hKqT3AMU7t</a></p>— Framework (@FrameworkPuter) <a href="https://twitter.com/FrameworkPuter/status/1648371892062130176?ref_src=twsrc%5Etfw">April 18, 2023</a></blockquote> <script async src="https://platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script>
<p>Olha só isso. Parece que já faz pelo menos um ano que estão trabalhando numa opção ortolinear! Isso seria meu sonho de consumo! Um teclado de notebook não é mais que um teclado com USB interno. Deveria ser simples de trocar, é mais uma questão de design industrial do que de tecnologia.</p>
<p>Eu estou quase já comprando um Framework Laptop 13 quando for pros EUA este ano, e quando sair o teclado, posso importar só ele (vai custar impostos, óbvio, mas pelo menos vai ser só o teclado). Aí eu terei o notebook definitivo pra digitadores profissionais!!</p>
<p>Esta é a última coisa que falta. Espero que realmente lancem logo e inspirem outros fabricantes a pensar em opções assim: destacáveis e modulares.</p>
<p>Como expliquei nos meus videos, em particular no primeiro video da trilogia, até hoje usamos layouts de teclados absolutamente ruins pras nossas mãos, pulsos e braços. Muitos que trabalham o dia todo digitando vão sofrer com LER e tendinite, mais cedo ou mais tarde. Tudo porque todo mundo tem preguiça de aprender coisas modernas.</p>
<p>Todos acham que é muito difícil, mas é só <strong>preguiça</strong> mesmo. Eu aprendi com mais de 40 anos. Não precisa ser um adolescente pra aprender essas coisas. É só parar de achar que não vai conseguir e fazer, sem pensar nas consequências. Melhor: se conseguir, a consequência é que vai digitar mais rápido, com menos erros e sem forçar suas mãos, evitando dores e doenças ortopédicas.</p>
<p>A Apple, o ápice do que usamos como referência quando pensamos em tecnologia moderna, só tem uma parte que tem fedor de velho: o teclado. Se ela fosse realmente corajosa, como Phil Schiller achava que era, o Macbook tinha que ser assim:</p>
<p><img src="https://preview.redd.it/concept-ortholinear-apple-silicon-macbook-pro-v0-kw2duliaxrea1.png?width=2440&amp;format=png&amp;auto=webp&amp;s=e899a4e2029b24620ecb3c34a1d0ab03ad7dda97" alt="Macbook Ortolinear"  loading="lazy" /></p>
<p>Isso sim, seria um Macbook do século 21, deixando as limitações do layout de máquina de escrever do começo do século 20 pra trás. Por agora, já me dou por satisfeito com meu ZSA Voyager, que é meu &ldquo;daily-driver&rdquo; e faz tudo exatamente do jeito que preciso. Não pretendo descer abaixo dos 40% e ficar fazendo malabarismo.</p>
<p><img src="https://new-uploads-akitaonrails.s3.us-east-2.amazonaws.com/015nq7sqccm833ttzeqymrbxe3j8" alt="Coleção"  loading="lazy" /></p>
<p>Eu falei de &ldquo;Corne&rdquo;, mas é só porque é o nome mais popular. Falei que o Felipe me fez um Hillside que é um Corne com rotary, mas existem dezenas de variações como Lily58, Skeletyl, CRKBD, Scylla, Sofie, Totem e muito mais.</p>
<p>Sabe onde consegue ver várias delas? No perfil de Instagram do amigo <a href="https://www.instagram.com/tupinikeebs/"target="_blank" rel="noopener">Felipe/Tupinikeebs</a>. Ele sempre posta um <em>keeb</em> novo por lá, então fique de olho, leve em consideração tudo que falei sobre tamanho, peso, mobilidade, bateria, layouts, 60% vs 40% vs 30%, tenting, split, e encontre a combinação que faz mais sentido pro seu uso particular.</p>
<p>Modelos diferentes existem porque cada pessoa tem usos diferentes. Um escritor de livros é diferente de um programador que é diferente de um contador que é diferente de um cientista de dados e assim por diante. Não existe um teclado universal que funciona perfeitamente pra todo mundo. Sem contar a estética, cores, RGB, tipos de switch, materiais de teclas, etc. Não seja limitado, seja aberto às opções.</p>
<p>Novamente, praqueles que vão insistir em comentar sobre o lendário <strong>Kinesis</strong>, ele é diferente de todos que já mostrei. Eu sei. Tem o formato de uma bacia no centro de cada metade, É uma outra forma de otimizar pra comprimentos diferentes em cada dedo. Em vez de Corne, o que vocês querem é o <strong>Scylla</strong>. Adivinha quem já postou sobre isso? O Felipe:</p>
<p><a href="https://www.instagram.com/p/DBHSdDrR_bR/?utm_source=ig_web_button_share_sheet&amp;igsh=MzRlODBiNWFlZA=="target="_blank" rel="noopener"><img src="https://new-uploads-akitaonrails.s3.us-east-2.amazonaws.com/ch3u7epuje0xfk395jikxi95jijy" alt="Scylla"  loading="lazy" /></a>
E por hoje é isso aí, espero que tenham gostado. Não deixem de assistir os videos da trilogia onde explico muito mais detalhes de tudo isso. Só depois pensem em mandar perguntas nos comentários!</p>
]]></content:encoded><category>teclados</category><category>hardware</category><category>reviews</category></item><item><title>[Akitando] #115 - Caminho pro Melhor Teclado do Mundo!</title><link>https://akitaonrails.github.io/2022/03/07/akitando-115-caminho-pro-melhor-teclado-do-mundo/</link><guid isPermaLink="true">https://akitaonrails.github.io/2022/03/07/akitando-115-caminho-pro-melhor-teclado-do-mundo/</guid><pubDate>Mon, 07 Mar 2022 12:39:00 -0300</pubDate><description>&lt;div class="embed-container"&gt;
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&lt;/div&gt;
&lt;p&gt;== DESCRIÇÃO&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Esta é a conclusão da saga de teclados! Quero explorar quais problemas herdamos desde a era das máquinas de escrever, porque temos tantos tamanhos diferentes e tantos layouts diferentes de teclados, e se é possível chegar no teclado perfeito: o melhor teclado do mundo pra digitar rápido e evitar as dores mais comuns de digitadores como tendinite e LER. Vamos explorar!&lt;/p&gt;</description><content:encoded><![CDATA[

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</div>

<p>== DESCRIÇÃO</p>
<p>Esta é a conclusão da saga de teclados! Quero explorar quais problemas herdamos desde a era das máquinas de escrever, porque temos tantos tamanhos diferentes e tantos layouts diferentes de teclados, e se é possível chegar no teclado perfeito: o melhor teclado do mundo pra digitar rápido e evitar as dores mais comuns de digitadores como tendinite e LER. Vamos explorar!</p>
<p>== Conteúdo</p>
<ul>
<li>00:00:00 - Intro: colchão, cadeira e dores</li>
<li>00:03:42 - IBM Model M, Model F, layout 100%</li>
<li>00:06:44 - Problema do Mouse, layout TKL</li>
<li>00:10:36 - Notebooks, Keychron K2, layout 75%</li>
<li>00:13:36 - Ducky, layout 65%</li>
<li>00:14:12 - Anne Pro 2, layout 60%</li>
<li>00:15:27 - layout 40%</li>
<li>00:15:58 - repensando meus teclados</li>
<li>00:17:01 - entendendo QWERTY e máquinas de escrever</li>
<li>00:19:31 - entendendo DVORAK</li>
<li>00:23:11 - entendendo COLEMAK</li>
<li>00:25:03 - entendendo WORKMAN</li>
<li>00:27:18 - o problema de todos os layouts</li>
<li>00:29:32 - o defeito herdado das máquinas de escrever</li>
<li>00:32:35 - repensando alinhamento: Planck EZ</li>
<li>00:34:41 - configurando um 40%, Oryx, layers, QMK</li>
<li>00:41:33 - como aprender a digitar rápido? keybr, monkeytype</li>
<li>00:48:32 - a fraude do CharaChorder e estenografia</li>
<li>00:52:38 - o melhor teclado? Moonlander MK1</li>
<li>00:59:55 - o melhor teclado? layout 33%!</li>
<li>01:01:56 - conclusão</li>
</ul>
<p>== Links</p>
<ul>
<li>The CharaChorder video is a scam - Read Description (<a href="https://www.youtube.com/watch?v=ARCPpUmKYiQ"target="_blank" rel="noopener">https://www.youtube.com/watch?v=ARCPpUmKYiQ</a>)</li>
<li>Taking Moonlander Ergonomics To The NEXT LEVEL With The Tripod Kit (Taking Moonlander Ergonomics To The NEXT LEVEL With The Tripod Kit)</li>
<li>A Tiny, Ultra-Affordable Keyboard You Can Build Yourself! (<a href="https://youtu.be/JqpBKuEVinw"target="_blank" rel="noopener">https://youtu.be/JqpBKuEVinw</a>)</li>
<li>Brad Colbow - Huion Kamvas 22 Plus Review (<a href="https://www.youtube.com/watch?v=GJxGzJgfYGA"target="_blank" rel="noopener">https://www.youtube.com/watch?v=GJxGzJgfYGA</a>)</li>
<li>Workman Layout (<a href="https://workmanlayout.org/"target="_blank" rel="noopener">https://workmanlayout.org/</a>)</li>
<li>Open Steno Project (<a href="http://www.openstenoproject.org/"target="_blank" rel="noopener">http://www.openstenoproject.org/</a>)</li>
</ul>
<p>== SCRIPT</p>
<p>Olá pessoal, Fabio Akita</p>
<p>Os meus videos de teclados foram alguns dos mais visualizados do canal e eu realmente achei que já tinha falado tudo que precisava sobre o assunto. Mas me enganei redondamente, e fui obrigado a rever todos os meus conceitos sobre digitação. No episódio de hoje quero falar de uma categoria de teclados especiais que acho que vai ser difícil me fazer voltar pros meus antigos. E ao mesmo tempo quero falar de alguns conceitos que muitos de vocês provavelmente nunca pensaram a respeito.</p>
<p>(&hellip;)</p>
<p>Por que muitos de nós parecemos tão obcecados com teclados? Sempre vai variar de pessoa pra pessoa, por isso nunca leve essas coisas como regras invioláveis nem nada disso. Na minha filosofia pessoal, existem no mínimo 3 coisas que eu faço absoluta questão de ter o melhor que puder conseguir. Nosso dia tem 24 horas. Um terço dessas horas, pelo menos 8 horas todo dia, a gente passa dormindo. Por isso faz sentido investir num colchão decente, com travesseiro decente, pra não acordar todo dia moído, com torcicolo e dor nas costas. Economiza em tudo, menos no seu colchão.</p>
<p>Em segundo lugar, pra todos nós que trabalhamos com programação, passamos a maior parte do tempo sentados. E não caia na armadilha das cadeiras gamers. Eu passei um tempão testando cadeiras gamer e vou dizer que a melhor gamer ainda não é melhor que uma cadeira de escritório honesta, feita pra ser realmente ergonômica. Essa que estou sentado agora é uma Hermann Miller Aeron, mas é super cara e eu acho que tem cadeira que pela metade do preço vai ser igualmente confortável. Cadeira, assim como colchão, é um troço que você precisa ir na loja, gastar algumas horas experimentando e sentir se sua lombar e tudo mais tão sustentados de verdade, se não te força numa posição estranha. Se puder, evite comprar online sem testar antes. E isso também é tudo que vou falar sobre cadeiras.</p>
<p>E em terceiro lugar tá o periférico que você vai usar o mesmo tanto de horas que passa sentado trabalhando, que é seu teclado. Pense que um programador gasta muito mais horas usando teclado e mouse do que usando um smartphone, mas a maioria das pessoas gasta mais tempo pesquisando sobre smartphones do que teclados, cadeiras ou colchão. E se além de programador, nas suas horas vagas você é gamer e vai virar noite no fim de semana jogando, então é bem mais que 8 horas por dia. E depois não entende porque tem 20 anos e já tem dor nas costas e tendinite.</p>
<p>Eu não sou especialista de ergonomia então falo só por mim, mas na prática, evitar dores no corpo tem mais a ver com ficar horas travado na mesma posição do que não estar numa &ldquo;postura correta&rdquo;. O segredo é de hora em hora pelo menos, mudar de posição, pra qualquer outra posição. Dar uma levantada de 2 minutos, dar uma esticada de 1 minuto, mas com alguma frequência. Se fizer isso, 90% dos problemas você já resolveu. Por exemplo, se ficou 1 hora sentado com a postura correta, muda de posição, pode sentar torto, sentado em cima da perna como muita gente faz. Mas depois de uma hora, muda de posição de novo. O importante é menos a posição e mais mexer seu corpo pra não deixar forçando sempre na mesma posição.</p>
<p>Vamos dar uma pausa no assunto de ergonomia e voltar a alguns conceitos básicos. Nos videos anteriores eu detalhei bastante sobre switches, keycaps, ponto de actuação e vários detalhes técnicos que na realidade tem mais a ver com a sensação da digitação e muito menos com ergonomia propriamente dita ou velocidade. Nenhum teclado mecânico vai fazer diferença nas suas dores, caso sofra de tendinite ou lesão de esforço repetitivo que é o LER. Nenhum teclado mecânico vai fazer você ser muito mais rápido. Usar um bom switch Cherry ou Gateron ou Kailh tem mais a ver, por exemplo, com a qualidade do couro do volante, mais do que se o carro vai andar mais rápido.</p>
<p>Na realidade, o que a maioria das pessoas sofre com teclados hoje em dia tem mais a ver com legado histórico e maus hábitos, que é o que quero explorar hoje. O layout de teclados que chamamos de 100% deriva do famoso IBM Model M. É o teclado original de 101 teclas, que divide as teclas em grandes grupos. As teclas alfanuméricas, o grupo do meio que são teclas de navegação como setinhas, page up e down. Daí temos o grupo mais importante pra quem usa Excel que é o teclado numérico. Um bom contador não consegue viver sem isso. E por último, lá em cima, temos a linha de teclas de função, de F1 até F12.</p>
<p>Quem não usou teclados antes dos anos 90 não vai lembrar disso, mas cada microcomputador e também os terminais de mainframes; cada um tinha um layout diferente. Por exemplo, olha como era o layout do teclado de um micro MSX. Eu lembro claramente como ele tinha um layout esquisito de setas. Ou veja como era o Apple II, que já era mais parecido com o que hoje chamamos de layouts 65%. E se quiser esquisito, veja como era o ZX Spectrum, com as famosas teclas chiclete, o exato oposto de ergonomia e curiosamente mais próximo do que chamamos hoje de layouts 40%. Mas isso era cruel.</p>
<p>A IBM veio pesquisando teclados por décadas e finalmente chegaram num layout que encapsula tudo que um operador ou programador precisaria e esse foi o layout do IBM Model M, que saiu com os primeiros IBM PC; a primeira tentativa da IBM de conquistar o mercado fora das corporações. E fez tanto sucesso que literalmente todo mundo passou a adotar esse mesmo layout desde então. Se você tem um teclado 100%, com o teclado numérico na direita, a única diferença é que depois do Windows 95 passaram a colocar a tecla super de Windows entre o &ldquo;alt&rdquo; e o espaço dos dois lados e com isso temos o layout clássico de 103 teclas.</p>
<p>Agora, esse teclado foi pensado numa época antes da adoção do mouse do lado direito. O IBM Model M descende de teclados de terminais de mainframe, como o lendário IBM Model F, que nem esse que eu comprei no eBay mas não funciona direito. Ou este outro que é um clone do Model F e vem como kit pra você se virar, mas até hoje ainda não consegui fazer funcionar. De qualquer forma, o Model F é um dos maiores tanques de guerra dos teclados já feito. O layout era diferente, e a construção é quase toda de metal. Ele pesa mais de 4 quilos e se você bater na cabeça de alguém com isso, é homicídio. É impossível agredir alguém com um teclado desses e não esperar que o outro vai morrer no ato. E por isso também esses teclados eram super caros, acho que na faixa de 2 mil dólares.</p>
<p>Os Model M passaram a ser feitos com materiais mais baratos, menos ferro, mais plástico, e mesmo assim ainda são mini tanques. Eu tenho um antigo que também comprei no eBay e com um adaptador de PS2 pra USB até que funciona direitinho. Mas se quiser experimentar uma versão moderna, a Unicomp herdou o maquinário original da IBM e Lexmark e fazem um modelo mais moderno USB mas ainda construído do mesmo jeito que antes. Vale pesquisar eles se tiver interesse em saber como eram teclados buckling spring originais. Depois que comprei esse eles fizeram uma versão tenkeyless que eu prefiro.</p>
<p>Os Model M são muito grandes e originalmente pensados pra serem o único periférico na frente do monitor. Mesmo quando começamos a adotar mouse, mais do meio pro fim dos anos 80, depois do lançamento do Lisa, depois do Macintosh, os Commodore Amiga, Atari ST até chegar no Windows 3.1, ainda teve uma transição até a gente passar realmente a depender de mouse pra tudo. Foi mais depois do Windows 95 que o povo não profissional se acostumou a usar mais mouse e menos teclado, depois do meio dos anos 90.</p>
<p>Pior ainda. Foi a partir principalmente do meio pro fim dos anos 90 que passamos a usar mais mouse pra games, especialmente depois de clássicos como Doom, Duke Nukem até culminar nos Quake III, Unreal Tournment e Half-Life. Agora os teclados cheios, 100%, já passam a realmente atrapalhar. Quando a gente joga, a maioria das teclas que se usa nos jogos fica acumulado do lado esquerdo. As teclas w a s d são usados como seta, usamos espaço pra pular. E a mão direita fica no mouse. Por isso que existem até teclados gamers que são só o lado esquerdo, porque daí olha quanto de espaço que ganhamos do lado direito pra mover o mouse.</p>
<p>Claro, não é exatamente muito prático ficar trocando de teclado toda vez que vai jogar, mesmo porque a gente fica em coisas como chat, ou dá uma pausa no jogo, dá alt-tab e vai no navegador procurar alguma coisa; agora a metade que não tem do teclado faz falta. Então eu não recomendo esses meio teclados a menos que tenha espaço pra ter os dois tipos conectados ao mesmo tempo. Pra maioria de nós que não somos gamers nem streamers profissionais, realmente mais atrapalha do que ajuda.</p>
<p>Mesmo sem contar games, atrapalha no dia a dia deixar o mouse lá longe na direita. Mesmo que você seja do tipo que não vê nenhum problema, saiba que quanto mais tá deixando o braço esticado pra direita, mais tá forçando seu ombro e pescoço. Na realidade, quanto mais horas se passa só usando mouse, mais força o braço como um todo e o ideal é evitar. Quem trabalha com coisas como Photoshop, editor de video, 3D ou qualquer coisa assim não tem tanto como evitar, a menos que já tenha migrado pra tablet com caneta, como as famosas Wacom. Ninguém que é obrigado a usar mouse o dia todo gosta muito disso, só se for masoquista e não se importa com dor. Todo o resto, ou tenta usar o teclado o máximo possível, ou migrou pra equipamentos especializados.</p>
<p>De novo, o foco é mais pra gente como eu que lida com programação ou similares. Galera das artes digitais vai discutir se é melhor comprar uma Wacom Cintiq ou um Huion Kamvas ou um XP-Pen da vida. Se seu foco for artes, recomendo o canal do Brad Colbow que faz reviews de equipamentos desse tipo pra desenhistas e ilustradores profissionais. Eu passei anos lidando com photoshop só no mouse, e sim, é brutal com o pulso, ombro e pescoço. Mesmo edição de video eu tenho shortcuts no teclado pra coisas como cortar e navegar pela timeline.</p>
<p>Se nunca tinha pensado nisso, o objetivo é pelo menos não esticar tanto o braço pra direita quando é obrigado a usar. E por isso o próximo passo de um teclado 100% são o que chamamos de TKL ou Tenkeyless, literalmente &ldquo;sem as 10 teclas&rdquo; ou o grupo de teclas numéricas. Eu já consigo ver um contador chorando assistindo o video, mas pra maioria de nós, esse bloco de teclas é literalmente inútil. É muito raro precisarmos digitar tantos números assim que faz diferença; por outro lado, toda vez que precisamos do mouse, esse bloco pouco usado tá no meio do caminho, então vamos arrancar fora.</p>
<p>Por alguma razão esse é o layout que até alguns anos atrás mais se associava a gamers. Marcas como Razer, Logitech, Asus e outros enfiaram um tanto de RGB neles e pronto: teclado gamer. Eu mostrei nos meus videos originais de teclados que eu tinha modelos como o Razer Blackwidow. E mesmo o pessoal que começou a adotar a idéia de teclados mecânicos em geral, adotou o layout tenkeyless. Ele é o meio do caminho mais fácil, porque a única modificação é tirar as teclas de números, que nenhum gamer usa, então tem zero curva de aprendizado pra mudar e automaticamente se ganha mais espaço pro mouse.</p>
<p>Se você quer o menor esforço pra mudar de teclado, caso estivesse usando os 100%, essa é a opção com zero dor de cabeça. Outra opção que se tornou muito popular por causa dos notebooks são variantes de layout 75%. Esses layouts tentam pegar o bloco do meio de teclas de navegação como home, end, page up, page down e setas e tentam enfiar no bloco principal alfanumérico. Esse é o layout que as setas ficam grudadas em teclas como shift e control do lado direito.</p>
<p>Se você tá acostumado com notebooks, tá acostumado com esse layout mais apertado. Nesse caso o objetivo foi menos dar espaço do lado direito e mais conseguir enfiar um teclado usável num notebook com telas menores que 15 polegadas. O problema de tentar usar um teclado cheio 100% num notebook é que você sempre vai ficar um pouco pra esquerda, em vez de estar centralizado com a tela. Alguns se acostumam, mas eu pessoalmente não gosto de não estar no centro da tela. É questão de gosto mas acho que o layout 75% é o mais correto e mais universal pra notebooks. De novo, a menos que seja um contador, aí vai querer as teclas numéricas também.</p>
<p>E quando eu falo contador, não estou menosprezando não, mas é um caso de uso muito pequeno pra estabelecer como padrão pra todo mundo e desperdiçar tanto espaço. Não só contador, mas qualquer um que lide por exemplo com data sciences, pesquisa e coisas que exigem digitar números com velocidade e precisão. Nesse caso não tem jeito, pega um teclado 100% mesmo e seja feliz. Mas pra todo o resto de nós, vamos continuar.</p>
<p>Um notebook tem uma vantagem em relação a desktops, a existência de trackpads embaixo do teclado. Essa é a melhor posição, porque pra maioria das atividades do dia a dia como posicionar o cursor num Word, ou só rapidamente clicar num link, dá pra fazer tudo só usando o dedão sem quase tirar a mão direita do teclado. Por muitos anos, quando usava Mac, eu preferia usar o teclado Magic Keyboard e o Magic Trackpad embaixo dele, que é parecido com o posicionamento num Macbook.</p>
<p>Nesse segmento que cresceu marcas como a Keychron com o seu famoso K2, que até canais renomados como o MKBHD do Marques Brownlee adotaram como teclado favorito. Inclusive pra muitos, migrar pro tal mundo de teclados mecãnicos significou ir pra um Keychron K2 ou clones similares, com layout 75%. É um layout minimalista que dá uma ótima opção pros road warriors, o pessoal que viaja muito e quer carregar um bom teclado na mochila. Pelo menos antes da pandemia.</p>
<p>E um Keychron sempre teve uma construção muito boa. Não é necessariamente o melhor, mas é o melhor conjunto. Os entusiastas poderiam ir pra opções de melhor construção como os kits Glorious GMMK. Eu pessoalmente testei vários Keychron já, do tenleyless K8 ao 75% K2 até o low profile K3, mas pra mim o melhor modelo deles é o Q1 que eu comprei ou o Q2 que saiu faz pouco tempo. Eles tem uma construção bem mais robusta, que compete com os modelos da Glorious e da Drop e lembra o peso de um IBM Model M, um teclado menos pra levar na mochila e mais pra deixar preso na mesa, porque com esse peso ele não vai se mexer.</p>
<p>Um layout que eu pelo menos não vi tanta adoção são os 65%. É basicamente o layout 75% parecido com de notebook mas sem a linha de teclas de função só. Ainda tem as setinhas na direita mas ele é mais curto verticalmente e nesse segmento acho que a marca que sempre mais se destacou foi a lendária Ducky. Eu não tenho uma, mas vejam por esta foto. A idéia acho que é porque a linha de teclas numéricas e a linha de teclas de função são as menos usadas no teclado, então vamos juntar as duas linhas em uma. Normalmente fica ativado a função numérica, mas combinando com uma tecla modificadora, ativamos a camada de funções de F1 a F12.</p>
<p>Mas já que tiramos teclas de função, porque não dar mais uns passos e tirar mais algumas teclas. Aí muitos vão começar a se lembrar que um nicho principalmente de programadores e gamers resolveram dar o próximo passo lógico e daí surgiram marcas reconhecidas nesse nichos a Anne Pro 2 ou esse meu Ultimate Hacking Keyboard. Até pouco tempo sempre achei esse passo desnecessário. Um 60% é igual um 65% menos as teclas de setas, page up, page down, home e end. Ou seja, é o teclado cheio sem o bloco numérico, sem o bloco de navegaçao no meio e sem a linha de teclas de função. E aqui também nasce a necessidade de começar a conseguir configurar o mapeamento das teclas pra conseguir ter o equivalente de setas e tudo mais usando combinações de teclas.</p>
<p>Mas pensa, não parece um saco precisar apertar tipo uma tecla como &ldquo;function&rdquo;, toda vez que precisa usar setinhas ou dar um page up? Esse é o ponto que separa a população normal dos entusiastas. A população em geral consegue ir, no máximo, até 65% e mesmo isso já parece um grande sacrifício. Agora, num 60%, pra ter setas, precisa apertar uma tecla de função e o w a s d ou i j k l, o tico e o teco não consegue lembrar dessas coisas, dá curto circuito, o cérebro primitivo é incapaz de se adaptar a isso. Pelamordeus.</p>
<p>E vocês acham que eles pararam aí? Não! precisa ter um nível que separa de verdade os primitivos homo sapiens e dá destaque ao homo ludens de verdade. E aí inventaram o layout 40%. E é o que vocês devem ter pensado mesmo, vamos arrancar mais teclas! É basicamente o 60% mas arrancando fora também a inútil linha de teclas de números, e arrancando e diminuindo as teclas da direita. Pra que diabos backspace e shift precisam ser tão largos? Minimiza, minimiza. E esse é o resultado, o teclado que faz qualquer um repensar a vida.</p>
<p>Falando sério, eu tentei um layout desses um tempo atrás. Tentei usar o Razer Huntsman Mini. E vou dizer que foi uma experiência horrorosa. Foi tão ruim que eu doei esse teclado pra um dos desenvolvedores da minha empresa. Na verdade, eu decidi me desfazer de vários dos teclados da minha coleção e no ano passado fiz um sorteio interno entre o pessoal da minha empresa. Eles levaram esse Huntsman, meu Matias Mini Quiet Pro, o low profile tenkeyless SK630 da Coolermaster, os meus dois Razer Blackwidow, o MassDrop Ctrl, da época anterior da empresa mudar de nome só pra Drop, e meu primeiro Keychron K2. Falei que usar um 40% quebra a gente&hellip;</p>
<p>Tô brincando, eu quis me desfazer porque realmente já tava com teclados demais, e na época chegou o Keychron Q1 que como eu falei, achei que fosse ser meu último teclado. Tinha muito pouca coisa que poderia melhorar num teclado com layout 65%, que era o máximo que tava disposto a ir. Mas no fim do ano passado eu comecei a repensar essa história de teclados por causa de um colaborador da minha empresa que curte muito teclados e me convenceu a tentar uma coisa diferente.</p>
<p>Antes de chegar nessa história, vou precisar voltar no tempo de novo. Agora que vocês entenderam o básico sobre o tamanho dos teclados, preciso explicar sobre o layout, a disposição das teclas propriamente dito. Acho que muitos já ouviram a história de porque usamos layouts baseados em qwerty. E chamamos de qwerty porque são as primeiras 5 teclas da esquerda. O motivo de porque letras que usamos muito como &ldquo;a&rdquo; ou &ldquo;p&rdquo; ficam um lá na esquerda pro dedo mindinho e lá na direita pro outro dedo mindinho. E tem a ver com isso aqui, a máquina de escrever original.</p>
<p>Quem nunca usou não vai saber, mas cada tecla empurra um braço embaixo dele que vai tanto levantar um tambor aqui dentro e empurrar o martelo da letra específica que apertou, pra bater na fita de tinta e carimbar no papel atrás. Quando falamos em teclados mecânicos, falamos em peso de actuação na faixa de 45 até 60 gramas. Mas nesse caso, estamos falando de no mímimo o dobro disso de força que cada dedo precisa fazer pra conseguir carimbar com força no papel. Não tem como digitar leve, senão a tinta nem mancha o papel.</p>
<p>O problema é que, depois de treinar muito, era possível digitar tão rápido que um martelo poderia acabar batendo no anterior, que não teve tempo pra voltar, e fazendo muito isso a gente trava a máquina e precisa manualmente desenroscar os martelos. Daí o povo teve uma idéia: seria difícil fazer os martelos voltar mais rápido, então era mais fácil fazer nossos dedos digitarem mais devagar. Então vamos colocar algumas das letras mais comuns pros dedos mais fracos. Não sei dizer se foi assim que pensaram, mas consigo imaginar a linha de raciocínio.</p>
<p>De qualquer forma, o layout que usamos hoje é derivado de uma época onde se digitava nesses troços pesados, complicados e mecânicos de verdade. Só que ninguém mais usa isso hoje em dia. Mesmo antes dos PCs se popularizarem a gente já tinha máquinas de escrever eletrônicos, que era como se fosse um teclado embutido numa impressora com um processador muito simples e poucos bytes de memória. Eu lembro que era meu sonho poder digitar numa máquina daquelas, que eu via na escola, porque era ordens de grandeza mais leves de digitar. E depois nasceu micros e PCs, e aí até essa máquina ficou pra trás.</p>
<p>O fato é que hoje em dia as teclas são super leves. Mesmo os dedos fracos como os mindinhos, não tem que fazer quase nenhuma força. O problema hoje é que pouca gente usa os mindinhos, mas já vou falar disso. Então, não demorou muito pra alguns pesquisadores e engenheiros pararem pra pensar, &ldquo;cara, porque usar um layout derivado da época de máquina de escrever? tem gente que já nasceu com computadores e sequer usou uma máquina de escrever na vida. vamos criar um layout mais inteligente.&rdquo;</p>
<p>E assim nasceu o DVORAK, por causa do nome do inventor August Dvorak e na verdade eu fantasiei um pouco aqui. O Dvorak foi inventado nos anos 1930 com o objetivo de criar um layout cientificamente comprovado que é superior ao qwerty em velocidade, menos erros e menos esforço do digitador. Foram milhares de testes com pessoas de verdade ao longo de muito tempo pra chegar na melhor combinação de teclas que fosse melhor pro digitador. Mas na prática, qwerty é a prova que a gente tem muito pouca paciência pra aprender coisas novas.</p>
<p>Eu disse que o qwerty foi inventado como forma de evitar sequências de letras que pudessem emperrar os martelos, mas mesmo nos anos 30 acho que já era possível construir máquinas que emperravam menos, mas uma vez que todo mundo aprendeu a usar qwerty, era pedir demais pra mudar pra um layout novo mesmo que fosse cientificamente, comprovadamente melhor. E o mais bizarro disso, eu tenho certeza que quase 70% de vocês assistindo nunca usaram uma máquina de escrever e mesmo assim não conseguem se ver aprendendo um layout diferente de qwerty.</p>
<p>Mesmo hoje em dia, com computadores, e sendo super fácil trocar de layouts, a grande maioria das pessoas sequer sabe digitar qwerty como ele foi originalmente pensado, com todos os dez dedos. Tenho quase certeza que a grande maioria aqui usa 3, talvez quatro dedos. Em particular na mão direita, talvez cate milho só com o indicador e dedo do meio. E até digitam razoavelmente rápido, mas eu garanto que se sua profissão exige digitar muito, como um escritor ou programador, você eventualmente vai ter problemas no seu pulso, no seu cotovelo e no seu ombro e pode ser a razão de porque tem dores musculares e de cabeça.</p>
<p>Num mundo ideal, a gente aprenderia Dvorak, mas pra isso acontecer, essa teria que ser a primeira opção, e não a segunda. É como a dificuldade que muitos adultos tem de aprender uma segunda língua. Depois de uma certa idade, você não quer mais ter o trabalho. É pura preguiça mesmo, não tem nenhuma outra explicação. O motivo de porque eu não tento dvorak é justamente isso também, preguiça. E Dvorak ainda tem alguns problemas de ter sido criado numa era antes dos computadores. Mas além de preguiça eu ainda tenho uma outra boa justificativa que vou explicar.</p>
<p>Mas digamos que você tente experimentar Dvorak. Nas primeiras horas vai rejeitar o layout e o motivo é simples. Quais são as teclas que você mais usa no dia a dia? Eu diria que é copy e paste, os famosos control + C e control + V. Eles ficam aqui embaixo no teclado, não muito longes da tecla control. Daí às vezes a gente quer cortar em vez de só copiar, daí fazemos control + x, que tá aqui do lado do c. E quando a gente erra, faz o que? Desfaz ou undo, com control + z, que tá aqui do lado do x. Essas 4 teclas aqui embaixo é sua vida.</p>
<p>E onde o Dvorak coloca o C? Lá em cima, perto da tecla 9. E o V pra colar? Fica lá embaixo na direita, na direita! E cadê a porra do X pra cortar? Vou dar 1 segundo, procura, conseguiu achar? Não né. Tá aqui embaixo, no meio, em cima do espaço. E se quiser fazer control Z pra desfazer alguma coisa? Antes era lá no canto esquerto, mas no Dvorak fica lá no canto direito. Ou seja, as 4 teclas mestras do nosso dia a dia tão todas espalhadas e só isso já é suficiente pra nos deixar em pânico completo e desistir dessa brincadeira. E isso porque não sei se notou, mas lembra de onde fica o q w e no qwerty? Olha o que tem no lugar: crase, vírgula e ponto, que normalmente ficam lá embaixo na direita.</p>
<p>O Dvorak não deu certo na época das máquinas de escrever e até hoje permanece sendo um layout de nicho, embora todo sistema operacional já venha com opção pra escolher Dvorak se quiser. Basta ir na configuração de teclado, adicionar um novo layout, e começar a treinar. Não precisa instalar nada extra. E mesmo assim, duvido que alguém aqui tente. E por isso inventaram outros layouts pra essa era de computadores.</p>
<p>Na realidade, depois de Dvorak surgiram dezenas de outros layouts, mas nenhum ficou mais famoso em anos recentes do que o Colemak de 2006. Um layout mais moderno e mais sensível, onde o autor Shai Coleman também fez pesquisas pra chegar num layout que fosse mais eficiente pra digitar, assim como o Dvorak, mas ao mesmo tempo não tão complicado de migrar do qwerty. E de fato, só de bater o olho, ele já não ofende tanto quanto o Dvorak. Pra começar as teclas de símbolos quase não muda nada de lugar. Vírgula, ponto, tudo no mesmo lugar.</p>
<p>Mais do que isso, copiar, cortar, colar, desfazer, as teclas Z X C V continuam também nos mesmos lugares lá embaixo. Teclas como Q W A também parecem nos mesmos lugares, mas daí o miolo muda. Qual o princípio? É a idéia de manter seus dedos o maior tempo possível no que chamamos de &ldquo;home row&rdquo; ou &ldquo;linha de casa&rdquo;, que é a linha do meio.</p>
<p>Olha só, num mundo ideal, seus dedos deveriam no máximo mover o menos possível, uma tecla pra cima, uma tecla pra baixo, mas ficar no meio o máximo possível. Quanto mais manter os dedos na linha do meio, menos esforço precisa fazer e menos erros vamos cometer. A maior parte dos erros vem de ter que tirar a mão dessa posição, por exemplo pra apertar o backspace pra apagar, que costuma ficar lá em cima na direita, ou quando você não usa o shift da direita pra fazer maiúsculas com as teclas da esquerda.</p>
<p>Eu mesmo ainda não tive paciência pra testar, mas Colemak pode ser uma boa alternativa pra quem quiser migrar de qwerty pra um layout que possivelmente vai te deixar mais rápido e ao mesmo tempo diminuir problemas de lesão por esforço repetitivo ou LER. Eu estou chutando, mas imagino que qualquer um que digite errado vai ter mais chances de ter lesões no futuro. Mesmo se não quiser mudar de layout, no mínimo tente treinar pra usar todos os 10 dedos no qwerty. Eu também chutaria que seja qwerty, ou dvorak ou colemak, pra maioria das pessoas, não vai fazer tanta diferença e agora vou explicar porque não é só por preguiça que não me animo de mudar pra um Colemak da vida.</p>
<p>Alguns anos depois, um cara que experimentou dvorak e colemak, justamente por causa de lesões por esforço repetitivo, ficou curioso com uma coisa que ele notou no Colemak. De fato, ele diz que notou que os dedos fazem menos movimentos pra linha de cima ou pra linha de baixo comparado com qwerty. Mas ele cismou que alguns dedos faziam mais movimentos laterais na linha do meio mesmo. E a razão disso foi a posição da letra H no colemak, que por acaso se manteve no mesmo lugar comparado ao qwerty.</p>
<p>Tanto dvorak quanto colemak existem na idéia de aumentar a eficiência ao tentar manter seus dedos na linha do meio o máximo possível, mas o Bucao, criador do layout Workman, acha que obcecar só nisso e ignorar o movimento natural diferente dos dedos das mãos não é eficiente. No site do workman ele tem uma enorme explicação muito bem embasada com toda a pesquisa que justifica o porque do layout dele. E aí que eu acho que pra nós, eu aqui e vocês assistindo, não faz tanta diferença a menos que seu dia a dia seja só escrever textos em inglês.</p>
<p>Em particular a cisma que ele teve com o H foi porque o E fica duas teclas pra direita na linha do meio no Colemak. E o segundo bigrama mais usado na língua inglesa é o HE, como em &ldquo;The&rdquo;. O primeiro bigrama é &ldquo;TH&rdquo;, claro, que aparece tanto em &ldquo;The&rdquo; como &ldquo;there&rdquo; ou &ldquo;this&rdquo;. Bigrama é um termo de linguística pra estudar línguas e se refere a pares consecutivos de letras que aparecem em palavras. Todo mundo que já lidou com indexação e pesquisa de palavras já esbarrou em termos como bigrams ou n-grams, na documentação de um Elasticsearch ou full text search de bancos de dados. Mas isso é assunto pra outro dia.</p>
<p>Otimizações desse tipo são totalmente dependentes da língua. Pensa, como que fazemos pra manter os dedos o máximo possível na linha do meio do teclado? Simples, pegamos todos os textos de livros e revistas indexados tipo no Google e fazemos uma análise estatística de bigrams, n-grams e tentamos colocar no meio as letras mais frequentes. E tentamos também colocar mais próximo as letras dos bigramas mais usados como o TH e HE que o Bucao mencionou. E vamos fazendo experimentações e medições pra ver se realmente ao digitar textos em inglês, no geral, os dedos tendem a se mexer o menos possível e fazer o menor número de repetições desconfortáveis que poderiam levar a lesões.</p>
<p>Mas de novo, toda essa pesquisa vale pra inglês. Mesmo entre inglês britânico e americano vai ter muitas diferenças. Se colocar nosso português na mistura, pior ainda, tem que refazer a pesquisa toda. Eu não pesquisei, mas nunca esbarrei num layout que foi pensado especificamente pra nossa língua. Certamente alguém deve ter tentado. Pior ainda, e pra gente que é programador que precisamos escrever em português e em inglês ao mesmo tempo? Não tem como fazer um layout que atenda todas as possibilidades de múltiplas línguas. E por isso eu não vejo muita vantagem migrar de qwerty pra outra coisa.</p>
<p>A grande vantagem do qwerty e o motivo de porque ninguém tem muita vontade de mudar é porque é universal. Pode não ser o melhor, mas podemos usar computador de casa, notebook do trabalho, computador na casa dos pais, amigos, em lojas, e sempre vamos achar o mesmo layout. Seja o melhor ou não, a vantagem é a universalidade. Por isso eu não vejo o qwerty morrendo tão cedo. Mesmo os layouts cientificamente comprovados como melhores como dvorak ou colemak permanecem num nicho muito pequeno de usuários.</p>
<p>Pra quem é programador e sequer digita textos muito longos nem em português, nem inglês, e sim coisas como &ldquo;function&rdquo;, &ldquo;class&rdquo;, &ldquo;const&rdquo;, &ldquo;let&rdquo; com mais frequência, os estudos todos que foram baseados em literatura, não bate com a realidade. Se você programa em javascript eu poderia chutar que o bigrama mais comum não vai ser &ldquo;TH&rdquo; com em &ldquo;The&rdquo; e sim talvez &ldquo;LE&rdquo; de &ldquo;let&rdquo; ou &ldquo;CO&rdquo; de const, e essas seriam candidatos de letras que deveriam estar na linha do meio. Mas como vimos, se tirar o &ldquo;C&rdquo; da linha de baixo, vai dar treta, porque mais que digitar código, programador moderno vai é fazer control + C e control + V com mais frequência do que qualquer outra coisa.</p>
<p>Eu pessoalmente não vejo vantagens em mudar de qwerty, mas se no seu dia a dia você digita mais textos em inglês o dia todo, talvez como pesquisador escrevendo papers ou gerente escrevendo relatórios, talvez um colemak ou workman sejam os mais indicados pra testar, se fizer muita questão de tentar. Mas esperem passar por pelo menos 2 semanas de muita frustração e ter que retreinar digitação do zero até conseguir chegar numa boa velocidade e com poucos erros. Na prática o problema da maioria das pessoas não é o layout e sim nunca ter treinado pra digitar nem o qwerty direito, com todos os dez dedos das mãos na posição correta. Já vou falar sobre isso.</p>
<p>Mas falando em relíquias da época da máquina de escrever tem de fato uma coisa que é difícil de defender. E foi isso que meu amigo aqui da empresa me recomendou e me convenceu a investigar mais. Olhem pra todos esses layouts, qwerty, dvorak, colemak, workman. Conseguem ver um troço estranho em todos eles? Ou melhor ainda, olha pro seu teclado na sua frente agora assistindo aí o video. Lembra quando eu falei agora pouco sobre o layout 60% de porque diabos teclas como backspace ou shift precisam ser tão largos? Sério agora, porque você acha que muitas teclas tem tamanhos diferentes?</p>
<p>Mas vamos um passo além, porque diabos todas as teclas precisam ser desalinhadas? Coloca sua mão na posição neutra na linha do meio. Indicador esquerdo em cima da tecla F, que costuma até ter um relevo pra você sentir que estacionou no lugar certo. E indicador direito em cima da tecla J que também tem esse relevo. Agora você vai digitar a tecla &ldquo;C&rdquo;, qual é o dedo certo? É descendo o indicador ou o dedo do meio? E a tecla &ldquo;Z&rdquo;? É o mindinho ou o anelar? Sério, consegue me dizer de cabeça sem tentar no seu teclado?</p>
<p>E todas as teclas da linha de cima e de baixo sofrem do mesmo problema. Muitas delas são ambíguas, e se você nunca teve treinamento formal de digitação, cada um vai ter uma resposta diferente porque ao longo dos anos acostumou a usar um dedo ou outro. Mesmo quem digita com todos os dez dedos vai ter dificuldades e esse é o motivo de porque você erra tanto e porque a tecla que mais usa é o backspace pra apagar e corrigir; porque se tenta ir muito rápido eventualmente seu dedo bate na borda de uma tecla e acaba apertando a outra do lado.</p>
<p>E por que diabos as teclas são todas desalinhadas? Já pararam pra se perguntar isso? Eu mesmo nunca tinha parado pra pensar nisso até que me fizeram essa mesma pergunta. E a resposta, pra mim que aprendeu a digitar numa máquina de escrever é super óbvia. Vamos voltar aqui pra minha máquina. Lembram que cada tecla tem um braço em L embaixo que liga com o tambor lá atrás? Concorda que seria muito complicado se as teclas fossem alinhadas verticalmente? Elas são desalinhadas pros braços das teclas da linha de baixo não cruzarem com os braços das teclas da linha de cima.</p>
<p>Deixa eu mostrar com calma que isso é importante, olha só como cada tecla fica exatamente entre duas de cima. Pras teclas serem alinhadas verticalmente, esses bracinhos de ferro embaixo precisaria cada uma ser dobrada de jeitos diferente pra desviar das outras. Eu imagino que até seja possível, mas aí na hora de fabricar, teria que ter um desenho de braço diferente pra cada linha de teclas. E esse é o único motivo de porque as teclas são todas desalinhadas. Não é por eficiência pra digitar nem nada, mas sim pela forma que máquinas de escrever eram construídas.</p>
<p>E de novo, ninguém mais usa máquinas de escrever. Mudar de layout eu realmente acho que o ganho não compensa a dor de cabeça pra reaprender, mas o desalinhamento realmente me atrapalha mesmo depois de digitar assim por 3 décadas. Eu sempre errei mais do que gostaria e sempre porque vira e mexe, quando começo a digitar muito rápido, acabo apertando duas teclas sem querer, e como sou obrigado a mover os dedos pra um alinhamento estranho na linha de cima e de baixo, pra voltar pra posição neutra no meio de novo, é mais devagar.</p>
<p>E foi isso que ano passado eu fui obrigado a parar pra pensar. Não existe nenhuma razão pra teclados modernos terem teclas desalinhadas a não ser legado histórico e costume. E depois que isso me ocorreu, não consigo mais despensar e fiquei com isso na cabeça me perturbando. Eu sou do tipo que quando uma coisa óbvia aparece, não consigo mais ignorar. E por isso encomendei dois teclados novos. E agora podemos continuar a história dos tamanhos de teclado também.</p>
<p>Lembram que brinquei que o homo sapiens vai parar no layout 65% porque a evolução só chega até esse ponto e só o homo ludens vai o caminho todo até os famigerados 40%? Pois é, conheçam o meu novo Planck EZ da ZFA, a mesma que muitos devem conhecer pelo famoso Ergodox. Se nunca tinha visto, isto é um 40%. Esse teclado é um pouco menor que um Nintendo Switch, e só um pouco mais grosso na lateral. Aliás, uma dica pra quem tem teclados desse tamanho. Ainda não existe um case oficial pra transportar o Planck na mochila mas um case de Switch serve direitinho. Eu tenho esse genérico da Insignia que comprei pra transportar meu Switch e olha só, cabe o Planck direitinho nele.</p>
<p>Mais do que 40%, esse teclado tem as teclas todas alinhadas verticalmente. É o que se chama de teclado ortolinear, teclados tradicionais chamamos de staggered, ou escalonado. Vamos falar disso primeiro e vamos colocar os dedos na posição neutra, indicador esquerdo no F e indicador direito no J, igual antes. Agora lembram da pergunta? Qual dedo que devemos usar pra apertar a tecla C? Indicador ou dedo do meio? E aqui está absolutamente óbvio que é o dedo do meio, só deslizar ele pra baixo uma tecla. E a tecla Z, é com o mindinho ou o anelar? E de novo é óbvio, só deslizar o mindinho e ele encosta no Z. Não tem dúvidas de qual dedo vai em onde.</p>
<p>Olha só, deslizamos verticalmente pra cima, deslizamos verticalmente pra baixo, os únicos dedos que tem mais de uma letra são os indicadores que continuam deslizando pras colunas do meio. Mas beleza, e se eu quiser digitar números? Onde eles foram parar? E aqui começa uma coisa que é específica deste teclado e pode variar em outros modelos. No caso do Planck, ele pode ser totalmente customizado via um software chamado Oryx. Vamos abrir online pra olhar, é uma aplicação web, nem precisa instalar.</p>
<p>Teclados 40% obrigatoriamente precisam ter camadas, ou layers como eles chamam. Essa camada que vocês conseguem ver chamamos de layer base. É onde ficam todas as letras normais e teclas de modificação como shift, control, alt e outros. No meu caso em particular eu modifiquei meu layout pro enter ficar do lado direito do espaço e pro backspace ficar no dedão do lado esquerdo. O motivo é simples. Quais são os dedos mais fortes das suas mãos? O dedão, e enquanto dedos fracos como o mindinho da esquerda precisa além de apertar as telas Q A e Z ainda precisa apertar o control, o shift, o esc e tudo mais. E o dedão? A única coisa que ele faz é apertar a barra de espaço. Com certeza esse dedão consegue fazer mais que isso.</p>
<p>Fazendo isso eu consigo colocar de volta a tecla de igual e mais lá no canto superior direito, que no layout padrão é onde fica o backspace e aí eu perderia essa tecla. Tecla de igual usamos bastante em programação. No layout padrão do Planck, temos duas teclas especiais de troca de layers. Voltando ao assunto de layers, o Planck tem 3 layers, o que ele chama de layer baixo, layer alto e layer de ajuste. No meu caso eu fiz a tecla de backspace trocar pro layer baixo quando deixa apertado.</p>
<p>Vamos a mais detalhes. A gente costuma pensar em uma tecla como só tendo uma função. Por exemplo, a tecla de backspace, apaga uma letra. Se deixamos apertado ele sai apagando mais letras pra esquerda. Mas só com essa descrição sabemos que a tecla tem pelo menos 2 comportamentos diferentes pra 2 estados diferentes, o estado de teclar e o estado de deixar apertado, ou held. Olha só no Oryx, de fato eu posso configurar cada estado como eu quiser. E além de só apertar e deixar apertado eu ainda tenho os estados de dar duplo clique rápido e o estado de apertar rápido uma vez e deixar apertado no segundo toque que é esse &ldquo;tapp and then held&rdquo;.</p>
<p>Ou seja, cada tecla pode ter até 4 comportamentos diferentes e foi assim que fiz meu backspace também ter o comportamento de mudar pro layer baixo, quando deixa apertado sem soltar. Justamente um dos maus hábitos que nós temos é errar e sair apagando com backspace apertado a linha toda em vez de usar combinações mais eficientes como control + backspace que apaga palavras inteiras de uma só vez. Enfim, voltando pro Oryx, veja como está meu layer baixo hoje.</p>
<p>Quando eu deixo apertado o backspace, meu teclado muda de cor, que foi como eu configurei no Oryx. Agora as teclas da linha do meio da esquerda são os acentos mais chatos de português como til e circunflexo. E na linha do meio da direita eu deixei o mesmo esquema de navegação de setinhas como é no editor Vim, com H pra esquerda, J pra baixo, K pra cima e L pra direita. Vários outros utilitários de Linux costumam navegar no estilo Vim e esse eu acho que é o jeito mais eficiente pra navegar por um texto.</p>
<p>Esse ponto vale explicar mais. Vamos lá, o grande motivo de porque a maioria das pessoas não tá disposta a experimentar layouts abaixo de 65% é porque perdemos as setas de navegação que ficam lá embaixo na direita; olha só neste teclado 65% por exemplo. Você tá digitando seu texto ou código aí decide que faltou digitar alguma coisa no parágrafo de cima, o que você faz? Tira a mão direita inteira do teclado e move lá pra baixo. Daí quando termina de navegar, agora precisa encontrar a posição neutra tudo de novo pra voltar a digitar.</p>
<p>Agora vamos ver como é no modo Vim. Mesma coisa, quero navegar algumas linhas pra cima pra acrescentar alguma coisa. Agora eu aperto o backspace e deixo apertado pra mudar pro layer de baixo, sem tirar as mãos da linha do meio eu navego e imediatamente volto a digitar sem tirar as mãos do meio do teclado. Essa é a grande vantagem da navegação Vim. E some a isso esse layout de 40% e literalmente os dedos não precisam se mover mais do que uma tecla pra cima ou uma tecla pra baixo.</p>
<p>Isso ajuda mesmo acentuação de português que é um saco. Pensa o til. Se você digitava errado como eu, a gente precisa tirar a mão esquerda toda da posição pra alcançar shift e til, ou apertar shift com mindinho da direita e til com mindinho da esquerda, puta combinação chata. No meu caso eu configurei pra ser no layer de baixo então só aperto backspace com o dedão pra ativar o layer e F que é onde configurei pra ser o til. Essa é uma combinação bem mais próxima e sem malabarismo, com dois dedos fortes, o dedão e o indicador. E no caso de acentos eu recomendo que se experimente diversas combinações pra achar o que mais se adequa pra você.</p>
<p>No meu caso, no layer de cima é onde estão coisas como as teclas de função de F1 a F12 aqui no bloco do lado esquerdo. Eu quase nunca uso essas teclas, mas tá lá se precisar. E no lado direito tem uma curiosidade que ainda não me acostumei. Em vez de tirar a mão do teclado e pegar o mouse, pra coisas pequenas como clicar num campo num formulário de um site pra dar foco, eu posso controlar o cursor do mouse via o teclado. Olha só. Eu ativo o layer de cima e com essas teclas de baixo na direita mexo o cursor e posso até clicar com equivalente do botão direito ou esquerdo do mouse. A idéia não é substituir o mouse, mas só evitar precisar dele pra coisas pequenas e rápidas.</p>
<p>Enfim, eu já reconfigurei esses layouts literalmente dúzias de vezes. Toda vez que vou digitar um texto novo percebo alguma coisa que quero mudar de lugar. Depende muito do tipo de coisa que mais digita. Lembra o que eu falei sobre layouts como colemak, workman e afins? Diferente de inglês, português usa muita acentuação, é um grande saco, e nenhum desses   layouts leva isso em consideração. Os acentos que a gente mais precisa ficam espalhados por todo o teclado. E com teclados como o Planck posso configurar onde Eu acho mais confortável.</p>
<p>Aliás, o Oryx não é o único software que existe. Cada fabricante costuma ter o seu, precisa pesquisar, mas em particular dê preferência pra teclados que aceitam firmwares QMK, que é um projeto de código aberto pra ser o cérebro de teclados customizáveis. O próprio software Oryx na realidade é o QMK com uma cara mais bonita que a ZFA fez pra ela. Uma das grandes vantagens é que toda essa configuração não fica só no seu computador. Deixa eu mostrar.</p>
<p>Toda vez que modifico alguma coisa, ele compila e me dá opção de baixar um arquivo binário. Daí eu abro esse aplicativo de Windows chamado Wally e seleciono o binário que acabei de baixar. Olhem como tem vários do planck porque eu tava brincando bastante com ele. Daí pede pra colocar o teclado num modo que aceite o upload desse binário, que é apertando um botãozinho com uma agulha. Demora alguns segundos, restarta o teclado e pronto, tá com a nova configuração. E toda vez que mudar qualquer coisa precisa fazer esse processo de novo.</p>
<p>A grande vantagem é que agora posso plugar esse teclado em qualquer outro computador e todas as minhas customizações vão funcionar igual, sem precisar instalar nada extra. Fica tudo na memória do teclado. Marcas grandes como Razer tem software 100% proprietário como o Synapse, que costuma dar mais prioridade em mudar o RGB do que realmente customizar o teclado e foi o motivo de porque eu disse que minha experiência com o Hunstman Mini foi horrorosa. Porque não podia mudar quase nenhuma tecla. E um teclado 40% que não deixa customizar tudo, não serve pra nada. Portanto fiquem espertos com compatibilidade com QMK, isso é o mais importante.</p>
<p>Agora, mesmo customizando tudo que quiser, mesmo assim você não vai conseguir sair digitando rápido no mesmo dia. De jeito nenhum. Mesmo se já é um bom digitador num teclado normal, se já consegue uma média de 80 palavras por minuto, tenha certeza que no dia 1 sua média vai cair pra 20 palavras por minuto ou menos. Ou seja, sua velocidade male male vai ser 25% do que era antes. E isso vai ser extremamente frustrante, porque 20 palavras por minuto é a velocidade de alguém catando milho. Velocidade de ficar olhando e procurando a tecla.</p>
<p>E não tem jeito, seu corpo se acostuma com tudo que você faz repetidas vezes, inclusive as coisas erradas. Por isso é tão difícil quebrar um mau hábito. E mesmo sendo ruim digitar com teclas desalinhadas, sua memória muscular tá acostumado a lidar com esse problema. Ele naturalmente digita errado, naturalmente seu dedinho vai pro backspace e você naturalmente fica nessa rotina de, digita errado, apaga, conserta, digita errado, apaga, conserta. Você faz sem pensar. Mas colocando um teclado 40% e ortolinear ainda por cima, a região consciente do seu cérebro certamente não tem como ignorar. Ele vai ter que voltar pro zero.</p>
<p>Voltar do zero significa abrir um notepad e começar a reacostumar dedo a dedo. Faz de conta que você tava acostumado a digitar a letra C com o indicador esquerdo. Então coloca as mãos na posição neutra e começa a digitar a tecla C com o dedo médio quinhentas vezes no notepad, até parecer que seu dedo médio acostumou que é Ele que vai no C. E vai fazendo isso letra a letra.</p>
<p>Quando terminar de se familiarizar com o teclado, agora precisa de treino intensivo e pra isso servem sites como o keybr.com. Lembrando que vai ser extremamente frustrante mas você precisa ignorar a frustração e prestar atenção. Qual dedo tá tendo mais dificuldade em qual letra? Seu mau hábito tá levando o dedo pra tecla errada? Então volta pro notepad e fica treinando só esse letra, até marretar no seu cérebro que é o outro dedo que tem que ir nessa tecla. Volta pro keybr, faz algumas rodadas de palavras com as letras que tá errando. Recalibra outro dedo errado no notepad, e vai fazendo isso, dedo a dedo. Seu dedo não pode mandar em você, precisa subjugar esses dedos rebeldes.</p>
<p>Lembra bigramas? Além de digitar as teclas com o dedo errado, tem diversas combinações que naturalmente digitamos mais rápido. Acho que isso varia de pessoa pra pessoa, mas por exemplo uma palavra como &ldquo;palavra&rdquo;, no meu caso o &ldquo;pala&rdquo; eu digito muito rápido, é o mindinho da direita, depois o mindinho da esquerda, daí o anelar da direita e de novo o mindinho da esquerda. Como alterna direita e esquerda, elas saem quase ao mesmo tempo. Se você digita com dedos errados, tá acostumado a combinações rápidas que agora vão sair devagar, e até reacostumar, vai ser a parte mais frustrante de reaprender, na minha opinião.</p>
<p>Imagino que foi intencional, mas por isso eu acho interessante não treinar no começo com palavras que tá acostumado. Olha como os testes de prática do Keybr são palavras nada a ver. Isso força seu cérebro a desistir da memória muscular, porque nenhuma palavra tem o ritmo que você espera, e aí precisa prestar mais atenção no que tá digitando em vez de confiar na memória. Esse é um bom jeito de começar a forçar a digitar da forma correta, tirando completamente da zona de conforto.</p>
<p>E quanto tempo precisa pra acostumar? De novo, isso não é científico porque é a experiência de uma única pessoa que sou eu mesmo. Se olhar no meu perfil no keybr, eu treinei um total de 4 horas, quase 500 testes de prática como esses que mostrei. Imagino que a maioria das pessoas não tem paciência pra ficar catando milho e se frustrando por mais que meia hora por dia, então chuto que vai levar mais de uma semana tentando, no mínimo, porque picado assim vai levar mais tempo no total. E não adianta, tem que ser um treino deliberado como falei, prestando atenção dedo a dedo e retreinando letra a letra. Não adianta querer sair digitando de qualquer jeito que aí sua memória muscular vai forçar os dedos errados nos lugares errados.</p>
<p>Eu sou meio retardado, e já tinha ouvido falar que podia levar 2 semanas ou mais de treino e eu tava com zero paciência pra esperar tanto. Então, essas 4 horas foram ao longo de 2 dias num fim de semana. E na realidade foi mais de 4 horas. Depois das primeiras horas no keybr decidi tentar palavras de verdade em outro site, no Monkeytype. E lá gastei mais 2 horas de treino e uns 300 exercícios. No total foram pelo menos umas 3 horas num sábado e mais 3 horas no domingo, total de quase 800 exercícios. Na verdade acho que foi mais porque eu só fiz conta no keybr bem depois que comecei a treinar.</p>
<p>Nas primeiras horas eu tava catando milho, no máximo 20 palavras por minuto. Mas é incrível o que treino deliberado prestando atenção no tempo, na métrica e disciplinadamente indo dedo a dedo fazem. No final dessas 6 horas já tinha voltado pra minha média de 80 palavras por minuto, e forçando um pouco mais já tava conseguindo ficar no range entre 90 e 100 palavras por minuto que era minha velocidade em teclados normais antes. Hoje em dia facilmente atinjo 90 palavras por minuto se estiver focado. Então a boa notícia é que se você for do tipo dedicado e focado, dá pra acostumar no layout ortolinear de boa em um único fim de semana, sem nem precisar se matar tanto assim.</p>
<p>Considere o seguinte, eu digito no estilo qwerty com teclas desalinhadas faz mais de 30 anos, e tinha alguns poucos maus hábitos de dedos em teclas erradas. 6 horas intensivas num fim de semana foi o suficiente pra corrigir meus maus hábitos e acostumar num alinhamento novo, o suficiente pra segunda-feira estar respondendo emails, conversando com o pessoal da empresa no chat e ninguém notando diferença na minha velocidade. Lembra meu episódio de a Dor de Aprender? Foi tipo isso.</p>
<p>Eu diria o seguinte. Os melhores digitadores conseguem fazer acima de 150 palavras por minuto se estiverem completamente focados. É muito difícil conseguir isso. O meu máximo, com 30 anos de digitação nas costas, é 100 palavras por minuto, mas isso se estou num site como monkeytype ou keybr: em condições perfeitas, foco completo, sem acentuação, sem pontuação, sem palavras em maiúsculo, ou seja, condições de laboratório.</p>
<p>Aliás, eu facilmente chego acima de 90 palavras por minuto se forem palavras em português. Uma coisa legal do Monkeytype é que dá pra escolher dicionários em várias línguas. No caso de inglês dá pra escolher dicionário de palavras fáceis e ir escolhendo de palavras bem mais complicadas pra dificultar o treino. Em inglês minha média cai pra casa dos 70 a 80 palavras por minuto. Por alguma razão eu digito bem mais rápido em português sem acentos. E um chute que eu tenho é que em inglês eu noto que uso mais igualmente as duas mâos, mas em português parece que eu uso bem menos a mão esquerda. Minha mão direita é um pouco mais devagar, daí em inglês vou mais lento que português. A velocidade não é a mesma em qualquer língua.</p>
<p>No dia a dia, eu devo estar muito mais próximo da média de 60 palavras por minuto. Até menos. Isso porque quando digito um texto, eu páro pra pensar, mudo de idéia, reescrevo de um jeito mais bonito ou menos agressivo. Ninguém fica digitando 100 palavras por minuto o tempo todo, só em ambiente controlado. Então eu diria que mais que digitar rápido, é mais importante digitar corretamente, cometendo menos erros. Erros é o que atrapalha seu raciocínio, porque quebra sua concentração ter que ficar dando um monte de backspace toda hora.</p>
<p>E falando em digitar muito rápido, um tanto de gente ficou me mandando um video que eu já tinha visto também no TikTok de um teclado diferente onde o cara consegue digitar 200 ou 300 palavras por minuto. É o Charachorder. Parecem duas bolas com botões pendurados. Vou resumir pra vocês: primeiro, esse teclado não presta pra gente. Segundo, essa idéia não é nenhuma novidade. Existe faz décadas.</p>
<p>Só existe uma profissão onde digitar extremamente rápido e sem erros é fundamental. Se você for um estenógrafo. Sabe séries de TV que tem julgamentos, tipo Suits da vida? Sempre tem aquela pessoa quieta que fica transcrevendo tudo que todo mundo fala no julgamento. Já pararam pra pensar como fazem isso? Pra conseguir transcrever uma pessoa falando em tempo real de fato você precisa ter velocidade consistente acima de 150 palavras por minuto, durante todas as horas que pode durar um julgamento. Digitar 100 já exige todo meu foco, imagina 150 ou 200 palavras por minuto durante um dia inteiro de 8 horas.</p>
<p>Num teclado normal isso é impossível. Com todos os defeitos legados que herdamos da máquina de escrever, não tem como. Nem se eu treinar muito no meu ortolinear, também é impossível. Eu preciso juntar meu teclado com um software que pensa junto comigo. É uma combinação de macros e autocomplete, que nem o teclado do seu smartphone faz sugerindo palavras antes de terminar de digitar. Palavras super longas eu abrevio pra uma combinação de poucas letras num macro, que nem snippets de código num VSCode. Os teclados especializados de estenografia oficiais custam super caros, até 6 mil dólares. Isso porque eles são essencialmente computadores com dicionários caros.</p>
<p>Esse cara do CharaChorder acho que vende o teclado diferentão e também tem opção só do software pra usar com um teclado normal. Ele usa características de teclados modernos como n-key rollover, que já expliquei no outro video que é digitar várias teclas de uma só vez e o sistema conseguir registrar todas elas. Ele faz isso. É semelhante à função de swipe de teclado virtual que a gente só desliza o dedo em cima das teclas e ele adivinha que palavra que a gente queria digitar.</p>
<p>Se quiser estudar mais sobre como se faz isso, hoje em dia tem machine learning envolvido porque é um processo estatístico que aprende baseado em frequência de palavras e n-grams. Mas precisa entender o que são cadeias de Markov e processo estocástico. Lembra quando povo fala que aprender matemática é opcional? Pois é, sem entender cadeias de markov, você nunca vai conseguir fazer coisas como um teclado virtual.</p>
<p>Mas esquece esse cara do CharaChorder. Nada do que ele tá vendendo é novidade. Você também não precisa gastar milhares de dólares e fazer curso oficial de estenografia. Teclado de estenografia tem só duas linhas principais de teclas em vez de três. Dá pra ou comprar um kit barato ou configurar seu teclado normal. Existe um projeto de código aberto chamado Open Steno que tem os softwares, documentação que ensina como usar, e uma comunidade de entusiastas que querem aprender a digitar tão rápido quanto um estenógrafo de verdade. Existe todo um campo de pesquisa e engenharia em cima disso. Isso existe faz décadas.</p>
<p>E de novo, esses sistemas funcionam bem quando tá tudo configurado de um jeito bem diferente do que seu teclado se comporta. Um estenógrafo que transcreve casos nos Estados Unidos tem configurado um bom dicionário em inglês. Se precisasse transcrever um brasileiro falando, ele ia ter problemas. Precisa de um dicionário em português, reconfigurar todos os macros, e retreinar tudo pra uma língua nova. Agora imagina programação, que todo código tem um monte de palavras que simplesmente não existem num dicionário, com um monte de parênteses, chaves e coisas que não se usa num texto normal. Daí esse tipo de teclado vai mais atrapalhar do que ajudar. Por isso eu falei, pra gente é meio inútil. Só serve se você quiser ser um estenógrafo ou se exibir em video no TikTok.</p>
<p>Digitar rápido não é o objetivo. Ninguém vai ganhar nada digitando 300 palavras por minuto. Você nem tem tudo isso de palavras prontas na cabeça pra digitar um texto ou código que faça sentido. Porra, a maioria das pessoas consegue digitar merda em 200 letras num tweet. Magina escrevendo 300 palavras por minuto o tanto de lixo sem sentido que vai sair. Foque em escrever correto e não em escrever rápido. O objetivo é não forçar seus nervos e evitar dores desnecessárias.</p>
<p>O Planck EZ não é o único nesse formato. Tem outros como o OLKB Planck da Drop, que antes era Massdrop. É exatamente o mesmo layout. No momento que eu tava escrevendo o episódio eles tavam sem estoque. Mas tem outros fabricantes menores e entusiastas que fazem kits de teclados nesse e outros formatos mais exóticos, vale dar uma pesquisada. Não são baratos. Pode esperar gastar 200 dólares, sem contar frete e impostos.</p>
<p>Mas o título do episódio é pra falar do melhor teclado do mundo, e esse ainda não é o Planck. Da mesma empresa ZFA já tinha um que muita gente elogiou que é o Ergodox e depois dele, a ZFA pegou os feedbacks e fizeram um melhor ainda, que é o Moonlander MK1. E se prestou atenção em tudo que expliquei agora, falta só voltar pra um ponto que falei lá no começo do video: melhorar a ergonomia.</p>
<p>O Planck é muito bom pra quem precisa carregar o teclado na mochila. Literalmente cabendo num case de Switch, sabemos que é super portátil. Mas se você trabalha remoto, e só precisa de um teclado, dá pra optar por um melhor. E esse é o Moonlander. A principal diferença é ele ser dividido no meio. Ele até foi feito pra ser razoavelmente portátil, embora eu não ache que esse é o objetivo. Vamos recapitular sobre postura.</p>
<p>Você quer sempre colocar o menor stress possível no seu ombro e nos seus braços, por isso tente sentar de tal maneira que seus ombros não fiquem assim tensionados pra cima. Eles tem que estar naturalmente pra baixo. Altura errada de mesa e cadeira que prejudicam isso. Além disso vocês já devem ter ouvido falar que quando usamos um teclado normal, rotacionamos, ou pronamos os braços de tal forma que arriscamos estar beliscando os nervos quando as mãos estão retas na horizontal. A posição natural seria o mais vertical possível.</p>
<p>É isso que muitos teclados ergonômicos fazem, sendo mais altos no meio, a tal forma de tenda, pra aliviar essa pronação forçada. Todo mundo que já usou um teclado ergonômico da Microsoft ou Logitech já viu formatos assim. Além disso, outra coisa que pode forçar seus ombros e pescoço é trazer as duas mãos pra junto, em vez disso seria mais natural estarem separadas. E são esses problemas que um teclado split, cortado no meio, tenta ajudar a resolver. Olha como eu deixo esse Moonlander na minha mesa. Sim, agora minhas mãos ficam quase meio metro separadas uma das outras. E sim, digitar corretamente é pré-requisito, porque se um dos seus maus hábitos é digitar alguma tecla do lado esquerdo com sua mão direita, agora não tem como.</p>
<p>Diferente do Planck, o Moonlander não é minimalista. Ele tem mais ou menos o equivalente a um teclado 60%. Não tem as teclas de função lá em cima e nem as teclas de setas. Por outro lado adiciona várias teclas auxiliares ao redor que podemos customizar como quisermos no mesmo software Oryx que mostrei antes. Em particular tem esses thumb clusters, ou grupos de teclas por dedões. Lembra quando falei que nossos dedões podiam ter mais trabalho? Pois é, agora podemos dar trabalho pra ele, se quiser cada dedão tem quatro teclas dedicadas de cada lado.</p>
<p>Igual no caso do Planck, eu ainda fico modificando o layout pra achar alguma combinação de teclas que acho mais confortável. E ele também tem diversas camadas que podemos configurar. No caso do Moonlander, posso criar quantas camadas quiser. Isso é útil se por exemplo eu uso Photoshop, DaVinci Resolve, Blender e quiser fazer camadas especiais pra cada programa. E assim como no caso do Planck, eu deixo coisas como enter e backspace nos dedões.</p>
<p>Diferente do Planck, que é ortolinear, ou seja, é alinhado tanto na horizontal quanto na vertical simetricamente, o Moonlander é colunar. A diferença é ser alinhado na vertical, mas não na horizontal e isso é a última forma de quebrar o legado das máquinas de escrever. Não só nunca fez sentido desalinhar as teclas na vertical, mas também não existe motivo nenhum pra serem alinhadas na horizontal. Pára e pensa, olha pras suas mãos. Seus dedos tem o mesmo comprimento? Então porque as teclas ficam alinhadas na horizontal?</p>
<p>Alinhamento na horizontal significa que seu indicador e principalmente dedo médio ficam o dia todo muito dobrados, e também significa que seus mindinhos precisam esticar pra alcançar os cantos. Se você tiver mãos grandes, seus dedos vão dobrar mais. Se tiver mãos pequenas, seus mindinhos não alcançam os cantos. Em ambos os casos vai estar fazendo esforço extra desnecessário. Mas e se simplesmente alinharmos as colunas de teclas de acordo com o comprimento dos dedos?</p>
<p>Eu entendi ortolinear e me convenci da teoria, mas vou dizer que estava um pouco cético do desalinhamento horizontal do colunar. Mas posso dizer que funcionou super bem. O único porém é que não é muito trivial saber como de fato usar esse alinhamento. Eu mesmo pensei que as duas metades deveriam ficar paralelas com meu braço, mas não, o certo é elas estarem levemente rotacionadas e abertas. Eu vi isso em outro canal que recomendo de teclados do Ben Vallack que vou deixar na descrição abaixo.</p>
<p>Em resumo, se deixar da forma paralela, mesmo as colunas levando em consideração o comprimento dos dedos, ainda assim o indicador tem espaço sobrando e os mindinhos precisam esticar demais. Mas inclinando dessa outra forma, olha como fica mais fácil pros mindinhos trabalharem. E essa é a melhor forma de digitar com o Moonlander. O trabalho é mais decidir quais configurações colocar em quais camadas e como ativar cada camada do jeito mais fácil e isso vai depender só do seu treinamento. Minha configuração serve só pra mim. Tem até algumas combinações como control + shift + colchete que precisa pra editar no DaVinci Resolve, e agora fica fácil porque posso juntar tudo numa tecla só e facilita horrores pra editar.</p>
<p>Essa idéia de considerar o comprimento dos dedos não é nova. Eu já tinha visto outras opções como o Kinesis Advantage 2. Ele também é ortolinear, mas em vez de desalinhar horizontalmente, ele foi além e colocou as teclas todas numa cuba, como dá pra ver nessa imagem, porque é até difícil de descrever em palavras. E agora que aprendi a digitar com ortolinear, consigo entender porque esse teclado funciona bem. Talvez um dia experimente, mas tem uma coisa que não gosto dele, o fato de ser gigantesco e de não poder colocar as duas metades separadas como quiser. Mas eu sei que tem projetos pra impressora 3D e kits inspirados nesse formato que tentam melhorar esses pontos, vale pesquisar.</p>
<p>Se você leva a sério a história de ergonomia, tanto o Moonlander quanto o Advantage 2 cumprem mais ou menos as mesmas coisas que expliquei em termos de evitar pronar o braço e dar menos stress nos ombros, mas em termos de estética ainda prefiro mil vezes o Moonlander. Mais ainda porque se você realmente quiser levar pras últimas consequências, embaixo de cada metade do Moonlander tem um encaixe pra um acessório que faz ele ter o mesmo encaixe padrão do parafuso que tem em tripé de câmera fotográfica. E a ZFA tem um acessório que encaixa nele e você pode fazer um adaptador pra colocar no braço da sua cadeira.</p>
<p>Sim, o teclado sequer precisa ficar na mesa. Dá pra encaixar cada metade em cada braço da cadeira pra posição mais bizarra de todos os tempos e vou dizer que agora que aprendi a digitar corretamente em cada metade, essa idéia até que me atrai. Sem contar que daria pra colocar num tripé de cada lado pra poder digitar de pé em mesas que levantam em altura. Tem muitas possibilidades.</p>
<p>E falando em possibilidades e no canal do Ben Vallack, como último assunto não podia deixar de falar de uma versão de teclado que estou querendo testar. Pois bem, os homo ludens chegaram no layout 40%, mas essa ainda não é a última forma. Lembrem, o objetivo é evitar ao máximo tirar os dedos da linha do meio e no máximo mover uma tecla pra cima ou pra baixo, mas ainda tem muita tecla no Moonlander.</p>
<p>Graças às novas funcionalidaes de firmwares de código aberto como o QMK e de aumentar a densidade de funções que uma única tecla pode ter, chegamos no ponto que podemos remover ainda mais teclas. E o Ben e diversos outros entusiastas falam agora no layout de meras 34 teclas. Seria um layout 33%, que é o menor que podemos chegar. Dá pra colocar tudo em camadas e combinações de teclas. Recomendo dar uma olhada na série de videos onde ele faz experimentações com diversas configurações até chegar nesse modelo. É fascinante ver qual é o limite dos teclados. O Ben começou tirando teclas do Moonlander e configurando no Oryx pra não usar essas teclas e foi testando pra ver até onde dava pra ir. E disso projetou um teclado próprio de só 34 teclas que ele vai mostrando no canal.</p>
<p>E quem quiser uma versão um pouco mais extrema que o Moonlander e um pouco menos extrema que o do Ben, tem esse GergoPlex, que é até barato por 45 dólares. Bem mais acessível que os 200 do Planck ou os mais de 360 dólares do Moonlander. E além dele tem diversos outros kits. Hoje em dia povo projeta e faz impressão 3D e até os PCBs que são as placas lógicas dá pra fazer o projeto e só mandar imprimir em serviços como no JLCPCB.com. É o sonho de todo engenheiro elétrico. A comunidade de teclados abaixo de 40% tá mandando ver em opções acessíveis e com firmwares de código aberto como o QMK, só tende a aumentar as opções.</p>
<p>E realmente é prático? Dá pra aprender a usar um Planck ou Moonlander e digitar coisas de verdade? Bom, este episódio foi digitado metade no Moonlander e metade no Planck. A parte chata é que algumas combinações de teclas são diferentes nos dois e leva alguns minutos pra eu lembrar qual era qual. Mas agora digito melhor e com menos erros e na mesma velocidade de antes. Lembra o último episódio do tutorial de WSL2 que falei que deu umas 40 páginas de Word? Também inteiro escrito com o Moonlander. E na realidade os últimos 4 episódios foram escritos totalmente com o Moonlander. Eu gostei tanto que já comprei mais um pra colocar no escritório o dia que voltarmos da pandemia.</p>
<p>E agora sim, eu acho que finalmente falei tudo que queria falar sobre teclados. Acabou se tornando um hobby experimentar tudo que sai de novo e essa comunidade de entusiastas tá o tempo todo procurando maneiras mais eficientes de digitar. Só nesse canal, que tem mais de 100 episódios, se der uma média de 20 páginas por episódio, já soma mais de 2 mil páginas. Quase 2 livros do Cormem de algoritmos ou quase os 3 primeiros volumes de livros do Knuth. Mas lembrem-se que a escolha de qual teclado e qual layout usar depende dos seus objetivos pessoais. Se você não sente que precisa mudar nada, não tem nenhum problema. Nenhum teclado vai fazer você fica magicamente melhor. Se ficaram com dúvidas, mandem nos comentários abaixo. Se curtiram o video deixem um joinha, assinem o canal e compartilhem o video com seus amigos. A gente se vê na próxima, até mais.</p>
]]></content:encoded><category>teclados</category><category>hardware</category><category>produtividade</category><category>akitando</category></item><item><title>[Akitando #79] Teclados Mecânicos Exóticos | Minha coleção - Parte 2</title><link>https://akitaonrails.github.io/2020/05/12/akitando-79-teclados-mecanicos-exoticos-minha-colecao-parte-2/</link><guid isPermaLink="true">https://akitaonrails.github.io/2020/05/12/akitando-79-teclados-mecanicos-exoticos-minha-colecao-parte-2/</guid><pubDate>Tue, 12 May 2020 17:55:00 -0300</pubDate><description>&lt;div class="embed-container"&gt;
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&lt;h2&gt;DESCRICÃO&lt;span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="descricão"&gt;&lt;/span&gt;
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&lt;p&gt;Mas pra quem estava esperando por isso também vou mostrar o que eu elegi como melhor custo-benefício. Assistam até o final!&lt;/p&gt;</description><content:encoded><![CDATA[

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<h2>DESCRICÃO<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="descricão"></span>
    <a href="#descric%c3%a3o" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Continuando sobre minha coleção de teclados mecânicos, agora quero mostrar alguns dos meus ítens mais exóticos. Mais do que isso vou falar sobre ergonomia e ainda quero aproveitar o gancho pra contar uma história sobre UNIX e Linux que muitos nem sabem ainda!</p>
<p>Mas pra quem estava esperando por isso também vou mostrar o que eu elegi como melhor custo-benefício. Assistam até o final!</p>
<p>De novo, como o video tem muitos itens diferentes, vou deixar um bookmark das seções pra ficar fácil voltar depois:</p>
<ul>
<li>01:34 - Keychron K2</li>
<li>04:52 - Drop Ctrl</li>
<li>08:18 - Um pouco sobre Ergonomia</li>
<li>15:31 - Ultimate Hacking Keyboard</li>
<li>20:33 - QwerkyWriter S</li>
<li>23:42 - SURPRESA 1 (sem spoilers aqui)</li>
<li>26:46 - Um pouco de história</li>
<li>33:53 - Um pouco de UNIX</li>
<li>39:34 - SURPRESA 2</li>
</ul>
<p>Links:</p>
<ul>
<li>QWERKYWRITER® S (<a href="https://www.qwerkywriter.com/collections/frontpage/products/qwerkywriter-s-typewriter-inspired-mechanical-keyboard"target="_blank" rel="noopener">https://www.qwerkywriter.com/collections/frontpage/products/qwerkywriter-s-typewriter-inspired-mechanical-keyboard</a>)</li>
<li>Keychron K2 Wireless Mechanical Keyboard (<a href="https://www.keychron.com/products/keychron-k2-wireless-mechanical-keyboard?variant=31063869620313"target="_blank" rel="noopener">https://www.keychron.com/products/keychron-k2-wireless-mechanical-keyboard?variant=31063869620313</a>)</li>
<li>MASSDROP CTRL MECHANICAL KEYBOARD (<a href="https://drop.com/buy/68551"target="_blank" rel="noopener">https://drop.com/buy/68551</a>)</li>
<li>Dave Lee - I found the perfect keyboard (<a href="https://www.youtube.com/watch?v=ADEh9F0Lidc"target="_blank" rel="noopener">https://www.youtube.com/watch?v=ADEh9F0Lidc</a>)</li>
<li>Best ergonomic keyboard 2020 (<a href="https://www.t3.com/features/best-ergonomic-keyboard"target="_blank" rel="noopener">https://www.t3.com/features/best-ergonomic-keyboard</a>)</li>
<li>Ultimate Hacking Keyboard (<a href="https://ultimatehackingkeyboard.com/"target="_blank" rel="noopener">https://ultimatehackingkeyboard.com/</a>)</li>
<li>Unicomp Model M (<a href="https://www.amazon.com/Unicomp-Classic-Buckling-Spring-Keyboard/dp/B01MSNM6YG?ref_=fsclp_pl_dp_1"target="_blank" rel="noopener">https://www.amazon.com/Unicomp-Classic-Buckling-Spring-Keyboard/dp/B01MSNM6YG?ref_=fsclp_pl_dp_1</a>)</li>
</ul>
<p>Pra Aprender a digitar certo:</p>
<ul>
<li>Type Club (<a href="https://www.typingclub.com/"target="_blank" rel="noopener">https://www.typingclub.com/</a>)</li>
<li>KeyBR (<a href="https://www.keybr.com/"target="_blank" rel="noopener">https://www.keybr.com/</a>)</li>
<li>Game: ZType (<a href="https://zty.pe/"target="_blank" rel="noopener">https://zty.pe/</a>)</li>
</ul>
<h2>SCRIPT<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="script"></span>
    <a href="#script" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Olá pessoal, Fabio Akita</p>
<p>No episódio anterior eu comecei explicando o que é essa história de teclados mecânicos e mostrei metade da minha coleção pessoal. Não precisa ter assistido a parte 1 pra entender o video de hoje mas seria bacana se visse depois pelo menos. Hoje eu vou terminar o assunto com os exemplos mais interessantes de teclados e na segunda metade vou usar de gancho pra ensinar algumas coisas básicas de programação que eu sei que até mesmo alguns programadores que se dizem com experiência desconhecem.</p>
<p>(&hellip;)</p>
<p>No episódio anterior eu falei mais de teclados de notebooks, modelos de marcas comerciais reconhecidas como Corsair, Cooler Master, Razer e Logitech. Daí mostrei dois exemplos de marcas mais de nicho como Matias e RealForce. Essa categoria tem marcas mais de nicho, normalmente voltada pra entusiastas mesmo. E de novo repito a recomendação que fiz no video anterior de visitar canais que falam sobre esse tipo de teclado em mais detalhes como o canal do Random FrankP ou Tae Keyboards.</p>
<p>Duas marcas que eu ainda não tenho são a Anne e Ducky, tanto o Anne Pro 2 ou o Ducky One 2 Mini tem recebido excelentes reviews mas eles não são baratos, na faixa dos 100 dólares que é parecido com a faixa da Corsair ou Cooler Master. Porém você necessariamente vai precisar importar, diferente de uma Corsair que você acha um pouco mais fácil no Brasil.</p>
<p>Na categoria abaixo de 100 dólares eu acho bem mais difícil achar teclados bem construídos, mas existem, e um excelente exemplo é a Keychron. Eu mencionei o modelo K1 low profile que compete com o Cooler Master SK630. Mas eu atual favorito em termos de custo-benefício é o modelo K2.</p>
<p>O K2 da Keychron que eu tenho é um 75%, mas o layout dele é muito melhor que o do Matias que eu mostrei no video anterior porque ele tem teclas individuais pra page up, page down, home e end numa linha vertical, além das teclas de setas que estão bem posicionadas. Além disso os keycaps são PBT doubleshot de excelente qualidade. O chassi também é todo de metal e tem zero problema de torção ou afundar no meio. A construção inteira é uma das mais sólidas e rígidas. A única pequena reclamação é que ele é um pouco mais alto que todos os outros que mostrei até agora, incluindo o Matias e o RealForce que já são um pouco mais altos que o normal.</p>
<p>Por isso se você comprar eu recomendo que adicione um palm rest pra apoiar os pulsos. Eu comprei o de madeira da própria Keychron mas qualquer outro serve. Os da Razer são bem confortáveis por exemplo. Vale lembrar que o jeito certo de digitar é sempre com as mãos flutuando um pouco acima do teclado. De preferência evitar que o pulso fique apoiado na mesa pra evitar dores.</p>
<p>De qualquer forma, o custo benefício desse teclado é excepcional. A versão mais básica e que tem até backlight branco custa 70 dólares e lógico, isso sem contar frete. Além disso é importado e todo eletrônico que vem de fora sempre vai estar sujeito a cair em tributação, e todos sabemos que a porcaria das taxas aqui vão de 60% até 100% de imposto, o que é uma estupidez.</p>
<p>A versão que eu tenho custou 90 dólares porque tem backlight RGB com o frame de aluminío, então não sei dizer se a versão que não é de alumínio é tão sólida quando esta, mas vamos ouvir um pouco pra vocês terem uma noção, e comparar com o Corsair de 100 dólares que é o mais próximo em preço.</p>
<p>(keychron comparado corsair)</p>
<p>Não sei se conseguem notar a diferença da qualidade de som de um e de outro. É subjetivo, mas eu realmente prefiro bem mais o som mais sólido e assertivo do Keychron do que o som mais barato do Corsair. Os switches são Gateron Red. A Gateron é uma que faz clones de Cherry. Em termos de especificação é praticamente um Cherry MX Red então é um switch linear. Diferente de switches proprietários como da Razer e Logitech significa que você pode encaixar keycaps compatíveis com Cherry nesse teclado, como aqueles da Corsair que eu mostrei mais no começo.</p>
<p>Outra coisa é que este Keychron é um dos únicos teclados wireless que eu tenho. Dizem que ele tem uma das maiores baterias de todos, de 4000 miliamperes, o que justifica ele ser tão mais alto que os outros. Eu mesmo não uso em modo wireless porque ele fica na minha mesa em casa e eu ligo num desktop então pra mim realmente tanto faz ser wireless. Mas pra quem carrega entre casa e escritório ou viaja bastante, esse é sem dúvida um dos mais portáteis sem comprometer usabilidade.</p>
<p>Falando em switches compatíveis com Cherry, outro exemplo é a empresa Kaihua que faz os switches Kailh e eu queria testar o Kailh Silver linear deles que é parecido com o Cherry Speed Silver, por isso algum tempo atrás eu comprei o Massdrop Ctrl depois que vi no canal do Dave Lee, vale conferir o video dele.</p>
<p>Em termos de estética este é sem dúvida o teclado que eu acho mais bonito. Vocês vão notar que o frame inteiro dele é de alumínio, com uma camada no meio de leds RGB. E como os switches ficam expostos o led reflete no alumínio. Aliás, a Massdrop é uma das poucas marcas que produzem teclados de alta qualidade e onde você consegue trocar os switches sem precisar desmontar nem soldar nada. Como eu disse, eu escolhi o meu com switches Kail Silver e, de fato, em termos de velocidade ele se compara com o Razer Yellow ou o Romer G linear que mostrei antes. Vale a pena ouvir um pouco ele comparado com o Blackwidow por exemplo.</p>
<p>(comparação ctrl - blackwidow yellow)</p>
<p>Como eu já expliquei o barulho total não vem só do switch, depende muito da qualidade do keycap, da construção do chassi, se o switch fica exposto ou não. É muito difícil determinar como vai ser o barulho final sem testar um do lado do outro mas esse é um dos menos barulhentos que eu tenho, menos ainda que o Keychron, mais próximo do Blackwidow.</p>
<p>Mas diferente do Blackwidow, apesar de teoricamente a força de acionamento ser os mesmos 45 gramas, não sei se os keycaps são mais densos, mas me dá impressão desse Drop Ctrl ser um pouquinho mais pesado pra acionar. Ou seja, apesar dos switches terem praticamente as mesmas especificações de força de acionamento e key travel, a diferença na construção muda bastante a sensação quando digita. Minha tese é a textura dos keycaps da Massdrop serem um pouco mais ásperas, o que dá sensação que &ldquo;segura&rdquo; mais o dedo na hora de digitar se comparado com os da Razer que são um pouco mais lisas.</p>
<p>Por outro lado, assim como os switches da Gateron, os da Kaihua também são clones de Cherry e por isso eu poderia trocar os keycaps por qualquer outro kit que seja compatível com Cherry, o que pode ser interessante se eu quiser mudar a aparência no futuro. Porém, é difícil recomendar este teclado porque o preço de saída dele é 200 dólares, sem contar frete nem imposto. É um dos teclados mais caros que eu tenho e muito disso é a escolha de materiais e engenharia que de fato são excelentes. É basicamente um bloco gigante de alumínio, tipo um macbook.</p>
<p>Se tem uma coisa que me incomodou é que ele não tem pernas atrás como os outros pra controlar a altura. Em vez disso ele veio com duas peças magnéticas que grudam atrás. Só que como é magnético não é difícil perder essas peças e adivinhem, eu perdi transportando e nunca mais achei. Na prática, você paga um premium por ser bonitão, mas por preço realmente não compensa porque por 50 dólares a menos que isso você compra um Blackwidow Chroma V2 que tem basicamente a mesma performance e solidez. 200 dólares é um valor compatível com os materiais desse teclado, o custo benefício não compensa a menos que você seja um entusiasta como eu.</p>
<p>Antes de continuar, vale e pena uma tangente pra falar sobre teclados ergonômicos e talvez um mínimo de ergonomia. Pra variar, valem os famosos disclaimers: eu não sou especialista em ergonomia mas falando de anos e anos digitando nos mais variados ambientes, o maior problema que eu sempre encontrei não foram tanto teclados e sim uma combinação de cadeira e mesa que permita que eu sente ereto, com os pés encostados no chão e que eu consiga ficar com os braços verticais pra baixo e os antebraços em 90 graus, sem forçar os ombros pra cima que é o que normalmente resulta em parte das dores no pescoço.</p>
<p>Eu tenho 1 e 72 de altura, meu peso médio é 76 a 77kg. Pra mim uma mesa comum de escritório que costuma ter 75 centimetros é alto demais. Pra ficar na posição correta eu sou obrigado a usar uma cadeira que levanta, mas aí meus pés não alcançam direito o chão, e depois de meses usando um apoio vou dizer que isso incomoda. Monitor eu coloco alguma coisa embaixo pra que eu consiga olhar reto pra frente sem inclinar a cabeça nem pra baixo demais nem pra cima demais.</p>
<p>Por isso aqui pra minha casa eu comprei esta mesa Genius Desk, que fabrica e entrega no Brasil aliás. Uma das funcionalidades é que eu posso trabalhar de pé também pra não ficar sentado o dia inteiro. Daí eu subo a mesa pra ficar com 1 metro de 4 centímetros e fica perfeito pra eu trabalhar de pé na postura certa das costas e dos braços. Só que ela é hiper cara e se o objetivo for só trabalhar de pé eu recomendo procurar por suportes articulados pra notebook que você facilmente encontra no mercado livre na faixa dos 200 reais.</p>
<p>Mas mais importante que isso é que essa mesa também ajusta até o mínimo de 66 centímetros que é a altura ideal pra eu sentar numa cadeira com os pés alcançando firmes no chão e manter minha postura correta como eu expliquei antes. A recomendação pra quem está sentindo problemas como tendinite, dor nas costas, nos ombros ou qualquer coisa assim não é trocar teclado, primeiro é ajustar altura da cadeira e mesa pra ficar na postura correta, depois procurar teclados especiais.</p>
<p>Com tudo isso ajustado o outro problema que causa dor é digitar errado. Se você for do tipo que a gente falava antigamente que cata milho pra digitar, ou seja, que não consegue digitar com todos os dedos das mãos, significa que seu braço precisa se movimentar muito mais por todo o teclado pra alcançar as teclas só com o dedo indicador e dedo médio. Antes de botar a culpa no teclado eu recomendo pegar aulas online e se exercitar digitando dúzias e dúzias de textos usando os dedos nas posições corretas. Eu mesmo não vou dizer que digito perfeitamente, o meu dedo mindinho e anelar da direita até hoje eu uso mal.</p>
<p>Outra coisa é que digitar em português é sempre mais devagar que digitar em inglês porque temos que ficar buscando acentos o tempo todo. Eu me acostumei a usar o formato americano US international. Eu detesto o formato ABNT2 não só por que tem a tecla de cedilha onde eu normalmente encontro o ponto e virgula mas porque diversas outras teclas mudam de lugar, em particular isso incomoda pra programar porque colchetes, sinais de maior e menor, backtick, barra invertida, tudo muda de lugar. Aqui meio que independente qual você vai escolher contanto que fique só com um layout.</p>
<p>Ficar mudando derruba a produtividade. Tudo que é importado vai ser formado americano, e se comprar fabricados no Brasil vai acabar sendo ABNT2. E falando em layout eu já disse no video anterior que tentar aprender Dvorak ou Colemak com objetivo de ser mais veloz eu acho que não compensa. E se o outro motivo for pra evitar dores, eu também acho que faz pouca ou nenhuma diferença. O que faz diferença é digitar errado e postura errada, independente do layout.</p>
<p>Se você já consertou tudo, mas digita muito rápido corretamente e tem tendinite, temos os teclados ergonômicos que talvez ajudem. Até onde eu sei não existe um consenso de qual é o melhor estilo mas em princípio você quer evitar mexer seu pulso o máximo possível. O problema é que todo teclado é totalmente horizontal, só que suas mãos não ficam naturalmente na horizontal. Você precisa girar os pulsos. Além disso você precisa trazer as duas mãos mais pra perto uma da outra, mas teoricamente o natural seria elas estarem mais separadas. Quanto maior você for mais isso é verdade.</p>
<p>Por isso a maioria dos teclados considerados ergonômicos primeiro não vão ser horizontais e sim inclinados de tal forma que você não precise girar os pulsos, mantendo o centro do teclado mais pro alto e as extremidades laterais pra baixo. Além disso eles vão dividir o teclado em duas partes e separar de tal forma que você não precisa aproximar tanto suas mãos. Tudo pra forçar menos tanto o pulso quanto todas as articulações do seu braço até os ombros. Muita gente ignora, mas sempre note se você está fazendo força com os ombros, isso causa dor.</p>
<p>Nessa categoria você encontra teclados como o Microsoft Sculpt ou similares da própria Microsoft como o Natural Ergonomic ou Surface Ergonomic, alguns mais genéricos como os da Logitech e algumas mais famosos hoje em dia como os da Kinesis, onde você tem tanto o monstruoso Advantage2 ou o Freestyle.</p>
<p>O principal problema que a maioria das pessoas vai ter com teclados desses eu diria que é até um ponto positivo, na real, porque você vai ser obrigado a aprender a digitar corretamente. Porque não tem como você digitar teclas que seria da mão esquerda com a a mão direita ou vice versa porque agora tem um espaço bem maior entre as duas metades.</p>
<p>Mas pra mim o problema era outro. Primeiro porque eu sempre achei teclados ergonômicos feios e com materiais de baixa qualidade. Isso felizmente mudou porque um Microsoft Sculpt é bem construído e até fico com vontade de experimentar. Segundo porque a maioria era full-size, ou seja, tinha teclado numérico e aí meu problema era dor no braço por usar o mouse tão afastado pra direita. De novo, o Sculpt é 75% então seria perfeito e apesar de ainda não ter experimentado eu recomendaria porque até o preço é razoável a 60 euros. Ele provavelmente não é mecânico, mas entre ter dor e usar um teclado rubber dome de boa qualidade, eu escolheria não ter dor.</p>
<p>Obviamente existem opções mecânicas como os da Kinesis. O Advantage2 usa switches Cherry Brown ou Red mas eu acho monstruoso demais, mas uma coisa que eu gosto dele é que tem boas opções de teclas extras perto dos dedões. Em vez de um espaço fixo no meio das duas metades do teclado, tem o Freestyle que você pode ajustar quanto espaço quer. O Freestyle normal é de membrana e rubber dome mas o Freestyle Pro tem opção também com switches Cherry Brown ou Red, mas eu nunca parei pra pedir. Mas pra variar, esses modelos são super caros com os Freestyle Pro na faixa dos 180 dólares e os Advantage2 na faixa dos 350 dólares. Os mais baratos de 100 dólares não são nem mecânicos.</p>
<p>Talvez um dia eu tente os modelos da Kinesis mas recentemente eu esbarrei em alguns vídeos mostrando um novo teclado, o Ultimate Hacking Keyboard. O conceito é muito bacana e eu recomendo ver os vídeos de review mais detalhado dele. Porém, assim como a Massdrop este daqui também é caro, mais caro ainda aliás, começando em nada menos que 275 dólares, sem contar frete e sem contar que no meu caso quando chegou aqui, a porcaria da receita federal me taxou em 100% do valor do produto. Bando de filho da p &hellip;</p>
<p>Aham, enfim. Agora que está aqui o que eu posso dizer é que assim como o Kinesis Freestyle, você tem o teclado fisicamente dividido em duas metades, o que facilita ajustar a distância no meio o quanto quiser, diferente dos da Microsoft por exemplo. Você também pode unir as duas metades se preferir e usar como se fosse um teclado normal. Quando faz isso o mecanismo de junção é um híbrido de encaixes físicos e ímãs que mantém as duas metades bem firmes no lugar, realmente é muito bem construído.</p>
<p>O chassi é de metal mas o frame ao redor é de plástico, mas é um plástico rígido de boa durabilidades, e não um molenga barato então não tem torção aparente e não afunda em nenhum lugar. Você pode parafusar os pés dele pra ficar em posição de tenda, levantando mais o meio, que é como todo ergonômico faz. Ou você pode escolher usar do jeito tradicional levantando mais a frente ou até fazer inclinação negativa colocando pra trás que eu não gosto muito.</p>
<p>Os keycaps foram minha maior decepção porque eles não chegam a parecer que são de ABS mas não parecem PBT também. Talvez um ABS melhor produzido. Não é doubleshot então as letras são todas impressas, o que significa que daqui algum tempo vai começar a sumir também. Por outro lado é um teclado com switches Kaihua, que são compatíveis com Cherry, o que significa que eu sempre posso trocar os keycaps por um kit de PBT doubleshot no futuro. Mas como o teclado já custa 275 dólares, eu esperaria keycaps melhorzinhos.</p>
<p>Mas o preço é caro assim por causa do circuito integrado e do software customizado. Esse teclado foi feito pra aceitar módulos que colocam controles extras ao alcance do seu dedão. Eu pedi os módulos de touchpad pro dedão direito e um grupo de teclas customizáveis extras pra ficar no dedão esquerdo. Se o touchpad funcionar resolve um dos meus problemas de ritmo que é ter que tirar a mão direita do teclado pra pegar no mouse. Com touchpad no dedão, não preciso tirar a mão do lugar, que é uma das coisas que sinto falta dos macbooks.</p>
<p>E o grupo de teclas pro dedão esquerdo vai ser importante porque esse teclado só tem layout de 60% que eu disse lá atrás que eu não gosto. Significa que qualquer tecla de navegação como page up, home e tudo é uma combinação de duas teclas. Imagina pra fazer coisas como shift + control + end pra marcar o texto até o fim da linha. Isso vira um malabarismo de apertar shift com o dedo anelar, control com o mindinho, mod com o dedão e &ldquo;O&rdquo; do outro lado. Eu até acho que com algumas semanas me forçando eu vou criar memória muscular, mas isso é bem inconveniente.</p>
<p>Pior ainda é que como não tem a linha de teclas de função em cima da linha de números, não existe a tecla Esc. Ela precisa ser uma combinação de duas teclas. Felizmente deu pra mapear a tecla que seria caps lock e que nesse teclado é um modificador pra controlar o mouse via teclado, mas mesmo assim minha memória muscular joga meu anelar esquerdo lá pra cima toda vez que quero Esc. Mas com o tal módulo pro dedão esquerdo eu conseguiria mapear coisas como esc, ou delete pra não ser uma combinação de teclas.</p>
<p>O problema é que esses módulos ainda não foram lançados. Eu comprei na pré-venda a 60 dólares cada módulo e eles só vão lançar em junho deste ano ainda. Me acompanhem no Instagram porque eu só vou mostrar esses módulos lá depois. De qualquer forma, o nome realmente resume bem o que é esse teclado, o Ultimate Hacking Keyboard. Falando nisso notem que a maioria dos teclados que eu falei até agora podem ser customizados e remapeados via software, mas tá fora do escopo deste video eu ficar falando disso, mesmo porque eu nunca remapeio teclas ou fico fazendo macros.</p>
<p>De novo, eu não sou gamer então não tenho tanta necessidade de customizar. E mesmo pra ambiente de programação eu prefiro não ficar criando macros porque eu uso teclados diferentes em cada lugar, então não vale a pena eu me acostumar com macros se vou usar 3 ou 4 teclados diferentes toda vez. Mas, sendo realista, este teclado é completamente fora de mão em termos de custo. Seriam 275 dólares só o teclado, mais 120 dólares por dois módulos, mais 75 dólares o palm rest de madeira que parafusa nas duas metades. Então o conjunto completo são nada mais, nada menos que 470 dólares sem contar frete nem imposto.</p>
<p>E falando em teclado caro, chegou a hora de eu mostrar o esteticamente mais diferente da minha coleção. Este é o QwerkyWriter S, e é querky com “K”, não confunda com o layout “qwerty”, obviamente que foi um trocadilho de propósito. Esse é outro que me custou nada menos que 300 dólares quando eu comprei em 2018. Não lembro se comprei em pré-venda ou algo assim porque fui ver na Amazon esses dias e esse mesmo modelo estava uns 500 dólares. Se for isso mesmo, esse é de longe meu teclado mecânico mais caro de todos e justamente por causa disso eu não recomendo pra ninguém que não seja entusiasta mesmo.</p>
<p>Esse foi o único que eu comprei exclusivamente pela aparência mesmo. Como podem ver o objetivo dele foi tentar se aproximar da aparência de uma máquina de escrever antiga. E sim, todos os apetrechos que você está vendo funcionam. A alavanca na esquerda realmente age como um return. Os botões de girar na esquerda e na direita que tentam parecer como se fosse pra puxar uma folha de papel se fosse uma máquina de escrever agem como botão de volume na direita e seta pra cima e seta pra baixo na esquerda, o que é bem legal porque é quase mesmo como puxar papel.</p>
<p>Ele é caro assim porque a construção e escolha de materiais é bem superior. Ele é um dos mais pesados, mais sólidos e mais rígidos, o que é absolutamente necessário pra passar mesmo a sensação de uma máquina de escrever. Ironicamente ele também é wireless com suporte a conectar até 3 dispositivos por bluetooth. E vem com um apoio atrás onde você pode colocar um tablet ou mesmo seu smartphone de pé. A intenção é que assim fica parecendo mesmo que você tá teclando num pedaço de papel, só que digital.</p>
<p>Aliás, uma dica se você conectar um teclado bluetooth num smartphone como iPad ou qualquer Android. Você vai ter dificuldade pra acentuar as coisas. Mas não precisa mudar o layout ou configurar nada. Por alguma razão o teclado em Android aceita combinações semelhantes ao do layout de teclados Mac. Por exemplo, pra acento agudo use alt e &ldquo;e&rdquo; e daí a sílaba. Pra acento com crase faça alt e &ldquo;i&rdquo; e daí a sílaba. Pra til é a mesma coisa só que com “n”, pra crase com backtick e pra cedilha é só alt e &ldquo;c&rdquo;. Alt em Mac é a tecla Option.</p>
<p>Esteticamente o que faz esse teclado evocar a aparência correta é porque assim como no Massdrop Ctrl ou Cooler Master SK630 que eu mostrei, os switches ficam expostos e, claro, os keycaps são mais altos. O que sai caro nesse teclado são justamente os keycaps que não são só plástico injetado. Cada um deles tem esse detalhe prateado ao redor. Em termos de acabamento e estética realmente se destaca de todos os outros na atenção a detalhes. Pra ficar mais próximo possivel de uma máquina de escrever, ele precisa ser barulhento, por isso vem com switches Cherry MX Blue. A própria batida da tecla no chassi complementa um som mais alto que o normal. Mesmo assim não é exatamente a mesma coisa.</p>
<p>Pra provar isso, temos que ver o verdadeiro teclado 100% mecânico. A boa e velha máquina de escrever. Pra mostrar aqui no canal eu resolvi comprar esta Olivetti Lettera 82, primeiro porque ela é bem menor do que a Olivetti que meu pai tinha ou as gigantonas britânicas Remington. Pense que isso aqui poderia ser como um jornalista iria em campo pra escrever matérias. Pensa como seria abrir um troço desses num Starbucks. Uma máquina dessas tem mecanismos que mapeiam cada tecla com um martelo num tambor na parte do meio. E a nitidez das letras vai ser proporcional à força que você marreta a tecla. Lembram que eu tava reclamando da diferença entre os 45 gramas de força de um Cherry Speed Silver contra os 78 gramas de um Thinkpad? Ha, essa aqui deve precisar pra lá de 100 gramas de força, fácil.</p>
<p>Mesmo se você nunca viu ou usou uma máquina dessas provavelmente entende o princípio de que tem um tambor com martelos de metal com letras em relevo no inverso, e quando você bate uma tecla ele movimenta um desses martelos batendo numa fita de tinta contra o papel. Daí por puro movimento mecânico a máquina mexe um espaço pra esquerda e assim você vai batendo uma letra atrás da outra.</p>
<p>Essas máquinas são a melhor coisa pra treinar digitar corretamente. Primeiro porque você literalmente vai fazer musculação nos mindinhos tentando marretar uma tecla pesada dessas, especialmente nas máquinas maiores. Segundo porque você realmente precisa fazer cada dedo bater no meio de cada tecla com precisão. Se escorregar e seu dedo bater duas teclas de uma só vez, os martelos podem enroscar e aí você tem que manualmente desenroscar, o que vai diminuir muito sua velocidade. Pior ainda se escorregar e seu dedo cair no meio das teclas. Embaixo são barrinhas de metal que vou te falar que dependendo de como você bater, pode machucar os dedos. Essa máquina é pra quem cresceu na época que mertiolate ardia.</p>
<p>Comparado com uma máquina de mesa essa pode ser considerada até leve, mas é no mínimo o peso de uns dois notebooks normais um em cima do outro. Eu não pesei mas me parece mais pesado que um saco de arroz de 5kg. As de mesa acho que era quase o dobro do peso. Ela é pesada demais pra carregar numa mochila mas leve demais a ponto de quando você tá datilografando e marretando teclas, ela fica escorregando na mesa se for muito lisa. Pra poder gravar eu tive que prender na mesa com fitas pra não ficar balançando pra tudo que é lado.</p>
<p>Eu não comprei junto mas antigamente a gente podia fazer múltiplas cópias ao mesmo tempo, bastava colocar papel carbono entre duas folhas e bater mais forte. Lembram o episódio do Diário de Henry Jones? Era assim que eu passava muitos dos meus dias:</p>
<p>(demonstração - lettera)</p>
<p>Achei interessante que tem vários modelos que você vai achar até que fácil em sites de usados como mercado livre, custando na faixa de uns 200 ou 300 reais. E tem até fitas novas sendo vendidas a meros 10 reais. Então, pra quem tiver curiosidade, tá super acessível. Obviamente os modelos mais raros vão ser mais caros, mas essa Lettera 82 hoje em dia tá fácil de achar.</p>
<p>Falando em carbono, quero aproveitar pra fazer uma tangente. Tem muita coisa do nosso dia a dia que os jovens, na faixa aí dos 20 anos ou menos não tem muita idéia e também nunca pararam pra questionar. Vou dar alguns exemplos: o mais óbvio é o famoso ícone em muitos programas pra opção de Salvar que ainda hoje é representado por um disquete. Eu usei muito disquete mas a nova geração nunca viu um ao vivo, e só sabe porque todo mundo já repetiu sobre isso em algum canal de YouTube. Outro exemplo que eu testei alguns meses atras foi sobre cartões de crédito. Alguma vez vocês já se questionaram porque cartões tem dados como o número, nome, data em relevo?</p>
<p>A maioria dos jovens primeiro nunca notou isso. Os que notaram acham que é puramente por estética. Porém a resposta é bem mais simples. Cartões de crédito são usados desde o meio do século XX. As maquinetas de cartão tipo as Cielo ou Stone que tem em toda loja hoje são invenções recentes que só começaram a se difundir no século XXI. E mesmo quando elas foram inventadas a internet móvel era super instável e em muitas regiões podia nem existir, então como fazia em lugares sem internet ou quando a internet caía? A gente tinha outra opção e eram máquinas manuais.</p>
<p>Nessas máquinas você colocava o cartão num espaço especial, daí colocava tipo um boleto com múltiplas folhas e carbono entre elas, daí puxava esse troço grandão que aplicava pressão contra o cartão. Daí o número, nome e data eram impressos no papel por causa da pressão da máquina contra o carbono e o cartão e voilá, tinha uma cópia pro lojista, outra pra administradora e um recibo pra você. Daí de tempos em tempos uma cópia era recolhida pela administradora que daí emitia fatura pra você e pagava o lojista. Basicamente processo parecido com o de hoje só que analógico. E quando começaram a surgir as maquinetas eletrônicas, elas podiam falhar ou ficar sem sinal ou mesmo a luz cair, e nesses casos os caixas tinham a contingência de usar essas máquinas manuais.</p>
<p>Voltando pra máquina de escrever. Elas são invenções bem antigas, acho que do fim do século XIX. No começo do século XX elas foram evoluindo. Resumindo bastante a história nós passamos por Graham Bell, por Thomas Edison, e criou-se a malha de comunicação e de eletricidade. Primeiro a gente tinha telégrafos, depois pulou pra telex. De forma simplificada podemos trafegar dados digitais encodados em ondas analógicas que podem viajar tanto pelo ar via rádio ou via cabo. Numa ponta ele precisa encodar a mensagem como um binário de zeros e uns, transformar isso em onda, transmitir e na outra ponta reverter da onda pra binário.</p>
<p>Muitos iniciantes tem dificuldade de entender isso. Mas pense na máquina de escrever. Cada tecla mapeia pra um martelo de metal no tambor. E se em vez disso ele mapear pra um código? Por exemplo, a letra “A” poderia ser 0 0 0 1 1, a letra “B” poderia ser 1 1 0 0 1 e assim por diante. E de fato era assim que as primeiras máquinas de telex funcionavam. Essa tabela de conversão era o baudot code inventado em 1870 e implementado em 1901. Telex significa Teleprinter Exchange e era usado uma máquina parecida com a de escrever mas em vez de ser só mecânica passou a ser eletromecânica pra fazer a conversão e modulação do sinal analógico.</p>
<p>Essa tabela de conversão Baudot era de 5 bits. E se você fez a conta de cabeça significa que é possível ter 2 elevado a 5 combinações diferentes, o que dá 32 combinações únicas. Como o alfabeto tem 26 letras e 10 números isso sem contar símbolos como de mais ou igual, significa que em 5 bits não cabe tudo. Pra isso você tinha dois códigos especiais pra mudar pra uma tabela de letras e outro código pra mudar pra uma tabela de números. Então o mesmo código pra letra “A” que eu falei também era do símbolo de “menos” se usasse antes o código de figuras. O da letra “B” era a figura de interrogação. No começo do século XX cada bit a mais era caro de processar porque eram processos mecânicos. O transistor só viria a ser inventado quase 50 anos depois.</p>
<p>Hoje em dia encodamos letras, números e símbolos usando convenções como UTF-8 onde a maiorias das letras e números em binário coincidem com a antiga tabela ASCII que era limitada em 127 combinações, porque é um esquema de 7-bits. Lembrando que você precisa se acostumar a pensar em binário e hexadecimal. Isso é matemática de primário, onde cada bit a mais que você adiciona duplica a quantidade possível de combinações. É uma exponencial de base 2. O ASCII antigo definia as primeiras 127 combinações. As próximas 128 combinações num esquema de 8-bits variavam bastante como no charset 1252 do Windows ou Mac Roman. De qualquer forma, strings e principalmente Unicode é um assunto bem cabeludo que fica pra outro dia. O importante era só lembrar que foi assim que tudo começou e que em computadores tudo é binário e como isso mapeia pra letras é uma convenção.</p>
<p>Falando em encoding de texto de Windows, vocês que são de Mac ou Linux devem ficar irritados toda vez que baixa um texto vindo de editores Windows antigos, porque o equivalente a uma nova linha que a gente em programação costuma simbolizar com “\n”, se vier de Windows, vai ter um caracter estranho aparecendo que é o símbolo “\r”. Mesmo em Git de Windows tem até a opção pra filtrar fora esse caracter inútil. Editores modernos como VS Code fazem certinho e não usam mais o \r.</p>
<p>Deixa eu mostrar pra vocês de onde vem o \n que significa New Line e o \r que significa Carriage Return. Vamos lá:</p>
<p>Isto é um New Line ou nova linha
E isso é um Carriage Return ou retorno do carro, e carro é esse cilindro onde passa a folha de papel.</p>
<p>(carriage return maquina de escrever)</p>
<p>Lembram que eu falei que as máquinas de Telex eram basicamente máquinas de escrever mais sofisticadas? Elas recebiam comandos e automaticamente batiam os martelos numa folha e precisavam receber os dois comandos pra fazer a coisa certa. Se recebesse um TXT moderno que só tem \n, não haveria o retorno do carro pro começo da nova linha. Esse era o motivo.</p>
<p>Aliás, outra coisa antiga que você talvez tenham se dado conta agora é que talvez já tenham ouvido falar de bauds quando lidam com modens. Muita gente confunde bauds com bits e de fato antigamente 1 baud era um 1 bit. Então um modem de 1200 bauds transmitia 1200 bits por segundo. Porém baud é um termo de telecomunicações e eletrônica que significa um símbolo ou mais corretamente um pulso por segundo. Num pulso você pode empacotar muitos bits, então um model de 1200 bauds com pacotes mais compactos de 8 bits por pulso na verdade transmitiam 9600 bits por segundo. E de onde vem Baud? Vem de Émile Baudot que criou a tabela de 5-bits usado nos telex que eu falei agora pouco.</p>
<p>Pra terminar a tangente, tem outra coisa que você provavelmente também já viu e não tem idéia do que é. Mas pense assim, depois da era do Telex começou a era da computação, principalmente depois dos anos 50 quando o transistor começou a popularizar. No fim dos anos 60 apareceram os primeiros UNIX. Mas os computadores de antigamente eram gigantes que nem um armário. Não era que nem um desktop que você coloca embaixo da mesa. Mais do que isso, eles eram recursos compartilhados porque não dava pra ter um computador gigante por pessoa. Por isso nasceu o conceito de rodar jobs assíncronos em paralelo de várias pessoas e depois timesharing pra ser possível ter múltiplas pessoas usando o computador ao mesmo tempo com o processador dividindo o tempo entre diferentes processos. Eu explico um pouco disso no meu video do ano passado que está na Playlist de Programação para Iniciantes, na de concorrência e paralelismo.</p>
<p>Então, por necessidade, precisava dar um jeito de compartilhar o mesmo computador, mesmo remotamente. Por isso existiam os terminais remotos. E os primeiros terminais sequer precisavam ter monitores, pense que eles eram máquinas de Telex conectadas no computador e as respostas eram impressas em papel. A vantagem disso era que você podia ter esse teleprinter do lado do computador ou remotamente. Então o que chamamos hoje de STDIN ou Standard Input era uma máquina tipo essa minha de escrever mas adaptada pra ser uma teleimpressora como na era do Telex. E o STDOUT ou Standard Output poderia ser um monitor de fósforo verde ou âmbar de antigamente ou mesmo a impressora em papel.</p>
<p>Quando a saída eram monitores remotos eles eram chamados de Video Terminals ou VTs. Com o tempo, além das letras e números mapeados na tabela ASCII que eu falei, começaram a criar comandos de escape especiais pra mover o cursor em posição X e Y na tela bem como mudar cores e coisas do tipo, e um conjunto ficou mais conhecido e é usado até hoje, o conjunto VT-100, que são combinações de caracteres que escapam de serem impressos, normalmente começando com o código binário pra Esc, abre colchete e algum código. Um dos grandes problemas do console de linha de comando antigo do Windows, o conhost é que ele sequer suportava esses escape codes então imprimia tudo errado. Isso foi corrigido com o novo Windows Terminal que tá quase saindo de versão Preview e você pode ver mais sobre isso no episódio que eu fiz sobre o WSL 2.</p>
<p>Mas, voltando onde quero chegar. Esses teleprinters são o que chamamos de dispositivos de entrada, input devices. E foi no UNIX que se criou o conceito de lidar com tudo, incluindo devices, como se fossem arquivos. Por isso existem os arquivos /dev/tty que vai de tty0 até tty63, ou seja, num Linux moderno daria pra ligar até 64 dispositivos. Toda vez que você abre o programa de Terminal, como o que vem nas distros ou outros como um Tylix da vida ele se registra como um dispositivo de entrada virtual, um pseudo-TTY ou PTY.</p>
<p>Vamos fazer um teste abrindo aqui meu bom e velho Manjaro de guerra. Se eu abrir um Terminal e digitar o comando <code>tty</code> ele vai devolver em qual estou conectado. Note que não é um /dev/tty1 ou algo assim e sim /dev/pts/0. PTS são Pseudo Terminal Slaves, associados a um PTY, que serve pra conectar terminais falsos ou emuladores de terminal como é o caso de um programa como xterm ou Tylix que não é um teleprinter de verdade e nem mesmo um hardware moderno como teclado ou mouse. Se eu abrir outra janela ou mesmo dividir essa janela em duas, a segunda vai se conectar em outro <code>pts</code> diferente.  Eu posso fazer um script besta na primeira janela pra esperar alguma coisa, por exemplo um programinha de uma linha de Ruby com o comando <code>gets</code>, que vai ficar esperando alguma coisa vir pelo STDIN, por exemplo pelo teclado.</p>
<p>Agora, do segundo terminal eu posso dar o comando <code>echo</code> de qualquer string direto pro /dev/pts/0 e ele vai direto pro script Ruby. Mas agora, quem se liga nos TTY de verdade do sistema além de teclado e mouse? Podemos dar um comando <code>ps aux</code> pra listar todos os processos rodando e dar um <code>grep</code> por tty e de fato vemos que o X.org e o GDM que é o gerenciador de janelas gráficas do GNOME é que estão pendurados lá. Note que eles estão no TTY2. Se eu der Ctrl + Alt + F3 eu vou pular pro TTY3, de onde eu posso dar login normalmente. E se der de novo <code>ps</code> com grep em tty pra filtrar, vemos que no tty3 está o Zshell que é onde estou neste momento. E se eu der Ctrl + Alt + F2 eu posso voltar pra sessão gráfica do X.</p>
<p>Em muitos casos, se por acaso seu X travar por alguma razão, pode ser possível destravar sem precisar bootar a máquina. Tente fazer primeiro Ctrl + Alt + backspace que é um hard restart do X. Se isso não funcionar, você pode tentar ir pra outros TTY e de lá dar um kill forçado no X por exemplo.</p>
<p>E agora vem o interessante, eu ainda não falei o que significa TTY. Máquina de escrever em inglês é typewriter. Um typewriter adaptado pra Telex é um TeleTypeWriter e daí vem TTY. Agora você sabe. Este assunto de TTY é muito importante que todo programador que usa Linux ou derivados de UNIX tem obrigação de saber. Por isso vou deixar linkado nas descrições abaixo um artigo que eu achei faz tempo e que é bem completo chamado TTY Demystified.</p>
<p>Voltando pro assunto de teclados, já que falei do avô dos teclados, podemos finalizar pulando algumas décadas e cair nos anos 80 pra falar do último da minha coleção. Diferente de máquinas de escrever que você encontra até que barato, este teclado é caro. Eu paguei uns 1400 reais no mercado livre num anúncio que estava lá pegando poeira fazia alguns anos. Aliás, quando eu abri a caixa veio pó com cheiro dos anos 90 nele, sério.</p>
<p>É este IBM Model M, uma das primeiras versões. Este em particular é da série que chegou a ser montado na Zona Franca de Manaus. E não é como os porcaria que vinha nos IBM Aptiva de 1994 em diante. Este Model M é de dez anos antes, 1985. Se quiserem entender a história dos Model M, por acaso, tem um video curto e bem feito do canal Linus Tech Tips que explica as diferentes versões, então vou deixar o link nas descrições abaixo também.</p>
<p>Os model M são tanques de guerra. Este em particular, é um que provavelmente se ligava num Terminal remoto, num VT. Isso porque ele é a versão que ainda não tem as luzes de caps lock ou num lock na direita. E fora isso o conector dele é anterior à existência do padrão PS2. O cabo é serial com conector RJ-45 que é o mesmo que se usa em cabow de rede Ethernet. Ou seja, eu preciso de um adaptador especial que não é o mesmo adaptador de redes pra USB que se encontra por aí, o circuito é totalmente diferente. Por isso eu encomendei um que achei no eBay mas ele não chegou até o dia de gravação desse video então eu não pude testar de verdade esse teclado. Mas vamos ver como ele se parece digitando.</p>
<p>(digitando model M)</p>
<p>Como deu pra ouvir, o barulho é alto, irritante e extremamente satisfatório. Esse barulho faz o click dos Cherry MX Blue parecer brincadeira de criança. Se a máquina de escrever que mostrei é o avô dos teclados mecânicos, este Model M é o paizão de todos. Porém, diferente dos mecanismos modernos, este tem switches que chamamos de Buckling Springs. Na prática, dentro tem uma mola que quando você vai pressionando ele vai se deformando até acumular força pra empurrar a peça da base e pressionar um rubber dome em cima de uma membrana, registrando a tecla. Ou seja, este é provavelmente um dos melhores teclados de membrana ou rubber dome, com a diferença que não é a resistência do domo de borracha que segura a tecla e sim a mola entre a tecla e o domo. Por isso a sensação é bem diferente e única.</p>
<p>Assim como o Cherry Blue, ele tem um click bem nítido de quando a mola quebra a tensão, soltando o barulho de click. Além disso os keycaps neste modelo são diferentes. Eles são, entre aspas, double mas não é double shot, são literalmente duas cascas de tecla uma em cima da outra mas não grudados. Parece que a tecla que se conecta no switch é tudo do mesmo tamanho, daí em cima dela tem outra que tem os formatos diferentes de cada tecla. Então são teclas mais pesadas do que você tá acostumado. Some a isso este frame e chassi que é grande, denso, robusto e bem rígido. Esse teclado é um tanque de tão pesado. Eu poderia chutar que é metade do peso da máquina de escrever. Por isso você pode bater com a força que quiser que esse monstro aqui não se mexe.</p>
<p>Não dá pra usar a medida de força de acionamento oficial porque estamos falando de um mecanismo com molas que são mais velhas que a maioria de vocês assistindo, provavelmente com 30 anos ou mais de idade. As patentes originais foram sendo passadas pra frente e hoje estão com a empresa Unicomp que faz Model M novos usando os mesmos mecanismos mas com peças novas e você pode encomendar na Amazon americana por uns 95 dólares, o que eu diria que vale a pena. Eu só não gosto porque eles só fazem tamanhos full-size, com o teclado numérico que eu não preciso.</p>
<p>Mas a sensação de digitar é bem diferente do que todos os outros teclados. Eu diria que ele precisa de pouca coisa mais de força do que os Cherry MX Blue. Mas é um pouco menos do que os switches Topre da RealForce. O Topre vocês vão lembrar que eu disse que sinto que tem uma resistência maior logo no começo da tecla, este tem uma resistência um pouco maior mais pro fim, no ponto em que a mola faz o clicky e é amortecido pelo domo de borracha da membrana. Não dá pra dizer se ele é melhor, mas certamente a sensação é bem diferente. Eu pessoalmente gosto bastante desse switch e queria ver modelos modernos. Talvez eu encomende um Unicomp. O problema é que ele é um dos mais barulhentos então eu definitivamente não recomendo usar num escritório com outras pessoas.</p>
<p>Com este Model M eu senti que tenho uma coleção com as principais variações de switches e qualidades de construção. Assim que chegar o adaptador pra esse conector RJ-45 eu falo mais sobre ele no Instagram, então não deixem de me seguir lá, que aliás é onde vou mostrar qualquer outro novo teclado que comprar. Mas depois de tudo isso, qual o teclado que eu gosto mais? Isso varia muito, depende do dia e do meu humor mesmo. Tirando o baratinho que mostrei no começo do video anterior de propósito, todos os outros são bons e eu gosto e não pretendo me desfazer de nenhum. Na prática, não precisa comprar nenhum de 200 dólares ou mais porque não vão ser tão diferentes dos de 100 dólares. Vai variar mais em funcionalidades, tamanho, portabilidade, extensões e outras coisas, mas pra digitação em si muda muito pouco.</p>
<p>Por isso eu falei no começo deste video que o melhor custo-benefício são os da Keychron. Começando abaixo de 100 dólares, é difícil competir. No Brasil talvez seja mais fácil achar os Corsair ou Razer, então ficaria de olho neles também. Ambos até tinham quiosques de demonstração em alguns shopping centers. Se você for entusiasta e tiver dinheiro pra gastar existe um ecossistema enorme onde você pode comprar todas as peças separadamente e você mesmo programar seu firmware, soldar sua própria placa com os switches que quiser e muito mais. Só de keycaps você vai encontrar dezenas de qualidades, cores e estilos bem diferentes. E sim, vai ter que importar, basicamente inexiste um mercado de peças de boa qualidade fabricadas no Brasil pra entusiastas.</p>
<p>No final, não, você não precisa e nem deve procurar teclados caros achando que isso vai afetar sua produtividade de alguma forma, porque não vai. Da mesma forma que não adianta sair comprando Nikes de corrida se você não consegue correr nem um quilômetro sem morrer. O equipamento só ajuda quem já é treinado. Sim, teclados baratinhos daquela faixa dos 100 reais pode atrapalhar, porque seus dedos vão escorregar em teclas de baixa qualidade, o amortecimento de domos de borracha porcaria vai dar falsos registros de tecla ou nem registrar, as membranas podem ter mal contato e te levar a erros mais frequentes e tudo mais. Mas na faixa dos 70 dólares pra cima é mais difícil de errar. Acho que com os teclados que mostrei deu pra dar uma noção de porque alguns cobram mais caro que outros. E é muito mais pelo luxo do que pela produtividade.</p>
<p>Inclusive, outra pergunta que muita gente deve ter na cabeça é por quê eu tenho esta coleção. E a resposta é muito simples, pelo mesmo motivo que qualquer pessoa faz uma coleção: porque eu quero. Tem gente que coleciona quadros, tem gente que coleciona miniaturas, tem gente que coleciona tampinhas de garrafa ou sei lá, eu gosto teclados e ponto. É mais barato que colecionar carros e tem a diferença que teclado é de longe o equipamento que eu mais uso todos os dias. Eu passei os anos 90 e os anos 2000, quase 20 anos usando teclados de membrana com plástico barato porque era o que dava pra comprar. Hoje eu posso comprar um bom mecânico. Dependendo do seu estilo de vida, um bom teclado desses sai mais barato que muito show ou balada por aí.</p>
<p>Cada seção onde eu falo de cada teclado deste episódio e do anterior eu escrevi usando o teclado certo, então estes episódios foram escritos com todos os 16 teclados, com exceção da Olivetti Lettera e do IBM Model M que ainda não dá pra ligar. Mas o que eu mais usei no geral foi mesmo meu Keychron K2. E com isso encerro o assunto de teclados mecânicos, aproveitem pra ajudar o povo com dúvidas nos comentários, se curtiram o video mandem um joinha, assinem o canal e cliquem no sininho pra não perder os próximos episódios. E não deixem de compartilhar o video pra ajudar o canal. A gente se vê, até mais.</p>
]]></content:encoded><category>teclados</category><category>hardware</category><category>reviews</category><category>akitando</category></item><item><title>[Akitando #78] - Entendendo Teclados Mecânicos | Minha coleção - Parte 1</title><link>https://akitaonrails.github.io/2020/05/05/akitando-78-entendendo-teclados-mecanicos-minha-colecao-parte-1/</link><guid isPermaLink="true">https://akitaonrails.github.io/2020/05/05/akitando-78-entendendo-teclados-mecanicos-minha-colecao-parte-1/</guid><pubDate>Tue, 05 May 2020 18:00:00 -0300</pubDate><description>&lt;div class="embed-container"&gt;
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&lt;h2&gt;DESCRICÃO&lt;span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="descricão"&gt;&lt;/span&gt;
&lt;a href="#descric%c3%a3o" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/h2&gt;&lt;p&gt;Finalmente consegui compilar a primeira metade do vídeo sobre minha coleção de teclados mecânicos. Neste episódio você vai entender as principais características de teclados mecânicos, algumas das principais marcas e modelos e, claro, as combinações que mais me agradam.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Também vamos comparar com alguns notebooks e o que diferencia os mecânicos dos &amp;ldquo;normais&amp;rdquo; e pra isso também vou contar sobre a controvérsia dos switches butterfly da Apple.&lt;/p&gt;</description><content:encoded><![CDATA[

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<h2>DESCRICÃO<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="descricão"></span>
    <a href="#descric%c3%a3o" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Finalmente consegui compilar a primeira metade do vídeo sobre minha coleção de teclados mecânicos. Neste episódio você vai entender as principais características de teclados mecânicos, algumas das principais marcas e modelos e, claro, as combinações que mais me agradam.</p>
<p>Também vamos comparar com alguns notebooks e o que diferencia os mecânicos dos &ldquo;normais&rdquo; e pra isso também vou contar sobre a controvérsia dos switches butterfly da Apple.</p>
<p>Como o video é longo, segue um bookmark das principais seções do video pra ficar mais fácil voltar depois:</p>
<p>02:06 - velocidade de digitação e um resumo inicial
05:54 - switches butterfly da Apple
08:33 - Surface Book 2 e Thinkpad Extreme
12:27 - o mau exemplo: Bright
16:26 - Das Keyboard 1
20:07 - Corsair K65 Vengeance
24:34 - Cooler Master SK630
29:38 - Razer Blackwidow Chroma V2
33:12 - Logitech G PRO
36:04 - Matias Mini Quiet Pro
37:53 - Tamanhos de Teclados
42:09 - RealForce 87U</p>
<p>Links:</p>
<ul>
<li>Click, Clack (<a href="https://tedium.co/2018/07/19/cherry-mx-keyboard-history/"target="_blank" rel="noopener">https://tedium.co/2018/07/19/cherry-mx-keyboard-history/</a>)</li>
<li>Cherry MX Switch Comparison - KeyMouse (<a href="https://www.youtube.com/watch?v=zlSPH3HvxhQ"target="_blank" rel="noopener">https://www.youtube.com/watch?v=zlSPH3HvxhQ</a>)</li>
<li>An introduction to Kailh switches, including Speed &amp; Box (<a href="https://www.keyboardco.com/blog/index.php/2017/11/an-introduction-to-kailh-switches-including-speed-box/"target="_blank" rel="noopener">https://www.keyboardco.com/blog/index.php/2017/11/an-introduction-to-kailh-switches-including-speed-box/</a>)</li>
<li>MK&rsquo;s official mechanical keyswitch guide (<a href="https://mechanicalkeyboards.com/switches/"target="_blank" rel="noopener">https://mechanicalkeyboards.com/switches/</a>)</li>
<li>THE BEST MECHANICAL KEYBOARD KEYCAPS (<a href="https://blog.wooting.nl/what-are-the-best-mechanical-keyboard-keycaps/"target="_blank" rel="noopener">https://blog.wooting.nl/what-are-the-best-mechanical-keyboard-keycaps/</a>)</li>
<li>ABS vs. PBT Keycaps (<a href="https://gearbroz.com/abs-vs-pbt/"target="_blank" rel="noopener">https://gearbroz.com/abs-vs-pbt/</a>)</li>
<li>Full-size, TKL, 60% and more: a guide to mechanical keyboard sizes (<a href="https://www.keyboardco.com/blog/index.php/2017/08/full-size-tkl-60-and-more-a-guide-to-mechanical-keyboard-sizes/"target="_blank" rel="noopener">https://www.keyboardco.com/blog/index.php/2017/08/full-size-tkl-60-and-more-a-guide-to-mechanical-keyboard-sizes/</a>)</li>
<li>Why Are Apple’s Butterfly Keyboards So Bad? (<a href="https://www.maketecheasier.com/why-apples-butterfly-keyboards-so-bad/"target="_blank" rel="noopener">https://www.maketecheasier.com/why-apples-butterfly-keyboards-so-bad/</a>)</li>
<li>Razer Blackwidow Chroma V2 (<a href="https://www.razer.com/gb-en/gaming-keyboards-keypads/razer-blackwidow-chroma-v2"target="_blank" rel="noopener">https://www.razer.com/gb-en/gaming-keyboards-keypads/razer-blackwidow-chroma-v2</a>)</li>
<li>Matias Mini Quiet Pro (<a href="https://matias.ca/miniquietpro/pc/"target="_blank" rel="noopener">https://matias.ca/miniquietpro/pc/</a>)</li>
<li>REALFORCE TKL SA / R2TLSA-US4-IV (<a href="https://www.realforce.co.jp/products/R2TLSA-US4-IV/index.html"target="_blank" rel="noopener">https://www.realforce.co.jp/products/R2TLSA-US4-IV/index.html</a>)</li>
<li>Realforce 87U Tenkeyless 55g (Black) (<a href="https://www.amazon.com/gp/product/B00MV84Y2Y/ref=ppx_yo_dt_b_asin_title_o00_s00?ie=UTF8&amp;psc=1"target="_blank" rel="noopener">https://www.amazon.com/gp/product/B00MV84Y2Y/ref=ppx_yo_dt_b_asin_title_o00_s00?ie=UTF8&psc=1</a>)</li>
</ul>
<h2>SCRIPT<span class="hx:absolute hx:-mt-20" id="script"></span>
    <a href="#script" class="subheading-anchor" aria-label="Permalink for this section"></a></h2><p>Olá pessoal, Fabio Akita</p>
<p>Finalmente resolvi falar um pouco sobre minha coleção de teclados mecânicos. Depois de mais de um mês em quarentena sem ver uma pessoa já já vou estar conversando com meus teclados isso sim. No total são uns 16 teclados mas vou cobrir metade hoje e dividir alguns itens especiais pra falar só no próximo episódio. E pra ficar fácil encontrar qual, também vou deixar um bookmark com o tempo de cada um nas descrições abaixo. Parece que o interesse por teclados mecânicos cresceu bastante recentemente. Eu venho colecionando bons teclados faz uns 5 anos já. Então vamos lá que tem bastante coisa só pra hoje.</p>
<p>(&hellip;)</p>
<p>Antes de mais nada, eu não pretendo explicar tudo que existe sobre cada teclado. Vou focar só no que é importante pra mim. Existem canais inteiros dedicados só pra falar de teclados, incluindo DIY pra quem quer construir um teclado customizado. Três exemplos de canais que eu assisto são o Random FrankP, o Hardware Canucks e o Tae Keyboards. Em cada video eles vão em muitos detalhes sobre cada teclado, os keycaps, switches, testes de som, desmontagem pra ver o chassi, chipset e muito mais. Se você tem curiosidade sobre um teclado em particular, veja se eles já não falaram a respeito.</p>
<p>Vamos tirar algumas coisas do caminho primeiro. Muita gente ainda pensa que teclados mecânicos é só coisa pra gamers. E isso não está totalmente errado. Muitas das melhores tecnologias de teclado de fato estão nos modelos pra gamers profissionais, em marcas como Razer. Mas não se engane, só porque tem RGB não quer dizer que é pra gamer. Aliás, tem muito xing ling por aí que enfia LED em teclado porcaria achando que vai atrair gamers. Só se forem os amadores mesmo. De qualquer forma, muitas das tecnologias de verdade pra gamers como switches confiáveis e rápidos, anti-ghosting, baixo input lag e tudo mais já existem em teclados sóbrios que não são só pra gamers e sim pra touch typists, ou seja, povo que sabe digitar rápido com todos os dedos.</p>
<p>Falando em velocidade, existem diversos sites e ferramentas disponíveis pra quem quiser treinar digitar corretamente. Muita gente acaba usando o 10fastfingers, e como passatempo é divertido. Mas a configuração padrão dele é extremamente fácil, com palavras simples de 3 ou 4 letras. Então não é difícil eu ficar entre 95 a 105 palavras por minuto, algo em torno de 400 toques por minuto. Mas isso é velocidade de competição, onde eu preciso estar focado em copiar muito rápido sem pensar se o que estou digitando faz qualquer sentido. Ninguém consegue manter esse ritmo num trabalho de programação ou dissertação durante horas sem parar. Isso é velocidade de pico e não média. A média de trabalho seria muito abaixo, mais pra 40 palavras por minuto ou menos, porque o certo é você parar pra pensar no que tá escrevendo. Tirando trabalho de digitador mesmo, ninguém fica apostando corrida.</p>
<p>Mas claro, se num site como 10fastfingers você está abaixo das 70 palavras por minuto eu realmente recomendo que treine muito mais. Apesar de gostar de me considerar um touch typist mesmo eu estou ciente que tenho defeitos em alguns dedos, em particular meu dedo anelar da mão direita eu uso muito mal. Os verdadeiros touch typists vão acima de 150 palavras por minuto. Já em código só dá pra ir rápido assim se você estiver digitando algo que já repetiu dezenas de vezes antes, e nesse caso eu tomaria cuidado: porque você tá repetindo tantas vezes o mesmo código em tantos lugares e ainda não extraiu em uma biblioteca ou algo assim?</p>
<p>Na prática, se eu realmente me concentrar, em silêncio, com palavras simples, fico na faixa das 90 e poucas palavras. A maioria dos teclados que eu vou mostrar consegue me manter na faixa entre 80 e 90 sem atrapalhar. E aqui já vou resumir: o teclado faz um pouco de diferença se e somente se, você já for um digitador rápido. Se você tiver estatura média e mãos pequenas como as minhas, prefira switches lineares, especialmente os semelhantes aos Cherry MX Speed Silver que eu vou explicar mais na frente. Eles exigem na faixa de 45 gramas de força. Agora, se você for maior, com mãos grandes tipo jogador de basquete, aí talvez faça mais sentido switches com mais resistência como os Cherry MX Blue ou Black que exigem uns 60 gramas de força. Teclados de notebook são mais rasos mas também são mais pesados, exigindo uns 70 gramas de força. Em notebooks eu tendo a ir mais devagar e fico abaixo das 80 palavras por minuto, por exemplo.</p>
<p>Uma pergunta que muita gente vai fazer é se deveria treinar layouts diferentes do tradicional qwerty como Dvorak ou Colemak. Eu não vou entrar nesse assunto nestes videos mas meus dois centavos é que vale a pena experimentar se você tem tempo ou interesse nessas coisas. Mas pra maioria da população não, é perda de tempo. Não vai drasticamente aumentar sua velocidade e nem diminuir dores magicamente. Melhorar sua postura vai fazer muito mais diferença. Não quer dizer que sejam ruins, só que não tem nenhum milagre neles. E isso vai limitar suas opções também porque só vai poder usar alguns tipos de teclados e toda vez que for usar maquina de outra pessoa vai ter que incomodar instalando layouts diferentes. É muito pouco prático por isso não me interessa.</p>
<p>Outra pergunta que já sei que todo mundo vai fazer é sobre custos, eu realmente não tenho muitos teclados baratos. E cuidado com os baratos demais, que como eu vou mostrar já já, é comprar gato por lebre. Os parâmetros que eu diria é procurar marcas que ofereçam switches Cherry, Gateron ou Kaihua que são mais fáceis de encontrar, de preferência o tipo linear como Cherry Red ou Speed Silver. Também prefira os que ofereçam keycaps PBT doubleshot. E fique com tamanhos que vão do TKL até no máximo 65% se não quiser sofrer muito. Vou explicar tudo isso em mais detalhes neste video, mas esses são os parâmetros. O meu recomendado de custo benefício mesmo vai ficar pra Parte 2, então aguardem pra ver.</p>
<p>Como eu estava dizendo, teclados mecânicos viraram moda ultimamente, o assunto virou notícia nos últimos anos não só por causa do aumento da comunidade de gamers profissionais, mas também por causa do fracasso homérico da Apple com os famigerados switches butterfly que sempre quebram e foram alvo de muita crítica até finalmente eles resolverem voltar pros antigos switches scissor que era o padrão até 2015.</p>
<p>Pra quem não acompanhou, por muitos anos os notebooks e magic keyboards da Apple usavam o design de switches que ficou conhecido como scissors porque as peças são conectadas no meio e sobem e descem parecendo uma pequena tesoura, conseguindo manter uma tecla fina e estável por cima. Era um design simples, feito com peças comoditizadas, testadas ao longo de anos e muito confiáveis. Raramente você ouvia falar de alguém reclamando disso.</p>
<p>Mas por volta do fim de 2015 a 2016 a Apple resolveu mudar esse design pro que ficou conhecido com switches butterfly ou borboleta porque as peças se movem parecendo as asas de uma borboleta. O objetivo era diminuir o que chamamos de key travel que é a distância entre a tecla em seu estado de repouso até ele encostar no final. O que chamamos de actuation ou acionamento do circuito da tecla em si costuma acontecer no meio do caminho antes de bater no final. Em notebooks é um espaço bem pequeno, na casa de 1 milímetro.</p>
<p>Teoricamente, com key travel menor você consegue trabalhar o frame, ou o casco do notebook pra ficar mais fino, coisa que sempre foi uma prioridade no design industrial da Apple. Porém, esse design tem pelo menos dois grandes problemas: diferente dos switches scissors, os butterfly usam peças mais frágeis e por causa do key travel super curto, o espaço embaixo da tecla quando sobe funciona como uma pequena sucção, atraindo sujeira pra baixo dela. Qualquer grão de poeira no lugar errado é suficiente pra travar a tecla. E isso foi tão comum que todo novo modelo de macbook lançado já vinha com reportagens das teclas estarem travando.</p>
<p>Umas 2 ou 3 revisões diferentes foram feitas, inclusive adicionando uma membrana fina de silicone ou algo assim ao redor do switch, mas mesmo assim as teclas continuavam com alto grau de defeitos. Depois de uns 4 anos tentando e toda vez fracassando, finalmente no fim do ano passado eles decidiram reverter pros switches scissor originais e até agora não vimos mais relatos desastrosos como os de antes. Mas apesar das más notícias no mundo Apple nesses últimos anos, também precisamos reconhecer que foi por causa dela que desde o ano 2000 as demais marcas tiveram que evoluir e oferecer teclados melhores.</p>
<p>Hoje em dia, dentre as principais marcas de notebooks, meus dois preferidos são os da linha Surface da Microsoft, em particular o teclado do Surface Book 2 que eu uso faz uns 3 anos e o lendário teclado dos Thinkpad, como desse Thinkpad Extreme que eu tenho faz quase um ano. O que mais varia em notebooks é o layout das teclas, em particular as da direita que tem as setas e navegação como page up ou home. Em termos das teclas em si, nenhum é excepcionalmente bom porque o próprio tamanho dos notebooks não permite teclas muito maiores. Em notebooks baratos demais o teclado é o menor dos problemas, mas dentre aqueles que começam na faixa dos mil dólares é mais questão de gosto mesmo.</p>
<p>Vamos ver como é o teclado do Surface Book 2 por alguns segundos pra vocês verem. São os que mais se assemelham aos da Apple na minha opinião.</p>
<p>(teclado Surface Book 2 - demonstração)</p>
<p>Agora vamos ver como é o do Thinkpad. Ele tem o lendário mamilo vermelho mas eu realmente nunca precisei dele em nenhum modelo que já testei. Considero bem inútil porque os touchpads hoje são bons o suficiente. Aliás, em termos de touchpad nada supera os da Apple, mas os notebooks premium tem touchpads competentes já. Mas vamos voltar pro Thinkpad.</p>
<p>(teclado Thinkpad - demonstração)</p>
<p>O que eu gosto dos dois primeiro é o chassi. Um dos grandes problemas de notebooks baratos é que eles usam chassis de plástico pouco resistentes e quando você aplica só um pouco de pressão no meio eles flexionam. Eles não são rígidos. Eu vou mostrar isso já já com outro teclado. No caso do Surface Book, ele tem mais key travel que os macbooks com switches butterfly e mesmo assim já estão no que eu considero o limite, de 1.2 milímetro de key travel e são um pouco mais resistentes que a maioria, requerendo uns 70 gramas de actuation force. Ou seja, você precisa aplicar 70 gramas de força pra tecla descer 1.2 milímetros e fechar o contato do circuito pra registrar a tecla.</p>
<p>No caso do Thinkpad Extreme, ele tem um key travel maior de generosos 1.7 milímetro. Meio milímetro pode não parecer muito mas faz bastante diferença pra um notebook de menos de 2 centímetros de espessura. Porém eu acho as teclas um pouco mais cansativas pra digitações longas porque precisa de 78 gramas de actuation force. Por isso eu disse antes que minha velocidade de pico fica na casa das 80 palavras por minuto e é bem mais difícil pra mim alcançar os 100.</p>
<p>No caso dos famigerados switches butterfly da Apple, eles eram tão rasos que estamos falando de um key travel de 0.7 milímetro, ou seja, menos de um milímetro. E pelas specs oficiais ele precisa de 70 centiNewtons de força ou aproximadamente 71 gramas de força. Portanto em termos de força é parecido com o Surface mas como o key travel é 1 milímetro menor, eu sempre senti como se estivesse batendo meus dedos na mesa. É muito cansativo pra longas sessões de digitação.</p>
<p>Vale lembrar que praticamente todos os principais notebooks usam switches scissor, não só a Apple como os modelos que eu mostrei acima. As patentes são dos anos 80 e eu não sei se os fabricantes precisam pagar royalties hoje em dia, e se sim isso também explica porque a Apple tentou um design diferente pra fugir de ter que pagar licença. Mas pelo visto switches scissor estão na ativa dos anos 80 até hoje porque passaram pelo teste de confiabilidade do tempo. Outra coisa que muitos não sabem é que esse switch usa um rubber dome ou domo de borracha no meio, que é o que dá a resistência do switch e que levanta a tecla pra posição original depois, ou seja, não é um mecanismo mecânico com molas. É a própria resistência do domo de borracha que levanta a tecla de volta.</p>
<p>Eu cito isso porque muita gente acredita que as diferenças em switches de teclado são basicamente os que tem rubber dome e os que não tem. Mas é um pouco mais complicado que isso como eu vou mostrar mais pra frente. Vamos pular de notebooks pra desktops e começar com um tecladinho bem vagabundo, hiper barato da faixa de 50 reais que eu comprei anos atrás só pra ligar temporariamente num raspberry pi que eu tava testando na época que eu só usava Macs e não usava teclados externos. Essa belezinha aqui de marca genérica chamada Bright.</p>
<p>(intro Bright)</p>
<p>É muito mais fácil falar de teclados bons começando por um bem fuleira que mostra tudo que tem de errado nos teclados baratos demais. Pra começar, o chassi inteiro e o frame são totalmente de plástico e dos mais vagabundos, olha como eu consigo torcer ele inteiro e como se eu aplicar só um pouco de força no meio ele afunda inteiro. Agora olhem também como ele tem zero estabilização nas teclas maiores como a barra de espaço. Quando se digita, você tem a sensação de estar afundando o dedo num pedaço de borracha escolar, e é praticamente isso que tem embaixo das teclas. É tudo meio molenga e ele faz você errar bastante enquanto digita. Mesmo assim eu resolvi fazer o teste de velocidade nele, mas foi super irritante.</p>
<p>(digitacao bright)</p>
<p>As teclas em si são provavelmente de ABS ou pior, PVC. Parece aqueles kits de brinquedo de plástico que tem tudo grudado numa grade e você vai recortando as peças e fica aquelas pontas de plástico. Tudo é meio folgado, todas as teclas balançam um pouco. Além disso veja meio inclinado que as letras e símbolos parecem algum tipo de adesivo, e teclas baratas assim normalmente tem as letras impressas por cima mesmo, que com o tempo apagam.</p>
<p>Lembram que eu falei que no caso do switch butterfly da Apple tinha key travel de menos de um milímetro e parecia que eu tava batendo os dedos numa mesa dura? Isso porque o chassi da Apple é de alta qualidade, rígido e de alumínio. No caso dos baratos de plástico que nem esse aqui, parece que eu tô escorregando os dedos por cima de plástico liso em cima algo molenga. Não tem firmeza nenhuma. Às vezes parece que você teclou e a tecla não registrou, ou você escorrega pro lado. A grande maioria dos teclados da faixa abaixo de 100 reais vai ser alguma coisa lastimável assim. Pra achar um razoável nessa faixa tem que pesquisar bastante, eu mesmo não conheço nenhum.</p>
<p>No mundo desktop, o normal nas últimas décadas são os teclados de membrana porque são os mais baratos de fabricar. Basicamente imagine uma placa grande embaixo, com uma matriz onde os cruzamentos seriam as teclas. Nesses cruzamentos tem traços, que estão abertos, ou seja, não fecham o circuito. Em cima dessa placa coloca-se uma manta de silicone ou borracha, que é a tal membrana. Essa membrana é impressa com o layout de onde fica cada tecla e nessas posições tem os rubber dome, ou domo de borracha, com um material condutor que quando você pressiona o domo pra baixo, ele encosta na placa e fecha o circuito daquela tecla. Finalmente, você fecha o teclado com uma frame ou corpo de plástico e encaixa as teclas nos buracos. Pronto, esse é o tipo de teclado mais barato e mais difundido.</p>
<p>Esse tipo de teclado é super porcaria. O que mantém as teclas pra cima é a resistência desse material borrachudo. Claro, a qualidade dos materiais vai variar de fabricante pra fabricante. No caso dos notebooks, a maioria não usa mais membranas, daí os domos de borracha são individuais em cada tecla, mas o conceito é parecido. Mas você vê que a maioria dos notebooks de 1000 dólares pra cima tem chassis mais rígidos, teclas mais estáveis, estabilização adequadas em teclas maiores como barra ou return e, principalmente, a qualidade do domo de borracha que não faz parecer que você tá apertando uma borracha escolar porcaria.</p>
<p>Na faixa acima dos 50 dólares eu acredito que a maioria das marcas mais conhecidas como a Logitech fazem teclados suficientemente bons. Não vão ser mecânicos como os que vou mostrar, nada excepcional, mas melhores que a porcaria que eu acabei de mostrar. A tal porcaria aliás é mais pro segmento de quem quer ligar um teclado numa smart TV pra achar um filme no Netflix mais fácil ou coisas bem curtas assim, não pra digitações longas. Dai qualquer coisa vai ser melhor que ficar usando as setinhas do controle remoto pra digitar num teclado virtual na TV.</p>
<p>Agora que falamos do mais porcaria, vamos pros modelos mecânicos que vocês querem ver. Este aqui foi um dos meus primeiros teclados mecânicos da última década. Importei faz uns 5 anos e este teclado é da faixa de uns 150 dólares. E como podem ver, este eu usei até que bastante. A marca na lateral já quase desapareceu e a impressão de várias teclas quase apagou. Esta versão 1.0 nem vende mais, o mais próximo seria o modelo 4C mas ele vem com teclas PBT e o meu provavelmente são teclas ABS ainda. Já já vou falar sobre PBT mas normalmente você sabe que as teclas são o mais barato ABS porque com o tempo ele vai ficando com essa aparência glossy brilhante de gordura ou sei lá.</p>
<p>Este Das Keyboard é alemão e parece uma construção alemã mesmo. Ele é sóbrio, super sólido, o chassi é de metal e tem zero flexionamento. Dá aquela impressão que se você bater com um martelo periga de trincar o martelo. Se você ver um teclado acima dos 100 dólares com chassi de plástico, fique longe. Aliás, eu não recomendo nenhum teclado dessa faixa de preço que tenha keycaps ABS. Mas como esse teclado é de uns 5 anos atrás, quando essa moda de mecânicos nem tinha começado, vou dar um crédito. Agora vamos ouvir um pouco essa belezinha.</p>
<p>(demonstração - daskeyboard - digitando)</p>
<p>Falando em alemão, claro, você ouviu bem: estes são os famosos switches Cherry MX Blue. Os mais barulhentos de todos, sendo tactile e clicky. A empresa Cherry existe desde os anos 50 mas foi na última década que ela se tornou internacionalmente famosa por causa dos seus switches. Vamos ver o raio X de um switch Cherry Blue. Ele requer 60 centinewtons que é quase 61 gramas de força pra descer os primeiros 2.2 milímetros pra fechar o circuito de um total de 4 milímetros de key travel. Ou seja, na teoria você não precisa descer os 4 milímetros. Eu não sou, mas sei que existem digitadores velozes que digitam super leve, só relando de leve nas teclas o suficiente pra descer os 2.2 milímetros sem marretar até o fim.</p>
<p>Na prática, eu diria que em switches Blue é bem difícil digitar leve assim porque 60 gramas é uma força considerável, pelo menos pros meus dedos, e o bump que dá esse clicky dificulta só relar na tecla de leve. Olhem com calma de novo, eu bem devagar, indo os primeiros 2 milímetros até o clicky e depois os 2 milímetros finais até o fim, notem como tem a primeira resistência até atingir os 60 gramas.</p>
<p>(das keyboard - 1 tecla devagar)</p>
<p>De qualquer forma o Blue é considerado um dos switches mais satisfatórios justamente por causa desse barulho. Eu pessoalmente já enjoei do barulho, que tem esse pitch mais agudo. Os switches Brown são tactile, com um leve bump mas sem esse click, e por isso o barulho é pouco mais grave e um pouco menos irritante. Vai de gosto, mas eu recomendo testar o Brown em vez de ir direto pra Blue se o barulho preocupa. Se você trabalha sozinho, em home office, e não tem mais ninguém do seu lado, tanto faz, mas é 100% de certeza que todo mundo vai se irritar com os Blue.</p>
<p>Dos switches que são tactile, os Blue são os que tem o som mais característico agudo. Daí você tem o Brown. Não só o som é diferente mas ele requer menos força, de 55 centinewtons em vez dos 60 do Blue pra chegar no acionamento ou actuation aos 2 milímetros em vez de 2.2 do Blue, embora ambos tenham os mesmos 4 milímetros totais de key travel pra bater as teclas até o final. Pra quem gosta de barulho mas também quer cansar menos em sessões longas de digitação, eu diria que o Brown é mais confortável. E é uma questão de gosto mas eu prefiro o som um pouco mais grave dos Brown do que o agudo dos Blue.</p>
<p>Saindo da categoria tactile você tem os lineares. E aí são vários modelos. O mais comum são os Cherry MX RED. Um exemplo razoável em custo benefício talvez seja como este meu Corsair K65 Vengeance. Esse é da faixa de 100 dólares e tem mais baratos como o K55 de 50 dólares mas também é um teclado de membrana e não mecânico. O meu K65 usa switches Cherry RED que são lineares. A diferença com o Blue é que ele não tem um ponto de acionamento com um bump, ele desce linearmente dos 2 milímetros do acionamento até o total de 4 milímetros. Vamos ouvir primeiro:</p>
<p>(digitação - Corsair K65)</p>
<p>Agora vamos ouvir bem devagar pra vocês verem que o switch em si não faz clicky. Só quando eu bato com força vocês ouvem.</p>
<p>(devagar - Corsair)</p>
<p>Este Corsair não é nada de excepcional mas é bem competente. O chassi dele é razoavelmente rígido, ou seja, você não consegue torcer ele e mesmo tentando apertar no meio, ele não afunda. Mas o que entrega pra mim que ele é da categoria um pouco mais barata são os keycaps. Notem que eles parecem de ABS, com os símbolos impressos por cima e que com o tempo vão ficar com aquela aparência de engordurado e com letras apagadas. Mas uma das vantagens de se usar switches Cherry MX é que eles meio que se tornaram um padrão, então você consegue encontrar kits de keycaps e escolher não só cores mas materiais melhores como PBT. E, por acaso, eu tenho aqui justamente um kit da própria Corsair com keycaps PBT doubleshot.</p>
<p>Agora é uma boa hora pra explicar a diferença. Pra começar eu fico falando keycaps mas tecla seria mais ou menos a mesma coisa. Enfim, keycaps ABS vocês já viram em todos os teclados que mostrei até agora. Tem mais porcaria que ABS, existem teclados super baratos que usam PVC, e eu ficaria longe desses. De qualquer forma ABS e PBT são acrônimos pro tipo químico diferente de plástico. ABS quer dizer em português Estireno de acrilonitrila-butadieno e PBT quer dizer Tereftalato de polibutileno. Na prática, são tipos diferentes de plástico, só que PBT é um de melhor qualidade, mais caro, mas tem o que engenheiros chamam de estabilidade dimensional, o que quer dizer que deforma menos sob pressão do que ABS ou PVC. E como basicamente você vai querer marretar essas teclas todos os dias, você gostaria de um material de maior qualidade.</p>
<p>Mais do que isso, muitos kits de keycaps PBT são também double shot, ou seja, eles são feitos com duas camadas de PBT e você pode ver olhando por baixo. Isso normalmente quer dizer que a camada de cima é vazada onde tem a letra e a camada branca de baixo preenche esse vazado. Ou seja, a letra nunca vai sumir porque não é uma impressão de tinta por cima e sim a segunda camada de PBT por baixo. E normalmente esse PBT debaixo é semi-transparente, daí muitos fabricantes colocam LED no switch e com isso você tem backlight que ilumina a letra.</p>
<p>Por causa desse processo você entende que maior qualidade significa usar switches melhores como os da Cherry, com keycaps doubleshot, com chassi de metal, e vão custar naturalmente mais caro. Mais do que isso, ABS e PVC tem um barulho diferente de PBT. ABS tem um som mais de “plástico barato” mesmo e PBT é um som mais cheio e mais robusto, um pouco mais grave também, parte por ser mais denso e mais pesado. Compare os dois lado a lado, o mesmo teclado da Corsair com os keycaps ABS originais &hellip;.. e agora trocando pras teclas PBT doubleshot.</p>
<p>(som - corsair trocando teclas)</p>
<p>Eu acho que teclas PBT tem som mais assertivo, a estabilidade das teclas um pouco mais pesadas é melhor, eles costumam ter uma textura diferenciada que não dá sensação dos dedos escorregarem, e no geral a sensação é bem mais satisfatória, só que agora ele deixou de ser um teclado de 100 dólares e pulou pra categoria de 150 dólares. Então de fato você recebe o que paga.</p>
<p>De qualquer forma, não quer dizer que as teclas ABS sejam totalmente ruins. Muitos notebooks caros usam teclas de ABS. Além disso você sempre pode começar com um teclado com um bom chassi e bons switches e depois pagar 50 dólares ou menos e pedir um kit de keycaps PBT doubleshot como nesse exemplo que mostrei agora. Assim você inicia investindo 100 dólares e depois consegue dar um upgrade.</p>
<p>Nessa mesma faixa dos 100 dólares da Corsair costuma estar outra marca que por alguma razão eu tendo a colocar na mesma categoria, que é a Cooler Master. E por causa da história dos switches bugados butterfly surgiram modelos de diversas marcas tentando trazer um pouco do perfil mais low profile de teclados como os antigos magic keyboards. Se você já usou um teclado da Apple da era de 2015 pra trás, vai lembrar que os de desktop eram muito parecidos com os dos macbooks. Low profile quer dizer frame menos espesso, teclas achatadas tipo chiclete, com pouco key travel, na faixa de 1 milímetro ou menos.</p>
<p>Daí eu vi a Cooler Master lançando o modelo SK630 que usa switches Cherry MX low profile que é um switch um pouco diferente dos demais porque tem o menor key travel de todos, com apenas 1.2 milímetro. E por cima disso a Cooler Master construiu keycaps flat, retos e finos com espessura da ordem de meio centímetro. Então esse SK630 parece uma versão mecânica dos antigos magic keyboard da Apple. Se você gosta desse estilo de keycaps finos e retos talvez esta seja uma boa alternativa. Esses switches parecem Red mais finos que precisam de 45 centiNewtons de força. Os keycaps em si parecem ser PBT doubleshot e acho que vale comparar o barulho dele com o Corsair com os novos keycaps PBT lado a lado também.</p>
<p>(comparação cooler master - corsair pbt)</p>
<p>Diferente do Corsair o material do frame é um pouco pior. Ele tem um pouco de torção e inclusive não é perfeitamente horizontal, dá impressão que tem uma leve curvatura. Se você procura o um teclado mecânico mais fino, com uma cara mais de Mac, esse é um candidato. E diferente do Corsair, este tem até RGB. Pelo mesmo preço eu diria que é algo a se considerar. No começo eu não gostei muito das teclas retas, mas é rápido de se acostumar e dá pra digitar rápido nela também. Mas tem um grande porém, se o objetivo for um teclado verdadeiramente low profile, esta primeira tentativa da Cooler Master talvez não seja a melhor. Eu não tenho, mas a Keychron tem o modelo K1 que é tecnicamente mais low profile do que este então vale a pena conferir no site deles.</p>
<p>Note que até aqui eu só estou comparando os materiais e qualidade de construção. Numa discussão de teclados, existem mais características como as que eu mencionei no começo do video, incluindo customização de macros, baixo input lag, anti-ghosting ou n-key rollover e mais. Isso faz mais diferença pra gamers profissionais que treinam pra serem competitivos em campeonatos. Um jogador profissional de Starcraft consegue fazer de 500 a 800 comandos por minuto; obviamente pra ele faz diferença um input lag milissegundos menor e que as teclas registrem corretamente sem ghosting, ou seja, você pode apertar várias teclas ao mesmo tempo e todas elas vão ser registradas corretamente.</p>
<p>Agora a realidade, pra mim, ou pra maioria de vocês que digitam textos normais como e-mails ou código de programação, dificilmente vão notar um teclado que não tenha todas as funcionalidades de gamers. Teclado gamer não é só RGB como eu já disse. De jeito nenhum, se o input lag for alto ou se tiver ghosting, ele não presta pra gamers. Mas pra digitação normal, você não vai notar tanto assim.</p>
<p>Mas uma funcionalidade que pra mim faz diferença apesar de não ser gamer é a qualidade do switch. Pra um gamer é importante o switch ser mais leve e com ponto de acionamento mais curto, portanto um key travel menor, pra que você possa registrar mais comandos, mais rápido e a tecla ter uma distância menor pra voltar pra posição de reset. E por isso dizem que switches lineares como os Cherry MX Red são mais voltados pra gamers. Por outro lado, pelas mesmas razões eu considero os lineares melhores pra mim que costumo digitar razoavelmente rápido. Eu disse que gamers profissionais fazem de 500 a 800 comandos por minuto? Digitadores velozes conseguem chegar em 400 toques por minuto ou mais, então estão perto da mesma faixa.</p>
<p>Recapitulando, eu disse que switches Blue tem força de acionamento de 60 centinewtons e 2.2 milímetros de pre-travel do total de 4 milímetros até bater no final. Já os Cherry MX RED requerem 25% menos força, ou seja, 45 centinewtons e tem pre-travel de 2 milímetros. Por si só, switches lineares são mais silenciosos que os Blue ou Brown. O switch em si não faz nenhum barulho, só a tecla batendo no chassi que faz. Além deles existem as variantes Silent Red e Speed Silver, ambos requerem os mesmos 45 centinewtons de um Red mas o pre-travel de um Speed Silver cai quase pela metade, pra 1.2 milímetro com key travel total de 3.4 milímetros em vez dos 4 do Blue. Na prática eu não conseguiria distinguir um Red de um Silent Red, mas um Speed Silver já dá pra sentir diferença.</p>
<p>Esse key travel curto começa a entrar no território de um notebook Thinkpad, mas precisando só de cerca de metade da força. Mas não existem só switches da Cherry. Diversos fabricantes começaram a desenvolver seus próprios switches pra se diferenciar e realmente otimizar o caso de uso de gamers. Um bom exemplo é a Razer, marca que é comumente associada com gamers. Os teclados de fato são bons. Não vou dizer o mesmo dos fones de ouvido mas eu acho que gamers não precisam de nenhuma Senheiser, B&amp;O ou Bose pra jogar Fortnite, eles só precisam de microfones pra dar uma xingada em alto e bom som. Mouses eu prefiro os da Logitech como o G502.</p>
<p>Por acaso, eu tenho dois modelos de Blackwidow da Razer. Um com switches Green que são semelhantes aos Cherry Blue e os Yellow que são lineares similares aos Cherry Red. Pois é, a Razer não quis deixar super óbvio com as cores. Vamos colocar ambos lado a lado pra vocês verem a diferença de novo de um switch tactile e outro linear do mesmo fabricante, no mesmo modelo de teclado.</p>
<p>(comparativo - razer green e yellow)</p>
<p>Vocês vão notar que ambos os teclados tem praticamente as mesmas especificações técnicas. Os chassis são de metal, os keycaps são PBT doubleshot, eles tem backlighting RGB customizáveis, e a única coisa diferente são os switches mesmo. Diferente da Corsair ou mesmo meu antigo Das Keyboard é que você imediatamente sente que tá digitando em uma construção super sólida. Nada nele balança, é tudo firme.</p>
<p>De novo, depende muito do seu gosto pelo som clicky do Razer Green ou menos barulho no caso do Razer Yellow. Quando eu uso o Green dá pra ouvir constantemente o distinto clicky agudo semelhante ao do Cherry MX Blue. Porém quando se usa o Yellow linear, você sente mais o barulho do keycap mais denso de PBT contra um chassi rígido quando a tecla chega até o fim. Em termos de switches, pode parecer heresia mas eu diria que prefiro a configuração da Razer mais que os Cherry originais.</p>
<p>O Green da Razer, comparado ao Blue da Cherry, requer menos força de acionamento, em vez dos 60 centinewtons ele precisa só de 50, então é um pouco mais leve até do que o Cherry Brown. E em vez de ter que descer 2.2 milímetros pra acionar, o Green precisa só de 1.9 milímetros. Exatamente porque a Razer foca em gamers, ele refinou o estilo tactile clicky de um Cherry Blue pra precisar de menos força. Já o Yellow da Razer é parecido com o Speed Silver da Cherry precisando dos mesmos 45 centinewtons de força de acionamento e tendo um pre-travel curto de 1.2 milímetro que é quase metade do Cherry Blue. Ou seja, são switches que de fato são mais voltados pra competição, focando em conseguir registrar mais comandos por minutos exigindo menos força e menos key-travel do que os Cherry.</p>
<p>Repetindo, eu não sou gamer competitivo, mas eu acho que os switches lineares com key travel menor que 2 milímetros são melhores pra digitadores rápidos e nesse caso o Razer Yellow é muito mais próximo do Cherry MX Speed Silver do que do Red. Digitar no Corsair com switches Cherry Red é bem rápido pra mim, mas o Blackwidow com switches Yellow da Razer são uma boa competição. Ambos são bons e rápidos mas a construção mais robusta da Razer pra mim é mais satisfatória.</p>
<p>Falando de switches diferentes, um concorrente que eu diria que é pau a pau com essa solidez do Razer Blackwidow é o Logitech G Pro. Pra começar, ele é um pouco mais barato que o Blackwidow Chroma V2 que custa hoje uns 140 euros e o G Pro custa 130 euros. E essa diferença de 10 euros é perceptível. Na ponta dos dedos me dá a impressão dos keycaps da Razer serem mais sólidos, mas isso talvez seja porque no G Pro quando você bate a tecla até o fim o som é levemente mais abafado e no Blackwidow você tem um som um pouco mais metálico no fim. Na prática o G Pro é mais silencioso do que o Blackwidow. Se colocarmos lado a lado você deve sentir a diferença:</p>
<p>(compare blackwidow vs g pro)</p>
<p>A Logitech tem alguns conjuntos de switches diferentes. A mais próxima da Cherry é a série GX que tem GX Blue, Brown e Red que mais ou menos se aproximam do Cherry Blue, Brown e Red respectivamente. Diferente da Razer a Logitech preferiu seguir as mesmas cores. Mas o que eu tenho aqui é o Romer-G Linear. Comparado aos GX ele requer menos força de acionamento de 45 gramas e um pre-travel de só 1.5 milímetros. Portanto ele também é quase comparável a um Cherry Speed Silver ou Razer Yellow.</p>
<p>Pra usar no escritório eu tenho preferido o G Pro justamente por ser um pouco mais silencioso no geral que o Corsair K65 ou o Razer Blackwidow. A construção do chassi e dos keycaps parecem mais balanceados pra abafar barulho. Ele não chega a ser totalmente silencioso, mas em comparação ele é bem mais suave e o que menos incomoda pessoas ao redor. O Cooler Master que mostrei antes também é silencioso mais ou menos no mesmo nível do G Pro.</p>
<p>Mesmo se você escolher um switch linear que, por si só praticamente não faz barulho no acionamento da tecla, ainda assim a ação de bater a tecla até o fim faz barulho. Daí depende muito do material dos keycaps e da construção do chassi. Ser de metal ajuda na rigidez mas também pode aumentar o barulho. Se você escolhe um switch tactile clicky como o Cherry Blue, isso só adiciona som extra. Em qualquer dos casos, você pode escolher diminuir o som do switch e dessa batida da tecla usando um O-Ring. São super baratos e basicamente são pequenos anéis de borracha que você coloca embaixo do keycap, então ele ao mesmo tempo serve de amortecedor pra diminuir o som da batida e também diminui o key travel, fazendo com que ele seja mais curto. Se estiver usando o Cherry Blue ainda vai ter um clicky mas ele vai ser menos irritante e o som no geral vai ser menor. Então é outra opção que talvez você queira experimentar.</p>
<p>Enfim, depois que eu migrei pra switches lineares um colega me falou de uma marca que eu nunca tinha ouvido falar, a Matias e o teclado Matias Quiet Pro que, segundo seu website clama, é o teclado mais silencioso do mundo. O design dos switches é mais inspirado nos switches Alps do que na Cherry e, de fato, é um teclado silencioso, ouçam comparado com o G Pro:</p>
<p>(matias comparado com G Pro)</p>
<p>O switch deles tem 60 gramas de força de acionamento e key travel total de 3.5 milímetros, o que coloca ele em território dos Cherry Brown. De fato, se eu for simplesmente pelo mais silencioso esse é de longe um dos mais quietos, mesmo se comparado com o G Pro que eu acabei de dizer que é bem silencioso.</p>
<p>Porém a 130 dólares não dá pra recomendar. Pra começar o corpo do teclado é de plástico e não um que me inspira muita confiança. Diferente da Cooler Master que pelo menos tenta ser mais fino, esse ainda é gordão. Não é algo que você consegue torcer fácil nem afundar, mas ao digitar você sente que tá digitando em cima de algo que parece mais oco e menos rígido. Os keycaps também são de ABS, com as letras impressas em cima, ou seja, é questão de tempo até ele ficar glossy e as letras apagarem. Fora isso, não tem backlight. Eu não faço questão de RGB mas uma luz branca faz falta especialmente porque eu gosto de digitar a noite com pouca luz. E esse teclado é um 75% o que significa que tem muitas teclas importantes com funções duplicadas, por exemplo, o Home é o Page Up com a tecla de function, o End é o Page Down com a tecla function.</p>
<p>Aliás, é uma boa hora pra falar de tamanhos de teclado. O tamanho grande ou full-size é aquele mais parecido com o layout original de um IBM antigo, com a coluna do meio com teclas de navegação como home, end, page up e down e a terceira coluna da direita com o teclado numérico, que eu imagino que nenhum contador consiga viver sem. Eu comecei como programador num teclado full-size dos anos 90 mas eu nunca fui particularmente rápido no numérico e com o passar dos anos eu nunca precisei gastar muitas horas preenchendo planilhas ou algo assim, então pra mim não faz falta.</p>
<p>Mais do que isso, quando eu uso um teclado centralizando só a parte das letras com o meio da tela, significa que meu braço vai ter que esticar muito pra direita pra usar o mouse, e isso cansa mais o braço. Eu prefiro ter o mouse mais próximo. Por isso também teclados de gamers tendem a ser pelo menos tenkey-less, sem numérico, pra ter mais espaço pra fazer movimentos longos de mouse. Em particular pra gamers de FPS, quanto mais espaço tiver na direita pro mouse melhor, por isso existem até teclados que são só a metade da esquerda que é onde normalmente você mapeia navegação, strafe e outros comandos e você raramente usa as teclas do lado direito. Assim você duplica o espaço pra movimentar o mouse.</p>
<p>Se eu quiser ir ao extremo existem os layouts 60% ou até mesmo 40% que, como os nomes dizem são 60% ou 40% do tamanho de um full-size. O 60% não tem a segunda coluna de teclas de navegação, então coisas como seta, page up e tudo mais precisa apertar uma combinação de function e alguma outra tecla. Pior, não existe a linha de teclas de função em cima das teclas de número, as teclas F1 a F12, então muitas vezes a tecla Esc que fica no começo dessa linha tem que descer e ficar do lado da tecla 1, e com isso a tecla que normalmente fica lá que é til e backtick não existe e você precisa usar uma combinação de teclas.</p>
<p>Pra digitar português onde você acaba precisando do til, isso é extremamente cansativo. Navegar usando combinação de teclas também é cansativo. Eu realmente não recomendo. Na dúvida eu ficaria num tamanho abaixo do full-size que é o chamado TKL ou tenkey-less, ou seja, é um teclado full-size sem a parte numérica da direita. Todos os teclados que mostrei até agora, incluindo o Blackwidow, G Pro, Corsair foram Tenkeyless.</p>
<p>Porém este Matias Quiet Pro que estou mostrando é um tamanho abaixo disso, de 75%, ou seja, ele retém a linha de teclas de função que tem o Esc no lugar certo, mas retém só metade das teclas de navegação, onde algumas precisam ser combinações de teclas, mas no mínimo tem as setas. Se você digita num editor de programação como Sublime, VS Code ou Vim, consegue remapear facilmente pra outras teclas como “h j k l” e não chega a ser totalmente ruim, mas se como eu precisa navegar por telas de Word ou Google Docs, ou mesmo no caso de editar vídeos, realmente é desconfortável sem ter setas ou um home e end. Por isso só recomendo layouts abaixo de 75% se você realmente passar 90% do seu tempo só em código ou games.</p>
<p>Existe até layouts absurdos como 40% que se livra da linha de teclas de número em cima do qwerty. Mas pra mim isso já é mais exibicionismo e tem zero praticidade no dia a dia. De novo, se o que você mais faz é games, talvez não faça diferença. Como uma curiosidade, um segundo teclado pra brincar ou algo assim, pode ser legal. Se o objetivo for um teclado que seja fácil de transportar na mochila, pra trabalhar de verdade, então no máximo um 65% wireless é mais que suficiente. E sim, eu sei, alguns poucos entusiastas se forçam a gostar desses layouts minúsculos, mas eu acho que pra maioria das pessoas não compensa o esforço pra ganhar alguns poucos centímetros na mochila.</p>
<p>O Matias Quiet Pro é um teclado realmente silencioso como diz a propaganda mas cujos materiais não condizem com o preço. Se ele custasse menos de 100 dólares talvez, mas a 130 eu prefiro já ir pro Blackwidow ou G Pro que tem materiais e acabamentos muito superiores por uma diferença pequena de preço.</p>
<p>O último switch diferente que eu queria mostrar hoje é uma peça que você precisa importar da Ásia, e são os switches Topre. O original é da marca RealForce e o modelo que vocês estão vendo é o RealForce 87 U  fabricado no Japão. Só por causa disso eu não posso recomendar esse modelo porque dependendo do frete o preço final pode chegar a absurdos 500 dólares, nos Estados Unidos. Você consegue achar outros fabricantes como a Leopold da Coréia do Sul ou a Ducky de Taiwan que dentre outros switches também oferece modelos com Topre. Aliás, a grande maioria dos teclados que estou mostrando hoje e no próximo video são importados, então varia frete e impostos. Marcas mais famosas como Corsair, Razer e Logitech você tem mais chance de encontrar por aqui. Vai variar caso a caso então só pesquisando mesmo. Fucem Mercado Livre e Aliexpress antes.</p>
<p>Eu comprei o meu pela Amazon e em 2018 já custou salgados 270 dólares mais o frete pra cá e por sorte não caiu em tributação quando chegou, se não me engano. E vai custar caro mesmo, porque vem do Japão. Se comparado ao Matias ele é beeem melhor construído. Mas a qualidade de construção da Razer ou Logitech ainda é superior. O layout é tenkeyless o que torna ele bem mais confortável pra usar no dia a dia. Uma coisa que me incomoda nele é que além de não ter backlight o design é letras escuras em cima de keycaps pretos, então se for comprar recomendo a versão clara.</p>
<p>O correto de fato é digitar sem olhar e normalmente eu faço isso mesmo. Comparado ao Matias que é um 75% isso me incomoda menos aqui porque eu não preciso ficar lembrando quais combinação de teclas que é home ou end, mas por esse preço eu ia gostar de ter um backlight. De qualquer forma a motivação toda pra se comprar um RealForce são os switches.</p>
<p>Tecnicamente os switches Topre não são mecânicos. Na realidade eles são rubber dome. Lembra o que eu expliquei no começo sobre domos de borracha? A diferença é que debaixo do domo existe uma mola também, o que oferece uma resistência e retorno melhor. Diferente de um rubber dome ou mesmo membrana, o Topre você não precisa bater até o fim pra registrar. Mas diferente dos Cherry o ponto de acionamento é bem mais alto, mais no começo da batida em vez de ser no meio. Então dá sensação que você faz uma força inicial maior com um acionamento no alto e depois disso a resistência do domo é mais leve do que nos mecânicos e você vai até o fim rápido. O meu requer 55 gramas de força mas como o acionamento é bem mais no começo, me dá impressão de estar digitando num switch mais pesado que o Cherry Blue ou Black.</p>
<p>Eu falei no começo sobre o teclado do Thinkpad que é um scissor switch normal mas com um key travel maior de 78 gramas de força de acionamento. Tanto o Thinkpad quando este RealForce são os que mais cansam meus dedos em sessões longas. É importante notar que eu estou mais acostumado com switches lineares de 45 gramas, por isso a diferença é muito gritante e é mais uma questão de adaptação. Também depende da sua mão. Mãos maiores que as minhas vão ter bem menos problema com switches mais pesados como esses.</p>
<p>Em termos de barulho, os switches em si são silenciosos. Ele tem o bump de um switch tactile como o Brown e assim como ele não tem o clicky de um Blue. De novo, o barulho maior é da tecla batendo até o fim no chassi e não do switch em si. O som geral é levemente mais emborrachado, mais contido e suave, lembrando mais o Matias. Mas diferente dos de membrana normais, ele é assertivo o suficiente pra ser satisfatório e não parece que você tá apertando uma borracha escolar em cima de plástico barato.</p>
<p>Falando em plástico, os keycaps são bem duros encaixado nos switches e eu não consegui tirar nem com a pinça, também preferi não forçar porque não sei se o mecanismo quebra se forçar, mas pela aparência, pela textura que não escorrega e aparente rigidez, me parece que são keycaps de PBT. Então, se você por acaso estiver pela Ásia, procure por teclados com switches Topre, no mínimo vale testar porque a sensação é muito diferente dos mecânicos normais.</p>
<p>E por hoje chegamos ao fim. Ainda tem mais teclados, vou guardar os mais interessantes pra Parte 2. Resumindo, em termos de switches você tem os Cherry MX, Blue e Brown se quiser uma tecla com um bump na hora de apertar e um clicky no caso do Blue ou os lineares como Red ou Speed Silver se quiser algo mais leve e mais rápido. Switches Gateron ou Kaihua são bons clones compatíveis e vou mostrar exemplos no próximo episódio.</p>
<p>Marcas mais mainstream como Razer Blackwidow ou Logitech G Pro são ótimas opções na faixa dos cento e pouco dólares se quiser algo com uma construção mais sólida e switches resistentes e confiáveis como os da Cherry, mas mais voltados pra velocidade e gamers, que eu pessoalmente prefiro. Modelos igual ou acima do K65 da Corsair podem ser uma opção um pouco mais barata e igualmente satisfatórios mas um pouco mais barulhentos pelos materiais usados.</p>
<p>Como sempre, não façam perguntas simples que um Google pode responder. Eu achei todos esses teclados sem ler um único fórum, foi aos poucos, pesquisando sobre cada switch, sobre cada marca, um a um ao longo de 5 anos. E lembrando que dos quase 30 anos de carreira só nesses últimos 5 eu comecei a comprar esse tipo de teclados. Quer dizer que nos primeiros 10 a 15 anos eu usei teclados de membrana mais porcaria que tinha porque era o que dava pra comprar. E nem por isso eu programei pior ou mais devagar. Assim como um carro de corrida, primeiro você precisa aprender a ser piloto pra tirar o máximo que o máquina pode entregar. Antes disso qualquer coisa serve. De qualquer forma não deixem de mandar um joinha se curtiram o video, assinem o canal e cliquem no sininho pra não perder a parte 2. Compartilhem o video pra ajudar o canal. A gente se vê na parte 2, até mais!</p>
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